um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quarta-feira, 30 de maio de 2012

nota de imprensa



Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do Partido Comunista Português
Praceta 25 de Abril, Edif. Ribeiros, R/C - Penafiel
Tel. fax: 255213023
E-mail: pvsbt.pcp@sapo.pt

Nota de imprensa



Suspensão de obras pelo Ministério das Finanças e Parque Escolar atira trabalhadores para desemprego

O PCP combateu desde a primeira hora a empresarialização da gestão das escolas públicas através da criação da empresa Parque Escolar, Entidade Pública Empresarial.

Por este motivo o PCP chegou a apresentar na Assembleia da República um projecto-lei que visava a extinção da Parque Escolar, Empresa Pública Empresarial, revertendo todo o seu património novamente para o Estado. Uma proposta que não implicava que se cancelassem obras e projectos nem que se passasse uma esponja pela história da Parque Escolar; antes pelo contrário, o PCP defendeu que extinguindo a empresa se apurassem as responsabilidades sobre a má gestão realizada.

Prevíamos que a criação da Parque Escolar só daria problemas, porque para além de desresponsabilizar o Governo numa área tão importante como esta, iria abrir caminho a uma má gestão do património, dado que o Governo passaria a pagar a um conselho de administração de nomeados e amigos que, por sua vez, contrata os amigos para projectistas, para as empreitadas, para fornecedores de equipamentos, assim acrescentando centenas de milhões de euros ao défice público.

Esta previsão acabou por ser acertada, e agora a empresa Parque Escolar está no centro de uma polémica em torno de alegadas despesas e pagamentos ilegais, detectadas pelo Tribunal de Contas.

Polémica essa que rapidamente foi aproveitada pelo Governo para suspender as obras de modernização de escolas em curso, ao contrário daquilo que tinha sido garantido pelo Ministro da Educação - ainda em Março deste ano - quando afirmou que «As escolas que têm obras em curso vão continuar com um ritmo apropriado à contenção económica que vivemos».

Esta suspensão de obras, no entanto, não emana de um despacho ministerial, a suspensão de obras resulta do facto da empresa Parque Escolar não pagar aos empreiteiros de obra.

A Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP conhece casos concretos de empresas desta região, sub-empreiteiros trabalhando para os empreiteiros de várias escolas nos concelhos de Baião e Marco de Canaveses, que estão sem receber qualquer crédito desde Novembro ou Dezembro de 2011.

Duas empresas, uma de construção civil, outra de instalações eléctricas, têm neste momento, em conjunto, 160 funcionários sem trabalho, aguardando em casa uma solução para a difícil situação financeira em que se encontram.

Estas empresas de pequena a média dimensão não têm contrato directo com a Parque Escolar, são subempreiteiros. Devido à sua reduzida dimensão e aos (proporcionalmente) elevados valores em dívida, estas empresas não têm condições de suportar pagamentos de salários aos trabalhadores nestas condições durante muito tempo. Por este motivo, o desemprego é uma possibilidade real para estes trabalhadores, caso as dívidas referentes a trabalhos já efectuados não sejam liquidadas brevemente.

Referimos aqui apenas dois casos, no entanto os gerentes destas empresas conhecem muitas outras empresas que se encontram mais ou menos na mesma situação.

A Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP entendeu que deve denunciar publicamente esta inadmissível situação.

O Governo tem responsabilidade directa. O não pagamento da obra já realizada tem a marca do Ministério das Finanças, uma vez que este não disponibilizou à Parque Escolar os recursos financeiros necessários para assumir os compromissos que a empresa já tinha assumido.

Nesta situação fica bem claro o que representa para o país a chamada política de “austeridade”.

A opção do Governo – apoiada no Pacto de Agressão assinado pelo PS, PSD e CDS – em proceder à consolidação orçamental, pela redução do défice e da dívida pública “custe o que custar”, resulta na profunda recessão da economia, com responsabilidade directa nas falências e encerramento de pequenas empresas, e consequente destruição de milhares de postos de trabalho e alastramento da pobreza.

O país precisa de uma mudança de rumo, uma ruptura com estas políticas que nos têm levado ao declínio nacional. As propostas alternativas do PCP, nomeadamente as que reclamam a defesa do aparelho produtivo, alargando o investimento público e apoiando as micro, pequenas e médias empresas - privilegiando o mercado interno -, são mais do que justas, são urgentemente necessárias.

Penafiel, 28 de Maio de 2012

A Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP

a mentira ao serviço do imperialismo



BBC E A IGNOMÍNIA (ó pá, enganaram-se...)

Esta fotografia foi publicada pela BBC como pertencendo aos recentes “massacres” na Síria. A verdade é que é uma fotografia obtida no Iraque, em 2003. Há 9 anos atrás, como garante o seu autor, Marco di Lauro, premiado inúmeras vezes, de que se destacam os mais importantes: Photo District News, Prix de la Photography de Paris, International Photographer Award. Premio Nazionale sul Reportage di Guerra e World Press Photo Award (2º lugar).

Os "bifes" viram isto na internet e deram como bom, ao arrepio das mais elementares normas jornalísticas de confirmação das fontes.

O “rigor criterioso” do, talvez, mais emblemático órgão de informação do mundo ao gosto dos pruridos ideológicos da burguesia, a BBC, e até mesmo da reverência basbaque e serviçal com que grande parte de alguma dita “esquerda” olha para a sua “seriedade”, “profissionalismo” e “ética”, publicou mais uma mentira, fazendo eco cúmplice da ofensiva neo-colonial, acobertado na visão idílica (e falsa) de que o que afirma é verdade. E não é!

Por: Guilherme Antunes (no facebook)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Registo da História

Algures, não sei definitivamente precisar onde, Miguel Urbano Rodrigues publicou isto:

No regresso de uma viagem à Bulgária eu, impressionado pela leitura de um ensaio de James West, da Comissão Política do Partido Comunista dos EUA, e de conversas com ele, publiquei um artigo intitulado, se a memória não falha, "As origens do eurocomunismo no browderismo ". Era uma reflexão que estabelecia a ponte entre a vaga do eurocomunismo e o revisionismo de Earl Browder que produziu efeitos devastadores em muitos partidos comunistas da América Latina.
A secretária de Álvaro Cunhal telefonou-me informando que ele tinha urgência em falar comigo.
Encontrei-o numa péssima disposição. Agitava na mão o jornal onde parágrafos do artigo estavam sublinhados a vermelho e azul.
Escutei uma catilinária devastadora. Durante minutos não tive oportunidade de pronunciar uma palavra em minha defesa.
Qualificou a publicação do artigo de atitude irresponsável, de erro imperdoável. Em tom duríssimo foi acumulando censuras.
Quando o fluxo de criticas abrandou um pouco, tentei expor a minha posição, sublinhando que um simples artigo meu, militante desconhecido em Paris e Roma, não poderia criar tanto problema ao Partido.
Logo me interrompeu:
«A esta hora, o artigo, transmitido para Itália e França, já estará em cima da secretária do Berlinguer e do Marchais. Vai ser interpretado como um ataque indirecto, não teu, mas do PCP ao PCI e ao PCF. Causaste um prejuízo irreparável, sem conserto possível. O mal está feito...».
Mas, subitamente, a expressão do seu rosto suavizou-se, o tom de voz mudou e, olhando-me de frente, falando pausadamente, pôs-me uma mão no ombro e atirou-me para o mundo do absurdo e do inesperado. As suas palavras ficaram para sempre gravadas na minha memória:
«Devo esclarecer que acho o artigo inteligente e bem escrito. Estou de acordo com o conteúdo. Noutras circunstâncias poderia assiná-lo. Mas neste momento a sua publicação foi desastrosa.»
O episódio ajuda a compreender a dimensão humana do dirigente revolucionário…

José Mário Branco - Perfilados de medo



Perfilados de Medo - Poema de Alexandre O'Neil

Perfilados de medo agradecemos
o medo que nos salva da loucura
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura

Aventureiros já sem aventura
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos

Perfilados de medo, sem mais voz
o coração nos dentes oprimido
os loucos, os fantasmas somos nós

Rebanho pelo medo perseguido
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido

Alexandre O'Neil

Este poema foi musicado por José Mário Branco para o álbum "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" editado em Novembro de 1971, gravado em França durante o seu exílio

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XXVIII)



Cavaco Silva – Feira da ladra...


«Cavaco promove privatizações da TAP e da ANA e porto de Sines»

Triste imagem de Portugal, esta, a de um presidente travestido de reles contrabandista de esquina, tentando vender por todo o lado e ao desbarato aquilo que não é seu. Vendendo aquilo que foi (ou será) roubado aos legítimos “proprietários”: os trabalhadores portugueses que, durante décadas de sacrifícios, os construíram e pagaram com o seu suor.
Tempo miserável, este!

(Em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

30 mil exigem a rejeição do Pacto de Agressão

segunda-feira, 28 de maio de 2012

texto

O emblema desta loucura urbana é ainda visível na praia de Algarrobico, perto de Almeria, onde se encontra a massa inacabada de um hotel de vinte andares. AFP/PEDRO ARMESTRE



A CRISE NA EUROPA, A CRISE EM MADRID, A CRISE DE UM SISTEMA: OLHARES SOBRE ESPANHA
Por Júlio Marques Mota

As loucuras em Espanha


O mais complicado foi ter de escolher. Para El País, era evidente que seria necessário efectuar várias reportagens sobre os investimentos faraónicos que foram recentemente feitos em Espanha. Mas onde é que nos podemos concentrar? Dezenas de aeroportos foram construídos nas capitais de província, todos concordam. Mas, como escolher um entre tantos?

O de Huesca (Aragão), por exemplo, permaneceu sem nenhuns voos comerciais desde Abril, mas mantendo um efectivo de 30 pessoas e um piquete de seis bombeiros. O de Castellón (Valência) custou 150 milhões de euros e foi inaugurado em Março. Não um só voo partiu daqui mas já estava planeado gastar mais de 100 000 euros por ano para que oito falcões e oito furões, com seus respectivos tratadores, mantenham a fauna à distância das instalações. E, entretanto, o director ganha mais de 100.000 euros por mês. E havia tantos aeroportos tentadores para escrever a este propósito: Burgos, Léon, Salamanca, Lleida… Mas, finalmente, escolhemos o de Cidade Real
( Castela-a-Mancha), o mais caro de todos...
Nesta cidade de apenas 72 mil habitantes, a 200 km ao sul de Madrid, foi construído em 2008 uma das maiores pistas da Europa, 4 200 metros de comprimento, onde poderia até aterrar o Airbus A 380, o maior avião comercial do mundo. Construiu-se mesmo uma passadeira para ligar o terminal às vias férreas de alta velocidade que passam a um quilómetro de distância. A aventura custou 500 milhões de euros e, três anos mais tarde, o falhanço é evidente: a passadeira permanece suspensa no ar como uma metáfora de sonhos desfeitos. Não há nenhum voo comercial. E os 80 funcionários, que permanecem nas instalações depois de ter havido mais de 100 despedimentos, preferem não falar à imprensa, para que não se sublinhe que eles ainda continuam no aeroporto. Quanto menos barulhos fizerem melhor será assim para toda a gente e, deste modo, toda a gente esquecerá que este mega-projeto continua a dar prejuízo. Dezenas de trabalhadores vêm e vão, dia após dia, para um local, onde aterra, de vez em quando o avião do turismo de um sheik árabe que vem caçar no fim-de-semana.

O que mais me surpreendeu é que não haja um sentimento geral de indignação face a este desperdício de dinheiro público. Sobretudo, do encolher de ombros. Muito poucas pessoas são aquelas que se opõem ao projecto. "Parece muito mal criticá-lo,", explicou Carlos Otto, um jornalista de Ciudad Real. Seria como estar contra os interesses do povo. Só os ambientalistas o têm feito. "E alguns deles receberam pressões e deixaram de aparecer na imprensa." "Nós não fomos uma voz crítica," reconheceu Felipe Pérez, secretário-geral do sindicato Comisiones Obreras em Ciudad Real. "Mas quando se diz que se podem criar até 20 000 empregos, como é que se pode dizer que não?"

Os homens políticos do Partido Socialista (PSOE) e do partido popular (PP) alegam que o dinheiro que aí foi investido é privado. Mas há um pequeno truque nesta declaração: a Caja de Ahorros Castilla la Mancha (CCM) cujo Conselho de Administração foi nomeado pelos governantes locais PP e sobretudo pelos do PSOE, tinha 35% das acções. Além disso, tinham emprestado dinheiro aos accionistas privados em cerca de 25%. Vista a situação nesta perspectiva, não é surpreendente que o Banco de Espanha tenha tido que assumir o controlo deste estabelecimento sobreendividado em Março de 2009.

Depois de Ciudad Real, quisemos saber o que aconteceu em Sevilha (Andaluzia) com o estádio quase esquecido La Cartuja Stadium, inaugurado em 1999 para se apresentar à candidatura para os Jogos Olímpicos de 2004. A odisseia deste projecto foi, como o disse o director da sua gestão, Manuel Zafra, é a história de um "poyaque". O "poyaque" é um jogo de palavras conhecido unicamente em alguns meios na Andaluzia. "Po Ya que" é como seja uma deformação de "pues ya que", "pois, já que". Uma vez que chegámos aqui, faz-se então assim Mas uma vez que Barcelona ganhou na candidatura para a realização dos Jogos Olímpicos, porque não Sevilha?

E o resultado foi um investimento de 120 milhões de euros para construir um estádio numa cidade que já tinha dois estádios de futebol da primeira divisão, o do Betis e o do Sevilla FC. Hoje, apenas nove pessoas são responsáveis pela gestão de um estádio ao qual a cidade virou as suas costas. Os grandes espectáculos desportivos têm sido uma excepção. De vez em quando, o estádio é alugado para a filmagem de um filme ou para uma celebração religiosa e assim se passam os dias.

O "poyaque" não se desenvolveu somente em Sevilha. Em Outubro de 1997, foi inaugurado o Museu Guggenheim de Bilbau. Este custou 126,5 milhões de euros, além dos 30 milhões da sua colecção permanente. Desde o início, o projecto mostrou ser um sucesso indiscutível. Os arquitectos de todo o mundo congratulam-se com o trabalho de Frank Gery e o Museu tem atraído muitos turistas para a cidade. Isto funcionou no País Basco, então porque não fazer algo de semelhante, mas muito mais espectacular na Galiza? E foi assim que o Presidente da região, na época, Manuel Fraga, agora aposentado da política, aos 89 anos de idade, começou a falar sobre o seu sonho depois da inauguração do Guggenheim: a cidade da cultura da Galiza, em Santiago de Compostela.

Em 1999, Manuel Fraga abriu um concurso internacional de arquitectura ganho pelo americano Peter Eisenman. E, em 2001, foi colocada a primeira pedra no Monte Gaias, a dois quilómetros do centro do cidade de Santiago de Compostela, povoação com apenas 94 000 habitantes. Iriam aí construir seis edifícios, com um orçamento de 108 milhões de euros, um pouco menos do que o do Guggenheim. O projecto seria concluído em três anos. Dez anos mais tarde, investiram-se mais de 400 milhões de euros, um valor equivalente a quatro estágios, como o Sevilha, somente quatro edifícios foram construídos - o trabalho dos outros dois, que são os mais importantes, estão previstos na melhor das hipóteses para 2014.

Wilfred Wang, o único arquitecto do júri que votou contra o projecto, calcula que, se um dia se concluírem os dois blocos restantes, o custo total seria equivalente a 600 milhões de euros. Mas no caso em que o governo regional decidisse cobrir o enorme buraco financeiro já criado e de não acabar o Centro Internacional de Arte e especialmente o Centro de Música e Artes Cénicas, que foi concebido para ser o grande símbolo da cidade de cultura, seria necessário indemnizar as sociedades de construção com cerca de 20 milhões de euros. A escolha é entre o caro e o mais caro.

Dois dias depois da publicação de um relatório no jornal El Pais, o diário regional El Correo Gallego publicava uma entrevista com Peter Eisenman, na qual o arquitecto alegava que ele não podia entender a cidade da cultura sem os dois últimos edifícios. Como alternativa, ele propôs que se iniciasse a construção pela fachada e que ao longo do tempo se construísse o interior para o dotar mais tarde de espaços de actividades. O comentário poderia levar a uma gargalhada se não houvesse uma enorme quantia de dinheiro em jogo. Mas não se pode imputar a culpa ao arquitecto. Peter Eisenman tinha avisado Manuel Fraga que o seu projecto seria muito caro. E, ainda segundo Eisenman, a resposta de Fraga foi: "Isso não é o seu problema."

"Dizia-se que não havia espaço para os 250 000 livros na biblioteca e eles estavam a pedir um milhão." "Isto foi o que nós fizemos " declarou igualmente Peter Eisenman, numa entrevista ao El Pais em 2010. O mais engraçado, ou o mais triste, é que todos estes livros deviam satisfazer duas condições: o de serem publicados na Galiza ou terem como tema a Galiza. "Quem pode na verdade ter a ideia de ali construir uma biblioteca maior do que a biblioteca nacional de Berlim?" Se na Alemanha, onde se publicam livros desde Gutenberg, os alemães consideraram que não era útil construir uma biblioteca maior, porque havíamos nós de o fazer? ", perguntou Pedro de Llano, um arquitecto de Santiago de Compostela." "Foi projectado além disso um centro de música, com três elevadores no palco e uma capacidade para montar três óperas no mesmo dia, como se aqui fosse o Lincoln Center." Agora, na biblioteca "do milhão de livros ", há habitualmente mais empregados que leitores.

Em todos os projectos que já estudei, eu encontrei um factor comum: há sempre alguém que ousou dizer "O rei vai nu", alguém que, quando todo mundo disse que o novo projecto iria atrair milhões de euros para o município e que milhares de empregos seriam criados, teve a coragem de dizer " isto é a enorme e profunda desmedida para nós". Mas a maioria permaneceu em silêncio. O arquitecto Pedro de Llano, de 65 anos, diz que ele pagou o preço forte em Santiago de Compostela. "Eu fui mantido afastado do comando das obras públicas, disse ele." Os arquitectos calaram-se, eles não quiseram saber de nada sobre o assunto. E os media... "Aqui, o poder económico do governo da Galiza sobre os media foi tão grande que nunca houve um inquérito rigoroso para demonstrar a estupidez do projecto."

Sendo estabelecido o panorama, qualquer pessoa pode então questionar-se: devemos nós aprender a lição? Seremos nós mais austeros no futuro? Aqueles que impulsionaram o aeroporto de Ciudad Real ou a Cidade da cultura estão convencidos de que era uma óptima ideia e eles tiveram a infelicidade de enfrentar a crise financeira. Mas muitos cidadãos comuns aprenderam a não se perderem entre os valores em milhões de euros e a prestarem atenção quando se lhes fala sobre projectos ambiciosos. Porque eles sabem que no final, apesar das aparências, o custo desses projectos grandiosos sai das suas carteiras.

curso de economia para totós e/ou filiados no PSD

António Mexia, presidente da EDP, defendeu igualmente que o grande problema da energia em Portugal não está nas alegadas rendas excessivas pagas pelo Estado ao setor energético, mas na dependência do petróleo que o País ainda não conseguiu solucionar.

Mexia prepara-se, como é evidente pela pose acima e pelo raciocinio exposto, em criar a Congregação dos Humildes e Desinteressados Gestores. Santificado seja o dinheiro, de preferência em cheque, em seu nome...

domingo, 27 de maio de 2012

DESABAFO E NOTAS ADICIONAIS

Que importam as peripécias (públicas, semipúblicas ou privadas) envolvendo os serviços secretos, a Ongoing, o Pinto Balsemão, o Relvas, os jornalistas do Público, as pressões que são (ou não) atos ilicitos, os mails trocados, a ERC, tanta a chafurdice, a intriga, o nojo...Que importa? Quém se escandaliza? Alguém tem dúvidas que que os politicos do Sistema, do Aparelho de Estado, da Comunicação Social Dominante, das corporações de interesses subterraneos, dos grandes interesses económicos e financeiros instrumentalizam agora como nunca a Democracia, usurpam o Poder, vendem o País, silenciam as forças patrióticas e o inimigo de classe e dividem entre si o Orçamento numa luta sem quartel?
Por isso o espetáculo é deprimente. E para ele é preciso imunidade. Uma informação independente e alternativa. Uma iniciativa politica fora do redil mediático do sistema. Uma cultura própria de quem se coloca fora dos valores dominantes. Uma criatividade moderna e progressista.

NOTA ADICIONAL:

PORQUE NÃO TE CALAS, MARINHO
?

Marinho Pinto diz que Relvas é «vítima» no caso das secretas. Acerca do suposto envolvimento de Miguel Relvas, Marinho Pinto diz que será difícil manter-se no Governo enquanto «estiver associado ao caso». Apesar disso, o bastonário considera que o ministro dos Assuntos Parlamentares é mais «vítima do que atuante». «Penso que foi apanhado no meio do caso. Custa-me a crer que fosse parte atuante. Não era anormal que se encontrasse com Silva Carvalho, já que teve este teve poder na hierarquia do Estado», disse ao Expresso.

noticias da guerra social

O Bankia, quarto maior banco espanhol, reviu ontem em baixo os seus resultados de 2011, que passam de um lucro de 309 milhões de euros em Fevereiro para um prejuizo de 3 mil milhões de euros. O banco pediu uma ajuda pública de 19 mil milhões de euros para o seu saneamento, a que acresce os já obtidos 4.465 milhões de euros.

Arménio Carlos, Secretário Geral da CGTP, denunciou a economia paralela que estimou em 25% da economia global do País. São 15 mil milhões de euros que cobririam o actual deficite público se integrassem as receitas públicas.

Fonte próximo do ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi estimou em cerca de 20 milhões de euros as despesas com acompanhantes femininas nas célebres festas bunga-bunga nos anos de 2009 e 2010.

Foz d' Égua - Arganil




27 de maio de 2012

NOTA DE IMPRENSA


Ministério das Finanças suspendeu pagamento de obras da Parque Escolar colocando centenas de postos de trabalho em risco

Conferência de Imprensa, Segunda Feira, dia 28 de Maio de 2012, pelas 11h00
Centro de Trabalho do PCP (Praceta 25 de Abril, Edifício Ribeiros, R/C Penafiel

Na sequência da não libertação de fundos pelo Ministério das Finanças para pagamento das obras em várias escolas, empresas da região estão a entrar numa situação financeira insustentável. Nesta conferência de imprensa o PCP denunciará dois casos de empresas que não recebem nenhuma verba da Parque escolar desde finais do ano passado, e que estando presentemente sem trabalho, mantêm cerca de 160 trabalhadores em casa, ponderando a possibilidade de os enviar para o desemprego

Penafiel, 25 de maio de 2012

A Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP

sábado, 26 de maio de 2012

TROVANTE - CHÃO NOSSO




CHÃO NOSSO

Chão nosso,
Labutado,
Pão-a-pão,
No teu ventre semeado.

Dia-em-dia
Te daremos
A vontade
Do nosso corpo ainda acorrentado.

Contigo
Nos libertaremos
Das ofensas que não perdoamos.

Chão nosso,
Desvendado,
Sol-a-sol
Pelo fogo do arado.

Pela mão
Oprimida
Da razão
Luta de morte e de vida.

Chão nosso
Da nossa batalha.
Glória, glória
A quem o trabalha.

Chão nosso
Da nossa batalha.
Glória, glória
A quem o trabalha.

Chão nosso fecundado
De amor e suor,
A manhã sem perigo,
Clamor dos servos cravos,
Camponeses sem terra.
E de ti chão nosso
Se levantará liberto
Nas mãos obreiras
Nosso pão de cada dia

Poesia de Francisco Viana

Troika – A face “legal” do crime organizado



Lendo um “desabafo” do Sérgio Ribeiro e depois de ir procurar o link que vos desse a possibilidade de ler a fonte que está na origem desse desabafo, a saber, o facto deveras alucinado de os senhores da troika “pensarem” que «o desemprego é causado pelos altos salários dos trabalhadores» ou que no nosso país, afinal «tudo corre bem», não pude deixar de pensar que os “troikanos” não devem ter lido esta outra notícia muito recente, que nos diz existirem já dois terços de trabalhadores, em Portugal, que auferem salários abaixo dos 900 euros sendo que 35,5% dos trabalhadores por conta de outrem têm um rendimento salarial mensal líquido inferior a 600 euros.

Claro que também pensei outras coisas sobre esses laboriosos embaixadores das potências ocupantes... mas não ficaria bem escrevê-las aqui.
Achei também que uma boa imagem para ilustrar este post, seria esta reprodução (surripiada no Facebook) de um anúncio de oferta de trabalho apoiada (ainda por cima!) num programa oficial de apoio ao emprego, o “Medidas Estimulo 2012” onde uma empresa pretende contratar, por seis meses, um arquitecto com mestrado, carta de condução, viatura própria, dinamismo e pró-atividade(?), fluência em francês e inglês falados e escritos, prática de trabalho com programas informáticos de arquitectura, etc., etc., etc... tudo isso apoiado numa oferta de salário de 500 euros. Mai nada!!!
Num mundo ideal, nem as declarações dos bandalhos da troika, nem esta “oferta” de emprego teriam sequer lugar! Num mundo bastante menos ideal... mas ainda assim, interessante, seriam imediatamente seguidas do mavioso som de vários dentes a partir...
A verdade é que não há, nem haverá em parte alguma um mundo ideal! Haverá apenas o mundo que a nossa força, razão, determinação e oportunidade conseguirem conquistar!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quilapayun - Que Dirá el Santo Padre?




¿Que Dirá El Santo Padre?
Quilapayún

Miren cómo nos hablan
de libertad
cuando de ella nos privan
en realidad.

Miren cómo pregonan
tranquilidad
cuando nos atormenta
la autoridad.

¿Qué dirá el santo Padre
que vive en Roma,
que le están degollando
a su paloma?

Miren cómo nos
hablan del paraíso
cuando nos llueven balas
como granizo.
Miren el entusiasmo
con la sentencia
sabiendo que mataban
a la inocencia.

El que ofició la muerte
como un verdugo
tranquilo está tomando
su desayuno.
Con esto se pusieron
la soga al cuello,
el quinto mandamiento
no tiene sello.

Mientras más injusticias,
señor fiscal,
más fuerzas tiene mi alma
para cantar.
Lindo segar el trigo
en el sembrao,
regado con tu sangre
Julián Grimau.

Serviço Público

MINISTÉRIO DA SAÚDE
Decreto-Lei n.º106/2012, de 17 de maio

A determinação das condições de acesso a certos benefícios legais, nomeadamente de cariz meramente social e relativos a cuidados de saúde, aqui incluindo a isenção do pagamento de taxas moderadoras em virtude de capacidade superior a 60%, nos termos do disposto na alínea c) do artigo 4.º do Decreto – Lei n.º113/2011, de 29 de novembro, depende da obtenção de um atestado de incapacidade multiuso em junta médica.
Por sua vez, o decreto-Lei n.º8/2011, de 11 de janeiro, que aprova os valores devidos pelo pagamento de atos das autoridades de saúde e de serviços prestados por outros profissionais de saúde pública, prevê o pagamento de uma taxa pela emissão do referido atestado, no montante de 50 euros, valor esse que não considera as situações de renovação periódica nem prevê a especificidade das situações irreversíveis.
Nestes termos e considerando a actual conjuntura socio económica, torna-se oportuno rever as condições em que têm vindo a ser requeridos os referidos atestados e, bem assim, ponderar as situações de renovação periódica e a especificidade das situações irreversíveis.
Assim, com o presente diploma pretende-se isentar de pagamento de taxa o pedido de renovação de atestado médico de incapacidade multiuso, nas situações de incapacidade permanente, não reversível mediante intervenção médica ou cirúrgica e reduzir, nas situações em que essa incapacidade não seja permanente nem irreversível, os valores a cobrar pela renovação do referido atestado, dos atuais 50 euros para 5 euros, em processo de revisão ou reavaliação do grau de incapacidade.
….

Assim:
Nos termos da alínea a) do n.º1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1.º

Objeto
O presente diploma procede á primeira alteração ao Decreto-Lei n.º8/2011, de 11 de janeiro, que aprova os valores devidos pelo pagamento de atos das autoridades de saúde e de serviços prestados por outros profissionais de saúde pública

Artigo 2.º

Alteração ao Decreto-Lei n.º8/2011, de 11 de janeiro
É alterado o artigo 5.ºdo Decreto-Lei n.º8/2011, de 11 de janeiro, que passa a ter a seguinte redacção:
«Artigo 5.º
(…)
a)………………………………………………………..
b)……………………………………………………….
c)……………………………………………………….
d)…………………………………………………….
e)……………………………………………………..
f)………………………………………………………
g)……………………………………………………..
h)………………………………………………………
i)………………………………………………………..
j) Renovação de atestado médico de incapacidade multiuso, nas situações de incapacidade permanente, não reversível mediante intervenção médica ou cirúrgica

ANEXO
Taxa (euros)
Capítulo I – Atestados médicos/certificados
1.1 – Atestado médico……………………………………20
1.2 – Atestado médico de isenção da obrigatoriedade do uso de cinto de segurança, por graves razões de saúde…………10
1.3 – Confirmação de atestado médico………….10

Taxa (euros)
Capítulo II – Juntas médicas
2.1 – Atestado multiuso de incapacidade em junta médica …….50
2.2 – Atestado em junta médica de recurso …………………………… 100
2.3 – Renovação de atestado médico de incapacidade multiuso em processo de revisão ou reavaliação do grau de incapacidade ………………………5
2.4 – Renovação do atestado médico de incapacidade multiuso em processo de revisão ou reavaliação do grau de incapacidade em junta médica de recurso …….5

NOTA FINAL: A ALTERAÇÃO SÓ SE VERIFICA PORQUE HOUVE CONTESTAÇÃO FORTE. VALE A PENA LUTAR.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

CARAMULO








Caramulo, Portugal, Maio de 2012

Gomorra



Gomorra, filme de Matteo Garrone, de 2008, vencedor do Festival de Cannes e de 5 Prémios do Cinema Europeu e mais sete prémios Donatello, debruça-se sobre o crime organizado em Nápoles. É baseado num livro de Roberto Saviano, que passou a viver escoltado após a sua publicação, devido às ameaças da máfia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

JOÃO HOGAN


AUTO-RETRATO, 1959


PAISAGEM, 1964


PAISAGEM,1973

João Hogan (1914-1988) foi um gravador e pintor português, de origem irlandesa.

Eu gostaria de ouvir o PS dizer que concorda com o PCP para baixar o IVA...



Segundo dados da AHRESP, a crise e o agravamento do IVA poderão conduzir à extinção de 47 mil postos de trabalho e ao encerramento de 21 mil estabelecimentos, só em 2012!
  • Nos dois primeiros meses deste ano o número de insolvências no sector sofreu um agravamento de 68% face ao mesmo período de 2011. Se compararmos com o mesmo período de 2010, concluímos que o agravamento atingiu os 174%.
  • Recorde-se que os serviços de alimentação e bebidas representam cerca de 45% do consumo dos visitantes estrangeiros e cerca de 34% do consumo referente ao turismo interno.
  • Estes números demonstram a sensibilidade da actividade da restauração ao aumento das respectivas taxas de IVA para os 23%, elevando a taxa média de IVA do Turismo para 20,4%, face à concorrência de Espanha com 11,1% de taxa média. E quando se sabe que o IVA da restauração em França é de 7% e a da Irlanda com intervenção da Troika é de 9%!
  • Só no comércio e restauração, perderam-se nos primeiros 3 meses do ano, 21 mil postos de trabalho!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

POEMA

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto não pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

Orelha Negra com Orlando Santos - Since you´ve been gone / A Memória

NO QUINTO ANIVERSÁRIO DA MORTE DE ALBERTO VILAÇA










Advogado de Coimbra, Alberto Vilaça foi um destacado membro do PCP. Da sua biografia política fazem parte a participação nas comissões centrais do MUD Juvenil, e do MND, bem como na Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática. Preso seis vezes, passou quatro anos e meio na prisão. Autor de vasta obra literária e histórica, foi condecorado com a Ordem da Liberdade. Quando se assinala o quinto adversário da sua morte publicamos este poema de Urbano Tavares Rodrigues.
São de sua autoria vários livros sobre a resistência à ditadura em Coimbra, destacando-se Para a história remota do PCP em Coimbra, 1921-1946 (1997), O MUD Juvenil em Coimbra (1998), Resistências culturais e políticas nos primórdios do salazarismo (2003) e À mesa d' A Brasileira - cultura, política e bom humor (2005).

À memória de Alberto Vilaça
POEMA A UM HERÓI DISCRETO

O teu discurso apagou-se
Quando o sol se punha
Num esplendor
De primavera eterna

Foste um decifrador
de enigmas

Coruscante e afectuoso

Vencias a linguagem
de pedra
dos teus adversários

A tua era uma linguagem
de sangue generoso

Lembro-me da tua torre
cheia de aves celestes

Nela te refugiavas
às vezes

Passavam eles em baixo
Com cestos de insultos
E armas cruéis,
Elas com os seus leques
de abelhas

Cercavam-te

Mas vencias sempre
com a robustez
do teu ideal

Urbano Tavares Rodrigues

domingo, 20 de maio de 2012

NO RESERVATIONS LISBON 2ª PARTE

PAREDES E O FUTURO II

Na campanha autárquica eleitoral anterior, a equipa do PSD liderada por Celso Ferreira prometeu “grandes novidades” para Paredes: o PlanIT Valley e a reconversão das “velhinhas” escolas primárias em centros de dia, casas da juventude e da cultura. Eram certamente duas promessas fortes. Vejamos a primeira, a extraordinária Cidade Inteligente.
Um investidor inglês surgira em Paredes com uma ideia, uma equipa, uma necessidade de parceria. Prometia um investimento de 10 mil milhões de euros, de 2009 a 2013, uma relação descentralizada com 12.000 parceiros públicos e privados (das áreas das telecomunicações, da distribuição, do ensino superior) que criariam 20.000 postos de trabalho, qualificados e não qualificados. Houve quem falasse no euromilhões tecnológico, na solidez das apresentações, na confiança de tais projectos que, realce-se, representaria um investimento 153 vezes o do estádio do Dragão ou 60 vezes o orçamento do Ministério da Cultura. Em 2007 a Câmara já tinha anunciado a criação de um cluster ligado às tecnologias para a indústria automóvel.
A cidade inteligente do senhor Lewis e do Dr. Celso crescia aceleradamente no imaginário paredense, desenvolvia-se em briefings e cocktails em edifícios camarários e em quintas, concretizava-se em reuniões com autarcas PS e com o secretário de Estado Zorrinho, expandia-se em louvores, expectativas e textos encomiásticos em jornais e revistas nacionais e estrangeiros, avançava no terreno com medições, avaliações, expropriações, promessas de compra e venda. Tudo silenciosamente, como uma mancha a crescer. A equipa reunia, inicialmente na Maia, depois num hotel em Paredes. Procurava-se o estatuto de Projecto PIN – Projecto de Potencial Interesse Nacional. De Paredes, interlocutava uma Agência Para o Desenvolvimento de Paredes, estrutura com muita ambição e muito resultado liquido negativo.
Em publicação gratuita da Câmara Municipal (Entre Paredes, de Agosto de 2010) o PlanIT Valley era explicado de A a Z, com cronograma de fases, promessas de postos de trabalho. Passos Coelho, candidato, em 12 de Abril de 2011, tomou conhecimento do projecto e afirmou que era “uma plataforma alargada de multinacionais ligadas ao sector tecnológico”. Mudou o governo. Santos Pereira visita o Concelho, e perante nova investida dos promotores, deve ter torcido o nariz, como Zorrinho, ao sr. Lewis e ao Dr. Celso.
A cidade inteligente transformou-se na cidade criativa, de dez milhões de euros de investimento em design. O quartel-general “hoteleiro” foi desmontado, alguém certamente pagou as despesas da festa, alguém certamente pagou as intervenções no terreno, alguém certamente pagou honorários a colaboradores, alguém…
O tempo passa, hoje, amanhã. Sem uma explicação, a primeira cidade inteligente da Europa permanece nos privados papéis do sr. Lewis e do Dr. Celso. O edifício central da futura urbe teria uma forma oval, cor verde esmeralda. Que lindo! A cidade inteligente teria um pequeno aeródromo, para deslocações rápidas. Que bom! A PlanIT Valley permitia uma redução de 50% dos custos das habitações. Que útil!
O sr. Lewis e o Dr. Celso certamente deviam influenciar positivamente Santos Pereira, Passos Coelho e outros, das vantagens da cidade inteligente e sustentável para Paredes. De contrário teremos uma fraude eleitoral, um abuso de confiança, um futuro a modos que…em maquete!

Cristiano Ribeiro

sábado, 19 de maio de 2012

MANIFESTANTE EM STAND BY

Na véspera de assumir no Parlamento mais uma abstenção – presume-se que violenta –, desta feita a propósito das selváticas alterações ao Código do Trabalho, António José Seguro concedeu uma entrevista à TVI que certamente ficará para a história do contorcionismo político. Acredite-se ou não, fez a quadratura do círculo.
Alternando na postura de líder intrépido com a de ofendido, de apaziguador com a de contestatário, Seguro foi o exemplo acabado de como se pode dizer uma coisa e o seu contrário sem o menor constrangimento, sem a mais pequena réstia de pudor, sem um laivo sequer do sentido de ridículo.
O memorando da troika? Seguro diz que o PS já «esteve mais vinculado» do que está hoje, mas sente-se «obrigado ao compromisso pelo interesse nacional».
O Governo acentua a política de austeridade? Seguro não acompanha, mas ainda está à «espera dos documentos» para saber como votará o Orçamento de 2013.
O consenso está à beira da ruptura? Nem pensar! Só se o Governo «persistir em atacar e dar cabo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), da Escola Pública e Segurança Social».
E este foi o ponto alto da noite de 10 de Maio, com Seguro a prometer: «se o Governo puser em causa o SNS estou disponível para ir para a rua na frente de uma manifestação». É de homem! Sobretudo depois de ter dito que nas suas andanças pelo País constata os dramas humanos de quem já não pode comprar os medicamentos, já não pode pagar a deslocação para uma consulta, já não pode ter direito à saúde porque o Governo já pôs em causa e de que maneira o SNS.
Seguro, com tanta preocupação social, no seu balanço entre consenso e ruptura não falou do desemprego. No dia seguinte percebeu-se porquê na votação das alterações ao Código do Trabalho. A explicação ficou a cargo de Zorrinho, que invocando Seguro reafirmou o respeito pelos «compromissos», e com a mesma coerência do líder lembrou que o PS «manifestou de forma clara a sua discordância face a pontos que vão para além do memorando, designadamente no caso da eliminação de feriados, do banco de horas individual e no que respeita ao enfraquecimento das relações coletivas». Por isso... absteve-se. A manifestação pode esperar...

Anabela Fino (em Avante)

Alvaro Santos Pereira - O coiso

�lvaro Santos Pereira - O coiso by Alex Guerreiro

Candlebox- Far Behind





A musica grunge dos americanos Candlebox, de 1993

sexta-feira, 18 de maio de 2012

humor

Sacrifícios não são para todos: Bovinos e suínos criticam desconto em carne porque poupa peixes
«A pergunta que eu faço, hã, é só uma: E os peixes? É que isto é tudo muito lindo, 50% de desconto em carne, mas e os peixes? Se bem me recordo, o Governo disse que os sacrifícios eram para todos», questionou esta manhã um porco, durante uma manifestação à porta do Ministério da Agricultura.
Segundo estes animais, as recentes promoções que estão a ser levadas a cabo pelos supermercados atacam só os bovinos, suínos, caprinos e aves, deixando de fora, por exemplo, os peixes.
«Não se compreende que o Governo continue com aquele discurso de que os sacrifícios são para todos quando há pessoas que vão para o governo e ficam com os subsídios, há trabalhadores de entidades públicas que não sofrem cortes salariais, e os peixes livram-se das promoções dos supermercados», lamentou também uma vaca, que não quis dar o nome mas nós vimos o número na orelha. Era a 386.
Os animais marcaram presença, esta manhã, à porta do Ministério da Agricultura, e os ânimos chegaram a exaltar-se com a chegada da GNR.


(em imprensafalsa.com)

registos da história



AS CESTAS DE CARVÃO EM RIO TINTO

Era uma espécie de teleférico que cruzava a estrada, fazendo correr, em vaivém interminável, umas pequenas cestas pretas que corriam em cabos, suspensos em torres de betão e aço.
Era por ali que o carvão extraído nas minas de S. Pedro da Cova, era conduzido até ao Monte Aventino, na zona das Antas, já bem na zona nobre da cidade do Porto.
Lá estavam as ditas cestas, correndo. Para cima traziam o carvão, para baixo seguiam vazias, ou com um trabalhador. Quando passavam pelo poste, faziam um ruído metálico monótono e não muito agradável.
N a realidade quando este teleférico começou a trabalhar, em fins de 1958, inícios de 1959, foi uma dor de cabeça para os proprietários que tinham habitações debaixo dele, por vezes as cestas vinham cheias de mais e deitavam carvão para cima das mesmas habitações, embora tivesse esta protecção em rede como se vê na foto, mas para o carvão nada valia, mas ainda pior que o carvão era quando vinha a cesta em forma de bidão para fazer a lubrificação dos cabos, então é que era o cabo dos trabalhos, porque o óleo que escorria dos mesmos misturava-se com o carvão em cima das habitações ficava completamente tudo preto e gorduroso, também não se podia estender roupa a secar numa área cerca de 30 metros
Passavam as cestas que transportavam carvão de S. Pedro da Cova para a Estação de Rio Tinto, a fim de abastecerem não só os armazéns (depósitos) de carvão que ali funcionavam e que se destinava aos comboios que, naqueles já algo recuados tempos funcionavam a carvão, como também para ser vendido a quem o ia lá comprar, visto os fogões das casas serem quase todos “a lenha e carvão”.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

NO RESERVATIONS LISBON 1ª PARTE

o absurdo que vamos tolerando

Hoje acordei com a notícia da abertura de um hospital privado em Coimbra. Confesso que me arrepiei com o destino dos seus 400 trabalhadores, com a promessa de dezenas de especialidades ao serviço de uma população abstrata, incluindo serviços de maternidade e de neonatologia intensiva. Arrepiei-me com o absurdo de um tal investimento, numa região tão deprimida como a Região Centro e felizmente com serviços públicos de qualidade como os HUC e os Centros de Saúde da região.
Mas enquanto reflectia neste paradoxo - um aumento substancial de oferta numa diminuição real de possibilidade de acesso - surgiu a outra notícia bombástica: Portugal é o 25.º num ranking de 34 sistemas europeus de saúde. Segundo estudo de uma organização independente sueca, a crise afectou a assistencia médica e já tem impacto directo na qualidade do sistema de saúde nacional. Portugal desceu quatro lugares no ranking desde 2009, fica atrás da Estónia, Chipre, Malta e Grécia, e só suplanta países do Leste Europeu. As politicas de redução de custos, resultantes da austeridade imposta pela troika estrangeira, com a cumplicidade da troika nacional, originaram uma rápida degradação na lista e tempo de espera para consultas e cirurgias, nas infeções hospitalares, nas taxas moderadoras, nos programas de rastreio e diagnóstico precoce, nas opções das cesarianas, no preço dos medicamentos, nos recursos humanos qualificados e de auxilio directo, no material disponível. A qualidade desce, a segurança é atingida, a mortalidade aumenta, os resultados são medíocres. Apesar do esforço contra-corrente de equipas e instituições, a gestão danosa da saúde responsabiliza uma corja de dirigentes insensíveis e impreparados para liderar um sector tão importante.
Percebe-se assim melhor o esforço do grande capital nacional em se apropriar do SNS, retirando-lhe recursos, descapitalizando-o, desprestigiando-o, esvaziando-o. A alternativa privada está aí. A preço "justo", dirão uns. A"custo" insuportável, direi eu.

CR

registos da história

A Acta n.º19 da Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Paredes, realizada no longínquo 28 de Março de 1980, e que tive a oportunidade de revisitar, é um documento muito interessante, visto á luz dos tempos modernos.
Em primeiro lugar é redigido pelo primeiro secretário da mesa da Assembleia, com uma letra exemplar e num português muito correcto.
Em segundo lugar, dá conta da intervenção politica geral de então, de uns tempos caracterizados por uma intervenção popular diversificada e intensa.
A referida sessão decorreu das 21h30 até ás 2h30 da madrugada. Tinha na Ordem de Trabalhos dois pontos, um relativo a uma impugnação da sessão anterior pedida pelo Partido Socialista e o segundo, relativo á aprovação da acta da sessão anterior, solicitada pelo executivo de então, do CDS.
A impugnação era justificada pela ocorrência de uma falta de quorum, para a qual haveria duas interpretações de consequências (encerramento da sessão para o PS, e suspensão para o CDS). Venceu a tese da rejeição da impugnação. Outros assuntos surgidos no período Antes da Ordem do Dia referiam-se à expropriação de terrenos para o Ciclo Preparatório de Rebordosa a preço muito inferior ao seu valor real (queixa de um deputado/proprietário), de um caminho vicinal em Lordelo, das poucas escolas e seu estado de conservação , da publicação de artigos partidários no orgão de comunicação social "O Comércio do Douro" por quarenta mil escudos por parte da Câmara. Para além de referências a Orçamento e Plano de Actividades, realce para a apresentação de Moção sobre o 25 de Abril por parte de Jaime Rodrigues Martins, da APU (Aliança Povo Unido) e que foi aprovada, com muitas abstenções e sobre a Reforma Agrária por parte de Jaime Rodrigues Pinto e (Rui) Branco Leal igualmente da APU e que foi rejeitada.
Por fim, destaque para a constituição do Conselho Municipal, orgão de representação de interesses, e que na altura fazia sentar no mesmo orgão a Associação de Futebol do Porto, Cooperativas de Electricidade, Sindicatos dos Bancários, das Contribuições e Impostos, Operários da Indústria das Madeiras, Irmandade da Misericórdia de Paredes, EMAUS, Associações Musicais, Confederação Nacional das Associações de Familia, ETC.

terça-feira, 15 de maio de 2012

há nacionalizações e ...nacionalizações

Caiu o Carmo e a Trindade quando o governo da Argentina decidiu nacionalizar 51% da petrolífera YPF, filial da Repsol naquele país, e cheguei mesmo a pensar que Rajoy se meteria num barco de guerra e timorato invadiria a Argentina da noite para o dia. Ajuda não lhe faltaria por certo das terras do Tio Sam. Também ali liminarmente se condenou a decisão de Cristina Kirchner, o senador Richard Lugar, figura de proa das hostes republicanas, propôs mesmo ao Congresso a expulsão do país do tango do G20, certo e seguro de que esse tipo de decisões são da responsabilidade exclusiva do Congresso norte-americano, estranho até por que não mudam a sigla para G1+19.
Por esta altura o governo do mesmo Rajoy decidiu nacionalizar o banco Bankia onde uns amigalhaços de Aznar andaram a fazer o mesmo que Oliveira e Costa no BPN, transformando-o numa autêntica bankalândia. Estranhamente, ou não, os que criticavam Cristina, os que defendem o poder absoluto do mercado, aplaudiram. Ainda dizem que o capitalismo não é coerente consigo próprio...


(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)

Dead Combo - Quando A Alma Não É Pequena

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nadir Afonso



Pintor e arquitecto português. Nasceu em Chaves em 1920.

A música é de George Shearing.

NÁUFRAGOS E DESCULPAS

Adrian Vazquez, 18 anos, do Panamá, saiu de barco para a pesca a 24 de Fevereiro, com dois amigos. No regresso, o motor avariou e eles ficaram à deriva no Oceano Pacífico. Dezasseis dias depois avistaram um cruzeiro, que não os ajudou. Os dois amigos de Adrian morreram à sede. O único sobrevivente quer processar a companhia de cruzeiros por ausência de auxílio.
Fernando Osorio, 16 anos, e Elvis Oropeza, 31, não resistiram às duras condições em que os náufragos ficaram depois de terem visto o pequeno barco de pesca, com pouco mais de três metros de comprimento, ficar à deriva na costa do Pacífico. Adrian, um empregado de hotel, conta que a avaria ocorreu numa altura em que os três tripulantes conseguiam ver terra e, por essa razão, não terão ficado muito preocupados. Tinham pescado muito peixe – algum do qual assaram no barco – e tinham um grande bidão de água potável. As buscas da marinha do Panamá foram infrutíferas. As correntes afastaram o barco da costa. O peixe a bordo começou a apodrecer e foi deitado fora.
A 10 de Março, isto é 16 dias após terem ficado sem motor, vislumbraram um possível auxílio. Porém, o navio de cruzeiros Star Princess, pertencente a uma empresa norte-americana da Florida, não parou para ajudar os três amigos. Oropeza deixou de comer e de beber. Acabou por morrer e o corpo foi lançado ao mar pelos sobreviventes. Cinco dias depois, a 15 de Março, Fernando sucumbiu à sede e ao calor. Três dias depois, a 18 de Março, Adrian deitou ao mar o corpo do segundo amigo, que começava a decompor-se. O comandante do navio não terá sido avisado de que havia um pequeno barco de pescadores à deriva, sustenta a empresa, que pediu desculpa quando a história de Adrian e amigos começou a circular na imprensa mundial. A empresa abriu um inquérito interno, para apurar o que se passou, depois de alguns passageiros do cruzeiro terem garantido que detectaram o pequeno barco à deriva e que avisaram membros da tripulação. A empresa pediu entretanto desculpa. Uma atitude que não é suficiente para Adrian Vazquez, cujo advogado anunciou que avançou com um processo judicial contra a empresa. De acordo com a legislação internacional, a tripulação do cruzeiro estava obrigada a ajudar. O processo judicial, intentado num tribunal da Florida, inclui testemunhos de dois passageiros que asseguram terem avistado os náufragos e avisado os responsáveis do navio. O advogado de Adrian alega negligência por parte da tripulação do cruzeiro. Os relatos do advogado e os depoimentos das testemunhas parecem ser comprovados com a descrição publicada por Don Winner, um blogger que escreveu sobre o caso no site Panama Guide e publicou uma foto do pequeno barco á deiva, alegadamente tirada a bordo do barco de cruzeiro.
Adrian acabou por ser salvo por pescadores, 28 dias depois, a 600 milhas da costa (cerca de 1000 quilómetros), perto das ilhas Galápagos. Quando ele próprio achava que estaria perdido, uma grande chuvada permitiu-lhe reabastecer a reserva de água potável.
Já a salvo, Adrian recebeu tratamento e pediu para fazer dois telefonemas: um para a mãe e outra para o dono do hotel, para explicar por que tinha faltado ao trabalho.

I am the Resistance



Bilal Dhiyab (76 dias)
Tha’ir Halalaha (76 dias)
Hasan Al-Safadi (70 dias)
Amr Abu Shalal (68 dias)
Mohammad al-Taj (59 dias)
Ja’afar ‘Izz Al-Din (56 dias)
Mohammed Al-Sirsak (56 dias)
Abd Allah Al-Barghuti (32 dias)

Estes são os oito dos dois mil presos políticos palestinianos que levam mais tempo em greve de fome. Há 31 anos, dez presos irlandeses do IRA e do INLA levaram esta forma de luta até às últimas consequências. O caso mais conhecido é o de Bobby Sands que resistiu 66 dias sem se alimentar. Entre os palestinianos hospitalizados está também Ahmed Saadat, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina. Os grevistas de fome exigem o fim do isolamento penitenciário e da detenção administrativa, que permite a prisão de palestinianos sem que sejam apresentadas acusações ou provas. Exigem o direito às visitas familiares e à possibilidade de realizarem cursos superiores na prisão.

domingo, 13 de maio de 2012

No tempo da escravatura não faltava trabalho, não havia era salários nem...

o Rendimento Social de Inserção e a ironia do presente

É trágico e irónico ao mesmo tempo.
O Rendimento Social de Inserção (RSI) abrange actualmente 329.274 portugueses, com o Distrito do Porto na indesejável liderança com 99.047 beneficiários. Estes valores são os mais elevados desde Outubro de 2010. E sobem pelo quinto mês seguido.
Para além do Distrito do Porto, Lisboa, Setúbal e Açores são os Distritos com mais beneficiários do RSI. Cada beneficiário recebe em média 91 euros.
Apesar de regras de acesso ao benefício serem mais rigorosas, a situação social das famílias deteriorou-se com o desemprego, o custo de vida, o aumento das taxas moderadoras na saúde, as propinas no ensino, os custos dos transportes. Diminuiu assim a capacidade de auto-sustentação das famílias. É uma tragédia.
E é o CDS, o partido historicamente com maior objeção ao RSI, e que dessa oposição fez argumento e discurso mediático, de forma intolerável quantas vezes, quem lidera no Governo de Direita o Ministério da Segurança Social, responsável pelo recurso social de emergência, o RSI. Portas, quem te viu e quem te vê!

Hino de Caxias


Este vídeo é uma singela homenagem a todos aqueles que passaram os tormentos das prisões políticas, da tortura, da fome, e da humilhação mais torpe, levada a cabo pelos torcionários da polícia política durante o fascismo.Muitos destes homens e mulheres acabaram por morrer. Em nome de quê?Em nome da Liberdade de que hoje gozamos e temos o dever de defender!

sábado, 12 de maio de 2012

hoje no Porto foi lindo





e para além de lindo, foi mobilizador.
daí o silêncio da comunicação social dominante.
daí a crispação dos que discutem número de presenças, quando deviam discutir razões de presença
daí a prosápia dos que lamentam a ausência de milhões nas iniciativas dos outros quando se satisfazem com a presença de dezenas nas suas próprias iniciativas
daí o incómodo dos radicalismos verbais quando enfrentam iniciativas, propostas e mobilizações reais.
não foi uma promoção comercial em Santa Catarina, não foi uma iniciativa de caridade pública, ou um festejo de um campeonato, não foi o fado inconsequente das desgraças inevitáveis
tivesse sido e parangonas em todos os noticiários, análises a eito
foi o desfile Contra a Agressão, desfile Vermelho, desfile politico e cultural, desfile do PCP
Em dia quente, quentes as vozes, e no futuro já amanhã A LUTA CONTINUA.

Bernardo Sassetti - Noite



Curta Metragem de Claudia Varejão
Teatro Maria Matos em Lisboa, 2007
Bernardo Sassetti (1970-2012), música NOITE do filme "Alice" de Marco Martins

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A RAPOSA NO INTERIOR DO GALINHEIRO



João Moreira Rato, o homem escolhido por Vítor Gaspar para dirigir os destinos da emissão da dívida pública portuguesa e o chamado regresso de Portugal aos mercados internacionais, era até agora editor executivo do Morgan Stanley. Doutorado pela Universidade de Chicago, o novo presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), de 40 anos, passou pelo falido Lehman Brothers e pelo Goldman Sachs. João Moreira Rato saiu de Portugal em 1995 e vive em Londres desde 2000. Pertenceu ao grupo de coordenadores do gabinete de estudos do PSD. E alguns exultaram com a escolha de Gaspar.

As perdas de 2.000 milhões de dólares com operações em bolsa do JPMorgan Chase no 1º trimestre afundaram hoje toda a banca norte-americana. Os títulos do maior banco norte-americano em activos afundaram 9,28% para 36,96 dólares, arrastando consigo outros títulos do sector financeiro: o Goldman Sachs e o Citigroup perderam 3,94% e 4,24%, respectivamente, ao mesmo tempo que o Bank of America caiu 1,95%.
O JP Morgan Chase anunciou na quinta-feira que vai provavelmente registar pesadas perdas jurídicas e de mercado no segundo trimestre, durante uma conferência de analistas.
Jamie Dimon, presidente do JP Morgan Chase, referiu perdas ligadas "a contenciosos de cerca de 200 milhões de dólares" e "perdas em bolsa antes de impostos de mais de 2.000 milhões de dólares", compensadas por "ganhos 1.000 milhões de dólares nas vendas de produtos de cobertura de risco da dívida".
A carteira de ativos em causa "apresenta ainda muita volatilidade" e representa um risco de perdas suplementares de 1.000 milhões de dólares.
O grupo realizou um estudo para apurar a causa destas perdas, mas «há muitos erros, falta de rigor e más considerações», comentou Jamie Dimon. Correm rumores que a filial britânica do Banco Norte Americano teria desbaratado inúmeros activos em operações ruinosas de compra de acções na Europa, apostas erradas em produtos financeiros derivados.

Temos assim um peão da banca de investimentos que gerou a maior turbulência financeira desde sempre,a servir-se de Portugal. Para mais tarde relembrar esta fábula da raposa no interior do galinheiro...

declaração conjunta

Quando a pretexto de tudo e de nada, alguns colocam os Partidos Comunistas no limbo do oportunismo e da irresponsabilidade, numa cruzada anticomunista generalizada, procurando criar ilusões em novos/velhos protagonistas da História, convinha recordar quem publicamente, independentemente de ciclos eleitorais, define uma posição alternativa á construção da dita União Europeia.

Eis a recente Declaração Conjunta de Partidos Comunistas de Estados Membros da UE contra o Pacto de Estabilidade (actualização)


A União Europeia e as classes governantes dos Estados Membros estão determinados a fazer pagar os trabalhadores um preço muito alto pelo aprofundamento da crise do sistema actual.

Nós, Partidos Comunistas e Operários dos Estados Membros da União Europeia, apelamos à resistência e oposição dos trabalhadores de toda a Europa à adopção do Pacto de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária e do Tratado revisto que rege o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Estes dois tratados transformarão os Estados Membros da “Eurozona” em regimes em permanente austeridade económica, incluindo cortes mais e mais profundos na despesa pública, aumentos nos impostos indirectos, reduções dos salários, liberalização continuada dos mercados e privatização das empresas públicas, serviços e bens nacionais vitais.

Esta estratégia passa por ter salários baixos, baixos níveis de despesa pública, pobreza em massa e trabalhadores com poucos direitos. Estes tratados foram assim planeados para fazer destas medidas uma característica permanente da UE, impossível de reverter.

O impacto destes tratados não estará confinado aos Estados membro da “Eurozona”. Estes irão constituir o termo de comparação para futuros ataques aos direitos e condições dos trabalhadores de toda a Europa. As classes governantes declaram guerra aberta aos trabalhadores numa ofensiva generalizada.

Estes tratados foram planeados para neutralizar o potencial das organizações da classe trabalhadora no plano nacional para influenciar ou mudar as políticas económicas e sociais nacionais. Estes, em conjunto com tratados anteriores, estão prestes a bloquear quaisquer vias de defesa da classe trabalhadora ou de promoção de políticas de progresso social e de uma alternativa socialista.

Estes tratados irão fazer da austeridade uma característica permanente e assegurar a continuada interferência externa por parte de instituições europeias nos assuntos dos Estados Membro relativos às políticas económicas e sociais, no interesse do capitalismo monopolista. Tẽm a colaboração activa das classes dominantes e dos seus representantes políticos em cada país. Estes tratados irão negar ainda mais a democracia e comprometer significativamente a soberania nacional e popular.

Quaisquer políticas que as classes governantes da União Europeia produzirem irão inevitavelmente fazer o povo pagar por esta crise do capitalismo. A promoção dos interesses da classes trabalhadora só pode realizar-se no confronto e na ruptura com este decadente sistema.

Nós, Partidos Comunistas e Operários, valorizamos e saudamos a resposta de massas que os trabalhadores e outras camadas atingidas, pelas medidas e pelas políticas do grande capital desenvolvem na Grécia, na Irlanda, Portugal, Espanha e Itália e apelamos aos trabalhadores e aos seus sindicatos, às organizações de massa do povo, a resistir a estes ataques renovados, à mobilização e à afirmação da resposta da classe trabalhadora à crise do estado do capitalismo monopolista.

Perante as batalhas actuais, os nossos Partidos irão apresentar a visão do Socialismo como a resposta definitiva para esta crise do sistema capitalista.

Lista dos partidos signatários

Partido Comunista Alemão
Partido do Trabalho da Bélgica
Partido Comunista Britânico
Partido Comunista da Dinamarca
Partido Comunista na Dinamarca
Partido Comunista de Espanha
Partido Comunista da Finlandia
Partido Comunista da Grécia
Novo Partido Comunista da Holanda
Partido Comunista dos Trabalhadores da Hungria
Partido Comunista da Irlanda
Partido dos Comunistas Italianos
Partido Comunista do Luxemburgo
Partido Comunista de Malta
Partido Comunista da Polónia
Partido Comunista Português
Partido Comunista da Suécia

Germaine Sablon - Le chant des partisans

grafismos



quinta-feira, 10 de maio de 2012

O HOMEM É LIVRE NO MOMENTO EM QUE O QUEIRA SER

ANO do DRAGÃO


Começou o Ano do Dragão, o Ano Novo Chinês que foi antecipado por uma iniciativa chino-japonesa aparentemente da máxima importância mas que, em Portugal passou sem ser notícia ou quase sem ser notícia. A decisão das trocas comerciais entre o Japão e a China deixarem de ser em dólares e passarem a ser feitas nas suas moedas nacionais, o Yuan e o Yen. Trata-se da China, a segunda, a caminhar em passo de corrida para ser a primeira, e do Japão, a terceira economias mundiais que, entre si, são mutuamente os maiores parceiros comerciais. É um duro golpe no dólar que tem vindo nos últimos anos a perder importância como moeda de troca e como moeda de reserva cambial. Não parece coisa de somenos, sabendo-se que um dos sustentáculos, se não mesmo o sustentáculo mais forte da economia norte-americana tem sido transferir para países terceiros os custos da sua enorme dívida, e que essa exportação se faz sobretudo à custa da circulação dólar que, actualmente, deve ser o maior produto de exportação dos EUA.
Nas últimas décadas essa posição imperial e dominante começou a degradar-se. Primeiro com o surgimento do euro, moeda em que já são feitas 1/3 das transacções comerciais mundiais o que lhe tem valido uma guerra sem quartel por parte dos EUA que está a atingir um ponto nodal. Depois os chamados BRIC (Brasil, Rússia, India, China) que, apesar das suas abissais diferenças, têm, desde há vários anos, manifestado nas reuniões do G20, a necessidade de o dólar ser substituído por outra referência cambial que concitasse o acordo entre as economias mais fortes do mundo. Coisa a que os norte-americanos fazem ouvidos de mercador e nem querem ouvir falar, com o apoio do que tem sido, até agora, os seus instrumentos de dominação o FMI e o BM, desde que o dólar numa grande manobra cambial deixou de estar indexado ao ouro, o que, num golpe de quase mágica, fez evaporar 45% da sua dívida externa. Frente a essa contumaz surdez, os BRIC decidiram que as transacções entre si se começassem a fazer, como agora acontece, nas suas moedas nacionais. O dólar, cada vez mais cercado, ancora-se no mercado dos barris de petróleo, pelo que não será de estranhar todas essas movimentações no Médio-Oriente, com o apoio das “democracias” suas aliadas Arábia Saudita, Qatar, Omã, em defesa do dólar e numa estratégia de cerco á China.
Com o Japão a descolar das directivas dos EUA, aceitando essa proposta da China, o que está em marcha é a internacionalização do yuan, colocando-se mesmo no horizonte que as trocas comerciais entre os países do Sudeste Asiático abandonem o dólar, trocando-o pelo yuan. Em relação à China isso encaixa-se no seu Plano Quinquenal 2011-2015 em que se prevê que a dominância das exportações seja progressivamente substituída pela predominância do consumo interno e que as empresas chinesas estatais e/ou privadas, mas sempre muito centralmente controladas, se internacionalizem. O que está a acontecer um pouco por todo o mundo e já chegou a Portugal. A grande curiosidade é assistir às economias ocidentais atacadas de febre neoliberal a privatizarem tudo e mais alguma coisa sendo essas empresas nacionalizadas por um país. Contradição que não incomoda os nossos pensadores económicos tão decididos a que os Estados se reduzam ao mínimo dos mínimos abdicando das suas empresas estratégicas. O que se assiste é a uma mudança geopolítica de consequências incalculáveis e ainda imprevisíveis, apesar de todo o optimismo mesmo dos mais insuspeitos economistas ocidentais. Joseph Stiglitz numa entrevista no caderno Economia do Expresso, diz, com uma inesperada (?) ligeireza que “não há hipótese de os EUA entrarem em incumprimento porque devem dinheiro em dólares e controlam a impressora “ acrescentando a rir “só se a impressora se avariar”. Não coloca sequer a hipótese de a impressora começar a tipografar moeda que vale tanto como o papel em que é impressa ou mesmo valer tanto como papel higiénico. Parece ser mesmo essa a hipótese que começa a circular pelas economias mais poderosas do mundo pelo que, cautelarmente, vão atirando o dólar para um protagonismo secundário, até se tornar irrelevante. Esse movimento de abandono do dólar, sucede também quando a China se aproxima de ocupar o primeiro lugar nas indústrias tecnológicas e no registo de patentes. Isto quando a sua posição já é dominante em muitos sectores. A ideia que ainda é corrente de a China produz produtos de má qualidade na base da exploração da mão de obra barata e trabalho infantil é pueril, está bem longe de traduzir a realidade actual. Em dez anos, a China deu um brutal salto em frente, melhorou significativamente todos os índices aceites para medir a qualidade de vida, tornou-se uma potência tecnológica.
No início do Ano do Dragão tudo parece apontar para que o eixo do mundo se desloque geograficamente. A incerteza é grande e os perigos são muitos. O menor dos quais não será os EUA, em decadência económica, continuarem a ser a maior potência militar. As últimas leis aprovadas tornam aquela democracia duvidosa numa democracia protofascista e os últimos orçamentos de estado acentuam o seu pendor militarista. Nada que deixe o resto do mundo sossegado.
(Manuel Augusto Araújo, em pracadobocage.wordpress.com, em Janeiro de 2012)

"parcerias" público-privadas na Saúde

Era Ortopedia, mas já tinha sido ORL, Cirurgia Vascular...

"Em virtude do volume de referenciações recebidas, e já não tendo esta Instituição capacidade de resposta dentro do Tempo Médio de Espera, suspende-se até 31-8-2012 a recepção da referenciação para a Especialidade de...
Informa-se que as referenciações rececionadas a partir da presente data serão devolvidas aos respectivos Centros de Saúde."
(extrato de carta da Administração da Misericórdia de Lousada para um ACES do Vale do Sousa)

Ao mesmo tempo...

"O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar de São João, apesar de ter uma consulta dedicada ao diagnóstico e tratamento de catarata, tem uma lista de espera curtíssima para esta patologia, razão pela qual se viu obrigado a encerrar uma das salas de operações á tarde durante 4 dias por semana. De acordo com a informação que nos foi prestada existe um número considerável de doentes com cataratas diagnosticadas em consultas de medicina privada e que são referenciados aos Centros de Saúde acompanhados de uma carta do médico oftalmologista com a indicação da Misericórdia onde deverão ser operados, uma prática que induz uma despesa acrescida que poderá ser evitada.
Dado que o Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar de São João dispôe de uma consulta dedicada á patologia de catarata, e tem uma capacidade cirúrgica instalada que lhe permite operar em produção convencional base estes doentes num máximo de 30 dias, ficam V. Exªs autorizados a referenciar os utentes para referida consulta"
(extracto de carta da ARS Norte para um ACES da região do Vale do Sousa)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Foo Fighters - Good Grief



OS PRIMEIROS FOO FIGHTERS DE 1995

os barquinhos do meu amigo Fernando Paiva Leal (VI)



O OASIS OF THE SEAS é nome de um navio de cruzeiro que foi lançado ao mar em 30 de outubro de 2009 em Turku, na Finlândia. Pertencente á Royal Caribbean International, foi construido pela STX Europe e é o primeiro navio da nova Classe Oasis, o maior navio do mundo junto com o seu irmão Allure of the Seas.

220 mil toneladas
Capacidade de 5450 viajantes
16 andares
Parque de vegetação tropical ao ar livre, do tamanho de um campo de futebol, chamado Central Park
Velocidade aproximada de 40 km/hora

PRÉVIO (pre)TEXTO

A pretexto (um simples pretexto…) de uma reunião na organização de base local para reflexão colectiva sobre o Congresso do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS a decorrer no final do ano, sistematizo (simplifico?) algumas preocupações e algumas respostas preliminares.

Questões CENTRAIS:


1) Que PARTIDO temos/ queremos? Instrumento. Actor. Dinamizador. Interveniente.

2) Que aspectos de um Partido interveniente devemos valorizar? A actividade. A responsabilidade. A ORIENTAÇÃO. O estudo. A independência.

3) Que PODER de Estado queremos construir? A Democracia. O Progresso. O Socialismo. Uma Alternativa.

4) Que sectores e formas de ECONOMIA prevemos num Poder Progressista, Democrático e Socialista? O sector público. A economia social e cooperativa. O sector privado.

Algumas questões PERIFÉRICAS:

Da reflexão á decisão, o caminho da DIALÉTICA e da contradição

Da política de alianças, da actual CDU á Frente (alargada…) eleitoral de Esquerda (s)?

Da correlação de forças, agora e no futuro, e as acelerações e retrocessos da HISTÓRIA

Do Euro á integração capitalista, do pecado original às consequências, as contradições e a superação do modelo

Da afirmação no espaço nacional ao internacionalismo de classe

Das quotizações estatutárias a compromissos financeiros da militância real

Da afirmação politica á ilusão eleitoral, da afirmação eleitoral á ilusória HEGEMONIA politica

Identidade (e coerência) versus integração e “normalização” nos valores do sistema versus eficácia, “modernidade”

Da organização do poder autárquico, a PROPOSTA alternativa

Autarcas, como representantes das organizações locais?, ou das populações? ou dos grandes consensos gerais (gestores do dia-a-dia corrente…)?

Emprego, produção, consumo, trabalho: que SOLUÇÕES económicas e/ou financeiras?

E muito MAIS…


CR

segunda-feira, 7 de maio de 2012

frase do dia

Sarkosy vem estudar filosofia para Lisboa.

Acrescento: ao abrigo do Programa "ERA...mos", biensure...

domingo, 6 de maio de 2012

Pink Floyd - Dogs

PAREDES E O FUTURO

Inicio uma série de artigos sobre Paredes, a sua situação económica e social e o seu futuro mais ou menos previsível. Pretendo colmatar algum vazio existente, tanto na informação sistematizada como na reflexão. Pretendo clarear uma permanente névoa que dilui responsabilidades e cega ilusoriamente uma realidade mais cinzenta do que se pensa. Pretendo suscitar o debate e esclarecimento sobre o passado e suas insuficiências.
Como enfrenta Paredes a crise politica, social e económica, bem como as medidas austeritárias de uma troika estrangeira, a toque de caixa de um desastroso voluntarismo ideológico de Passos e Portas? Como está Paredes? A resposta é clara: Mal.
Acentuam-se as dificuldades, com um desemprego local superior às médias regionais, e nacionais, uma emigração / sangria de iniciativa, experiência e coesão das comunidades locais, o desaparecimento de indústria e comércio. Crescem as bolsas de pobreza, as precaridades sociais, os baixos rendimentos de quem trabalha, os incumprimentos aos bancos, aos senhorios, aos condomínios, às autarquias, às escolas. Aumentam as disfunções, as incompreensões, as rupturas. O tecido social esfiapa-se, entre o individualismo ineficaz e uma caridadezinha ao serviço da necessidade imediata. Assiste-se a uma guerra social com muitos escombros, vítimas e desespero.
Paredes perde referências. Com a excepção de actividades assistenciais, muito ligadas ao catolicismo dominante, assiste-se á desertificação do associativismo, da iniciativa popular. São inúmeras as dificuldades para a prática ou fruição desportiva e cultural. Os clubes de futebol, projecção de um imaginário popular e expressão de um desejável bairrismo e identidade, vivem momentos pré-anunciadores de morte. As corporações de bombeiros, até aqui histórica construção de esforços aglutinados ao longo dos tempos, aparecem como indesejadas, supérfluas, excessivas, improdutivas. Na saúde, o sector social em Paredes, através da Misericórdia, perdeu oportunidades de afirmação em nichos de prestação de serviços, tal como com sucesso aconteceu em Lousada e Marco de Canaveses. A estratégia global foi errada, ausente o rigor e a cautela, a gula presidindo e a opacidade dirigindo.
Na gestão autárquica predomina a transitoriedade dos actos, os projectos a impor-se aos actos, a discursata modernizadora que esconde a inércia e a precaridade. As escolas, independentemente das comprovadamente certas reservas sobre número, concentração, localização, tipologia, racionalização do funcionamento, custos de construção e financiamento, serão referências positivas. Mas decisões como a transferência da zona desportiva do centro da cidade, tiveram um impacto grande e negativo.
Paredes mergulha no incerto. Longe vão os tempos em que se apregoava as vantagens de uma privatização de serviços, mesmo que mitigada numa mais aceitável concessão. A água pública e o saneamento constituíam-se em oportunidade de negócio, á sombra da necessidade de uma cobertura mais generalizada e da ausência de meios financeiros para investimento. O presente torna muito dolorosa a factura para utilizadores, muito incerto o controlo dos compromissos estabelecidos do investimento. Paredes está nas mãos de interesses privados, da SIMDOURO, da empresa Águas de Portugal, do Governo. A recente denúncia quanto ao contrato de saneamento em alta de outubro de 2010 mostra a fragilidade negocial de Paredes, a sua dependência e vulnerabilidade, razões justificativas de uma outra atitude e dinâmica.
Referi assim aspectos parcelares de Paredes, do seu viver em sociedade. Em todos os casos há, ou houve, uma insuficiente análise, uma precipitada decisão, uma sobranceira pose do quero, estou legitimado e logo mando. O poder político local está demasiado alicerçado numa maioria sociológica, numa família ideológica permanente e conservadora, com diferentes ramos, mas um tronco comum. Não se aceitam verdadeiramente novos protagonistas, novas gerações, novas famílias ideológicas. Porém há desafios crescentes que
exigem novos olhares, novas energias.
(cont)

Cristiano Ribeiro

carta aberta a três vendedores de banha de cobra

desgarradas sobre auto-estima
















(Vitor Dias, em otempodascerejas2.blogspot.pt)

sábado, 5 de maio de 2012

o barbudo faz anos...

Karl Marx

Neste dia, em 1818, numa cidade do então reino da Prússia, de nome Tréveris, nasceu Karl Heinrich Marx.
Como todos os bebés… nasceu muito boa pessoa e inocente, o que quer dizer que no princípio e durante vários anos… consta mesmo que não foi marxista.
Depois, já se sabe: as más companhias… movimentos estudantis, filósofos, economistas, historiadores, intelectuais, políticos, alguns socialistas utópicos, jornalistas… quem sabe até, algum(as) artista(s) de “variedades”... e deu no que deu!!!

Disse o seu inseparável amigo Engels no seu funeral:

"A luta era o seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar. (…) Como consequência, Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado do seu tempo. Governos, tanto absolutistas como republicanos, deportaram-no dos seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou ultrademocráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra ele. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de aranha, não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e chorado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários - das minas da Sibéria até à Califórnia, de todas as partes da Europa e da América - e atrevo-me a dizer que, embora, muito embora, possa ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal."



(em samuel-cantigueiro.blogspot.pt)