um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

OS 50 MELHORES FILMES DE ESQUERDA

António Santos (em manifesto74.blogspot.pt)

 1º 1900 (Novecento)
 País: Itália, França e Alemanha Ocidental
Ano: 1976
Realizador: Bernardo Bertolucci

2º O Couraçado de Potemkin (Броненосец «Потёмкин»)
País: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ano: 1925
Realizador: Sergei M. Eisenstein

3º A Batalha de Argel (La battaglia di Algeri)
País: Argélia e Itália
Ano: 1966
Realizador: Gillo Pontecorvo

4º O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1954
Realizador: Herbert J. Biberman

5º Harlan County, USA
País: Estados Unidos da América
Ano: 1976
 Realizador: Barbara Kopple

6º O Ódio (La Haine)
País: França
Ano: 1995
Realizador: Mathieu Kassovitz

7º Horizontes de Glória (Paths of Glory)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1957
Realizador: Stanley Kubrick

8º Tempos Modernos (Modern Times)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1936
Realizador: Charlie Chaplin

9º Às Segundas ao Sol (Los Lunes al Sol)
País: Espanha
Ano: 2002
Realizador: Fernando León de Aranoa

10º Reds
País: Estados Unidos da América
Ano: 1981
Realizador: Warren Beatty

11º O Leopardo – Il Gattopardo
País: Itália
Ano: 1963
Realizador: Luchino Visconti

12º Eu Sou Cuba (Soy Cuba)
País: Cuba e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ano: 1964
Realizador: Mikhail Kalatozov

13º Outubro (Октябрь (Десять дней, которые потрясли мир)
País: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ano: 1927
Realizador: Sergei M. Eisenstein

14º Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette)
País: Itália
Ano: 1948
Realizador: Vittorio de Sica

15º Apocalyspe Now
País: Estados Unidos da América
Ano: 1979
Realizador: Francis Ford Coppola

16º A Greve (Стачка)
País: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ano: 1925
Realizador: Sergei M. Eisenstein

17º Brisa de Mudança (The Wind that Shakes the Barley)
País: Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, França, Bélgica e Suíça
Ano: 2006
Realizador: Ken Loach

18º Estado de Sítio (État de Siège)
País: França e Itália
Ano: 1972
Realizador: Costa-Gavras

19º Corações e Mentes
País: EUA
Ano: 1974
Realizador: Peter Davis

20º Che
País: Espanha, França, EUA
Ano: 2008
Realizador: Steven Soderbergh

21º A Melhor Juventude (La meglio gioventù)
País: Itália
Ano: 2003
Realizador: Marco Tullio Giordana

22º Spartacus
País: Estados Unidos da América
Ano: 1960
Realizador: Stanley Kubrick

23º Recursos Humanos (Ressources Humaines)
País: França
Ano: 1999
Realizador: Laurent Cantet

24º Salmo Vermelho (Még kér a nép)
País: Hungria
Ano: 1972
Realizador: Miklós Jancsó

25º Os Diários de Motocicleta (Diarios de motocicleta)
País: Argentina, Chile, EUA, Peru, França. Alemanha e Reino Unido
Ano: 2004
Realizador: Walter Salles

26º Também a Chuva (También la Lluvia)
País: Espanha, México, Bolívia e França
Ano: 2010
Realizador: Icíar Bollaín

27º Matewan
País: Estados Unidos da América
Ano: 1987
Realizador: John Sayles

28º Queimada
País: Itália
Ano: 1969
Realizador: Gillo Pontecorvo

29º O Que É Isso, Companheiro?
País: Brasil
0Ano: 1997
Realizador: Bruno Barreto

30º Os Santos Inocentes (Los Santos Inocentes)
País: Espanha
Ano: 1984
Realizador: Mario Camus

31º O Fim de São Petersburgo (Конец Санкт-Петербурга)
País: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ano: 1927
Realizador: Vsevolod Pudovkin

32º Cinco Dias, Cinco Noites
País: Portugal
Ano: 1996
Realizador: José Fonseca e Costa

33º Norma Rae
País: Estados Unidos da América
Ano: 1979
Realizador: Martin Ritt

34º O Complexo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Complex)
País: Alemanha
Ano: 2008
Realizador: Uli Edel

35º A Batalha do Chile (La Batalla de Chile)
País: Chile
Ano: 1978-1980
Realizador: Patricio Guzmán

36º Inside Job – A Verdade da Crise (Inside Job)
País: Estados Unidos da América
Ano: 2010
Realizador: Charles Ferguson

37º Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1964
Realizador: Stanley Kubrick

38º Clube de Combate (Fight Club)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1999
Realizador: David Fincher

39º Sacco e Vanzetti
País: Itália e França
Ano: 1971
Realizador: Giuliano Montaldo

40º Sambizanga
País: Angola
Ano: 1973
Realizador: Sarah Maldoror

41º A Culpa é de Fidel (La Faute à Fidel)
País: França
Ano: 2006
Realizador: Julie Gavras

42º O Pequeno Grande Homem (Little Big Man)
País: EUA
Ano: 1970
Realizador: Arthur Penn

43º Os Companheiros (I Compagni)
País: Itália
Ano: 1963
Realizador: Mario Monicelli

44º As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath)
País: Estados Unidos da América
Ano: 1940
Realizador: John Ford

45º Os Edukadores (Die Fetten Jahre sind Vorbe)
País: Alemanha e Áustria
Ano: 2004
Realizador: Hans Weingartner

 46º Cabra Cega
País: Brasil
Ano: 2005
Realizador: Toni Venturi

47º The Black Power Mixtape 1967-1975
País: Suécia e EUA
Ano: 2011
Realizador: Göran Olsson

48º As Actas de Marusia (Actas de Marusia)
País: México
Ano: 1975
Realizador: Miguel Littín

49º Machuca
País: Chile
Ano: 2004
Realizador: Andrés Wood

50º Capitalismo, uma História de Amor (Capitalism, a Love Story)
País: Estados Unidos da América
Ano: 2009
Realizador: Michael Moore

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

humor


John Newman - Love Me Again


RECADO

Recado para o incerto tempo…


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa

sábado, 28 de dezembro de 2013

humor


2013

Está a acabar o pior ano na vida dos portugueses nos últimos 30, aquele em que mais perdemos direitos e bem-estar, por comparação com o passado imediatamente anterior, desde a II Guerra Mundial.

Cento e vinte mil portugueses emigraram. Tanto quanto nos piores anos da vaga migratória dos anos 60 e 70, quando se fugia à guerra em África e à pobreza em Portugal. Os nossos natais voltaram a parecer-se com o que sempre foram até há 30 anos: emigrantes que voltam por uns dias, lágrimas e dor, a sensação de que este país não chega para todos... Qualquer retórica sobre a recuperação económica ressoa cinicamente aos ouvidos de quem continua desempregado, de quem viu subsídio cortado, de quem vê os filhos partirem. Mas é verdade que:

1. O Governo não caiu, mas sabe bem que não tem sustentação social mínima. Em julho, Vítor Gaspar, o mago das Finanças, disse-o quando abandonou o barco: “Há uma erosão significativa no apoio da opinião pública às políticas necessárias ao ajustamento orçamental e financeiro.” A mesma direita que pede a reforma da Constituição – pior: que pede a suspensão de todo o Estado constitucional, o qual deveria, em sua opinião, ser sujeito a esse insustentável princípio da “sustentabilidade”– agarra-se como uma lapa à única regra que nela lhe interessa: os quatro anos de mandato do Parlamento, durante os quais Passos e Portas julgam poder fazer o que lhes apetecer, mesmo que incumprindo uma a uma, todas, as promessas eleitorais, violando deliberadamente a Constituição, em nome de uma receita ideológica ultraliberal que substitui toda e qualquer análise minimamente científica da realidade pelo princípio da maldade do subsídio e do contrato efetivo. A direita dos nossos dias comporta-se exatamente como ela própria se habituou a dizer que o estalinismo se comportava: impõe a mudança da realidade sem sequer a ver. Nela, uma ideologia paupérrima substitui qualquer nível mínimo de formação.

2. Perante a evidência da ausência de apoio social, a direita tanto rejeita a legitimidade das ruas, dos milhões de portugueses que se têm vindo a manifestar e a lutar nos seus postos de trabalho, como foge de qualquer eleição que implique a queda do Governo. Exatamente como em qualquer processo de mudança de regime que se impõe pela força, não se deixa ratificar antes de ser irreversível.

3. O Governo não caiu – mas vai caindo. Relvas, o inaguentável fazedor de reis, caiu ainda antes de o Governo, de facto, chegar a cair, em julho: demitiu-se o mago das Finanças versão 2011, que Passos dizia ser a garantia da credibilidade internacional, o autor da versão original de todas esta políticas, e Portas, o pobre mago da política, de quem, manipulando e desiludindo ex-combatentes, pensionistas e mundo rural, entre submarinos e financiamentos do BES, dependem os números para fazer maiorias parlamentares de direita. Sem estes dois, qualquer solução seria sempre um simulacro. Mas foi o que tivemos: pela primeira vez na nossa história, um primeiro-ministro e um Presidente não aceitaram a demissão “irrevogável” do líder do partido sem o qual não há maioria. Gaspar, o original, foi substituído por Maria Luís dos Swaps, a sucedânea. Caem poucos ministros, mas a catrefada de secretários de Estado a rolarem escada abaixo não é pequena.

4. Não foi interrompido – pelo contrário – o projeto de desmantelamento do Estado de bem-estar social e de mudança de regime político-social no conjunto da Europa. O capital, o mundo dos patrões, os seus partidos (liberais, democratas-cristãos, populistas e ultradireita, mas também os que se dizem sociais-democratas/socialistas) e os seus porta-vozes intelectuais continuam todos empenhados em não relaxar a pressão numa ofensiva à escala global contra os direitos do trabalho que não tem paralelo na história política desde que as direitas (quase) todas se fascizaram nos anos 30 e avançaram com um projeto de mudança de regime que conduziria em muito pouco tempo à maior mortandade da história: a II Guerra Mundial. Toda esta gente clama pelo fim de 70 anos de políticas sociais, como os fascistas clamavam pelo fim de 150 anos de regime liberal, então cada vez mais pressionado para se democratizar pelas esquerdas operárias.

Vamos deixar que ganhem a batalha?

Manuel Loff

FOTOGRAFIAS DE UMA GRANDE EXPOSIÇÃO






Porto, 12 de Dezembro de 2013

Notícias graves II

O Ministério da Saúde anunciou hoje, sem apontar datas, que as administrações regionais de saúde (ARS) vão pagar, em breve, os incentivos financeiros devidos aos enfermeiros e pessoal administrativo das Unidades de Saúde Familiar (USF).

Num curto comunicado, a tutela acrescenta que "as questões que levaram à suspensão dos pagamentos, tal como previstos nos contratos estabelecidos com as ARS, foram resolvidas através de uma portaria assinada hoje pelos ministérios da Saúde e das Finanças".

Moral da História

Quando o Ministério da Saúde pretendeu dividir para reinar, não escondendo a face mais sórdida de um Poder sem ética ou Moral, deparou com:

-uma consciência global da profunda injustiça que a sua atitude refletia, ao não respeitar a Lei, os compromissos passados e o trabalho realizado pelas USF´s 
-uma compreensão total dos interesses em causa com a precarização do seu funcionamento, a redução do peso unitário das remunerações dos seus profissionais, as sombras sob o seu futuro
-uma profunda identificação da interdependência dos seus profissionais, quer das remunerações, quer no estilo e formas de trabalho
-uma valorização sentida dos resultados obtidos nas USF
-uma vontade de resistir lutando, com todas as armas ao seu alcance
-uma solidariedade muito abrangente entre associações sindicais, profissionais, e de representação de classe
-uma estrutura (a USF-AN) mobilizada e mobilizadora, dinâmica, inclusiva e propositiva, com dirigentes capaz e competentes

...e cedeu, um passo atrás para ousar dar dois passos á frente, no futuro.

Resta aproveitar o recuo, para denunciar amplamente a estratégia governamental, os seus confessados objectivos estratégicos e para apresentar novos desafios (há demasiado tempo adiados) para solidificar a estrutura das USF´s e do SNS: a passagem de USF's do modelo A para o modelo B, desde que cumpram condições, a contratualização como verdadeira negociação independente e o reconhecimento das USF's, da sua indiscutível mais-valia no quadro de uma gestão democrática da Administração pública.  
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Arctic Monkeys - I Wanna Be Yours



Arctic Monkeys - álbum AM (2013)

A MENTIRA PELA OMISSÃO E O PAPEL DA DESINFORMAÇÃO

 por Jorge Figueiredo (em blog resistir.info)

Nada do que é importante no mundo é hoje reflectido pela comunicação dita "social", os media empresariais que arrogantemente se auto-intitulam como padrão de "referência".

Para quem pretende uma transformação do mundo num sentido progressista isto é um problema, e problema grave. Significa um brutal atraso na tomada de consciência dos povos, cuja atenção é desviada para balelas, entretenimentos idiotas, falsos problemas e outros diversionismos.

Omissão não é a mesma coisa que desinformação. Vejamos exemplos de uma e outra, a começar pela primeira.

A mais actual é a ameaça da instalação de mísseis Iskander junto às fronteiras ocidentais da Europa. Isso é praticamente ignorado pelos media ocidentais, assim como é ignorada a razão por que eles estão a ser agora instalados: o cerco da Rússia pela NATO, que instalou novos sistemas de mísseis numa série de países junto às suas fronteiras. É indispensável reiterar que tanto os da NATO como o da Rússia são dotados de ogivas nucleares.

Outro exemplo de omissão é o apagamento total de informação quanto ao terrífico
acidente nuclear de Fukushima, que tem consequências pavorosas e a longuíssimo prazo para toda a humanidade. Continua o despejo diário de 400 toneladas de água com componentes radioactivos no Oceano Pacífico, o equivalente a uma disseminação igual à de todos os mais de 2500 ensaios de bombas nucleares já efectuados pela espécie humana. Caminha-se assim para o extermínio de uma gama imensa de espécies vivas – da humana inclusive – pois tal poluição entra no ecossistema que lhes dá suporte.

Outro exemplo ainda é o silenciamento deliberado quanto às consequências do desastre com a plataforma de pesquisa da British Petroleum (BP) no Golfo do México. Tudo indica que a gigantesca fuga de petróleo ali verificada ao longo de meses (100 mil barris/dia?) não está totalmente sanada, pois este continua a vazar embora em quantidades menores. A política activa de silenciamento conta com o apoio não só da BP como do próprio governo americano. Este, aliás, já autorizou o reinício da exploração de petróleo em águas profundas ao longo das costas norte-americanas.

Este silenciamento verifica-se com o pano de fundo do Pico Petrolífero (Peak Oil) , que também é deliberadamente escondido da opinião pública pelos media corporativos. Pouquíssima gente hoje no mundo sabe que a humanidade já atingiu o pico máximo da produção possível de petróleo convencional , que esta está estagnada há vários anos. Trata-se do fim de uma era, com consequências irreversíveis, cumulativas, definitivas e a longo prazo. Mas este facto é ocultado da opinião pública.

A maioria dos governos de hoje abandonou há muito a pretensão de ser o gestor do bem comum: passou descaradamente a promover os interesses de curto prazo do capital – em detrimento das condições de sobrevivência a longo prazo da espécie humana. Trata-se, pode-se dizer, de uma política tendente ao extermínio. Veja-se o caso, por exemplo, do fracking, ou exploração do petróleo e metano de xisto (shale) através de explosões subterrâneas e injecção de produtos químicos no subsolo – o que tem graves consequências sísmicas e polui lençóis freáticos de água potável. O governo Obama estimula activamente o fracking, na esperança – vã – de dotar os EUA de autonomia energética.

Mas há assuntos que para os media corporativos dominantes são não apenas omitidos como rigorosamente proibidos – são tabu. É o caso da disseminação do urânio empobrecido (depleted uranium, DU) que o imperialismo faz por todo o mundo com as suas guerras de agressão. Países como o Iraque, a antiga Jugoslávia, o Afeganistão e outros estão pesadamente contaminados pelas munições de urânio empobrecido. Trata-se do envenenamento de populações inteiras por um agente que actua no plano químico, físico e radiológico, com consequências genéticas teratológicas e sobre todo o ecossistema. A Organização Mundial de Saúde é conivente com este crime contra a humanidade pois esconde deliberadamente relatórios de cientistas que examinaram as consequências da invasão estado-unidense do Iraque. Absolutamente nada disto é reflectido nos media empresariais.

Um caso mais complicado é aquela categoria especial de mentiras em que é difícil separar a omissão da desinformação. Omitir pura e simplesmente a crise capitalista – como os media corporativos faziam até um passado recente – já não é possível: hoje ela é gritante. Portanto entram em acção as armas da desinformação, as quais vão desde o diagnóstico até as terapias recomendadas. Os economistas vulgares têm aqui um papel importante: cabe-lhes dar algum verniz teórico, uma aparência de cientificidade, às medidas regressivas que estão a ser tomadas pela nova classe dominante – o capital financeiro parasitário. As opções de classe subjacentes a tais medidas são assim disfarçadas com o carimbo do "não há alternativa". E a depressão económica que agora se inicia é apresentada como coisa passageira, meramente conjuntural. Os media passaram assim da omissão para a desinformação.

Desde o iluminismo, a partir do século XVIII, a difusão da imprensa foi considerada um factor de progresso, de ascensão progressiva das massas ao conhecimento e entendimento do mundo. Hoje, em termos de saldo, isso é discutível. A enxurrada de lixo que actualmente se difunde no mundo superou há muito as publicações sérias. Basta olhar a quantidade de revistecas exibidas numa banca de jornais ou a sub-literatura exposta nos super-mercados. Tal como na Lei de Greshan, a proliferação do mau expulsa o bom da circulação. E esta proliferação quantitativa não pode deixar de ter consequências qualitativas. Ela faz parte integrante da política de desinformação.

Os grandes media corporativos esmeram-se neste trabalho de desinformação. Além de omitirem os assuntos realmente cruciais para os destinos humanos eles ainda promovem activamente campanhas de desinformação. Um caso exemplar foi a maneira como apresentavam e apresentam a agressão à Síria. Assim, bandos sinistros de terroristas e mercenários pagos pelo imperialismo — alguns até praticaram o canibalismo como se viu num vídeo famoso difundido no
YouTube — são sistematicamente tratados como "Exército de Libertação". E daí passaram à mentira pura e simples, afirmando que o governo legítimo da Síria teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Denúncias públicas de que os crimes com gases venenosos foram cometidos pelos bandos terroristas (com materiais fornecidos pelos serviços secretos sauditas) , não tiveram qualquer reflexo nos media corporativos – foram simplesmente ignoradas. Verifica-se neste caso um padrão misto de omissão deliberada e desinformação/mentira. Tudo orquestrado pelos centros de guerra psicológica do império, que os colonizados media portugueses reproduzem entusiasticamente. A submissão é tamanha que até publicações conservadoras e burguesas dos centros do império, como a Der Spiegel ou o Financial Times, dão uma informação mais objectiva do que os media lusos.

A par da omissão & desinformação, os media corporativos esmeram-se em campanhas para instilar terrores fictícios. É o caso da
impostura do aquecimento global, em que gastam rios de tinta. Nesta campanha orquestrada pelo IPCC e pela UE procura-se instilar o medo com aquilo que poderia, dizem eles, acontecer daqui a 100 anos – mas escondem cuidadosamente o que já está acontecer agora. Os terrores actuais e bem reais devem ser escondidos e, em sua substituição, inventam-se terrores para o futuro, com a diabolização do CO2 erigido em arqui-vilão. Carradas de políticos e jornalistas ignorantes embarcam nessas balelas. Os mais espertos conseguem sinecuras à conta do dito aquecimento global (agora rebaptizado como "alterações climáticas"). Passam assim a sugar no orçamento do Estado português e dos fundos comunitários.

Este mostruário de exemplos de omissão & desinformação poderia prolongar-se indefinidamente. Ele é o pão nosso de cada dia para milhões de pessoas, em Portugal e no mundo todo. Mas a omissão & desinformação dificulta extraordinariamente a transformação das classes em si em classes para si. A situação é hoje o inverso da que existia no princípio do século XX, quando a consciência de classe dos oprimidos era mais aguda (ainda que o nível de literacia fosse muito menor). Hoje, quem tem maior consciência de classe é a burguesia e a da massa dos despojados é mais ténue. Por isso mesmo a primeira impõe uma lavagem cerebral colectiva e permanente às classes subalternas. Mas a realidade tem muita força e, apesar de tudo, acabará finalmente por se impor. Os povos do mundo já começaram a acordar. Não se pode enganar toda a gente eternamente.
CR

humor negro


Noticias graves

Em resposta a um pedido de esclarecimento do nosso jornal, sobre se a suspensão do pagamento de incentivos remuneratórios se aplicava, também, aos médicos, o Gabinete do Ministro da Saúde veio confirmar que sim, que também se aplica a estes profissionais.

Assim, já a partir do processamento das remunerações respeitantes a Dezembro, se o Ministério das Finanças e da Administração Pública/DGAEP decidir que essa retribuição suplementar, é abrangida no disposto no artigo 35º da LOE para 2013 – Lei nº 66-B/ 2012, de 31 de Dezembro – que proíbe valorizações remuneratórias, também os médicos deixarão de receber os suplementos remuneratórios associados à contratualização específica das ARS com as equipas que trabalham em USF de modelo B.

Mais: se “se os incentivos financeiros vierem a ser considerados valorização remuneratória, ao abrigo das Leis dos Orçamentos de Estado de 2011, 2012 e 2013,também os médicos terão que devolver os montantes auferidos nos últimos três anos.
 
A situação, que está a causar grande preocupação aos profissionais de saúde envolvidos, teve início numa carta enviada às ARS, através da qual João Nabais, chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, informa que “fica suspenso o pagamento de incentivos aos profissionais das Unidades de Saúde Familiar (USF), até ao esclarecimento desta matéria por parte do Ministério das Finanças”. Incentivos estes, refira-se, que se aplicam apenas aos profissionais a exercer em USF modelo B.

(em Jornal Médico)

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

CONSELHO DA DIÁSPORA


Faltará algum?
Não, não falta nenhum!
Estão todos os principais responsáveis ou seus representantes!
O País da "diáspora", que é termo que substitui a expressão Emigração! Os que nos roubam salários, sonhos, o futuro! Imaginem que desapareciam da cena politica! (O segundo da direita não estou muito bem a ver quem é!). O que se perdia ? NADA (O segunda da direita deve ser algum Secretário de Estado!) . Não era preciso um desaparecimento violento! Acordávamos um dia e eles tinha ido para a diáspora, nas Ilhas Fiji! Que grande prenda de Natal! (O segundo da direita deve ser o assessor do Primeiro Ministro de nome Maçães!)

CR

internacional - O caso da Guiné- Bissau


A Guiné-Bissau tem sido falada recentemente pelas piores razões. É considerado actualmente um Estado – falhado, sem um poder legítimo e responsável. Abundam as referências ao seu papel nas rotas do narcotráfico e do tráfico de armas. As autoridades fantoches, resultantes de um golpe de estado que derrubou um poder legítimo, comportam-se como criminosos vulgares, alheios a regras e compromissos com a comunidade internacional.

O recente episódio que envolveu a tripulação de um avião da TAP que em escala em Bissau, foi alegadamente forçado a embarcar para Lisboa 74 passageiros sírios com passaporte falso, prova a irresponsabilidade e corrupção que envolve a cúpula militar guineense. Os refugiados, de origem curda, pretenderiam chegar á Europa de Shengen via Portugal, após pagamento de altíssimos subornos na Turquia, em Marrocos e na Guiné –Bissau. 

Quem suporta a clique golpista e criminosa em Bissau? Não sendo certamente o povo, resta a compreensão das dinâmicas regionais e da influência de potências externas. Como se mantém o poder saído do golpe de 12 de Abril de 2012?

Percebamos que na Guiné-Bissau (como em Timor-Leste, na crise que derrubou ilegitimamente Mário Alkatiri) são as potências regionais quem decide. É é a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO),liderada por interesses franceses e seus aliados da Nigéria, Senegal, Costa do Marfim e Burkina Faso, quem apoia a situação vigente.
E com a bênção da ONU (o seu representante em Bissau é Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz e ex presidente de Timor), a camarilha do General Indjai, do Almirante Bubo Na TChuto, com apoio político de Kumba Ialá, adia a reposição democrática da legalidade e da normalidade, colocando os guineenses na situação de vítimas inocentes das suas lideranças

CR

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

The Beatles - Because


A ALEMANHA E O MODELO DEMOCRÁTICO


Após dois longos meses de negociações e compromissos, constituiu-se um governo de coligação na Alemanha, incorporando, sob a liderança de Merkel, a direita clássica (CDU+CSU) e os social-democratas. Apesar de ter obtido ganhos eleitorais importantes, com uma polarização evidente em torno das suas políticas, Merkel estruturou um governo de “consenso nacional” que inclui no seu programa medidas a que era uma férrea opositora: o salário mínimo e a edução da idade da reforma.
 
A Alemanha deixou há muito de pretender ser a locomotiva da Europa. Os resultados eram claramente insatisfatórios, não sendo o país exemplo de dinamismo económico ou de crescimento. A Alemanha quer ser “apenas” grande entre pequenos. Hoje manifestamente quer ser um país poderoso numa Europa envelhecida e em crise, modelo de um capitalismo sobrevivente, menos dependente de fluxo de capitais e mais atento ao mundo do trabalho. Merkel arrasta consigo uma social-democracia á deriva, sem valores ou perspectivas, cuja finalidade limitada é o acesso a franjas do poder. A História repete o drama da social-democracia alemã.

O capitalismo alemão aprendeu com o norte-americano a condicionar o sistema democrático a um formalismo de oposição entre iguais, de diferenças justapostas, lados idênticos de um mesmo espelho. E tal como na Grécia ou em Itália, conservadores e social-democratas juntam-se “inevitavelmente” para políticas radicais de austeridade e de empobrecimento. O mesmo se prepara para Portugal: PS e PSD unir-se-ão algures em políticas “unitárias” de “salvação nacional”. O acordo sobre o IRC é um primeiro passo. Quanto mais penalizados nas urnas, mais chegados estarão … Resta a esperança de ruptura, a afirmação crescente, política e eleitoral, de forças verdadeiramente alternativas.
 
 
 CR

FOTOGRAFIAS DE UMA GRANDE EXPOSIÇÃO







 
PORTO, 12 DE DEZEMBRO DE 2013
 

AgaH2O - ENVC (Entre-tanto Nós Vamos Continuar)




Música que aborda a questão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) sob a forma de missiva para o Sr. Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.
Trabalho totalmente independente, de produção própria, efectuado em 3 dias, resultando de uma pesquisa diversificada e procurando abranger os mais variados pontos de discussão, que rondam a questão dos ENVC.


Título: ENVC (Entre-tanto Nós Vamos Continuar)
Letra: AgaH2O (www.facebook.com/H2O.258)
Instrumental, gravação e mistura: Neno aka Espalha
Foto: Arménio Belo/LUSA ©
Data: 9 de Dezembro de 2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

PORTUGAL, 18 DE DEZEMBRO DE 2013




FOTOGRAFIAS DE UMA GRANDE EXPOSIÇÃO





 
PORTO, 12 DE DEZEMBRO DE 2013

Três erros crassos na apreciação de uma reivindicação (evidentemente) justa

-sobre o adiado pagamento de incentivos financeiros nas USF Modelo B relativos a 2012

1) Erro na identificação do culpado da indefinição

O circunstancial
–a auditoria aos CSP desenvolvida pelo Tribunal de Contas sobre se os incentivos pagos aos enfermeiros e assistentes técnicos integrados nas USF Modelo B são prémios ou suplementos
-o parecer pedido pela ACSS á Direcção Geral da Administração e do Emprego Público (Ministério das Finanças e da Administração pública)
-a Lei do Orçamento de Estado dos anos 2011, 2012 e 2013
-as “reservas” burocráticas e processuais das ARS

O substancial
-a decisão formulada em meio de Dezembro de suspensão do pagamento por parte do Ministério da Saúde (Secretário Estado Adjunto)
-o enquadramento da reivindicação na Lei e na Reforma dos CSP
-os compromissos anteriores com Missão CSP, Equipas de Contratualização, Equipas Regionais de Apoio, Relatórios de Contratualização
-o estado de desânimo e frustração geral
-a perplexidade das instituições representativas como a USF-AN, e Sindicatos
-a divisão inter-pares e culpabilização interna e externa

2) Erro na avaliação do impacto da indefinição por parte de alguns/muitos

O substancial
-a surpresa, fruto de confiança cega em interlocutores da tutela
-a incompreensão e falta de perspectiva histórica sobre processos de negociação
-a ausência de culpabilização governamental, fruto do “pecado” de identificação ideológica
-a culpabilização externa
-a inércia e o demissionismo
-a "salamização" dos interesses, com o risco de extinção das USF pelas contradições internas
-a perda de capacidade de projecção da luta

3) Erro na resposta e na elaboração de propostas alternativas

Propostas aberrantes, recuadas, ou unilaterais
- a revisão da Lei n.º298/2007, com incorporação dos incentivos mensalmente na remuneração
-alargamento do horário de trabalho nas unidades de saúde até às 23 horas e em períodos de fim-de-semana respondendo ao aumento de internamentos hospitalares
- a generalização de novas actividades assistenciais sem compromisso negociado

CR

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

comunicado oportuno

SUSPENSÃO DE PAGAMENTO DE INCENTIVOS FINANCEIROS
Carta aberta aos sócios e profissionais das USF, secretários clínicos, enfermeiros e médicos de família

Os coordenadores das USF, através das ARS, ficaram a saber que o SEAMS (Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde), ordenou a suspensão dos pagamentos dos incentivos financeiros a enfermeiros e secretários clínicos.

A Direção da USF-AN considera muito grave e inaceitável a decisão das ARS de não pagarem, neste mês de dezembro, os incentivos financeiros relativos ao ano de 2012, a que os secretários clínicos e enfermeiros têm direito, pelo seu excelente desempenho e cumprimento das metas contratualizadas.

Salienta-se que esses incentivos são devidos de acordo com o que está estipulado legalmente, no DL 298/2007 e na sequência da publicação dos relatórios das ARS sobre o desempenho das USF, o que está a acontecer com um atraso superior a seis meses.

Conforme tivemos conhecimento através de um ofício da ARS do Algarve e do Centro, a deliberação de não pagar agora os incentivos financeiros aos enfermeiros e secretários clínicos é do SEAMS e das ARS, apesar da sua autonomia e de terem cabimento orçamental para pagar.

A USF-AN foi informada de que o Ministério da Saúde e a ACSS aguardam orientações por parte do Ministério das Finanças e da Administração Pública / DGAEP, relativamente à questão de saber se o seu pagamento está englobado no disposto no artigo 35º da LOE para 2013 – Lei nº 66-B/ 2012, de 31 de dezembro – proibição de valorizações remuneratórias.

Simultaneamente, fomos informados de que o parecer da ACSS relativamente a esta matéria é favorável ao pagamento dos respetivos incentivos financeiros.

Se os incentivos financeiros vierem a ser considerados “valorização remuneratória”, ao abrigo das Leis dos Orçamentos de Estado de 2011, 2012 e 2013, isso poderia vir a implicar a devolução dos montantes auferidos nos últimos dois anos.

A confirmar-se a ameaça de não pagamento dos incentivos financeiros aos enfermeiros e secretários clínicos, ela é uma ameaça real às 400 equipas multiprofissionais das USF, solidariamente empenhadas e responsabilizadas.

Além disso, a confirmar-se, é uma medida que põe em causa o que de melhor se fez em Portugal na área da saúde, nos últimos anos, ao nível do acesso, do desempenho, da qualidade e da eficiência dos cuidados de saúde prestados aos cidadãos portugueses, como é reconhecido oficialmente.

A Direção da USF-AN considera que esta é fundamentalmente uma questão política e que compete ao Sr. Ministro da Saúde, confiando e reclamando que seja rapidamente resolvida. Neste sentido,  enviamos hoje um ofício de caráter urgente ao Sr. Ministro da Saúde, solicitando uma tomada de posição clara e inequívoca sobre este assunto.

Recordamos que a Associação adotou, nos últimos meses, diversas diligências junto da ACSS, das ARS, do Ministério da Saúde, da Assembleia da República e entidades públicas, denunciando o incumprimento de compromissos por parte das ARS e reclamando a urgência do pagamento dos incentivos relativos a 2012.

A USF-AN está de novo a adotar todas as iniciativas e medidas, no plano jurídico, institucional e político para travar esta medida.

Adotará ainda, se vier a ser necessário e em cooperação com todas as organizações profissionais e dos utentes, as formas de luta mais adequadas, de acordo com a evolução da situação.

Entretanto, continuaremos a trabalhar, com autonomia e responsabilidade, focados no melhor para a saúde dos cidadãos, exigindo ao mesmo tempo com firmeza que se cumpram os compromissos assumidos pela administração.

Vamos manter-nos unidos, informados, confiantes, atentos e disponíveis para fazer o que deve ser feito em cada momento.

- Apelamos a cada uma das equipas USF para discutirem a situação e avaliarem as condições para adoção de outras medidas!

- Apelamos às Equipas USF para que tomem posição junto das ARS, dando conhecimento à USF-AN


 JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

A Direção da USF-AN

 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ana Moura - Amor afoito



Álbum Desfado (2012)

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES


SESSÃO ORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES


SÁBADO, 21 DE DEZEMBRO DE 2013, PELAS 14H30

SALÃO NOBRE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES


ORDEM DO DIA

1-Proposta da acta da sessão ordinária de 20/11/2013 – para discussão e votação

2-Documentos previsionais – Ano 2014- para discussão e votação

3-Proposta para a taxa municipal de direitos de passagem (TMDP) - para discussão e votação

4- Proposta do lançamento de derrama – para discussão e votação

5-Proposta de fixação da participação no IRS para o ano de 2014- para discussão e votação

6-Minuta do contrato de execução de delegação de competências a celebrar com as Juntas de Freguesia, no âmbito da Lei n.º75/2013, de 12 de Setembro- para discussão e votação

7-AMI Paredes – Agência Municipal de Investimentos de Paredes, E. M., S. A. – proposta - para discussão e votação

8-Residência universitária de Gandra- proposta de reconhecimento de interesse local apresentada pela CESPU- para discussão e votação

9-Paredes Industrial – Parques Industriais, S.A. – pedido de isenção de IMI e de IMT - para discussão e votação

10-Proc.º 20/DAP/13 – Adjudicação - Ajuste directo para prestação de serviços de revisão/auditoria externa às contas do município de Paredes - para discussão e votação

11-Concurso público internacional para aquisição de fornecimento de refeições escolares a alunos do pré-escolar e do 1.º Ciclo do ensino básico do município de Paredes- autorização da despesa e abertura de procedimento - para discussão e votação

12-Atribuição de bolsas de estudo – proposta de alteração ao regulamento - para discussão e votação

13-Emissão de parecer prévio (LOE) – abertura de procedimento – concurso público internacional para prestação de serviços de limpeza pública urbana nas cidades de Paredes, Gandra, Lordelo e Rebordosa, vilas de Baltar, Cete, Recarei e Sobreira e freguesia de Parada de Todeia - para discussão e votação

14-Correção da sinalização vertical na Rua das Alminhas e Travessa da Vila na freguesia de Gondalães - para discussão e votação

15-Sinalização vertical e horizontal na Av. Padre Amadeu e rua de Miragaia, na freguesia de Louredo - para discussão e votação

16-Sinalização vertical na Rua Luís de Camões e Travessa Luís de Camões, na freguesia de Rebordosa - para discussão e votação

17-Postura de sinalização em diversas vias da freguesia de Sobrosa - para discussão e votação

domingo, 15 de dezembro de 2013

Luis Rego - Amor Novo


texto

TRABALHO E DIGNIDADE

O Trabalho é a mais profunda expressão de qualificação e realização humanas. Constitui por isso área sensível de organização da sociedade, compromisso social, indicador indiscutível de progresso. Mas hoje só tem sentido o trabalho se remunerado e com direitos. Questão de dignidade, diremos muitos (mas nunca os suficientes!).
Em tempos de crise económica e social, assistimos a graves atentados a valores civilizacionais. A Junta de Freguesia de Paço de Sousa está ligada a uma perversa iniciativa: trabalhar e receber como pagamento comida. Em Paço de Sousa há desempregados e famílias carenciadas que são pagos por trabalho a particulares com alimentos de uma “Despensa Social” da Junta de Freguesia. São “voluntários á força”, nas mãos de “mecenas” e de uns “créditos” adquiridos (3 euros á hora).

Substitui-se o trabalho qualificado com direitos, ou o desemprego, por práticas de exploração laboral. Chama-se Banco do Tempo, como se podia chamar outra coisa qualquer (“tempo passado”?).
Jardineiros, pintores, tractoristas, cantoneiros ou auxiliares de geriatria prestam serviço em situações precárias, sem direitos (segurança social, direito a férias, protecção na doença). Assim se substituem postos de trabalho regulares. E isto é assumido como positivo, embora seja claramente injusto e ilegal. Daqui a referência “prudente” por parte dos seus autores ao não usufruto da iniciativa por parte de empresas e da própria Junta de Freguesia.
 
A Junta de Freguesia de Paço de Sousa é liderada pelo PS. O anterior Presidente da Junta de Freguesia é um histórico socialista, pai do candidato PS á Câmara Municipal de Penafiel André Ferreira. Tem portanto responsabilidade politicas pelo protagonismo e patrocínio de tal iniciativa oportunista. Historicamente relembramos tempos da fome, das jornas do Alentejo, de caseiros rurais no Norte e Centro.  Tempos que nunca se devem repetir.
 
Os Comunistas de Penafiel denunciaram, chamaram-lhe justamente o “aproveitamento oportunista do flagelo social do desemprego e das situações de carência das famílias”. Identificaram corajosamente o sentimento auto-generoso de dar esmola aos coitadinhos dos necessitados.
 
Pergunta-se se o Gabinete de Apoio Social da Junta de Freguesia alguma vez manifestou ou participou nas lutas por defesa dos salários e pensões, pela renegociação da dívida, pela revogação de lei do arrendamento, pela revisão das PPP’s, pela anulação dos contratos SWAP’s, contra as taxas moderadoras na saúde, pela baixa do tarifário da electricidade e outras energias, entre outras. Seriam muitos milhões de euros disponíveis nas receitas. Pergunta-se que Estado Social o Gabinete de Apoio Social da Junta de Freguesia pretende implementar, sem contratos, sem impostos, sem dinheiro. Pergunta- se se o futuro das gentes locais passa por estratégias de sobrevivência de “voluntários” com a cidadania suspensa ou por um desenvolvimento equilibrado e socialmente justo.
 
CR

 

a cuspidela da serpente


No Correio da Manhã de hoje

Os directores de escolas convocaram todos os professores do quadro para quarta-feira fazerem vigilância á prova de avaliação de docentes contratados.

 “A tutela não indicou expressamente mas os directores perceberam que é um caso análogo ao da greve de Junho ao exame de Português do 12.º Ano e convocaram todos, excepto contratados e educadores de infância. As convocatórias foram afixadas nas salas de aula” (disse Filinto Lima, da Associação de Directores de Escolas).

O mesmo avisa que a greve pode custar 4 horas de salário. “Os sindicatos afirmaram que quem fizer greve só perde os dois tempos que dura a prova, mas os vigilantes têm de estar na escola das 9h ás 13 h. Perdendo dois tempos, a adesão á greve seria grande, com quatro será menor”.

No seu caso particular, chamou 160 professores sendo necessários apenas 22. “Temos de fazer tudo para que a prova se realize, as pessoas pagaram e não podem ser defraudadas. Apelo aos professores para serem inteligentes e não se deixarem ir na divisão que os sindicatos criaram”
Há um fascista á solta, a merecer escárnio ... e algo mais.

 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

PROVAS


Michelle ou a prova de que muitas mulheres são outra coisa

Estavam os quatro num estádio mas enquanto Cameron, Helle Thorning-Schmidte (primeira ministra da Dinamarca) e Obama pareciam estar a assistir a um desafio de rugby só Michelle Obama se lembrou que era uma cerimónia de homenagem fúnebre a Mandela.

(em sempunhosderenda.blogspot.pt)

ou a prova de que há "criançolas" a conduzirem os destinos do mundo...

ou a prova de que quando há "hormonas aos saltos" elas (as hormonas) mandam sempre

ou a prova de que uma loira pode provocar muitos estragos ah ah ah

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Eleições venezuelanas municipais

Vitória bolivariana

As forças progressistas e revolucionárias venezuelanas triunfaram na esmagadora maioria dos municípios do país. O Partido Comunista da Venezuela (PCV) governa nove autarquias.
 


Embora os resultados definitivos não tenham sido ainda divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, com cerca de 98 por cento dos votos escrutinados a tendência indica que os bolivarianos venceram em mais de 250 municípios, contra 74 ganhos pela opositora Mesa de Unidade Nacional (MUD).

Na maioria dos casos, foram eleitos presidentes de câmara os candidatos indicados pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) no quadro do Grande Pólo Patriótico (GPP), mas noutros triunfaram patriotas que, segundo explicou o vice-presidente Diosdado Cabello em entrevista à VTV, embora apresentando-se em listas alternativas às do GPP e da MUD, se manifestam partidários do processo revolucionário.

Cabello exemplificou o facto com a vitória do PCV em duas autarquias e com as garantias políticas dadas por candidatos independentes logo que foram conhecidos os resultados. Noutras sete localidades, os comunistas governam o município porque o seu candidato encabeçava a lista do GPP.

Já o presidente da República, Nicolás Maduro, detalhou que a diferença percentual entre o GPP e a MUD ronda os 10 pontos (55 por cento contra 45 por cento do total nacional), e que embora perdendo as três maiores cidades – Caracas, Maracaibo e Valência – as forças bolivarianas foram as mais votadas em 14 das 24 capitais de distrito. Das 40 maiores cidades, 30 terão maioria socialista, acrescentou.

A diferença em número absoluto de votos entre os progressistas e revolucionários e a oposição no sufrágio realizado no passado domingo supera já os 500 mil boletins, assegurou ainda Diosdado Cabello, cifra muito superior à registada nas presidenciais de 14 de Abril, nas quais foram a consulta popular Nicolás Maduro e Henrique Capriles.

Para o PCV, tal «constitui uma derrota do plano de conspiração [guerra económica com manipulação do mercado cambial, sabotagem, açambarcamento de bens e inflação de preços, fazendo lembrar o ocorrido antes das municipais no Chile então governado pela Unidade Popular por Salvador Allende] que o núcleo da direita fascista, com instruções dos EUA, tentou imprimir às eleições, dando-lhe um carácter de plebiscito [ao processo bolivariano

(em Avante)

 

A HISTÓRIA DO APARTHEID, COM PROTAGONISTAS LUSOS

Vem publicado no Jornal Público. Uma visita encomendada, o fascismo insular e uma voz democrática e corajosa.

A libertação de Nelson Mandela foi reclamada pelo actor Mário Viegas, quando protestou contra a polémica presença do Presidente da África do Sul, Pieter Botha, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Pik Botha, na Madeira, a 13 de Novembro de 1986.

“ANC! Mandela! Mandela”, gritou Viegas quando os responsáveis pelo regime racista entravam nas adegas da Madeira Wine Company, no centro do Funchal, perto do Teatro Municipal, onde estava a ser representada Catástrofe, de Samuel Beckett, com encenação e cenografia do actor.

"Estava na avenida [Arriaga], quando vi muitos carros pretos a parar. De um deles, saiu Pieter Botha, o Presidente da África do Sul, que visitava a Madeira. Não me contive e comecei a gritar, de punho direito erguido, 'ANC! Mandela!', 'You are a racist' – uma vergonha, reconheço”, relatou numa entrevista à RTP1 o actor, que faleceu em 1996.

Viegas descreve assim as reacções do visitante e do seu anfitrião: “O Botha foi, no entanto, impecável. Virou-se para mim e disse: 'OK, it's your opinion'.  O Alberto João estava estarrecido”. No dia seguinte, acrescenta, o Jornal da Madeira, propriedade do Governo Regional, “chamava-me esbugalhado, esquerdista, otelista e convidava-me a sair da ilha”.

A calorosa recepção proporcionada pelo chefe do governo regional ao Presidente da República da África do Sul, Pieter W. Botha, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Pik Botha, motivou um protesto da Assembleia da República, aprovado com os votos de PS, PRD, PCP e MDP/CDE e contra de PSD e CDS. A visita do “principal responsável do apartheid” à região “põe em causa o princípio da unidade da política externa portuguesa” e contraria “o sentido da história, da liberdade e dos direitos humanos” que condena aquele regime, frisa o documento.

Numa declaração política que precedeu a discussão do voto, José Carlos Vasconcelos (PRD) lembrou que a visita ocorria num momento em que "a CEE, os EUA e outros países da OCDE decidiram passar da condenação formal do regime do apartheid a medidas concretas para o combater”. E que a atitude de Jardim atentava “contra a unidade de acção externa do Estado português, diminuía a credibilidade da nossa posição na CEE”, “pode prejudicar, a prazo, as potencialidades de Portugal como interlocutor na África Austral” e ser “prejudicial à grande comunidade portuguesa, designadamente madeirense, na África do Sul”.

Vasconcelos recordou ainda que a recepção à comitiva dos Botha ocorria na sequência da atitude das autoridades regionais de “desrespeitar ostensivamente o luto nacional pela morte do Presidente Samora Machel, um amigo de Portugal, decretado pelo Governo da República”. “Duas semanas depois, inacreditavelmente, [Jardim] recebia de braços abertos o Presidente de um regime universalmente condenado pela violação dos direitos humanos”.

No debate, Manuel Alegre (PS) criticou o silêncio do primeiro-ministro face à atitude de Jardim, “um silêncio revelador de falta de coragem política e de sentido de estado”, “um silêncio que só pode ser interpretado como de cumplicidade ou capitulação”.

Só passados 16 anos Cavaco Silva quebrou o silêncio, para demarcar-se de Jardim. No primeiro volume da sua Autobiografia Política, publicado em 2002, o actual Presidente de República revela ter ficado “muito irritado” com posição de Jardim, desmentindo o líder insular, que disse ter recebido os Botha a pedido do primeiro-ministro.

Jardim, citado no livro Achas da Autonomia, publicado pelo jornalista Luís Calisto em 1995, revela ter recebido os líderes do regime do apartheid na Madeira por solicitação do primeiro-ministro, com a condição de “nunca comprometer o Governo da República nem Cavaco Silva” e de “manter o assunto em segredo, pelo menos enquanto a África do Sul não regressar à normalidade democrática e humanitária”. Fê-lo com a promessa de que os sul-africanos ofereceriam a gare do Porto Santo, o que, adianta, Cavaco Silva não aceitou para não comprometer os apoios da União Europeia, cujos líderes não tinham recebido os Botha na deslocação feita então a França, para participarem na inauguração de um museu às vítimas sul-africanas nas duas guerras mundiais.

Na autobiografia, Cavaco Silva considera “inaceitáveis” os “ataques [de Jardim] à política externa africana seguida pelo Governo, com forte ressonância na comunicação social”, por “prejudicarem a imagem da unidade da política externa, que eu achava muito importante para a defesa dos interesses do país no exterior”.

“Fiquei muito irritado com as declarações do líder do PSD/Madeira e fiz-lhe sentir isso mesmo numa carta que lhe enviei a 14 de Novembro de 1986 e de que dei conhecimento ao Presidente da República”, Mário Soares. “Alberto João Jardim respondeu-me também muito irritado, acusando-me de fazer renascer um conflito institucional entre poder central e regiões autónomas e de o meu Governo procurar amarfanhar os presidentes dos governos regionais, o que não tinha qualquer fundamento”, adianta.