um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

humor

Vamos apoiar a candidatura de Fernando Ulrich ao cargo de sem-abrigo boicotando as contas do BPI Na sequência da declaração proferida por Fernando Ulrich director do Banco BPI na qual diz "Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?" Vimos, assim por este meio manifestar o nosso apoio incondicional á sua candidatura ao cargo de sem abrigo .

EM GENUFLEXÃO

O Presidente da Câmara de Paredes Celso Ferreira iniciou uma denominada  ”Presidência aberta” em Recarei. Durante uma semana instala-se com armas e bagagens na sede da Junta de Freguesia e aí despacha para todo o concelho. A corte municipal visita o rei em terras recaredenses. Numa semana, ele visita, reúne, acompanha, sensibiliza tudo o que mexe em Recarei. E culmina a semana com a presença institucional na festa da freguesia.

É uma semana em cheio, tudo acompanhado com uma benemérita  distribuição de cheques a organizações, associações, paróquia e outras forças vivas. Rejubilam autarcas, e candidatos a autarcas do partido do poder. Enfim, do PSD não só desemprego, impostos e miséria.
Uma semana parece muito tempo mas não é. Celso tem de visitar as inúmeras realizações da cidade inteligente, a sede da PlanIt Valley, as instalações fabris das empresas, a biblioteca, o metropolitano, a universidade, o complexo habitacional, o sistema integrado de tratamento de resíduos e de fornecimento de energia. Celso tem de visitar o campo sintético do Nun´Alvares. Celso não pode parar.

Quando o rei se aproxima assim dos súbditos, só resta ao povinho a genuflexão. Isto crêem os amigos do homem do avental. Mas só faz Presidência Aberta quem tem a Presidência fechada.
CR

noticias da guerra social

Em 2012 já 72% dos portugueses chegavam ao final do mês com o orçamento familiar a zero  e sem conseguir pagar as contas todas. Na Grécia são 89%, na Irlanda são 59%, na Europa Nórdica são 10%.

Xutos & Pontapes - Homem do Leme


Quem tem medo do Comunismo?



Eles (José Jorge Letria e Fernando Tordo) cantavam isto em 1974-1975. Depois "evoluiram"...Mas, de facto, quem tem medo do comunismo?

CR

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

a perda das funções sociais do Estado

nos jornais, apareceu uma singular explicação "oficial" para o encerramento do SASU de Penafiel e a sua transferência para Paredes: necessidade de "mudar para instalações mais dignas e com mais espaço" e "melhor gestão dos recursos humanos".
nunca foi falado em qualquer falta de dignidade ou exiguidade das instalações. Aliás as novas instalações previstas são verdadeiramente piores como se comprovará.
a "melhor gestão" traduz-se na aplicação de critérios economicistas, de que está excluido o melhor serviço ás populações: menos profissionais ao serviço de um maior universo de utentes, menor e pior acessibilidade das populações
um argumento que sublinha a extensão do horário de funcionamento do SASU comparativamente á situação anterior omite que há dois anos ambas as localidades possuiam um horario de funcionamento ainda superior á proposta de agora (mais uma hora) e os mesmos critérios economicistas, do PS de então, reduziram de 12 horas para 7 horas em cada unidade. O PS matou, o PSD /CDS esfolou.

CR

a cuspidela da serpente

 
Hoje o autor da grande desfaçatez pública é português. Chama-se Carlos Peixoto, advogado e deputado do PPD pelo distrito da Guarda.
Em tempos, em entrevista, afirmou que a existir uma lei que permitisse o casamento entre pessoas do mesmo sexo, “isso abre a porta a casamentos entre pais e filhos, entre primos direitos e irmãos.” Afirmações devido a excitação sexual, ou simples terrorismo moral? Nunca o saberemos.
Agora no jornal i, o mesmo teoriza sobre o envelhecimento etário da população portuguesa. E proclama: “A nossa pátria foi já contaminada com a já conhecida peste grisalha “. Esta “elegante” expressão pede meças á “relação” estabelecida por Peixoto entre casamento homossexual e incesto.
A “peste grisalha” de Peixoto, um “Portugal de cabelos brancos”, resulta de falta de politicas de natividade (aqui o homem acerta), do aumento de pensões e dos salários dos funcionários públicos (!) e da manutenção dos direitos adquiridos e dos privilégios instalados (!!). A culpa é de uma “vetusta Constituição” que já não consegue desempenhar as “missões” fundamentais do Estado. “O dinheiro não é elástico e não aparece de todo o lado”, avisa solene o deputado de Gouveia. Esquece-se de dizer que ele flui permanentemente para certas carteiras, que não são certamente de pensionistas, reformados e doentes.
As políticas de natalidade que não partam de um crescimento económico, de um emprego com direitos e remuneração justa, do financiamento da Segurança Social, de um Portugal dos portugueses e para os portugueses não passam de uma miragem.
O País não caminha para uma qualquer eutanásia preanunciada. Ele resiste, sim, a uma morte por homicídio.

  CR

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ALERTA!

A jagunçada saiu hoje da toca. Em pleno dia, retirou de espaço público fronteiro á unidade de saúde de Penafiel um pano colocado há menos de 48 horas. E que dizia o pano? NÃO AO ENCERRAMENTO DO SASU DE PENAFIEL . Assinado: PCP (com símbolo da foice e martelo).
 
Tal atrevimento revela quão incomodados ficaram os responsáveis pela denúncia de tão arbitrária decisão de gestão. E evidencia o carácter de quem ousa limitar liberdades públicas para se perpetuar no poder.
 
Mas a jagunçada do PSD /CDS teve a resposta devida. Cinco horas após tão infame comportamento, um outro pano foi colocado, um pouco mais alto, acompanhado pela distribuição de um comunicado dos comunistas de Penafiel aos cidadãos do concelho. Pode faltar tudo: bens materiais, disponibilidades financeiras, divulgação a eito. Mas nunca faltará a razão e a coragem.
 
 A jagunçada não passará!
UNAMO-NOS CONTRA A ARBITRARIEDADE DOS QUE USURPARAM O PODER E ESTÃO AO SERVIÇO DA TROIKA ESTRANGEIRA.

domingo, 27 de janeiro de 2013

humor

Stan Getz - Samba De Uma Nota


A APRENDIZAGEM DO CATECISMO

 Andam as vestais do reino muito indignadas com os epítetos atribuídos aos governantes em sucessivas manifestações.

 Mário Nogueira, o secretário-geral da FENPROF, disse no sábado: “Este Governo está a mais e a dar cabo deste País” . E assinalou justamente como vigaristas, aldabrões, trafulhas e canalhas os responsáveis pelas políticas governamentais. Em tom crítico, referiu o comportamento da polícia de trânsito na gestão de acidente na A1, impossibilitando o trânsito de autocarros com manifestantes.
Arménio Carlos, o secretário-geral da CGTP, no mesmo sábado e na mesma manifestação, disse:” Daqui a pouco vêm aí os três reis magos, um do BCE, outro da Comissão Europeia e o mais escurinho, o do FMI e já se fala de mais medidas de austeridade”.

 Por se chamar os bois pelos nomes, irrompeu então o puritanismo linguístico, a liturgia do politicamente correcto. O poder não se questiona, muito menos se caracteriza o comportamento, pensam alguns. Luís Delgado, o comentador da SIC, espumava com o “radicalismo” de dirigentes sindicais e encontrava na proposta de colocar luto nas escolas uma pretensa violência psicológica para cérebros juvenis. A escola de fevereiro de 2013 era um santuário educativo em risco de profanação.
Perante o dito, convém apreender o catecismo dominante: quem rouba não é ladrão, quem mente não é aldrabão, quem ameaça não é canalha. É tudo gente com pequenos pecadilhos, como prometer uma coisa e fazer outra, como defender a riqueza para si, e espalhar a miséria nos outros. Mas enquanto esta aprendizagem não se dá, permitam-me que reduza alguns, banqueiros, governantes, comentadores, “reis magos” e outros que tais, a uma sigla: fdp…

CR

 

Godspeed You! Black Emperor - Rockets Fall On Rocket Falls- Part 2


sábado, 26 de janeiro de 2013

TEXTO

                                                          Portugal 2013

Por Miguel Urbano Rodrigues

Está em curso uma das mais ambiciosas operações de propaganda que o actual governo já levou a cabo. Quanto mais desastrosa é a situação do país, mais esta gente vem acenar com uma recuperação que ninguém vê. António Borges tem a desfaçatez de falar em "fim da austeridade". Essa "austeridade", que é o nome propagandístico da implacável política de saque que o governo leva a cabo, só terá fim quando esta política e as troikas que a apoiam forem efectivamente derrotadas.
Portugal oferece nestas semanas a estrangeiros recém-desembarcados a imagem de um país onde o absurdo e o irracional marcam o quotidiano, empurrando o povo para uma catástrofe social sem precedentes.

Os jornais e a televisão tornam públicas diariamente notícias que comprovam o agravamento de uma crise medonha. O desemprego aumenta a cada dia, atingindo já mais de um milhão de trabalhadores; as falências de empresas sucedem-se em cadeia; escolas, centros de saúde, serviços hospitalares, farmácias, restaurantes fecham as portas; centenas de famílias são desalojadas das casas onde residiam por não pagarem à banca as prestações do contrato; o custo das propinas força milhares de estudantes a abandonarem as universidades; a produção industrial e a agrícola diminuem; a fome alastra nas cidades e aldeias do País; mais de 40 mil portugueses emigraram no ano passado.


O Banco de Portugal informa que a quebra do PIB no ano corrente será quase o dobro da prevista no Orçamento do Estado; as receitas fiscais diminuem apesar do aumento dos impostos; as exportações também caem.

O panorama é assustador. Mas o chefe do Governo, o seu ministro das Finanças e demais membros do gabinete, proclamam monotonamente que a estratégia da coligação bicéfala é um êxito absoluto. E anunciam, eufóricos, que 2014 será um ano magnífico.
A agressão semântica complementa a social e económica. A política de saque imposta em nome da troika é qualificada de "austeridade". A desvergonha é tamanha que os governantes, ignorando gigantescos protestos populares e greves em série, elogiam os trabalhadores pelo estoicismo com que suportam os "sacrifícios", isto é, o roubo.

Enquanto se espera que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre a inconstitucionalidade de medidas constantes do Orçamento de Estado, o país tomou conhecimento de um relatório do FMI – encomendado pelo governo – que considera insuficiente a "austeridade" em curso e sugere como indispensável um pacote que destruiria o que resta do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social e golpearia mortalmente a Educação. Propõe nomeadamente o despedimento de 150 mil trabalhadores da Função Publica e de uns 50 mil professores.
Reagindo ao coro de indignação nacional, o primeiro-ministro derramou elogios sobre esse documento, anunciador de uma intensificação da ofensiva contra o povo.

O PSD promoveu uma conferência "aberta à sociedade civil" para debater a "Reforma do Estado". Mas, a comunicação social não foi autorizada a acompanhar os debates.
Passos, Portas e ministros dirigem-se ao mundo e aos portugueses como personagens de Jarry e Ionesco em palco de teatro de absurdo.

O governo tudo leva à prática à revelia dos cidadãos e desconhecendo a existência de uma oposição. Mas o vice-presidente do PSD, Sr. Jorge Moreira da Silva, compareceu na SIC Noticias para afirmar que, devoto da democracia, o Executivo tem elevado o nível da participação popular e nada decide sem consulta ao povo.


A Comunicação Social, controlada hegemonicamente pelo grande capital, demonstra incapacidade para cumprir a sua função. Nos serviços noticiosos, políticos do sistema, membros do governo e medidas por ele impostas são alvo de críticas, por vezes severas. Mas as direções dos media permanecem vigilantes. Uma contradição antagónica favorece o objetivo prioritário: anestesiar a consciência social, impedir a ruptura dos mecanismos da alienação.

Os formadores de opinião, em programas de grande audiência, atacam o acessório, insurgem-se contra medidas, sugerem mudanças, defendem uma remodelação do governo, criticam, ocasionalmente com dureza, Passos, Portas e outros. Mas convergem em coro afinado na conclusão de que a "austeridade" é necessária, que o memorando com a troika, assinado por Sócrates e aprovado com entusiasmo por Passos & Portas, deve ser respeitado. Coincidem na opinião de que, afinal, a origem do mal está no estado Moloch, o monstro que deve ser desmontado, reconstruído. A linguagem dos comentadores não é a de Passos nem a do seu guru Gaspar. Eles criticam o governo com hipocrisia mas reconhecem, dolorosamente, que cortar milhares de milhões de euros nos gastos sociais é uma exigência indeclinável da História, uma necessidade imposta pela lógica da sobrevivência. Pouco falta para aderirem à tese de Passos sobre a "Refundação do Estado".

Entre outros formadores de opinião que criticam o acessório mas são solidários com o governo no fundamental, cito Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira. Pacheco Pereira, o mais inteligente, é talvez o único comentador que, na hoste dos politólogos da burguesia, demonstra lucidez na crítica à escória humana que desgoverna Portugal.
Neste contexto com matizes de surrealismo, o discurso do primeiro-ministro e o do seu guru Gaspar vão merecer, no futuro, assim o espero, estudo acurado de psicólogos e psiquiatras.

Ambos, muito diferentes, merecem o qualificativo de avis rara.

Passos é uma inflorescência. Pouco dotado intelectualmente, ignorante, mas desconhecedor da sua incompatibilidade com a cultura, tenaz, mesmo firme na defesa do absurdo – acredita, admito, nos benefícios do seu projeto de destruição do país. As suas falas, arrogantes, sincopadas, são cada vez mais um amontoado de palavras sem nexo. Com frequência dá o dito por não dito. Recentemente aconselhou os jovens a emigrarem. Na semana passada, em Paris, desmentiu-se, afirmando que nunca sugeriu tal coisa.

O melífluo Gaspar, aritmeticamente sabedor, mas irracional na aplicação das leis da economia, é um discípulo atento do austríaco Friedrich Hayek e do americano Milton Friedman . Politicamente pouco inteligente, as suas arengas em defesa de decisões catastróficas, a sua teimosa insistência em mascarar de rotundos êxitos fracassos transparentes, a sua habilidade em exercer o comando do governo nos bastidores trazem-me à memória personagens desamadas do teatro de Molière e Shakespeare e do nosso Gil Vicente.

É compreensível que poucos estrangeiros consigam entender o Portugal do ano 2013.

Um dia, sem data previsível no calendário, a farsa dramática em palco findará, antes que, espero, desemboque em tragédia.
Será o povo nas ruas, na fidelidade a grandes rupturas da nossa história, serão as massas trabalhadoras a alavanca do fim do pesadelo.

Vila Nova de Gaia, 24/Janeiro/2013

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2751

 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

a cuspidela da serpente

Sob o título de “A cuspidela da serpente” publicarei alguma da maior desfaçatez pública e seus autores. O primeiro é japonês.  



 Estas são as ideias do novo ministro Taro Aso, do governo recentemente empossado no Japão, oriundo da direita mais reaccionária e cavernícola.

A notícia nem tem por onde ser comentada! O energúmeno pertence a uma longa linhagem de imperiais canalhas que, e só para folhear a página da História mais recente, se aliou a Adolf Hitler... com os resultados trágicos que se conhecem.
É uma marca d’água! Sempre que esta estirpe de direita chega ao poder, seja em que lugar do mundo for... acontecem coisas “prodigiosas”.

Igualmente uma marca d’água é o facto de juntarem a hedionda canalhice à cobardia, como se pode ver pelas tentativas de “explicar melhor” aquilo que disse.
No caso – improvável – de o fascista japonês não saber como se faz esse "controlo da despesa", leia uns jornais portugueses. Informe-se. Enquanto não tiver coragem para fazer nada mais “radical”... baixe as pensões aos idosos para níveis de fome. Retire-lhes os transportes pagos para ir a consultas e tratamentos. Feche os centros de saúde que lhe fiquem próximos (uma viagem muito longa para um velho em estado crítico e em choque, pode ser decisiva). Limite o acesso às consultas e medicamentos. Desertifique as suas aldeias. Ponha os olhos em nós!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

 

texto

SONHO DE OBAMA, PESADELO DE MARTIN LUTHER KING
 
Por coincidência, a segunda (e última) inauguração do Presidente Barack Obama coincidiu com o feriado nacional que anualmente homenageia Martin Luther King. O recém-empossado presidente, sob uma parada de drones nos céus de Washington, procurou estabelecer paralelos entre si, o primeiro negro nesse cargo, e Martin Luther King. Pousou até para uma sessão de fotografias junto ao busto do líder do movimento dos direitos civis. Mas que direito tem Obama de se apropriar do legado de Martin Luther King? E se Martin Luther King fosse hoje vivo (teria 84 anos), estaria sentado na assistência ou do outro lado das grades, com os manifestantes que protestavam contra a política imperialista de Obama?
Nas décadas que nos separam do seu assassinato, a imagem de Martin Luther King foi alvo de uma campanha sanitária para higienizar e esterilizar as suas ideias políticas. O MLK que a maioria dos estado-unidenses hoje conhece, é um irreconhecível negro bonzinho e daltónico que profetizou a sociedade americana dos nossos dias: uma espécie de Pai Natal negro que só chega em Janeiro. Quando em 1964 um jornalista da BBC perguntou a MLK se algum dia um negro chegaria à presidência, o histórico líder do movimento dos direitos civis respondeu afirmativamente e pressagiou que em 25 anos ou menos essa realidade se poderia concretizar, advertindo porém para a “integração” de negros “nos andares mais altos de uma casa em chamas”. O incendiário Obama é a prova viva da penetração de alguns negros nas estruturas de poder de uma sociedade (ainda) segregada. Uma casa em chamas em que as condições de vida dos negros se deterioram de ano para ano.
O sonho de MLK nunca se concretizou: o desemprego dos negros (15%) continua a ser o dobro dos brancos e mais que duplicou em relação à década de 60; Segundo o Census Bureau, desde a década de 80, os rendimentos das famílias negras caíram 36% ao passo que os das famílias brancas aumentaram 39%, ao ponto de em 2011, os negros serem em média 22 vezes mais pobres que os brancos. Da mesma forma, a taxa de encarceramento dos negros tem subido em flecha desde os anos 60, sendo hoje seis vezes superior à dos brancos, com 7% de todos os homens negros atrás das grades. Martin Luther King dedicou toda a sua vida à defesa dos trabalhadores mais pobres. Organizou greves, defendeu sindicatos e enfrentou a política corpo a corpo. O sonho que nos contou um dia, não era o pacto de austeridade que Obama está a pactuar com os republicanos, com cortes na educação, Medicaid e Medicare. MLK foi um paladino da educação pública e gratuita, um defensor intransigente de um sistema de saúde público e universal. Quando, em 1967 a repórter canadiana Eleanor Fischer lhe perguntou sobre a sua preferência política, MLK manifestou a sua repulsa por ambos os partidos Republicano e Democrata, manifestando a necessidade de um terceiro partido.
 Que não haja dúvidas: para além da cor da pele, Obama não tem nada em comum com Martin Luther King e para a libertação social e política dos negros americanos, o facto do presidente ser negro é tão importante como para os moradores da Cova da Moura que a mulher de Passos Coelho seja negra. Obama é o presidente que mais imigrantes ilegais deportou na história dos EUA, é o presidente dos aviões não tripulados que espalham a morte e a destruição do Paquistão ao Iémen. É o presidente que elabora listas com centenas de indivíduos a abater. É o presidente que autorizou a repressão mais brutal e a espionagem contra o Occupy Wall Street e grupos pacifistas. É o Presidente de Guantánamo que se gaba de ter assassinado Osama Bin Laden.
Martin Luther King era um auto-proclamado revolucionário, que se opôs ao “imperialismo americano” e à guerra do Vietname, afirmando que o “Governo dos EUA” é “a principal fonte de violência no mundo” e que “não tem os recursos morais ou económicos para ser o polícia do mundo”. Se fosse vivo, enfrentaria as guerras de Obama com a mesma coragem política com que enfrentou as de Lyndon Johnson e estaria com os sindicalistas do Michigan e do Wisconsin, como um dia esteve com os de Montgomery e de Memphis.
O aprofundamento da crise do capitalismo, a vitória de Wall Street sobre o capital industrial e a regressão das relações internacionais à orgia de sangue dos tempos medievais são o sonho de Obama e o pesadelo de Martin Luther King. A história dará razão ao último.

Desenho de Miguel G. S.
 (Miguel Tiago, em kontra-korrente.blogspot.pt)

Dave Matthews Band - #41



Álbum Crash, de 1996

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

DESENHO

A FESTA DA ALDEIA , de Desenhos da Prisão (ÁLVARO CUNHAL)

FERNANDO LOPES GRAÇA - Ó PASTOR QUE CHORAS


L' important c'est la rose

António José Seguro já disse ao que vem. Imaginamos a roda-viva de telefonemas e jantares em que deve ter andado nas últimas semanas para que já possa anunciar, com ar emproado, que já tem “equipa” para atacar o poder. As suas recentes declarações são importantíssimas e devem merecer a atenção de toda a gente. Não porque Seguro tenha emitido alguma quintessência política ou intelectual, o que não é de esperar, du tout, mas simplesmente porque em duas pequenas frases António José Seguro e o “seu” PS já puseram a nu tudo aquilo que realmente lhes interessa.

Não é nada que surpreenda, mas convém sublinhar. Em primeiro lugar, apesar de todo o rol de críticas que não deixa de fazer ao actual governo, Seguro diz desde já que “não promete baixar os impostos“. No fundo, aparte operações de cosmética, ficam os portugueses desde já avisados – uma vez mais – que seja com o PSD seja com o PS, vão continuar a pagar as mais altas taxas de impostos de toda a União Europeia. E isto porquê? Isto porque, diz o secretário-geral do PS, ele próprio, coitado, é “muitas vezes acusado de não fazer promessas”, uma espécie de frase que faz lembrar aquele homem tão humilde tão humilde, que dizia que não havia ninguém no mundo mais humilde do que ele. É uma maldade e uma injustiça andarem por aí a “acusar” Seguro, esse angelical, esse santo, de ser um político sério.

Em segundo lugar, não se conhecendo propriamente uma linha de conteúdo programático de governação, uma coisa já se sabe: a equipa já está formada. Aliás, com ela, Seguro promete – ups, afinal faz promessas… – “surpreender os portugueses“. É exactamente isso que o povo quer e precisa. Mergulhado no caos social e económico, sem emprego, sem rendimentos e sem apoios, os portugueses o que querem mesmo é ser «surpreendidos» por governantes «surpreendentes». Ou seja, o PS não definiu o programa de governo, mas já definiu quem vai ocupar os ministérios. O que vão fazer e como, é secundário, será apresentado «mais tarde» em «altura própria». Mas agora, no que toca a poleiros, ao bom jeito do PS, isso sim, já está tudo prontinho e perfeitamente definido. Afinal de contas, como no PS sempre foi e sempre será, o importante não é o povo, não é o país… comme d’habitude, l’important c’est la rose. (Oiçam, que é bonita a música, pá…)

 


(Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com)

hoje e ontem

OU REFORMISMO OU OPORTUNISMO


(em blog esquerda.net, blog afecto ao Bloco de Esquerda)
Bloco foi o único a eleger deputados sem violar regras de financiamento eleitoral

O Acórdão do Tribunal Constitucional sobre as contas das campanhas partidárias nas legislativas de 2009 diz que o Bloco de Esquerda é o único partido com assento parlamentar a cumprir as regras de financiamento. Com esta decisão, o Bloco torna-se o único partido a cumprir a lei em três campanhas eleitorais consecutivas.

Comentário: As regras de fiscalização do financiamento das campanhas eleitorais foram definidas pelo poder de Estado, pelas forças que usurpam esse poder e pelos interesses que lhe são próprios (da burguesia). Nada tem portanto a ver com credibilidade, ética ou sentido de Estado. O Bloco ao invocar esse pergaminho é expressão do mais puro reformismo e aponta para um descarado oportunismo. Quase me apetece dizer que para as forças dominantes, o Bloco está como o Sr. Nacyb da Gabriela: É TÃO BONZINHO...
CR

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

poema

CANÇÃO DO REMENDO E DO CASACO

Sempre que a nosso casaco se rasga
Vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser
Isso vai acabar, custe o que custar!
Cheios de fé vão aos senhores
Enquanto nós, cheios de frio, aguardamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Nos mostram o que por nós conquistam:
Um pequeno remendo.
Óptimo, eis o remendo
Mas onde está
O nosso casaco?

Sempre que nós gritamos de fome
Vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar
É preciso ajudá-los, custe o que custar!
E cheios de ardor vão aos senhores
Enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Exibem a grande conquista:
Um pedacinho de pão.
Que bom, este é o pedaço de pão
Mas onde está
O pão?

Não precisamos só do remendo
Precisamos o casaco inteiro.
Não precisamos de pedaços de pão
Precisamos de pão verdadeiro.
Não precisamos só do emprego
De toda a fábrica precisamos.
E mais a carvão
E mais as minas
O povo no poder.
É disso que precisamos.
Que têm vocês
A nos dar?

Bertold Brecht

 

PORTOGAIA OU O DISCURSO DESAVERGONHADO DE UM ARTISTA DA POLITICA

Luís Filipe Meneses é um político-artista. Ele apresentou recentemente a candidatura á Câmara Municipal do Porto. O ilustre candidato considera-se (cito) “ um portuense incontornável”, atributo para si não dispensável, ele que refere ter feito uma “comissão de serviço” em Gaia, não deixando de dormir no lado do Porto. Este parece ser atestado de idoneidade necessário, para com a cidade “onde aprendeu a ser homem” (outra citação).
Perante uma plateia acrítica, de 700 figuras, figurões e basbaques, LF Meneses apresentou o seu compromisso – manifesto. O sublinhado mais evidente é a sua megalomania: o Porto como grande locomotiva, como farol incontornável do Noroeste peninsular, como farol do Sudoeste Europeu em 2025, o Porto como maior cidade do País. E a demagogia continua com a proposta da fusão de serviços e empresas dos dois lados do Douro, com o conceito de aerotrópole em volta do aeroporto, ou do desenvolvimento bipolar da frente atlântica. LF Meneses não pára: quer uma cidade grande (que para ele, é sempre melhor) com mais 50.000 pessoas residentes (mesmo antes da junção Porto / Gaia) obtidos através de benefícios fiscais !!! E o referendo para legitimar o seu “pensamento”. Ah grande Meneses, contigo até o rio corre da foz á nascente…
Mas não contente, LF Meneses arrasa com novas propostas: a VCI transformada em Alameda da cidade, como a Circunvalação, ponte pedonal (ao preço módico de seis a 7 milhões de euros), e uma homenagem mundial a Manuel de Oliveira nos seus 105 anos, com Scorsese, Eastwood e W. Allen… Aqui chegados, há uma réstia de lucidez que deveria perguntar: Mas o criativo candidato não é Conselheiro de Estado, dirigente distrital e nacional do PSD, actual presidente da Câmara Municipal de Gaia? Onde estava o anunciado maquinista da locomotiva, o proclamado faroleiro, quando o Porto perdia protagonismo, e importância politica e económica, se degradava com os piores índices de desemprego e de número de beneficiários de apoio social do País? Onde se ouviu a sua voz contra a politica de roubo e miséria, contra as portagens nas ex- SCUT, contra as reduções dos investimentos no PIDDAC? Onde estão as propostas de reabilitação dos bairros sociais, da Zona Histórica, do comércio da baixa, da reabilitação de monumentos históricos? Meneses fala em sound bytes para o ar, sabendo que há alguns pássaros que podem captar a mensagem…
Por fim a critica á partidocracia vinda de uma candidatura “suprapartidária”. Meneses, o politico profissional que nunca exerceu a sua profissão de médico, é suficientemente esperto para aproveitar as ondas do tempo presente. Mas Luís Montenegro, o líder parlamentar do PSD, também presente, fez questão de mostrar o rabo do bicho: “ a candidatura de Meneses vai alavancar o processo autárquico do PSD, é exemplo a seguir noutros concelhos do País”. Pois, candidatura “independente” q b. No fim, votos no PSD , para minorar o descalabro eleitoral.
CR

domingo, 20 de janeiro de 2013

roma paga bem a alguns traidores?

Ver o actor, director e encenador julio cardoso da Seiva Trupe ou o ex deputado PS fernando sousa na cerimónia de entronização do Luis Filipe Meneses a candidato á Camara Municipal do Porto consegue ser mais chocante do que ver o joão gil e o luis represas a cantar em latim em missa dominical passada na TVI.
Não contesto o direito de cada um em estar onde lhe apetece, ou de mudar de ideologia conforme os apelos da consciência. Mas julgo indecente esta exposição pública do sentido real de uma tão descarada conversão oportunistica.
É uma completa falta de vergonha para quem utilizou a adesão a ideais de esquerda no passado como mais valia profissional ou pessoal.
Júlio cardoso e outros (poucos) saberão, como nós, em consciência de que lado da trincheira estiveram neste ano de 2013 de roubo e desastre social desencadeado pela usurpação da soberania pela troika ao serviço da grande burguesia nacional, ou de politicas centralizadoras que afectam as regiões fora de Lisboa e os seus interesses. Para eles o mercado falou mais alto, e é sabido que a podridão humana caminha lado a lado com a ambição.
Provavelmente Roma (o PSD) paga bem. ou então alguns vendem-se barato
O pano subiu. Despreocupado, o artista estava despido, coitado, aguardando o seu mecenas.
CR

Outros rostos de "esquerda" presentes na entronização: Nuno Cardoso, o ressabiado ex- Presidente da Câmara e António Reis, outro "seiva trupe". Deste, a frase do dia: " defendi ás vezes outras situações politicas". Comento : ás  vezes, alguns começam a apoiar o PC durante anos, e ás vezes continuam a apoiar o PS durante anos e muitas vezes  acabam a apoiar o PSD durante muitos anos...

LUTA

Milhares de ferroviários do activo e reformados, estiveram presentes na manifestação nacional em defesa dos direitos contratuais e da componente publica do transporte ferroviário, em Lisboa,no dia 17 de janeiro de 2013. Foram diversas gerações de trabalhadores que dão e deram o seu melhor à ferrovia e que, diariamente, estão confrontados com a redução de salários e pensões, que vêem os seus direitos serem roubados e, que demonstraram assim o seu repúdio e protesto contra um governo e uma política que nos rouba o passado, o presente e o futuro. Esta manifestação contou com a solidariedade de uma delegação da União de Sindicatos de Lisboa da CGTP-IN, dos grupos parlamentares do PCP e BE com a presença dos deputados Bruno Dias(PCP) e Ana Aiveca (BE) e com a presença de delegações dos sindicatos dos estivadores.

Abertura das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal


humor

uma pergunta parva
(em otempodascerejas2.blogspot.pt)

Django Django - Firewater



De 2012

sábado, 19 de janeiro de 2013

POEMA


um pouco de vergonha, meus senhores!

 
 
 
 
Família de árbitro internacional vive na miséria
A poucas dezenas de metros do edifício da Junta de Freguesia de Lordelo, vivem duas idosas em condições desumanas. As fotos publicadas no facebook por Paulo Borges, um conhecido gerente comercial em Lordelo, está a causar uma onda de indignação.
As idosas são familiares do árbitro internacional de futebol Jorge Sousa e são conhecidas pela sua participação nas atividades da freguesia, nomeadamente da paróquia. Contudo, parece que nem o familiar famoso, nem o padre e muito menos o presidente da Junta são suficientes para resolver esta situação lastimável.
Em abono da verdade, diga-se que esta situação não é única na cidade de Lordelo!
 (em pcp-afarpa.blogspot.pt)
 

Paolo Fresu - Geometrie dell Anima



Álbum Incantamento (2006)

video com fotografias de Juliette Binoche

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PROCLAMO

Após o fecho de estabelecimentos tão significativos como  a Celeste, o Broas, o Alf, o Restaurante da Avenida, que mais falta para mobilizar a sociedade de Paredes para lutar contra a politica recessiva de desastre, imposta pelo Governo Cavaco/PSD/CDS e pela troika ocupante estrangeira?
Quantos mais estabelecimentos fecharão, quanto mais desemprego se criará, até que possamos sentir a revolta e a força de dizer NÃO, POR AQUI NÃO? Que cumplicidades nos calam as vozes e nos travam os braços?
Afinal onde pára o orgulho de ser POVO?  

CR

grafismos

Ricardo Salgado e o excesso no queijo
 
ERRATA A DECLARAÇÃO DE PASSOS COELHO
 
 

o país da troika

Centro de Saúde da Lousã sem aquecimento há quatro dias por falta de pagamento

O Centro de Saúde da Lousã, que abrange duas unidades de saúde familiar, está sem aquecimento pelo quarto dia consecutivo por falta de pagamento de gás ao fornecedor, observou, esta quinta-feira, a agência Lusa no local.
 
 
Num aviso divulgado aos utentes, afixado de manhã nas instalações, o coordenador da USF Serra da Lousã, João Rodrigues, informa que o sistema de aquecimento central não funciona desde segunda-feira pelo facto de a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro não ter liquidado a "última fatura" de gás, no valor de 5.303,48 euros.
O pagamento do gás a granel para aquecimento do edifício é uma responsabilidade conjunta da ARS-Centro e do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte (ACES-PIN), disse João Rodrigues à Lusa, indicando que esta situação já tinha ocorrido uma vez neste inverno.
Foi em finais do ano passado, quando a falta de aquecimento no Centro de Saúde "manteve-se cerca de 10 dias", adiantou.
"Não se entendem estas falhas", já que "não falta dinheiro", radicando o problema no "incumprimento das atividades de rotina" administrativas, lamentou.
"O reabastecimento de gás não foi efetuado na devida altura", lê-se no aviso, em que o médico pede desculpas aos utentes face ao "incómodo causado pelo frio", que tem assolado o país nos últimos dias, especialmente as zonas montanhosas.
Na segunda-feira, segundo João Rodrigues, a ACES-PIN encomendou à BP quatro toneladas de gás para a central de aquecimento do Centro de Saúde da Lousã, mas a empresa comunicou que não fará o reabastecimento "enquanto a fatura não for liquidada".
Na USF Serra da Lousã existem nalguns gabinetes "aquecedores elétricos portáteis comprados pelos médicos", que, para o efeito, abdicaram do dinheiro de horas extraordinárias que tinham a receber, explicou o coordenador.
A Lusa tentou obter a posição da ARS-Centro, que deverá pronunciar-se, ainda esta quinta-feira, sobre este assunto.
O Centro de Saúde da Lousã funciona há três décadas num edifício que pertence à Santa Casa da Misericórdia da Lousã, que recebe do Ministério da Saúde uma renda mensal na ordem dos 7.500 euros.
O novo edifício que acolherá as duas USF e outros serviços locais de saúde está concluído há nove meses, mas os profissionais detetaram vários problemas no projeto cuja resolução está a ser ponderada pela ARS

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XXXVI)


                                                     Cavaco Silva - o coveiro das freguesias

poema


TU

 
Tu, não és tudo
tu és o que falta

 
Tu, não és tudo
tu és só o caminho que percorro

    para me encontrar


Tu, não és tudo
tu és o momento único

   em que se faz o que tem de ser feito

 
Tu,
tu és o poema perfeito

 
   Issuf Ibraim, poeta árabe 

Sigur Ros - Popplagid



Em Fevereiro em Portugal, para os que podem.

importante estudo de Eugénio Rosa (conclusão)

O ATAQUE DO FMI À SEGURANÇA SOCIAL COM DADOS QUE NÃO SÃO VERDADEIROS

Para justificar as medidas o FMI utiliza dados que não são verdadeiros e faz considerações que revelam grande ignorância sobre a realidade portuguesa, o que mostra a falta de credibilidade técnica do estudo. Vamos provar isso, analisando alguns desses dados que são fundamentais no estudo.

O estudo contém um ataque violento ao sistema de segurança social português e à Administração Pública procurando assim justificar os cortes brutais que defende relativamente aos pensionistas e à Função Pública. E esses ataques baseiam-se em dados e afirmações que são falsas.

Na pág. 14 do documento do FMI pode-se ler textualmente o seguinte: o sistema de segurança social “serve para reforçar a desigualdade entre ricos e pobres”, e em “Portugal as transferências sociais beneficiam mais os grupos de rendimentos elevados do que os de baixos rendimentos”, portanto para estes “senhores do FMI, a Segurança Social seria um instrumento de agravamento de desigualdades por isso haveria que destrui-la. Confrontemos estas justificações do FMI com dados recentes do INE e da Segurança Social, que estes “senhores “ ignoram deliberadamente. Segundo o INE (“Rendimento e Condições de Vida em 2011” divulgado pelo INE em 13.7.2012), em 2011, a taxa de risco de pobreza em Portugal atingia 42,5% da população antes de qualquer transferência social; 25,4% após as transferências relativas a pensões; e 18% após as transferências sociais. Afirmar, como faz o FMI no seu estudo, que o sistema de segurança social em Portugal “serve para reforçar a desigualdade entre pobres e ricos”, quando ele baixa a taxa de risco de pobreza de 42,5% para 18% segundo o próprio INE, é dar uma prova de um desconhecimento total da realidade portuguesa. Mesmo tomando como

base os dados divulgados na Conta da Segurança Social de 2011, relativos apenas às pensões conclui-se que 57,1% da despesa com pensões foi com pensões até 419€, e se incluímos as até 629 € aquela percentagem sobe para 94,6%. Afirmar como consta do quadro 5.2 (pág. 54) do estudo do FMI, que os 20% dos pensionistas mais ricos recebem 41,6% do valor das pensões é procurar manipular a opinião publica, pois na Segurança Social, segundo o Relatório de 2011, um terço dos pensionistas considerados ricos pelo FMI recebem pensões entre 419€ e 629€.. Na CGA, em 2011, 30,6% dos aposentados recebiam pensões inferiores a 750€, e os que auferiam pensões inferiores a 1.500€ representavam 67,4% do total. Em 2011, na Segurança Social apenas 524 pensionistas recebiam pensões superiores a 5.594€, e na CGA somente 5.235 aposentados (1,2% do total) tinham pensões superiores a 4.000€. Finalmente, por ignorância ou com o objetivo deliberado de manipular a opinião pública, o FMI confunde um sistema de segurança social com um sistema de assistência social. Num sistema de segurança social, os pensionistas recebem uma pensão correspondente à remuneração com base na qual fizeram descontos e de acordo com os anos que descontaram, por isso o valor das pensões são inevitavelmente diferentes, o que não acontece num sistema de assistência social com critérios diferentes. No entanto, o FMI pretende transformar, com os cortes brutais nas pensões que defende, o atual sistema de segurança socia num sistema em que se recebe apenas a pensão mínima, pois para o FMI e para o governo pensões superiores ao limiar de pobreza são pensões de ricos.

 O ATAQUE DO FMI AOS TRABALHADORES DA FUNÇÃO PÚBLICA, AOS MÉDICOS E AOS PROFESSORES COM DADOS SOBRE REMUNERAÇÕES QUE NÃO SÃO VERDADEIROS

 O FMI utiliza dados que não são verdadeiros sobre as remunerações dos trabalhadores da Função Pública e, nomeadamente, dos médicos e professores, para defender cortes significativos nas suas remunerações e mesmo despedimentos de dezenas de milhares de trabalhadores com o objetivo de reduzir a despesa pública o que, a acontecer, agravaria dramaticamente as condições de vida no país.

Na pág. 20 do estudo, referindo-se a toda a Função Pública, diz que, apesar do esforço do governo para reduzir a despesa de pessoal, Portugal é ainda um país com uma despesa média excessiva se se comparar com o PIB per-capita, remetendo depois para o quadro 3.3.onde consta um gráfico com o rácio de vários países obtido dividindo a remuneração por trabalhador pelo PIB per capita em 2011. E aparece para Portugal, o valor de 2,25 que é, depois da Grécia, o valor mais elevado dos 15 países considerados. No entanto, o valor atribuído a Portugal é falso como vamos provar. Segundo o INE, o PIB de Portugal em 2011 foi de 171.039,8 milhões €. Dividindo este valor pelo número de habitantes (10,562 milhões), obtém-se um PIB “per capita” de 16.194 €. Segundo a Direção Geral da Administração e Emprego Público do Ministério das Finanças, o ganho médio dos trabalhadores da Função Pública em 2011 foi de 1.590 € por mês. Multiplicando-o por 14 obtém-se 22.260 €, e dividindo pelo PIB “per capita” do mesmo ano – 16194 € - obtém-se um rácio de 1,37 que é inferior em 39% ao rácio utilizado pelo FMI – 2,25 – o que coloca Portugal no grupo de países com o rácio mais baixo.

Mas não é apenas neste caso que os dados utilizados pelo FMI no seu estudo para justificar as suas propostas não são verdadeiros. No seu ataque aos médicos por considerar que ganham muito o FMI afirma no seu relatório o seguinte: “O trabalho extraordinário representa 1/3 do salário dos médicos(pág. 22). Confrontemos esta afirmação com os valores das remunerações e ganhos médios dos médicos divulgados pela DGAEP do Ministério das Finanças. Em 2012, a remuneração ilíquida base média dos médicos era de 2.939 € por mês, e o ganho médio, que inclui todas as outras remunerações acessórias, incluindo horas extraordinárias, subsidio de refeição, etc. foi de 3.803 €, ou seja, apenas mais 22,7% que a remuneração base e não os 33% que o FMI refere apenas a horas extraordinárias.

No estudo do FMI consta também um gráfico (3.7 da pág. 32), com as remunerações dos médicos e dos enfermeiros de vários países em 2010. E para Portugal, para os médicos é apresentada uma remuneração anual de 90.000 dólares PPP colocando o nosso país entre os países com remunerações mais elevadas. Confrontemos este valor utilizado pelo FMI com os dados divulgados pelo Ministério das Finanças. Segundo a DGAEP, o ganho médio ilíquido de um médico em Portugal foi de 3.803€/mês, o que dá 53.243€/ano. Multiplicando este valor pelo coeficiente de transformação do euro em dólares PPP, para o valor poder ser comparado com os do quadro 3.7 do estudo do FMI, obtém-se para a remuneração anual do médico em Portugal 70.406 dólares PPP, portanto um valor muito inferior ao 90.000$ PPP utilizados pelo FMI, o que coloca Portugal no último escalão do grupo intermédio, portanto uma situação muito diferente da utilizada pelo FMI para justificar os ataques aos médicos portugueses.

 Em relação ao custo médio por aluno no setor público e no setor privado existe uma grande manipulação da opinião pública, em que o FMI também colabora, e que por isso interessa esclarecer. E essa manipulação tem utilizado dados de uma auditoria do Tribunal de Constas que os autores dessa manipulação revelam não ter lido com atenção E os dados utilizados têm sido os seguintes: o custo médio por aluno numa escola privada financiada pelo Estado é de 4.522€, enquanto numa pública é de 4.921€, e concluem que vale a pena apostar no privado pois é mais barato. No entanto esquecem-se de analisar com maior profundidade os dados de custo por turma e por aluno constantes da pág. 47 do Relatório do Tribunal de Contas. E se o fizessem concluíram-se que ele tem por base turmas em média com 24 alunos, atingindo mesmo 25 alunos turma na região Norte. Enquanto isto sucede nas escolas privadas, nas escolas públicas a média é 22 alunos por turma. Podia-se reduzir imediatamente o custo médio por aluno nas escolas públicas aumentando o número de alunos por turma, mas isso envolve problemas pedagógicos e da qualidade do ensino que interessaria estudar e tomar decisões corretas.

Um outro ataque aos professores constante do estudo do FMI é o das remunerações dos professores serem excessivas quando se comparam com as pagas em outros países da U.E. Para isso utilizam-se dados da OCDE. No entanto, quando comparamos esses dados com os divulgados pela DGAEP do Ministério das Finanças sobre as remunerações dos professores em Portugal no ano 2012 constata-se também grandes disparidades com as utilizadas pelo FMI. Segundo os dados utilizados no estudo do FMI, um professor no fim da carreira ganha em Portugal 40.956€ /ano ilíquidos. No entanto, segundo a DGAEP, o ganho médio ilíquido anual de um professor do ensino básico e secundário foi, em 2012, de apenas de 24.365€ (28.365 € se for considerado 14 meses), portanto remunerações inferior à utilizada pelo FMI no seu estudo para atacar os professores portugueses.

Em resumo, o estudo do FMI não tem qualquer credibilidade técnica como o governo e defensores pretendem fazer crer porque utiliza dados que não são verdadeiros; por outro lado, mostra que o FMI não compreende o papel fundamental do Estado em Portugal para a coesão social e para o desenvolvimento; e, finalmente, está condicionado por preconceitos ideológicos sobre o Estado como é claro em todo ele que analisaremos em outro estudo conjuntamente com as conceção de Estado de Vítor Gaspar e o falso dilema colocado por ele de “menos funções sociais do Estado ou mais impostos”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

OVO A CAVALO

Depois do pastel de nata de Álvaro Pereira é agora a vez do ovo estrelado de Assunção Cristas, está visto que somos um país prendado para a culinária e pastelaria. Já faz tempo que Cristas não dava um arzinho da sua graça depois daquela ideia das gravatas, cavalga agora o ovo estrelado instantâneo, ai ninas, imaginem a inveja que vai na Grécia, na Irlanda ou até mesmo em Espanha, isto vai meus amigos, isto vai.

Eu bem que gostava de contribuir igualmente com ideias tão brilhantes para tirar o país do sufoco, mas tirando a dos tomates, que pelos vistos é por demais requentada, não me ocorre mais nada, claro que também ponho de lado os bifes de vaca louca para acompanhar o ovo estrelado, limitado me confesso, mas do mal, o menos, já que podemos descansar à sombra do génio, do arrojo e da audácia de Álvaro Pereira ou Assunção Cristas, bem-haja, o país não vos esquecerá.

PS- Eu sei que o povo gosta de retribuir com apreço os esforços dos seus governantes, mas vamos lá, não é preciso exagerar e ter que andar agora de ovo na mão prontos para mostrar a gratidão a Assunção Cristas, não é preciso exagerar, ela sabe que está nos vossos corações

(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)

Sugestão de filme - Argo





                                      Baseado em factos pretensamente reais, "Argo" desvenda uma operação secreta da CIA, que esteve omitida do grande público durante anos, e que relata o resgate de 6 reféns americanos, em pleno cenário da revolução islamica no Irão. Ben Affleck realiza e interpreta o papel principal neste thriller.
O cinema de aventuras de Hollywood a par da estratégia militar e politica do Pentágono, o sonho imperial e messiânico dos EUA. Uma ROUPAGEM COMPETENTE para uma história de embalar.

CR 

Crosby, Stills, Nash & Young - Our House



Crosby, Stills, Nash & Young - Our House - Déjà Vu (1970)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

EM MAUS LENÇÓIS

Já é oficial. Na linha da redução das funções sociais do Estado, muito apregoada pelo GOVERNO DE DIREITA/ FMI, as autoridades competentes reduziram o funcionamento do SASU nos concelhos de Paredes e Penafiel .

ASSIM O SASU, QUE FUNCIONAVA EM PAREDES E PENAFIEL (ULTIMAMENTE COM REDUÇÃO DE HORÁRIO EM CADA LOCAL EM RELAÇÃO AO TRADICIONAL) REDUZ-SE A PAREDES, COM FUNCIONAMENTO DAS 9 H ÁS 20 H EM SÁBADOS, DOMINGOS E FERIADOS.

As equipas médicas são de 3 elementos por turno com 2 turnos (9 ás 14h30 e 14h30 ás 20h).

NÃO SE SABE QUANTOS ENFERMEIROS E SECRETÁRIOS CLINICOS SÃO ADSTRITOS AO SASU.

Constata-se claramente que Penafiel fica a perder com a reorganização com as populações das freguesias rurais distantes (Rio Mau, Canelas, Abragão, Boelhe, Eja, Capela, Recezinhos…) fortemente penalizadas no acesso aos cuidados de saúde e de enfermagem nesses dias.

Trata-se de um rude golpe na estratégia eleitoral autárquica do PSD e do CDS, que certamente serão penalizados pelo abandono dos interesses de milhares de eleitores, já fortemente causticados pelas politicas de austeridade cega.

CR