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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

james tocando Getting Away - Estação de S. Bento - Porto - Portugal 27 de Novembro de 2014

a narrativa política de Mário Soares

há o "malandro"

                                                                    prenderam o "inocente"                                                                               


fez de "biombo"

Cante nas escolas em Beja



cante alentejano foi reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

humor


James- walk like you

AMIGOS DE MÁRIO SOARES


por César Príncipe

Em 30 de Novembro de 1983, chefiava Mário Soares o governo do Bloco Central, foi invectivado por manifestantes, em Coimbra. O governante pressionou um agente da PSP para que actuasse. Levados os detidos a Tribunal, o juiz Herculano Nogueira considerou não ter o caso acolhimento, pois o Código Penal exigia apresentação de queixa pelo ofendido. O estadista Soares não se conteve: Se o juiz entendeu que não foi um crime público, o problema é dele. Ficamos a saber que esse juiz não se importa que lhe chamem gatuno. O magistrado denunciou Sua Excelência ao Conselho Superior da Magistratura por desrespeito para com um órgão de soberania e a independência dos tribunais . Daí a dias, o Conselho de Ministros alterou o Código Penal, fazendo com que fosse dispensada qualquer queixa do ofendido, sempre que se tratasse de crimes de difamação, injúrias e outras ofensas contra órgãos de soberania e respectivos membros. Uma lei à medida.

Em 26 de Novembro de 2014, à saída da prisão de Évora, onde foi visitar o amigo José Sócrates, o ex-governante e ex-presidente da República e actual Conselheiro de Estado invectivou magistrados, inspectores da Judiciária e da Autoridade Tributária, quantos, ao longo de um ano, cooperaram nos fundamentos processuais (até ao momento, 800 páginas de provas indiciárias), que persuadiram um juiz de Instrução Criminal a ditar prisão preventiva para um ex-primeiro-ministro. Mas ontem, Mário Soares, um ex-primeiro-ministro absolveu José Sócrates, outro ex-primeiro-ministro e condenou liminarmente a Justiça. O primeiro foi declarado inocente sem esperar pelo julgamento e a segunda considerada uma tropelia, uma vergonha, uma infâmia, uma bandalheira, coisa de uns tipos, de malandros. Pensaria Mário Soares, em 1983, que um belo dia, em 2014, poderia ser vítima da sua alteração do Código Penal?

É evidente que o ex-primeiro magistrado da Nação sempre adoptou a pele de animal feroz na defesa de determinados amigos. Não se trata de uma questão de idade ou de emoção de circunstância. Defendeu continuadamente o amigo Carlos Andrés Pérez (1922-2010), que foi presidente da República da Venezuela, alvo de impeachment por acção da Procuradoria-Geral da República e do Congresso Nacional, sendo destituído, em 1993, detido preventivamente e depois sentenciado a dois anos e quatro meses de prisão. Acusação confirmada: peculato doloso e apropriação indevida. No que toca à fortuna pessoal, por via política, as estimativas situavam André Pérez ao nível das centenas de milhões de dólares. Era alcunhado saudita. Igualmente defendeu convictamente o amigo Bettino Craxi (1934-2000), ex-primeiro-ministro de Itália, amigo de Berlusconi, apanhado na Operação Mãos Limpas. Demitiu-se por corrupção. Não cumpriu a pena de 14 anos. Fugiu para a Tunísia, onde faleceu, amparado pelos 150 milhões de euros da conta-poupança afincadamente amealhada ao leme do governo.

Neste momento, José Sócrates não é inocente: apenas beneficia de presunção de inocência. Ontem, em Évora, Mário Soares, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República e actual conselheiro de Estado, protagonizou uma cena de degradação entre o patético e o preocupante. O patético é óbvio. O senador está a precisar de descanso no Palácio da Pena. O preocupante é que alguém o secunde, pois está convencido que o país pensa como ele. José Sócrates até poderá ter alguma razão para queixumes. Mas muito mal andará se continuar a receber visitas de nível tão elevado.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 25 de novembro de 2014

SOB O CHORO DAS CARPIDEIRAS

O assunto aqui falado deveria ser Sócrates. Mas esse não é verdadeiramente assunto. O assunto é o mal estar, a desconfiança, a opacidade, a promiscuidade, a corrupção. Coisas que muitos conhecem mas que poucos denunciam. Por medo, por estratégia, por interesse, por comodismo. O dinheiro (e por vezes o arbítrio) circula dos interesses económicos fortes para os círculos políticos do poder dominante, para mais tarde voltar, reforçado, ao berço original, às famílias poderosas ou a um novo-rico cintilante. Há sempre no meio do percurso instrumentos facilitadores, um escritório de advogados com poder de influência, um meio de comunicação social amigo e de referência, uma maioria politica avessa a “radicalismos” e a “crispações”.

A gestão política dos interesses ilegítimos instalados cabe á máquina do aparelho de Estado, desde governantes e eleitos, a diretores gerais e a tecnocratas, a funcionários policiais e de justiça. Não faltam competentes gestores de expectativas, e de informações, membros das organizações secretas, confessionais ou não, banqueiros, diplomatas e até agentes estrangeiros, polícias do sistema internacional. Tudo numa rede plural, funcionalmente operante. 
O Estado foi progressivamente aprisionado por interesses particulares, que o retalham, o degradam, o corrompem. De cima a baixo. É um Estado ao seu serviço, e não ao nosso serviço. O serviço público perdeu a alma, a orientação básica, a função utilitária. Já só tem a placa, dentro é cada vez mais um vazio. Impera o discurso da inevitabilidade, do conformismo, do silêncio, do pragmatismo, do relativismo. Está mal, mas podia ser pior. Está mal, mas não há alternativa. Está mal mas Deus assim quer. Está mal? Oh, talvez não!  

Os Centros Escolares, por exemplo, foram “pensados” sobretudo pelas empresas de construção civil, bem como as autoestradas, o novo aeroporto, os terminais de contentores, os submarinos. Não foram os portugueses, o Zé e a Maria, que se lembraram dessas necessidades estratégicas. Foram políticos ambiciosos, jovens sem passado e sem escrúpulos. Sócrates? É uma peça de um puzzle, ele e os outros, socialistas ou maioria actual de direita, reverentes perante os Salgados, os Mota, os Ulrich e quejandos. Querem a lista completa? Os Vara, os Duarte Lima, os Meneses, os Campos e outros cuja única competência provada reside na disponibilidade de servir (servindo-se) os barões do (ou da) capital.  

Das comissões frequentes na Administração passou-se para as ignóbeis “comissões” para os administradores. A gatunagem prospera. Sócrates? Que interessa! Outros ocupam o seu lugar. Privatiza-se a TAP, invocando-se desavergonhadamente o direito comunitário. Salta dinheiro para o bolso de responsáveis políticos. Acumula-se património de alguns em França ou na Suíça. O País não produz, vociferam comentadores-doutores de toda a espécie. O Estado gasta acima das suas posses, cantam vozes em coro “medino-carreiristas”. O inquilino de Belém persiste em demonstrar a sua suprema inutilidade. O País transformou-se numa pocilga onde colocaram um povo sofredor e apático.

Sócrates? Que importa? Preso ou não preso, a figura histórica não destoa, antes pelo contrário, do cenário negro em que vivemos. Chorem as carpideiras, mas que desabroche a esperança.

CR  

«Barómetro» Sócrates

Agora é que se vai ver se esta Justiça é uma Justiça a sério». «Agora é que a Justiça vai mostrar se é mesmo democrática e independente». «Ou ele é culpado e condenado, ou os tribunais não valem nada». «Se há este circo todo e depois nada se prova, a nossa Justiça perderá todo o crédito». Variáveis destas frases, declarações mais ou menos semelhantes, textos mais ou menos explícitos têm repetido esta ideia central: a detenção de Sócrates não é somente um caso de uma alta figura na Justiça portuguesa; muito mais que isso, configura-se como um autêntico «barómetro» que vai «medir», «avaliar», «qualificar» a Justiça que vigora em Portugal. Há quem vá um pouco mais longe e afirme, com todas as letras, que a sentença vai «pôr à prova» o próprio «regime democrático», «o Estado», «as Instituições», «a democracia». Descontando o que é apenas produto do delírio quase religioso da velha entourage socrática, acontecendo isto num país que é governado há três anos por um governo que tem como prática ‘normal’ cometer sucessivos, reiterados e assumidos atentados à Constituição da República, que é só a Lei Fundamental, só por brincadeira é que se pode achar que é este «caso Sócrates» que vai «medir» a «qualidade» da nossa Justiça, das instituições ou da nossa democracia. Ou é fanatismo ou é humor. Como fanatismo é deplorável e doentio; como humor é um autêntico fracasso.

Tem sido muito repetido esta semana que “à justiça o que é da justiça, e à política o que é da política”. É como quando o governo reage a chumbos do Constitucional dizendo que “vai acatar a decisão”. Ora, como se pudesse não o fazer. Como se assim pudesse não ser. Como se fosse possível num Estado de Direito e no pleno de respeito obrigatório pela lei fundamental, haver interferência política na justiça, ou vice-versa. A questão que porém se coloca é esta: porque será que altos responsáveis de PS, PSD e CDS repetem à exaustão que “é preciso garantir a separação de poderes”? Porque sentem eles a necessidade de reafirmar a toda a hora e a todo o momento que essa separação deve ser salvaguardada? Não deveria ser um dado adquirido? Que sabem eles que nós não sabemos? Não têm sido eles – e só eles – os responsáveis políticos pelas leis aprovadas no parlamento e que regem as instituições democráticas? Não têm sido eles – e só eles – os guardiões da democracia? Quem é que tem legislado, decidido, organizado as funções do Estado? Enquanto alguns veem no “à justiça o que é da justiça, e à política o que é da política” a mera circunstância ou apenas a constatação do óbvio, talvez não fosse pior que houvesse alguma cautela e uma atenção redobrada. De todos.

A detenção particular de José Sócrates não é algo que deva causar especial satisfação a quem quer que seja. Nem por sombras. A detenção para interrogatório, ainda que diferente da convocação para um normal inquérito em tribunal, mesmo assim vale o que vale. Mas ter isso presente não significa não ter convicção, ou não fazer um juízo prévio, ainda que elementar, face às notícias e face aos visados. Negá-lo ou condenar quem o faz é pura hipocrisia. Contudo, há que fazer um esforço no sentido de olhar a montante, ao patamar da origem do problema, e de um modo geral não apenas por convicção mas também por constatação, que é a corrupção e a sucessão de casos de crimes de natureza essencialmente económica e financeira que desde o agudizar da crise vieram à tona no nosso país. Há que perceber o que é que verdadeiramente liga, potencia, permite os vários casos de corrupção – uns confirmados, outros por confirmar – e o que contribui para a degradação da política e da democracia. Dê lá por onde der este ou aquele caso em particular, o problema não é e nunca será só «aquele ministro», «aquele ex-ministro» ou «aquele banqueiro». São anos, décadas, de maus governos e maus governantes. São anos de leis ideologicamente concebidas, de políticas a preceito de uma determinada lógica de promiscuidade e favorecimento entre poder político e poder financeiro. São legislaturas inteiras pautadas pela submissão das regras da democracia às regras da finança. É todo um sistema poderoso e corporativista, manhoso, oculto, esperto, promíscuo, que perpassa, resiste, conspira e patrocina a alternância entre PS, PSD e CDS, não lhe importando, não lhe fazendo mossa, que o líder se chame Sócrates, Passos Coelho, António Costa ou Paulo Portas. E enquanto não se cortar o mal pela raiz, enquanto o país não perceber que tem de correr de uma vez por todas com os partidos que nos têm governado, o problema vai continuar lá, com repercussões no presente e no futuro de todos os portugueses.

 Publicado por Ivo Rafael Silva em manifesto74.blogpost. pt





 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ISTO HÁ GENTE MUITO ARROGANTE


Quem é que estes trabalhadores da recolha do lixo pensam que são para, com este gesto de devolverem o dinheiro que encontraram, se atreverem a dar lições de moral aos Salgados, Varas, Loureiros, à malta dos vistos gold, aos muitos e variados bandos de Ali Babás de colarinho branco?

Numa altura em que as elites da pátria, banqueiros, empresários, governantes, altos quadros da administração pública, se entregam freneticamente à troca de favores, corrupção e roubo, não é mesmo um desaforo vir este pessoal, que ganha para aí uns 500 e poucos euros mês, mostrar que ainda há gente séria neste país?

Eu sei que entregar ao dono o dinheiro perdido não é ilegal, e portanto não será possível pôr-lhes um processo em cima, mas têm de concordar que gestos destes não podem passar impunes, por isso daqui apelo ao senhor prior lá da paróquia a fineza de lhes fazer ver que a soberba é um dos 7 pecados capitais, os convidar a confessar, arrependerem-se e a rezar 30 Pais Nossos. 

J. Eduardo Brissos (em Blog a esssencia da polvora)

Felgueiras... Brasil...

A jornalista locutora Sandra Felgueiras insistia num encontro com comentadores -convidados de forma ostensiva que o ex-presidente do Brasil Lula da Silva não estava ainda preso!

Sorri. E apeteceu-me dar uma gargalhada com uma associação que fiz: Felgueiras....Brasil... Felgueiras... Brasil...

E ouvindo o advogado de Braga Artur Marques, um seu convidado, a defender a "inocência" de Sócrates, essa "vitima" do "PREVERSO" sistema judicial português, relembrei a associação;  Brasil... Felgueiras... Brasil... Felgueiras...

Afinal isto está tudo ligado!

CR

DEAD COMBO - Povo Que Cais Descalço



"Um país abandonado, deixado à mercê de um destino que não se vislumbra no horizonte. Um povo descalço, que cai a cada passo que dá, empurrado por uma gigantesca mão feita de aço. Paisagens inóspitas arrancadas, à força, do coração de que é feito esta gente. Um coração que bate, forte, indestrutível. O povo que cai, mas que se ergue sempre após cada queda e continua a caminhar. O povo que é o país, o povo que somos nós. Todos." 

Dead Combo



domingo, 23 de novembro de 2014

a cuspidela da serpente

a serpente chamada Luis Delgado comentou na SIC Noticias que "todos os partidos tiveram dirigentes, membros de governo ou deputados a contas com a justiça!".

Sendo obviamete falso, não deixa de corresponder á verdade da serpente. Para ela os partidos que existem no leque limitado da sua inteligência e na visão restrita da sua cegueira politica, são três: o PSD, o PS e o CDS.

o roto e o nu

Ouvindo as carpideiras do PS, do PSD e do CDS, falando sobre a "triste sina" de Sócrates, só me lembro da história do ROTO e do NU.

Com toda a hipocrisia do mundo, "lamentando" pesarosos, eis Santana Lopes, Marques Mendes, António Costa, num exercício de magia que procura desviar atenções...

relembrar, relembrar sempre...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

pois não?

O PSD e o PS apresentaram uma proposta conjunta de alteração ao Orçamento visando acabar com a suspensão do pagamento de subvenções vitalicias a antigos titulares de cargos politicos.

Couto dos Santos (PSD) e José Lelo (PS) entenderam-se para através da via legislativa readquirem para si e seus pares  uma regalia imoral no contexto de cortes a pensionistas e reformados.

PS e PSD votaram a favor, o CDS, mais envergonhado, absteve-se, o PCP e o BE votaram contra.

O PCP só admitiu uma excepção á suspensão, que seria o pagamento do subsidio vitalicio num caso de subsistência .

Os Partidos não são todos iguais, pois não?

CR

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Lenny Kravitz - The Chamber

O CERCO DE KNIGHTSBRIDGE

O jornalista australiano Julian Assange está há mais de dois anos na embaixada do Equador em Londres, onde em fuga se refugiou. Sobre ele, incidem um Mandato de Prisão Europeu e um “alerta vermelho “ da Interpol.

O fundador da WikiLeaks, assim considerado criminoso, tinha divulgado uma série notável de informações secretas sobre política internacional, que mostravam quão cínica e criminosa é a actividade das potências internacionais dominantes, a começar pelos Estados Unidos da América. Mas essa actividade de Assange incomodou sobremaneira departamentos governamentais, embaixadas, sedes de serviços de inteligentzia, que retaliaram procurando eliminar a todo o custo o mensageiro.

Uma das tácticas seguidas (que não a única) consistiu em denegrir e enlamear Assange, com o pretexto de uma suposta violação na Suécia de duas mulheres em 2010. As autoridades suecas mostraram-se inopinadamente activas em suposições e interrogatórios a Assange, referindo que as alegações das mulheres  pretensamente molestadas sexualmente constituíam base real para processo e julgamento, que nunca deixaria de ser um processo legal baseado em razões politicas.

Mas não deram qualquer garantia que Assange nunca seria extraditado para os Estados Unidos da América. Aí esperava-o um processo criminal á medida, uma caça á organização WikiLeaks que revelou crimes gigantescos no Afeganistão e no Iraque, com milhares de civis mortos e o desprezo pela soberania e direito internacional, como se comprovava nos telegramas diplomáticos.  Assange, catalogado como ciber-terrorista por Washington, poderia ter o mesmo destino do soldado Bradley: sentença de 35 anos de prisão, após um isolamento e tortura de cerca de 3 anos.   

A Suécia, como cão de fila, lamentavelmente submeteu-se de forma continuada á pressão dos Estados Unidos em questões de direitos civis. Um Assange sob custódia das autoridades suecas ficaria muito mais perto de ser entregue aos esbirros da administração Obama. Acumulam-se provas de que assim seria. E quanto á credibilidade das acusações, nenhuma mulher, afinal, diz ter sido violada, ao contrário do exposto nos jornais suecos, privados de qualquer fundamento ético.

Numa primeira fase a Promotora Chefe de Estocolmo encerrou o processo, depois de 4 dias de averiguações.  Posteriormente surgiu Claes Borgstrom, advogado e político ambicioso, ligado ao centro-esquerda sueco e uma nova promotora, que reabriram o processo.

Desde logo, os serviços militares secretos diziam que os seus colegas americanos se dispunham a cortar relações, se Assange beneficiasse de abrigo da justiça sueca.

Na Suécia não há a obrigação de libertar uma pessoa 48 horas após detenção, se não se concretizar a acusação, nem há liberdade sob fiança, antes é pelo menos uma semana de restrição total de comunicações. Na Suécia o direito de recurso a tribunais superiores é muito restrito.

As circunstâncias dos interrogatórios no caso Assange não respeitaram regras  e procedimentos comuns a casos de violação.

A maioria dos juízes dos tribunais de primeira instância suecos é nomeada pelos partidos políticos, o que é singular e condiciona como no caso presente a sua independência, dando-se a circunstância de haver tropas suecas no Afeganistão, sob comando norte-americano.  

Preso em esquadra da polícia em Londres, posteriormente em prisão domiciliária, Assange predispunha-se a ser interrogado pela procuradora sueca, em Londres. Mas ela, sem justificação, não aceitou. Acossado pelas polícias dos países citados, traído vergonhosamente pelo seu país de origem, a Austrália, Assange refugiou-se em segurança no território diplomático do pequeno país da América Latina.

Agora o cerco de Knightsbridge continua. Para escárnio das instituições inglesas, também elas reféns das mentiras e dos agentes da guerra. Para escárnio da consciência mundial. Obama, Cameron, os militares da NATO e os políticos suecos visados são o mesmo lixo!


CR

humor (negro)


domingo, 16 de novembro de 2014

CAMARADA



Camarada é uma palavra bonita. Sempre. E assume particular beleza e significado quando utilizada pelos militantes comunistas.
O camarada é o companheiro de luta – da luta de todos os dias à qual dá o conteúdo de futuro, transformador e revolucionário que está na razão da existência de qualquer partido comunista; o camarada é aquele que, na base de uma específica e concreta opção política, ideológica, de classe, tomou partido – e que sabe que o seu lugar é o do seu partido, que a sua ideologia é a da classe pela qual optou; o camarada é aquele com cujo apoio solidário contamos em todos os momentos - seja qual for o ponto da trincheira que ocupemos e sejam quais forem as dificuldades e os perigos com que deparamos; o camarada é aquele que nos ajuda a superar as falhas e os erros individuais - criticando-nos com uma severidade do tamanho da fraternidade contida nessa crítica; o camarada é aquele que, olhando à sua volta, não vê espelhos...: vê o colectivo – e sabe que, sem ter perdido a sua individualidade, integra uma outra, nova e criativa individualidade, soma de múltiplas individualidades; o camarada é aquele que, vendo a sua opinião minoritária ou isolada, mas julgando-a certa, não desiste de lutar por ela – e que trava essa luta no espaço exacto em que ela deve ser travada: o espaço democrático, amplo, fraterno e solidário, da camaradagem; o camarada é aquele que, tão naturalmente como respira, faz da fraternidade um caminho, uma maneira de ser e de estar - e que, por isso mesmo, não necessita de a apregoar e jamais a invoca em vão; o camarada é aquele que olhamos nos olhos sabendo, de antemão, que lá iremos encontrar solicitude, camaradagem, lealdade – e sabemos que esse olhar é uma fonte de força revolucionária; o camarada é aquele a cuja porta não necessitamos de bater – porque a sabemos sempre aberta à camaradagem; o camarada é aquele que jamais hesita entre o amigo e o inimigo – seja qual for a situação, seja qual for o erro cometido pelo amigo, seja qual for a razão do inimigo; o camarada é o que traz consigo, sempre, a palavra amiga, a voz fraterna, o sorriso solidário – e que sabe que a amizade, a fraternidade, a solidariedade, são valores humanos intrínsecos ao ideal comunista; o camarada é aquele que é revolucionário – e que não desiste de o ser mesmo que todos os dias lhe digam que o tempo que vivemos é coveiro das revoluções.
Camarada é uma palavra bonita - é uma palavra colectiva: é tu, eu, nós: é o Partido. O nosso. O Partido Comunista Português.

José Casanova (1939-2014)


UM MOMENTO IMPORTANTE (III)


Falarei hoje da contracção de empréstimo para saneamento financeiro pela Câmara Municipal de Paredes. Obviamente só pede empréstimo quem acha que precisa de recursos financeiros para pagar compromissos anteriores e/ou para promover investimentos. Dois aspectos merecerão avaliação prévia. Um, é a situação financeira da Câmara Municipal, transcrita em documentos que não deverão ser questionados na sua credibilidade, passado o crivo de entidades de controlo. O segundo, é o rigor da gestão, a sua eficácia, que pode ser medido e mesmo avaliado por cada cidadão.

Historicamente em 2010 foi contratado um financiamento de 9 milhões de euros a 20 anos para financiar a parte não comparticipada pelos fundos comunitários em relação á construção dos Centros Escolares. Diz agora o PS que sobre esse empréstimo nada disse (Acta, Reunião do Executivo de 7 de Outubro de 2014).

Percebo. Era o tempo do célebre “namoro” entre Maria de Lurdes Rodrigues e Celso Ferreira, e, havendo concordância com o objectivo político de centralizar as escolas existentes em Centros Escolares construídos de raiz, independentemente de obras realizadas nas escolas muito recentemente, claramente o PS (e o CDS) nada podiam dizer. Não podiam dizer que havia (e houve) gastos injustificados, nem que a construção de acessos ficaria como compromisso altamente dispendioso (quando construídos…), nem que aumentariam exponencialmente as verbas atribuídas a transportes e refeições. Não puderam dizer então, porque politicamente seria um desastre, que se “hipotecava (com os Centros Escolares) o futuro da Câmara de Paredes”. Ou que se “empurrava a dívida para as gerações vindoiras”. Embora fosse verdade… as escolas “mais modernas do mundo” ficaram na sua construção e na sua despesa corrente de funcionamento excessivamente caras.

Mais tarde, com o PAEL, o Governo e as Câmaras mais endividadas assumiram o compromisso contratual de regularizar dividas vencidas há mais de 90 dias. Paredes financiou-se assim em 2012 em 20 milhões de euros por um período de 14 anos. Hoje pretendeu a Câmara assumir novo empréstimo em instituição de crédito, neste caso a CGD, de 20 milhões de euros por um período de 14 anos. O spread parece vantajoso, a instituição de crédito não colocou aparentemente dúvidas sobre o plano de pagamentos. O Plano de Saneamento elenca um conjunto de pressupostos e justificações a considerar, nomeadamente: forte redução das receitas municipais, compromissos ruinosos com o Estado com a Lei de Orçamento, Lei das Finanças Locais, vontade de manutenção de investimentos, etc. Acredito que muito do falado corresponde á verdade.

Dito isto, e tal como foi referido anteriormente, compete ao PSD , de acordo com a Lei , os limites de execução orçamental, e objectivos sociais que julgue aceitáveis,  administrar financeiramente a autarquia. Possui a legitimidade democrática e assume a completa responsabilidade política.

Importava contudo fazer a denúncia da opacidade de gestão da Câmara de Paredes. O Índice de Transparência Municipal, elaborado pela Transparência e Integridade – Associação Cívica, aplicado ao Concelho de Paredes, coloca-o como Insuficiente, na posição 161 do Ranking nacional. E baixou dois lugares desde o ano anterior. Independentemente dos limites desta classificação, importa reconsiderar a disponibilização da informação relevante disponível.

CR


Sugestão de cinema - Hours




Na madrugada de 29 de agosto de 2005, Nolan Hayes (Paul Walker) chega ao hospital de New Orleans com a mulher Abigail grávida e em trabalho de parto. Mas aquele que devia ser um dos dias mais felizes da sua vida fica rapidamente fora de controlo com o trágico nascimento prematuro da sua filha e com o furacão Katrina a devastar o hospital, obrigando à sua evacuação. Nolan e a sua filha prematura, ligada a um ventilador, aguardam pela chegada da ambulância para a transferência para outro hospital, mas o avanço das inundações e uma falha de energia acabam por isolá-los do resto do mundo. Quando ninguém regressa para o ajudar, Nolan vê-se obrigado a tomar decisões de vida-e-morte uma após a outra, lutando para manter a filha viva, com os minutos a parecerem "Horas" inimagináveis...

Um retrato impiedoso da sociedade americana, desumanizada e violenta.
FICHA TÉCNICA
Filme com 97 minutos, de 2013
Realização: Eric Heisserer

O USO DA NATO DE UM FALSO VÍDEO VIRAL , DE UM PRETENSO HERÓI SÍRIO, PARA INVADIR A SÍRIA



Era um vídeo presente e viral no YouTube. Mostrava um jovem alegadamente sírio a salvar outra criança durante um tiroteio na Síria. Em fundo vozes de refugiados sírios, proclamando o habitual Allahu Akbar! ("Deus é grande!"). A legenda, mesmo que ausente,  estava implícita: o tiroteio, a barbárie, tinha como autores as forças de Bashar al Assad, o Presidente Sírio.

Após 5 milhões de visualizações, depois de ter formatado inumeras consciências, surgiu a VERDADE: o vídeo é uma encenação, filmado na ilha de Malta, com actores profissionais. O realizador é  um noruego de nome Lars Klevberg, e a sua mistificação foi financiada pelo Instituto Norueguês do Filme e pelo Fundo do Audiovisual do Conselho das Artes da Noruega. Segundo o produtor á BBC, numa explicação estúpida,  "haveria pistas para que o video fosse interpretado como ficção"... como o facto de não se ver sangue na criança atingida....

Estamos no reino da mais abjecta manipulação que abrangeu certamente não apenas um medíocre e imoral realizador noruego, mas toda uma equipa de produção, com o patrocínio de responsáveis politicos e culturais da Noruega.

A NORUEGA COM ESTA INICIATIVA NÃO SÓ SUJOU A SUA CREDIBILIDADE COMO NAÇÃO INDEPENDENTE, DEMOCRÁTICA E COM VALORES, COMO SE COLOCOU NA PRIMEIRA LINHA DO APOIO AO TERRORISMO INTERNACIONAL.

Relembrei o massacre perpetrado por um nazi noruego de nome Anders Breivik no campo de férias da juventude social democrata, na ilha de Utoya, com 68 mortos.
E mais longínqua na História, a actividade nazi na Noruega do século passado, com a ocupação de 1940 a 1945 e a participação de franjas da população organizados na União Nacional.

E RELEMBREI SOBRETUDO IDÊNTICAS MANIPULAÇÕES INFORMATIVAS EM SARAJEVO, NO KOSOVO, NO IRAQUE, NA REPUBLICA DEMOCRÁTICA DA COREIA OU EM CUBA.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O DIA EM QUE O GOVERNO NÃO CAIU

PUBLICADO POR LÚCIA GOMES



Pessoas detidas são 11. Presidente do Instituto de Registos e Notariado. Director-Geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Secretária-Geral do Ministério da Justiça. Buscas no Ministério do Ambiente. Buscas no escritório de Luis Marques Mendes, Ana Luisa Figueiredo, Miguel Macedo e Jaime Couto Alves Gomes, uma empresa de consultoria e gestão.

Marques Mendes é dirigente do PSD e foi recentemente nomeado Presidente do Conselho Consultivo da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, E.P.E., pelo Ministro Paulo Macedo(Despacho n.º 13477/2014).

Miguel Macedo é Ministro da Administração Interna e reconduziu Manuel Palos, nomeado por António Costa, para Director-Geral do SEF.

Albertina Gonçalves é Secretária Geral do Ministério do Ambiente e sócia de Miguel Macedo numa sociedade de advogados.

Ana Luísa Figueiredo é filha do presidente do IRN tem uma empresa chamada Golden Vista Europe e é sócia, noutra empresa de Marques Mendes e Miguel Macedo.

Paula Teixeira da Cruz, Ministra da Justiça tinha já dado garantias à Procuradoria Geral da República de ter afastado as pessoas eventualmente ligadas a quaisquer suspeitas.

Estamos a falar de corrupção de Estado. Ao mesmo tempo que altos representantes se exaltam com a corrupção noutros países, os ministérios do Governo de Portugal estão a ser objectos de buscas e representantes estão a ser detidos.

Entretanto: o BES invoca sigilo bancário e recusa documentos ao parlamento. O Primeiro-Ministro invoca sigilo bancário e não permite qualquer investigação no caso Tecnoforma. Isto quando a lei obriga ao levantamento do sigilo bancário de qualquer cidadão que peça apoio judiciário, prestações sociais como subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego ou rendimento social de inserção para sobreviver.

Entretanto: no caso BPN são absolvidos arguidos.

Entretanto: o Presidente da República condecora Zeinal Bava, suspeito de corrupção e tráfico de influências na PT. A campanha de Cavaco teve como principais donatários a família Espírito Santo.

Entretanto: privatiza-se a TAP.

24 horas de Governo de Portugal. E neste dia o Governo não caiu. Ninguém se demitiu. Nenhuma entidade pediu responsabilidades. O Presidente da República não dissolveu a Assembleia da República.

O Primeiro-Ministro continua a ser Passos Coelho. O Ministro da Economia ainda é Pires de Lima. O Vice Primeiro-Ministro ainda é Paulo Portas. A Ministra da Justiça ainda é Paula Teixeira da Cruz. O Ministro da Saúde ainda é Paulo Macedo. E por aí fora.


(em manifesto74.blogspot.pt)

O TERRORISMO AO VIVO

http://actualidad.rt.com/video/actualidad/view/146887-terrorista-viuda-blanca-eliminada-este-ucrania

Extra oficialmente soube-se que a terrorista britânica, considerada uma das mais perigosas do mundo, e chamada de “viúva branca”, foi abatida por um franco-atirador das forças de autodefesa do Dombass, quando pertenceria ao batalhão Aidar pró Junta de Kiev.

A informação apareceu no portal ucraniano ‘Regnum’. “A terrorista foi eliminada há duas semanas perto da localidade de Debáltsevo, no leste da  Ucrânia, ponto controlado por Ucrânia”, informou o portal.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico indicou que tenta confirmar a informação. Samantha Lewthwaite, de 30 anos, procede do condado de Buckinghamshire.

‘A viúva branca’ é considerada como a principal instigadora do massacre perpetuada pelo grupo islamita Al Shabab no centro comercial Westgate de Nairobi, onde faleceram pelo menos 72 pessoas.

O seu marido, Germaine Lindsay, um britânico de origem jamaicana, foi um dos bombistas suicida no atentado contra o sistema de transportes de metropolitano de Londres a 7 de Julho de 2005, que matou 26 pessoas.

Ela era uma jovem tímida que se converteu ao Islão aos 15 anos e se dedicou ao estudo de Política e Religião na conceituada School of Oriental and African Studies de Londres.

A sua foto aparece num passaporte da África do Sul com o nome de Natalie Webb, emitido em 2011.

Os milicianos pró-independentistas declararam reiteradas vezes que mercenários estrangeiros lutam ao lado das tropas de Kiev.

Kiev não se dá conta que os elementos incontroláveis que combatem ao lado dos militares ucranianos perseguem seus próprios interesses e os das potências que os dirigem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

o parquimetro COSTA


HENRIQUE MONTEIRO

O PAÍS DOS CORRUPTOS

O ex-adjunto do antigo secretário-geral do CDS-PP João Rebelo, entre 1998 e 2000 (altura em que o partido já era presidido por Paulo Portas) e actual administrador da CinePicture Portugal Studios SA, Luís Varela Marreiros, está entre os cinco detidos em Portimão por suspeitas de corrupção, administração danosa, branqueamento de capitais e participação económica em negócio. Mais recentemente, em Março de 2013, o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, levou o antigo parceiro Marreiros na visita oficial que fez à Índia.


Nesta deslocação, o ex-candidato centrista à Câmara do Cadaval (1997) e em 2013 presidente da Assembleia de Freguesia da Lapa, em Lisboa, em representação do CDS, assinou um acordo com uma empresa indiana de filmes.  

Assim se prova que a produção nacional de MAFIOSOS dava um GRANDE FILME!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SALVAR A CRIANÇA? FAÇAM UM EMPRÉSTIMO!

PUBLICADO POR IVO RAFAEL SILVA


Julgo que hoje já não são tão poucos assim os que, neste país, têm consciência de estarmos a ser governados por um bando de gente fanática, desprovida de humanidade, extremada, radical, fundamentalista do dinheiro e do financeirismo sem escrúpulos. A coisa acaba de atingir porém o cúmulo da nojice, da indignidade, e faltam-me adjectivos que expressem a real dimensão da minha indignação e repulsa, face à “solução” encontrada pelo governo para “ajudar” os pais da criança prematura em risco de morte no Dubai. Quem nos conta é a própria mãe na sua página do facebook.

A solução do estado português – inevitavelmente estamos “todos” envolvidos nesta carapaça que face a este caso nos envergonha perante nós próprios e perante o mundo – para uma criança que pode morrer e para uns pais que podem ser arrastados para a miséria por tentarem salvar a vida de uma filha, é o estado patrocinar ou “conceder” um empréstimo bancário com hipoteca dos bens não só dos pais como também dos ascendentes (avós). Ou seja, a solução deste governo, que enterra milhões na banca para resolver problemas causados por banqueiros e oligarquias corruptas, no que diz respeito a salvar uma família da tragédia da perda de uma filha por falta de tratamento adequado, passa, não só por sacrificar a vida inteira dos pais da criança, como também da sua restante família. A solução do bando que nos governa para salvar a vida de seres humanos, é a mesma que se “arranja” para resolver um qualquer problema financeiro: faz-se um empréstimo, arranja-se uma dívida, negoceiam-se “benevolamente” uns bons juros para se pagar uma vida toda. O desabafo desesperado da mãe da criança é evidente: “Se é essa a única opção que o estado português tem para nos oferecer então prefiro esgotar todo o dinheiro e tudo o que tenho e depois entrego-me as autoridades.”

Que merece um governo destes? Que merecem estes ministros e secretários de estado? Que merece esta coligação hipócrita que tem um partido que se clama “defensor da vida” e “da família”? Que merece quem, perante a evidência destas vergonhosas atitudes, ainda tem o desplante de os apoiar e sustentar? A paciência há-de manter-se por mais quanto tempo? Quantos mais episódios destes terão de se suceder? Até quando?

(em manifesto74.blogspot.pt)



terça-feira, 11 de novembro de 2014

NOTA DE IMPRENSA

A Comissão Concelhia de Penafiel do PCP tem tido várias intervenções sobre a prevalência de tuberculose no Concelho e agora, como no passado, tornámos a despoletar o problema na Assembleia da República, que através dos nossos deputados da região colocaram cinco perguntas ao governo acerca da falta de uma técnica radiologista.
Há já vários meses, em resultado da aposentação da única Técnica de Radiologia do Centro de Diagnóstico Pneumológico, anexo ao ACES TÂMEGA II - Vale do Sousa Sul, que esta unidade não tem possibilidade de utilizar os equipamentos existentes para a realização dos respetivos exames.
Todos os utentes que necessitam de realizar estes exames são encaminhados para o sector privado, com óbvios custos para o Estado e gastos de tempo acrescidos para os utentes. Esta situação reflete a opção política do Governo PSD/CDS, que não substitui a Técnica de Radiologia que se aposentou, escolhendo empurrar para o privado aquela que deve ser uma resposta pública, para além de não estar a utilizar a capacidade instalada do SNS.
É importante sinalizar que esta é a região do Pais com maior incidência de casos de tuberculose, pelo que a intervenção do Estado, nomeadamente através do SNS, deve ser reforçada.
Não deixa de ser “caricato” que estejam a decorrer, na região, sessões de esclarecimento junto da população sobre a tuberculose, designadamente fatores de risco, prevenção e tratamento, ao mesmo tempo que o Governo nega o acesso a um serviço público de saúde – os equipamentos técnicos e as condições para realização de exames e tratamento existem, mas falta o profissional de saúde que o Governo não substituiu.
Da Constituição da República Portuguesa emana o Serviço Nacional de Saúde – universal, geral e dirigido a todos, independentemente das condições económicas e sociais. Os consecutivos cortes orçamentais, impostos por sucessivos governos PS e do atual (PSD e CDS-PP), têm conduzido a uma crescente degradação do Serviço Nacional de Saúde, traduzindo-se na carência de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes administrativos, assistentes operacionais e outros profissionais de saúde, bem como na crescente precarização daqueles que estão em funções, colocando em causa a qualidade e a eficiência dos cuidados de saúde prestados.
Ao mesmo tempo que se vai desmantelando o Serviço Nacional de Saúde, os utentes são encaminhados para o sector privado, no seu claro favorecimento, espelhando a matriz ideológica do Governo PSD/CDS.
O PCP solicitou ao Governo que, por intermédio do Ministro da Saúde, envie os seguintes esclarecimentos:
1. Conhece o Governo a situação descrita?
2. Como é que o Governo avalia a situação acima descrita?
3. Porque motivo não foi substituída a Técnica de Radiologia que se aposentou?
4. Quando será aberto procedimento concursal para a contratação de Técnicos de Radiologia,
de forma a serem realizados os respetivos Raio X neste equipamento de saúde?
5. Quantos exames radiológicos foram realizados nos últimos 3 anos pelo Centro Pneumológico do ACES Tâmega II – Vale do Sousa Sul?

Penafiel, 11 de Novembro de 2014


A Comissão Concelhia de Penafiel do Partido Comunista Português

REGISTOS DA HISTÓRIA

Foi publicada a notícia na edição de 4 de Maio de 2007 de O Progresso de Paredes. A Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, no âmbito da iniciativa Novas Oportunidades, assinava na Maia um protocolo de colaboração entre o Ministério, várias instituições de ensino secundário e superior, e centros de formação profissional.

O autarca de Paredes falou, a crer na notícia, como representante das autarquias. Celso Ferreira descreveu a realidade educativa do concelho, e falou da Carta Educativa, então em projecto. E empolgado certamente pela presença da senhora Ministra, salientou que o seu concelho “teria cerca de 100 mil habitantes” (!) e com “apenas 40 idosos por cada 100 jovens”. Apresentou-se como redentor da qualificação da comunidade.

Estava dado o sinal para uma solene afirmação: Paredes não tinha escolas que se “enquadrassem nos requisitos de encerramento”, como o de ter menos de 50 alunos. Apesar disso, “mais papista que o papa”, ultrapassando as próprias directrizes orientadoras do Governo, comprometia-se a encerrar 62 estabelecimentos de ensino, concentrando tudo em 27 centros escolares.

Maria de Lurdes Rodrigues elogiou de imediato a “visão estratégica do Presidente da CM de Paredes”. E Celso, cada vez mais empolgado, falou de uma eminente “diversificação da oferta formativa” e de uma “abertura do leque de emprego para os jovens”.

Era 2007, um enamoramento estratégico entre uma Ministra contestadíssima na comunidade escolar, nomeadamente pelos docentes, e um autarca com ilusões de poder ser alguém com obra nacional. Celso era a mão do pensamento obtuso da “Milu”.

Depois vieram os tempos de chumbo, do endividamento com os centros escolares, dos transportes e das refeições, dos resultados educativos medíocres, das saídas profissionais limitadas, do desemprego jovem, da emigração.

CR

domingo, 9 de novembro de 2014

O DIA DOS MUROS


REGISTOS DA HISTÓRIA

Memória de um parlamentar comunista que não sabia ler

Há precisamente 30 anos, ao entrar pela primeira vez no Palácio de São Bento, Jerónimo de Sousa não fazia a mínima ideia de "como era isso de ser deputado". Quando o DN lhe propôs um regresso às memórias dessa época, o actual secretário-geral do PCP lembra a ruptura que se registou entre a velha Assembleia Nacional da ditadura e a Assembleia Constituinte que contribuiu decisivamente para firmar os alicerces do regime democrático. "Vínhamos de uma assembleia fascista, com uma composição muito classista, onde um operário não tinha entrada."
Nesse mês de Junho de 1975, o contraste não podia ser maior até o PPD e o CDS exibiam operários na sua bancada. Mas nenhum outro grupo parlamentar como o PCP tinha tantos membros da classe trabalhadora.
Um desses operários, oriundo de Alpiarça, era António Malaquias Abalada - um operário agrícola já idoso que mal sabia ler ou escrever. Ao fazer uma das suas primeiras intervenções no plenário, com um discurso escrito na mão, este deputado começou a ser alvo de chacota generalizada, bem perceptível em diversas bancadas da Constituinte. Um episódio que indignou Jerónimo de Sousa.
Três décadas volvidas, o dirigente máximo do PCP guarda todos pormenores da cena, que reconstitui com visível emoção.
"Aconteceu num dia em que se discutia uma norma transitória que o PS e o PPD acabaram por incluir na Constituição da República. Esta norma, na altura, permitiu a libertação de todos os Pides. Esse meu camarada António Abalada, que tinha passado pelas masmorras da PIDE, fez então uma intervenção, naturalmente sentida. Mas lia de forma muito deficiente - gaguejante, soletrando mal as palavras. Então a Assembleia Constituinte desatou numas gargalhadas visivelmente humilhantes", recorda Jerónimo de Sousa.
O que se passou então? O secretário-geral dos comunistas continua a lembrar o episódio "Então esse meu camarada largou o papel que tinha na mão e falou assim: 'Estão-se a rir de mim porquê? Por eu não saber ler? Pois: é que eu, aos sete anos, já andava a guardar gado; aos 17, fui preso pela PIDE. E quando fui preso não me perguntaram se eu era do CDS ou do PS ou do PPD. Perguntaram, isso sim, se eu era do Partido [Comunista Português]. E foram os meus camaradas intelectuais deste partido que me ensinaram as poucas letras que eu conheço'."
Aquelas frases espontâneas, proferidas como reacção à deselegância dos restantes deputados, constituíram uma autêntica lição de vida. "A verdade é que o hemiciclo emudeceu. E o camarada Abalada lá continuou a ler - manifestamente mal, como já fizera anteriormente - a sua intervenção sobre a tal norma transitória", recorda Jerónimo de Sousa, também ele com raízes operárias.
Mesmo com tantos anos decorridos, a emoção é visível na face do secretário-geral comunista ao desfiar esta memória dos seus tempos de deputado constituinte. "Aquele foi um dos momentos mais impressionantes que eu testemunhei no hemiciclo de São Bento, no sentido de classe. E foi também uma lição para a arrogância intelectual de muitos deputados", conclui Jerónimo de Sousa.
(em DN, 2 de Junho de 2005)

sábado, 8 de novembro de 2014

JUNCKER, UM PILHA-GALINHAS

Não é uma marca de eletrodoméstico, como o nome nos sugeriria, mas é uma grande “peça”. Juncker é acusado de ter feito acordos fiscais secretos com mais de 300 empresas para as ajudar a fugir aos impostos nos países onde estão sediadas. É o LuxLeaks.

Jean Claude Juncker foi primeiro ministro do Luxemburgo durante 18 anos e é o actual e recente Presidente da Comissão Europeia. Durante 8 anos, grandes empresas multinacionais como a Pepsi, a IKEA, a APPLE, usaram a “benevolência” de Juncker e as práticas do Luxemburgo contrárias á lei comunitária para poupar milhares de milhões de euros.

Recordemos a lengalenga de Juncker de que os países deviam pagar sanções caso não cumprissem os compromissos da chamada “consolidação orçamental”. As palavras “responsabilidade e “rigor” jorravam da sua boca como o ar que respirava. Eleito pelo PPE, o maior grupo parlamentar no Parlamento Europeu, com 221 deputados, Juncker hipocritamente exprimia “confiança” no destino da Europa, enquanto promovia a concorrência fiscal desleal entre países que partilham o mesmo mercado e a mesma moeda. Juncker insultava de forma explícita o eurodeputado João Ferreira quando se alheava das perguntas então feitas, num momento deplorável. Juncker gabava-se de ter vizinhos portugueses com quem, dizia, se inteirava da sua situação. Mas a Grécia, Chipre e Portugal eram etiquetados como os países do lazer e da preguiça, enquanto no Grão Ducado alguém na sombra promovia o desaparecimento das suas justas receitas fiscais. E o povo pagava com austeridade…

O Grupo da Esquerda Unitária no PE desencadeou um processo de pedido de explicações ao tomar conhecimento dos resultados obtidos por uma Associação de Jornalistas de Investigação. Alguém informou que Juncker “está sereno” e se quer “á margem do processo”. O impagável Presidente do Eurogrupo, encontro de Ministros das Finanças da Zona Euro, um socialista holandês de nome Joroen Dijsselbloem, veio em defesa de Juncker, dizendo que achava que devia ser o actual primeiro-ministro do Luxemburgo a dar explicações. Nisto de corrupções, socialistas e conservadores europeus protegem-se mutuamente.

Li um comentário em que se dizia que “as empresas são amigas dos cidadãos”. Pois…

CR

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Petrus Castrus - Mestre



Petrus Castrus, em 1973

UM RECÉM-NASCIDO PREMATURO E UM RECÉM-FALECIDO TARDIO

O caso do recém-nascido prematuro, filho de portugueses, que nasceu no Dubai, merece ser analisado. 

Em primeiro lugar, é uma vergonha nacional (para o Governo, diga-se) que um novo cidadão português não possa ter a protecção necessária da comunidade em que se integra. É indesculpável que as autoridades portuguesas, e nomeadamente as da Saúde, não tenham desde logo assumido TODAS as despesas da estadia com cuidados necessários no hospital do Dubai. Se não é para isso que serve o Governo português, o Ministro da Saúde, ou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, para que serve? Será que um cidadão só tem direitos no espaço confinante das fronteiras? Ou tem estatuto diferente consoante o peso?

 Os governantes, sejam eles Cavaco, Coelho, Portas ou Macedo, permaneceram alheados de um drama, e mentalmente bloqueados de uma solução fácil: assegurar em nome do Estado TODAS as despesas do recém-nascido prematuro no Dubai.

E agora sujeitam-se a denúncias de irregularidades no processo de angariação de fundos, que torna ridículo o exercício do poder. E agora sujeitam-se a perguntas muito incómodas sobre a presença ou  não do embaixador em iniciativas de recolha de fundos. É uma VERGONHA!

Em segundo lugar, não restam  dúvidas para os portugueses e para o Mundo, que o Governo Português é incompetente, insensível e totalmente inepto em tomar decisões banais. Mas tudo se explica com a sua morte já tardia.


CR