um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adriano Correia de Oliveira - Erguem-se muros



Erguem-se muros em volta
do corpo quando nos damos
amor semeia a revolta
que nesse instante calamos

Semeia a revolta e o dia
cobrir-se-á de navios
há que fazer-nos ao mar
antes que sequem os rios

Secos os rios a noite
tem os caminhos fechados
Há que fazer-nos ao mar
ou ficaremos cercados

Amor semeia a revolta
antes que sequem os rios...

Camel - Never Let Go


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

UM PARTIDO A CONTAS COM UM PLÁGIO

Guilherme Almeida, vereador da Câmara de Viseu e Presidente da Comissão Concelhia de Viseu do PSD, elaborou uma tese de mestrado em 2006. Confirma-se agora ser um plágio descarado de uma tese elaborada em 2003 por sua mulher Cãndida Almeida, professora na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Viseu. A mesma temática, as mesmas citações e referências, as mesmas conclusões.
Andam agora as instituições académicas a cotejar linha a linha, parágrafo a parágrafo, as duas teses. Importava que cotejassem as duas morais, as duas éticas, de Guilherme e Cândida. Um plagia, outro é permeável ao plágio. Mas permita-se-me uma leitura politica. O PSD une tudo, amnistia tudo, relativiza tudo. Afinal são discipulos de Miguel Relvas, de Ana Manso, de Dias Loureiro,  de Duarte Lima, de Macário Correia, de Passos Coelho...São a imagem da "socialdemocracia portuguesa" em tomos devidamente fotocopiados, em exames breves ou "equivalentes", em "concursos" de candidatos de Universidades de Verão.
O PSD É ASSIM. UM REGABOFE CRIATIVO ONDE SE APRENDE A ARTE DE BEM ENGANAR.

CR

POEMA

ROSAS

(dedicado á Raquel)

Nasceste na cidade grande
de granito sujo.

Cresceste com o frio
 e calor agrestes.

Depois descobriste no estudo
a fórmula química do sucesso.

Foste rebento, botão, hoje és flor.
Foste lágrimas e emoção

Que se tornou vontade e obstinação.
Aprendeste a amar e a lutar

Voar sozinha, espaço conquistar.
Ganhaste no duro

estas 32 rosas perfumadas
que anunciam o futuro.


         Teu Pai, Cristiano

Eleições na Itália: a degenerescência da vida política continua – os comunistas no ponto mais baixo desde 1945


 por AC

 Os resultados das eleições legislativas de 25 de Fevereiro confirmam a Itália como um laboratório da degenerescência da vida política tradicional: um centro-esquerda às ordens do capital e da UE, "populismos" canalizando a cólera popular, comunistas apagados.
Para fazer uma ideia das escolhas do capital, basta dar uma olhadela à Bolsa de Milão: indiferente ao resultado do saltimbanco Grillo, eufórica diante do resultado para a Câmara baixa do centro-esquerda Bersani e depois amuada diante do retorno ao Senado do demagogo Berlusconi.
O programa da Confindustria (Confederação da Indústria) é claro: por um lado continuar as "reformas estruturais" e as medidas de austeridade encetadas pelo "ditador" europeu Monti, por outro salvar o Euro e aprofundar a integração europeia.
A escolha número um do patronato e da UE era o antigo comissário europeu Monti, aliado à democracia cristã de Casini e aos ex-neo-fascistas de Fini, no governo alternativo ficaria o antigo ministro de Romano Prodi, Pier-Luigi Bersani.
Se a hipótese de um governo de união Bersani-Monti for suspensa, é certamente o candidato do capital Bersani que sai vencedor por margem estreita na Câmara com 29,7% dos votos e 340 cadeiras (mas 31,6% no Senado sem maioria), ao passo que Monti não totaliza senão 10,5% dos votos e 46 cadeiras.

Bersani, candidato da Confindustria

Para a Confindustria e os meios financeiros, o ex-comunista Bersani é o candidato do "pragmatismo" e do "rigor", aquele capaz de manter a direcção da integração europeia e da austeridade.
O programa de Bersani: manter a Itália no Euro, defender as medidas de austeridade de Monti e ir mais longe nas "reformas estruturais" a começar por uma reforma do trabalho prevendo reduções de contribuições para as empresas em nome da competitividade.
O percurso de renegado de Bersani é uma garantia de segurança para o capital. Homem de aparelho por excelência, o jovem lobo do PCI faz parte da ala "centrista" que pensa e depois executa friamente o processo de liquidação do Partido Comunista durante o ano de 1991.
Firme nas suas posições económicas liberais e europeístas, Bersani foi o ministro da privatização da electricidade e do petróleo em 1999, sob o governo Prodi I, aplicando ao pé da letra as directivas europeias de liberalização.
  Ele reincidirá em 2006, no governo Prodi II, liberalizando certas profissões fechadas (táxis, farmácias) e abrindo os transportes urbanos comunais à concorrência privada.
O álibi de esquerda no seu futuro governo: Nichi Vendola, o antigo liquidador da Refundação Comunista, líder do movimento gay e integrista católico, governador da Apúlia louvado pelo ex-patrão da Confindustria e comunista arrependido.
  Berlusconi, demagogo embaraçoso e franco-atirador imprevisível para o capital europeu

Neste contexto, o retorno de Sílvio Berlusconi embaraça os meios financeiros e sobretudo o grande capital europeu, com um resultado inesperado de 29% na Câmara e de 30,6% no Senado.
Franco-atirador que serve tanto os interesses de uma fracção do capital italiano como os seus interesses egoístas, mas também portador das aspirações contraditórias dos pequenos empresários: as posições demagógicas do Cavaliere são demasiado imprevisíveis para o capital e a UE.
  No seu retorno, Berlusconi alimentou a soberba anti-europeia. Jogando na cólera contra a moeda europeia, Berlusconi praguejou contra a hegemonia alemã mas evitou cuidadosamente pronunciar-se pela saída do euro, centrando suas palavras na reorientação do BCE.
Multiplicando as invectivas contra Mario Monti, o "Homem da Merkel", Berlusconi não deixou de propor retirar a sua candidatura para se alinhar atrás do "Homem de Estado" Monti se este encabeçasse uma coligação de centro-direita.
  No plano económico, a soberba demagógica atingiu o máximo com promessas de baixas de impostos beneficiando as empresas e os ricos: redução do IVA, supressão do imposto sobre as residências principais (IMU), baixa do imposto sobre o rendimento, isenções patronais.
  Para o capital europeu, as promessas demagógicas e inconsequentes de Berlusconi constituem um perigo neste momento. Por um lado porque mantêm um sentimento anti-europeu. Pelo outro, porque tornam impossível a adopção das futuras reformas estruturais.
Este impasse conduzira em 2009 à demissão forçada de Berlusconi, incapaz de executar a reforma das aposentações, sob pressão da sua base popular. O capital europeu substituiu-o então por Mario Monti que lançou o maior plano de austeridade na Itália desde 1945.

"Nem de direita, nem de esquerda": o populismo de Grillo e os perigos da .indiferença (qualunquismo)
Mas em termos de populismo descabelado, Silvio Berlusconi talvez haja encontrado o seu mestre. Também ele humorista, mas voluntário, Beppe Grillo, soube manejar a invectiva para fustigar, com uma violência verbal muitas vezes próxima do insulto pândego, a "casta" política italiana. Com 25,5% dos votos e 110 cadeiras, ele é o grande ganhador do escrutínio. Grillo congrega muito, os decepcionados de todos os lados. Todos unidos numa mesma raiva nascida da crise económica, todos unidos no "Que se vão todos" de Grillo.
  O "Vaffanculo" ("Foda-se") que fora a palavra-de-ordem que o havia tornado conhecido em 2007, encontra um novo impulso no "Tutti a casa" (Todos para casa) ou no "Tutti fuori" (Todos para fora).
  Poujadista, sobretudo "qualunquista", este velho movimento de fundo de rejeição da política italiana, centrado sobre o supostamente ressentido italiano médio, misturando sentimentos contraditórios entre anti-política e anti-classe política, entre anti-Estado e anti-"ricos".
  É isto que faz a unidade do movimento, seu denominador comum é uma rejeição da "classe política" em torno de um programa suficientemente vago para satisfazer tanto os decepcionados da direita como da esquerda. "Nem esquerda, nem direita: contra a casta política", é o discurso de Grillo em tempo de crise, portador igualmente de perigos.
O "Movimento 5 estrelas" de Grillo nasceu dos movimentos cívicos de base, nomeadamente pela água pública, classificados à esquerda, mas funciona doravante sobre uma relação orgânica entre um "chefe", tribuno e salvador, e uma "massa" subjugada por suas diatribes inflamadas nas praças.
Grillo pragueja com veemência nestes comícios, grita bem alto o que o patrão do Norte, ex-eleitor da Liga do Norte, anti-Estado e racista, ou o intelectual precário do Centro, decepcionado da esquerda, ligado ao serviço público e à ecologia, pensa de modo cada vez menos baixo. Mas Grillo diz tudo e o seu contrário: diminuir os impostos sobre as empresas para relançar o crescimento mas lançar uma transição ecológica para o decrescimento, defender certos serviços públicos como a água mas enfurece-se contra os sindicatos e os funcionários efectivos. Sobre as questões da sociedade, Grillo é o primeiro a defender a "democracia participativa" mas numa relação quase pessoal com o chefe, ele é pela luta contra a moeda única europeia mas também contra as vagas de imigração extra-europeias que ameaçam a Itália. As posições de Grillo são a ilustração de uma radicalização real de partes importantes da população italiana, de classes médias desqualificadas, uma população sem referências nem perspectiva política coerente, sujeita a todas as recuperações populistas e potencialmente reaccionárias. Os comunistas no ponto mais baixo desde 1945: uma aliança táctica que não compensa Face a este quadro desolador de uma vida política italiana em plena decrepitude, a necessidade de um Partido Comunista italiano forte faz-se sentir mais do que nunca.
Lamentavelmente, a escolha efectuada pelos dois partidos comunistas italianos (PdCI e Refundação comunista), a de um apagamento táctico, apadrinhada estrategicamente pelo Partido da Esquerda Europeia (PEE), não se revelou eleitoralmente compensadora.
Os comunistas italianos haviam feito a aposta, para retornar ao Parlamento, de se apagarem por trás de uma lista unitária, com os Verdes e o partido centrista "Itália dos valores" do juiz Antonio di Pietro, uma lista conduzida pelo juiz anti-máfia, o íntegro Antonio Ingroia.
  Após o fracasso da tentativa liquidadora da equipe dirigente Bertinotti-Vendola em 2008, com a Esquerda arco-íris que havia rebaixado os comunistas italianos de 9% para 3% e os havia excluído do Parlamento, os comunistas caem ainda mais.
Com 2,2% na Câmara dos Deputados e 1,8% no Senado para a "Revolução civil" de Ingroia, os comunistas não retornarão ao Parlamento. Eles arrastam consigo o partido centrista "Itália dos Valores" que havia obtido 4,5% dos votos em 2008 e conseguido 29 deputados.
Partindo de um potencial de cerca de 9% em 1008, a lista da "Revolução civil" de Ingroia cai para 2% nas duas câmaras, longe das previsões das sondagens que lhe davam um teto de 4-5%.
  Ingroia e os dirigentes da Refundação comunista denunciaram a seguir o blackout mediático de que a lista foi vítima e lamentaram sobretudo que o PD não tenha levado em conta as propostas de aliança da coligação, preferindo tratar com Monti.
"Bersani preferiu a opção suicidária da aliança com Monti ao invés da aliança connosco: contundo nós lhe havíamos proposto mas ele nunca respondeu", lamentou-se Ingroia.
Paolo Ferrero, secretário da Refundação comunista, acrescentou: "ficámos presos entre o voto útil de Bersani e o resultado de Grillo: propusemos o diálogo ao PD mas a porte ficou fechada".
  Em Fevereiro último havíamos exposto nossas dúvidas sobre as escolhas de alianças eleitorais dos comunistas italianos, nossos camaradas do PdCI desejaram defender uma aliança que consideravam indispensável para salvar uma representação parlamentar.
As escolhas tácticas hesitantes dos nossos camaradas provocaram o debate na Itália. Após novo revés eleitoral, eles sem dúvida continuarão a debater do outro lado dos Alpes. Os comunistas italianos são os únicos a julgar suas orientações estratégicas e tácticas.
Em todo caso, na Itália como alhures, o povo tem necessidade mais do que nunca de um Partido Comunista à altura do nosso tempo para travar a luta contra os políticos ao serviço do capital, contra aqueles que os põem a actuar à "esquerda" e aqueles que tentam recuperar a cólera popular para conduzi-la rumo a perigosos impasses

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

um politico á rasca


quando se lhe tira a encenação das perguntas e respostas preparadas, em tempo de crise e de dificuldades para o PSD, MRS revela-se um politico mediocre, um intelectual sem autonomia ou pensamento independente, um bluff. sem guião o artista permanece nu. prefiro a faceta popularucha do nadador no Tejo.

LISBOA, MUROS QUE FALAM

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Youn Sun Nah - Avec Le Temps



uma versão formidável de uma das mais belas canções de amor

Assembleia Municipal de Paredes- 23/2/2013

Assembleia Municipal de Paredes
Sessão Ordinária de 23 de Fevereiro de 2013

Ordem de Trabalhos
1 - Relatório de atividades municipais e situação financeira do município- para conhecimento

2- Proposta de alteração de estatutos da AMI Paredes- Agência Municipal de Investimentos de Paredes, SA – para discussão e votação
3 - Procedimento concursal comum para recrutamento de um técnico superior (desporto/educação física) por tempo indeterminado - retificação ao mapa de pessoal de 2012 - para discussão e votação

4 - Nova estrutura orgânica e mapa de pessoal – pa ra discussão e votação
5 - Adesão á área Metropolitana do Porto – para discussão e votação

6- Feriado municipal – Festas da Cidade - para discussão e votação
7- Desafectação de domínio público para o domínio privado – para discussão e votação

8 - Postura de trânsito da freguesia de Cete- para discussão e votação
9- Postura de trânsito na freguesia de Parada de Todeia – para discussão e votação

No período Antes da Ordem do dia, o deputado da CDU Cristiano Ribeiro referiu a demissão recente do secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa Paulo Júlio, autor confesso da Lei de Reorganização Administrativa, vendo nessa demissão uma oportunidade de se recuar na aplicação de regras espúrias de fusão e extinção de freguesias.
Assinalou igualmente o destaque, na Comunicação Social do dia, dado ao Município de Paredes com o pedido de empréstimo no âmbito do PAEL às autarquias mais endividadas com dívidas de curto prazo. Paredes obtém um empréstimo de 19.755.871,52 euros, num total nacional de 779 milhões de euros. Se se considerar o PAEL um balão de oxigénio para autarquias endividadas, então a autarquia de Paredes estará á beira da falência nos Cuidados Intensivos.

Foi feita a referência á crise social gravíssima que vivemos, com a sua expressão no desemprego, na emigração, nas falências e no fecho de estabelecimentos do comércio tradicional. Por último foi lida a estrofe da canção Grândola Vila Morena que diz:
Grândola Vila Morena
Terra da Fraternidade
O Povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó Cidade

O deputado da CDU Álvaro Pinto insurgiu-se contra o teor de uma noticia publicada no O Progresso de Paredes, relativo á sua freguesia, atribuindo ao PS a autoria.

Por deputados do PS foram referidas as Presidências Abertas da Câmara em Recarei e na Sobreira, e a leitura politica da sua oportunidade.

Pelo Presidente da Câmara foi referido que Paredes ao contrário de outros municípios não tem dívida escondida nas empresas municipais e que cerca de 63 milhões de euros foram subtraídos às autarquias desde a aplicação da Lei das Finanças Locais (Governo PS).

Quanto á proposta de alteração de estatutos da AMI Paredes, constata-se a gestão política das expectativas de captação de investimentos, sempre adiados, mas não sendo reconhecida a incapacidade de os obter. Em ano eleitoral convém manter a chama acesa de investimento a chegar…

Afirmou o Presidente da Câmara de Paredes que a ETAR de Paredes vai ser desactivada em 2 anos.

A adesão á Área Metropolitana do Porto foi proposta e votada unanimemente na Assembleia.  

 

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Traffic - Freedom Rider


amizades...

O ex-chefe do Governo, José Sócrates, regressou ao trabalho no passado mês de Janeiro como presidente do Conselho Consultivo para a América Latina da Octapharma, uma multinacional farmacêutica sediada na Suíça mas com filiais em 37 países, entre os quais Portugal, e que, revela hoje o Expresso, foi uma das protagonistas da ‘Máfia dos Vampiros’.
Esta ‘máfia’, explica o semanário, prende-se com um esquema em que vários operadores no Brasil de produtos derivados do sangue foram considerados suspeitos de actuar em cartel para cobrar preços muito acima do mercado. Cerca de 800 milhões de euros terão sido desviados dos cofres públicos.
Acrescenta o Expresso que, a ‘Máfia dos Vampiros’ envolvia funcionários do Ministério brasileiro da Saúde, deputados e até o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) e um dos condenados mais mediáticos do caso ‘Mensalão’, Delúbio Soares.

O esquema foi descoberto em 2004 e quatro anos depois o Ministério Público do Brasil pediu a proibição de negócios entre os acusados e o poder público. Um caso que ainda decorre nos tribunais.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Carta de Angola

 
“… Já fui baptizado numa operação STOP, onde a ideia do suborno vem logo a seguir ao “bom dia Sr. Guarda”. Simplificando. Tinha uma fotocópia do livrete provisório do carro e o “artista” com os meus documentos na mão, dizia:
- Fotocópia não é documento, Sr. A . O carro vai ser apreendido e vai ter multa…

- Oh! Sr. Guarda. Como resolvemos isto para eu não ter que ir a pé?
- Oh! Sr. A, se o seu filho estiver a brincar com uma faca e o senhor lha tirar, como fica?

- Olhe, fica melhor e não se magoa
- ERRRRRRRADO. O minino fica a chorar…e o Sr. A o que tem que fazer?

- Sei lá! Diga-me!
- Tem que lhe dar outra coisa para o minino não chorar mais. Certo? Sr. A

-Ah! Está bem! Já percebi…
 Peguei na carteira, tirei 2 000AKZ e, no imediato, o “artista” disse:

- o Sr. A pode dobrar os “balores”
Dobrei e dei os “balores”, ele devolveu-me a carta e os outros documentos e desejamos, um ao outro, um bom Domingo.”

resgate

Tribunal de Contas já aprovou o resgate de 37 câmaras: são as acima identificadas
 
Três meses depois dos primeiros contratos assinados ao abrigo do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), o Tribunal de Contas deu luz verde a 37 contratos de financiamento a outras tantas câmaras, num total de 198 milhões de euros.

da arte de bem r... na Administração Pública em 2013

Carreira Médica de Medicina Geral e Familiar
Assistente Graduado de Clinica Geral
 Dedicação exclusiva 42 horas
 Orientador de Formação
Horas Extraordinárias (SASU, outras horas ext)
Contratualização de USF por objectivos
33 anos de serviço
Vencimento liquido fev 2013 - 3.586,18 euros (descontos globais 53%)
                                 jan 2013 - 4.424,52 euros (descontos globais 43%)
                                 jan 2011 - 4.570,33 euros (descontos globais 44%)

grafismo

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

texto


Afinal a Direita Gosta da «Democracia»

A direita portuguesa – de Nuno Magalhães a Augusto Santos Silva – de vez em quando, e só de vez em quando, interessa-se muito pela «democracia» e pelas «liberdades democráticas». É errado dizer-se – ou pensar-se – que esta malta se incomoda com protestos ou manifestações, que se zanga quando os contrariam, que gosta pouco de opiniões e visões distintas, que quer ajustar contas com a Constituição ou mesmo com o 25 de Abril. Nada disso. Na verdade, são todos uns autênticos «democratas», todos uns grandessíssimos «filhos da democracia». Só que têm é uma concepção muito própria, coisa refinada, daquilo que outros consideram ser – com ingenuidade – o respeito pela vontade política da maioria dos cidadãos. Para eles, o voto na urna chega para legitimar tudo, venha lá o que vier depois. Depois da eleição, podem os eleitos fazer tudo o que lhes apetecer, tudo o que quiserem e bem entenderem, sem que tenham necessidade de prestar contas a quem quer que seja, e sem poderem ser confrontados com o resultado ou impacto das suas acções na vida das próprias pessoas.

O facto de o governo ter prometido uma coisa e ter feito outra, o facto de vir espezinhando direitos dos cidadãos, maltratando e acabando com instituições públicas e democráticas (das autarquias às escolas), para a direita, nada disso constitui qualquer ataque à «democracia». Nem sequer vislumbraram qualquer ataque «às liberdades» ou «à democracia», essa vergonhosa censura ao célebre debate da «refundação do Estado», em que até as citações estavam sujeitas a «aprovação prévia». Já quando a direita se sente confrontada com a evidente – e reflexa – insatisfação popular, quando consegue vislumbrar nas acções das pessoas o grau de insucesso das suas desastrosas políticas, aí sim, já os vemos armados em arautos da «democracia», a clamar pelas «regras da democracia», pelo «respeito pelas liberdades individuais» e pelo «legítimo direito à liberdade de expressão».

Podia este governo, é certo, no entanto coibir-se de irritar ainda mais as pessoas. Só que, azar dos Távoras, as sonoras declarações dos capatazes – cada uma mais infeliz e disparatada que a anterior – agravam ainda mais a insatisfação e a raiva de quem tenha pelo menos dois dedos de testa. Ou alguém acharia, por ventura, que a hipócrita e provocadora declaração do “nem durmo com o desemprego dos jovens”, ainda por cima vindo de quem veio, cairia em saco roto? Acaso alguém poderia não prever que o já «manchado» Miguel Relvas, sem ponta de autoridade moral e com toda a culpa nas políticas seguidas, passear-se-ia triunfalmente, com aquele ar de causar náuseas, no seio das instituições, das pessoas, do país que despudoramente anda a destruir, a insultar e a provocar?

Este infeliz rol de políticos vazios como Passos Coelho, de testas-de-ferro sombrios e estrategas da espertice como Miguel Relvas, vão sendo perfeitamente identificados pelos portugueses, sendo que, estes dois em particular, já têm as suas “carecas a descoberto”. E se a direita não vai lá na cantiga da insatisfação generalizada, e se, como acreditava piamente Salazar, tudo isto é cabala «de comunistas», olhem pelo menos para as vossas adoradas sondagens, e vejam como um qualquer Segurozinho de trazer por casa, sem programa nem critério, sem voz nem chama, sem mandar sequer no próprio partido, podia neste preciso momento ganhar eleições e destronar vergonhosamente o PSD do poder. Os portugueses estão mesmo fartos deste governo. Querem livrar-se dele já, o quanto antes. E quanto a Relvas, em particular, aludo por fim à crónica de Alfredo Leite, hoje no JN, dando resposta positiva à interrogação com que o autor encerra o texto: definitivamente, a resposta é não! Um ministro que não tem condições para sair à rua, também não tem condições para governar!

Ivo Rafael silva, em adargumentandum.worpress.com

 

 

poema


Quem prende a água que corre,
É por si próprio enganado,
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado


António Aleixo

 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

guerra e paz


A propósito das expressões públicas de oposição aos governantes do PSD, nomeadamente Passos Coelho e Miguel Relvas, traduzidas em boicotes a iniciativas e sessões em que estes actuam, não posso deixar de concordar com quem afirmou:

"Há alturas em que temos de os confrontar com o que eles são, pessoalmente, um a um. Têm rosto os tiranos e têm rostos os ofendidos e explorados. Onde quer que eles vão, não os deixem passar, não lhes demos descanso porque quem nos declara guerra não pode ter paz."

(Miguel Tiago, deputado do PCP)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

poema



SOBRE A AUSÊNCIA

aquele que escreve
precisa de vazios

precisa de distâncias,
para nascer de novo.

  Poema “criação” de Severino Antônio

(em adargumentandum.wordpress.com)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Fascismo Ordinário (Parte 1)


Fascismo Ordinário é um documentário soviético de Mikhail Romm, discípulo de Eisenstein, realizado em 1965. Nele podemos observar a visão soviética sobre o nazismo: suas causas, características e conseqüências. A ascensão de Hitler, o arianismo, o anti-semitismo, e a manipulação por parte da propaganda nazista. Feito com filmagens da época e dos arquivos dos nazistas, Mikhail Romm mostra um particular retrato do fascismo alemão, narrando-as com sua voz em off ele não se priva de fazer comentários sarcásticos e transigentes sobre o ridículo regime nazista. Gênero: Documentário Diretor: Mikhail Romm Duração: 130 minutos Ano de Lançamento: 1965 País de Origem: União Soviética Idioma do Áudio: Russo

requerimento

 EXMO SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES

Cristiano Manuel Soares Ribeiro, eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Paredes, no âmbito do Artigo 60.º do Regimento da Assembleia Municipal de Paredes e nomeadamente da sua alínea b), que define os direitos dos membros da Assembleia, requer através da Mesa desta Assembleia ao Executivo Camarário o esclarecimento seguinte:

 A AMI Paredes- Agencia Municipal de Investimentos – iniciou a sua actividade em 2009, com o principal objectivo de captar investimento para o concelho, através da fixação de novas empresas e consequentemente da criação de emprego.

Recentemente foi aprovada uma alteração dos estatutos da empresa municipal, bem como da composição do Conselho de Administração e Mesa da Assembleia Geral
Constitui uma boa prática da administração local a avaliação do exercício de mandatos bem como da real utilidade de entidades criadas com objectivos aparentemente não concretizados

Assim, requeiro a seguinte informação:
Que investimentos foram conseguidos para Paredes desde 2009 com ligação directa á AMI Paredes?

Paredes, 16 de fevereiro de 2013
O Membro eleito da CDU da Assembleia Municipal de Paredes

(Cristiano Ribeiro)

texto

 Um problema de consciência

Artigo publicado no jornal O Diabo, n.º 233, de 11 de março de 1939 – 37. [Esta nota consta da edição supra, com o mesmo número, e é de Francisco Melo, tal como a coordenação, o prefácio e as restantes notas dos respetivos tomos. – Álvaro Cunhal tinha então 26 anos de idade e faria, neste ano de 2013, exatamente 100 anos - NE]
Álvaro Cunhal

O exterior parece terrivelmente inimigo. Como se nas ruas só passassem funerais. Como se nos roubassem a família, os amigos e quedássemos sós e desamparados.
A tragédia intensa do presente emprenha a visão do futuro de sombrias expectativas. Afigura-se a muitos que no futuro haverá sempre rostos empalidecidos e cheiro a pólvora e a sangue quente. Ontem parecia que o dia de hoje havia de ser risonho e acolhedor. E agora, agora, que grande serenidade para poder crer no dia de amanhã!
Quando a vida é incerta e baila ante os homens a perspectiva da morte inunda-os uma ansiedade traduzível assim: «Irei tão cedo deixar de ser?».
Só um grito desesperado de momento pode afirmar que esta vida não vale ser vivida. Quando se marcha em direcção ao espectro, mesmo que os passos sejam voluntariosos e firmes, o bater do coração compassa a ansiedade. O futuro é negro: mas na própria negrura não há ausência de luz.
Por isso, ante os perigos, a expectativa traduz-se: «Irei tão cedo deixar de ser?» e, quando mais desalentadora é a visão do mundo que fica, quando mais fundo é o remorso de pouco se ter feito para deixar aos filhos mais valiosa herança, mais dura e brutal aparece a visão da morte.
A admissão da estabilidade de um mundo a que se não podem mostrar os corações força a lançar rápido e iluminado olhar ao tempo em que se esperou, em que os ora desalentados ainda tinham fé no que hoje não é presente e então parecia vir a ser futuro. Uma derrota profunda e dorida leva muitos a pensar que haverá sempre e só derrotas. Ver morrer os outros vencidos; talvez também morrer vencido. No vasto mundo muitas vezes se apagam vidas ao procurarem derrubar velhos e endurecidos troncos. E há sempre quem represente o papel de irmão desalentado: «Para quê viver? Coisas que sempre foram e hão-de ser... O homem vive encadeado a leis irresistíveis. Inúteis os sacrifícios dos que procuram modificar os seus ditames.» Como se os homens não pudessem construir a sua própria história. Como se as leis da evolução das sociedades não reservassem lugar à vontade humana. Horas de dor, de sofrimento, de tragédia. Horas em que a expectativa da morte baila com insistência ante os olhos.
Então o homem sente necessidade de justificar a sua própria existência. Há que dar uma resposta às perguntas: «Que andei e que ando por cá a fazer? Que tenho feito pelos outros e pela história?»
O homem teme deixar de ser na terra. Um sono sem despertar choca violentamente contra a estrutural vontade de viver. O ser recusa-se a aceitar o próprio desaparecimento. O apagamento total e sem apelo é incompatível com a existência actual.
Por isso, aqueles que acreditaram e não crêem fogem, afastam-se, renunciam. Por isso também há homens que projectam a sua existência para além da morte. Uma alma que voe para destino extraterreno. Ou um ser que se desintegra para subsistir integrado em novos seres. Qualquer coisa que justifique o caminho percorrido entre o nascimento e a morte. Sonha-se para fora da terra com uma vida que nesta se não tem. Ou sonha-se com o que fica...
A morte é elemento essencial da vida. Mas isso não basta para que se aceite sem mágoa. É que a pergunta: «Deixarei de ser hoje? Amanhã?» — intensifica e aproxima o grande problema de consciência: «O que andei por cá fazendo? Que fica sobre a terra da minha passagem sobre a terra?»
Não satisfaz uma vida além-túmulo, mesmo que a imaginação empreste à alma asas imateriais. É esta terra donde brotou o pão que manteve o corpo e a água que matou a sede, esta terra donde tudo (mesmo pouco) nos veio e para onde iremos — e é esta humanidade a que pertencemos, este grande colectivo a que nos liga o sangue, o amor, o ódio e a interdependência — é esta terra e esta humanidade que nos exigem uma explicação.
Assim o problema da morte é o problema da vida. Depois que desapareça tudo o que de nós houve! Ou que subsista a alma! Ou que os vermes perpetuem a existência do nosso corpo!
Mas a expectativa da morte ou dum futuro de sombras perpétuas (que derrotas intensificam) chama a recordação do passado. Que poderia ter feito para que meu irmão não fosse vencido? Não lhe deixei só a ele uma tarefa que também me pertencia? E ainda... Que foi feito de toda esta energia despendida em vida e tão sofregamente sugada? Que fica — não do meu corpo ou da minha alma — que fica das minhas acções de uma vida inteira?
E a perpetuidade da nossa vida, a resistência contra um breve deixar de ser, fixa-se neste ponto vital: a justificação e perpetuidade das próprias acções, do que se fez no caminho percorrido entre o nascimento e a morte.
Haverá espectáculo mais doloroso que o do velho que olha atentamente o passado, medindo cada passo, avaliando o efeito de cada gesto, e por fim tem um grito de desalento, remorso e desespero: «Uma vida inútil...?» Haverá constatação mais angustiosa que a da própria inutilidade? Não será precisamente essa constatação que as mais das vezes leva ao desejo de não ser? A inutilidade da vida é a afirmação de que nada fica das acções praticadas, de que se gastou o tempo a queimar tempo.
E então talvez valha a pena fitar a morte e esperar o para lá. A não ser que se olhe em frente — mesmo que o limite se espeque num amanhã irrefutável — e se marque uma finalidade à vida.
Quando a perspectiva da morte ou dum futuro trágico baila ante todos, até os jovens, como os velhos, olham o passado. E, depois, quantas vezes o desinteresse e a renúncia não vêm juntar a uma derrota ou a um momentâneo recuo colectivo uma irremissível derrota individual.
... Porém, quando assim se não voga ao sabor da corrente, mas antes se escolhe caminho e se marcha, novamente o futuro sorri, à nossa vida ou à nossa morte. Sorri porque nele se adivinham marcadas as acções que vão ser praticadas. Porque a nossa vitalidade é afinal a direcção do que vem. Porque se ganha confiança na perpetuidade dos nossos actos. Subsiste a alma? O apodrecimento e desintegração é a última étape? Que interessa isso se ganhámos uma nova eternidade!
Enquanto a humanidade for humanidade, as acções que hoje praticamos estarão sempre presentes, resistindo ao tempo e ao esquecimento a que nos votarão os nossos netos. Já os nossos corpos terão perdido a forma humana, já as suas partículas viverão separadas e dispersas e ainda nas sociedades futuras os efeitos dos efeitos das nossas acções evocarão a nossa passada existência. Com esta concepção, sentimo-nos (hoje) obreiros anónimos do futuro. Ao problema da morte, do não ser, responde satisfatoriamente a certeza consoladora deste prolongamento da nossa existência. Se se pudesse falar em eternidade, esta seria a única eternidade da nossa vida, como seres pensantes e voluntariosos.
Por isso, quanto mais sorridente é a visão do mundo que fica, quanto mais funda é a consciência de que tudo se fez para deixar aos filhos valiosa herança, menos dura e menos brutal aparece a visão da morte. Não se trata só de olhar para trás e perguntar com angústia: «Que fiz? Que fiz?» Trata-se de olhar em frente e perguntar com confiança e serenidade: «Que poderei ainda fazer?» Não é só um exame de consciência que urge fazer: é também um apelo à consciência!
Com tal procedimento não se visa conquistar a absolvição dum juiz que após a nossa morte nos venha a ter em frente sentados no banco dos réus. Além da história, ninguém nos pedirá contas. Nem a nós, nem aos nossos espectros. Somos nós que nos devemos interrogar e julgar. Isso nos exige a vontade de viver e de perpetuar a nossa existência. Isso nos exige a gratidão. Isso nos exige a lembrança dos irmãos que morreram ao pretender desenraizar endurecidos troncos. Pode não conhecer-se o triunfo. Mas pode soçobrar-se sem que no fim fiquem só trevas. Talvez assim nos venha acalentar a necessidade dum sacrifício heróico. E então, porque não falar em felicidade?
Num mundo em que não há risos sem lágrimas, a felicidade nunca pode ser uma situação com caracteres próprios e momentâneos. A felicidade não pode existir, não existe, como situação particular: nem quando depende de factos estranhos à própria vontade; nem como ideia abstracta. A felicidade só pode existir como um atributo de toda uma vida. Só a satisfação pela vida que se vive poderá tornar feliz. Há então que não subordinar as acções ao alcance dum prazer. Mas antes amoldar a ideia de felicidade à vida que se vive.
Quando não nos sentimos meros joguetes da evolução mas, pelo contrário, sentimos que, mesmo ao de leve, as nossas energias modificam o seu ritmo. Quando sabemos ser leais, rectos e solidários. Quando amamos profunda e extensamente e nos sentimos capazes de sacrificadas demonstrações do nosso amor. Somos felizes porque não desejamos outra vida, porque sentimos preenchida a própria função humana. A felicidade só existe assim como condição da consciência da própria utilidade. Não dispersar actividades. Proceder com um critério. Ser coerente em todas as atitudes. Agir com uma só linha de conduta. Ter fé na própria vontade, embora aceitando as suas determinantes. Convicção de impotência e felicidade excluem-se.
Assim far-se-á da própria vida uma vida feliz. Feliz nas horas de ascenso e nas horas de derrota. Feliz na alegria e na tristeza. Porque, na felicidade, prazer e dor interpenetram-se. Até o estertor final pode conduzir à felicidade pela convicção de que se morre bem. Não pode haver felicidade sem dor, porque esta é inseparável da vida. Que se sofra! Mas que as vontades saibam amordaçar o sofrimento para triunfar. E, para isso, é necessário forjar nos peitos o desinteresse pessoal por prazeres efémeros, a rijeza do aço para lutar, o esclarecimento das exigências dos sentidos. Através da dor e da angústia, corações ao alto!
Se a felicidade é dada pela satisfação da linha de conduta, pela satisfação de que se procede bem, nada, nada, nem os gritos da própria carne esfacelada, nem lágrimas de emoção, nem a revolta instante e desesperada, podem destruí-la. Porque, acima dos próprios gritos, das próprias lágrimas, do próprio desespero, fica sempre a certeza duma vida voluntariosa e independente ou — se se preferir a expressão — recta, leal, digna.
Então suporta-se a dor e ama-se a vida. Podem as leis da Natureza esfrangalhar o corpo. Podem os órgãos começar cansando. E as pernas vergando de fadiga. Amortecendo-se a percepção. O corpo começar em vida o seu desagregamento. Poderá bailar ante os olhos a perspectiva da morte e o fim especar-se num amanhã irremissível.
E haverá sempre vontade de continuar procedendo sempre e sempre duma forma escolhida, marchando sempre para um destino humano e uma missão terrena voluntariosamente traçados. Haverá sempre anseio de continuidade e aperfeiçoamento.
Atravessar-se-ão tragédias com lágrimas nos olhos, um sorriso nos lábios e uma fé nos peitos.
Álvaro Cunhal

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O JORNALISMO - FOCA

Em O Progresso de Paredes de 15 de fevereiro alguém quis ter graça. Ou melhor, quis ser afirmativo e acutilante. E porque julga que a Junta de Freguesia de Parada de Todeia é alvo a abater, não encontrou melhor pretexto que o fundo do palco do salão da Junta de Freguesia. Nuno Silva, um jovem de Parada de Todeia, apresentou aí o 2.º livro de poesia. Entre amigos, com o apoio dos autarcas da sua freguesia. E O Progresso de Paredes achou que era altura indicada de “denunciar” o cenário da “festa natalícia” de 2012, presente no palco do salão.
As focas são mamíferos de águas boreais que por vezes emigram para águas mais temperadas. O jornalismo- foca em Paredes desceu da tradicional frigidez do politicamente correcto, e que balança entre o apoio ao PSD e o apoio ao PSD que se disfarça de PS, silenciando todos os outros, para encontrar em águas mais quentes a superficialidade do pecado de um “feliz Natal” impresso. Compreende-se a intenção, embora falhe o alvo. O que temos é um penoso e infeliz janeiro de 2013, a que se segue fevereiro e virá março e sucessivamente. Por culpa do partido dos amigos do PSD e também do PS, aqui constituído por PSD’s disfarçados.
Gela a alma tanta frivolidade do jornalismo-foca. Depois do cheiro do frango de churrasco, temos como importante a mensagem natalícia, perigosa, subversiva, indecorosa. Parada de Todeia ri-se de tão brilhante pensamento estratégico.

CR

A PAUPERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES PORTUGUESES

No 4º trimestre de 2012 o Índice do Custo de Trabalho (ICT) diminuiu 14,9% e os custos salariais diminuiram 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior , revelou o INE em 15/Fev/2013. No trimestre anterior, a variação homóloga do ICT fora de -14,2%. Confirma-se assim, a nível estatístico, a degradação das condições dos trabalhadores portugueses que continuam empregados. A troika rejubila com isso. A sua política de desvalorização interna está a provocar os efeitos que ela desejava. Com esta troika e sob a ditadura do euro o país está num processo, perverso e cumulativo, de ruína. (em resistir.info)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A CAÇA AO VOTO

Anda o presidente da Câmara Municipal de Paredes em presidência aberta por terras da Sobreira. Depois de Recarei, a Sobreira (com menos dias, que trabalhar cansa). E porque de coisas importantes trata Celso Ferreira, lá volta a distribuição do pão: cerimónia de assinatura dos protocolos para a cedência das escolas devolutas a entidades locais. SÁBADO ás 10H30. Tudo reservado para o ano de 2013. Mas o presidente da Câmara de Penafiel não faz por menos. Por mensagem SMS o aparelho camarário convida gente que é parceiro estratégico da Câmara, num programa de desenvolvimento rural, para a despedida do Sr. Alberto Santos e apresentação de Antonino Sousa. De facto os poderes locais usam com a maior desfaçatez a linguagem da arrogância e da sem-vergonhice. CR

economia real em Portugal

Mega Mural JCP


DIA DE LUTA, RESISTÊNCIA E LUTO DA FAMILIA FERROVIÁRIA (14-2-2013)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A fixação rectal do ex-secretário de estado da cultura



Diz-se que o ex-secretário de estado da cultura vai mandar "tomar no cu" (uma expressão brasileira que se assemelha ao bem mais português "levar no cú") "algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira" que tente controlar o seu zelo na solicitação de facturas de despesas realizadas. Num bordel, por exemplo.
Reparo que o ex-secretário de estado da cultura tem uma fixação rectal (e nem sequer me refiro ao tal bordel). Assim de repente, sem grande esforço de memória, recordo-me de uma observação sua a propósito de um Benfica-Porto e que concluía com um bem sonoro "na peida". Ora, peida é - tal como cú - calão para ânus, ou região das nádegas.
O cavalheiro tem um grande nível, está visto. Como é como quem diz, está ao nível herbáceo do partido pelo qual se candidatou ao lugar de deputado e ao governo a que pertenceu depois de eleito para a Assembleia da República. Em todo o caso a fixação rectal encontra paralelismo na acção governativa em que participou e à qual vergou a opinião - a propósito de Foz Tua, por exemplo - que agora volta a manifestar sem a contenção e a "postura de estado" de há uns meses atrás. O que o XIX Governo Constitucional tem feito (na cultura, por exemplo), aliás na sequência de outros anteriores, enquadra-se perfeitamente na secção rectal, define-se em português corrente com a palavra evacuar e em calão brejeiro através da expressão "fazer merda".
Isto anda tudo à volta do mesmo. E se fede...
(em o-companheirovasco.blogspot.pt)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

belmiro

Numa grande superfície comercial de Paredes, o Modelo, estão á venda em local privilegiado cestas de vime e outros materiais fabricados no Vietname, malas de viagem fabricadas na China e cadeiras de criança para automóvel fabricadas no Egipto. Pergunto-me se com esta importação generalizada Belmiro de Azevedo e suas pares dão uma contribuição positiva para a indústria nacional ou se pelo contrário na ânsia do lucro fácil eles se desligaram definitivamente desses interesses nacionais. A pergunta é fácil. Que raio de liberalismo económico é este que não salvaguarda a Nação, e se permite responder somente aos apelos comerciais vindos do estrangeiro? CR

Mumford & Sons - Dust Bowl Dance


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Beatriz Talegón, em Cascais, há poucos dias




“Me sorprende mucho cómo pretendemos remover la revolución desde un hotel de cinco estrellas en Cascais, llegando en coches de lujo. Me pregunto de verdad si nosotros podemos darle a los ciudadanos una respuesta cuando vosotros, líderes políticos, les decís que los entendéis, que sufrís porque somos socialistas. ¿De verdad sentimos ese dolor aquí dentro?, ¿de verdad podemos entender lo que estamos pidiendo al mundo desde un hotel de cinco estrellas?”
“Desgraciadamente, no hemos sido los socialistas del mundo los que hemos animado a la gente a salir a la calle ni a movilizarse, y lo que debería dolernos es que ellos están pidiendo democracia, están pidiendo libertad, están pidiendo fraternidad, están pidiendo una educación pública, una sanidad pública y nosotros no estamos ahí”.
“Vosotros, líderes, mal llamados líderes porque sois los responsables de lo que está pasando”.
“Luego os llenaréis la boca en vuestros discursos hablando del desempleo juvenil, de que os preocupan mucho los jóvenes: no os preocupamos en absoluto porque nos tenéis aquí y ni siquiera venís a preguntarnos cuál es nuestro punto de vista”.
“Tenemos mucho que decir porque a la gente le interesa saber qué piensan los jóvenes, porque somos nosotros los que estamos pagando las consecuencias de vuestra acción o de vuestra falta de acción”

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Van Der Graaf Generator - Undercover Man



Ao vivo em Charleroi (Bélgica), do álbum Godbluth (1975). Uma maravilha musical do grupo de Peter Hammill

CURRÍCULO "EXEMPLAR"

Afinal o Franquelim Alves, o governante de Passos Coelho que foi administrador do BPN, não foi adviser ou consultor júnior ou partner aos 16 anos como dizia que tinha sido na Ernst & Young. Foi paquete numa empresa (Barton Mayhew& Cia) nos tempos livres da frequência de Economia no ISE e da militância activa no MRPP. Estávamos em 1970. A Ernst & Young só se formou 19 anos após. Franquelim chegou a membro do Comité Central do MRPP e director da sua editora “Vento de Leste”. Foi igualmente Presidente da Sociedade Instaladora dos Mercados Abastecedores, nomeado pelo ex-maoista Durão Barroso, o que também não consta do currículo oficial.

Percebe-se agora bem o branqueamento do currículo dele por muita gente, compagnon de route, da direita ou da esquerda folclórica dos anos de 70.
CR

HUMOR

 
JANTAR DE CURSO DO RELVAS

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Yes - Heart Of The Sunrise



álbum Fragile (1971)

PAGODES POR CASTELOS

 Foram os dois eurodeputados comunistas João Ferreira e Inês Zuber que deram pela grosseria. A bandeira de Portugal, símbolo da pátria, hasteada na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, tinha pagodes em vez de castelos. O termo pagode assume hoje vários sentidos, sendo um deles o que designa um tipo de torre usual em templos budistas, constituindo aliás simbolismo comum e muito característico em países orientais. Foram estas chinesices, e não as castelares torres ameadas, que foram usadas na nossa republicana bandeira, o que para um patriota como eu, seria absolutamente imperdoável. Mas nem tanto. Dado o meu especial gosto e sensibilidade no que toca à doce e simbólica ironia das coisas, como dedicado e esforçado apreciador de metáforas que sou, não deixo de olhar este episódio com alguma satisfação e de sorriso nos lábios, como não deixei de apreciar e de sorrir ante aqueloutro episódio de Cavaco e da bandeira hasteada às avessas. Ora, acontece pois que o termo pagode significa também folgança, pândega, bambochata, que é como quem diz, brincadeira ruidosa, estroinice, coisa burlesca. E nestes últimos tempos, que melhor simbolismo e definição caberia a este país, a este verdadeiro pagode, que a festa das promoções, nomeações e interesses que pululam diariamente diante dos nossos espantados e incrédulos olhos. Recordemos.
 
Primeiro acto do pagode: o “Frasquilho-Deputado” fez e propôs uma lei que diz respeito ao “Frasquilho-Administrador-do-BES”. Depois, para evitar dúvidas e porque isto é tudo muito democrático, vem o “Frasquilho-Parlamentar-da-Comissão” para fiscalizar a lei que o “Frasquilho-Deputado” fez e que diz respeito ao “Frasquilho-Administrador-do-BES”.
 
Segundo acto do pagode: Alexandre Brito “da comissão de recrutamento” avaliou o currículo de Alexandre Brito “candidato a director-geral de Veterinária” e, pasme-se, foi nomeado para esse cargo o “candidato” Alexandre Brito. Como se não bastasse, escassos dois dias depois, nesta recente mini-remodelação, Alexandre Brito foi nomeado Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar. Quando Alexandre Brito deixar de ser governante, vai ter que se entender com o Alexandre Brito “director-geral de Veterinária”, que, tendo sido nomeado de forma efectiva, se vai manter no cargo até essa mesma data.
Terceiro acto do pagode: o desastrado Álvaro Santos Pereira, que se apressara a sair em defesa de Franquelim Alves beatificando-o como santo mártir da causa da denúncia do BPN, acabou sem palavras ante as contradições. Afinal, o suposto denunciador não denunciou coisa nenhuma. Já quem acabou por se auto-denunciar foi Miguel Relvas, esse peão político de outros escândalos e outros pagodes, que reagiu com tanta fúria a esta por si designada “cabala política”, que pôs a nu a sua especial queda para gente com currículos no mínimo estranhos.
 
Por tudo isto, bem se vê, que o episódio da troca de castelos por pagodes foi simbolicamente muito feliz. A realidade da governação deste país dispensa o símbolo da firmeza, da força, da resistência e, porque não dizê-lo, da nobreza de carácter que são os castelos, para acolher com todo o estrondo o pagodismo dos pagodistas que, no meio de tanto pagode, acabam sempre por ser reeleitos. Até um dia.
(Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com)
 

18

Serão 18 os novos casos e recidivas de tuberculose diagnosticados no mês de Janeiro de 2013 na área de influência de Paredes, Penafiel e Castelo de Paiva. São 18, são mesmo 18. Janeiro de 2013. A quem possa interessar deixo esta informação.

No ano de 2012 foram 72 os casos de tuberculose (novos e recidivas) na mesma área geográfica: 44 em Penafiel, 23 em Paredes e 5 em Castelo de Paiva. EM TODO O ANO DE 2012.

pensamento

Após mais de 38 anos sobre o 25 de Abril, duas coisas estão mais que provadas e comprovadas:

1ª - Os Comunistas não comem criancinhas ao pequeno almoço;


2ª - Mas estes governantes da Direita clássica e da "Esquerda" que imita a direita comem o pequeno almoço às criancinhas!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

a cuspidela da serpente

 Hoje a autoria da desfaçatez pública também é portuguesa. A liderança do PSD de Penafiel.

Confrontada com a denúncia do encerramento do SASU de Penafiel e sua transferência para o concelho e cidade vizinha de Paredes, protagonizada essa denúncia pela CDU de Penafiel, a que se associou posteriormente o PS de Penafiel, o PSD de Penafiel através de um comunicado emitido pela Câmara Municipal reagiu de forma deplorável e politicamente inábil.

Para isso socorreu-se do estafado argumento do “aproveitamento político em torno de questões tão sensíveis como a saúde dos Penafidelenses” (!). Quer dizer, a direita penafidelense não gosta que em público lhe apontem os erros, que alguém denuncie as politicas de saúde tão nefastas do seu “querido” governo, e por isso qual ladrão apanhado a infringir, grita  Agarrem que é ladrão!. Preferia, ao que consta do comunicado camarário, que tudo se passasse no interior dos gabinetes camarários, em mornas discussões entre denunciantes e apoiantes do governo, sem o impacto da expressão pública da indignação. E para se perceber do grau zero da competência e responsabilidades autárquicas, sublinhe-se a parte do comunicado onde se diz que “a Autarquia já iniciou diligências para apurar junto da ARS Norte se os Penafidelenses ficam ou não prejudicados com tal decisão”.  

Com tais “diligências” já só faltam os burros ou os cavalos. Que não são certamente os utentes que se perguntarão porque haverá dúvidas em Alberto Santos, Antonino de Sousa e outros sobre os prejuízos de tal decisão.

CR

poema

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


NEY MATOGROSSO - Homem Com H


A Fraude | Capítulo 2 - Anatomia de um Golpe


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

texto

Às claras

por Sérgio Lavos (em arrastão.org)
Ora bem, então é assim: em Outubro passado, Alexandre Nuno Vieira e Brito era membro da Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública. Nesse mesmo mês de Outubro, essa comissão abriu um concurso para o cargo de director-geral de Veterinária. Quem foi o nomeado pelo Governo para director-geral de Veterinária? Se pensou em Alexandre Nuno Vieira e Brito, acertou, caro leitor. A nomeação definitiva aconteceu no dia 30 de Janeiro, depois de Alexandre Nuno Veira e Brito (gosto da pomposidade que emana dos nomes compridos da gente fina do CDS-PP) ter ocupado esse lugar provisoriamente desde o passado mês de Novembro. No dia 31 de Janeiro - sim, um dia depois de ser nomeado director-geral de Veterinária - Alexandre Nuno Vieira e Brito foi indicado pelo CDS-PP como novel secretário de Estado, por sinal numa pasta criada por Assunção Cristas, a supinamente baptizada "Secretaria de Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar", seja lá o que isso for. De acordo com as regras da administração pública, quando sair do Governo o sr. Alexandre Nuno Vieira e Brito terá o seu lugar garantido como director-geral de Veterinária. O lugar, recordemos, para o qual foi nomeado dois dias antes de ser apontado como secretário de Estado. Depois de uma decisão da Comissão de Recrutamento a que ele pertencia em Outubro passado. Tudo claro, certo e limpinho? Claríssimo, não sei como poderá haver dúvidas neste processo. Aliás, reforça-se a ideia: este Governo está em roda livre, sente-se legitimado para fazer às claras o que até há pouco era feito nas sombras. Estamos todos de parabéns.

poema

TERNURA DE CALAFRIO
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
(homenagem á memória de João Eduardo Gonçalves Pinto Correia 1923-2013) 

A Fraude - 1º Capitulo - Linha da Frente


a fraude

Começou a emitir o primeiro de 4 episódios na SIC

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

poema

Seres e prazeres

 A você que acha que estudar é aborrecimento
 Prazer eu sou o Conhecimento

A você que se acomoda com alegria
Prazer eu sou a Ousadia

A você que acredita em qualquer conto
 Prazer eu sou o Contra-Ponto

A você que é consumista
 Prazer eu sou o Ideal Classista

 A você que obedece com covardia
 Prazer eu sou a Rebeldia

 A você que não acredita na mudança
 Prazer eu sou a Esperança

Mas a você que acha que tudo tá “bão”
Muito prazer eu sou a Revolução

 Patrick Osorio de Melo dos Santos (Brasil)
 (em coletivorosadopovo@blogspot.pt)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

humor

a imagem da NOVA GENTE. O combóio dos parolos por terras de Maceió em plena Passagem de Ano. O Seara traciona o combóio luso, onde se distinguem o pequeno Mendes e a televisiva Dona Judite. A nossa elite politica em pleno e mobilizador Apitó Comboio por terras tropicais. Percebe-se a metáfora, uma liderança populista, com a intriga e a manipulação informativa devidamente acopladas atrás. Uma marcha grotesta, com a anca a dar-a dar. Lisboa talvez mereça melhor.

OS LUCROS DO BPI

 
                                           Desenho de Fernão Campos , em O sitio dos desenhos

O grosso dos lucros do BPI foi obtido com a Dívida Pública. Os contribuintes continuam a pagar com os impostos os cortes nos subsídios (férias e natal ) na saúde e no ensino...o desendividamento da banca. A banca é que viveu acima das suas possibilidades e não os trabalhadores e o povo! O patrão do BPI com a maior das latas ainda diz que o BPI ganhou milhões porque acreditou na dívida pública portuguesa... E sobre esta vergonha os comentadores de serviço nada dizem.
 
O deputado do PCP José Alberto Lourenço fez a seguinte intervenção na Assembleia da República na sessão de 1 de fevereiro de 2013.
 
O BPI apresentou há dois dias os seus resultados de 2012. Teve 249 milhões de euros de lucros líquidos depois de em 2011 ter apresentado prejuízos de 285 milhões. Afinal o que aconteceu de extraordinário em 2012, já que o crédito concedido em geral pelo BPI caíu 3,8% e o crédito às empresas caíu 10,3%?
O que aconteceu foi que o BPI teve em 2012 401 milhões de euros de ganhos em operações financeiras mais 95% do que em 2011 e destes 292 milhões de euros foram lucros com a venda de títulos da dívida pública na sua esmagadora maioria portuguesa.
Ao que chegámos, temos agora uma Banca que depois de salva e recapitalizada pelo Estado retira lucros fabulosos utilizando os títulos do Estado como garantia dos empréstimos que obtém a taxas baixíssimas do BCE e especulando com os mesmos títulos no mercado primário e secundário. Afinal com ou sem regresso aos mercados, a nossa Banca não parou de ganhar milhões e milhões de euros no último ano com a especulação em torno da nossa Dívida Pública. E desta forma ao mesmo tempo que os lucros da Banca crescem, a Dívida Pública Portuguesa de ano para ano não para de crescer e já passou os 120% do PIB.
Portugal não precisa de um sistema financeiro, nem pode estar a recapitalizar o sistema financeiro, para este sistema de seguida fazer da especulação em torno da dívida pública a sua principal actividade e foi isso que aconteceu com o BPI em 2012. Foi recapitalizado pelo Estado Português em 1500 milhões de euros e em vez de utilizar essa recapitalização para financiar a economia, aumentando o financiamento às empresas e às famílias, o que fez foi apostar em operações financeiras, fundamentalmente compra e venda de Dívida Pública Portuguesa.
Portugal precisa de um sistema financeiro para financiar a economia e em especial as micro pequenas e médias empresas e isso é o que acontece cada vez menos.
Depois dos resultados do BPI, na próxima semana teremos os resultados do BES e do BCP que irão confirmar certamente esta recente vocação da Banca Nacional, a obtenção de lucros fáceis em torno da nossa dívida pública, ao mesmo tempo que prossegue o estrangulamento financeiro da nossa actividade produtiva.

AR, 01 de Fevereiro de 2013
José Alberto Lourenço