um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 29 de maio de 2016

IDENTIFICANDO A CAUSA ESSENCIAL


O problema essencial do País está no Euro, nos constrangimentos que a sua adopção inicial e a sua viabilização posterior criaram no tecido empresarial, nas instituições financeiras, na vida de milhões. No País e, digamos, em toda a periferia da Europa. Sei que esta tese não é popular, mas é verdadeira.

As dificuldades são conhecidas. O Produto Interno Bruto não cresce, as contas públicas são deficitárias, a dívida é insustentável, não há ciclo político redentor da economia. Crescemos pouco, muito poucochinho desde o Euro. Os bancos apresentam, para além de problemas de credibilidade e de práticas dolosas deploráveis, evidentes dificuldades de gestão de recursos próprios com o crédito malparado. Há no ar proclamações difusas de sentimento de injustiça com as sanções eventuais da Europa do Euro. A Europa do Euro exigiu políticas de privatização ruinosas, nomeadamente no sector energético, nos transportes, na construção naval, e no sistema financeiro, agora recapitalizados com fundos públicos. Escondemos debaixo do tapete a causa maior, o responsável máximo, o Euro.

Há sempre um qualquer Dombrovkis, o vice-presidente da Comissão Europeia, comissário letão responsável pelo Euro, que nos impinge as regras, a desconfiança, a exclusão, o médio. É o polícia de serviço. O roliço letão, ex-primeiro ministro de um pequeno País que só aderiu ao Euro há dois anos, defende agora por exemplo uma taxa sobre os combustíveis para financiar a actual crise migratória, porque “os preços da gasolina registam uma queda histórica», afirmou ao Der Spiegel. Percebe-se quão perigosos são os burocratas da União Europeia, quando pretendem com voz grossa generalizar realidades que só estão na sua cabeça. Como a baixa do preço da gasolina em Portugal.

É como se dissessem agora que o futebol podia ser jogado com as mãos e uns latagões do Norte da Europa se dispusessem a tudo ganhar, afastado em grande parte a sua inépcia em jogar com os pés…
Internamemte, temos o coro dos conformados, ou dos alheados, ou dos pensadores “notáveis”. Descobriram o calaceirismo lusitano, a preguiça lusitana, a culpa dos estivadores, ou dos professores, ou de quem trabalha na Administração Pública. São impiedosos na terapêutica, falhando contudo em toda a linha no diagnóstico. Dizem-nos que não pudemos exceder as metas do deficite que criaram e não explicam porquê. Dizem que não podemos recapitalizar com recursos públicos a Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado, e não explicam porquê. Dizem que não podemos ter uma companhia aérea de bandeira com controlo público e não explicam porquê.
Marcelo desconfia das previsões económicas do Governo, o País desconfia do futuro e da cooperação de Marcelo com o Governo. Mas são Juncker, Merkel, Lagarde ou Draghi quem manda. Passos e Cristas são actores menores de uma peça por outros escrita: a submissão a uma linha politica dos interesses da   integração capitalista. Só a compreensão de uma dinâmica de rotura poderá permitir encontrar uma saída pensada e negociada. Enquanto persistirmos ano após ano na eterna ilusão de que com exploração, redução de rendimentos e de direitos ou a venda a patacos de bocados de soberania lá vamos, só adiamos o essencial. Mais vale acreditar num Euromilhões gigantesco para Portugal.
CR


HUMOR

D. Manuel Clemente, na manifestaçãos das "tias"

Alguém ouviu este senhor cardeal pronunciar-se contra cortes nos salários e pensões, desemprego e precaridade, cortes na saúde e na justiça, professores da escola pública que perderam o emprego? Já se sabia que a Igreja estava ao lado dos poderosos mas nunca se tinham atrevido a apoiar abertamente manifestações contra decisões governamentais! VERGONHA!!!

Ai, os lucros indevidos, provenientes do Estado, obtidos pelos Colégios Particulares, de orientação religiosa!

Oremos pela sua salvação!

Mais uma na direcção da Guerra!

O presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, nomeou o ex-secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen como seu conselheiro extranumerário. O decreto sobre a nomeação foi publicado no site oficial da Presidência ucraniana nesta sexta.
"Designar Anders Fogh Rasmussen como conselheiro não titular do presidente da Ucrânia", diz o documento.

O político dinamarquês, da direita, e ex-primeiro-ministro do país escandinavo serviu como secretário-geral da aliança militar ocidental de agosto de 2009 até Outubro de 2014.

 “ O ex-secretário-geral da OTAN planeja fazer ver à liderança ucraniana as prioridades políticas do Ocidente em relação à Ucrânia", escreve a Deutsche Welle.

O ex-secretário-geral da OTAN disse que, no seu ponto de vista, as sanções são a única forma de pressionar a Rússia no contexto do conflito no sudeste da Ucrânia.
Depois de um referendo na Crimeia na primavera de 2014, após o qual a península aderiu à Rússia, os países do Ocidente impuseram sanções econômicas contra a Rússia. Em resposta às ações do Ocidente Moscou proibiu a importação de produtos alimentares dos países que tinham adotado as sanções antirrussas.

O levantamento de sanções está ligado com a execução por Moscovo dos Acordos de Minsk. No entanto as autoridades russas afirmavam repetidas vezes que a Rússia não tem nada a ver com conflito ucraniano.
Esta nomeação dos fascistas ucranianos ilustra a rede de compromissos da direita europeia, muitas vezes com a cumplicidade dos socialistas, com as soluções bélicas e imperialistas, que condicionam o leste europeu. Interpretar o passado com os dados obtidos no presente. Não é a Ucrãnia que adere á NATO, é antes a NATO que ocupa a Ucrânia! E o pró-consul aí está!
CR  




sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sessão Lançamento de Livro


Apresentação do o livro “Não podiam trabalhar com fome” - A greve de 1946 nas minas de São Pedro da Cova, da autoria de Daniel Vieira , na freguesia de Parada de Todeia. Para além da presença da família de antigos mineiros de São Pedro da Cova, na primeira fila estava o Sr Agostinho Silva, com 85 anos, natural de Parada, que trabalhou 20 anos nas minas de São Pedro da Cova. 
Com Daniel Vieira, Álvaro Pinto, Agostinho Pinto e Cristiano Ribeiro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Traffic - Gimme Some Lovin'

José Rodrigues dos Santos é manipulador ou ignorante?


O autor da ideia de “como não há os livros que gostaria de ler, escrevo-os eu” voltou a brindar-nos com disparates. Desta vez, a vítima da sua ignorância foi o marxismo e principalmente a cultura democrática

O ódio de José Rodrigues dos Santos à esquerda é já bem conhecido. Recentemente vimos como, no seu estilo apocalíptico, dramatizou a notícia de que a dívida pública estava próxima dos 130% do PIB. O motivo é claro: quer atacar a solução actual de um Governo PS apoiado pela esquerda. A mesma notícia nos tempos do governo das Direitas não mereceu esse escândalo. Uma vergonha para o jornalismo português.

Outro episódio que ilustra bem o estilo faccioso, apocalíptico e manipulador de José Rodrigues dos Santos (JRS) foram as vergonhosas reportagens nas vésperas das eleições gregas de Janeiro de 2015, quando já se previa a vitória do Syriza. Há décadas que não se ouvia na TV tanta ênfase e tanta repetição da expressão “extrema-esquerda”.

O aprendiz de feiticeiro JRS subiu agora um degrau académico na manipulação, chegou à história das ideias políticas. Em entrevista ao "Diário de Notícias", diz que os seus livros “'As Flores de Lótus' e 'O Pavilhão Púrpura' mostram realidades” e que “o facto de que o fascismo é um movimento que tem origem marxista, por exemplo, é uma das demonstrações feitas nesta saga”. A ficção de JRS demonstra! Que bela ciência política!

Na entrevista ao jornal "i" insiste nessa ideia e vai mais além: “Uma das coisas que hoje não se sabe, mas que é verdadeiro, é que o fascismo é um movimento de origem marxista”, “pouquíssima gente sabe isto”, sublinha. E depois, arrogando-se de exímio conhecedor da história das ideias políticas, decreta que o fascismo, “em certos aspectos, é mais ortodoxamente marxista do que o comunismo”.

Onde acaba a manipulação e começa a ignorância de José Rodrigues dos Santos é um segredo da "Fórmula de Deus". O mais relevante nesta história é que a vítima principal deste discurso de ódio é a cultura democrática. A derrota dos nazis pelos Aliados pôs fim à Segunda Guerra Mundial no solo europeu e assentou bases para uma cultura democrática antifascista. As resistências antifascistas uniram em vários países europeus correntes de esquerda e de direita, nelas participaram com papel muito relevante, pagando frequentemente com a própria vida, muitas e muitos socialistas e comunistas. Não estando em causa as críticas que é necessário fazer ao socialismo real, é vergonhoso fomentar a confusão entre as teorias e ideologias da emancipação das classes trabalhadoras e as ideologias racistas, reaccionárias e elitistas.

O ambiente da crise do capitalismo à volta de 1929 e a incapacidade dos regimes liberais para lhe fazer face abriram caminho à ascensão dos fascismos. Os reaccionarismos decadentes que vinham do século XIX e as linhas mais duras de vários conservadorismos souberam modernizar-se e ergueram poderosas ideologias de massas que parasitaram outras ideias e culturas populares. Gente de todos os quadrantes políticos anteriores aderiu aos movimentos fascistas, gente de todos os quadrantes foi perseguida e assassinada pelos fascistas. Muitos populares cristãos e democratas cristãos fizeram parte dos primeiros governos fascistas, outros foram seus opositores heróicos. Se eu fosse um manipulador como JRS, dizia só a primeira parte da frase anterior.

Estamos num péssimo momento para cair na armadilha de colocar a esquerda e a extrema-direita no mesmo saco. Ainda ontem, no país natal de Hitler, estivemos à espera de saber se era eleito um presidente de extrema-direita. Ganhou o candidato dos Verdes, para alívio de todos os democratas. Em França, Marine Le Pen é forte candidata a repetir o feito de, no mínimo, quase ganhar as presidenciais. Na Alemanha, um partido da ultradireita também faz caminho. Na Polónia e na Hungria, ultraconservadores e neofascistas vão tomando conta da política. Por toda a Europa, com mais ou menos força, regressam com novas roupagens as ideias antidemocráticas, xenófobas e islamofóbicas.

O discurso de José Rodrigues dos Santos não é só estúpido, é extremamente perigoso para a cultura democrática.


Bruno de Góis

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Dúvida?

A dúvida se a extrema direita austríaca chega ou não á presidência do País é pouco relevante. Independentemente do resultado final das eleições de Domingo, sabe-se que o povo austríco abraçou com convição, tal como outrora o ideal fascista, musculado, isolacionista, pró-guerra. A Hustória parece repetir-se. E os inocentes "distraídos" dessa retórica são cúmplices da aventura que se apresenta no horizonte europeu. Austria, Ucrânia, França, Grâ -Bretanha, Polónia... o que falta para abrir os olhos?

A prevenção e a mobilização deve fazer-se de imediato. Não ao Fascismo!

CR

domingo, 22 de maio de 2016

texto

PARA UM DEBATE NECESSÁRIO

Esta opinião é certamente discutível e contestável. Mas não deixa de apenas reflectir uma opinião pessoal. Despertará pela negativa os tradicionais “regionalismos”, ou antagonismos, espero que pela positiva desperte um debate necessário.

Penafiel, a sua cidade, moderniza-se enquanto Paredes, a cidade vizinha, estiola. Comecemos pela imagem do comércio local. O comércio de Penafiel abre novos espaços, ocupa territórios inesperados, atrai novos públicos. São correntes ou mesmo regulares iniciativas de promoção, de divulgação, de sensibilização. Uma cidade muito limitada geograficamente a um traçado de uma via principal e arruamentos secundários aproveita bem essa limitação para expor o seu dinamismo.

Paredes tem mais espaço disponível, ocupa mais território, mas é um deserto de iniciativas publicas, um deserto de ideias. O paredense parece ter desistido da sua cidade, talvez por ter várias localidades com esse estatuto. Acumulam-se as “cicatrizes” urbanísticas (que também as há em Penafiel!), na zona desportiva, na zona do acampamento cigano, na zona do espaço da feira. Não há novos espaços, novos equipamentos, que interajam com a vida dos paredenses. É uma apagada e vil tristeza. Ou não será?

Em Penafiel, há a zona pedonal utilizada, e a zona do Sameiro, com vida, juventude, iluminação, enquadramento, esplanadas. Há um Museu digno, uma Biblioteca actuante, um Parque com equipamentos. Há um parque de estacionamento subterrâneo. Tem um pequeno espaço diário de comercialização de produtos agrícolas locais. A renovação da EN15 vai melhorar a imagem da cidade, nomeadamente da sua entrada sul. Um projecto longo tempo adiado, mas enfim presente. Nem tudo o que se fez e faz em Penafiel é perfeito, longe disso. Mas o contraste parece-me evidente. Ou não será?

Recentemente o Provedor da Misericórdia de Paredes referia que não havia iniciativa cultural em Paredes, nomeadamente no Palacete da Granja. Concordo em absoluto. Mas também não há bom gosto, iniciativa, associativismo, autonomia na criatividade da sociedade. Não há actividade desportiva e cultural diversificada. Há uma atrofia que reduz a actividade empresarial e a menoriza.

Acuso todos os responsáveis locais, os que ostentam tantas vezes a legitimidade democrática, de um laxismo que deixa acontecer a realidade do pavilhão gimnodesportivo, da piscina, do campo de futebol, do acampamento cigano, do espaço da antiga Junta de Freguesia. São cúmplices de um marasmo que se prolonga, ano a ano, mandato a mandato. De vez em quando surge um papel com iniciativas teóricas, umas vezes é a Casa da Juventude, outras vezes é o Golfe, outras vezes um curso de pilotagem e simulador virtual de voo, outras vezes é isso ou nada. Paredes tem uma desprestigiante feira de quinquilharia ao Domingo.

A cidade tem referências culturais, gastronómicas ou arquitectónicas, espaços verdes de referência, comércio de qualidade? Sim ou não? E os habitantes orgulham-se da sua cidade? Sim ou não? Quem quiser dizer algo, que o diga.


CR

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Björk - Jóga

Porto Street Stage - O percurso

poesia

FIM


Quando eu morrer batam em latas,

Rompam aos saltos e aos pinotes,

Façam estalar no ar chicotes,

Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza...

A um morto nada se recusa,

E eu quero por força ir de burro!

Mário de Sá Carneiro,
Paris, 1916

RELEMBRANDO


Em recente artigo de opinião (O Progresso de Paredes, de 13 de Maio de 2016) Rui Silva, o único elemento do CDS/PP eleito na Assembleia Municipal de Paredes, pronunciou-se sobre a inexistência de um Arquivo Municipal digno desse nome em Paredes, bem como de responsável com formação específica. A falta é gritante e menoriza o Concelho no contexto dos que possuem Arquivos Municipais só em Portugal continental (cerca de 145).

Claramente não poderei estar mais de acordo com o teor do artigo de opinião. Aliás, a bem da verdade histórica, há meses escrevi sobre o mesmo tema e fiz uma intervenção na sessão da Assembleia Municipal com o mesmo teor.

Relembro propostas concretas, então formuladas, que podem ser enriquecidas com outros contributos.

- A transferência do Arquivo Municipal para as novas instalações da Biblioteca.

- A criação de um regulamento que, entre outras, estabeleça as normas de acesso, consulta e reprodução de documentos.

- A reorganização e o tratamento arquivístico adequado dos fundos documentais existentes.

- A criação e/ou actualização dos índices de documentos e que os mesmos fiquem pesquisáveis online.

- A criação de um prémio, de valor simbólico, mas com carácter distintivo para quem se salientasse em estudos, obras de salvaguarda, preservação e divulgação de documentos ou iniciativas  afins. 

CR


domingo, 15 de maio de 2016

ACERCA DO GLIFOSATO

A deputada do PEV Heloísa Apolónia pediu ao Governo português que assuma uma posição de firmeza contra o glifosato quando for discutido o uso deste herbicida no comité de peritos em Bruxelas no próximo dia 18. "Se está tão determinado a ir para Bruxelas defender que não sejam aplicadas sanções pelo défice de 2015, peço que com a mesma firmeza vá para Bruxelas dizer não ao glifosato", disse a deputada do PEV, advertindo para o potencial cancerígeno daquela substância, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, disse que aguarda o resultado da reunião do comité de peritos e que, se não houver consenso, o governo português tomará a iniciativa de proibir o uso do glifosato em meio urbano e progressivamente noutros sectores.
O Ministério da Agricultura anunciou na quinta-feira que vai retirar do mercado a taloamina e todos os produtos fitofarmacêuticos que contenham aquela substância por constituírem um risco grave para a saúde humana, animal e para o ambiente. "Os serviços da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária notificaram as empresas produtoras de fitofármacos sobre a taloamina, um coformulante utilizado nos compostos herbicidas à base de glifosato, tendo em vista a retirada imediata desta substância do mercado", refere, em comunicado, o Ministério da Agricultura
Três projectos de resolução que recomendavam a proibição do herbicida glifosato em Portugal e a oposição do Governo português à renovação da licença deste fitofármaco na União Europeia, acabaram vencidos, esta sexta-feira, pelos votos contra do PSD, CDS e a abstenção do PS. O PCP votou a favor da proposta do PEV e absteve-se em relação às do BE e do PAN.
O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e no mundo para matar ervas daninhas em terrenos agrícolas e em passeios e jardins nos espaços urbanos, e foi considerado "carcinogéneo provável para o ser humano" pela Agência Internacional de Investigação para o Cancro da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Na apresentação da respetivas propostas, no Parlamento, na quarta-feira passada, os deputados do Bloco, do PAN e dos Verdes, lembraram a importância de o Governo seguir o princípio da precaução, tendo em conta a informação da OMS. Também indicaram ser importante promover maiores esclarecimentos junto da população sobre os riscos do uso deste herbicida e realizar análises às águas subterrâneas e superficiais para verificar a presença desta substância.
O único ponto das propostas apresentadas que acabou aprovado por unanimidade foi a alínea 3 do projecto do PAN que visa promover “a realização de programa de análise a águas superficiais, para verificação da presença de resíduos de glifosato”.
A bancada parlamentar do PS absteve-se, seguindo as recomendações do Governo dirigidas aos deputados socialistas da Assembleia da República e do Parlamento Europeu.
A intenção do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, é "não ficar preso a uma posição e ter algum peso negocial na reunião do conselho de ministros europeus da Agricultura", marcada para junho, em Bruxelas, disse ao Expresso fonte próxima do processo. O objectivo não será interditar a venda do glifosato, mas sim "encurtar o prolongamento da licença para muito menos que os 15 anos propostos pela Comissão Europeia", explicou a mesma fonte.
Os eurodeputados socialistas também se abstiveram na votação da moção de resolução apresentada no Parlamento Europeu, que teve lugar em Estrasburgo, na quarta-feira. Em cima da mesa estava uma recomendação para que a Comissão Europeia não renovasse a licença do glifosato, que expira a 30 de junho. Porém, a moção acabou por ser alterada pela maioria de direita e foi aprovada uma outra que recomenda à CE que renove a autorização por sete anos e não pelos 15 pretendidos.
O tema continuará em debate na UE. Para 18 e 19 de maio está prevista uma reunião do comité de peritos dos 28 Estados-membro sobre o assunto e em cima da mesa estão diferentes pareceres científicos pró e contra o glifosato. Até agora a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) tem declarado "improvável" que o glifosato coloque riscos para a saúde.
A Organização Mundial de Saúde, através da sua estrutura especializada IARC - Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro sediada em França, declarou o glifosato (junto com outros pesticidas organofosforados) como "carcinogénio provável para o ser humano", nomeadamente. Esta classificação significa que existem evidências suficientes de que o glifosato causa cancro em animais de laboratório e que existem também provas diretas para o mesmo efeito em seres humanos, embora mais limitadas.
As implicações desta avaliação são profundas. Porque as decisões da IARC não são vinculativas, cabe agora aos governos e outras organizações internacionais tomar as medidas adequadas para proteger as populações. Considerando que este ano o glifosato está em processo de reavaliação na União Europeia, impõe-se a coragem de proibir o seu uso antes que as consequências se agravem.

A situação em Portugal é particularmente grave. Em 2012 aplicaram-se no país, para fins agrícolas, mais de 1400 toneladas de glifosato, e esse consumo tem vindo a aumentar: entre 2002 e 2012 o uso de glifosato na agricultura mais do que duplicou.

O glifosato, comercializado em Portugal em diferentes formulações por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta, entre outras, também é vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e, lamentavelmente, usado com abundância por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos (uma das vias importantes de exposição das populações, segundo a IARC). A Plataforma Transgénicos Fora já em 2014 desafiou as autarquias a aderir à iniciativa "Autarquias Sem Glifosato" mas até agora apenas oito freguesias e quatro câmaras assumiram formalmente esse compromisso. Neste momento as restantes terão muita dificuldade em justificar a sua inação.

O glifosato está até autorizado para aplicação em linhas de água para matar infestantes, muito embora o próprio fabricante reconheça a toxicidade para os organismos aquáticos, e o impacto negativo de longo prazo no ambiente aquático. Apesar disso infelizmente não é rotina a análise ao glifosato em águas superficiais ou de consumo pelo que a extensão deste impacto não é conhecida no nosso país (ao contrário do que acontece em muitos outros países - em França, por exemplo, mais de metade das análises a águas superficiais em anos sucessivos revelou a presença de glifosato e do seu metabolito AMPA, o que levou o governo francês a reduzir as doses máximas autorizadas na agricultura).



LIBERDADE EDITORIAL VERSUS LIBERDADE DE EXPRESSÃO



"Mas não é por acaso que se vê, de cada vez que se avançam perspectivas para uma beneficiação e elevação dos programas televisivos, que os remédios válidos mostram ser sempre e só remédios de ordem política; só a ideologização do meio técnico pode mudar o seu cunho e a sua direcção. Mas a ideologização não significa "partidarização"; significa apenas imprimir na administração do meio uma visão democrática do país; bastaria dizer: usar o meio no espírito da Constituição e à luz da inteligência. Todos os casos em que a nossa televisão tem dado boa prova de si, no fundo, não foram mais do que deduções correctas deste teorema." (Umberto Eco em Apocalípticos e Integrados, 1964)

Foi esta semana conhecido o Barómetro de Comentário Político Televisivo Maio 2016, um trabalho do Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL. E vale a pena a sua leitura e análise.
Barómetro no seu título conclui ainda por "Um quase empate entre a esquerda e a direita", ora sobre esta conclusão possível, não deixa de ser criticável a introdução de um grau de subjectividade na avaliação e caracterização da representatividade política que eu não subscreveria, embora generosamente entenda a ideia dos autores. 
O Barómetro centra a sua análise na representatividade factual e eventual dos partidos políticos no espaço televisivo caso os resultados eleitorais fossem critério de representação nos espaços de comentário político. Assim foram analisados no Barómetro um total de 53 comentadores políticos, dos quais 27 terão filiação partidária conhecida. Também foi analisada a representatividade (no quadro dicotómico esquerda/direita) que poderão ter "personalidades" das quais apenas é conhecido algum apoio eleitoral pretérito ou antiga militância, ou seja, não filiação política actual. 

Para ajuda na compreensão deste quadro, que apenas analisa os comentadores com filiação partidária identificada, consideremos a linha do PSD. Este Partido tem 11 comentadores em televisão, e de acordo com a proporcionalidade do seu peso eleitoral nas eleições para a Assembleia da República também teria 11, mas se o critério de selecção fosse os seus resultados eleitorais para o Parlamento Europeu então apenas teria 9.
As conclusões sobre o restante quadro são fáceis de retirar, partido a partido. Há partidos muito sobre-representados como o CDS e o BE(o campeão neste quadro) e outros sub-representados como o PS e o PCP(muito prejudicado, quase clandestino).

UM QUADRO AGRAVADO
O quadro acima refere-se apenas a este mês de Maio mas, salvo uma ou outra alteração muito pontual, é significativo da situação global da representatividade em espaços de comentário político televisivo ao longo do restante ano.
Contudo, o quadro agrava-se se se atender a quadros de representatividade semelhante que se possam estabelecer  sobre a restante comunicação social dominante nomeadamente jornais e rádios, entre outros. Aí, e salvaguardando a honestidade do levantamento e da análise, e respeitando igualmente as mais elementares regras da matemática e da proporcionalidade, facilmente se concluiria que no quadro mediático dominante o PCP é absolutamente prejudicado à luz do critério da representatividade eleitoral.

UM PROBLEMA DA DEMOCRACIA
As conclusões desta análise não serão novidade para muitos leitores do Manifesto 74, contudo será justo recordar que o critério eleitoral não pode nem deve ser o critério para selecção de comentadores políticos, embora também o possa ser. À luz do espírito da Constituição e da vasta legislação sobre o sector (dentro e fora dos períodos de campanha eleitoral), a liberdade de imprensa e a liberdade editorial serão também critérios.
O comentário político saudável pressupõe espírito democrático, a salvaguarda das forças minoritárias, a diversidade e o pluralismo e a assumpção de responsabilidades de todos os intervenientes (até daqueles que dizendo-se independentes no comentário ou no estatuto editorial nunca o são ou foram na prática).

Os perigos (como a formatação de ideias, a mediatização de realidades inexistentes, a construção de resultados eleitorais, entre outros) e o quadro geral cultural, mediático e económico que construiu a situação presente são conhecidos.
Assim, cumpre concluir que a concentração capitalista da riqueza, a concentração nos grandes grupos económicos da comunicação social dominante (televisão, jornais, rádios), a partidarização e ideologização da comunicação social detida pelo Estado, entre outros, são problemas da Democracia que devem ser denunciados e que objectivamente com ela conflituam.

Filipe Guerra

extracto de livro


"... povo atrasado, de mão estendida, vende cada um o que tiver de sobejo, resignação, humildade, paciência, assim continuemos nós a encontrar quem de tais mercadorias faça ao mundo comércio. "

José Saramago em O Ano da Morte de Ricardo Reis (publicado em 1984)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Uma pergunta

Será que a Troika , tão zeladora por deficites e por uma proclamada gestão "austera" das finanças públicas, nunca se confrontou, nas auditorias, inspeções ou diagnósticos de situação, com as derrapagens orçamentais, desencadeadas por contratos de associação com escolas privadas, em locais onde não havia carência da oferta pública, antes capacidade instalada? Cegueira ou cumplicidade?

CR

Discurso de Dilma Rousseff após aprovação do impeachment no Senado

terça-feira, 10 de maio de 2016

Coimbra - recantos do Portugal dos Pequenitos

Situado em Coimbra, o Portugal dos Pequenitos é desde 8 de junho de 1940, data da sua inauguração, um parque lúdico-pedagógico destinado à Criança.











domingo, 8 de maio de 2016

sexta-feira, 6 de maio de 2016

IMPRESSÃO BREVE SOBRE UMA REALIDADE DESCONHECIDA

Ao viajar, em férias ou em trabalho, confrontámo-nos muitas vezes com realidades que nos despertam marcantes impressões. Não serão certamente avaliações definitivas, mas ajudam a formar opinião.  A Islândia, que visitei recentemente em breves dias de férias e Primavera, é um destino peculiar, uma sociedade muito diferente da nossa, uma paisagem singular, que não corresponde ao modelo de destino, de sol e praia, que conhecemos.

A ilha, situada no Atlântico Norte latitude acima 64ºN, tem quinhentos quilómetros de maior largura leste–oeste e trezentos km de maior comprimento norte- sul. Mas não se pense que se pode fazer em linha recta esse percurso. O centro do país, noventa por cento do país, é constituída por desertas terras montanhosas, por glaciares, por vulcões, florestas, todas inacessíveis a veículos correntes. Circula-se assim numa peculiar EN1 em redor da ilha, uma estrada altamente condicionada pela neve, gelo e topografia, e que por ser tão precária não tem paralelo nas estradas de Portugal. O Inverno interrompe amiúdes vezes a circulação, e de obras de engenharia rodoviária como pontes e túneis só conheci um recente túnel de 6,5 km passando debaixo das águas de um fiorde na costa ocidental.

Mas assinale-se a presença de uma enorme frota automóvel, que no mundo por densidade por habitante só é superada pelos Estados Unidos. Todos os islandeses têm automóvel, ou veículos todo o terreno, para trabalhar ou passear, para percorrer pequenas distâncias ou enfrentar desafios de percursos na natureza.
A natureza, essa riqueza intocável para os naturais, é grandiosa, de tirar a respiração ou mesmo, despertar medo. O espaço das grandes paisagens, das cascatas e lagos, das zonas de lava e dos vulcões omnipresentes desperta um profundo respeito e uma consciência dos limites da dimensão humana. E consciente dos seus limites, o islandês acredita que pode viver (e conviver) nas margens do perigo, nas fraldas das montanhas, com o vento implacável, com a neve permanente, com a terra abrindo fendas e expulsando fogo e cinzas. A natureza molda o carácter do povo. E eles povo, com os cavalos, as ovelhas, o mar que o alimenta, a água quente que jorra da terra, construiu num século uma sociedade altamente desenvolvida e tecnologicamente avançada.

De onde vem a prosperidade islandesa, os níveis cimeiros a nível mundial de índices de desenvolvimento humano?  De recursos naturais, certamente, como a água, do geotermalismo que permite abastecer de água quente natural, sem tratamento as residências, dos recursos pesqueiros, da indústria do alumínio. E só. Não há petróleo ou outras fontes de recursos minerais. Não há agricultura extensiva ou exportadora. Mas há um recurso imenso, a educação, a cultura, o ecoturismo, a consciência nacional, de vida em comunidades e da defesa da família, a austeridade e a gestão adequada dos recursos.
A Islândia não tem exército, com excepção de uma pequena Força Naval de defesa da fronteira. A polícia é pouco numerosa e não muito visível. O Parlamento é um pequeno edifício de dimensões menores que qualquer camara municipal do interior rural do nosso país. O mesmo se diga da residência oficial do primeiro-ministro ou do conselho de ministros. É muito perturbador que o país que teve há mil anos o primeiro parlamento do mundo nos dê tão evidentes provas de uma vida sem luxos. A juventude predomina na vida económica e social.

Recentemente políticos islandeses de renome foram apanhados nas teias da evasão fiscal, da elisão fiscal e da ilegalidade. Os capitais circularam para o exterior, em fuga a compromissos de cidadania. Repetiu-se a crise financeira e politica de há 5 anos. Mas os islandeses, indignados, protestaram, como então. Há uma cadeia (em óptimas condições!) só para os banqueiros julgados. Mas não quero comparar…


Cristiano Ribeiro

A MEMÓRIA DE ZEINAL BAVA


 http://rd3.videos.sapo.pt/gcEPwO6P8dHFQ4e8fZ0L            

Comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

MOÇÃO SOBRE 0S 42 ANOS DA REVOLUÇÃO DE ABRIL DE 1974

MOÇÃO APRESENTADA PELA BANCADA DA CDU NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES E APROVADA COM OS VOTOS A FAVOR DA CDU, DO PS E DE 2 ELEMENTOS DO PSD , E ABSTENÇÃO DOS RESTANTES ELEMENTOS DO PSD. CDS AUSENTE


Neste ano de 2016 comemoramos simultaneamente os 42 anos da Revolução de 25 de Abril e ao

mesmo tempo os 40 anos da Constituição de República Portuguesa saída do 25 de Abril.


É por isso que comemorar o 25 de Abril é também assumir a defesa pelo cumprimento da

Constituição que apesar das 7 revisões sofridas ao longo deste tempo continua a ser a maior

referencia á revolução dos cravos e por isso continua a ser o esteio da democracia progressista

sobre a qual se pode garantir uma República soberana baseada na dignidade da pessoa humana e

na cidadania e naturalmente empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidaria.


Comemorar o 25 de Abril e assinalar os 40 anos da Constituição da Republica Portuguesa é um ato

de um grande significado político e cultural, que no atual momento e com o governo saído das

últimas Eleições Legislativas, criou espectativas fundadas a todos os Portugueses para que seja

adotada uma nova politica que tenha em conta a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da

Segurança Social do direito à educação e a cultura entre outros direitos económicos e sociais.


Comemorar Abril é também lutar contra o esmagamento que o capital vem impondo ao trabalho,

assim como a sobreposição dos poderes económico e financeiros ao poder político democrático.

Precisamos de assumir uma consciência coletiva de lutar por um estado soberano com iguais

direitos e deveres dentro dos princípios e valores assentes na igualdade entre Estados.


Comemorar Abril só pode ter como consequência uma política diferente, que venha de encontro às

necessidades dos mais desfavorecidos, na luta por melhores salários e pensões e no respeito pelos

direitos dos trabalhadores.


Por isso apelamos para que façamos deste 1º de Maio um dia de luta pela valorização do trabalho,

pela dignificação dos trabalhadores, pelo combate ao desemprego e a precariedade, contra os

baixos salários e pensões, contra a imigração forçada e também uma luta muito determinada que

vença o medo de lutar pela efetivação dos direitos individuais e coletivos indissociáveis de uma

política de Esquerda e Soberana e de um Portugal de progresso e justiça social.


Viva ao 25 de Abril

Viva ao 1º de Maio

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Dez detidos por fraude fiscal em empresas de mobiliário



A Polícia Judiciária confirmou a detenção de 10 pessoas, na operação "Fundo Falso" realizada, esta quarta-feira, em várias empresas de mobiliário em Paços de Ferreira, Lordelo e Paredes.

Em causa estão suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Os detidos, segundo informou a Judiciária, são empresários que contavam com a colaboração de uma empresa de contabilidade. O esquema passaria pela emissão de "faturas de favor", sem qualquer transação associada, "com o objetivo de aumentar ficticiamente os custos e consequente não liquidação, entrega ou pagamento da prestação tributária devida, bem como evitar declarar vantagens patrimoniais".

"Com estas condutas causaram diminuição das receitas tributárias em montante ainda não apurado, na que se antevê ser na ordem de vários milhões de euros, tendo tais ganhos ilícitos sido branqueados em sociedades criadas com esse propósito", avançou um comunicado da força policial.

O inquérito é dirigido pelo Ministério Público de Paredes, em articulação com a Autoridade Tributária e Aduaneira, contando também com a intervenção do Gabinete de Recuperação de Ativos da Polícia Judiciária.

Os detidos têm idades entre 38 e 61 anos e serão presentes a tribunal.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Radiohead - Burn The Witch

A FICÇÃO DA FINANÇA.*

PUBLICADO em manifesto74.blogspot.pt POR MIGUEL TIAGO


Era uma vez um banco que emprestava dinheiro à fundação X que comprava casas e arrendava ao Partido X. Esse banco também emprestava muito dinheiro aos seus acionistas A e B.

O banco emprestou à fundação X 10 milhões de euros e aos acionistas A e B, 150 a cada um.

As casas compradas pela fundação X valiam, no entanto, apenas uma parte do valor do dinheiro emprestado pelo banco. 

O Partido X não pagava as rendas pelas casas da fundação compradas com o dinheiro do banco que, por sua vez, era dinheiro dos depositantes. 

Como o Partido X não pagava, a fundação também não conseguia pagar ao banco as prestações dos empréstimos. O banco podia ficar com as casas de volta, mas já não valiam nada. 

Os acionistas pegaram no dinheiro emprestado e investiram no seu próprio luxo. 

O banco ficou sem 310 milhões de euros e precisou de ajuda do Estado para poder continuar a remunerar os depósitos dos cidadãos. O Estado emprestou o dinheiro necessário e ficou dono do banco porque o valor do banco era já muito pequeno  ou mesmo negativo porque tinha emprestado dinheiro a mais e cobrado a menos.

Portanto, a fundação X ficou a dever 10 milhões ao banco, e os acionistas A e B, 300 milhões.
Aparece a empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente, e oferece ao banco 40 milhões para que o banco lhe venda o buraco de 310 milhões deixados pelo não pagamento. A empresa-internacional-assim-meio-desconhecida recebe 40 milhões dos acionistas A e B, que assim lhe compram de novo a dívida por 20 milhões cada um. Portanto, como tinham ficado com 150 milhões de crédito, precisam apenas de despender 20 desses 150, levando de borla para casa 130 milhões roubados ao banco, pagos pelo Estado. Ao mesmo tempo, como o banco era do Estado, a Ministra das Finanças do Partido X que deve 10 milhões à fundação X, autoriza ou fecha os olhos à venda daqueles empréstimos à empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente. A empresa-internacional retribui vendendo também à fundação X por um euro a dívida de 10 milhões. A fundação X fica com 9.999.999€ de borla e sem dívidas a ninguém. A empresa-internacional apresenta lucros com a operação de 1 euro. O acionistas A e B apresentam lucros de 130 milhões cada. A fundação tem um lucro de 9.999.999€. O Banco perde 270 milhões. Não faz mal, o Estado paga. Ou melhor, fica o Estado a dever a um banco alemão qualquer. 

A Ministra do Partido X trabalha hoje para a empresa-internacional-assim-meio-desconhecidas-de-toda-a-gente.

* este pequeno conto é baseado em factos, mas ficciona em torno de possibilidades hoje não desmentidas nem comprovadas. Como no mundo da finança, a realidade supera, muitas vezes a ficção, o conto serve apenas como ilustração das grandes potencialidades do empreendedorismo no mundo da banca e do partido X.

imagens do mundo

Abril 2016
Hallgrimskirkja , a maior igreja (luterana) da Islândia, com 73 m de altura. Famosa pelo seu órgão de 5.000 tubos. Inspirada em formações vulcânicas e com pilares hexagonais






domingo, 1 de maio de 2016

OPERAÇÃO “MADEIRA DE SICÓMORO”




O sicómoro é uma figueira-brava abundante desde sempre no Médio Oriente, de tal modo que tem ressonâncias bíblicas. Isso terá inspirado os assessores do presidente Barack Obama quando se tratou de baptizar a operação secreta através da qual a Casa Branca e o Pentágono, recorrendo ao poço sem fundo de petrodólares da Arábia Saudita e ao prestimoso aparelho de guerra da NATO, decidiram desestabilizar a Síria até ao estado em que se encontra.
Corria o ano de 2012. Depois de montado o mito de que existia um início de “primavera árabe” na Síria, começou a canalização em massa de bandos de terroristas e toneladas de armas e munições para o interior do país, através das fronteiras da Jordânia e da Turquia. Ao mesmo tempo, aviões de carga das ditaduras do Golfo despejavam armas para os mercenários já no terreno; e os comboios humanitários da ONU foram transformados em autêntico cash and carry de material de guerra para os infiltrados, por inspiração do secretário-geral adjunto da ONU, Jeffrey Feltman. Para os que nunca dele ouviram falar, é o comissário político norte-americano na organização, ex-alto funcionário do Departamento de Estado, encarregado da estrutura operacional do golpe de Estado fascizante na Ucrânia, quando já em funções nas Nações Unidas.
Estava no terreno a operação “Madeira de Sicómoro”. Saibam os que reagem a este tipo de informações sobre operações secretas acusando liminarmente os mensageiros de serem agentes das teorias da conspiração que, neste caso, também os repórteres do New York Times o são. Foram eles que descreveram em pormenor a trama clandestina, ainda não há dois meses.
Em traços largos, a operação decidida por Barack Obama, numa primeira fase dedicada à desestabilização política e, a partir de 2013, à “assistência letal” aos terroristas sem excepção, foi passada à prática pela CIA e financiada, “em vários milhares de milhões de dólares”, pela ditadura whaabita da Arábia Saudita, a doutrina fundamentalista islâmica que inspira os mais sanguinários grupos terroristas, entre eles a al-Qaida e o Estado Islâmico e os seus heterónimos regionais. Também o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e a inevitável Turquia do fascista Erdogan se juntaram à operação.
Houve uma altura, ao que consta, que a Casa Branca pareceu recuar, pretendendo abrir excepções no auxílio à al-Qaida e ao Estado Islâmico. Contra isso se levantaram países árabes europeus na conferência dos “Amigos da Síria” realizada em 12 de Dezembro de 2012, em Marraquexe, Marrocos. O porta-voz dessa frutífera indignação contra o rebate de Washington foi o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, que só há pouco, e por doença, abandonou o cargo. Foram dele estas palavras históricas e lapidares: os membros da al-Nusra (heterónimo da al-Qaida na Síria) “estão a fazer um bom trabalho no terreno”.
Para pôr em Marcha a operação “Madeira de Sicómoro”, Barack Obama limitou-se a retomar uma velha prática de Washington ao recorrer à Arábia Saudita para financiar guerras e golpes de Estado. “Eles sabem o que obtêm de nós e nós sabemos o que obtemos deles”, é a versão da prosaica sentença “uma mão lava a outra” recitada ao New York Times por Mike Rodgers, um antigo representante republicano do Michigan. Se catarmos um pouco na História iremos encontrar esta simbiose entre Washington e Riade, entre os maiores pregadores da democracia e os seus mais descarados inimigos, por exemplo no apoio aos bandos armados na guerra civil angolana; na conspiração dos “contras” na Nicarágua; na institucionalização do banditismo no Afeganistão através dos “mujahidines” e da fundação da al-Qaida por Bin Laden; no esmagamento em sangue da “primavera árabe” no Bahrein; na destruição da Líbia, entregue operacionalmente à NATO.
É certo que a intervenção russa, fazendo em poucos meses os estragos nas hostes terroristas que a aviação norte-americana prometeu durante dois anos e nunca cumpriu, alterou as relações de forças na Síria. Moscovo e Washington definiram um cessar-fogo e Jeffrey Feltman foi afastado do dossier sírio. Consta que os comboios humanitários da ONU já não transportam armas para os terroristas. A paz, contudo, é uma miragem num país que em 2011 quase não tinha dívida externa e que agora chora 250 mil mortos, onde um em cada três sobreviventes é refugiado interno ou externo. Pelo que, também por isso, Barack Obama e os dirigentes da União Europeia e da NATO que o acolitam têm as mãos sujas, muito sujas mesmo, do sangue de seres humanos inocentes.
 José Goulão