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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CAPITALISMO


Estado injecta 1100 milhões de euros na recapitalização do Banif

O Ministério das Finanças anunciou a injecção de 1100 milhões de euros no processo de recapitalização do Banif. Estado deve tornar-se principal accionista.

O Estado mais uma vez nacionaliza os prejuízos dos privados ao mesmo tempo que vende os activos que dão lucros.

 Em 2013, não se esqueçam de continuar a acreditar que o vosso dinheiro vai para os "malandrões" do rendimento mínimo...

CHROMATICS -INTO THE BLACK



Uma versão soberba de Hey Hey My My, de Neil Young.

domingo, 30 de dezembro de 2012

informação

Município de Almada encerra 2012 com realização orçamental superior a 90%
Ausência total de dívidas vencidas a fornecedores

  O Município de Almada fechou hoje, dia 28 de dezembro, pelas 20h, as Contas do Exercício de 2012, com uma taxa de execução orçamental superior a 90% (receitas e despesas).
Em 2012 o Município efetuou pagamentos na ordem dos 105 milhões de euros.

Mais uma vez, o Município de Almada transita de ano com saldo positivo e sem qualquer dívida vencida a fornecedores e/ou empreiteiros.

Em tempo de "crise aguda", os notáveis resultados que foram conseguidos são reflexo de uma gestão pública muito exigente, rigorosa e responsável, constituindo um bom exemplo de governação ao serviço dos cidadãos e do interesse público.

Ivan Lins - A Noite



TEXTO


CONSTRUINDO A ALTERNATIVA

O ano de 2012 termina no plano nacional com o diagnóstico feito: é preciso criar a alternativa política patriótica e de esquerda que forças como o PCP reivindicam. Aqui chegados, compreendidos bem os fundamentos e as condicionantes do rumo para o desastre que estamos a trilhar, importa dizer a verdade: só aglutinando pessoas, interesses e forças politicas com real objectivo de mudança, é possível encontrar solução eficaz para os problemas que enfrentamos como comunidade. Mas para isso, sejamos objectivos, é preciso romper com as directivas do memorando assinado pela tróica nacional e pela chamada tróica estrangeira. Trata-se de um percurso difícil, demorado, mas inevitável. Fora deste urgente programa unitário de intervenção, ficarão as intenções de alternância, que nada resolvem e se limitam a mudar o feitor de palacete estrangeirado.  

Mas a nível local, é necessário igualmente construir a alternativa, a resposta necessária a um endividamento galopante da autarquia, á ineficácia do executivo e á degradação da democracia participativa de que o poder local é testemunho. O diagnóstico está igualmente feito: Paredes estiola, apesar do disfarce de obras e projectos virtuais que alimentam falsas expectativas e iludem dificuldades. Os “elefantes brancos” de Paredes são eloquentes da deriva programática e da impotência executiva.  

A alternativa constrói-se neste início de 2013 em Paredes assumindo-se que há agora (no tempo presente) quem faça melhor, diferente, com ética e sentido de comunidade, e com verdade. E que, em maioria, ou em minoria, as ideias e a prática de quem assim procede são património do cidadão, do eleitor, das forças vivas do concelho.

 Há fronteiras ideológicas, culturais e mesmo comportamentais que foram derrubadas, muito por força do sismo económico e social que vivemos. Há forças políticas em Paredes, como o PCP, que coerentemente, de queixo levantado e sem vergonha, se reivindicam da grande maioria social popular, que resiste, luta e se opõe á grande ofensiva contra o trabalho, os direitos sociais e a harmonização social. E é com essa grande maioria social popular que importa trabalhar. Se há ou não a possibilidade de uma ou várias candidaturas contra o sistema, é pouco importante. Importa sim que apareçam.

Mas falar verdade é necessário. Em Paredes, o Pai Natal Socialista é pródigo em prendas. Mas a última prenda infelizmente não cabe na chaminé... Habituados já estávamos às surpresas de última hora, como a história de um assessor muito qualificado recém-chegado á urbe, trazendo uma mão cheia de nada e a outra com uns subsidiozinhos para bombeiros e IPSS´s.

Conformados já estávamos com as dúvidas e incertezas de orientação, o tiro corrigido na Carta Educativa ou na Reorganização Administrativa.

Agora há uma nova prenda socialista natalícia á população que consiste numa promoção, uma rendição. A vereadora do PSD reflectiu, zangou-se, discordou e sentindo que perdia autonomia, abandonou. Trata-se de um direito seu. Pressuroso, o PS local cavalgou e aconchegou o abandono, alimentou a dissidência. O temido adversário de ontem virou um sem-abrigo da política, valioso a assistir, a dar guarida, a entronizar, e a santificar. Veremos quantas almas, quantos protagonistas, quantas organizações, desfilarão atrás do andor.     

Pergunta-se pela autonomia e auto-estima da organização socialista. É uma questão interna. Certamente se perdeu nas teias do pragmatismo sem princípios. Construir o futuro com os restos do passado?

Cristiano Ribeiro     

Ozark Henry - Sweet Instigator



Álbum Birthmarks (2001)

sábado, 29 de dezembro de 2012

poema


A Lâmpada Marinha*

Pablo Neruda

 
Porto cor de céu
I


Quando desembarcas
em Lisboa,
céu celeste e rosa rosa,
estuque branco e ouro,
pétalas de ladrilho,
as casas,
as portas,
os tectos,
as janelas
salpicadas do ouro verde dos limões,
do azul ultramarino dos navios,
quando desembarcas,
não conheces,
não sabes que por detrás das janelas
escura,
ronda,
a polícia negra,
os carcereiros de luto
de Salazar, perfeitos
filhos de sacristia a calabouço,
despachando presos para as ilhas,
condenando ao silêncio
pululando
como esquadrões de sombra
sobre janelas verdes,
entre montes azuis,
a polícia,
sob outonais cornucópias,
a polícia,
procurando portugueses,
escarvando o solo,
destinando os homens à sombra.

A cítara esquecida
II


Ó Portugal formoso,
cesta de frutas e flores ?
emerges na prateada margem do oceano,
na espuma da Europa,
com a cítara de ouro
que te deixou Camões,
cantando com doçura,
esparzindo nas bocas do Atlântico
teu tempestuoso odor de vinharia,
de flores cidreiras e marinhas,
tua luminosa lua entrecortada
de nuvens e tormentas.

Os presídios
III


Mas,
português da rua, entre nós,
ninguém
nos escuta,
sabes
onde
está Álvaro Cunhal?
Sabes, ou alguém o sabe,
como morreu,
o valente,
Militão?
E sua mulher sabes tu
que enlouqueceu sob torturas?
Moça portuguesa,
passas como que bailando
pelas ruas
rosadas de Lisboa,
mas
sabes,
sabes onde morreu Bento Gonçalves,
o português mais puro,
honra de teu mar, de tua areia,
sabes
que ninguém volta jamais
da Ilha
da Ilha do Sal,
que Tarrafal se chama
o campo da morte?

Sim, tu sabes, moça,
rapaz, sim to sabes,
em silêncio
a palavra anda com lentidão mas percorre
não só Portugal senão a Terra.

Sim, sabemos,
em remotos países,
que há trinta anos
uma lápide
espessa como túmulo ou como túnica,
de clerical morcego,
afoga Portugal, teu triste trino,
salpica tua doçura,
com gotas de martírio
e mantém suas cúpulas de sombra.

O mar e os jasmins
IV


Da tua pequena mão outrora
saíram criaturas
disseminadas
no assombro da geografia.
Assim, a ti volveu Camões
para deixar-te o ramo de jasmins
sempiterno a florescer.
A inteligência ardeu qual vinho
de transparentes uvas
em tua raça,
Guerra Junqueiro
entre as ondas
deixou cair o trovão
de liberdade bravia
transportando o Oceano a seu cantar,
e outros multiplicaram
teu esplendor de rosais e racimos
como se de teu estreito território
saíssem grandes mãos
derramando sementes
pela terra toda.

Não obstante,
o tempo te soterrou,
o pó clerical
acumulado em Coimbra
caiu sobre teu rosto
de laranja oceânica
e cobriu o esplendor de tua cintura.

A lâmpada marinha
V


Portugal,
volta ao mar, a teus navios
Portugal volta ao homem, ao marinheiro,
volve à terra tua, à tua fragrância,
à tua razão livre no vento,
de novo
à luz matutina
do cravo e da espuma.
Mostra-nos teu tesouro,
teus homens, tuas mulheres,
não escondas mais teu rosto
de embarcação valente
posta nas avançadas do Oceano.
Portugal, navegante,
descobridor de Ilhas,
inventor de pimentas,
descobre o novo homem,
as ilhas assombradas,
descobre o arquipélago no tempo.
A súbita
Aparição
do pão
sobre a mesa,
a aurora,
tu, descobre-a,
descobridor de auroras.
Como é isso?
Como podes negar-te
ao ciclo da luz tu que mostras-te
caminhos aos cegos?
Tu, doce e férreo e velho,
estreito e amplo Pai
do horizonte, como
podes fechar a porta
aos novos racimos,
ao vento com estrelas do Oriente?
Proa da Europa, procura
na correnteza
as ondas ancestrais,
a marítima barba
de Camões.
Rompe
as teias de aranha que cobrem
tua fragrante copa de verdura
e então
a nós outros, filhos dos teus filhos,
aqueles para quem descobriste a areia
até então escura
da geografia deslumbrante,
mostra-nos que tu podes
atravessar de novo
o novo mar escuro
e descobrir o homem que nasceu
nas maiores ilhas da terra.
Navega, Portugal, a hora
chegou, levanta
tua estatura de proa
e entre as ilhas e os homens volve
a ser caminho.
A esta idade agrega
tua luz, volta a ser lâmpada
aprenderás de novo a ser estrela.

 ** Poema de Pablo Neruda inserido na campanha internacional para a libertação de Álvaro Cunhal, 1954.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"Não é corajosa a vítima que colabora com o agressor mas a que lhe faz f...


sugestão de leitura - OS SINOS DE BASILEIA

 
Os sinos de Basileia, de Louis Aragon
Editorial Caminho, 1981
 
Os Sinos de Basileia, centrado em três figuras de mulher, — Diane, Catherine, e, simbolicamente, Clara Zetkin —, dá-nos através delas toda uma época, de maneira trágica e irónica, fluente e cheia de contrastes e cambiantes. É o início do século, com a Primeira Guerra Mundial a pairar no horizonte que o autor nos transmite, palpitante, ao mesmo tempo que nos desvenda os cruéis mecanismos que o regeram e as esperanças que o animaram. Os Sinos de Basileia é um romance arrebatador, como o leitor comprovará.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CUNHAL

«Tão magro, de magreza impressionante, chupado a face fina e severa, as mãos nervosas, dessas mãos que falam, mal penteado o cabelo, um homem jovem mas fisicamente sofrido, homem de noites mal dormidas, de pouso incerto, de responsabilidades imensas e de trabalho infatigável, eu o vejo, sentado ao outro lado da mesa, diante de mim, falando com a sua voz um pouco rouca, os olhos ar...dentes no fundo de um longo e sempre vencido cansaço, e o vejo agora como há cinco anos passados, sua impressionante e inesquecível imagem: Álvaro Cunhal, conhecido por Duarte, o revolucionário português. Falava sobre Portugal, sobre que poderia falar?

Sua paixão e sua tarefa: libertar o povo português da humilhação salazarista, libertar Portugal dessa já tão larga noite de desgraça, de silêncios medrosos, de vozes comprimidas, de alastrada e permanente fome do povo, de corvos clericais comendo o estômago do país, de tristes inquisidores saídos dos cantos mal iluminados das sacristias e da História para oprimir o povo e vendê-lo à velha cliente inglesa ou ao novo senhor norte-americano. Sua paixão e sua tarefa: fazer de Portugal outra vez um país independente e do povo português um povo novamente livre e farto e dono da sua natural alegria.

Ah! Aqueles cansados olhos fundos sorriam e a voz estrangulada de cólera se abria em doçura de palavras de amor para falar de Portugal e do povo português. Eu compreendia que aquele homem de magreza impressionante, de físico combalido pela dura ilegalidade perseguida, era o seu próprio país, seu próprio povo e que, com seu cansaço, sua fadiga de anos, sua rouca voz de velho sono, suas mãos ossudas, eles estava construindo a vida, o dia de amanhã, o mundo novo a nascer das ruínas fatais do salazarismo.

Como era terno seu sorriso ao falar das festas populares nas aldeias do Minho ou dos homens rudes de Trás-os-Montes! Conhecia tudo do seu país e do seu povo, tudo o que era autentico de Portugal, desde o mar-oceano com a sua história portuguesa e gloriosa até as vinhas ao sol e as cantigas e os poemas dos poetas reduzidos na sua grandeza pela censura fascista; desde as histórias heróicas dos militantes presos, torturados até à loucura e à morte, as tenebrosas histórias do Tarrafal, o campo de concentração mais antigo e mais cruel da Europa, até às doces histórias de amor da província portuguesa, com um sabor romântico das velhas legendas.

Contou-me coisas de espantar com sua voz ora doce, grávida de ternura, ora violenta de cólera desatada quando falava da fome dos trabalhadores, da opressão salazarista sobre o povo, da opressão imperialista sobre a sua pátria de primavera e mar. (...) os comunistas portugueses, heróis anónimos do povo, os invencíveis, os que estão rasgando a noite fascista com a lâmina de sua audácia e de sua certeza para que novamente o sol da liberdade ilumine o país dos pescadores e das uvas. De um me disse: «Esse esteve no Brasil e aprendeu com vocês» (...) Falou do campo, dos homens que habitam as montanhas, daqueles que Ferreira de Castro, o grande romancista, descreveu em «Terra Fria» e «A Lã e a Neve». (...) Falou dos operários das cidades daqueles que Alves Redol descreveu em seus magníficos romances e contou da sua irredutível resistência ao regime salazarista. (...) Naquela tarde como que me apossei por inteiro de Portugal, do melhor Portugal, do Portugal eterno, como se Álvaro Cunhal o trouxesse nas suas mãos ossudas, tão descarnadas e nervosas, como se trouxesse – e o trazia em verdade – no seu coração de revolucionário e patriota.

Voltei a vê-lo ainda uma vez, dias depois, e a longa conversa sobre Portugal continuou. Falou-me dos escritores, dos plásticos, dos pescadores, fadistas, e sobretudo da luta subterrânea, dura e difícil e jamais vencida. (...) Veio o processo, dentro dos métodos infames dos tribunais fascistas. Ali se ergueu Álvaro Cunhal (Militão morrera de torturas) e não era o réu, era o acusador, a voz de fogo a queimar o vergonhoso rosto dos carrascos do seu povo, dos vendilhões da sua pátria. (...) Pretendem matá-lo e nós sabemos que são frios assassinos os que querem matá-lo. É uma vida preciosa, preciosa para Portugal e para o mundo, ajudemos o povo português a salvá-la! (...) Há alguns meses eu estava em frente ao mar Pacífico, na costa sul do Chile, em Isla Negra, em casa de Pablo Neruda, meu companheiro de lutas de esperança. Uma figura de proa de barco se elevava em frente ao mar de ondas altas e violentas. Por isso falámos de Portugal e do seu destino marítimo. Contei ao poeta sobre Cunhal e Pablo levantou-se, deixou-me com o pescador que parara para escutar-nos e quando voltou havia escrito esse maravilhoso poema que é «A Lâmpada Marinha»* sobre Portugal, seu povo, Álvaro Cunhal e o dia luminoso de amanhã» (...) Hoje o mais bravo dos filhos desse povo heróico, aquele que tudo sacrificou para ser fiel à esperança do povo está com sua vida ameaçada.»


Jorge Amado falando de Álvaro Cunhal

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

poema



PESCADOR

 
No agreste deste mar,

quero ser o pescador

com uma rede de sonhos

e de desejos

que me traga amores, búzios

e até caranguejos.
 

 
Issuf Ibraim, poeta árabe

100 anos do Partido Comunista do Chile (II)



Hino da Juventude Comunista
Palácio do Congresso, Santiago

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

uma saudação de um Natal diferente


Victor Jara - El Derecho de vivir en Paz



Para todos os meus amigos, neste Natal de 2012

o descalabro regional

Acumulam-se os sinais da resposta centralista do Poder actual, perante as dificuldades de gestão de recursos e dos cortes orçamentais. O Norte do país está cada vez mais degradado, perdendo poder politico e económico. Ouvem-se vozes em crescendo, no número e no tom, clamando contra as injustiças e desigualdades. A RTP Norte esvazia-se na sua programação, o Metro do Porto estiola na sua indefinição, a Casa da Música e a Fundação de Serralves são comprimidas nos seus orçamentos e nos seus compromissos. Estruturas como o Porto de Leixões e o Aeroporto do Porto são objecto de projectos de fusão com outras estruturas nacionais, como castigo da sua individualidade e do seu sucesso. São inúmeros os exemplos neste final de 2012. Mas há perguntas incómodas a que poucos dão respostas.
Porque está quase sempre ausente dos inumeros textos, panfletos, relatórios criticos a palavra Regionalização? Porque não são identificados os autores e cúmplices dos respectivos desmandos, a começar pelos governantes originários do Norte, os senhores deputados, as estruturas locais e regionais do PSD e do CDS? Afinal o maior ataque ás estruturas nortenhas, ao seu financiamento, ao seu funcionamento regular, parte de Marco António Costa, Aguiar Branco, LF Meneses  e seus lacaios, que como sempre trocam o bem estar da população pelas benesses e regalias do exercício do poder.

CR

domingo, 23 de dezembro de 2012

The Verve - Sonnet


100 anos Partido Comunista do Chile


Mais de 70.000 pessoas assistiram enchendo o  acto de celebração  dos 100 anos do Partido Comunista de Chile (PC), no Estádio Nacional

O espectáculo foi aberto pelo destacado cantor cubano Sílvio Rodríguez, que esteve perto de uma hora no palco. Depois foi a vez das bandas nacionais como Inti Illimani, Illapu, Sol y Lluvia e Juana Fe, para além de Manuel García, Chinoy e Nano Stern.

O recinto foi um dos principais centros de detenção, execução e tortura depois do golpe militar de 1973. Ali muitos militantes comunistas sofreram vexames, permanentes atropelos dos direitos humanos e desaparecimentos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

poema


Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

de falar e de ouvir com mavioso tom,

de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,

de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,

de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,

como se de anjos fosse,

numa toada doce,

de violas e banjos,

Entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor

anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.

Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.

Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,

com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,

cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,

as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,

ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento

e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.

Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena.

Cada menino

abre um olhinho

na noite incerta

para ver se a aurora

já está desperta.

De manhãzinha,

salta da cama,

corre à cozinha

mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza

da matutina luz

aguarda-o a surpresa

do Menino Jesus.

Jesus

o doce Jesus,

o mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho

do Pedrinho

uma metralhadora.

Que alegria

reinou naquela casa em todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!

E fazia-as erguer para de novo matá-las.

E até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam

crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,

de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas Alturas.


ANTÓNIO GEDEÃO

NATAL

http://youtu.be/DLwa0jcdJco

CORO INFANTIL DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

PRESENTE DE NATAL - FERNANDO LOPES GRAÇA


humor


muito confidencial e muito elucidativo


A Arábia Saudita envia para a Síria os seus condenados à morte a fim de travarem a "jihad"

Um documento oficial inquietante, com o carimbo de "muito confidencial", datado de Abril de 2012, que seria proveniente do Ministério do Interior da Arábia Saudita, confirma o envio de condenados à morte para combater na Síria.

Muito confidencial [*]

Reino da Arábia Saudita

Ministério do Interior

Sua excelência o general Seoud al Thounayane

Gabinete secreto do Ministério do Interior

25/05/1433 hégira

Saudação e benção de Alá

Sequência do telegrama do gabinete real nº 112 com data de 19/04/1433 hégira.

Nas prisões do reino detidos (105 iemenitas, 21 palestinos, 212 sauditas, 96 sudaneses, 254 sírios, 82 jordanos, 68 somalis, 32 afegãos, 194 egípcios, 203 paquistaneses, 23 iraquianos e 44 kuwaitianos) acusados de tráfico de droga, de assassínio, de violação, merecendo o castigo da charia islâmica e da execução pela espada serão – em acordo com eles – agraciados com a contrapartida de irem combater pela jihad na Síria após treino e equipamento. Um salário mensal será pago aos seus familiares e seus próximos que se verão proibidos de viajar para fora da Arábia Saudita.

Queira receber as minhas saudações.

Abdallah ben Ali al Rmeizan
Director do gabinete de acompanhamento no Ministério do Interior

- Cópia ao director do Comité para ordenar o Bem e proibir os actos ímpios.
- Cópia às informações gerais

[Fim]
11/Dezembro/2012

O original encontra-se em http://www.silviacattori.net/article4033.html

Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .

PORTUGAL NA MÃO DE BANDIDOS

 
Tinha que dar nisto! Quando se coloca um país nas mão de bandidos, ele acaba vendido, espoliado, com milhões de cidadãos roubados para encher os bolsos aos membros do bando.
Em casos extremos, como o nosso, em que os bandidos padecem de um fanatismo patológico, o país pode mesmo acabar desfigurado geográfica e historicamente, com milhares e milhares de portugueses a ter que pensar duas vezes antes de dizerem onde nasceram, não vá a sua freguesia de nascimento ter sido extinta pela paranoia demagógica e mentirosa destes bandalhos... isso para além das dificuldades acrescidas para a vida de populações inteiras, desviadas das suas tradições, rotinas de vida, serviços públicos, etc., etc., etc.
Não, não vivemos uma época edificante! Como se não bastasse, vem, mais uma vez, o que faz de primeiro-ministro da quadrilha... tentar colocar o peso da culpa sobre os ombros dos portugueses.
Desta vez, o canalha espera que 2013 «seja um ano em que as pessoas vençam o pessimismo e não acrescentem dificuldades àquelas que já temos», insinuando que somos nós quem origina a crise e as dificuldades por que estamos a passar. Insinuando que o estado miserável da sua governação não passa, afinal, de um “estado de espírito”, de que é o povo, “piegas e pessimista”, o único culpado.
Não satisfeito com isso, acrescenta ainda o canalha que «às vezes parece que há quem queira mais pessimismo e mais dificuldades»... a velha e fascista calúnia contra todos os que se opõe à política oficial e cometem o “crime” de anunciar, com antecedência, os seus resultados nocivos.
Pessoalmente, não quero nem mais “pessimismo” nem mais “dificuldades”. Provavelmente, nem sempre sei sequer aquilo que quero… excepto quanto ao futuro deste miserável que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e da sua abjecta quadrilha. Isso sei muito bem!!!
 
(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Não à Privatização da ANA e da TAP

Petição


Manifestação de trabalhadores da TAP. Para: Assembleia da República

Os subscritores do presente Manifesto expressam a sua frontal discordância face à anunciada privatização da TAP e da ANA Aeroportos e manifestam-se pela sua gestão pública na defesa e desenvolvimento deste sector estratégico para a economia e para a própria soberania nacional.

Com a privatização dos grupos TAP e ANA nenhum problema nacional seria resolvido, antes se agravariam muitos deles, pois está em causa o futuro de praticamente todo o sector do transporte aéreo nacional, representando mais de 20 mil postos de trabalho, mais de 2 mil milhões anuais em exportações e directamente mais de 3% do PIB: a companhia aérea de bandeira e seu serviço de manutenção, a rede aeroportuária do Continente e Regiões Autónomas, as empresas de assistência em escala SPdH e Portway, a PGA, as Lojas Francas de Portugal, a Cateringpor.

A TAP tem de ser defendida como companhia de bandeira de importância estratégica para a economia, para a ligação às comunidades portuguesas, para o turismo, para a coesão do território nacional, para a projecção de Portugal no mundo. A sua privatização colocaria em causa todos estes objectivos e seria a antecâmara da destruição da própria companhia, como hoje todos reconhecem teria acontecido se a sua venda à Swissair (iniciada em 1998) se tivesse consumado.

A ANA Aeroportos, que tem sido fundamental pelo investimento e modernização dos aeroportos nacionais, apresenta um registo de indicadores económicos positivos, que seriam perdidos pelo Estado com a privatização, sendo que o encaixe conjuntural resultante dessa alienação teria como contrapartida uma redução de receitas e aumento de despesas no futuro e a subalternização dos aeroportos nacionais face ao capital estrangeiro.

Desde logo tendo em conta a posição periférica do nosso país no contexto europeu e a sua realidade territorial, as opções estratégicas para o transporte aéreo assumem uma importância decisiva e têm de ser subordinada apenas ao interesse nacional, ao seu desenvolvimento harmonioso e equilibrado, e não a interesses privados ou estrangeiros.

O transporte aéreo nacional tem futuro e desempenhará um papel fundamental para o desenvolvimento do País. Assim se promova o investimento para a sua defesa e modernização. Por estes objectivos se afirmam os signatários, que por este meio apelam à manutenção do Grupo TAP e do Grupo ANA no sector público.

TEXTO GENIAL

 
Em conferência de imprensa inesperada
 
Passos Coelho surpreende
Portugal, a Europa e o Mundo
Lusa, Lisboa, 20.12.2012, 14 hs. - O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, surpreendeu hoje o país, a Europa e o Mundo (a CNN fez um «Breaking News» sobre o assunto) ao declarar em conferência de imprensa (sem direito a perguntas) em que estava acompanhado por todo o governo, o seguinte :

« Portugueses e portuguesas:

Antes não o podíamos fazer mas hoje é chegado o momento de vos comunicar que todas as medidas, aliás injustamente criticadas, inscritas no Orçamento de Estado para 2013 se destinaram apenas a enganar a troika e os mercados por umas semanas pois o meu governo sempre teve a firme e sólida convicção de que o mundo acabará amanhã, dia 21 de Dezembro de 2012.

Como alguns queriam e reclamavam, vamo-nos portanto embora mas ninguém se ficará a rir por vos levamos a todos connosco.

Obrigado e até outro mundo noutro tempo.»
Contactados pela Lusa, o Presidente da República declarou estar «a ponderar atentamente a situação criada» e informou já ter pedido com fulminante urgência vários pareceres a diversos constitucionalistas; de Bruxelas, José Manuel Durão Barroso declarou que «mesmo que o mundo acabe amanhã, isso não muda o facto de o governo português estar a fazer um excelente trabalho e que Portugal continuará com grandes potencialidades na captação de investimento alienigena»; por sua vez, o líder da oposição, António José Seguro declarou estar-se perante mais uma prova da «irresponsabilidade e incompetência do governo pois este, fazendo orelhas moucas às sugestões do PS, não mandou construir uma abrigo anti-fim do mundo por forma a poder concluir o seu mandato até ao fim»; em Washington, Hilary Clinton declarou dever estar-se perante uma «precipitação» pois «mesmo que os EUA passassem a exportar maciçamente matanças de crianças e de jovens em escolas, seriam preciso muitos milhares de anos para exterminar toda a população mundial». Por fim, Abebe Selassie, do FMI, declarou secamente «a ver vamos».
 
(em otempodascerejas2.blogspot.pt)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

texto

A "Europa" é uma convenção geográfica, não é nenhum "projecto".
No dia em que se consumou formalmente a hipócrita atribuição do "Nobel da Paz" à União Europeia, em Oslo, um senhor que ninguém elegeu para Presidente do Conselho Europeu resolveu reciclar uma célebre frase de Kennedy para em alemão - a língua do IV Reich - afirmar um certo orgulho europeu que me parece não ser partilhado pelo comum cidadãos dos países que hoje formam a super-estrutura imperial subsidiária da NATO e da dominação imperial norte-americana, do lado de cá o Atlântico.

Se a memória não me falha, a frase do senhor Van Rompuy foi "Ich bin ein Europaer", que é como quem diz qualquer coisa como "eu sou europeu". Bem sei que a frase não é da sua inspiração, mas isso é mais ou menos irrelevante para o caso. É a ideia que lhe subjaz que verdadeiramente importa.

Há uns tempos escrevi - a propósito do tema do Nobel - que a Europa morreu. Creio que a afirmação é manifestamente exagerada, mas não a renego, antes clarifico: creio sinceramente que a ideia de uma "Europa" como comunidade de nacionalidades diversas que se relacionam em pé de igualdade deixou de colar, não é já sequer um projecto de longo prazo em que a maioria dos cidadãos comuns dos diversos países da chamada "União" acreditem. Quanto muito (e será esta a perspectiva dominante), a maioria sente que ainda não há alternativa ao quadro actual sem custos e sacrifícios maiores do que aqueles que hoje se fazem sentir (e esta é outra questão). Há portanto uma morte da ideia da Europa que durante décadas foi vendida aos povos que partilham uma parte do continente geograficamente definido.

Por outro lado é um facto que a Europa, a "União", não apenas não morreu como pratica uma fuga para a frente. De costas voltadas para a decisão e a soberania popular (basta ver o desrespeito pelos resultados de referendos realizados ou a pura e simples negação de momentos de consulta especificamente voltados para matérias europeias, como acontece desde há muito em Portugal), os governos - braços políticos da banca e do grande capital que verdadeiramente manda em Bruxelas - lançam-se a megalómanos projectos de federalização e concentração de poder político, expressão institucional do projecto de concentração de capital que desde há muito se vem concretizando no plano económico e financeiro.

No fundo, trata-se da ideia de "mais Europa" que ilude tanta gente que se afirma "de esquerda" mas que se demonstra dia-após-dia não apenas um tiro no pé mas também (e sobretudo) um processo que contraria de forma evidente e brutal os interesses do desenvolvimento dos países e dos povos, hoje submetidos a lógicas que nada têm a ver com o bem estar... das pessoas comuns.

Eu não me sinto "europeu" e por isso quero mais que o senhor Van Rompuy se dane mais a sua citação reciclada. Não é o meu lugar de nascimento, a minha nacionalidade, que me caracteriza. É a condição social e de classe. Nesse sentido, os meus compatriotas, aqueles que habitam o meu "continente" são os trabalhadores empobrecidos deste mundo. Sou muitíssimo mais próximo de um trabalhador argentino, neozelandês ou sul-africano do que de um banqueiro português, espanhol ou alemão.

"Europa" continuará a ser a denominação desta parte do mundo onde nascemos, crescemos, vivemos, habitamos, morremos. "Europa" continuará a ser a denominação de uma área geográfica composta por estados com fronteiras convencionadas. Projecto é que não é nem será. Pelo menos enquanto o seu combustível for a guerra e o seu motor os centros económicos e financeiros que ordenam a acção dos fantoches e burocratas engravatados de Bruxelas e Estrasburgo.

A "União" é uma fraude, ponto. Não é reformável. Puta que a pariu, portanto

(Rui Silva, em kontra-korrente.blogspot.pt)
 

venda de Natal

Isabel e Rodrigo Cabral
António Fernando
Roberto Machado
Acácio Carvalho
Armando Alves, Manuel Gusmão, Siza Vieira


O Sector Intelectual do Porto do PCP tem uma variedade de obras de arte disponíveis para venda que serão belas soluções de prendas de Natal.
Temos ainda alguns exemplares de "Tu, Liberdade Livre" (obra conjunta de Armando Alves, Manuel Gusmão e Siza Vieira), e serigrafias, gravuras e originais de vários autores (Acácio de Carvalho, António Fernando, Armando Alves, Isabel e Rodrigo Cabral, Roberto Machado, Evelina Oliveira, Henrique Pichel, Luísa Gonçalves, Elsa César,...).
As obras estão disponíveis para mostra no CT da Boavista bastando combinar previamente o dia e a hora com um camarada do secretariado do sector (por 226095651 ou por resposta a este email)
As modalidades de pagamento, a acordar, serão acessíveis.

Sigur Rós - Svefn g englar



A onda Sigur Rós continua

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CHAMA-SE CAPITALISMO, POIS CLARO

 O ator francês Gérard Depardieu afirmou sentir-se "insultado" com as críticas sobre a sua decisão de ir para a Bélgica por causa dos impostos em França e anunciou hoje que vai renunciar ao passaporte francês.

No início desta semana, o primeiro-ministro francês descreveu a decisão de Gérard Depardieu de deixar a França como "patética" e "pouco patriótica".

Afirmando que sempre pagou os seus impostos, um arrogante Depardieu deixou uma pergunta ao primeiro-ministro: "Quem é você para me julgar desta maneira?" "Vou devolver-lhe o meu passaporte e a segurança social que nunca usei. Não somos mais o mesmo país, sou um verdadeiro europeu, um cidadão do mundo, como o meu pai sempre me ensinou", concluiu Depardieu.
 
Agentes imobiliários indicaram na quinta-feira que o ator francês colocou à venda a sua histórica mansão em Paris, estimando-se que o tenha feito por uma verba de 50 milhões de euros.

Depardieu juntou-se a um grupo de franceses abastados que decidiu mudar-se para a Bélgica na sequência do aumento de impostos para os mais ricos em França, proposto pelo Presidente François Hollande.

 Eric Schmidt, actual presidente executivo e ex-presidente do conselho de administração da Google, foi interpelado em Nova Iorque, relativamente ao conhecido esquema de fuga aos impostos da empresa a que preside, nomeadamente através dos já “clássicos” depósitos milionários em paraísos fiscais, ou offshores. Esta trafulhice consistiu na colocação de cerca de 7,7 mil milhões de euros das receitas de 2011 nas Bermudas, o que permitiu à Google uma poupança de cerca de 1,5 mil milhões de euros em impostos. São 1,5 mil milhões de euros que evitam o Estado indo parar direitinhos à algibeira de meia dúzia de magnatas. Que resposta deu então o patrão da Google aos que o confrontaram com esse esquema no mínimo pouco sério? Schmidt deu a mais correcta das respostas: ”Chama-se capitalismo“.

A senhora da caridadezinha alimentar, cujo nome me esforço por esquecer, também não deixou de assinalar o mesmo conformismo, a mesma inevitabilidade. Haja quem pratique a caridade cristã, quem invista na esmola generosa para alcançar o Além e os pobres e necessitados verão neste mundo a fome satisfeita, sem reivindicação de direitos desnecessários ou de justiça.   

 Passos Coelho e Vítor Gaspar aplicam a receita da redução das funções sociais do Estado, da privatização de empresas públicas e sectores estratégicos, da redução do valor do trabalho, da precarização da vida da generalidade da população. Os efeitos sociais são devastadores. Também eles dirão: é o mercado, é o capitalismo.

Depardieu, Schmidt, Coelho e Gaspar, e a senhora da caridadezinha alimentar, cujo nome me esforço por esquecer, são ilustres instrumentos, cada um com sua função, do mesmo mecanismo predatório: uns insaciavelmente acumulam riqueza, benesses, qualidade de vida e a imensa maioria vegeta numa sobrevivência difícil, numa lógica de come (pouco) e cala (muito). Não frequentaram os ilustres cavalheiros certamente a mesma escola económica, nem professam a mesma doutrina religiosa. Mas caminham em frente na mesma coluna militarizada.
 
Aguarda-os um crescente número de sans culottes que na primeira curva da História os enfrentarão desapiedadamente. E aí se verá onde pararão os passaportes de “verdadeiramente europeus”, ou de “cidadãos do mundo”, para que Bermudas ou Bélgicas se tentarão refugiar. E oxalá haja quem invoque então a caridade.
 
Podem chamar-lhe outros nomes: desgraça, mau olhado, crise conjuntural, excesso. Mas para mim chama-se capitalismo.  

CR

domingo, 16 de dezembro de 2012

Bardamerkel - Coro da Achada



Bardamerkel
bardamerkel
bardamerkel
bardamer...

... da finança é marioneta
lacaia do capital
bardamerkel
bardamerkel
essas contas cheiram mal

do banqueiro é amiguinha
ai a santa austeridade
bardamerkel
bardamerkel
erro de contabilidade

o cavaco faz-lhe uma vénia
dá-lhe prendas de natal
bardamerkel
bardamerkel
autoclismo é essencial

ei-lo agora D. Coelhinho
primeiro de portugal
bardamerkel
bardamerkel
de joelhos serviçal

vens-me ao bolso, apertas-me o cinto
e já se vê o fundo ao tacho
bardamerkel
bardamerkel
acho que vais água abaixo

pensámos fazer-te uma vaia
mas talvez o avião caia
bardamerkel
bardamerkel
não somos da tua laia

pró coelho uma cenoura
e o chicote anda de fraque
bardamerkel
bardamerkel
tu não vales mais que um traque

ela passa aqui de visita
faz a notícia do jornal
bardamerkel
bardamerkel
sê mal vinda ao curral

INICIATIVA PARLAMENTAR

O Partido Comunista Português denunciou desde o primeiro momento os reais objetivos do Documento Verde da Reforma da Administração Local, apresentado pelo Governo em setembro de 2011. A justeza dessa denúncia e do combate político para derrotar as intenções expressas nesse documento foi reconhecida pelas populações e pela generalidade dos eleitos e trabalhadores das autarquias de freguesia em todo o país.
O Governo, apesar das suas derrotas neste processo e do seu isolamento social, político e institucional, insiste na liquidação das freguesias e no ataque ao Poder Local Democrático: suscitou a discussão e votação da lei de extinção de freguesias, Lei n.º 22/2012 de 30 de maio, aprovada com os votos do PSD e do CDS; acelerou o processo de extinção de mais de mil freguesias com a apresentação na Assembleia da República de uma proposta, discutida e votada favoravelmente na generalidade em escassos dias, com os votos favoráveis desses partidos, sem o mínimo período de análise e reflexão; reprovou, hoje mesmo, em Sessão Plenária da Assembleia da República, com os votos do PSD e do CDS, o Projeto de Lei do Grupo Parlamentar do PCP que revogaria a Lei n.º 22/2012, de 30 de maio.
O PCP não dá por concluído este combate em defesa do Poder Local Democrático e correspondendo à luta e mobilização populares transmite-vos que acabou de apresentar na Assembleia da República tantas propostas de eliminação das propostas de agregação de freguesias, quantas as que o PSD e o CDS incluíram no Anexo I Projeto de Lei n.º 320/XII/2.ª - Reorganização Administrativa do Território das Freguesias

Proposta de eliminação

«ANEXO 1 (a que se refere o artigo 3.9)

MUNICÍPIO DE PAREDES

COLUNA B

Freguesias criadas por agregação

“PAREDES”: Eliminação da freguesia criada por agregação e assim designada, mantendo-se as freguesias atualmente existentes e identificadas na Coluna A como “Freguesias a agregar”».

Actividade institucional - Pergunta parlamentar

A AIMMP – Associação das Indústrias da Madeira e Mobiliário de Portugal, tem âmbito nacional e tem a sua sede na cidade do Porto, com delegações em Lisboa e Leiria.

No final de Agosto fomos informados que a AIMMP teria um atraso significativo no pagamento de salários e subsídios. Na altura, o atraso a AIMMP tinha por liquidar aos seus trabalhadores os salários entre Abril e Agosto e o subsídio de férias do ano corrente. Esta era, aliás uma situação recorrente, já que, de acordo com as nossas informações, os atrasos no pagamento das responsabilidades mais relevantes para com os trabalhadores ocorria há bem mais de uma ano.

Enquanto não pagava nem salários nem subsídios de férias, nem tão pouco pagava horas extraordinárias, trabalho noturno e trabalho em dias feriados, invocando sempre pretextos relacionados com o “não recebimento de verbas referentes a projetos”, a AIMMP continuava a contratar alguns trabalhadores precários, a recibo verdes.

Entretanto, e após uma intervenção sindical, a direção da AIMMP garantiu que a situação iria ser regularizada “até ao final do ano”, facto que manifestamente não está a suceder.

Na realidade não houve qualquer tipo de tentativa de recuperação no pagamentos das suas obrigações contratuais para com os trabalhadores, sendo que neste momento (Dezembro de 2012), e de acordo com informações que pudemos obter muito recentemente, a AIMMP continua a dever aos trabalhadores o pagamento de quatro meses de salários e do subsídio de férias.

Esta é, visivelmente, uma situação inaceitável que importa reverter com urgência, fazendo intervir os responsáveis da Autoridade para as Condições de Trabalho. Assim, e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais em vigor, solicita-se ao Governo que, por intermédio do Ministério da Economia e Emprego, responda às seguintes perguntas:

1. Tem esse Ministério (e a ACT) conhecimento da inqualificável situação que atinge os trabalhadores da AIMMP há mais de uma ano e meio? Tem esse Ministério (e a ACT) a noção que há bem mais de um ano que a AIMMP tem vários meses de salários em atraso aos seus trabalhadores? E que, pelos vistos, também não paga trabalho extraordinário, nem paga trabalho em dias feriados ou trabalho noturno?

2. Em caso afirmativo, quando é que o Ministério (e a ACT) tomaram conhecimento desta situação inaceitável? O que foi então feito?

3. Face ao reiterado incumprimento das suas responsabilidades contratuais – não obstante as garantias dadas aos representantes sindicais – o que pensa fazer o Governo? Pensa continuar a pactuar com estas manifestas situações de flagrante ilegalidade?

Palácio de São Bento, quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012

Deputado(a)s
HONÓRIO NOVO(PCP)

 

Bowling For Columbine / Bowling por Columbine



Documentário muito oportuno

sábado, 15 de dezembro de 2012

Humor - Prémio Merkel Do Ano



Angela assiste ao espectáculo dos Oquestrada na cerimónia da entrega do Prémio Nobel da Paz 2012 e explica porque razão continuamos na mesma cantiga.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PCP leva 700 propostas de alteração contra a fusão de freguesias, Assunção Esteves fica "espantada" - Política - Notícias - RTP

PCP leva 700 propostas de alteração contra a fusão de freguesias, Assunção Esteves fica "espantada" - Política - Notícias - RTP

O espanto embaraçado dos algozes

Sugestão de filme - Ondine



Estreia a 4 de junho de 2010
Elenco: Tom Archdeacon, Colin Farrell, Alicja Bachleda, Tony Curran, Stephen Rea
Director e ArgumentoNeil Jordan
Magnolia Pictures

A história de um pescador irlandês que descobre uma mulher na sua rede de pesca que ele acredita ser um ser marítimo sobrenatural. Ou a procura do mistério e do mito quando a realidade está junto de nós.

Sigur Rós - Ára Bátur


Documentário - 365 dias 24 horas (2ª parte)


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

humor

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/bGivuonpOkD5D0oTOrC3/mov/1"

Marta Borges e Inês Lopes Gonçalves em "O inferno"

Before The Rain - Frail



os portugueses BEFORE THE RAIN , no álbum Frail (2011)

UM CERTO NATAL

Desempregados fazem de Pai Natal a 43 cêntimos à hora

A Associação Empresarial de Penafiel contratou quatro desempregados a 43 cêntimos à hora para se vestirem de Pai Natal. Os animadores, operários da construção civil, recebem 83 euros por 30 dias, mais subsídios de transporte e alimentação.

 

Documentário 365 dias 24 horas (1ª parte)


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

God is an Astronaut - Snowfall


Programa "Repórter TVI", 3 de Dezembro de 2012, "Dinheiros Públicos, Vícios Privados"

Programa "Repórter TVI", 3 de Dezembro de 2012, "Dinheiros Públicos, Vícios Privados"

O SONHO DE PEDRO PASSOS COELHO

Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por  nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca- -vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura.
Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que
percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.
O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres. Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite.

José Vítor Malheiros (em Público)

domingo, 9 de dezembro de 2012

MISTÉRIOS DE PAREDES


O "SAIOTE AFRICANO" DO QUIOSQUE DE PAREDES. COM OS "SEUS ARQUITECTOS" VESTIDOS DE BRANCO.

A SINGULAR ACTIVIDADE POLITICA DA JS DE BAIÃO

 Segundo refere a direção da JS Baião, nos dias de hoje, em que o país atravessa graves dificuldades económicas e sociais, são muitos os portugueses que vivem com profundas dificuldades. Baião não é exceção, por isso, e na esperança de ajudar a que essas famílias tenham um Natal mais quente e feliz, a Juventude Socialista de Baião, promove, até dia 8 de dezembro, uma campanha de recolha de roupas, cobertores, brinquedos, livros, etc., que serão entregues às instituições de solidariedade social do concelho, que por sua vez, farão chegar às famílias mais carenciadas o que elas mais precisam (dos jornais).

Quando uma organização politica promove uma iniciativa de mera instituição de solidariedade social, receptadora de bens de consumo para necessitados, abandonando o espaço publico e natural de intervenção, como a proposta, a alternativa, a análise dos problemas, a formação e informação, a mobilização de vontades e a mudança de mentalidades, ocorre uma degenerescência da democracia.

Quando assim a JS de baião se pretende substituir a uma Conferencia de S. Vicente de Paulo, aos serviços sociais camarários, a uma Misericórdia, ou outra instituição de caridade, não devemos deixar de assinalar que tal orientação, de esquerda nada tem. Ensinar a pescar sim, dar o peixe para aliviar a consciência, não.

Os jovens poderão ter dificuldade em entender o real alcance desta dicotomia. Mas como não perceber quando se tem uma experiência politica adulta e ambição manifesta, como a de José Luís Carneiro?

CR