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domingo, 31 de março de 2013

Autarquicas 2013 - Listas de Candidatos - Cristiano Ribeiro

Autarquicas 2013 - Listas de Candidatos - Cristiano Ribeiro

A CANÇÃO DE LISBOA

 
António Costa, o Presidente da Câmara de Lisboa, quer Woody Allen a filmar em Lisboa. Há até um movimento no facebook com esse propósito. Os argumentos são os do costume: criação de referências, circuitos turísticos, imagem da cidade, economia, patáti, patatá…

E para aumentar a sugestão/associação a cidades, há as referências a Woody Allen e seus filmes: Vicky Cristina Barcelona (Barcelona), Meia Noite em Paris (Paris), MatchPoint e Scoop (Londres).

Há em certos autarcas uma tendência para o marketing, para os “negócios lucrativos”. Pena é não terem abandonado o exercício de funções públicas para se dedicarem ao risco do empreendorismo económico. E compreende-se mal a gestão deficitária das suas autarquias.

O próprio Luís Filipe Meneses quer Allen, Scorcese e quem sabe mais uns tantos no Porto no próximo aniversário de Manuel de Oliveira. Na arte de representação, alguns autarcas-políticos são verdadeiramente imbatíveis. Habituados a trabalhar com décor, foge-lhes a chinela para a arte da simulação e da dissimulação.

Na nova Canção de Lisboa, Costa representa Vasco Santana em pleno exame de Cultura geral. E os seus prosélitos, incluindo as “tias” do costume gritam: “Ele até sabe quem é o Woody Allen… o Woody Allennnn!”.

Sabem que mais? Bananas!

 CR

sábado, 30 de março de 2013

SHARON E O NEO-REALISMO DE RIO


Sharon Stone não viu a derrocada da Escarpa das Fontainhas. A popular actriz do cinema norte-americano, esteve recentemente no Porto a apadrinhar uma nova embarcação de turismo fluvial da Douro Azul. O feliz acontecimento ocorreu com todo o brilho e glamour, associando o Douro e as suas potencialidades turísticas e económicas, bem como o investimento privado, ao cintilante mundo do cinema norte – americano.

Uns dias após, a escarpa das Fontainhas ruiu com estrondo, não se tendo por sorte registado qualquer vítima na circulação pedonal e rodoviária da marginal do Douro. Toneladas de pedras, terra e lixo caíram nessa marginal e outras mergulharam em pleno rio.

Tão infausto acontecimento não resultou de qualquer particular jogo de pernas de Sharon Stone, réplica da famosa cena de “Instinto fatal”.

O cinema não acompanhou a realidade, podendo contudo esta ter estimulado a imaginação criativa de algum cineasta de Hollywood.

Rui Rio, essa incontornável personalidade da politica caseira, esteve presente, qual actor de primeira linha, no espectáculo da Douro Azul. Competiu com ele um actor principal , óscar para a melhor interpretação, o Luis Filipe Meneses. Mas Rio não apareceu perante as câmaras televisivas no rescaldo do desabamento. Para isso há sempre um actor secundário, um qualquer vereador da Protecção Civil que, pungido, nos quer fazer crer que tudo foi feito para evitar o acontecimento… não se tendo feito rigorosamente nada.

Sharon Stone não viu o Porto do Rio, uma ruína em derrocada. Não viu a qualidade de vida e a habitação dos moradores dos bairros antigos do Porto. Isso não fazia parte do guião da sua presença, demasiado neo-realista, menos optimista, mais cruel.

CR

sexta-feira, 29 de março de 2013

desabamento III

 
A derrocada que teve lugar na Escarpa da Fontainhas, felizmente, por pura sorte, não se transformou numa tragédia, pondo em risco vidas humanas e gravosos danos materiais. No entanto, neste contexto, importa salientar as particulares responsabilidades da coligação PSD/CDS que dirige a Câmara do Porto que, apesar dos alertas e propostas da CDU – Coligação Democrática Unitária, nada fez para impedir um desfecho deste tipo.
Em 23 de Novembro de 2011, a CDU levou a cabo uma visita pública à zona das Fontainhas na qual Pedro Carvalho, Vereador da Câmara do Porto, declarou que “onze anos depois das grandes derrocadas, a Sé continua a ser uma zona abandonada. Apesar das promessas deste executivo da Câmara nada foi feito”. Para o Vereador da CDU “a Câmara devia resolver a situação destas habitações com os senhorios e demolir as que se encontram em ruínas, limpando os respectivos terrenos de lixos e entulhos”.
Neste sentido, na reunião da Câmara que se seguiu, a 29 de Novembro, foi apresentada e aprovada por unanimidade pelo Executivo uma proposta de recomendação da CDU tendo em vista a resolução célere da perigosa situação existente na Escarpa das Fontainhas. Um ano depois da primeira visita no actual mandato, em 25 de Novembro de 2012, perante a inoperância da Câmara, a CDU voltou a realizar uma visita pública às Fontainhas. Nesta iniciativa pode constatar-se que os problemas anteriormente detectados continuavam, no essencial, por resolver. Então, a CDU salientou que “Um dos principais problemas é a situação da escarpa, que ficou abandonada depois das derrocadas ocorridas em 2010, no Bairro da Tapada. Actualmente é um conjunto de ruínas de antigas habitações, onde cresce o mato e constitui um foco de insalubridade e de insegurança.”.
O Vereador da CDU, Pedro Carvalho, sugeriu nesta data que a autarquia procedesse à demolição das casas devolutas e em ruína na escarpa das Fontainhas, com vista à requalificação urbanística daquela zona. Na reunião seguinte da Câmara, a CDU voltou a destacar este assunto e a recordar a proposta de recomendação aprovada um ano antes.
Note-se que na sequência da intervenção da CDU, foram consagradas verbas nos orçamentos de 2012 (750 mil euros) e de 2013 (1,1 milhões de euros) para a requalificação da zona das Fontainhas, sem que a apesar disso algo de substancial tenha ainda sido feito.


desabamento II



O muro da Rua da Rampinha em Lordelo desabou, esmagando o carro de um morador. Segundo o jornal Gazeta de Paços de Ferreira não havia indicios nenhuns de que o muro acabasse por ceder. Funcionários da Junta de Freguesia estavam a limpar a via. O presidente da Junta de Freguesia António Mota revelou que já tinha accionado os mecanismos legais (quais?) no sentido de resolver os problemas.

Explicação para o caso: se não havia sinais de desabamento futuro e se o Mota já tinha accionado os m..., o muro terá desistido.

desabamento I



O incidente aconteceu no passado dia 26 de março, pelas 12h15 minutos na rua de Santo António, em Gandra. Ana Maria Pacheco, a vítima mortal, era natural de Rebordosa, e estaria junto ao terreno que desabou a apanhar lenha.

A mulher de 48 anos residia perto do local do acidente, numa rua paralela à rua de Santo António, e estaria com o marido a recolher pedaços de lenha para usar na sua habitação. Contudo, e devido à forte chuva que caiu nos últimos dias, parte do terreno inclinado começou a desabar, não tendo a vítima conseguido escapar ao deslizamento de terra.

“O terreno é utilizado para descarga de entulho e os camiões vêm muitas vezes despejar restos de madeira e outros materiais nesta zona”, acrescentou uma moradora.

O proprietário do terreno encontrava-se no local do acidente e assegurou que o espaço estaria vedado, mas que os habitantes conseguiam facilmente ter acesso ao terreno.

A vítima residia em Gandra com o marido e 5 dos 10 filhos do casal.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A propósito da Sessão Cultural Evocativa do Centenário de Álvaro Cunhal

CARTA ABERTA A UM AMIGO QUE NÃO SOUBE

Fizeste-me falta, pá! Não por mim, que lá estive, mas por ti que não soubeste…Eu sei da felicidade que retiras destas coisas e da partilha que dela fazes. Foi isso que me fez falta: a tua felicidade.
Sabes como a malta é, pusemos a mesa com microfones e tudo, chamámos os jornais, chamámos as rádios, chamámos as televisões… Só para te avisar, pá.
Era a forma mais expedita que tínhamos à mão, e gostávamos tanto de te ter por perto. Mas não, a coisa não saiu, ou saiu envergonhadamente.Sinais destes  tempos  sem vergonha.
Depois o Álvaro nãoétipo que se ignore e o número era redondo–o centenário  – mas mesmo assim tu ficaste sem saber.
Tiraram-te esse direito.Foi tão bonita a festa, pá.
Lembras-te daquela tirada do Álvaro que começa assim: «Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humanoconsidera descobrir na realidade que o cerca»? Lembras-te? Foi o nosso guião. Foi o guião dos músicos, dos cantores e dos actores que passaram pelopalco. A melhor maneira de comemorar a liberdade é exercê-la e, como tusabes, pá, evocar o Álvaro é projectá-la para os dias que hão-de vir, para as liberdades que hão-de vir. E são tantas, amigo, e são tantas as liberdades que nos faltam…
O Álvaro teve a casa cheia, pelas costuras. Tu sabes como a malta é, abrimos as portas de casa para que alguém te fizesse chegar uma pequena luz do que lá se passou. Mas, enfim, foi o costume: tiraram-te esse direito. Fizeste-me falta, pá. Mas ainda te vou ver a sorrir. Temos uma prenda para ti: filmámos tudo. E assim damos um outro sentido à falta que me fizeste.
É que, como diz o Palma, “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, a gente vai continuar”.Um abraço, pá. E até já!

Fernanda       Lapa
Joana   Manuel
João  Monge
Luísa Ortigoso
Rita Lello
Samuel Quedas
Tavares   Marques
Zeca Medeiros

quarta-feira, 27 de março de 2013

novo medicamento

Vou dormir embalado com a palavra "narrativa"proferida 48 vezes por José Sócrates. O homem, vê-se, estudou filosofia em Paris. E é melhor que o Zolpidem para as insónias. Experimentem, repetir:

Narrativa
Narrativa
Narrativa
narrativ
narrati
narra...
na..
...
...
Zzz...Zzz...

Se não conseguirem, alternem com uma intervenção de Gaspar. Super-eficaz.

NOVE ANOS DEPOIS

 Foi há 9 anos que a Direcção da Organização Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP emitiu um comunicado alertando para a intenção de pagamento de estacionamento no parque exterior do Hospital Padre Américo – Vale do Sousa (ver em Gazeta de Paços de Ferreira de 21 de outubro de 2004, Imediato  de 15 de outubro de 2004), Era então director  do Hospital o Dr. Pereira Magalhães, uma administração de influência PSD/CDS. A medida foi travada pelo clamor surgido.

Passada quase uma década, uma nova administração, agora nomeada pelo PS /Sócrates, decidiu concessionar por catorze anos o parque de estacionamento, cobrando tarifas de 6,70 euros por 24 horas em 2 áreas (465 lugares). Estão isentos de estacionamento pago os trabalhadores do Hospital, os chamados “colaboradores”. A concessão foi uma proposta do vogal do CA daquele hospital, Paulo Sérgio Barbosa, em Maio de 2012. Este vogal, igualmente vereador socialista na Câmara Municipal de Paços de Ferreira, integrou igualmente o júri de 3 elementos que escolheu a empresa á qual foi adjudicada a concessão do estacionamento. Agora a poucos dias do mandato do actual CA terminar, implementa-se esta medida, obrigando a pagar o acesso a cuidados de saúde numa unidade com deficientes (e em período nocturno, ausentes) transportes públicos.  É um atentado grave aos interesses de utentes e seus familiares, desencadeado por uma Administração em estado de agonia final e obtida com o beneplácito da hierarquia.

Importa também ver qual a reacção dos autarcas, do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, actuais e candidatos futuros, a sua sensibilidade em afrontar ou não tão prejudicial medida por parte de uma EPE (Entidade Pública Empresarial) que deveria estar ao serviço da população.

CR

informação

Ex-trabalhadores de fábrica de mobiliário de Paredes impediram retirada das máquinas

Duas dezenas de ex-trabalhadores da fábrica Novelau, de Paredes, com vários salários em atraso, terminaram, na terça-feira, a concentração de vários dias para impedir a retirada de equipamento e mercadorias, disse hoje à Lusa uma trabalhadora.

Isabel Sousa, que foi secretária na firma durante 17 anos, contou que os antigos funcionários estiveram vários dias junto ao portão do armazém da empresa de mobiliário e que só desmobilizaram depois de o tribunal ter dado provimento a um pedido de providência cautelar apresentado pelos trabalhadores.

Os funcionários, explicou, pretendiam que fosse impedida a venda das máquinas, mercadorias e viaturas que a firma, atualmente em processo de insolvência, ainda manterá nas instalações

 

CARTA AOS 19%

Caro desempregado,

Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.

Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.

Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.

Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer.

Ricardo Araújo Pereira

terça-feira, 26 de março de 2013

POR QUE SERÁ QUE CERTOS AUTARCAS GOSTAM TANTO DE MEGALÓMANAS INICIATIVAS PRIVADAS?

Ao pesquisar na NET informação para uma caracterização do Concelho de Penafiel, no âmbito do exercício profissional, deparei com uma notícia do ano passado que anunciava uma futura mega praia artificial junto ao Parque da Cidade. A iniciativa era privada mas a bênção seria autárquica, a vários níveis, nomeadamente do vereador com o Pelouro do Urbanismo. A referida piscina de água salgada ocuparia terreno classificado no PDM como Estrutura Ecológica (Reserva Agrícola Nacional e Zonas Inundáveis) e portanto teria de se declarar o Interesse Público Municipal do referido terreno. Seria portanto envolvida a Assembleia Municipal e o Executivo.

Não sei se o referido projecto avançou alguma coisa ou não, se não passou de mais uma “caixa jornalística” que periodicamente alimenta o ego de certos autarcas, sedentos de notoriedade, mesmo com nuvens de fumo. Mas permita-se-me um raciocínio. Imaginemos que a Câmara Municipal de Penafiel tinha sentido a necessidade imperiosa (o interesse público municipal) de resolver os problemas de acesso á autoestrada, ás zonas industriais ou de circulação pedonal na Estrada Nacional, ligação Paredes – Penafiel. Não seria tal objectivo mais de acordo com a defesa da qualidade de vida das populações?

CR

Sessão Cultural Evocativa de Álvaro Cunhal

http://youtu.be/hQ9xu1QthA8

TEXTO

A corda vai rebentar

 (de José António Pinto, o "Chalana", Assistente social no Bairro do Lagarteiro, no Porto, e meu camarada)

Quantas horas são precisas para obter uma informação ou um documento no serviço da segurança social, na loja do cidadão no Porto? Seis horas, quando corre bem. Tenho utentes que entram no edifício às 8 horas da manhã e saem de lá com o papel na mão depois das 4 da tarde, sem almoço no estômago

Com que recursos económicos vais sobreviver se o teu subsídio social de desemprego acabou em Outubro de 2012 e se, até ao momento, ainda aguardas que o rendimento social de inserção, no valor de 238 euros, chegue à tua caixa de correio?

Tentas falar com a assistente social da tua área de residência mas como ela gere mais de 380 processos, só pode falar contigo daqui a 3 meses. O teu frigorífico já está vazio, os teus filhos já não têm passe dos STCP para viajar até à escola, as cartas da EDP, das águas e do gás, ameaçam com o corte de fornecimento ao teu domicílio. Hoje o carteiro trouxe um aviso postal. É uma carta registada da Câmara Municipal do Porto. A tua ordem de despejo tem de ser contestada e tu não entendes, nem sabes, como o vais fazer.

Pedes apoio judiciário à segurança social, não te respondem, vais ao serviço informativo saber desta apreciação, dizem-te que o processo foi mal instruído.

A santa Casa da Misericórdia anuncia mais um serviço de apoio e de emergência social. Dão-te um saco de alimentos por mês. A cantina social da colectividade do teu bairro já tem lista de espera. A tua vergonha e humilhação perante os vizinhos, amigos e familiares aperta-te a garganta e não te deixa engolir nem mastigar nada.

O teu vizinho já foi pedir ajuda à paróquia. A paróquia não tem verba suficiente para pagar os óculos que o teu filho precisa de comprar para ler o que a professora escreve no quadro da escola. O senhor padre liga para a Junta de Freguesia, a Junta já gastou este mês toda a verba destinada à ação social. Sobram uns medicamentos com um nome estranho, o seu prazo de validade já terminou.

As filas à porta do centro de emprego aumentam, cresce o desespero e a descrença. Cresce o número de arrumadores de carros, os lugares de exibição da prostituição na cidade, cresce o número de homens, mulheres e crianças que recolhem tudo o que é sucata, cresce o número de prédios hipotecados, as lojas fechadas, os negócios falidos, cresce o número de assaltos perigosos.

Agora tens de provar aos serviços da segurança social que és pobre. Organiza todos os papéis que te pedem, respeita os prazos que te são exigidos, trata de tudo através do computador. Tu não tens computador, não sabes lidar com essas máquinas, então és um inadaptado. O sistema lamenta mas vais ficar de fora da mísera protecção por uns tempos.

Brevemente, a assistente social vai querer visitar a tua casa. Vai fazer recomendações e exigências, vai-te ameaçar, vai-te vigiar, vai-te prometer uma pequena esmola para atenuar a tua revolta estéril. Na semana seguinte, és confrontado com novos cortes. O dinheiro que o Estado tinha reservado para matar a fome aos teus filhos vai ser canalizado para a recapitalização dos Bancos. Agora as regras são mais apertadas, os apoios económicos do Estado vão durar menos tempo, menos pessoas vão ter acesso a eles, o seu valor mensal será cada vez mais reduzido.

O teu cunhado mostra-te uma carta que a técnica de emprego lhe deu. Fala de um programa chamado "contrato emprego inserção". Não te permite fazer descontos para a segurança social, não tens direito a qualquer tipo de protecção quando ficares doente ou desempregado, trazes para casa 400 euros, trabalhas mais de 9 horas por dia, apanhas o autocarro das 6 horas da manhã, mudas de linha três vezes até chegares ao emprego, na carruagem do metro antes da paragem do bairro do Viso ouves na rádio uma canção antiga de Sérgio Godinho que diz "que força é essa amigo, que te põe de bem com os outros e de mal contigo?" Quando regressas a casa estás exausto. O dinheiro que trazes ao fim do mês não chega para pagar as contas mais rudimentares. Estás mais velho e triste. Estás a trabalhar mas, infelizmente, cada dia que passa ficas mais pobre.



segunda-feira, 25 de março de 2013

REFLEXÃO

Parada de Todeia, sábado de manhã.

Encontrei na rua um discreto conhecido, de nome Fernando, que me interpelou: “sabe-se que o Doutor e o Sr. Álvaro são candidatos pelo partido, mas se fossem candidatos independentes, não sei como seria…”. Percebi. Segundo ele, como “candidatos independentes” e só assim, poderíamos vencer a própria eleição autárquica em Paredes. Retorqui-lhe, amigavelmente, que como toda a gente séria, nós não renegávamos a nossa “família”, as nossas “origens”. Sei que entendeu a mensagem.

E posteriormente dei-me a reflectir no seguinte:

Que grande Partido é este, que incorpora no seu seio gente, muitos milhares de homens e mulheres, que têm um percurso pessoal e político, que os tornam tão distintos de outros, e só porque foi (e é) escola, espaço de afirmação, referência, projecto, padrão ético!

Que grande Partido é este, que lutando contra generalizações abusivas, discriminações e silenciamentos, permite que gente tão sujeita a pressões e condicionalismos, com ele se identifique, o ame e com ele queira sonhar um amanhã diferente!

CR

domingo, 24 de março de 2013

Lisa Gerrard - Sacrifice



Música do filme The Insider (1999), com Lisa Gerrard (Dead Can Dance) e Pieter Bourke

CONTRA O EMPOBRECIMENTO

Os sinais dos tempos encaminham-nos para aí, para a percepção de um empobrecimento global que nos flagela, sem fim á vista. Rarefazem-se os recursos, diminuem as possibilidades de satisfação de necessidades, sobejam as dificuldades. A realidade passa a ser madrasta. De um momento para o outro, tornamo-nos indigentes, periclitantes cidadãos, frágeis criaturas pedindo clemência, sorte ou solução fora do território.

Percebemos que alguém colocou no nosso horizonte uma agenda que nos coloca como subalternos ou párias do progresso. E disso faz gala ou estratégia como se a pobreza fosse sinónimo de pureza ou realismo. Alheios a direitos, alheios a optimismos, marchamos como autómatos para a pira ideológica onde nos consumiremos.
A Páscoa é por muitos reconhecida como tempo de ressurreição, de uma nova oportunidade. Esperemos que assim seja em 2013. Já não se atura a gentinha que nos governa, a corja que se explica sucessivamente porque falhou, e sucessivamente continua com a mesma lógica. O País precisa de novos actores, novos agentes a todos os níveis, gente que se preocupe mais com a vida dos seus semelhantes, do que com a sua carreira, o seu posto, o seu lugar.

E claramente há sempre quem não responda pelos seus crimes, os seus erros, as suas falhas. Os erros e falhas devem ser politicamente punidos, com a lei a excluir o propósito da sua continuação. São os procedimentos legais, as inibições, para autarcas e governantes que perpetuamente continuam no poder apesar de condenações judiciais. Os crimes devem ser punidos pela justiça. Portugal é um oásis para gente corrupta, sem escrúpulos. Basta o cartão partidário, ou a notoriedade social ou mediática, para atenuar ou mesmo obstaculizar o exercício da justiça. Não há notáveis nas cadeias, só a arraia miúda é punida.
O País não vai lá com Petições, actos parcelares de insubordinação ou expressões de estados de alma. É preciso mostrar, informar, debater, abrir espaços onde todos falem, todos se exprimam. As eleições autárquicas devem ser esse espaço. Nunca como agora, a situação social e económica do País exige uma real clarificação de comportamentos e propósitos. Aos que pensam que lhes basta afixar um conjunto de MUPPI´s mais ou menos numerosos para resolver deficites orçamentais ou para iludir a ética, bem podem tirar o cavalinho da chuva. As próximas eleições autárquicas vão ser disputadas por gente de convicções fortes. Este é um meu primeiro contributo. Quem procurar iludir problemas não vai ficar bem na fotografia.

Quem foram os políticos que nos últimos 20 anos nos delapidaram o rendimento, destruíram o emprego, abalaram a estabilidade familiar, empobreceram as famílias e o país? Sob que bandeiras, esses crimes se concretizaram? Quem nos quer fazer esquecer tal, acenando com novos projectos? Afinal, quem nos lixou a vida?

CR



Paredes: Jantar dos 92 anos do PCP evoca Cunhal, reforça confiança na CDU e pede demissão do Governo
 
Jantar do PCP em Rebordosa, sala cheia
 
Álvaro Pinto
 
Cristiano Ribeiro


Lurdes Ribeiro

 Ivo Silva presidiu ao Jantar

O jantar comemorativo do 92.º aniversário do Partido Comunista Português levado a cabo, ontem, pela Comissão Concelhia de Paredes ficou marcado pela homenagem ao centésimo aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal. Este dirigente comunista, intelectual, escritor e artista foi evocado pelos oradores, nomeadamente por Ivo Silva, membro da Comissão Concelhia de Paredes do PCP e autor do blogue Ad Argumentandum, que declamou um poema de homenagem a Cunhal de autoria do poeta freamundense Rodela.

 Em ano de eleições autárquicas e após a apresentação dos candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Paredes no pretérito dia 10 de Março, o jantar contou com as intervenções de Álvaro Pinto e Cristiano Ribeiro. O primeiro, ferroviário, sindicalista e actual presidente da Junta de Freguesia de Parada de Todeia, num discurso várias vezes interrompido pelo entusiasmo da mais de uma centena de comensais, lembrou que a vitória alcançada em Parada de Todeia deve servir de estímulo e de confiança para outras vitórias, designadamente noutras freguesias do concelho de Paredes. “O sonho pode acompanhar a realidade”, afiançou Álvaro Pinto. O candidato à presidência da Assembleia Municipal de Paredes referiu ainda a importância das eleições autárquicas para demonstrar o descontentamento em relação ao actual Governo e às políticas direitas, implementadas pelos sucessivos governos do PSD, PS e CDS e a exigência da demissão do atual governo.

Também Cristiano Ribeiro afirmou que, no actual contexto de um país a saque pela banca internacional, o voto na CDU é uma necessidade imperiosa. Esta é uma das razões que leva o médico e responsável pela Organização Concelhia de Paredes do PCP a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Paredes. “Candidato-me por razões políticas, afectivas e éticas”, asseverou Cristiano Ribeiro, que, na sua qualidade de dirigente partidário e deputado municipal, apresentou múltiplos requerimentos sobre as mais diversas situações, levou à discussão diversos assuntos do interesse público, sem deixar de apresentar muitas propostas concretas com vista a minorar a política desastrosa do actual Executivo camarário e a melhorar as condições de vida dos paredenses. A luta pelo não encerramento das escolas e estações de correio, a luta pela não introdução de portagens nas ex-SCUTS e a intervenção da CDU e do PCP contra a lei da reorganização administrativa, que levou ao fim de muitas freguesias, são apenas alguns exemplos do trabalho competente e sério dos autarcas e activistas da CDU. No final de um discurso muito aplaudido, Cristiano Ribeiro, que também é autor de poemas e contos literários, leu um poema da sua autoria intitulado “Identidade” onde expressou que os comunistas são "gente que sabe o que quer e que quer que se saiba porquê".

O jantar contou ainda com a presença de Lurdes Ribeiro, membro da DORP - Direcção da Organização Regional do PCP e ex-deputada na Assembleia de República, que expressou a confiança nos candidatos da CDU ao município de Paredes. No seu discurso evocou a história do PCP, a sua fundação baseada na Revolução de Outubro e na luta da classe operária portuguesa, os tempos da luta clandestina contra a ditadura fascista em prol de uma sociedade mais justa que teve como expressão máxima a Revolução do 25 de Abril, cujos objectivos e conquistas são hoje cada vez mais ameaçados pelas políticas do atual Governo nacional nas mãos do capitalismo internacional. Por isso, exortou a que todos combatam as políticas de direita, participando nas iniciativas do PCP e da central sindical de classe, a CGTP.

 No final da iniciativa, realizada num restaurante de Rebordosa, os militantes e amigos do PCP cantaram os parabéns ao seu Partido e em uníssono entoaram o “Avante camarada” e “A Internacional”.

 (em pcplordelo.blogspot.pt)

sábado, 23 de março de 2013

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

 Execução Orçamental dos dois primeiros meses do ano

1. A Síntese da Execução Orçamental dos dois 1ºs meses do ano, divulgada hoje pela Direcção Geral do Orçamento, permite constatar já um claro desvio entre as previsões de evolução da Receita e da Despesa inseridas no Orçamento para 2013 e a execução verificada em Janeiro e Fevereiro. Dois meses passados desde o início do ano e o fosso entre as previsões e a realidade começa desde já a crescer de forma muito preocupante.
2. A evolução verificada ao nível da Receita Efectiva da Conta Consolidada da Administração Central e da Segurança Social, em que se previa um crescimento de 2,7% nos dois 1ºs meses do ano e a queda foi de 3,5%, e na Despesa Efectiva em que se previa um aumento de 2,9% e o que se verificou foi um aumento de 4,4%, são bem elucidativas do impacto negativo que a situação recessiva em que vivemos tem na arrecadação da receita.

3. A receita fiscal, principal componente da receita efectiva, apesar do forte aumento do IRS que incide sobre os trabalhadores por conta de outrem estagnou, devido à queda das receitas do IVA e do ISP, as receitas das Contribuições para a Segurança Social caíram em vez de aumentar como se previa no OE 2013 e as despesas com o subsídio desemprego dispararam 21,1% nos dois 1ºs meses do ano, não obstante a redução do valor do subsídio de desemprego e os obstáculos cada vez maiores no seu acesso, quando no OE para 2013 a previsão de crescimento é de apenas 3,8%.
4. Os dados da execução orçamental mostram claramente a necessidade de se interromper rapidamente as políticas que têm vindo a ser seguidas sob pena da espiral recessiva em que estamos metidos se vir a aprofundar ainda mais, com mais desemprego, mais recessão, mais défice orçamental e mais dívida pública a sucederem-se uns atrás dos outros.

5. O PCP reafirma uma vez mais que só com a rejeição do Pacto de Agressão, só com a ruptura com a política de direita, só libertando o país dos interesses do grande capital, só com a urgente demissão deste Governo e a com a devolução da palavra ao povo, Portugal poderá ter futuro. O país precisa de uma outra política, de uma política patriótica e de esquerda.

texto


O Retrato de Kimani Gray

António Santos (em kontra-korrente.blogspot.pt)
Ilustração de Miguel G. S..

Chamava-se Kimani Gray e tinha dezasseis anos. Na noite de 9 de Março, regressava à sua casa num dos bairros mais pobres de Brooklyn, em Nova Iorque, quando parou para cumprimentar um grupo de amigos. Ao ver um carro desconhecido aproximar-se, Kimani despediu-se do grupo e continuou o seu caminho. Os polícias à paisana que saíram do carro disseram mais tarde que acharam o gesto “suspeito”. Então, e sem nunca se identificarem, mandaram-no parar; gritaram-lhe que não se movesse. Mas Kimani picou o passo e os dois agentes dispararam onze balas, trespassando-o de sete.
As incontáveis vigílias, manifestações e confrontos com a polícia que continuam duas semanas depois, põem em evidência a antipatia acumulada entre a população e a polícia. Desde o assassinato de Kimani, já foram detidas mais de 60 pessoas nos protestos e o bairro do jovem foi declarado uma “Zona Congelada”, uma espécie de mini lei marcial que só havia sido implementada uma vez desde o 11 de Setembro.
Entretanto, começou uma luta pelo retrato de Kimani Gray. Michael Bloomberg, multibilionário e chefe do governo de Nova Iorque, tem-se ocupado a demonizar o jovem assassinado, acusando-o de estar armado, de já ter sido detido e de pertencer a um gangue. Ao mesmo tempo, família, amigos, colegas, professores e mesmo o director da escola em que estudava, pintam uma imagem muito diferente.
  Mas não importa que a única testemunha diga que Kimani não estava armado, não importa que tenha ou não tenha cadastro. Kimani não precisa de demonstrar inocência porque nunca foi declarado culpado. Como Ramarley Graham, Trayvon Martin, Keyka Boyd, Sean Bell e tantos outros, Kimani não morreu pelo que fez mas sim pelo que era: jovem, negro e pobre (estava entre os 17 milhões de crianças americanas na pobreza). O seu assassinato não é um mero caso de polícia, é o corolário pretendido de um programa de criminalização da comunidade afro-americana. Um sistema que só pode ser compreendido na senda da tradição racista que remonta aos tempos da escravatura, do KKK e da segregação.
Para conter a emancipação social dos afro-americanos, o grande capital norte-americano nunca hesitou em recorrer às tácticas mais brutais. Da mesma forma que nos anos sessenta e setenta introduziram o crack no Partido Pantera Negra, hoje promovem a negatividade, a fraqueza e a destruição da auto-estima dos jovens afro-americanos. Programas como o nova-iorquino Stop and Frisk (qualquer coisa como «parar e revistar») criam as condições psicológicas e políticas para que uma criança desarmada possa ser assassinada e só depois se pergunte porquê.
  Com efeito, Kimani foi morto no decorrer de uma operação de Stop and Frisk. Só entre 2011 e 2012, mais de 1 milhão e 200 mil pessoas foram paradas e revistadas pela polícia de Nova Iorque por serem consideradas “suspeitas”. E embora menos de 10% destas operações tenha resultado em qualquer acusação, 87% de todos os “suspeitos” eram (suspeitosamente) negros ou hispânicos.
  O Stop and Frisk é a justificação implícita do assassinato de adolescentes como Kimani e a normalização da brutalidade policial. Mas as constantes operações que aterrorizam e humilham as comunidades imigrantes e afro-americanas são também uma espécie de seguro do sistema prisional. Como há cento e cinquenta anos atrás, as classes dominantes norte-americanas dependem economicamente do racismo e da canalização dos negros da escola para a prisão. Os EUA têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. O que significa que em cada 100 americanos 1 está preso. A subir em flecha desde os anos oitenta, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é também um negócio e um instrumento de controlo social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são na prática donos de escravos, que trabalham em fábricas no interior da prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. O trabalho escravo é tão competitivo, que se aprovam leis que vulgarizam as sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar pastilha elástica. O alvo destas leis draconianas são sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional.
Quem matou Kimani foi este sistema racista e profundamente injusto. Para compreender porquê, devemos questionar e revolver a biografia do assassino, não a da vítima

sexta-feira, 22 de março de 2013

Chicago - 25 Or 6 To 4

http://youtu.be/iUAYeN3Rp2E

Chicago II - ÁLBUM DE 1970

os heróis da História

 
26 de Abril de 1974, Virginia de Moura e Óscar Lopes na tomada da sede da PIDE no Porto e libertação dos presos politicos
        

           

quarta-feira, 20 de março de 2013

a cuspidela da serpente

imagem retirada de samuel-cantigueiro.blogspot.pt, com local onde Belmiro verte os pensamentos


 
Belmiro - O Pensador

ou

OS HOMENS QUE ODEIAM OS TRABALHADORES

poema

para Maiakóvsky, 55 anos depois

 
viemos do júbilo

                         e para o júbilo

mas a Terra ainda está imatura

muitas auroras
                       ainda não brilharam.

a paixão ainda permanece:
                                         mudar a vida, transformar o mundo.

Severino António

Livro O VISÍVEL E O INVISÍVEL alguma poesia

terça-feira, 19 de março de 2013

A ESPADA DE DÂMOCLES

Passos Coelho quer levar a sua obra destruidora até ao fim. Aproveitando o balanço da chamada 7.ª avaliação da aplicação do memorando da tróica, Passos Coelho, assessorado pelo seu ministro das Finanças Gaspar, pretende despedir dezenas de milhar de funcionários públicos, nomeadamente administrativos, operários e auxiliares.

O sector em causa representa um universo de cerca de 37% do total de trabalhadores da Administração Pública. É constituído por cerca de 80.000 assistentes técnicos (administrativos) e por 133.000 assistentes operacionais (operários e auxiliares). São pouco qualificados variando em média o seu salário – base entre os 936 euros (os primeiros) e os 623 euros (os segundos). Sem qualquer estudo sério que fundamente estratégias de extinção ou concentração de serviços, numa lógica avulsA e com propósitos de criar terror e pânico nos destinatários, o actual governo PSD/CDS/ Cavaco anuncia rescisões, ditas amigáveis ou por mútuo acordo, não indicando número de despedimentos, “poupança” conseguida ou valor de indemnizações.

O objectivo expresso pelos ideólogos da reforma é o de “renovar” ou “qualificar”, outras vezes o de “racionalizar o pessoal”. Um dos homens-de-mão de nome João Bilhim afirmou “continuar a existir demasiados contínuos e assistentes operacionais em cantinas e serviços de Estado”. “Há gente a mais em áreas que podem ser externalizadas”, concluiu. O cinismo destas afirmações é completo. Fala-se em cantinas e está a pensar-se no encerramento de serviços públicos de proximidade e qualidade como unidades de saúde, escolas, centros da segurança social, tribunais. Por que não se fala da frota de carros do Estado, na frota de assessores dos gabinetes governamentais, no pessoal excedente em câmaras municipais, nomeadamente nas duas maiores cidades, nas mordomias do pessoal politico da Administração Central? 

O objectivo não é “externalizar”, independentemente do que isso seja. O objectivo é mesmo exterminar o Estado Social, o serviço público, as suas componentes fundamentais, a sua lógica de funcionamento, substituindo-o pelo estado mínimo, ao serviço de interesses particulares e poderosos. Há uma ESPADA DE DÂMOCLES por cima de muitas cabeças. Depois da mobilidade e da flexibilidade, chegou o anúncio da morte.

CR

golpada



Anda meio mundo atónito com a decisão do "directório" taxar os depósitos bancários de Chipre, até boa gente normalmente atenta às golpadas da direita neoliberal parece não se dar conta do que verdadeiramente sucedeu. Num golpe de asa, perante o descalabro anunciado, essa mesma direita neoliberal tratou de proteger os seus ao fazer repercutir por todos os pequenos aforradores cipriotas o encargo de salvar um dos seus emblemáticos offshores, foi apenas disto que se tratou, o resto é conversa para boi adormecer.
Uma vez mais o peão é empurrado pelo rei no tabuleiro de xadrez em jogada temerosa, o mais natural é perder a cabeça, salva-se um offshore e dá-se emprego a uma data de analistas políticos, jogada de mestre, a comédia continua. Na terra onde nasci há uma expressão que caracteriza bem o que se está a passar: "é como quem limpa o cu a meninos..."
Depois disto tudo ainda haverá quem não acredite que nos tempos que correm o dinheiro está melhor protegido por uma caçadeira de canos serrados

(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)

Cat Stevens - Sad Lisa

http://youtu.be/tfJWiNfzwUg

segunda-feira, 18 de março de 2013

sugestão de leitura



A MÃO DO DIABO é uma algo estapafúrdia ficção de José Rodrigues dos Santos, publicada em 2012, que merece ser analisada no seu conteúdo /produto final.

A ambição do autor era grande. Pretendia com tal obra falar com oportunidade de uma pretensa verdade oculta sobre a crise, ser um precioso guia para a sua compreensão e até prognosticar o futuro. A trama narrativa é verdadeiramente secundária, embora seja previsível e completamente inverosímil. O Tribunal Penal Internacional pretendia acusar de crimes contra a humanidade os autores da crise. Mas há um grupo esotérico e violento que pretende condicionar essa pretensão. Á cabeça desse grupo estaria o Presidente da Comissão Europeia, que não o nosso Durão Barroso, mas um francês de nome Axel Seth.

  O autor através de algumas personagens destila informação sobre a crise na linha das intervenções televisivas de um Medina Carreira ou de um João César das Neves. É sobretudo a visão da direita populista, catastrofista, justicialista, esquemática, com discurso generalizante anti-partidos, onde se confundem erros políticos, corrupções e crimes. São inúmeros os exemplos. Quando se fala depreciativamente dos “que vivem á custa do Estado” lá surgem os “inúteis” funcionários públicos, mais os reformados e pensionistas, mais os desempregados, mais os detentores de direitos a subsídios sociais, numa lamentável ideologia pantanosa. Quando se fala na competitividade lá surge como única solução a baixa de salários. Quando se fala nas razões da crise estrutural lá se aponta a chegada da China á OMC e em Portugal os aumentos de salários na Administração Pública de 3% e nunca os escândalos gigantescos da banca privada portuguesa.

Claro que se identifica na entrada em funcionamento do Euro razões de desequilíbrio e de insustentabilidade. Claro que se apontam as dificuldades enormes de solução de um problema em aberto. Mas José Rodrigues dos Santos acredita na receita das próprias instituições financeiras internacionais que desencadearam a crise ou que não a preveniram. E mais, parafraseia uma personagem de Philip Roth que acha que as vantagens do capitalismo estão em este se basear em leis da natureza e que o comunismo, esse, é um conto de fadas sobre igualdade assim imposta.

O tempo decorrido desde a publicação do A MÃO DO DIABO desmente categoricamente tão apressada conclusão.

  CR

domingo, 17 de março de 2013

iniciativa


os mupis socialistas

O PS de Penafiel já está em campanha eleitoral autárquica . E como não vive no Portugal de 2013, o das dificuldades, do desemprego e da contenção das despesas, lá despendeu uns "trocos" publicitanto em 40 espaços MUPI's dispersos pelo Concelho a seguinte mensagem: PENAFIEL QUER A MUDANÇA. Ficamos assim a saber com que "seriedade"o PS discute a politica autárquica concelhia. E com tanto afinco que independentemente do sentido da MUDANÇA, para o PS essa palavra sintetiza a sua ambição eleitoral. 

Concorde-se. PENAFIEL QUER (e precisa da) A MUDANÇA, nas mensagens eleitorais, nos conteudos programáticos, nas realizações do executivo. Mudar de rostos e manter o estilo, servirá de pouco. Os MUPI´s não alimentam bocas famintas, nem empregam braços caídos. Recentemente Penafiel sofreu com a mudança, o encerramento do SASU. Que não foi publicitada nos MUPI´s 

CR

JP Simões & Afonso Pais - A marcha dos implacáveis


Jantar 92 anos do PCP


A Comissão Concelhia de Paredes do PCP vai realizar o jantar comemorativo do 92.º aniversário do Partido Comunista Português, em Rebordosa.
O jantar contará com a presença de Cristiano Ribeiro, candidado à presidência da Câmara Municipal de Paredes, de Álvaro Pinto, candidato à Assembleia Municipal de Paredes, e de Lurdes Ribeiro, da DORP - Direcção da Organização Regional do Porto do PCP e ex-deputada à Assembleia da República.

sábado, 16 de março de 2013

a troika pede ao povo que não assobie Cavaco ou o estado de degradação do PS / Moncorvo


O GRANDE FRACASSO



Como se esperava, o governo falhou em toda a linha. Vítor Gaspar acaba de demonstrar que com a política a ser seguida não há nem bom passado, nem bom futuro. Este governo, ainda que consecutivamente avisado das consequências dos seus actos e decisões, persistiu na teimosia da pseudo-solução da austeridade. Afundou o país, desgraçou as famílias, alimentou a banca. Alinhou na receita que não deu bom resultado em parte nenhuma do mundo. Aprofundou as desigualdades sociais, atacou quem menos tinha, não tocou nos privilégios dos poderosos. Seguiu à risca os conselhos de quem não conhecia nem conhece o país. Fez do seu programa os ditames de quem não sabe como se vive em Portugal com ordenados, reformas e pensões de miséria. Fez tudo mal. Não acertou nenhuma previsão. Não houve nada que tivesse dado bom resultado. Após nova apresentação dos números da catástrofe, Miguel Frasquilho, deputado do PSD e gestor do BES, já veio dizer que “o programa de ajustamento foi mal desenhado e mal concebido“. Mas contrariamente ao que a mais elementar lógica faria prever, na sequência deste “pormenor”, não anunciou a demissão do governo. O que é que é preciso mais? O que é esta declaração senão o assumir do completo fracasso? O que é isto senão dizer “fomos incompetentes”? E o que é isto senão a causa do sofrimento de milhares de famílias do nosso país? A demissão deste governo já não se pede. Exige-se.

Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com


sexta-feira, 15 de março de 2013

desenho

em Avante, 14 de Março

a notável perda de rendimento de um Técnico Superior de Saúde da Administração Pública num País sob ocupação da banca estrangeira

 Rendimento do ano sujeito a retenção
2011- 102.276,87 EUROS
2012- 88.327,99 EUROS

Imposto retido
2011- 31.497,00 EUROS
2012- 27.882,00 EUROS

 === Perda de rendimento de mais de 10% num ano!

Mono- Yearning

http://youtu.be/zAleQ79UlT8

a economia de hoje a cores fortes

O desemprego galopará para 18,2% (nas previsões de hoje...)

O crescimento económico negativo há poucos meses seria de 1%, segundo o OE13, passou para 2% há poucas semanas (passado um mês), segundo a Comissão Europeia, e hoje saltou para 2,3%.

Governo avança com 20 mil a 25 mil despedimentos
Em nome da necessidade de correcção do desvio de 800 milhões de euros do défice, pelo menos 20 mil funcionários públicos serão dispensados este ano, metade dos quais professores.

Défice revisto para 5,5% este ano, o défice revisto do próximo ano passou para 4% e em 2015 para 2,5%.
O défice público que o Governo irá reportar ao Eurostat para 2012 será de 6,6% do PIB.

A dívida pública ficará também acima do previsto, atingindo os 123,7% em 2014.

quinta-feira, 14 de março de 2013

OS TEMPOS DE UM PS (IN)SEGURO

A resposta vinda do Gabinete de Imprensa do PCP (que se reproduz) não podia ser mais eloquente. Assim se respondia a uma desconchavada e tardia pretensão (dita de “disponibilidade e abertura”) unitária do PS no que respeita a “excepcionais” candidaturas autárquicas, enviada significativamente por e-mail.

 Sobre a proposta endereçada pelo PS

A forma e os termos de uma proposta de que se tomou conhecimento pela comunicação social, revela a natureza de uma iniciativa sustentada não em critérios de seriedade mas sim movida por meros propósitos de propaganda.
O que está no centro das preocupações dos trabalhadores e do povo não são nem as autárquicas do próximo Outono (sem prejuízo da sua importância), nem as ambições de poder do PS. O que o povo português exige com carácter de urgência é a interrupção da acção do governo e a rejeição do chamado memorando de entendimento.

O PCP tem reiteradamente sublinhado a sua disposição para examinar com as forças, sectores e personalidades democráticas a construção de uma política alternativa que rompa com o actual rumo de desastre a que décadas de política de direita têm conduzido Portugal.
Ainda que conhecendo o comprometimento do PS com os eixos essenciais da actual política, a sua intenção de manter vivo um governo politicamente moribundo por mero cálculo partidário e o reiterado compromisso do PS para com o Pacto de Agressão que está a afundar o país e a arruinar a vida de milhões de portugueses, o PCP está inteiramente disponível para debater e confrontar o PS com aquilo que são os eixos essenciais de uma política que corresponda a uma verdadeira ruptura com a política de direita, e a libertação do país do programa de submissão e exploração subscrito com a UE e o FMI.

O PS pretendia atrelar toda a oposição que luta e não se resigna, constituída pelo PCP e pelo BE e por muitos milhares de activistas contra a as politicas da tróica nacional, associada á tróica estrangeira, á sua estratégia tacticista, que pretende deixar queimar em lume brando o governo e as suas politicas impopulares e mais tarde aceder ao poder, como alternância, já com o ónus do obtido fora da sua agenda.
Dois apontamentos recentes mostram como está longe dos dirigentes do PS a consciência da necessidade de rupturas políticas alternativas. O Presidente da Câmara de Lisboa desloca-se ao Concelho de Paredes e não consegue identificar uma só causa do estrangulamento financeiro e comercial das empresas de produção e distribuição da indústria do mobiliário. Pelo contrário, só consegue articular um expressivo e imerecido elogio ao autarca do PSD.   

A recente e lamentável a todos os títulos “cooptação” de Alice Vieira como candidata á Assembleia Municipal de Mafra mostra que o PS em termos autárquicos se move nos terrenos pantanosos da desonestidade intelectual e do pragmatismo amoral.
CR  

fotografia


Interior da Livraria Lello no Porto

quarta-feira, 13 de março de 2013

OLHE QUE NÃO! OLHE QUE NÃO!


De tudo o que os inimigos e adversários de Álvaro Cunhal têm dito e escrito a seu propósito sobressaem alguns traços comuns.

Desde logo que era um derrotado, fora do seu tempo. Defensor cego duma doutrina totalitária condenada ao caixote do lixo da história. Em particular, rematam triunfantes, depois da queda do muro de Berlim e da impulsão da União Soviética e dos países do leste europeu. Demonstração inequívoca, proclamam, do fim do comunismo.

Se os pudesse ler o Álvaro pela certa sorriria e diria: “Olhe que não! Olhe que não”.

Os raciocínios são perfeitamente silogísticos. Como tal limitados. Só que o Álvaro amava a dialéctica, que manejava como poucos. Chegam ao ponto de pôr, não na sua boca o que era complicado, mas na sua cabeça ideias que nunca foram as dele. Convém-lhes...

Aos que isso fazem apetece responder como o Álvaro: “contra tais argumentos batatas!

Mas, tal como o Álvaro faria, descasquemos as “batatas”.

Fim do comunismo? Não se apressem!

O comunismo é uma ideologia cuja matriz principal é a da construção de uma sociedade sem classes, de homens e mulheres iguais, sem exploradores nem explorados. Onde vigorará o conceito “de cada um segundo as suas possibilidades a cada um segundo as suas necessidades”.

Durante milénios a sociedade sem classes foi um sonho da humanidade. Sonho e “Utopia” desenhada por Thomas More, no século XVI, no seu livro com o mesmo titulo.

No século XIX, com Marx, Engels e os seus companheiros, o sonho e a utopia passaram a projecto de sociedade claramente delineado. Dá-se, com a Comuna de Paris, a primeira tentativa de concretização do projecto duma nova sociedade sem classes. Durou quase cem dias. Foi “democraticamente” esmagado a tiro de canhão e espingarda. Então, como agora, proclamou-se o fim do comunismo. Estávamos em 1870...

No século XX, com Lénine e os seus discípulos, com os Partidos Comunistas, a luta pela sociedade sem explorados subiu a um novo patamar. Ganhou novos e decisivos contornos, aprofundados pelos seus seguidores e que a moldaram até aos nossos dias. Com a União Soviética, primeiro, com os países socialistas nos pós II Guerra Mundial, depois. Esclareça-se que até hoje em nenhum país se atingiu o comunismo. Afirmá-lo só por ignorância, má fé, ou ambas.

As tentativas nesses países falharam no essencial. Por erros próprios sobretudo. Por intervenção externa também. Em nome do comunismo cometeram-se inúmeros crimes.

Significa isso a invalidade e o enterro da doutrina? Claro que não.

Confesso que pertenço àqueles que não gostam de fazer comparações com o cristianismo. Porque vem sempre à baila a questão da fé. E lutar por uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, como gostava de dizer o Álvaro, não envolve fé.

Feita a ressalva, seria como se as diferentes inquisições (católica e protestante), que duraram séculos e se traduziram em intolerância, tortura e morte em nome de Deus, tivessem conduzido ao fim do cristianismo.

Eu sei que custa, mas sejamos sérios. Questões hoje dadas como adquiridas por todos nós, só o foram, e são, porque existiam países que tentavam edificar uma nova sociedade. E porque havia, e há, quem em todo o mundo lute por essa causa. Duvidam?

Direito de voto para todos (um homem, um voto). Ensino e saúde gratuitos. Igualdade da mulher e do homem (na democrática Suíça só nos anos 80 do século XX...). Salário igual para trabalho igual. Libertação e independência dos povos do chamado Terceiro Mundo oprimidos pelas potências coloniais. Direito à greve e à manifestação. Liberdade política e sindical. Fim da discriminação por questões de raça (nos EUA só em 1964...). Férias pagas. Segurança Social. Etc., etc., etc..

Sejamos honestos. Façamos como tanto gosta de dizer o José Manuel Fernandes: discutam-se as ideias. Leia-se o Programa do PCP sobre a democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Critique-se, ou apoie-se, o que lá está e não as vulgatas do que dizem lá estar.

Segundo traço comum a alguns escritos e ditos sobre Álvaro Cunhal, é a acusação recorrente de falta de flexibilidade.

Só para rir. O homem e o político que recusava os modelos e os clichés. Que defendia, sempre, 24h por dia, 365 dias no ano, a “análise concreta da realidade concreta”. Que alertava que o que era verdade numa determinada situação, ou sector, ou região, ou país, podia não o ser noutro. O homem que proclamava, tal como os clássicos, que a realidade era sempre mil vezes, um milhão de vezes, mais rica e criadora que o melhor dos sonhos, ou o mais criativo dos projectos, esquemático!!!

Alguns episódios ilustrativos. Que, na minha opinião, devem ser contados. Até para desmitificar as calúnias e as ideias feitas.

A determinada altura o Álvaro é convidado pela Revista Internacional Problemas da Paz e do Socialismo a escrever um artigo sobre as ditaduras fascistas no mundo. Recusa por considerar que cada caso deveria ser estudado individualmente. Para depois se poderem então tirar conclusões gerais. Se fosse caso disso. E o tempo que tal estudo lhe tomaria era incompatível com a actividade prática. E apesar das insistências não aceita.

O Álvaro encarna como poucos a célebre tese marxista de que “nada do que é humano nos é estranho”. Discutia durante horas com estudantes do secundário o filme de AntonioniBlow-up" e o significado das principais cenas. Torceu por John McEnroe contra Bjorn Borg na mítica final de Wimbledon de 1980.

A cena conta-se em poucas palavras. Domingo de 1980. Final de Wimbledon. Terceira hora de jogo. Vai começar o célebre tiebreak do 4º set. O Álvaro desce para o lanche. Vê-nos empolgados. Pergunta o que se passa. Explicamos. Pergunta quem é o mais fraco. John McEnroe, dizemos. Senta-se, sorri e diz que vai torcer por ele. Um camarada provoca-lo. “Mas é um americano, símbolo do imperialismo”. O Álvaro volta a sorrir e diz, “mas é o mais fraco e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos”. Como se sabe o resultado do tiebreak foi 18-16 a favor de John McEnroe. Borg salvou 6 pontos de set e McEnroe 5 de encontro. O Álvaro, também ele entusiasmado, deixa-se ficar até ao fim do encontro (vitória de Borg 3-2). Todos os seus comentários iam no sentido da beleza daquele encontro. Pacheco Pereira (P.P.) dirá, catedrático, que foi encenação. “Olhe que não! Olhe que não”.

Duas notas ainda. Pela negativa. Constato que P.P. também pertence aos que padece do complexo do canudo. Tudo o que nestes dias disse sobre Álvaro Cunhal e Júlio Fogaça vai nesse sentido. Como historiador não devia. Os outros vinte ou trinta dirigentes do PCP na clandestinidade deveriam ser verbos de encher. Em especial se de origem operária ou camponesa.

O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo “Crescer com o Álvaro”, (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige.

António Vilarigues, Jornal O Público em 19 de Junho de 2005 (reproduzido agora no ocastendo.blogs.sapo.pt)