um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 30 de junho de 2015

Capicua - Sereia Louca





Na Festa do Avante! de 2015

TEXTO

BEM-VINDOS AO «PELOTÃO DA FRENTE»

PUBLICADO POR IVO RAFAEL SILVA


Ano da desgraça de mil novecentos e oitenta e seis. No dia primeiro do mês Janeiro, Portugal é formalmente anexado a uma grande corporação capitalista, que para levar a cabo o seu desejo de domínio e monopólio europeu e mundial, necessita, como é normal neste ciclo, de fiéis serventuários. Atribuem-nos milhões para adoçar a boca e que são gastos como sabemos. Abate-se a produção nacional, sequestra-se a nossa capacidade económica, aniquila-se grande parte da nossa independência financeira, social e também política. Prometem-nos a «modernidade», a «solidariedade» e a oportunidade «imperdível» de entrarmos num «pelotão da frente» que, é preciso recordar a jactância, faria de nós «um grande, moderno e avançado país». Depois de anos de desbragada ilusão, o doloroso definhamento histórico salta à vista. Um retrocesso cujos indicadores sociais e políticos só encontram comparação em períodos de catástrofe, ou de pós-guerra. A realidade, essa teimosa, essa persistente, mostra-nos todos os dias – como o PCP na altura isoladamente afirmava – o grande sarilho, a grande tragédia, a grande farsa em que PS, PSD e CDS nos meteram.

A União Europeia presta-se hoje, perante o resto mundo, a um papel que a deveria envergonhar. Todavia, bem sabemos que o capital não tem moral, nem ética, especialmente quando agoniza. Como foi fácil, afinal, que ditames financeiros e económicos pusessem a nu a falsidade da apregoada solidariedade entre estados-membros. Como é fácil descartar um país e um povo inteiro, que, aparentemente, parece estar a cometer um “crime” de desobediência às regras definidas por burocratas da alta finança, só porque a vontade do seu governo difere da vontade de organismos não eleitos. Como é fácil manter os igualmente frágeis (como Portugal) aninhados e submissos, enquanto se espezinham os semelhantes que lutam contra a miséria que lhe querem impor. Difícil, senão impossível, é continuar a propalar a existência de “democracia” no seio desta União, feição ou característica que nunca teve, nem nunca terá.


É hoje bem mais nítido que esta União Europeia é tudo menos uma união «dos 27». É apenas uma união dos «3». Do Deustche Bank, do BCE e do FMI. Nada mais importa para além disso. As decisões, os mandos e desmandos partem da cúpula, sendo que os demais, em submissão, limitam-se a cumprir as ordens e a readaptar, se necessário, o discurso para esconder essa obediência. No meio de tudo isto sofrem os povos, sejam gregos ou portugueses, que com sacrifício continuam, sabe-se lá até quando, a alimentar um sistema que os ignora e maltrata. Uns sempre no topo, outros sempre de rastos. É esta a «modernidade». É este o «progresso». É este o chamado «pelotão da frente».

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XLIII)

Cavaco visitou Paredes na passada segunda feira. E o Povo faltou ao encontro. 
Para além dos anfitriões, de politicos e autarcas locais, de uma numerosa comitiva chinesa de investidores, de gente criativa do mobiliário, de seguranças e equipa de assessores, não apareceu o Povo. Faltaram os curiosos, os adeptos, as figuras locais, os comerciantes. Faltou a emoção, o respeito, a curiosidade, o bairrismo. Faltou o cavaquismo, o legado, a memória. Faltou a palavra de esperança, a identidade como a população, a simpatia mútua. Tempo negro.
E Cavaco sentou-se por breves instantes numa cadeira. Algo desconfiado da consistência da peça. Mas a História, benevolente, não se repetiu. Respirei fundo. Para tragédia, o palco de Paredes era pequeno.

CR

domingo, 28 de junho de 2015

Fausto - E Tão Só O Verde Dos Teus Olhos



Na Festa do Avante 2015

festa do Avante - spot de televisão

Sessão da Assembleia Municipal de Paredes, de 26 de Junho de 2015

Ordem do Dia

Período de Antes da Ordem do Dia

A Acta da Sessão Ordinária de 25 de Abril de 2015 mereceu o voto CONTRA da CDU, por não traduzir a posição da CDU que esteve ausente por razões não reproduzidas na Acta

Neste período falou Cristiano Ribeiro (CDU) que se referiu aos atentados terroristas do mesmo dia em diferentes partes do Mundo e á situação económica de grande parte dos Funcionários da Administração Pública. Álvaro Pinto sintetizou nas privatizações o alerta necessário para que o cidadão “não tropece na mesma pedra”.

Os Presidentes de Junta de Baltar, Aguiar de Sousa , Louredo e Sobrosa, todos do PSD, elogiaram o Presidente da Câmara (PSD) pelas iniciativas e obras nas respectivas freguesias (remodelação Senhora do Salto, criação de delegação do IEFP)

Os Presidentes de Junta de Sobreira e Vandoma (do PS) falaram de falta de investimento na Escola EB2,3 da Sobreira, na poluição do Rio Sousa e na Levada da Quinta em Casconha-Sobreira.

Paulo Silva (PS) e Luciano Gomes (PSD) trocaram argumentos sobre classificação do concelho em rankings de desenvolvimento e qualidade de vida. Segundo Celso Ferreira, o Presidente da Câmara, Paredes recuperou 20 e tal por cento no desemprego, tem investimento para dar e vender e até já tem indicadores de sucesso escolar … acima da média nacional.

João Reis (PS) informou uma iniciativa do PS, um “projecto pulmão verde” da Área Metropolitana do Porto” que pelo teor oportunista merecerá abordagem posterior (relembre-se a oposição do PS há mais de uma década de um projecto idêntico proposto pelo GP do PCP)

Período da Ordem do Dia

1-    Relatório de actividades municipais e situação financeira do município
2-    Modificação ao Orçamento de 2015 – revisão á despesa e receita
3-    AMIPAREDES- Agência de Investimentos EM, SA – Relatório de Gestão consolidado
4-    Planos de liquidação de divida vencida
5-   Contrato de concessão de exploração de estacionamento público. Incumprimento. Multa contratual entidade concessionária. Audiência dos interessados. Resposta á audiência dos interessados
Voto CONTRA da CDU que afirmou que a sua filosofia do aparcamento público é diferente.  
6-    Regulamento municipal de taxas e preços municipais
7-    Sinalização vertical na Rua Central do Carreiro, na Freguesia de Astromil
8-    Sinalização vertical em ruas da freguesia de Baltar
9-    Sinalização vertical em ruas da freguesia de Gandra
10- Moção contra a extinção das águas de Douro e Paiva e SIMDOURO decorrente da agregação de sistemas multimunicipais
Aprovado por Unanimidade com o grave senão do Presidente da Assembleia Municipal e a Bancada do PSD ter interrompido a declaração do voto do PS por “quebra” do “unanimismo” presente nas intenções do PSD (autor da Proposta)

Do Público veio a intervenção de Domingos Barros, Presidente da AF de Vandoma, contra o fecho da escola básica de Vandoma. Tendo votado a favor da Carta Educativa, o então Presidente da Junta pelo PSD confiou na palavra de Celso Ferreira, que prometeu o seu não encerramento. Agora revolta-se com ele com acusações mútuas de “mentiroso”


CR

REFLEXÃO

Na passada sexta feira na Assembleia Municipal de Paredes fiz uma breve referência á indignação, revolta e dor que sentia com os atentados terroristas do fundamentalismo islâmico, assinalando que alguns, bem identificáveis, tinham outrora semeado ventos e os povos sofriam agora as tempestades. Fui o ÚNICO. Agora sabe-se que há uma portuguesa vítima de tão terríveis acontecimentos. Talvez agora outros se mostrem mais atentos e solidários.

CR

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Davi Perez - Flor na trincheira

Porque não um "C" de culpa na lapela da mulher?

 Ana Matos Pires
(em jugular.blogs.sapo.pt)


Para além da quebra do sigilo relativamente à identidade da mulher que o processo prevê, que estranho é o conceito de consulta médica que estes tipos têm ao acharem que a assinatura de uma imagem atesta a informação prestada a alguém. Também defendem a assinatura da ecografia que mostra uma neoplasia uterina como substituição do consentimento informado pré-cirurgico?

A obrigatoriedade de mostrar a ecografia à mulher era uma das recomendações que Cavaco Silva anexou à promulgação da Lei 16/2007 de 17 de Abril, repesco o que disse aquando da sua regulamentação a esse propósito, parece que volta a ser é necessário.

Na base de qualquer actividade clínica está a relação terapêutica, cujas características ético-deontológicas estão claramente definidas.

A vertente informativa, não directiva e facilitadora da escolha está inerente a qualquer consulta médica desenvolvida com base no modelo biopsicossocial, em particular se o acompanhamento clínico é feito no contexto de uma equipa multidisciplinar e com possibilidades de se desenvolver por etapas - como é, claramente, o caso da interrupção voluntária da gravidez feita por opção da mulher. Nesse contexto, e assumindo que não compete à classe médica determinar as atitudes e regras de qualquer Estado ou comunidade, não posso deixar de sentir como lesivas quaisquer determinações legais que interfiram com o modo como se desenrola a normal relação terapêutica, sobretudo quando se pretende estandardizar o que deve, ou não, ser dito àquela mulher em particular, e como deve ser dito.

A ecografia é uma técnica imagiológica não invasiva que, através da emissão de ultrassons, permite a visualização dos órgãos ou massas internas com fins diagnósticos. É, portanto, um meio auxiliar de diagnóstico, amplamente usado em medicina.

No que à IVG diz respeito, e de acordo com a actual lei, ela é utilizada para datar a gravidez e saber se ela se inclui na moldura legal das dez semanas. - número 7 do artigo 142º do CP: "Para efeitos do disposto no presente artigo, o número de semanas de gravidez é comprovado ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis.". Subsidiariamente, pode servir também para revelar algum problema clínico e, em particular, fornecer informação médica adicional sobre a viabilidade da gravidez. Parece-me medicamente correcto que toda esta informação deva ser passada à mulher, usando uma linguagem e uma atitude adequadas a cada caso, sempre no sentido de elucidar, informar e apoiar aquela que vier a ser a decisão última daquela mulher que está a ser "ecografada" – sim, porque é da mulher que estamos a falar, não da técnica imagiológica. Se, nalgum momento, essa mulher particular pedir para ver a ecografia, defendo que lhe seja mostrada, de contrário não vejo razão para o fazer.

 Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização da imagem ecográfica configura uma informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável da mulher que pondera abortar mudarei, de imediato, a minha opinião. Enquanto isso não acontecer, continuarei a entender que tal prática não tem quaisquer mais valias médicas ou informativas. Acrescento mesmo, para ser completamente honesta, que forçar uma mulher a olhar para uma ecografia é, na minha opinião, não só eticamente reprovável em termos médicos, como invasivo, abusivo e perverso em termos humanos. Em última análise, consubstancia uma forma de abuso de poder por parte do clínico que vai contra o mais elementar princípio da relação terapêutica: a salvaguarda da saúde do indivíduo.

humor negro

Cavaco distinguido como embaixador ibero-americano da Juventude

quinta-feira, 25 de junho de 2015

CAIS DO SODRE FUNK CONNECTION- Getting the corners





o Funk na Festa do Avante! deste ano

jornaleiros ...de merda


Mais uma vez a RTP prima pelo pluralismo.
No tempo dedicado à privatização da TAP pela RTP são apresentadas peças com a assinatura do contrato, declarações da ministra da finanças, dos novos donos, de António Costa, Secretário Geral do PS, Mariana Mortágua, deputada fantástica do BE, declarações dos trabalhadores em luta e até de Rui Tavares dirigente do Livre.
Para a RTP não falta ninguém, pois o PCP não lá esteve representado por Bruno Dias

quarta-feira, 24 de junho de 2015

SER MISERÁVEL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


SER MISERÁVEL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Há em Portugal cerca de 249.000 funcionários públicos que ganham menos de 1500 euros. São assistentes técnicos, assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico, que representam cerca dos 37,9% dos trabalhadores do Estado e das autarquias locais. Estão (omni) presentes no dia-a-dia dos outros cidadãos assegurando serviços públicos essenciais. Eles não tiveram qualquer aumento salarial desde 2009 e desde 2010 as progressões nas suas carreiras estão congeladas. Foram constantemente identificados pelos governos do PS, PSD e CDS como autores ou pelo menos beneficiários de uma política irrealista de crescimento. Agora esses profissionais sabem de forma brutal que não vão ter qualquer aumento até pelo menos 2018.

 Durante quase uma década terão perdas reais de remuneração, vendo destruído o seu rendimento pela inflação e pelas políticas de austeridade. Durante quase uma década, confrontar-se-ão com um quotidiano de penúria e subserviência, com o almoço reduzido a uma sopa, o lazer confinado ao deambular por centros comerciais, a dignidade e a honra amarfanhadas por uma prática de exercício sem direitos, quantas vezes sem horário e vítima de discricionariedade das chefias.

Alguns relembrarão que esses 249.000 funcionários tinham escapado a cortes salariais nos anos anteriores a 2015. Mas tal “privilegio” não esconde a real ausência de perspectiva de futuro. Até mesmo a previsão de pagamentos de prémios em função de avaliação de desempenho foi frustrada para quem sonhou, ser melhor, para melhor ganhar.

Há inúmeros trabalhadores com precariedade, em actividades sazonais ou de fim-de-semana, em actividades informais, ligada ao turismo, á restauração. A adaptação de muitos às dificuldades para as superar caracteriza o tempo presente. Mas a denúncia de uma desigualdade, este miserabilismo que nos envergonha, não pode deixar de existir. 
   

CR

noticias de Baião

"Terminou hoje a 3a edição da Recriação Histórica. Pelo terceiro ano consecutivo voltaram a cometer-se os mesmos erros e outros ainda mais graves. É pena que não se tenha aprendido com os erros para que esta edição tivesse sido um êxito. Infelizmente não o foi!
 
Durante estes três anos houve sucessivas faltas de respeito para com os participantes, especialmente das freguesias de Loivos da Ribeira/Tresouras e Teixeira/Teixeiró. Foram atrasos de mais de uma hora na chegada do transporte para os ensaios, foi a não chegada do transporte fazendo-nos esperar por um transporte que nunca chegou, foi a não atribuição de roupas sendo a ACUL a atribuir roupas aos participantes, mas tudo isto, (coisa a que já estávamos habituados desde a 1o edição), não nos demoveu!
 
O Sr. Dr. Paulo Pereira perguntou-me se eu queria fazer parte do problema ou da solução. O que lhe respondi é que todos nós sempre estivemos do lado da solução e não do problema e a prova disso é que fomos aceitando as sucessivas faltas de respeito e consideração com as pessoas que sempre se dispuseram a colaborar, sem pedir nada em troca a não ser respeito!
 
No entanto, infelizmente, os erros não ficaram por aqui. Não se resumiram aos atrasos sucessivos, à não realização do transporte, à não entrega de roupa e calçado para uma participação digna, foi mais além, muito mais! Puseram em causa a segurança de pessoas. Puseram em risco a minha vida e a de mais 26 pessoas, quer da minha freguesia quer da
freguesia de Teixeira/Teixeiró e Frende. É verdade! É triste, é grave, mas é a verdade!
Na passada quinta feira tivemos ensaio geral. O autocarro de 27 lugares do município estava com problemas. O travão não funcionava o que implicava alterar o percurso para evitar declives e assim não ser preciso recorrer tanto ao travão. É assustador, não é? Pois, a organização sabia, mas, mesmo assim, arriscou. Afinal, o que vale a vida de 27 pessoas?

No dia seguinte, dia de mais um ensaio geral o autocarro chegou. Chegou 10 minutos antes da hora marcada! Ainda bem! Estávamos prontos! Finalmente íamos chegar a horas ao ensaio! Algumas pessoas começaram a questionar o Sr. Motorista (pessoa extremamente simpática e profissional) se aquele era o autocarro do dia anterior e se o problema estava resolvido. O motorista desconhecia! Não tinha sido ele o motorista do dia anterior e ninguém o tinha informado de nada. Nós não sabíamos se o problema estava resolvido! Acreditamos que sim! Que em hipótese alguma iria ser posta em causa, mais uma vez, a nossa segurança. A vida de 27 pessoas! Enganamo-nos! Enganei-me e lamento-o! Não tiveram sequer a dignidade de informar o sr. Motorista. Lançaram-no à sua sorte!
Lançaram-nos à nossa sorte! Esta viagem de Loivos da Ribeira a Campelo teve que ser efetuada pela E.N. 108, tendo tido uma paragem forçada pelo caminho devido ao fumo e ao forte cheiro a queimado que o autocarro lançava.
 
Exigimos um pedido de desculpas do Sr. Presidente, Dr. José Luís Carneiro! Era o mínimo que podíamos exigir a uma pessoa que foi eleita para ser o líder de todos os baionenses e que é, também, o responsável máximo da proteção civil do concelho de Baião. Infelizmente, esse pedido de desculpas não aconteceu! Espero que não tenha acontecido por total desrespeito para com a vida de 27 pessoas. Tenho esperança que não! Lamentamos profundamente! Eu lamento profundamente! Lamentamos que o Sr. Presidente não tenha tido a dignidade de fazer um simples pedido de desculpas!"

FRASE DO DIA

"A única fé que resta na Elite da UE é a crença na deusa TINA – there is no alternative. Mas há sempre uma outra alternativa: o colapso do status quo e a montagem de um arranjo alternativo que não concentre poder nas mãos de uns poucos a expensas dos muitos."

Charles Hugh-Smith, escritor norte-americano

domingo, 21 de junho de 2015

Ruy de Carvalho

 Senhores Ministros:

Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos – e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.

Vivi a guerra de 38/45 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.

Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.

Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.

 Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor… e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas deste país – colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante. Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?

Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.

Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero… a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.

É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!

É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.


É lamentável que a senhora Ministra das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com direitos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de "excel" ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.

Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.

Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito… porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!

 RUY DE CARVALHO 


Marta Ren & The Groovelvets - 2 Kinds of Men



Este ano na Festa do Avante!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Spirit Of Berlin Summer 1945



para que a guerra não volte...

Discurso deputado local Izquierda Unida



Intervenção de Guillermo Ubieto, Conselheiro de "Izquierda Unida" durante o acto de constituição do novo Executivo da Câmara de Miranda de Ebro para a legislatura de 2015-2019.

A linguagem prática do fascismo (II)

o nazi-fascismo  croata








No estádio de Split na Croácia foi desenhada no relvado a cruz suástica. O jogo de futebol era o Croácia - Itália, decorria a portas fechadas, sem público, devido a sanção por cânticos racistas por claque croata em recente Croácia - Noruega. Alguns pretenderam não ver a simbolologia exibida. Mas a realidade foi demasiado evidente.

A provocação fascista no leste da Europa continua. Já recentemente Simunic, o guarda redes da selecção, foi suspenso por entoar canções nazis. Mas a liderança politica croata está enxameada por politicos fascistas, que ousam assim enfrentar a UEFA, a União Europeia e a consciência democrática. Até quando?

CR

domingo, 14 de junho de 2015

A LINGUAGEM PRÁTICA DO FASCISMO

A linguagem do telejornal de hoje (14 de junho, 13h) na RTP1 lembra o fascismo de outrora. E como se trata de repetição de reportagem publicada há 15 dias, com  pretexto na greve da TAP, não se conclua que foi erro ou excesso de ocasião; antes pelo contrário, ela  constitui tese jornalistica  reiterada com intenção.

Sob a capa de um jornalismo de investigação, soltam-se argumentos estúpidos sobre um pretenso e único "mentor da greve", um assessor sindical que identificado com fotografia "a preto e branco" se qualifica quase como criminoso. O direito de resposta não foi assegurado em condições de debate democrático, antes se efectuou um julgamento de carácter sem oposição.

Assim a crer na peça jornalistica a greve dos Pilotos resultaria de uma iniciativa esparsa de uma só cabeça, uma só capacidade de mobilização e convencimento, a que seriam alheias a inteligência, a vontade e a coragem dos outros pilotos.

Acrescenta-se á reportagem uma denúncia pidesca desse protagonismo "singular" do comandante em causa, por parte de colegas, com ideias contrárias, ou fruto de ressabiamentos pessoais. A voz do dono, representado aqui pela TAP e pelo governo. His master voice!

No fascismo, as lutas eram caracterizadas pelo Poder como iniciativa ("agitação", era o termo) de alguns poucos, que contra a lógica da normalidade e paz social reinante, arrastavam as massas, perturbavam os espíritos e mobilizavam para a contestação. Os comunistas, os republicanos, os anti-patrióticos, vendidos a interesses subversivos, desencadeavam greves e contestações, que contrariavam o equilibrio social em que uns mandam e outros obedecem.

E na exclusão dos agitadores, ou no seu silenciamento, ou no denegrir da sua conduta, radica, agora e então, a estratégia daqueles que não querem ser incomodados nas suas certezas ou nos seus compromissos. Agora como então, a politica é a mesma.

É lamentável que um profissional como Carlos Daniel, ainda por cima nosso conterrâneo, dê a cara por uma manobra tão infeliz, tão eticamente condenável, tão sordidanente autoritária. Não era precisa tanta identificação com o PSD, já sabiamos as suas opções.

Mas a solução fascista e a guerra parecem ser a única saída do capitalismo contemporâneo para a sua crise, as suas contradições, a sua incapacidade em responder ao problema do emprego, da corrupção, da desigualdade social, da crise ecológica. A democracia tem instrumentos de correcção e de defesa, mas há muito que permanece virtual ou formal.

Um dia destes outros agitadores surgirão com fotografia estampada nas paginas dos jornais ou publicada no écran televisivo. Ou não, que calar ou apagar pode ser melhor. Ousaram dizer que O Rei vai Nu, perdendo assim o estatuto sacrossanto de Afabilidade e Trato Fácil. Serão prejudicados ou humilhados, por gente com sorriso postiço, discurso cordato, estatuto aparentemente inatacável. Nada que a História de outrora nos não ilumine ou avise.  Afinal a semente do fascismo germina quando não é extirpada.

CR  

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DA (CA)VACARIA AO CURRAL DAS COMENDAS

Parece que o costureiro da nossa cavacal primeira-dama, Carlos Gil, foi ontem condecorado com a comenda de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Confesso que não percebo muito de comendas. Mas a verdade é que uma pesquisa pelo site da Presidência me leva a ficar a saber que a "Ordem do Infante D. Henrique destina-se a distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores". Não vamos entrar pelo caminho frágil de discutir a expansão da nossa cultura que é levada a cabo pela Maria Cavaca. Bem sabemos que, em grande parte, as distinções presidenciais deste tipo têm critérios subjectivos e são muitas vezes arbitrárias. Mais ou menos como se escolhe a vaca para abate. Narciso Miranda é comendador, por exemplo.

Não me choca nada que um estilista ou costureiro ou lá o que é seja comendador. Eu próprio condecoraria a minha mãe. Costureira durante décadas, quando ainda havia indústrias em Matosinhos, vejam lá aos anos que isto vai, desdobrava-se entre as linhas de produção, os quatro filhos e ainda voltava a costurar ao chegar a casa. Ora para fazer as nossas roupas, ora para fora, para ganhar mais algum. Foram anos difíceis lá em casa, com o fecho da FACAR, que empregava centenas de trabalhadores e o seu fecho fica no currículo do comendador Narciso. Na altura, falava-se que os terrenos serviriam para construção, sempre desmentido, pelos pensamentos recuados de alguns.Anos mais tarde, no mesmo local, nasceram as famosas torres de Leça.

A minha mãe tinha uma máquina de costura de dar ao pedal, uma Refrey. Era espectacular. Eu encaixava-me por baixo da mesa da máquina e brincava aos carros. A roda que, ao girar, fazia andar a agulha por aqueles quilómetros de tecido era perfeita, mesmo à medida do volante de um carro imaginário. Mesmo apertadinho, ainda cabiam lá os meus dois amigos imaginários.

A minha mãe vestia-nos. Mais às minhas irmãs, que vieram seguidinhas, com um ano de diferença. Família pobre, sem televisão. A vida da minha mãe nos têxteis marcou-me. Não perdoo à indústria o início de AVC que lhe provocou à entrada dos 40, acho eu, que levou lá a casa a Doutora Prazeres. E a luz apagada, porque incomodava a mãe, e aquele escuro assustava-me. Anos mais tarde, as minhas irmãs também passaram pela fábrica, nas férias.

A minha mãe fez-me o fato da primeira comunhão, as fantasias de Carnaval, camisolas, calças, o meu blusão "à-risca-na-manga" azul e branco sujo, que eu adorava por ser igual ao do meu pai. Fez-me equipamentos para o futebol. Aquela Refrey fazia magia e ainda hoje faz.

Os trabalhadores da indústria têxtil são dos mais mal pagos no país. Eram-no então e continuam a ser hoje. Quem não se lembra da desgraça que ia ser o aumento do salário mínimo de 485 para 505 euros mensais? E a fortuna que são os 2,40 euros de subsídio de refeição? Toda a gente sabe que se come por 2,40 euros.

Parabéns, então, a este costureiro. Que eleva o nosso nome ao Olimpo, ao contrário dos comuns mortais, que trabalham de cabeça baixa para não coserem um dedo. Que têm encarregados que a única coisa que permitem que se ouça nas linhas de produção é o trabalhar automático das máquinas de corte-e-cose. Que são pressionados até à exaustão para que a produção saia de acordo com os prazos estipulados, sem direito a horas extraordinárias. Sem poderem parar para ir ao quarto-de-banho, ou com horas certas para o fazerem. Parabéns, rapaz, que vestes tão bem a cavacal senhora.

Ricardo M Santos
(em manifesto74blogspot.pt)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Reflexão

Ora então em vez da TAP passamos a ter no futuro por algum tempo a TAP- Barraqueiro.

Como diz o meu amigo Ivo: "O governo decidiu vender (ou melhor, oferecer) 61% do capital da TAP pela módica quantia de 10 milhões de euros. Pelo preço de dois anitos de contrato de Jorge Jesus. O jackpot do euromilhões desta semana, dava para comprar aí umas 10 TAP's e ainda sobrava qualquer coisa. Ia dizer que isto era "uma vergonha" mas não. É mesmo um crime" .

E acrescento: A TAP - Barraqueiro é assim a modos do Roberto Leal a cantar uma ópera de Puccini.

Portugal, como podes sobreviver?

CR

terça-feira, 9 de junho de 2015

poema

POEMA DOS MOTORISTAS OFICIAIS - Armando Silva Carvalho

Encontram-se um pouco por todos os lugares.
Ora fumando,
orando pelos filhos junto a um deus
secretariado por magníficos
patrões.
De fato azul e gravata preta,
de anel cachucho e jornal da bola,
o rabo habituado aos bons cabedais
pousado no capot ultra-reluzente.
Trazem a província em cada bolso do corpo
e estendem olhos julgadores às mulheres solitárias
de cigarro na boca em plena rua.
Às vezes são quatro ou cinco à espera do final
de um conselho em pleno parto,
de uma portaria inacabada
ou de uma reunião de economia mística.
Derramam no passeio
o ócio inexplicável de rústicos fiéis
e contam anedotas num bocejo amarelo de melancolia.
Quem lhes dera a reforma, a courela da mãe,
ou  num sonho longínquo
essa noite sem lua em que engravidaram
a prima por descuido.
Sinto por todos eles um sentimento soturno
e muito gostaria
que Cesário os conhecesse
ao passear sozinho
pelas novas avenidas ao anoitecer.

 (Em O que foi passado a limpo - obra poética)
Assírio & Alvim


HUMOR (GELADO)


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Com a Força do Povo, COM A CDU

Com a Força do Povo

SIGA A RUSGA, MÚSICA DOS DIABO NA CRUZ


a (des)propósito da sardinha e dos Santos Populares

As pescas portuguesas navegam num mar de rosas...
O INE tornou públicos dados que submergem toda a propaganda governamental para o sector. Um verdadeiro tsunami estatístico, reduziu os “êxitos” nas pescas, invocados pela Ministra, nomeadamente na União Europeia, a zero!
  • Que a quantidade de peixe capturado pela frota nacional – 119 890 toneladas – foi a menor de sempre, desde que existem registos estatísticos, 1969! Que houve uma redução de 17,1% face a 2013! Que a redução de capturas foi significativa na sardinha (42,8%), no atum (menos 21,2%) e na cavala (menos 20,8%). É fraca consolação a subida do preço em lota de 19,1%, face à continuação de preços no consumidor muito distante da primeira venda em lota!
  • Que o défice da balança comercial dos produtos de pesca agravou-se em 44 milhões de euros (acréscimo de 7,1% face a 2013), atingindo o valor de 662,5 milhões de euros!
  • Que a execução do PROMAR (Programa Comunitário 2017/2013), no fim de 2014, apesar de todas as mentiras do Ministério, estava em 69,4%, havendo portanto o risco real de perda de fundos comunitários! Mas mais grave, é que mesmo esses 69,4% de execução, resultavam, no fundamental, de pagamentos de imobilização temporária e de abate definitivo de embarcações, e não de mais investimento no sector (novos barcos, portos de pesca, locais de desembarque e de abrigo, assistência técnica, etc.)!
Um escândalo!
  • Que a frota licenciada em 2014 atingiu o número de 4 316 embarcações, o valor mais baixo desde 2006, diminuindo assim a frota de pesca licenciada, pelo nono ano consecutivo!

Palavras para quê! A realidade veio acima, e a propaganda afogou-se!