um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A VERDADE DOS NÚMEROS


O PIB cresceu no primeiro trimestre do ano 2,8% em relação ao primeiro trimestre de 2016 e 1% em relação ao quarto trimestre de 2016. São números compreensíveis pelo comum dos cidadãos, reflectindo uma informação do Instituto Nacional de Estatística. Com os contributos na óptica da despesa e da produção para essa variação. Produzimos mais do que gastamos, em termos gerais. É a tendência recente, embora ténue. Não esquecemos que o PIB do  nosso pais está em termos reais ao mesmo nível de há 12 anos atrás (de 2005)
Desses 2,8% de crescimento, o grosso (cerca de 2,3%) é resultante da procura interna, constituído pelo consumo privado, consumo público e investimento. Os restantes 0,5% são procura externa liquida, constituída por exportações menos importações. Esta informação sendo de mais difícil compreensão pelo leitor, tem contudo sérias consequências. Vejamos as parcelas.
O País cresce quando se estimulam os rendimentos das pessoas, aumentando o salário mínimo, repondo os valores de salários e as pensões, e se promove o consumo. O País cresce aumentando o investimento público e privado, aumentando as exportações e reduzindo as importações. Os que sempre defenderam esta estratégia estavam e estão certos. Os que defenderam outrora (hoje já não, publicamente!) a retracção, a austeridade, a redução do valor do trabalho, a emigração de quadros e famílias, estão errados.
Claro que há (ou havia) investimento público errado, obras faraónicas sem controlo orçamental, projectos de TGV desadequados á realidade. Claro que há (ou havia) recurso fácil a crédito pelos privados, para investimentos financeiros, para consumos de luxo, para vidas corruptas no País e no estrangeiro. Claro que há (ou havia), negócios com comissões milionárias, participações promíscuas no capital de empresas privatizadas por parte de gestores públicos. Mas o ciclo, este ciclo pós cavaquista de regeneração politica e moral, pode e tem de se inverter.
Alguns (nós próprios) identificarão alguns circunstancialismos favoráveis e desfavoráveis á conjuntura económica. O Turismo atravessa uma fase de pujança, sendo nítido o seu contributo para a reanimação económica, os serviços, e a reabilitação urbana. Beneficiamos claramente de zonas turísticas de paz e segurança, em contraste com concorrentes a atravessar grandes dificuldades de captação de correntes turísticas. Até quando? A desvalorização do Euro e os juros baixos, são bons auxiliares da política económica. Até quando? E a criação de Emprego cresceu do primeiro trimestre de 2016 para o primeiro trimestre de 2017 cerca de 150.000. Poderemos manter tal tendência?
Nas importações cujo crescimento em valor ultrapassa o das exportações (que não em volume) sobressai o valor do barril de petróleo Brent que cresceu 59,3% num ano. Este é um factor desfavorável e imprevisível de conter no futuro.
É portanto no aumento da produção nacional, na substituição das importações, na promoção de exportações de elevado valor acrescentado, que devemos apostar. É numa política de auto-suficiência alimentar e energética, de procura de retomar a soberania (com ou sem Euro), que teremos futuro. É acelerando processos de regeneração e modernização do Estado, nomeadamente dos serviços públicos essenciais (Administração Central e Local, Justiça, Educação, Administração Fiscal) que encontraremos no futuro números sustentados.
As famosas agências de rating continuam contudo a desclassificar a situação financeira do País. Num irreprimível augúrio de desgraça, a direita portuguesa alinha nessas previsões pouco sérias. Com a globalização, acentua-se a ideia de promover Estados fracos, com líderes “básicos” e com a livre circulação de capitais a nortear políticas nacionais e internacionais. Às notações das agências de rating só podemos responder com políticas patrióticas e de desenvolvimento.
CR
    

Sem comentários:

Enviar um comentário