um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O DEDICADO AFILHADO DE UM EXCEPCIONAL PADRINHO

Marcelo  Rebelo de Sousa e Ana Maria Caetano, filha de Marcelo Caetano


O meu amigo Ivo Rafael Silva expressou no FB os seus (cito) “Desejos para 2016: não eleger admiradores de fascistas!”

E para isso transcreveu com rara oportunidade a reportagem de José Pedro Castanheira no Jornal Expresso de 14 de Fevereiro de 2009.

Tratava-se da reportagem sobre uma sessão pública de um ciclo dedicado à governação de Marcelo Caetano (1948-1974), de nome “Tempos de Transição”. Nessa sessão falou Marcelo Rebelo de Sousa, como é sabido,  afilhado do governante da ditadura. 

Durante uma hora e de improviso (com apontamentos… salienta a reportagem), Marcelo, o afilhado, falou da “intimidade de Caetano”, o padrinho. E concluiu que “Marcelo Caetano foi um homem excepcional” e que “chegou tarde de mais ao poder”. Mesmo com este “atraso” no fluxo da História, o jornalista refere que “o discípulo teve palavras de grande elogio para o mestre”. Referiu a vastidão da sua cultura (histórica, literária e, claro, jurídica), "a inteligência completa", o seu "forte sentido do dever", a "curiosidade perante a mudança". Acentuando as suas “diferenças” com Salazar e outras figuras cimeiras do Estado Novo, definiu Caetano como "tipicamente urbano", "muito viajado", adepto da "liberdade económica" e de um "corporativismo de associação". “Francófono”, tinha "uma secreta simpatia pela Inglaterra" e “até” admirava Churchill…


Marcelo Rebelo de Sousa muito antes de frequentar com grande mediatismo a Festa do Avante frequentava os salões e corredores do Estado dito Novo. Sem Censura, Repressão Política e Intelectual, Colonialismo, Condicionamento Industrial, Centralismo, que o tolhessem. Era e permanece intrinsecamente um conservador atávico, defensor das linhagens e privilégios de classe. O resto é roupagem, exibicionismo hiperactivo e volúvel. Marcelo, ele também, anda atrasado ao encontro da História. 
CR

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

UM BOM TEXTO

JÁ CHEGA!
 Na “ressaca” de uma consoada que pela primeira vez em seis anos consecutivos pude festejar junto da família, reservo uns momentos para maçar quem quiser ler estes desabafos.
A maior parte dos meus amigos do FB conhece-me bem, porque muitos são mais do que amigos virtuais. Conhecem o meu modo de estar por vezes truculento, o espírito não alinhado e rebelde, a intolerância para o disparate e a displicência, a falta de corporativismo. Costumam resumir tudo na designação “mau feitio”. Os mais contaminados pelos eufemismos em voga dirão que tenho um baixo quociente de inteligência emocional. Não discordo do veredicto, prefiro ter mau feitio a ter mau carácter e o meu QI (não emocional) avaliado, em tempos de juventude, em 138 e 140 parece afastar-me dos níveis de debilidade e embotamento de raciocínio.
Vem tudo isto a propósito de que, sendo médica, me sinto diariamente agredida, insultada e difamada pelos profissionais do “eu acho” e do “eles deviam”.
Para quem me conheça menos eu apresento-me: médica anestesista, 57 anos, 31 de profissão dedicada nos últimos 14 anos sobretudo à Neuro-anestesia, dez dos quais no H. de S. José.
Para esclarecimento de muitos que transformam os honorários médicos em mistérios de sociedades secretas, a minha remuneração na categoria de assistente hospitalar graduada, com exclusividade na função pública, horário de 42 horas semanais (actualmente 39, pela redução anual de uma hora após os 55 anos) é de 4107 € (preço hora ~ 22 €) dos quais receberei no fim do mês ~ 2400 € (preço hora ~ 9€). A condição contratual de exclusividade obriga-me à prestação de mais 12 horas extra semanais se a instituição hospitalar o exigir (e exige), resultando em 53 horas semanais, das quais 24 são um período contínuo. Posso ser solicitada (e pressionada) a realizar mais horas semanais. Actualmente, face à carência de recursos na área de anestesiologia, perfaço, em média, 70 horas semanais (39 em actividade de bloco operatório programado, o resto em urgência) e tenho um fim de semana por mês sem urgência (nos meses mais compridos posso chegar à loucura de ter dois). Por lei poderia não realizar trabalho nocturno a partir dos 50 anos e ter isenção total de trabalho de urgência a partir dos 55. Se eu e os meus colegas do H de Faro cumprirmos a lei do trabalho à risca, a urgência cirúrgica será encerrada porque restam três elementos para garantir o apoio anestésico 24/24 horas – 7 dias por semana. Em resumo, com o ordenado base e as horas acrescidas, recordo – 70 horas semanais – a minha remuneração fica em – 3800€. Acima da média dos ordenados em Portugal? Sem dúvida! Mas 70 horas representam a soma do horário de dois médicos sem exclusividade que é de 35 horas.
Portanto, meus senhores, os malandros dos médicos trabalham ao fim-de-semana mesmo quando a lei os isenta; e também trabalham nos feriados.
Perguntam alguns porque têm os médicos que ganhar mais do os maquinistas do metro, do que os policias, do que os licenciados em geral. Faço um pequeno desvio para falar das forças da ordem. Os que têm como dever zelar pela nossa segurança são talvez a única categoria profissional mais odiada do que os médicos. Desprestigiados, mal remunerados, sujeitos a julgamentos e em alguns casos a penas de prisão quando cumprem a missão que lhes é profissionalmente exigida. Ridículo e afrontoso que um polícia tenha que pagar o próprio equipamento, surreal que se responsabilize por danos em viaturas usadas em serviço. Não há salário demasiado alto para quem arrisca a vida para que a nossa esteja segura. Existem abusos, sabemos que sim, protestamos contra a caça à multa e algumas arbitrariedades de que somos vitimas. Mas imagino como será difícil ver uma e outra vez sair pela porta da frente o marginal que horas antes detiveram, não raramente arriscando a vida, e que um juiz, de interpretação mais liberal da lei, põe e liberdade.
Vivemos numa sociedade acéfala de faz de conta, de inversão de valores, do politicamente correcto, do fundamentalismo da tolerância, dos chavões momentâneos gritados em ondas emocionais bem orquestradas, em proveito próprio, pelos bonecreiros da política.
Somos formatados para pensar o que os media querem que pensemos, sem contraditório, sem interrogação, adormecidos e embalados em conceitos pre fabricados.
De uma era em que as saídas profissionais se estruturavam na adolescência, em que ser “bom aluno” nos permitia antecipar um vasto leque de escolhas, passamos para a era do “todos licenciados mas poucos com emprego” A iniciativa privada rejubilou com a possibilidade de fazer crescer universidades como cogumelos que vomitam todos os anos ufanos jovens diplomados em áreas de denominação exótica e cuja utilidade social carece de ser provada. Orgulhosos progenitores, que gastaram “uma nota preta” em mensalidades, exibem orgulhosos os filhos doutores a quem está reservado o desemprego, a emigração , o prolongar da agonia (deles e dos pais) em mestrados tão úteis quanto as licenciaturas ou, injustiça das injustiças, aceitar um trabalho abaixo do que é devido a um “licenciado”.
A questão agrava-se com as licenciaturas modelo expresso, em que plantar uma árvore no dia da dita ou assistir a três comícios, pode dar direito a equivalência numa cadeira e com o padrinho certo, chegar até ministro ou primeiro ministro. Nivela-se por baixo no esforço, mas pretende-se nivelar por alto nos direitos.
Em Medicina não se obtêm créditos por colar pensos rápidos ou assistir a todas as temporadas do Dr. House. Prescinde-se de muitas saídas com os amigos, de muitas horas de divertimento.
Num mundo governado pelos licenciados fast banaliza-se o trabalho acrescido que implica atingir os patamares cimeiros da elite universitária. Sim ELITE, sem falsas modéstias, sem sentimentos de culpa.
Sim, sabemos o que nos espera, as horas de estudo intenso que se prolongam após a licenciatura. Sim, adoptamos o juramento de Hipocrates, de que muitos falam e poucos fora da área médica conhecem. Mas saberá quem nos diaboliza, como é morrer por dentro cada vez que temos que anunciar um desfecho trágico, saberá quem nos acusa de sermos frios e distantes, como exorcizamos os nossos demónios e os nossos medos, porque ninguém como nós entende a fragilidade da vida e o pouco que é necessário para que tudo se desmorone ? Entenderá quem tanto nos critica, como é recomeçar uma e outra vez esta luta desigual contra o fatalismo “do destino”, da “sua hora” ou da “vontade de Deus”?
Na ordem social das coisas considerava-se adequado remunerar de acordo com o contributo para o bem comum e a importância desse papel na sociedade. Hoje somos todos licenciados, mas um engraxador licenciado continuará a engraxar sapatos (e muita ciência é necessária na arte de engraxar), e um médico continuará a tratar doentes. Terão a mesma relevância social ? Terá a função de maquinista do metro, para usar uma comparação que li na imprensa, equiparação à actividade clinica ? Existe um facto muito simples que permite dar a resposta; qualquer médico em seis meses, vá lá, um ano de treino, será um apto engraxador ou condutor de metro, o inverso é verdade?
O endeusamento de que alguns falam vem da relação amor/ódio que a sociedade sempre estabeleceu com a classe médica. Como disse no início sou pouco corporativa e tenho plena consciência de que na minha, como em todas as profissões, existe muita erva daninha. Cometo erros como todos. Só não os comete quem não se aproxima dos doentes. Entre erro e negligência há um diferença abissal ; cometemos um erro, quando escolhemos uma estratégia terapêutica que julgávamos a mais adequada e a evolução revelou que não era, cometemos um erro quando equacionamos mal um diagnostico ou o timing de uma intervenção. Somos negligentes quando nos estamos nas tintas para reflectir sobre uma solução diagnostica ou terapêutica e optamos pelo que nos dá menos trabalho ou melhor nos remunera. O erro não deverá ser repetido se as mesmas circunstâncias ocorrerem. Chama-se experiência e não envolve só os mais novos. A negligência deve ser severamente punida.
Convém não confundir estes dois conceitos.
Neste tu cá tu lá da democracia porreiraça, temos um franja da população formada em Medicina na Anatomia de Grey, nos diagnósticos surreais do Dr. House e na pesquisa Googleniana frequente. Surgem assim os opinadores que restruturam uma e outra vez o SNS e que a darem-lhes poder acrescentariam às leis que nos regem, uma alínea especial para a pena de morte a aplicar aos médicos.
Estranhamente não raro são elevados aos píncaros da fama, ao Olimpo dos deuses da medicina, clínicos a quem os pares não confiariam um panarício. São normalmente médicos de sorriso fácil, palmadinha nas costas, que gostam de introduzir uma nota de ansiedade acrescida antecipando diagnósticos catastróficos que “felizmente não se confirmam porque chegámos a tempo”, que incutem no doente o sentimento de auto congratulação pela decisão tomada, pelo dinheiro investido, pelo acerto da escolha. São os médicos do “principio de enfarte” , do “principio de AVC”‘, do “principio de pneumonia”, entidades patológicas desconhecias dos tratados universais de medicina mas que se perpetuam de boca em boca disseminando a fama e a simpatia do senhor doutor. São os médicos das longas prescrições e muito mais longas requisições de exames.
É diferente no SNS puro e duro, onde o sorriso se apaga ao fim de meia-hora de luta com o sistema informático que pretende modernizar hospitais com servidores que mal aguentam a instalação do Tetris. Surgem os médicos carrancudos de farda amarrotada, dois números acima ou abaixo do normal, porque “é o que há”, olharentos por privação de sono, resignados às avarias e falta de equipamento numa gincana quotidiana para ultrapassar o “não há”, não compraram” ou “já não vem mais”. Que chatice ser neste antro para indigentes que são despejados os que optam pela saúde VIP dos hospitais privados, quando o plafond se esgota, as economias desapareceram e a casa já está à venda. O sorriso fácil esmorece e a palmadinha nas costas vira empurrãozinho firme. O enfarte já ultrapassou o princípio e aproxima-se do fim.
Negam-nos até o podermos tratar doentes, agora tratamos “utentes” e até “clientes”, nesta lógica de gestor que o hospital e o hipermercado se gerem do mesmo modo. Os resultados estão à vista.
Integrei como anestesista a equipa de neurocirurgia vascular de S.José, que só abandonei por ter mudado de hospital. Quem me conhece sabe que se necessário trabalharia de borla para salvar uma vida. Fi-lo muitas vezes noutros contextos. Tenho a certeza que todos os elementos que integravam a equipa o fariam também. O que o público e os potenciais doentes têm que entender é que o que ficou destruído com os cortes cegos e surdos, foi a estrutura complexa que envolve o diagnóstico e a terapêutica destes doentes e que não pode ser exigido a profissionais de saúde que literalmente paguem para trabalhar como acontecia com a equipa de enfermagem. Nenhuma disponibilidade e boa vontade isoladas, poderia remendar o assunto. A fatalidade que vitimou o jovem David era uma fatalidade anunciada. Em revolta, alguns de nós desejaram que tivesse atingido quem permaneceu cego e surdo aos avisos e às propostas, o Sr ministro ou o sociopata que o assessorava. Teria surgido mais cedo a solução.
Não, não somos bem pagos, pelo menos no SNS. e sim, somos uma profissão de elite. Com muito orgulho.
Um bom ano de 2016.

         JOSINA ANDRADE



domingo, 27 de dezembro de 2015

O QUE DESTILA O PENSAMENTO DE VASCO PULIDO VALENTE


O Vasquinho escolheu os “melhores” e os “piores” do País. É deliciosa a escolha.

 Para “melhores”: Pedro Passos Coelho (“tranquilidade” e “constância”, “alguma confiança” e “algum ânimo”), Paulo Portas (“equilíbrio” e “coerência”), Mariana Mortágua (“inteligência e sobriedade no inquérito do BES”, “prestígio ao Parlamento “e “muito prazer”), José Manuel Fernandes, Rui Ramos, David Dinis (criação do diário digital Observador), Henrique Medina (“explicação clara”), Catarina Martins (“vitória da insignificância”), Ricardo Araújo Pereira (“sem graça”), Adolfo Mesquita Nunes (turismo)


Os “piores”: Cavaco Silva, António Costa (“governo da extrema esquerda”), José Sócrates, Paula Teixeira da Cruz, os Pilotos da TAP, José Rodrigues dos Santos

Curiosamente a agência Reuters escolheu as mesmas dirigentes do Bloco como "os maiores". O que prova que  Vasco bebe do melhor Whisky britânico

CR

Jantar de apoio à candidatura de Edgar Silva à Presidência da República, em Parada de Todeia, Paredes





sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

As boas notícias que vêm da Síria

Um acordo inédito vai permitir a partida, no sábado, de 4000 pessoas, incluindo civis mas também centenas de jihadistas do Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra, de três bairros do Sul de Damasco, incluindo Yarmuk.
Esta saída é o culminar de negociações iniciadas há dois meses entre o regime sírio e representantes dos habitantes destes bairros, que sofreram uma profunda degradação das condições de vida devido a um cerco imposto pelo Exército de Assad desde 2013, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos
Segundo fontes próximas das negociações, citadas pela AFP, a iniciativa diz respeito ao campo de refugiados palestiniano de Yarmuk e aos bairros vizinhos de Qadam e Hajar al-Aswad. Este último funcionava como base do EI perto da capital síria.
“Um acordo foi alcançado para a partida de quatro mil civis e homens armados pertencentes a vários grupos, incluindo o EI e a Frente Al-Nusra [braço sírio da Al-Qaeda], que recusam qualquer tipo de reconciliação”, disse à AFP uma fonte governamental.
A aplicação do acordo deverá começar este sábado, disse a mesma fonte, indicando que as pessoas serão transferidas para Raqqa, a capital do EI no Norte da Síria ou para Marea, uma localidade da província de Alepo, junto à fronteira com a Turquia, que está nas mãos de grupos rebeldes islamistas e da Frente Al-Nusra.
Um outro responsável da segurança síria confirmou o acordo, precisando que diz respeito a 3567 pessoas, incluindo dois mil combatentes “que pertencem na sua grande maioria ao Estado Islâmico mas também à Frente Al-Nusra”.
Na quinta-feira, uma unidade do Exército sírio entrou em Qadam para recuperar a artilharia pesada e o equipamento militar utilizados pelos jihadistas. Ao mesmo bairro chegaram esta sexta-feira os 18 autocarros que vão transportar as pessoas a partir de sábado. “Cada combatente será autorizado a partir com a sua família, uma mala e a sua arma pessoal”, explicou um representante de Qadam.
Este é o primeiro acordo de “reconciliação local” que envolve jihadistas do Estado Islâmico. Tréguas anteriores como em Homs permitiram a combatentes de grupos rebeldes abandonarem zonas de guerra a troco de entregarem as suas armas.
Yarmuk, onde o EI controlava uma zona no sul do campo de refugiados, foi um dos palcos mais castigados da guerra civil siria. Antes do início do conflito viviam lá 16 mil pessoas, hoje deverá contar com uma população de sete mil sírios e palestinianos que vivem muito precariamente entre as ruínas da guerra.
Mas hoje mesmo, Zahran Alloush, o líder militar do Jaish al-Islam (Frente Islâmica) foi morto num ataque aéreo russo perto da base aérea de Marj al-Sultan nos subúrbios de Damasco. Acredita-se que Zahran Alloush, aliado radical da Arábia Saudita, se dirigiu a um encontro com comandantes islamitas locais perto da área de Utaya; contudo esse encontro foi interrompido por bombardeio aéreo de que resultou a morte dos mais proeminentes lideres rebeldes da região.
A intervenção militar russa mostra-se decisiva para a criação da paz e concórdia na região.
CR


FOALS - Mountain At My Gates

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

vikings e ladrões

O prejuízo da resolução do BANIF é estimado em não menos de 2,4 mil milhões de euros. Tal equivale a 3 anos de sobretaxas recolhidas.

 Na Islândia, já foram condenados 26 banqueiros a prisão pela crise financeira de 2008. Outros banqueiros e grandes accionistas aguardam sentença. Os crimes financeiros imputados foram de manipulação extensiva de mercados, peculato e violação de deveres fiduciários. O tempo aglomerado de prisão foi de 74 anos com 11 islandeses com 4 ou mais anos de prisão e 2 com 6 anos. Mas não só os banqueiros foram responsabilizados. Um importante accionista “apanhou” 4 anos e o secretário do Ministro das Finanças de então foi culpado de abuso de informação.

 Voltemos a Portugal. As cadeias estão desertas de banqueiros e grandes financeiros. Salgado continua a ir á missa na sua capela particular da Linha de Sintra. O mesmo com Rendeiro, com Oliveira Costa, com Carlos Costa, com Maria Luísa Albuquerque. A lista dos políticos e financeiros susceptíveis de ir a julgamento célere é vasta. Mas a Islândia não é Portugal. Aqui o perdão para os poderosos é magnânimo.

 CR

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Um homem justo para Presidente

QUEM MATOU DAVID DUARTE?


A morte do David Duarte não tem outro nome. É um assassinato. E quando assim é, a culpa não é só de quem dispara. É também de quem aponta e de quem dá a ordem. É de quem o encaminhou para um hospital sem recursos humanos, é de quem deu a ordem de limitar o financiamento à assistência hospitalar e é de quem a executou. É, principalmente, do anterior ministro da Saúde que, antes, havia sido administrador de uma seguradora e que seguiu os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros na gestão do Serviço Nacional de Saúde. É de Passos Coelho e de Paulo Portas que nos chamaram piegas e exigiram que aguentássemos a tragédia sem protestar.

Este é o retrato de um país esmagado pelas políticas impostas por PS, PSD e CDS-PP a mando do FMI, da UE e do BCE. Se a raiva que nos corre nas veias é a mesma de quando vemos os corredores hospitalares cheios de macas como se tivesse havido um terramoto, se é a mesmo de quando vemos os nossos idosos pedir esmolas pelas ruas, se é a mesma de quando as entradas das lojas se enchem de sem-abrigo ou de quando os aeroportos são a porta de saída dos nossos familiares, se é a mesma de quando temos, uma e outra vez, de deixar de alimentar decentemente os nossos filhos para pagar a dívida dos bancos, se é assim, então, não temos de nos espantar quando outros povos arrastam violentamente do poder os carrascos que os conduzem ao abismo. É urgente romper com o capitalismo.

Bruno de carvalho (em manifesto74.blogspot.pt)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Em 5 de Janeiro de 2013 o PCP alertava...


NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP
Banif – um novo BPN
5 Janeiro 2013
1 -A comunicação social tem vindo a divulgar nos últimos dias, que o governo terá decidido realizar uma operação financeira, recorrendo a capitais públicos, de recapitalização do Banif num valor superior a 1100 milhões de euros. A ser assim, confirma-se o que o PCP há muito tem dito sobre a verdadeira natureza da crise económica e social em que o País está mergulhado e quem dela se serve.
Aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas, aos pequenos e médios empresários, ao povo português em geral, o governo impõe sacrifícios, reduz-lhes os rendimentos através do roubo dos salários e do aumento brutal dos impostos, aos banqueiros mantém-lhes os benefícios fiscais e recapitaliza-lhes as empresas com dinheiros públicos. Ao contrário da história do herói mítico, este Robin Hood dos novos tempos (governo PSD/CDS-PP), rouba aos pobres para dar aos ricos.
É inaceitável que precisamente no momento em que é promulgado o Orçamento do Estado para 2013 -o pior orçamento desde o fascismo – que contempla um brutal aumento de impostos com o argumento de que o País precisa de reduzir o défice das contas públicas através da redução da despesa do Estado, o governo negocie com a administração do Banif uma operação financeira de recapitalização do banco com dinheiros públicos. Um autêntico brinde de Natal oferecido em bandeja de ouro aos accionistas do Banif, os mesmos que durante anos sacaram centenas de milhões de euros de lucros do Banco. Só na primeira década do novo milénio este Banco teve de lucros líquidos 508,4 milhões de euros e entregou aos seus accionistas de dividendos 216 milhões de euros (41% do total de lucros), o que é muito dinheiro para um banco da dimensão do Banif.
2 -De acordo com o que tem sido divulgado, a operação financeira de 1 100 milhões de euros inclui a compra de acções do Banco, ficando o Estado português detentor da quase totalidade do Banco e um empréstimo no valor de 400 milhões de euros (só esta parte vence juros). Vale a pena lembrar que estando este Banco cotado em Bolsa o seu valor bolsista é hoje de apenas 83 milhões de euros, mas o Estado decide injectar 13,3 vezes esse valor.
Tal como aconteceu com o BPN, o governo prepara uma «nacionalização» temporária cujo objectivo é, mais uma vez, resolver os problemas do banco e depois entregá-lo limpinho para que os seus accionistas continuem a sacar os seus lucros. Vamos certamente assistir a um processo de transferência dos prejuízos de uma entidade privada para as contas do Estado, prejuízos acumulados nestes dois últimos anos em resultado de uma gestão irresponsável e determinada pelos ganhos da especulação financeira.
Esta é uma falsa nacionalização em que o alto risco será coberto pelo dinheiro dos contribuintes. O banco não só não tem activos suficientes como dificilmente vai gerar proveitos aceitáveis para devolver o dinheiro ao Estado. Acresce que o Estado fica em posição maioritária mas só pode nomear um administrador não executivo. E um membro para o conselho fiscal. Uma vergonha!
Este é o mesmo banco que já depois de ter encerrado 17 balcões em 2011 e despedido mais de 120 trabalhadores, anunciou o encerramento de mais 50 balcões com o despedimento de mais 160 trabalhadores. Ou seja, também no Banif, tal como está a acontecer no BCP e no BPI, o Estado financia com dinheiros públicos ( a concretizar-se esta operação serão mais de 7 mil milhões de euros nestes três bancos) processos de reestruturação que incluem o despedimento de milhares de trabalhadores, ao mesmo tempo que reduz para 12 dias de salário por ano de trabalho, a indemnização por despedimento, aos trabalhadores por conta de outrem.
3 – A solução para os problemas do sector financeiro em Portugal não passa por injectar dinheiros públicos em empresas cuja existência e gestão são determinadas pelo lucro fácil e especulativo, e muito menos através de falsas nacionalizações que apenas garantem a transferência dos prejuízos dessas empresas para a órbita do Orçamento do Estado.

Como o PCP há muito vem defendendo, a recuperação do comando político e democrático do processo de desenvolvimento, com a subordinação do poder económico ao poder político democrático, coloca na ordem do dia a necessidade de um sector público forte e dinâmico, especialmente em sectores estratégicos da economia, como é o caso do sector financeiro, e designadamente em relação à banca comercial.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CAVAQUISMO SEM CAVACO


Maria de Belém quis parafrasear Cavaco. E para isso ousou repetir Cavaco: temos de ter muito cuidado em falar do Banco Banif. Nada de muito original, Cavaco dixit. Mas para pôr um tom mais emocional na mensagem, acrescentou: tenho muito orgulho no sistema bancário português!

Maria de Belém disse a única coisa que não devia ou podia ter dito HOJE. Orgulho no sistema bancário português? Depois do BPN, do BPP, do BES, o BANIF… E UM CANDIDATO PRESIDENCIAL diz ter orgulho nas trafulhices, nas aldrabices, na falta de respeito pelos depositantes, dos pequenos accionistas, nos trabalhadores desempregados das instituições bancárias?

Maria de Belém quis ser apaziguadora, tranquilizadora, consensualizadora, no dia de todas as tempestades, de todas as preocupações, de todas as iras.

Maria de Belém está de tal forma enredada nos interesses da banca e dos negócios privados como os da Saúde, que não enxerga a OPORTUNIDADE DE SE CALAR. Abriu a boca e saiu asneira. Cavaco por momentos ressuscitou!

CR


CRONOLOGIA DE UM PROCESSO PERIGOSO

A Ucrânia deve á Rússia cerca de 3 mil milhões de dólares. O prazo final para reembolsar a Rússia acaba a 20 de Dezembro.

A Ucrânia pretende obter créditos no FMI.

As relações económicas e financeiras globais são reguladas por regras especificas e só em excepções se admitem “esforços de boa fé”.

O sistema internacional monetário foi criado pelos Estados Unidos da América na célebre Conferência Internacional de Bretton Woods em 1944 e já sofreu modificações induzidas pelos interesses norte-americanos.

Uma das regras assumidas era de que os créditos soberanos (isto é, de Estado para Estado) têm prioridade no seu pagamento em relação aos créditos de particulares.

Outra regra assumida impede empréstimos do FMI a países com falta de pagamento de créditos a outros Estados.

A Ucrânia reestruturou a dívida com os privados, no período de Março a Outubro de 2015.
A dívida da Ucrânia perante a Rússia está a ser, pelos dirigentes ucranianos actuais, tratada como se fosse um pequeno fait divers. e não se vêem "esforços de boa fé".

O Conselho de Administração do FMI em decisão de 8 de Dezembro alterou as regras numa tentativa de sustentar o regime em bancarrota de Kiev e de prejudicar a Russia. A omnipresente mãozinha norte-americana apareceu, sem consciência das consequências. A Rússia pode sair do FMI, mas isso não lhe garante necessariamente a defesa dos seus interesses legítimos.

Mas o mundo hoje não é unipolar. E há loucos imprevisíveis á solta. Soam os tambores da guerra. 


CR

domingo, 20 de dezembro de 2015

As Forças Armadas, o comunista e espingarda

André Falcão (em www.pragmatismopolitico.com.br)

O Brasil deve ser um país que exerce enorme fascínio aos estudiosos sociais de todo o mundo contemporâneo. De um lado, conseguiu tornar-se independente sem precisar dar um só tiro, e somente precisou entrar em guerra com uma única das nações que lhe fazem fronteira, e só uma vez. Um país cujo povo tem a mestiçagem, a alegria, a criatividade e a hospitalidade como características reconhecidas por todos.

De outro lado, é também o país que assassinou crianças paraguaias mandadas à guerra por um ditador louco e cruel; que, no ocidente, resistiu por derradeiro à libertação dos escravos, e que teve a segunda mais longa ditadura militar da América Latina. Um país cuja parcela de seu povo é capaz de queimar miseráveis que dormem nas ruas, e é intolerante com as diversas diferenças, selectivo na sua indignação com a corrupção, e insensível às desigualdades sociais. Um país que não leu Marx, e pensa conhecer Jesus; que não estuda história, e idolatra as atracções consumistas que lhe batem à porta.

Porém, é ainda o país que, finda a ditadura, elegeu (e reelegeu) presidente um humilde nordestino, metalúrgico e sindicalista, e em seguida elegeu (e reelegeu) uma mulher de classe média, forjada nas lutas contra a ditadura militar, sobrevivente corajosa às mais atrozes e covardes torturas físicas e psicológicas.

Pois bem, é esse também o país que a partir de oito de Outubro último tem como Ministro da Defesa o comunista alagoano e deputado federal por São Paulo, por seis legislaturas, Aldo Rebelo, do PC do B.

Numa solenidade simples, mas emocionante e muito prestigiada por representantes de inúmeros países, inclusive dos EUA, de integrantes das três Forças, inclusive de seu alto escalão e da reserva, de políticos que iam do próprio PC do B ao PSDB, de membros da igreja, além de amigos e familiares do Ministro, fora momento histórico de extrema importância para o país. Donde é fácil constatar que enquanto parcela da sociedade politicamente regrediu, ou permaneceu em 1964, os militares experimentaram inegável e alvissareiro amadurecimento político. Recomendo a todos que se deem o direito de assisti-la: basta acessar o You Tube.
E a espingarda? Bem, é que o Ministro, ao final de suas palavras, reportou-se a uma espingarda de caça que fora do Marechal Floriano Peixoto, e que adquirira quando soube estava para ser leiloada pela família. Não, ele não a guardou para si. Doou-a ao Museu do Exército do Forte de Copacabana. Como bom comunista.


humor


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

apontamentos da História

CARTA DE MARCELO REBELO DE SOUSA A MARCELO CAETANO, 12 DE ABRIL DE 1973


Excelentíssimo Senhor Presidente, Excelência:
Pedindo desculpa do tempo que tomo a Vossa Excelência, vinha solicitar alguns minutos de audiência (…) Seria possível, Senhor Presidente, conceder-me os escassos minutos que solicito? (…) Acompanhei de perto (como Vossa Excelência calcula), as vicissitudes relacionadas com o Congresso de Aveiro, e pude, de facto, tomar conhecimento de características de estrutura, funcionamento e ligações, que marcaram nitidamente um controle (inesperado antes da efectuação) pelo PCP.
Aliás, ao que parece, a actividade iniciada em Aveiro tem-se prolongado com deslocações no país e para fora dele, e com reuniões com meios mais jovens.
Como Vossa Excelência apontou, Aveiro representou, um pouco mais do que seria legítimo esperar, uma expressão política da posição do PC e o esbatimento das veleidades “soaristas”.
O discurso de Vossa Excelência antecipou-se ao rescaldo de Aveiro e às futuras manobras pré-eleitorais, e penso que caiu muito bem em vários sectores da opinião pública.
Com os mais respeitosos e gratos cumprimentos,
Marcelo Nuno Rebelo de Sousa
(José Freire Antunes , Cartas Particulares a Marcello Caetano, vol.2, Lisboa 1985, p.353)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A PRETEXTO DE DOMINGOS


Homens como Domingos Abrantes são talhados a golpes de vida que dão uma nobreza de carácter que não se adquire por linhagem ou papel passado 

Domingos Abrantes foi o nome proposto pelo PCP para o Conselho de Estado. Tem 79 anos de idade, é operário de formação, e começou a trabalhar numa fábrica em Lisboa aos 11 anos, fez a quarta classe, “o que já era muito bom para a época”, como faz questão de referir quando o desafiamos a que fale da sua vida.  

Militante comunista desde 1954, esteve preso 11 anos, e em duas ocasiões, Caxias de 1959 a 1961, e em Peniche de 1965 a 1973 foi sempre brutalmente torturado, nunca falou.

Protagonizou uma das fugas mais espectaculares das prisões fascistas, escapando de Caxias com outros camaradas seus, no carro blindado oferecido por Hitler a Salazar. 

Casou em Peniche, em 1968 com Conceição Matos, operária, também resistente comunista e seguramente a mulher portuguesa mais selvaticamente torturada pelos esbirros da PIDE. Quem os conhece sabe que, para além de uma vida de luta e sacrifício, partilham uma belíssima história de amor.

Conheço-os há praticamente 40 anos e só o respeito que lhes tenho impede que as confidencias muitas vezes divididas entre conversas, sirvam para agora fazer justiça á verdadeira dimensão humana do Domingos e da Conceição, e de que a coragem demonstrada e a paixão que os amparou em tempos de assombração, não se restringiu às celas da prisão ou às salas de tortura. 

A vida, já em Liberdade, trouxe-lhes desafios tremendos que venceram com a bravura e a dignidade com que têm vivido todos estes anos. 

Homem culto, devorador de livros, bom garfo, imbatível contador de anedotas, nunca o vi amargo ou desencantado, á espera de prebenda ou de condecoração na lapela. Deputado de 1976 a 1995, quando o momento chegou retirou-se sem contas a ajustar. 

Sempre o vi escarnecer e ironizar dos seus torturadores, arrumando-os pela sua boçalidade desalmada na classificação dos não humanos, de seres fantasmagóricos que derrotou e deixou no passado, nunca desejou vingança. 

Homens como Domingos Abrantes são talhados a golpes de vida que dão uma nobreza de carácter que não se adquire por linhagem ou papel passado. Tem algo a ver com a classe e não me refiro só ao patamar na cadeia de produção.  

São pequenas coisas que tecem um cabo de aço, não se abandona ninguém, não se entrega ninguém, não se atraiçoa um compromisso, não se falha com a ajuda.

É um ganho de consciência que não deixa que a besta mate o melhor de nós. Ele sabia que quando o espancavam era só dor que lhe infligiam, mas não lhe dobravam a esperança nem lhes roubavam a alma, sabia que no fim de uma ou outra forma, o vencedor era ele.

Um dia, quando lhe perguntei como olhava o seu passado, como via a sua contribuição para a conquista da liberdade e dos direitos de que hoje disfrutamos, respondeu “que por um lado com a felicidade de, ao contrário de muitos dos seus camaradas, poder assistir ao resultado de tudo aquilo pelo que lutou. E que se fosse necessário começar do princípio faria o mesmo caminho”.

A sua vida, conjuntamente com a da sua companheira Conceição, é uma epopeia em que se virão na obrigação de heróis reais e anónimos que com o seu comportamento moral e ético nos redimem e elevam a condição humana  

Vai sentar-se no Conselho de Estado, não um ser perfeito, isento de críticas, incapaz de errar ou abençoado pela inabalável e absoluta certeza de todas as coisas, mas um homem que entrou pela vida dentro sabendo de certeza sabida que tudo é relativo e efémero menos o valor da palavra dada. 

A democracia reforça-se e as instituições dignificam-se, quando homens incorruptiveis e capazes, de começar todo de novo e de novo fazer o mesmo caminho, para defender a sagrada liberdade e lutar os direitos cívicos, são escolhidos para nos representar e dar opinião. 

A pretexto do Domingos, do meu amigo Domingos e da Conceição, de alguma forma esta designação e eleição são também uma homenagem a todos os homens e mulheres que de forma humilde e anónima, fizeram o que tinham que fazer, com perigos, humilhações e condições inimagináveis para nós de avaliar, levando-nos hoje a dizer com orgulho que mesmo nos tempos mais negros existiram portugueses que não se renderam nem deixaram intimidar. 

É uma brisa que nos refresca e dá esperança em tempos onde o que sobra são anões que por defeito e ou feitio tentam vender-nos o medo. Mas como os homens nos ensinam, não passarão.

Artur Pereira

Consultor de comunicação

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

um bom exemplo

Lidl aumenta salário mínimo em 5,26% para 600 euros nas suas lojas



O Lidl Portugal anunciou hoje que decidiu aumentar para 600 euros o valor do ordenado de entrada, auferido no primeiro ano de trabalho, um aumento de 5,26% que irá entrar em vigor a 01 de janeiro do próximo ano.


Em comunicado, a cadeia de supermercados de origem alemã recorda que o ordenado mínimo no Lidl "já é acima do ordenado mínimo nacional e com esta medida todos os colaboradores a tempo inteiro que auferiam do valor base de 570 euros passam a receber o novo valor de 600 euros".
Isto representa um aumento salarial de 5,26% para todos os colaboradores abrangidos neste escalão.
"Esta medida entrará em vigor no próximo dia 01 de janeiro 2016 e impactará todos os novos colaboradores das lojas e entrepostos, já que se trata do ordenado auferido no primeiro ano de trabalho", adianta o Lidl.
"Esta medida está integrada na forte política de responsabilidade social que é parte integrante da estratégia da empresa", refere a empresa de distribuição.
"Os nossos recursos humanos são o nosso maior capital e queremos que saibam que podem contar com a empresa. Este ano celebramos 20 anos em Portugal, estamos a consolidar o nosso crescimento e o sucesso alcançado é fruto das nossas extraordinárias equipas", disse Afroditi Pampa, presidente executiva do Lidl Portugal, citado no comunicado.
"O Lidl Portugal já assegura o pagamento de salários acima dos valores acordados nos contratos coletivos de trabalho negociados pela APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição). A título de exemplo, o acordo coletivo prevê que o ordenado base de um vendedor de loja seja 530 Euros, um vendedor das lojas Lidl no seu primeiro ano recebe 570 euros", exemplifica a empresa.
Recentemente, e em linha com as comemorações da sua presença em Portugal há 20 anos, "a empresa ofereceu a todos os seus colaboradores um cartão bancário pré-pago carregado com 400 euros para uso nas lojas Lidl".
O Lidl é uma cadeia de distribuição alimentar de origem alemã, cuja existência remonta aos anos 30. Está presente em mais de 25 países, detendo cerca de 10 mil lojas. Em Portugal, a insígnia tem 240 lojas, quatro entrepostos e 4.800 colaboradores.


Lusa

Solidariedade com a Venezuela Bolivariana

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP, LISBOA


Solidariedade com a Venezuela Bolivariana

Tendo-se realizado as eleições legislativas na República Bolivariana da Venezuela, onde após 17 anos (e 18 actos eleitorais em que foram derrotadas) as forças contra-revolucionárias alcançaram a maioria dos lugares no parlamento, o PCP expressa a sua solidariedade às forças reunidas no Grande Pólo Patriótico e, nomeadamente, ao Partido Socialista Unido da Venezuela e ao Partido Comunista da Venezuela, com a confiança de que as forças progressistas e revolucionárias venezuelanas encontrarão as soluções que defendam o processo revolucionário bolivariano e as suas históricas conquistas que tão importante repercussão têm tido na América Latina.
O PCP salienta que estas eleições se realizaram no contexto de uma conjuntura económica particularmente desfavorável em resultado da baixa do preço do petróleo e no quadro de grandes operações de desestabilização e boicote económico dos sectores mais reaccionários venezuelanos articuladas com a ingerência do imperialismo contra a Revolução Bolivariana.
O PCP alerta para a tentativa do imperialismo utilizar os desfavoráveis resultados eleitorais na Venezuela para intensificar o seu combate aos processos de soberania e progresso social que tem subtraído o continente latino-americano ao seu domínio e apela à solidariedade com os povos e as forças progressistas e revolucionárias venezuelanas e de toda a América Latina.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

NOTA GABINETE DE IMPRENSA DORP PCP

Deputados do PCP confirmam: Serviço Nacional de Saúde com graves problemas na Região

PCP insistirá na defesa da manutenção do Hospital de Santo Tirso no Serviço Público

Uma delegação da DORP do PCP – integrando as deputadas Diana Ferreira e Ana Virgínia, além de Jaime Toga, da Comissão Política do CC do PCP – reuniu hoje com a Administração Regional de Saúde do Norte para abordar a capacidade de resposta do SNS na região.

 Da reunião evidencia-se o acordo das duas delegações quanto às consequências negativas para o SNS pelo facto de não ter sido garantido concurso para a colocação total dos 102 novos médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar, com a ARS a assumir que deu parecer desfavorável a este processo, do qual ficam sem colocação 28 médicos. Saliente-se ainda a convergência de análise quanto ao facto do corte imposto pelo governo PSD/CDS, no transporte de doentes não urgentes, estar a afastar do acesso ao SNS milhares de utentes.

Foi ainda confirmado pelo presidente do Conselho Directivo da ARS-Norte a manutenção de limitações à contratação de profissionais, apesar do reconhecimento da carência que existe nos diversos serviços de saúde da região.

Confirma-se que o recurso a empresas de trabalho temporário para a colocação de Médicos não serve os interesses dos Utentes, nem do Serviço Nacional de Saúde, originando problemas, como aconteceu no passado dia 4 de Outubro nas urgências do Hospital de Santo Tirso.

Na reunião a delegação do PCP manifestou especial preocupação quanto ao futuro do Hospital de Santo Tirso relativamente ao qual, em final de mandato, o governo PSD/CDS assinou um protocolo no qual o entrega à Misericórdia.

A reunião confirmou todas as preocupações que antes manifestamos:

  - A perda de serviços e valências no Hospital de Santo Tirso;
 - A possibilidade de ruptura na resposta à população caso os profissionais optem por manter o seu vínculo ao SNS e recusem, como é seu direito, a passagem para a Misericórdia
  - Um Governo que, expedito a entregar a privados o Hospital público de Santo Tirso, ainda não acautelou aspectos essenciais do serviço futuro. Por exemplo, ainda não se sabe qual será o Hospital de referência para serviços de urgência para os utentes da Trofa e de Santo Tirso (apenas dizem que será um dos Hospitais do Porto), nem sabe onde passarão a ser as consultas de IVG das populações.

 A DORP do PCP reafirma o seu compromisso de apresentar na Assembleia da República, após a reabertura dos trabalhos, uma proposta de reversão deste processo de alienação do Hospital de Santo Tirso a privados, esperando que, se outros partidos cumprirem a palavra, com a nova correlação de forças na Assembleia da República seja possível reverter este processo.


Porto, 13 de Outubro de 2015