um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Contributo para estudo de sociologia politica em Portugal

Ricardo M. Santos


As subvenções do Estado e as receitas dos principais partidos politicos em Portugal. Traços da sua identidade

Chico Buarque - João e Maria





Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Psicólogos: a falta de profissionais e a precariedade que impera

(em Abril Abril)

Vêm a público dois problemas substanciais vividos pelos psicólogos: a elevada precariedade laboral nos seus vínculos e a falta de profissionais em vários contextos. Os psicólogos escolares são um exemplo.
Hoje, nas escolas há uma realidade de um psicólogo por cada 1700 alunos

No Serviço Nacional de Saúde existem 553 psicólogos, o que equivale a um para quase 18 mil utentes. De acordo com os números avançados pelo Jornal de Notícias no dia 28, por exemplo, na região do Alentejo existem apenas 20, e no Algarve são 18. Na realidade das escolas falamos de um psicólogo para cada 1700 alunos. Dos 31 cursos de psicologia, são formados cerca de 1500 por ano.

João Freire, do Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP), lembrou os muitos casos de psicólogos a prestar serviço em diversas entidades e remunerados através de «falsos recibos verdes», para além de serem sobrecarregados de trabalho, «até administrativo e de limpeza, como forma de assédio moral tendo em vista a saída do trabalhador e a sua substituição por alguém mais barato, aproveitando-se da elevada taxa de desemprego nestes profissionais».
Hoje o acesso à profissão depende de um estágio profissional remunerado no quadro da candidatura à Ordem de Psicólogos. João Freire, em declarações ao Jornal de Notícias, considera que «os estágios são, por si, uma falsa medida de insersão profissional», alertando para que, como se vê nas estatísticas, muitos acabam por não ficar no local onde fazem estágio.
O caso dos psicólogos escolares
Segundo dados do recente relatório do Conselho Nacional de Educação, o número de psicólogos nas escolas desceu brutalmente nos últimos anos. De um número de 1584 em 2010-2011, passaram a 489 em 2014-2015.
O sindicato acusa «os sucessivos governos», que foram tendo «maior ou menor dificuldade em reconhecer o papel do psicólogo no sistema educativo» e afirma que foram sendo os próprios trabalhadores a conquistar espaço dentro das escolas portuguesas, com «conquistas e mudanças» como os Serviços de Psicologia e Orientação e a constituição da carreira nos anos 90.
«Segundo dados do recente relatório do Conselho Nacional de Educação, o número de psicólogos nas escolas desceu brutalmente nos últimos anos. De um número de 1584 em 2010-2011, passaram a 489 em 2014-2015.»

Depois da suspensão de concursos nacionais para estes profissionais em 1997, apenas verbas dos quadros comunitários para alguns projectos foram permitindo a contratação de profissionais, ainda que de forma precária, até 2007.
A partir desse ano, com o começo da contratação de escola, a situação continuou difícil para os psicólogos. Contratos anuais, contratos mensais renováveis, o surgimento galopante de meios horários, com vagas dependentes de critérios que, segundo o SPN, «nem direcções escolares nem profissionais compreendiam». Em 2010, um corte superior a 50% nas vagas atirou centenas de profissionais para o desemprego e a maioria dos profissionais foi colocada nas escolas apenas em Dezembro.
Outro dos problemas prende-se com o facto de não estarem definidos limites na acção destes trabalhadores, que tanto podem intervir num contexto de 500 como de 5000 alunos.
Segundo o sindicato, o modelo actual de contratação acarreta, para além da instabilidade profissional fruto da situação precária para os próprios psicólogos, «consequências negativas para as escolas, para os alunos e para as famílias». Consideram que os concursos anuais, com atrasos na colocação dos profissionais e a elevada rotatividade de ano para ano, afectam a qualidade da intervenção psicológica, que se torna «mais remediativa do que preventiva», impedindo um trabalho continuado e uma planificação alongada, inviabilizando um envolvimento mais profundo do psicólogo com a escola e a comunidade, podendo mesmo «tornar os membros da comunidade educativa resistentes à intervenção psicológica».
As declarações do subdiretor-geral de Educação no 3.º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses realizado esta semana, anunciando a possibilidade de abertura de concursos no início do próximo ano para melhorar o rácio de psicólogos nas escolas, sendo uma boa notícia para o SPN, não deixa de «ser limitada» na sua perspectiva, pois «ficam por responder muitos dos problemas».
As propostas e exigências do sindicato
 Perante este contexto, várias são as propostas contidas no caderno reivindicativo do SPN para psicólogos escolares. Defendem o fim da contratação de escola e a abertura imediata de concursos públicos nacionais, tendo em vista a efectivação dos profissionais.
Reivindicam a constituição legal e específica da carreira do psicólogo escolar, com respeito pelos índices remuneratórios ajustados. Estes profissionais lutam igualmente pela determinação efectiva de funções, com a previsão do tempo de planeamento de actividades em número fixo de horas a nível nacional.
O número de vagas, segundo o sindicato, deve ser definido em função de um rácio de 500 alunos por cada psicólogo.
O caderno reivindicativo ainda deixa patente a proposta de constituição de redes nacionais de serviços, com contacto e afectas directamente ao Ministério da Educação, respeitando a autonomia científica e profissional dos psicólogos e combatendo «a instrumentalização resultante do isolamento dos trabalhadores».

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A SAGA DOS MIRÓ´S OU O CRIME QUASE PERFEITO...

Os portugueses vão poder conhecer finalmente a obra de Miró durante 3 meses exposta na Fundação de Serralves no Porto. No futuro em local próprio o Porto albergará a obra.

A colecção era do BPN nacionalizado em 2008 e estava sob a gestão da Parvalorem, empresa de capitais públicos que geria activos e recuperava créditos daquela instituição bancária. A secretária de Estado do Tesouro do governo PSD/CDS Isabel Castelo Branco defendia a venda da colecção de 85 quadros de Miró em leilão da Christie's e dizia que eram precisos muitos anos para obter o retorno da colecção. O Presidente do Conselho de Administração da Parvalorem Francisco Nogueira Leite alinhava no mesmo tom. Apareciam vozes idiotas que desvalorizavam as obras como menores.

O secretário de Estado da Cultura dizia que era "uma mistificação" classificar as obras de Miró como pertencentes ao Estado. Barreto Xavier disse que a colecção Miró, proveniente dos activos do antigo BPN, não era uma prioridade para o Governo, e que sua transferência para a área da Cultura tinha custos para os portugueses.

As obras de Miró saíram de Portugal por mala diplomática. A decisão do Governo de vender a colecção Miró foi tomada contra os pareceres pedidos pela Direcção Geral do Património.

Mas a sociedade civil indignou-se. O novo poder politico arregaçou as mangas e num arrojo de patriotismo decidiu assumir a obra como património público. O seu valor é estimado em licitação de 35 milhões de euros. mas pensa-se valer muito mais. Mas acima de tudo, é Portugal na rota da Cultura, da Criatividade e do Património universal.

O cavaquismo esteve quase a cometer o crime perfeito...


CR

terça-feira, 27 de setembro de 2016

TRAFULHAS

A criação do clima para o golpe continua

O FMI, que volta meia volta vem confessar que se enganou para depois receitar a mesma coisa, a mesma terapêutica  que levou à mais profunda recessão, queda do investimento e brutal acentuação das desigualdades, vem agora, na sua recente análise à economia portuguesa, «Portugal: growth needs further reforms», pela primeira vez, sublinhe-se, com uma referência explícita ao risco de novo resgate. 

Esta afirmação que nada tem de técnica, para além de preparar a opinião pública tem como efeito dar justificação aos ditos mercados para o aumento das taxas de juro.

Na verdade, candidamente, o FMI, sócio da Troika, afirma que «O baixo crescimento, a despesa pública o atraso nas reformas e bancos frágeis não permitirão a convergência com a zona Euro, e poderão levar à perda de acesso ao mercado, mesmo perante pequenos choques.»

E, tornando os avisos/chantagens ainda mais claros, o Fundo diz-nos que o baixo custo de financiamento da República se deve às compras do BCE (quantitativ easing).

Isto é, lembra-nos (ameaça/chantagem) que se o BCE nos tirar o tapete via DBRS (o golpe) as taxas de juro subirão. O Banco de Portugal, fazendo coro, já veio dizer que sem o BCE as taxas estariam 2,5 pontos acima das verificadas.

 Sem rodeios, o FMI aponta como solução para o défice um corte de 900 milhões de euros na despesa do Orçamento do Estado para 2017, para além da pressão sobre mais cortes em 2016!

E onde deverão ser feitos esses cortes?

«Na rigidez laboral» como sempre.

Camilo Lourenço, um dos sacristães (sacristanum) da  missa cantada do neoliberalismo, descodifica e vai directo ao assunto: cortes nas pensões, salários e prestações sociais. (Negócios, 23 de Setembro de 2016)

Em tom triunfante acrescenta  ainda, precisamente o contrário do que defendem PCP e Bloco.

É a receita da austeridade perpétua, isto é, da continuação da política de concentração da riqueza, como recentes estudos, mais uma vez, evidenciaram.

E quando se procura fazer alguma correcção fiscal, mesmo que timidamente para atenuar a acentuação das desigualdades,  o coro dos defensores dos grandes senhores do dinheiro grita em uníssono: é a classe média, é a classe média. 

"É a classe média mais uma vez, a ser atingida."

 Trafulhas e golpistas!


Carlos Carvalhas

domingo, 25 de setembro de 2016

A Viagem dos Cem Passos





A Viagem dos Cem Passos é um filme americano de 2014. Comédia dramática dirigida por Lasse Hallström a partir de um argumento escrito por Steven Knight, adaptado do romance de 2010 com o nome 'The Hundred-Foot Journey" de Richard Morais . O filme protagonizado por Helen Mirren, Om Puri, Manish Dayal e Charlotte Le Bon conta a história de uma desavença entre dois restaurantes vizinhos numa pequena cidade francesa: um explorado por uma família indiana recentemente chegada e o outro, um restaurante prestigiado com estrelas Michelin.

Produzido por Steven Spielberg e Oprah Winfrey para a DreamWorks Pictures através de suas respectivas empresas de produção, a Amblin Entertainment e Harpo Films, em associação com a Participant Media e Nation imagem, o filme foi lançado pela Touchstone Pictures, em 8 de agosto de 2014, recebendo críticas positivas e com quase $ 90 milhões de bilheteria em todo o mundo.

cruzeiros em Leixões



Marina 

Bandeira Marshall - ano 2011 - Porte bruto 8676 t, medidas 239.3 m x 32.19 m

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Juntar com o bico e espalhar com as patas



O saldo do que aconteceu na última semana, depois do apressado anúncio feito pelo BE e confirmado pelo PS a propósito do imposto sobre o património imobiliário de valor elevado, confirma que posturas e critérios errados não se limitam apenas a criar dificuldades a boas medidas que podem ser tomadas, oferecem ainda de bandeja a outros (neste caso a PSD e CDS) a oportunidade de branquearem as suas opções.

Uma ideia que podia vir a ser uma boa proposta fiscal foi imediatamente transformada num alvo de todo o tipo de bombardeamento especulativo, está a ser apresentada como uma ameaça e, pior de tudo, deu a PSD e CDS uma oportunidade de ouro para ocultarem a responsabilidade pelo saque fiscal que impuseram e criarem dificuldades à sua reversão. Ao anunciar a criação de um imposto cujos principais elementos estavam ainda em discussão – incluindo entre o PCP e o Governo –, o BE procurou, uma vez mais, antecipar-se no anúncio de uma medida de forma a chamar a si os créditos pela aprovação daquilo que não depende apenas da sua vontade ou intervenção.

A confirmação pelo PS, ainda que admitindo a indefinição de alguns dos elementos do imposto, contribuiu para o que veio a acontecer ao longo dos últimos dias.

Uma medida que pode contribuir para maior justiça fiscal fazendo cobrar mais impostos a uma minoria de contribuintes que tem património de valor mais elevado foi transformada, com o inestimável contributo do BE, numa ameaça à generalidade dos contribuintes a partir da especulação sobre o número e valor dos imóveis a abranger, do destino que é dado ao imóvel e de outros elementos por definir. O coro de comentadores, em geral comprometidos com a política de saque fiscal do anterior governo PSD/CDS e cumpridores das orientações determinadas pelo grande capital, encontrou neste tema o mote para a especulação e a desinformação, não apenas para criar dificuldades à aprovação de medidas que ponham a pagar mais impostos quem tem mais rendimentos ou património mas também repetindo os argumentos com que têm procurado evitar as medidas de alívio de impostos sobre aqueles que menos têm.

Um imposto cuja criação poderia ser um elemento positivo e apoiado amplamente, desde que ponderado devidamente em todas as suas implicações, apresentado em devido tempo com todos os seus elementos definidos para que todas as pessoas soubessem exactamente o que é e a quem se aplica, está agora transformado num instrumento de confusão e de receio injustificado para muita gente.

A par disso, e sabendo muito bem do mediatismo que sempre gera a discussão sobre impostos, PSD e CDS aproveitaram a oportunidade para construir uma narrativa que apague da memória as suas opções de saque fiscal aos trabalhadores e ao povo e de benesses fiscais ao capital, procurando ainda criar a ideia de aumentos de impostos.

Combater a injustiça

É necessário que ninguém se esqueça do que significaram as opções fiscais do governo PSD/CDS sintetizadas (ainda assim aquém do que seria adequado...) naquela conhecida fórmula do então ministro das Finanças Vítor Gaspar: «enorme aumento de impostos.»
Esse «enorme aumento de impostos», que aumentou de um ano para o outro em 35 por cento a cobrança de IRS, o que significou num só ano a cobrança de mais três mil e 200 milhões de euros, permitindo ao governo PSD/CDS arrecadar no IRS de três anos o equivalente a quatro. Esse «enorme aumento de impostos» com que PSD e CDS esmagaram os rendimentos do trabalho ao mesmo tempo que reduziam o IRC às grandes empresas e grupos económicos, baixando a taxa do IRC primeiro de 25 para 23 por cento e depois de 23 para 21 por cento. É esse «enorme aumento de impostos» que foi, na verdade, um saque fiscal aos trabalhadores e ao povo, que PSD e CDS querem agora fazer esquecer e que é preciso relembrar e reverter.

É necessário valorizar, por exemplo, o fim da sobretaxa de IRS, a redução do IVA da restauração ou a redução da taxa do IMI, medidas para as quais o PCP deu um contributo indispensável e que devem ser um elemento de mobilização para a luta pela reversão do saque fiscal e por uma política fiscal mais justa para os trabalhadores e o povo.

Para o PCP, é essencial uma política que combata a injustiça fiscal, é necessária a consideração adequada de cada imposto nas suas implicações económicas, de receita e de justiça fiscal, critérios que obviamente devem aplicar-se também aos impostos sobre património de valor muito elevado e a avaliação terá que ser feita globalmente e não imposto a imposto.

É este o sentido da intervenção do PCP, são esses os critérios que levarão à apreciação sobre o Orçamento do Estado e é por esse objectivo que continuaremos a lutar.

Ainda que às vezes pareça que andam uns a juntar com o bico e outros a espalhar com as patas...

João Oliveira


CAVALO DINHEIRO Trailer e Trecho - Tito Furtado, Vitalina Varela, Ventura






Título original: Cavalo Dinheiro De:Pedro Costa
Género: Drama Classificação:M/12
Outros dados:POR, 2014, Cores, 104 min. 

(Musica: Tubaroes - Alto Cutelo -  tema de Os Tubarões (álbum Pepe Lopi)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Os explosivos e-mails de Hillary Clinton



De tempos a tempos, para fazer um pouco de “limpeza moral” com objectivos político-mediáticos, o Ocidente tira alguns esqueletos do armário.
Uma comissão do parlamento britânico criticou David Cameron pela intervenção militar na Líbia quando ele era primeiro ministro em 2011: não o criticou, porém, pela guerra de agressão que demoliu um Estado soberano, mas porque foi desencadeada sem uma adequada “inteligência”, nem um plano para a “reconstrução” . 
O presidente Obama fez o mesmo quando, em abril passado, declarou ter cometido na Líbia o seu “pior erro”, não por tê-la destruído com as forças da Otan sob comando estadunidense, mas por não ter planificado o “day after”. 
Ao mesmo tempo, Obama reafirmou seu apoio a Hillary Clinton, hoje candidata à presidência: a mesma que, na condição de secretária de Estado, convenceu Obama a autorizar uma operação clandestina na Líbia (inclusive o envio de forças especiais e o armamento de grupos terroristas), na preparação do ataque aeronaval dos EUA /Otan. 
Os e-mails de Hillary Clinton, que vieram sucessivamente à luz, provam qual era o verdadeiro objectivo da guerra: bloquear o plano de Kadafi de usar o fundo soberano líbio para criar organismos financeiros autónomos da União Africana e uma moeda africana em alternativa ao dólar e ao franco CFA. 
Logo depois de ter demolido o Estado líbio, os EUA e a Otan iniciaram, juntamente com monarquias do Golfo, a operação secreta para demolir o Estado sírio, infiltrando nele forças especiais e grupos terroristas que deram vida ao chamado Estado Islâmico (EI). Uma mensagem de e-mail de Hillary, uma das tantas que o Departamento de Estado desarquivou depois do clamor suscitado pelas revelações do Wikileaks, demonstra qual é um dos designios fundamentais da operação ainda em curso. 
Na mensagem, desarquivada como “case number F-2014-20439, Doc No. C05794498” [2], a secretária de Estado Hillary Clinton escreve em 31 de dezembro de 2012: “É a relação estratégica entre o Irão e o regime de Bashar Assad que permite ao Irão minar a segurança de Israel, não através de um ataque direto mas por meio de seus aliados no Líbano, como o Hezbolah”. Sublinha, portanto, que “a melhor maneira de ajudar Israel é ajudar a rebelião na Síria que já dura mais de um ano”, ou seja desde 2011, sustentando que para dobrar Bashar Assad, é necessário “o uso da força”, a fim de “pôr em risco a sua vida e a da sua família”. 
E Hillary Clinton conclui: “O derrube de Assad constituiria não só um imenso benefício para a segurança de Israel, mas também faria diminuir o compreensível temor israelense de perder o monopólio nuclear”. A então secretária de Estado admite, portanto, o que é oficialmente silenciado: o fato de que Israel é o único país do Oriente Médio a possuir armas nucleares. 
O apoio da administração Obama a Israel, para além de alguns desacordos mais formais do que substanciais, foi confirmado pelo acordo, assinado em 14 de setembro em Washington, com o qual os Estados Unidos se comprometem a fornecer a Israel os mais modernos armamentos por um valor de 38 bilhões de dólares em dez anos, por meio de um financiamento anual de 3,3 bilhões de dólares, mais meio milhão para a “defesa de mísseis”. 
Enquanto isso, depois que a intervenção russa bloqueou o plano de destruir a Síria por dentro com a guerra, os Estados Unidos obtêm uma “trégua” (imediatamente por eles violada), lançando ao mesmo tempo uma nova ofensiva na Líbia, camuflada de operação humanitária na qual a Itália participa com seus “paramédicos”. Enquanto Israel, na sombra, reforça o seu monopólio nuclear tão caro a Hillary Clinton.

Manlio Dinucci

informação minimalista

0,5%
Segundo o ex-director-geral da Autoridade Tributária José Azevedo Pereira, 900 famílias mais ricas de Portugal, com património superior a 25 milhões de euros ou rendimento médio anual acima de cinco milhões, representavam uma percentagem irrisória da receita de IRS, da ordem dos 0,5%, quando seria de esperar, de acordo com a lei, que pagassem 50 vezes mais.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

HOMENAGEM A OLGA BENÁRIO PRESTES, MINHA MÃE


(por ocasião do 80.º Aniversário da sua extradição para a Alemanha nazi)

Anita Leocadia Prestes


Com apenas 16 anos de idade, Olga, nascida em 1908, numa família abastada de Munique, Alemanha, saiu de casa para, junto com o jovem professor Otto Braun, seu namorado e dirigente do Partido Comunista, e sob a influência do ambiente revolucionário então existente em seu país, participar das lutas da juventude trabalhadora no distrito “vermelho” de Neukölln em Berlim. Membro da Juventude Comunista, devido à sua destacada actuação política, foi logo aceite nas fileiras do Partido Comunista da Alemanha (PCA). Em 1928, tornou-se conhecida pela decidida participação na libertação de Otto Braun, detido por “alta traição à pátria” na prisão de Moabit. Ambos tiveram suas cabeças postas a prémio pelas autoridades policiais, sendo forçados a abandonar a pátria e fugir para Moscovo.
A partir desse momento, Olga iria se tornar dirigente da Internacional Comunista da Juventude, com intensa actuação política em diversos países europeus, como Inglaterra e França, em que chegou a ser detida por curtos períodos. Ao mesmo tempo, submeteu-se em Moscovo à formação militar e procurou aprofundar seus conhecimentos de teoria marxista-leninista. Era uma comunista convicta, disposta a fazer qualquer sacrifício na luta pela revolução mundial. Do ponto de vista afectivo, terminara seu relacionamento com Otto Braun.
Militante provada na luta revolucionária e na actividade clandestina do movimento comunista, no final de 1934, Olga foi convidada por Dimitri Manuilsky, dirigente da Internacional Comunista (IC), a cuidar da segurança de Luiz Carlos Prestes em seu regresso ao Brasil para participar da luta antifascista então em curso. Recém-ingressado no PCB, o famoso Cavaleiro da Esperança teria que actuar na clandestinidade, pois fora acusado de desertor do Exército e seria preso se chegasse legalmente ao seu país. Olga aceitou sem vacilações e com entusiasmo a nova tarefa, pois ouvira falar nos feitos da Marcha da Coluna Prestes e do seu comandante, que já admirava, antes de conhecer pessoalmente.
Apresentados por Manuilsky às vésperas da viagem, Prestes e Olga partiram clandestinamente de Moscovo dia 29 de dezembro de 1934. Deixaram a União Soviética como Pedro Fernandez, espanhol e Olga Sinek, estudante russa, disfarçados de casal endinheirado em viagem de lua de mel. Após uma viagem de mais de três meses, plena de peripécias, chegaram ao Rio de Janeiro em abril de 1935, onde fixaram residência. Durante a viagem, uma profunda compreensão mútua os deixou apaixonados, e, assim, tornaram-se marido e mulher de verdade.
Prestes fora aclamado presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e, clandestino, mantinha contacto com antigos companheiros da Coluna, com o secretário-geral do PCB e com os membros do Bureau Sul-americano da Internacional Comunista, então transferido para o Rio de Janeiro. A função de Olga era zelar pela segurança de Prestes, viabilizando esses contactos de maneira a evitar sua localização pelos agentes policiais. Olga comparecia junto com Prestes em reuniões políticas, mas não interferia seja nas discussões seja nas decisões tomadas, pois essa atribuição não lhe cabia.
A convivência entre meus pais durou pouco mais de um ano, pois em março de 1936, após a derrota dos levantes antifascistas de novembro de 1935, foram presos e separados para nunca mais se verem.5 Com grandes interrupções se corresponderam até o assassinato de Olga numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg, em abril de 1942.6 Ao comentar essa correspondência, Robert Cohen, seu editor na Alemanha, escreveu:

Desde seu primeiro encontro em Moscovo [de Prestes e Olga] até sua prisão no Rio se passaram exactos um ano, três meses e vinte e dois dias. Pouco tempo, se diria. Mas qual seria o tempo ideal para o amor? A importância de uma relação não se mede por sua duração. Se quisermos saber alguma coisa sobre o amor entre duas pessoas, não devemos indagar o que as pessoas fazem do amor, mas sim o que o amor faz das pessoas. O que o amor fez de Olga Benario e Carlos Prestes descobrimos em suas cartas.
 Olga, que havia salvado a vida de Prestes no momento da prisão se interpondo entre ele e os policiais, que tinham ordem para matá-lo, poucos dias depois, já na cela da Casa de Detenção da capital da República, descobre que estava grávida. Pelas leis então em vigor no Brasil, tinha direito a permanecer no país, pois iria dar à luz um filho brasileiro. Entretanto, sua extradição para a Alemanha nazista foi a maneira encontrada por Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, junto com Filinto Müller, seu chefe de polícia, para torturar Luiz Carlos Prestes, cujo prestígio internacional desaconselhava que lhe fossem infringidas torturas físicas, como aconteceu com grande parte dos prisioneiros políticos da época. O advogado Heitor Lima impetrou habeas-corpus em favor de Olga, recusado pelos juízes de Supremo Tribunal Federal.
 Tanto Olga quanto Prestes se negaram a fornecer quaisquer informações aos delegados de polícia que os interrogaram. Minha mãe se recusou a declinar seu verdadeiro nome e nacionalidade, declarando chamar-se Maria Prestes, mas Filinto Müller, através do Itamarati, logo conseguiu que a Gestapo, a polícia da Alemanha nazista, identificasse Olga Benario, fichada desde os anos vinte por suas “atividades subversivas”. Olga negou-se, inclusive, a assinar o passaporte que lhe foi concedido pelo consulado alemão no Rio de Janeiro, segundo os trâmites burocráticos então vigentes para sua extradição.9 No sétimo mês de gravidez, a 23/9/1936, minha mãe foi embarcada à força rumo a Hamburgo (Alemanha) no navio cargueiro alemão La Coruña, cujo capitão recebera ordens expressas das autoridades policiais para não parar em nenhum outro porto europeu, pois havia precedentes dos estivadores e portuários da Espanha e da França resgatarem prisioneiros políticos de embarcações que aportaram nessas cidades. Junto com Olga era extraditada Elise Ewert, a esposa do dirigente comunista alemão Arthur Ewert, ambos presos e barbaramente torturados após os levantes antifascistas de novembro de 1935.
Após quase um mês de viagem, em condições extremamente penosas e em total isolamento até mesmo dos demais passageiros do navio, no dia 18 de outubro, Olga e Elise foram desembarcadas em Hamburgo, com intensa vigilância policial, sendo imediatamente conduzidas sob escolta para a prisão feminina da rua Barminstrasse em Berlim. Na ocasião havia um aparato policial de tais proporções que o advogado francês enviado a Hamburgo pelo Comitê Prestes, com sede em Paris, que coordenava a campanha mundial pela libertação dos presos políticos no Brasil e também de Olga Elise,sequer conseguiu aproximar-se do local ou obter alguma informação a respeito das duas prisioneiras.
Na prisão, incomunicável, sem poder corresponder-se com a família, Olga sempre se recusou a prestar qualquer declaração que pudesse incriminar os companheiros tanto na Alemanha quanto no Brasil. O regime de extremado rigor a que estava submetida era justificado pela Gestapo não tanto por Olga ser judia, mas principalmente por ser considerada uma “comunista perigosa”, mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes, e que, por isso, jamais deveria ser posta em liberdade.
A 27/11/1936, na enfermaria da prisão de Barminstrasse deu-se o meu nascimento. A coragem e o extraordinário controle emocional de Olga permitiram que eu nascesse forte e saudável. Mas, minha mãe sofreu complicações, que a forçaram a permanecer internada nessa enfermaria durante um mês.14 Meu nome, Anita Leocadia, foi escolhido por ela em homenagem a duas mulheres fortes - Anita Garibaldi e Leocadia Prestes. Olga solicitou às autoridades carcerárias o envio de telegrama por ela redigido a meu pai, preso no Brasil, e depois escreveu uma carta em que lhe comunicava meu nascimento, mas as duas mensagens não foram expedidas pela Gestapo. Meu nascimento permaneceu desconhecido da família e do público durante vários meses, embora Olga tivesse tentado meu registro como brasileira na embaixada do Brasil em Berlim, solicitação recusada tanto pela Gestapo quanto pelo Itamarati.
Desde que se soube da extradição de Olga e Elise, as autoridades do III Reich, inclusive o próprio Adolf Hitler, passaram a ser bombardeados com telegramas, cartas e mensagens advindas de personalidades e organizações humanitárias de países europeus e dos Estados Unidos, cobrando informações sobre as duas prisioneiras, denunciando sua incomunicabilidade e exigindo sua  libertação. Muitos desses pronunciamentos foram publicados na imprensa da França, da Inglaterra e de outros países.

A Campanha Prestes

 Estava em curso a Campanha Prestes, liderada por Leocadia Prestes, minha avó paterna.18 Logo após a prisão dos meus pais, em março de 1936, Leocadia, acompanhada por Lygia, sua filha mais moça, deslocou-se de Moscou, onde desde 1931 vivia a família, para Paris, que passou a ser a sede do Comitê Prestes, entidade coordenadora da campanha mundial pela libertação dos presos políticos no Brasil. Quando se soube da extradição de Olga e Elise, imediatamente a campanha se estendeu às duas prisioneiras. Para Leocadia e Lygia surgia, então, a preocupação de estabelecer contato com Olga e prestar-lhe toda assistência possível, a ela e a criança que estava para nascer. Leocadia foi três vezes a Berlim, acompanhada pela filha e por delegações de mulheres de países como a Bélgica e a Inglaterra, sem jamais conseguir permissão para falar ou ver minha mãe.
Com meu nascimento, a campanha alcançou maior repercussão; tratava-se agora de salvar a vida de uma criança, pois a Gestapo havia comunicado à Olga que, assim que eu fosse desmamada, seria dela separada e entregue a um orfanato nazi, onde as crianças perdiam o nome e lhes era atribuído um número. A Cruz Vermelha Internacional, sediada em Genebra, foi visitada por Leocadia e Lygia e, com a sua ajuda, tornou-se possível saber do meu nascimento – quando já tinha três meses de idade -, obter permissão para corresponder-se com Olga e enviar-lhe dinheiro, alimentos e roupas. A cada duas semanas, Leocadia e Lygia lhe remetiam via correio postal um pacote de vinte quilogramas, contendo alimentos e outros artigos de que necessitava, o que permitiu à minha mãe continuar a amamentar a filha. Com isso foi possível assegurar minha sobrevivência e, por fim, minha libertação O esforço de Leocadia e Lygia foi decisivo para o sucesso dessa batalha.
Também tiveram grande importância as gestões feitas pelo afamado jurista francês François Drujon, que, sensibilizado pela causa da libertação de mãe e filha, viajou à Alemanha para sondar a Gestapo e recebeu autorização para me ver no pátio da prisão na hora do banho de sol. Drujon obteve a promessa das autoridades alemãs de me entregar à avó paterna desde que lhes fosse apresentado um documento oficial de paternidade de Prestes, pois, na ausência de certidão de casamento dos meus pais, a Gestapo não reconhecia à Leocadia o direito de reivindicar a guarda da neta.  Quanto à Olga, não foi dada ao advogado qualquer esperança de possível libertação, pois havia a determinação expressa das autoridades alemãs de jamais consenti-lo.
Empenhada em meu resgate, Leocadia escreveu ao Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto, defensor exoficio de Prestes, solicitando sua ajuda para que as autoridades policiais brasileiras permitissem que este assinasse na prisão declaração de paternidade da filha. O esforço de Sobral Pinto foi decisivo para vencer enormes resistências do Itamarati e do governo brasileiro e, uma vez alcançado o registro em cartório da declaração do meu pai, realizar o seu reconhecimento, tradução juramentada para o alemão e o envio para a Gestapo. Com razão o Dr. Sobral, carinhosamente, se considerava meu segundo pai, pois com esse documento tornou-se possível reconhecer legalmente o direito de Leocadia à guarda da neta.
Finalmente, no dia 21 de janeiro de 1938, com catorze meses de idade, fui entregue pela Gestapo à minha avó Leocadia e à tia Lygia, que, junto com o advogado Drujon, foram me buscar na prisão, sem terem obtido, contudo, permissão para que Olga as visse ou fosse ao menos informada do destino da filha. Em carta ao meu pai, ela escreveu que o período de 5 de março de 1936 (dia da prisão de ambos) a 21 de janeiro de 1938 foi o mais terrível da sua vida.
Leocadia e Lygia, acompanhadas pelo advogado, viveram horas de grande tensão antes de partirem de trem, no mesmo dia, para Paris. Seguidas e observadas o tempo todo por agentes policiais disfarçados26, temiam que a criança lhes fosse tomada de volta, pois do documento que lhes fora fornecido constava apenas o nome de Anita Benario, inexistindo, portanto, qualquer prova de que me encontrava sob a guarda da avó.
Minha libertação das garras do nazismo resultou indiscutivelmente da influência e da repercussão mundial da Campanha Prestes. Uma grande vitória da solidariedade internacional, razão por que me considero filha da solidariedade internacional.

O assassinato de Olga

Logo após minha retirada da prisão, Olga foi transferida, em fevereiro de 193828, para o campo de concentração de Lichtenburg, na localidade de Prettin. Era um castelo da época da invasão de Napoleão que havia servido para abrigar suas tropas e fora utilizado para o mesmo fim durante a Primeira Guerra Mundial. Para Olga as condições de vida tornaram-se muito piores do que tinham sido em Barminstrasse: frio, fome, castigos corporais e dificuldades maiores para comunicar-se com a família.
Em maio de 1939, com a inauguração do campo de concentração de Ravensbrück, destinado exclusivamente a mulheres, Olga foi transportada com uma leva de outras prisioneiras para esse novo local, situado 80 quilômetros ao norte de Berlim.30 Os horrores vividos por milhares de mulheres de diversos países que passaram por esse campo estão descritos em livro publicado pela jornalista inglesa Sarah Helm.
Olga manteve-se firme, corajosa e solidária com suas companheiras, segundo os testemunhos existentes. Por mais de uma vez foi conduzida à sede da Gestapo em Berlim para novos interrogatórios, durante os quais jamais se prestou a delatar quem quer que fosse. Em diversas ocasiões, devido às suas atitudes de rebeldia e defesa de companheiras mais fracas, foi severamente punida, mantida na escuridão de um calabouço no próprio campo de Ravensbrück, com privação da escassa ração destinada às prisioneiras, ou submetida a espancamentos e castigos corporais. Durante vários meses, nos períodos em que se encontrava no isolamento, sua correspondência com a família ficou interrompida.
 Até setembro de 1939, quando teve início a Segunda Guerra, existiram esperanças de Leocadia e Lygia, assim como de Olga, de obter sua libertação, pois algumas prisioneiras o haviam conseguido. As gestões empreendidas por Leocadia e Lygia junto ao governo do México, onde, desde outubro de 1938 minha avó, minha tia e eu estávamos exiladas, levaram a que fosse concedido asilo politico nesse país à minha mãe, condição exigida pela Gestapo para uma possível libertação. Entretanto, a Guerra interrompeu as comunicações postais com a Europa e a documentação remetida para a Alemanha voltou ao México.35 A partir de então, qualquer perspectiva de liberação ficou excluída. Hoje sabemos que a Gestapo vetara todas as possibilidades de libertação para Olga tendo em vista sua recusa de prestar as informações que lhe eram exigidas sobre suas atividades junto à Internacional Comunista. Olga declarava: “Se outros se tornaram traidores, eu não o serei!”
Tempos ainda mais sombrios haviam chegado para Olga. Em Ravensbrück, junto com as demais prisioneiras, ela era submetida a todo tipo de privações, assim como à prática de trabalho escravo exaustivo, em condições extremamente penosas. Considerada uma “comunista perigosa”, carregava  também a pecha de judia, destinada, portanto, a ser contemplada pelos planos nazistas da “solução final”. Em abril de 1942, foi incluída numa leva de prisioneiras escolhidas para serem assassinadas na câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. A última carta da minha mãe está datada de novembro de 1941,37 mas só tivemos confirmação da sua morte após o término da Guerra, em julho de 1945.

O trágico fim da minha mãe abalou profundamente toda nossa família. Para meu pai, foi uma perda irreparável, que marcou o restante da sua vida. Muitos anos depois, sempre que falava em Olga, ele revelava grande emoção. Por ocasião dos meus aniversários, que muitas vezes passamos longe um do outro, meu pai me escrevia recordando o martírio de Olga e o nosso compromisso de sermos dignos da sua memória. Meu pai e eu sempre entendemos que Olga foi uma vítima do fascismo entre milhares de outras e que seu martírio deve servir de exemplo para que não permitamos que tais horrores se repitam. 

BALANÇO MUSICAL DO BLOG

Letra G

Gabriel O Pensador – Até Quando?
                                 - Homenagem a Marlon

Garbage – Candy Says (em 2015)

Gem Club - 252

Genesis- Carpet Crawler

Gentle Giant – Mister Class And Quality
                        School´s Days

George Harrison- While My Guitar Gently Weeps

Georges Brassens - Les Amoureux Des Bancs Publiques
                                  Mourir pour des Idées

Geraldo Vandré - Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores

Germaine Sablon – Le Chant des Partisans

Gil Scott-Heron – Three Mines Down

Gisela João – Meu Amigo Está Longe

Gnarls Barkley – Crazy

GNR – Asas Elétricas
           Sangue Oculto
           Popless

God Is An  Astronaut – All Is Violent, All Is Bright
                                     Echoes (em 2015)
                                     Frozen Twilight (em 2013)
                                      In The Distance Fading
                                     Snowfall
                                     Suicide By Star

Godspeed you! Black Emperor- East Hastings (em 2015)
                                                   Sleep
                                                    Rocket Fall On Rocket Falls  

Gorillaz – Feel Good Inc
                On Melancholy Hill

Gotan Project – Last Tango In Paris

Graham Nash & David Crosby – Simple Man

Grupo Madera – Uh Ah Chavez No Se Va


Grupo Outubro  -  A Luta Vai Ser Dura Companheiro