um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sábado, 31 de outubro de 2015

a cuspidela da serpente


Francisco Assis é adorado por toda a imprensa. Escreve semanalmente no Público, fala para todas as rádios e televisões, todos querem saber a sua opinião em relação a tudo. Hoje ficamos a saber que é o eurodeputado com mais faltas e aquele que menos trabalho produziu.

Agora quer criar uma corrente dentro do PS ... de discurso conservador, conformista. É um papagaio falante à solta. 

CR 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Júlio Resende / Sílvia Pérez Cruz - Cucurrucucú Paloma





Julio Resende "Fado & Further" | Lisboa | Calouste Gulbenkian - Auditório| 11.09.2014
Piano e Direcção Musical - Júlio Resende
Voz- Sílvia Perez Cruz




culinária

Creme de cogumelos  shitake


Entrada com cogumelos shitake, alheira e queijo

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

imagem pornográfica em democracia


Enquanto a cavacal figura já se aperalta para ocupar instalações novas em antigo convento dominicano, no período pós presidência, um deputado paraplégico (no caso, do Bloco de Esquerda) improvisa deslocação em cadeira de rodas no interior do Parlamento. A lei aplicada a particulares não se aplica numa sede do Poder. Da necessidade de um governo de Esquerda, já!....

A CUSPIDELA DA SERPENTE




Inês Dória Nóbrega Teotónio Pereira Bourbon Ribeiro é nome brasonado. É nome de uma deputada do CDS na anterior legislativa, biografia como jornalista e frequência em Licenciatura em Ciência Politica.

 No passado sábado a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa organizou uma sessão (estilo comício) no salão da sede da Voz do Operário, em Lisboa. A ex-deputada do CDS, Inês Teotónio Pereira, foi à Voz e dessa sua presença no comício de Marcelo resultou uma fotografia legendada que publicou nas redes sociais. Na fotografia pode ler-se a insígnia "Trabalhadores, uni-vos" inscrita em lápide presente no salão. Na legenda a seguinte observação: "Só o Prof. Marcelo me leva a um sítio com operário no nome".

São assim em Portugal os brasonados nomes: identificam com quase absoluta probabilidade uma mente muito mesquinha, muito pequenina, alimentada por preconceitos e apartheid social de berço (que o apartheid politico para eles é uma lamuriosa recordação). Inês Dória, ao contrário da mera frequência em Ciência Politica, deveria estudar uma qualquer cadeira de Humanidades. Nada aprenderia, dirão alguns. Talvez se humanizasse, pensarão outros.


CR   

terça-feira, 27 de outubro de 2015

TEXTO

REPRESENTAÇÃO

No princípio,
eles faziam de conta que actuavam em nome
 e no interesse dos cidadãos.
E os cidadãos fingiam acreditar nisso.
Eles representavam, mais ou menos grotescamente bem.
E os cidadãos riam e aplaudiam naturalmente.

Mas um dia,
os cidadãos, alguns cidadãos, a sua maioria,
fartos da comédia, cansados da representação,
quiseram ver os bastidores do poder.
E encontraram
os fatos,
as máscaras,
os discursos,
os minuetos,
as partituras,
os requebros ,
os instrumentos que eles usavam,
as falsidades de que eles se socorriam.

Os cidadãos, então
 decidiram prescindir deles,
da estranha tradição,
e ensaiar por sua própria iniciativa 
o acto da sua própria existência.
Sem  fatos,
Sem máscaras,
sem discursos
sem minuetos,
sem partituras,
ausentes os requebros.

E um som mais límpido irrompeu
por entre o vozear aflito deles .

No fim a verdade da História aconteceu.
E desceu o pano.


CR

imagem


Na liberta Idlib. Na livre & democrática Idlib. Na livre de Assad Idlib. Raparigas vão á escola. Parecem felizes..

denúncia


domingo, 25 de outubro de 2015

TEXTO

O usurpador


por César Príncipe

.







D. Miguel de Portugal reinou (por usurpação do trono) de 1828 a 1834.   




Efectivamente, renegou a Constituição de 1826 (mais tarde, de 1976), que jurou defender, e não acatou o Normativo Sucessório. 

Encabeçou vários golpes contra a ordem parlamentar.  

O mais famigerado foi a Vilafrancada (posteriormente, denomimada Vilacavacada).   Este materializado no golpismo anticonstitucional e no desrespeito pelas Honras devidas à República de Outubro e à República de Abril.   Miguel assaltou o poder de dentro para fora e de fora para dentro, através da traição da palavra dada, da intriga afidalgada e sobretudo das armas do vale-tudo.   Foi nomeado Generalíssimo.   Foi fervorosamente apoiado pelo Papa (hoje, representado pelo cardeal Clemente) e pela Espanha (agora, representada por Rajoy).   Após ter posto a Nação a ferro e fogo, a sangrar de vidas, penúrias, amarguras e dívidas, derrotado no terreno e nas pretensões, escapuliu-se num barco inglês.   As suas forças, batidas e isoladas, renderam-se.   Assinaram os termos da debandada na Convenção de Évoramonte.  
 Por carta de lei de 19 de Dezembro de 1834, a rainha Dona Maria II firmou a Lei do Banimento, riscando do Direito Pátrio o Usurpador Absolutista e os seus existentes e hipotéticos herdeiros.   Também perdeu a pensão vitalícia.   Já sem tropas leais e operacionais, o ex- Generalíssimo , nomeou Supremo Comandante da Desforra o algarvio Remexido, bandoleiro a monte.   Miguel de Portugal faleceu na Alemanha, com os devidos confortos doscompanheiros das curvas e dos negócios da História.  A Lei só foi revogada, em 1950, por Salazar, outro UsurpadorAbsolutista.   A estirpe nunca se extirpa. Totalmente, claro.

E assim tivemos de volta a prole miguelista, com os genes recauchutados.

E aqui temos a heráldica desta costela retrógrada, pomposa e revanchista:

Eu 
Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon 

De ora em diante e a título póstumo, também me reconheço condignamente reencarnado em 

Aníbal Maria da Silva Coveiro da Agricultura Armador das Pescas Cremador da Indústria Caiador de Sepulcros BPN/BES Padre do Baptismo de Sangue Ponte 25 de Abril Criador do Monstro Apagador da Memória de Salgueiro Maia Supremo Comandante da Insurreição dos Pregos Intemerato Trepador de Coqueiros Vaqueiro do Gado Sorridente dos Açores e Leitor dos Lusíadas

fotografia


School - Afghanistan

Paula Bronstein


sábado, 24 de outubro de 2015

Crosby, Stills, Nash & Young - Almost Cut My Hair

Fraude eleitoral


Nos meses que precederam as eleições, o governo reteve as devoluções do IVA  e do IRS, aumentando artificialmente as receitas fiscais.
Foi assim que durante a campanha eleitoral prometeu devolver 35% da sobretaxa do IRS.
Passadas as eleições,  dá-se o volte-face: feitas a devoluções congeladas nos meses anteriores a receita desce naturalmente e agora o governo só quer devolver 9%...
Toda a gente sabia, menos o José Gomes Ferreira, o editor de economia da SIC e acérrimo defensor da PaF, que agora se mostra escandalizado pela vergonhosa manipulação da ministra das finanças e do seu aluno Passos Coelho.
(em formaeconteudo.blogspot.pt)

TEXTO

UM GOVERNO LIBERAL DE LIBELINHAS

«São 22:53 de quarta-feira, 21 de Outubro, estamos todos à espera de Cavaco. Pelo menos, eu estive, até há uns minutos, mas decidi avançar e arriscar fazer a crónica, imaginando que a decisão do nosso PR vai ser um ajuste directo ao Governo do PàF.

Quando escrevo – decidi avançar e arriscar – há um claro exagero da minha parte. Já são muitos anos a ver Aníbal trabalhar e confesso que seria uma enorme surpresa – e comeria o meu chapéu (uso uma pirâmide de gambas na cabeça) – se a decisão do nosso PR fosse outra.

É verdade que Cavaco Silva anunciou à nação, antes das eleições, que era "extremamente desejável que o próximo Governo disponha de apoio maioritário e consistente na Assembleia da República". Aliás, Cavaco Silva parece ser vítima do velho conto "cuidado com o que desejas porque pode acontecer". Provavelmente, o nosso Presidente rezou muito, muito e prometeu ir a Fátima se houvesse uma maioria mas esqueceu-se de excluir os comunistas; pensou que seria óbvio para a Aparecida. (...)

Posto isto, vamos então assumir que o XX Governo Constitucional vai ser entregue à PàF. Perdoem-me o trocadilho, mas será o XXis mais rápido do mundo. Não chega a ser XXis, é um mijinha. A esperança de vida do XX Governo Constitucional só é comparável à das efémeras. As efémeras são uma espécie particular de libelinhas que têm um ciclo de vida que vai dos 30 minutos até às 24 horas, muito raramente chegando aos dois dias de vida. (...)

No fundo, este Governo do PàF vai ser daquelas experiências que a Vida é Bela vendia: venha viver as emoções de ser ministro ou secretário de Estado durante uma semana. Para ser ministro do Governo do PàF, não é preciso pedir licença sem vencimento no actual local de trabalho, basta meter 15 dias de baixa.

Um XX Governo Constitucional do PàF é um conto para entreter crianças. Na realidade, só conta para a estatística, não é para levar a sério, até dá para pôr um cavalo no lugar do Crato, e a educação fica a ganhar. São quinze dias de regabofe assumido dos ex-além-da-troika. Vai servir para tirar fotocópias e roubar esferográficas e rolos de papel higiénico.»


João Quadros

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Gilbert Bécaud - Nathalie

COMO SE FORA A FAMÍLIA BELLAMY...

Não foi certamente um discurso com sentido de Estado. Não foi certamente um exercício de pedagogia constitucional. Não foi uma afirmação de prática politica consensual. Foi uma declaração de sectarismo, de obscurantismo, de prepotência. 

Cavaco escolhe governos e privilegia soluções governativas, como a sua Maria escolhe empregadas domésticas. Cavaco tem afinidades, "achismos", sensibilidades. Não tem independência, capacidade superior de lucidez ou humildade. 

Ainda bem que Março se avizinha. Quero ter um Presidente da República em vez de um Mordomo, ou Maitre da criadagem.
CR

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O PALEOLITICO INFERIOR DO DIA


Chama-se Luis Salgado Matos, dizem que é Professor Universitário de Sociologia e escreve no JN (lugar infecto onde vazam todas as pesporrências de momento) que um governo de esquerda seria "arcaico", atentos os interesses dos "credores". Dizem-me que o Prof. Matos já foi assessor do Presidente Jorge Sampaio. Lembro-me de umas mais anteriores identidades "esquerdistas". Confesso que não lhe encontro actualmente capacidade para ser senão apenas um exemplar da politica do Paleolitico Inferior.

CR

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Citação

«CÃES RAIVOSOS» DA DIREITA A «LADRAR» CONTRA A ESQUERDA
Os «cães raivosos» ao serviço da direita neoliberal no poder já andam por aí desatinados e sem açaimo a «ladrar» contra a esquerda, clamando que esta quer dar um «golpe de Estado» e pôr o país «de pantanas», e incitando a direita a manifestar-se nas ruas e a reclamar que a «múmia paralítica» erga uma barreira contra essa gente que «come criancinhas ao pequeno-almoço».

Alfredo Barroso

domingo, 18 de outubro de 2015

com HUMOR


(em anonimosecxxi.blogspot.pt)

CAMÕES E A ACTUALIDADE


Contra quase todas as expectativas, o mundo velho ruiu. Ruiu o preconceito que impedia que a expressão eleitoral de forças fora do “Centrão” tivesse consequências no poder real. Ruiu o epíteto de forças de protesto que descaracterizava quem na prática, ao protesto, legítimo e adequado tantas vezes, somava a proposta alternativa, a proposição, a diferença. Ruiu uma concepção do poder em que artificialmente uns se sucedem a outros numa contínua bipolarização, mudados os rostos, os discursos, mas mantendo-se idênticos os conteúdos.

E a queda de tão sólida fortaleza, alicerçado no tempo histórico, na tradição, na certeza fatalista, no medo da mudança, desencadeou um estado de perturbação mental em muitos. De súbito soaram as sirenes pelos corredores governamentais, pelas redacções, e admito, em muitas casas. 

Mas será que não há mais mundo para além do pântano resignado em que vivemos? Será que a gestão do bem público, e da governação, não pode ser orientada por valores éticos e pelo interesse geral? Será que a gestão do bem púbico e da governação não pode ser independente da lógica particular dos escritórios de advogados que como lóbi poderoso determinam a produção legislativa e a actividade fiscalizadora? Será que no contexto europeu os governantes “bons alunos”, que não passam de “fiéis súbditos” dos poderosos, não podem ser substituídos por determinados e realistas patriotas em defesa do País e dos seus interesses?

Há um novo Mundo a percorrer. Fechou-se um ciclo. Uma nova República é preciso. Alguns resistem nas últimas trincheiras do poder perdido. O papão dos compromissos europeus: a NATO, a União Europeia, a Moeda Única, o Tratado Orçamental. Significativamente dão como perdidas outras trincheiras, os compromissos nacionais: a competência governativa, a produção de riqueza, a igualdade social, a justiça social, a soberania, a criação de uma população escolarizada e competente, a esperança no futuro.

Disse Camões, um dos nossos maiores de sempre:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Os dias próximos mostrarão os limites da esperança, mas há uma porta entreaberta.

Cristiano Ribeiro


sábado, 17 de outubro de 2015

poema

o futuro escrevemos nós

chegou por estes dias
um envelope selado com o lacre dos séculos
chegou de mão em mão porque privatizaram os correios
no destinatário lia-se "presente", 
no remetente, "futuro".
no interior, uma carta em branco em que faltava apenas escrever uma palavra.
"comunismo"


Miguel Tiago

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Enviado para o (mesmo) Director dos Diário de Coimbra, Diário de Aveiro, Diário de Leiria e Diário de Viseu

Eu, Cristiano Manuel Soares Ribeiro, Médico, residente em Penafiel , venho manifestar a mais profunda repulsa pelo conteúdo do vosso Editorial , que se assume como um mero panfleto anticomunista e antidemocrático.  É triste e penosa prosa, originária de uma mente perturbada, e que pensa poder influenciar o rumo democrático do pais. Os leitores dos jornais, independentemente da sua orientação, não são bestas acéfalas, desprovidas de inteligência e capacidade de julgar. Se o Editorial fosse um artigo de opinião nada teria a apontar. Um pseudo editorial que se assume linha de trincheira é prova de falta de espirito democrático e ausência de deontologia na prática do jornalismo. Desafio o Jornal a publicar esta opinião.
 Cristiano Ribeiro 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Dave Matthews Band: as formigas continuam em marcha

Começou às 20h15 e só terminou quatro horas depois. Houve quem não aguentasse o tempo todo mas, como sempre, foi uma tareia boa de se levar. Porque a Dave Matthews Band está cada vez mais afinada.

Quatro horas. Os primeiros acordes começaram pelas 20h15 e terminaram às 00h15. Das 15 mil pessoas que encheram este domingo o MEO Arena, a maioria aguentou a pedalada. A Dave Matthews Band esteve pela terceira vez em Portugal e voltou a testar a resistência dos fãs, gente rija que segue a banda há muitos anos, que reconhece melodias aos primeiros acordes, que sabe as letras de cor, que passadas mais de três horas exigiu que a banda voltasse ao palco. E voltou.

A Dave Matthews Band, que é muito mais que a banda liderada por Dave Matthews (compositor, guitarrista e vocalista), é uma das mais bem sucedidas no mundo da música ao vivo. Levam 24 anos de carreira e de estrada e é no palco que se sentem bem, uma espécie de segunda casa que se vê não apenas na longevidade da banda e na duração dos espetáculos, está impressa no rosto de cada elemento. Do princípio ao fim, há diversão, sorrisos, despique, brincadeira.

Foi assim a noite passada, o primeiro espetáculo desta digressão europeia da banda. Regressaram à sala que os recebeu pela primeira vez, em maio de 2007, uma atuação que ficou gravada na memória e nos discos. Foi a primeira atuação gravada fora dos Estados Unidos da América a fazer parte da série DMB Live Trax, uma já longa coleção de duplos e triplos LPs que tem registado esse concerto em Lisboa no Vol. 10. E ontem também eram muitos os microfones de captação ambiente virados para a plateia, quem sabe se dali sai mais um triplo álbum ao vivo.

A banda entrou em cena à vista de todos, num palco igualmente sem fogo de artifício. Eles são as estrelas, sem adornos, simples. Um “muito obrigado” de Dave Matthews, cada um ao seu lugar, sete elementos em palco. O vocalista ao meio, atrás dele dois monstros, a enorme bateria e Carter Beauford, um gigante de luvas brancas que figura nas listas dos melhores bateristas do mundo, um poço de simpatia sempre a puxar pelo público — e o público por ele. Mas também Tim Reynolds (guitarra), Boyd Tinsley (violino), Stefan Lessard (baixo) e os dois homens do sopro, Rashawn Ross e Jeff Coffin — que ocupou o lugar do saxofonista LeRoi Moore, membro fundador da banda que morreu em 2008.

“Warehouse” foi o tema que abriu as quatro horas de espetáculo (com intervalo), um tema do álbum “Under The Table And Dreaming” (1994) que foi, de toda a discografia, o que mais se fez ouvir (seis canções). Mas também, aqui e ali, outra meia dúzia a picar toda a discografia de estúdio e também temas do novo álbum (ainda sem data de lançamento), logo à segunda uma pérola chamada “Black and Blue Bird”. O que se ouviu de novo nesta noite deixa antever um disco na linha do que já se conhece.

“Under The Table And Dreaming” é um dos melhores discos da banda, foi o primeiro editado por uma major e leva com 20 anos de palco. É por isso o mais rodado, é nele que se lê a grande cumplicidade entre músicos — e instrumentos, parece que falam uns com os outros. Como em “Dancing Nancies”, quando Dave Matthews e Boyd Tinsley tocam frente-a-frente, olhos nos olhos, a centímetros um do outro, como que no despique. Mas não, eles riem-se, brincam constantemente uns com os outros.

O que faz deles uma das bandas mais bem sucedidas do mundo a tocar ao vivo está na música, claro, mas sobretudo no virtuosismo e na experiência de palco, o que lhes permite esticar canções de 4 minutos (em disco) para 10, 12 ou 15 minutos, num improviso ensaiado, nunca se sabe bem o que vai dali sair. Pura e simplesmente, eles não tocam a mesma canção duas vezes da mesma maneira.

Por isso quando olhamos para o alinhamento (veja na fotogaleria) custa a crer que 20 canções ocupem quatro horas. O tempo útil foi cerca de três horas e trinta e cinco minutos, houve pelo meio um intervalo para abrandar o ritmo. Isto porque esta digressão segue a experiência do ano passado, em que a banda passou a dividir a atuação em duas partes, uma “elétrica” e outra acústica. E assim muitos terão pensado, quando Carter Beauford foi até à frente do palco receber uma ovação e distribuir baquetas, que seriam as despedidas da banda na formação completa. Mas não.

Se é verdade que o regresso do intervalo foi simples e lento, o anúncio do tal espetáculo em duas partes distintas pouco se fez notar. Primeiro Dave Matthews ao piano e em falsete com mais um tema novo (“Death on the High Seas”), depois ainda sozinho mas já em pé com a guitarra (em “Little Red Bird”) e depois com Tim Reynolds (“Bartender”). Ao quarto tema já os sete estavam em palco, para fazer o tal “acústico”, mas que não foi mais que um alinhamento de rearranjos. Os instrumentos continuaram ligados à corrente e a banda também. Continuou a haver espaço para esticar e mostrar o brilhantismo dos instrumentistas, para a cumplicidade e para os tais sorrisos no frente-a-frente entre instrumentos.

Dave Matthews continuou divertido, exímio nas vocalizações que não querem dizer nada, o som da voz é apenas mais um instrumento para acrescentar ao baralho. Esta segunda parte nem por isso simplificou a complexidade musical, momentos houve em que complicou. As canções são reconhecíveis, mas às vezes parecem outras, ou misturadas umas com as outras. É uma característica que a banda oferece ao vivo e o que os coloca entre as melhores do mundo.


Ou seja, o que ali se assistiu este domingo à noite foi a dois espetáculos num só, coisa grande e em grande. Quase quatro horas depois, terminaram da mesma maneira que em 2007, com “Rapunzel”. Depois das despedidas a sala iluminou-se com a luz de milhares de telemóveis, a assistência não desarmou e “obrigou” a banda a voltar ao palco. Visivelmente cansados, tocam mais uma para o caminho: “Ants Marching”. Siga então esta marcha, que é sempre um privilégio.

Retirado de observador.pt

domingo, 11 de outubro de 2015

O ABJECTO DO DIA


"Carlos Silva diz que PCP e Bloco não dão garantias de estabilidade para o futuro.
O Secretário-Geral da UGT confessa que ficará mais tranquilo se o Partido Socialista estabelecer um compromisso com a Coligação.

Tranquilo e não só. Cai sempre algum ...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

a guerra na Síria

Foi uma semana  muito dura para os terroristas na Síria. 

Em sete dias a Rússia realizou mais de cem ataques aéreos contra vários alvos jihadistas, reconhecidamente despertando o pânico nas fileiras desses grupos.

 Desde 30 de Setembro e até ontem, a Rússia fez na Síria 120 ataques que atingiram cerca de 110 alvos. Entre os objectivos destruídos estão: 71 veiculos armados, 30 outros veículos, 19 instalações de comando, 2 centros de comunicação, 23 depósitos de combustível e munições, 6 fábricas de fabrico de explosivos e carros bomba, algumas peças de artilharia e alguns campos de treino. Milhares de terroristas morreram, foram feridos ou fugiram em pánico.

A Rússia destruiu mais objectivos militares em 1 semana que a aviação ocidental em 1 ano. Os misseis lançados pela frota Russa do Mar Cáspio atingiram os alvos depois de percorrerem 1500 km , sobre o território iraquiano e iraniano. 

Compreende-se a "preocupação" ocidental com a presença russa. Um tão grande investimento em material e homens, criando as forças terroristas no terreno, destruído num segundo. Os misseis russos trarão a paz num futuro próximo, estou certo.

CR

a cuspidela da serpente

Disse Pires de Lima , o verborreico ministro "cervejeiro" - "Houve 90% de pessoas que não votaram no BE ou no PCP".


Esqueceu-se de dizer na mesma lógica que houve 0% dos portugueses que votaram no CDS / PP . Logo o CDS /PP não existe. Logo Pires de Lima como ministro é um buraco negro.

CR

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

EM EMERGÊNCIA!

Preparem o desfibrilador! Preparem as mais modernas técnicas de ressuscitação! Preparem as instalações de urgência! Algo de grave pode estar a acontecer...as diferentes forças que se dizem de Esquerda vão DIALOGAR! O sistema dá sinais de mal estar, de angústia, de profunda inquietação. Como é possível? 

PS, CDU e Bloco usam o argumento de que o governo não representa a maioria da população na sua vontade eleitoral. Com a ideia comum de que mais do mesmo, não. Contra a vontade expressa de sua Excelência, e dos aedos de serviço. 

Convoquem-se as forças da moral, da estabilidade, do passado e do presente. as forças maçonicas e opus deistas! Convoque-se o capital e a UGT. Convoque-se a NATO, a União Europeia, a Moody's, o FMI e o Francisco Assis. Não, não OS (aos esquerdistas...) deixem dialogar, por favor. 

Por que do diálogo, pode sair o COMPROMISSO e então seria o FIM

CR

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O CANTO ALENTEJANO DA CDU

Em Serpa (Beja), Montemor-o-Novo, Arraiolos e Mora (Évora) e Avis (Portalegre) ganhou a CDU. Muito significativo.

Que bom é ouvir o canto alentejano da CDU!

Notas dispersas sobre eleições

Umas eleições, quaisquer que sejam, não se reduzem aos seus resultados finais. O processo é muito mais complexo, tendo em conta as circunstãncias, os objectivos, as forças em presença, a transferência de votos, a dinãmica da consciência das massas.

As eleições legislativas de 4 de Outubro têm como traço fundamental a expressiva DERROTA politica e eleitoral da direita coligada, reduzida a uma minoria historicamente quase no seu valor mais baixo.

A Direita tem menos 738.000 votos, menos 25 deputados, menos 12 pontos percentuais, o resultado mais baixo desde 1985

 E essa derrota ainda se torna mais penosa quando a estratégia de se manter no Poder só pode contar com o beneplácio de um insignificante PR e com a "abstenção" de um desmoralizado PS.

Outras apreciações SURGIRÃO. Mas o fundamental está aqui. As condições de governabilidade por parte da direita estão muito reduzidas. E tendo em conta o seu papel devastador, há mais esperança em a enfrentar.

CR

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

os meus deputados

CDU

NUMERICAMENTE A CRESCER, POLITICAMENTE A AVANÇAR

REFLEXÃO SOBRE O PRÓXIMO FUTURO


Conheço os resultados das eleições legislativas no momento em que escrevo e as implicações que deles resultam. São uma pequena porta por onde entra alguma aragem de esperança, mas não respondem a uma necessidade vital. Afinal muito permanece imutável, a direita politica não é devida e justamente castigada, as promessas e ilusões rendem votos. Mas, apesar de insatisfeito, ouso prever a cronologia dos tempos próximos.

Nesta segunda-feira, o que fica? O mesmo inútil presidente, a mesma colossal dívida pública, a mesma agenda e encenação, a mesma sonolenta sociedade, as mesmas dicotomias, as mesmas alternativas, as mesmas limitadas esperanças, baseada na fé, na caridade, na tolerância, na estabilidade, na prudência. É o triste desígnio de um mesmo Povo, quando se exigia um Povo diferente. Como aconteceu nestes últimos 40 anos.
 
Na terça-feira seguinte expandem-se ilusões e manobras de diversão, fingindo ser diferente e duradouro aquilo que só pode ser igual e permanente. Mudam-se os rostos, as verbalizações, com uma ou outra inflexão no executar, no pensar, no programar. Mas sem roturas. O sufrágio ainda facto recente responsabiliza as vítimas e absolve os algozes. A austeridade, que não emigrará, antes se reforçará, surge como uma bênção, uma oportunidade de ter pouco e com pouco sobreviver.

Na quarta-feira seguinte reforçam-se as orientações e as inevitabilidades, baseadas no “estado de graça” de um governo igual/diferente, na legitimidade formal, no “rumo certo”. Destapam-se alguns preocupantes indicadores, escondidos ou menos sublinhados, e justificam-se agravamentos, penosidades, e vulnerabilidades com a realidade dura e crua assim exposta. Renasce a ideia da Unidade Nacional, da Coesão e Comunidade de interesses, da Dependência, da Periferia, da Pequenez do país. Surge o papão do Caos, do passo incerto.

Na quinta-feira seguinte, já haverá sobressalto, resposta, contraditório, oposição. Limitado, limitada. Assinalam-se (só então….) os casos de promoção pessoal, de corrupção, negócios obscuros, crescerá a ingratidão para os governantes, soltar-se-ão as denúncias. Mas no tempo certo, só cresceu aceitação e concordância. O discurso da governabilidade é mel na sopa para quem se quer maioritário com mais de 60% de votos contrários.

Na sexta-feira seguinte aparecerão as moções de censura, as recusas em votar o orçamento dos outros, e renascerá o discurso da governabilidade e do interesse nacional.
 
Nos dias seguintes teremos o circo das eleições antecipadas, novas promessas, novos protagonistas, as mesmas soluções. E o Povo assistirá dando o seu voto para pagar a encenação.

O escritor César Príncipe disse recentemente que para os convertidos á pestilência basta um lenço. E mais acrescento: os demais têm de replicar á peste com a cólera. Sem cólera, sem sobressalto (que não condiz com o Bom Povo Português, mais habituado á genuflexão, á submissão, á lamúria, ao fingimento), o tempo rolará.
 
E no meio do pântano, alguns manterão a lucidez e a coragem de, incompreendidos, ousarem propor alternativas. Não é fácil.

Cristiano Ribeiro

domingo, 4 de outubro de 2015

ASSASSINOS E SEUS CÚMPLICES

Obama diz que a estratégia da Rússia na Síria é “receita para o desastre” e acrescentou que Putin está a transformar “território sírio num pântano”.  A mesma teoria falaciosa e catastrófica enforma as notícias da comunicação social dominante.    Obama e os seus amigos ocidentais pretendem fazer uma distinção subtil entre o chamado Estado Islâmico e a oposição armada “moderada”. Quando a história e o decorrer da guerra síria demonstra que não há distinção possível entre o jihadismo moderado e o radical, entre a barbárie desencadeada pelas várias facções armadas, Obama e os seus aliados não se conformam com a atitude musculada do exército russo, do exército iraniano, das milícias iraquianas pro-Assad e do Hezbollah libanês.

A Coligação liderada pelos EUA, com a Alemanha, o Qatar, a Turquia , a Arábia Saudita, a Grã- Bretanha, e a França, anda há um ano, fingindo combater o Estado Islâmico. Dispondo de todos os meios tecnológicos e militares, a sua eficácia revela-se caricata tendo em conta a defesa das populações curdas, de outras minorias e governos legais do Iraque e Síria, e dos refugiados que da guerra fogem.

Os caças – bombardeiros russos Su-31 actuam implacavelmente contra o terrorismo global, quer seja em Al Raqqa (a capital do Estado Islâmico) quer seja em Hamas, Idlib, ou Homs.  O mundo agradece. E Obama, Hollande e Cameron ficarão para sempre identificados como criadores e suportes de uma das mais negras páginas da história da Humanidade.


CR

HOJE

Vermelho...sempre. 

sábado, 3 de outubro de 2015

en reflexão

Levantei-me cedo para ter tempo de reflexão . Fui ao Porto e, sempre a reflectir , reflecte para aqui , reflecte para ali ! Tomei café e lá continuava a reflectir ! Regressei à Póvoa e... reflecte isto , reflecte aquilo ! Fui ao mercado e até a peixeira me disse " Então não responde ? Carapau ou sardinha ? " e eu " Ah desculpe , estava a reflectir ! " Ela riu-se muito e perguntou-me " E qual é o resultado dessa reflexão ? " . " Olhe, dá sempre o mesmo mas não estou preocupado, e é mesmo um muito bom sinal ! " Tudo isto para vos dizer que para mim acabou a reflexão ! Até amanhã camaradas !

João Torres


Caro João 

Levantei-me igualmente cedo. Também não queria abdicar do meu tempo de reflexão. Como de costume fui a Parada de Todeia, localidade que conheces, fazer umas consultas médicas á sua população. Ritual dos sábados...

O programa informático funcionou normalmente, o que facilitou o desempenho, nomeadamente da passagem do receituário. Há já uma preocupação com a tomada da vacina da gipe, o que é muito salutar. Alguns fizeram questão de me afirmar que há na família novos votantes, gente com idade para votar e que o pretendem fazer. Fiquei satisfeito. Prevenir é preciso. Conquistar novas energias é necessário. Também eu saí deste meu "hobbie" com a certeza e convição na reflexão há muito iniciada e semanalmente repetida. Não fiques para trás, oh companheiro!

Cristiano Ribeiro

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

FALANDO DE ESTABILIDADE


HUMOR


TEXTO

Enchemos o peito quando dizem que ninguém vai para a CDU para se promover.
Enchemos o peito quando não há ninguém que possa acusar um dos nossos deputados de corrupção ou negócios obscuros.
Incha-nos o ego quando ninguém pode dizer que a CDU não esteve SEMPRE ao lado dos trabalhadores para os defender.
Levantamos o punho quando, mesmo não concordando connosco, reconhecem na CDU o trabalho, a dedicação e a seriedade.
As mudanças de fundo não se fazem por decreto mas com o teu voto em quem realmente zela pelos interesses populares, muito pode começar a mudar. 

Pega nessa força a crescer-te nos dedos e nessa raiva a nascer-te nos dentes e vota na CDU!

TEXTO


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

VOTAR CONTRA O REINO CAVERNOSO

por César Príncipe


Se Cristo foi crucificado na companhia de dois ladrões, o BPP/Bom Povo Português tem vindo a sangrar, a expiar e a expirar no lenho por obra e graça do bando dos seis – ao que o CE/Comité Eleitoral apurou – assumidos representantes do ICEA/Império Cleptocrático Euro-Americano. O trio autóctone e o trio exógeno acertaram, sem grandes discrepâncias e pruridos, o tempo de sanguessugar e o preço do calvário. Periodicamente, o trio aborígene busca escudar-se no sufrágio das vítimas, tudo fazendo e dizendo para que assumam as responsabilidades do suplício. Estamos em período de auscultação do pulsar populi. Ninguém cometa, pois, o pecado da incompreensão, da ingratidão e da hostilidade e da alternativa. Todo o flagelado deve lamber o azorrague. Todo o cativo deve bendizer as grades. Toda a ovelha se deve deixar ordenhar e tosquiar. Todo o fedor é de bode expiatório. É dos códigos profanos. É dos livros sagrados. É dos ciclos de exploração intensiva.
 
Excelentíssimo Cidadão,
Procure saber (atempadamente) onde terá de depositar o boletim da sua cruz. Envergue a túnica das filas de condenados e a coroa de espinhos mais lacerante. Se é pessoa dada a cortejos de oferendas ou prendas no Dia dos Namorados ou se é de amores sofridos e já se habituou à via penitencial – não vacile – ofereça os pregos aos seus algozes para minorar as despesas da crucificação. A austeridade – isto é – o desapego ou desapossamento das coisas terrenas, pressiona os sem-terra e sem-abrigo e sem-emprego e sem-reforma e sem-cêntimo e sem-cabeça para que se martirizem por terem abusado do bem-estar, confiados nos rendimentos mínimos dos tempos das vacas gordas e loucas. A prosperidade a raros é reservada e assegurada. É da dura lex da luta de classes, da distribuição da pobreza e da riqueza. Leia os livros.

Excelentíssimo Cidadão,

Coloque a cruz ou o X nas quadrículas. Nas exactas. Nas recomendadas pelo rotativismo situacionista. Nas que garantem miséria, ignorância e medo como apólices do empreendedorismo sem risco. Em caso de dúvida, confie nas expertices da Funerária Merkelusa. Só terá que se preparar para um choque nasal. Há muito morto-vivo a exercer o direito de decidir o destino das nações. Obviamente o seu e o deles. Facto conhecido e reconfirmado. Pelo menos desde o séc. XVIII: O Reino da Estupidez. [1] Realmente a frincha do Dia do Juízo exala o característico cheiro loco dolenti. [2] O parfum é inconfundível. Tem marca registada. Pelo menos desde o séc. XVIII: Reino Cadaveroso. [3] Tem estudo de caso. Pelo menos desde o séc. XX: Peregrinatio ad Loca Infecta. [4]

Para os convertidos à pestilência basta um lenço.
Os demais terão de replicar à peste com a cólera.

[1] Poema de Francisco de Melo Franco (1757-1823). Intelectual iluminista do período pós-pombalino. Perseguido pela Inquisição, foi internado num hospício de loucos para não perturbar a Ordem da Tacanhez.

[2] Loco dolenti. Sítio dolente.

[3] Expressão de António Nunes Ribeiro Sanches (1699-1783). Médico, cientista, filósofo. A figura mais cosmopolita do Portugal de então: a sua aura ia de Paris a Moscovo. Naturalmente sofreu as sanhas do Santo Ofício. Entre os transes que foi chamado a diagnosticar e a tratar (no Ocidente e no Leste), contavam-se as febres pestilentas.

 [4] Poemas de Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Sena (1919-1978). Olfacto de exílio.