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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Como a Turquia apoia os jihadistas ( III)

Thierry Meyssan
Os Turcomanos da Brigada Sultão Abdulhamid
Enquanto a Turquia não levantou o dedo mínimo para socorrer os Turcomanos iraquianos, massacrados pelo Daesh, ela, apoiou-se nos Turcomanos sírios contra a República Árabe da Síria. Eles são organizados pelos «Lobos Cinzentos», um partido político paramilitar turco, historicamente ligado aos serviços secretos da OTAN na sua luta contra o comunismo (a «Gládio»). Foram eles, por exemplo, quem organizou a tentativa de assassínio do Papa João Paulo II, em 1981. Os Lobos cinzentos estão presentes na Europa, nomeadamente no seio dos sociais-democratas belgas e dos socialistas neerlandeses. Eles instalaram em Frankfurt uma coordenação europeia. Na realidade, não são um partido em si mesmo, antes, formam o ramo paramilitar do Partido de Ação Nacionalista (MHP Milliyetçi Hareket Partisi).

As Brigadas Turcomanas organizam com o MIT a pilhagem das fábricas de Alepo. Peritos turcos desmantelam as máquinas-ferramentas que são expedidas e remontadas na Turquia. Simultaneamente, eles, ocupam a zona fronteiriça da Turquia onde o MIT instala e controla campos de treino de jiadistas.

Em Novembro de 2015, é a estrela dos Turcomanos sírios, o turco Alparslan Çelik —membro dos Lobos cinzentos e um dos comandantes da Brigada Sultão Abdoulhamid— , quem dará a ordem para abater os dois pilotos do Sukoi-24, que acabava de ser destruído pela aviação de caça Turca assistida por um avião-radar AWACS Saudita. Um, de entre eles, acabará efectivamente executado.

Acontece que, em 1995, os Lobos Cinzentos tinham organizado, com a empresa imobiliária turco-americana Celebiler isaat (que financia as campanhas eleitorais de Hillary Clinton), um vasto programa de recrutamento de 10.000 jiadistas para irem combater na Tchechénia. Uma base de treino fora instalada na cidade universitária de Top Kopa, em Istambul. Um dos filhos do general Djokhar Dudaiev dirigia a transferência a partir da Turquia, via Azerbaijão, ao lado do MIT.

O relatório de Inteligência russo revela que o MIT constituiu a Brigada Sultão Abdoulhamid —que agrupa as principais milícias turcomanas— e que treinou os seus elementos na base de Bayır-Bucak, sob a direção de instrutores das forças especiais de intervenção do Estado-Maior do Exército turco e de agentes do MIT. Ele precisa que a Brigada Turcomana colabora com a Al-Qaida.


Qualquer pesquisa, um pouco mais aprofundada, levará o Conselho de Segurança a reabrir velhos dossiês criminais e a constatar os laços entre a Brigada Sultão Abdoulhamid, os Lobos Cinzentos, a Turquia, os EUA e a Al-Qaida.

UM PASSO Á FRENTE

Ácerca do Ponto 19. da Ordem de Trabalhos da Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Paredes de 29 de fevereiro de 2016 - Constituição da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto

Em 9 de Maio de 2005 o Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República apresentou um Projecto de Lei que classificava como Área de Paisagem Protegida as Serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, Flores e Banjas. A iniciativa não era inédita havendo projectos anteriores de Câmaras (Valongo e Gondomar) e de Grupos Parlamentares (PEV, PCP e Partido Socialista) desde 1981. A comunidade científica, responsáveis por urbanismo e associações de defesa do ambiente já tinham consensualizado a importância deste processo. Faltava a criação da entidade na Lei e posteriormente no terreno.

Tal como foi apresentado então no fundamento do Projecto, esse conjunto montanhoso dos Concelhos de Penafiel, Paredes, Valongo e Gondomar, e os vales dos rios Ferreira, Sousa e Rio Mau, tinham e têm valor natural e cultural digno de preservação.

Os riscos apresentados, á data e agora, como a monocultura do eucalipto, os incêndios e a extinção de espécies animais de grande valor ecológico, mais sublinhavam a urgência de uma intervenção.

A zona verde assim organizada e defendida constituía uma mais-valia de lazer e recreio na periferia da grande cidade do Porto. Denominar-se-ia a área protegida prevista no Projecto de Lei de Parque Regional do Douro Litoral. Estas iniciativas tiveram a oposição dos diversos governos que nos (des) governaram. Umas vezes ostensivamente, outras vezes por omissão em iniciativas concretas. Sempre por incapacidade de reconhecimento da sua necessidade.

Entretanto a legislação aplicável mudou.

Agora é proposta a constituição de uma Associação de Municípios – Parque Serras do Porto. Integra-se num Projecto Pulmão Verde, dos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes, de interesse metropolitano, para a “utilização sustentada do território”.

A CDU através dos seus eleitos na Assembleia Municipal aprova a constituição da referida Associação para os fins específicos citados, dá parecer positivo aos estatutos e identifica-se em termos gerais com o estudo de viabilidade económico-financeira.

A CDU através dos seus eleitos na Assembleia Municipal congratula-se com a decisão unânime dos autarcas dos concelhos, responsabilizando-se com esta iniciativa na retoma e aceleramento do processo.

Apresentamos contudo duas questões que julgamos pertinentes

1)    A ausência do Município de Penafiel, reduz a área abrangida e diminui potencial de afirmação e desenvolvimento da Área Protegida. Pretendemos assim obter explicações.

2)    A designação adoptada não parece feliz e adaptada ao espaço abrangido. O “rebento” merecia outro nome mais inclusivo.

O eleito da CDU
Cristiano Ribeiro



 v

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Como a Turquia apoia os jihadistas (II)

Thierry Meyssan
A transferência de combatentes do Daesh da Síria para o Iémene
O relatório de Inteligência revela que os serviços secretos turcos organizaram a transferência dos combatentes do Daesh da Síria para o Iémene. Eles teriam, segundo o caso, sido transportados por avião ou por barco para Áden.

Esta imputação havia já sido formulada, a 27 de Outubro de 2015, pelo porta-voz do Exército Árabe Sírio, o general Ali Mayhub. Segundo ele, pelo menos 500 jiadistas do Daesh tinham sido auxiliados pelo MIT turco a dirigirem-se para o Iémene. Tinham sido embarcados em dois aviões da Turkish Airlines, um da Catar Airways e um dos Emirados. Chegados à Áden, os jiadistas foram divididos em três grupos. O primeiro dirigiu-se para o estreito de Bab-el-Mandeb, o segundo para Marib, e o terceiro foi enviado para a Arábia Saudita.

Esta informação, que foi amplamente desenvolvida pelos média árabes pró-Sírios, foi ignorada pela imprensa ocidental. Do lado iemenita, o general Sharaf Luqman, porta-voz dos militares fiéis ao antigo presidente Saleh, confirmou a acusação síria e acrescentou que os jiadistas tinham sido acolhidos no Iémene por mercenários da Blackwater-Academi.

A transferência de combatentes do Daesh de um teatro de operações para outro atesta a coordenação de operações na Síria e no Iémene. Ela implica a Turquia, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e a Blackwater-Academi.
A « aldeia tártara»
O relatório de Inteligência russo evoca igualmente o caso da «aldeia Tártara», um grupo étnico Tártaro, inicialmente baseado em Antalya, depois deslocado pelo MIT mais para norte, para Eskisehir. Muito embora ele precise que é formado por combatentes da Al-Qaida e que ajuda combatentes islamistas na Síria, não explica porquê é que este grupo foi movido para mais longe da Síria, nem quais são as suas actividades específicas .

Os tártaros formam a segunda minoria russa e muito poucos são os que aderem à ideologia jiadista dos Irmãos Muçulmanos ou do Hizb-ut-Tahrir. 

-Entretanto, em Março de 2012, os islamistas árabes do Tartaristão atacaram uma exposição sobre a Síria «berço da civilização» no museu de Kazan. Um pouco mais tarde, a 5 de Agosto de 2012, jiadistas, ao mesmo árabes e tártaros, reuniram-se secretamente em Kazan, incluindo representantes da Al-Qaida. 

-Em Dezembro de 2013, jiadistas tártaros pan-turcos, do movimento Azatlyk (Liberdade), deixam o teatro sírio para irem para a Ucrânia e assegurarem o serviço de ordem na praça Maidan, na tentativa de golpe de Estado; enquanto outros militantes da mesma organização se manifestavam em Kazan. 

-No 1º de Agosto de 2015, um Congresso Mundial de Tártaros é organizado em Ancara, com o apoio e a participação dos governos ucraniano e turco. É presidido pelo agente da CIA célebre durante a Guerra Fria, Mustafa Dzhemilev, e decide a criação de uma «Brigada muçulmana internacional» para «libertar» a Crimeia. Djemilev é, de imediato, recebido oficialmente pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan.  A Brigada dispõe de instalações em Kherson (Ucrânia). Ela organiza diversos actos de sabotagem na Crimeia, entre os quais uma gigantesca falha de electricidade (cortada a partir da Ucrânia), depois, não conseguindo entrar em massa na Rússia, vai reforçar as tropas ucranianas no Donbass.


Se o Conselho de Segurança se meter a escavar a questão da «aldeia Tártara», não lhe faltarão elementos para observar que os Estados Unidos, a Turquia e a Ucrânia patrocinam os jiadistas Tártaros na Síria, na Crimeia e no Tartaristão, aí incluídos elementos da Al-Qaida e do Daesh.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Como a Turquia apoia os jihadistas

Thierry Meyssan

A Rússia colocou a questão do futuro da Turquia enviando ao Conselho de Segurança um relatório de serviço de Inteligência sobre as actividades do apoio deste país aos jiadistas. O documento compreende uma dezena de revelações pondo em causa as actuações do MIT (Serviço Secreto Turco). O problema é que cada uma destas operações citadas liga-se a outras operações nas quais os mesmos actores operaram junto com os Estados Unidos, ou seus aliados, contra a Rússia. Estas informações juntam-se às já disponíveis sobre os laços pessoais do Presidente Erdoğan com o banqueiro da Al-Qaeda, e sobre a receptação pelo seu filho do petróleo roubado pelo Daesh (E.I.).

A Rússia remeteu aos membros do Conselho de Segurança da Onu um relatório de Inteligência sobre as actividades da Turquia a favor dos jiadistas operando na Síria . Este documento fornece uma dezena de factos em que cada um, por si, viola uma ou várias resoluções do Conselho.

Ao fazê-lo, a Rússia coloca o Conselho perante as suas responsabilidades e, por extensão, várias outras organizações inter-governamentais. Pelos princípios do Direito, o Conselho devia exigir as provas correspondentes a estas asserções e convocar a Turquia para dar explicações. No caso da culpabilidade da Turquia ser estabelecida, deveria decidir as sanções a tomar segundo o capítulo VII da Carta, quer dizer recorrendo à força. Pelo seu lado, a Organização do Tratado do Atlântico-Norte e a Organização da Cooperação Islâmica deveriam excluir das suas fileiras este Estado criminoso, enquanto a União Europeia deveria cessar as negociações de adesão.

No entanto, uma leitura atenta do relatório da Inteligência russa mostra que os factos alegados são susceptíveis de abrir muito outros dossiês, e de pôr em causa outras potências. De tal modo que é mais provável que não se discuta publicamente este relatório, mas que se negociará à porta fechada o futuro da Turquia.
O caso Mahdi Al-Harati
Nascido na Líbia, em 1973, Mahdi al-Harati emigrou para a Irlanda e aí construiu uma família. Em Maio de 2010, ele estava a bordo do Mavi Marmara, o navio almirante da «Flotilha da Liberdade», organizada pela ONG turca IHH para fornecer ajuda humanitária a Gaza. Os barcos foram pirateados em alto mar pelo exército israelita, provocando um escândalo internacional. Os passageiros foram raptados pelo Tsahal, sequestrados em Israel, depois, finalmente libertados. O Primeiro-ministro de então, Recep Tayyip Erdoğan, dirigiu-se a um hospital para reconfortar os militantes feridos. O seu gabinete difunde uma fotografia onde se vê um, de entre eles, a abraçá-lo como se fosse seu pai. Seria um turco-irlandês, El Mehdi El Hamid El Hamdi, mas, na realidade era o líbio-irlandês Mahdi al-Harati.

Em julho de 2011, a sua casa em Rathkeale (Irlanda) é assaltada. A sua companheira, Eftaima al-Najar, chama a polícia e diz que os ladrões se apoderaram de ricas jóias egípcias e líbias e de 200 000 euros em notas de 500. Contactado por telefone, Mahdi al-Harati confirma à polícia ter-se encontrado com autoridades do Catar, da França e dos Estados Unidos e ter recebido esta soma da CIA para ajudar ao derrube de Muammar al-Kaddafi. Posteriormente, ele irá desmentir as suas primeiras declarações assim que a Resistência líbia se apropriou do assunto].

Em julho-agosto de 2011, ele comanda a Brigada Tripoli —da qual também era membro o seu cunhado, Hosam al-Najjair—, uma unidade da Al-Qaida enquadrada por legionários franceses, encarregue pela Otan de tomar o Hotel Rixos. Oficialmente, o hotel é o centro da imprensa internacional, mas a Aliança foi informada, pelo construtor turco do edifício. que ele inclui uma cave(porão-br) arranjada, acessível a partir do exterior, onde se refugiam vários membros da família Kaddafi e dirigentes da Jamahiriya. Durante vários dias, ele bate-se junto com os franceses contra os soldados de Khamis Kaddafi .

Em Setembro de 2011, a Otan nomeia-o adjunto de Abdelhakim Belhaj, o chefe histórico da Al-Qaida tornado «governador militar de Tripoli». Ele demite-se a 11 de Outubro, pretensamente no seguimento a um diferendo com Belhaj .

No entanto em Novembro de 2011, ao lado de Abdel Hakim Belhadj, comanda um grupo de 600 a 1.500 jiadistas da Al-Qaida na Líbia —anteriormente do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL)— que são registados como refugiados e transportados por mar para a Turquia sob a supervisão de Ian Martin, antigo secretário-geral da Fabian Society e da Amnistia Internacional, tornado representante especial de Ban Ki-moon.

Chegados à Turquia, os jiadistas são transferidos de autocarro, escoltados pelo MIT (serviços secretos turcos), para a Síria. Eles instalam-se em Jabal al-Zouia, onde criam, por conta da França, o Exército Sírio Livre (FSA). Durante quase dois meses, Abdel Hakim Belhadj e Mahdi al-Harati recebem todos os jornalistas ocidentais que passando pela Turquia tentam cobrir o acontecimento, naquilo que eles transformam numa «aldeia Potemkin».

O gabinete do Primeiro-ministro Erdoğan coloca-os em conexão com contrabandistas que os transportam de moto a Jabal al-Zouia. Lá, eles vêem com os seus próprios olhos milhares de pessoas manifestarem-se «contra a ditadura de Bashar Assad e pela democracia». Conquistada, a imprensa ocidental conclui tratar-se de uma revolução, até que um jornalista do jornal espanhol ABC, Daniel Iriarte, constata que os manifestantes não são maioritariamente sírios e reconhece os seus chefes líbios Abdel Hakim Belhadj e Mahdi al-Harati . Pouco importa, o espectáculo da Brigada Falcões do Levante (Suqour al-Sham Brigade) conseguiu o seu efeito. O mito de um ESL composto de «desertores do Exército Árabe Sírio» nasceu e os jornalistas, que o alimentaram, nunca reconhecerão ter sido enrolados.

Em setembro de 2012, Mahdi al-Harati voltou à Líbia por razões médicas, não sem antes ter formado, junto com o seu cunhado, um novo grupo de jiadistas, Liwa al-Umma (a Brigada do Ummah) .

Em Março de 2014, Mahdi al-Harati escolta um novo grupo de jiadistas líbios que vêm para a Turquia por mar. Segundo o relatório da Inteligência russa, ele é apoiado pelo número 2 do regime, Hakan Fidan, chefe do MIT (serviços secretos), que acaba de retomar funções. Eles juntam-se ao Daesh (E.I.) pelo posto fronteiriço de Barsai. Esta decisão surge na sequência da reunião organizada, em Washington, pela conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, com os chefes dos Serviços Secretos do Golfo e da Turquia, a fim de lhes confiar o prosseguimento da guerra contra a Síria, pretensamente sem ter de usar a Al-Qaida e o Daesh.

Em Agosto de 2014, Mahdi al-Harati é «eleito» presidente da câmara de Tripoli, com o apoio do Catar, do Sudão e da Turquia. Ele depende do governo de Tripoli, dominado pela Irmandade Muçulmana, e rejeita o de Tobruk, apoiado pelo Egipto e pelos Emirados Árabes Unidos.


O percurso de Mahdi al-Harati atesta as ligações entre a Al-Qaida na Líbia, o Exército Sírio Livre, o Daesh e a Irmandade Muçulmana, reduzindo a nada a teoria de uma revolução democrática na Síria. Ela mostra também o apoio de que esta rede tem beneficiado a partir dos Estados Unidos, da França e da Turquia.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

PERITOS NORTE-AMERICANOS PROGNOSTICAM COLAPSO DA ARÁBIA SAUDITA



O sítio norte-americano Defense One referiu que os estrategas norte-americanos preparam-se para se confrontar com as consequências de um possível colapso da Arábia Saudita.

Os autores do artículo Sarah Chayes e Alex de Waal referem que a Arábia Saudita não é um Estado mas uma empresa política com um modelo económico insustentável e uma organização criminal que funciona de forma vertical. De qualquer forma, esse sistema não pode durar e os estrategas norte-americanos começaram a preparar-se para o seu colapso.

Em recentes conversas com pessoas militares e do governo, assinala a publicação, eles manifestaram a sua crença de que o sistema saudita se derrubará mais cedo que tarde.
Eles referem que o rei saudita é como o director executivo de uma empresa familiar que utiliza os ganhos do petróleo para comprar a lealdade política dos seus súbditos e dos próprios membros da família real. Estes últimos recebem quantidades de dinheiro e concessões comerciais e os principais bens públicos a preços módicos e empregos públicos bem remunerados.

No exterior, o regime saudita gastou milhares de milhões de dólares para promover o Wahabismo, um ramo extremista e intolerante do Islão, de que surgiu a Al Qaeda e o ISIS.
A política económica está agora nas mãos do príncipe Mohammed bin Salman, de 30 anos, cujo pai, o rei Salmán, lhe passou a gestão da maioria dos assuntos de Estado, provocando assim a ira de outros príncipes.

Mohammed, que é também ministro da Defesa e segundo príncipe herdeiro, lançou-se numa dispendiosa guerra no Iémen e fala em levar a cabo mudanças radicais na economia, como o aumento dos preços da energia, a aprovação de impostos e a privatização das companhias estatais, incluído a Aramco. Este último, conjuntamente com o acordo com outros países produtores para congelar a produção sugerem que o país precisa urgentemente de fundos para evitar a bancarrota.

 OS Estados Unidos julgavam que a família real tinha cofres sem fundo de dinheiro para manter a lealdade dos seus súbditos. Contudo, os baixos preços do petróleo e as enormes aquisições de armas, assim como a aventura militar no Iémen, deixaram Riad sem dinheiro.

Os jovens sauditas temem, pela primeira vez, o desemprego, como assinalou um artículo do New York Times. Os jovens sauditas vêem-se como cidadãos, e não como súbditos ou servos e isso complica ainda mais o exercício de um poder absoluto por parte das autoridades sauditas. De momento, assinala o jornal é a minoria xiita quem expressa reivindicações políticas, mas a maioria sunita, com uma melhor educação do que no passado e uma maior exposição ao mundo exterior, é provável que comece a manifestar cedo os seus desejos de mudança.

Durante décadas, a família real usou a sua enorme riqueza petrolífera para conceder enormes benefícios sociais ao seu povo, em troca da lealdade ao governo monárquico absolutista da Casa de Saúd. Entre os benefícios estavam a Educação e Saúde gratuitas, subsídios á energia e trabalhos estatais bem pagos. Também não havia impostos.

Contudo, a queda dos preços do barril de petróleo para menos de 30 dólares contra os 100 dólares de Junho de 2014 mudou as coisas e rompeu o contrato social que tinha dominado durante muito tempo o reino, assinala o Times. Convém recordar que 90% das receitas do Estado Saudita vem do petróleo.

A mudança já se fez notar na economia. Muitos projectos do governo foram parados e impuseram-se estritos limites de gastos nos ministérios. O governo debate agora a criação de impostos.

Para os sauditas mais jovens _ 70% da população tem menos de 30 anos_ o choque do petróleo significa uma quebra nas suas expectativas de futuro. Eles terão que trabalhar mais do que os seus pais, menos segurança no emprego e receberão salários mais baixos.
O sistema educativo não criou uma classe profissional ou inculcou uma cultura de trabalho duro. A maior parte dos engenheiros e técnicos de saúde são estrangeiros e muitos empregados do governo trabalham poucas horas por dia.

Contudo, com as receitas petrolíferas caindo e com mais jovens alcançando a idade de trabalho a cada dia, o sector publico já não pode sustentar essa despesa. Isso empurra os sauditas para o sector privado, onde a segurança de emprego e os salários são mais baixos.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

texto

O ESTREBUCHAR BAFIENTO DE CAVACO

PUBLICADO POR IVO RAFAEL SILVA

Estrebuchando até ao último suspiro ao sabor de antigas amizades, embalado e motivado por afinidades partidárias e ideológicas, e fazendo tudo isto com aquele seu típico travozinho de pessoa vingativa e provocatória, Cavaco Silva continua a distribuir umas quantas honrarias públicas por uma casta de gente que nada de positivo deu ou trouxe à democracia ou ao país. Muito pelo contrário. Há poucos dias, assistimos à entrega de medalhas a ex-ministros dos governos de Passos Coelho e Paulo Portas, não nos poupando Cavaco ao desprazer e nojo, para não dizer pior, que foi vermos um suposto “garante” da Constituição premiar aqueles que, nos últimos anos e de forma sucessiva e reiterada, mais atentaram contra a lei fundamental do Portugal democrático.


O 25 de Abril foi apenas ontem, e aquilo que o 25 de Abril matou demora a enterrar

Como se isso por si só não tivesse bastado, e porque ainda vai havendo tempo para Cavaco continuar a distribuir mordomiazinhas e rebuçados pelos amigalhaços de ontem e de hoje, o país foi agora confrontado com a condecoração dessa patusca e fantasmagórica figura de nome António de Sousa Lara. Alguém que a própria sociedade, de uma maneira geral, se encarregou – e bem – de desvalorizar e esquecer, a que o próprio correspondeu com um muito proveitoso e higiénico exílio público, aliás de salutar, é agora trazido desde as profundezas do obscurantismo cavaquista, do que de pior o cavaquismo teve, sendo recuperado à luz do dia – e sem vergonha alguma – das gavetas cerradas de um acto de censura que envergonhara, envergonha e envergonhará o país sempre que se fale de José Saramago.


O 25 de Abril foi apenas ontem, e aquilo que o 25 de Abril matou demora a enterrar. Até que a necessária inumação se faça, e se faça de vez, o cadáver continuará por aí, sob vários nomes, títulos e cargos, a infestar o ar da democracia. Cada pazada de terra será sempre pouca e leve para o mal que nos fizeram. Cada minuto que passa sem o enterro do “antigamente” é uma hora de avanço no regresso a esse passado abjecto de dor e miséria. Vivemos e enaltecemos aquela bela madrugada, mas urge, urge muito, o “dia inteiro e limpo” que está ainda por nascer.

Não Podiam Trabalhar Com Fome

A fome e a greve que marcaram São Pedro da Cova em 1946
ABEL COENTRÃO  (PÚBLICO)
Há setenta anos, recusando “trabalhar com fome”, os mineiros desta freguesia conseguiram por via da greve impor aumentos salariais de 15%, apesar da repressão.





Trabalho nas minas em 1940, retratado para um álbum de fotos da companhia
DR - MUSEU MINEIRO DE SÃO PEDRO DA COVA


A guerra tinha acabado, mas dentro da mina não. Sujeitos a mobilização forçada desde 1943, em São Pedro da Cova, Gondomar, os quase 800 homens e mulheres que trabalhavam num dos mais importantes complexos de extracção de carvão do país ganhavam, naqueles anos de chumbo, dos salários mais baixos do sector. Incapazes de trabalhar “com fome”, muitos deles arriscaram, a 27 de Fevereiro de 1946, uma greve que acabaria por se prolongar por seis dias e que viria a obrigar a empresa concessionária a dar-lhes aumentos na ordem dos 15%. Passados 70 anos, um livro fixa, para memória futura, esse importante episódio da resistência de um povo cuja identidade é ainda moldada pelas memórias da exploração mineira.
Não Podiam Trabalhar Com Fome é a transposição, para livro, da tese de mestrado defendida em 2011 por Daniel Vieira, 30 anos, um militante comunista que preside à Junta de São Pedro da Cova, que passou a estar agregada a Fânzeres, desde 2009. Como estudo de caso, a obra, que será lançada na próxima sexta-feira, na véspera de mais um aniversário desse evento, é mais um contributo para a historiografia dos movimentos operários que, com sucessivas greves em vários sectores e pontos do país, abalaram o regime salazarista nos anos 40. Mas serve, principalmente, de testemunho da resistência do povo de São Pedro da Cova, cujo destino se cruzou com a extracção de antracite desde o final do século XVIII.
Em múltiplos aspectos descritos neste livro, a greve de 1946 não difere de outras desse período. Não foi sequer tão forte e participada como a de 1923, que, ao longo das suas dez semanas provocou uma onda de solidariedade nacional e até internacional para com os mineiros de São Pedro da Cova. Aliás, a censura conseguiu que a paralisação, e as detenções e outros esforços violentos para a reprimir, terminassem sem que uma linha fosse escrita na imprensa legalizada, explica Daniel Vieira. Só o clandestino Avante acompanhou, com detalhe, o esforço dos trabalhadores para conseguirem melhores condições, esforço esse que a 16 de Abril desse ano foi compensado, com aumentos salariais que variaram entre os 14 e os 16% para todos os mineiros. Uma das consequências mais relevadas por Daniel Vieira neste livro.
Como recordava a historiadora Irene Pimentel num artigo no PÚBLICO sobre o superavit registado pela economia portuguesa em 1943, um elemento do regime, Daniel Barbosa, ministro da Economia no pós-guerra, calculou que uma família, constituída por um operário, mulher e três filhos, precisaria, em 1943, de um salário mensal de 1650 escudos, para comprar o “estritamente” necessário e "viver com decência e na maior modéstia". Isto significava 64$30 diários, dos quais 28$09 para despesas de alimentação. Mas, nesse ano, o salário médio da maioria dos trabalhadores fabris portugueses era de pouco mais de 15$00 (entre 1941 e 46, a média era de 17$00).
Nos vários escalões, correspondentes a tarefas distintas, os trabalhadores de São Pedro da Cova ganhavam antes da greve precisamente entre 17 e 21 escudos por dia, valores aos quais eram ainda descontadas despesas e taxas para o sindicato corporativo. A exploração salarial, a par das péssimas condições de trabalho e as doenças a que estavam sujeitos os operários são apontados aliás, como motivo para a falta de mão-de-obra de que se vinha queixando a própria administração, que depois do pico de extracção de 1941, ano em que foi a mais importante mina de carvão do país, vinha verificando quedas de produção. Não encontrando, numa vila com fortes ligações a esta profissão e cuja população aumentava, interessados em entrar ao serviço.
Este problema foi parcialmente resolvido em 1943, com a entrada em vigor da mobilização forçada, que tratou como desertor quem não se apresentasse ao trabalho e obrigou mais de 200 antigos mineiros a abandonarem empregos melhor remunerados noutras localidades, e até noutras actividades, para regressarem à empresa, que passou a ser controlada por um delegado do Ministério da Guerra, António Miranda. E é este membro do regime que assume, num relatório, que uma das razões para o protesto que eclodiu no final de Fevereiro de 1946 residiria no incumprimento de “prometida melhoria ou actualização de salários”, que não acompanharam a carestia de vida desses anos da guerra, que fez explodir os preços de bens tão essenciais como o pão ou o peixe, o arroz ou a manteiga, entre muitos outros.
Outros dos objectivos de Daniel Vieira foi perceber até que ponto esta greve teve influência do PCP, como assumido em 2000 pelo antropólogo Jaime Moreira Guedes, na sua tese “Minas e Mineiros em São Pedro da Cova”. Ao PÚBLICO, no ano passado, um antigo responsável da organização central do PCP no distrito do Porto, José Carlos Almeida, garante que já nesse ano, “as pessoas mais activas não eram espontâneas, estavam organizadas partidariamente”, e que o “PCP tinha uma célula em São Pedro da Cova”. Mas após a análise de várias fontes escritas e orais, Daniel Vieira considerou não ser possível concluir que houve “uma acção determinante do PCP” na realização desta greve de classe, a que não aderiram capatazes ou outros trabalhadores de categorias superiores, e que teve como protagonistas gente com muito baixa instrução ou, na sua maioria, analfabetos.
Dos relatórios dos inquéritos aos 31 detidos pela PIDE, Daniel Vieira denota nos trabalhadores um esforço para vincar as motivações económicas do protesto. Numa entrevista que fez, para a tese, ainda em 2008, Serafim Marques, o Moliceira, activista do PCP que já trabalhava naqueles anos, disse-lhe que a questão da fome foi quase uma palavra-chave, a explicação que lhe foi dada à chegada à mina, no primeiro dia de paralisação. "A greve andava-se a formar. Tinha-se falado e a gente falava a este e àquele (…) eu já sabia, cheguei à mina e andavam alguns cá fora e eu perguntei: - O que é que se passa? E responderam: - É greve, é fome. E eu disse: - Então se é fome, eu também tenho fome, até nem almocei. E sentei-me a conversar”.  
A opção, tomada pela “maioria”, como assumiu a empresa, e que segundo os documentos do arquivo do PCP terá sido seguida até por trabalhadores das instalações da empresa em Rio tinto (Gondomar) e no Monte Aventino (Porto), foi duramente reprimida. Chamada pelo delegado do Ministério da Guerra, a GNR passou a patrulhar a vila a cavalo, ia buscar os homens a casa e há relatos de espancamentos. Os detidos, que não tinham qualquer cadastro por antecendentes de contestação, passaram ainda a contar com ficha na PIDE e uma vigilância mais atenta da polícia política. E terminado o conflito, com a influência do PCP a crescer, a agressividade no trabalho, recrudesceu, à chicotada.
Se não instigou o arranque da greve – tese que o autor não põe de lado – o PCP, muito bem informado sobre as condições de trabalho e os salários praticados, acompanhou-a, como se verifica numa notícia do Avante, de Abril desse ano. E incentivou os trabalhadores das minas a prosseguirem o protesto, distribuindo um panfleto nos primeiros dias de Março onde se liam apelos à solidariedade dos portugueses para com os grevistas. “Que todos os portugueses apoiem esta luta, exigindo que parte dos lucros fabulosos da Companhia das Minas de São Pedro da Cova seja repartida pelos mineiros explorados. Os valentes mineiros precisam da ajuda de todos os portugueses honestos! Escrevam cartas de protesto às autoridades contra a exploração feita aos mineiros”, lia-se nesse prospecto clandestino.
A atenção do PCP, e o envolvimento do partido com esta comunidade mineira, foi, então, o prenúncio da politização desta comunidade e de uma ligação intensa que permanece até aos dias que correm e explica que o partido tenha aqui um raro bastião eleitoral no distrito. Mas ao contrário do que acontecera em 1923, em que famílias da cidade do Porto chegaram a cuidar dos filhos dos mineiros durante a longa paralização, em 1946 não houve nenhum movimento de solidariedade e a pressão policial, a par das dificuldades económicas e do medo de represálias, ditou o regresso, paulatino, dos grevistas ao trabalho. Sem o saberem, voltaram ao fundo das minas com uma vitória que haveria de lhes aparecer nas folhas salariais um mês depois.
Obra sobre a greve de 1923 a caminho
A frequentar neste momento o doutoramento em Ciência Política em Aveiro – com uma investigação em torno do efeito do efeito da austeridade no reaprofundamento das clivagens ideológicas no discurso político – Daniel Vieira promete não abandonar o seu interesse pela história local. O autarca de São Pedro da Cova e Fânzeres espera publicar um trabalho sobre a greve de 1923 nas minas, e vai acompanhando com atenção o que se vai escrevendo sobre a vila, cujo museu acaba de receber um exemplar de um álbum fotográfico do início da década de 40, mandado fazer, na altura, pelos donos da companhia (ver fotos). Para já, este neto de operários da mina e de um chapeleiro comunista e antigo preso político de São João da Madeira lançaNão Podiam Trabalhar com Fome” na próxima sexta-feira, pelas 21h30, no Auditório da Escola Profissional de Gondomar, junto ao Museu Mineiro. A obra, editada pela chancela Lugar da Palavra, será apresentada por Manuel Loff, historiador, professor universitário e orientador da tese que deu origem ao livro


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS DA TUGULÂNDIA

Uma USF da península de Setúbal (salvo erro, da Cova da Piedade) instituiu administrativamente o tempo máximo de consulta dos utentes. São 5 (cinco) minutos, assim diz o papelinho que informa o utente, previamente, dessa limitação. 

Em 5 minutos, o utente  deve sentar-se, identificar-se, relatar o seu problema (que dado o contexto só deve ser um problemazito!), despir-se para expor visualmente o problemazito  (que pode ser uma hemorróida, ou uma candidíase, ou uma amigdalite), sentir o raciocínio ultra-rápido do clinico, associado a um registo fulminante no programa informático, e á colaboração á Speedy Gonzalez da impressora. E dotado da receita, que isto dos exames complementares de diagnóstico é desperdício de tempo e de dinheiro, lá alcançará a porta de saída aos 4‘ e 59’’, cumprindo o preceituado no Manual de Procedimentos.
   
Mas a evolução processual caminhará para objectivos mais exigentes. Chegará o tempo em que o utente terá sempre a porta aberta, não se sentará, restringir-se-á a identificação a um número, entrará já despido e de boca aberta e sairá com um modelo fixo de prescrição relativo a 20 patologias mais frequentes.

Esta mania dos utentes abusarem… Consulta Aberta não é o mesmo de consulta es-can-ca-ra-da!

CR

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A ACÇÃO POLITICA DO PCP

Conclusões das visitas aos principais estabelecimentos prisionais do distrito do Porto



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Duas delegações do PCP, que incluíram os deputados na Assembleia da República Jorge Machado e Diana Ferreira, realizaram um conjunto de visitas aos principais estabelecimentos prisionais do distrito do Porto -  Santa Cruz do Bispo (prisão masculina e feminina), Custóias e Paços de Ferreira – tendo reunido com as respectivas direcções e com o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. 

Destas visitas e reuniões resultaram inúmeras informações importantes para a actividade parlamentar e local do PCP, destacando-se as seguintes:

O estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo, prisão masculina - a única para inimputáveis a nível nacional – está sobrelotada em cerca de 40% acima da sua capacidade, situação que se torna ainda mais grave devido à grave falta de recursos humanos, em particular guardas prisionais. 

Importa referir que nesta prisão a ausência de respostas a nível social do Estado impede que reclusos, inimputáveis, saiam do estabelecimento prisional.

Igualmente nos estabelecimentos prisionais de Santa Cruz do Bispo, prisão feminina, Paços de Ferreira e Custóias, os problemas existentes decorrem de falta de recursos humanos e sobrelotação. No caso do Estabelecimento Prisional do Porto - Custóias - a sobrelotação é particularmente grave, atingindo os 75% acima da capacidade: tendo uma lotação prevista de 686 presos, neste momento aloja 1.201.

Na reunião com o Sindicato do Corpo da Guarda Prisional surgiram informações dando conta de vários problemas.

Além da crónica falta de recursos humanos, a ausência de regulamentação do estatuto profissional - nomeadamente do horário de trabalho - leva a uma gigantesca sobrecarga de trabalho. Esta falta de regulamentação, quando associada à falta de recursos humanos, cria situações inaceitáveis de 40, 50 ou mesmo 60 horas de trabalho por semana.

A delegação do PCP constatou que a falta de recursos (humanos e materiais) tem levado a realização de serviços de transporte de reclusos em condições de segurança inadequadas, que por vezes colocam em risco os próprios guardas prisionais. Note-se que as carrinhas de transportes de reclusos estão em mau estado e há uma preocupante ausência de formação contínua dos profissionais - apenas colmatada com formações promovidas pelos próprios.

Neste contexto, o actual concurso para a admissão de 400 novos guardas prisionais é manifestamente insuficiente.

Os deputados do PCP irão questionar o Governo, reclamando explicações e questionando sobre as medidas que serão tomadas para superar estes e outros problemas.

ENGRAÇADINHOS, ENGRAÇADINHAS …E OS OUTROS



A Marktest, baseando-se em dados do serviço Telenews, elaborou um ranking dos protagonistas da informação televisiva de Janeiro. E sim, Marcelo Rebelo de Sousa lidera a lista. 

Domingo à noite era certinho. O professor Marcelo entrava na casa dos portugueses para dar a sua opinião sobre a actualidade política. De todos os domingos passou para todos os dias, mas desta vez como candidato à Presidência da República. Marcelo ocupou a liderança da exposição mediática, considerando a duração total das notícias em que interveio nos serviços regulares de informação da RTP1, RTP2, SIC e TVI.

O novo Presidente eleito protagonizou 201 notícias de 10 horas e 42 minutos de duração durante o mês. Note-se que esta análise exclui eventuais programas, debates ou entrevistas realizadas no período e que na contabilização do tempo se considera o tempo total de duração da notícia.

Sampaio da Nóvoa, o segundo candidato presidencial mais votado, foi segundo, tendo estado perante os ecrãs por 9 horas e 104 minutos, repartidos por 190 notícias.

Maria de Belém, também candidata à Presidência da República, ocupou o terceiro lugar protagonizando directamente 157 notícias de 8 horas e 10 minutos de duração.

Uma outra candidata a estas eleições, Marisa Matias, ficou em quarto lugar, tendo intervindo na primeira pessoa em 169 notícias de 6 horas e 47 minutos de duração.
O Primeiro-ministro, António Costa, baixou da 1ª para a 5ª posição, com intervenção directa em 121 notícias de 4 horas e 53 minutos de duração.

Henrique Neto (candidato às Presidenciais), Jerónimo de Sousa (líder do PCP), Pedro Passos Coelho (líder do PSD), Catarina Martins (líder do BE) e Mário Centeno (ministro das Finanças), completam a lista dos 10 nomes que protagonizaram notícias de maior duração total durante o mês de Janeiro de 2016.

Este quadro mostra os “critérios editoriais” das televisões. Note-se que um dos principais candidatos presidenciais e isto em plena campanha eleitoral, Edgar Silva, nem sequer aparece nos dez primeiros do ranking.

A classificação individual é aquela que se apresenta na foto. Já por “equipas”, o resultado seria este:
O PS em 1.º lugar com 18:41:18; o PSD em 2.º com 13:13:39; Independente (S. Nóvoa) em 3.º com 09:13:53, seguido do BE com 08:44:59 ocupando o 4.º lugar, e depois muito lá para trás aparece finalmente o PCP.

E agora digam lá se a vida não está para os engraçadinhos e engraçadinhas?

Luísa Portugal, CAFÉ CENTRAL

Fonte: Marktest; Notícias ao Minuto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

DELÍCIAS

Carlos Carvalhas

 8 de Fev 2016

Ouvir ou ler um Rodrigues dos Santos, um Miguel Sousa Tavares e tantos outros sobre o Défice Estrutural, de que não fazem a mínima ideia de como se calcula, do que significa, nem do seu valor para avaliar a justeza de uma política é uma delícia.

São categóricos. A ignorância é sempre atrevida e ainda mais quando estamos perante comentadores sobranceiros com desmesurado ego e arraigados preconceitos de classe.

Durante muito tempo estivemos sozinhos a afirmar que os critérios de Maastricht, não tinham qualquer valor científico, até ao dia em que um Comissário europeu afirmou claramente que os critérios de Mastricht eram "estúpidos"...

 Hoje sabemos melhor como foram calculados e impostos pela Alemanha que não era a da Srª Merkel

Pode ser que ainda se venha a verificar com o dito défice estrutural o que sucedeu com os critérios de Mastricht e então teremos os mesmos comentadores a fazerem coro com os que sempre afirmaram que tal défice é de calculo difícil, subjectivo logo conferindo poderes discricionários a quem o avalia em Bruxelas e podendo ser objetivamente um travão ao crescimento económico.

E nem nos estamos a referir ao défice virtuoso de Miguel Cadilhe...

Outras delícias são as que se referem à classe média e à austeridade. Com a mesma ligeireza dizem uns que afinal a carga fiscal do novo Orçamento sobrecarrega a classe média. A abstracção " classe média " mete no mesmo saco sujeitos com rendimentos muito diferentes. Mais acertado seria falar em camadas médias e é uma evidência que este Orçamento embora de forma imperfeita desagrava fiscalmente a maioria das camadas médias.

O mesmo diremos daqueles que afirmam que a austeridade se mantém. As políticas do anterior governo não foram políticas de austeridade, mas sim políticas de concentração de riqueza, como sempre afirmámos e os dados sobre a distribuição do Rendimento Nacional o confirmam.

No Expresso , o jornalista Santos Guerreiro que não confundo com outros do mesmo Jornal cujo ego e atrevimento também estão na razão directa da santa ignorância , afirmou este fim de semana : "Os Orçamentos do PSD/CDS quase não tinham medidas desfavoráveis às empresas, este quase não tem medidas favoráveis, a austeridade recaia sobre o Estado, agora transfere o peso para os privados o outro resignava-se ao empobrecimento este revolta-se mas ilogicamente. Não Pedro Santos Guerreiro. Deixe-se de abstracções e vá ao concreto.

A dita austeridade não recaia sobre o Estado mas sobre os contribuintes, sobre os reformados sobre os utentes do Serviço Nacional de Saúde, sobre a Escola Publica, alunos e professores, sobre os trabalhadores sobre o património público, edifícios pontes escolas hospitais que viram investimentos de conservação adiados e que agora se pagam com língua de palmo. Agora a dita austeridade no essencial também não recai sobre os privados mas sobre alguns privados, os que mais têm lucrado com a crise e com as medidas ditas de austeridade mas na realidade de concentração de riqueza.

Também não é verdade que o anterior governo se resignava ao empobrecimento. Não. O anterior governo promoveu-a porque esteve ao serviço dos grandes interesses e como a manta era curta... Quem tem estado a pagar o desendividamento e a capitalizacão da banca e a dívida contraida para esse fim? Esta de que o anterior governo se resignou, coitado, ao empobrecimento não lembra ao. .. Já se esqueceram da carta de demissão de Gaspar...

Seria este o Orçamento desejável? Não. Este é um Orçamento contraditório e que fica aquém do que era possível mesmo na lógica da U.E. Na correcção da distribuição do Rendimento Nacional com impulso no aumento da produção e da produtividade sem atingir o défice podia -se e devia-se ter ido mais longe. Um exemplo: podia-se aumentar 50 %, 60 % as ajudas aos pequenos agricultores cortando um pouco, repito um pouco nos fartos subsídios dados aos grandes, podia-se fazer pagar de forma indirecta às gasolineiras mais de metade da subida e estabelecer preços especiais para a indústria e para os transportadores em fretes de exportação sem burocracias...
No entanto é para nós uma evidência que com este Tratado Orçamental, com esta dívida, com o Euro e com esta correlação de forças a nível da UE a colonização do país vai continuar.


A esta conclusão irão chegar cada vez mais portugueses e agentes políticos designadamente dentro do PS e não só. Quantos mais e mais rapidamente melhor para o povo e o país
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