um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

GENEVE, A SIRIA E OS "LIBERTADORES"


lá como cá, há quem diga NÃO


Demissões no governo da Dinamarca por entrada da Goldman Sachs em elétrica estatal

A venda de uma posição no grupo estatal de energia dinamarquês DONG ao banco de investimento norte-americano Goldman Sachs provocou a demissão de seis ministros de um dos três partidos do governo de coligação.

O governo dinamarquês quer vender uma posição de 19% na DONG à Goldman Sachs por oito mil milhões de coroas (1,07 mil milhões de euros), depois de a empresa ter perdido dinheiro em investimentos no gás natural.

humor

Cartoon Elias o sem Abrigo, de R.Reimão e Anibal F

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Blind Zero - Big Brother





20 anos dos Blind Zero

Grande Feito ! Nota sobre a execução orçamental de 2013

Os dados da execução orçamental de 2013 hoje divulgados pela Direcção Geral do Orçamento e na óptica da Contabilidade Pública dizem-nos que o défice provisório das Administrações Públicas relevante para efeitos de aferição do cumprimento do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) terá sido de 7 151,5 milhões de euros, valor que é inferior ao limite de 8 900 milhões definidos no PAEF em 1 748,5 milhões de euros. Com este saldo o défice na óptica da Contabilidade Pública terá sido em 2013 de 4,3%, mas atenção o apuramento do défice oficial será agora feito na óptica das Contas Nacionais por parte do INE e só será conhecido no final de Março.

A execução orçamental em 2013 foi fortemente influenciado pelos seguintes factos:

1.     Um enorme aumento do IRS cobrado a trabalhadores e pensionistas, com um aumento de 35,5%, mais 3 222,2 milhões de euros cobrados. Confirmou-se desta forme o enorme aumento de imposto de que falava o anterior ministro das finanças, em especial do IRS; 

2.     Um enorme aumento das Contribuições para a CGA e ADSE por parte dos aposentados e trabalhadores da Administração Pública, mais 34,5% e mais 1 305,5 milhões de euros de receita para o Estado.

3.     Um saldo global da segurança social superior em cerca de 400 milhões de euros em relação ao previsto no Orçamento de Estado rectificativo, que resultou de uma despesa inferior em pagamentos de subsídio de desemprego e apoios sociais ao que estava orçamentado. De notar que a menor despesa com subsídio de desemprego em relação ao orçamentado não resultou da descida do desemprego como diz o Governo, já que mais de 60% dos desempregados não têm acesso ao subsídio de desemprego, mas resultou do menor montante do subsídio de desemprego a que têm direito os desempregados e das crescentes dificuldades em aceder a ele.

4.     De um escandaloso perdão fiscal aprovado pelo Governo para os últimos 3 meses do ano que lhe permitiu arrecadar mais 1 277 milhões de euros de receita fiscal. Dizemos escandaloso porque enquanto os trabalhadores por conta de outrem e os reformados e pensionistas ao receberem o seu salário ou pensão veêm já descontado o IRS na fonte, outros pelo contrário fogem aos seus deveres fiscais e ainda podem vir a beneficiar deste tal perdão fiscal. O Governo com esta medida apoia e incentiva a evasão fiscal, não podemos ignorar anteriores perdões fiscais a capitais ilegalmente transferidos para o estrangeiro e que em anos anteriores com este Governo também beneficiaram de perdão fiscal, em detrimento do cumprimento dos deveres fiscais por parte de todos os portugueses e não apenas dos trabalhadores por conta de outrem e dos pensionistas. Este perdão fiscal que representa por si só 0,8% do PIB de 2013, distribui-se por IRC e IRS 733 milhões de euros, IVA e Imposto de Selo 217 milhões de euros, ISP,ISV,IT,IABA e IUC 41 milhões, IMI mais IMT 54 milhões e regularização de dívidas à Segurança Social 232 milhões de euros. Seria importante saber-se exactamente qual foi o perdão fiscal concedido em sede de IRC e em sede de IRS e como se distribui este mesmo perdão fiscal por rendimentos do trabalho por conta de outrem, dividendos, mais-valias e rendimentos prediais.

5.     De mais uma queda abrupta da despesa do Estado com investimento, menos 38,2% no último ano e menos 933 milhões de euros de investimento público em relação a 2012.

Vale a pena relembrar, como digo no início desta nota, que apesar de todo o foguetório do governo em torno do alcançar do pretenso objectivo do défice orçamental para 2013 e que era de 5,5% do PIB (- 9 083,9 milhões de euros), ainda é cedo para chegar a essa conclusão, pois os resultados hoje conhecidos referem-se ao défice público na óptica da Contabilidade Pública e competirá agora ao INE fazer a respectiva conversão para a óptica da Contabilidade Nacional. O resultado dessa conversão só será conhecido no final do próximo mês de Março e já agora no ano passado a passagem do défice na optica da Contabilidade Pública para a Contabilidade Nacional levou ao seu agravamento em mais 3 788,9 milhões de euros (mais 2,3 pontos percentuais).

Em síntese pode dizer-se que a execução orçamental de 2013 fica marcada por um enorme aumento da carga fiscal sobre os trabalhadores e os reformados, por um enorme aumento das Contribuições para a CGA e ADSE por parte dos aposentados e trabalhadores da Administração Pública, por uma poupança extraordinária na despesa da Segurança Social em relação ao orçamentado como resultado de cortes no subsídio de desemprego e apoios sociais e, por uma receita fiscal extraordinária que representa quase 0,8% do PIB, proveniente de um escandaloso perdão fiscal. Se o resultado do défice é inferior aos 5,5% do PIB definidos no OE para 2013 saberemos lá mais adiante. 

 José Alberto Lourenço

a imagem que vale mais do que mil palavras


poema


O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra espasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

Ary dos Santos, in 'Resumo'

 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

God Is An Astronaut - Frozen Twilight


a dura realidade

a cuspidela da serpente

O discurso de Marinho Pinto em recente programa de debate televisivo comporta o pior da demagogia rasteira.
Sobre a questão da adopção e coadopção, Marinho (já na pele de candidato ao Parlamento Europeu por um "asséptico" MPT) lá defendeu o referendo (embora discorde do processo) invocando a despropósito a existência de um lobby gay, que de forma dissimulada influenciaria a decisão dos deputados. Marinho, que se julga muito importante, defendeu a tese de que o BE infiltrou no PS dois a três elementos mais sensíveis ás questões das chamadas minorias sexuais e estes por seu turno influenciaram o Grupo Parlamentar PS...
E quando o juiz Rangel o questionou sobre a necessidade outrora sim justificada de um referendo sobre a entrada do Euro, Marinho lá soltou a mentira de que na altura todos os partidos eram a favor (corrigindo mais tarde com displicência de que o PCP era efectivamente contra...)
A discursata sobre as violações dos direitos humanos (Guantanamo, Iraque, Guatemala...), efectivamente num registo hoje consensual, não ilude o facto de que Marinho se situa a meio caminho da direita clássica com um palavreado a fugir á extrema direita dos costumes e das tradições.

CR

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

NOTÍCIA


Vistoria arrasa Centro Escolar em Paredes

Infraestrutura custou 3,1 milhões de euros mas está desadequada às necessidades.

Uma vistoria ao Centro Escolar da Sobreira (Paredes), inaugurado há pouco mais de um ano, num investimento de 3,1 milhões de euros, concluiu que a cozinha não está dimensionada para as 1650 refeições aí confecionadas e que são posteriormente distribuídas por 13 escolas do concelho.

As técnicas de saúde ambiental também encontraram sacos de batatas armazenados em compartimentos previstos para o lixo, portas apodrecidas pela humidade, água no chão da despensa e extintores de incêndio fora de validade

A vereadora da Educação desvaloriza as conclusões da vistoria. "O relatório transmite uma imagem e um cenário que não é condizente com a realidade do centro escolar", afirma ao Correio da Manhã Hermínia Moreira, que, no entanto, admite algumas "anomalias, que não são graves" e que já estão a ser solucionadas.

A vistoria foi ordenada pela delegada de saúde e realizou-se a 22 de novembro de 2013. No final, concluiu-se que a "fruta é armazenada na zona da copa suja sobre mesas de madeira em adiantado estado de degradação" e que "na zona de vestiários foram instaladas prateleiras que servem de armários louceiros". Na cabine de chuveiro foram instaladas prateleiras para armazenar produtos de limpeza, acrescenta o relatório da vistoria.

(em  Correio da Manhã)

LIBIA - CONSTRUINDO A LIBERDADE

Mais de 100 pessoas morrem em confrontos na Líbia

Pelo menos 154 pessoas morreram e 463 ficaram feridas, em duas semanas, depois de confrontos tribais aos quais apoiantes do regime de Muamar Khadafi participaram no oeste e no sul da Líbia, anunciou o Ministério líbio da Saúde num balanço publicado, sábado, em Tripoli.
As vítimas foram registadas em Sebha (sul) e na zona de "Warshafa" (oeste de Tripoli) depois de confrontos com a participação de apoiantes do antigo regime que tentam reintegrar a cena política na Líbia.
Um responsável do hospital de Sebha anunciou 88 mortos e 130 feridos, em duas semanas, nos confrontos registados nesta cidade do sul, indicando contudo uma possível subida do número das vítimas.
Os confrontos de Sebha, desencadeados a 11 de Janeiro, opuseram a tribo Toubou à "Awlad Suleyman", da qual um membro, chefe dos Thowar (ex-rebeldes), teria sido assassinado por homens supostos pertencer à tribo Toubou.
Próximos do antigo regime de Khadafi teriam explorado estes confrontos para retomar as suas actividades e conquistar a base militar de "Tamahanat", a maior base aérea da zona.
São muito poucas as notícias provenientes da Líbia. O poder colonial, baseado na aliança das forças da NATO com os radicais islamitas pró-Al Qaeda, está em desintegração. O Vice Ministro da Indústria foi assassinado em Sirte, sua terra natal. A resistência nacional avança, apesar dos bombardeamentos de aviões da Turquia e do Qatar.

Strella do Dia - Neo Medieval & Folk Music


INÊS ZUBER, 12 DE DEZEMBRO, NO PARLAMENTO EUROPEU

Situação na Ucrânia


O povo ucraniano tem muitas razões de queixa. O fracasso das reformas económicas e políticas nos últimos 20 anos de restauração capitalista levaram ao aumento das desigualdades e da pobreza. Já vimos antes o que está a acontecer hoje. Vimos na “chamada” Revolução Laranja” a manipulação e aproveitamento dos descontentamentos da população, a criação de ilusões em torno da EU. O desfile de visitas, de ingerências externas, por parte de ministros, deputados, personalidades – agora da Sra.Baronesa – é flagrante. Vejamos que a UE está ao lado dos grupos ultra-nacionalistas e neo-fascistas e dos seus actos de provocação inaceitáveis. Não é certamente atiçando os nacionalismos e as divisões que a Ucrânia assegurará a paz e a soberania . Deixem o povo ucraniano decidir soberanamente, livremente e sem ingerências interesseiras, arrogantes e antidemocráticas.

SUBSCREVO

As praxes educam para o fascismo.
 
     Mariano Gago

domingo, 26 de janeiro de 2014

NO PRESENTE E CERTAMENTE NO FUTURO

Uma delegação de parlamentares europeus, da Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do PE, visitou recentemente o nosso país durante 2 dias com um suposto objectivo: “avaliar o funcionamento da Troika” no nosso país.
Tão beático objectivo poderia iludir a opinião pública, carente de um juízo independente e sério sobre as políticas em curso no espaço Euro e seus autores. Os deputados portugueses participantes dessa delegação tinham aí simplesmente o estatuto de observadores. A composição e mandato dos parlamentares europeus, e o timing dessa intervenção, não disfarçavam contudo o seu verdadeiro intuito inicial.
As politicas da Troika em Portugal tem protagonistas estrangeiros: o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. Esses protagonistas acompanham e estimulam a orientação do actual governo Cavaco/PSD/CDS. As políticas de empobrecimento, retrocesso social e agressão aos interesses nacionais, com base na austeridade e no “equilíbrio orçamental”, constantes no “programa de assistência financeira” tiveram um guião sustentado pelas entidades financeiras e politicas citadas.
Para evitar a falência de bancos e especuladores financeiros e para os salvar com fundos públicos, no decurso da actual crise capitalista na Europa, utilizaram aqui, como na Grécia, em Chipre, na Irlanda ou em Espanha, uma estratégia criminosa de baixa dos custos de trabalho, redução brutal de salários e pensões, privatização de entidades públicas, redução do Estado Social á dimensão mínima. As consequências sociais ainda em curso são conhecidas.  
O relatório final de dois relatores das principais famílias políticas do PE (PPE e  grupo dos Socialistas e Democratas) reflecte a cosmética de um branqueamento efectivo das consequências de políticas lesivas de países periféricos do Sul da Europa. Alegar “erros de percurso”, um vago “correu mal”, agora, é acto de hipocrisia de quem sempre defendeu as opções e orientações seguidas. Alegar “falta de transparência” nas decisões é manobra dilatória que instrumentaliza e distancia o PE das suas consequências.
A cumplicidade de conservadores e socialistas, quer no poder quer na oposição, seja o relator austríaco conservador seja o relator socialista, seja Merkel ou Hollande, Seguro ou Coelho, nesta fase histórica da Europa é um traço determinante. Estiveram juntos na génese da crise, estão juntos nas terapêuticas (assinaram como irmãos siameses os chamados memorandos de entendimento) e permanecerão juntos nos destroços de uma guerra social em curso e numa deriva federalista da Europa.   
Parece portanto oportuno salientar que uns e outros são reféns de decisões das grandes corporações e bancos, que os sustentam como extensões ou marionetas no campo da actividade política formal, e portanto estão comprometidos perante os povos e a consciência democrática. A ruptura definitiva com a situação terrível que vivemos, de que a delegação parlamentar nem sequer ousou falar, passa no curto prazo pela renegociação da divida dos países, em juros, prazos e montantes, e na recuperação dos instrumentos de soberania económica e financeira, que promova a produção e a competitividade, e a médio e longo prazo, pela discussão séria do Euro e da União Económica e Monetária. 
Podemos dizer que fomos visitados por uma caleidoscópica delegação de trampolineiros e de Judas.
CR

HUMOR

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ITR88wT8ekM

frase do dia

O Ministro Crato disse que o governo tem investido muito em "bolsas". Serão as Bolsas de Nova York ou de Londres ou de Tóquio, ou serão as bolsas dos cidadãos?

OPINIÃO DOS COMUNISTAS RUSSOS SOBRE A SITUAÇÃO NA SÍRIA



Viacheslav Titiokin , deputado do PC Federação Russa na Duma Russa

Pergunta

Catástrofe natural no concelho de Paredes, no Norte de Portugal

Nos primeiros dias do ano, a passagem de um tornado pelo território do concelho de Paredes, no Norte de Portugal, deixou um rasto de destruição e mais de meia centena de pessoas desalojadas, afectando nomeadamente famílias que já viviam com dificuldades económicas. O tornado fez estragos em cerca de centena e meia de edifícios e em dezenas de viaturas, estimando-se um prejuízo total superior a 5,5 milhões de Euros, segundo dados da avaliação levada a cabo pela protecção civil no terreno.

Este episódio já levou a Câmara Municipal de Paredes a pedir ao Governo Português que decrete o estado de calamidade pública para o concelho, dadas as dimensões dos estragos.
Assim, solicitamos à Comissão Europeia que nos informe sobre o seguinte:

1. Que medidas de apoio podem ser mobilizadas para a reabilitação dos edifícios danificados, assim como para a reabilitação das infra-estruturas públicas destruídas e para obras de consolidação das zonas envolventes, indispensáveis à segurança das populações?
2. Qual o ponto de situação relativamente à revisão do Regulamento do Fundo de Solidariedade da UE? Quais as principais propostas da Comissão para a revisão deste Fundo?

Os Parlamentares do PCP João Ferreira e Inês Zuber no Parlamento Europeu

sábado, 25 de janeiro de 2014

a cuspidela da serpente

UGT afirma que "não é com greves todos os dias que se resolvem problemas"

 

 

 
 

UGT afirma que "não é com greves todos os dias que se resolvem problemas"
"A UGT é hoje um referencial de estabilidade para o país", diz  o Silva
 



O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defendeu esta sexta-feira que o recurso constante à greve não vem resolver os problemas dos trabalhadores portugueses, apontando como solução o caminho da negociação e da qualificação.
"Sindicalizar e sindicalismo tem a ver com defender os trabalhadores e não é pela agitação que resolvemos as coisas. Não é por greves todos os dias que se resolvem os problemas dos trabalhadores", sustentou.
Na sua intervenção durante a inauguração do Training Center da UGT Viseu, Carlos Silva utilizou o caso da Grécia, que em 2012 levou a cabo 23 greves gerais, para exemplificar que não é por esta via que se arranjam soluções para a crise.
"A UGT é hoje um referencial de estabilidade para o país. É à mesa das negociações com o Governo, com os vários ministros, secretários de Estado e empresários que temos conseguido encontrar soluções", sublinhou.
O outro "campo de batalha" da UGT é o da qualificação, habilitando os trabalhadores para um mercado de trabalho que é reduzido.
"Estamos mais preocupados em formar e qualificar trabalhadores do que lançá-los para os campos de batalha, para as invasões dos ministérios, subindo as escadarias da Assembleia da República, fazendo greves todos os dias e combatendo as suas próprias empresas levando-as ao encerramento", acrescentou.
Carlos Silva referiu ainda que a UGT nunca pediu a demissão do Governo, nem o irá fazer, "a não ser que uma coisa tremenda, do ponto de vista da democracia, surgisse no país".
Na sua opinião, a vontade dos portugueses tem de ser respeitada e os mandatos são de quatro anos.
"Vamos é continuar a exigir ao Governo um conjunto de medidas que promovam o crescimento económico, a estabilidade da vida das pessoas, que permita vislumbrar uma possível saída para o acordo de concertação para o qual a UGT está disponível", alegou.
No entanto, frisou que isso nunca será possível com a troika em Portugal, pois não querem estar condicionados.
"Estamos disponíveis desde que duas matérias sejam compaginadas: o salário mínimo nacional que é fundamental e a negociação coletiva desbloqueada", concluiu.

Conclusão: á mesa das negociações, o "socialista" Silva vai conseguir o aumento do salário mínimo, tal como tem "conseguido" outras soluções... Com a "qualificação" da UGT está conseguida a "estabilidade de vida das pessoas". Sentemos todos á mesa, com o Silva, com o Governo, com vários ministros, secretários de Estado e empresários. Formados e qualificados, á mesa da negociação, logo desaparecerá o desemprego, o despedimento, o banco de horas, o empobrecimento salarial, a extensão do horário de trabalho, a mobilidade especial. Viva o "socialismo" ...negocial.

CR

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

The Allman Brothers Band - In Memory of Elizabeth Reed



O som dos anos 70.

A COMUNICAÇÃO DO REGIME

No léxico comunicacional dominante, o “regime” é um exclusivo dos países que quem manda nos media decidiu hostilizar.

A Coreia do Norte tem regime, mas a Coreia do Sul não tem. Na América Latina há um regime e meio. Cuba tem sempre um regime. A Venezuela tem dias: quando se trata de atacar a legitimidade do Governo de Nicolas Maduro, há o regime de Nicolas Maduro. Quando se trata de celebrar acordos comerciais com a Venezuela, já não há regime. No resto das Américas, ainda não há regimes, mas há países que, pelas orientações progressistas que prosseguem, ainda se arriscam a ter regime.

Em África, há um sector dos media que elege Angola como um dos poucos países africanos que tem regime. O regime de Eduardo dos Santos. Na CPLP, mais ninguém tem regime. E mesmo Angola, tem dias. O Zimbabwe de Mugabe passou por uns tempos em que tinha regime, mas tem andado esquecido. Deixou de ser uma prioridade mediática e perdeu o regime, até ver.

No Médio Oriente, só há dois regimes: o da Síria e o do Irão. Felizmente para o Katar, para o Bahrem, ou para a Arábia Saudita, que aí não há regimes. Como já não há regimes no Iraque ou na Líbia. Aí a situação conheceu uma grande mobilidade. Sadam e Kadafi viveram muitos anos no poder sem ter regime. Mas um belo dia passaram a ter regime e foram apeados pelas armas para que os respectivos países deixassem de ter regime. Hoje já não há regimes nesses países.

A China é um caso paradigmático. Quando se trata de noticiar condenáveis casos de corrupção muito semelhantes aos que ocorrem em países onde não há regime, dá-se mesmo um upgrade, e refere-se o regime comunista, em caixa alta e com símbolos coloridos em fundo, mas quando se trata de noticiar a venda da EDP ou dos seguros da Caixa a chineses, o regime subitamente eclipsa-se, e os chineses passam a ser unicamente chineses, ou seja, deixam de ter regime.

Na Europa, a Rússia voltou de há uns anos para cá a ter regime. Com o fim da URSS deixou de haver regime, mas como os oligarcas russos decidiram guardar para si os proventos da restauração capitalista, frustrando as expectativas dos oligarcas de outras paragens, voltaram a ter regime. Eles e todos os que se queiram dar bem como eles: Ucrânias, Biolorrússias e seja quem for. A Ucrânia está dividida: há os que lutam pelo regime e os que lutam para não ter regime. Ter ou não ter regime depende muito dos ciclos eleitorais. Já na antiga Jugoslávia, só a Sérvia tem direito a ter regime. E enquanto não reconhecer o Kosovo terá regime. Já o dito Kosovo, pode ser “governado” por traficantes a soldo, mas não tem regime.

Entre nós também não há regime. A democracia anda pelas ruas da amargura. O regime democrático definha às mãos da troika, dos governos, dos partidos e dos media que sustentam a criminosa política de empobrecimento e de traição nacional. Lutar por uma alternativa a este estado de coisas é um imperativo democrático e patriótico, ainda que nos arrisquemos a ter regime.

ANTÓNIO FILIPE (em manifesto74.blogspot.pt)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

a cuspidela da serpente

 
O actual Secretário de Estado da Segurança Social, Agostinho Branquinho, é um quadro político da Distrital do Porto do PSD. Quando era deputado, há cerca de 6 anos, participou num processo obscuro de pressões políticas e de tráfico de influências, com ligações perigosas a interesses privados. Em causa estava o licenciamento de uma unidade hospitalar privada em Valongo (o objecto) e uma denúncia de corrupção envolvendo 2 funcionários da ARS Norte. (a arma). A “actividade de consultadoria” de Branquinho prescreveu com a inauguração formal das instalações. Diz o próprio. A “actividade de consultadoria” de Branquinho não foi comunicada como declaração de interesses no Tribunal Constitucional e na Assembleia da República. Não diz o próprio. A “actividade de consultadoria” de Branquinho foi paga…antecipadamente. Escarnece o próprio.

Em contacto oficial com o Presidente á altura da ARS Norte, Branquinho (o homem do lobbying) e o administrador único do H.S.Martinho (o corruptor) estiveram como se está no PSD, á vontade, impunemente.

O currículo de Branquinho é variado. Funcionário do H. de Gaia nos anos 70, licenciado em História, administrador de empresa de publicidade (Relvas, Relvas!), administrador não executivo do H. Prelada. Gestor de clinicas dentárias (com Aguiar Branco e Rui Rio), administrador da Ongoing no Brasil, administrador da Misericórdia do Porto e Secretário de Estado, em substituição de Marco António.

Nesta altura ficou-se a saber que o Governo tinha decidido entregar, sem concurso público, a gestão do Centro de Reabilitação do Norte à Misericórdia do Porto. A nova unidade de saúde de Vila Nova de Gaia tinha custado aos cofres do Estado 32 milhões e estava pronta para abrir desde Julho de 2012.

 

A GRANDE ILUSÃO

...
“Certos autores escreveram coisas muito estranhas. Afirmavam eles que a criação do Euro induziria um aumento muito forte de fluxos comerciais entre os países dessa zona económica. Essa ideia foi fortemente difundida. Isso provinha tanto de estudos teóricos como previsões, em particular de Andrew K. Rose. Esses estudos davam uma grande importância à proximidade geográfica dos parceiros. Dando origem ao que se chamou “efeito Rose” e a uma literatura extremamente favorável às Uniões Monetárias, descreviam as moedas nacionais como “obstáculos” ao comércio internacional.

A integração monetária devia provocar uma melhor articulação no ciclo de negócios entre os países. Essa integração monetária devia também conduzir a uma acumulação de conhecimentos, provocando um forte aumento da produção e de trocas potenciais. Num certo sentido a União Monetária ia criar as condições para o sucesso da “Zona Monetária Optimizada”, enquanto que as condições não estivessem reunidas, num movimento que parecia dever ser endógeno. Daí as declarações de diversos políticos, hoje famosas, afirmando que o Euro ia levar pela sua própria existência a um forte crescimento dos países membros. Jacques Delors e Romano Prodi afirmaram então que o Euro ia favorecer o crescimento europeu em 1 a 1,5%. Nada disto aconteceu.

Esses estudos foram muito criticados quer pelo método econométrico usado, como sobre as previsões obtidas. Esses elementos diferentes puseram em causa os resultados do estudo inicial de A.K. Rose. Com base em perto de 20 anos de estudos sobre o comércio internacional, Harry Kelejian (com G. Tavlas r P. Petroulas) retomaram diversas previsões dos efeitos de uma união monetária sobre o comércio internacional dos países membros. Os resultados são devastadores. Onde Rose havia anunciado um aumento do comércio no interior da Zona Euro de 200%, não se encontrou senão um crescimento de 3 a 5%”

Jacques Sapir

Tradução CR

INICIATIVA

Tony Blair 'detido' em restaurante... ou quase


Quando viu entrar o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair no restaurante Tramshed, onde trabalha,Twiggy Garcia, DJ e barman, viu a sua oportunidade surgir. Aproximou-se e procedeu à "detenção por cidadão", uma iniciativa lançada pelo site ArrestBlair.org.

"Aproximei-me dele, pus-lhe a mão no ombro, e disse: 'Senhor Blair, está detido por crimes contra a paz, devido à sua decisão de partir para a guerra no Iraque. Convido-o a seguir-me até à esquadra para enfrentar essa acusação", contou Twiggy Garcia à revista Vice.

Mas a iniciativa do jovem acabou muito antes de chegar à esquadra. Confrontado com a 'detenção por cidadão', Blair preferiu falar sobre a situação de guerra civil na Síria, enquanto um dos seus filhos ia alertar a segurança, que rapidamente forçou Twiggy Garcia a deixar o local.

A 'detenção' teve lugar no dia 17 à noite e foi a quinta desde que o site ArrestBlair.org lançou a iniciativa. Este estabeleceu uma série de regras e conselhos para quem decidir proceder à detenção do ex-primeiro-ministro britânico. O trabalhista esteve à frente do Governo de Londres entre 1997 e 2007, tendo apoiado os Estados Unidos na sua decisão de atacarem o Iraque em 2003.

E mais, o site promete uma recompensa a quem conseguir que o seu gesto tenha repercussão mediática - um quarto das doações feitas ao site no momento da 'detenção' revertem a favor dessa pessoa. "Se 'detêm' Blair pelo dinheiro, também não faz mal", explicam os responsáveis pelo ArrestBlair.org, garantindo que os motivos que levam os cidadãos a agir não lhes interessam.







quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Madrugada - Quite Emotional



os noruegueses MADRUGADA, álbum Industrial Silence

José Augusto Oliveira, 45 anos, suicidado

Fazendo fé nas notícias José Augusto Oliveira, de 45 anos, sobrevivia há cerca de três meses à porta da Câmara Municipal de Albergaria-A-Velha, município que o CDS conquistou (com maioria absoluta) ao PSD nas eleições autárquicas de 2013.

José Augusto Oliveira tinha diabetes tipo I e era cego como consequência da doença. Incapaz de trabalhar foi-lhe atribuído um subsídio de pouco mais de 300 euros mensais, uma fortuna.
Sobre a sua situação escreveu a carta que passo a transcrever:
“Eu, José Augusto dos Santos Oliveira, nº do BI 09353884, contribuinte nº 176615024 e nº de telemóvel 919420722, eu numa situação de divórcio e tenho três filhos com 13 anos, 19 e 22 anos e já tentei fazer vários suicídios até para ao hospital.

Eu, informo mais que estou numa situação muito crítica. Era motorista de pesados com reboques a onde, me apareceram os diabetes tipo 1. Com o passar do tempo perdi a visão e retiraram-me as cartas de pesados onde eu fique sem trabalho para condução ou qualquer tipo de trabalho, tenho uma pensão de invalidez que são 303.23€ mensal de momento estava num quarto que pertencia à minha mãe, pois ela precisou do quarto onde eu dormia e eu tive de sair que ela expulsou-me de casa.
Estou na rua a partir do dia 14 de Outubro de 2013, e não tenho para onde ir. Já falei com algumas assistentes sociais e não quiseram saber do caso.
Precisava da vossa ajuda urgente encontro-me a pernoitar em frente à Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha.

Precisava da vossa ajuda para publicar e para chamar atenção, alguém responsável e para me ajudar a sair desta situação onde eu necessito de medicações e cuidados, como dependente de insulina e medicação de psiquiatria.

Agradecia que me desse uma resposta sua, obrigado.
Com os melhores cumprimentos,

José Augusto dos Santos Oliveira
Viela dos Moinhos nº4
 Fial de Cima
3850-364 Alquerubim”

Depois de mais de dois meses à chuva e ao frio, implorando por ajuda e uma casa onde viver, José Augusto Oliveira enforcou-se à porta da autarquia.
Uma tragédia pessoal que se soma às muitas tragédias que se somam num cenário de destruição económica e social largamente proveitosa para a minoria que impera.

O que mais me espanta, o que mais me deixa perplexo, é a paciência da maioria de nós perante o crime em curso. Este homem não se matou, foi assassinado pela falta de esperança. Um dia os responsáveis por esta verdadeira matança em massa pagarão pelos seus crimes. Que nessa altura ninguém venha lamentar o seu destino, que ninguém venha chorar o destino que relativamente aos explorados ignorou durante anos e anos e anos e anos.
Rui Silva, em manifesto74.blogspot.pt

NÚMEROS …

(a realidade contra a propaganda)

A evolução do PIB e do consumo efectivo por habitante de um País dá certamente uma indicação da qualidade de vida dos seus cidadãos. A União Europeia tem apresentado um crescimento económico medíocre, comparativamente a outros espaços económico-geográficos. O capitalismo europeu encontra-se enredado em muitas contradições, por ele próprio criadas.

O PIB de Portugal era de 78% da média europeia em 2008. Em 2010, atingia 80%, mas em 2012 ficava pelos 76%. Não será nada de admirar que o “trambolhão” do PIB seja ainda maior nas estatísticas de 2013, 2014, 2015… Portugal produz menos, cada vez menos, e não atinge metade do PIB do Luxemburgo (163% da média europeia), praça financeira e do capitalismo europeu.

O consumo efectivo por habitante era de 83% da média europeia em 2008. Em 2010, atingia ainda os 84% mas já em 2012 descia para uns chocantes 77%. A política de austeridade cega, chamada de “ajustamento orçamental”, patrocinada pelo PSD, PS e CDS, colocará os próximos indicadores em valores … de sobrevivência. O Luxemburgo atinge os 138% em 2012, o que convenhamos atesta a desigualdade reinante na União Europeia.

CR

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

REQUERIMENTO

EXMO. SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES

 Cristiano Manuel Soares Ribeiro, eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Paredes, no âmbito do Artigo 60 do Regimento da Assembleia Municipal de Paredes e nomeadamente da sua alínea c) que define os direitos dos membros da Assembleia, solicita através da Mesa desta Assembleia ao Executivo Camarário, esclarecimentos sobre a empresa de produção de vestuário e confecção a instalar em Vilela e que obteve por parte da autarquia apoio, nomeadamente isenções fiscais.  
Reconhecendo a indiscutível importância da criação de postos de trabalho e de riqueza no Concelho, num quadro actual de desindustrialização e desemprego, e procurando tornar transparente todo o processo, perguntamos:

1)    Qual a identidade da empresa, sede social, funções exercidas, compromissos assumidos de criação de emprego, forma de candidaturas dos trabalhadores, vínculo laboral?

2)    Quais são as formas de apoio ao seu funcionamento por parte da Câmara Municipal, nos termos da Lei?

Pede deferimento
Paredes, 21 de Janeiro de 2014
  
   O Eleito da CDU

       (Cristiano Ribeiro)

FRASE DO DIA

O ministério das finanças vai sortear automóveis para quem encontrar negócios de corrupção que não envolvam gente do PSD

Anónimo

CONSTRUÇÃO

Amou daquela vez

Como se fosse a última

Beijou sua mulher

Como se fosse a última

E cada filho seu

Como se fosse o único

E atravessou a rua

Com seu passo tímido

Subiu a construção

Como se fosse máquina

Ergueu no patamar

Quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo

Num desenho mágico

Seus olhos embotados

De cimento e lágrima

Sentou prá descansar

Como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz

Como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou

Como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou

Como se ouvisse música

E tropeçou no céu

Como se fosse um bêbado

E flutuou no ar

Como se fosse um pássaro

E se acabou no chão

Feito um pacote flácido

Agonizou no meio

Do passeio público

Morreu na contramão

Atrapalhando o tráfego...



Amou daquela vez

Como se fosse o último

Beijou sua mulher

Como se fosse a única

E cada filho seu

Como se fosse o pródigo

E atravessou a rua

Com seu passo bêbado

Subiu a construção

Como se fosse sólido

Ergueu no patamar

Quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo

Num desenho lógico

Seus olhos embotados

De cimento e tráfego

Sentou prá descansar

Como se fosse um príncipe

Comeu feijão com arroz

Como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou

Como se fosse máquina

Dançou e gargalhou

Como se fosse o próximo

E tropeçou no céu

Como se ouvisse música

E flutuou no ar

Como se fosse sábado

E se acabou no chão

Feito um pacote tímido

Agonizou no meio

Do passeio náufrago

Morreu na contramão

Atrapalhando o público...



Amou daquela vez

Como se fosse máquina

Beijou sua mulher

Como se fosse lógico

Ergueu no patamar

Quatro paredes flácidas

Sentou prá descansar

Como se fosse um pássaro

E flutuou no ar

Como se fosse um príncipe

E se acabou no chão

Feito um pacote bêbado

Morreu na contra-mão

Atrapalhando o sábado...



Por esse pão prá comer

Por esse chão prá dormir

A certidão prá nascer

E a concessão prá sorrir

Por me deixar respirar

Por me deixar existir

Deus lhe pague...



Pela cachaça de graça

Que a gente tem que engolir

Pela fumaça desgraça

Que a gente tem que tossir

Pelo andaimes pingentes

Que a gente tem que cair

Deus lhe pague...



Pela mulher carpideira

Prá nos louvar e cuspir

E pelas moscas bixeiras

A nos beijar e cobrir

E pela paz derradeira

Que enfim vai nos redimir

Deus lhe pague...

          Chico Buarque de Holanda

a cuspidela da serpente

MENDES E COIMBRA

Adicionar legenda
 Será chuva, será gente? Boa coisa não será, certamente, que um politico honesto não procede assim. Presunção de inocência, com esta gente? Cabala, vingança da equipa de Passos Coelho? Pois... uma coisa é certa. Donde saiu Marques Mendes, há um sem número de viborazinhas á solta, lingua afiada e um indiscutível e insaciável apetite por interesses materiais, a que se associa uma radical ausência de principios morais

CR

domingo, 19 de janeiro de 2014

A Hora das Gaivotas

 de João Monge

 

Em todas as casas há um coração suspenso

e uma janela sobre o mar

As crianças recolheram a casa

e o mar, sempre o mar, estende as longas crinas

de cavalo azul nas paredes de pedra

 

É noite

É a espada líquida da noite

 

Chicharro com pão dormido, camarada

pão dormido

 

As gaivotas ensaiam o voo tresloucado

dos papagaios de papel

Parecem ter medo de poisar,

de dar descanso ao seu coração suspenso:

O medo de calar por dentro

 

– … e rabanadas com três dias

Tudo nos serve para medir o tempo

Eles não sonham

 

É a mais líquida de todas as noites

Nada se conforma no seu próprio destino:

As casas,

O mar,

As gaivotas,

Os homens…

 

Tudo parece convergir

para o ninho inevitável

onde todas as coisas regressam à sua razão de ser:

A Liberdade

 

(A Patética de Tchaikovsky

 escorre de um velho gira-discos

para as paredes do refeitório)

É tão louco este mundo, camarada

1893, 1893. O ano da Patética,

o ano do Grito de Edvard Munch

O maior grito da humanidade

O inexplicável grito de todos nós

 

Em todas as casas há um coração suspenso

e uma janela sobre o mar

As crianças recolheram a casa

e, protegidas pelos pais,

adivinham por detrás das cortinas

um sinal que dê sentido a tudo

Ninguém sabe o que espera

mas toda a gente espera em silêncio

 

É como se a terra soubesse

que há dias em que o mundo

 tem de ser redondo

3 de Janeiro de 1960

Às sete em ponto da tarde

Adagio–Allegro non troppo

Nada me passa na garganta, só um grito mudo…

A estrada ainda está deserta, nem uma luz…

Mas ele há-de vir!

Somos 10, estamos contados

Contemo-nos de novo:

Álvaro,

Jaime,

Joaquim,

Carlos,

Francisco,

José,

Guilherme,

Pedro,

Rogério,

Francisco.

 

E eu, e tu, e quem atrás de nós vier

E todos os que hão-de nascer

Com uma côdea no céu-da-boca

 

É por isso que o mar espalha

a sua toalha bordada

na praia, aos nossos pés

para, da sua eterna sabedoria,

nos prendar com a nossa igualdade

Allegro com grazia

Pai, olha aquele carro, olha aquele carro

Apaga a luz, apaga a luz…

Vem com a mala aberta, devagarinho, devagarinho…

Vem do lado das docas…

Pai, repara, as gaivotas pousaram todas…

– … e parou em frente ao forte

É a hora das gaivotas

É a hora das gaivotas

O homem está a sair do carro, pai…

Sim. Vai fechar a mala, certamente…

Olha, as gaivotas, com o som da mala a fechar, levantaram voo novamente

São misteriosas as campainhas do destino

Allegro molto vivace

Em todas as casas

há um coração suspenso

pelo medo e pela saudade

e uma boca amarrada

 às paredes cegas

 

Francisco, rasga esses lençóis

que nos fizeram para sudários.

 

Todas as palavras são medidas

como as sardinhas

e quase nunca é domingo

 

Vá, tu sabes dar os nós de pescador

Une as tiras e dá-lhes um nó no meio

para que as mãos encontrem mais

 firmeza

 

A terrina ocupa o centro da mesa

as crianças são servidas primeiro

Apenas o tilintar das colheres

abre feridas no silêncio das casas

E as côdeas de pão dormido

quando estalam no céu-da-boca

 

Somos 10, estamos contados

A corda tem de servir 10 vezes,

Camarada

 

O jantar é em silêncio

Mas quando o cavalo azul galopa pelas muralhas

ouve-se a sua pulsação

a estalar o coração das gentes

 

Pai, posso ir à janela?

O carro já se foi embora. Não há nada para ver. Acaba a sopa

Há, pai! As gaivotas não se calam

E as ondas batem sem conta certa

Deixa-me apagar a luz…

Pai, passaram dois carros grandes

mesmo agora. Um seguiu em frente e o

outro está parado à porta da vizinha

 com as luzes apagadas

Esperam alguém. É gente de bem

Finale — Adagio lamentoso
 
Não olhes para baixo, camarada

E o mar, sempre o mar, estende

as longas crinas

de cavalo azul nas paredes de pedra

Pai, há uma corda a baloiçar na parede do forte…

Em todas as casas há um coração

 suspenso

e um lugar vazio à mesa

Isso, conta os nós… tu sabes

 a conta certa

Não olhes para baixo

Pai, o homem pôs o carro

 a trabalhar…

 

Os gritos das gaivotas cobrem com um véu de tule

os ruídos dos ossos contra as pedras

É a natureza do lado certo

 

Pai, outro homem… e outro… e outro…

É o medo contaminado pela esperança

e a espada líquida da noite virada

 de feição

Pai, ajuda-me… não entendo,

não entendo…

É a hora das gaivotas, meu amor!

Poema (magistralmente) lido pela actriz Maria João Luís na recriação da fuga de 3 de Janeiro de 1960, realizada junto ao Forte de Peniche precisamente 54 anos depois.