um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

texto

Iraque: a maior não-história da era moderna
Neil Clark *

 A mais recente vaga de violência matou pelo menos 54 pessoas e feriu mais de 100 outras. Em Julho, mais de 1.000 pessoas foram mortas e mais de 2.300 foram feridas. 

Pensarão provavelmente que estou a referir-me à Síria. Mas não. Estou a falar do Iraque. O país que George W. Bush e Tony Blair “libertaram” em 2003.

 Foi-nos dito que a intervenção militar ocidental iria abrir as portas a uma era maravilhosa de democracia, liberdade e direitos humanos. Em vez disso, abriu as portas a um aterrador banho de sangue já com mais de uma década de duração, com os iraquianos comuns a terem de suportar o pesadelo de viver naquilo que se tornou um dos mais perigosos países da terra.

 Bastante à semelhança da história de Sherlock Holmes “O curioso incidente do cão nocturno”, o silêncio dos comentadores e políticos pró-guerra no que diz respeito ao derramamento de sangue em curso no Iraque é particularmente revelador.

 Os mesmos figurões da elite que não paravam de escrever e de falar sobre o Iraque em 2002 e no início de 2003, dizendo quão terrível a ameaça das “armas de destruição massiva” de Saddam Hussein era para todos nós, e como necessitávamos de ir para a guerra com o Iraque não apenas para desarmar o seu perverso ditador mas também para “libertar” o seu povo, estão agora silenciosos perante o continuado derramamento de sangue e o caos provocado pela invasão ilegal. No decurso da invasão, em Março de 2003, não se podia ligar um noticiário televisivo em Inglaterra ou na América sem que nos aparecesse um “neo-con” 1 ou um “intervencionista liberal” obsessivamente fixado no Iraque. Na preparação para a guerra, estes grandes “humanitários” fingiam preocupar-se com a penosa situação dos iraquianos sob a ditadura de Saddam – mas nos dias de hoje manifestam pouca ou nenhuma preocupação pela penosa situação dos iraquianos regularmente esfacelados por bombas, a um ritmo quase diário. Não há apelos por parte dos “suspeitos do costume” a uma intervenção humanitária ocidental para deter a matança no Iraque. Para estes intervencionistas em série (serial interventionists) o Iraque, depois da invasão, tornou-se a maior não-história da era moderna.

Em vez disso, a mesma gente que falava sem parar do Iraque em 2002-2003 hoje fala sem parar da Síria – fingindo preocupar-se com a penosa situação dos sírios da mesma forma que derramavam lágrimas de crocodilo sobre os iraquianos no início de 2003. É interessante verificar que, no que diz respeito a dados sobre as baixas, os políticos pró-guerra são capazes de nos dizer exactamente quantas pessoas morreram na Síria desde que a violência teve início em 2011, (e está claro que para eles todas as mortes são da responsabilidade pessoal do Presidente Assad), mas quando a questão diz respeito ao Iraque e ao número de pessoas que aí foram mortas desde Março de 2003, a informação passa a ser muito mais vaga. “Não fazemos contagem de vítimas entre gente alheia” foi a notável declaração de Donald Rumsfeld em Novembro de 2003. Os iraquianos mortos desde Março de 2003 (e o número de baixas varia entre cerca de 174.000 e bastante mais de um milhão) são, para a nossa elite política, “não-gente”.

Em 2013 apenas os sírios mortos (e sírios por cujas mortes as forças governamentais sírias possam ser responsabilizadas) contam – não os iraquianos mortos. É por o Iraque ser apresentado como uma “não-história” e os nossos dirigentes nunca falarem da situação ali existente que não surpreende que a percepção pública acerca do morticínio se situe muito abaixo mesmo das estimativas mais conservadoras. Segundo uma sondagem realizada este ano, 66 por cento dos britânicos estimava que 20.000 iraquianos, ou menos, teriam morrido desde a invasão de 2003. Donald Rumsfeld ficaria sem dúvida encantado ao ouvir isso. Se tivessem algum resto de vergonha, as pessoas que destruíram o Iraque podiam ao menos ter tido a gentileza de se retirar da vida pública.

Mas os “neo-cons” e os imperialistas liberais não praticam nem a vergonha nem o remorso. O mesmo bando de intervencionistas “humanitários” e de falcões que pressionou a invasão do Iraque em 2003 passou os dois últimos anos a fazer propaganda por um ataque contra a Síria. Estes belicistas maníacos prefeririam que “virássemos a página” do Iraque para concentrar a atenção no próximo país do Médio Oriente da sua lista de objectivos a abater. Mas não devemos nunca “virar a página” do Iraque até que aqueles que destruíram esse país sejam levados a julgamento. O caos e o derramamento de sangue a que assistimos hoje no Iraque é consequência directa das desestabilizadoras e destrutivas políticas “neo-con” dos EUA e da Grã-Bretanha, e aqueles que são responsáveis pelo “supremo crime internacional” de infligir uma guerra de agressão contra um estado soberano devem prestar contas pela enorme desgraça humana que causaram.

 *Jornalista e escritor.

 O endereço do seu blogue é www.neilclark66.blogspot.com.

A Naifa - A Tourada

AS CANÇÕES DA NAIFA

Outubro.

 É de noite e a criatura arrasta-se entre o breu e os ocasionais holofotes que querem matá-la. A criatura, alta por natureza e firme por formação, arrasta-se. Cabisbaixa e apodrecida.

 Enfia-se num beco evidente. Um beco que em dois ou três passos tratará de lembrá-la do seu fim. Pouco lhe importa. Na realidade, não pensa. Nem no que faz nem no buraco onde se meteu.

Não chega a dar dois passos. Ao caminho saltam-lhe quatro criaturas, estas humanas, vultos negros estranhamente alumiados por um candeeiro na parede. Cada um tem uma naifa. Quatro naifas apontadas à miserável e morredoura criatura.

 Acorre à criatura a ideia de salvar a vida que lhe resta:

- O que querem de mim? Nada tenho para dar. Levaram-me tudo.

 A morena vivida, a quem os olhos brilham, fala-lhe pelos quatro com a sua voz sobrenatural:

 - Ninguém te quer tirar nada. Pelo contrário. Viemos devolver-te a poesia e as canções que perdeste. Vais engoli-las, queiras tu ou não queiras. Gostes ou não gostes do que lhes fizemos. Talvez te abandone essa dormência fétida. Trazemos-te os poetas que não deixaram morrer a coragem. Trazemos-te até os que lidaram a censura com olés. Devias ouvir mais sobreviventes. Trazemos-te canções que não são nossas, destes reis magros que te fazem oferendas de chino na mão. São tuas, mas esqueceste-te delas. Temos a esperança de que, quando voltares a ouvir o Ary, o Lobo Antunes e o Mourão Ferreira, te libertes dessa condição, desse fado do subalterno. Talvez nada disto te salve desse fado, esse lugar onde te cristalizaste nos sonhos dos turistas, mas inquietação trar-te-á de certeza. Inquietação é a última das canções que aqui encontras.

A criatura estremece no desconforto que há muito não conhecia:

- Não sei se podem fazer-me isto. Vocês sabem quem eu sou?

 A morena aponta-lhe a naifa e, antes de ajustar uns auscultadores no que à criatura resta da cabeça, atira-lhe com amor:

- Toda a gente sabe quem tu és, Portugal. Tu é que te esqueceste.

 - PEDRO GONÇALVES -

O PS, O MESMO PS DE SEMPRE!

Um esclarecimento necessário sobre o processo de constituição dos órgãos da Área Metropolitana de Lisboa


O impasse criado na entidade Área Metropolitana de Lisboa é inseparável das inaceitáveis pretensões hegemónicas de PS/PSD e das manobras para as procurar impor com recurso a expedientes anti-democráticos.
Estão em presença, e confronto, duas concepções políticas e democráticas antagónicas: a da CDU que, baseada na experiência e prática de mais de duas décadas de funcionamento da AML, está fundada na construção de uma solução consensual, plural, não hegemónica e de integral respeito pela influência política resultante do número de câmaras de cada força política; e a do PS e António Costa que, suportada numa aliança com o PSD parecendo envolver “Isaltino-Oeiras mais à frente”, visa concretizar a hegemonização absoluta da AML e ao afastamento daquela que é a força política com o maior número de municípios (a CDU com 9 presidências em 18).
Desde a criação da entidade metropolitana que a eleição para os seus órgãos é realizada de forma democrática por entre os seus membros, onde cada eleito tem direito a um voto e de modo secreto pode escolher livremente os candidatos que pretende para a sua composição. Assim foi em todos os mandatos, quer quando a CDU deteve maioria absoluta ou relativa, quer quando o PS obteve uma maioria relativa de presidências de Câmaras Municipais. Assim foi no último mandato em que com oito Câmaras a CDU presidia à Junta Metropolitana (agora denominado Conselho Metropolitano) e o PS detinha a presidência da Assembleia Metropolitana. Hoje, PS e PSD ambicionam afastar a CDU quando esta detém mais uma autarquia que no mandato anterior, enquanto o PS mantém as seis e PSD viu reduzido esse número de três para duas.
Ou seja, o que PS e PSD ambicionam é, por via de um golpe processual, transformar a maioria relativa da CDU numa minoria absoluta e tornar a minoria relativa do PS numa maioria absolutíssima. Fazem-no não se coibindo de tentar impedir a expressão de vontade dos membros do Conselho Metropolitano por voto secreto; fazem-no pretendendo substituir o princípio democrático mais elementar de «uma Câmara um voto» pelas disposições antidemocráticas impostas pela legislação de Miguel Relvas; fazem-no querendo consagrar, contra a lei e os mais elementares princípios de funcionamento democrático, uma noção de quórum que conduziria à situação de estando apenas presentes 5 dos 18 membros esse quórum estaria reunido enquanto se estivessem 13 dos 18 membros esse quórum não estaria preenchido, revelando até que ponto aqueles dois partidos querem ir para assegurar hegemonização da Área Metropolitana de Lisboa.
Fazem-no também em total contradição com a solução encontrada na Área Metropolitana do Porto onde foi eleito presidente do Conselho Metropolitano o Presidente da CM de Oliveira de Azeméis, eleito pelo PSD, partido com maior número de municípios não obstante o PS ser a força política com mais votos e eleitos nessa área metropolitana. Facto que mais do que uma aparente contradição de posturas revela um indisfarçável acordo entre PS e PSD para repartirem o seu domínio nas áreas metropolitanas e afastar a CDU da presidência da AML.
A CDU continuará a lutar, como desde a primeira hora tem feito, para dignificar a instituição AML apesar das limitações democráticas e de poderes a que está amarrada. Não é à CDU que podem ser assacadas responsabilidades por as áreas metropolitanas não serem verdadeiras autarquias. Essas responsabilidades devem ser remetidas para sucessivos governos, incluindo os do PS e nestes aquele em que António Costa foi ministro com responsabilidades directas na área do poder local. O que não pode ser tolerado é que, por objectivos que ultrapassam os interesses da Área Metropolitana, se venham invocar critérios de escrutínio que em 29 de Setembro não estiveram presentes para lá daqueles a que os eleitores foram chamados a decidir: o da eleição de presidentes da Câmaras que agora compõem por inerência a AML.
Os eleitos da CDU no Conselho Metropolitano

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

NAS GARRAS, CRISTAS AO VENTO!

Há Gatos e gatos, Cães e cães. Há pessoas e até ministros sensíveis a cães que são cães e a gatos que só querem ser gatos. Cristas de apelido, Assunção de nome, é Ministra da Agricultura, que não é claro que seja pelouro para gatos e cães. Mas isto de cães e gatos, animais domésticos ou não, é assunto que se pode falar exaustivamente, quando não interessa falar de pessoas.

 E quando se falou de uma legislação que limita a 2 cães por apartamento, ou 4 gatos por apartamento, ou de um máximo de 4 animais “salteados” por apartamento, todos pensamos que Cristas de apelido, Assunção de nome, nos estava a distrair.

 Saiu então a terreiro, ao quintal, o Almeida que é João, prócere do Orçamento para 2014, e de que nos fala ele? De pessoas? Não. Dos cães e gatos, coitados, vítimas do “fascismo higiénico”, decretado pela sua camarada do CDS/PP. O Estado estava-se a meter com a sacrossanta procriação.

 Fingindo-se surpreendida,Cristas logo descartou a iniciativa. Tudo estava ao nível do trabalho técnico, há 7 anos na gaveta. Sem prioridade, sem avaliação política, que nisto de felinos e canídeos, o momento da decisão é complexo. Logo, os cãezinhos, os gatinhos, o Almeida que é João, e o País, podem ronronar sossegados, podem ladrar como quiserem, aos pares, ás dezenas, que a Cristas não levantará a dita (a legislação).

 Em Portugal, respeita-se tudo. Tudo, menos as pessoas.

 CR

domingo, 27 de outubro de 2013

a capa do nosso desatino

e eu pergunto, só por perguntar, como se sentem agora, os enfermeiros, ou trabalhadores das finanças e outros, que alegaram tantas vezes não poder sacrificar um dia de salário, ou dois, em processos reivindicativos específicos ou globais?

e eu pergunto, só por perguntar, como se sentem agora todos os que foram enganados pelos partidos da direita, ou neles militam ou neles confiaram nas candidaturas autárquicas, directa ou indirectamente?

e eu pergunto, só por perguntar, como se sentem todos os que ocupando funções de direcção nos escalões intermediários da administração, servem disciplinadamente orientações que impõem maior período laboral e menor (muito menor) remuneração salarial?

e eu pergunto, só por perguntar, se se ama verdadeiramente quem de nós depende, seja filhos menores, ou ascendente idoso ou incapacitado, ou familiar desempregado, ou se no fundo a imagem no espelho nos basta?

CR

a cuspidela da serpente

O Cardeal José Policarpo disse em Setúbal que Portugal só tem dinheiro para mês e meio em caso de incumprimento das metas estabelecidas no pedido de resgate e acusou a oposição e os sindicatos de não apresentar soluções. O Cardeal Policarpo, pastor de almas, voz e representante de uma Igreja milenar, merece-me respeito, inclusivé com as naturais divergências programáticas e filosóficas.

Mas este cidadão Policarpo não. Este é um lambe-botas do actual Poder, padrinho de falsos e embusteiros. E a facção da Igreja que ele protagoniza não serve os pobres, nem os injustiçados, antes os subestima e amedronta. Basta de submissão e de repressão social e moral!

A serpente cospe perigosamente, mesmo quando sob o manto sacerdotal.

CR

Poema

Paráfrase da música cidadão 


Tá vendo a Petrobras moço?
Meu pai também trabaiô lá.
Eram tempos de ebulição,
o petróleo era nosso e a estatal ele ajudou a funda.

Tá vendo aquele etanol moço?
Eu ajudei a consolida.
Eram tempos de aflição, cortar cana, boia fria, queimada e solidão.

E tá vendo aqueles partidos moço?
Se diziam de luta, greves ajudaram a mobilizar.
E depois de tudo pronto, veio o lula e eu feito tonto
votei pra ele nos governa.

Eiii moço, tá vendo aquele menino ali?
É meu neto desempregado.
Filho de preta e avô mulato,
sabe dos meus erros, viu os caminhos
que ajudei a desbravar.

Dorme onde dá, come o que tem pra hoje,
lê tudo que aparece e ainda acredita no amor livre.
Repare no seu olhar, no dicionário dessa molecada
conciliação é palavra riscada.


(em coletivorosadopovo.blogspot.pt)

Festival RTP 1976 - Carlos do Carmo / Fernando Tordo - Novo Fado Alegre

UM DISCURSO DE TOMADA DE POSSE FALHADO

Na tomada de posse de Presidente da Câmara de Paredes Celso Ferreira discursou e explanou as suas ideias sobre a actividade autárquica. Dessa intervenção, ficaram algumas impressões e conclusões, a confirmar no futuro:

1)    A ideia de que os recentes resultados eleitorais traduzem a insatisfação do eleitorado tradicional do PSD para com a governação de Passos e Portas e pouco ou nada a penalização do autarca de Paredes e da sua equipa executiva
2)    A ideia de que a continuidade dos protagonistas, dos projectos e das dinâmicas assegurarão por si só a confiança futura do eleitorado
3)    A ideia de que fora da órbita do PSD não há programas com conteúdo, nem gente com vontade de ser alternativa.

As grandes linhas de intervenção propostas por Celso Ferreira são:

- Construção na chamada cidade desportiva de segundo sintético, complexo de ténis, acessos e balneários
- Construção de parque de desportos radicais, complexo de piscinas ao ar livre, esplanadas junto ao parque da cidade
- Construção de Casa da Juventude
- Continuação de eventos como o Arts On Chairs e eventos desportivos mediáticos
-“Obras de regeneração urbana” (?)
- “Obras de proximidade” (?)
- “Apoio social” (?)
- Extensão de Rede de Saneamento e Àgua
- Conclusão da Carta Educativa
- Conclusão de 22 pavilhões desportivos

Independentemente de serem repetições de promessas ou não, obras vagas ou indefinidas, adiadas ou não, convinha salientar a pobreza de tal discurso oficial. Uma outra sensibilidade/capacidade política e um outro realismo político falaria (e com prioridades estabelecidas) de outros objectivos. Assim:

- Falar-se-ia de endividamento, de um cronograma de redução desse endividamento, de melhoria da gestão das receitas e das despesas de funcionamento
- Falar-se-ia do desemprego, da sua realidade, das suas consequências, do combate contra a extinção de postos de trabalho e pela criação de novos empregos
- Falar-se-ia de actividades económicas, do reforço da produção local, da agricultura, da indústria, do comércio tradicional, do sector de serviços públicos
- Falar-se-ia dos direitos e rendimentos dos trabalhadores, condição indispensável para a criação e reabilitação de um mercado interno de consumidores
- Falar-se-ia dos direitos e deveres dos trabalhadores da autarquia, das suas competências e capacidades profissionais, ao serviço do bem público
- Falar-se-ia de compromissos e parcerias com a Área Metropolitana do Porto, bem como com cidades e concelhos vizinhos
- Falar-se-ia da retirada da ETAR de PAREDES, do Acampamento Cigano no Centro de Paredes, dos edifícios abandonados (Campo de Futebol, Pavilhão Gimnodesportivo, antiga Junta de Freguesia de Castelões de Cepeda)
- Falar-se-ia da defesa e reabilitação do património instalado, do turismo, da qualidade de vida
- Falar-se-ia enfim de um esforço gigantesco para ultrapassar os deficits existentes, as fragilidades do tecido económico e social existente, por mais e melhor democracia.

CR

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

10 000 Russos - Nikolai





Integrado nas comemorações do centenário no nascimento de Álvaro Cunhal, a JCP lançou este ano o CD "Nas nossas mãos o destino das nossas vidas", com temas originais de 16 bandas portuguesas que responderam ao desafio de criar uma música em torno da convicção de que cabe à juventude a construção do seu destino e a transformação do seu futuro.

A JCP agradece a todos os militantes, amigos, técnicos e bandas que participaram neste projecto. A partir de hoje e até ao concerto de dia 09 de Novembro, divulgaremos os temas que integram o CD. Fiquem atentos e partilhem!

Aqui fica a interpretação da banda 10000 Russos, "Nikolai".

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Canción al Partido Comunista ☭

INAUDITO


Em 2006 um grupo de moradores de Paredes interpôs em Tribunal uma acção popular contra os municípios de Paredes e Penafiel e as Águas de Paredes. O objectivo era o encerramento da ETAR de Paredes, por atentados ao ambiente e á saúde pública e á qualidade de vida da população residente nas imediações.  

Eram justamente referidos as descargas da ETAR para o Rio Sousa e Ribeira de Sentiais, com a poluição associada a cheiros nauseabundos, provocados por lamas a céu aberto não removidas periodicamente. Não custa a admitir a existência de distúrbios psíquicos e doenças como alergias e gastroenterites resultantes de tão grave atentado ambiental. Passados 7 anos, 7 longos anos, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel considerou improcedentes as queixas sobre o funcionamento do equipamento.

Após a leitura do publicado nos jornais sobre a análise e decisão do Tribunal, expresso uma profunda discordância política. Fundamento, ponto a ponto. Todos sabemos que a ETAR de Paredes é antiga, desactualizada e funciona acima das suas capacidades. Logo justifica-se o seu encerramento e justificava-se há muito a sua substituição. Dizer-se que a “a ETAR até á data vem funcionando nos termos em que foi concebida” para além de ser inexacto (a ETAR tem agora a sobrecarga de efluentes como os do Hospital Padre Américo) é irrelevante, por não ter em conta novas exigências ambientais do progresso das sociedades humanas. Dizer-se que “a ETAR é acompanhada por pessoal especializado” ou “de licenças sucessivamente renovadas” ou de “análises regulares de controlo de qualidade” é convicção do Tribunal, para mim não suficientemente provada. Dizer-se “que um equipamento deste género não cheira bem, sobretudo no Verão” roça o caricato, mais ainda quando se desculpa o nauseabundo cheiro com a inexistência de escala de medição … de cheiros. Portanto para o distinto Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel o incómodo da existência e funcionamento actual da ETAR é um “custo social” porque ela “trata adequadamente efluentes domésticos” e “não ficou provado que a poluição do rio e da ribeira se deva a descargas da ETAR”. Custa perceber.

Permito-me relembrar a existência dos pelourinhos da Idade Média. Servidos por pessoal especializado, funcionava nos termos da sua concepção, sei lá até com controlo de qualidade. Porém apesar dos “beneméritos serviços” prestados, houve alguém que sentiu que o exercício da justiça podia ser de outra forma. Outros tempos…

CR  

PCP confronta Ministra das Finanças com a proposta do pior Orçamento do ...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Otis Redding - Sitting on the dock of the bay

O ROLO COMPRESSOR

Decorreu ontem a cerimónia de tomada de posse dos membros da Assembleia Municipal de Paredes. Nada de novo aconteceu.

O PSD comportou-se como de costume. Apesar do susto de ter tido um resultado eleitoral que lhe deu a vitória á tangente, sendo maioritário na Assembleia apenas e graças ás inerências dos Presidentes de Junta de Freguesia, e não pelos mandatos directos, o PSD continua a ser um rolo compressor em votações para a Mesa da Assembleia Municipal e em representações de Presidentes de Freguesias em outras entidades.

E disso faz gala, numa lógica á Alberto João Jardim. Aliás há muito de semelhante com a Madeira na vida politica paredense. Houve sempre um propósito de enxovalhar as oposições, retirando-lhe qualquer protagonismo ou mérito. Agora predomina a estratégia de “aldeia sitiada”, contra ventos e marés.

Se o PSD de Paredes tivesse uma estratégia inteligente e, diga-se, humildemente democrática, teria proposto ou votado um membro da oposição PS para a Mesa da Assembleia Municipal, um órgão não executivo e sem interferência directa no funcionamento camarário.

Mas o PSD de Granja da Fonseca e quejandos satisfaz-se com os sinais de uma votação “conjunta” da sua bancada e com a votação “individualizada” da oposição PS e CDU. Não percebe que a estratégia é suicidária. O poder PSD vai-se esboroando sob a acutilância previsível das oposições. E não falo do eleito do CDS que se limitará a provar que existe.

CR

domingo, 20 de outubro de 2013

Brigada Victor Jara - Alvíssaras



Original da Beira Baixa, álbum Tamborileiro

Castelo de Guimarães

Qualidade

Aveleda 2012, da Quinta da Aveleda, Branco foi o vinho com melhor classificação na relação qualidade-preço
Preço-qualidade. 10 vinhos portugueses entre os 100 melhores do mundo

São 10 os vinhos portugueses destacados  no top 100 de melhores compras (“best buys”) da conceituada revista norte-americana Wine Enthusiast.
Todos os anos esta publicação especializada em vinhos elabora a lista dos melhores vinhos com um preço até aos 15 dólares (11 euros).

Segundo a Wines of Portugal, Portugal foi o terceiro país com mais vinhos no top, atrás dos EUA e França, sendo o melhor vinho nacional o Aveleda 2012 da região dos Vinhos Verdes, em 2.º lugar


Fotografias




Manifestação CGTP, no Porto, o princípio, o meio (a ponte) e o final

Manifestação no Porto (Al Jazeera)

sábado, 19 de outubro de 2013

DANIEL

Daniel tem 27 anos, é licenciado em História, Mestre em História Contemporânea. Até há dias, era o Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro da Cova. 

Daniel Vieira era, apesar a sua juventude, o líder incontestado do desenvolvimento da sua freguesia, dinamizador da construção do novo edifício da Junta de Freguesia, atento mobilizador para a luta para a remoção de resíduos tóxicos outrora depositados em terrenos locais. Pela sua formação e sensibilidade, encontrava-se na primeira linha da divulgação do Museu Mineiro de S. Pedro da Cova, obra emblemática da freguesia, testemunho vivo de um passado rico em vivências e muitos dramas. Igualmente tocava na Banda de Música local, num raro exemplo de criatividade e de cidadania.

Mais recentemente encontramos o jovem Daniel na contestação activa á reorganização administrativa com a extinção de freguesias. Acompanhado pelos autarcas de Parada de Todeia (Paredes), Fânzeres (Gondomar), Leça da Palmeira (Matosinhos) e poucos mais, participou em todas as iniciativas e estrutura regional de contestação. Em todos os locais se distinguiu pela firmeza de convicções adquirida em opção comunista aos15 anos, e pela indiscutível simpatia. Reencontrei-o quando efectuava estágio profissional na Escola Secundária de Paredes.

Da reorganização administrativa resultou a União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova, um território de perto de 22 km2 e cerca de 40.000 habitantes. Por vontade do PSD e do CDS juntaram-se duas identidades diferentes, um território mais vasto (S. Pedro da Cova) a um território mais densamente habitado (Fânzeres). Por vontade do “relvismo” agregou-se uma freguesia (já Vila) de predomínio CDU a uma freguesia de influência política diversa, mais conforme o PSD. A diferença na anterior votação nas duas freguesias por parte da CDU podia inibir Daniel (38,7%-8,4%).

Mas Daniel Vieira e a CDU acreditaram. Apresentaram candidatura. Lançaram sementes ao terreno, fizeram das anteriores fraquezas, forças de futuro. Pouco a pouco, dia-a-dia, trouxeram para as consciências e vontades o exemplo da obra feita, um espírito de cooperação, acima de estéreis clivagens partidárias. Fizeram participar de forma empenhada a juventude, tão descrente de intervenção política, tantas vezes citada, outras tantas, excluída. E dos 4.275 votos expressos anteriormente subiram para 5.835 votos, da percentagem global de 23,5% subiram para 35,5%, em 29 de Setembro.

Daniel é legitimamente o novo Presidente da Junta da União de Freguesias. Transporta consigo uma enorme esperança. Representa o moderno, uma atitude diferente, uma cultura de participação colectiva, de humildade democrática, de retorno aos valores do 25 de Abril. 

CR

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Linda Martini - Volta



ÁLBUM TURBO LENTO (2013)

a vingança

Comunistas acusam Rio de “vingança em final de mandato” no caso do despejo da Seiva Trupe

Rui Rio levou a cabo uma “vingança em final de mandato” de forma “pidesca” ao despejar a companhia teatral Seiva Trupe, acusa a Direcção da Organização Regional do Porto do PCP.

“À boa maneira pidesca, Rui Rio assume-se juiz em causa própria e ordenou que durante a noite a Polícia Municipal fosse fazer o despejo coercivo, levando inclusive materiais e cenário da instituição, pondo mesmo em causa a estreia da peça agendada para o final deste mês”, referiu, esta quinta-feira ao final do dia, o PCP.

O comunicado dos comunistas foi enviado às redacções na sequência de ter sido divulgado que a companhia de teatro, residente no Teatro do Campo Alegre há 13 anos, havia sido despejada por falta de pagamento de uma dívida. Assim, o PCP vai pedir uma reunião urgente à Seiva Trupe e realizar uma “firme e imediata intervenção junto da Câmara Municipal do Porto condenando esta atitude e exigindo explicações”.

Fonte da Câmara do Porto confirmou a acção de despejo, que teve por base o incumprimento no pagamento de uma dívida, no âmbito do contrato de cedência das instalações do TCA. Celebrado em 2000, o contrato com a Fundação Ciência e Desenvolvimento (FCD) previa que a companhia de teatro se tornasse a companhia residente do TCA até 31 de Dezembro de 2014, mas, segundo a autarquia, em Março de 2011, a dívida acumulada por parte Seiva Trupe era já de 121 mil euros, acrescida de juros de 44 mil euros.

A presença de um histórico Director da Seiva Trupe na lista de apoiantes de Luis Filipe Meneses certamente não será estranha á medida de despejo. E perguntar-se-á qual a posição do "independente" Rui Moreira, o futuro Presidente da Câmara.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Frase

"Caíramos na era do Homem-Vespa, do Homem-Ninguém, onde as almas não se vendiam mais ao Diabo, mas ao Contabilista ou ao Carcereiro"

em Os Passos Perdidos, de Alejo Carpentier

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

COMUNICADO



UM RESULTADO HISTÓRICO, UMA CDU REFORÇADA

A Comissão Concelhia de Paredes do PCP, reunida em 14 de Outubro de 2013, analisou os resultados eleitorais da CDU nas autárquicas em Paredes e traçou as linhas da sua intervenção futura nas autarquias.

A Comissão Concelhia de Paredes do PCP saúda a população de Paredes, nomeadamente os candidatos e eleitores da CDU e expressa a sua satisfação e confiança, resultantes de uma votação muito significativa.

A CDU obteve em Paredes um resultado eleitoral histórico e muito expressivo: 6,8% dos votos válidos para a Câmara Municipal. 7,9%para a Assembleia Municipal e 7,3% para as Assembleias de Freguesia. A CDU alcançou um resultado que lhe permitiu eleger directamente dois representantes na Assembleia Municipal (mais um que anteriormente) e reforça o número de mandatos nas freguesias (com 2 eleitos em Cete, 2 eleitos em Recarei e 1 em Gandra).

A CDU confirma o prestígio indiscutível da sua gestão em Parada de Todeia ao longo dos últimos 12 anos, conseguindo maiorias absolutas significativas nos 3 órgãos autárquicos da freguesia.

A CDU constitui-se em verdadeira alternativa e mudança, resultado de um passado de coerência e competência dos seus autarcas e da actualidade do seu projecto político, nacional e local. Apesar de ainda não ter sido possível aceder à vereação, o inédito terceiro lugar em expressão eleitoral em Paredes, encheu de júbilo todos os que sonham com o progresso e a justiça social na nossa terra.
            
No Concelho não há apenas o PSD e o PS. Somos CDU e queremos ser mais e melhor CDU.
            
Quaisquer manobras que pretendam iludir o povo de Paredes, servem somente para engordar o ego de alguns, mesmo que (copiando as ignóbeis acções deste governo) ponham em causa decisões de juízes e do Tribunal Constitucional. Somos CDU, força independente e com identidade, respeitando a vontade popular e jamais permitindo que o PS ou qualquer partido envolva a CDU de forma intolerável ou abusiva em processo de descredibilização política.

Contem connosco, reforcem a CDU!

               Paredes, 14 de Outubro de 2013

       A Comissão Concelhia de Paredes do PCP


POEMA

DESCOBERTA


Inventei-te

mas tu recusaste ser uma mera criação.

Guiaste o meu braço

e surgiste em todas as telas

como traço e

perfeição

 CR


Jimi Hendrix - Angel

BAIÃO

 

Este político tem uma grande lata! A demagogia e a “falsa afectividade”. A prosápia, o auto-elogio. Baião e a perda dos serviços públicos de proximidade. Baião e a interioridade. Baião e o desemprego e a emigração. Baião e as medidas do memorando da Troika. Baião e a luta contra as medidas de saque da riqueza nacional e ocupação do território pelo capital nacional e internacional. A voz ausente de José Luís Carneiro contra essas politicas e contra a Reforma Administrativa. A voz ausente de José Luís Carneiro em defesa efectiva do País e do seu Baião. Para quê gastar dinheiro agradecendo aos eleitores o seu voto? O voto não se pede, não se agradece, MERECE-SE. Consciência pesada? E quem paga a iniciativa? O PS de Baião? A CÂMARA? Porque será que Baião é um dos concelhos mais pobres do País, apesar da localização quase junto ao litoral?

CR

Correr com a Comissão Liquidatária do país !

JORNAL DE NOTICIAS

terça-feira, 15 de outubro de 2013

imagina uma ponte que tem do outro lado a democracia

Imagina um país em que o primeiro-ministro responsável pelo desbarato dos fundos comunitários, pela destruição das pescas, da produção industrial, da agricultura, pela generalização do crédito bancário, é actualmente presidente. Imagina um país entregue duas vezes ao FMI pelo homem que inventou o contrato precário, destruiu a reforma agrária, e que depois de primeiro-ministro foi presidente.

Imagina um país em que os que juram defender a Constituição, são os mordomos dos monopólios e dos interesses privados que a querem desfigurar e rasgar. Imagina um país em que o primeiro-ministro responsável por duplicar a dívida pública, que salvou com o teu dinheiro banqueiros corruptos, que entregou por uma terceira vez esse país às mãos do FMI para tapar os buracos abertos pelo desmando da banca e dos agiotas, é hoje reputado comentador político com direito a programa de televisão regular.

Imagina um país em que ministros fingem ter cursos superiores. Imagina um país em que ministros e secretários de estado omitem as suas relações com a banca e com criminosos. Imagina um país em que os ministros são indicados pelos mesmos grupos económicos que vivem da tua pobreza. Um país em que os ministros pedem desculpa a empresários por serem investigados em crimes. Imagina um país em que os ministros mentem sobre a sua responsabilidade em contratos ruinosos para o estado que gerem.

Imagina um país em que o partido afirma antes das eleições não pretender aumentar impostos, despedir funcionários públicos, cortar rendimentos, pensões de reforma e subsídios para depois de as vencer aumentar os impostos, despedir funcionários públicos, cortar rendimentos, pensões de reforma e subsídios. Imagina um país em que um partido com 14% dos votos determina a política orçamental, económica e educativa e designa um vice-primeiro-ministro.

Imagina um país que realiza eleições apenas para fingir que é democrático porque o verdadeiro programa de governo estava já assinado com entidades estrangeiras. Imagina um país em que três partidos são poder há 38 anos consecutivos.
Imagina um país que os teus amigos são obrigados a abandonar.
Imagina um país onde só os ricos podem ter direito à saúde, à educação.
Imagina um país em que as empresas públicas são entregues a grupos privados pelo dinheiro que podem produzir em poucos anos.
Imagina um país onde podes ser despedido só porque o patrão tem quem faça o mesmo por menos. Imagina um país onde as crianças passam fome.

Imagina um país onde mais de 60% da riqueza produzida num ano é distribuída como rendimento de capital e menos de 40% é distribuída como rendimento de trabalho. Imagina um país em que a receita fiscal sobre rendimentos incide em 73% sobre os rendimentos do trabalho e 27% sobre os de capital.

Imagina um país em que encerram milhares de escolas e metem as crianças a fazer 3 horas diárias de autocarro para chegar à escola que já não têm perto de casa. Imagina um país onde não há orçamento de estado para a cultura e para as artes.

Imagina um país em que se entregam as estradas, os hospitais, as escolas, os correios, a água, os aeroportos, as telecomunicações, os aviões, e tudo o mais que te possas lembrar, a grupos não eleitos de accionistas que gerem o que foi construído com o esforço de todos apenas para benefício de alguns.

Imagina que vives num país que rouba as poupanças dos seus idosos, de quem trabalhou uma vida inteira e merece descanso.

Imagina que vives num país em que os próprios governantes escolhidos pelo povo governam para desviar a riqueza para outros países, para contas bancárias privadas, beneficiando aqueles que destruíram as tuas empresas, a tua riqueza.

Agora, imagina que vives nesse país.

 E que dia 19 há manifestação contra a decadência, contra a exploração e o empobrecimento.

 Imagina que no teu país há uma ponte.

Miguel Tiago  

Mudança no hino

CONTRA OS LADRÕES! NAS PONTES, MARCHAR!

Registos da História

Decorria o ano de 2001. Candidatava-se á Junta de Freguesia de Recarei uma lista do PSD que governou durante 12 anos. E apresentava um “Plano de Actividades” ambicioso que recordo aqui (em continuação). Para além de um oportuno exercício de fruição humorística, importa rever as promessas e a realidade actual.

Na medida 9 – Saneamento e água pública – dizia o PSD (relembro, que em 2001) que “o saneamento e a água qualificada ao domicílio serão nos próximos anos (portanto a curto prazo) uma realidade de todo o concelho de Paredes. Foi já entregue a construção de uma rede de saneamento básico e água ao domicílio a uma empresa particular que terá o prazo de 8 anos … “. E essa tão auspiciosa entrega á VEOLIA e a promessa de obras é dito sob o lema “Cada macaco no seu galho”(Sic). Chegamos á conclusão que nestes anos o GALHO onde se instalava a VEOLIA deve ter-se partido… Não se cumpriu a promessa /garantia de que “nunca nos irá faltar a água, pois sem ela o nosso dia-a-dia fica inqualificado e complicado”. Nem os prometidos depósitos de água em Bustelo, Outeiro, Além do Rio e arranjo e qualificação do de Outeiro.

Em medidas posteriores fala-se de luz pública, toponímia, local de Feira, toxicodependência e na Recuperação do Património, a recuperação dos lavadouros públicos é justificada por… embora a maioria das donas de casa têm máquina de lavar roupa, elas “querem conversar, trocar ideias, não deixando esmorecer o convívio e a amizade com outras mulheres”

Mas na área da pedagogia escolar, o PSD tem ideias firmes: famílias grandes e numerosas, de antigamente, sem problemas na educação dos filhos; famílias pequenas, de 2001, problemas na sua educação enormes. Porquê? Trabalho feminino e “quem fica com os filhos?”, pergunta. Ai, a escola de antigamente que bom que era!

Este PSD rústico, popularucho, ganhou as eleições em 2001 e governou 12 anos. Recarei não evoluiu, apesar do estatuto de Vila e que melhor comprovação (não) estará nos locais de voto, nos seus acessos, ou nas bermas de estrada, nas faltas de água, nas limitadas obras concretizadas.

CR

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

NADA COMO UM ESTÁGIO DE VERÃO

Apresento-vos dois Técnicos Especialistas que estão a exercer as funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, na ESAME (Estrutura de Acompanhamento de Memorandos), com nomeação publicada em DR 2.ª Série, N.º56, de 20 de Março de 2013. O salário (995 euros brutos), embora nada mau, não corresponde ao generoso estatuto.

Foram nomeados por Carlos Moedas e são verdadeiramente a nova geração que surfa nas ondas partidárias: hoje no ERASMUS, amanhã no Terreiro do Paço, passando por um estágio estival. Hoje estarão a discutir activamente o despedimento na Administração Pública.

João Miguel Agra Vasconcelos Leal, 22 anos, encontra-se a concluir o Mestrado Científico em Administração de Empresas na Universidade Católica Portuguesa, mais concretamente na Católica -Lisbon School of Business and Economics, onde, em 2011, já havia concluído a Licenciatura em Economia com média final de 15 Valores. Em 2008, concluiu o ensino secundário na vertente de Ciências Socio-económicas na Escola Secundária Sebastião e Silva com média final de 18 valores. Experiência Profissional Entre Junho e Agosto de 2011, João Miguel Agra Vasconcelos Leal realizou um estágio de Verão no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego. Anteriormente, em Junho de 2009, já havia efectuado um estágio de Verão no departamento de Marketing e Vendas da Empresa José Maria da Fonseca.

Tiago Miguel Moreira Ramalho, 21 anos, concluiu em 2012 a Licenciatura em Economia na Universidade Nova de Lisboa com média final de 16 Valores, tendo efectuado o semestre de Inverno de 2011/2012 em Praga, na University of Economics, no âmbito do programa ERASMUS. Em 2009, concluiu o Curso Científico -Humanístico de Economia na Escola Secundária Daniel Sampaio, com média final de 19 Valores. Experiência Profissional Entre Setembro e Dezembro de 2012, Tiago Miguel Moreira Ramalho realizou um estágio profissional não remunerado no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego.

 São singulares os caminhos da governação. Meu Deus, porque os fizeste precocemente tão ambiciosos e tão cínicos?

CR

A DESCAPITALIZAÇÃO DA CGA PELO GOVERNO

ARTIGO NÃO PUBLICADO ENVIADO AO JORNAL PÚBLICO EM RESPOSTA A UM ARTIGO DO SECRETARIO DE ESTADO HELDER ROSALINO

 O “Publico” divulgou em 2-10-2013 um artigo do Secretário de Estado da Administração Publica, Hélder Rosalino, em que este procura convencer a opinião pública que o governo não descapitalizou a CGA nem está a utilizar o “desequilíbrio financeiro” assim criado à CGA para justificar o ataque violento aos direitos dos trabalhadores e dos aposentados da Função Pública. Por isso, é importante que os portugueses conheçam não apenas a versão (“verdade”) do governo até porque Hélder Rosalino fez um apelo à “exigência de um debate informado”, embora na negociação com os sindicatos da Função Pública, em que participamos como assessor, se tenha recusado a debater verdadeiramente as “propostas” (imposições) do governo e muito menos a alterá-las.

Contrariamente ao que pretendeu fazer crer o Secretário de Estado as dificuldades financeiras da CGA não resultam da falta de convergência entre os dois sistemas, mas sim do efeito conjugado de medidas tomadas pelos sucessivos governos, nomeadamente as seguintes: (1) Descapitalização financeira da CGA pelos sucessivos governos, incluindo o actual, ao longo dos anos; (2) Transformação da CGA num sistema fechado que destruiu o principio da solidariedade entre gerações e reduziu significativamente as receitas da CGA;(3) Ataque violento aos direitos dos trabalhadores que tem empurrado prematuramente para aposentação milhares de trabalhadores e impedido a renovação, e que está a destruir serviços essenciais para a população, e que causou um aumento rápido da despesa com pensões; (4) A transferência para a CGA de fundos de pensões de várias entidades, incluindo privadas (ex. PT), libertando estas de responsabilidades financeiras, que estão a causar prejuízos à CGA os quais têm de ser suportados pelo Orçamento do Estado.Por economia de espaço, a análise terá de ser sintética, mas será fundamentada (o leitor interessado encontrará estudos mais desenvolvidos sobre esta matéria em www.eugeniorosa.com).

Em primeiro lugar, importa dizer e provar que durante anos os governos descapitalizaram a CGA, não transferindo para ela o que deviam transferir. Para concluir basta ter presente que, segundo os relatórios e contas da CGA, entre 1993/2003, por ex., a contribuição média anual dos trabalhadores para a CGA correspondeu a 9,8% do valor das remunerações, enquanto a das entidades empregadoras públicas foi apenas de 1,7%, e as transferências do OE para a CGA representaram somente 14,6%; portanto contribuições dos serviços públicos mais o transferido pelo Orçamento do Estado para a CGA representou apenas 16,6% das remunerações. Se o Estado e os serviços públicos tivessem entregue à CGA aquilo que qualquer empregador privado entrega à Segurança Social, ou seja, o correspondente a 23,75% das remunerações (só a partir de 2014 é que os serviços públicos começarão a contribuir para a CGA com 23,75%, segundo o Secretário de Estado), os excedentes assim obtidos só no período 1993/2003 e rentabilizados à taxa de 4% (foi a taxa aceite pelo governo para os fundos da PT) teria permitido à CGA criar um fundo de estabilização financeira, semelhante ao da Segurança Social que, agora, teria mais de 14.400 milhões €. E recorde –se que este valor diz respeito apenas a 11 anos (1993/2003), mas a CGA já existe há varias dezenas de anos. Os governos optaram por aplicar os excedentes assim obtidos, e dos quais se apropriaram, em outras despesas e agora o actual pretende “esquecer” esse facto.

A 2ª medida tomada pelo anterior governo e mantida pelo actual, que agravou significativamente as dificuldades da CGA, foi a transformação da CGA num sistema fechado, destruindo o princípio da solidariedade entre gerações que caracteriza um sistema público de segurança social. A partir de 2005, mais nenhum trabalhador da Função Pública se pôde inscrever na CGA. Esta medida, associada a uma politica de redução do numero de trabalhadores e de destruição da Função Pública, e de não renovação dos seus trabalhadores determinou que o numero de subscritores da CGA, entre 2005 e 2012, tenha diminuído em 208.480 (passou de 739.664 para apenas 531.184), o que provocou uma quebra nas receitas da CGA que estimamos em 1.514 milhões € por ano.

A 3ª medida que agravou as dificuldades financeiras da CGA foi e continua a ser o violento ataque aos direitos dos trabalhadores da Função Pública, traduzida nas alterações para pior, todos os anos, do Estatuto da Aposentação, culminando com a intenção do actual governo de fazer um corte de 10% nas pensões que já estão a ser pagas, o que tem provocado a insegurança e a indignação em toda a Administração Pública, e levado milhares de trabalhadores a se aposentarem prematuramente. Entre 2005 e 2012, o número de aposentados aumentou em 84.167, muitos deles antecipados, o que fez aumentar a despesa com pensões em 1.497 milhões € por ano.

Finalmente, as dificuldades financeiras da CGA foram também agravadas pelo facto dos activos dos fundos de pensões transferidos para a CGA (ex. PT) terem perdido valor (- 331,6 milhões € em 2012) e serem insuficientes para pagar as pensões aos trabalhadores, e é o Orçamento do Estado que tem de suportar a diferença. Portanto, é o próprio governo que, com as suas decisões, cria à CGA graves dificuldades financeiras, e depois utiliza as dificuldades que ele próprio criou para atacar os aposentados e os trabalhadores da Função Pública. Portanto, as verdadeiras razões das dificuldades financeiras da CGA são bastantes diferentes das que Hélder Rosalino pretendeu fazer crer a opinião pública. E é tudo isto que o governo (*) pretende ocultar enganando e manipulando a opinião pública contra os trabalhadores da Função Pública.

 Eugénio Rosa
 Economista e assessor dos sindicatos da Função Pública nas “negociações” com o Governo

(*) e o jornal Público ao não publicar a nossa resposta a Hélder Rosalino

domingo, 13 de outubro de 2013

Sting - Russians

REGISTOS DA HISTÓRIA


Decorria o ano de 2001. Candidatava-se á Junta de Freguesia de Recarei uma lista do PSD que governou durante 12 anos. E apresentava um “Plano de Actividades” ambicioso que recordo aqui. Para além de um oportuno exercício de fruição humorística, importa rever as promessas e a realidade actual.

A primeira medida (vá-se lá saber porquê!) era “fazer capelas mortuárias em Terronhas e Bustelo devido á localização geográfica destes dois lugares”. A justificação é de antologia: “…para que não seja necessário estarem os corpos em câmara ardente nas capelas, onde também têm lugar as missas que por vezes acontecem em simultâneo. Com a construção dessas capelas, poderão as famílias estarem junto dos corpos dos familiares falecidos, com maior á vontade e maior compenetração nas preces”. Com a confusão de capelas (mortuárias/não mortuárias) se perde o “á vontade” e a “compenetração”.  
A segunda medida era “fazer jardins em lugares que já existem e noutros ainda a encontrar em toda a Freguesia incluindo bancos e mesas em pedra destinados ao lazer diário de toda a população, mas principalmente dos idosos”. A justificação do arrazoado inclui “jardins arborizados, floridos tendo acoplados mesas e bancos” aqui não se referindo especificamente serem de pedra.
A terceira medida, algo complementar: “parque ou parques de merenda para os de cá e os visitantes”. Não se tratando de discriminar os residentes dos visitantes (gente atenta aos pormenores!), o PSD fala em divertimento, lazer, piqueniques, manutenção, diversão e descanso … ufa, tanta utilidade!
A quarta medida inclui “arranjo urbanístico dos centros dos lugares e sua identificação (dos lugares) ”. A quinta medida diz respeito á “recuperação de caminhos”. O combate ás “bermas sujas”, ás “ervas e raízes” que “removem paralelos e … encurtam o espaço destinado á circulação rodoviária em muitos casos em mais de 2 metros”(!) está no Plano de Actividades. A pavimentação, afirma-se, deve ser feita preferencialmente com materiais que possam ser removidos facilmente”…os “paralelos”. Pois “em breve teremos o saneamento e a água ao domicílio”, prometia-se em 2001.
A sexta medida é “construção e pavimentação de novos caminhos (os que faltarem e que forem aparecendo”. “Os caminhos ou se preferirem, as ruas de Recarei”, diz o PSD, “serão feitos partindo por um projecto, por um orçamento…para um custo justo, dando oportunidade aos construtores da Terra e… para servir a população em todos os seus intentos”. Ficamos assim a saber que não haveria construção por marcianos.


A continuar…

sábado, 12 de outubro de 2013

Discriminação não, cumpra-se a Constituição

INÉDITO...

A Assembleia Municipal de Odivelas aprovou há dias de supetão e por maioria numa só sessão 40 (quarenta!) actas de sessões efectuadas desde há 2 anos. A Presidência da Assembleia Municipal de Odivelas comporta-se assim de forma lamentável, em associação com o Executivo camarário de Susana Amador (PS, com apoio do PSD). Temos uma democracia de incompetentes e irresponsáveis, que em qualquer país do mundo já teriam sido demitidos. Mas para quem pergunte como é possível tal desrespeito por normas regulamentares e regimentais num concelho da ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA, fica uma informação complementar: o PS ganhou a autarquia em 2013 com maioria absoluta

CR

Blur - Song 2



WOOOOOOHOOOOOO!

semântica

Cuidados de Saúde Primários ou Cuidados Primários de Saúde? 

Parece igual mas não é. Os Cuidados de Saúde Primários são os cuidados de primeira linha, primários de essenciais. Os cuidados primários de saúde são aqueles de baixa qualidade, pouco qualificados. A semântica ás vezes trai intenções.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

o Zé Francisco partiu - o mundo retratado no Jornal

Francisco José Martinho dos Santos tinha 30 anos. Vivia em condições miseráveis com a mulher, de 21, e o filho, de quatro, na “ilha” de Campanhã que o PÚBLICO retratou na reportagem “SOS na zona pobre”. Francisco José, feito “homem fantasma” numa rixa que o deixou impossibilitado de trabalhar, esperava que a Câmara do Porto lhe atribuísse uma casa. Esteve perto de o conseguir, mas um engano deixou a família a viver entre as mesmas paredes podres.
Francisco José morreu à espera. José António Pinto, técnico assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, conhecido como “Chalana”, deu a notícia ao autor da reportagem, o jornalista Paulo Moura, nesta quinta-feira, através de uma carta que publicamos na íntegra:
"Olá Paulo Moura,
O Zé Fran­cisco par­tiu. Fale­ceu ontem no Hospital de S. João. Quando a grande reportagem do jor­nal PÚBLICO foi edi­tada, já se encon­trava inter­nado.
Mesmo sendo sev­era­mente pobre e cas­ti­gado por estas políti­cas soci­ais, o Zé son­hava ver o Ivo crescer, a Sara sor­rir com dentes novos e pas­sar já o próximo Natal numa casa digna e decente cedida pela Câmara Munic­i­pal do Porto.
Soube hoje desta triste notí­cia pela boca do seu filho, que me procurou com a avó no posto de atendi­mento do Bairro do Lagarteiro para me dizer “Ó dr. Pinto, o meu pai já saiu do hos­pi­tal, mas agora não podes falar mais com ele. Foi para o Céu. Quando eu for grande e se me por­tar bem, ele volta.”
Peguei neste menino de óculos novos e fomos passear de carro. Ouvir música, lan­char, desen­har, jogar com­puta­dor. Devolvi-o à mãe de olhos enchar­ca­dos às 19h30. Já era noite, tudo estava escuro e triste naquele portão da ilha.
O Zé era muito novo. Mere­cia ter vida e vida em abundân­cia. O sis­tema esmagou-o, não lhe deu opor­tu­nidades nem recursos, não per­mi­tiu que ele real­izasse os seus son­hos, não lhe pro­por­cio­nou as mín­i­mas condições dig­nas de sobre­vivência, não foi justo com as suas reivin­di­cações.
O Zé chorou no hos­pi­tal quando perce­beu que estava a chegar ao fim, sem­anas antes tinha-se revoltado no Gabi­nete do Inquilino Munic­i­pal quando a téc­nica gestora do seu pedido de casa o infor­mou que a chave do novo tecto ainda estava demor­ada. Nesse dia chorou de raiva.
A sua dig­nidade e os seus dire­itos foram ao longo destes anos sendo enter­ra­dos, hoje o seu corpo tam­bém foi para debaixo da terra.
Aquele abraço fraterno,

José António Pinto (Chalana)"
(em www.publico.pt)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

enfim...por fim..será que prevalece a razão?

O Tribunal Constitucional indeferiu o Recurso apresentado pelo PS relativamente ás eleições autárquicas de Paredes. Já aqui e anteriormente tinha sublinhado a falta de fundamentação jurídica e politica de tal Recurso. Verifica-se assim que não basta um articulado jurídico mais ou menos competente elaborado por um Escritório de Advogados de renome. Importava haver factos comprováveis. E isso o PS não tinha. Tal como um certo bom senso. Esperemos pela auto-crítica. Sentados de preferência.

grafismo


"o maldito cinismo de Europa", por Luis Sepulveda



Clique na imagem para ouvir a crónica de Luís Sepúlveda, na Cadena Ser, sobre Lampedusa. Para lá do cinismo de se dar a cidadania aos mortos, deportar os sobreviventes e criminalizar os pescadores que prestaram auxílio, a conclusão é que o que se passou na ilha da morte não é uma tragédia. É a consequência criminosa das leis que transformaram a Europa numa fortaleza medieval, onde quem se aproxima sem ser a convite do Rei tem a sua sentença assinada. Os carrascos bem podem agora deixar escorrer lágrimas de crocodilo, – ganha vergonha na cara Durão Barroso! – mas do governo de Itália aos gendarmes de Bruxelas, cada um deles tem as mãos sujas de sangue e a sua assinatura nos óbitos.

Renato Teixeira (em 5 dias.wordpress.com)

Sugestão de Filme - Germinal



O filme retrata o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século 19 na França em relação à exploração de seus patrões. 

Direção: Claude Berri 
Ano: 1993 
País: Bélgica, Itália, França 
Gênero: Drama 
Duração 170 min. / cor

A Invenção da Água, de Mário Henrique-Leiria



Texto de Mário Henrique-Leiria, dito por Mário Viegas no programa "Palavras Vivas" da RTP

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mosteiro Leça do Balio



Leça do Balio, em Matosinhos

a cuspidela da serpente

Luís Amado, o Presidente não-executivo do BANIF e ex-Ministro dos Negócios Externos de Sócrates, disse que Portugal é um dos poucos países europeus que contavam com “forças revolucionárias” no Parlamento. Falava ele em conferência promovida pela consultora AT Kearney. Ficamos assim a saber o medo da “revolução” que atormenta Amado, certamente com origem em Castelo de Vide, onde perorou há tempos para as jovens elites do PSD.

 Enquanto o Governo não “nacionaliza” os prejuízos do BANIF, e salvaguarda o cargo, o estatuto e os interesses de Amado, este súbito proto-banqueiro, este solta a língua e defende a fórmula da grande coligação: o PSD e o CDS em diálogo e respeitinho com os credores e o capital nacional e estrangeiro e o PS em diálogo e bloqueio de arroubos revolucionários dos eleitores. Estamos perante um “socialismo” que da Segura abstenção violenta virou último e Amado recurso contra a tormenta.

 CR

Crónicas Recaredenses - vídeo de promoção III

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Seu Jorge - Tive Razão

DO CANADÁ PARA A IMORTALIDADE

 Este é um País em trânsito. Explico. O autarca eleito da Junta de Freguesia de Castelo de Neiva, em Viana do Castelo, é um jovem arquitecto que soube da sua eleição no lado de lá do Atlântico, no Canadá, para onde emigrara recentemente. Já anteriormente, dois outros autarcas da freguesia tinham abandonado os órgãos autárquicos por onde foram eleitos para se ausentarem para o Canadá. Agora, o mesmo triste fado da emigração, com a circunstância estranha de o eleito do PSD se candidatar a cargo que sabe que não exercerá, não ter feito campanha presencial, nem ter participado da sua eleição. Mesmo assim o povo de Castelo de Neiva deliberou pela sua eleição. Acto de irresponsabilidade colectiva, dirão uns. Fidelidade partidária a toda a prova, invocarão outros. Expressão democrática da vontade popular, desculparão outros.

Tenho por mim que Castelo de Neiva está profundamente doente. E assim sendo, não havendo no local vozes sensatas que atenuem o mal, temo que na próxima eleição em Castelo de Neiva, se candidate não um ausente mas um morto. Crédulo, seguro das suas tamanquinhas, haverá sempre quem na freguesia de Viana do Castelo acredite na ressurreição. O problema estará na fotografia dos outdoors.

CR 

Crónicas Recaredenses - Vídeo de promoção II

PCP marca protesto e denuncia frete da RTP ao governo e à política de desastre nacional


Com o anúncio da realização nos próximos dias de entrevistas com o 1º Ministro e com o Secretário-geral do PS a iniciarem-se na próxima 4ª feira, excluindo todas as outras forças políticas e optando pelos representantes dos principais partidos da política de direita, a RTP retoma uma iniciativa que chegou a estar prevista para o período da campanha eleitoral e que havia sido justamente impedida por parte da Comissão Nacional de Eleições, constituindo mais um inaceitável acto de instrumentalização da RTP ao serviço da discriminação e do silenciamento daqueles que, como o PCP, combatem a política de desastre nacional que está em curso.
Refugiando-se nos chamados critérios editoriais, a RTP não só viola grosseiramente as obrigações de isenção e pluralismo a que qualquer órgão de comunicação social nos termos da Constituição da República está vinculado, mas também, as que decorrem do serviço público de televisão a que o povo português tem direito. Se há aspecto que deva ser sublinhado nestas duas entrevistas que estão anunciadas não é o figurino pretensamente “inovador” com perguntas a lançar pela assistência, mas a deliberada exclusão de outras forças políticas, designadamente do PCP.
Percebe-se melhor agora a campanha desenvolvida durante o período eleitoral face à posição da Comissão Nacional de Eleições que impediu a realização de uma entrevista semelhante em claro confronto com a Lei. Uma campanha que teve o seu momento mais grave com as declarações do Presidente da República que apontou para a necessidade de alterar a Lei Eleitoral, no sentido de permitir o livre arbítrio e a ausência de qualquer escrutínio democrático sobre o papel dos órgãos de comunicação social em período eleitoral.
Para o PCP não cabe à RTP decidir “quem governa” ou quem “está na primeira linha da sucessão da Governação” como grosseiramente definiu o director de informação da estação pública de televisão. Num momento em que cresce o isolamento e a exigência de demissão do Governo PSD/CDS, num momento em que se reduz a base social de apoio aos partidos que suportam a intervenção da Troika e que são responsáveis pela destruição de direitos e pela degradação das condições de vida da população, num momento em que se alarga a consciência de que é necessária uma ruptura com a política de direita, de que é preciso uma outra política patriótica e de esquerda, estas tentativas de condicionar a opinião de milhões de portugueses constitui um frete aos interesses dos grupos económicos e financeiros, e um ataque à vida democrática do país.
Perante esta situação o PCP anuncia que não só apresentará o seu veemente protesto à Entidade Reguladora para a Comunicação Social que deverá agir com celeridade impondo uma entrevista em formato idêntico com a presença do Secretário-geral do PCP, como realizará acções de protesto, a começar com uma concentração junto ao local onde irá decorrer a entrevista com Passos Coelho, já na próxima quarta-feira.
Gabinete de Imprensa do PCP