um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 31 de maio de 2013

a cuspidela da serpente

Este Henrique Monteiro escreve semanalmente no Expresso. E como pau-mandado deste poder que nos oprime e do patronato mais reaccionário julga que tem um desígnio histórico: colocar-se ao seu serviço, utilizando militantemente as páginas e os tempos de antena da comunicação social a que se alcandorou. Nada de novo.

E em tempos de crise e luta social intensa, o foco da sua mira está centrado nos sectores mais firmes e combativos, os que lutam por verdadeiras alternativas politicas: os comunistas, os sindicalistas, os revolucionários. E é com ódio de classe que o Henrique Monteiro se atreveu a escrever sobre Ana Avoila, a dirigente sindical comunista da Função Pública. Percebe-se porquê. Num momento em que se reforçam medidas excepcionais de afronta aos trabalhadores da Administração Pública, aos seus interesses e direitos, com o despedimento maciço, a mobilidade especial, o corte de salários e pensões, o prolongamento do horário de trabalho sem remuneração, o bípede com nome de Henrique Monteiro lança-se numa campanha miserável sobre Ana Avoila.

Não possuindo dados objectivos, que questionem o carácter, a honestidade ou assinalem erros de estratégia sindical, a Henrique só resta a insinuação sobre Avoila (a sua biografia não está na NET ou no Face, logo haverá algo oculto). Ou o raciocínio idiota sobre a actividade de Avoila (está há 15 anos na liderança sindical, o País está pior, logo deve ser substituída porque é ineficaz). Ou esta ideia de que Avoila marca greves sem ouvir outros sindicatos, da UGT e Independentes.

Henrique Monteiro vem da involução do período revolucionário. Fez a sua “curva de estrada”. De um fogoso jovem “revolucionário” da década de 70 transformou-se num serviçal do poder conservador.

Chamem-lhe o que quiserem? fico pela serpente...

CR

Adenda biográfica da serpente
Henrique Manuel Baptista da Costa Monteiro nasceu em Lisboa a 1 de Setembro de 1956. Tem, portanto, 56 anos! É jornalista profissional desde 1979, tendo iniciado a sua carreira no jornal Voz do Povo, que foi da UDP. Actualmente é "publisher" do Expresso, o que acumula com o cargo de Director da revista económica Exame e da revista Courrier Internacional. Em 2010 foi nomeado "publisher" e director da revista trimestral Intelligente Life (ou seja, "Vida Esperta"), resultado de um acordo entre o Expresso e a revista britânica The Economist.

Foi da direcção do Sindicato dos Jornalistas e membro do Conselho Geral daquele Sindicato. Mas deixou-se disso...
Juntou-se a outros para fundar o Clube da Esquerda Liberal, em 1984, e mais tarde o Clube Alexis de Tocqueville, fazendo parte dos Conselhos Editoriais das revistas Risco e Nova Cidadania.
Integra como membro a Maçonaria através da Loja Convergência.




quinta-feira, 30 de maio de 2013

o azeite á tona

 A Comissão Europeia recuou na proibição do uso de galheteiros. Bruxelas tinha a intenção de tornar obrigatória a utilização de garrafas invioláveis e não reutilizáveis nos restaurantes de toda a União Europeia (UE).


A troca de galheteiros por garrafas de azeite invioláveis foi justificada com o combate à fraude e proteção do consumidor e da qualidade do produto.

A decisão final ficou nas mãos do executivo comunitário que perante as críticas e pressões dos países do norte na última semana acabou por abandonar a proposta. A medida era apoiada por 15 dos 27 Estados-membros, não tendo por isso a necessária maioria qualificada.

O Ministério da Agricultura garante que a portaria que desde 2006 proíbe os galheteiros nos restaurantes portugueses vai continuar em vigor

Segundo a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), desde a entrada em vigor da portaria, em 2006, foram instaurados em Portugal um total de 69 “processos de contra-ordenação, por utilização de galheteiros na restauração”.

Apoiam a proibição da utilização dos galheteiros e surgiram em público indignados, Capoulas Santos, o eurodeputado PS, a CAP e produtores de azeite nela organizados, o Governo e os embaladores e criadores de suportes. Contra, está a Associação da Restauração, invocando custos de contexto. Os consumidores olham para a polémica vendo uma Europa com dirigentes a precisar de levar com o galheteiro nas fuças e um Portugal, um bom aluno modernaço para tudo o que nos queiram impor.

Um galheteiro verdadeiramente a eliminar seria o constituído por Passos, Portas e Gaspar.

CR

quarta-feira, 29 de maio de 2013

apontamentos diversos para a biografia de Cavaco Silva (XL)

Comunicado do Sindicato dos Palhaços


O Sindicato Nacional dos Palhaços, Histriões, Jograis, Bobos, Profissionais de Stand-up Comedy e Afins do Sul e Ilhas divulgou hoje um comunicado, que abaixo reproduzimos com a devida vénia e cambalhota:

“O SNPHJBPSCASI, reunido de emergência este sábado para apreciar várias notícias que nos últimos dias têm sido divulgadas sobre as declarações do Sr. Sousa Tavares acerca do Sr. Cavaco Silva e sobre a abertura de um inquérito às mesmas pela Procuradoria-Geral da República, vem tornar público o seu mais veemente repúdio pelas palavras do Sr. Sousa Tavares, que considera altamente ofensivas e baixamente lesivas do bom nome da classe que este sindicato representa, dada a comparação degradante que essas palavras estabelecem entre os genuínos profissionais da indústria espirituosa e o referido Sr. Cavaco Silva, que não é nem nunca foi palhaço, não é membro do sindicato, não tem carteira profissional nem consta que jamais tenha feito alguém esboçar o mais leve sorriso.

Como é do conhecimento geral, o Sr. Cavaco Silva é um indivíduo que desconhece totalmente o que seja humor, graça ou espírito, razão pela qual carece em absoluto de habilitações para poder trabalhar na nossa indústria. Trata-se de uma pessoa carrancuda, mesquinha, bisonha, tristonha e enfadonha, logo completamente desqualificada e imprópria para consumo do público. Chamar palhaço ao Sr. Cavaco Silva é tentar descaradamente fazer passar gato por lebre e, como tal, um atentado à saúde mental pública, facto para o qual o nosso sindicato não deixará de chamar a atenção da ASAE.

O SNPHJBPSCASI aplaude as diligências encetadas pelo Ministério Público, na esperança de que esta grave ofensa à imagem, reputação e goodwill da nobre actividade histriónica dê origem a um processo contra o Sr. Sousa Tavares, tanto mais que este senhor, em lugar de se retractar devidamente e apresentar um claro pedido de desculpas à nossa classe, apenas se desculpou pifiamente, ao declarar que foi “excessivo” chamar palhaço ao Sr. Cavaco Silva. Ora o ambíguo e eufemístico termo “excessivo” fica muito aquém da justiça que nos é publicamente devida, pois o Sr. Sousa Tavares deveria ter reconhecido que foi não “excessivamente”, mas sim tremenda e escandalosamente benevolente ao conceder o cobiçado título de palhaço ao deprimente, desinteressante e enfadonho Sr. Cavaco Silva.»

A «Procissão» Autárquica

 


Passa-se na Maia, mas no essencial o que justifica este pequeno artigo é extensível a muitos outros concelhos do país. É normal, segundo me dizem, ver-se o ‘andor’ da câmara municipal – presidente, presidente da assembleia e um ou outro vereador – logo atrás do pálio, e do sacerdote, nas procissões solenes que se vão realizando pelo concelho.

Quem também decidiu associar-se ultimamente às procissões – e isto sim, é que parece que é novidade – foi Ricardo Bexiga, candidato do PS à Câmara Municipal da Maia. Bexiga não o faz sozinho, como que a título de especial devoção à Sra. da Saúde de Gueifães ou à Sra. da Hora de Nogueira. Fá-lo, cirurgicamente, com cada candidato do PS a cada uma das respectivas juntas de freguesia (mesmo que, no caso concreto de Nogueira e Gueifães, estejamos perante duas freguesias extintas/agregadas). Bragança Fernandes, do PSD, vai à frente; Ricardo Bexiga, do PS, vai mais atrás. O povo, assistindo de fora, consegue notar que estão ali PSD e PS. Apontam, sussurram, percebem. Todavia, apesar da atenção demonstrada perante toda a cena, tenho dúvidas de que o povo tenha efectivamente constatado com o devido alcance esta evidência: é que a procissão de ambos é exactamente a mesma…!

A procissão que os dois integram, o mesmo percurso que ambos trilham, começa e acaba no mesmíssimo sítio. E no mesmíssimo sítio permanece também – ou seja, do lado de fora – o povo que vai abrindo alas à passagem dos mesmos ‘andores’ de sempre. A questão que se coloca é: até quando?

(Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com)

terça-feira, 28 de maio de 2013

SECTARISMO E CEGUEIRA

O Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Paredes emitiu um comunicado de imprensa sobre a VI Assembleia Municipal de Jovens de Paredes. Transcreveu-se aí os factos ocorridos, as presenças do executivo bem como sumárias intervenções do senhor Presidente da Câmara e do líder do PSD na Assembleia Municipal. Mas omitiu-se a presença na Mesa da iniciativa de representantes das forças politicas presentes na Assembleia Municipal, bem como uma deputada do PSD. Para o Gabinete de Comunicação da Câmara, Cristiano Ribeiro, Luísa Tadeu, Rui Silva e Conceição Ruão não estiveram presentes como convidados nem intervieram na sessão. A cegueira e o sectarismo da Câmara Municipal conseguem denegrir uma iniciativa louvável.

CR

(NOTA ENVIADA PARA O GABINETE DE COMUNICAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

TEXTO

PORTUGAL, VISTO POR LOBO ANTUNES


Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.
Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanto queixa, tanto lamento.
Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.
Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.
O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meterem os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho.
E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração.
E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz.
A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.
Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.
Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.
Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.
Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.
Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca.
Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.
Não se vendem livros? Mentira. O sr Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?
O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

a dura luta da aprendizagem

A reportagem reproduzida ontem no canal televisivo SIC sobre a situação da indústria do mobiliário na freguesia de Vilela , Paredes, constituiu um alerta lancinante sobre a indústria e o emprego numa região desfavorecida do interior do Distrito do Porto. A emigração em massa de trabalhadores especializados, a falência de pequenos e médios industriais, a desertificação da freguesia, a miséria que atinge o comércio local, são aspectos pungentes. E assistimos ao discurso irrealista e panfletário do autarca de Paredes, que não quer enfrentar com determinação as politicas recessivas do seu governo e dos seus antecessores.

Vilela é um feudo eleitoral do PSD, onde o partido da setinha alcança normalmente votações que atingem os 80%. Durante anos promoveu-se uma indústria baseada na baixa qualificação e salários, na interdependência de pequenos industriais entre si e com outros de dimensão média e mesmo grande dimensão. Durante anos promoveu-se uma estrutura produtiva baseada na não declaração de salários reais á Segurança Social, no individualismo e no obscurantismo, no fácil titulo de "empreendedor" obtido na escola da pequena oficina. Agora há dezenas de "patrões" que viraram simples trabalhadores ás ordens de patrões mais novos. Vilela, Duas Igrejas, Cristelo, Lordelo e Rebordosa enfrentam um terrível desafio ao seu desenvolvimento futuro. As suas referências ideológicas perderam-se, o liberalismo sugou as suas energias e esperanças, há um luto em cada casa e cada agregado familiar.

Alguns vão ter vergonha em tentar suscitar a onda laranja do costume. Há rostos fechados na multidão, mesmo que não completamente esclarecidos.  É a dura luta da aprendizagem.

CR

humor

Na última visita da troika a Portugal, chovia a cântaros... lembram-se?

Passos Coelho encaminhava-se para a reunião da 7ª avaliação às contas portuguesas.
A chover como estava e vaidoso como ele é... ao sair do carro, dobrou a bainha das calças para não as molhar e entrou no edifício onde ia decorrer o encontro com a troika...
Já em plena reunião e entre negociações complicadas, o Vítor Gaspar, que estava ao lado dele, reparou que ele ainda tinha a dobra das calças para cima e então, ...tentou avisá-lo ao ouvido:
- Sr. 1º Ministro! Baixe as calças!
 - Calma Gaspar! Calma... primeiro vamos tentar um acordo, não? !

domingo, 26 de maio de 2013

BARCLAY JAMES HARVEST - MOCKINGBIRD


texto

"A mais antiga democracia do mundo...", ou mais elementos que provam a regra segundo a qual "um rico ou é ladrão, ou é filho de um ladrão"

 Público, 22/05/2013:
Oxfam garante que taxar paraísos fiscais daria para acabar com pobreza extrema no mundo. Os designados paraísos fiscais escondem 14 biliões de euros, o que significa uma perda de receita fiscal para os governos em torno dos 120 mil milhões de euros. As contas são da Oxfam, uma organização não-governamental internacional, que trabalha em 90 países e que afirma que esse montante de impostos perdidos "daria para acabar duas vezes com a pobreza extrema no mundo". 

Público, 26/05/2013:
A Inglaterra tem um novo império: o das offshores e paraísos fiscais. (...) "É uma surpresa para a maioria das pessoas que o mais importante player do sistema global de offshores (livre de impostos e taxas) não seja a Suíça, nem as Ilhas Caimão, mas sim a Grã-Bretanha, situada no centro de uma rede de paraísos fiscais britânicos interligados entre si, a lembrar os últimos resquícios do império."

Cinco anos depois de 2008, o ano do último grande escândalo financeiro que resultou no aprofundamento do processo de nacionalização de prejuízos privados e privatização de preciosos bens e recursos públicos, as promessas de "mais regulação" e outras tretas afins revelam-se um enorme (mas previsível) vazio.

O sistema não é regulável. O sistema não é reformável. O sistema tende para a entropia e para a concentração pornográfica de capital nas mãos da meia-dúzia estupidamente rica que vive da exploração (de pessoas e recursos) e da prática do roubo, de que a fuga aos impostos é apenas um exemplo.

Um dia pagarão por todo o mal que, geração após geração, provocam na maioria. Nesse dia que ninguém venha chorar lágrimas hipócritas pela liberdade negada aos mesmos que espezinharam os pobres durante milénios, que ninguém venha lamentar a expropriação em favor da maioria dos bens milionários da minoria que nunca perdeu um momento do seu dia para pensar na injustiça em que se baseia o seu "estilo de vida".


(em 10mil-insurrectos.blogspot.pt)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Jerry Lee Lewis - Me and Bobby McGee




Londres, 1983

DISCURSOS SOBRE A CRISE (COM AS CEREJAS NO BOLO)

 A Assembleia Municipal de Jovens de Paredes de 2013 apostava na participação de jovens alunos discutindo o tema “Ultrapassar a crise”. O projecto era muito ambicioso, o de a fazer discutir nas escolas, com apresentação de propostas de recomendação diferenciadas. Participaram alunos das escolas públicas de Paredes, Rebordosa, Sobreira e Vilela.

Mas o resultado não foi a meu ver o desejado. As escolas não conseguiram dar expressão a preocupações originais, a ideias diferentes, a intervenções mais qualificadas. Ficou tudo num exercício vácuo, com traços de mais do mesmo, e com clichés reproduzidos como verdades bíblicas.

Só a juventude e imaturidade dos participantes, a sua inadequada experiência politica, podem justificar a irrelevância das suas propostas. Os professores que acompanham dedicadamente esta iniciativa devem reflectir sobre as expectativas criadas com este projecto.

Não se pretende que os jovens identifiquem adequadamente razões, causas, o enquadramento  da chamada crise, as consequências da introdução do EURO ou conheçam as politicas nacionais e comunitárias que a ela conduziram, mas importava que não se ficasse pela entrada “redentora” da Troika como única alternativa ou legitimação.

Não se pretende que os jovens conheçam os regulamentos comunitários de normalização de produtos agrícolas, mas importava que não se apontasse a venda a preços simbólicos de produtos não-normalizados em lojas “solidárias” como alternativa ao tradicional circuito de comercialização. Ou o criar uma rede de transporte camarário para distribuir refeições confecionadas “desperdiçadas”. Singular proposta, discriminatória para pobres, a desigualdade social reforçada pelo puro “assistencialismo”.

Não se pretende que os jovens conheçam direitos sociais básicos, mas importava que não se apregoasse o tempo parcial pago para desempregados em tarefas como o apoio nas cantinas escolares.

Não se pretende que os jovens conheçam o mecanismo dos “subsídios” da EU, mas importava que não se apelasse a uma falácia, a “maximização” dos subsídios para fazer …”reformas estruturais”, independentemente do que seja isto.

Mas hoje alguns dos políticos presentes na Assembleia quiseram ser impressivos. Destaco a intervenção do Presidente da Câmara, do seu vice-presidente e da deputada do PSD com afinidades com Paredes. Celso Ferreira identificou como causa de abandono escolar, a influência do meio socio- económico com o apelo do … “emprego fácil”! Mal refeitos desta “boutade” tivemos de ouvir Pedro Mendes dizer que “as meninas são mais inteligentes, tal como se passa em todo o reino animal”! A intervenção da senhora deputada foi composta por um chorrilho de banalidades e de elogios aos jovens presentes.

Percebemos então que a Crise tem várias faces, algumas gritantemente expostas e ligadas a opções eleitorais descabidas.

Aos professores, uma sugestão: é necessária, é mesmo indispensável uma análise auto-crítica que reforce a ideia do papel social do professor, a sua responsabilidade, a sua independência. Ausente essa análise, eles serão devorados como carneirinhos pela mediocridade de outros.   

CR

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O RIDÍCULO DEVIA MATAR


         Há já longas semanas que a Avenida José Júlio, em Penafiel, a via central da cidade, apresenta uma idiossincrasia pitoresca: obras perfeitamente ridículas, prolongadas no tempo, eternizadas.
        
         Na proximidade de 3 passadeiras há obra mais ou menos parada, barreiras que dificultam e condicionam o trânsito numa das 2 vias circulantes da avenida. Falamos da vizinhança do Tribunal, da Escola EB1 Penafiel n.º3 e do Colégio João de Deus, com estacionamento e circulação de dezenas de automóveis que aí se deslocam para transportar crianças.
         Em vez de escrever livros ou matar o porco em “originais” iniciativas pré-eleitorais pró PSD, convinha que os autarcas penafidelenses acelerassem as suas obras de “regime”… antes que se percebesse a sua incapacidade.
         CR

Pearl Jam - Just Breathe


terça-feira, 21 de maio de 2013

Perpetuum Jazzile - Africa


com os autarcas do PSD ao leme...


Factura da água e saneamento de Paredes subiu 34% entre 2009 e 2012

Paredes foi o concelho do Vale Sousa onde, desde 2009, mais subiram os custos com água e saneamento imputados aos munícipes, com um aumento de 34%, revelam dados oficiais relativos a 2012.
De acordo com os indicadores da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), os custos anuais com a água, em Paredes, subiram, naquele intervalo de tempo, 19,69 euros e com o saneamento 39,69 euros. Estes dados perfazem um aumento global de 58,76 euros na fatura anual dos dois serviços, o que corresponde a 4,90 euros mensais.
Os dados da ERSAR reportam-se aos custos imputados aos consumidores domésticos, num universo de 278 concelhos, para um consumo de água anual de 60 metros cúbicos.
Dinheiro Digital / Lusa

 

E não se discutem os salários do PSI-20?

por PEDRO TADEU

Somam 61 milhões de euros as remunerações anuais recebidas pelos gestores de 19 empresas do PSI-20 (o Jornal de Negócios, que me referencia, não sabe os valores de uma das cotadas deste índice da Bolsa de Lisboa, a Portucel).

101 gestores de segunda linha receberam uma média de 608 mil euros, umas 55 vezes acima do salário médio anual de um trabalhador, que estimo em 11 mil euros (sim, estou a ser optimista). Estes 101 doutores e engenheiros criam, por si só, individualmente considerados, a riqueza produzida por 55 trabalhadores?... Duvido.

Os 19 presidentes de conselhos de administração destas empresas, que em média receberam 812 826 euros, valem, com o seu talento, esforço, dedicação e sabedoria (nunca postos em causa), o talento, o esforço, a dedicação e a sabedoria de 120 trabalhadores (sempre postos em causa e, nestes tempos, a caminho do despedimento) contratados pelo salário mínimo? Este fosso justifica-se?

Tudo isto é ainda mais bizarro se percebermos que há sete empresas que remuneram os seus CEO muito acima da média e que, em contrapartida, há 11, a maioria, que dão aos seus líderes de topo valores muito mais baixos do que as outras pagam a gestores de segunda linha.

Isto faz supor que EDP, Galp Energia, Semapa, PT, Jerónimo Martins, Zon Multimédia e Sonae SGPS, as responsáveis por essa distorção, nem as práticas classificadas como convencionais, normais e razoáveis do mercado em que se inserem estão a seguir.

Note-se que empresas como a EDP e a PT, cujos resultados em 2012 caíram, no primeiro caso, 10% em relação ao ano anterior e, no segundo caso, 32%, não reduziram, na mesma proporção, os pagamentos aos seus gestores.

Em contrapartida, a maior parte da banca (BES, BPI e BCP) cortou entre 31,3% e 43,7% as remunerações aos seus líderes, exemplo olimpicamente ignorado pela maioria dos outros gestores (de quem esses bancos, se calhar, até são credores), apesar das dificuldades da crise, aparentemente, serem iguais para todos, pelo menos se nos guiarmos pelas entrevistas que dão aos jornais e pelos relatórios das contas das suas empresas.

Por exemplo: o CEO do Banif, Jorge Tomé, banco sob intervenção do Estado, teve apenas 10,9% do salário do seu posto cortado e em nove meses recebeu 316 299 euros, fazendo supor que, se tivesse exercido o cargo durante todo o ano, receberia mais do que Ricardo Salgado, do BES, ou Fernando Ulrich, do BPI.

Ironia final: os contribuintes emprestaram ao Banif, para o salvar da falência, 700 milhões de euros, à beira do dobro do valor da taxa que Passos Coelho quer cobrar aos reformados.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

poema

Aprendamos, Amor


Aprendamos, amor, com estes montes
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.

Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito

José Saramago



a cuspidela da serpente (desta vez, rosa)

Vital Moreira... o pequeno “grande constitucionalista”


É verdade! Realmente não existe nenhuma norma constitucional – ou qualquer outra, diga-se – que proíba uma pessoa cheia de cursos e títulos académicos... de ser uma besta.

Dito isto, apenas por descargo de consciência, nunca deixo de achar um pouco repelente o espectáculo que algumas dessas pessoas dão, ou por serem realmente umas bestas, ou por, de forma sonsa, acharem que retiram algum proveito da habilidade para se armarem em parvos.

É aqui que encaixa mais uma proeza “ideológica” de Vital Moreira, um artista que embora já não surpreenda... impressiona sempre.

Durante um encontro nem sem bem sobre o quê, encontro que me passou pela frente em “zapping” televisivo e onde várias figuras conhecidas opinavam, informalmente, sobre a constitucionalidade duvidosa de algumas políticas deste governo, Vital Moreira, com aquele esgar escarninho disfarçado de sorriso que apetece... adiante! com aquele esgar escarninho, saiu-se com a seguinte pérola:

«Se se cortam os salários... não vejo porque não haveria de ser possível cortar as pensões»

Depois, a custo, lá admitiu, com um ar bastante enfastiado, que talvez, talvez houvesse ali um caso de direitos adquiridos que poderia, talvez... apenas talvez, ter uma qualquer inconstitucionalidadezita... talvez...

Portanto, para além da desvalorização do crime do corte de salários, este pequeno “grande constitucionalista” acha que eu sou tão estúpido, que não sei que ele sabe muito bem a diferença entre um ordenado, que paga um trabalho feito no presente... e uma pensão, que “devolve” o dinheiro que o trabalhador descontou durante os anos em que trabalhou. Dinheiro que é dele. Dinheiro a que qualquer corte pode bem ser chamado roubo.

O sonso acha que eu não sei que ele sabe muito bem, que um ordenado, ainda que contra ventos e marés, pode renegociar-se, pode ser discutido. O trabalhador no activo, contra ventos e marés, pode aspirar a um melhor emprego. Um trabalho mais bem pago. Pode atrever-se a mudar de vida. Pode atrever-se até a mudar de país... ao passo que o reformado e o pensionista são prisioneiros da expectativa que lhes foi criada no passado. São reféns de uma promessa de velhice digna. Uma promessa que foram pagando mês a mês, anos após ano, durante uma vida. Uma promessa que todos os dias vai sendo mais enxovalhada, mais emporcalhada, mais desrespeitada, mais traída.

Vital Moreira sabe que eu sei. Vital Moreira sabe que nós sabemos que ele sabe... mas, mais uma vez, não consegue resistir à tentação da provocação porca e barata
(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)


domingo, 19 de maio de 2013

a cuspidela da serpente

«Se fosse eu, era enforcado no Terreiro do Paço»

Comentário de Pedro Santana Lopes na entrevista que deu no programa “Conversas com Vida”, do ETV, quando comparou as consequências das polémicas ocorridas com o seu governo, e as dos governos de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho. (dos jornais)

Saliente-se a mania das grandezas de Santana Lopes, a impunidade dos governantes de há quase 40 anos, e as "polémicas" que não são mais do que politicas erradas e até criminosas.

Miguel Torga e o fascismo

UM DISCURSO DE MIGUEL TORGA QUE NÃO CHEGOU A SER PROFERIDO POR A REUNIÃO POLÍTICA A QUE SE DESTINAVA TER SIDO PROÍBIDA (em 1951)

Como escritor que saiu do povo e lhe ficou fiel, doem-me duplamente os crimes que o fascismo cometeu na nossa terra. E acuso. Acuso uma ambição de poder como ainda não tivemos igual, uma obstinação que se não rende a nenhum clamor, um orgulho solitário que despreza os concidadãos, uma crueldade fria que mata a alma coletiva a frio. Quando todos devíamos estar aqui num fraternal convívio à procura de soluções para os nossos problemas ou a festejar a solução deles, consentem-nos por especial favor e a título precário que gritemos, vigiados, por justiça e liberdade. Tratados como filhos relapsos desta terra que nos viu nascer, e que amamos do fundo do coração, acusam-nos de a querer perder e destruir.

Mas o tempo dirá, quando a História nos julgar a todos, se os seus verdadeiros servidores foram eles, roubando, devorando, esbanjando, falsificando eleições, criando clientelas, encobrindo ignomínias, fomentando ódios, cavando abismos entre irmãos e perseguindo o espírito de todas as maneiras, ou nós, querendo alicerçar a ordem na justiça e na verdade, e desejando o espírito livre ao livre serviço da Nação.

(Excerto de um Texto (Palestra) de Miguel Torga, para ser lido numa reunião política que foi proibida, em 1951, in Miguel Torga, Ensaios e Discursos, Publicações D. Quixote, 2001, pág. 250)

no aniversário da morte de Catarina



USF S.MARTINHO -CAMINHADA Á ANTA DE SANTA MARTA



Dia 18 de Maio, sábado de manhã, profissionais de saúde (foto de cima), familiares e utentes da USF S. Martinho em caminhada por estrada e caminhos florestais até á Anta de Santa Marta em Penafiel, num percurso de 5 km, promovendo a Saúde no Mês do Coração (Maio). Logistica assegurada, com água, bolachas e fruta.
Dos profissionais só "faltaram" cinco. E só houve uma "desistência"...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XXXIX)

Cavaco – Uma questão hierárquica

Depois de ver profusamente comentada nas redes sociais a obsessão de Aníbal Cavaco Silva com os cidadões, esquecendo as gentes das vilas e aldeias, “vilões” e aldeões... deixo aqui duas perguntas directas ao senhor "presidente" da nossa infeliz República:
1. Acha mesmo que os “cidadões” são assim tão mais importantes do que os “vilões” e os aldeões?
2. Se for assim, porque raio é que temos os vilões a governar e a mandar nos “cidadões” e aldeões?
Adenda: Este texto foi escrito ao abrigo do novíssimo acordo horto-gráfico de Boliqueime.
(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

UM BANDO DE CRIMINOSOS SEM ROSTO?

 A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) é uma organização de 34 países, baseada nos princípios proclamados da “democracia representativa” e “economia de livre mercado”. As suas intervenções técnicas, de carácter essencialmente liberal, tendem a influenciar politicamente governos e a opinião pública para a legitimação in illo tempore do capitalismo europeu e mundial. O recente relatório para Portugal, “Reformar o Estado para promover crescimento”, divulgado em Paris, alimenta a voragem do caminho para o abismo. Nada nos surpreende. A encomenda que o governo português fez á OCDE pretendeu “aplanar” no plano ideológico as novas medidas de austeridade e injustiça social do governo de Coelho/Portas/ Cavaco. O título do texto é uma autêntica cartilha de uma concepção antissocial. Exclui-se o conceito de desenvolvimento, e coloca-se o Estado ao serviço das mais importantes “forças do mercado”

Mantêm-se os conceitos sacrossantos dos objectivos da consolidação orçamental, das reformas estruturais, da produtividade e da competitividade, “á moda do governo”. O secretário-geral da CGTP Arménio Carlos realçou quatro áreas abordadas pelo relatório da OCDE que encara como críticas: a legislação laboral, a protecção social, impostos e preços, e, por último, a mudança de organização governamental. "Num quadro em que recentemente foi revista a legislação laboral, com todas as implicações que teve do ponto de vista do desemprego, da redução dos direitos dos trabalhadores, o que se aponta aqui é mais do mesmo para pior", disse Arménio Carlos, referindo-se à "flexibilização e uma nova desregulamentação da legislação laboral com vista a facilitar os despedimentos".

 Em relação às questões da protecção social, Arménio Carlos disse tratarem-se de "medidas inaceitáveis". "Perante aquilo que estamos a viver, uma calamidade no plano social, com um grande número de desempregados sem protecção social, com muitos reformados muito abaixo do limiar da pobreza, o que nos é apontado aqui são mais reduções do poder de compra dos reformados e pensionistas", afirmou.

 Para além disso, o secretário-geral alerta que o relatório da OCDE aponta para um "anúncio claro e inequívoco de que é preciso aumentar os impostos", em particular o IMI e o IVA.

 A confederação sindical argumenta, também, que o documento da organização liderada por Angel Gurría propõe uma alteração do modelo governamental no sentido de haver "uma maior centralização do poder governamental para melhorar a implementação das reformas", algo considerado como  "profundamente preocupante".

 O cinismo das propostas do relatório é notável quando fala em crescimento sustentável e coesão social (propondo mais desemprego, menores indemnizações por despedimentos, congelamento do salário mínimo,  e menos direitos sociais). A opacidade do relatório é espantosa quando fala em reduzir a “segmentação do mercado de trabalho”. Veja-se a arrogância das seguintes propostas: “abolir a extensão administrativa dos acordos colectivos de trabalho além dos casos em que as empresas são responsáveis por menos de 50% do emprego num determinado sector é essencial para promover a negociação ao nível da empresa e restaurar competitividade.”. Ou seja, ás empresas e aos trabalhadores não filiados nas organizações patronais e sindicais que assinam . “Melhoria no código tributário, para deslocar a carga de impostos do trabalho de uma forma neutra em termos de receitas, ampliando ainda mais a base tributária para aumentar a competitividade.”
“A eficiência dos gastos sociais precisa de ser aumentada de modo a que os sistemas de prevenção de pobreza podem continuar a ser protegidos e a fim de atender às pressões de médio prazo, associadas ao envelhecimento da população”. “Prevenção de pobreza”, não o clássico combate á pobreza.

Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), tornar os sistemas de pensões mais sustentáveis em Portugal é uma medida central para reduzir o peso desta área na despesa pública. E são duas as recomendações que a instituição faz ao Governo português: acabar com a reforma antecipada e acelerar a convergência das regras dos sistemas de pensões do sector público às do privado, abrangendo nos cortes os actuais pensionistas.

Temos assim uma organização que se assemelha a uma organização mafiosa, criminosa, de técnicos especialistas no roubo das políticas públicas de desenvolvimento e justiça social. Num tempo, numa economia onde se redistribuem recursos de baixo para cima, dos mais frágeis para os mais fortes, e em compensação medo e insegurança, de cima para baixo.

Cristiano Ribeiro


quarta-feira, 15 de maio de 2013

“Miséria social” em Portugal

Desde que se iniciou o chamado “Programa de ajuntamento económico e financeiro da troika” só houve criação de emprego com remuneração até 310 euros (são cerca de 140.000 trabalhadores a auferir esses salários de miséria).

A taxa de desemprego do 1.ºtrimestre de 2013 é de 17,7% (950.000 desempregados). A evolução do último trimestre de 2012: 16,9%-17,7%

Não há Feira de Livro no Porto em 2013. Por uma verba de 75.000 euros a Câmara do Porto (PSD/CDS) e a APEL deixam cair esse acontecimento cultural.

A Siderurgia Nacional (maioria capitais espanhóis) poderá deslocalizar-se para Espanha por … custos de energia

O PIB caiu 3,9% no primeiro trimestre , face ao mesmo trimestre de 2012, o recuo mais significativo desde que a austeridade necessariamente recessiva começou há muitos trimestres atrás.

iniciativa


Iniciativa da USF S. MARTINHO, de Penafiel. DIA 18 Maio, de manhã.

terça-feira, 14 de maio de 2013

SILVIO RODRIGUEZ - HOY MI DEBER


Hoy mi deber

 [tradução (um pouco) livre, de Sérgio Ribeiro
 procurando... não trair: um homem na revolução]

 Hoje era meu dever cantar a Pátria,
 levar a bandeira,
 ser mais um no Rossio.

 Hoje era um momento mais de luta,
 um renascimento,
um sol de conquista.

Mas tu faltas-me há tantos dias
 que quero e não posso ter alegrias.
 Penso em teu cabelo pousado na minha almofada
e não sou capaz de partir para outra batalha.

 Hoje, eu, que tinha de cantar em coro,
escondo-me neste dia de sussurro e de solo.
Que faço tão longe dando motivos
a este jogo de enganos,
 a este jogo sem sentido... dos sentidos?

Tua boca pequena dentro do meu beijo
conquista, toma posse, não tem recuo.
Teu corpo e meu corpo cantam suores,
Sons, sobressaltos, febris tremores.

Hoje, meu dever era cantar a Pátria,
levantar a bandeira,
ser mais um no Rossio.

E creio que, acaso, por fim o consegui,
sonhando o teu abraço,
voando a teu lado.

a frase do dia - Marques Guedes e a mentira

"Eu acho que há aqui uma mistificação muito grande por parte de alguma comunicação social em torno desta matéria, a posição do Governo desde o princípio tem sido a mesma, conforme foi dito quer pelo senhor primeiro-ministro, quer pelo líder do principal partido da oposição e que faz parte da coligação de Governo, doutor Paulo Portas, nas comunicações que fizeram já há uns dez dias atrás", sustentou Marques Guedes

A LUTA


CONCENTRAÇÃO DE FERROVIÁRIOS REFORMADOS E SUAS FAMILIAS, DIA 9 DE MAIO NA CALÇADA DO DUQUE, FRENTE AO EDIFICIO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA CP , EM LISBOA

34% das unidades de saúde familiar sentiram falta de material básico em 2012

Inquérito de satisfação aos coordenadores das USF mostra agravamento das condições de trabalho. Um terço das Unidades de Saúde Familiar (USF) terão sentido falta de material considerado básico durante o ano de 2012, como luvas, batas ou vacinas contra o tétano, segundo dados de um inquérito que foi divulgado esta semana.

Todos os anos é feito um estudo de satisfação aos coordenadores das USF e os resultados relativos a 2012 foram apresentados em detalhe no 5.º Encontro Nacional destes organismos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da comissão científica do encontro, André Biscaia, explicou que uma das tendências é um aumento da insatisfação em relação ao Ministério da Saúde e aos organismos da administração central.

As faltas de material básico de funcionamento são apontadas por um número significativo de coordenadores de USF, com 34% deles a indicarem que em 2012 essas falhas ocorreram mais de 10 vezes. O mesmo estudo mostra que só 13% dos coordenadores afirmaram nunca terem tido falhas de material considerado básico.

O equipamento informático, que apoia grande parte da actividade clínica e administrativa nas USF, também está a ser motivo de insatisfação, com metade dos coordenadores a não considerar que o equipamento tem o nível de adequação pretendido.

Criadas em 2005, as USF foram fundadas como uma forma alternativa ao habitual centro de saúde, prestando também cuidados primários de saúde, mas com autonomia de funcionamento e sujeitas a regras de financiamento próprias, baseados também em incentivos financeiros a profissionais e à própria organização.

Neste momento, há 86 candidaturas para criação de unidades de saúde familiar (USF) que estão por decidir e que poderiam dar médico de família a mais 150 mil utentes, segundo dados oficiais a que a agência Lusa teve acesso.

André Biscaia, revelou à Lusa que desde o início do ano apenas entrou em funcionamento uma destas unidades, sendo que outra foi extinta. Segundo os dados oficiais, entre 2006 e 2010 abriam 55 unidades por ano, o que dava uma média de cinco por mês. Mas em 2011-2012 a média caiu para 39 unidades.

“Há aqui qualquer coisa no processo que não está a levar a que as USF que têm candidaturas activas passem à actividade”, declarou o responsável, remetendo respostas para o Ministério da Saúde ou para as autoridades regionais de saúde.

Os organizadores do 5.º Encontro Nacional das USF continuam a frisar as vantagens destes organismos: “um modelo centrado no cidadão e na micro-eficiência e assente num elevado grau de participação, transparência, discriminação positiva e responsabilização nas decisões”. De tal modo que no encontro uma das questões a debater será o alargamento do modelo das Unidades de Saúde Familiar aplicado a outras áreas sociais nos serviços públicos em Portugal.

“Há muitos estudos que provam vantagens ao nível do acesso, da racionalização da prescrição de medicamentos e de meios complementares, que apontam para menos desperdício e melhor utilização de recursos”, lembrou André Biscaia.

Actualmente existem em funcionamento 357 USF que abrangem cerca de 4,5 milhões de utentes e onde trabalham mais de 6900 profissionais.

domingo, 12 de maio de 2013

Reis Novais sobre a selvajaria do Governo

http://youtu.be/InQZRp5NFks

A selvejaria social, expressa nas propostas do governo apoiadas pelas orientações comunitárias,  explicada de forma limpida. Com uma nuance:  o Secretário de Estado é mesmo um Selvagem, tal como os outros governantes, tal como quem os apoia. Quanto ao intitulado "presidente da republica", devemos dizer é uma Coisa Anormal, Coisa Anormal (CACA). Uma referência ao sindicalismo "amarelo", dos TSD´s e quejandos: a imagem televisiva da sessão do 1.º Maio dos TSD, com a posição reverente de alguns perante o Primeiro Ministro é um Nojo.

CR

Miguel Calhaz - Era uma vez um País

http://youtu.be/JWzhjjn1F9Q

Festival Cantar Abril 2013 - Prémio Ary dos Santos (Poesia)
Câmara Municipal de Almada

sábado, 11 de maio de 2013

ANTIBALAS - DIRTY MONEY

http://youtu.be/KMXlEqlnAIg

DA RUA AO ALTAR

Era discurso de prostituta “fina”. Com arrebiques de “prestação de contas”. Com salamaleques de “parcimónia” no uso da palavra pública. Com ademanes de “responsabilidade”.
Tinha até pretensão séria de resenha histórica. E tom “critico” onde se fustigava os malditos “desses senhores da troika”. Tinha o tom diferenciador do parceiro governamental, esta preocupação pelo excesso, pelo limite inultrapassável, a moderação virtuosa em público.
De um momento para o outro passávamos do plano de uma estrita intervenção defensiva no órgão político partidário para o terreno, mediaticamente melhor manipulado, da consciência maioritariamente “democrata-cristã” da população conservadora do país. O propósito era profundo. Embrulhada a mensagem, formatada como se fosse decente, a gente digeria-a e a figurinha saía incólume por entre os pingos da chuva. Habituado a lidar com o antigo eleitorado fiel de feiras e mercados, esta receita permitir-lhe-ia gerir o presente e preparar o futuro.
Era uma boa estratégia mas não deu. Em primeiro lugar, há inteligência que sobra para tão descarada manipulação. Em segundo lugar, o parceiro da coligação tem idêntica escola de cinismo e de hipocrisia, não se inibindo de denunciar a manobra, claramente pré-preparada entre a figurinha e o figurão-mor. E em terceiro lugar, há no autoproclamado partido de “oposição” quem vista com sofreguidão a roupa de pretendente da figurinha, destacando-lhe a “genialidade”.
Assim ficamos a saber que quem da prostituição faz vida, não se livra do estatuto só por se casar no altar.

Cristiano Ribeiro

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ONDE HÁ PARTIDO

 (António Santos, em kontra-korrente.blogspot.com)

 Às vezes, só pela ausência compreendemos o verdadeiro valor do que temos. É quando falta a luz que nos lembramos de que sem electricidade voltaríamos à idade das trevas; é quando o homem do quiosque adoece que descobrimos o quanto precisamos dele; e é quando um velho amigo morre que nos arrependemos dos dias que não passámos juntos. E reza o lugar-comum dos lugares-comuns que alguns só dão valor à saúde quando a perdem.

 Pois eu cá, que vivo nos EUA há mais de três anos, tive incontáveis oportunidades de descobrir em todos os lugares a dolorosa ausência das coisas portuguesas que não se vêem ao perto: os autocarros, que aqui são privilégio das grandes metrópoles; a luz do sol, que nesta região do globo só se faz sentir durante quatro meses; a tradição de ver o telejornal à hora do almoço; o café; ir a pé às compras; e até o pão.

 Claro está que também tenho as saudades que todos os emigrantes têm: dos meus amigos a braços com a sobrevivência; do meu sobrinho bebé que não posso ver crescer ou do meu pai já velho (um antigo preso político que hoje continua a lutar com a mesma coragem com que lutou toda a vida). Mas deste mar de saudades, triviais e importantes, previsíveis ou espantosas, a que mais me surpreende e profundamente me assombra é a falta do Partido Comunista.

A natureza depredadora do capitalismo impele-o a avançar na medida da resistência que se lhe opõe: privatiza quando pode privatizar, rouba quando lhe é possível e escraviza quando o deixam. Aqui, a correlação de forças entre trabalho e capital está de tal modo desequilibrada que, na sua sede insaciável pela maximização do lucro, a burguesia só se tem a si própria como obstáculo. A falta de um partido da classe operária revolucionário, coerente e solidamente organizado sente-se em todos os aspectos da vida: a minha companheira, que é bancária, pode ser despedida a qualquer momento sem justa causa; eu, que sou professor, sou preso se fizer greve; a saúde e a educação foram reduzidas a mercadorias de custos astronómicos e a política está monopolizada pelo partido bicéfalo da alta burguesia.

onde não há Partido Comunista prevalece o medo. A contradição de interesses, o gérmen da luta de classes, não pode ser extirpada, mas as condições subjectivas que a transformam em acção, essas podem ser manietadas. Como se pode lutar quando se deve 50 mil dólares ao banco pela universidade, mais 15 mil do carro e 100 mil da casa? Entre os trabalhadores norte-americanos impera a resignação e a vertigem da inevitabilidade.

Onde não há Partido, são os patrões que decidem a agenda e os termos do debate. Expressões como «exploração», «classe» ou «luta» estão banidas do léxico comum. Palavras como «militância» ou «comunismo» estão indelevelmente associadas ao «mal», ao «terrorismo» e às «ditaduras». Porque na língua universal do capitalismo a semântica é um instrumento de opressão e dominação de classe, onde não há Partido Comunista chama-se «cidadania» às contradições insanáveis entre exploradores e explorados, e «comunidade global interdependente» a um mundo saqueado pelo imperialismo e cada dia mais militarizado.

Onde há Partido, os trabalhadores são mais fortes e é mais difícil aos patrões queimar as suas energias em idealismos vácuos e radicalismos inconsequentes. Onde há Partido, há uma Escola de Comunismo, onde milhares de quadros se formam politicamente no calor da luta e que garante que a experiência acumulada de gerações de revolucionários converge para a construção do socialismo.

Em Portugal, o PCP não só marca o passo à agenda política, como o trava aos interesses da grande burguesia. Não haja dúvidas: se os sucessivos governos PS-PSD-CDS não foram mais longe na destruição de Abril, é porque sempre se depararam com a resistência do PCP. Não consigo imaginar como seria Portugal sem a luta dos comunistas, porque sem ela nem eu mesmo seria quem hoje sou. Seguramente, teríamos menos direitos e outra Constituição. Seguramente seríamos mais pobres. Mas também não consigo imaginar quantos anos nem quanto sangue seriam necessários aos trabalhadores dos EUA para erguerem um partido como o PCP.

Na luta de classes, nada é adquirido: tudo é conquistável e potencialmente perdível. Os EUA são o exemplo acabado desse mesmo perigo, que não só nos deve orgulhar do grande Partido que fomos capazes de construir, como nos incumbe da missão histórica de o reforçar. Porque onde há Partido há futuro, em Portugal o optimismo é revolucionário.

Originalmente publicado no «Avante!» de 9 de Maio de 2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Motoristas da Carris desmaiam com fome

NUNO MIGUEL ROPIO
foto Orlando Almeida / Global Imagens / Arquivo

A crise abateu-se de forma negra sobre os motoristas da Carris, em Lisboa: passam fome e desmaiam em pleno serviço. Há ainda os que se apropriam do dinheiro dos bilhetes para equilibrarem as contas.
Há cerca de 300 motoristas e guarda-freios da Carris que estão a passar graves dificuldades económicas, ao ponto de nada comerem durante as várias horas em que estão ao volante de autocarros. Três deles já chegaram a desfalecer no serviço e um outro teve uma quebra de tensão - porque há quatro dias consecutivos que só ingeria um iogurte por dia.
Por detrás deste cenário de subnutrição, que afeta quase 20% dos motoristas da transportadora (1700), estão histórias em que a cara-metade está desempregada, os 800 euros de salário-base já não fazem face às despesas mensais e à prestação da casa ou em que os filhos entraram na rota do desemprego

terça-feira, 7 de maio de 2013

O SUBMARINISTA

(em aessenciadapolvora.blogspot.pt)

Paulo Portas tornou-se um exímio submarinista, competência que lhe vem do tempo em que foi ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e não é obra do acaso o seu interesse por este tipo de arma. Está no Governo a trabalhar em águas profundas, e de vez em quando emerge até à superfície para respirar, auto-justificar-se e sacudir a água do capote. Desta feita veio fazer uma conferência de imprensa para dizer ao povo que não aceita que o Governo leve por diante a chamada "TSU dos reformados e pensionistas", porque isso seria ultrapassar uma fronteira que para ele é intransponível. Ficarmos pobrezinhos ainda vá lá, agora maltrapilhos é que não. Subir a idade de reforma para 66 anos ainda vá lá, mas agora ir mais longe que isso, já não contem com ele, mesmo sabendo que a governação passou da pura encenação à fase picaresca, onde apareceu a desempenhar o papel do polícia bonzinho, depois de Passos Coelho, quarenta e oito horas antes, ter feito o papel de políca mauzão.

Paulo Portas é um político inteligente e astuto que não dá ponto sem nó, e esforça-se por não cometer erros de palmatória. Paulo Portas enquanto tiver margem de manobra, vai mantendo o submarino a navegar, umas vezes submerso, outras vezes à superfície, oscilando com um pé dentro e outro fora, mantendo a espectactiva de que vai romper, mas não rompe, gerindo em proveito próprio o cavacal conceito de "estabilidade governativa", com as "inevitáveis" doses passistas de bandoleirismo social. Vai-se queixando aqui e ali dos seus efeitos nefastos, porém, continua a manter o submarino a navegar em círculos à volta do Coelho, a parecer que está, mas não está, que é, mas não é, que parece, mas não parece. Entretanto, pelo caminho e pelo seguro, vai enviando sinais amistosos à fragata do Seguro. Quer passar a ideia que mesmo sendo farinha do mesmo saco, é o seu grande sentido "patriótico" que vai continuando a exigir o ingrato "sacrifício" de partilhar o martírio desta insana governação. Ave de rapina como é, Paulo Portas só espera com esta política dúbia e dúplice, o momento oportuno para desferir o seu ataque. E a guerra submarina é isso mesmo, a persistente vigilância, perseguição e cerco do alvo, para o abater no momento em que o seu flanco fica mais exposto aos torpedos.

A pedido do senhor Aníbal, que não tem sombra de dúvidas e não se engana, mas apenas quer saber de que lado sopra o vento, o Almirantado (vulgo Conselho de Estado) irá reunir dentro de dias. Para pôr água na fervura, chamar o Paulinho à razão e evitar que haja um pé-de-vento, não vá ele dar-se ao luxo de querer meter o porta-aviões ao fundo.


domingo, 5 de maio de 2013

Gabriel Pensador - Homenagem a Marlon

http://youtu.be/XXhhdBLeYVI

a desfaçatez


Perante um conclave de dirigentes sindicais "amarelos"...

ENTRE A FOME E O CONSENSO

Estima-se que haja nas escolas portuguesas 13 mil crianças com fome e carências alimentares. Já em 2009 eram 27% as crianças que viviam em situação de carência económica. Abrangidas pela acção social escolar serão agora 350 mil (famílias cujos rendimentos mensais de referencia são inferiores a 419 euros). Há fome nas escolas. Há fome nas casas.
O poder corrupto e desumano que nos governa, alicerçado na ideologia criminosa da “consolidação orçamental a todo o custo”, desvia a atenção dos verdadeiros culpados da crise, extorquindo ao trabalho o que beneficiam ao capital. São inúmeras as expressões quase diárias de uma feroz discriminação social, que afecta trabalhadores no activo, empresários e reformados e pensionistas.
O poder corrupto e desumano pretende despedir 30 mil funcionários públicos, pagar os subsídios de ferias em Novembro, aumentar as prestações sociais para a ADSE, prolongar o período de trabalho para as 40 horas, reduzir o rendimento disponível das famílias. Há fome de justiça em Portugal. Há medo, um medo que paralisa.
Há no mês de Março e por hora 85 novos desempregados inscritos no IEFP, 31,9 por cento sendo licenciados ou com habilitação superior. Cinquenta e cinco por cento dos desempregados não recebem qualquer prestação social. Inúmeros portugueses deixaram a família, os amigos, o torrão pátrio, para enfrentar o desconhecido, conquistar a sobrevivência, reganhar a esperança.
O poder corrupto e desumano que nos governa fala todos os dias, explica-se todos os dias, impõe-se todos os dias, reflecte todos os dias, porém não desperta senão ódio em muitos, resignação em outros tantos, confusão em inúmeros. A peste laranja – azul que nos governa é um poder estranho e estrangeiro, contrário á consciência nacional.
O poder corrupto e desumano mostra uma permanente insensibilidade social e uma persistente hipocrisia politica. Apoiado num autentico “espantalho politico” que na presidência só serve para tentar afastar as vozes patrióticas da dissidência e da critica, apoiado num “exército ocupante” colonial com sede em Bruxelas, Estrasburgo ou Berlim, esse poder constrói a fábula do consenso necessário para continuar o desbaste. O país é chamado a colaborar na sua própria destruição. Haverá protagonistas que entenderão ser possível refrear o animal, aligeirar o percurso, adocicar o azedo. Não creio ser possível ou sequer desejável.
Há que expulsar do poder quem se mostra impreparado politicamente, indecente eticamente e nos conduz para a guerra. Depois da guerra social, virá (quando?) a outra. Consequência necessária. Inevitável. Ler a História do século passado será conveniente. Aprender com o passado. Ter consciência do que se prepara aí é sinal de bom senso.
As eleições, quaisquer que sejam, são instrumento de racionalização e correcção. Temem-nas quem tem medo do seu resultado. Obviamente que as más consciências de muitos vão obrigar ao discurso auto-punitivo, ou á fuga para a frente. O País sabe bem quem lhe destruiu a vida, a esperança. O país sabe que punir eleitoralmente os partidos do “consenso europeu” é justo. Mas a bem da verdade deve-se dizer que a ruptura com as politicas anteriores, o esforço de renascimento da dignidade, exigem uma outra consciência. Contra a fome e o consenso, mobilizemo-nos pela alternativa.
Aos que nos dizem que não há alternativa, dizemos que a morte não é opção única.

CR

sábado, 4 de maio de 2013

carta





(em otempodascerejas2@blogspot.com)

vergonha para Baltar e para a justiça!

Eleição da Junta e da Assembleia de Freguesia de Baltar considerada nula pelo Tribunal

Em causa está a eleição ilegal do secretário da Junta de Freguesia

A eleição do executivo da Junta de Freguesia de Baltar, assim como da Mesa da Assembleia de Freguesia, foi declarada nula pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel. Nula é também a aprovação do Plano Plurianual e Orçamento para 2013, um documento que já está em vigor.

Na base desta decisão jurídica, que obriga a que haja uma nova eleição para estes órgãos, está a eleição de José Maria da Silva Pereira para secretário da Junta de Freguesia. José Maria da Silva Pereira nunca poderia ter sido eleito secretário da Junta de Freguesia.

A decisão foi tomada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel no passado mês de Abril, mais de três anos depois da tomada de posse ter ocorrido em Baltar. Na sentença a que o VERDADEIRO OLHAR teve acesso, os juízes declararam nulos "os actos eleitorais que integraram a primeira reunião da Assembleia de Freguesia realizada em 30/10/2009". No mesmo documento, o Tribunal refere que a decisão explica-se com a eleição de José Maria da Silva Pereira para secretário da Junta de Freguesia, função que nunca poderia ocupar por não estar entre os nove elementos iniciais que constituíam a Assembleia de Freguesia. "Na primeira reunião da Assembleia de Freguesia só os membros daquele órgão investidos aquando do acto da respectiva instalação participam na eleição dos vogais da Junta de Freguesia, por um lado. E, por outro, que os referidos vogais têm de ser escolhidos e eleitos por e de entre aqueles membros da Assembleia de Freguesia", sustenta o Tribunal.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

grafismo


jornal i

uma vitória significativa!

A Assembleia Municipal de Penafiel aprovou uma moção que contesta a cobrança de estacionamento no Hospital Padre Américo, decisão politica que já tinha sido tomada pela Assembleia Municipal de Paredes. A moção foi aprovada por maioria, com uma abstenção, ao contrário do que aconteceu em Paredes, onde a iniciativa da CDU foi aprovada por unanimidade.
Percebe-se o incomodo das restantes forças politicas, obrigadas a votar nas Assembleias Municipais contra as orientações dos CA da sua confiança e do governo da troika nacional e estrangeira. Compete á população manter a recusa ao pagamento de tão despropositada despesa. E identificar quem luta com eficácia e sinceridade pelos seus interesses- a CDU e os seus eleitos locais.  

a cuspidela da serpente

Como principal mentor da reforma do estado social no Reino Unido, Iain Duncan Smith, o secretário de Estado do Trabalho e das Pensões não tem conquistado muitas simpatias. Em particular, o braço de ferro com o serviço público britânico ganhou contornos de batalha, com as acusações a subirem de tom... e a descerem de nível.

Conta o "Times of London" na sua edição de hoje que, a determinada altura, quando tomou conhecimento que um membro da sua equipa fora "repreendido" por um elemento das Finanças, Duncan Smith pegou no telefone e não foi de meias palavras: "Se volta a falar assim com os meus técnicos, arranco-lhe os tomates à dentada e envio-lhos dentro de uma caixa".

Desconhece-se a resposta do outro lado da linha e é de crer que a ameaça não foi cumprida, ainda assim o episódio (que o "The Daily Mail" situa em 2010) é relatado numa altura em que o nome do secretário de Estado tem sido alvo de grande contestação.

Em causa, a sua afirmação numa entrevista à BBC de que conseguiria viver com apenas 53 libras (62 euros) por semana, argumento usado para defender os profundos cortes, nomeadamente nas pensões, que implicam o plano de austeridade do Governo britânico.

De imediato foi lançada uma petição na internet, assinada por milhares de pessoas, exigindo que Duncan Smith demonstre o que disse.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

outra vez, os swaps

Que os gajos andassem metidos em swaps, não me espanta. Têm é que me explicar como conseguiram estoirar três mil milhões nessas farras.


Diz o Expresso que "As perdas potenciais das empresas públicas com contratos financeiros derivados (swaps) rondavam três mil milhões de euros no final do ano passado", dos quais 1 100 milhões no metro de Lisboa e 800 milhões no Metro do Porto.

Pelo menos fico a saber para onde vai o dinheiro do aumento dos passes, que no meu caso foi cerca de 80%.

(em aessenciadapolvora.blogspot.pt)