um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Fausto - A memória dos dias


Fausto - A memória dos dias (Despertar dos Alquimistas)

Correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade
E cobriste de mil flores as varandas da cidade

Ao cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa
Dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa

Leste os clássicos do tempo como toda a novidade
E a sonhar adormeceste no prazer da liberdade

Inventando mil amigos
Esquecendo velhos perigos

Acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido
Dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos

Soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
Que te negavam medonhos o teu plano cor-de-rosa

E na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos
Na razão dos maltratados entre abraços desabridos

No delírio prematuro
Ainda foste forte e duro

Roda a espiral da história entre as garras da agonia
Diz adeus, ó meu amor, que eu hei-de voltar um dia

E deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim
Perfumada pelo cravo, amanhã pelo alecrim

Deixo-te uma palavrinha
Para te lembrares de mim

Leitura Importante

A FNAM enviou uma denúncia à delegação da Troika sobre o incumprimento do Memorando de Entendimento no que se refere aos Cuidados de Saúde Primários
Começa assim:

Exm.º Senhor

Albert Jaeger
Senior Resident Representative in
Lisbon
International Monetary Fund
Portugal
E-mail: RR-PRT@IMF.ORG
Tel +351-211156870
Fax +351-211156879

Coimbra, 29 de Agosto de 2012

Assunto: Saúde – incumprimentos do governo português

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM), estrutura que integra 3 sindicatos médicos (Sindicato dos Médicos do Norte, Sindicato dos Médicos da Zona Centro e Sindicato dos Médicos da Zona Sul), constituiu-se desde a sua fundação em 1988 como parceiro social desde sempre comprometido com a construção de soluções que permitam compatibilizar as preocupações sindicais com a efectividade e sustentabilidade do serviço nacional de saúde.

Confrontados com flagrantes contradições e incumprimentos relacionados com algumas das medidas fixadas no Memorando de Entendimento firmado entre a Troika e o Estado Português e que, do nosso ponto de vista, colocam em risco justamente a coerência das mesmas e a qualidade e sustentabilidade do sistema, vimos participar alguns factos que nos merecem fundadas preocupações e contestação.

Melhores cumprimentos,

O Presidente da FNAM
(Sérgio Esperança, Dr.)

Trata-se de uma INTERVENÇÃO oportuna a que dei o meu contributo neste blogue (ver entre outros post MAD MAX, de 24 de julho, Os "melhores", de 19 de Abril e os Publicado no Diário da República, de 14,15 e 16 de agosto)

Sugestão de filme - 1900, de Bernardo Bertolucci



1900
Filme épico de 1976 de Bernardo Bertolucci com Robert de Niro, Gérard Depardieu, Burt Lancaster, Dominique Sanda, Donald Sutherland, Anita Valli. Presente no Festival de Cinema de Cannes de 1976
O filme faz uma retrospectiva histórica da Itália desde o início do século 20 até o fim da Segunda Guerra Mundial, focando as vidas de duas pessoas: Olmo (Gérard Depardieu), filho bastardo de camponeses, e Alfredo (Robert De Niro), herdeiro de uma rica família de latifundiários. Apesar da amizade desde a infância, a origem social fala mais alto e os coloca em polos política e ideologicamente antagónicos. O pano de fundo é o intenso cenário político da época, com o fortalecimento do fascismo e, em oposição, as lutas dos trabalhadores ligadas ao socialismo.
Ver em 2012 o filme 1900 em versão DVD constitui um exercício necessário de reavaliação da arte em primeiro lugar e também da história, com a compreensão da mudança histórica induzida pela consciência social. Muito oportuno nos tempos presentes.
CR

a caça ás bruxas

O Professor António Hespanha foi dispensado pela Universidade Autónoma de Lisboa por causa de críticas que terá formulado no programa "Prós e Contras" da RTP1 à falta de investimento no ensino superior privado, anunciou o próprio no seu blogue.
"As justificações apresentadas são fantasiosas e vazias, pelo que é seguro que há outras, porventura relacionadas com uma brevíssima crítica que formulei, num "Prós e Contras" em que se comparava a qualidade dos setores público e privado", escreve António Hespanha.
"A propósito, referi a falta de uma política de investimento científico e académico do ensino superior privado em geral (nem sequer referi a UAL) e a consequente dependência em que isso o coloca perante o ensino público. Esta opinião é, de resto, favorável à real autonomia e a um desenvolvimento correto e sustentado das universidades privadas, como hoje está patente, pela positiva - veja-se o caso da Universidade Católica - e pela negativa".


Nesse 25 de junho de 2012 no programa "Prós e Contras" de Fátima Campos Pereira, António Hespanha, Historiador e Especialista de Direito, esmagou "intelectualmente" uma tal Maria do Carmo Marques Pinto, formada na Católica e "especialista em assuntos europeus", funcionária da União Europeia, com assessoria recente na Catalunha e na Bulgária, e um Professor de Ciências Politicas, de orientação neo-liberal, de nome André Azevedo Lopes. o tema era a austeridade, a derrapagem orçamental, o "emagrecimento" do Estado. Tal como o seu colega de debate o fiscalista António Carlos Santos, Hespanha esclareceu de forma limpida os caminhos do presente e as soluções de futuro. Um grande momento televisivo.

Depois de uma carreira pública na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, já reformado, Hespanha dava aulas no Departamento de Direito da Universidade Autónoma.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Vasco Balio - Essa gravata que usaste


imagens de férias V







Castro Verde agosto 2012, um edifício estranho, arte no espaço público e uma bandeira que já teve melhores dias


«DIREITOS IGUAIS»?

Inês Zuber
(em Avante, 26 de julho de 2012)

Com esta designação – «direitos iguais» – podemos encontrar um vídeo que circula pela Internet, resultado de um concurso público promovido por uma tal rede europeia que se intitula «Indoors». Ao som de uma música leve, alegre, descontraída, somos levados a observar duas mulheres que, em comparação, preparam «alegremente» o seu dia-a-dia, a sua rotina diária «de trabalho» a qual, segundo os autores do vídeo, deve ser realizada em condições de igualdade e segurança para ambas as mulheres. Acontece que uma das mulheres representa uma arquitecta. A outra mulher uma prostituta, aqui designada «trabalhadora do sexo». A arquitecta conversa com os seus clientes e, por analogia, a prostituta conversa também entusiasticamente e descontraidamente com os seus «clientes». Lê-se «trabalho sexual é trabalho», manipulando de seguida a consigna do «direito ao trabalho». E passa a imagem de que as duas mulheres, nas suas diferentes «áreas» de trabalho serão igualmente felizes e realizadas. O enorme significado de retrocesso social, cultural e civilizacional que está contido neste filme não seria tão chocante se o mesmo não tivesse sido financiado por fundos da União Europeia, nomeadamente pelo Programa Daphne, programa comunitário vocacionado para promover o combate à violência contra as mulheres. Os fundos comunitários, portanto públicos, são aqui utilizados precisamente ao contrário – para perpetrar, normalizar, instituir a violência contra as mulheres, ou seja, a violência de verem a sua intimidade e dignidade violadas pela necessidade de subsistência económica. Quem quiser comparar a venda da força de trabalho para produzir algo para a sociedade com os atentados contra a intimidade, a dignidade e as mais profundas emoções e sentimentos de alguém que é levado a prostituir-se, tem que estar bastante equivocado. Ou sofre de profunda insensibilidade ou não compreende em absoluto o que leva as mulheres (e os homens) a prostituírem-se, não compreende a violência de uma sociedade que não proporciona soluções de dignidade para as pessoas e não compreende os fabulosos lucros que as redes criminosas ganham com a prostituição e o tráfico de seres humanos e que continuariam a ganhar num cenário de «legalização» da prostituição – então já não como «chulos» mas como respeitáveis «empresários do sexo».
O facto de a União Europeia patrocinar este tipo de «publicidade» é tanto mais irónico quando são as próprias políticas da União Europeia que têm conduzido a dramas sociais, nomeadamente em Portugal, de aumento da pobreza e do desemprego. Ainda está por avaliar qual foi, nos últimos anos, o crescimento da prostituição em Portugal – e cujos dados já aparecem disseminados aqui e ali – como consequência directa do desemprego que assolou milhares de famílias portuguesas. No fundo a Comissão Europeia tem aqui uma espécie de redenção e compensação – claro, sempre com a ajuda «progressista» de uns e outros movimentos – a prostituição como saída de «trabalho com direitos», no fundo, toda uma «janela de oportunidades» que se abre.
O que é certo é que quanto mais assistimos a ataques aos direitos laborais e sociais, mais aparecem estas movimentações de roupagem nova e pensamento velho e bafiento, não tivesse sido o fascismo em Portugal um dos principais defensores da «legalização» da prostituição em Portugal. São exemplo disso a «escola de prostituição» que surgiu em Valência – porque, enfim, «trabalho que é trabalho exigirá uma formação» – ou a ideia lançada por António Costa para a construção de um bordel no Intendente.
Difundir a ideia de que a prostituição é uma «opção de vida» e de realização do ser humano é apostar no retrocesso social, no caminho oposto ao da igualdade de direitos entre homens e mulheres, da erradicação da violência, sobretudo, contra as mulheres. Porque são as mulheres que constituem 85 por cento das vítimas de tráfico de seres humanos e exploração sexual na Europa.(1) Porque 73 por cento das mulheres na prostituição relataram terem sido sujeitas a agressões físicas, 68 por cento dessas mesmas mulheres sofrem de stress pós-traumático equivalente ao das vítimas de tortura e 63 por cento afirmaram ter sido violadas. Porque a prostituição, para além do carácter de violência contra as mulheres, é um dos maiores reflexos das desigualdades sociais e económicas que o capitalismo reproduziu. Porque a sociedade tem que caminhar para a abolição da violência contra as mulheres e não para a sua aceitação. Por isso, defendemos a dignidade das mulheres e não um retrocesso social secular.
______________
(1) Ver http://www.womenlobby.org/spip.php?rubrique187&lang=en; http://www.mdm.org.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=270&Itemid=1

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ornatos Violeta - Tempo de Nascer


Musica do Álbum "Inéditos e Raridades" - Ornatos Violeta 2011

humor

Passos e Relvas -perguntas simples

Pergunta-se: por que razão se sentarão Passos e Relvas sempre lado a lado?
PARA JUNTAR O INÚTIL AO DESAGRADÁVEL!

(em samuel_cantigueiro.blogspot.pt)


5 DE AGOSTO DE 2012



COMPROMISSO...


REALIZAÇÃO...


PARTICIPAÇÃO...


FESTA...


CDU...


UNIDADE...


MILAGRE! O PS EM PAREDES EXISTE! SINAIS EXPLICITOS DA SUA EXISTÊNCIA…

O PS de Paredes emitiu um comunicado. Na linha da pergunta com “desagrado” dos seus vereadores camarários relativamente a obras em Parada de Todeia. Vejamos o conteúdo da “aparição” PS. Transcreve-se na totalidade.

CURIOSIDADES DE COMUNISTAS DE PARADA DE TODEIA

Por Artur Penedos

Os autodenominados Filhos de … Abril, como é sabido, mantêm-se fiéis ao PSD local (nada diferente do resto do país – as suas alianças preferenciais são com … a direita) e, para honrar e manter a linha de conduta, até substituem a câmara de Paredes e o seu presidente, na resposta a que este está obrigado, quando questionado por membros do executivo.
Confesso que não estranho tal comportamento. Quem observa as deambulações e alianças do PCP de Parada com o presidente da câmara, nomeadamente na aprovação das contas e orçamentos, não pode esperar outro comportamento.
Os filhos de Abril, mesmo que tenham nascido antes, não passam de uma célula do Partido Comunista, ou melhor, do presidente da junta de Parada de Todeia.
Álvaro Pinto, para além de aliado de Celso Ferreira (antes tinha-o sido de Granja da Fonseca), também é adivinho. Até sabe quem teve a iniciativa de requerer à câmara esclarecimentos sobre a churrascada nas paredes do cemitério da sua freguesia. Espantoso, não é verdade?
A lógica dos Filhos de … Abril, pelo que se pode observar nos seus escritos, é irrefutável. És vereador … fazes requerimentos.
Na mesma linha, pode dizer-se: És comunista de Parada de Todeia … tens aliança espúria com a direita. Estás ao serviço de Celso Ferreira e do PSD local!
Para dizerem umas graçolas, contam com a colaboração da câmara e, como prémio, até podem contar com uma obrita a mais e … o silêncio cúmplice da câmara sobre a carta educativa e o fim da escola de Parada.
Não se pode ter tudo e, os Filhos de … Abril sabem-no bem. Por isso, optaram por uma “prestação de serviços” à direita e a Celso Ferreira
.

Ficamos a saber que o PS de Paredes lê blogues e se especializou até a denegri-los, depois de se entreter a mudar-lhes o nome. Com alguma atenção perceberia o PS de Paredes que no Blogue Filhos de Abril transcreve-se um texto, daqui, do blogue pessoal cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt publicado, e portanto da minha autoria. Ao autor do texto “locais de culto” (e só a ele) as devidas recriminações. Mas tal esforço é demasiado para o PS de Paredes. E não passa de questão assessória.
Lamenta o PS alguém ter tido conhecimento da pergunta com “desagrado” e portanto ter comentado a tese da “churrascada nas paredes do cemitério”. Como o PS gostaria de poder trocar argumentos fúteis com a Câmara Municipal, num jogo de maledicência inútil! Como o PS gostaria de vestir a pele do cordeiro oposicionista, utilizando Parada de Todeia e a sua gestão como pretexto.
O que incomoda o PS de Paredes é a capacidade de negociação, de compromisso, lucidez, realismo e de realização da Junta de Freguesia de Parada de Todeia, de gestão CDU. São as “obritas a mais” que melindram o PS: a 5 de agosto, o dia da “churrascada” que agastou o PS, foi a assinatura do contrato programa de desenvolvimento desportivo que conclui o complexo desportivo e social do FC Parada (com piscinas, creche e jardim de infância), foi a primeira pedra do início do alargamento do cemitério, foi a inauguração da Travessa da Fonte do Redondo, foi a cerimónia pública e a festa popular que reuniu a população, incluindo muitos socialistas.
O que incomoda o PS de Paredes é a manutenção da escola de Parada, a resistência da população, dos autarcas e também em toda a linha dos comunistas de Parada á aplicação em Parada de Todeia da Carta Educativa que os eleitos do PS aprovaram, juntamente com a maioria do executivo PSD (num acto posteriormente e cobardemente assumido como uma desatenção)
O que incomoda o PS de Paredes é a luta persistente em Parada de Todeia contra a extinção de freguesias e que tem na linha da frente os seus autarcas, os eleitos da CDU.
O PS DE PAREDES PROVOU QUE EXISTE. PARA QUÊ, NÃO SABE.

CR


Pete Seeger - O PODER DO CANTO (2007)



UM GRANDE PATRIOTA AMERICANO, UM CIDADÃO DO MUNDO.
MERECIA COMO POUCOS O PRÉMIO NOBEL DA PAZ

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O PERIGO DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

(ou como as revoluções verdes se transformam em pesadelos negros)

Abd al-Latif al-Mahmoud, xeque sunita e presidente do partido islamista Unidade Nacional, exortou o presidente egípcio Mohammed Mursi a destruir as pirâmides e realizar o que Amr bin al-As não conseguiu”.
Os salafitas têm planos para demolir as Grandes Pirâmides do Egito, um esforço para exterminar o que chamam de “símbolos do paganismo”.
Amr foi um aliado de Maomé, fundador do Islã, que invadiu o Egito em 641 e começou a destruir artefatos egípcios. Existe um debate histórico sobre a exatidão de tais relatórios, mas alguns historiadores muçulmanos lembram que Amr bin al-As, seguindo o comando do califa Omar, destruiu a grande biblioteca de Alexandria, tido como um centro de conhecimento para o mundo antigo.
No entanto, ele não teve tecnologia para destruir as estruturas piramidais maciças na época. Contudo, a facção dos salafitas dizem que hoje em dia já existem maneiras para fazer isso. Segundo uma matéria do jornal inglês Daily Mail, uma sugestão é desfigurar as pirâmides, provocando a destruição total do passado pagão do Egito, que foi iniciado sob o reinado do primeiro conquistador islâmico do país.
Os principais argumentos são exemplos contemporâneos de vários países africanos e do Oriente Médio de maioria muçulmana que destruíram o passado de seus ancestrais.
A grande dúvida é se o atual presidente, eleito pela Irmandade Muçulmana do Egito, é “fiel” o suficiente e estaria disposto a completar o processo de islamização, que começou sob as mãos do primeiro conquistador do Egito islâmico. Ainda mais quando existem registros que os salafitas egípcios estão pedindo que Morsi expulse todos os xiitas e os bahá’ís do Egito .
Para o historiador Daniel Pipes, a história está repleta de exemplos de muçulmanos que destruíram seu patrimônio, desde o próprio profeta Maomé, que derrubou o templo Saudita de Ka’ba, transformando-o em uma mesquita. Há relatos também de muçulmanos na Índia Medieval destruindo templos de seus antepassados e muçulmanos contemporâneos destruindo patrimônio não-islâmico no Egito, Iraque, Israel, Malásia e Tunísia.
Talvez o caso mais famoso sejam as estátuas de Buda destruídas no Afeganistão pelos talibãs 10 anos atrás. Atualmente, o Tribunal Penal Internacional entende que há um possível “crime de guerra” em andamento, pois extremistas islâmicos estão destruindo o patrimônio histórico da cidade de Timbuktu, no Mali, em nome do Islã. Segundo os rebeldes, os templos contrariam a sharia (lei islâmica) por “promover a idolatria” e conter, em seu interior, túmulos de antigos líderes religiosos.

Sugestão de filme - Os Idiotas



OS IDIOTAS
Realização: Lars von Trier
Dinamarca, 1998
110 minutos

Um grupo de jovens intelectualizados decide viver como "idiotas" como forma de protesto à sociedade atual e terapia na busca de um "idiota interior". Eles fazem isso invadindo o mundo real e fingindo-se de atrasados mentais, com o objetivo de anarquizar os lugares por onde passam. Nada no início de "Os Idiotas" permite ao espectador entender que está assistindo a uma comédia de humor, ou uma sátira.
E o mais perturbador de tudo isso é que a idéia máxima que se costuma fazer da inocência (os atrasados) é combinada aqui com o cinismo de uma impostura perversa, o "pirar", fazer de deficiente.
"Os Idiotas" já seria muito complexo se fosse só uma provocação politicamente incorreta contra o domínio da hipocrisia do cinema americano - um deboche não só contra a imagem decorosa e adequada aos falsos bons sentimentos, mas contra a exploração da debilidade alheia e idealizada (Rain Man, Forrest Gump etc.) em nome da debilização sentimental das platéias. Essa é uma leitura. Mas o filme de Lars von Trier é muito mais.
É um filme regressivo, formalmente muito austero, com uma camera circulante e pretensamente amadora.

iniciativa

Portugal!Portugal!Portugal!

é tropo vero...ou Vera

Sitio do Instituto de Emprego e Formação Profissional na Internet publica anúncio de emprego com candidato já escolhido

Trata-se de uma oferta de emprego para educador de infância na zona de Tavira, o salário ronda os 833 euros e o candidato devia estar inscrito como desempregado há mais de seis meses no Centro de Emprego. O estranho neste anúncio é que em letras maiúsculas surgia a indicação: "Só admitir a Vera Pereira".

A Vera Pereira possuía certamente no currículo o factor C e dizem alguns terá sido vista na Universidade de Verão do PSD em Castelo de Vide.

mineiros em Itália



Dezenas de mineiros na ilha italiana da Sardenha barricaram-se na mina com centenas de quilos de explosivos. Dessa maneira eles estão mostrando que não concordam com o possível encerramento da mina pertencente à empresa Carbosulcis, por estarem em risco de ficarem desempregados.
No protesto participam cerca de 100 mineiros. Eles esperam continuar a sua greve até sexta-feira, quando se encontrarão com as autoridades para negociações sobre o futuro da mina. Anteriormente, trabalhadores deste depósito já realizaram protestos semelhantes. Em 1995, eles conseguiram suspender o funcionamento da mina por cem dias.

FOTOGRAFIA




PORTUGAL 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

UMA HISTÓRIA EM FASCICULOS (PARTE II)

Manuel Loff (em Público)

O Expresso decidiu oferecer gratuitamente aos seus leitores a História de Portugal em 9 fascículos, coordenada por Rui Ramos (RR). Nela, apresenta-se-nos uma ficção sinistra e intelectualmente cínica sobre a ditadura salazarista, procurando aquilo que, até hoje, ninguém na historiografia séria e metodologicamente merecedora do nome tinha tentado: desmontar a natureza ditatorial do Estado Novo. Como comecei a expor aqui há duas semanas atrás, é inaceitável que se pretenda consagrar uma leitura tão manipulada da História.

Para RR, o salazarismo era “uma espécie de uma monarquia constitucional, em que o lugar do rei era ocupado por um Presidente da República eleito por sufrágio direto e individual” (pp. 632-33), que “reconhec[ia] uma pluralidade de corpos sociais (...) com esferas de ação próprias e hierarquias e procedimentos específico”, mas que só “não admitiu o pluralismo partidário” (p. 650). Nada se diz sobre o papel das eleições como simulacro de legitimação popular ou a fraude generalizada, realizada mesmo quando nenhuma candidatura alternativa se atrevia perante a do partido único, para inflacionar artificialmente a votação e simular um consenso que não existia.

É inacreditável ver produtos típicos da fascização da sociedade, importados diretamente do fascismo mussoliniano, como foram os sindicatos nacionais, as casas do povo (verdadeiras “associações de socorro e previdência” que “desenvolviam atividades desportivas e culturais”) e os grémios corporativos, descritos como meras “associações” de “representação da população ativa” (p. 644), sem se escrever uma linha sobre a guerra total aberta aos sindicatos livres do período liberal, feita de prisões, deportações e mortes.

Para RR, a repressão, definidora de qualquer ditadura, “tem de ser colocada no contexto do uso da violência na manutenção da “ordem pública””. Sem citar documentos, Ramos faz aquilo que ele próprio diz que “os salazaristas fizeram sempre questão” de fazer: “Comparar os métodos repressivos [de Salazar] com a ‘ditadura da rua’ do PRP” (p. 652), sustentada sobre o “trabalho sujo” de “gangues chefiados por ‘revolucionários profissionais’” (p. 591), empurrando o leitor a achar que a I República fora muito mais violenta que a ditadura. Esta teria sido tão generosa que muitos “conspiradores e ativistas conservaram as suas posições no Estado em troca de simples abstenção política”; contrariando quase tudo quanto se escreveu na História social e da educação do salazarismo, diz-se que “não houve saneamentos gerais de funcionários” (p. 653)! Pior terá sido a Revolução de 1974-75, em que “20 mil pessoas [se] viram afastadas dos empregos” e “pelo menos 1000 presos políticos” terão sido detidos, “7 vezes mais do que no fim do Estado Novo” (p. 732)...

Espantados? Para RR, o salazarismo, afinal, “não destoava num mundo em que a democracia, o Estado de Direito e a rotação regular de partidos no poder estavam longe de ser a norma na vida política”. A democracia não existia nem na “Europa ocupada [sic] pela União Soviética”, nos “novos Estados da África e da Ásia” ou “mesmo na Europa democrática”, que “produziu monopólios de um partido (...), sistemas de poder pessoal (...), restrições e perversões” como “a proibi[ção] de partidos comunistas” ou “tortura e execuções sumárias” (p. 669). Em 1968, substituído Salazar por Marcelo, “a democratização não estava na ordem do dia” no mundo. Os “constrangimentos policiais”, justificados “no resto do Ocidente” pela “‘luta armada’ da extrema-esquerda” (pp. 697-98) que se inicia no final dos anos 60, eram semelhantes aos do Estado Novo. Eis aquilo que me parece puro cinismo: a democracia, afinal, não existia em lugar nenhum, o que esbate qualquer diferença entre ditaduras e sistemas liberal-democráticos, onde a violência do Estado e de classe coexiste com um mínimo de liberdade de ação para partidos e movimentos que contestem o Estado e os ricos.

Da violência colonial, dos massacres perpetrados contra africanos, nem uma palavra! E a guerra? “A opção [de recusa de sair das colónias] não pareceu inicialmente excêntrica na Europa” porque “a retirada europeia de África só começou em 1960”, omitindo que ela começara dez anos antes. Se a guerra colonial (nunca assim designada, claro) “foi o maior esforço militar de um país ocidental desde 1945” (p. 680), as “guerrilhas” tiveram “reduzido impacto”, a guerra “não foi demasiado cara” e era “pouco mortífera”, e, “talvez por isso, o recrutamento nunca foi um problema” (pp. 684-85), o que é talvez o erro factual mais despudorado de todos quantos RR comete! Em resumo, “a guerra foi aceite” (p. 685) pelos portugueses.

Dedução lógica: o que nos habituámos a chamar uma ditadura não era mais do que um regime semelhante aos que por lá fora havia, melhor até, no campo da repressão, do que muitos, a começar pela I República e o 25 de Abril! Em tempos de transição do Estado Social para o Estado Penal, como designa o sociólogo Loïc Wacquant à criminalização dos dominados que se opera nos nossos dias, o salazarismo voltaria a ser um regime para o nosso tempo!

O PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO EM PÉSSIMAS MÃOS


A Câmara de Alcácer do Sal pediu ao IGESPAR, através da Direção Regional de Cultura do Alentejo, uma intervenção para impedir a ruína da Torre do Relógio, mas poderá não esperar por esta medida, avançando com uma operação de escoramento das zonas em urgente maior risco. Esta decisão foi tomada após uma observação apurada do estado de degradação daquele monumento efetuada pelo próprio presidente do Município, arquiteto de formação.
“Mandei abrir um caminho de ronda, porque a zona estava obstruída por vegetação, nomeadamente catos, e pude confirmar que a base da torre não apresenta problemas de estabilidade visíveis. Por outro lado, confirmei também que a guarda de alvenaria que coroa a torre ameaça ruína, assim como os arcos da torre sineira”, explicou Pedro Paredes….
… No entanto, prevendo que aquele instituto governamental possa demorar a avançar com uma solução do problema, a autarquia solicitou um orçamento a uma empresa da especialidade para esta intervenção. O primeiro orçamento apresentado revelou-se extremamente dispendioso, já que implicava um reforço estrutural e restauro integral dos panos de muralha e da própria torre.
Dada a atual indisponibilidade financeira da Câmara para efetuar uma intervenção tão profunda, e caso o IGESPAR não avance com a obra, o Município poderá levar a cabo uma intervenção de escoramento, exclusivamente centrada nas questões de segurança, até o IGESPAR assumir os seus deveres, já que por debaixo da torre se ergue parte significativa do casario da malha antiga da cidade de Alcácer do Sal, sendo necessário prevenir situações de risco para pessoas e bens.

Assim reza a notícia oficial constante do sítio da CM Alcácer do Sal. Um tratado de incoerência.
No Correio da Manhã de hoje, 27 de agosto, estão as seguintes declarações do Presidente sobre a degradação das muralhas da Torre do Relógio: “Só agora começou a haver fissuras visíveis porque senão já tínhamos tratado desta questão. É uma obra relativamente barata. No entanto se o IGESPAR não intervir, no limite, temos de ir lá nós, nem que seja para atar aquilo com uma corda” (fim de citação).
Em Assembleia Municipal de 27 de Abril o Presidente Pedro Paredes dizia que “nem todo o orçamento da câmara chegaria para reparar a Torre”. Pedro Paredes então foi mais longe, “não é só a Torre que vai cair, é todo aquele talude que está em risco de cair”. Paredes respondeu também que “não há nada a fazer e temos que aguentar o risco daquele talude cair”.
Agora diz que “a muralha do castelo virada para o rio Sado é constituída por materiais muito pobres que precisam de uma requalificação, mas tal tem custos bastante avultados que a autarquia não pode suportar”, que entende que o IGESPAR também não tem condições para dispensar as verbas, sendo então necessária “uma negociação mais acautelada para esse fim”. O presidente socialista da câmara municipal considera que a altura de crise económica do país não é a mais adequada para pedir uma obra que custa “uma fortuna por serem precisos materiais especiais na estrutura, em vez do tradicional betão”.
Pedro Paredes afirma que todo o pano da muralha está em condições precárias, com várias fissuras ao longo da parede, mas não exige intervenções rápidas como aquela necessária na Torre do Relógio, “um monumento nacional protegido que deve ser preservado pelas entidades responsáveis”. “Se o IGESPAR não avançar com uma intervenção de emergência na torre para garantir a sua sustentabilidade, a autarquia vai proceder à colocação de cabos de aço e ao escoramento do monumento”, declara o edil.
Para além da preservação do bem público que é um símbolo do concelho, é preciso pensar na segurança da população”, revela Pedro Paredes, adiantando o custo de cerca de cem mil euros para a viabilização das intervenções na Torre do Relógio.
O edil alcacerense frisa mesmo que a câmara municipal, caso o IGESPAR não responder favoravelmente ao pedido, “fará o esforço financeiro necessário para preservar o monumento e salvaguardar os melhores interesses da população.

Perante o colapso de um monumento emblemático de Alcácer do Sal, cujo sino assinalava historicamente as horas para os trabalhadores rurais da ampla lezíria do Sado, importa denunciar a incúria de entidades como a IGESPAR ou da Câmara Municipal na figura do seu incoerente presidente-arquitecto. Para a inércia e irresponsabilidade não há escoramento possível.
CR



humor




A propósito do caso Assange e das aventuras erótico-desportivas de um principe, realmente só na família real ...britânica!


mistérios de Paredes










Havia em Paredes uma rua pedonal junto ao Parque José Guilherme, a 50 metros da Câmara Municipal. Tinha a forma de um passadiço de madeira negra. Construção recente. Uns génios quaisquer decidiram abrilhantar o respectivo passadiço, transformando-o em "obra de arte". Com umas placas de madeira, simulando teclas de piano. A intervenção, segundo alguns, terá ficado por uns módicos 30.000 euros (!). NÃO SE ACREDITA!

Joan Manuel Serrat - Mediterráneo


domingo, 26 de agosto de 2012

UMA HISTÓRIA EM FASCÍCULOS (PARTE I)



Manuel Loff (em Jornal Público)

O Expresso está a oferecer gratuitamente aos seus leitores uma História de Portugal dividida em nove fascículos, apresentando-a como “um dos livros mais vendidos de sempre” entre os que se dedicaram à nossa história. O Expresso acha (eu não) que este é “hoje reconhecido como um dos melhores livros sobre a História de Portugal”, e terá querido disponibilizá-lo a dezenas de milhares de leitores para quem é apetecível uma síntese em 900 páginas da “história de um grande país”.

O livro é coordenado por Rui Ramos (RR), um historiador especializado na Monarquia Constitucional e na I República portuguesas mas que se encarregou nesta obra de cobrir também o período entre 1926 e a atualidade. As épocas medieval e moderna estiveram a cargo de dois historiadores (Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro) cujo trabalho não comentarei. Dedicarei esta e a próxima crónicas especificamente ao trabalho de RR, que concebeu e coordenou a obra e disse há dois anos que ela pretendia ser meramente “uma porta de entrada na História”, e “aguçar o apetite do leitor”, descrito como “exigente” (Prólogo, p. II), e “fazer com que as pessoas queiram ir ler mais” (PÚBLICO, 31.5.2010). Esperemos que sim.

RR não é um historiador qualquer; a sua visibilidade pública é ajudada, como em pouquíssimos casos, pelo seu acesso às tertúlias televisivas e à imprensa, onde se tem destacado como uma das penas mais sólidas da direita intelectual portuguesa, que reivindica “o prazer da provocação intelectual e reconhece um aguçado espírito de contradição, sobretudo quando o alvo é a esquerda” (Ler, janeiro 2010). Para percebermos o que RR entende por “provocação”, e em resposta a quem acha — como eu — que o seu trabalho é puro revisionismo historiográfico política e ideologicamente motivado, ele entende que “toda a História é revisionista” e nela “é necessário afirmar originalidade” (PÚBLICO, 31.5.2010).

Centremo-nos hoje na narrativa que RR faz do papel de Salazar na história. Para ele, o Estado Novo era “um regime assente (…) no monopólio da atividade legal por uma organização cívica de apoio ao Governo”, e esta é a forma como ele classificará sempre o partido único da ditadura, com “a chefia pessoal do Estado” entregue a “um professor catedrático introvertido”, um homem “de outra espécie”, com “nada de uma personagem ditatorial” como a dos líderes da Europa fascista do tempo (pp. 627 e 638-39). Neste campo, a primeira das suas preocupações é a mais comum entre os historiadores da área de RR: desenhar um Salazar sensato e algo neurasténico, que não gostaria de uniformes (apesar da origem militar do regime e do seu caráter inevitavelmente policial e repressivo) e que nada teria a ver com Hitler, Mussolini ou Franco. O “pobre homem de Santa Comba”, como o ditador se definiu a si próprio, teria “para Portugal objetivos simples” pois propunha-se “fazer viver Portugal habitualmente” e “queria instituir uma “ditadura da inteligência” para “fazer baixar a febre política” no país e “reencontrar o equilíbrio” (p. 639).

A segunda originalidade de RR decorre daqui e descola totalmente da realidade: oferecer-nos um Salazar liberal, por oposição aos republicanos de 1910 (um dos ódios de estimação de RR), que, praticamente totalitários, teriam estado empenhados em fazerem da sua “revolução” uma “transformação cultural violenta” feita por um “Estado sectário” (pp. 585-86)! Salazar, pelo contrário, queria “assentar o Estado, não na “abstração” de indivíduos desligados da sociedade e arrastados por ideias de transformação radical, mas no que chamou o “sentimento profundo da realidade objetiva da nação portuguesa””. Para RR, “a “missão” do líder” era a de “reconciliar os portugueses com essa “realidade”, e ao mesmo tempo ajudá-los a adotar modos de vida sustentáveis”. Em resumo, “o seu modelo implícito era o que no século XIX se atribuíra aos “ingleses”, prático, “pouco sentimental”: “Eu faço uma política e uma administração bastante à inglesa”” (pp. 639-40) — isto é, um Salazar primeiro-ministro da rainha Vitória... Se acompanharmos as suas crónicas no Expresso, a lição da História para a análise da crise atual parece evidente. Hoje, “a austeridade é, no fundo, a vida depois de desfeitas as últimas ilusões do passado” – exatamente como Salazar, que “tinha ambições, mas não ilusões” (RR, in Sábado, 14.1.2010), se havia empenhado em “reconciliar os portugueses com a realidade” e em “ajudá-los a adotar modos de vida sustentáveis”! E o que é que, na opinião, de RR foi insustentável no nosso passado recente? “Uma classe média de funcionários (…), uma economia de trabalhadores e empresários protegidos, e a estatização de grande parte dos serviços (educação, saúde) e da segurança social” (Expresso, 28.7.2012).

RR leva à prática o que ele próprio estabeleceu como o fim “desta História de Portugal [o de] despertar a atenção para a importância da História como meio de dar profundidade à reflexão e ao debate público sobre o país.” Para ele, “a História (…) é uma maneira de pensar” (Prólogo, p. IV). Tem toda a razão. E a sua está bem à vista.

O Expresso está a oferecer gratuitamente aos seus leitores uma História de Portugal dividida em nove fascículos, apresentando-a como “um dos livros mais vendidos de sempre” entre os que se dedicaram à nossa história. O Expresso acha (eu não) que este é “hoje reconhecido como um dos melhores livros sobre a História de Portugal”, e terá querido disponibilizá-lo a dezenas de milhares de leitores para quem é apetecível uma síntese em 900 páginas da “história de um grande país”.

O livro é coordenado por Rui Ramos (RR), um historiador especializado na Monarquia Constitucional e na I República portuguesas mas que se encarregou nesta obra de cobrir também o período entre 1926 e a atualidade. As épocas medieval e moderna estiveram a cargo de dois historiadores (Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro) cujo trabalho não comentarei. Dedicarei esta e a próxima crónicas especificamente ao trabalho de RR, que concebeu e coordenou a obra e disse há dois anos que ela pretendia ser meramente “uma porta de entrada na História”, e “aguçar o apetite do leitor”, descrito como “exigente” (Prólogo, p. II), e “fazer com que as pessoas queiram ir ler mais” (PÚBLICO, 31.5.2010). Esperemos que sim.

RR não é um historiador qualquer; a sua visibilidade pública é ajudada, como em pouquíssimos casos, pelo seu acesso às tertúlias televisivas e à imprensa, onde se tem destacado como uma das penas mais sólidas da direita intelectual portuguesa, que reivindica “o prazer da provocação intelectual e reconhece um aguçado espírito de contradição, sobretudo quando o alvo é a esquerda” (Ler, janeiro 2010). Para percebermos o que RR entende por “provocação”, e em resposta a quem acha — como eu — que o seu trabalho é puro revisionismo historiográfico política e ideologicamente motivado, ele entende que “toda a História é revisionista” e nela “é necessário afirmar originalidade” (PÚBLICO, 31.5.2010).

Centremo-nos hoje na narrativa que RR faz do papel de Salazar na história. Para ele, o Estado Novo era “um regime assente (…) no monopólio da atividade legal por uma organização cívica de apoio ao Governo”, e esta é a forma como ele classificará sempre o partido único da ditadura, com “a chefia pessoal do Estado” entregue a “um professor catedrático introvertido”, um homem “de outra espécie”, com “nada de uma personagem ditatorial” como a dos líderes da Europa fascista do tempo (pp. 627 e 638-39). Neste campo, a primeira das suas preocupações é a mais comum entre os historiadores da área de RR: desenhar um Salazar sensato e algo neurasténico, que não gostaria de uniformes (apesar da origem militar do regime e do seu caráter inevitavelmente policial e repressivo) e que nada teria a ver com Hitler, Mussolini ou Franco. O “pobre homem de Santa Comba”, como o ditador se definiu a si próprio, teria “para Portugal objetivos simples” pois propunha-se “fazer viver Portugal habitualmente” e “queria instituir uma “ditadura da inteligência” para “fazer baixar a febre política” no país e “reencontrar o equilíbrio” (p. 639).

A segunda originalidade de RR decorre daqui e descola totalmente da realidade: oferecer-nos um Salazar liberal, por oposição aos republicanos de 1910 (um dos ódios de estimação de RR), que, praticamente totalitários, teriam estado empenhados em fazerem da sua “revolução” uma “transformação cultural violenta” feita por um “Estado sectário” (pp. 585-86)! Salazar, pelo contrário, queria “assentar o Estado, não na “abstração” de indivíduos desligados da sociedade e arrastados por ideias de transformação radical, mas no que chamou o “sentimento profundo da realidade objetiva da nação portuguesa””. Para RR, “a “missão” do líder” era a de “reconciliar os portugueses com essa “realidade”, e ao mesmo tempo ajudá-los a adotar modos de vida sustentáveis”. Em resumo, “o seu modelo implícito era o que no século XIX se atribuíra aos “ingleses”, prático, “pouco sentimental”: “Eu faço uma política e uma administração bastante à inglesa”” (pp. 639-40) — isto é, um Salazar primeiro-ministro da rainha Vitória... Se acompanharmos as suas crónicas no Expresso, a lição da História para a análise da crise atual parece evidente. Hoje, “a austeridade é, no fundo, a vida depois de desfeitas as últimas ilusões do passado” – exatamente como Salazar, que “tinha ambições, mas não ilusões” (RR, in Sábado, 14.1.2010), se havia empenhado em “reconciliar os portugueses com a realidade” e em “ajudá-los a adotar modos de vida sustentáveis”! E o que é que, na opinião, de RR foi insustentável no nosso passado recente? “Uma classe média de funcionários (…), uma economia de trabalhadores e empresários protegidos, e a estatização de grande parte dos serviços (educação, saúde) e da segurança social” (Expresso, 28.7.2012).

RR leva à prática o que ele próprio estabeleceu como o fim “desta História de Portugal [o de] despertar a atenção para a importância da História como meio de dar profundidade à reflexão e ao debate público sobre o país.” Para ele, “a História (…) é uma maneira de pensar” (Prólogo, p. IV). Tem toda a razão. E a sua está bem à vista.

A ALDEIA ANDALUZA QUE FAZ TREMER O GOVERNO DE ESPANHA


Por Nuno Ramos de Almeida (Jornal i)

Marinaleda tem 2800 habitantes. Vive do trabalho comunitário e não aceita a troika nem a austeridade

Todos os caminhos parecem ir dar a Marinaleda. A localidade andaluza permanece calma e aparentemente indiferente, no pico do sol abrasador da tarde. Estão mais de 40 graus, são poucas as pessoas que se aventuram nas ruas. A toponímia da terra cruza a Avenida da Liberdade com a Rua Ernesto Che Guevara. O que fez esta terra de 2800 habitantes para de repente estar nas bocas do mundo e invadida de equipas de televisão que vão desde a chinesa e da poderosa Alemanha à omnipresente Al Jazira?
Há dias, os activistas do Sindicato Andaluz dos Trabalhadores (SAT), capitaneados pelo alcaide de Marinaleda, Juan Manuel Sánchez Gordillo, entraram em dois supermercados da região, carregaram uma dezena de carrinhos com bens de primeira necessidade e saíram sem pagar. Os produtos foram entregues a famílias que passam fome. A acção pretendia denunciar, segundo os seus autores, o facto de as grandes superfícies deitarem fora os produtos que não vendem numa altura que o desemprego na região é superior a um milhão e 200 mil pessoas e a fome atinge quase dois milhões e 200 mil espanhóis, segundo os sindicalistas.
Os activistas foram detidos pela polícia, posteriormente libertados e acusados judicialmente. O presidente da câmara de Marinaleda e deputado no parlamento regional da Andaluzia pela Esquerda Unida, Sánchez Gordillo, declarou aos media que desejava abdicar da sua imunidade parlamentar para receber o mesmo tratamento que os outros.
São 20 horas. Perto da Casa do Povo, portas meias com a sede do sindicato, as pessoas concentram-se. Está convocada uma assembleia, a forma que em Marinaleda se resolvem todos os assuntos. Durante a tarde, os carros com megafones convocaram as pessoas. Agora, à porta, estão uma centena de homens a fumar. Dentro da sala abafada pelo calor já se encontram sentadas cerca de 200 mulheres de todas as idades. Muitas delas abanam leques. As portas da Casa do Povo têm sobre as arcadas as inscrições, em letras de metal: “Um outro mundo é possível” e “Utopia”.
Esperam pacientemente Gordillo, que foi a Madrid, para discutirem as marchas convocadas para a manhã seguinte. Depois da prisão dos sindicalistas foi organizada uma “marcha de trabalhadores” que percorrerá várias regiões da Andaluzia para conseguir espalhar como um vírus as acções directas do sindicato. Esta é, segundo nos dizem os habitantes de Marinaleda, uma “assembleia de luta” – existem outras para discutir trabalho comunitário, investimentos da autarquia e todos os assuntos que interessam aos habitantes. Esperanza del Rosario Saavedra, teniente alcalde em Marinaleda – uma espécie de vice-presidente da câmara –, diz-nos que a situação na Andaluzia está mal. “Há 30 anos que a situação no mundo rural é má. Com a crise e a mecanização da agricultura, o trabalho tornou-se ainda mais precário e ainda há mais desemprego. A terra concentrou-se nas mãos dos grandes proprietários, que têm como objectivo ganhar dinheiro, e não garantir emprego”. No município vizinho de Marinaleda, Rubio, são visíveis grandes campos de girassóis a secarem ao sol, sem terem sido aproveitados. Na terra explicam-nos que são frequentes: são culturas subsidiadas pela União Europeia que quase não precisam de trabalho humano e que os proprietários recebem à cabeça, sem mesmo precisarem de colher o que foi semeado. Uma fraude proveitosa. Diferente é a vida aqui: desde o ano de 91 que, devido a um longo processo de luta, a população de Marinaleda tem a gestão comunitária de 1200 hectares de terra. Nesta povoação, todas as famílias têm trabalho nas terras e nas fábricas que foram construídas para transformar os produtos agrícolas. “Esta cooperativa e a terra são o sonho de muitas gerações de trabalhadores que, numa dada altura, tiveram a coragem de lutar por elas e de as conseguir”, garante Esperanza.
À sala da Casa do Povo chega finalmente Gordillo, com uma hora de atraso. Fala da marcha de amanhã e da importância de muitos estarem presentes. “Para evitar provocações que possam difamar o carácter pacífico do protesto, é preciso que esteja muita gente.” O presidente garante que há gente que se sente ameaçada “por os trabalhadores terem tocado no ponto da sacrossanta propriedade privada”. Revela ter recebido várias “ameaças de morte”. As intervenções na assembleia são práticas, como se temessem dar demasiadas informações aos órgãos de comunicação social presentes. Este antigo professor de História, presidente da câmara há mais de 30 anos, vestido de negro e, normalmente, de lenço palestiniano, vai assentando num caderno as pessoas que amanhã às sete horas vão apanhar as camionetas para a marcha, que começará por volta das oito no recinto da feira de Homachuelos. Terminada rapidamente a assembleia, a sala fica deserta, com as suas inscrições na parede, entre as quais a citação do ideólogo da independência de Cuba, José Martí: “Quem não tem a coragem de se sacrificar, deve ter pelo menos o pudor de se calar perante aqueles que se sacrificam” – uma estranha frase para encimar uma sala de discussão. Em Marinaleda, a participação é o critério da democracia.
Às sete da manhã – é ainda noite frente à sede do ayuntamento, mas a temperatura está nuns sufocantes 30 graus –, os mais de 150 inscritos já fazem filas para as três camionetas. Com 30 minutos de atraso, arrancam os veículos. Perto de mim vai Ruben. Vive em Marinaleda há seis anos, apaixonou-se por uma rapariga da terra. Como 90% da população da terra, é jornaleiro. Ao seu lado viaja a namorada do irmão, Cristina, desempregada, que é da Catalunha. Quando chegamos pelas 8.30 da manhã já lá estão 200 activistas do sindicato da zona. Com uma hora de atraso, menos de 400 pessoas iniciam uma marcha pelas estradas. Tirando a passagem de algum camião ou carro, ou alguns jornalistas que estão em locais de passagem, a caminhada decorre numa espécie de deserto que é a paisagem da Andaluzia entre povoações. A solidão dos marchantes não impede o grito das palavras de ordem. “Não somos banqueiros, não somos marqueses, somos andaluzes, somos jornaleiros”, é a mais repetida nas horas do caminho. O sol vai-se tornando impiedoso. As pessoas da carrinha da frente vão pousando garrafas de água na estrada, que todos compartilham com alguma sofreguidão. Depois de 12 quilómetros de marcha passa-se por uma propriedade com um portão de metal encimado por brazões. Um forte dispositivo da Guarda Civil está junto à entrada. É anunciado que, devido ao calor, faremos um descanso à sombra de umas laranjeiras, 500 metros mais à frente. A que se seguirá uma assembleia. A propriedade segue paralela à estrada e a concentração de todos faz-se frente a uma estação que está antes do portão da propriedade. Quando a marcha arranca, passa-se outra vez frente a ele. A Guarda Civil, amolecida por uma hora de sol, encontra-se mais longe. Como por magia, é dado um grito de ocupação. Cerca de metade dos marchantes corre para os portões e passa por uma zona ao lado cuja vedação tem um providencial buraco. Rapidamente, dezenas de pessoas entram. Atravessam um enorme jardim. E detêm-se em frente ao Palácio de Moratalla. Aí toma a palavra o porta-voz do SAT, Diego Cañamero (ver entrevista ao lado), que denuncia que a propriedade, de uma nobreza que viveu à sombra do franquismo, estava a ser transformada em hotel de luxo e que os seus proprietários deviam dinheiro aos trabalhadores e empresas que tinham feito as obras.
“Vamos estar aqui pacificamente. Não tocaremos em nada. Isto não nos pertence ainda e, se fosse nosso, também não tocaríamos”, garantiu. Sánchez Gordillo toma de seguida a palavra para explicar que esta ocupação simbólica serve para denunciar que, enquanto mais de um milhão de andaluzes não têm trabalho, “os nobres, a classe mais inútil de Espanha, continuam a deter grandes propriedades, grande parte delas sem dar trabalho às pessoas da região”. Passados dez minutos chega a Guarda Civil, que proíbe os jornalistas de fotografar o dispositivo militar, dizendo que incorrem no crime de desobediência. Informa os sindicalistas de que cercam a propriedade, que não entrará mais ninguém e que toda a gente que sair será identificada para futuro procedimento criminal. Acrescenta que espera uma ordem do juiz para desalojar os ocupantes e que eles se “tinham metido com gente importante”. Começa uma longa espera que acabará com a desocupação voluntária do palácio na manhã seguinte. Os jornaleiros vão circulando à volta do complexo, admirando as luxuosas instalações. Os mais novos encontram uma piscina e banham--se. Os mais de 40 graus convidam ao mergulho. Pouco a pouco, até os mais velhos perdem a prudência e entram na água. Os fotógrafos e as televisões registam este momento simbólico da ocupação em que os mais pobres se banham nas águas de um hotel de luxo. O porta-voz do sindicato resiste, talvez ciente das leituras menos católicas do acto. Indiferente ao possível aproveitamento está uma mulher de quase 70 anos. Até há pouco, foi uma das ocupantes de uma herdade da Junta da Andaluzia que o governo regional quer privatizar. Os jornaleiros do SAT estão em guerra, neste momento, por essa propriedade de 500 hectares e uma herdade do exército com 1200 hectares. Defendem que deviam ser entregues aos trabalhadores porque estão subaproveitadas. Junto à porta do palácio, Antonio posa para a fotografia ao lado da bandeira da República. Já com uma certa idade, ostenta uma tatuagem de uma unidade militar. Diz-me que estas acções são úteis. “Há três anos marchámos pelos caminhos privados até Madrid, para termos o direito a utilizar essas estradas. Levámos pancada forte da Guarda Civil, mas chegámos a Madrid e a lei foi alterada”, afiança o jornaleiro.
Ao sair da propriedade ocupada no início da noite, sou identificado pela Guarda Civil. Os locais saem mais abaixo, escapando ao registo. Explicam-me que quem é identificado é condenado a pagar uma multa de 300 euros. Trinta ocupantes voltam de camioneta para Marinaleda. No dia seguinte, a marcha começará às seis da manhã para quem sair da vila, e partirá do palácio, que a assembleia decidiu desocupar às oito da manhã. O objectivo da marcha será atingir a localidade de Pousada ao início da tarde. Na véspera, a delegada do governo PP de Madrid na Andaluzia pediu ao governo regional que pusesse Gordillo na ordem, “para pôr fim à absurda palhaçada que causa dano à imagem da região e de Espanha”.
Converso na tarde seguinte com alguns dos jovens que participaram na marcha. Ruben e Encarnación conheceram-se numa reunião sobre ensino público na vila. Há seis anos que ele veio viver para a terra. A sua casa, como a de grande parte da população, foi construída com apoio da câmara. Paga, como toda a gente, 15 euros por mês. Quando acabarem de pagar o que custou, a casa será deles. “Ao valor que a gente pagou foi abatida a nossa participação no trabalho de construção”, informa Ruben. Toda a gente tem trabalho na terra. Dantes vinha gente das aldeias vizinhas trabalhar a Marinaleda; agora, com a crise na construção, o trabalho concentra-se na terra e nas fábricas da cooperativa, mas é distribuído por todos. Ensino e habitação são apoiados pela câmara. Tudo é decidido por assembleia e nenhum dos eleitos da câmara recebe ordenado. Manolo é irmão de Ruben. São naturais de uma localidade próxima em que as tradições sindicais também são fortes. O pai é dirigente sindical. Manolo namora com Cristina, originária da Catalunha, que está desempregada. Com a crise e a luta das populações de Marinaleda, “as pessoas, mesmo de longe, começaram a ter conhecimento de que há formas diferentes de fazer as coisas”, afirma. Nem sempre isso é garantia da consciencialização de que há uma alternativa, esclarece Manolo. “Sou empregado num estabelecimento turístico de cinco estrelas. O meu patrão acha que toda a gente de Marinaleda é ladra. O problema é que, muitas vezes, o ponto de vista do patrão influencia os empregados”, diz. Encarnación garante que o modelo de Marinaleda funciona, exige é muito trabalho e participação. “Não há mais povoações a fazer, neste momento, o que nós fazemos porque não conseguiram ocupar as terras. Quando começámos, diziam que éramos loucos, mas os loucos conseguiram fazer coisas. Mas não é fácil, porque a luta dá muito trabalho.”

Guernica - PABLO PICASSO





A obra-prima de Pablo Picasso, Guernica, será evocada no Espaço das Artes Plásticas da Festa do Avante!, quando se cumpre o seu 75.º aniversário. Pintado em oito dias para o pavilhão da República Espanhola na Exposição Mundial de Paris, o quadro sofreu inúmeras alterações até se fixar na imagem que hoje conhecemos.

Na Festa, para além de uma reprodução da obra com mais de seis metros de comprimento (ou seja, relativamente próximo dos 7,82m originais) estarão patentes alguns dos mais de 70 estudos realizados por Picasso em torno de Guernica e fotografias de Dora Maar, que acompanhou a pintura do quadro e fixou as diversas alterações que sofreu.

A exposição fica completa com a evocação de dois poemas dedicados a Guernica: Descrição da Guerra em Guernica por Pablo Picasso, de Carlos de Oliveira, dividido em 10 partes relativas a outros tantos segmentos do quadro, apresentados junto ao excerto correspondente do poema; e Guernica, de Eugénio de Andrade, que evoca o grande carvalho que sobreviveu aos bombardeamentos. Haverá ainda um folheto explicativo da obra de Picasso e do acontecimento que inspirou aquele que é porventura o seu mais célebre quadro e vários objectos de banca evocativos da obra-prima do pintor espanhol.

Para além do quadro, é o massacre que ele evoca a ser recordado na Festa: a 26 de Abril de 1937, em plena Guerra Civil de Espanha, a aviação alemã arrasou a cidade basca de Guernica, no país basco (naquele que foi o primeiro bombardeamento aéreo indiscriminado sobre a população civil), num macabro teste do poderio de fogo da máquina de guerra nazi. Guernica é, assim, um poderoso e perene testemunho do desejo dos povos do mundo a viver em paz.

Pablo Picasso, artista genial e combatente pela paz

Guernica é, sem dúvida, a obra-prima de Pablo Picasso e um dos mais reconhecidos quadros de todos os tempos. Mas o pintor espanhol foi um profícuo criador e um dedicado militante do Partido Comunista Francês (país onde se exilou) e do movimento da paz criado nos primeiros anos da Guerra Fria com o objectivo de mobilizar os povos contra o advento de uma nova e ainda mais destruidora guerra.

No âmbito deste movimento, participa em 1948, no Congresso Mundial dos Intelectuais pela Paz e, em Abril do ano seguinte, é uma das suas célebres pombas da paz a ilustrar o primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz, realizado simultaneamente em Paris e em Praga. Em torno deste tema, faz mais de cem desenhos. Em 1950, vai a Varsóvia, ao segundo Congresso Mundial da Paz, onde é eleito para o Conselho Mundial da Paz aí criado.

Durante a guerra da Coreia (1950-1953), Pablo Picasso mostra uma vez todo seu repúdio pela violência e pela guerra, neste caso pela agressão ao país asiático pelos Estados Unidos da América e seus aliados e pelos horrores cometidos contra civis, mulheres e crianças no seu quadro Massacre na Coreia.

sábado, 25 de agosto de 2012

humor



Uma boa alternativa de negócio!

(em wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

mistérios de Paredes







Capela do Calvário em Paredes. Alguém da Câmara Municipal decidiu colocar uma horrenda "obra de arte", espelhada num dos lados, junto á capela. A IGREJA AUTORIZOU. Chamam-lhe Arte Provocatória. Temos assim um calvário visual.

grafismo





Cartazes da Festa do Avante 77 e 78 + EP (Entradas Permanentes) de 77 e 78

verdades ocultas

O governo decidiu privatizar a transportadora aérea nacional. Para se perceber a dimensão do crime que o governo quer cometer, nada como relembrar algumas verdades que andam ocultas sob um manto de desinformação.
· A TAP é o maior exportador nacional e a sua privatização significaria o desaparecimento de mais de mil milhões de euros de exportações;
· A TAP representa mais de 100 milhões de euros anuais de receitas para a Segurança Social;
· A TAP é um poderoso grupo económico português, onde pontificam empresas como a TAP, a SPdH, a Portugália, as Lojas Francas, a Cateringport, a Megasys e tantas outras;
· A TAP assegura largas dezenas de milhares de postos de trabalho directos e indirectos;
· A TAP assegura a capacidade soberana nacional de transporte aéreo num País com nove ilhas no território, com milhões de emigrantes e no qual o turismo representa uma percentagem muito significativa do Produto Interno Bruto;
· A TAP possui uma frota jovem (oito anos de idade média) de 55 aviões e uma capacidade reconhecida na manutenção aeronáutica.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O CANO DE UMA PISTOLA PELO CU

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

Texto de Juan José Millás (em El Pais)

PAUS - Deixa-me Ser

contra a pandilha criminosa que nos governa


A resposta da CT da RTP de que se transcreve parte de um seu comunicado mostra que a aleivosia e o disparate desta canalha que nos governa têm de ter uma resposta. A agenda ideológica desta direita tem sido cumprida passo a passo. Não restará pedra sobre pedra no fim. Por isso importa responder no mesmo tom.



mas já em janeiro Bruno Dias falava para o boneco...

Sugestão de filme - A ilha



A ILHA
2006
Rússia
Realização: Pavel Lounguine
Com Piotr Mamonov, Viktor Soukhoroukov

Algures no Norte da Rússia, num pequeno mosteiro, vive um homem singular que pelos seus actos bizarros desperta a desconfiança nos outros monges. Contudo, para outros que visitam a ilha, este homem estranho tem o poder de curar, exorcizar demónios e prever o futuro. A sua história transporta um drama pessoal e a sua vida actual varia entre o pecado e a culpa, entre o arrependimento e a reparação, com a loucura sempre presente.
Filme religioso, inaudito na moderna cinematografia mundial, de um realizador com palmarés. Metáfora de uma Rússia pós-soviética (ou anti-soviética?). A ver, mesmo que por vezes sintamos estar perante o revivalismo obscurantista e fanático da Idade Média.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pergunta - Pussy quê?


Se aqui em Lisboa, na Sé, três mascaradas interrompessem as preces dos crentes que lá estavam e fossem para o altar-mor fazer aquela macacada, contra a Igreja Católica e insultando Cavaco Silva...
Se essas mascaradas fossem filhas de pessoas ricas havendo uma já que recebeu propostas para posar nua para a Playboy...
Que diriam alguns jornalistas defensores dos direitos humanos se elas fossem julgadas? Que vivíamos num país fascista?
(em antreus.blogspot.com)

O mediático episódio das Pussy "qualquer coisa" não passa de um instrumento de diversão do imperialismo norte-americano, com os seus aliados locais, para condicionar o poder russo. Não me admiro nada se se confirmar no futuro ele ter sido "cozinhado" nos gabinetes da CIA.
Putin não é claramente flor que se cheire, nem é politico com convições democráticas ou revolucionárias, que se possa defender. Para os que têm memória curta, Putin é um obscuro ex-agente do KGB, que se colocou no passado ao serviço da Mafia politica de Leninegrado, actual S. Petersburgo. Pelos serviços prestados no processo de desmantelamento do socialismo e na roubalheira privatizadora que se seguiu com Yeltsin, foi pela canalha anti-comunista colocado nos mais altos graus de poder na Rússia. Contou para isso com os novos e criminosos poderes como o económico,o mediático e a benção da Igreja Ortodoxa.
Agora o chamado "renascimento" e ascensão russas, mesmo que sem objectivos estratégicos nem identidade patriótica, incomoda o império e o Ocidente. Quando Putin sobrevive com as "chapeladas" eleitorais (que como se sabe agora se iniciaram no próprio acto do desmantelamento da URSS), o Ocidente cala. Quando levanta a voz, o Ocidente conspira.
Entre as Pussy "qualquer coisa" e Putin, o Diabo que escolha.
CR

humor



A difícil arte de saber parar...

Pronto!
A avozinha espanhola é uma ternura... mas agora já seria altura de parar, não?!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

CRISTÃOS DA SÍRIA TEMEM MUDANÇA PARA UM REGIME ISLÃMICO

Por BILL SPINDLE e SAM DAGHER (THE WALL STREET JOURNAL,de 14 de agosto de 2012)

Perto da cidade síria de Alepo, a Igreja de São Simeão Estilita comemora o asceta do Século V que se tornou uma celebridade antiga ao viver no topo de uma coluna durante décadas para demonstrar sua fé. O Krak dos Cavaleiros, um castelo imponente nas proximidades de Homs, foi uma fortaleza da ordem dos Cavaleiros Hospitalários em sua missão de defender um reino das Cruzadas. Seydnaya, um imponente mosteiro na cidade de mesmo nome, foi provavelmente construído no tempo de Justiniano.


Vista panorâmica do vilarejo cristão de Malula, na Síria.

Uma freira desse mosteiro falou recentemente sobre a atual crise da Síria em uma alcova à luz de velas cercada por ícones votivos de mil anos, doados por fiéis russos ortodoxos, e pingentes de prata com formas de partes do corpo que os suplicantes procuravam curar: pés, cabeças, pernas, braços e até mesmo um par de pulmões e um rim.
"Não é algo de pequenas dimensões o que estamos enfrentando", disse ela, se referindo tanto à situação do país quanto de sua religião. "Nós simplesmente desejamos que a matança cesse".
Poucos lugares são tão centrais como a Síria na longa história do cristianismo. Saulo de Tarso fez sua conversão aqui, supostamente na Rua Chamada Direita, que ainda existente em Damasco. Foi nessas terras que ele praticou suas primeiras missões com a meta de atrair não judeus para a nascente fé.
Um século atrás, o Levante tinha uma população possivelmente 20% cristã. Agora, está mais próxima de 5%. A Síria hoje hospeda comunidades vibrantes, embora minguantes, de diversas antigas seitas: sírios ortodoxos, sírios católicos, gregos ortodoxos, gregos católicos e armênios ortodoxos.
Mas as comunidades cristãs na Síria estão sendo severamente testadas pela revolta que angustia o país há mais de um ano. Elas relembram o ano de 636, quando o imperador bizantino cristão Heráclio viu seu exército ser derrotado pelas forças muçulmanas ao sul da atual Damasco. "A paz esteja contigo, Síria. Que bela terra serás para os nossos inimigos", lamentou o imperador, antes de fugir para a Antioquia. No Século VIII, uma famosa igreja em Damasco foi demolida para dar lugar a uma mesquita omíada, hoje um dos lugares mais sagrados do Islã.


Basílica de São Simeão, na Síria

Não poucos cristãos na moderna Síria temem que a atual crise possa terminar da mesma maneira, para eles, se Bashar al-Assad e seu regime forem derrotados pela insurgência rebelde.
Sob muitos aspectos, é uma preocupação estranha. Cristãos e muçulmanos viveram lado a lado com um mínimo de atrito durante as décadas em que a família Assad esteve no poder. Historicamente, comunidades cristãs locais por vezes acolheram até mesmo senhores muçulmanos, quando os libertaram da mão pesada de Constantinopla ou de Roma. Em muitos lugares, os dois grupos continuam, ainda hoje, a estenderem as mãos uns aos outros. Até mesmo extremistas rebeldes dizem também nada ter contra os cristãos.
Mas, à medida que o conflito no país assume contornos sectários cada vez mais acentuados, pois a maioria dos cristãos se posiciona a favor do regime ou pelo menos não se opõe ativamente a ele, algumas das mais antigas comunidades cristãs da Terra estão se sentindo oprimidas.
"Levamos uma vida que tem sido inveja de muitos", diz Isadore Battikha, que até 2010 foi arcebispo de Homs, Hama e Yabroud para a Igreja Católica greco-melquita. "Mas, hoje, o medo é uma realidade".
O padre Battikha é um dos muitos apoiadores ferrenhos do presidente Assad.
Desde o início do atual conflito, história e religião têm desempenhado um papel fundamental no fomento das paixões em ambos os campos na Síria. E isso tornou-se mais pronunciado à medida que o conflito foi se arrastando, tornando-se mais sangrento e perverso.
Uma das afirmações frequentemente repetidas feitas pelo regime sírio explora com eficácia antigas rivalidades. O conflito, alega-se, é uma tentativa de neo-otomanos na Turquia e ultraconservadores muçulmanos de ambições expansionistas na Arábia Saudita, conhecidos como wahhabitas, de conquistar terreno na Síria.
Essa narrativa, segundo a qual uma maioria de muçulmanos sunitas domina e reprime as minorias, é agora matéria de noticiários noite após noite na televisão estatal síria. O regime sabe que essa mesagem repercute bem entre os cristãos e outras minorias.
Os otomanos, turcos que governaram a Síria de 1516 até a Primeira Guerra Mundial, relegaram os cristãos a um status de cidadãos de segunda classe. Eles foram autorizados a praticar sua religião e a governarem-se em assuntos que não diziam respeito aos muçulmanos. Mas também foram obrigados a pagar impostos especiais e havia muitas restrições a eles no que dizia respeito a interações com os muçulmanos. O wahhabismo, a forma ascética e fortemente conservadora do islamismo praticado na Arábia Saudita, é ainda mais duro em relação aos cristãos.
Os rebeldes facilitaram, para o regime, a manipulação desse tipo de temores. Num esforço para inspirar seus próprios combatentes e obter favores e apoio de estrangeiros, principalmente da Arábia Saudita e do Catar, o único outro país onde o wahhabismo é a religião estatal, alguns caracterizam o conflito como uma luta para restaurar as glórias dos califados islâmicos e resgatar a Síria do domínio dos infiéis.
Isso transparece claramente nos nomes adotados para identificar as brigadas do Exército Livre da Síria — a frouxa articulação de milícias locais e desertores do Exército. Muitas das milícias receberam seus nomes em homenagem a figuras reverenciadas por muçulmanos sunitas como o terceiro califa Umar ibn al-Khattab, cujo título principal era al-Farouq, que significa "aquele que distingue verdade de falsidade", e o guerreiro islâmico e comandante militar Khalid ibn al-Walid.
Foi Ibn al-Walid, combatendo pelo califa Umar, quem derrotou o imperador Heráclio em 636, durante a primeira onda da conquista muçulmana proveniente da Península Arábica nos anos que se seguiram à morte do profeta Maomé.
O principal alvo dos rebeldes de inclinação mais sectária não são os cristãos. São os alauitas, grupo minoritário ao qual pertence a família Assad. Os alauítas, que compõem cerca de 12% da população da Síria, praticamente o mesmo percentual dos cristãos, são uma seita heterodoxa que ramificou-se do Islã. São considerados heréticos por extremistas muçulmanos, muito piores do que os cristãos.
Apesar disso, muitos cristãos temem que um governo que venha a substituir o regime de Assad possa ser dominado por grupos como a Irmandade Muçulmana, que poderiam devolvê-los à condição de cidadãos de segunda classe. Eles também temem que suas comunidades possam ser devastadas pelo fogo cruzado entre a insurgência predominantemente muçulmana sunita síria e o bem armado regime alauita, da mesma maneira que os cristãos no vizinho Iraque muito sofreram durante as guerras sectárias lá nos últimos dez anos.
A expansão do conflito a Damasco e Alepo, as duas maiores cidades sírias, amplificou os temores dos cristãos. Eles estão sob pressão tanto do regime como dos rebeldes para que tomem partido e declarem suas alianças. Aqueles que querem evitar tomar partido estão deixando o país.
Por ora, muitos refugiados — tanto cristãos como muçulmanos e outros — mudaram-se para áreas onde se sentem mais seguros na Síria ou no vizinho Líbano. Até agora, não emergiu o padrão visto no Iraque, onde muitos cristãos emigraram definitivamente para países ocidentais.
Os exemplos mais claros de adesão de cristãos ao regime ocorreram em Homs. Na cidade de Quşayr, a sudoeste de Homs, uma família cristã ajudou as forças de segurança pegando em armas e operando postos de controle. O resultado foi uma reação contra todos os cristãos, e a cidade ficou praticamente esvaziada de cristãos a partir de então.
Em Wadi al-Nasara — o Vale dos Cristãos, outro enclave em meio a cerca de 30 aldeias a oeste da cidade de Homs —, uma família de cristãos pró-regime combateu ao lado de elementos leais a alauitas, dizem moradores que recentemente fugiram da área. Cristãos pro-regime tomaram, no belíssimo vale, dois palácios de propriedade de diplomatas árabes do Golfo, disseram eles.
Perto dali, combatentes sunitas estabeleceram uma base no Krak dos Cavaleiros, castelo que é um marco histórico do Século XII e pertencia às cruzadas. "Agora é impossível para um muçulmano descer até o vale", disse um morador da área.
O padre Paulo Dall'Oglio, sacerdote jesuíta italiano que viveu na Síria durante três décadas, mas foi expulso pelo regime em junho, diz que muitos membros da igreja têm velhos laços com o regime e com os serviços de inteligência, o que moldou sua posição.
"Muitos cristãos na Síria acreditam não haver alternativa ao regime de Bashar Assad", diz o padre Dall'Oglio.
Alguns cristãos, porém, estão se esforçando para superar esse fosso, tentando um diálogo com a oposição e os rebeldes, ou pelo menos lançando uma ponte sobre o abismo sectário que cada vez mais os separam.
Basilios Nassar, um sacerdote ortodoxo grego da cidade central de Hama, foi baleado e morto por franco-atiradores do governo em janeiro, enquanto ajudava a evacuar os feridos em confrontos em um bairro, dizem ativistas cristãos.
Eles dizem que os franco-atiradores provavelmente o confundiram com um combatente islâmico por causa de sua barba e vestes negras. Sua igreja disse que ele foi morto por "um grupo terrorista armado".
Caroline, uma ativista cristã que pediu para ser identificada apenas por seu primeiro nome, foi presa pelas forças de segurança em abril, em Damasco, enquanto distribuía ovos de Páscoa para filhos de cristãos, de sunitas e de famílias alauitas expulsas pelos combates em Homs.
Tiras de papel com passagens do Alcorão e da Bíblia acompanhavam os ovos. Caroline disse que esse ato fazia parte de suas tentativas de eliminar gradualmente as barreiras que agora separam os grupos religiosos na Síria devido ao conflito.
Anteriormente, ela fez questão de ajudar as esposas e filhos de homens mortos em combate na cidade predominantemente sunita de Douma, nos arredores de Damasco, distribuindo provisões de comida e envelopes com dinheiro.
Ela também procurou realizar reuniões com líderes eclesiásticos para pedir-lhes que "não impusessem uma posição em relação a todos os cristãos". Ela disse que a maioria a repreendeu por ser contra o regime ou não quiseram dialogar com ela.
O padre Nawras Sammour, um jesuíta de 44 anos de idade originário de Alepo, dirige um programa de assistência em todo o país, denominado Serviço Jesuíta para Refugiados. O grupo está atualmente prestando assistência a 6.000 famílias sírias em todo o país que deixaram suas casas, afetadas pela violência: muçulmanos sunitas e xiitas, drusos, alauitas e cristãos.
Ele acredita que somente mediante diálogo entre diferentes grupos religiosos os cristãos continuarão sendo uma presença vibrante nessas antigas terras. Ele admite os problemas e diz compreender as preocupações dos cristãos.
"Veja o Iraque, veja o Egito", diz ele, listando os países vizinhos onde turbulência política e a substituição de um governante autoritário por uma ressurgência islâmica impactou comunidades cristãs há muito estabelecidas. "Mas, apesar disso, temos de construir pontes. Esses são os princípios do Evangelho. Não podemos simplesmente escolher um lado e aderir a ele".
Alexandre Haddad, um residente com 66 anos de idade na aldeia serrana de Maalula, está preocupado com o destino de sua antiga comunidade cristã, mas assume uma perspectiva de longo prazo. Como outros moradores no vilarejo, ele fala uma variante do aramaico, a língua falada pelo próprio Jesus.
"Muitas pessoas passaram por este país — bizantinos, muçulmanos, tamerlanos, mongóis, otomanos" —, disse Haddad, sentado à sombra do convento de Santa Tecla, heroína da lenda bíblica "Os Atos de Paulo e Tecla".
"Jesus era originário de [uma região] um pouco ao sul. São Paulo esteve em Malula ", diz ele. "O cristianismo é muito forte aqui".

(Tradução de Sergio Blum)

Linkin Park - Given up

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

10 MEDIDAS PARA COMBATER O DESEMPREGO

A CGTP-IN apresenta as seguintes medidas urgentes:

1. Aplicar um Programa de Desenvolvimento dirigido à Revitalização do Tecido Produtivo, com o envolvimento e mobilização da sociedade e dos trabalhadores em particular, tendo como objectivos centrais o reforço das exportações e a substituição das importações por produção nacional, de forma a equilibrar a balança comercial e diminuir a dependência externa. O plano deverá incidir nos sectores primário (agricultura, pescas, diversos subsectores do mar, sector mineiro …), na indústria, com a reindustrialização do país e nos serviços transaccionáveis, devendo o QREN ser reprogramado com este objectivo. Devem ser encaradas medidas temporárias de protecção à produção nacional defendendo-a da concorrência externa com fundamento na situação excepcional do país
2. Dinamizar a procura interna através do consumo o que passa pela melhoria de salários, incluindo o salário mínimo nacional, e das prestações sociais
3. Implementar políticas que assegurem o cumprimento do princípio constitucional do direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, promovam o pleno emprego e combatam o desemprego. Para o efeito o horário de trabalho deve ser reduzido progressivamente para as 35 horas semanais, sem adaptabilidade e sem redução de salário.
4. Aplicar programas de gestão preventiva, que evitem os despedimentos ou a redução de efectivos em empresas em reestruturação ou que apresentem riscos de perdas de emprego
5. Revogar, na legislação do trabalho, a discriminação relativa à contratação de jovens (e desempregados de longa duração), ao permitir a sua contratação a termo em qualquer situação, incluindo para preenchimento de postos de trabalho permanentes
6. Reforçar a fiscalização e limitar os contratos de trabalho de duração determinada a necessidades temporárias de trabalho (tanto no sector privado como no sector público). Passar a efectivos de todos os trabalhadores que exercem funções de carácter permanente; Regularizar os falsos recibos verdes, o que implica fiscalização reforçada das situações de falsos recibos verdes, tendo em conta a presunção do art.º 12º do Código do Trabalho
7. Abandonar a intenção de reduzir o número de trabalhadores na Administração Pública e desbloqueamento das contratações de pessoal, garantindo que o número de trabalhadores é o adequado face às necessidades e ao bom funcionamento dos serviços públicos. Cumprimento da legislação do trabalho da Administração Pública no sentido de impedir a contratação ou subcontratação de trabalhadores por valores inferiores aos fixados no sector.
8. Prolongar o subsídio social de desemprego a todos os desempregados sem protecção social enquanto durar a crise e revogação de todas as medidas na área da protecção social que têm como objectivo o abaixamento de salários (redução do subsídio de desemprego após 6 meses de atribuição, redução do tempo de atribuição, acumulação do subsídio com empregos de baixos salários, trabalho “voluntário” obrigatório e gratuito dos beneficiários do RSI).
9. Reforçar o papel dos centros de emprego na captação de ofertas de emprego, assegurando ao mesmo tempo a qualidade e o respeito pelas normas legais e contratuais, incluindo salários. Rever as medidas activas de emprego, garantindo que apenas se apoiam postos de trabalho permanentes, privilegiando as que se dirigem a integrar trabalhadores em empresas que produzem com o objectivo de substituir importações.
10. Criar um imposto extraordinário que desincentive a distribuição de dividendos por parte das empresas e a transferência de mais valias para o exterior, incentivando a recapitalização das empresas e a criação de emprego permanente.

Tomada de posição da CGTP-IN divulgada em conferência de imprensa realizada em Lisboa a 23 de julho de 2012, com a presença do Secretário Geral Arménio Carlos