um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 30 de setembro de 2012

FAGNER E ZECA BALEIRO - FANATISMO



FANATISMO

Poema de Florbela Espanca

Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda minha vida
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: princípio e fim!...

Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco,
diante do que sinto.

declaração


O Jornal de Notícias referia recentemente que Amândio Ribeiro, advogado de Paredes, tinha começado a ser julgado por acusação de burla a clientes em casos de indemnizações de seguradoras.
O arguido não compareceu á audiência, alegando doença, e o seu defensor requereu julgamento á porta fechada, alegando o facto de ser membro da Assembleia Municipal de Paredes, eleito pelo CDS/PP.

Não se discutem aqui procedimentos legais ou estratégias de defesa. Considera-se sempre que antes de decisão do tribunal há a presunção de inocência, direito ao bom nome de qualquer cidadão. E Amândio Ribeiro não é excepção. Mas estranha-se que ser membro de uma Assembleia Municipal possa ser invocado em julgamento por questões da sua actividade profissional privada.
A Assembleia Municipal é constituída por cidadãos livres eleitos, com direitos e deveres de qualquer cidadão e princípios, valores e experiências de vida diferenciados, e não pode ser confundida com uma qualquer entidade corporativa eivada de privilégios e muito menos impunidades.

Que a justiça seja justa, célere e adequada. Mas desejo que a Assembleia Municipal possa não mais ser citada por más razões.   
CR

a propósito de cadeira

 Em Objecto Quase, livro de contos de José Saramago publicado em 1978, há um conto chamado Cadeira. Trata-se de uma alegoria com base no desabamento súbito de uma histórica cadeira, um velho ditador por nós conhecido derrubado sem piedade pela acção constante de um insecto do caruncho. Uma cadeira julgada perfeita que deixa de o ser porque mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Ou como lembra o autor, não fosse a cadeira, cadere em latim, fadada ao fim de cair, pelo seu próprio nome.
O Anobium vingador, herói anónimo, geração atrás geração, cumpre a sua missão. A queda ocorre sem que ninguém presencie ou, melhor, sem que ninguém contrarie a queda. A aresta do móvel vizinho colide com o crânio em queda do ditador. Advém assim o traumatismo, a pequena equimose externa mas que significa a ruptura anatómica interna, o sangue extravasado e acumulado. Dois anos de degradante vegetação física e um alheamento completo da realidade. O fim.
Invocar a humanidade, o azar, lamentar o ocorrido, que perda de tempo… Mas é a morte uma desculpa, um perdão, uma esponja, uma lixívia para lavar crimes? Pergunta Saramago. A cadeira não importa. Importa a sua queda, excelente e espectacular.
Vamos até a janela. Que me diz a este mês de Setembro? Há muito tempo que não tínhamos um tempo assim. Assim termina o conto de Saramago.
Observemos as cadeiras onde hoje se sentam muitos. Não se vêem algumas já em desequilíbrio irreversível? Será que não estarão já invadidas pelos coleópteros? Tardará muito o som articulado formado na garganta do tombante, mais grito que voz, mais surpresa que desejo de não cair? Julgo que não há cadeiras seguras onde se sente a injustiça, a mediocridade ou a hipocrisia. Descontado o design, o colorido, o texto referencial, não se encontra cadeira específica ou singular de onde o poder não caia.
Setembro? Há muito tempo que não tínhamos um tempo assim.    
CR

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

mistérios de Paredes

Em dia de reunião da estrutura local de Paredes do PSD houve "manife" á porta da sede.
As razões não deverão ser indiferemtes à proposta de reorganização administrativa que o PSD levará á próxima Assembleia Municipal. Os populares da noite paredense (de Gondalães?) parecem não estar dispostos a "engolir" as "vantagens" das fusões de freguesias. Que se cuidem os "coroneis" do PSD...

Protesto em Paredes contra a extinção de freguesias

José Vinha (JN)
Celso Ferreira, presidente da Câmara de Paredes, foi surpreendido por uma manifestação de populares de Gondalães, naquele concelho, que se manifestaram contra a extinção daquela freguesia.
Na noite de quinta-feira, o autarca ia a entrar na sede do PSD de Paredes para uma reunião partidária, sendo surpreendido pelos manifestantes que, de cartazes em punho, criticaram a reforma administrativa.
Celso Ferreira apontou para a vizinha sede do PS, acusando os socialistas de serem culpados de cederem à troika.
Os manifestantes, maioritariamente sociais-democratas, pediram ao autarca e líder da concelhia PSD que deixe ser a troika a decidir.
Paredes poderá ficar com apenas dez das 24 freguesias.

Comentário: O PSD (e o PS) NO SEU MELHOR...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Assembleia Municipal


SESSÃO ORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES, DE 3 DE OUTUBRO DE 2012, PELAS 21 HORAS

PERÍODO DA ORDEM DO DIA

1. Relatório de actividades municipais e situação financeira do município

2. Modificação ao Orçamento Ano 2012 – 2.ª Revisão ao PPI – Para discussão e votação

3. Documentos previsionais – Ano 2013 - Para discussão e votação

4. Proposta para contracção de empréstimo a curto prazo – Para discussão e votação

5. Proposta para a taxa municipal de direitos de passagem- Para discussão e votação

6. Proposta referente ao Imposto Municipal sobre Imóveis - Para discussão e votação

7. Proposta de lançamento da derrama - Para discussão e votação

8. Proposta de apoio á economia local – Proposta de adesão e memória descritiva e justificativa - Para discussão e votação

9. Desafectação da área de construção do pavilhão gimnodesportivo de Lordelo, do domínio público para o domínio privado - Para discussão e votação

10. Contratação de 26 assistentes operacionais – recrutamento excepcional­ – Verificação dos requisitos para a contratação- Para discussão e votação

11. Reorganização administrativa – discussão e apresentação de propostas na Assembleia Municipal

12. Sinalização vertical da praça de táxis- freguesia de Beire- Para discussão e votação

13. Sinalização vertical na Rua de Entrecampos- freguesia de Bitarães- Para discussão e votação

14. Sinalização vertical e horizontal na Avenida Dr. Carmindo Maia- freguesia de Duas Igrejas- Para discussão e votação

Frank Zappa - Cletus Awreetus-Awrightus



Frank Zappa e The Mothers of Invention
Álbum - The Grand Wazoo (1972)

frase


As políticas do governo são tão eficazes a melhorar a economia do país, quanto as mensagens de mural do facebook a curar criancinhas doentes. (Ivo Rafael)

"Senhor 1ºMinistro termine as minhas frases" / Nilton / 5 Para a Meia Noite


poema

FALHEI

Falhei em aceitar a miséria como normal
E o meu egoísmo como coisa natural
Falhei em todos os padrões
em que tentaram me enquadrar
Me deram outra chance, me deram outra prova,
de múltipla escolha, com uma só opção
Não adiantava,
Só encontrava a resposta certa em meu coração

Tirei zero em cinismo,
Porque aquela desigualdade me incomodava
Não encontrava solução para o sistema
Nas minhas contas a matemática estava errada

Mas enxerguei a vida de outro ângulo
E a questão me pareceu exata
Ficou claro que aquela não era a minha classe
Que havia, por algum motivo me enganado

No fim, fiquei reprovado em hipocrisia
Porque não aceitei as regras da burguesia

Fui jubilado e encontrei a saída

Falhei...
E por isso venci na vida

William Alexandre

(em coletivorosadopovo.blogspot.pt)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

correspondência

Caro Senhor
Acusamos a recepção do seu mail infra, o qual mereceu a nossa maior atenção.
Sucede que a questão indicada extravasa a intervenção do FMI no contexto do Programa de Assistência Financeira a Portugal.
Com os melhores cumprimentos,
Marcos Souto
Deputy Resident Representative
IMF RR Lisbon Office

Eis a inútil resposta do FMI á "correspondência com o inimigo" enviada por mim em 6 de setembro de 2012 e publicada neste Blog. Sugiro que repliquem com casos de vida, questões locais, etc. Até eles perderem a paciência...

Damien Saez - Clandestins



Com uma introdução ao "Nights in White Satin" dos Moody Blues

Vejam aqui onde está o aumento das nossas exportações!



O insuspeito Nicolau Santos do Jornal Expresso, em 30 segundos, explica onde reside o êxito das nossas exportações: o ouro das famílias famintas, os medicamentos roubados aos nossos doentes e que foram para África e os automóveis em segunda mão que tinham sido importados e, como não se vendem, estão a voltar para a Alemanha.

Os dados relativos ao comércio externo e à Balança Comercial  nos primeiros 5 meses do ano 2012 foram já motivo de uma análise cuidada do PCP. O INE referiu uma subida de exportações de mercadorias de 9% e uma descida e3m 5,6% das importações face ao período homólogo. Surgiram logo as tradicionais caracterizações de um “bom aluno” a trilhar o “bom caminho”. Mas o PCP logo alertou que:
. o perfil das exportações mantém-se em produtos de baixo valor acrescentado
. o euro desvalorizou de 13,5% face ao dólar ao longo do último ano
. há um aumento excepcional de exportações de “combustíveis minerais” em 42,5% em 1 ano (capacidade disponível das refinarias, redução da procura interna)
. há um aumento excepcional de exportação de ouro, pedras e outros metais preciosos em 78,6% em 1 ano

São portanto as poupanças e o empobrecimento que alimentam um número, uma ilusão

ACTIVIDADE


Acabei de completar a elaboração e encadernação do Volume XV de “Como se fosse percorrido a pé – Fragmentos da História do PCP no Porto Interior”, de que sou autor.

Esta recolha de informação, que abrange os anos de 1987 a 2012, é relativa á intervenção do PCP no Concelho de Paredes e engloba desde a intervenção parlamentar, a notas de imprensa, entrevista a eleitos da CDU, actas da Assembleia Municipal a dossiers importantes como as Linhas de Alta Tensão, a SIMDOURO, e organização partidária. Acresce um comjunto de mapas de diferentes eleições em Paredes.

Este registo histórico enriquece-se com textos de imprensa de Miguel Correia.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UM CONDE QUE SE JULGAVA NA CORTE DOS BOBOS

 O Sr. D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, 4º conde de Mangualde, 6º conde de Vila Real, 5º conde de Melo, presidente da Fundação Casa de Mateus, a primeira do ranking da avaliação de Fundações pelo governo Cavaco/PSD/CDS, decidiu cancelar definitivamente a cerimónia de entrega do Prémio D. Dinis: “Não haverá cerimónia solene”.

O Sr. D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, 4º conde de Mangualde, 6º conde de Vila Real, 5º conde de Melo, presidente da Fundação Casa de Mateus, a primeira do ranking da avaliação de Fundações pelo governo Cavaco/PSD/CDS, adiantou que Maria Teresa Horta, autora da obra premiada, o romance “As luzes de Leonor”, receberá o cheque em casa e fica encerrado o caso. Alguns entendem isto como uma tentativa de vexame á escritora, uma punição á sua frontalidade e verticalidade.

Como se a autora fosse obrigada a receber um prémio (a que não tinha concorrido) nas circunstâncias que a entidade organizadora tinha decidido, a vergar-se e a cumprimentar quem lhe fosse impensável, numa postura silenciosa e agradecida, talvez mesmo com lágrima ao canto do olho. Como se se revivesse as cortes da idade média, com bobos fazendo rir e entretendo a família real, os seus convidados, a constelação de aios e aias, serviçais e fidalgos.

O Sr. D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, 4º conde de Mangualde, 6º conde de Vila Real, 5º conde de Melo, presidente da Fundação Casa de Mateus, a primeira do ranking da avaliação de Fundações pelo governo Cavaco/PSD/CDS, vive atrasado no tempo. Habituado ao trato solene do cheque, falta-lhe a compreensão do exercício minucioso da coerência.
CR

 

IMBECILIDADE MADE IN USA


Como se não bastassem as humilhações que qualquer cidadão norte-americano decente já passa, fruto das sucessivas acções mais do que qustionáveis dos seus governos, no quadro internacional, ainda tem que passar a vergonha “planetária” de estar a arriscar vir a ter como Presidente um paspalhão como Mitt Romney que, para além do potencial criminoso que já revelou ser, é uma besta capaz de se indignar pelo facto de não ser possível abrir as janelas dos aviões comerciais... durante os voos.
Francamente... não lhes chegava o vexame que a inenarrável Sara Palin os fez passar há tão pouco tempo?

Francamente... haverá alguma cláusula especial nos estatutos do Partido Republicano, que obrigue os seus candidatos presidenciais a terem uma cultura de paralelepípedo de estrada e um Coeficiente de Inteligência ao nível das amebas?

Adenda: Não, não trata aqui de arrogância pseudo-cultural! Infelizmente, um país que tem um ministro como Miguel Relvas... não pode ter o topete de ser culturalmente arrogante com nenhum país do mundo!
(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

 

humor


cultura contemporânea

Classe Média
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça
teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault, de 2008:

Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o
contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me
explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado
até o pescoço...

Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai
parar à prisão. Mas o Estado... é diferente!!! Não se pode mandar o Estado
para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o
fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criámos todos os impostos
imagináveis?

Mazarino: - Criando outros.

Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: - Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que
gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma
quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham
sonhando enriquecer, e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar
mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais
elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório
inesgotável. É a classe média!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

propostas sérias

CGTP-IN APRESENTA PROPOSTAS

PARA EVITAR SACRIFÍCIOS

E A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA


1 - Criação de uma taxa sobre as transacções financeiras

A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de euros.

2 - Introdução de progressividade no IRC

A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de progressividade no imposto. A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros

3 - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos

A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos, incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51º do CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base tributável esses rendimentos desde que a entidade beneficiária tenha uma participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de euros.

4 – Combate à Fraude e à Evasão Fiscal

A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua concretização. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.

conclusões do conselho de estado a que chegamos, Freddy Mercury e the show must go on...



Graças aos bons ofícios do conselheiro matrimonial o divórcio foi adiado, as partes comprometem-se a manter a aparência dum casamento feliz, ou pelo menos a não fazer peixeirada em público; please?

Enquanto não arranja para onde se mudar, o Paulo continua a viver lá em casa, em regime de bed and breakfast.

Os gatunos são aconselhados a deixarem o roubo de esticão, mas o assalto à mão armada must go on.
(em aessencisdapolvora.blogspot.pt) 

domingo, 23 de setembro de 2012

morte com cinismo


O sítio na NET da Junta de Freguesia de Baltar informa assim:
“A estratégia de encerramento de estações de correios e agenciamento a outras entidades do serviço público postal, levou ao fim da Estação de Correios de Baltar, curiosamente de forma silenciosa e pacífica.” (sublinhados meus a negrito)

Esta expressão por mim sublinhada a negrito revela muito da autoria de tal anúncio autárquico. Pacificamente, submissa e calada, a Presidente da Junta aceita a perda do serviço, das suas características essenciais, do posto de trabalho, da experiencia acumulada, da riqueza identificadora. E fá-lo com cinismo para com os que dela discordam.
A morte também muitas vezes acontece “curiosamente de forma silenciosa e pacífica”. E não deixa de ser morte.

Esta congratulação com a morte de um serviço público é doentia. Afinal para alguns a vila de Baltar não passa de um lugarejo perdido na serra.
Pena não nos anunciar no sítio na NET da Junta de Freguesia a Presidente da Junta da estratégia de encerramento da Mini- ETAR de Baltar. Mesmo que fosse “curiosamente de forma silenciosa e pacífica”.

CR

The XX - Chained



Do novo álbum de 2012 Coexist

sim, estamos conversados!

Quanto á ilusão de um governo de esquerda do PCP + Bloco, com o PS, estamos conversados, certo?

Dos jornais
O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, convidou todas as forças políticas da oposição para uma convergência na apresentação de uma moção de censura ao governo.

"Queremos que haja uma posição de força das oposições", afirmou Louçã aos jornalistas após uma reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda realizada em Lisboa.

O porta-voz do PS, João Ribeiro, alertou que o comunicado lido hoje de madrugada no final da reunião do Conselho de Estado “é muito claro sobre o rumo que o País deve seguir”.
Seguro não avança com moção de censura.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje que o convite feito pelo BE à apresentação de uma moção de censura por todas as forças da oposição ficou comprometido com a posição "previsível" do PS.

"O PS esteve dez dias na oposição. Anunciou uma moção de censura que nunca iria apresentar e voltou ao princípio da austeridade inteligente", acusou, numa referência ao facto de o líder socialista admitir recuar caso o Governo deixe cair o aumento da Taxa Social Única (TSU) para os trabalhadores.

Questionado sobre uma eventual coligação de esquerda, o líder comunista sublinhou que não há "saída patriótica e de esquerda" sem "rasgar" o memorando de entendimento, mas diz que o PCP "está pronto e capaz de assumir todas as responsabilidades que o povo lhe quiser atribuir".

 

mistérios de Paredes


O comunicado do PS dizia então assim:

PS DESAFIA PSD A SENTAR-SE À MESA PARA DISCUTIR REFORMA ADMINISTRATIVA DO CONCELHO DE PAREDES
         … O Partido Socialista de Paredes considera que a conjuntura difícil que o país atravessa é razão suficiente para que os partidos políticos se mostrem disponíveis para discutir e assumir uma alteração administrativa no concelho…

…Os socialistas acreditam que os dois partidos com maior representatividade no concelho devem, libertos de preconceito ou tacticismo politico, encarar a situação de frente e concretizar de forma consensual, um acordo que conduza á redução do número de freguesias em Paredes e, consequentemente, à diminuição dos custos e uma eficaz utilização dos recursos.

Segundo o vereador Artur Penedos, ao repto lançado pelo PS, o presidente da Câmara Celso Ferreira, ”como é seu timbre, fez de conta que dizia coisas, sem dizer o que quer que fosse, querendo apenas conhecer a proposta do PS”.

Penedos assegurou que “o PS/Paredes não deixará de assumir responsabilidade que tem na matéria e de promover o debate com a sociedade paredense, de modo a obter as soluções que melhor sirvam os seus interesses e expectativas”. (sublinhados a negrito meus)

O que dirá o PS agora?

convocatória

 
 
 
 


sábado, 22 de setembro de 2012

texto


FECHOU A ESCOLA EM GRIJÓ

Dantes ouviam-se as crianças a caminho da escola

e eram como pássaros de som nas manhãs de Grijó.

Não eram muitas, mas as vozes joviais

Davam sinal de que a aldeia resistia,

continha à distância o deserto que a ronda

 

Agora as crianças, todas as manhãs,

são acondicionadas como mercadorias

numa viatura com vocação de furgoneta.

Lembram judeus em vagões jota

a caminho de Auschwitz.

Vão aprender em terra estranha o que os seus pais

e os pais dos seus pais aprenderam em Grijó.

 

Só se voltam a ouvir ao fim da tarde

quando a viatura as despeja no largo da aldeia

como artigos que ficaram por vender.

Mas ouvem-se pouco, porque vêm cansadas.

Ouvem-se pouco e triste porque o seu dia

_que devia ser dia de Grijó_

foi deportado para outra terra onde

não se lhe firmam as raízes.

 

O senhor ministro das Finanças está contente

porque poupa meia dúzia de euros

com a violenta trasfega da infância.

 

Mas está triste Grijó, porque já não ouve

as suas aves da manhã a caminho da escola

_ e por isso pode dizer-se que a aldeia encolheu,

ficaram uns metros mais perto as areias de amanhã.

 

Caladas as vozes tagarelas das crianças,

nos dias de Grijó poucas mais se ouvem

do que as de alguns velhos que antecipam

em palavras raras, conformadas,

o dia em que o silêncio cobrirá com estrondo

o (des)povoado definitivamente.

 

O senhor ministro das Finanças terá poupado

mais alguns euros com a instalação

deste opressivo silêncio final,

 e ficará contente. Grijó não.

 

(A.M.Pires Cabral, em Cesto da Gávea, colaboração do autor em Repórter do Marão, de 12 de Setembro de 2012, reproduzido aqui contando com a sua benevolência e permissão)

Filetinhos de pescada

O comunicado do Conselho de Estado é tão insipido, tão inútil e tão formal que faz lembrar um grupo de amigos que perante o desafio de escolheram um menu no restaurante optaram consensualmente ... por uns filetinhos de pescada.

eles...e nós (ou como instituições cegas não respondem aos problemas)


Comunicado do Conselho de Estado:

 1) O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artº 145º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema “Resposta europeia à crise da Zona Euro e a situação portuguesa”.

2) Na fase inicial da reunião do Conselho de Estado, que contou com a presença de todos os seus membros, participou nos trabalhos, a solicitação do Presidente da República, o Ministro de Estado e das Finanças, que fez uma exposição sobre o tema da agenda e prestou os esclarecimentos solicitados.

3) O Conselho debruçou-se sobre as medidas já tomadas pelas instituições europeias visando combater a crise da Zona Euro e a suas implicações para Portugal e manifestou o desejo de que a criação da União Bancária Europeia, a disponibilidade do BCE para intervir no mercado secundário da dívida soberana de países sujeitos a estrita condicionalidade e as políticas europeias para o crescimento e o emprego sejam concretizadas tão rapidamente quanto possível.

4) No quadro da situação do País, os conselheiros sublinharam a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos de modo a encontrar soluções que, tendo em conta a necessidade de cumprir os compromissos assumidos perante as instâncias internacionais que asseguraram – e continuam a assegurar – os meios de financiamento essenciais à nossa economia, garantam a equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos e permitam perspectivar o crescimento económico sustentável.

5) Embora reconhecendo que Portugal depende muito do exterior para o financiamento do Estado e da sua economia, sendo por isso importante preservar a credibilidade externa do País e garantir avaliações positivas do esforço de ajustamento visando a correcção dos desequilíbrios económicos e financeiros, o Conselho de Estado considera que deverão ser envidados todos os esforços para que o saneamento das finanças públicas e a transformação estrutural da economia melhorem as condições para a criação de emprego e preservem a coesão nacional.

6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.

7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo.

Lisboa, 21 de Setembro de 2012″

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A DERIVA IDEOLÓGICA E A MISÉRIA ÉTICA

         Não é muito original identificar na prática governativa actual uma consequência de uma deriva ideológica radical que tem trazido muitos prejuízos acrescidos aos cidadãos. Mas é justo.

 

Acobertado pela crise, por um antepassado recente lamentável, por um cenário apocalíptico de emergência, que, a seu ver, tudo permitiria, e tudo absolveria, o governo Cavaco/PSD/CDS encaminhou-se rapidamente para uma prática do mais puro ultraliberalismo.

 

São as “reformas estruturais”, a selvajaria da legislação laboral, a contensão salarial e orçamental ilimitada para os fracos e desprotegidos, é a liberalização dos preços e das rendas, a retracção, a privatização dos serviços públicos, a destruição de equilíbrios territoriais, a austeridade cega.

 

 Está em curso uma agenda politica, um modelo experimental, sistemático e rigoroso, que transforma o Homem Comum em instrumento, em parafuso, de um sistema de dominação e exploração que muitos consideravam ultrapassado no tempo. Á evolução social quer contrapor um novo criacionismo, com base no empobrecimento. A troika ampara, sustenta e reforça a orientação.

 

As consequências são evidentes: um profundo desajuste e desequilíbrio com a realidade, a insensibilidade social, a miséria, o medo latente nos locais de trabalho, nas famílias, no país, uma inércia, uma fadiga, um futuro sem esperança. Alguma direita clássica envergonha-se com o excesso. E demarca-se.

 

Mas a deriva ideológica torna-se ainda mais penosa (é sempre possível pior!) com as peripécias recentes da TSU, as exposições públicas de uma ética miserável. São os conflitos, as inverdades, as hipocrisias, a postura do quero, posso e mando, a falsa qualificação, a desfaçatez irónica, são as nomeações sem princípios, o exercício de uma encenação - o estado Rei-Sol, ao serviço de poderosos.

 

O poder perdeu contudo eficácia, perdeu a vergonha, perdeu legitimidade. O cidadão identifica-o como corja de ladrões e incompetentes, fonte de miséria e desigualdade. As palavras perderam sentido da boca de tal gente. O cidadão soltou a raiva, a ira, a indignação. Reforçou-se o sentimento colectivo que era possível resistir, barrar o inimigo.

 

No poder, acumulam-se os erros e as fragilidades, numa espiral de insucessos. A rua é testemunha da incapacidade de um conjunto de figurinhas e figurões, de marionetas e espantalhos, de nulidades e zeros á esquerda, em se assumirem como pessoas de bem e dedicação á causa pública. Em Belém, infelizmente mora a cumplicidade, a cobardia, a semente, o conformismo, a cegueira.

 

Muitos olham mas não vêm. Pensam condicionados. Falam mas então não pensam. Simulam mas não agem. Contudo muitos vêm, pensam e agem com naturalidade. No ritmo do tempo presente, da verdade. Como sempre.

 

Cristiano Ribeiro     

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

noticias da guerra social


O transporte de alunos é assegurado em concelhos de Bragança, como Vinhais e Alfândega da Fé, por corporações de bombeiros. O Estado desresponsabiliza-se, as autarquias assobiam para o ar, e é a sociedade civil corporizada nos Bombeiros quem assegura um preceito constitucional, o acesso universal á educação. Lamentável!

 

O governo anda a contratar ilegalmente por três euros à hora funcionários para as escolas. São 883 funcionários para responder a necessidades permanentes das escolas. A três euros a hora.

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PCP nota que descontentamento é muito grande e justo

PCP nota que descontentamento é muito grande e justo - Política - Notícias - RTP

Sondagem Universidade Católica

PS - 31%
PSD - 24%
CDU - 13%
BE - 11%
CDS - 7%
Outros – 3%

Lurdes Ribeiro substitui temporariamente Jorge Machado na Assembleia da República

O deputado do PCP eleito pelo círculo do Porto, Jorge Machado, será substituído nos próximos 30 dias, por motivo de gozo da licença de paternidade. O cargo será assumido por Lurdes Ribeiro, 44 anos, Auxiliar de Acção Educativa. É dirigente sindical, sendo membro da Direcção e da Comissão Executiva do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte, da direcção da Federação Nacional dos Sindicatos em Funções Públicas e Sociais e do Conselho Nacional da CGTP-IN.
É representante do Pessoal não Docente no Conselho Geral e na Comissão Paritária da Escola Secundaria 3 de Amarante.
É militante do PCP, membro da Comissão Concelhia de Amarante, da Direcção da Sub-região do Baixo Tâmega e Vale do Sousa e da Direcção da Organização Regional do Porto do PCP

Maria Teresa Horta recusa prémio das mãos de Passos

A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance "As Luzes de Leonor", disse hoje à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto. A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para a próxima sexta-feira, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
"Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país", explicou Maria Teresa Horta à Lusa.
"Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência", salientou a escritora que acrescentou: "Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores".
Para Maria Teresa Horta, "o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril de 1974 e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural".
A autora afirmou que "o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é Passos Coelho, e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto".

Adriana e o policia

15 de setembro, em Lisboa.
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

FRIEDMANITAS Á PORTUGUESA

por Guilherme Coelho (em resistir.info)

Andam as pessoas chocadas e espantadas com o descaramento de uns quantos que, tendo supostamente sido eleitos pelo povo, pela maioria, para zelar pelo seu bem estar, afinal, quando apresentam bons resultados vão sempre na mesma direcção, dos ricos e poderosos, isto é, da minoria.

Explicações para a situação tem havido muitas, umas mais convincentes que outras. Já quanto a soluções têm sido menos, excepto as do lado dos governantes que pecam por dois defeitos: são sempre demais e têm o condão de falhar rotundamente, ano após ano. E é assim desde há trinta e seis anos.

Uns a afirmar que nos tínhamos endividado demais e agora estávamos a pagar a factura; outros refutando que quem tinha provocado a crise eram os gananciosos especuladores e prestamistas; outros ainda acusando a Alemanha e a Sra. Merkel de quererem fazer de mansinho aquilo que o Hitler não conseguiu à bruta; finalmente outros, a assegurar que tudo isto não passava de um ataque cerrado dos EUA ao Euro porque começava a ameaçar o dólar como moeda de comércio internacional.

Estava quase em crer que seriam todas elas juntas e mais algumas, ainda invisíveis para mim, tal a situação caótica que se vive. No entanto, muito ficava por explicar nomeadamente algo que sempre me intrigou: a postura bonzática dos governantes, impávidos e serenos, quer caíssem picaretas ou chovessem manifestações. Algo por detrás devia justificar esta atitude.

Eis se não quando a leitura de um importantíssimo trabalho da jornalista norte-americana Naomi Klein veio lançar uma nova luz sobre a matéria. Nomeadamente a da relação entre o avanço do capitalismo e as catástrofes e outras situações difíceis para os países. Trata-se do livro " A Doutrina Do Choque – Capitalismo De Desastre" e data de 2009.

Nele se expende a ideia de que a catástrofe natural, tal como a crise económica, a guerra, provocando a destruição e o caos geram novos mercados. Em resumo, poderiam ser uma prática intencional destinada a criar condições para o avanço do capitalismo, sem obstáculos por parte dos atingidos. Pior do que isso, segundo as palavras do mentor da teoria Milton Friedman, "Tornar o impossível, inevitável", querendo ele dizer com isso que, com este método, a situação social se deverá tornar tão insuportável para as pessoas que irão ser elas a implorar junto dos seus carrascos uma qualquer solução que as alivie. Só que o carrasco sabendo isso ainda carrega mais e acaba aplicando medidas que de outro modo seriam impossíveis de implementar.

Cita ela como paradigmáticas as afirmações de um dos seguidores do modelo:
"Para nós o medo e a desordem ofereciam grandes promessas." O ex operativo da CIA de 34 anos estava a referir-se a como o caos no Iraque, após a invasão, tinha ajudado a sua desconhecida e inexperiente firma de segurança privada, a Custer Battles, a sacar cerca de 100 milhões de dólares em contratos ao governo federal. As suas palavras poderiam ser usadas como slogan para o capitalismo contemporâneo – o medo e a desordem são os catalizadores de cada novo salto em frente".
Mais adiante explica qual a principal característica ideológica deste novo modelo:
"Um termo mais preciso para descrever o sistema que apaga as fronteiras entre o Grande Governo e os Grandes Negócios é corporativista , não é liberal, conservador ou capitalista. As suas principais características são enormes transferências de riqueza pública para mãos privadas , muitas vezes acompanhadas por uma explosão de dívidas, um abismo que não pára de se alargar entre os ricos deslumbrantes e os pobres descartáveis, e um nacionalismo agressivo que justifica gastos ilimitados com a segurança. Mas devido às claras desvantagens para a vasta maioria da população deixada de fora da bolha, outras características do Estado corporativo tendem a incluir a vigilância agressiva (mais uma vez com o governo e as grandes corporações a trocarem favores e contratos), encarceramentos em massa, liberdades civis cada vez mais diminutas, e muitas vezes, embora nem sempre, tortura".
Quem estaria na origem desta politica económica, a que muitos chamaram neoliberalismo e se expandiu por todo o mundo capitalista a partir dos anos 70 com Reagan e Thatcher, seria o seu autor, Milton Friedman, criador de uma escola económica, designada por Escola de Chicago e cujos estudiosos e divulgadores ficaram conhecidos pelos "boys da Escola de Chicago" e se infiltraram em praticamente todos os governos do mundo como se fosse a única forma de governar.

Segundo a autora, estes boys, a pretexto da liberalização do mercado, apenas pretendem três objectivos com a sua politica: privatizar os bens dos Estados, retirar direitos adquiridos aos trabalhadores, especular financeiramente através de empréstimos com chorudos lucros.

Estes sempre foram objectivos da classe capitalista dominante mas não podiam ser implementados. A grande novidade surge quando os estudiosos de Chicago descobrem que em situações de desespero as pessoas aceitam tudo o que lhes impõem. A esta doutrina chamou ela Doutrina de Choque.
"De acordo com a doutrina do choque, sempre que a classe dominante pretende impor determinada medida de carácter impopular, empregará meios de choque na sociedade, na proporção directa das medidas que pretende impor, por forma a obter um adormecimento das consciências durante o tempo necessário para impor essas medidas.
É esta doutrina que tem servido de suporte a toda uma série de intervenções do imperialismo e que constitui o elo comum entre o ataque militar à Síria e o ataque financeiro a Portugal. Em ambos os casos, e de formas completamente diferentes, tenta-se criar o caos enquanto pilham o mais possível, para, em consequência, obterem a posse dos recursos e o sobre-lucro da reconstrução, para além da submissão de governantes fantoches. Reconstrução essa que vai novamente criar uma espiral de endividamento ficando na prática os Estados nas mãos das multinacionais.

Se esta é a lógica aqui aplicada a Portugal parece que tudo ficou mais claro, e que através das explicações tradicionais apenas esclarecia de aspectos parciais. Uma lógica que permite compreender a cegueira e a certeza com que é praticada pelos governantes, antes totalmente incompreensível e desacertada para quem está de fora. Assim já me é mais fácil entender a postura robótica de um Gaspar,o...que...fala...assim. Ou de um Borges, o agente para o rapinanço. Ou de um Relvas, ou de um Passos Coelho, ou de um Portas... Como qualquer fundamentalista religioso basta-lhes a convicção do dogma e não a dissecação do mesmo. Se os gurus dizem que sim, eles dizem que sim. São aquilo que alguns chamam a seita dos friedmanitas, uma espécie de Robin dos Bosques ao contrário cuja consigna é roubar aos pobres para dar aos ricos.

Identificado agora o principal inimigo do povo (sem esquecer todos os adventícios atrás mencionados, claro) e os seus métodos, parece ser mais fácil combatê-lo. É natural que se comece a olhar em volta procurando soluções. Todas elas passando pelo seu afastamento do poder

Simon and Garfunkel - The Boxer


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

EUROPEU DE HÓQUEI EM PATINS



A Espanha ganhou o Europeu de Hóquei em Patins realizado em Paredes ao derrotar Portugal por 5-4. Parabéns aos vencedores.