um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

OS DEPUTADOS QUE DEPUTAM PELO PSD E PELO CDS


SÃO MUITOS.
SÃO CERTAMENTE MUITO COMPETENTES.
CEGOS NÃO SÃO. MUDOS NÃO PARECEM. SURDOS TALVEZ.
SÃO LUSO-TROIKIANOS. SAÍRAM HOJE TODOS RAPIDAMENTE DO PARLAMENTO, NÃO FOSSEM PERDER A CAMIONETA DA CARREIRA OU O COMBOIO DE SANTA APOLÓNIA.
CHEGARAM A CASA. CALÇARAM AS PANTUFAS. "E NÃO É QUE NÃO PERCEBI O QUE ESTAVA A FAZER TANTA GENTE EM FRENTE Á ASSEMBLEIA!"
"DESCANSA QUE AMANHÃ É FERIADO"

o deputado que deputa pelo PSD


grafismo


Autor anónimo

Antonio Variações - Canção Do Engate

terça-feira, 30 de outubro de 2012

TEXTO


OUTUBRO OU NADA
“Marchemos para frente, tiremos nossa poesia do futuro, basta de anacronias e cópias do passado, mas não nos esqueçamos nunca que tivemos um Outubro, e foi nosso, e foi um grande Outubro vermelho e proletário, e foi tão grande que foi planetário, e foi tão generoso e fraterno que nele se irmanaram todos os trabalhadores do mundo e chegaram a acreditar que tudo podia mudar e, por um momento, mudaram tudo que podiam.”

Uma família de nobres voltava a São Petersburgo com seus inúmeros filhos e malas volumosas. Havia-se retirado em fevereiro para fugir dos acontecimentos trágicos que haviam derrubado o Czar e não havia acompanhado o desenvolvimento político que levara os trabalhadores ao poder em outubro. Pateticamente parada na plataforma e acostumada com um servilismo milenar, esperava que algum carregador implorasse para levar as bagagens da família em troca de alguns míseros copeques.
Depois de esperar em vão por um bom tempo, um criado (nobres não se dignavam a falar com pobres) vai buscar informações e ouve a seguinte resposta: “agora somos livres, se quiser carregue suas malas”!

Era a grande revolução de Outubro que emergia lá de onde costuma vir as coisas dos explorados, da periferia, das sombras esquecidas sob a ofuscante aparência de riqueza das sociedades opulentas, dos cantos obscuros que o olhar hipócrita quer esquecer ou incorpora como normal. Em meio à tragédia da guerra, a barbárie em sua forma mais didática, a vida resistia e se levantava contra a fome e a morte.
A Revolução Russa marcou de forma definitiva a história do século XX em muitas áreas (ver a colectânea organizada por Milton Pinheiro – Outubro e as experiências socialistas do século XX - Salvador: Quarteto, 2010), como acontecimento político, como experiência histórica de um Estado Proletário, como base de transformações económicas fundadas na socialização dos meios de produção, nas práticas do planeamento, como influência política direta nos rumos do movimento comunista internacional e a formação de estratégias e táticas do movimento revolucionário mundial.

Não podemos esquecer sua importância no desenvolvimento da cultura (é só pensar em Vladimir Maiakoviski na poesia e Sergei Eisenstein para o cinema), o ulterior desenvolvimento da música (Prokofiev, Stravinski) e dança, das ciências (Luria, Vigotski, Bakthin, e tantos outros), o desenvolvimento técnico e científico (Sakharov, Andréi Kolmogórov, etc.). No entanto, quisera me deter numa outra dimensão.
Certos acontecimentos históricos despertam algo um pouco mais intangível que suas manifestações económicas, políticas, culturais e técnico-científicas. A revolução russa se espalhou pelo mundo, sem internet e televisão, numa velocidade que precisa ser compreendida. Não apenas se expandiu enquanto processo revolucionário que em menos de seis meses havia saído da Europa oriental e chegado ao mar do Japão, se alastrado como fogo em palha pelo antigo império czarista, como atravessou o oceano e incendiou o coração e as esperanças dos trabalhadores das partes mais distantes do globo.

Em uma foto de grevistas em um porto nos EUA na mesma época pode se ver ao fundo uma faixa na qual se lê: “façamos como nossos irmãos russos”. No Brasil as greves operárias se alastravam até a greve geral de 1917 e a Revolução russa foi saudada pelo movimento anarco-sindicalista como expressão da revolução libertária enquanto emissários eram mandados para lá para colher informações e prestar solidariedade.
Poucos anos depois, nos anos vinte, quando o caráter marxista da experiência soviética se torna evidente, distanciando-se, portanto, dos princípios anarquistas, forma-se um movimento comunista que não tem paralelo com nenhum outro por sua escala mundial, sua forma de organização e sua ação.

Partidos Comunistas são formados em toda a América Latina, assim como em quase todos os mais distantes rincões do planeta, dos EUA até a China. Evidente que a formação da União Soviética e da III Internacional Comunista explicam a iniciativa e mais, a necessidade, de uma organização internacional, mas não sua aceitação e rápido desenvolvimento. Há elementos objetivos e subjetivos que precisam ser levados em conta.
Os objetivos são por demais conhecidos e podem ser resumidos na própria internacionalização do modo de produção capitalista e sua transformação em imperialismo, mas não podemos compreender a dimensão desse fenómeno sem entender que a revolução soviética foi um evento catalisador de esperanças de todos os explorados.

Como nos dizia Marx para que se forje uma classe revolucionária é necessário que se manifeste uma classe que se apresente como um entrave de caráter universal, ao mesmo tempo em que outra consiga expressar através de sua particularidade os contornos de uma emancipação universal. Falando da Alemanha, Marx afirmava que faltava: “grandeza de alma, que, por um momento apenas, os identificaria com a alma popular, a genialidade que instiga a força material ao poder político, a audácia revolucionária que arremessa ao adversário a frase provocadora: Nada sou e serei tudo.” (Marx, K. Crítica à filosofia do Direito de Hegel. São Paulo, Boitempo: 2005: 154).
Não se trata de nenhum deslize idealista, mas de exata combinação de fatores que dada certas condições materiais, que sem dúvida a guerra mundial propiciava, cria uma equação na qual uma classe encontra as condições de sua fusão enquanto classe. Imersa na quotidianidade reificadora, submetida às condições da exploração os trabalhadores vivem seu destino como uma condição inescapável. Ainda que submetidos as mesmas condições que seus companheiros, não vivem estas condições como base para uma consciência e ação comuns, mas como uma serialidade, nos termos de Sartre. A vida é assim e é impossível mudá-la.

Em certas condições, no entanto, se produz uma situação na qual a realidade se impõe de tal forma que se torna impossível manter a impossibilidade de mudá-la, nas palavras de Sartre: “A transformação tem, pois, lugar quando a impossibilidade é ela mesma impossível, ou se preferirem, quando um acontecimento sintético revela a impossibilidade de mudar como impossibilidade de viver” (Sartre, J. Crítica de la razón dialéctica. Buenos Aires: Losada, 1979, v. 2, p.14). O pensador francês tem em mente os acontecimentos da crise da monarquia absolta que levou a eclosão da Revolução Francesa, mas vemos claramente esses elementos na crise do czarismo nas condições da guerra.
Interessa-nos, no entanto, outra dimensão desse fenômeno. Da mesma forma que um acontecimento sintético pode levar à fusão da classe e a superação de sua situação de serialidade, encontrando na ação do grupo as condições para abrir a possibilidade de superar o campo prático inerte, devemos supor que uma ação particular da magnitude de um processo revolucionário como o russo, provoca um efeito sobre os trabalhadores, mesmo aqueles que não estavam envolvidos direta e presencialmente nos acontecimentos.

Ernesto Che Guevara denominava isso de “consciência da possibilidade da vitória” e inclui entre as condições objetivas que torna possível uma revolução. Quando os trabalhadores vêem os revolucionários russos varrerem seus tiranos, quebra-se a impressão de naturalização e inevitabilidade com as quais revestiam suas condições de existência. É possível mudar, nada somos, mas podemos ser tudo.
Em um belo poema soviético é descrita a cena na qual uma camponesa que agora tinha acesso aos museus e suas obras de arte se detém diante de um quadro a admirá-lo. A autora do poema então conclui: “mal sabia que ali era uma obra de arte a admirar outra”. Operários assumem as fábricas, as terras são entregues aos comités agrários para serem repartidas. Soldados, operários, camponeses, marinheiros, lotam os teatros antes privativos da nobreza russa, para ouvir Maiakóviski recitar os poemas que retira dos bolsos de seu enorme casaco e de seu coração ainda maior.

Suspendemos por um instante as enormes dificuldades que viriam, a guerra civil, o isolamento, a burocratização e a degeneração que culminaria no desfecho histórico de 1989. Naquele momento de maravilhoso caos, a vida fluía não como processo que aprisiona os seres humanos nas cadeias do estranhamento, mas como livre fluir de uma práxis transformadora. Tudo pode ser mudado. Podemos criar as crianças de uma nova forma, e já vemos Makarenko e seu enorme coração abrigando os órfãos da guerra e reinventando a pedagogia, trabalhadores organizando as comissões de fábrica e Alexandra Kollontai olhando o mundo com os olhos de mulheres emancipadas.
Enquanto o mundo capitalista preparava-se para esmagar a experiência revolucionária russa (a república dos trabalhadores seria atacada em 1918 por dez potências estrangeiras), o generoso coração da classe trabalhadora acolhe esta experiência como sua e a defende, sem conhecê-la profundamente, sem que a compreenda de todo, mas por que nela se reconhece.

Paz, terra, pão e sonhos voavam pelo mundo que o capital havia tornado um só e mãos calejadas, duras como a terra que trabalham, os seguram e se alimentam da esperança dos que se levantaram contra seus opressores. Corpos exauridos pela chacina diária das fábricas caminham pelas ruas e olham em frente, levantam seus punhos e cantam a canção que os unia: se nada somos em tal mundo, sejamos tudo, ó produtores!
Em tempos como os nossos, de hipocrisia deliberada, em tempos de humanidade desumanizada, de quotidianidade reificada, a consciência da possibilidade da vitória se reverte em seu contrário e se manifesta novamente como uma consciência da impossibilidade da mudança. Brecht nos alerta: nada deve parecer natural, porque nada deve parecer impossível de mudar e completa em outro poema: até quando o mundo será governado por tiranos? Até quando iremos suportá-los?

Presos à nova serialidade, fragmentados e divididos, submetidos às novas cadeias de impossibilidades, escolhendo a cada quatro anos quem irá comandar sua exploração, nossa classe nem se lembra que teve um outubro e que fizemos a terra tremer e que os poderosos perderam o sono diante da iminência de seu juízo final.
Diante da realidade do capital internacional que ameaça a humanidade, diante da barbárie diária que ameaça minha classe, geram-se novas impossibilidades de manter os limites do possível, crises didáticas transformam em pó certezas neo e pós liberais arcaicos/modernos e suas irracionalidades racionais. O pólo da negatividade humana se reapresenta arrogante e prepotente. Muitos são os que se levantam ainda sem rumo, não importa, que se levantem e gritem, resistam e lutem. Mas, em sua marcha olhando para o futuro, resistindo contra as mazelas do presente desumano do capital, olhem por um momento para trás, vejam como já marchavam à nossa frente nossos camaradas russos, vejam como iam decididos e corajosos abrindo caminho em direção ao amanhã.

Marchemos para frente, tiremos nossa poesia do futuro, basta de anacronias e cópias do passado, mas não nos esqueçamos nunca que tivemos um Outubro, e foi nosso, e foi um grande Outubro vermelho e proletário, e foi tão grande que foi planetário, e foi tão generoso e fraterno que nele se irmanaram todos os trabalhadores do mundo e chegaram a acreditar que tudo podia mudar e, por um momento, mudaram tudo que podiam. Viva a revolução Soviética de 1917. Outubro… ou nada!
*Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comité Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

Não é por acaso que no nosso hino dizemos "Às armas, às armas! "


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

a Letónia aqui tão perto

A Letónia é o modelo experimental da desvalorização interna promovida pelo FMI e agora aplicada nos países periféricos e do Sul da União Europeia. Mas a Letónia é um país báltico, de regime capitalista selvagem pós-soviético, com 2 milhões de habitantes, moeda própria, não integrado na zona euro. Singela contradição.

Segundo escreve o Jornal La Vanguardia, de Barcelona, a senhora Christine Lagarde, a directora do FMI, está muito contente com a evolução desse país, á luz de um acordo de resgate estabelecido com o FMI há 3 anos. Na altura a Letónia obteve um crédito de 7,5 milhões de euros. Seguiu-se a pior recessão económica verificada na Europa. A economia baseada na exportação de derivados das madeiras manteve as mesmas características. Mas o PIB baixou 23%, os salários baixaram de 25 a 30%, o desemprego cresceu de 5% para 20%, o subsídio de desemprego desceu para 57 euros mensais, 10% da população emigrou (1/3 dos jovens com menos de 30 anos também emigrou), 40% das famílias são pobres, os serviços públicos estão destruídos. A taxa única dos rendimentos é de 25% , mesmo para rendimentos mensais de 60 euros. A austeridade bateu fundo.

Acentuam-se a prostituição, as drogas, as actividades ilícitas, as barracas em torno de Riga, a capital, sem água ou luz, em invernos de mais de vinte graus negativos. A fecundidade é baixa, bem como a esperança de vida. Contra todos os prognósticos a economia cresceu 6%, o que entusiasmou Lagarde e os criminosos dirigentes nacionais. O laboratório social e económico letão representa bem a vontade das oligarquias mundiais, o seu fascismo económico no terreno. E a teoria da refundação do memorando da tróica, do Governo Passos e Portas não anda longe da experiencia da Letónia. Em Riga, há quem preceda Passos e Gaspar, lhes incuta dinâmica destrutiva e voluntarismo. E assim sabemos com que contar. O abismo está aí.
CR

texto

acabou o tempo da ingenuidade


Para todos os que fiaram na virgem e se ficaram esperançados nas artimanhas de quem não tem espinha dorsal, para todos os amigos que votaram PSD ou CDS, mesmo para os que ainda votaram PS e para todos os que esperam dos coveiros do país alguma solução, é altura de dizer que acabou o tempo da ingenuidade.

Para aqueles que não percebem que PS, PSD e CDS não são incompetentes mas sim inimigos, competentes e afoitos inimigos, acabou o tempo da táctica pelo interesse próprio, acabou a negociação selada nos corredores à espera de cumprimento da palavra dada.

Para os professores que esperam uma política educativa que os salve no meio do naufrágio da escola pública, para os cineastas que julgam que a lei do cinema não foi um engodo para os calar, para os artistas que acham que só não há apoio às artes porque há pouco dinheiro, e para todos os que ainda julgam poder passar ao lado do precipício para que caminham a passos largos, é hora de dizer que acabou o tempo da ingenuidade.

Para os que julgam que a mudança de caras num Governo muda alguma coisa, que de Francisco José Viegas para Barreto Xavier vai uma diferença maior do que entre PS e PSD, é tempo é de lutar. Se um homem aceita um cargo político nesta conjuntura para cumprir este programa do Governo, não é um Secretário de Estado, é um liquidatário, um cangalheiro.
 
(Miguel Tiago, em kontra-korrente.blogspot.pt)

domingo, 28 de outubro de 2012

POEMA

POEMA DA CHUVA

Tudo está por fazer, tudo é possível.
 

 Num tempo de sobreviver

não queremos a  submissão

 e a palavra cordata.
 

 Num  tempo agreste e sombrio,

calemos  o som da grafonola oficial,

aquela  velha melodia que nos persegue,

e nos faz tanto mal.
 

 As ruas estão cheias

de desejos  inconsequentes,

frementes,

um ribeiro que corre ladeira abaixo,

impetuoso,

perigoso. 
 

Mas não há certeza precisa,

obediência cega

que não abra a porta aos sentidos

e se transforme em nova regra.
 

 Dizer Não não se sublinha,

pratica-se como se respira.
 

 Diz agora alto o que antes calavas

(e que não mudavas)

à procura do alvo certo

outrora incorrecto.
 

Procuramos  a decência deste espaço

e de uma história milenar

uma transparente limpidez,

uma razão lúcida   

lavada pela chuva.
 

 Trabalhas o campo,

e o tempo que aí vem,

com as mãos intactas,

puras

mesmo quando sujas.
 

Não sei quando nos encontraremos.

Não sei quantos somos, quantos serão

Não sei que armas usaremos.

Sem nódoa,

lavados,

assim seremos.

CR

 

 

HUMOR

Um senhor é entrevistado na rua e perguntam-lhe:

- O que acha do aborto?

  Ele pensa um pouco e responde:

- Não gosto, tem sido um péssimo ministro das finanças.

O TIGRE SALTOU E MATOU, PORÉM MORRERÁ ... MORRERÁ



EL TIGRE SALTÓ Y MATÓ, PERO MORIRÁ... MORIRÁ...

Guião e direção: Santiago Álvarez.
Produção: Sergio San Pedro.
Som: Juan Demóstenes.
Edição: Gloria Argüelles.
Música: Víctor Jara e Violeta Parra.
Animação: Adalberto Hernández e Santiago Peñate.
Legendas: Jorge Pucheaux e Eusebio Ortiz.
35mm. Preto e branco. 16 minutos. 1973. Cuba

Relato em quatro canções como homenagem a Víctor Jara e às víctimas do sadismo fascista que as Forças Armadas Chilenas e a CIA perpetraram em Chile.

Santiago Álvarez
Director: Santiago Álvarez

BLIND ZERO - I SEE DESIRE


sábado, 27 de outubro de 2012

Exmo. Sr. Presidente

Vejo cada vez mais amigos partir. Não partem para a guerra, como outrora, mas vêem-se forçados a fugir do deserto em que V. Ex.a e os seus transformaram este país. Por cá vão ficando apenas os mais velhos, os mais corruptos, alguns remediados com esperança que o céu não lhes caia sobre a cabeça e todos os que já não têm carteira para emigrar, para duas refeições diárias ou para a urgência do hospital.
Convirá que com os seus dois anos como ministro das Finanças, dez anos como primeiro-ministro e sete anos como Presidente da República, não me restarão grandes dúvidas quanto à sua responsabilidade pelo estado do país. Mas que fique claro, não o vejo como um incompetente. Vejo-o como alguém que sempre governou para si e para os seus, e teve a arte de convencer os mais incautos de que o fazia para o bem de todos. Os mesmos que vão tratando por professor o mais antigo político profissional deste país.
Não lhe escrevo para lhe pedir que vete o Orçamento do Estado que nos condena à barbárie, nem para que o remeta ao Tribunal Constitucional. Não lhe peço que se preocupe com cumprir o texto fundamental da nossa República que V. Ex.a jurou fazer cumprir.
Escrevo-lhe para exigir que declare o fim da festa junto dos seus.
Exijo que convoque uma reunião dos seus fiéis, um Conselho de Estado alargado a todos os interesses e interesseiros que vampirizaram este povo, para lhes participar que a festa acabou. Escrevo-lhe para lhe exigir a si e aos seus que assumam a sua dívida com o povo e com o país. Dos milhares de milhões do BPN aos dos submarinos, passando por todas as parcerias público-privadas que V. Ex.a inventou.
Pela minha parte, apenas lhe prometo tudo fazer para que quanto mais tempo demorar a declarar o fim da festa, maior seja a consciência política deste povo que tanto lhe deu e que, no fundo, sempre desprezou.

 
Tiago Mota Saraiva

Cheques só os do BPN!


 
Anuncia-se em comunicado do Director Geral da Saúde Francisco George, a proposta da suspensão da emissão de cheques-dentista para as crianças em idade escolar, suspensão essa para novos cheques emitidos até 31 de dezembro de 2012, por "razões de rigor orçamental".
 
Curiosa a fórmula empregue: proposta de suspensão. Ainda mais curiosa a justificação: razões de rigor orçamental. Superlativa a curiosidade do conteúdo do comunicado: esta suspensão temporária será reiniciada a 1 de janeiro de 2013.
 
O Sr. Director Geral assumiu como própria de uma Direção Geral de Saúde a gestão politica e financeira de um programa como o da Saúde Oral. O sr. Director Geral assumiu o ónus da "proposta" de suspensão desse programa, aliviando a responsabilidade do Ministro, ou dos Secretários de Estado, esses sim condicionados/coniventes com orientações de Passos e de Gaspar. Percebe-se assim a referência ao "rigor orçamental", quando em bom rigor (agora linguistico) se devia falar em restrições orçamentais para a execução do plano de saúde.
Francisco George, na mesma linha da desorientação estratégica e da subserviência funcional, informa-nos que a suspensão temporária será reiniciada a 1 de janeiro de 2013. Fugiu-lhe a boca para a verdade? Pretenderia dizer que a suspensão temporária seria terminada a 1 de janeiro de 2013? Mas que lapso tão conveniente... no futuro ninguém dirá que o director geral mentiu... foi apenas mal interpretado. 
 
Depois das vacinas contra a gripe, os dentinhos das crianças. 
 
CR    
 
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MERDA DE VIDA!


Casal desempregado vive debaixo da ponte há meio ano
O meu sonho era passar o Natal num quartinho com casa de banho". Este é o desejo de Alexandra Ferreira, 35 anos, que, sem teto nem trabalho e o filho entregue a familiares, há seis meses vive com o companheiro, Luís Cunha, 42 anos, debaixo de uma ponte no rio Este, em Braga. "Esta é a minha casa. É o meu cantinho, que mantenho, dentro do possível, asseado", refere Luís, apontando os colchões, cinco cobertores, o garrafão de água, a vassoura e o pano que serve de resguardo.
Ali perto fica a Rua Frei Bartolomeu dos Mártires, umas das mais movimentadas de S. Victor. "De vez em quando acordamos com um camião ou outro. Mas ao menos aqui não chove", salienta Alexandra, que recorda que antes daquele pouso o casal foi corrido de outros abrigos pela Polícia Municipal e obrigada a deixar a sombra de uma árvore que ficou sem ramos.

eleições no País Basco e luta

Eleições no País Basco

Êxito da esquerda abertzale

A esquerda independentista (abertzale) basca alcançou um êxito histórico nas eleições regionais realizadas no domingo, 21, aumentando o número de deputados de cinco para 21 e tornando-se na segunda força política.
A coligação independentista EH Bildu recolheu 276 989 votos (24,48%), sendo a única força a aumentar em votos, percentagem e mandatos.

O Partido Nacionalista Basco venceu o escrutínio, mas perdeu três deputados, ficando com um total de 27 eleitos e 383 565 votos (33,9%).
Declínio mais acentuado sofreu o PSE, que passou de segunda a terceira força, conseguindo apenas 16 deputados, menos nove do que em 2009, e perdendo mais de 100 mil votos. No total os socialistas bascos, no poder coligados com o PP, recolheram 211 939 votos (18,73%).

Também o PP foi penalizado, conquistando apenas 10 mandatos (menos três) e 129 907 votos (11,48%). A Esquerda Unida/Verdes perdeu o deputado que tinha enquanto os liberais da UPyD mantiveram o seu eleito, com uma perda ligeira de votos.
Os resultados tornam a coligação Bildu indispensável para uma maioria no parlamento, onde os independentistas terão perto de dois terços dos assentos. Quando os profetas da desgraça afirmavam que a luta pela independência estava debilitada pela estratégica de violência de alguns dos seus protagonistas, eis que o povo se levanta de novo.

Na Galiza, onde houve no mesmo dia eleições regionais, o PP obteve 41 deputados, mais três do que em 2009. O Partido Socialista perdeu sete passando para 18.
O Bloco Nacionalista Galego (BNG) elegeu sete deputados (menos cinco), caindo para quarta força política, atrás da recém-criada AGE, alternativa de esquerda, que obteve nove mandatos. Também aqui a politica de direita perde força.

extracto

...

 "Mas não te parece que possamos estar a «pedir demais» à organização do Partido, se é que isto se pode dizer assim?

Deixem-me contar um episódio. Disse um dia o camarada Dias Lourenço que, durante a célebre fuga da Fortaleza de Peniche, enquanto enfrentava as vagas e o frio do mar, esteve à beira do desfalecimento, mas descobriu forças que não sabia ter, o que lhe permitiu chegar até à praia.

Numa situação tão exigente, tão complexa, e mesmo sabendo que só temos uma organização, cada militante, cada quadro, cada organização também saberá encontrar forças novas, com a consciência de que resistir é já vencer. Perante grandes perigos e grandes potencialidades, o que se exige é, de facto, descobrir forças onde pensamos que elas não existem."

(Jerónimo de Sousa, em entrevista ao Avante!, de 25 de Outubro de 2012)

Walt Disney e o FBI

 O artista denunciou os seus funcionários e perseguiu celebridades com o apoio do Senado americano. Walt Disney não foi apenas o pai de Mickey e Donald, o produtor de Branca de Neve, Bambi, Dumbo e Pinóquio e o genial inventor da Disneylândia. Durante 26 anos, de 1940 a 1966, o artista forneceu aos agentes do governo americano relatórios sobre atividades consideradas subversivas das estrelas de Hollywood dos sindicatos de técnicos e das associações de artistas, roteiristas, produtores e escritores.

A atuação de Disney como informador do FBI, o Federal Bureau of Investigation, foi divulgada inicialmente pelo escritor Marc Eliot em O príncipe sombrio de Hollywood (Ed. Marco Zero). A biografia, classificada como “não autorizada” pela imprensa americana, traz uma análise de 470 páginas de informações produzidas pela própria entidade estatal. Para aceder ao dossier, Eliot recorreu ao Freedom of Information Act, um dispositivo legal que autoriza qualquer cidadão americano a ter acesso aos arquivos de uma administração. O material não está completo: faltam 100 páginas e muitas das recebidas pelo autor foram escurecidas, para garantir o anonimato de informadores ou de pessoas colocadas sob suspeita por Disney.

Segundo os dados obtidos, a parceria começou em 1940, quando o artista tinha 39 anos. Nessa época, o poderoso e temido chefe do FBI, John Edgar Hoover, colecionador inveterado de segredos de alcova, assuntos de família e fofocas de todo tipo, se propôs a ajudar Disney na busca por sua árvore genealógica. O assunto era um tormento para o animador desde a adolescência, quando descobriu que não possuía certidão de nascimento. Acreditando ser adoptado, ele fez inúmeras pesquisas para encontrar suas origens, todas sem resultado. A oferta do FBI era uma ótima oportunidade para finalmente atingir seu objetivo. Em troca do esforço dos agentes, Disney tornou-se informante e manteve uma relação quase filial com Hoover.

O acordo, imediatamente colocado em prática, levou dois investigadores americanos à cidade de Mojacar, na Espanha, em busca do atestado de nascimento. Eles encontraram o registro de uma criança, nascida por volta de 1890, cuja mãe teria sido Isabel Zamora Ascencio.

O pai, um notável chamado José Guirao, era casado com outra mulher e não assumiu a relação com a amante. Após sua morte, a senhora Zamora teria embarcado para a América e Disney seria, na verdade, o pequeno José, nome de batismo do bebé espanhol. Pura especulação, as informações foram habilmente utilizadas por Hoover para manter estreitos laços com o cineasta.

Disney e Charles Chaplin, vítima célebre da caça as bruxas empreendida no macarthismo

Mas a aliança era bilateral e Disney utilizou-a muitas vezes, fora da alçada particular inicial. Recorreu à polícia federal contra os sindicatos e, em outro nível, para quebrar o monopólio das grandes companhias cinematográficas, que controlavam a distribuição e exportação da produção hollywoodiana. Para ele, os sindicatos eram certamente comunistas e as empresas, a expressão de um complô tramado por imigrantes do leste europeu. Não seria Hoover quem iria contradizê-lo.

Em 1941, o artista realizou uma de suas obras-primas, Fantasia. O filme, protagonizado por Mickey Mouse, foi um fracasso de público. O cineasta atribuiu a péssima recepção da animação a uma “conspiração sindical”, em um período em que seus funcionários entraram em greve por melhores condições de trabalho.

Greve e perseguição


A mobilização eclodiu quando os diretores do estúdio proibiram o estabelecimento de sindicatos filiados à Cartoonist Guild, espécie de federação dos cartonistas. Com barricadas e piquetes, a queda-de-braço durou vários meses. Por fim, todos os líderes sindicais foram demitidos, e Disney aproveitou a Huac, Comissão de Investigação sobre as Atividades Antiamericanas, que funcionou entre os anos 1938 e 1975, para pedir investigação dos militantes. Por vingança, perseguiu os sindicalistas durante anos, mas foi obrigado a readmitir alguns após processos jurídicos.

Em fevereiro de 1944, ele participou da fundação da Motion Picture Alliance, uma máquina de guerra ao serviço do anticomunismo. A organização agrupou a nata dos conservadores, entre eles, o milionário e magnata da imprensa, William Randolph Hearst, e os astros John Wayne e Gary Cooper. Em sua declaração de princípios, a MPA alertava para uma possível “dominação dos comunistas, dos radicais e desmiolados de todo tipo”.

Nove dos Dez de Hollywood, grupo de escritores de esquerda perseguidos no período

Em março do mesmo ano, Disney dirigiu-se ao Congresso dos Estados Unidos, solicitando à Huac que estudasse “a maneira flagrante com que a indústria do filme alimentou, em seu seio, comunistas e outros grupos de tendência totalitária, que trabalhavam na divulgação de ideias e de crenças antiamericanas”. O clima de inquisição em Hollywood estava criado. Qualquer pessoa suspeita de ser liberal ou progressista era ouvida pelos políticos, amplamente apoiados e encorajados em seus trabalhos pelo FBI. Em 1947, a Huac investigou, entre outros alvos, um grupo de escritores de esquerda conhecido como “Os dez de Hollywood”. Por se recusarem a responder às perguntas sobre uma eventual ligação com o partido comunista, eles tiveram suas carreiras prejudicadas e alguns cumpriram pena de prisão. A acusação era a de violação da primeira emenda da Constituição americana, que ironicamente regula a liberdade de expressão, de opinião e de manifestação.


No clima de perseguição, Disney também participou ativamente do Communist Pictures, um grupo de representantes do FBI dedicados a localizar subversivos. Entre os que se uniram a esse movimento, estava um ator de segunda categoria, então desconhecido do grande público: Ronald Reagan. O dossiê do FBI sobre aquele que se tornaria presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989 é eloquente. Militante sindicalista, Reagan logo tornou-se suspeito por sua atuação no comité dos cidadãos para as artes, ciências e profissões liberais, considerado uma fachada para os comunistas.

Alertado por seu irmão Neil, membro do mesmo comité, ele optou por colaborar com as investigações e fornecer aos agentes as listas de militantes ou simpatizantes do comunismo.


Denúncias públicas

Reagan foi brilhante e se tornou informante confidencial. Hoover aproveitou o talento de seu jovem recruta e fez com que fosse ouvido pela Huac.

Para jornais posteriores ao macarthismo, o termo para definir a perseguição política deveria ser "hooverismo", em referência a J. Edgar Hoover. Em 24 de outubro de 1947, foi a vez de Disney depor perante os políticos, no mesmo dia de Gary Cooper. No relatório da audiência, consta um trecho do diálogo em que os membros da comissão perguntavam se houve, “em qualquer período que seja, comunistas empregados no estúdio”. E o artista respondeu: “Sim. No passado tivemos algumas pessoas que acredito serem comunistas”. Questionado se a greve teria sido fomentada por membros do partido comunista, ele afirmou: “Estou profundamente convencido de que um grupo de comunistas tentou influenciar nossos artistas e conseguiu”. No depoimento, citou os nomes de Herbert Sorrell e Dave Hilberman, dois sindicalistas que participaram da mobilização. Porta-voz dos sindicatos hollywoodianos, Sorrell viu sua carreira naufragar e morreu após um ataque cardíaco aos 45 anos. Hilberman foi vigiado durante anos pelo FBI e teve de se mudar para Nova York, onde trabalhou para uma sociedade de produção catalogada de socialista.


A postura anticomunista não escapou à União Soviética, que proibiu os filmes de Disney em todo seu território a partir de março de 1949. Em reação a essa sanção, o artista recebeu uma placa de bronze da Câmara do Comércio de Los Angeles, por sua contribuição ao comércio internacional. O clima de tensão se agravou em 1950, com o crescimento da popularidade do senador republicano Joseph MacCarthy, anticomunista fervoroso. Além da Huac, diversos outros instrumentos estavam atuando, como o Subcomité Interno de Segurança do Senado e o Subcomité Permanente de Investigações do Senado. Entre 1949 e 1954, mais de 109 dossiês foram analisados no Congresso americano e o termo “macarthismo” passou a definir a política de perseguição sistemática aos partidários da esquerda, embora alguns jornais tenham posteriormente afirmado que o nome ideal seria “hooverismo”. Toda pessoa que se recusasse a comparecer aos depoimentos era automaticamente fichada. John Huston, Katharine Hepburn, Lauren Bacall e Humphrey Bogart receberam muitas críticas por se limitaram a dar respostas evasivas. Os escritores: John Steinbeck, Arthur Miller, Tennessee Williams, Truman Capote, Dashiell Hammett e Thomas Mann também foram objeto de espionagem. Outra vítima célebre dessa caça às bruxas foi Charles Chaplin, cujos protestos contra a histeria anticomunista irritavam Disney. Apesar de sua fama, o criador de Carlitos não escapou das perseguições, que o obrigaram ao exílio na Europa.
No Natal de 1954, o chefe do FBI nomeou Disney agente especial, o que fez dele um informador de confiança. Essa promoção não foi desinteressada, pois ocorreu no momento em que o artista se estreou no mundo da televisão, assinando um acordo com o canal ABC. Hoover deu uma importância especial a essa midia, pressentindo a força que iria adquirir nos anos seguintes. Em relatório confidencial, Hoover escreveu: “Tendo em vista o prestígio do sr. Disney, o produtor mais importante de desenhos animados da indústria do cinema, sua competência e suas vastas relações no domínio da produção, nós estimamos que sua colaboração para os serviços do Bureau pode se revelar preciosa. Por isso, recomendo que seja promovido a contato oficial de nossos serviços, sob o título de Special Agent in Charge”.

A lua-de-mel foi finalmente encerrada em 1956. Vítimas de sua paranóia, os homens de Hoover, se não o próprio, começaram a suspeitar de Disney quando ele solicitou uma área do FBI como locação de curtas-metragens do Clube do Mickey. Apesar de terem autorizado a filmagem, o clima de confiança nunca mais foi o mesmo. Em 1961, o artista aprovou o roteiro de Um piloto na Lua, que ridicularizava policiais. Quatro anos depois, se recusou a modificar o script de O espião com patas de veludo, pouco elogioso ao FBI.
Vítima de Hoover

Ignorando a qualidade de informador de Disney, os agentes fizeram uma investigação para provar que ele havia participado da Noite das Américas, evento do Conselho de Democracia Pan-americana, considerado uma associação subversiva, e de uma homenagem a Art Young feita pelo jornal New Masses, catalogado como aliado do Partido Comunista americano. Quando o presidente Dwight Eisenhower (1953-1961) listou personalidades susceptíveis de serem nomeadas ao Conselho Nacional da Cultura, Hoover enviou os dossiês desses dois casos e o nome de Disney foi rejeitado.
O artista passou de colaborador à vítima do chefe do FBI, que de 1924 a 1972 reinou como mestre absoluto sobre toda a vida política dos Estados Unidos, fichando mais de 159 mil de pessoas. Até hoje, a família do homem vencedor de 29 Oscars e 4 Emmy nega sua participação no macarthismo, sob o argumento de que ele seria apenas um “contato” do FBI. Para o seu biógrafo, o “público americano só conhecerá a verdade no dia em que todas as peças – sem cortes – do dossier Disney, em poder do FBI, estiverem disponíveis”. Um forte indício de que as informações divulgadas até agora estão corretas é que nenhum processo foi aberto contra o livro, traduzido em 14 línguas.

Zé Carioca, um brasileiro em defesa dos EUA
Em plena Segunda Guerra Mundial, Walt Disney desembarcou no Brasil para colaborar com a “política da boa vizinhança”. À época, o governo Getúlio Vargas relacionava-se com o Eixo, em detrimento dos Aliados, e os Estados Unidos adotaram uma campanha para ampliar sua influência política, económica e cultural no país. Entre as iniciativas para aproximar as duas nações, estavam o impulso à carreira de Carmem Miranda e a viagem de 15 dias de Disney ao Rio de Janeiro. A missão do artista, instruído cuidadosamente por Nelson Rockefeller, diretor da influente Secretaria para Assuntos Interamericanos, era ganhar a simpatia dos brasileiros e o resultado foi a criação de Zé Carioca. O papagaio estreou no filme Alô, amigos de 1942, em que fazia de cicerone do Pato Donald pelo país. A passagem pela América Latina ainda rendou outros dois personagens: o Gauchinho Voador, representante da Argentina, e o galo mexicano Panchito. Todos se tornaram bons amigos de Donald, simbolizando o que deveria ser a relação com os americanos.

(em coletivorosadopovo.blogspot.pt)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ornatos Violeta - Como Afundar



COMO AFUNDAR

o amor foi entrando em nós sem mentir
vi-te erguer no meu suor e subir
eu senti o amor tocar no avesso da saudade
e com ela a dor de não chorar

e é como ver o chão sob nós
sentir que é no amor que eu consigo encontrar
o que eu sou

e é como afundar nosso mundo em dor
e não querer acordar

minha flor, meu sol, eu vou estar sempre aqui
se eu lembrar a dor será também por ti
mas eu, eu não vou mudar

e a dor foi entrando em mim sem mentir
vi-te enfim erguer do chão
e sorrir
como a construir o meu fim

estão a bater à porta
dizem ser teus amigos
dizem vir da parte interna dos ouvidos

a noite entrou de passagem
sem nos levar
boa viagem
boa viagem

isso é como afundar nosso mundo em dor
e não querer acordar
e tu não vês?

(Manel Cruz/Ornatos Violeta)

mistérios de Paredes



terça-feira, 23 de outubro de 2012

brecht bem avisou

 
(em orenascer.blogs.sapo.pt)

A EDUCAÇÃO DOS PRINCÍPES

O ex-secretário de Estado Paulo Campos refere ter necessidade de apoio da família para a educação dos seus filhos. Os 8.000 euros mensais auferidos ao longo de uma década parecem não ser suficientes. Paulo Campos é um protagonista do chamado “centrão”, uma rede clientelar de interesses, e de políticas de direita, com variações de pormenor, mas acima de tudo orientada para a satisfação de sectores hegemónicos da sociedade.

O sistema de ensino destinado aos filhos dos responsáveis do “centrão”  reproduz os valores essenciais: o individualismo, o egoísmo, o mercado, a livre iniciativa, a superioridade de classe ou casta. Por isso, a universidade estrangeira, o curso além-mar, são soluções caras mas necessárias para a formação dos “rebentos” Campos. São príncipes á procura de reino.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

para não acreditar!

a ausência de vacinas contra a gripe, nas unidades de saúde do ACES, destinadas a ser fornecidas gratuitamente á população de mais de 65 anos, pré-anuncia o rompimento do compromisso do governo para com a população idosa.

só razões economicistas podem justificar a suspensão dessa distribuição.

apenas um claro descontrolo entre expectativas criadas versus promessas sérias pode originar uma tão grande desigualdade entre utentes.

são necessariamente graves as consequências na imagem dos actuais titulares de cargos públicos decorrentes destas medidas.

afinal uma direita cega e estúpida só se ultrapassa a si mesmo por mais estupidez...e mais... e mais...

qual o limite?


Paredes

Será verdade?

Raquel Moreira da Silva, vereadora paredense, entregou hoje os pelouros do Ambiente e Oficinas, Feiras e Protecção Civil da Câmara Municipal de Paredes.
No entanto, a vereadora manterá a sua presença no executivo municipal no mandato 2009-2013, por entender que "essa é a melhor forma de defender os interesses dos paredenses".


A ser verdade, assiste-se á derrocada da gestão PSD da Câmara Municipal de Paredes, com a debandada de um pilar importante, que troca o actual silêncio por uma posição politica indiscutível. A vereadora Raquel Moreira da Silva, originária do CDS/PP, bate com a porta de um executivo já fragilizado, com uma dívida colossal, e com obra muito polémica. Não serão alheias a estas movimentações as circunstâncias da crise social da industria e comércio de Paredes, que corroi a base social e politica do PSD.

Aumentam as possibilidades de uma afirmação de esquerda na vida politica de Paredes

CR

domingo, 21 de outubro de 2012

Sharon Van Etten - Magic Cords



Álbum Tramp, de 2012

carta aberta ao director

A reportagem da sessão da Assembleia Municipal de Paredes, de 4 de Outubro, publicada pelo O Progresso de Paredes, é LAMENTÁVEL. O Jornal ousou tentar reduzir os intervenientes nessa Assembleia Municipal, tentar silenciar posições políticas consistentes e coerentes, tentar desvirtuar o ambiente vivido nessa noite. O Jornal conseguiu não transcrever nenhuma posição política dos eleitos da CDU (bem como do CDS) sobre a reforma administrativa, nem o requerimento apresentado para a sua exclusão da Ordem de Trabalhos daquele dia e convocação de uma Assembleia Extraordinária para discussão exclusiva desse ponto. O Jornal conseguiu não se dar conta das intervenções dos eleitos da CDU (um dos quais Presidente de Junta de Freguesia e dinamizador a nível regional e nacional da contestação á fusão/extinção de freguesias). O Jornal conseguir não registar as declarações de voto desses eleitos, nomeadamente quando afirmaram alto e bom som que a CDU era a única força politica que tinha mantido a mesma posição e argumentação desde o início.  O Jornal conseguiu não transcrever à posteriori qualquer comentário da CDU, num SILENCIAMENTO AVILTANTE. Falou Paulo Silva, José Manuel Outeiro, Luísa Tadeu, Raquel Moreira da Silva, o presidente da Junta de Besteiros, Gondalães, Mouriz, Rebordosa. Cristiano Ribeiro e Álvaro Pinto, a crer na censura “rosa” do O Progresso de Paredes, estiveram a dormir. Ora bolas! Façam politica nos sítios certos e com juizinho…

CR

NOTICIA


O advogado de Paredes Amândio Ribeiro foi condenado em Tribunal a cinco anos de prisão se não indemnizar lesados em 71 500 euros no prazo de 1 ano.  A acusação consiste em seis crimes (quatro de falsificação de documentos e dois de burla) .
O ex- vereador do CDS/ PP em 1990, actual membro da  Assembleia Municipal de Paredes, da Assembleia Intermunicipal do Tâmega e Sousa , da Amnistia Internacional, e da Associação dos Deficientes de Paredes, nunca compareceu ao julgamento e vai ser sujeito a um plano de reinserção social. O acórdão será comunicado á Ordem dos  Advogados.

O jornal refere em título A queda de um “anjo”. Eu  acrescento: UMA DESILUSÃO PESSOAL E POLITICA
CR

sábado, 20 de outubro de 2012

JP Simões - Inquietação


AS DÍVIDAS A CURTO PRAZO DAS CÂMARAS MUNICIPAIS

 O PAEL é o Programa de Apoio á Economia Local, que pretende fornecer ás Câmaras Municipais crédito em certas condições para pagar as suas dividas a curto prazo. Ao abrigo do Programa II, as Câmaras da região, não consideradas em desequilíbrio estrutural, acederam ao programa cujo prazo de pagamento se estende a 14 anos.  Lousada não pede nada. Paços de Ferreira pede 7,2 milhões de euros de uma dívida total de 50 milhões de euros, dos quais 25 milhões de euros são dívidas de longo e médio prazo.  Penafiel pede 4,8 milhões de euros para uma dívida de curto prazo de 5,4 milhões de euros. Paredes pede 23,7 milhões de euros para uma dívida total de 26 milhões de euros.  Estes números tão díspares reflectem realidades diferentes ou diferentes formas de aceder ao crédito público?

CR

carta

Ao Presidente da República

Excelência,

Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se
importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel,
tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de
Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de
Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e
frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o
meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de
árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros.
Aprendi a dizer ?bom dia?, ?boa tarde?, ?boa noite? quando me cruzava
na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e
dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia
de que o valor de um homem reside no poder e força das suas
convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o
rodeia.

Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche
em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha;
frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de
escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola
Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que
restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de
Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012
com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino
superior conclui todas as unidades curriculares sem ?deixar nenhuma
cadeira para trás? como se costuma dizer.

Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho,
em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste,
da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por
ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem
todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores,
assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que
religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a
vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive
amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras
próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá,
não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com
diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela
que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com
outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um
lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me
engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo
perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e
almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito
em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em
ter um lugar no mundo, poder dizer ?eu existo, eu marquei o mundo com
os meus atos?.
Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu
respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a
embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio
eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em
França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu
o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo:
trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu
país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários
pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do
mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não
somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado
cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos,
o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer,
perfeito).

Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o
pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em
Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as
manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor
das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara
pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa
do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e
laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque
vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo,
por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde
não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de
alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos.
E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é
nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite
escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril
existiu para ser o povo quem ?mais ordena?. E a precisarmos de algo,
precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos
direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos
deveres.
Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal
ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para
outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram
para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me
esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha
família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a
amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha
ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu
pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um
privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é
para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um
privilegiado.

E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um
imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me
chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir
viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país.
Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos
da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá
saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra.
Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no
fundo, me expulsou dele mesmo.

Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político
obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte,
felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no
coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu
caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

o mundo

O mundo muda rapidamente. A boa notícia da greve geral conjunta em Portugal, França e Grécia é um exemplo da solidariedade dos ofendidos da crise do capitalismo.
Mas há mais. Os comunistas checos são a segunda força eleitoral na República Checa após as recentes eleições regionais. Obtiveram cerca de 20,44% dos votos, logo atrás dos 23,5% obtidos pelos sociais-democratas. Na Bélgica , os comunistas obtiveram nas municipais resultados que variaram entre os 3,5 e os 22%, com eleitos municipais, distritais e provinciais. O sucesso é evidente.

Na Venezuela, para a vitória de Chávez, há a contribuição crescente do Partido Comunista, que obtém em listas próprias mais 150.000 votos que em 2006. São portanto inequívocos os avanços das forças progressistas mais consequentes.
Cuba atualiza sua política migratória
Como parte do trabalho para atualizar a política migratória vigente e ajustar às condições do presente e do futuro previsível, o governo cubano, em exercício de sua soberania, decidiu eliminar o procedimento de solicitação de Permissão de Saída para as viagens ao exterior e deixar sem efeito o requisito da Carta de Convite.
De acordo com o jornal Granma, a partir de 14 de janeiro de 2013 só se exigirá a apresentação do passaporte corrente atualizado e a visto do país de destino, nos casos que a mesma se requeira.
O mundo muda rapidamente.
CR
 

Três canções revolucionárias portuguesas



Carlos Canhoto - saxofones
Fausto Neves - piano
Manuel Pires da Rocha - violino

AUMENTOS DO IRS



Se o seu rendimento colectável de 2011 foi dez mil euros, pagou de IRS 1550 euros. Já se o seu rendimento colectável foi dez vezes superior, cem mil euros, pagou 36050 euros.

Com a nova tabelas em discussão na AR, acrescida da sobretaxa de 4%, um rendimento colectável de dez mil euros passa a pagar 2270 euros, e um de cem mil euros irá pagar 43720 euros.

Ou seja, para quem tem um rendimento colectável de cem mil euros/ano o aumento do IRS será de 22%. Já para quem tem um rendimento colectável dez vezes menor, dez mil euros/ano, o aumento do IRS será de 46%.

(aessenciadapolvora.blogspot.pt)