um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quarta-feira, 31 de julho de 2013

FANTCHA - AMOR, MAR E MUSICA



A MORNA E A ENORME INFLUÊNCIA DE CESÁRIA ÉVORA, UMA VOZ PRESENTE NA FESTA DO AVANTE DE 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS DO PSD PARA LORDELO


Nova entrada da Escola EB 2,3 e Secundária de Lordelo

Apesar de tantas vezes prometida, preferiu-se gastar dinheiro em novos Centros Escolares, quando seria mais útil melhorar as escolas já existentes. Em termos pedagógicos a situação vai piorar e gasta-se mais dinheiro. Entretanto, junto ao liceu continua o trânsito caótico nas horas de entrada e saída de alunos com as implicações negativas ao nível da segurança.




Nova ponte

A tal travessia do rio Ferreira que ligaria a zona dos Bombeiros à rotunda da Alameda de Portugal, não passou do papel, mas foi exibida até à exaustão na última campanha eleitoral autárquica, incluindo na entrada do edifício da Junta de Lordelo.




Parque Florestas do Mundo
  
O tal Parque Botânico na zona das Agras, junto à Capela de S. Roque. A ideia propagandeada foi que este Parque constaria de 5 áreas distintas simulando os cinco continentes, onde estaria representada a flora de cada um deles. Ao menos não falta originalidade a Celso Ferreira. O problema não é a criatividade do presidente da Câmara paredense, é haver gente que acredita nele!



a cuspidela da serpente

O sociólogo António Barreto acusa todos os partidos e responsáveis políticos que estiveram no poder ao longo dos últimos anos de terem "deixado Portugal debaixo de uma ameaça terrível de bancarrota".
"Todos os (esses) partidos sempre quiseram aumentar os benefícios e as benesses e os contratos a pagar daqui a dez, 20, 30, 40 anos", diz António Barreto em entrevista à Antena 1, considerando um "escândalo nacional" as PPP (Parcerias Público-Privadas) e os swaps  (Contratos de Gestão de Risco Financeiro).
"As operações deste género vieram hipotecar um país inteiro por muitos e muitos anos", acrescenta.
Segundo António Barreto, "os dirigentes políticos que os fizeram" obtiveram "vantagens para si próprios nalguns casos, para seus partidos noutros casos, para os seus governos noutros casos ainda" e permitiu-lhes "arranjar emprego para outras pessoas para depois ganharem os votos" e "concursos para empresas e grupos económicos para poderem repartir um bolo melhor com pagamentos a longo prazo".
Para António Barreto, todos os políticos e gestores de empresas públicas que lesaram o Estado "devem ser responsabilizados politicamente e judicialmente só aqueles que cometeram verdadeiras ilegalidades".
"Quando agora se descobre que vamos ter de pagar hospitais e autoestradas durante mais 30 ou 40 anos e que o preço final é várias vezes superior ao que seria com outros procedimentos, não vejo onde haja crime nisto", disse, para logo acrescentar: "O que acho é que essas pessoas, esses partidos, essas instituições, com nome, deveriam ser tornadas públicas: quem é que fez o quê e quem é que assinou o quê, não para meter na cadeia, mas para os impedir de voltar a fazer política, para os impedir de voltar a ter acesso às decisões".

Barreto chegou agora às conclusões que outros, nomeadamente o PCP, já retiraram há muito tempo. Mas Barreto esconde os autores do escândalo (José Sócrates, Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite, Teixeira dos Santos…) sobre a capa da generalização e do anonimato. E não só os esconde como os absolve. Mas era giro essa de impedir “pessoas, partidos, instituições” como o PS, o PSD, o CDS de “voltar a fazer política”. Por uma vez Barreto acertava. 

CR  




candidatura / grafismo


38 anos. Casado e pai de 2 filhos.
 Doutorando em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.  Especializado em Educação Especial pela Escola Superior de Educação Paula Franssinetti. Mestre em Filosofia da Educação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Pós-graduado em Bioética pela Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.  Tem experiência letiva no Ensino Secundário e Superior, nas áreas da Filosofia, Psicologia e Ética.
 Deputado da CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo. Membro da Comissão Concelhia de Paredes do PCP e responsável pela Organização de Freguesia de Lordelo do PCP.
Diretor d'A FARPA - boletim político, social e cultural de Lordelo.  
Criador e membro dos órgãos sociais da MOINHO - Associação Ambiental, Social e Cultural de Lordelo. Organizou diversas ações de limpeza das margens do rio Ferreira. É autor de múltiplas denúncias e ações junto das autoridade competentes relativas às descargas da ETAR de Arreigada e à poluição do rio Ferreira..
Criador e membro do MUSS-R/L - Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde de Lordelo e Rebordosa.
Membro da Comissão de Utentes da A41/A42, tendo organizado ações de protesto em prol da não introdução de portagens nas ex-SCUT.
É autor de diversos artigos publicados em jornais regionais.
Candidato a Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo pela CDU. Candidato a membro da Assembleia Municipal com o 4.º lugar nas listas da CDU

...E MEU CAMARADA E AMIGO.


Talking Head - Psycho Killer

fragmentos da História

Intervenção do Deputado António Filipe do PCP em 18 de Julho de 2008, nos 90 anos de Nelson Mandela na Assembleia da República.

"(...) aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América.
Mas isto é verdade! É público e notório - toda a gente o sabe!
Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico.
Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade.
Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.*
Isto é a realidade! Está documentado!
Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid.
Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo!
São, portanto, estes embaraços que os senhores não querem que fiquem escritos num voto.
Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.(...)"
-
*Sabem quem era o 1º ministro do governo português em 1987 e que votou contra? CAVACO SILVA!

Nota : Segundo uma lei aprovada no mandato de Ronald Reagan, Mandela e os membros do ANC poderiam deslocar-se à sede das Nações Unidas, mas não estavam autorizados a viajar no resto do território americano. Sempre que Mandela foi à América, precisou de uma autorização especial.

domingo, 28 de julho de 2013

A ALEMANHA, MODELO DE QUÊ?

Um Centro de Emprego de um Estado Federado da Alemanha teve a iniciativa de enviar um folheto com conselhos a famílias com desempregados. Essas famílias abrangem desempregados que deixaram de receber o subsídio de desemprego e que têm uma espécie de rendimento mínimo garantido. Esse apoio (denominado ajuda Hartz IV) inclui o pagamento do aluguer de habitação e um pequeno montante de sobrevivência no valor de 350 euros. Para aceder a estas ajudas, o candidato não pode ter qualquer tipo de bens (habitação, jóias ou outros artigos de valor) ou poupanças ou sequer ajudas de familiares ou amigos. Pode fazer pequenos trabalhos que lhes permitam auferir até 100 euros adicionais. Pode manter ou vender móveis, suprema benesse.
Mas o que diz o referido folheto aos beneficiários da ajuda Hartz IV da terra da senhora Merkel? A lista dos conselhos: não comer carne, colocar pedras no autoclismo para poupar água, beber água da torneira em vez de água engarrafada, não fazer compras no supermercado sem uma lista ou com o estômago vazio, evitar que a temperatura no interior das casas seja superior a 20 graus, compras em lojas com saldos ou liquidações.
Ficamos assim a saber que a fiscalização destes comportamentos (que não são meros conselhos) se estende ao domicílio, à caixa do correio, ou ao supermercado. Os ricos podem roubar, desperdiçar, comer até á flatulência e à saciedade, mas o desempregado de longa duração tem de se submeter a regras impiedosas que afectam a sua dignidade. O modelo alemão só existe na cabeça dos privilegiados.


CR

candidatura / grafismo


2.º candidato da CDU à Câmara Municipal de Paredes - Ivo Rafael Silva. 29 anos. Natural de Recarei, Paredes. Mestre em Tradução e Interpretação Especializadas e licenciado em Assessoria e Tradução. Investigador de História e Etnografia. Investigador do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP. Secretário administrativo. Tradutor freelance. Militante do PCP. Membro da Org. Concelhia de Paredes do PCP. 
Autor do Blog adargumentandum.wordpress.com e co-autor do Blog 5dias.net. Autor de 2 livros monográficos sobre Recarei e ... MEU CAMARADA E AMIGO

Procol Harum - A Salty Dog

humor


sábado, 27 de julho de 2013

desenho animado

OUTRO ILUSIONISTA

O ILUSIONISTA é o jornal de campanha eleitoral autárquica da JS de Paredes. Saiu em Julho o n.º2. Saliento a denúncia da gestão autárquica do PSD com base no endividamento e em projectos fracassados como o da Cidade Desportiva, limitada á data a um relvado, um sintético e um campo pelado, com balneários em contentores.
Em complemento ao publicado, importa saber qual o sentido de voto na vereação quando da transferência das instalações desportivas para o interior de Mouriz e Vila Cova de Carros, no ano de 2008.
Importa sinalizar também os avisos das consequências da retirada das instalações desportivas do centro da cidade para a prática desportiva e assistência aos jogos e o flop da ilusão de um futuro Mega Centro Comercial que criaria “mil empregos” …
O ILUSIONISTA informa-nos também que a fábrica de briquetes está (quase) encerrada, “obrigando as crianças no Inverno a passarem frio nos centros escolares” (citação) e que o saneamento e água pública no Concelho não ultrapassa 30% dos habitantes.
Mas é na temática do desemprego que O ILUSIONISTA investe numa tese a merecer algum contraponto. Cito o jornal da JS: “ Em Paredes, o actual Presidente da Câmara Municipal apenas conseguiu uma coisa _ aumentar o desemprego. O abrupto crescimento do desemprego no Concelho de Paredes deve-se a uma pura inércia do executivo municipal e não apenas ás circunstâncias económico-financeiras”.
Independentemente da maior ou menor capacidade de atração de investimento produtivo e portanto de criação /manutenção de emprego por parte do executivo PSD, o aumento do desemprego verificado desde 2005 deverá ser analisado numa lógica global, onde não estão isentos de responsabilidades empresários locais, associações de industriais, politicas económicas governamentais e estratégias europeias de (não) defesa de sectores tradicionais da indústria. E nesse amplo universo de responsáveis pelo declínio do emprego estão certamente muitos socialistas, outros tantos “socialistas” ou “equiparados”. Mas isso O ILUSIONISTA sabe certamente. Tal como saberá quem assinou o Memorando da Troika.

CR

Vender os CTT: A ideia de Sócrates que o PSD adorou


No ano passado, os CTT deram ao Estado um lucro na ordem dos 50,7 milhões de euros. Tratou-se, apesar de tudo, de uma pequena descida dos lucros que a empresa vinha sucessivamente registando dado que, em 2011, o proveito havia sido de 55,8 milhões. Estamos, portanto, perante uma entidade altamente lucrativa, que presta um serviço público fundamental e insubstituível aos cidadãos e ao país. O plano Sócrates de privatização de empresas incluiu os Correios no rol. O governo PSD/CDS, evidentemente, adorou a ideia. Hoje mesmo, foi aprovada em Conselho de Ministros a espoliação de mais um serviço útil e lucrativo do Estado, que agora vai passar a dar lucro a privados e que vai ficar mais caro e mais inacessível aos cidadãos.

Esta privatização é mais uma medida que vai prejudicar directamente a vida das pessoas. Mais uma. Os encerramentos de postos e estações vão continuar. Os despedimentos de funcionários, na lógica “moderna” da “racionalização” que mais não é que sede de acumulação de um lucro maior e mais fácil, vão acentuar-se e agravar a crise social. Os idosos, reformados e pensionistas, vão ter de fazer dezenas e, nalguns casos, centenas de quilómetros – os que o puderem fazer – para levantar a “sopa dos pobres” em que se tornou a sua miserável reforma ou pensão. Os serviços postais vão encarecer, aumentado o custo de vida das pessoas e das próprias empresas o que terá um impacto directo na economia. Esta medida, tal como muitas outras deste governo, não interessa ao povo português. Interessa, e muito, às sanguessugas que perseguem há vários anos este importante naco de carne tenra e que esteve, até hoje, nas mãos do estado.

Ou acabamos com isto e depressa, ou se os deixarmos, eles vão acabar com o que resta do país!

Ivo Rafael Silva

sexta-feira, 26 de julho de 2013

The Godspeed Society - Rose Lithium



Do ÁLBUM KILLING TALE, de 2012

São portugueses e vão estar na Festa do Avante de 2013

noticias da campanha eleitoral autárquica


Vejam as diferenças. Saiu primeiro o cartaz de cima. Tudo correcto, excepto a imagem. Alguém tinha ido á Wikipédia e descobrira uma imagem de Peñafiel, localidade de Valladolid, Espanha, que lhe parecera atractiva. Mas Penafiel não fica em Espanha. Logo foi corrigido o cartaz (em baixo) com uma imagem tirada do Sameiro. Foto não actual, porque a Câmara de Penafiel, do PSD/CDS, decidiu destruir o jardim do Sameiro, inventando uma escadaria. Mas isso o Bloco de Esquerda não tem culpa.
Um erro corrigido a tempo não causa mossa. Mas que tem piada, tem.

canalhice

Passos Coelho com o descaramento de provocador a que já nos habituou... é capaz de dizer:

«A crise tem sido mais forte porque as pessoas gastaram menos do que previmos».

           Portanto, os culpados da crise, são os malandros dos portugueses que recorrem à “desculpa” de terem muito menos dinheiro, para justificar a atitude “anti-patriótica” de gastarem menos do que aquilo que o senhor primeiro-ministro previa. Qual o grau de insolente desfaçatez que é preciso... para bolçar uma tal canalhice pela boca fora?

grafismo


quinta-feira, 25 de julho de 2013

noticias da campanha eleitoral autárquica


O candidato da CDU à Câmara Gaia acusou hoje o presidente daquela autarquia, Luís Filipe Menezes, de falta de ética por estar a direcionar verbas do erário público para ações de propaganda e não cumprir promessas na área social.
"Isto é uma vergonha o que se está a passar. Está em causa a ética. É inaceitável que a Câmara Municipal de Gaia esteja a pagar tantas verbas em ações de publicidade, porque não é informação que se veicula, é propaganda", acusa Jorge Sarabando, durante uma visita ao Centro Social de S. Félix da Marinha, no âmbito das eleições autárquicas.
Segundo o comunista Jorge Sarabando, é "preciso redirecionar os recursos de Gaia para a ação social e reduzir as ações publicitárias.
"Defendemos a moralização da gestão camarária", reiterou Jorge Sarabando.
“No orçamento de 2012 de Gaia estavam previstas verbas para a ação social no valor de 1.704 mil euros, mas a execução ficou-se pelos 210 mil euros”, denunciou o candidato da CDU, informando que para 2013 a verba prevista no orçamento para a ação social é de 1.491 mil euros, ou seja menos 12,5% do que em 2012.
Outras das medidas necessárias que a CDU assume como prioritárias é disciplinar o recurso aos ajustes diretos.
"Embora sendo uma faculdade que a lei prevê, deve ser utilizado criteriosamente", disse, considerando que, no atual mandado, Luís Filipe Menezes recorreu de forma excessiva a esses ajustes diretos, designadamente realizando um contrato com uma firma de advogados no valor de 100 mil euros para uma prestação de serviços de um só dia.

Um outro exemplo que suscitou a maior perplexidade à CDU de Gaia foi o contrato da extinta Gaianina com uma empresa para fornecimento de tela para 'outdoor no valor de 19.500 euros em Abril de 2013. 

A 15 dias da candidatura de Luís Filipe Menezes lançar a sua campanha de outdoors, a Gaianima (empresa municipal paga pela Câmara de Gaia e administrada por Ricardo Almeida, presidente da concelhia do Porto do PSD) comprou uma tela para um outdoor por mais de 19.600,00 euros. No mercado, esta tela custaria 190 euros. Em Gaia, a tela custou 100 vezes mais.

A empresa que vendeu a tela nunca antes tinha vendido nada. Aliás, tem
 poucos meses e é uma sociedade unipessoal. Trata-se da YD2G, criada em setembro de 2012. Tem um único contrato com a GAIANIMA. Terá já vendido mais alguma coisa a alguém?

a cuspidela da serpente


OS TENTÁCULOS DA POLÍTICA PORTUGUESA
O Império de Rui Machete (o novo ministro dos "Negócios" Estrangeiros)

Foi uma das revelações com mais impacto no espólio de 800 telegramas da embaixada norte-americana em Lisboa revelados há dois anos pelo Expresso e que fazem parte do acervo de uma das maiores fugas de informação protagonizadas pelo Wikileaks.

Num relatório enviado a 15 de Dezembro de 2008 para o Departamento de Estado em Washington pelo então embaixador dos EUA em Portugal, Thomas Stephenson, Rui Machete era arrasado pela forma como geriu ao longo de duas décadas a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), visto como "suspeito de atribuir bolsas para pagar favores políticos e manter a sua sinecura".

O embaixador norte-americano, nesse telegrama, argumentava que "chegou a hora de decapitar Machete" com base, entre outras coisas, no facto de a fundação "continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e 'custos administrativos e de pessoal' que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD".

Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, de 73 anos, tornou-se administrador da FLAD em 1985, logo quando a fundação foi criada com dinheiro dos EUA no âmbito do acordo das Lajes, tornando-se seu presidente em 1988. Foi substituído no cargo por Maria de Lurdes Rodrigues em 2010.

Apesar de ter sido presidente durante vários anos do Conselho Superior da SLN, a sociedade que foi proprietária do BPN, o banco nacionalizado pelo Estado em 2008 e que envolve um custo de mais de quatro mil milhões de euros para os contribuintes, esse facto não consta do seu currículo oficial.

Machete também foi, entre muitos outros cargos, presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro ministro socialista José Sócrates, em 2009.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Luís Cília - Fecundou-te



FECUNDOU-TE

(poesia de Eugénio de Andrade)

Fecundou-te a vida nos pinhais.
Fecundou-te de seiva e de calor.
Alargou-te o corpo como os areais
onde o mar se espraia sem contorno e cor.
 
Pôs-te sonho onde havia apenas
silêncio de rosas por abrir,
e um jeito nas mãos morenas
de quem sabe que o fruto há-de surgir.
 
Brotou água onde tudo era secura.
Paz onde morava a solidão.
E a certeza de que a sepultura
é uma cova onde não cabe o coração.

Inicialmente no álbum "Contra a ideia de violência a violência da ideia" publicado em 1973, no exílio, e depois no álbum com poesias de Eugénio de Andrade "O peso da sombra", de 1980

poema

CARTA AO FILHO

Não vivas sobre a terra como um estranho
Um turista no meio da natureza.
Habita o mundo como a casa do teu pai.
Crê na semente, na terra, no mar,
mas acima de tudo crê nas pessoas.
Ama as nuvens,
as máquinas,
os livros,
mas acima de tudo ama o homem.
Sente a tristeza do ramo que murcha,
do astro que se extingue,
do animal ferido que agoniza,
mas acima de tudo.
Sente a tristeza e a dor das pessoas.
Alegra-te com todos os bens da terra.
Com a sombra e a luz,
com as quatro estações,
mas acima de tudo e a mãos cheias
alegra-te com as pessoas.

Nazim Hikmet
escritor e poeta comunista turco (1902-1963)

Execração de Paulo Portas

 por Mário de Carvalho



Vamos lá gastar alguma cera com esta criatura. Mais uma concessão ao efémero.
Começo por estranhar a benevolência relativa com que ela tem sido tratada.
Como se um instinto nato de harmonia obrigasse a atenuar a flagrância do mau gosto.
Um querido amigo meu, a certo desabafo, sugeriu que o meu desprezo era «emocional».

Havia aqui uma sugestão de parcialidade política.
Devo defender-me disso.

Na verdade, até aprecio e respeito algumas pessoas que se dizem amigas do doutor Portas.
E verifico que ele tem esta particularidade estranhíssima: todos os seus amigos são melhores que ele.

Recordo os tempos muito catitinhas de «O Independente», cheios de peripécias e partes gagas.
Costuma evocar-se - e com razão - o rasgo inovador e dinâmico do jornal.
Pouca referência se faz - e sem razão - ao lastro de frioleira e alarvidade que lhe pesava como chumbo.
Portas esteve por então envolvido numa campanhazinha muito marota e fraldiqueira contra a «meia branca».
Estas coisinhas davam-lhe muito prazer.

Em dada altura dedicou-se à política (em revogação do desdém pedante antes manifestado) e é hoje -com Jardim e Cavaco- um dos políticos de mais longo exercício.
Ainda tenho nos ouvidos os gritinhos de «ó Margarida», «ó Margarida!» com que ele pontuou uma entrevista qualquer, dada a uma jornalista que viria a ter um fim infeliz.
Toda a sua vida pública (e provavelmente a outra) é feita em permanente pose.
Tem atitudes; Olhares longamente estudados; máscaras de sisudez de Estado; esgares trabalhadíssimos; soslaios de palco amador; sorrelfas; sorrisinhos desdenhosos; trejeitinhos manhosos; «boquinhas e olhinhos»; meneios de cabeça; artifícios retóricos como o de perguntar repetidamente «sabe que...?».

Às vezes tenta o furor tribunício, mas a voz não lhe dá para tanto; experimenta a pose imperial, mas é pequenote mesmo para Napoleão.
Ainda é um homem novo.

Quando for mais velho lembrará uma deprimente figura de actor que aparece na «Roma» de Federico Fellini.
Talvez a exposição pública da política exija um certo histrionismo.
Mas então, que se seja bom actor. E não se deixe no ar esta grande vontade de pedir a devolução da entrada.

Já o vi a exaltar a «lavoura» em vezos saudosistas (menos insinceros do que parece); já o vi a ajoelhar, numa capela, com os dois joelhos, numa compunção beata; já o vi a bramir, numa cena movimentada, contra «os ciganos do rendimento mínimo»: já o vi em festarolas de aldeia, ou em obscenas rondas de lares de idosos, ou a debitar banalidades de dentadura a rebrilhar.
Já o vi a dizer (e a fazer) trinta por uma linha.

E já o vi a disparatar abertamente, quando, evitando o russo «troika» (alguém o convenceu de que a atrelagem russa era uma palavra «soviética»...) optou por «triunvirato», solução histórica tradicionalmente catastrófica.
Apesar de tudo, sempre é melhor que a ridícula revogação da decisão «irrevogável».

Esperava-se que ocupasse a Administração Interna, depois de ter feito histérica algazarra (ora obnubilada...) sobre a segurança.
Não.
Foi para os Negócios Estrangeiros, para se descomprometer e fazer de conta (sempre o fingimento, o obsessivo, doentio, fingimento) que era alheio às mexerufadas da famulagem financeira.
A seu tempo ressurgiria em atitude messiânica, como resgatador dos infelizes.
Sempre o calculozinho. Contas furadas.

Deixou uma nota de subserviência a manchar a diplomacia portuguesa com o caso Snowden.
Em tempo de crise política interna, a situação foi minimizada, ninguém estava a espreitar.
Mas as consequências para os interesses de Portugal (já não falo nos princípios) serão lastimáveis.
Creio que Freitas do Amaral nunca se prestaria a esse papel.

Paulo Portas não a desmentiu, neste ziguezague da sua carreira, que se espera abreviada.
Ao longo de quase vinte anos, houve a universidade Moderna, as deslealdades para com dirigentes políticos afins, a fotocópia de toneladas de documentos da República Portuguesa, a questão dos submarinos.
Por estes interstícios, o doutor Portas tem deslizado como enguia em sargaço. Com uma certa complacência, é preciso dizê-lo, da comunicação social.

Agora aí o temos, repescado para o governo em circunstâncias equívocas. A existência deste homem tem sido, aliás, amalgamada de equívocos.
Dir-se-ia que não é capaz de viver de outra maneira. Há nele uma vertiginosa atracção pelo Mal.
Para usar a velha comparação americana da venda do automóvel usado, creio que se o doutor Portas tivesse um carro em bom estado para vender, não deixaria de o avariar, por puro fascínio do ludíbrio.

E sobre a personagem, fiquemos por aqui. Seria fácil (demasiado fácil) usar uma fotografia ilustrativa das milhentas disponíveis na NET.
Mas prefiro deixar-vos com o Narciso de Caravaggio que também vem a propósito.
Para ser franco, preferia ter tido a oportunidade de dizer´algum bem’, em vez de execrar.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Manel - Al mar!

o

Os catalães Manel


BRUXAS NA NOITE *


Entre as múltiplas faces do heroísmo manifestado pelo Exército Vermelho no decurso da 2ª Guerra Mundial – a Grande Guerra Pátria – existem muitos rostos de mulher, nomeadamente das mulheres piloto da aviação soviética. Devem ser recordadas não apenas como heroínas, mas também como exemplos de conquista da igualdade, que apenas a sociedade socialista poderá efectivamente concretizar.
“Para nós era simplesmente incompreensível que os pilotos soviéticos que nos criavam tantos problemas fossem … mulheres. Estas mulheres não temiam nada: vinham, noite após noite, nos seus desajeitados aviões e não nos deixavam dormir”.(Hauptmann Johannes Steihoff, piloto de guerra nazi)
A Alemanha invade a União Soviética a 22 de Junho de 1941, e boa parte da aviação soviética foi destruída nos primeiros momentos. Enquanto os aviões nazis continuam a dominar os céus, milhares de jovens, muitos membros dos clubes civis de aviação, acorrem a alistar-se para lutar contra os ataques fascistas.
Muitas eram mulheres e depararam-se com uma rejeição inicial, mas em Outubro de 1941 já estavam, como recrutas, a treinar na base aérea do povo de Engels, a norte de Stalingrado. Sob as ordens da sua instrutora, a Major das Forças Aéreas Soviéticas Marina Raskova, as futuras aviadoras começaram a treinar.
Enfrentaram muitas dificuldades, a primeira das quais foi a desconfiança e desdém de alguns dos seus companheiros, que consideravam que eram de fiar e que, inclusivamente, recusavam voar juntamente com elas. Além disso, os uniformes estavam feitos para homens, e houve que fazê-los de novo para que elas os pudessem vestir; o mesmo aconteceu com as botas, que tiveram que ser cheias com papel de jornal para que se adaptassem ao pé, normalmente mais pequeno, das combatentes. Em muitos casos também os aviões tiveram de ser modificados pois as novas recrutas não chegavam aos pedais. E ainda tiveram que cortar o cabelo até um máximo «de duas polegadas», quando em muitas regiões da URSS era tradição deixá-lo crescer até à cintura. Embora nos nossos dias possa parecer trivial uma mulher cortar o cabelo muito curto, em 1941 isso revelava um compromisso total.
Treinavam mais de dez horas por dia, pois com as tropas alemãs a avançar na Frente Oriental, tinham que aprender em dias o que outros se podiam dar ao luxo de aprender em meses ou anos.
Depois de seis meses de duríssimos treinos, Marina Raskova enviou as jovens recrutas para a linha da frente em três regimentos: o 586º de Caças, o 587º de Bombardeamento e o 588º de Bombardeamento Nocturno.
As mulheres do 588º pilotavam aviões Polikarpov U-2, biplanos desenhados originalmente para treino e fumigação, que só tinham capacidade para duas bombas (pelo que tinham de fazer várias viagens) e não podiam comparar-se nem em velocidade nem em potência de fogo com os aviões alemães.
No entanto, rapidamente se tornaram num pesadelo para os aviadores nazis.
As combatentes do 588º mostravam grande capacidade de manobra dos U-2 e combinavam-na com tácticas extremamente arriscadas. Apareciam de noite, com o motor desligado para não serem detectadas pelo som, e faziam bombardeamentos de precisão e de fustigamento contra o exército alemão. Em combate contra os aviões nazis, estas aviadoras costumavam pôr-se no campo de tiro dos alemães enquanto as suas companheiras aproveitavam a distracção para apontar aos alvos.
Devido à sua habilidade e astúcia, e à ferocidade dos ataques, os soldados nazis começaram a chamá-las Nachthexen: as «Bruxas na Noite».
Em Fevereiro de 1943, o 588º Regimento reorganizou-se dentro do 46º Regimento de Aviação de Bombardeamento Nocturno, que em Outubro de 1943 era conhecido como a «Guarda de Taman», pelas vitórias conquistadas pelo Exército Vermelho na península de Taman.
Foi o regimento de mulheres com mais condecorações, e no seu apogeu chegou a ter quarenta tripulações duplas. No final da Guerra as Bruxas tinham feito cerca de 23.000 saídas e despejado aproximadamente três mil toneladas de bombas. Calcula-se que cada aviadora tenha feito mais mil missões de combate, e 23 delas foram condecoradas com o título de heroínas da União Soviética, a mais alta distinção da URSS.
Trinta das «Bruxas da Noite» morreram em combate; muitas delas eram muito novas, algumas eram mesmo adolescentes.

Marina Raskova

Nasceu numa família da classe média em 1913, filha de uma professora e de um professor de música. Apesar da intenção da família ser que fosse cantora lírica, ela começou a estudar química, e depois de se licenciar começou a trabalhar numa fábrica de tintas.
Um ano depois casou com o seu companheiro, Sergei, e tiveram uma filha chamada Tânia. Em 1931 começou a trabalhar como desenhadora no Laboratório de Aeronavegação da Academia da Força Aérea. Em 1933 tornou-se a primeira aviadora soviética com o título oficial, e um ano depois era instrutora da Academia Aérea Zhukovsky. Em 1935 divorciou-se do seu marido, e em 37, juntamente com Valentina Grizodubova, bateu o recorde feminino de voo sem escalas.
Em 1938, juntamente com outras aviadoras (Grizodubova e P. Osipenko), estabeleceu um novo recorde. Voaram desde Moscovo até Komsomolsk-no-Amur num voo de mais de 26 horas sem escalas, a bordo do Rodina («Pátria»). Marina não teve dúvidas em saltar do avião com pára-quedas, quando a visibilidade impedia a aterragem, tendo sido encontrada por um caçador em plena estepe. Nesse mesmo ano foram condecoradas com o título de Heroínas da União Soviética, sendo as primeiras mulheres a conquistar tal distinção.
Quando rebentou a Segunda Guerra Mundial na Frente Oriental, muitas mulheres com experiência civil de voo acorreram a alistar-se. No Exército Vermelho não havia nenhuma norma que impedisse as mulheres de combater na primeira linha mas, na prática deparavam-se com inúmeros obstáculos, sendo relegados para ocupações de tipo auxiliar.
Marina Raskova recorreu à sua autoridade como aviadora de fama mundial para mudar a situação, e com a aprovação directa de Stalin pôde convencer as autoridades militares a organizar e treinar três regimentos de aviação onde as mulheres seriam aviadoras, engenheiras e pessoal de apoio.
Raskova comandou pessoalmente o Regimento 587º de Bombardeiros, que em 1943 foi reorganizado como o 125º Regimento. Estas aviadoras, que combateram em Stalinegrado, voavam em modernos Petlyakov Pe-2, enquanto as outras unidades compostas por homens utilizavam aviões mais velhos.
Marina Raskova morreu a 4 de Janeiro de 1943, quando o seu avião se estatelou no chão devido a uma tempestade. Como estava numa missão militar foi considerada morte em combate e teve um funeral de Estado. As suas cinzas foram colocadas no Muro do Kremlin, e foi condecorada a título póstumo com a Ordem da Guerra Patriótica de Primeira Classe.

A Rosa Branca de Stalinegrado

«Era uma pessoa muito agressiva… Nascida para o combate»,
(Boris Eremin, Oficial da Força Aérea Soviética).

Lydia Litvak (1921-1943), de origem moscovita, entrou para um clube de aviação popular com catorze anos, e aos quinze fez o seu primeiro voo sozinha.
Um ano depois já tinha licença de instrutora de voo.
Quando começou a invasão da URSS pelos nazis, alistou-se numa unidade de aviação militar mas foi rejeitada. Alterou o seu historial de voo, acrescentou-lhe mais de cem horas de voo do que realmente tinha feito, e foi admitida na base aérea de Engels, próximo de Stalinegrado.
Ali foi treinada por Marina Raskova e, seis meses depois já combatia no 587º Regimento de Caças, uma unidade exclusivamente composta por mulheres.
Fez os seus primeiros voos de combate no Verão de 1942, sobre Saratov. Em Setembro foi transferida, juntamente com outras seis aviadoras do 587º e algum pessoal civil para o 437º Regimento. Esta unidade, que até à sua chegada era exclusivamente composta por homens, combatia nos céus de Stalingrado. Três dias depois da sua chegada fez o seu primeiro derrube, tornando-se provavelmente na primeira mulher na História a derrotar um avião inimigo em combate. Poucos minutos depois derrubou um segundo caça que perseguia a comandante do seu esquadrão. O piloto nazi pôde saltar a tempo do avião e foi capturado pelas tropas soviéticas. Era Erwin Maier, um Ás alemão com onze vitórias, três vezes condecorado com a Cruz de Ferro. Maier pediu para conhecer ao piloto russo que o tinha superado e, quando o apresentaram a Lydia Litvak indignou-se, pensando que os oficiais soviéticos o estavam a vexar. Até ela descrever todos os pormenores do combate, o piloto nazi não aceitou que tinha sido derrubado por uma mulher.
Em finais de Setembro, à medida que iam conseguindo mais vitórias, Lydia e outras camaradas foram transferidas para o 9º Regimento de caças da Guarda, também em Stalingrado. Diz-se que, então, já estava pintado na fuselagem do seu caça uma flor branca, pelo que começou a ganhar o nome de Flor Branca de Stalingrado.
Pouco depois, Lydia e a sua companheira Katia Budanova foram novamente transferidas, desta vez para o 296º Regimento de Caças da Guarda (renomeado depois de 73º Regimento de Caças da Guarda). Aí, Lydia conseguiu o seu quinto derrube, tornando-se na primeira das duas únicas mulheres Ases na história da aviação militar (a outra foi a sua camarada de armas Budanova).
Poucos dias depois, em 23 de Fevereiro, foi condecorada com a Ordem da Estrela Vermelha, promovida a subtenente, e indicada para um grupo de caças de elite chamado okhotniki («caçadores livres»). Nessa iniciativa, pares de pilotos veteranos movimentavam-se com mais liberdade que dentro do regimento, procurando objectivos de acordo com o seu próprio critério.
Em Março fez um ataque sobre um grupo de bombardeiros alemães e foi ferida por um dos caças que os escoltavam. Teve forças para derrubar outro dos caças, mas quando aterrou na sua base já tinha tido uma grave perda de sangue devido aos ferimentos.
Em Maio, o que tinha sido o seu companheiro de voo em muitas ocasiões, o Ás soviético Solomatin, morreu num acidente. Segundo as palavras posteriores da mecânica de Lydia depois da morte de Solomatin, «Litvak só queria voar em missões de combate».
Dez dias depois, Lydia apresentou-se como voluntária para derrubar um balão de observação alemão, utilizado para localizar objectivos para fogo de artilharia. A missão era extremamente arriscada: o balão estava defendido por dezenas de canhões antiaéreos que sempre tinha tido êxito a repelir os ataques da aviação soviética.
Apesar de ter tido dificuldades, Lydia foi capaz de calcular a hora precisa do dia em que podia aproximar-se do balão, utilizando a luz do sol para camuflar o seu caça, pelo que destruiu o dirigível alemão.
Em Junho foi nomeada comandante de esquadrão. Apesar de em meados de Julho ter sido novamente ferida e ter tido de realizar uma aterragem de emergência, rejeitou a baixa médica e poucos dias depois estava de novo a voar.
A 1 de Agosto saiu quatro vezes em combate no sector sul da Batalha de Kursk. Durante a quarta missão de voo, o seu grupo foi atacado de surpresa por um grupo de caças nazis, e o avião de Lydia foi visto pela última vez, desaparecendo por entre as nuvens, fumegando e perseguida por vários caças inimigos. Tinha 21 anos.
Lydia já tinha sido condecorada coma Ordem da Bandeira Vermelha, a Ordem da Estrela Vermelha e duas vezes com a Ordem da Guerra Patriótica. No entanto, os restos do seu avião nunca foram encontrados, e isso impediu que também se lhe concedesse a distinção máxima.
Não o foi durante décadas até os restos do seu avião terem sido encontrados e, finalmente, foi condecorada postumamente como Heroína da União Soviética.

Salvé às que lutam

A crença de que o socialismo trará automaticamente a libertação da mulher deve ser afastada da cabeça dos revolucionários, mas tampouco se deve esquecer que a derrota do patriarcado só é possível dentro de um sistema em que a exploração económica da maioria por parte de uma minoria não seja permitida.
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito atroz, e muitas mulheres tiveram o seu papel nos respectivos exércitos de cada território. A maioria delas foram relegadas para trabalhos administrativos, auxiliares ou de enfermagem. Apenas na União Soviética estiveram na primeira linha de combate. Mais de oitocentas mil mulheres combateram no Exército Vermelho como franco-atiradoras , artilheiras ou aviadoras; vinte mil mulheres foram condecoradas; oitenta e nove receberam a condecoração máxima: Heroína da União Soviética.
Nos Estados Unidos, a «terra das liberdades», as mulheres não pilotaram aviões de combate até 1993.
A crise capitalista em curso, a que ninguém consegue ver o fim, pode relegar muitas mulheres exclusivamente ao trabalho não remunerado, o que quer dizer que se agravará a sua dependência, sendo possível que acabem dependendo do suporte económico de um homem. Darão passos atrás na sua liberdade.
Vivemos tempos com cheiro a barricadas, e devemos fazer um esforço para combater as atitudes patriarcais dentro da esquerda revolucionária. Dizer que a repressão policial é mais terrível porque «batem nas mulheres” é relegá-las a uma posição de debilidade. Afirmar que as nossas companheiras não devem estar na primeira linha porque «não são tão fortes como um homem», é insultar milhares de anos de desenvolvimento da humanidade.
Ambos os argumentos se podem ouvir no sector da esquerda revolucionária. O patriarcado anda há centenas de anos a moldar as sociedades e as cabeças das pessoas, mas isso não é desculpa: é motivo para redobrar os esforços na luta.
As Bruxas da Noite não necessitaram de testosterona nem cromossomas XY para se colocarem na primeira linha. O capitalismo caminho lado a lado com a opressão patriarcal, e a sua ideologia dominante concentra-se em fazer amar o explorador e odiar o explorado. Devemos ter um espírito crítico, mas tal não quer dizer que devemos criticar o que o poder estabelecido queira.
A União Soviética não foi perfeita; não podia sê-lo. A crítica é necessária, mas sempre a partir da esquerda e, em caso algum, deve fazer o jogo do poder estabelecido ou converter-se em peça da engrenagem da propaganda imperialista. E se há muitos erros a aprender com a experiência soviética, também há muitos triunfos que reivindicar.
Com o socialismo não se eliminaram as contradições de género por artes mágicas, e vimos acima como muitas mulheres lutadoras foram inicialmente rejeitadas, tanto pelo Estado como pelos seus companheiros varões, mas não pode negar-se que foi feito um avanço.
A URSS do meio dos anos trinta era um país onde uma mulher como Marina Raskova podia decidir divorciar-se e tornar-se numa oficial militar de elevada patente; mais impressionante é que era um país que permitia que a mulher concebesse isso não como um milagre, mas como uma opção viável. Isto não surgiu do nada: foi o trabalho organizado de muitas militantes que permitiu haver tais avanços na União Soviética, deixando claro que a libertação das mulheres só pode ser fruto da sua própria luta, e acontecer num sistema em que a economia esteja ao serviço das pessoas e não o contrário.
A ofensiva ideológica do capitalismo esconde-nos os triunfos, para que não possamos recordá-los e Agarrarmo-nos a eles, para que nos sintamos desligados e desligadas do passado, daquelas pessoas que lutaram. Não podemos permiti-lo.
Tal como a história dos povos lutadores, a história das mulheres lutadoras é inviabilizada pela classe dominante. É nosso dever recuperar a nossa história, a história das que não se renderam. Mulheres lutadoras procedentes de povos lutadores, como as Bruxas da Noite não podem ser esquecidas. Devem ser um exemplo.
Temos que lutar pelo futuro mas sendo herdeiras e herdeiros do passado, recuperando os nossos heróis e heroínas.
E as minhas heroínas atravessaram os céus levando bandeiras vermelhas.

* Miguel Huertas Maestro, espanhol, é estudante de Psicologia.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A CICLOVIA FEZ UM ÚNICO MANDATO!

A ciclovia da Avenida da República em Paredes nunca serviu para nada. Nunca lá circulou nenhuma bicicleta com o espírito de circular livremente numa ciclovia. Minto, por lá andaram os amigos e militantes da CDU há 4 anos, em dia de inauguração, protestando a sua inutilidade. Agora foi levantada, cumprida  a sua missão de dar lucros aos fornecedores de tal piso e de mostrar a incompetência de políticos do PSD e de técnicos camarários. Paz à sua alma!

CR

Relembre-se a iniciativa de há 4 anos com reportagem de O VERDADEIRO OLHAR

CDU Paredes inaugura a celebérrima Ciclovia de Paredes

A "Celsovia"
Terminada a inauguração, junto à estação, o executivo e a comitiva rumaram a pé pela avenida, até ao Parque José Guilherme. Aí os aguardava um pequeno protesto da CDU local.
Antes de mais os comunistas trouxeram as bicicletas para mostrar que a ciclovia é intransitável já que os automobilistas a usam como estacionamento. Depois de alguns minutos parados junto à Caixa Geral de Depósitos, um policia municipal que acompanhou a comitiva pediu a alguns automobilistas que removessem os seus veículos deixando as bicicletas da CDU passar.

No final da ciclovia novo problema. Um cartaz colocado pelos comunistas no gradeamento junto à rua onde se podia ler "Celsovia. Banha da Cobra" foi arrancado pela Polícia Municipal provocando protestos dos militantes da CDU.

Celso Ferreira e a comitiva, que seguiam pelo outro lado da avenida, continuaram o seu caminho.
Ao VERDADEIRO OLHAR, o candidato à Câmara pela CDU, José Calçada justificou esta acção de protesto como forma de mostrar que esta pista para ciclistas é uma "ficção" e não é útil. "Tirando os nossos que andam hoje aqui, nunca vimos ninguém a usar a ciclovia", afirmou. A pista está mal situada - entre o estacionamento e a via – "o que faz com que os carros a atravessem sempre que querem estacionar ou sair, pondo em risco a segurança dos ciclistas. Esta localização não faz sentido", afiançou. O investimento na ciclovia valeria a pena se fosse bom. "Quando se faz um investimento só para encher o olho é dinheiro deitado à rua", acusou.

Fonte: “ O Verdadeiro Olhar”

AINDA OS MONOPÓLIOS

(Nuno Teles, em ladroesdebicicletas.blogspot.pt)
No seguimento deste post, é curioso observar a posição da Apple, enquanto empresa monopolista, e a sua relação recente com os mercados financeiros. Sem grandes incentivos ao reinvestimento dos seus lucros, esta empresa acumulou ao longo dos anos 145 mil milhões de dólares. No entanto, no passado mês de Abril, a Apple decidiu endividar-se nos mercados com obrigações no valor de 17 mil milhões de dólares. Naquela que aparentemente foi a maior emissão de dívida de sempre de uma empresa privada, as taxas de juro variaram entre 0,5% nas obrigações a três anos e 3,8% a trinta anos.

Todavia, porque é que uma empresa se vai endividar se está a nadar em liquidez? A razão é bastante prosaica. Boa parte dos 145 mil milhões de dólares disponíveis foi ganha e está depositada fora dos EUA. O seu repatriamento implicaria o pagamento do imposto sobre lucros norte-americano (35%). Por outro lado, o juro pago nesta emissão de dívida será dedutível na factura fiscal da Apple, resultando aparentemente numa poupança de 100 milhões de dólares todos os anos. Este dinheiro angariado nos mercados não servirá para financiar novos investimentos (e emprego), mas sim para permitir uma maior distribuição de dividendos pelos accionistas e financiar um programa de recompra de acções cujo objectivo é elevar a sua cotação na Bolsa. 


Conclusão, a Apple beneficia de uma posição no mercado que lhe permite focar-se na valorização financeira das suas acções em vez da sua actividade produtiva, foge descaradamente ao fisco do país que lhe deu as condições físicas e humanas para florescer e, não contente, financia os ganhos dos seus accionistas através de um subsídio implícito dos contribuintes norte-americanos graças às deduções fiscais.

Yes - And you and I

A ÁGUA, DIREITO IRREVOGÁVEL (II)

"Não percebo, então o António José Seguro acabou de dizer na SIC Notícias que as Águas de Portugal devem permanecer públicas, á semelhança das boas práticas de gestão por essa Europa fora, como é que explica ele que, presidentes de Câmara do seu partido iniciem processos de privatização das águas e recolha de resíduos (concessão por 25 ou 30 anos), à semelhança do que está a ser feito em Odivelas por Susana Amador?
Isto há coisas difíceis de explicar, mas por certo vai aparecer um folheto da Câmara, a cores e a apregoar as "boas" intenções desta privatização, alegando falta de entendimento entre o PS de Loures e o PS de Odivelas (??) para uma partilha de gestão daquilo para que, supostamente, foram eleitos, gerir a coisa pública! "

Nuno Cavaco (retirado do Facebook)

domingo, 21 de julho de 2013

Henri Alleg (1921-2013)

Um Comunista e Revolucionário exemplar

por Miguel Urbano Rodrigues

Esperava a notícia da morte de Henri Alleg. 
Faleceu ontem, quarta-feira, mas saíra praticamente da vida no ano passado quando, em férias numa ilha grega, sofreu um AVC. O seu cérebro foi tão atingido que a recuperação era impossível.
 
Ficou semi-hemiplégico e passou os últimos meses numa clínica, caminhando para o fim numa existência quase vegetativa. Reconhecia os filhos, dizia algumas palavras, mas o seu discurso tornara-se caótico.
 
Ligou-me a esse homem uma amizade tão profunda que sinto dificuldade em a definir.
 
Aos 90 anos passou uma semana em V.N de Gaia, comigo e a minha companheira, e pronunciou então na Universidade Popular do Porto uma conferência sobre a Argélia e os acontecimentos que abalavam o Islão africano. Pelo saber histórico e lucidez impressionou quantos então o ouviram.
 
Admirava-o há muito quando o conheci na Bulgária, em 1986, durante um Congresso Internacional. A empatia foi imediata, abrindo a porta a uma amizade que se reforçou a cada ano.
 
Henri, após o 25 de Abril, foi correspondente de L' Humanité em Lisboa. Não tive então oportunidade de o encontrar. Mas no último quarto de século visitou Portugal muitas vezes. A Editorial Caminho publicou três livros seus (SOS América, O Grande Salto Atrás e O Seculo do Dragão) e a Editora Mareantes lançou a tradução portuguesa de La Question (A Tortura), o livro que o tornou famoso e contribuiu para apressar o fim da guerra da Argélia. 
Amava Portugal, especialmente o Alentejo da Margem Esquerda do Guadiana, e admirava muito o Partido Comunista Português.
 
Participou em Portugal de diferentes Encontros Internacionais e, numa das suas visitas a Lisboa, foi recebido pela Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da Republica, debateu ali com deputados de todos os partidos grandes problemas do nosso tempo, e foi depois aplaudido pelo plenário.
 
Recordo também o interesse excecional suscitado pela sua passagem pelo Brasil e Cuba, onde o acompanhei nas suas visitas àqueles países.
 
A complexidade do sentimento de admiração que Henri Alleg me inspirava levou-me a escrever sobre ele e os seus livros mais páginas do que ao longo da vida dediquei a qualquer outro escritor. Elas aparecem em livros meus e em artigos publicados em jornais e revistas de muitos países. Evito portanto repetições.
 
Recordo que ao ler
 La Grande Aventure d'Alger Republicain o choque – é a palavra – foi tão forte que sugeri numa conferência que o estudo desse livro deveria figurar no programa de todas as Faculdades de Jornalismo do mundo. 
O que encontrei de diferente em Henri Alleg?
 
Refletindo sobre o fascínio que aquele homem exercia sobre mim, conclui que a admiração nascia da firmeza das suas opções ideológicas, de uma coragem espartana e de um eticismo raríssimo.
Mais de uma vez lhe disse que via nele o modelo dos bolcheviques do ano 17. 
Henri apareceu-me como o comunista integral, puro, quase perfeito. Não conheci outro com quem me identificasse tão harmoniosamente no debate de ideias.
 
É de lamentar que
 Mémoire Algérienne não tenha sido traduzido para o português. Nesse livro de memórias, que é muito mais do que isso, Henri, nos capítulos finais, permite ao leitor imaginar o sofrimento do comunista que acompanha o rápido afastamento, após a independência, dos dirigentes da FLN dos princípios e valores que tinham conduzido os revolucionários argelinos à vitória sobre o colonialismo francês. Pagou um alto preço pela autenticidade com que se distanciou do poder em Alger Republicain, o seu diário, fechado por Houari Boumedienne, herói da luta pela independência. 
Pesado foi também o preço que pagou em França, onde, após o regresso à Europa, foi secretário de redação de
 L' Humanité, então órgão do CC do Partido Comunista Francês. 
Henri Alleg denunciou desde o início a vaga do euro comunismo que atingiu os partidos francês, italiano e espanhol, entre outros. 
Criticou com frontalidade a estratégia que levou o PCF a participar em governos do Partido Socialista que praticaram políticas neoliberais. 
No belo livro que escreveu sobre a destruição da URSS e a reimplantação do capitalismo na Rússia fustigou os intelectuais que, renunciando ao marxismo, passaram em rápida metamorfose a defensores do capitalismo e a posições anti-soviéticas. Não hesitou mesmo em criticar o próprio secretário-geral do PCF, Robert Hue, considerando a orientação imprimida ao PCF como incompatível com as suas tradições revolucionárias de organização marxista-leninista.
 
Mas, contrariamente a outros camaradas, travou o seu combate de comunista dentro do Partido como militante.
 
Tive a oportunidade em França, de registar, em assembleias comunistas a que assisti, o enorme respeito que Henri Alleg inspirava quando tomava a palavra. Verifiquei que mesmo dirigentes por ele criticados admiravam a clareza, o fundamento e a dignidade do seu discurso crítico.
Nos últimos anos, apesar de uma saúde frágil, compareceu em programas de televisão, voltou a Portugal e revisitou a Argélia onde foi recebido com entusiasmo e emoção. Nos EUA as suas conferências suscitaram debates ideológicos de uma profundidade incomum, com a participação de comunistas e académicos progressistas. E quase até ao AVC que o abateu, percorreu a França, respondendo a convites de Federações Comunistas e outras organizações. A juventude, sobretudo, aclamava-o com ternura e admiração. 
A morte da companheira, Gilberte Serfaty, em 2010, foi para ele um golpe demolidor.
 
"Não mais posso sentir a alegria de viver…" – respondeu-me quando o interroguei sobre o peso da solidão. Ela, argelina, era também uma comunista excecional. Contribuiu muito para organizar com o Partido a sua fuga rocambolesca da prisão francesa de Rennes, para onde fora transferido da Argélia.
 
Muitas vezes, quando ia a França, instalava-me na sua casa de Palaiseau, nos subúrbios de Paris. Henri, que era um gourmet e um grande cozinheiro, recebia-me com autênticos banquetes e preparava um maravilhoso couscous, acompanhado de vinhos argelinos.
 
Na última visita a Palaiseau antes da sua doença, minha companheira e eu participamos de um jantar inesquecível. Éramos cinco: nós, Henri, Gilberte e o filho, Jean Salem, já então um filósofo marxista de prestígio internacional. 
Recordo que nessa noite passamos o mundo em revista. Henri irradiava energia; amargurado com o presente cinzento da humanidade, falou do futuro com a esperança de um jovem bolchevique.
 
Repito: Henri Alleg foi um revolucionário e um comunista exemplar. 

Vila Nova de Gaia,18 de julho de 2013

PS: a hipocrisia do costume?

o "achismo"

Irrita-me solenemente quem invoca que a sua opinião sobre os variados assuntos deve prevalecer ou valorizar-se perante quem fundamentada e colectivamente os analisa e sobretudo decide e se responsabiliza. É o conhecido “achismo”, essa praga opinativa onde, sem justificar e sem tirar consequências, se decide ou que sim ou que não e disso se faz verdade objectiva.
São inúmeros os exemplos do “achismo” mais revoltante, prática não científica, incluído desde muito cedo nas orientações e currículos escolares, estimulado por um pragmatismo sem critério ou tendencioso, o “clubismo” opinativo, o facilitismo.
Do “achismo” resulta a incapacidade de promover verdadeiro desenvolvimento, a aprendizagem, a responsabilidade, o primado da justiça, a sabedoria. A informação objectiva submete-se á opinião expressa, volátil, “democrática” e molda-se, reconstrói-se, simplifica-se, neutraliza-se. Tudo é o que é e o seu contrário. Do “achismo” nasceu a “teoria” criacionista, a ideologia do racismo e do nazismo, as ideologias mais populistas ou irracionais. Mas hoje invade os terrenos da política.
Ouvimos todos os dias: “Eu acho que…”. Devíamos responder: “ Fale quando tiver a certeza de …”.

CR