um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

segunda-feira, 29 de abril de 2013

quando te disserem que não há dinheiro...

Tiago Mota Saraiva / Alexandre Esgaio

balanço de um congresso inútil


esquecendo a exigência de eleições antecipadas

com o fruto apodrecendo

mantendo as ilusões de uma alternância com viabilidade

gritando a oposição, a indignação

deixando que o fruto apodreça

disciplinando a voz da rua

aproveitando os ventos do medo e da resignação,

prometendo números, um outro EXCEL,

uma austeridade menos cruel

falando grosso, histriónico, sozinho,

maioria absoluta, como sempre

sócrates regressado, vieira da silva regressado,

santos silva regressado, mais lino, mais paulo campos, mais

a unidade dos que sempre estiveram unidos

mais do mesmo, PS,

socialismo histórico, na gaveta, á portuguesa, seguro,

segurinho

o fruto apodrecendo.

CR

domingo, 28 de abril de 2013

FUNERAL DIGNO DE UM DITADOR - O GOLPE DE THATCHER

 por John Pilger

  Após o desaparecimento de Thatcher, recordo suas vítimas. A filha de Patrick Warby, Marie, foi uma delas. Marie, com cinco anos, sofria de uma deformidade do intestino e precisava de uma dieta especial. Sem ela, o sofrimento era aflitivo. Seu pai era um mineiro de Durham e gastara todas as suas poupanças. Era o Inverno de 1985, a Grande Greve tinha quase um ano e a família estava empobrecida. Embora a necessidade de operação não fosse contestada, o Departamento de Segurança Social recusou ajuda a Marie. Posteriormente, obtive registos do caso mostrando que Marie fora recusada porque o seu pai era "influenciado por uma disputa sindical".
A corrupção e desumanidade sob Thatcher não conheciam fronteiras. Quando chegou ao poder em 1979, Thatcher pediu uma proibição total de exportações de leite para o Vietname. A invasão americana havia deixado um terço das crianças vietnamitas desnutridas.
Testemunhei muitas visões penosas, incluindo crianças a ficarem cegas devido à falta de vitaminas. "Não posso tolerar isto", disse um médico angustiado num hospital pediátrico de Saigão, quando olhávamos para um rapaz a morrer. A Oxfam e a Save the Children havido deixado claro para o governo britânico a gravidade da emergência. Um embargo conduzido pelos EUA havia forçado o preço local do quilo de leite a subir para dez vezes o do quilo de carne. Muitas crianças podiam ter sido recuperadas com leite. A proibição de Thatcher impediu.
No vizinho Camboja, Thatcher deixou um rastro de sangue, secretamente. Em 1980, ela exigiu que o defunto regime Pol Pot – o assassino de 1,7 milhão de pessoas – retivesse o seu "direito" a representar suas vítimas na ONU. A sua política era de vingança do libertador do Camboja, o Vietname. O representante britânico foi instruído a votar com Pol Pot na Organização Mundial de Saúde, impedindo-a dessa forma de proporcionar ajuda para o lugar onde era mais necessária do que qualquer outro na terra.
  Para esconder esta infâmia, os EUA, a Grã-Bretanha e a China, os principais apoiantes de Pol Pot, inventaram uma "coligação de resistência" dominada pelas forças do Khmer Rouge de Pol Pot e abastecida pela CIA em bases ao longo da fronteira tailandesa. Havia uma dificuldade. Na sequência da derrocada do Irangate, armas-por-réfens, o Congresso dos EUA proibira aventuras clandestinas no estrangeiro. "Num daqueles acordos ambos gostavam de fazer", contou um alto responsável do Whitehall [1] ao Sunday Telegraph, "o presidente Reagan sugeriu a Thatcher que o SAS [2] deveria assumir o comando do show do Camboja. Ela prontamente concordou".
  Em 1983, Thatcher enviou o SAS para treinar a "coligação" na sua própria e diferente marca de terrorismo. Sete equipes de homens do SAS chegaram de Hong Kong e soldados britânicos começaram a treinar "combatentes da resistência" em estender campos de minas num país devastado pelo genocídio e a mais alta taxa de mortes e mutilações do mundo devido a campos de minas.
Noticiei isto na altura e mais de 16 mil pessoas escreveram a Thatcher para protestar. "Confirmo", respondeu ela ao líder da oposição Neil Kinnock, "que não há envolvimento do governo britânico de qualquer espécie no treino, equipamento ou cooperação com o Khmer Rouge ou aliados dele". A mentira era de cortar o fôlego. Em 1991, o governo de John Major admitiu no parlamento que o SAS havia na verdade treinado a "coligação". "Nós gostamos dos britânicos", disse-me mais tarde um combatente do Khmer Rouge. "Eles foram muito bons a ensinar-nos a montar armadilhas explosivas (booby traps). Pessoas confiantes, como crianças em campos de arroz, foram as vítimas principais".
Quando os jornalistas e produtores do memorável documentário "Death on the Rock" , da ITV, revelaram como o SAS havia dirigido outros esquadrões da morte de Thatcher na Irlanda e em Gibraltar, foram perseguidos pelos "jornalistas" de Rupert Murdoch, então acovardados em Wapping [3] atrás do arame farpado. Embora absolvida, a Thames TV perdeu sua concessão da ITV. Em 1982, o cruzador argentino General Belgrano navegava fora da zona de exclusão das Falklands [4] . O navio não constituía ameaça, mas Thatcher deu ordens para que fosse afundado. Suas vítimas foram 323 marinheiros, incluindo adolescentes alistados. O crime tinha uma certa lógica. Dentre os mais próximos aliados de Thatcher estavam assassinos em massa – Pinochet no Chile, Suharto na Indonésia, responsáveis por "muito mais do que um milhão de mortes" (Amnistia Internacional). Embora desde há muito o estado britânico armasse as principais tiranias do mundo, foi Thatcher que com um zelo de cruzado procurou tais acordos, conversando empolgada acerca das mais refinadas características de motores de aviões de combate, negociando arduamente com príncipes sauditas que pediam subornos. Filmei-os numa feira de armas, a acariciarem um míssil reluzente. "Terei um daqueles!", disse ela.
  No seu inquérito das armas-para-o-Iraque, Lorde Richard Scott ouviu evidências de que toda uma camada do governo Thatcher, desde altos funcionários civis até ministros, mentira e infringira a lei na venda de armas a Saddam Hussein. Eram os seus "rapazes". Se folhear números antigos do Baghdad Observer encontrará na primeira página fotos dos seus rapazes, principalmente ministros do gabinete, sentados com Saddam na sua famosa poltrona branca. Ali está Douglas Hurd e um sorridente David Mellor, também do Foreign Office, na época em que o seu hospedeiro ordenava o gaseamento de 5000 curdos. A seguir a esta atrocidade, o governo Thatcher duplicou créditos comerciais para Saddam.
Talvez seja demasiado fácil dançar sobre a sua sepultura. O seu funeral foi uma proeza de propaganda, adequada a um ditador: uma mostra absurda de militarismo, como se se houvesse verificado um golpe. E foi. "O seu triunfo real", disse outro dos seus rapazes, Geoffrey Howe, ministro da Thatcher, "foi ter transformado não apenas um partido mas dois, de modo que quando o Labour finalmente retornou, a maior parte do thatcherismo era aceite como irreversível". Em 1997, Thatcher foi o primeiro antigo primeiro-ministro a visitar Tony Blair depois de ele ter entrado na Downing Street [5] . Há uma foto deles, juntos num ricto: o criminoso de guerra em embrião com a sua mentora.
Quando Ed Milliband, na sua untuosa "homenagem", travestiu Thatcher como "corajosa" heroína feminista cujas façanhas pessoalmente "admira", fica-se a saber que a velha assassina não morreu de todo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O PSD, UM PARTIDO INIGUALÁVEL


A saga Mota em Lordelo mereceria um guião apropriado a uma telenovela popular. O Joaquim Mota, presidente da Junta de Freguesia, retirou a confiança política e os pelouros que detinha no Executivo a José Mota, seu irmão, membro do Executivo da Junta. Tudo isto porque o Mota (José) faltou á sessão da assembleia de freguesia de Lordelo, no que é reincidente, e ao mesmo tempo promoveu á mesma hora do mesmo dia uma iniciativa de passeio e visita aos moinhos intitulada “Caminha com Liberdade”. O Mota (Joaquim) repudiou a atitude do irmão, este em rota de colisão com o restante executivo da junta de freguesia, desde a escolha para candidato á presidência da Junta pelo PSD. Ambição de José a que se opôs Joaquim, preferindo um funcionário da Junta que não é Mota, mas sim Serra.

Assim Lordelo, cidade importante, arrisca-se a ter, em vez de um mastro, um Serra, pupilo de Mota, seu alter ego… Mas Joaquim, que se queria vereador da Câmara há 4 anos, terá de lutar agora, porque no caminho com liberdade encontrará outros … Motas e muitos outros…com coragem de o enfrentar.

CR

grafismos e comentários oportunos



"Até os cravos se assustaram e tentaram afastar-se quando Cavaco Silva cuspiu sobre a democracia." (em salvoconduto.blogspot.pt)


«Cavaco Silva e Passos Coelho fecham os palácios durante o 25 de Abril. A prática democrática criou visitas aos jardins, mas agora nada. Alega-se manutenção dos canteiros para ninguém ver o que lá vai: o clientelismo, a desumanidade, o oportunismo, a mediocridade e outras réplicas da actual política»
       O Jardim das Notícias, de Victor Moura-Pinto

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ACAGAÇADOS DE MEDO (DE UM NOVO 25 DE ABRIL)

Este ano, os portugueses, ao contrário dos que aconteceu em anos anteriores, não vão poder apreciar as belezas dos jardins da residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, nem do palácio cor-de-rosa, que alberga a Presidência da República, em Belém no dia em que se comemora os 39 anos da revolução dos cravos. Segundo o gabinete de imprensa do primeiro-ministro, citado pela Lusa, trabalhos de manutenção que estão a decorrer nos Jardins de São Bento impedem a abertura do espaço aos cidadãos. O Povo constitui uma ameaça para os governantes. Eles estão barricados nos seus palácios, nos seus jardins, nas suas alcovas, nos seus privilégios, nas suas certezas. Eles borram-se de medo, cagam-se todos, ao ouvir as ondas de uma maré constante e crescente, vozes pedindo justiça, indignações levantando as pedras da calçada. Eles esquivam-se pensando ser possível escapar á denúncia. Eles estão em trabalho de manutenção. CR

magna carta - lord of the ages

http://youtu.be/prcKkUs2y6o

Mais aldrabices do Banco Central Europeu para encobrir Merkel

Há alguns dias publiquei um artigo mostrando como o presidente do Banco Central Europeu havia apresentado aos líderes europeus dados sobre a evolução da produtividade e dos salários em diferentes países que estavam manipulados ou manifestavam uma tremenda falta de conhecimentos de questões económicas básicas ( Las trampas de Draghi para bajar salarios ). Qualifiquei esse facto como uma aldrabice, porque dessa forma se confundiam as pessoas para poder levar por diante propostas que não têm nenhum outro fundamento a não ser a ideologia neoliberal de quem as propõe.
Agora temos novamente que denunciar outra publicação do Banco Central Europeu cujos resultados confundem a população e são difundidos para ajudar a política reaccionária da Sra. Merkel e seu governo, determinados a justificar a sua guerra económica contra a Europa dizendo aos seus compatriotas que a negligência dos países do Sul da Europa obriga as famílias alemãs, que são as mais pobres, a pagar os seus excessos.
Diversos meios de comunicação tão influentes como The Wall Street Journal, Financial Times e o Frankfurter Allgemeine têm reproduzido nos últimos dias um trabalho publicado pelo Banco Central Europeu na revista Statistics Paper ( "The Eurosystem Household Finance and Consumption Survey, Results from the First Wave" ) em que se quantifica a riqueza das famílias dos países europeus mostrando que a das alemãs é menor do que a dos outros países da periferia europeia.
Os títulos destes artigos são significativos: "Ricos cipriotas, pobres alemães" Reiche Zyprer, arme Deutsche ), em Frankfurter Allgemeine ; "Os mais pobres da Europa? Olhe para o Norte." ( Europe's Poorest? Look North ) em The Wall Street Journal; ou " Os pobres alemães cansados de resgatar a zona euro "( Poor Germans tire of bailing out eurozone ) no Financial Times.
Mas este estudo que serve para proclamar aos quatro ventos como é injusto que sejam precisamente os alemães a pagar a dívida destes países que têm famílias mais ricas, tem truque. Como acabam de demonstrar os pesquisadores Paul De Grauwe e Juemey Ji num artigo publicado no Social Europe Journal ( Are Germans Really Poorer Than Spaniards, Italians And Greeks? ), os dados que o Banco Central Europeu apresenta neste estudo não permitem tirar semelhantes conclusões, porque se referem à mediana da riqueza das famílias estudadas e não à riqueza média.
Para aqueles que não estão habituados a estes conceitos, mostrarei a diferença com um exemplo simples.
Suponhamos que se trata de comparar a riqueza das famílias de dois países A e B e que a riqueza das cinco famílias do país A é 12, 13, 14, 15, 16 e a das famílias do país B é de 7, 8, 9, 10, 71.
A mediana é o valor da variável que tem acima e abaixo o mesmo número de observações. Assim, no país A a riqueza mediana seria 14 e no país B seria 9.
Vejamos porque é incorrecto dizer que as famílias do país A são mais ricas do que os do B, ou que o país A é mais rico que o B.
Se em lugar da mediana tomarmos a média (média das observações, ou seja, o resultado da divisão do valor total pelo número de famílias) conclui-se que a riqueza familiar média no país A é 14, enquanto nas famílias do país B é 21.
O que aconteceu é lógico: a mediana "escondeu" a grande riqueza que se acumula na quinta família do país B.
Este simples exemplo permite verificar, portanto, que o que importa não é a mediana (neste caso, da riqueza), mas sim ter em conta a diferença que há entre a mediana e a média porque essa diferença é que indica o grau de desigualdade entre as variáveis observadas.
No exemplo, vê-se claramente que o país B que aparece como mais pobre se a riqueza for medida pela mediana, é na realidade muito mais rico.
No seu comentário ao estudo do BCE, de Grauwe e Ji mostram que, se se levar em conta a desigualdade, os resultados a que se chega são outros. Assim, provam que a diferença entre a riqueza dos 20% das famílias mais ricas e os 20% das mais pobres é 149 para 1, na Alemanha, uma desigualdade entre dez e quinze vezes maior do que a registada em Espanha, Itália, Grécia ou Portugal, por exemplo.
Portanto, não se pode dizer, como se faz, que as famílias alemãs, como um todo, são mais pobres do que as dos outros países. Ao dizer isso, está-se a esconder que na Alemanha a riqueza das famílias está muito mais concentrada que nos outros países e que uma pequena parte das famílias, os muito ricos, detém a maior parte da riqueza.
Além disso, de Grauwe e Ji indicam que observar apenas a riqueza das famílias, quando se pretende tirar conclusões sobre como é injusto um país resgatar outro, também não é muito adequado. Afirmam, justamente, que se deveria levar em conta, para além da riqueza das famílias, aquela que detêm as empresas e o governo.
Acontece que na Alemanha a parcela da riqueza total que corresponde às famílias, em relação à das empresas e do sector público, é menor que em outros países europeus.
e a riqueza for vista como um todo, e não apenas na família, por exemplo, através do stock de capital per capita, acontece que a da Alemanha é quase o dobro da que corresponde a países como Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda e até Itália.
Em suma, mais uma vez o Banco Central Europeu engana, difundindo uma visão parcial da realidade, que é usada pelos grandes meios de comunicação para apoiar a estratégia do governo alemão, orientada para favorecer cada vez mais as suas grandes corporações e bancos.
O BCE é um instrumento dos grandes grupos empresariais e financeiros da Europa, cujo melhor representante político é o actual governo alemão, e neste momento isso é demonstrado pela ajuda na ocultação de que o que acontece na Alemanha não é que o país como um todo, ou todas as suas famílias, estejam a empobrecer por causa dos países do Sul. É outra coisa: há cada vez mais famílias alemãs a empobrecer, mas porque a riqueza se concentra em cada vez menos ricos alemães. Alemães ricos, que também o são devido à pilhagem que as suas empresas e bancos, com a inestimável ajuda do Banco Central Europeu, efectuam nos países do Sul.
Merkel e o seu governo são não só o inimigo número um da Europa como também da imensa maioria dos alemães.



(Juan Torres López, em  blog resistir.info)

ESGOTO A CÉU ABERTO EM OEIRAS

Isaltino Morais foi preso. O seu advogado considera a sua detenção como ilegal, por haver questões pendentes em instâncias superiores de recurso. Entre essas questões está a prescrição dos crimes e a contradição de acórdãos. Isaltino não precisa de advogado para nada. Ele é magistrado, sabe bem as linhas em que se cose. A sua impunidade tem sido completa. Ele utiliza de forma trapaceira os mecanismos processuais que adiam a decisão da Justiça. Conta com a cumplicidade de sectores fundamentais do aparelho judiciário e do putrefacto poder politico. Mas acima de tudo obteve a benevolência estúpida da sociedade de Oeiras onde foi autarca. Não fosse Isaltino autarca sufragado pelos habitantes de Oeiras, do mais humilde ao mais elevado no escalão social, e já tinha deixado de ser um caso: estaria há muito tempo preso. Assim continua a atormentar as consciências e a constituir um esgoto a céu aberto na Democracia.

CR



quarta-feira, 24 de abril de 2013

PORTUGAL = GRÉCIA

O impacto da austeridade imposta pela troika na saúde dos europeus já chegou á comunidade científica americana com a Grécia a servir de caso de estudo. Um estudo publicado na revista científica “American Journal of Public Health”, das mais cotadas nesta área, analisou a saúde grega cinco anos depois da troika. Duplicaram as depressões de 2008 a 2011. Os suicídios aumentaram 16,2% entre 2007 e 2009. Os homicídios aumentaram 25,5%. Os óbitos associados a doenças infecciosas aumentaram 13,2%. O uso de drogas injectáveis como heroína aumentou 11,6%. Dizem os autores: “á medida que as populações da Grécia e de outros países europeus enfrentarem politicas de austeridade sem precedentes, os perigos para a saúde pública vão provavelmente aprofundarem-se. A menos que a resistência popular leve á derrota dessa politica”.
A austeridade é um perigo para a saúde, com tendência a piorar. Há maior recurso aos serviços públicos de saúde. A despesa nos hospitais públicos diminuiu. O descontentamento dos profissionais aumentou. Há o descurar e destabilização da prevenção. É o alerta grego. Portugal está a aplicar a mesma receita. Logo mais cedo que tarde, estaremos lá.

terça-feira, 23 de abril de 2013

A NAIFA - INQUIETAÇÃO

http://videos.sapo.pt/Hu2hjnDrQ1DJA5B5rWyF

UMA NOVA VERSÃO

Governo “doente”

A cor, o estado semi-liquefeito e, sobretudo, o cheiro... não enganam. Este governo de lacaios da troica ocupante está podre. Podre e a desfazer-se!

Já não há banana, coca cola... ou mesmo “imodium”, que segure esta espécie de intestino descontrolado em que vive o executivo de Pedro Passos Coelho.

Este governo não precisa de mais remodelações!

Este governo precisa de um autoclismo!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

NICK CAVE & THE BAD SEEDS

http://www.npr.org/event/music/173419436/nick-cave-and-the-bad-seeds-live-in-concert-sxsw-2013

O AMARELO ESTÁ PARA DURAR

por Ivo Rafael Silva

O trajecto de liderança de João Proença na UGT terminou da forma mais elucidativa possível. Nada podia ser mais explícito nem mais significativo do que concluir as suas funções sendo vivamente elogiado pelo governo que mais atacou os trabalhadores, os pensionistas e os reformados portugueses desde o 25 de Abril. É a medalha que Proença tanto fez por merecer. É a distinção clara e inequívoca que melhor lhe cabe. Olhando ao passado e ao presente, desde o histórico exercício de ‘contra-sindicalismo’ à complacente assinatura do memorando da troika, não podia ser de outra forma.

Contrariamente ao que alguns pensam e dizem, a mudança de líder não vai alterar o paradigma, os objectivos nem a ‘contra-luta’ da UGT. O novo líder, que diz ter chegado a secretário-geral “graças a Ricardo Salgado”, seu patrão do BES, confirmou ao jornal Público aquilo de que nunca duvidei. À interpelação «Muitas vezes existe a percepção de que a UGT está muito próxima dos patrões e do Governo e pouco dos trabalhadores…», Carlos Silva respondeu: «Essa percepção não é errada. É uma imagem que de alguma forma corresponde aquilo que a UGT é.(…)»

Por estas e por outras, há por aí quem diga que a UGT não passa de um bando de «traidores». É uma afirmação com a qual não posso concordar. Afinal de contas, a UGT, nunca traiu os patrões.

A OFENSIVA DA TROIKA NA REGIÃO

A sessão ordinária da Assembleia Municipal de Paredes de 20 de Abril teve na aprovação dos documentos de prestação de contas do Município um ponto principal. Mas a realidade está mais claramente plasmada fora dos documentos oficiais, mais ou menos formais, mais ou menos identitários de uma gestão maioritariamente “legitimada”.

A Assembleia Municipal assumiu o seu papel de órgão colectivo expressão de interesses dos cidadãos ao aprovar por unanimidade uma Moção denunciando a recente medida de uma Administração do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, entretanto já substituída, de impor o pagamento do estacionamento dos parques interiores do Hospital Padre Américo aos utentes do referido Hospital. A proposta inicial da autoria dos eleitos da CDU Cristiano Ribeiro e Álvaro Pinto foi posteriormente subscrita pelos restantes líderes das forças políticas presentes na Assembleia Municipal. Transcreve-se a Moção:

A Saúde é um pilar básico do Estado Democrático consagrado na Constituição, constituindo o acesso a serviços públicos de qualidade um direito fundamental dos cidadãos.

O Hospital Padre Américo, unidade do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, é o hospital de referência da região (e portanto também de Paredes), para os cuidados de saúde mais diferenciados incluindo cuidados de urgência.

Recentemente, uma Administração do CHTS, entretanto substituída, estabeleceu por concessão o pagamento pelos utentes do estacionamento dos parques internos do referido hospital, roçando esses montantes valores exorbitantes.

Esse pagamento vai onerar a muito difícil situação económica das famílias, utentes e acompanhantes, da região constituindo assim uma dificuldade adicional pois em local com inexistentes transportes públicos em grande parte do dia, o automóvel privado constitui a única alternativa.

Acresce que o direito de concessão estabelece como contrapartida a construção de um edifício de apoio, uma Casa do Pessoal com valências sociais para funcionários, certamente importantes, mas cuja concretização é dever do Estado, não sendo aos utentes cometido tal usufruto.

Por fim, a situação criada com os parques pagos vazios e o estacionamento ilegal e precário nos arruamentos contíguos ao Hospital mais parece própria de uma qualquer romaria de Verão do que numa instituição pública relevante.

A Assembleia Municipal de Paredes, reunida em Sessão Ordinária em 20 de Abril, decide:

Denunciar em nome das populações residentes no concelho de Paredes e utentes do Hospital Padre Américo, o pagamento do estacionamento do Hospital Padre Américo, em tudo contrário á satisfação e interesses dos utentes.

A proposta de concessão a privados por um período de 14 anos do estacionamento no interior do Hospital é injustificada, socialmente injusta e politicamente inábil. Alegar que se pretende “disciplinar o estacionamento”, ou evitar furtos ou repelir os “pedintes da esmolinha” e para isso se inventou o estacionamento pago é justificação sem conteúdo, pretexto sem sentido.

Os valores em causa que atingem os 6,70 Euros por cada 24 horas vêm onerar a já muito sensível situação económica dos utentes, confrontados com a redução do rendimento disponível, e prejudicam o acesso a cuidados de saúde essenciais, ausentes as alternativas de transportes públicos, inexistentes ou insuficientes no local em grandes períodos de tempo.

Por outro lado, as contrapartidas obtidas, relativas á construção de uma Casa do Pessoal, com berçário, infantário e auditório, obtida através da concessão, constitui uma perversão que coloca os utentes a patrocinar obrigações sociais do Estado ou do próprio Hospital, sem deles obter ganho directo.

Politicamente a medida é inábil e demonstra uma lógica seguidista em relação á tutela. Percebe-se que houve uma orientação superior para utilizar todos os instrumentos para garantir receitas especiais. Mas sublinhe-se que o espírito do bloco central, onde as divergências são formais e não substanciais, preside a tudo isto. Um CA de nomeação socialista, uma proposta de um seu vogal, igualmente vereador socialista de Paços de Ferreira, e membro de júri que escolheu a empresa adjudicante. Com tal “socialismo” estamos feitos!

Cristiano Ribeiro
(em O Progresso de Paredes)

sábado, 20 de abril de 2013

MOÇÃO

Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Paredes apresentaram uma moção de denúncia do pagamento do estacionamento no parque interior da Unidade Padre Américo em Penafiel, subscrita pelos lideres das outras forças politicas  e aprovada por UNANIMIDADE

quinta-feira, 18 de abril de 2013

a administração em estado de sítio ou o "papismo" para além do Gaspar (II)

Entre as medidas previsiveis relativas a "poupanças na despesa" que afectam a Administração Central, nomeadamente na área da Saúde, estão despedimentos e redução de encargos com horas extraordinárias. Entre as medidas "cegas" está uma redução de profissionais no SASU Paredes que terá expressão brevemente na redução de 3 para 2 médicos no turno das 9 ás 14h30 aos Sábados, Domingos e Feriados.

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XXXVIII)

O Presidente da República, Cavaco Silva, marcou, esta quarta-feira, 17, presença na inauguração da Feira do Livro de Bogotá (FILBO), da qual Portugal é, nesta 26ª edição, convidado de honra.
Durante o discurso de inauguração do pavilhão português vários nomes de grandes escritores portugueses foram lembrados. Cavaco Silva referiu-se a Camões como o maior dos poetas e o chefe de Estado da Colômbia, João Manuel Santos, lembrou Fernando Pessoa.
O que está a gerar mal-estar entre a comunidade literaria nacional (parte dela representada e presente na FILBO) foi a ausência de qualquer referência, por parte de Cavaco Silva, a José Saramago, o único Nobel português da Literatura.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

É OBRA!

Portugal é a 4ª pior economia do Mundo

Portugal é a segunda pior economia da Europa (se excluirmos a república de São Marino, um pequeno enclave com 61 quilómetros quadrados localizado em Itália) e a quarta pior do Mundo, segundo o relatório ‘World Economic Outlook', divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2012, a riqueza nacional caiu 3,2%, valor só superado pela diminuição da riqueza na Grécia (6,4%), no Sudão (4,4%) e em São Marino (4%).

Há anos que o PCP denuncia escândalo financeiro dos contratos "SWAP"

http://youtu.be/7XzrTtBozDc

Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!

humor

Um industrial de Paços de Ferreira foi à Noruega comprar madeira para a sua fábrica de móveis.
À noite, sozinho no bar do hotel, repara numa loira encostada ao bar.
Não sabendo falar norueguês, pediu ao barman um bloco e uma caneta.
Desenhou um copo com dois cubos de gelo e mostrou-o à loira.
Ela, sorriu e tomaram um copo.
De seguida começou a tocar uma música romântica.
Ele, pega novamente no bloco, desenha um casal a dançar e mostra-lhe.
Ela levanta-se e vão dançar.
Terminada a música, regressam ao bar e é ela que pega no bloco.
Desenha uma cama, uma cadeira e uma cómoda e mostra-lhe.
Ele vê e diz:
- Sim, sim, sou de Paços de Ferreira...

 

Thatcher, o mito*


Manuel Loff

A direita mundial, de Gorbatchov a Obama, de Merkel a Blair, de Passos a Portas, derrama elogios sobre Margaret Thatcher. Mas o mito não serve para ocultar a realidade: a “mudança” de que é um dos expoentes é a do trágico ciclo de retrocesso histórico com que a Grã-Bretanha e grande parte do mundo estão hoje confrontados.

“A maior líder política britânica do séc. XX, depois de Winston Churchill” escreveu anteontem João Carlos Espada sobre Margaret Thatcher. Estão “de luto” os “amigos da liberdade” pela mulher (Reagan chamava lhe “o melhor homem que os britânicos tinham…”) que ocupou o poder na Grã-Bretanha durante 11 anos. Abriu um ciclo político de que ainda hoje a direita não saiu. Há muitas razões para Thatcher ser a mais idolatrada das líderes das direitas ocidentais desde o fim da II Guerra Mundial. Em 1979 tomou o poder e abriu o caminho a uma viragem à direita (18 anos consecutivos de governos conservadores na Grã Bretanha) que começou dez anos antes da queda do Muro e se ampliou a Portugal (o PSD entraria nesse ano no governo de onde só sairia 16 anos depois), aos EUA (Reagan e Bush, 1981-93), à Alemanha (Kohl 1982-98)… Mas daí a dizer que conseguiu mudar não apenas a paisagem política do seu país mas a do mundo vai um passo disparatado que só gente que a quis imitar, como Tony Blair, é capaz de dar.

Thatcher foi um modelo para a direita mas, como qualquer conservadora, não reinventou o mundo: limitou-se a querer voltar atrás 40 anos na história. Em torno dela se tem construído um autêntico mito que, como ocorre sempre, mais que discutir o passado, pretende prescrever soluções para o futuro. Para Merkel, Thatcher tinha “a liberdade individual no centro das suas crenças”. Obama, que podia ter evitado a bazófia, disse que Thatcher contribuiu para demonstrar que “podemos moldar a História com convicção moral, coragem inabalável e vontade de ferro”. Falamos, atenção, da mesma mulher que se opôs até ao fim às sanções internacionais contra o apartheid sul-africano e considerou o Congresso Nacional Africano, dirigido por Nelson Mandela “uma típica organização terrorista” (Guardian, 8.4.2013) ou que, com os EUA, apoiou na ONU os Khmeres Vermelhos contra o novo governo cambojano colocado no poder pelas tropas vietnamitas que derrubaram o genocida Pol Pot (John Pilger, New Statesman, 17.4.2000); e que intercedeu a favor de Pinochet quando a justiça internacional o quis julgar por crimes contra a humanidade. Para ela, o ditador que deixou três mil desaparecidos e 32 mil torturados foi quem “trouxe a democracia ao Chile” (BBC News online, 26.3.1999). Thatcher disse-o atacando a sentença da Câmara dos Lordes que acedia às pretensões da justiça espanhola e à de três outros países em exigir o julgamento de Pinochet, pressionando, com sucesso, para que o governo britânico não a cumprisse.

Na construção do mito é recorrente (e de uma banalidade entediante) a comparação com Churchill. Supõe-se, assim, que Thatcher terá tido o seu Hitler. Desengane-se, porém, quem julgar que ele terá sido a ditadura militar argentina, que lhe ocupou as Malvinas (1982) (alguém julgaria que a anticomunista admiradora de Pinochet teria grandes objecções aos ditadores argentinos?). Ele foi, pelo contrário, um líder sindical - Arthur Scargill - que dirigia o Sindicato Nacional dos Mineiros quando, em 1984-85, lançou a mais longa greve de que há memória na história britânica. O ministro das Finanças de Thatcher comparou o sindicalista com Hitler, a imprensa tablóide e os serviços secretos lançaram sobre ele toda a lama que puderam e a primeira-ministra não hesitou, como não o faria um qualquer ditadorzeco, em referir-se aos sindicatos, contra quem a verdadeira batalha se fazia, como “o inimigo interior”. É verdade: ganhou três eleições consecutivas (1979, 1983, 1987) mas - qual triunfo, qual quê -nunca acima dos 44% dos votos (menos de 1/3 dos eleitores) as mais reduzidas vitórias eleitorais desde 1945, cada uma delas com menos votos que a anterior. Apesar de todos os disparates sobre “a vitória do senso comum sobre a ideologia”,

Thatcher nunca convenceu os britânicos. “O seu legado é o da divisão social, egoísmo privado e o culto da ganância” (Guardian, editorial, 9.4.2013). Thatcher implantou a fórmula que nos trouxe até onde estamos: desregulação económica, empobrecimento generalizado dos assalariados, um aspirador de riqueza de baixo para cima que fez da Grã-Bretanha a mais injusta das sociedades pós-industriais. Funcionou? Durante o seu governo, e apesar de todo o petróleo escocês cujo preço subira astronomicamente, o Reino Unido passou de 5 ª para 6 ª economia mundial, ultrapassada pela Itália, atrás da França e da própria URSS em plena crise de dissolução. Hoje é a 7 ª e caminha para o 10 º lugar. Para quem gasta encómios à reforma económica (melhor seria dizer à devastação produtiva thatcherista) os dados da História parecem não contar para nada…

A mulher que garantia que “a sociedade não existe: o que há são indivíduos e famílias”, proibiu em 1987 as escolas de ensinarem “a aceitabilidade da homossexualidade como relação familiar”. A classe social, dizia, era “um conceito comunista” - e nos 11 anos que governou, a proporção de crianças pobres duplicou (www.theyworkforyou.com, 20.6.2005). Entre a muito boa música que contra ela se compôs naqueles anos, os The The cantavam já em 1986 que “não poderão nunca ser limpas as manchas no coração de um país doente, triste e confuso. O 51.º estado EUA” (Matt Johnson, Heartland).

*Este artigo foi publicado no “Público”, 11.04.2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

primo de relvas ou afilhado de sócrates?


Mestrado inexistente obriga presidente do Eurogrupo a alterar currículo

O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, alterou o currículo oficial para retirar a menção a um mestrado que, afinal, não tinha feito. "Erro de tradução", justifica uma das instituições em que trabalhou.
No currículo oficial do novo presidente do Eurogrupo constava um mestrado em "Business Economics" tirado na Universidade Cork. No entanto, revela o jornal irlandês "The Independent", esse curso não existe sequer naquela universidade, uma das mais prestigiadas da na República da Irlanda.

O caso encontra paralelo no caos de outros políticos, nacionais e estrangeiros. Dijsselbloem, de 47 anos, estudou apenas dois meses na Universidade Cork, numa investigação sobre "Negócio Alimentar", adianta o "The Independent".
Voltou na passada quinta-feira para uma palestra e entretanto já corrigiu o currículo. A nova versão explica que Dijsselbloem "procedeu a investigações sobre Economia Empresarial para obter um mestrado na Universidade de Cork".
Fontes do Banco Europeu de Investimento, onde Dijsselbloem trabalhou, explicaram ao "The Independent" que a menção ao mestrado se tratou "de um erro de tradução".

O presidente do Eurogrupo, causou grande agitação nas bolsas europeias nos dias que se seguiram ao resgate do Chipre, ao afirmar que o modelo seguido naquele pequeno país seria replicado em eventuais futuros resgates, chamando os depositantes ajudar a salvar a banca.

a administração em estado de sítio ou o "papismo" para além do Gaspar

De acordo com o despacho do Ministro de Estado e das Finanças de 08/04/2013 e por determinação do Sr. Diretor Executivo do ACES, … … … ..., não estão autorizadas quaisquer tipos de despesas a partir da presente data. Chamo especial atenção para a não utilização de táxis, devendo os domicílios médicos e de enfermagem reportarem ao estritamente necessário e de acordo com a disponibilidade dos veículos adstritos ao nosso ACES.
A presente determinação manter-se-á em vigor até despacho em contrário da ARS Norte, I.P.



mais uma PPP (Parceria Público - Privada)




O jornal O Progresso de Paredes na sua edição de 12 de Abril traz a justa revolta dos utentes do Hospital Padre Américo devida ao pagamento do estacionamento nos parques internos do Hospital, medida recente de uma administração já substituída.

Ficamos a saber que o contrato de concessão prevê contrapartidas de 2,3 milhões de euros para o Hospital, que seriam aplicadas para além dos lucros da empresa concessionária, em obras de melhoramento do parque e num edifício de apoio ao hospital, no valor de 1 milhão de euros. Compreendemos então que o estacionamento pago dos utentes iria pagar uma Casa de Pessoal, com sector administrativo, creche, berçário e infantário e um auditório com 400 metros quadrados. Duvida-se da verdadeira utilidade do referido auditório, sabendo-se que o actual cumpre funções de formação de forma adequada.

Mas o mais significativo tem que ver com as justificações aduzidas pelo anterior CA do CHTS. Assim o objectivo seria “disciplinar o parque”, com alegados problemas relacionados com “abuso de estacionamento”e com “furto de bens”, com “muitas pessoas a pedirem moedinha para orientar o estacionamento”. Quem frequentava o parque sabe que o parque era seguro e em grande parte do tempo era suficiente. Temos portanto falsas razões e evidentes interesses. Esperemos que o parque pago fique vazio, e que as alternativas existentes, nas ruas laterais ou no parque do Pingo Doce sejam provisórias, até prevalecer o bom senso. E a Administração anterior seja responsabilizada pelo compromisso da concessão.

CR

domingo, 14 de abril de 2013

POEMA

MORRE LENTAMENTE

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
... quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco"
e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite,
uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então! 


Martha Medeiros

OS ROSTOS DA GATUNAGEM


 Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica, licenciado em Direito e durante dois anos delegado do Procurador da República em Mafra e Porto de Mós, foi apanhado na operação ‘Monte Branco’, processo a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que investiga a maior rede de lavagem de dinheiro, fuga e branqueamento de capitais detectada no País, a actuar entre 2007 e 2012.

 Manuel Vilarinho era um dos nomes na longa lista de clientes de Francisco Canas, dono da loja de câmbios Montenegro Chaves e Cª Lda e conhecido como ‘Zé das Medalhas’. O ex-presidente do Benfica usaria os serviços de Canas para fazer circular dinheiro entre a Suíça e Portugal. O Ministério Público, apoiado por elementos da inspecção tributária, realizou buscas à residência de Manuel Vilarinho e à sociedade imobiliária Edigest, de que é sócio.
O caso ‘Monte Branco’ partiu da investigação à Akoya, rede criada pelo ex-gestor de fortunas do UBS Michel Canals, que tinha como intermediário em Portugal Francisco Canas.

José Carlos Gonçalves, empresário de Alenquer do sector imobiliário tido como um dos principais clientes de Francisco Canas, está em prisão domiciliária até pagar a caução imposta pelo juiz Carlos Alexandre. O Tribunal Central de Instrução Criminal diz apenas que a caução é de "grande montante".
Além da investigação desenvolvida em torno da empresa de Manuel Vilarinho, os investigadores do DCIAP também realizaram buscas à construtora Bento Pedroso. Dois dos seus administradores são suspeitos de branqueamento neste processo.

Manuel Vilarinho, antigo presidente do Benfica, Duarte Lima (que terá colocado no estrangeiro 3 milhões de euros) e a antiga secretária de Estado e Inspectora Geral da Educação Maria José Rau são nomes que constam da lista de clientes de Francisco Canas.

O semanário Expresso revela, este sábado, uma lista de 180 clientes de Francisco Canas e correspondentes a quase 100 milhões de euros de transações. Maria José Rau, secretária de Estado da Administração Educativa no tempo de António Guterres, e a família entregaram 365 mil euros de uma herança a Francisco Canas.

O chamado «Zé das Medalhas» recebia cheques ou malas de dinheiro numa loja de Lisboa e cobrava uma taxa de um por cento para fazer circular os capitais pelo estrangeiro, longe do controlo do fisco português.

A ex-governante, que ainda hoje integra o Conselho Nacional de Educação, garante que já regularizou o problema junto do Banco de Portugal, ao abrigo das leis que permitem a repatriação voluntária de capitais a troco de taxas de imposto reduzidas e da isenção de qualquer procedimento de natureza criminal.

Já Manuel Vilarinho confiou 422 mil euros a Francisco Canas, que se encontra em prisão domiciliária.

A maioria dos 180 clientes identificados garante ter aderido aos Regimes Extraordinários de Regularização Tributária (RERT), não podendo por isso ser constituídos arguidos pelo Ministério Público. Quanto ao próprio zé das medalhas continua em prisão domiciliária.

Conheço o Canas desde miúdo e o meu pai também já o conhecia", contou Vilarinho ao “Expresso”. "Não sei quanto dinheiro lhe entreguei. Socorri-me do Canas porque o dinheiro é meu e não é proibido pô-lo lá fora. É melhor do que entregá-lo a estes tipos do governo”.

sábado, 13 de abril de 2013

O dia em que o presidente da Islândia zombou de Davos

Entrevistado no Fórum Econômico Mundial, ele diz ao mundo dos banqueiros, oligarcas financeiros e mega-empresários: saímos da crise porque ignoramos receitas que ouvimos de vocês

Por Martin Zeis, no Resistir
O Presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimmson, foi entrevistado neste fim de semana (26-27/01/2013) no World Economic Forum, em Davos. Perguntaram-lhe porque a Islândia desfrutou uma recuperação tão forte após o seu completo colapso financeiro em 2008, ao passo que o resto do mundo ocidental luta com uma recuperação que não tem pernas para andar.

Grimsson deu uma resposta famosa ao repórter financeiro da MSM, declarando que a recuperação da Islândia se devia à seguinte razão primária:
“… Fomos suficientemente sábios para não seguir as tradicionais ortodoxias prevalecentes do mundo financeiro ocidental nos últimos 30 anos. Introduzimos controles de divisas, deixámos os bancos falirem, proporcionámos apoio aos pobres e não introduzimos medidas de austeridade como você está a ver aqui na Europa. …”

Ao ser perguntado se a política da Islândia de deixar os bancos falirem teria funcionado no resto da Europa, Grimsson respondeu:
“… Por que é que os bancos são considerados as igrejas sagradas da economia moderna? Por que é que bancos privados não são como companhias aéreas e de telecomunicação às quais é permitido irem à bancarrota se tiverem sido dirigidas de um modo irresponsável? A teoria de que você tem de salvar bancos é uma teoria em que você permite aos banqueiros desfrutaram em seu próprio proveito o seu êxito e deixa as pessoas comuns arcarem com os seus fracassos através de impostos e austeridade. O povo em democracias esclarecidas não vai aceitar isso no longo prazo. …”

CHEIO DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O (NOSSO) INFERNO CHEIO (II)

 Quando farmácias fecham, por insolvência ou dívidas acumuladas, são as localidades onde elas se situam que podem ser gravemente afectadas, nomeadamente em pequenos meios rurais. O acesso a cuidados de saúde, como é o prestado pelo fornecimento de medicamentos e outros produtos vendidos nas farmácias, constitui um direito das populações. Quantas vezes o farmacêutico ou mais restritamente o profissional da farmácia constitui um importante elemento auxiliar de informação, coesão e identidade da comunidade? Pensar que a lógica de mercado, a necessidade da procura e a possibilidade da oferta,  permite resolver todos os problemas é ingenuidade desmentida pela realidade.

O mesmo se diga do papel dos DIM´s na prescrição e comercialização de medicamentos. O exemplo citado, em post Cheio de boas intenções está o (nosso) inferno cheio (I), esclarece a profundidade da crise em que vivemos, o caos onde se misturam interesses legítimos, margens de lucro excessivas, lógicas concorrenciais, defesa da indústria nacional, situação do emprego e da qualidade de vida de uma classe média e de um grupo profissional.

O terceiro aspecto referido nesse post anterior esclarece um pensamento dominante, filho do economicismo, que não resiste a uma crítica mais analítica. Quando se pretende quantificar o número de idosos com mais de 75 anos com prescrição média de 5 ou mais medicamentos, parte-se de uma premissa falsa: quanto menos medicamentos o idoso tomar, melhor será. A realidade desmente essa asserção. Há idosos com uma prescrição correcta e necessária onde 5 ou mais medicamentos são perfeitamente justificáveis á luz das boas práticas. Um idoso diabético e hipertenso, com patologia osteoarticular degenerativa e alterações graves do sono certamente terá uma prescrição médica com tal volume de medicamentos. O mesmo idoso, porque insuficientemente medicado, com problemas económicos, sociais ou psíquicos afectando a sua autonomia, estará menos adequadamente medicado. Temos assim duas realidades com valorização precisamente ao contrário.

O mesmo se passa quando na Diabetes se procura qualificar como má a utilização de medicamentos mais caros (os inibidores da  DPP-4) perante a utilização de outros medicamentos mais baratos. Uma coisa é definir medicamentos de utilização em primeira linha, e os inibidores da DPP-4 não se situam aqui. Mas depreciar a eficácia de outras possibilidades terapêuticas, utilizando o anátema do preço, parece desajustado.

A mensagem de uma sociedade terceiro mundista governada por ineptos contabilistas seria a de que com menos farmácias, menos DIM’s, menos fármacos para os idosos e fármacos menos qualificados, o INFERNO quase se assemelha ao melhor dos Mundos.  

 CR

 

 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Gaspar é "um psicopata social"

Ex-assessor do ministro da Economia acusa: "Trata-se de um psicopata social e não de um ministro das Finanças".

Carlos Vargas, ex-assessor do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, acusa o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, de ser "um psicopata social e não um ministro das Finanças". Na sua conta no twitter, o ex-assessor do Governo afirma que "cada dia que passa mostra que Vítor Gaspar é o ministro das Finanças mais arrogante e mais incompetente desde o reinado de D.Maria II".

Em post anteriores, o antigo jornalista da RTP deixava esta pergunta: "Se trabalhassem numa empresa privada, Gaspar e Borges ainda teriam emprego?". E sobre António Borges, conselheiro de Passos Coelho para as privatizações e renegociações das PPP, que chegou a defender que "o ideal era que os salários descessem", Carlos Vargas escreveu o seguinte. "O ideal é que o salário de Borges (25 mil euro/mês) descesse, digo eu".

Há ainda outro comentário que gerou polémica nas redes sociais. "A propósito de concorrência entre bancos, quantos responsáveis do regulador - o Banco de Portugal - não provém da própria banca? Ah, pois é", escreveu o ex-assessor do governo que deixou o ministério da Economia há dias.

CHEIO DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O (NOSSO) INFERNO CHEIO (I)

 Dez por cento do total de farmácias em Portugal estavam com acções de insolvência e penhora entre o final de 2012 e o termo do primeiro trimestre de 2013 (78 com processos de insolvência e 201 com processos de penhora). O mercado nos primeiros meses de 2013 reduziu-se 11,9% e a despesa do Serviço Nacional de Saúde no ambulatório diminuiu 14,7%. Alguns dirão que assim estamos bem, mais “racionalizados”. Eu acho que caminhamos para o desastre.

Uma multinacional farmacêutica, a que patrocina a camisola da equipa de futebol do Basileia, tinha 600 DIM’s (Delegados de Informação Médica) a nível nacional. Consta que agora são pouco mais de 50 (!!!). Alguns dirão que assim estamos bem, mais “racionalizados”. Eu acho que caminhamos para o desastre.

Entre os novos indicadores propostos pela tutela ás USF’s estão:
1) Proporção de utentes com idade igual ou superior a 75 anos, com prescrição crónica inferior a cinco fármacos.

2) Rácio entre a despesa faturada com inibidores DPP-4 e a faturada com antidiabéticos orais, em doentes com diabetes mellitus tipo 2.
Alguns dirão que assim estamos bem, mais “racionalizados”, mais “poupados”. Eu acho que caminhamos para o desastre.
DESENVOLVEREI O RACIOCÍNIO POSTERIORMENTE

quinta-feira, 11 de abril de 2013

UMA VERGONHA E UMA SUSPENSÃO DO ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO

Com a medida do pagamento do estacionamento do parque interno do Hospital Padre Américo do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, a Administração do Hospital transformou as ruas de acesso contiguas ao hospital em autêntica bagunçada, mais próprio de um tradicional local de romaria de verão. Os carros agora estacionam em faixa de rodagem, colocam-se por vezes em obstrução total da circulação, quando procedem a manobras de estacionamento e o único parque exterior ao perímetro do hospital é um lamentável espaço de terra batida com uma camada limitada de alcatrão. Não há passeios livres
As forças de segurança, nomeadamente a GNR, não actuam certamente para não agravar a revolta popular.
Os autarcas da região deviam levantar a voz em nome dos interesses dos cidadãos, mas alguns só se interessam pelo seu perfil nos MUPPIS’s.
Positiva é a resposta da população que deixa os parques interiores vazios e assim não contribui para o escandaloso negócio de uma concessão ao serviço de interesses privados.

CR

eles não sabem quando...

mas sabem que o povo vai voltar

Bob Marley - Is This Love

http://youtu.be/7oBK2g202ME

quarta-feira, 10 de abril de 2013

convite

uma triste chaminé de um triste navio



Há navios cujas características os transformam em ícones. E destes, uns têm mais sorte do que outros! Lembremos os casos do QUEEN MARY, de 1936, que desde 10 de Maio de 1971 se encontra convertido em hotel, museu e centro de convenções em Long Beach, na Califórnia, ou o caso mais recente do ROTTERDAM, de 1959, que em 8 de Agosto de 2008, depois de repostas as cores originais, regressou ao porto de que herdou o nome, onde desde 15 de Fevereiro de 2010 assumiu uma condição mista de museu, hotel e escola de formação profissional.

Outros não tiveram a mesma sorte, como o FRANCE/NORWAY, de 1962, ou o HAMBOURG/MAXIM GORKY, de 1969, que apesar da muita tinta que fizeram correr e dos apelos dos seus aficionados, não escaparam aos estaleiros de demolição de Alang; ou até do UNITED STATES, de 1952, que foi detentor da Flâmula Azul e que tão abandonado jaz em Filadélfia, ao ponto de surgir um movimento, em Julho de 2012, o SS United States Conservancy, que lançou na net a campanha "Save the United States". Agora, é a vez de se abater a incerteza quanto ao destino que aguarda o QUEEN ELIZABETH II, de 1969, que desde finais de 2008 tem estado amarrado no Dubai. Quando em 11 de Novembro de 2008 partiu de Southampton para o Dubai, onde chegaria em 11 de Novembro, sendo acompanhado até Port Rashid, onde ficaria amarrado, por uma flotilha de 120 embarcações, entre as quais o iate do Sheik Mohammed, nada fazia suspeitar que as dúvidas sobre o seu destino se viessem a instalar dentro em pouco. O QE II fora adquirido pela Istithmar, empresa de interesses estatais, para o transformar em hotel de luxo e atracção turística, devendo ser deslocado para Palm Jumeirah, uma das urbanizações de luxo em forma de palmeira cujos terrenos foram roubados ao mar. No entanto a crise que se abateu abruptamente sobre o Dubai, cuja economia não se baseia essencialmente na exploração de recursos petrolíferos, como o vizinho Abu Dhabi, mas no turismo, no imobiliário e nos serviços, travou brutalmente os grandes projectos e, por arrastamento, veio pôr em causa o projecto para que o QE II fora adquirido. Por tal motivo, e para libertar espaço no cais de cruzeiros de Port Rashid, o navio foi amarrado no cais de carga do mesmo porto. Entretanto, rumores em torno do antigo florão da Cunard dão como certa a ida do navio para a Ásia. Com efeito, o Oceanic Group, companhia com sede em Singapura, terá anunciado a compra do navio para o transformar em hotel flutuante de luxo e atracção turística num porto asiático. Daniel Chui, director-geral do grupo, bem conhecido na indústria dos cruzeiros, refere que vários hotéis de luxo da China a Taiwan e ao Vietname estariam interessados nesta iniciativa. Lembra mesmo o Península Hotel de Hong Kong, o Peace Hotel de Shangai, o Grand Hotel de Taipé ou o Rex Hotel da cidade de Ho Chi Minh, deixando entender que o navio não ficaria amarrado forçosamente num porto em particular, podendo ser deslocado para vir a atracar perto de cada um destes hotéis. No entanto, há factos que poderão pôr em causa esta ideia, pois a Cunard terá imposto no contrato de alienação que o navio não poderá regressar ao mar para uma exploração comercial. Deste modo, estará em causa a possibilidade de se efectuarem minicruzeiros entre portos. Por outro lado, se também as máquinas não estiverem operacionais, não restaria outra solução que não fosse o reboque. Outros preocupantes rumores se espalharam quando a equipa que se ocupava da manutenção do navio foi substituída por chineses; o potencial desaparecimento do QE II nas mãos de um qualquer ferro-velho chinês, não deixou de causar a indignação dos fãs do navio, que não podiam aceitar um fim tão indigno para o que fora o orgulho da marinha de Sua Majestade; e a própria Cunard terá reagido assegurando que o QUEEN ELIZABETH II jamais seria transformado em sucata.

De facto, a favor desta hipótese existirá uma cláusula no contrato de venda, em 2007, que estipula que o navio não poderá ser vendido a partir da sua retirada de serviço, em 2009, pelo prazo de dez anos, sob pena de uma penalização acessória ao preço de compra. Entretanto, em 17 de Janeiro de 2013, os Dubai Drydocks World viriam a anunciar que o QE II iria seguir para lugar ainda não divulgado na Ásia para servir de hotel flutuante de luxo e museu após trabalhos em curso no estaleiro. Também na mesma altura o designado QE II London Team anunciava que desejava que os investidores britânicos mostrassem ao Dubai que Londres seria, de longe, a o local mais digno para acolher o que fora a jóia da coroa da Cunard.

Seria, portanto, naquele estaleiro que pude ver, embora de bastante longe, este navio, que apesar dos seus 293.50 metros de comprimento, 32.00 metros de boca e 70.327 tons de deslocamento, era (e ainda é) uma unidade de uma elegância como agora não se vê! Melhor dizendo: apenas conseguia ver, a partir do deck superior do COSTA CLASSICA ou de uma praia do outro lado de Port Rashid, a sua inconfundível chaminé preta e vermelha sobressaindo acima dos seus companheiros de estaleiro. Era como se o navio, no seu todo, gritasse contra a incerteza que rodeia o seu futuro; era como que uma nota triste de um triste navio, perdido no meio de cascos deselegantes que tão flagrantemente contrastavam com a sua silhueta.

Arq. Fernando Paiva Leal (em Revista da Marinha)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Pacheco Pereira , em Blog abrupto.blogspot.pt



O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO (5)

Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem. Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos "credores", nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas. E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.

(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)

Pink Floyd - The Postwar Dream

http://youtu.be/OAdwirnAtFc

COMUNICADO DO REITOR DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país

1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente‐se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.
2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.
3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?
4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro. Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.

Lisboa, 9 de Abril de 2013
António Sampaio da Nóvoa
Reitor, Universidade de Lisboa

grafismo

o sono reparador

No mesmo dia em que se fala de remodelação governamental, estratégia conhecida para tentar manter este governo á tona da água, Manuel Antunes, o director do Serviço de Cirurgia Cardiotoráxica do CH Universidade de Coimbra, dá uma longa entrevista ao JN. Aí, mostra-se partidário do aumento de taxas moderadoras na saúde, passando dos actuais 5 euros de consulta em Medicina Geral e Familiar para 15 a 20 euros. O autoproclamado quase- candidato- a ministro da saúde acha que mesmo a isenção que abrange 2 milhões de portugueses é excessiva.

Manuel Antunes diz ganhar no Estado 15 mil euros/mês.  Refere trabalhar 80 horas por semana (o que daria 16 horas por dia de semana!). Aí está a resposta para a gravidade das suas propostas. Não tem dormido o suficiente.
E por sorte nossa, o telefone de S. Bento não tem tocado.
CR

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Relembrando o que publiquei neste blog em 8 de Julho de 2010

Interrogações e angústias de um leigo

A recente apresentação no Auditório da Casa da Cultura de Paredes do Projecto da Cidade Inteligente constituiu a meu ver um exercício raro de incapacidade de concretizar uma ideia, expondo-a com verdade.
Afinal no início todos se interrogavam: o que era a Cidade Inteligente?
A sessão foi pouco clarificadora. No fim pergunta-se: que “Cidade Inteligente” irá existir no futuro?
Uma promotora, a Living PlanIt, dispõe-se a dar origem a uma cidade tecnológica a construir dentro de 2 a 3 anos, chamada Planit Valley. Um dos primeiros inquilinos da cidade visionária é a Cisco Systems com quem a Planit Valley assinou uma carta de intenções para a construção de um Centro de inovação Global para serviços em rede.
Onde se localizará a cidade das novas tecnologias? Em 17 km2, em terrenos das freguesias de Parada de Todeia, Recarei, Sobreira e Aguiar de Sousa, do sul do Concelho de Paredes. Em terrenos ainda não adquiridos, indefinida a entidade aquisitora (Câmara Municipal? Planit Valley? Ambas?) embora se fale em financiamento bancário. A 1.ª fase do projecto reserva o direito de se instalar em 40 ha, com investimentos de 10 mil milhões de euros, com dezenas de milhar de postos de trabalho e 12.000 parceiros de pequenas e médias empresas.
O Secretário de Estado da Energia e Inovação Carlos Zorrinho apadrinhou a iniciativa, deixando expressas palavras de indesmentível entusiasmo. Certamente muito mais foi dito, mas a ausência de tradução das intervenções em Inglês de alguns dos mais importantes protagonistas dificultou a busca dos contornos reais do Projecto. Acresce que o tempo previsto no convite para perguntas e respostas se reduziu a uma informal conferência de imprensa nos Jardins da Casa da Cultura dada pelos protagonistas estrangeiros á comunicação social, sem presença ou participação do restante público.
Há perguntas que não sendo até à data respondidas deixam forte dúvidas no ar.
Qual a verdadeira dimensão do empreendimento, área envolvida e limitação funcional /administrativa da nova cidade?
Qual a política de expropriações, compra de terrenos, direitos dos proprietários que não querem vender as suas propriedades?
Quais as alterações do PDM concelhio?
Quais as mais valias criadas para as freguesias e populações, serviços comuns com a nova Cidade, e dividendos das empresas localizadas na Cidade inteligente?
Alega-se que há muito caminho andado, muito estudo elaborado, muito projecto parcelar. Não duvidamos. Refere-se a existência de um necessário sigilo, uma confidencialidade benéfica. Sabe-se contudo que o interesse público exige respostas adequadas, transparentes e não dúbias. Não se compreende que as autarquias locais, as freguesias, não sejam informadas.

Sendo o Projecto assim exposto tão importante pelo investimento propalado, pela criação de postos de trabalho anunciada e pelo prestígio nacional que se anteveria, não se compreende a ausência das principais figuras do Executivo, como Primeiro Ministro, o Ministro da Economia, o Ministro das Finanças, o Ministro da Ciência e Tecnologia, o Ministro do Trabalho, os responsáveis do Comércio Externo.
Igualmente não se compreende o alheamento das principais empresas nacionais da área tecnológica e de informação como a Portugal Telecom, a Sonae.
Ou melhor, tudo se compreenderá no futuro.
Na Assembleia Municipal começaremos a colocar as perguntas necessárias. E proponho desde já uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para tratar deste tema. E para os que invocam a redução da despesa do seu funcionamento, fica a sugestão da dispensa de pagamento das senhas de presença.

Comentário adicional em 13 de Julho de 2010
Recentemente no Porto Canal, Celso Ferreira a contragosto lá "esclareceu" que os dez mil milhões de euros eram o investimento no prazo de 20 anos....e que incluía o investimento inicial mais o que isso reproduziria...
Inicialmente seriam "só" 250 milhões de euros... e para desdizer alguém que no futuro possa querer confrontar as promessas de 2010 com a realidade, ele vai dizendo que a Câmara só funciona como promotor-facilitador e não possui estatuto que o possa fazer concorrer com a Catalunha ou a Westephália na captação de investimento externo...
Eu acredito mais nas capacidades adivinhatórias do polvo.*

*alusão ás capacidades adivinhatórias desportivas de um certo polvo

CR



FOTOGRAFIA

    Baltar (Paredes)

a cuspidela da serpente



O Cavaco, ao tolerar o amesquinhamento pela Direita do Tribunal Constitucional, no exercício de uma competência por ele pedida, e ao mesmo tempo ao suportar politicamente este Governo moribundo, transformou-se na feliz expressão de alguém num CAVÁQUO.

  CR

domingo, 7 de abril de 2013

Poema

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

FERNANDO PESSOA

Mahavishnu Orchestra - One World

http://youtu.be/XU4yAk6qYUs

O pensamento e a ética

 A cadeira que Relvas (não) frequentou não podia ter melhor designação: Introdução ao Pensamento Contemporâneo.
 O “pensamento contemporâneo” segundo Relvas e seus educadores é um conjunto de chico-espertices e jogos palacianos, onde se perpetua a submissão, a manipulação e a vergonha de um povo mártir. A República sujou-se, manchada por uma ética miserável. A Universidade (mesmo que privada) desprestigiou-se, corroída por facilitismos e corrupção. O Governo enlameou-se, alheio á realidade, ao bom senso e á verdade. Durante largos meses, anos, (ir)responsáveis ao mais alto nível, Presidência inclusive, julgaram possível esconder, pactuar, iludir a trapaça administrativa. O não-assunto de Coelho virou inferno de onde não se escapa. E o diabo caiu por falta de “ânimo”, que não falta de vergonha. Acabou-se a “introdução”
Mas morreu o criador, ainda não morreu a criatura. Apesar de politicamente ferido de morte, Coelho, com a sua corte, imaginou que podia passar ao padrão seguinte, á busca de seriedade do seu “pensamento contemporâneo”. Seria como se uma amnésia critica nos envolvesse, como legado do “quase” - licenciado Relvas. Afinal Coelho, o filho de Relvas, tem um curso, o que para o caso de competência governativa lhe parece suficiente. Engano seu, a competência não brota do canudo curricular. Afinal Coelho, filho de Relvas, tem uma maioria na Assembleia da República, o que para a sua legitimação lhe parece útil. Engano seu, o consenso nacional já o desmereceu, a rua já o plebiscitou. Mesmo com o apoio de Cavaco, as condições de estabilidade e de sucesso governativo diluíram-se com as chuvas deste Inverno.
Aqui chegados, a farsa que já era tragédia transformou-se em drama. Os números dos indicadores económicos desmentem sucessivamente a retórica e o entusiasmo dos governantes. A realidade obstaculariza o EXCEL. Perante o juízo e o chumbo de outras instituições democráticas, como o Tribunal Constitucional, Coelho, Gaspar e Portas soltaram a cena da perplexidade, da insustentabilidade governativa e dos prejuízos, a radicalidade no discurso, a vitimização. Caminhamos para o abismo e dizem-nos que devemos negar esse abismo.
O país farta-se desta “contemporaneidade”. Os 18 valores obtido por Relvas numa trapaça terceiro-mundista não é melhor que o amuo arruaceiro das suas criaturas, é outra face da mesma moeda. Já é tempo de pôr fim a isto. Todas as hipóteses estão no terreno, há alternativas sempre, algumas inevitáveis. Excepto a permanência deste estado de alma. Haja alguma ética.
     CR

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Fausto - O Barco vai de saída

http://youtu.be/8rTq_AEdCo8

álbum Por Este Rio Acima, de 1982

O barco vai de saída. E arrepia, arrepia sim senhor.

importante texto de Agostinho Lopes


A propósito do Manifesto pela Democratização do Regime


FATAL COMO O DESTINO...

Ou de como lavar as responsabilidades de PS, PSD e CDS (pelas políticas dos últimos 37 anos), que conduziram Portugal ao desastre…

A 12 de Março, 59 estimáveis cidadãos deste País pronunciaram-se através de um Manifesto pela Democratização do Regime, sobre «A tragédia social, económica e financeira a que vários governos conduziram Portugal» e a pretensão a indiciar o caminho para lhe responder.

Para os subscritores do Manifesto, o «sistema político» /«sistema eleitoral» é responsável por todas as desgraças e problemas do País. O «pior dos males que afecta a democracia portuguesa». Impede «o aparecimento de verdadeiras alternativas». Permite uma «rotação no poder» que «não tem servido os interesses do povo» e desperdiça «oportunidades» como os «apoios recebidos da União Europeia». Permite o assalto das «juventudes partidárias» com «inexperiência governativa e a impreparação» «ao topo do poder político». É responsável pelo descrédito da Assembleia da República e dos deputados. É responsável por «Governos sem ideias, sem convicções, sem sabedoria nem estratégia». Enfim, da falta de soluções para a crise. E porquê? Porque «nada será possível sem um processo de reformas profundas no Estado e na economia» (Quais??? O Manifesto não esclarece!). E os «obstáculos» a essas reformas, que não se alcança quais sejam, estão em «primeiro lugar, nos interesses de uma classe política instalada e na promiscuidade entre o poder político e os interesses financeiros». Logo, «impõe-se uma ruptura» do «sistema político» /« sistema eleitoral», com «três passos fundamentais»: 1) «eleições primárias dos candidatos»; 2)» apresentação de listas nominais de cidadãos, em eleições para a Assembleia da República» e «obrigatório o voto nominal nas listas partidárias»; 3) «igualdade de condições no financiamento das campanhas eleitorais».

Como se vê, é fácil resolver os problemas do País! Muda-se as leis eleitorais e tudo será diferente. Mesmo que PS, PSD, e CDS mantenham as mesmas opções e programas políticos! Se há subscritores que assinaram de boa-fé e convictos o Manifesto, teremos de assinalar a sua enorme ingenuidade política. Porque de facto trata-se de um projecto político de um enorme tartufismo e hipocrisia política.

Um Manifesto sem responsáveis pelo estado a que o País chegou
Em 20 parágrafos, não se identifica uma vez que seja os partidos políticos dos eleitos – dos deputados, membros do governo, autarcas, presidentes da República, etc. Uma anónima «classe política» tudo oculta.
É notável que num texto político que fala de «rotação no poder», de «partidos» e «direcções partidárias», que critica o «poder político» e os «governos», não se refira uma única vez o PS, PSD e CDS, os tais partidos do dito arco governamental, que fizeram a «rotação». Ou pretende-se incluir o PCP e outros? Gostaríamos de saber! Quais os partidos e as maiorias parlamentares que suportaram os «governos» que «colocaram os portugueses numa situação de falência, sem esperança, rumo ou confiança»? Quem são os que enveredam pela «afronta de culpar os portugueses e dividi-los»? O Manifesto não esclarece!
Mas não são apenas estes, os réus da situação e da crise, que ficam por identificar. Nada dizem sobre os responsáveis do processo de integração europeia, sobre os partidos e os agentes políticos que há muito e hoje dirigem a União Europeia? Estão inocentes? Não têm nenhumas culpas no cartório? Os que orientam e decidem na troika nada têm a ver com os nossos problemas actuais? Pior, o Manifesto, sem qualquer rebate crítico, fala dos «políticos com visão» que «souberam colocar Portugal na Europa», fala de participar «no relançamento do projecto europeu»! Qual? O que impôs a troika («a vigilância internacional» segundo o Manifesto!) e o pacto de agressão? O que mergulhou Portugal numa profunda recessão, com mais de um milhão de desempregados? O «projecto» que é causa de que «o Estado Social» esteja «a desmoronar-se»? O projecto que dá todo o seu apoio à política responsável «pelos sacrifícios impostos aos trabalhadores»? Responsável pelo «futuro de dezenas de jovens sem emprego ou com salários que não permitem lançar um projecto de vida»? Responsável pelos «sacrifícios exagerados impostos aos mais pobres e à classe média»? Então não há responsabilidade da «Europa» e de um «projecto europeu», que assiste a tudo isto, e bate palmas ao bom e obediente aluno, o Governo PSD/CDS, Coelho/Portas, e a todos os anteriores governos? Então não há responsabilidades dos agentes políticos dos países do directório das grandes potências, dos conservadores do PPE (onde estão PSD e CDS), dos sociais-democratas do PSE (onde está o PS), e de outros que tais, que estão nos órgãos da União Europeia e no BCE?
Tão grave como os «esquecimentos» atrás referidos, é o silêncio total do Manifesto na identificação – das entidades e indivíduos – dos «interesses financeiros» que participam da «promiscuidade» com «o poder político». São a Banca e os banqueiros»? São os grupos económicos monopolistas? Os grupos da grande distribuição estão incluídos? Moita carrasco! Nem uma palavra sobre a subordinação, ao longo destes anos, do poder político ao poder económico, aos tais grupos, violando gravemente a Constituição da República!
Também a responsabilização das opções e políticas concretas de sucessivos governos PS, PSD e CDS ficou no tinteiro, ou no teclado. Governos «sem ideias, sem convicções, sem sabedoria» segundo o Manifesto. O que aliás é rotundamente falso, porque as políticas que levaram a cabo representavam «ideias» – as do capitalismo neoliberal –, traduziam «as convicções» de deputados e governos do PS, PSD e CDS – e até tiveram a «sabedoria» para as concretizar, atropelando a Constituição e os interesses nacionais, apesar da resistência dos trabalhadores e do povo português. Mas é evidente que não quer o Manifesto falar das causas, das políticas (do PS, PSD e CDS) que conduziram o País à crise. Não fala nem quer falar das condições de adesão à CEE, do processo de privatizações e liberalizações, da reconstituição (e da estratégia) dos grupos económicos monopolistas, do papel central e dominante atribuído ao investimento estrangeiro e da desvalorização do mercado interno, das políticas comunitárias, do comércio externo, da PAC, da Política Comum das Pescas, da adesão ao euro, da subversão do SNS e da Escola Pública. Componentes centrais da política de recuperação capitalista e monopolista, levadas a cabo por sucessivos governos do PS, PSD e CDS, responsáveis pelo brutal endividamento do País, pelo desastre económico e social que enfrentamos.
O Manifesto não fala nem quer falar das políticas em curso do actual Governo PSD/CDS, conformes com o pacto de agressão e sob a orientação da troika, que replicam em versão agravada as causas que aqui nos conduziram.

As vantagens de não se pôr os nomes aos bois
O silêncio do Manifesto sobre os autores e agentes dos crimes cometidos contra o País –os partidos PS, PSD e CDS, as suas maiorias, e os seus governos –, sobre os autores e agentes do grande capital, sobre os autores e agentes da integração capitalista europeia, sobre as políticas económicas e sociais, onde convergiram e que defenderam, não é fortuito, nem esquecimento.
Assim se absolvem as políticas de direita e as responsabilidades políticas de PS, PSD e CDS, dos seus dirigentes e direcções partidárias, dos seus governos. Assim se absolve o papel do capital monopolista e financeiro reconstituído por aquelas políticas e governos. Assim se absolve a integração capitalista europeia, e a sua evolução neoliberal, federalista, e imperialista.
E se estes políticos e estas políticas não são culpados, alguma coisa terá de ser. Era fatal como o destino! Falhando as medidas económicas e sociais da troika e pacto de agressão, postas em prática pelo Governo PSD/CDS e apoiadas no fundamental pelo PS, a culpa vai parar inteirinha no sistema político/sistema eleitoral. Isto é, no regime democrático de Abril, na Constituição da República!
Não sendo a culpa das desgraças do País do PS, PSD e CDS, do grande capital, das políticas da União Europeia, é culpado o sistema eleitoral, o número de deputados, o número de freguesias e concelhos, os executivos não homogéneos das câmaras, etc, etc, etc.
Há outra razão para os «esquecimentos» do Manifesto: alguns dos seus subscritores subscreveram, avalizaram, apoiaram, votaram durante anos aqueles partidos e políticas, foram deputados e ministros e responsáveis políticos dos que governaram, etc, etc, etc.
E depois de tão grande montanha proclamativa, um rato anão e raquítico, e vesgo nas propostas… para emendar o sistema eleitoral!
Assinale-se a ausência, provavelmente considerada insignificante, sobre os rumos de uma política alternativa. Sobre o programa político que permita «corrigir um rumo que nos conduziu à actual crise e realizar as mudanças que isso implica». Sobre o que pensam os «manifestantes» sobre «as reformas profundas no Estado e na economia». Coincidem com as do Governo PSD/CDS, com as propostas da troika? Não se sabe!
Mas atenda-se às propostas de «ruptura» no sistema eleitoral. Algumas interrogações ou reflexões devia o Manifesto fazer.
Como explica o Manifesto que países com regimes eleitorais (e mesmo estruturas partidárias) tão diversos, tenham sido conduzidos a situações económico-financeiras e sociais tão semelhantes, como Portugal, a Grécia, a Irlanda, a Espanha e a Itália, (e outros)??? Será que a actual homogeneidade de situações é o resultado de políticas ou de sistemas eleitorais? Têm ou não as maiorias político-partidárias – simplificando, conservadoras ou sociais-democratas – que se foram e vão revezando no poder (e há exemplos para todos os gostos) – responsabilidades no cartório!?
Será que a apresentação de «listas nominais de cidadãos em eleições»/«candidaturas independentes» nas autarquias revolucionou /constituiu uma «ruptura» na política autárquica» nacional? Será que os isaltinos, os valentins loureiro, as fátimas felgueiras, são bons exemplos dessa ruptura? Será a eleição (das listas) de Beppe Grillo a ambição do Manifesto?
Será que os partidos políticos devem ou não ser responsáveis pelos seus actos – programas, opções políticas, comportamentos, correspondência entre promessas eleitorais e práticas políticas, pelas votações no Parlamento e decisões no Governo? Como assumir essa responsabilidade quando não são da sua responsabilidade a escolha dos seus candidatos, quando os seus eleitos votem em questões estruturais à revelia do partido? São os partidos simples «escadas do Poder», sem estatutos e princípios, sem programas e propostas de medidas, sem opções estratégicas e ideologia, por onde trepam para o poder, os «cidadãos» eleitos pelos «cidadãos»? Com os «cidadãos» do PCP a escolher os candidatos do PSD ou PS. Com os «cidadãos» do CDS a determinar os candidatos do PCP. Não se trata apenas de um monstruoso absurdo político. É o fartar vilanagem à demagogia e ao populismo mais estreme e infrene!
O que é isto de «garantir a igualdade de condições no financiamento das candidaturas»??? (A eleição de «políticos incompetentes» é por causa do financiamento ou das escolhas das direcções partidárias?) É acabar com o financiamento público? É estabelecer um custo campanha igual por candidato? O manifesto não esclarece e deixa mais uma vez campo à mais profunda demagogia e populismo!
Mas o estranho (ou talvez não) é o silêncio do Manifesto sobre a profunda desigualdade praticada pelos grandes órgãos de comunicação social na cobertura e na presença no espaço mediático, dos diversos partidos/candidaturas, nas campanhas eleitorais e, sobretudo, fora delas! Nada diz, sobre a multidão de comentadores e articulistas, que sob os rótulos de «independentes» ou «especialistas» divulgam e promovem as ideologias político-partidárias das maiorias PS, PSD e CDS, do tal arco do poder (dominante), de e da direita, submergindo/ocultando os partidos e políticas de esquerda que os enfrentam e afrontam. Será porque a gestão política desse espaço pertence ao outro poder dominante, o grande capital proprietário dos OCS? E no entanto ninguém liquida mais a existência de alternativa política e de políticas alternativas, impedindo a criação de uma autêntica «rotação no poder», do que a comunicação social dominante, por sempre privilegiar a alternância à alternativa!
Um gato com um rabo muito grande de fora…tão grande, que muitos até tropeçam
Resta registar outro silêncio do Manifesto. A não identificação das forças sociais e políticas, nomeadamente do PCP, que ao longo destas dezenas de anos de políticas de direita do PS, PSD e CDS previu e preveniu sobre o resultado dessas políticas. Está escrito. É fácil comprová-lo. Até a denúncia de que a degradação do regime democrático acompanharia inexoravelmente a reconstituição do poder económico e político do capital monopolista.
O Manifesto fala das «honrosas excepções» aos que fazem da Assembleia da República «um emprego garantido, conseguido por anos de subserviência às direcções partidárias, e de onde desapareceu a vontade de ajuizar e de controlar os actos dos governos». Quem são as «honrosas excepções»? Deputados individualmente considerados? Grupos parlamentares? Por que não separa o Manifesto o trigo do joio? Não informando nem esclarecendo, o Manifesto cobre com a suspeição o Grupo parlamentar do PCP (e outros), que sabe não corresponder à sua denúncia! Mas se sabe, não pode fazer «teoria» deste jaez!
Acrescente-se: algumas das propostas de mudança no sistema eleitoral do Manifesto coincidem com propostas vindas do PSD e PS, que nunca esconderam a sua vontade de reduzir através de engenharias eleitorais a influência do PCP e garantirem um seguro de vida perpétuo à sua alternância no poder, que o Manifesto diz querer combater!
Mas assim não vão lá! Lavam mais branco os responsáveis, para permitir que PSD, PS e CDS continuem uma feliz alternância! Talvez seja esse o desejo secreto dos «manifestantes».