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quinta-feira, 28 de julho de 2016

o terrorismo perdeu a mãe de todas as batalhas - ALEPPO


as BOAS noticias vindas da Síria confirmam a libertação da parte oeste de Aleppo, a maior cidade da Síria, por parte do Exército Sírio e seus aliados.

milhares de terroristas, muitos dos quais estrangeiros, foram cervcados e só têm uma solução de três: ou render-se entregando as armas, ou lutar até á morte ou fugir por pequenos locais de escape.

depois da libertação de Lairamoun e Bani Zeid,  zonas residenciais periféricas e muito importante zona industrial agora completamente destruida, cerca de 300.000 pessoas que vivem nas zonas da cidade ocupada pelos jihadistas , podem enfim retornar á esperança de uma vida "normal".

Assad concedeu uma amnistia aos insurgentes nacionais que deponham as armas nos próximos 3 meses ou que libertem reféns pro-governamentais.

acabou assim em ALEPPO,  tal como tinha acontecido em Homs, a aventura criminosa da IRMANDADE MUÇULMANA, que foi tomando aqui diferentes nomes, que se foi radicalizando á medida que lhe chegavam as armas, a logistica e a influência da Turquia, da Arábia Saudita, do Qatar e Emirados Árabes Unidos. Tudo sob a cumplicidade inicial da França e USA .

Até a Frente Al-Nusra, a filial síria da Al Qaeda, em dificuldades sérias com deserções e morte dos seus comandantes, abandonou a Al Qaeda e transfigurou-se em oposição moderada, sem propósitos extra-territoriais e mudou sob a influência de algum de perito de imagem a sua tristemente conhecida bandeira preta por uma menos agressiva bandeira branca.

os incontáveis sacrifícios do povo sírio, das suas forças armadas e dos seus aliados, merecem profundo respeito e gratidão do mundo civilizado

CR

ver condições de rendição


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Três por cento: «chegámos ao número sem qualquer reflexão teórica»

A regra que Bruxelas se prepara para impor é explicada por quem a fabricou

Três por cento: «chegámos ao número sem qualquer reflexão teórica»

Por Abril Abril

A Comissão Europeia está reunida para decidir a aplicação de sanções a Portugal. O homem que fabricou a regra dos 3% do défice, «simples e que pareça vinda de um economista», explica a sua origem.

Desde 1999, a regra do défice abaixo dos 3% do PIB foi violada 114 vezes, 11 delas pela França

O número três e a palavra défice marcam a discussão política actual em Portugal e na União Europeia (UE). As regras europeias impõem como limite para o défice orçamental um valor igual a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Isto significa que a diferença entre as receitas e as despesas públicas de qualquer Estado-membro da UE pode ultrapassar um valor negativo superior a 3% da riqueza criada no país.

A regra foi introduzida no Tratado de Maastricht como critério de acesso à União Económica Monetária, passou a integrar o Pacto de Estabilidade e Crescimento e depois o Tratado Orçamental. Mas qual a origem desta regra, que hoje justifica a imposição de sanções a Portugal pela Comissão Europeia?

Guy Abeille foi assessor do governo francês durante a década de 1980


Em Setembro de 2012, o diário francês Le Parisien contava uma conversa com o homem que «inventou o conceito dos 3%». Guy Abeille era assessor do Ministério das Finanças francês em 1981, quando a regra surgiu pela primeira vez.

O presidente François Mitterand procurava um argumento para travar as propostas dos seus ministros que aumentassem a despesa e agravassem o défice do Orçamento de 1982. Então pediu «uma regra simples, que pareça vinda de um economista e que servisse para travar os ministros que entravam pelo seu gabinete a pedir mais dinheiro».

Nas palavras de Abeille, escolheram o PIB «porque, em economia, todos falam do PIB». O défice das contas públicas francesas rondava os 100 mil milhões de francos, o que representava pouco mais de 2,6% do PIB. Para que a regra fosse simples, apontaram aos 3%, «um bom número, que atravessou a História e remete para a Trindade», afirmou o antigo funcionário ao jornal francês.

«Mitterand queria uma regra simples, que pareça vinda de um economista e que servisse para travar os ministros que entravam pelo seu gabinete a pedir mais dinheiro»

O limite do défice nos 3% do PIB foi criado em França para dar resposta a uma necessidade do presidente francês, de ter um argumento que parecesse científico e saído da teoria económica para travar a despesa pública. Na verdade, foi um número arbitrário, baseado no défice conjuntural da França em 1981, e que permitiu a Mitterand apresentar um défice inferior aos 3% em 1982. Ainda que isso tivesse pouco ou nenhum significado económico.

O resto da história é conhecido: Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia, introduz o conceito no discurso europeu, que passa a letra dos tratados e justifica hoje o castigo a Portugal.

«Sem qualquer conteúdo, fruto das circunstâncias, de um cálculo a pedido feito e à falta de melhor numa noite num escritório» é como Guy Abeille caracteriza a regra de ouro das contas públicas europeias, a justificação para se reduzir o investimento público ou aumentar os impostos nos países da UE.

Uma das regras que sustentaram a arquitectura do euro e que estão por trás da inédita imposição de sanções a dois estados soberanos da UE é assim explicada por um dos seus pais: «nós chegámos ao número de 3% numa noite, num canto de uma mesa, sem qualquer reflexão teórica».

Paco Ibáñez e Rafael Alberti - A galopar



Las tierras, las tierras de España, 
La grande, la sola desierta llanura, 
Galopa, caballo cuatralbo 
Jinete del pueblo, que la tierra es tuya
A galopar, a galopar,
hasta enterrarnos en el mar
A corazón suenan, resuenan
Las tierras de España en las cerraduras
Galopa caballo cuatralbo, Jinete del pueblo, caballo de España
A galopar, a galopar,
hasta enterrarnos en el mar
nadie, que enfrente, no hay nadie
Que es nada la muerte
si va en tu montura
Galopa caballo cuatralbo
Jinete del pueblo que la tierra es tuya
A galopar, a galopar,
hasta enterrarnos en el mar

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uma questão de etiqueta?


 As etiquetas comerciais estão a tornar-se num factor de tensão entre alguns países da UE e os EUA a propósito das negociações do TTIP.

O Le Monde do passado dia 9 dava conta de que a indústria agro-alimentar e a grande distribuição se opõem ao projecto (resultante de um estudo encomendado pelo governo francês) de colocar um logotipo colorido nos alimentos em função da sua qualidade nutricional. Nos últimos anos têm-se sucedido os trabalhos científicos que mostram a eficácia deste tipo de etiquetas na informação aos consumidores para reduzir os riscos sanitários. Esta questão também vai exigir a clarificação do governo francês já que uma parte dos peritos mandatados pelo Ministério da Saúde mantém ligações, nem sempre declaradas, com a indústria.
As cinco doenças mais comuns em muitos países estão ligadas, no todo ou em parte, à produção e ao consumo de alimentos provenientes da cadeia agroalimentar industrial: diabetes, hipertensão, obesidade, cancro e doenças cardiovasculares.

Isto não só se traduz em má qualidade de vida, mas também em altos gastos com consultas médicas e com o orçamento de saúde pública, e num enorme subsídio oculto para as multinacionais que dominam a cadeia agroalimentar, das sementes ao processamento de alimentos e à venda em supermercados.

Fortes são pois as razões para questionar esse modelo de produção e consumo de alimentos. E fortes são também as razões para que a etiquetagem desses produtos confira segurança aos cidadãos.

Quer neste caso de França quer no das negociações entre a UE e os EUA sobre o TTIP, também na etiquetagem destes e outros tipos de produtos, conhecem-se genericamente os tipos de questões a ser tratadas mas não as opções concretas. E são estas que os cidadãos reclamam conhecer. Os relatórios são um “faz de conta” e escondem o que, no concreto, está a ser acordado. Uma entre centenas de perguntas a esclarecer: como vai a UE reagir ou a que acordo chegou sobre a oposição dos EUA à referência nas etiquetas a “produto geneticamente modificado”?

Em relação ao TTIP, esta questão da etiquetagem e da segurança, coloca-se não só no sector agroalimentar mas no vestuário/têxtil e em todas as áreas.

O exercício de ler os relatórios das 13 reuniões já realizadas entre os EUA e a EU mostra isto à evidência e mostra o que quem negoceia nas costas dos cidadãos não pode considerar.

Os grupos económicos apelam à simplificação e harmonização das normas de etiquetagem relativas a peças de vestuário vendidas na União Europeia e Estados Unidos da América, como forma de impulsionar o comércio inter-regional, reduzir o número de requisitos de etiquetagem obrigatórios e permitir que as etiquetas dos produtos sejam o mais simples possível. Isto é, “esconder mais para vender melhor”.

Entre os grupos norte-americanos estão a Aliança Europeia de Marcas de Vestuário (EBCA), a Associação de Vestuário e Calçado Americana (AAFA) e a Associação Indústria da Moda dos Estados Unidos (USFIA). Todos eles destacam que as práticas empresariais modernas requerem a capacidade de transferência de produtos entre as regiões, como ditam as condições de mercado. Afirmam que “Se um produto não se vende bem na Europa, deveria ser possível transferir esse produto para os EUA e vice-versa, assegurando que o produto encontra a melhor mercado. O produto, portanto, deve estar pronto a ser vendido em qualquer jurisdição, incluindo no que diz respeito à etiquetagem e línguas”, referem. 

Em última análise, pretendem que o TTIP “permita a eficiência do comércio inter-regional, simplificando os requisitos de etiquetagem e idiomas, reduzindo assim o comprimento das etiquetas, resíduos, custos e confusão do consumidor, resultante de quantidades excessivas de informação. Chegam mesmo ao ponto de, como a Ginetex-Associação Internacional para a Etiquetagem, dizerem que alguma etiquetagem e a contemplação nela de direitos de propriedade intelectual se acabam por reflectir nos preços ao consumidor. E portanto, “cortem nas etiquetas”…

Harmonização, redução das palavras a símbolos, necessidade de reduzir o número e línguas usadas pela EU e o excesso de informação. Tudo são facilidades.

Por detrás de tão bons corações, está a cupidez do aumento dos lucros de quem quer ver alargados os seus mercados e amortizados mais rapidamente os investimentos realizados na exportação/produção, procurando, assim, que “o gato passe por lebre”.

No tocante à indicação do país de origem de produtos que são importados, neste momento a Comunidade Europeia não dispõe de legislação sobre a etiquetagem de origem de produtos industriais importados de países terceiros ("made in").

No decurso da consulta que a Comissão organizou em 2004, certos estados-membros e vários organismos interessados (indústrias, sindicatos, consumidores e outras instituições) tinham expresso a sua preocupação crescente com o aumento da incidência de etiquetas de origens enganosas e/ou fraudulentas apostas em produtos importados e tinham requerido o estabelecimento de regras que impusessem a etiquetagem de origem das importações e/ou dos produtos UE. A proposta que a Comissão apresentou em 2005 permitia conceber a determinação, pelo menos parcial, da origem de um produto em função de regras aduaneiras.

No triénio 2009-2011, os eurodeputados comunistas defenderam o conhecimento, tão completo quanto possível e justificável, da composição dos géneros alimentícios, que constitui um direito fundamental dos consumidores. Consideraram que deve também existir informação sobre aditivos alimentares com efeitos alergénicos e a obrigatoriedade de indicação de origem em determinados produtos, tendo condenado a inexistência de obrigatoriedade de informação relativa à presença de organismos geneticamente modificados (OGM) nos alimentos.
 Em Portugal, em 8/2/2011, a Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos elaborou um parecer que, face à disposição da Comissão Europeia alterar alguns requisitos da etiquetagem, não deveria antes de se concluir tal processo, ser revogado o Regulamento nº1548/98 de definia os requisitos em vigôr à altura.

Em Março deste ano, um grupo de produtores de leite do Norte do país juntou-se num hipermercado da Póvoa de Varzim para comprar mil litros de leite nacional e colocar etiquetas em produtos lácteos importados, para alertar para as dificuldades que o setor atravessa e sensibilizar as superfícies comerciais e os consumidores a comprarem produtos lácteos produzidos no nosso país.

Também nesse mês, a CNA referia que tem de haver coragem para enfrentar a grande distribuição, que continua a acumular lucros, mesmo quando aqueles que produzem para ela só acumulem prejuízos. Tem de haver exigência na rotulagem da produção nacional à qual a grande distribuição tem resistido. Tem de se verificar se não há dumping na importação de carne e leite que fazem baixar os preços pagos em Portugal. Exige-se também por parte da ASAE uma maior atenção através de uma acção forte, visível e dissuasora.

É de esperar que, também em Portugal, os grandes grupos económicos e as grandes distribuidoras assumam atitudes semelhantes ao que está a acontecer em França.


António Abreu

Criolo - "Não Existe Amor em SP"



Em Setembro , na Festa do Avante

Virgínia de Moura, 1915 - 2015

domingo, 24 de julho de 2016

O CADAVER DO CAVAQUISMO HOMENAGEIA-SE A SI PRÓPRIO

Foi nas Cavalariças do Pestana Hotel. Eram cerca de 80 ou 90 amigos, “ex-colaboradores” do tempo de Primeiro Ministro e do tempo de Presidente da República. A ciceronizar este inicialmente previsto “mega-almoço”, Leonor Beleza. Presentes os incondicionais: João Lobo Antunes, Vítor Bento, Álvaro Barreto, o PSD, o Moedas, muitos banqueiros. Ausentes, por razões várias, foram muitos, o Duarte Lima, o Oliveira Costa, a família Espirito Santo, o Portas, o CDS, os patrões da construção civil, o Barroso, o Santana Lopes. Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente que se segue, esteve por pouco tempo. Passos Coelho chegou atrasado. O homenageado falou de reserva na política, sorte e tempo certo. 

O País não se comoveu. Já há muito que se esqueceu daquela personagem, que sendo o melhor aluno de Finanças do ano de 1964 no ISEG, como gosta de se gabar, não concedeu em acto de justiça e magnanimidade pensão a Salgueiro Maia, doente com cancro.  


O cavaquismo está morto.

CR 

sábado, 23 de julho de 2016

POEMA

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Poema de Eugénio de Andrade (1923-2005)

NEUTRALIZADO


O terrorista que decapitou um jovem palestiniano de 12 anos de idade sob acusação de ajuda ás forças governamentais sírias no Norte de Aleppo, na Quarta feira, foi morto por Forças Especiais Sírias durante um raide. Com base em fontes dos Serviços secretos sírios, o Exército Sírio descobriu o esconderijo de um grupo do movimento Nouralddeen al-Zinki na região de al-Malaah, tendo atacado a sua posição, mortos alguns terroristas, incluindo o homem que decapitou o rapaz. 

Um vídeo apresentado na Quarta Feira mostra que o Movimento Nouralddeen al-Zinki, chamado de moderado pelos Estados Unidos, prendeu, torturou e executou o jovem palestiniano em frente das pessoas sobre a parte de trás de uma carrinha. 


Nouralddeen al-Zinki pertence ao Exército “livre” Sírio que recebe suporte financeiro dos Estados Unidos como sendo grupo moderado. Este grupo jihadistas usa misseis anti-tanque americanos nos campos de batalha de Aleppo. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

BALANÇO MUSICAL DO BLOG

Letra C

Cais do Sodre Funk Connection – Getting The Corners (em 2015)
California Stories Uncover – Footsteps (em 2013)
                                              Meadow
Camané – Porque me Olhas Assim (em 2013)
Camel  - Never Let Go
Candlebox – Far Behind
Capicua – Medo Do Medo (em 2014)
Capicua (com Gisela João) – Soldadinho (em 2014)
Caribou – Odessa (em 2014)
Carlos do Carmo & Ary dos Santos- Estrela da Tarde
                                                          Retalhos Da Vida De Um Médico
Carlos do Carmo & Caetano Veloso – Lisboa Que Amanhece
Carlos do Carmo & Fernando Tordo – Novo Fado Alegre (em 2013)
Carlos Paredes- Canto Do Amanhecer
                           Movimento Perpétuo
                           Porto Santo (em 2014)
                           Verdes Anos
Carole King – (You Make Me Feel Like A) A Natural Woman (em 2013)
Caspian - Porcellous
Cat Power - Ruin
Cat Stevens – Peace Train
                        Sad Lisa (em 2013)
Celina da Piedade – Assim Me explico (em 2013)
Celtic Woman -  When You Believe (em 2013)
Charlie Brown Jr. – Proibida Para Mim (em 2013)
Charlie Haden & Kurt Weil- Speak Down
Charlie Haden & Liberation Music Orchestra – This Is Not America (em 2014)
Charlotte Gainsbourg – Hey Joe (em 2014)
Chicago – 25 Or 6 To 4
Chic Corea Akoustic Band - Spain
Chico Buarque de Holanda – Eu Te Amo
                                               Fado Tropical
                                               O Meu Amor
                                               Tanto Mar
                                               Vida (em 2014)
Chico Buarque de Holanda & Carminho – Carolina (em 2013)
Chico Buarque de Holanda & MPB4 – Roda Viva
Chris Isaak – Wicked Game (em 2016)
Chromatics – Into the Black
Chullage – Já Não Dá
Cida Moreyra – Alabama Song (em 2014)
Clã – Amuo
Clare Maguire – Hope There`s Someone

Clint Mansell – Together We Will live Forever (em 2013)

Cloud Nothings – Wasted Days (em 2013)
Coro Fernando Lopes Graça – Acordai
                                                  Firmeza
                                                  Ó Pastor Que Choras
Craig Safan - Confrontation
Cranberries – When You`re Gone
Creedence Clearwater Revival- Fortunate Son
Crosby, Stills & Nash- Helplessly Hoping
Crosby, Stills, Nash & Young – Our House (em 2013)
Cyril Mokaiesh – Communiste

quarta-feira, 20 de julho de 2016

VIVER NO CONTRADITÓRIO

Rejubilamos e bem com as nossas vitórias desportivas. Porque são nossas…

Suportamos, algo alheados, as pressões e indignidades que em nome do equilíbrio das contas

nos querem impor.

Levantamos bem alto o nome da Pátria, dos seus heróis desportivos, enchemos praças

cantando o Hino e festejando ruidosamente. Gritamos Portugal! Portugal! Portugal!

Vacilamos, dando-lhes algum crédito, com o canto de sereia dalguns Migueis de Vasconcelos

dos tempos presentes, representantes da dominação externa.

Marcamos os golos da vitória no País da Marselhesa, contra o chauvinismo, a megalomania e a

tradição.

Resistimos com dúvidas á ameaça de sanções e às profecias catastrofistas.

Somos pequenos, tantas vezes submissos e vassalos á procura tão só de uma vida sofrível. Mas

emocionamo-nos, empolgamo-nos e quando acreditamos somos (os) maiores. É assim a vida,

são assim os portugueses.

Um salário mínimo de 530 euros por mês é suficiente? Um vencimento de um administrador

bancário de três milhões por ano é defensável? As 35 horas da Administração Pública são

justas? As horas extraordinárias não pagas na confecção são toleradas? No contraditório do

presente vivemos.

Mas isto anda tudo ligado. O esforço e rigor que levam aos sucessos desportivos podem ser

aplicados na vida pública, no contexto europeu. A França de Deschamps vergou-se a um golpe

de génio de Éder, á crença de Fernando Santos e á liderança e génio de Cristiano Ronaldo. A

frase de Juncker La France c’est la France! não intimidou, antes pelo contrário.

Sabemos que as regras, os instrumentos, as leis, os tratados nos são desfavoráveis. Sabíamo-lo

desde o início. E que o aliado, mas que é adversário e concorrente, nos procurará atingir

sempre o joelho já lesionado, as nossas fragilidades, dependências e vulnerabilidades. A

submissão instalou-se. Pouco fizemos para a reverter. Os dirigentes da União Europeia têm

como “amigos internos” do peito os que nunca lhe disseram Não.

Mas não parece impossível que no plano da União Europeia possamos soltar a mesma energia

e rigor lutando pela soberania monetária, pelos nossos interesses, pela renegociação da dívida,

pelo investimento público, por uma política alternativa.

Portugal precisa de libertar das amarras que impedem o seu desenvolvimento, produzindo

mais e melhor, distribuindo mais equitativamente. Jogando á defesa mas sem descurar o

contra-ataque.

CR

terça-feira, 19 de julho de 2016

Francisco Fanhais - Porque



Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não. Sophia de Mello Breyner

Uma outra visão do Golpe na Turquia

"O Presente de Deus" a Erdogan

de José Goulão

O presidente da Turquia, Recep Payyp Erdogan, afirma que a tentativa de golpe militar de sexta-feira foi um “presente de Deus”: vai permitir-lhe “limpar” as forças armadas.
Quem fala verdade não merece castigo, pelo que todos os deuses evitarão punir o autocrata turco, embora sabendo que muitos são os seus pecados.
E “limpezas” são a especialidade deste padrinho e protector de uma miríade de grupos de mercenários e terroristas entre os quais se destacam, para os que não estão lembrados ou o ignoram, o Daesh ou Estado e Islâmico e a Al-Qaeda nos seus muitos e variados heterónimos.
Limpou o país da oposição, acusando os principais adversários de servirem os direitos nacionais curdos e ameaçando privá-los da nacionalidade turca. Para que não surgissem obstáculos à sua ascensão ao topo presidencial do poder fez manipular actos eleitorais através da propaganda, da censura e do medo, de tal modo que nem os observadores do Conselho a Europa e da OSCE, embora reconhecendo as irregularidades em privado, ousaram torná-las públicas e definitivas.
Limpou o aparelho judiciário e militar saneando centenas de juízes e os procuradores que denunciaram a corrupção governamental e da família Erdogan, designadamente a sua familiaridade pessoal e financeira com o banqueiro saudita Yassim al-Qadi, próximo de Bin Laden e conhecido internacionalmente como “o tesoureiro da Al-Qaeda”. Por essa razão, está sob a mira da ONU, o que não o impede de deslocar-se a Ancara em avião privado para conviver e gratificar generosamente a família presidencial.
Vem limpando paulatinamente as forças armadas, mas este “presente de Deus”, como admitiu o próprio Erdogan, proporciona-lhe uma oportunidade de ouro para acelerar o processo. A partir de agora ruirá o maior obstáculo secular à confessionalização de um regime turco formatado em estrutura ditatorial e em teor fundamentalista islâmico.
Erdogan fala claro, disso não tenhamos dúvidas. Há 20 anos, em plena ascensão na carreira política, iniciada entre os fascistas e supremacistas “lobos cinzentos”, definiu a democracia como “um eléctrico que abandonamos quando chegamos à nossa paragem”. Recentemente falhou a consulta para impor uma Constituição “inspirada em Hitler” – as palavras são suas – de modo a consolidar um poder presidencial absoluto.
A seguir a esse intuito por ora fracassado, Erdogan começou então a receber “presentes de Deus”.
O atentado contra o aeroporto de Istambul parece ter sido um deles. Apear da autoria não ter sido reivindicada, Erdogan atribuiu-o ao Daesh, por conveniência da sua própria imagem internacional; mas por que razão os protegidos iriam atacar no coração do protector? Provavelmente por convergência de interesses – uma mão lava a outra, não é o que se diz? Um atentado é, sem dúvida, oportunidade de ouro para reforçar poderes de excepção e perseguir inimigos internos vários, mesmo que nada tenham a ver com a violência.
Quando ainda decorre o rescaldo do acto terrorista surge o golpe militar, com inegáveis debilidades de amadorismo num exército dos mais poderosos da NATO, precisamente com Erdogan ausente, “de férias”, circunstância excelente para um regresso triunfal, afirmativo, justificando limpezas. Deus não poderia ter sido mais generoso, em boa verdade.
Enfim, é a este ditador turco que a União Europeia paga anualmente três mil milhões de euros confiscados aos nossos impostos para impedir que cheguem à Europa os refugiados das guerras que os donos da Europa provocam. Para que conste, não há um vínculo formal entre o Conselho Europeu e Erdogan sobre esta verba; foi estipulada apenas em comunicado de imprensa dos chefes de Estado e de governo da União Europeia.
Foi com este presidente turco que o governo francês negociou a garantia de não haver atentados do Daesh durante o Euro 2016, em troca do apoio à criação de um Estado curdo no Norte da Síria. Constatámos, da maneira mais trágica, que ao Daesh bastaram apenas quatro dias para se libertar do período de nojo, fazendo gato-sapato do securitarismo fanático e inconsequente de Hollande e Valls.
É a este presidente turco que a União Europeia ainda reconhece credenciais de democrata, apesar de o próprio rei Abdallah da Jordânia ter revelado o seu apoio ao Daesh, à Al-Qaeda, ao contrabando de petróleo que serve de financiamento ao Estado Islâmico e de enriquecimento à mafia familiar de Erdogan.
Foi comovente – e patético – o apoio de grande parte da comunidade mediática a Erdogan durante as vicissitudes da tentativa de golpe e ao uso dos seus apoiantes como escudos humanos e carne para canhão nas ruas, praças e pontes das principais cidades da Turquia.
Entre a componente militar e a mafia governamental de Erdogan estavam em luta, durante a tentativa de golpe, dois conceitos de regime autoritário: um secular, outro fundamentalista islâmico. A democracia e os interesses populares não tinham nada a ver com aquela guerra entre elites interesseiras e pouco ou nada preocupadas com as pessoas.
O terrorismo islâmico, a guerra e a anarquia no Médio Oriente, porém, têm muito a ganhar com a absolutização do poder de Erdogan em Ancara. Ou seja, é impossível estar simultaneamente contra o terrorismo islâmico e temer pelo futuro político de Erdogan. A democracia não passa por aí, mas também já pouco se sabe dela nesta União Europeia.

Porém, quando a vida das pessoas está à mercê destes “presentes de Deus” é possível testemunharmos os acontecimentos e os ditos mais bizarros.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Luis Pastor - Ergo uma rosa





poema de José Saramago

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.

José Saramago

uma visão do Golpe na Turquia

As nove vidas de Erdogan e o golpe de Gulen

por M K Bhadrakumar 

Autoridades turcas estão à beira de alegar que o golpe militar abortado na noite passada tem significado geopolítico. As sugestões nesse sentido estão a vir a conta-gotas.

O presidente Recep Erdogan disse que o golpe foi planeado pelos seguidores de Fetullah Gulen, o pregador islamista que opera a partir dos EUA. A seguir, o ministro da Justiça repetiu esta alegação. 

A agência de notícias estatal Anadolu depois disso classificou o coronel Moharrem Kose como líder do golpe. Kose era um oficial das forças armadas turcas que em Março de 2006 foi desonrosamente despedido por ligações com a sombria organização de Gulen. 

Entretanto, Ibrahim Melih Gokcek, presidente da municipalidade de Ancara e colaborador próximo de Erdogan, saiu-se com uma revelação espantosa: que os participantes do golpe incluíam um oficial pertencente à organização de Gulen que também estava envolvido na morte do piloto russo na Síria, em Novembro último. Gokcek disse:

Foi um "estado paralelo" que deteriorou nossas relações com a Rússia. Foi um incidente, no qual um dos pilotos destas estruturas participou, garanto. Ele foi um dos participantes do golpe. Não divulgámos isto até agora. Mas eu, Melih Gokcek, digo que nossas relações foram deterioradas por estes vilões.

Naturalmente, é preciso ligar os pontos. Gulen fugiu para os EUA em 1998 quando a inteligência turca começou a investigar seus seguidores que se haviam infiltrado em agências de segurança do estado turco, nas forças armadas e no judiciário. 

Em 2008, Gulen obteve a permissão de residência ("green card"), aparentemente por recomendação de altos responsáveis da CIA. Ele desde então tem vivido solitário na Pennsylvania e nunca saiu dos EUA em visita ao exterior. 

Um antigo chefe da inteligência turca, Osman Nuri Gundes, em 2011 escreveu nas suas memórias que a rede de Gulen proporcionou uma cobertura para as operações clandestinas da CIA nas antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central, como parte da estratégia estado-unidense para utilizar o Islão político como um instrumento de políticas regionais. 

Na verdade, a partir da sua vasta e luxuosa propriedade em Saylosberg, numa parte remota do leste da Pennsylvania, fortemente guardada e afastada de visitantes, Gulen lançou uma rede de mesquitas e madraças nos países da Ásia Central. (Curiosamente, a Rússia e o Uzbequistão proibiram "escolas" de Gulen.)

Agora, a tentativa de golpe na Turquia ocorre na sequência da reaproximação turco-russa e de sinais nascentes de uma mudança nas políticas intervencionistas de Erdogan na Síria. Naturalmente, a Turquia é um "estado chave" nas estratégias regionais dos EUA e a reaproximação turco-russa chega no momento mais inoportuno para Washington, pois:
  • É um "multiplicador de força" para os esforços de Moscovo no sentido de fortalecer o regime sírio;
  • Promete ressuscitar o projecto encalhado do gasoduto Turkish Stream (o projecto de US$15 mil milhões para transportar gás russo através da Turquia para o sul da Europa), bem como a construção na Turquia das centrais nucleares de US$20 mil milhões com reactores russos;
  • Bloqueia os planos dos EUA para estabelecer presença permanente da NATO no Mar Negro (a qual exige a cooperação da Turquia nos termos da Convenção de Montreux de 1936 pela qual países não ribeirinhos do Mar Negro não podem manter permanentemente navios de guerra naquelas águas);
  • Pode por em perigo operações dos EUA no Iraque e na Síria, as quais dependem fortemente da base Incirlik na Turquia;
  • Actua contra a balcanização da Síria;
  • Muda como um todo a orientação da política externa da Turquia; e
  • Actua contra os interesses israelenses, sauditas e qataris na Síria.
Erdogan é também um político astuto e manterá os americanos na dúvida. Mas o sultão sabe que deus lhe deu um novo período de vida – e sem dúvida permanecerá desconfiado das intenções estado-unidenses. 

Um golpe é sempre uma artimanha (gambit). Os que tramaram o golpe julgaram erradamente que o grosso dos militares turcos apoiaria o derrube do presidente autoritário que impôs supremacia civil sobre os pashas. Mas a ideia brilhante de Erdogan de fazer entrar o "poder do povo" nas ruas apanhou-os de surpresa – recordando o acto de Boris Yeltsin ao sufocar a tentativa de golpe de 1990. 

Erdogan é um político carismático e tem sobrevivido graças à sua grande popularidade. Na eleição de 2014 ele assegurou um mandato inequívoco com 51% de apoio do eleitorado. Agora, os laicos, "kemalistas" e nacionalistas de extrema-direita também se alinham contra o golpe. Isto dá-lhe um apoio de base maciço. 

Gulen tornou-se agora uma questão grave entre Washington e Ancara. Não há probabilidade de Washington concordar com a extradição de Gulen, o qual é um "activo estratégico". (Ler o artigo fascinante sobre Gulen no Open Democracy, intitulado What is Fetullah Gulen's real mission? ) 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

POEMA

A CIGARRA - Maria Helena Walsh

Tantas vezes me mataram
Tantas vezes morri
Entretanto estou aqui
Ressuscitando
Graças dou à desgraça
E à mão com punhal
Porque me matou tão mal
E segui cantando

Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Como o sobrevivente
Que volta da guerra

Tantas vezes me apagaram
Tantas desapareci
Ao meu próprio enterro fui
Só e chorando
Fiz um nó no lenço,
Mas logo esqueci
Não foi a única vez
E segui cantando

Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Como o sobrevivente
Que volta da guerra

Tantas vezes te mataram
Tantas ressuscitarás
Quantas noites passará
Desesperando
E à hora do naufrágio
E à da escuridão
Alguém te resgatará
Para ir cantando


Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Como o sobrevivente
Que volta da guerra…

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Raquel Tavares - Meu Amor de Longe

PROPOSTA


A Norma 005/2011 da Direcção Geral da Saúde refere que:

“Todas as pessoas com diabetes são avaliadas anualmente com o objectivo de serem identificados factores de risco condicionantes de lesões dos pés.

O exame clínico dos pés das pessoas com diabetes determina a sua classificação e o seu correcto registo no processo clinico, numa das seguintes categorias de risco de ulceração:

a) baixo risco
b) médio risco
c) alto risco

São criados três níveis de cuidados de saúde:

a)      Nível I: a equipa do pé diabético é constituída por médico, enfermeiro e profissional treinado em podologia e cada ACES organiza, pelo menos, uma equipa do pé diabético deste nível de cuidados, no âmbito da sua área geográfica de intervenção

b)      Nível II : a equipa do pé diabético é constituída por médico endocrinologista ou internista, cirurgião geral ou cirurgião ortopédico, enfermeiro e profissional treinado em podologia e cada hospital ou centro hospitalar organiza, pelo menos, uma equipa do pé diabético deste nível de cuidados.

c)       Nível III: a equipa do pé diabético é constituída por médico endocrinologista ou internista, cirurgião geral, cirurgião ortopédico, cirurgião vascular, fisiatra, enfermeiro e profissional treinado em podologia e técnico de ortóteses e este nível de cuidados é organizado nos hospitais ou centros hospitalares que tenham a valência de cirurgia vascular. “

Sabemos todos que o envelhecimento da população e o aumento do número de diabéticos condiciona agora, e condicionará com mais gravidade no futuro, a necessidade de prestação de cuidados de saúde mais especializados. São equipas multidisciplinares quem estará mais capacitado para prestar cuidados perante o risco de ulceração ou perante uma úlcera activa no pé.  Só a implementação efectiva e global da referida Norma permitirá dar resposta tecnicamente correcta e em tempo oportuno.

As experiências positivas da Consulta de Pé Diabético, nomeadamente no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, são motivo de reflexão e estudo.

Assim:

Propõe-se a constituição urgente nos ACES das referidas equipas de pé diabético, integrando no seus efectivos, pelo menos um profissional treinado em podologia (vulgo podologistas).


CR