um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

segunda-feira, 31 de março de 2014

texto importante (I)

 Ucrânia, autópsia de um golpe de Estado
 Ahmed Bensaada*

O movimento de protesto (chamado «Euromaidán») que a Ucrânia viveu recentemente é interessante a vários títulos. Demonstra como com apoio estrangeiro e sem intervenção militar se pode fomentar com êxito um golpe de Estado civil contra um governo democraticamente eleito. Desvela a flagrante parcialidade e a falta de integridade dos meios de comunicação dominantes ocidentais que, com argumentos falaciosos, apoiam cegamente o intervencionismo ocidental, e com uma visão maniqueísta da situação qualificam uns de bons e os outros de maus. E, mais grave, esboça ainda os até agora etéreos contornos do renascimento da Guerra Fria, que se acreditava enterrada com a queda do muro de Berlim. Finalmente, oferece-nos uma provável projecção da situação dos países «primaverados», na medida em que a Ucrânia conheceu a sua «primavera» em 2004, primavera essa geralmente denominada por «revolução laranja».
 Mas para compreender a actual situação da Ucrânia é primordial rever algumas datas importantes e os nomes dos principais actores da política ucraniana pós era soviética:

1991  Ucrânia separa-se da URSS.
1991-1994 Leonid Kravtchouk (ex-dirigente da era soviética) é o primeiro presidente da Ucrânia.
1991 Julia Timochenko cria a «Companhia de Petróleo Ucraniano».
1992-1993 Leonid Koutchma (pró-russo) é o primeiro-ministro sob a presidência de Kravtchouk. Demitir-se-á em 1993 para se apresentar às eleições presidenciais do ano seguinte.
1994-1999 Leonid Koutchma é o segundo presidente de Ucrânia.
1995 Julia Timochenko reorganiza a sua empresa para fundar, com a ajuda de Pavlo Lazarenko a companhia de distribuição de hidrocarbonetos «Sistemas Energéticos Unidos da Ucrânia» (SEUU)
1995 Pavlo Lazarenko é nomeado vice primeiro-ministro encarregado da energia.
1996 SEUU tem um volume de negócios de 10.000 milhões de dólares e obtém 4.000 milhões de lucros.
1996-1997 Pavlo Lazarenko é o primeiro-ministro sob a presidência de Koutchma.
1997 O presidente Koutchma desiste para Pavlo Lazarenko.
1998 A polícia suíça detém Lazarenko na fronteira franco-suíça e as autoridades de Berna acusam-no de branqueamento de dinheiro. Lazarenko é detido no aeroporto JFK de Nova Iorque. É condenado em 2004 por branqueamento de dinheiro (114.000 milhões de dólares), corrupção e fraude.
1999-2005 Leonid Koutchma é presidente de Ucrânia após a sua reeleição.
1999-2001 Viktor Iouchtchenko é primeiro-ministro sob a presidência de Koutchma. Julia Timochenko é vice-primeiro ministro encarregue da energia (lugar que tinha sido ocupado por Lazarenko).
2001 O presidente Koutchma desiste a favor Julia Timochenko em Janeiro de 2001. Esta é acusada de «contrabando e falsificação de documentos» por ter importado fraudulentamente gás russo em 1996, quando era presidente da SEUU. Timochenko é detida e passará 41 dias na prisão. A justiça investiga a sua actividade no sector da energia durante a década de 1990 e a sua relação com Lazarenko.
2002-2005 Viktor Yanukovich (pró-russo), delfim de Koutchma, é primeiro-ministro sob a sua presidência. A eleição presidencial opõe o primeiro-ministro Viktor Yanukovich e o ex primeiro-ministro e líder da oposição Viktor Yushchenko (pró-ocidental). Yanukovich ganha a segunda volta (49,46 contra 46,61%). Discutem-se os resultados já que, segundo a oposição, as eleições são fraudulentas.
2004 Revolução Laranja: Movimento de protesto popular pró-ocidental generosamente apoiado por organismos ocidentais de «exportação» da democracia, particularmente estadunidenses. Considera-se Julia Timochenko a inspiradora do movimento. O principal resultado desta «revolução»: anulação da segunda volta nas presidenciais. Organiza-se uma terceira volta das eleições: é eleito Viktor Yushchenko (51,99 contra el 44,19%).
2005-2010 Viktor Yushchenko é o terceiro presidênte da Ucrânia.
2005 (7 meses) Julia Timochenko é a primeira-ministra sob a presidência de Yushchenko.
2006-2007 Viktor Yanukovich é o primeiro-ministro sob a presidência de Yushchenko.
2007-2010 Julia Timochenko é a primeira-ministra pela segunda vez sob a presidência de Yushchenko.
2010 Eleições presidenciais. Resultados da primeira volta: primeiro, Yanukovich (35,32%); Segundo, Timochenko (25,05%) e quinto, Yushchenko (5,45%). Segunda volta: Yanukovich ganha a Timochenko (48,95% contra 45,47%).
2010-2014 Viktor Yanukovich é o quarto presidente de Ucrânia.
2011
Julia Timochenko é condenada a sete anos de prisão por abuso de
poder nos contratos de gás assinados entre a Ucrânia e a Rússia em
2009.


Um golpe de Estado plebiscitado pelo Ocidente

O que aconteceu na Ucrânia nestes últimos dias foi um autêntico golpe de Estado. Na verdade, o presidente Viktor Yanukovitch foi democraticamente eleito em 7 de Fevereiro de 2010 ao ganhar a Júlia Timochenko na segunda volta das eleições presidenciais (48,95% dos votos face aos 45,47%).

Evidentemente, Timochenko não aceitou imediatamente o veredicto das urnas. Seguramente que nalguma parte houve fraude já que ela era a primeira-ministra em exercício durante as eleições e Viktor Yushchenko era o presidente do país. As duas figuras emblemáticas da «revolução» laranja, amplamente apoiadas pelos países ocidentais, as mesmas pessoas que se supunha iriam fazer entrar a Ucrânia numa nova era, a da democracia e da prosperidade, foram folgadamente derrotados por um candidato pró-russo. E que candidato, Yanukovitch! A pessoa que tinha sido «assobiado» pelos activistas da onda laranja de 2004. Em menos de seis anos os ucranianos compreenderam que esta colorida «Revolução» não era uma revolução.

A 8 de Fevereiro de 2010, João Soares, presidente da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) declarou: «As eleições deram uma impressionante demonstração de democracia. É uma vitória para todo o mundo dada pela Ucrânia. Agora é o momento dos dirigentes políticos do país ouvirem o veredicto do povo e de fazerem com que a transição de poder seja pacífica e constructiva». Sem demasiada convicção mas perante a evidência do veredicto dos observadores internacionais, Timochenko acabou por retirar o seu recurso judicial à invalidação do resultado das eleições.


Os «indignados» da praça Maidán reprovam Yanukovitch por ter decidido suspender um acordo entre o seu país e a União Europeia (UE). E aqui coloca-se uma pergunta fundamental: em democracia e no quadro das prerrogativas da sua função, um presidente em exercício tem direito a assinar os acordos que considere benéficos para o seu país? A resposta é afirmativa, tanto mais quando muitos especialistas acreditam que aquele acordo era nefasto para a economia da Ucrânia.

CONT)

domingo, 30 de março de 2014

Complô turco para entrar na guerra aberta contra a Síria

Gravações de várias reuniões turcas da Secreta Nacional publicadas anonimamente no YouTube em 27 de Março de 2014 demonstram a existência de um complô do governo Erdogan para entrar em guerra aberta contra a Síria. Atacada de pânico, a administração cortou bruscamente o acesso dos cidadãos turcos ao YouTube ao mesmo tempo que denuncia uma violação do segredo militar.
Em 27 de Março de 2014, fragmentos de várias gravações de uma reunião da Secreta Nacional turca foram conhecidos na Internet.Segundo essas gravações, o governo de Recep Tayyib Erdogan preparou um falso ataque do Emirato Islâmico de Iraque e Levante (EIIL) contra o túmulo de Suleiman Shah, na Síria, para justificar uma intervenção do exército turco em território sírio.
Suleiman Shah, avô de Osmán I, fundador do Imperio Otomano, estava enterrado na cidade síria de Alepo. O seu túmulo foi deslocado em 1973 mas segue sendo um enclave extraterritorial turco em território sírio.
Em 20 de Março de 2014, o EIIL exigiu a retirada das tropas especiais turcas secretamente deslocadas na Síria y ameaçou com destruir o túmulo de Suleiman Shah si se ignorasse a sua exigência.
O problema que enfrentam os conspiradores turcos é que o EIIL tinha ocupado esse túmulo desde há meses sem que se produzisse qualquer reacção de Ankara. O que podia parecer una razão relativamente justificada, perde assim todo valor e se torna evidente que não passa de ser um simples pretexto.

Hakam Fidan, o chefe dos serviços secretos, sugere nas gravações o envio de quatro homens para a Síria no sentido de criar um pretexto através do lançamento de um míssil contra território turco e de um ataque orquestrado ao túmulo de Suleyman Shah.

- Ver mais em: http://manifesto74.blogspot.pt/2014/03/novos-planos-turcos-para.html#more

DIVERSÃO E DIVISÃO

A discussão foi lançada há uns anos pela Ordem dos Enfermeiros e conheceu neste domingo mais um episódio. O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, admitiu, em declarações ao Diário de Notícias, que o alargamento de competências dos enfermeiros deve ser estudado, nomeadamente a possibilidade de estes profissionais de saúde virem a prescrever alguns exames e a renovar receitas.
O bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, louvou as declarações, enquanto o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, voltou a mostrar-se contra a medida.
“É uma matéria que deve ser estudada e aprofundada sem qualquer limitação”, defendeu Leal da Costa, lembrando que outros países já o fizeram, deixando os médicos livres para outras funções essenciais.
Na saúde materna, a lei permite desde Março de 2009 que os enfermeiros obstetras façam vigilância das grávidas de baixo risco e lhes prescrevam exames, mas essas competências não têm sido exercidas na prática porque o Estado não financia os exames pedidos por estes profissionais.
Em 2012, na sequência de uma petição que recolheu mais de mil assinaturas, o Ministério da Saúde decidiu criar um grupo de trabalho com representantes da Direcção-Geral da Saúde, da Administração Central do Sistema de Saúde e das ordens profissionais dos Enfermeiros e dos Médicos, para avaliar esta questão.
Houvera ponderação e realismo e a Ordem dos Enfermeiros não estaria metida nesta “guerra” de competências, antes bater-se-ia pela VALORIZAÇÃO REMUNERATÓRIA legítima da licenciatura dos enfermeiros, ou pela estabilidade profissional dos contratados precários, ou até pela restauração dos rendimentos dessa classe profissional. Temos assim apenas uma manobra de diversão e divisão, com o apoio da Ordem dos Enfermeiros.
CR

The War on Drugs - Under the Pressure

sábado, 29 de março de 2014

Cete - simples homenagem


Aníbal Barbosa e Arnaldo Barbosa, a presença comunista durante muitos anos na freguesia de Cete. A homenagem singela do colectivo partidário, com música e poesia.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Tindersticks - Show Me Everything

mais pobres, mais desiguais



Os dados, publicados pelo INE no dia 24 relativos à pobreza e às desigualdades, revelam-nos o lado mais desumano e mais cruel da política de austeridade em curso. Este é o retrato de um país cada vez mais pobre e desigual

CAPITALISMO PARA TOTÓS - COLABORADOR

Colaboradores - termo que designa o conjunto das assalariados de uma empresa, independentemente do regime contratual. No essencial, mascara duas dimensões fundamentais das relações sociais capitalistas: a do trabalho e a da exploração.


O colaborador colabora, não trabalha.

O colaborador colabora, não é explorado.

Além disso, o termo não comporta uma dimensão contratual ou referente a relação estável, antes faz uma remissão subentendida para uma situação volátil. O empregado ou trabalhador estão relacionados com o exercício de uma profissão, de um ofício ou de um conjunto de tarefas que exigem determinada perícia. Já o termo colaborador induz uma concepção amorfa, não especializada e efémera. Colaboras hoje, podes não colaborar amanhã.

A colaboração, "co-laboração", contém ainda um significado que sugere voluntarismo e cooperação entre partes iguais, quando na realidade, no contexto capitalista, a relação laboral é de parasitismo e não de cooperação. Apesar de todo o processo produtivo ser cooperativo, porque o é de facto, as relações sociais que o conformam são de exploração entre patrão e trabalhador e, muitas vezes, de competição entre trabalhadores.

Com este termo, o capitalismo alimenta a ideia de que não existe confronto de interesses entre as classes exploradas e exploradoras, num ambiente de colaboração e não de exploração. Mas talvez ainda mais importante, é a forma como neutraliza termos e vocábulos que são utilizados como identificadores de determinadas classes: trabalhadores, operários, proletários. Com esta manipulação dos termos, o capitalismo alimenta a ilusão de que esses termos são coisas do passado e assim esvazia o universo ao qual se aplica a doutrina revolucionária, que é precisamente a esse conjunto.

Miguel Tiago

quinta-feira, 27 de março de 2014

José Afonso - Como Se Faz Um Canalha







Conheci-te ainda moço
Ou como tal eu te via
Habitavas o Procópio
Ias ao Napoleão

Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me não falha
Tinhas o mundo na mão

Alguma gente enganaste
A fé da muita amizade
Tem também as suas falhas
Hoje fazes alianças

A bem da Santa União
Em abono da verdade
A tua Universidade
Tem mesmo um nome: Traição

Um social-democrata
Não foge ao Grão-Timoneiro
Basta citar o paleio
Do major psicopata

Já são tantos namorados
Só falta o Holden Roberto
Devagar se vai ao longe
Nunca te vimos tão perto

Nunca te vimos tão longe
Daquilo que tens pregado
Nunca te vimos tão fora
Da vida do Zé Soldado

Ninguém mais te peça meças
No folgor dos gabinetes
Hás-de acabar às avessas
Barricado até aos dentes

És um produto de sala
Rasputim cá dos Cabrais
Estás sempre em traje de gala
A brincar aos carnavais

Nos anais do mundanismo
A nossa história recente
Falará com saudosismo
Dum grande Lugar-Tenente

São tudo favas-contadas
No país da verborreia
Uma brilhante carreira
Dá produto todo o ano

Digamos pra ser exacto
Assim se faz um canalha
Se a memória não me falha
Já te mandei pró Caetano


Letra e Música: José Afonso
Álbum: Com As Minhas Tamanquinhas (1976)

O peso das cadeias -Boris Malagurski

terça-feira, 25 de março de 2014

receita de Domingo


CARNE DE PORCO Á ALENTEJANA COM MIGAS

RECEITA DE PC


a desagregação do fascismo ucraniano


Alexandre Musychko também chamado Sacha Branco era um criminoso, lider da organização nacionalista Sector da Direita. Em finais dos anos 90, participou activamente em torturas e assassinatos de pelo menos 20 prisioneiros tropas federais russas na Chechénia. Ficou conhecido pelo video da agressão de um procurador público da Ucrânia, por videos com ameaças a russos e a judeus e pelo papel nas manifestações do Maidan.
Agora foi morto ás ordens do Ministro do Interior e das suas tropas especiais , num café em Rovne, Oeste da Ucrânia. A sua organização promete vingança e exige a destituição do Ministro. Musychko era uma má imagem para o governo "provisório" . Os seus patronos ocidentais descartaram-no depois dele fazer o jogo sujo.
O Ministro da defesa também se demitiu hoje. Por mais que apelasse a acções de resistência dos militares na Crimeia, eles desertaram em massa e incorporaram-se na nova realidade sócio-politica. Mesmo em alto mar, os navios da Marinha ucraniana desfraldaram a bandeira russa. A Ucrânia não se rende ao fascismo. O poder em Kiev é um tigre de papel.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Roxy Music - My Only Love

COMUNICADO DOS COMUNISTAS DE PENAFIEL

NÃO FECHARÃO A EXTENSÃO DE SAÚDE DE GALEGOS

1.º A presença de médico nesta unidade tem sido irregular, não por culpa dos médicos, mas com o claro objectivo de fazer com que as populações de Galegos e de Rans se inscrevam noutras unidades de saúde e assim, alegando a “pouca procura” e baseando-se em critérios meramente economicistas, justificarem o possível encerramento que este governo pretende executar.

2.º A qualidade das instalações e dos serviços prestados é de louvar e o que é necessário será garantir a colocação de mais recursos humanos para travar a transferência para outras unidades.

3.º A estratégia do governo PSD/CDS-PP é preparar o caminho para a privatização deste importante serviço público protegido pela nossa Constituição e sucessivamente atropelada pelo Presidente da república Cavaco Silva.

4.º Nem todas as famílias destas freguesias têm transporte próprio e o custo de uma ida á cidade e vir são de cerca de 4 euros. Para além disto é notório a falta de carreiras com a regularidade necessária para deslocações para Paço de Sousa ou Penafiel.

5.º A carência económica de muitas famílias que se encontram no limiar da pobreza devido á política de direita que nos tem governado é uma evidência e este povo tem de estar protegido do roubo do direito de acesso á saúde.

O Partido Comunista Português questionou o Ministério da Saúde sobre a intenção de fechar esta unidade de saúde. Faremos tudo o que nos for possível para defender as populações de Rans e Galegos e lutaremos para que se mantenha em funcionamento. Mas o papel do povo para a defesa dos serviços públicos de qualidade e proximidade é fundamental. O PCP apela á união das populações para travar este possível encerramento, que não aceitem mais transferências para outras unidades de Saúde e voltem a inscrever-se cá e que adiram ao abaixo-assinado promovido pelos utentes.

Março de 2014

A Comissão Concelhia de Penafiel do Partido Comunista Português

ABAIXO-ASSINADO EM DEFESA DA EXTENSÃO DE SAÚDE DE GALEGOS

A unidade de Saúde situada na freguesia de Galegos, concelho de Penafiel, serve os utentes das freguesias de Galegos e Rans. Sendo uma unidade com qualidade presta cuidados médicos às populações e necessita de melhorar a sua capacidade a nível de recursos humanos. Este serviço público de qualidade e de proximidade está defendido pela nossa Constituição da República. Sabendo das dificuldades económicas de muitas famílias seria uma catástrofe social o encerramento desta unidade de Saúde. Tendo em conta a falta de regularidade de transportes públicos e do seu elevado preço, os abaixo-assinados vêm sensibilizar o Sr. Presidente da República, o Sr. Primeiro Ministro, o Sr. Ministro da Saúde, o Sr. Presidente da Câmara e todas as forças politicas representadas na Assembleia Municipal de Penafiel para que não se encerre esta Unidade de Saúde.


(Já foram recolhidas mais de duas centenas de assinaturas)

domingo, 23 de março de 2014

A ESQUERDA INCONSEQUENTE E A UCRÂNIA

O BE deu voz no seu blog Esquerda.net a duas vozes ucranianas muito originais: uma, de uma chamada União Socialista Oposição de Esquerda, a outra, a de Vasyl Cherepanin, identificado como dirigente de um “centro de investigação Cultura Visual de Kiev e editor de uma revista política”.  Interessava saber qual era a interpretação de acontecimentos recentes tão marcantes na Ucrânia por parte de organizações assumidas de esquerda. Mas a amostra não deixou de ser perturbadora.

A organização dita Socialista e de Esquerda baliza a sua reflexão em dois pilares: a russofobia e a histeria nacionalista. Na russofobia, só se encontram condenações de um pretenso “renascimento do imperialismo russo” que (vejam) “ameaça a paz mundial”. O primarismo da análise, baseado sobretudo no “ódio anti-russo” não tem em conta as iniciativas políticas da Junta Fascista em Kiev, como por exemplo no que diz respeito á utilização da língua russa de uma larga comunidade na Crimeia e no Leste da Ucrânia, bem como aos interesses legítimos e históricos da Rússia das suas áreas fronteiriças. Na histeria nacionalista, a organização dita Socialista e de Esquerda consegue identificar sumariamente umas “piadas xenófobas agressivas” e uns “slogans provocadores”… Temos assim um branqueamento “á esquerda” do golpe constitucional, dos seus apoiantes externos, dos mercenários pagos ao dia, da lógica de violência assumido por forças revanchistas da direita e extrema direita. Alertada para as consequências da vaga, esta organização local, publicitada com agrado pelo nosso BE, lá vem fora do tempo  defender  a autodeterminação da Crimeia (claro só depois da “retirada dos exércitos russos”!) a “não discriminação linguística, a  não destruição de monumentos ou a incitação á hostilidade desnecessária”.  Estamos perante um conjunto de anjinhos, afirmando-se sempre equidistantes de oligarcas presentes em ambos os lados, mas simultaneamente convictos que Maidan era uma revolução genuína e as fardas e adereços nazis eram acessórios. O silêncio perante as privatizações do passado e a venda de património do Estado do presente, a submissão futura aos ditames do FMI e a instalação de forças e equipamentos militares hostis ao vizinho russo, é expressivo de uma postura comprometida.

Mas a entrevista do sr. Vasyl , que pretende ser uma clarificação dirigida á esquerda europeia, avança mais nas inverdades. O Sr. Vasyl e o seu “centro de investigação” esteve no Maidan desde Dezembro de 2013. Organizou um “programa de educação no âmbito da universidade aberta do Maidan” , e uma “rede de protecção aos militantes feridos que foram hospitalizados” e outras actividades de informação e apoio jurídico. Tão empenhada actividade não lhe permitiu certamente ver as cruzes suásticas, os uniformes militares, os bastões, as armas, tão prodigamente utilizados. A desculpa é clara: “numa verdadeira revolução todas as forças de oposição estavam presentes” ou “ a realidade não é tão pura quanto a teoria política”.  Os neonazis estão no poder mas outrora com o tempo o papel e influência da extrema-direita diminuía, segundo o sr. Vasyl…

O sr. Vasyl acha que a União Europeia e o “ocidente” reagiram demasiado tarde, umas sanções  teriam tido maior efeito. E sobre o PC Ucraniano, que refere não ter sido proibido, lamenta a sua “nostalgia do estado providência do tempo da União Soviética”, coisa que para o BE deve ser coisa horrorosa.

Estamos perante um logro “á esquerda”, uma discursata que afasta o fundamental. O capitalismo precisa de novos mercados, novas matérias prima e fontes energéticas e soluções autoritárias clássicas já experimentadas, como o fascismo, revivem no território europeu. “ A ausência de prática política pode criar alucinações teóricas”, diz o sr. Vasyl. Eu diria: na prática política se concretizam as capacidades e as insuficiências teóricas. A Ucrânia futura vai exigir um sr. Vasyl sem dúvidas sobre o exercício do poder.


CR

Jantar de Aniversário do PCP em Paredes



No passado dia 22 de Março ocorreu o jantar comemorativo do 93.º aniversário do PCP em Cete (Paredes). A Comissão Concelhia de Paredes do PCP reuniu no salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Cete 160 militantes, simpatizantes e amigos num ambiente de grande entusiasmo e confiança.  A intervenção politica principal esteve a cargo da deputada do PCP na Assembleia da República Paula Baptista. Houve intervenções mais parcelares de Álvaro Pinto e de Hilário Barros, tendo ocorrido um momento cultural e de reconhecimento politico á intervenção de dois destacados militantes de Cete, Arnaldo Barbosa e Aníbal Barbosa. A sessão comemorativa contou com uma expressiva animação musical por parte de Jorge Lomba. 


MARX NA BAIXA

UM ESPECTRO ASSOMBRA OS PALCOS

No dia 14 de Março, aniversário da morte de Karl Marx, o próprio dirigiu-se ao Largo de Camões, na baixa Lisboeta, para se dirigir aos populares, lendo palavras do colectivo que desenvolve o projecto teatral «Marx na Baixa».

«Agradeço terem vindo até este Largo sob o olhar do grande poeta Camões, para assinalarem os 131 anos passados sobre a data da minha morte. Karl Marx pode ter morrido, mas os conceitos e teses, os métodos de análise, a necessidade de luta tenaz – tanto no campo das ideias como na organização dos trabalhadores em estruturas de classe – esses continuam não só vivos, como são muitíssimo relevantes, mesmo essenciais no presente momento, particularmente em Portugal, onde os trabalhadores portugueses – 40 anos depois de terem derrubado o fascismo e procurado construir um Portugal novo “rumo ao socialismo”, como ainda consta do preâmbulo da Constituição da vossa República – 40 anos depois, os portugueses vêem as portas que Abril abriu serem-lhes fechadas na cara, com ataques sem precedentes, aos seus direitos e conquistas, com implicações de tal dimensão que é justo falar-se num retrocesso histórico – políticas seguidas em Portugal mas delineadas pelo grande capital estrangeiro – que pretende reduzir este país – que já foi o centro de um império – a um país colonizado; onde extrair matérias primas; com uma economia reduzida a sectores de baixo valor acrescentado; com trabalhadores qualificados em postos de trabalho não qualificado, de baixos salários; para onde escoar as mercadorias excedentárias das economias das grandes potências.

¿E o que dizem aos cerca de 900 mil desempregados? !! Emigrem. !!
¿Quem aqui não se viu já forçado a contemplar a possibilidade de emigrar? ¿Quem aqui não tem um familiar, um amigo, forçado a emigrar recentemente?
¿! Que dizem ainda ao desempregados? !! Sejam empreendedores. !!
Sim, a falta de emprego é culpa do desempregado, ele não é empreendedor. 
¿Que é isto senão uma tentativa de branqueamento da nossa linguagem para mascarar a realidade?
Parece que brincam com a linguagem, mas é assunto sério.
¿Querem que nós sejamos empreendedores? Eu queria que eles fossem emparedados, defenestrados, esquartilhados, empalados, temperados e salteados e servidos com um bom chianti.

O capital tem no seu poder instrumentos imensos, poderosos e novos para influenciar as ideias. E as nossas mentes tem de ser campos de batalha, de resistência. Temos de procurar a galeria, o auditório, o palco que incomode e dê que pensar. Seria muito mais confortável ver apenas telenovelas e futebol. E para eles – sabem a quem me refiro quando digo ‘eles‘, não é? – a música, a poesia, o teatro, estariam melhor adestrados, amansados com a chantagem política do dinheiro e submissos à vontade e ao mau-gosto de quem os quer destruir.

A verdade é que nós estamos numa luta de classes. Todos nós. Nesta sociedade não há maneira de fugirmos a essa realidade. Não há lugares sentados para podermos assistir ao espectáculo. Só há lugares na arena. Na luta de classes não há espectadores.

Mas dizem que a luta de classes morreu, que já não há classes sociais, que já nem existem patrões e trabalhadores, há apenas os colaboradores. Todos iguais. Amigos. Isso é conversa que pretende criar conflitos, pouco civilizada. O que é necessário é encontrar um consenso, um compromisso.

¿Compromisso? ¿Com quem explora? A que tipo de compromisso pode um escravo chegar com o seu dono?
¿Acção civilizada? Como se fosse civilizado explorar, oprimir, permitir o luxo de uns poucos enquanto milhões passam fome!!
O conflito já existe. Não fomos nós a criá-lo. Mas os trabalhadores precisam de o reconhecer e escolher de que lado da barricada estão.
¿Todos iguais? Ainda há dias saiu a lista da Fortune 500, onde constam 3 portugueses cujas fortunas juntas atingem os 7.7 mil milhões de euros. Mais que milhões de trabalhadores portugueses juntos. Mas Américo Amorim é um mero colaborador, igual aos que para ele trabalham pela miséria do actual salário mínimo nacional. ¿Acham mesmo que trabalhar 40 horas numa semana – algo que foi uma conquista da luta dos trabalhadores – só vale 121 euros?¿Ou será que este valor é aquilo que os patrões pagam porque sabem que com isto um trabalhador consegue manter-se vivo e a trabalhar, ainda que em condições de miséria?¿Ou porque sabem que encontram trabalhadores dispostos a auferir uma miséria porque a taxa de desemprego é superior a 15%! Taxa de desemprego que diminuiu porque nos últimos anos centenas de milhares de trabalhadores emigraram, muitos deles jovens qualificados.Torcem a realidade com os números tal como com as palavras.

Vêm os economistas neo-liberais dizer que isso da mais-valia é ideia gasta, já não tem fundamento, a economia agora é diferente, mais assente nos serviços, na informática. Digam isso aos milhões de trabalhadores pelo mundo fora a trabalhar nas fábricas. Digam isso aos Portugueses conscientes de que uma parcela cada vez maior da riqueza criada pelos trabalhadores vai direitinha para os bolsos dos capitalistas. Só nesta década, neste tempo de crise, a parte das remunerações no PIB desceu 6.4%, enquanto a parte que reverte para as empresas subiu 5.3%, ultrapassando a fracção que os Salários representam no PIB. O custo da força de trabalho em Portugal diminuiu 13% face a 2010, mais do dobro do verificado na união europeia. ¿Então o custo de vida aumenta, um trabalhador precisa de mais dinheiro para manter o seu nível de vida, ¿mas o valor da força de trabalho, ¿o salário diminui? ¿O que é isto senão uma intensificação da exploração?

E isto quando o capital se queixa de uma crise. Crise de sobreprodução criada pela própria natureza do capitalismo. Crise que o capital aproveita para explorar mais, sugar mais aos trabalhadores, acumular e concentrar mais nos seus próprios bolsos, passando os custos da crise crise por ele criada para os trabalhadores.

São estes mesmos brilhantes economistas, que aplicam a «Lei da Oferta e da Procura» para todo o fenómeno económico, de uma maneira tão simplista que nem deveriam chamar-se economistas; são meros contabilistas, prestidigitadores, a tentar enganar os trabalhadores apelando ao que chamam lei. Essa lei explica pequenas variações. Mas essas variações ocorrem em torno do quê? De que valor? Se a oferta for igual à procura, qual é o valor do leite, de um automóvel, da força de trabalho? Isso essa lei não explica. Nem tal pode ser explicado e compreendido nos dez segundos de uma conferência de imprensa que a televisão resolve passar. Se quiserem a resposta a essa pergunta… Estudem O Capital. (Estavam à espera de uma resposta fácil.) Há que estudar para ser um revolucionário consciente e consequente. Estudem-no mesmo. Demorei 15 anos para terminar o primeiro livro.

Morava então na Dean Street, no Soho, em Londres, mesmo onde desaguam os esgotos. Todos os dias ia para a biblioteca do Museu Britânico, magnifica, e ali lia livros de economia política, relatórios parlamentares. Depois regressava a casa, jantava com a Jenny, a minha mulher – apaixonámo-nos quando tinha 17 anos e ela 19 e com as nossas filhas – a Jennychen, a Laura e a Eleanor – E depois de jantar, trabalhava até às 3-4 da manhã. 15 anos de trabalho. Estudem-no. Criticamente. Escrevi-o para vocês: para explicar os mecanismos do capitalismo; para que os trabalhadores compreendessem a origem do valor; a forma com a mais-valia é chupada à força de trabalho; como à custa da exploração do trabalho os capitalistas acumulam fortunas tão imensas que depois se podem dar ao luxo de especular com a mais-valia acumulada como se fosse um jogo de casino; explicar como a natureza do capitalismo é explorar – até porque a intensificação da exploração é condição para a sobrevivência do próprio capitalismo.

¿Querem contrapor isso com leis simplistas, com a miséria da capacidade explicativa da «Lei da Oferta e da Procura», com comparações entre um orçamento do Estado e as contas da casa? E vem agora o Belmiro de Azevedo, um dos tais multimilionários, dizer que em Portugal os salários só podem aumentar quando “um trabalhador português fizer uma coisa igual, parecida, com um trabalhador alemão ou inglês, seja o que for”.
Pois bem senhor Belmiro, que dizer do trabalhador numa caixa num dos seus supermercados que trabalha um turno de 10 horas, sem se poder sentar, e que nem uma garrafa de água pode ter para se ir refrescando ao longo do dia? (Melhor mesmo que não tenha garrafa de água, pois tem apenas 15 minutos durante todo o turno para ir à casa de banho!) ¿É este o trabalhador português, preguiçoso, que tem menor produtividade que um alemão ou inglês?
E ainda dizem que o capitalismo se humanizou. O capitalismo não se humanizou em meados do século XX,
foi forçado, forçado a acatar as exigências dos trabalhadores para assegurar a sua sobrevivência. Forçado pela única força capaz de frenar essa tendência exploradora: a luta organizada dos trabalhadores. A única força capaz de pôr fim a este sistema económico, um sistema económico com uma enorme capacidade de produção, mas que concentra a riqueza acumulada em cada vez menos mãos. Só os trabalhadores para pôr fim a este sistema que propaga e intensifica as desigualdades sociais. Só mesmo a luta colectiva, a capacidade criativa dos trabalhadores na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, o socialismo.

Sim, eles tentam fechar as portas que Abril abriu, mas os trabalhadores Portugueses resistem. Nas fábricas, no sector dos transportes, nas repartições, nas escolas, nos hospitais e centros de saúde, nos portos, nos serviços de segurança, nos tribunais, na cultura, entre os reformados e pensionistas, entre as mulheres e os jovens.

Sim, o capital tem razões para temer.  Os seus representantes políticos não podem visitar uma parte deste país descansados, pois onde quer que vão lá estará um espectro para assombrar-los. E um espectro irá assombrar os palcos deste país. Podem os Américo Amorim, os Soares dos Santos, os Belmiro de Azevedo, os Melo, e o Espirito Santo tremer ante uma revolução neste país. Nela os trabalhadores nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Trabalhadores de todos os países, uni-vos!»

sexta-feira, 21 de março de 2014

Eles “andem” por aí

Chama-se Bernardo Loubet da Nóbrega , estudou na Lusófona e escreve assim estas “pérolas” fascistoides

“ a esquerdalhada com os seus fait-divers quer voltar aos velhos tempos e pôr-nos a todos a sustentar a província á custa dos nossos impostos. Será assim tão difícil entender que num modelo liberal como o que, felizmente, está a ser implementado em Portugal, a província está irremediavelmente atrasada e a única solução é abandoná-la? Para bem de Portugal.”

Ou
“Concordo com o Camilo (Lourenço) e acrescento: o país tem que acabar com as bolsas para áreas improdutivas como as humanidades, artes e outras pseudo - ciências que acrescentam zero á nossa sociedade. As faculdades de letras, artes, desporto, psicologia e humanidades, pela sua inutilidade, devem ser encerradas na sua grande maioria e as que fiquem devem ver a sua actividade reduzida ao mínimo, com despedimento da maioria do pessoal. O país não pode formar parasitas improdutivos”

Ou
“ Estive há pouco no supermercado e desesperei por um embrulho. Não entendo porque não se colocam mais escuteiros ou voluntários a fazer este trabalho. O patrão evitava pagar 500 a 600 euros ao empregado de serviço, tinha mais gente a trabalhar e bastava dar uma parte desse dinheiro á instituição para os miúdos para eles ficarem todos contentes. Não sei como é que há supermercados que ainda não aproveitam isto! Com empresários destes não vamos lá”

Ou
“Excelente proposta do CDS! A escolaridade obrigatória até ao 12.º ano foi mais uma medida estúpida dos governos socráticos que custou milhões de euros aos Contribuintes. 9 anos de escolaridade já chegam e sobram. No futuro devia-se era pensar em recuar novamente para o 6.º ano. É uma vergonha que gente com 15 anos seja proibida de trabalhar em Portugal.”

terça-feira, 18 de março de 2014

O ASTRÓLOGO DA RTP


A RTP tem mantido uma singular cruzada contra a Venezuela e a sua liderança política. Não há dia, seja semana ou fim-de-semana, que não tenha no noticiário televisivo uma reportagem sobre violência nas ruas de uma qualquer cidade do país de Chávez e Maduro, com sublinhados dramatizados de uma “generalizada política repressiva” e uma “expressiva resistência popular”. Nisto a RTP não é sequer inédita. Acompanha uma gigantesca campanha mediática, com origem nos sectores mais reaccionários da Administração Americana e da Espanha colonial e que instrumentaliza (e paga bem!) uma burguesia nacional com vontade de vingança. Tudo já visto na Jugoslávia, no Iraque, na Líbia, na Síria e agora na Ucrânia.

São ridículas as alegações dos motivos invocados para a sanha oposicionista. A burguesia nacional fala de corrupção e falta de alimentos e procede como meros terroristas e criminosos. Fala de violência e em actos destrói património e agita ódios. Fala de criminalidade, como se fora fenómeno “chavista” recente, e destrói a capacidade do Estado em actuar. Fala de mortos, de uma escalada de mortes, que conta até 28, sem referir os seus autores ou sem reflectir sobre a vivência em outras capitais, como cidades americanas, ou no México ou no Brasil.

Mas vendo esfumar-se a estratégia de desestabilização e provocação, graças á liderança de Maduro, e o apoio do povo, a burguesia em desespero puxa de um último argumento: o opositor máximo de Maduro é um astrólogo, reside na Florida e como qualquer imbecil apátrida apela, por intermédio da RTP, da enviada Márcia, ao confronto das ruas. Incapaz de vencer eleitoralmente, a burguesia venezuelana tenta tudo, incluindo o ridículo. Não deixa de ser anedótico. Acredito que um dia destes ela vai sentir o cheiro da verdadeira e definitiva revolução. E nesse dia nem a enviada da RTP a salvará.

CR



humor

Epa, eu terei ouvido bem? O Ministro dos Negócios Estrangeiros disse à RTP que podemos estar perante o risco da reconstrução da União Soviética por via de intervenções militares? Quem é que andou a mexer no armário dos medicamentos do Palácio das Necessidades?

Bruno Dias no Facebook

segunda-feira, 17 de março de 2014

A VERDADE NÃO ESCONDIDA

Refira-se, a propósito da intervenção do FMI que Olga Kovitidi, vice-primeira ministra do governo da Crimeia, qualificou as condições que Kiev aceita para celebrar acordos com o FMI como ‘o preço da espoliação’.

Declarou que o acordo preliminar com o FMI, celebrado pelas novas autoridades ucranianas, sobre a concessão de ajuda financeira, estipula que todo o sistema nacional de transporte de gás passará a ser propriedade da companhia estadunidense Chevron, e que as empresas siderúrgicas cederão 50% de suas acções à companhia alemã Ruhr.

A indústria de extracção de carvão da Bacia de Donets passará a pertencer à filial finlandesa da Ruhr. Segundo Kovitidi, Kiev prometeu também permitir a instalação na Ucrânia do sistema antimísseis e da Força Aérea dos Estados Unidos.

libertação de Yabroud e a segurança da fronteira libanesa

O Exército Árabe Sírio libertou a cidade de Yabroud, à beira da fronteira libanesa, a 16 de março de 2014.

Esta cidade síria estava nas mãos dos Contras da Frente al- Nusra (filiado na al-Qaeda) e da Frente Islâmica (milicianos sauditas). Na sequência da libertação de Yabroud, mais de um milhar de Contras retiraram-se para o território libanês.

A libertação da cidade de Yabroud anuncia o desenlace próximo da campanha militar atualmente em marcha na região de Qalamoun, e a recuperação do controle de toda a região fronteiriça síria com o Líbano, o que representa um duríssimo golpe para as forças estrangeiras implicadas na agressão contra a Síria.

Grupos armados que tentam derrubar o governo sírio ainda ocupam, neste momento, zonas contíguas com as fronteiras da Jordânia e Turquia.

quem são os nazis no governo ucraniano (IV)?

Andrei Mojniki
Oleg Majnitsky , Procurador Geral
Egor Teniuj , Ministro da Defesa
Igor Schvaiko, Ministro da Agricultura




domingo, 16 de março de 2014

Despojos de guerra e mudança de regime


Reservas-ouro da Ucrânia evacuadas secretamente

– Confiscadas pelo New York Federal Reserve?
– Como os ucranianos foram "libertados" do seu ouro pelo governo fantoche
– Um governo de banqueiros, fascistas e oligarcas imposto pelo golpe orquestrado pelos EUA

por Michel Chossudovsky

Um sítio internet russo de notícias, o Iskra (Fagulha) com base em Zaporozhye, na Ucrânia do Leste, informou em 7 de Março que "as reservas de ouro da Ucrânia haviam sido apressadamente transportadas por via aérea para os Estados Unidos a partir do Aeroporto de Borispol, a Leste de Kiev.

Esta alegada remoção aérea e confisco das reservas ouro da Ucrânia pelo New York Federal Reserve não foi confirmada pelos media ocidentais.

Segundo o Iskra News :
Às 2 horas da manhã [7 de Março] um avião de transporte não identificado estava na pista do Aeroporto de Borispol. Segundo a equipe do aeroporto, antes da vinda do avião chegaram ao local quatro camiões e dois minibuses Volkwagen, todos eles sem matrícula de identificação.

Quinze pessoas com uniformes negros, máscaras e armadura corporal saíram, alguns armados com metralhadoras. Eles carregaram o avião com mais de 40 caixas pesadas.

Depois disso chegou um homem misterioso que entrou no avião.

Todo o carregamento foi feito às pressas.

O avião decolou numa base de emergência (emergency basis). 

Aqueles que assistiram esta misteriosa operação especial imediatamente notificaram os responsáveis do aeroporto, os quais lhes disseram para não se meterem nos assuntos dos outros.

Posteriormente um telefonema de resposta de um alto responsável do antigo Ministério das Receitas Fiscais (Ministry of Revenue) informou esta noite que, por ordens de um dos novos líderes da Ucrânia, os Estados Unidos haviam tomado a custódia de todas as reservas ouro na Ucrânia. iskra-news.info. Zaporozhye, Ukraine, March 7, 2014, traduzido do russo pelo Gold Anti-Trust Action Committee Inc (GATA) , ênfase acrescentada)
A seguir a esta revelação, o secretário tesoureiro do GATA, Chris Powell, requereu ao New Federal Reserve e ao Departamento de Estado dos EUA que indicasse se o NY Fed havia "tomado a custódia" do ouro da Ucrânia.
Um porta-voz do New York Fed disse simplesmente: "Qualquer indagação respeitante a contas ouro deveria ser dirigida ao possuidor da conta. Você pode contactar o Banco Nacional da Ucrânia para discutir esta informação".

Uma indagação semelhante do GATA, na noite passada, ao Departamento de Estado dos EUA ainda não teve qualquer resposta.

Na noite passada o GATA chamou a atenção sobre este assunto a cerca de 30 jornalistas financeiros e redactores de newsletters "de referência"(mainstream) na esperança confessadamente bizarra de que pudessem também colocar a questão.

1) A primeira regra do jornalismo financeiro "de referência" e particularmente do jornalismo financeiro acerca do ouro é nunca apresentar uma pergunta específica acerca do metal monetário a qualquer dos participantes primários no mercado do ouro, os bancos centrais. Ou seja, quase toda a informação sobre o mercado do ouro é, intencionalmente, na melhor das hipóteses distracção irrelevante e na pior desinformação.

2) A verdadeira localização e disposição das reservas ouro nacionais são segredos muito mais sensíveis do que a localização e disposição de armas nucleares. Chris Powell, Secretary/Treasurer
Gold Anti-Trust Action Committee Inc.
Apesar da informação não confirmada respeitante às reservas ouro da Ucrânia não ter sido objecto de cobertura pelos noticiários financeiros "de referência", a história no entanto foi levantada pelo Shanghai Metals Market, em Metal.com , o qual declara, citando uma informação do governo ucraniano, que reservas ouro da Ucrânia haviam sido "removidas num avião ... de Kiev para os Estados Unidos... em 40 caixas seladas" carregadas numa aeronave não identificada.

A fonte não confirmada citada pelo Metal.com diz que a operação de remoção aérea do ouro da Ucrânia foi ordenada pelo primeiro-ministro interino Arseny Yatsenyuk tendo em vista manter seguras no NY Fed as reservas ouro da Ucrânia, prevenindo uma possível invasão russa a qual levaria ao confisco das mesmas.

No dia 10 de Março, o kingworldnews , um importante blog financeiro online publicou uma entrevista incisiva de William Kaye , administrador do hedge fund Pacific Group Ltd., com sede em Hong Kong, o qual anteriormente trabalhou para a Goldman Sachs em fusões e aquisições.

Os despojos de guerra e a mudança de regime 

É significativa nesta entrevista com William Kaye a analogia entre a Ucrânia, o Iraque e a Líbia. Não se deve esquecer:   tanto o Iraque como a Líbia tiveram as suas reservas ouro confiscadas pelos EUA.
Kaye: Há agora informações vindas da Ucrânia de que todo o ouro ucraniano foi removido por via aérea, às 2 horas da madrugada, a partir do aeroporto principal, Borispil, em Kiev, e está a ser transportado para Nova York – sendo o presumível destino o New York Fed...

Verifica-se que estas 33 toneladas de ouro valem algo entre US$1,5 e US$2,0 mil milhões. Essa quantia seria um pagamento inicial (down payment) muito lindo para os US$5 mil milhões que a secretária de Estado Assistente Victor Nuland gabou-se de os Estados Unidos terem gasto nos seus esforços para desestabilizar a Ucrânia e instalar ali o seu próprio governo não eleito.

Eric King: "Se os Estados Unidos derrubam Saddam Hussein no Iraque ou Muamar Kadafi na Líbia, parece que há sempre ouro no fim do arco-íris, do qual então os EUA apropriam-se".

Kaye: "Essa é uma boa observação, Eric. Os Estados Unidos instalaram um antigo banqueiro na Ucrânia o qual é muito amistoso para com o ocidente. Ele é também um rapaz com experiência de banco central. Esta teria sido a sua primeira grande decisão:   transportar aquele ouro para fora da Ucrânia, para os Estados Unidos.

Você pode recordar que exigências alegadamente logísticas impediram o New York Fed de devolver à Alemanha as 300 toneladas de ouro que os Estados Unidos armazenam. Após um ano de espera, o New York Fed devolveu apenas 5 toneladas de ouro à Alemanha. Só 5 toneladas de ouro foram enviadas do Fed para a Alemanha e não eram as mesmas 5 toneladas que haviam sido originalmente armazenadas no Fed.

Mesmo o Bundesbank admitiu que o ouro que lhes fora enviada pelo New York Fed tinha de ser fundido e testado quanto à pureza porque não eram as barras originais da Alemanha. Se isso é assim, uma vez que exigências logísticas supostamente são uma questão tão grande, como é que num voo, assumindo que esta informação é correcta, todo o ouro que a Ucrânia possuía no seu cofre foi retirado do país e entregue ao New York Fed?

Penso que qualquer um com células cerebrais activas sabe que tal como a Alemanha, a Ucrânia terá de esperar um tempo muito longo e provavelmente nunca verá aquele ouro outra vez . Significa que o ouro se foi". ( KingsWorldNews , March 10, 2014, ênfase acrescentada)
Ver no sítio web oficial do Banco Nacional da Ucrânia a omissão da informação quanto à entrega das suas reservas-ouro: 



  • www.bank.gov.ua/control/en/index 
  • o frete

    O jornal “Expresso”, órgão central da alta burguesia nacional, publicou esta fotografia como sendo de um “sniper” dos que andaram a matar pessoas em Kiev.

    A verdade, porém, é que este homem é Rostilav Stepanovich Vasiko, 1º Secretário do Partido Comunista da Ucrânia, em Lviv (ou Lvov, em russo). Foi caçado pelos fascistas que dominam a cidade (onde ocorreu o massacre de judeus de 1941). Torturaram-no brutalmente, enfiaram-lhe agulhas sob as unhas, perfuraram-lhe um pulmão, partiram-lhe três costelas e o nariz e tem hematomas por todo o corpo.

    À onda fascista que alastra por toda a Europa, quis-se juntar este jornal dito de “referência” (para quem?) a favor da barbárie que sabem ser cometida por quem. O “Expresso” sabe muito bem que esta notícia é miseravelmente falsa, como milhares de outras sobre o acontecimento ucraniano, a que se juntam milhões de outras falsificadas por todo o mundo, na imposição da exploração dos povos.

    É uma fotografia muito conhecida, que tem, mais ou menos, servido de denúncia às perseguições nazis que ocorrem em partes da Ucrânia. O jornal de Pinto Balsemão não pode argumentar que ignorava a falcatrua. Sabia dela e cavalgou-a com a “ética” fascista da mentira.
     

    sexta-feira, 14 de março de 2014

    Capicua (com Gisela João) - Soldadinho

    Português de Montenegro

    por César Príncipe

    No dia 21 de Fevereiro de 2014, em entrevista ao JN (para que conste), o líder da bancada parlamentar do PSD, na véspera de um conclave partidário, fez doutrina. Pasmou analfabetos funcionais e cientistas sociais. O representante da Nação, porventura após uma noite mal dormida a construir uma bomba de carnaval mediático, lançou a frase do dia. Nem só Marques Mendes merece pôr-se em bicos de pés: A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor.

    Há quase um mês que a praça dos comentadores tem procurado espremer o paradoxo, digno de oráculos de Delfos e da missa dominical de Marcelo. Até agora, não deparei com uma descodificação que me resolvesse as perplexidades filosóficas, económicas, financeiras, geográficas. Deixei passar algumas semanas. Quis assentar a espuma das palavras. Fui rever os tratados. Consultei as hemerotecas. Colhi opiniões de largo espectro. Cheguei a pensar que Montenegro seria o pai do Acordo Ortográfico, que também não se percebe muito bem. De repente, fez-se luz.

    As orquestras da Comunicação excitaram-se com as listas da Forbes. Lá vinham os três portugueses mais ricos, apesar de tanta e tamanha austeridade. A vida deles está cada vez melhor. Pelo contrário, a das pessoas em geral está cada vez pior. Esclareçamos de vez o que Montenegro entende por pessoas e por país. Eis o que ele não teve coragem de concretizar, por óbvias e sensíveis razões:

    PESSOAS                                                                      PAÍS
    Trabalhadores                                                     Américo Amorim
    Desempregados                                                Belmiro de Azevedo
    Reformados                                                        Fernando Ulrich
    Pensionistas                                                             Mira Amaral
    Militares                                                              Jardim Gonçalves
    Polícias                                                                 Oliveira e Costa
    Magistrados                                                            Dias Loureiro
    Funcionários Públicos                                            Armando Vara
    Professores                                                           Vítor Constâncio
    Bolseiros                                                              Soares dos Santos
    Estudantes                                                                Vítor Gaspar
    Jovens                                                                    António Mota
    Artistas                                                                  António Mexia
    Escritores                                                              Eduardo Catroga
    Pequenos empresários                                              Nogueira Leite
    Pequenos proprietários                                          Celeste Cardona
    Pequenos agricultores                                        Proença de Carvalho
    Inquilinos                                                             José Miguel Júdice
    Senhorios                                                                Luís Montez
    Pobres da classe média                                              Passos Coelho
     Beneficiários do RSI                                                Paulo Portas
                                                                                    Miguel Relvas

     E basta! Para deslindar a retórica.