um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

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sábado, 31 de janeiro de 2015

AS ELEIÇÕES GREGAS - O INICIO DO TERRAMOTO


  Eleições 2015
  Eleições 2012
   Diferença
Coluna1
    %
   votos
     %
   votos
       votos
       %
Potami
6,05%     
   373.618
-
-
373.618
-
SYRIZA
36,34%
2.244.687
  26.89%
1.655.086
589.601
35,6
KKE-PCG
5.47%
   337.947
   4.50%
277.204
60.743
21,9
ND-Nova  Democracia
27,81%
1.717.831
  29.66%
1.825.637
-107.806
-5,9
Amanhecer Dourado
6,28%
   388.197
    6.92%
425.990
-37.793
-8,9
Gregos Independentes
4,75%
   293.211
    7.51%
462.466
-169.255
-36,6
PASOK-PSG
4,68%
   289.302
   12.28%
755.868
-466.566
-61,7
5.644.793
5.402.251
242.542
4,5




José Rodrigues dos Santos na Grécia e os Paralíticos do Subsídio



a "informação" a que temos "direito"

SIRIA / IRAQUE


Situação militar a 30 de Janeiro de 2015
Fonte : almasdar.news

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

humor


AUTARCAS NO FERRO-VELHO

O autarca de Lisboa decidiu restringir a circulação de veículos, baseado na idade desses mesmos veículos. Alegadamente pretendia diminuir a poluição atmosférica no centro da Capital. Para isso implementou Zonas de Emissão Reduzidas para matrículas anteriores a 2000 e para matrículas anteriores a 1996.

Aparentemente estas medidas seriam bastante progressistas e até bem intencionadas. Vejamos porém a realidade. Quais as causas reais do excesso de circulação automóvel, que tornam a cidade poluída? Em primeiro lugar, as inevitáveis deslocações diárias para o trabalho e para os serviços públicos hegemonicamente localizados no centro. Em segundo lugar, a falta de alternativa credível em termos de transportes públicos.  

Aqui chegados, bastaria lembrar ao autarca de Lisboa o tempo de espera, os níveis de conforto, os transbordos, o custo dos bilhetes, das soluções actuais dos transportes públicos.

Mas quem são os mais lesados com as medidas de Costa? Vejamos. São dispensados destas medidas os veículos do Estado, as ambulâncias, os veículos das forças de segurança, os residentes nessas zonas. Porquê? Mais, um reformado residente na zona de restrição pode ir no seu veículo utilitário, um pouco antigo (fruto de antigas poupanças) á praia da Costa da Caparica, mas o habitante da Costa não pode aceder ao centro da Cidade num veículo idêntico para transportar um neto á escola.

Esta injustiça social assim patente penaliza gente de baixos rendimentos e descora o potencial poluente de veículos de maior cilindrada.


CR

domingo, 25 de janeiro de 2015

A ROMARIA DOS INDIGNADOS


Desta vez, vieram da Covilhã em excursão a Évora. Eram cerca de 100 os “peregrinos”, devidamente organizados. Poderiam vir ver as belezas monumentais da cidade-museu alentejana, ou disfrutar das planícies verdejantes ou dos cantares e gastronomia. Mas não, vieram ver um ilustre preso, e mostrar indignação sob a capa da amizade, numa acção dita solidária.

Não foram os primeiros. Outros mais notáveis já o fizeram, o mesmo percurso de devoção e saudade, num acto que os tornaram, a seu ver, peregrinos do (suposto) bem. Há dois meses, sucede-se o cenário, modificando-se apenas os actores, uns mais compungidos, outros mais arrebatados, com a fase processual de prisão preventiva com suspeitas de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais. Acrescem as declarações dos advogados, oficiais e oficiosos, que enchem páginas e páginas, e nos intimidam a inteligência.

Os amigos da Covilhã do preso mais famoso da democracia portuguesa desceram ao Alentejo, com cravos e rosas, gritando “Sócrates amigo, a Covilhã esta contigo”. Em algumas t-shirts, estamparam a designação de “prisioneiro político”. O seu organizador “oficial” afirmou-se não partidário… embora deixasse cair uma suposta antiga militância no PCP. E para que o ramalhete fosse ainda mais florido, ensaiaram uns compassos da Grândola, Vila Morena. Triste episódio, este, o plebiscito popular.

Os amigos da Covilhã do preso mais famoso da democracia portuguesa fizeram questão de assinalar não só a sua amizade e proximidade com o ex-governante mas acrescentaram uma leitura política: o ex-governante tinha feito muito pelo interior do Pais (sic). Uma orfandade política.

Não seremos inocentes ou parvos em acreditar da espontaneidade da romaria a Évora. O PS infelizmente possui um conhecido aparelho que instrumentaliza e paga estas manifestações. Relembro a factualidade da presença de cidadãos indianos, pagos e exibidos sem pudor, em comício em Évora no tempo do ex-governante. Quando não há cão, caça-se com o gato, pensa o PS.

Infelizmente para o PS, o discurso sereno da separação dos poderes e independência do poder judicial, proferido por alguns dirigentes cola mal com este frenesim. O país percebe que para o PS só devia haver presos anónimos que não suscitassem romarias ou “afinidades”.

O tema é sensível, atentos á notoriedade dos acusados. Aguarda-se com ansiedade que (não) se confirmem alegações e suspeitas sobre luvas e comissões. Mas o histórico deste processo, as deambulações surgidas, a que alguns querem colocar debaixo de um protector segredo de justiça, sugerem que algo de muito grave e criminoso aconteceu. São inúmeras as pontas informativas que nos colocam perante um dilema: ou acreditamos na Justiça como instrumento de procura da verdade ou somos cúmplices de uma encenação que instrumentaliza os factos procurando o interesse dos poderosos.

E quando o velho PAZOK na Grécia se afunda no descrédito popular, na linha do velho Partido Socialista Italiano e de outras formações, historicamente relevantes, convém relembrar ao PS português que a linha da credibilidade é muito frágil e que o jogo da mistificação e da mentira, ou pior, a cumplicidade com práticas criminosas pode levar ao abismo a esperança e a identificação de milhares.


CR

sábado, 24 de janeiro de 2015

COMUNICADO DA FNAM

PARA O GOVERNO, NEGOCIAR É IMPOR

Ao fim de três reuniões de (suposta) negociação de alterações ao Regime do Internato Médico (a 1 e 16 de Dezembro último e a 21 de Janeiro), o Ministério da Saúde, nesta última reunião, acabou por dar por encerradas as "negociações" e informar que irá enviar para publicação o seu projecto de diploma, sem que acolhesse quaisquer das propostas apresentadas pelos Sindicatos.

Importa realçar que as alterações agora introduzidas são, na perspectiva da FNAM, inaceitáveis retrocessos à inegável qualidade da formação médica no nosso País; entre outras, acabará o Ano Comum, substituído por um hipotético ano profissionalizante da responsabilidade das Faculdades de Medicina; a prova de acesso passará a ser de “avaliação” (com nota mínima) e deixará de haver garantia de especialização para todos os recém-licenciados; poderá haver internatos em instituições privadas e do sector social sem que haja qualquer garantia de hierarquia técnico-científica; ausência de qualquer valorização ou compensação para os Orientadores de Formação; e, “cereja no topo do bolo”, a imposição de 18 horas semanais de Serviço de Urgência, integradas no horário normal de 40 horas.

A todos estes pontos contrapuseram os dois sindicatos argumentos mais do que fundamentados, mas o Ministério, escudando-se em que já havia consensualizado o documento com outra estrutura,  recusou liminarmente incorporá-los na redacção final.

E assim se cumpriu uma farsa de negociação!

Porém, a FNAM não deixará de combater com todas as armas ao seu dispor mais esta arremetida contra a qualidade dos serviços e dignificação da profissão médica e coloca-se desde já à disposição dos jovens médicos para os apoiar nas formas de luta que venham a entender encetar.

Coimbra, 22.01.2015
A Comissão Executiva da FNAM

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

This Will Destroy You - They Move on Tracks of Never-Ending Light






O crime da venda da PT à Altice



Agostinho Lopes, Comité Central do PCP

autarcas no ferro-velho

A administração da CP negociou com a Câmara de Cascais o número de comboios circulantes na Linha de Cascais. Carlos Carreiras, o presidente da Câmara de Cascais, eleito pelo PSD, diz que conseguiu manter todos os comboios existentes na linha. A CP diz que só são 4 dos 41 previstos os não suprimidos.
Carreiras faz demagogia com o transporte ferroviário da linha suburbana de Lisboa. Anunciou nesta sexta-feira que chegou a acordo com a CP “para a manutenção de todos os comboios no concelho de Cascais”. É verdade. A transportadora só tinha suprimido duas circulações para aquela vila. As outras 49 partiam e chegavam de Oeiras. A reintrodução de dois comboios para aquela estação é um fraco consolo para quem viu perder 20% da oferta.
Não é a primeira vez que a CP anuncia cortes nesta linha e depois recua (ainda que pouco). Em  Abril de 2002, sem qualquer aviso prévio, o então presidente da CP, Crisóstomo Teixeira, nomeado pelo PS, resolveu suprimir 39 comboios por dia na linha de Cascais. Na altura a oferta era de 296 circulações por dia, número que passou para 279.
O argumento à data foi “a elevada taxa de motorização em Portugal, o forte investimento na expansão da rede rodoviária, o fraco investimento na modernização da linha e a deslocação das zonas habitacionais para áreas distantes do caminho-de-ferro”.
Os protestos de populações e autarcas levaram a CP a recuar, mas sem que esta viesse a repor a totalidade dos comboios suprimidos.
Desde então a oferta veio sempre a descer. Em 2014 a linha de Cascais já só tinha 251 comboios por dia. Desde o passado dia 19 de Janeiro passou a ter apenas 200. Em doze anos este eixo suburbano perdeu 96 comboios por dia.
Segundo o Jornal Público, o objectivo agora declarado foi poupar o material que, de tão velhinho, precisa de descansar (!)
O mesmo diria de certos autarcas…

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Yats, um palhaço perigoso

O Primeiro Ministro Ucraniano Arseniy Yatsenyuk demonstrou os seus conhecimentos da história do mundo.
Na quinta feira, durante uma visita oficial a Berlin, o político de óculos grossos, foi entrevistado ao vivo no canal TV alemão ARD, onde afirmou que a USSR deu o pontapé de saída para a Segunda Guerra Mundial ao invadir a Alemanha..

"Todos ainda nos lembramos claramente da invasão soviética da Ucrânia e da Alemanha." disse.  "Temos de evitar isso."

"Ninguém tem o direito de reescrever os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial" acrescentou. "O Presidente da Rússia está a tentar fazer exactamente isso."

Yatsenyuk, contudo, não esclareceu quais os acontecimentos específicos da Segunda Guerra Mundial que Putin está tentando reescrever. O Canal de TV não pareceu interessado em continuar com o tema.

Anteriormente á Segunda Guerra Mundial, a maior parte da Ucrânia, incluindo Kiev, fazia parte da USSR embora o que se tornou o ocidente da Ucrânia dividia-se entre a Polónia, a Checoslováquia e a Roménia.

Em Setembro de 1939, a Alemanha Nazi e a União Soviética separaram a Polónia e entraram em outros países que se estabeleceram no rescaldo da Primeira Guerra Mundial.

Embora vários estados ucranianos independentes tenham existido por curta duração após o colapso do Império Russo, eles foram integrados na Polónia e União Soviética em 1921.

E claramente foi a Alemanha Nazi que invadiu a União Soviética em 22 de Junho de 1941, sob o nome de código Operação Barbarossa. As tropas soviéticas chegaram a Berlin em Maio de 1945, depois de um conflito devastador que custou á União Soviética cerca de 22 milhões de vidas.

O Canal de TV parece não ter estado atento á gaffe histórica de Primeiro Ministro

No seu Twitter, o presidente do Comité Parlamentar Russo dos Negócios Estrangeiros Aleksei Pushkov fez o comentário seguinte: 
"Yatsenyuk atingiu finalmente o seu apogeu. Depois destas declarações  sobre “a invasão soviética da Alemanha e da Ucrânia” durante a Segunda Guerra Mundial, ninguém o deve ter seriamente em conta"


Não admira que os Estados Unidos da América tenham adoptado Yats como o seu homem, um palhaço ignorante. 

LEGOS

http://sicnoticias.sapo.pt/…/2015-01-21-A-carga-fiscal-expl…

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

GOVERNANÇA

E de repente, num gesto muito lúcido, o governante decidiu: camas supletivas para internamentos, utilização de serviços de urgência privados, alteração das regras geográficas de referenciação de doentes para os hospitais, comprar macas, retriagem dos casos cujo tempo de espera ultrapassa as indicações da triagem de Manchester, indução de vacinação aos residentes dos lares que neguem a vacinação, atribuição de lista de utentes a todos os médicos. Foi a prova provada da eficácia de uma boa governança.

E se forem insuficientes as medidas, certamente num gesto ainda mais lúcido, o governante decidirá: mobilização geral do pessoal de saúde, fim de folgas, sábados e domingos ao mesmo pessoal, quarentena para locais de concentração de pessoas, prioridade às urgências médicas e cirúrgicas.

E se forem de todo insuficientes, o governante declarará que não podendo viver acima das suas possibilidades, o País deve privatizar a morte, contratualizar um certo deficit público de bem estar e aguentar com resignação a catarreira, a sofeca, o badagaio, a ranhosice.

Afinal ao governante só se deve exigir que tenha saúde!


CR

os Blair do mundo são tão criminosos quanto os do Charlie

António Avelãs Nunes

Tenho acompanhado as imagens e os comentários sobre o massacre na sede do Charlie Hebdo, em Paris. Também eu penso que se trata de um massacre, algo que a civilização não pode comportar. Mas também penso, como alguns (não sei se muitos) outros, que o essencial a discutir, para preservar a liberdade e a civilização, não é propriamente a história trágica dos assassinos e dos assassinados.

Creio que é necessário recordar que foi o terrorismo que, em 1948, expulsou milhões de palestinianos das suas casas e das suas terras. E lembrar que os crimes por terrorismo não prescrevem. E lembrar que um dos mais célebres terroristas desse tempo (Menahem Begin) foi anos depois Primeiro-Ministro de Israel e condecorado com o Prémio Nobel da Paz (como, entre outros, Kissinger, Obama e a UE).

É preciso não esquecer que, desde 1967, Israel ocupa ilegitimamente, território palestiniano e que ninguém, na dita ‘comunidade internacional’, se lembrou de invadir Israel e matar o ‘ditador’, como fizeram com o Iraque. É preciso recordar que esta situação (com a construção ilegal dos colonatos, a construção do ‘muro da vergonha’ e muitas outras vergonhas toleradas (estimuladas e pagas) pelo ‘mundo livre’) constitui uma humilhação para os palestinianos e para o mundo árabe. É preciso não esquecer que a Carta da ONU reconhece aos povos ocupados o direito de resistir à potência ocupante por todos os meios, incluindo a luta armada.

Ninguém (entre os democratas) condena as forças da Resistência pelos actos de ‘terrorismo’ praticados contra o ocupante nazi; os salazarentos chamavam terroristas aos combatentes dos movimentos de libertação que Paulo VI recebeu no Vaticano; o ‘mundo livre’ (vá lá…, uma boa parte dele) chamou terrorista a Nelson Mandela e achou muito bem que ele estivesse preso por não renunciar à luta armada, até chegar à conclusão de que, afinal, aquele ‘terrorista’ era uma referência moral do mundo inteiro.

Talvez o ato mais importante (oxalá decisivo) contra o terrorismo islamita fosse obrigar Israel a cumprir as múltiplas decisões da AG da ONU no sentido de entregar aos palestinianos o território que lhes pertence (e já se deixa de lado o território pilhado pelas acções terroristas de 1948 e antes). Após a constituição do estado da Palestina (com a capital em Jerusalém), então poderia exigir-se a este e ao povo palestiniano que respeitasse a soberania e a segurança do estado de Israel.

Parece-me uma enorme hipocrisia aceitar (como estão a dizer as televisões) que Netanyahu (que comete actos inaceitáveis de terrorismo de estado, muito mais grave do que o terrorismo dos ‘fanáticos’) desfile ao lado dos que protestam contra o terrorismo. Como classificar os bombardeamentos de Israel sobre territórios palestinianos, sacrificando milhares de inocentes? Como classificar os actos do estado de Israel que, recorrentemente, destrói as casas de família dos familiares dos palestinianos que cometem actos de terrorismo contra cidadãos israelitas? Em nenhuma civilização os crimes de uns podem incriminar outros, só porque são familiares do criminoso. E se a vendetta é repugnante quando praticada pela máfia, é muito mais repugnante quando praticada por estados que se querem civilizados. Como seria bom que, depois da barbárie nazi de Guernica e de Oradour crimes destes não se repetissem…
Em consequência de bombardeamentos e outros ataques israelitas, morreram, em 2014, 600 crianças palestinianas da Faixa de Gaza. Terão sido mortas para defender a liberdade de imprensa? Esses mesmos bombardeamentos mataram 17 jornalistas em funções na Faixa de Gaza. Talvez estivessem a abusar da liberdade de expressão. Uma coisa é certa: não se trata de terrorismo, são meros “danos colaterais”…

O que eu penso é que este massacre dos jornalistas franceses é mais um episódio desgraçado de uma guerra global feita pelo e em nome dos interesses do famoso complexo militar-industrial, que não deixou Eisenhower governar segundo a sua vontade, que impôs ao mundo a guerra fria e todas as guerras quentes que fizeram do século XX um inferno e que continuam a marcar o séc. XXI. Em nome desses interesses é que o ‘mundo civilizado’, defensor da liberdade de imprensa, da tolerância e de todas as virtudes republicanas, criou, doutrinou, treinou, armou e pagou (e paga) os bandos terroristas islamitas inventados para expulsar os soviéticos do Afeganistão e depois replicados em várias outras situações.

Foi em nome da tolerância laica e republicana que todas as franças do ‘mundo civilizado’ inventaram o Kosovo (um ‘país’ que dá cobertura a uma base americana, entregue a bandos de terroristas e traficantes de mulheres, de armas, de droga e de tudo o que dê DINHEIRO) e o entregaram a extremistas islamitas? Foi a defesa da liberdade de imprensa que justificou, aqui há anos (1999, salvo erro), o bombardeamento pela NATO do edifício da televisão sérvia, provocando dezenas de mortos?

Na altura, o porta-voz do Pentágono justificou o ataque invocando que a TV da Sérvia fazia parte integrante da máquina de guerra de Milosevic. Quem se admira que os fanáticos do Islão pensem que o Charlie Hebdo faz parte integrante da máquina de guerra do ‘ocidente’ contra o Islão?

Dos fanáticos não pode esperar-se racionalidade (para já não falar de decência e de humanidade), mas do Pentágono (e da NATO e da ‘Europa’ que apoiou os EUA) temos o direito de exigir racionalidade e respeito pelos valores do homem. Recordo de ouvir então o ‘não-terrorista’ Tony Blair declarar na TV (uma TV boa, com certeza) que a TV sérvia era um alvo militar legítimo. Certamente porque apoiava o Presidente Slobodan Milosevic (que os EUA tinham declarado inimigo) e difundia notícias (até podiam ser inverdades…) que não agradavam ao Sr. Blair e aos ‘civilizados’ dirigentes da NATO.

Como nega agora o Sr. Blair idêntico ‘direito’ aos que se sentem ofendidos com os textos e cartoons publicados pelo Charlie? A liberdade de imprensa da TV sérvia era má e a liberdade de imprensa da Charlie é boa? Quem define, então, o que é bom e o que é mau? Cá por mim, concluo que o Sr. Blair e outros vários Blaires são tão terroristas como os que agora assassinaram os jornalistas do Charlie. Com algumas diferenças: os Tony Blair que, mentindo aos seus povos e ao mundo, fizeram guerra ao Iraque (e depois à Líbia e agora à Síria) mataram centenas de milhares de inocentes; nenhum deles foi morto pela polícia francesa; nenhum deles irá responder no TPI por crimes contra a humanidade.

Pergunto: foi em nome de quaisquer valores dignos do Homem que os Blaires do mundo fizeram a guerra contra o Iraque, contra a Líbia e contra a Síria? Esta guerra não é terrorismo de estado? Os milhões de vítimas que viram as suas vidas destruídas e os seus países destruídos não são vítimas de nenhum terrorismo? Então são vítimas de quê? Ou morreram de morte natural?
Quem criou e armou o bando dos “Amigos da Síria”? Estes ‘amigos’ não serão agora os ‘amigos do “estado islâmico”? Como em tantas outras situações da vida, o feitiço parece voltar-se agora contra o feiticeiro… Dramaticamente, talvez os ‘terroristas islamitas’, criados, doutrinados e pagos pelo ‘império’ atuem, sem se dar conta disso, por conta desse mesmo ‘império’, em todos os ‘estados islâmicos’ do mundo, em todas os ataques contra todos os Charlies em qualquer parte do mundo (no Mali, na Nigéria, na República Centro-Africana…).

E o que se passa na Ucrânia, entregue a bandos fascistas e facínoras, depois de um processo de luta que não seria tolerado em nenhuma capital europeia, nem mesmo em Lisboa (quem se esquece do gravíssimo atentado à democracia cometido pelos polícias que subiram umas quantas escadas que dão acesso ao edifício da AR?). O massacre cometido na Casa dos Sindicatos de Odessa não foi um acto terrorista? Quantos milhões de pessoas se manifestaram contra ele? Os jornalistas assassinados merecem todo o respeito e toda a solidariedade do mundo. Mas os que foram chacinados na Casa dos Sindicatos de Odessa não merecem idêntico respeito e solidariedade?

Quero deixar claro que, a meu ver, um ato de terrorismo não legítima (não torna lícito moralmente) outro ato de terrorismo. O terrorismo não pode justificar-se à luz da civilização. Mas talvez ajude a compreendê-lo (o sono da razão gera monstros!). O que é certo é que nenhum dos ‘terroristas’ comprometidos com os massacres no Iraque, na Líbia e na Síria vão ser chamados ao TPI, criado para ‘julgar’ os que são de antemão considerados os maus. E os crimes cometidos pelos que estão do lado dos bons não são crimes, são actos de heroísmo praticados em defesa da democracia.

Esta ‘Europa civilizada’, que nos brindou (a nós e aos espanhóis) com trinta anos suplementares de fascismo, deu cobertura às prisões clandestinas semeadas pelos EUA em território europeu, verdadeiros Guantanamos onde muitas pessoas (quantas?) estão presas e são torturadas, anos a fio, sem culpa formada, sem acesso a advogado, sem contacto com a família, só porque os serviços secretos americanos decidem que assim seja (para combater o ‘terrorismo internacional’, é claro). Estes são crimes que deveriam envergonhar todos os defensores da liberdade, incluindo da liberdade de imprensa, em nome da qual, penso eu, os grandes órgãos da comunicação social silenciam estes e outros actos de terrorismo, as políticas sistemáticas e continuadas de terrorismo levadas a cabo por todos os Bush, por todos os Obama, por todos os Hollande-Sarkozys do mundo.

Por alturas do ataque às torres gémeas, o jornalista Francisco Sarsfield Cabral escreveu (no Público, creio) uma nota em que concluía mais ou menos deste modo: dizem agora que o mundo vai dar combate ao terrorismo internacional; pois bem: eu fico à espera para ver o que vai acontecer aos paraísos fiscais, por onde passa todo o tráfico de armas, drogas, mulheres, etc., e por onde passam as operações de financiamento do terrorismo internacional; se nada lhes acontecer, terei de concluir que o mundo, afinal, não quer combater o terrorismo internacional. Pois bem. O que aconteceu aos paraísos fiscais? O negócio corre de vento em poupa, cada vez mais próspero.

Olhando para a nossa Europa. Queremos maior atentado contra a democracia, contra a inteligência e contra a decência do que o desgraçado slogan tatcheriano NÃO HÁ ALTERNATIVA (TINA)? Querem maior obscurantismo do que isto? Isto não é uma nova Inquisição? Não é em nome deste dogma que se estigmatizam todos os que não concordam com ele e persistem em proclamar a sua fé na liberdade de pensamento dos homens? Não é em nome deste dogma que se vêm aplicando as políticas de austeridade salvadora, humilhando povos inteiros, num retrocesso civilizacional perigosíssimo? Não são estes dogmas que impõem os tratados orçamentais, com todas as suas ‘regras de ouro’ e outras de metais menos nobres, que matam a soberania dos povos da Europa e reduzem os ‘povos do sul’ a um indisfarçável estatuto colonial? Não são estes dogmas que, matando a soberania nacional, estão a liquidar o único quadro dentro do qual pode lutar-se pela democracia, pela liberdade, pela civilização? Estas ‘políticas terroristas’ não justificarão muito mais a unidade de todas as franças da Europa e do mundo contra aqueles que friamente as aplicam todos os dias e não apenas no desgraçado dia do massacre dos cartunistas do Charlie Hebdo? Não são estes os dogmas que todos os dias amordaçam a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa? Se metermos bem a mão na consciência, teremos de responder que sim: estes são os dogmas do pensamento único.

Para não remar contra a maré, eu sou Charlie. Estou do lado dos que foram assassinados, não estou do lado dos assassinos.

Mas estou também do lado de Mona Chollet, a jornalista do Charlie Hebdo que foi sumariamente despedida em 2000 por protestar contra um artigo do editor da revista (Phillipe Val) que chamava “não civilizados” aos palestinianos: então, a ‘liberdade de imprensa’ foi invocada para despedir uma jornalista, tendo-se conservado no seu posto o editor, substituído apenas em 2009 por Stéphane Charbonier, agora assassinado.

E estou igualmente (que bom se estivéssemos todos…) do lado dos 34 estudantes que foram barbaramente sequestrados, torturados e assassinados pelas ‘autoridades’ mexicanas por quererem manifestar publicamente as suas opiniões. E estou do lado dos sindicalistas massacrados em Odessa. E estou do lado das vítimas do terrorismo praticado em todos os ‘civilizados’ guantanamos do mundo. E estou do lado de todas as vítimas do terrorismo, desde as vítimas do terrorismo de estado (“danos colaterais” de bombardeamentos ou vítimas de drones criminosos) às vítimas do fanatismo de todas as religiões e às vítimas do sectarismo classista das políticas praticadas em nome do argumento TINA, que vêm empobrecendo e humilhando povos inteiros nesta nossa europa do euro.
Uma coisa é certa, para mim: ao contrário do que disse o nosso primeiro-ministro, em todas estas ‘guerras terroristas’ quem se lixa é mexilhão! Mexilhões de todo o mundo, uni-vos!

11.1.2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

selfie, em Paris


a foto da unidade na luta pela "liberdade de expressão", o desfile timido e envergonhado dos lideres das chamadas democracias ocidentais, isolados do povo, rodeados de seguranças,comprometidos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

a liberdade de expressão "ocidental"


o Rei Abdallah da Arábia Saudita, amigo do "ocidente" e patrocinador do terrorismo islãmico

Raif Badawi, criador do sitio na Internet "Rede liberal saudita", condenado a dez anos de prisão e a mil chicotadas públicas (50 á sexta feira durante 20 semanas)

Moral da História: o "ocidente" não tem moral...

Justice - Stress



a musica dos franceses Justice e...
video dirigido por Romain Gavras.

domingo, 11 de janeiro de 2015

OPINIÃO

Esta semana o grupo terrorista Boko Haram matou 2000 pessoas na Nigéria. Mas a Nigéria não tem glamour, é longe, não moram lá os nossos primos, não partilham da "superioridade" dos nossos valores "civilizados" e, além disso, são pretos. Por isso, nós "europeus", que somos de uma casta impoluta, superior, temos ipads e iphones, podemos andar de cabeça erguida, podemos realizar um soberbo acto gigantesco de colectiva hipocrisia na dourada Paris, sob o brilho das luzes de Chanel, Dior e Louis Vuitton. Amanhã, esse criminoso de guerra chamado Benjamin Netanyahu, com quem o piedoso e adúltero François Hollande foi rezar a uma sinagoga, pode regressar a Gaza, e respirar o odor dos cadáveres que comprovam o quão amigo ele é da paz, da concórdia e da liberdade. O mundo bate palmas, Palmas. Palmas. Viva. Viva. Marx só se equivocou num único ponto. É a hipocrisia - e não a religião - o verdadeiro ópio do povo.

IVO RAFAEL SILVA

texto

ANTES QUE TARDE…

 “Férias de Médicos agravam caos na Saúde”, titula o Correio da Manhã dominical. E acrescenta igualmente na capa o CM: “Falta de Clínicos entope urgências”.

Perante as dificuldades sentidas recentemente na prestação de cuidados de saúde á população e que mereceram notícias algo alarmistas, permita-se um esclarecimento que situe o problema nas suas dimensões reais.

Há de facto um acréscimo de procura dos serviços públicos em situações urgentes ou emergentes, nomeadamente em infecções respiratórias agudas e na descompensação de quadros clínicos crónicos estáveis. O frio e a menor efectividade da vacina antigripal acentuaram factores de risco e de patologia. Há também uma população flutuante ou emigrante que sazonalmente procura cuidados.  

São sobretudo crianças, idosos e doentes crónicos os mais expostos a doenças transmissíveis a exigir uma triagem, inicial, mais indiferenciada e depois, de cuidados de diferentes especializações. São as consultas não programadas nos cuidados de saúde primários e os atendimentos nos SASU e Urgências hospitalares que precisam de recursos a tempo e horas. 

Constate-se que pese o esforço e dedicação de muitos, em equipas fortemente profissionalizadas, nem sempre a resposta é positiva e eficaz. Custa a compreender que em tal ou tal hospital, o tempo de espera supera as 12 horas, mesmo para uma situação não claramente de urgência.

Não é certamente á programação de férias ao pessoal em período de Natal /Ano Novo que se deve atribuir responsabilidades. Se há abusos ou demissão de responsabilidades das chefias na elaboração de escalas de urgências /SASUS, compete aos órgãos de fiscalização e de inspecção da tutela actuarem.

E aqui chegados, permitir-me-ei fazer algumas anotações pessoais, baseado em experiências vividas.

As chefias devem assumir todas as responsabilidades da resposta em crise, dando exemplo de presença, competência e dedicação ao serviço público. As pessoas, os utentes, não são números ou indicadores, mesmo que sejam significativos na estatística. As pessoas são necessidades, circunstâncias penosas, dificuldades, morbilidades e mortalidade, bem-estar e carinho. Mas nestes períodos as chefias refugiam-se nos gabinetes …ou nas férias da neve…

Os profissionais não são mero instrumento de um qualquer programa, ou obediência cega, antes são seres a respeitar e a estimular no cumprimento dos seus deveres éticos e profissionais. Não podem estar sujeitos a escalas de última hora, ou a mudanças de cumprimento de horário sem nexo, nem lógica, antes exercício de um poder autoritário, mesmo que transitório.

Aos profissionais deve ser exigido que a luta por melhores condições de trabalho, objecto de um grave retrocesso a todos os níveis, não assuma formas de menor responsabilização social perante utentes. Sabemos todos no sector que são precárias as condições de trabalho, as remunerações auferidas, as razões de satisfação. Os quadros inferiores estão a ser completos por gente não formada e qualificada. Tempo de rever…antes que seja tarde.


CR