um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 30 de março de 2012

A Naifa - Todo o Amor do Mundo não foi suficiente



A Naifa
Álbum: Três minutos antes de a maré encher, de 2006
Poema de José Luis Peixoto

todo o amor do mundo não foi suficiente
porque o amor, o amor não serve de nada.ficaram só os papéis e a tristeza,
ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
os domingos e as noites que passámos
a fazer planos não foram suficientes
e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
todo o amor do mundo não foi suficiente
porque o amor, o amor, o amor não serve de nada.
sei que nos amámos muito
e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,
não irei negar nunca que te amei.
nem mesmo quando estiver deitada sobre os lençóis de outra
e ela me obrigar a dizer que a amo.
todo o amor do mundo não foi suficiente
porque o amor, o amor, o amor não serve de nada.
todo o amor do mundo não foi suficiente
porque o amor, o amor, o amor não serve de nada.

Barbárie



Estavam ali apenas para matar, salvar não constava da carta de operações, por cada um que matavam o ocidente aplaudia, enchiam-se páginas de jornais saudando os sucessos da nova cruzada em território Líbio.
Algures no mar um barco à deriva com 72 refugiados gritava por socorro enquanto um vaso de guerra ocidental passa tão perto que os seus tripulantes tiveram tempo de tirar fotografias, não pararam apesar dos apelos dos refugiados, nem tão pouco chamaram por socorro para aqueles desgraçados, a carta de operações era clara, era preciso matar.
Cumpriram a missão, em território Líbio continuam a matar-se, anunciam-se intenções de criar vários países dentro do país que já foi Líbia antes de a NATO decidir a sua destruição.
O barco com os 72 refugiados acabou por dar à costa, em território europeu, dentro 63 mortos e 9 sobreviventes. A NATO continua pujante e eficaz, igual ao que sempre foi, uma organização criada para matar.


A história vem no Jornal Guardian.


(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)



notícias da guerra social

O número de imóveis entregues á banca pelas famílias que não conseguem pagar os seus empréstimos é de cerca de 37 casas por dia, 45% dos quais nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto

quinta-feira, 29 de março de 2012

grafismo sobre liberdade de expressão













POEMA

OS CALCETEIROS

Escrevem na rua:
juntam
cuidadosamente
palavras

pegam-lhes
sílaba a sílaba
escolhem, unem,
completam,
tocam
ao de leve por cima
e continuam.

Com o maço
e o suor
assinam.

António Osório

pergunta parlamentar

Assunto: Isenção das taxas moderadoras no caso de incapacidade superior a 60% e para os doentes crónicos
Destinatário: Min. da Saúde

Ex. ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

A isenção das taxas moderadoras por incapacidade superior a 60% continua a gerar muitas dúvidas aos utentes e nos estabelecimentos públicos de saúde. A circular normativa da ACSS nº5 estabelece que todos os atestados multiusos, de modelo anterior ao aprovado pelo Despacho nº26432/2009, com um grau de incapacidade maior ou igual a 60% são válidos até 31 de Dezembro de 2013, devendo até esta data ser substituídos pelo atestado de incapacidade multiusos, de modelo aprovado pelo Despacho nº26432/2009. Como se aplica esta orientação às declarações de incapacidade permanente vitalícia, ao abrigo do Decreto-lei nº202/96 de 23 de Outubro? É uma desumanidade obrigar os doentes crónicos, com atestado vitalício a submeterem-se a nova junta médica, quando as suas doenças são irreversíveis, onerando-os com o custo de novo atestado no valor de 50€. Não é aceitável que o Governo imponha a atualização dos atestados multiusos quando as situações de saúde são comprovadamente definitivas, com custos acrescidos não só para os utentes, mas também para os serviços de saúde pública.
Quanto aos doentes crónicos, o Governo afirmou que em vez estar isento o doente, passaram a estar isentos os atos relacionados com a doença. No entanto os doentes crónicos, fruto da doença que possuem estão muito mais fragilizados, tendo um conjunto de problemas de saúde associados e que necessitam de cuidados de saúde. Esses cuidados não são considerados para efeito de isenção de taxas moderadoras? Importa esclarecer como os profissionais de saúde e os estabelecimentos de saúde devem proceder nestas situações e quais os critérios e orientações que devem ser seguidas. O PCP alertou para a redução da isenção das taxas moderadoras para os doentes crónicos, inclusive denunciando que muitos atos relacionados com doenças crónicas não estavam contemplados, obrigando estes utentes com doenças crónicas a pagarem integralmente as taxas moderadoras.

Ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, solicitamos ao Governo, que porintermédio do Ministério da Saúde, nos sejam prestados os seguintes esclarecimentos:

1. Como se aplica esta circular quando o doente tem uma declaração de incapacidade permanente vitalícia?

2. O Governo vai obrigar os utentes com esta declaração a submeter-se a nova junta médica,com custo de 50€, quando as suas doenças são irreversíveis e permanentes?

3. O Governo está disponível para reconhecer a declaração de incapacidade permanente vitalícia por tempo indeterminado?

4. Que critérios e orientações são adotadas para definir que atos são decorrentes da doença crónica ou não? Vai considerar a isenção das taxas moderadoras para todos os atos associados às doenças crónicas, nomeadamente, consultas de várias especialidades, meios complementares de diagnóstico e terapêutica e tratamentos?

Palácio de São Bento, terça-feira, 20 de Março de 2012

Deputado(a)s PAULA SANTOS(PCP)

quarta-feira, 28 de março de 2012

PJ Harvey - The Glorious Land



ÁLBUM LET ENGLAND SHAKE, de 2011

PORTO








⇓ TOP 10 DESTINATIONS 2012
PORTO, PORTUGAL
VIENNA, AUSTRIA
DUBROVNIK, CROATIA
PRAGUE, CZECH REPUBLIC
BRUSSELS, BELGIUM
BERLIN, GERMANY
BUDAPEST, HUNGARY
LISBON, PORTUGAL
FLORENCE, ITALY
EDINBURGH, SCOTLAND






O Porto foi eleito o “Melhor Destino Europeu 2012” entre 20 cidades selecionadas por um júri da Associação dos Consumidores Europeus, foi hoje anunciado.A votação online decorreu nas últimas três semanas no sítio da Internet do European Best Destination, tendo sido contabilizados mais de 212 mil votos.

texto

OS JESUÍTAS

“Espécie de bolos folhados com recheio, em forma de triângulo isósceles.” (de - O Pasteleiro e a Geometria)

Na fábrica, devido a um atraso na entrega de materiais, dispensaram-na mais cedo. O almoço havia sido magro. Estava cansada, não propriamente uma fatiga física; sentia-se abatida, prostrada, envolta numa preocupação que a apertava, um mal-estar indefinido.
Entrou num café, sentou-se e pediu uma bica para justificar a ocupação da mesa. Apetecia-lhe um bolo, mas preferia partilhar esse prazer logo que o filho chegasse da escola. Tinha que esperar ainda duas horas por ele e ... tanto para fazer em casa!...
Deu por si a mexer o café e, só depois, se apercebeu que se esquecera de o açucarar. Como é costume dizer-se, “não estava lá.” Não!
Procurava encontrar solução para o resto da semana em que muito provavelmente não poderia ir esperar o filho à saída da escola, e também não o deixaria assim ao deus-dará!
Enquanto cismava, reparou numa travessa de jesuítas no balcão-vitrina, brilhantes, apetecíveis. Resistiu à tentação, havia prometido a si mesma esperar pelo filho.
Entretanto, ia tentando lembrar-se de alguém que a pudesse ajudar, mas sem resultado. O marido trabalhava longe, estava a prazo e procurava assegurar o emprego e também não tinha hora certa de saída.
Como? Quem?!
Invadia-a uma grande debilidade, sentiu-se desfalecer. Pensou que fosse fraqueza.
Voltou a olhar para os jesuítas. Porquê jesuítas? - procurava abstrair-se da sua principal preocupação jogando com as palavras – aos bolos poder-lhe-iam ter chamado “loiolas”, “hipócritas” ou “ardilosos”.
Mas a obsessão voltava cada vez com mais intensidade: o banco de horas, o filho e a impossibilidade de o acompanhar à escola e... os jesuítas; os bolos e os outros.
Na mesa ao lado uma senhora lamentava-se: O marido, motorista do senhor ministro, chegava a desoras a casa porque tinha que levar e esperar pelos meninos na discoteca.
Uma necessidade insuportável de respirar fundo e um aperto dorido no peito sufocava-a. Pediu um copo com água sem já ser ouvida; suores frios, sons distantes, um clarão e as trevas.
De imediato, todos se inquietaram com o episódio, ninguém no café deixou de manifestar a sua preocupação, dar os seus palpites, chamar o 112, obrigá-la a beber o inevitável copo de água, lamentar o sucedido.
Solícitos e de consciência tranquila, cada qual levou para casa um episódio que relatou à sua maneira, fazendo jus, certamente, à sua participação no incidente.
Se a algumas das prestimosas criaturas, lhes tivessem dito que este era um dos muitos resultados do pacote laboral, ir-se-iam esgueirando comprometidas, sub-repticiamente, cobardemente porque não há ninguém que se não sinta culpada.
É muito mais cómodo chamar o 112 ou dar um copo de água, sobretudo a alguém que só tem sede de justiça.

CID SIMÕES (em blog aspalavrassaoarmas.blogspot.pt)

noticias da guerra social

Portugal volta a usar candeeiros a petróleo

Com o agravamento da crise, o candeeiro a petróleo está a regressar à casa de muitos portugueses.

"O candeeiro a petróleo caiu em desuso nos anos 60 em Portugal, mesmo nas aldeias mais remotas, onde a electricidade foi um luxo que tardou a chegar. Em pleno século XXI, com o agravamento da crise económica, o candeeiro a petróleo regressa em força a muitos lares portugueses, principalmente nas zonas suburbanas do país", escreve o diário i.
O jornal dá o exemplo de um estabelecimento comercial no centro de Oeiras que "tem vendido ultimamente uma grande quantidade de candeeiros a petróleo". O gerente da loja "explica o inesperado sucesso de vendas de forma lapidar: Encomendo aos 150 candeeiros de cada vez e desaparece tudo".
O jornal assinala que "outro item com muita saída são os sacos de água quente (...). De resto, a própria Organização Mundial de Saúde diz que metade dos idosos portugueses não tem meios para manter as casas quentes."
DN

De Espanha, um bom exemplo. Viva o Rayo Vallecano!

O Rayo Vallecano adere á greve geral
Em El Boletín

O Rayo Vallecano descansa na Quinta-feira e não treinará no dia da greve peral de 29 de Março. Não é a primeira vez que a equipa que dirige José Ramón Sandoval não treina em solidariedade com os adeptos em greve, tendo-o já feito na que foi convocada em 29 de Setembro de 2010 contra o Governo de José Luis Rodríguez Zapatero, com a diferença de que nessa ocasião o Rayo era somente um equipa de segunda e agora é ‘uma da Primeira Divisão’.
Diz Marca que a programação de treinos do Rayo esta semana inclui uma novidade: a equipa de Sandoval descansará quinta-feira, o dia que os sindicatos maioritários convocaram uma jornada de greve geral em protesto com a reforma laboral.
No dia 29 de Setembro de 2010, os jogadores estavam convocados para uma dupla sessão de treino ás 10.30 da manhã e de tarde, como num dia normal, quando um grupo de aficionados do clube, concretamente da claque "Los Bukaneros”, agiram como piquete informativo e pediram ao técnico que a equipa principal não treinasse. Depois de deliberar durante mais de uma hora no vestiário, os jogadores dirigiram-se ao relvado para contactar os aficionados rayistas e comunicar-lhes que não iam treinar por "solidariedade com os seus adeptos”. No que se tornou na única equipa profissional que aderiu ao protesta.

terça-feira, 27 de março de 2012

humor

a propósito das declarações do Papa antes de visitar Cuba...

VÍCTOR JARA - Vientos del pueblo

notícias da guerra social

MULHER ASSASSINADA PELO FILHO DOENTE

… Paulo sofre de esquizofrenia e a família deixou de ter dinheiro para lhe comprar medicamentos. A falta de tratamento pode ter provocado o comportamento homicida.

Segundo soube o JN, Paulo ainda há três meses tinha agredido o pai. Mas a falta de meios do casal _ Lídia era reformada e o marido, Serafim, é pedreiro_ impedia a compra de medicamentos para evitar as violentas crises do filho.

Há uma semana, Lídia tinha estado no centro de saúde local a pedir apoio na compra dos medicamentos para o filho, ou que o internassem. Mas os pedidos foram recusados...

(JN, 27 de março de 2012)

Espanha - Os avanços da verdadeira Esquerda





















Nas Eleições Regionais de Domingo, a Esquerda Unida, coligação do PCE com outras forças de esquerda, obteve resultados assinaláveis. Na Andaluzia, a Esquerda Unida teve 11,34 % dos votos, ganhou 120.000 votos e elegeu 12 deputados regionais, o dobro de anteriormente. Constitui-se assim em força indispensável para assegurar uma solução politica de esquerda, tendo em conta a força relativa de outros partidos (PP com 50 deputados e PSOE com 47).
Nas Astúrias, a Esquerda Unida obtém 13,78% dos votos, elegendo 5 deputados (mais um do que anteriormente). A direita, dividida, é maioritária mas a soma aritmética dos 22, 94 % da FAC (dissidência do PP) e dos 21,53% do PP pode não permitir um acordo político estável.

segunda-feira, 26 de março de 2012

a minha greve pessoal



Porta do Consultório Médico

Fomos poucos (4 em 20) mas valeu a pena.

humor negro

Ao que consta, desapareceram 1,7 milhões de portugueses dos estudos de medição das audições televisivas nos Domingos de Março. Quando confrontado com a notícia, que terá deixado o Governo consternado, o Ministro da Saúde terá respondido, aflito, que a culpa não estava nas medidas da troika mas no maldito vírus da gripe … e o Ministro da Administração Interna assegurou ter visto umas fotografias que desmentem esse desaparecimento.

jornalismo de cócoras

Irlandeses a favor do pacto fiscal europeu, diz o JN de Domingo em título. Na notícia, refere-se que segundo uma sondagem o pacto fiscal europeu reune o apoio da maioria dos irlandeses. Mais abaixo, o jornal refere que 49% dos inquiridos disseram que vão votar a favor do referido pacto.

Conclusão: 49 por cento para o jornalismo do actual JN é a maioria. Ou não será mesmo a totalidade? Percebemos a "neutralidade" da notícia.

De cócoras, se informa o povo, não é?

Wake! Owl - Gold



EP Wild Country, de 2011, dos canadianos Wake!Owl

22 Março 2012 - Porto



As imagens que o Ministro da Administração Interna (não) viu . As cenas tristes da policia no Porto. Ou o fascismo anda por aí.

domingo, 25 de março de 2012

Algumas achegas sobre a Greve Geral

1- O governo fez o papel político que lhe compete enquanto representante e gestor dos negócios da burguesia. As palavras de Passos Coelho separando os que fazem greve dos que “trabalham” não é mais do que a velha ladainha do lema “a minha política é o trabalho”. (Onde é que já se ouviu isto?). Apostado em dividir para reinar, o governo não fez mais do que exercitar o papel típico do Estado burguês de (tentar) desorganizar a classe trabalhadora, colocando trabalhadores pouco politizados e alienados contra os trabalhadores organizados.

2- A polícia também fez o seu papel. Não vou entrar na discussão de quem começou os confrontos, mas desde quando é que, por exemplo, atirar ovos a bancos deverá implicar uma resposta absolutamente bárbara da polícia sobre os manifestantes? Provocada ou provocadora (e todos os indícios expressos apontam claramente para esta segunda), a verdade é que estes actos da polícia só servem para duas coisas. Por um lado, mostrar a quem se manifesta (ou pensa vir a manifestar) “quem é que manda” e, por outro lado, e ainda mais importante, apagar o impacto real da Greve Geral e reduzir as 24 horas sem exploração a um episódio de violência. Também aqui a resposta da polícia recorre ao pensamento clássico burguês: para além deste mundo da mercadoria, o dilúvio e o caos. Se a alternativa construída pela junção de esforços entre os media e a polícia é a violência, portanto, se estas instituições construírem e apresentarem a luta popular como inerentemente violenta e detonadora de caos, a ideia que passa é que mais valeria manter-se o capitalismo pois este ao menos vive à conta da carneirização e da docilização dos trabalhadores… Portanto, se é perfeitamente correcto tentar ganhar agentes policiais individualmente considerados para o lado dos trabalhadores (não existem revoluções operárias em que parte das forças de segurança não tenha mudado de lado) também é bom recordar que a polícia é uma instituição central de repressão. Essa é, afinal, a sua função social e política fundamental: reprimir as lutas populares.

3- Os ideólogos do capital também gostaram de destilar os mesmos argumentos. O exemplo da TVI24, na noite de dia 22, com quatro convidados para comentar a Greve Geral a ver quem malhava mais e sem qualquer existência do contraditório evidencia o estado de completo despudor da comunicação social (ao serviço) da burguesia. Aliás, a inexistência de contraditório é a melhor prova do sucesso da Greve Geral. O ódio ao sucesso de mobilização dos trabalhadores é sempre directamente proporcional ao subsequente silenciamento das suas organizações de classe, no caso a CGTP. Nesse mesmo “debate” um tipo armado ao bajulador e que trocava os rr’s pelos g’s falava sobre o “anacronismo” dos sindicatos – “vivem no século XIX” – e sobre o facto de ouvir as mesmas coisas dos sindicatos desde os anos 80. É para isto que os ideólogos servem: fazer a opinião dos idiotas que os vêem na televisão e que acreditam nas suas palavrinhas. Para estes meninos à procura de migalhinhas e de algum protagonismo mediático que dê sentido às suas vidinhas, a exploração capitalista, o tratamento dos trabalhadores como uma fralda descartável ou a manutenção de uma ordem social assente na ampliação gritante das desigualdades já não seriam anacrónicas…

4- Muito idênticos aos arrazoados dos ideólogos de serviço tivemos os deputados da troika nacional. Destaque para o deputado do PSD que, em resposta às afirmações do Bernardino Soares sobre as coacções realizadas em várias empresas na semana que antecedeu a Greve Geral, espumava e vociferava que o «medo apenas existiria na cabeça» do pobre Bernardino. De facto, é sempre interessante ver a reacção destes tipos quando se lhes confronta com aspectos directamente relacionados com as relações de trabalho. Para os representantes da burguesia as relações de trabalho seria um puro contrato entre iguais. Pelo menos é assim que eles gostam de as apresentar. O que isto nos mostra é que a crítica que a esquerda anti-capitalista desenvolve no quotidiano deve cada vez mais dar conta do totalitarismo inscrito na exploração capitalista: a transformação do trabalhador e de todas as suas actividades numa mercadoria; a verticalização absoluta das relações no local de trabalho entre a massa de trabalhadores e as administrações; o controlo da produção e da alocação da força de trabalho pela burguesia e pelos gestores como se os trabalhadores não fossem mais do que um recurso à disposição da lucratividade esperada pelas empresas; o esmagar de direitos básicos dos trabalhadores. Por conseguinte, a luta nas empresas evidenciando a mecânica interna da exploração é uma necessidade absolutamente crucial para as lutas dos trabalhadores.

5- Apesar de os números da Greve Geral não serem despiciendos para uma avaliação política, o mais importante em QUALQUER actividade de mobilização da classe trabalhadora é o facto de ser uma escola de luta absolutamente essencial para a aprendizagem política dos trabalhadores. A prática solidária e comunitária de luta que a participação numa Greve implica e a compreensão da luta simultânea contra o grande capital e contra os governos ao seu serviço são bem mais importantes para o futuro da luta popular do que saber se participaram 1 milhão ou 1,o1 milhões de pessoas. Dito isto, parece-me que a Greve Geral teve uma amplitude muito relevante (os dados coligidos e apresentados pela CGTP demonstram uma maior participação em várias empresas industriais de média e grande dimensão do que na anterior) e, desde 2002, foi a greve que mais politizou quem nela participou. Até os trabalhadores precários organizados nalguns movimentos sociais começam a falar em termos discursivos mais marxistas do que há uns três-quatro anos atrás: greve geral, trabalhadores, capital, piquetes, etc. Apesar das insuficiências ideológicas é inquestionável a politização das categorias com que estes movimentos começam a ver o mundo. O que mostra que o mais premente no actual contexto de luta contra as troikas FMI-UE-BCE e PSD-CDS-PS é continuar a luta e continuar a unir os vários sectores da classe trabalhadora em torno de uma plataforma de classe. Se a raiz dos ataques das troikas são inquestionavelmente fruto da acção de classe do grande capital para promover o máximo de transferência da riqueza produzida pelos trabalhadores para os bancos e para as empresas, então a resposta só pode ser uma contra-ofensiva da classe trabalhadora que coloque cada vez mais em causa os pilares classistas da dominação do grande capital. Continuemos e amplifiquemos a luta!

João Valente Aguiar (em Blog 5 Dias)

humor negro



POEMA

DEDICATÓRIA A NEGRO

Deram-lhe uma farda,
umas divisas,
uma missão.
Deram-lhe poder,
uma lógica,
uma abstracção.
Deram-lhe um pingalim,
uns óculos escuros ,
uma raiva.
Deram-lhe cinismo
silenciamento,
ignorância suficiente,
para que nunca saiba.

Formataram-no á medida
subordinaram-no á circunstância
embeberam-no de autoridade
reduziram-lhe a memória
anestesiaram-lhe a humanidade

e assim nasceu o autómato
o mastim profissional
o ajudante ao serviço do Capital
solto na rua
á solta na estação de caminho de ferro
cumprindo a ordem de serviço
número tal.

CR

sexta-feira, 23 de março de 2012

NO REINO DA FRACA MEMÓRIA



[TSF, 25/05/2008]
Passos Coelho apelou, este domingo, ao Governo para que desça urgentemente o imposto sobre os combustíveis, a fim de evitar um «colapso económico».
(…) O social-democrata alertou que se o Governo mantiver a «taxa marginal de imposto demasiado elevada vai provocar uma diminuição da actividade económica, que seria contrariada se a taxa do imposto não fosse tão elevada».
(…) Para além dos automobilistas, existem muitas actividades económicas que dependem dos combustíveis», existindo neste momento «um custo económico muito diversificado que está a ser penalizado pela circunstância» dos aumentos dos preços dos combustíveis, adiantou.
(…) Pedro Passos Coelho alertou ainda que a economia portuguesa está a ser muito penalizada pelos sucessivos aumentos dos combustíveis.

[SOL, 14/01/2011]
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, garantiu hoje que o partido vai agir com «mais força e provavelmente de forma inovadora» para acabar com a «distracção» da Autoridade da Concorrência quanto aos preços dos combustíveis.
(…) «Garanto que agiremos com mais força e provavelmente de forma inovadora exigir da Autoridade da Concorrência, que seja verdadeiramente autoridade e que não ande distraída», disse o líder popular à Lusa. Afirmando que é «preciso ir mais além», mas sem especificar qual será a acção «provavelmente inovadora», Paulo Portas precisou que em causa está o «facto verdadeiro, verificável e comprovável: quando o petróleo sobe, os preços em Portugal sobem muito rapidamente, quando desce são muito lentos a descer os preços» no país.
«Todo o sistema está montado, favorecendo os interesses de uma posição dominante do mercado. Nós queremos que o sistema favoreça a concorrência entre as várias empresas, entre quem quer entrar no mercado e sobretudo que proteja o consumidor», defendeu.

(em adargumentandum.wordpress.com)

Era o tempo da desejável "economia de mercado", das 73 bombas de gasolina fechadas em 2010 junto á fronteira, do abastecimento das maiores empresas de transporte em Espanha. Era o tempo do oportunismo. Agora os "distraídos" Portas e Coelho perderam o pio perante as grandes empresas petrolíferas.

quinta-feira, 22 de março de 2012

greve geral

a violência policial ao serviço da AGRESSÃO ESTRANGEIRA


OS COMBOIOS SUPRIMIDOS




A GREVE EM S. BENTO







Na Rua Santa Catarina , no Porto








A agressão á fotojornalista Patrícia Melo, da APN









Trabalhadores da Sakthi, no Porto, em greve

Estação da CP de São Bento, Porto

na primeira linha

Piquete de greve na Estação de S. Bento - Porto






Polícia de intervenção quebrou o piquete da Carris na Musgueira

Intervenção da PSP sobre Piquete de Greve em Oeiras

Manu Chao - La primavera / Me gustas tu

pintura



WASSILY KANDINSKY (1866-1944)


Amarelo - Vermelho - Azul

Óleo sobre tela

1925

quarta-feira, 21 de março de 2012

Amanhã 2




99 Posse, La VIDA QUE VENDRA

noticias da guerra social

Finanças
o défice do subsector Estado quase triplicou, com a despesa a crescer 3,5% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita diminuiu 4,3%, essencialmente devido à redução nas receitas fiscais, que caíram 5,3

Banca
Tribunal de Contas avança com auditorias ao BPN e BPP (DE)

Privatização dos Estaleiros de Viana
Estado não garante todos os postos de trabalho (SAPO)

Estética
A moda das unhas de gel é uma forma de fugir à crise (Renascença)

Ensino
Desemprego entre professores disparou 120% no último ano (DE)

Taxas moderadoras
Cerca de um milhão de utentes pediu isenção por insuficiência económica (Lusa)

amanhã




UM ESTRANHO EMBAIXADOR LILIPUTINIANO



Pavel Petrovskyiy é o embaixador russo no nosso país. Deu uma entrevista ao programa televisivo dominical Sociedade das Nações, da SIC Notícias. Dialogou aí com Nuno Rogeiro. Ficamos a saber algo da politica e da diplomacia russa por parte do funcionário do Kremlin. Petrovskyiy é um fiel incondicional de Putin (provavelmente já foi fiel outrora a outros senhores!). Diplomata desde 1970, viajado por África, está em Lisboa desde 2006.
Quando perguntado sobre a estabilidade interna russa, Petrovskyiy não hesita em referir que a Chechénia está pacificada graças á acção concreta de um caudilho local, que teve a distinta “lata” de patrocinar a obtenção aí nas recentes eleições presidenciais de mais de 100% de votos para Putin em relação aos eleitores inscritos, deixando para o candidato comunista o magnânimo pecúlio de 1 voto.
Quanto ao Daguestão vizinho, aí Petrovskyiy encontra problemas com o desemprego jovem, que contribui para a instabilidade reinante.
Estranha democracia esta, que Petrovskyiy subscreve, baseada em fraudes maciças, pressões ilegítimas, assassinato de opositores, domínio completo dos meios de comunicação social.
Quando interrogado por Nuno Rogeiro, sobre a razão da ausência de Putin dos debates eleitorais com os restantes candidatos, o embaixador respondeu que Putin se fez representar nos referidos debates porque os “outros candidatos não trazem nada de novo” sendo alguns desses candidatos repetentes em eleições presidenciais. Ficamos assim a saber que Putin era a novidade, sucedendo a Medvedev, que por sua vez sucedia a Putin… Estranha novidade!
A Russia merecia outra política externa e outros responsáveis. Não tem valores nem princípios. Mas de cócoras certamente continuará a perder peso negocial, importância estratégica, capacidade de afirmação. Os seus actuais responsáveis só se preocupam em manter o poder, e dele obter provendos e regalias. Petrovskyiy é liliPUTINiano por natureza e circunstância.

segunda-feira, 19 de março de 2012

U2 - Red Hill Mining Town



DO EXTRAORDINÁRIO ÁLBUM "THE JOSHUA TREE", DE 1987

CHOCADO

Segundo alguma imprensa, o sr. Primeiro-Ministro terá ficado chocado com o facto do Secretário-geral do PCP ter referido que a política de saúde deste governo está a provocar “a morte antecipada de muitos portugueses, particularmente de idosos”.
Sr. Primeiro-Ministro não está chocado com o facto de terem morrido tantos portugueses idosos nos últimos dois meses, devido ao frio, à má alimentação e à falta de medicação?
Não o choca que haja hospitais públicos que não têm material necessário para poderem fazer o atendimento devido aos doentes? Até as compressas acabaram, Sr. Primeiro-Ministro num dos Hospitais!
Não o choca que se diga que os hospitais já vêm aumentados as listas de espera para cirurgias que poderão, em muitos casos, ser salvadoras de vidas?
Não o choca saber que há doentes que estão a faltar às consultas por não terem dinheiro para pagar as taxas “financiadoras” que implementou neste País? Sim, financiadoras, pois, como deverá saber, o valor que o Estado paga por consulta aos Hospitais Públicos é já inferior ao que o doente paga de taxa.
Não o choca pensar que naquilo que o seu eficiente Ministro da Saúde apresenta com tanto orgulho como sejam as poupanças nos medicamentos, possa haver uma parte significativa que corresponda a doentes crónicos que deixaram de comprar os medicamentos que necessitam?
Não o choca saber que morreu uma doente, primeira vítima da “eficiência” do seu Ministro da Saúde que mandou extinguir em finais de Dezembro de 2011 o Serviço de Prevenção de Cardiologia da Unidade Hospitalar de Chaves?
Não o choca saber que a taxa de suicídios em Portugal subiu quase para o dobro? E que por cada 1% de subida de desemprego, a taxa de suicídios cresce 0,8%?
Não o choca saber que há um autêntico caos na urgência psiquiátrica do Hospital de S. José onde estão em risco a segurança dos doentes e dos profissionais de saúde?
Não o choca ter sido recusado um tratamento a uma doente com cancro, tratamento que custa 100€? E que estas decisões podem muito dever-se à lei dos compromissos que irá causar uma maior retracção na forma de tratar dignamente doentes?
Será que não o choca saber que 2 em cada 5 crianças são pobres? O que significa que as suas famílias também o são?
Não se choca com o desemprego que está a provocar a sua política e que tem levado a uma constante degradação das condições de vida e ao empobrecimento de milhares de famílias?
Será que não o choca saber que há mulheres trabalhadoras que são despedidas por serem mães?
Não o choca que haja cada vez mais pobres neste País, mesmo trabalhando?
Pois bem, Sr. Primeiro-Ministro, não o vou injuriar afirmando que desconhece tudo isto e o muito mais que se poderia ainda acrescentar.
O Sr. sabe e os trabalhadores e o povo deste Portugal sacrificado também o sabem.
Sim, sabem. E de tal modo o sabem que para lhe evitar um enfarte de miocárdio com tanto choque vão dizer-lhe na luta tenaz e constante: Basta. Vá-se embora mais os seus “eficientes” ministros.

(Anita Vilar, em pracadobocage.wordpress.com)

HÁ 3 DIAS ÚTEIS QUE UMA GRÁVIDA SE DESLOCA DE MANHÃ CEDO AO CENTRO DE SAÚDE DE FELGUEIRAS PARA OBTER CONSULTA. NECESSITA ENTRE OUTROS CUIDADOS DE VER TRANSCRITOS EXAMES ADEQUADOS (ANÁLISES E ECO). MESMO ESTE TIPO DE ACESSO, PRIORITÁRIO, TEM SIDO NEGADO. CHOCAAAAAAAADO!

humor

uma boa noticia

José Ramos Horta foi preterido nas escolhas presidenciais do povo timorense. É uma boa noticia.

O amigo dos americanos e de toda a direita mundial, o instrumento (não único) das petroliferas em Timor, perdeu em toda a linha. Pode concretizar aquilo que sugeriu numa visita a Paredes - pedir asilo politico em Portugal quiçá um dia.


Para além do incómodo, seria justo para Timor...libertar-se de uma peça tão infecta.

greve geral 2

domingo, 18 de março de 2012

a economia dia-a-dia

Os lucros da EDP em 2011 atingiram 1,1 mil milhões de euros. A EDP vive como um oligopólio á custa do orçamento. Mexia recebeu 3,1 milhões de euros em 2010 em remuneração e prémios

António Borges, ex vice presidente da Goldman Sachs, ex director do departamento europeu do FMI, consultor externo do Governo nas privatizações e na renegociação das parcerias público-privadas, foi convidado para Vogal não executivo na Administração da Jerónimo Martins. Passos Coelho não vê a incompatibilidade ou conflito de interesses. Imaginemos que a Jerónimo Martins ou a sociedade “holandesa” Francisco Manuel dos Santos quer comprar acções da Brisa. Borges vende e Borges compra. A retalho, clarinha a “ética” do negócio.

A privatização da TAP e dos Aeroportos vai servir a British / Iberia ou a Lufthansa. Madrid agradece.

de “Quando os lobos uivam” de Aquilino Ribeiro...

“… … Governo para o aldeão é sinónimo de Estado e de tudo o que dá leis, uma quadrilha de olho vivo. Já lhes levavam coiro e camisa em contribuições, tributos, posturas, alcavalas de vária ordem, e vinham ainda esbulhá-los da serra! Hoje a serra, amanhã, por uma razão análoga, corriam-nos de casa para fora. Ah! cachaporra dum santo! O que todos queriam era viver á custa da barba longa, mãos brancas com bons anéis, bom automóvel, amigas para o gozo e criadas para todo o serviço que vinham buscar aos viveiros da plebe, cabritos gordos que se criavam nos ferregiais, e trutas que eles serranos estavam proibidos de pescar nos seus rios. Que maiores carrascos e ladrões!?

Esta era a noção que tinham do Governo. O Governo não era formado por um corpo de homens bons e sábios, com função directiva, reguladora e distribuidora dos bens comuns, e atentos á promulgação e defesa do direito? Qual o quê? Bandoleiros das encruzilhadas e gorgulhos silenciosos das arcas e larvas da carne é que eles eram!

-Morram! – rouquejava a voz irosa pelas vielas das dez aldeias… …”

Porto / Rui Veloso - Porto Sentido



Rui Veloso - Porto Sentido

Nota: O poema de Carlos Tê é uma bela declaração de amor à cidade do Porto.

Quem vem e atravessa o rio,
junto à Serra do Pilar,
vê um velho casario
que se estende até ao mar.

Quem te vê ao vir da Ponte
és cascata sanjoanina
erigida sobre um monte,
no meio da neblina,
por ruelas e calçadas,
da Ribeira até à Foz,
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

Esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria.

Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento,
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento...
e é sempre a primeira vez,
em cada regresso a casa,
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa.


Notas interpretativas
- "Serra do Pilar- elevações frontais ao Porto, na outra margem do rio, junto às quais foi lançada a Ponte Luis I.
- "(a) Ponte"- a Ponte Luis I.
- "cascata sanjoanina"- espécie de presépio, montado por altura das festas de S.João, tipicamente constituído por uma estrutura em degraus com uma imagem do patrono na plataforma mais alta. Tradição ainda viva semelhante à tradição lisboeta, hoje quase desaparecida, do trono de S.António.
- "a Ribeira"- zona típica do Porto, junto ao Douro, parte do Centro Histórico.
- "rosto de cantaria"- humanização das fachadas de granito cinzento característico do Porto.
- "de quem mói um sentimento"- de quem guarda para si um sentimento.
- "nessa altivez de milhafre ferido na asa"- imagem de orgulho na adversidade

sexta-feira, 16 de março de 2012

Yann Tiersen - La Valse d'Amelie

salazar revisitado em dois instrumentos de negócio




Chouriças «Salazar»

A Câmara Municipal de Santa Comba Dão anunciou esta semana que vai registar e explorar a marca “Salazar”. Trata-se do uso comercial, por parte da autarquia, do nome de uma figura ditarorial e fascista a quem chamam, carinhosamente, “um filho da terra”, mas a quem outros chamam, realisticamente, “um filho da puta”.
O tintol a produzir chamar-se-á “Memórias de Salazar”, tendo o presidente da Câmara tido o apurado sentido de oportunidade de agendar o seu lançamento para o verão, “já que é uma altura em que o concelho recebe os emigrantes”. É da maior das oportunidades esta decisão, sublinho, visto que dessa forma aqueles que Salazar obrigou a emigrar, ou a fugir, poderão agora regressar livremente ao seu país, brindando e dando vivas a quem os deportou, ou, por outras palavras, a quem condenou o país a um tal estado de miséria na qual esses mesmos emigrantes se recusaram – vá se lá saber porquê – a viver.
Já está decidido que o produtor desse afamado vinho será alguém da região, visto que, diz igualmente o autarca em declarações ao JN, “Salazar foi também um produtor de vinho da região”. Lógica não menos brilhante esta, e que podia muito bem ser seguida por outras artes ou artífices. Porque não se lembraram disto antes os agentes funerários deste país, ou os marmoristas especializados em lajes sepulcrais, já que Salazar foi também um produtor de mortes de toda a nossa região?
Mas o que não está decidido ainda, ao que parece, é a forma da garrafa e do rótulo, que deverá contar, segundo uma vez mais sua excelência o presidente da câmara, “alguma coisa da História deste período”. Não sei se a garrafa virá vazia, agrilhoada e magrinha como os corpos que sobreviviam à História desse “período”, mas cheira-me que o rótulo será um bonito, ainda que falso, rendilhado, colorido e propagandístico, bem à imagem hipócrita de um país desgraçado, analfabeto e miserável, todavia com pompa e circunstância auto-proclamado “alegre na pobreza”.
Mas além do vinho há “outros produtos ‘Salazar’ na calha”, e de entre os quais eu destaco particularmente os enchidos de porco. Ora, dentro desta lógica de associação entre produto e homenageado, e levando em consideração que talhante de profissão, que se saiba, Salazar não foi – embora tenha sido carniceiro; e que criador, cortador ou vendedor de gado suíno também não consta das suas biografias, parece-me de um exagerado mau gosto que um “filho da terra” esteja desta forma a ser directamente associado a um animal da família dos suídeos. Imagine-se o diálogo nas tascas de Santa Comba: “Bebe lá este vinho porque Salazar também foi produtor de vinho.” E depois, outro alguém sugerirá: “Come esta chouriça que Salazar também foi um porco”. Parece-me, apesar de tudo, de muito mau gosto.
Para terminar este artigo em beleza, nada como citar, uma vez mais, o senhor que foi democraticamente eleito para presidir ao município de Santa Comba Dão. E diz ele, mantendo o brilhantismo – já lhe sai naturalmente… – que “Salazar é uma marca que tem de ser explorada sem fantasmas e reservas morais, dando um nome conhecido aos produtos da região. Compete à História fazer julgamentos e não a nós”. Podia alguém mal-intencionado entender isto da seguinte forma: “explorar Salazar sem fantasmas nem reservas morais” será branqueamento e revivalismo fascista, aliás condenado pela Constituição Portuguesa; “dar um nome conhecido a produtos da região”, pode ser ridículo e comercialmente contraproducente tendo em conta as razões pelas quais o nome do ditador se tornou “conhecido”; e o facto de achar que é da competência “da História fazer julgamentos e não a nós [os do presente]” poderá ser considerada uma expressão absurda e anedótica, além do facto de poder ser já a própria atitude dos autores da iniciativa em si mesmo um julgamento, que nada mais fará do que branquear ou purificar a imagem de um fascista, opressivo e doentio ditador.
Mas isso seriam balelas de detractores e de “democratas” – esses estafermos – que aliás acharão que “exorcizar fantasmas” significará “expulsar” ou “esconjurar” defuntos. Nada disso, senhoras e senhores. Ensina-nos o mestre autarca que “exorcizar fantasmas” é precisamente recuperar espíritos de defuntos, reavivá-los, ressuscitá-los, homenageá-los ou enaltecê-los em marcas e rótulos que apelem ao consumo. Como se vê, estamos sempre a aprender. E venha de lá essa chouriça do porco de Santa Comba Dão que está na hora do lanche…

(Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com)

texto

A mentira, a manipulação e o preconceito

Num programa diário de televisão foram ouvir transeuntes comuns. Este tipo de declarações vale o que vale, já sei, mas lá que vale alguma coisa, vale. Perguntava-se às pessoas se já haviam sentido a crise. Registou-se uma unanimidade concludente. O português médio anda atordoado com os impostos, com as taxas moderadoras, com o aumento de tudo o que é indispensável ao viver corriqueiro. Agora, está a cortar na alimentação. Uma professora revelou que come um exíguo pequeno-almoço, uma segunda refeição tardia e, à noite, nicles!, um chá "para aquecer o estômago." A história dramática daquela professora não é, infelizmente, única. E é bom que repitamos, para governo nosso e memória futura, estes factos que estão, lenta e cruelmente, a corroer o que a nação possui de mais importante: o povo. Quem tem acesso à comunicação geral não pode, nem deve escamotear a realidade nem calar a voz das suas indignações. A tendência para a banalização dos acontecimentos encontra sempre respaldo no silêncio ou na negligência dos "media.
"No mesmo programa a que me refiro, uma outra senhora, que disse ser funcionária pública, e estar, "diariamente, a contar os tostões para tentar sobreviver", não escondeu o desespero e a revolta ao afirmar: "Não sei o que nos está a acontecer. Dizem que gastámos acima das nossas possibilidades! Mentira, mentira! Nunca dei por isso. Sempre tive pouco dinheiro. Agora, estou a pagar por uma crise que não provoquei, e nem sequer sei do que se trata." Estas expressões tornaram-se vulgares. E, de facto, ninguém explica o que, rigorosamente, aconteceu, para que Portugal e outros países europeus sejam culpados de crimes que não cometeram, e os seus povos esmagados pelo peso de um pagamento de que não são credores.

As origens deste descalabro não podem ser unicamente apontadas à especulação financeira. O capitalismo está mergulhado numa crise que será sangrenta se as forças progressistas se lhe não opuserem. O projecto neoliberal não é, somente, político-económico: é ideológico, e tende a transformar o pacto social num tapete onde uma casta limpa os pés. Ainda há dias, o antigo primeiro-ministro grego Papandreu, vaticinou que Portugal seguia o mesmo caminho da Grécia, não se dera o caso de se unir esforços, no sentido de inverter a tendência para a miséria. Ouvimos o político grego, procedente de uma distinta família, cultural e politicamente de Esquerda, e fazemos comparações com os discursos oficiais portugueses, que só nos conduzem ao espanto. Quando Passos Coelho nos adverte que vamos empobrecer para, depois, nos reerguer, a declaração só pode suscitar dois sentimentos: de repulsa e de cólera. Ainda por cima é a admissão da incapacidade de combater a propensão: um fatalismo medíocre e cabisbaixo, muito a ver com as "teorias" e os "princípios" do salazarismo. Pobrezinhos mas honrados.

Poucos temos que nos defendam destas atrocidades. O próprio dr. Cavaco, em acentuado declínio, e em estação de ajustes de contas menores, não está à altura dos problemas que enfrentamos, tanto mais que parece apoiar as coisas que o Executivo pratica. O PS é o que é, para ser o que sempre foi. Um partido "de poder", sem curar de constituir uma alternativa, e sempre preocupado com a "alternância." António José Seguro parece um realejo, sem ideias inovadoras, e desprovido do carisma de que, apesar de tudo, os chefes partidários precisam, por imposição do "marketing" e dos novos modos de cativar pessoas.

O PCP e o Bloco de Esquerda cumprem o seu papel de partidos contestatários e de travão aos desmandos do poder. Dir-se-á que pouco podem fazer; talvez. Mas muitas coisas estariam pior não fosse a intervenção deles. E também constituem forças morais e éticas num período da História em que, parece, esses valores e padrões soçobram, ante as investidas actuais. Não é necessário ser comunista ou bloquista para se compreender a natureza de certos partidos. E o preconceito ideológico, sabiamente organizado e dirigido, prejudica, inclusive, o conhecimento dos factos e as verdades históricas. Até quando?


Baptista Bastos

quinta-feira, 15 de março de 2012

4uatroAoSul - As Filhas da Rosa

isto anda tudo ligado!

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, accionista da Jerónimo Martins, propôs hoje o alargamento do conselho de administração da empresa de nove para 11 membros, com a entrada do economista António Borges e do responsável financeiro Alan Johnson como vogais.
Este é um dos pontos que o accionista Sociedade Francisco Manuel dos Santos pretende incluir na assembleia-geral da Jerónimo Martins, agendada para 30 de Março.
António Borges, antigo director do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), vai liderar uma equipa governamental que funcionará no âmbito da Parpública para acompanhar as privatizações, de acordo com uma entrevista do primeiro-ministro ao semanário Sol em Fevereiro.


Banda Bassotti- Figli della stessa rabbia

SÓ PODE SER ERRO!!!!




As sondagens que importa esconder.

14 de Março de 2012 por Bruno Carvalho (blog 5 Dias)


Se é certo que as sondagens valem o que valem e que muitas vezes a arquitectura estatística condiciona resultados para construir artificialmente o que se chama opinião pública, não é menos verdade que há estudos que não se divulgam. Ora, vejam esta pesquisa realizada pela Marktest durante o mês de Fevereiro e que teve escasso interesse da comunicação social. Para aumentar os gráficos, basta clicar na imagem.

Aqui, entre os inquiridos, a CDU é objecto da maior subida na intenção de voto (de 6,1 para 9,3 por cento). O PSD tem uma queda vertiginosa de quase sete por cento (de 37,6 para 30,2 por cento). O PS sobe ligeiramente (de 25,2 para 25,9 por cento) e o CDS (de 4 para 3,9 por cento) bate-se com o BE (de 7,7 para 6 por cento) pelo último lugar.

Este gráfico mostra como Cavaco Silva, o Presidente da República, é pela primeira vez o pior político para os inquiridos. Recebe ‘apenas’ 23,6 por cento de opiniões positivas sobre o trabalho que tem desenvolvido.

Entre os líderes partidários, os inquiridos, pela primeira vez desde que me lembro, avaliam Jerónimo de Sousa com a melhor nota. Recebe 32,6 por cento das preferências.

quarta-feira, 14 de março de 2012

um imbecil cartoon e um imbecil titulo do Expresso



Os parasitas do "Dzzzzzzemprego" no olhar sempre mordaz do nosso cartoonista Rodrigo (Expresso, no Facebook)


EXEMPLO DE JORNALISMO RASCA!

Erik Satie - Trois Gymnopédies

a avençada do senhor Soares dos Santos ou a empregada do "Pingo"...a dar a cara pela pinga



ReservaZita



Os vinhos anunciados estão longe de ser excepcionais, mas pelos vistos também não envergonham ninguém. Nem Zita Seabra, a antiga dissidente comunista reconvertida a bolseira da Jerónimo Martins - embora há muito se saiba que a vergonha não é um dos seus atributos. Ex-antifascista, ex-estalinista, ex-comungada e futura ex-neoliberal, a eclética e atlética figura ocupa agora o lugar de destaque na mais recente campanha publicitária do Pingo Doce.
A antiga dirigente comunista mostra assim que, apesar do que dizem as más línguas, não faz mais do que continuar a seguir os ensinamentos do extinto presidente da debelada União Soviética – pois não foi assim há tantos anos que Mikahil Gorbátchov nos revelou inauditos dotes de verdadeiro artista num anúncio da Pizza Hut.
Não é esta, aliás, a razão principal por que Zita Seabra pertence ao género sub-humano dos maleáveis, espécimes caracterizados por exibirem uma total falta de pudor aliada a uma aura de infinita competência em todas as áreas do saber. Os mais velhos de nós, e muitos dos outros, lembram-se do empenhamento que teve na luta pela descriminalização da IVG, na década de 80 do século XX, e do à-vontade como, vinte anos depois, foi uma feroz opositora da sua liberalização.
Pelo caminho geriu o cinema português, cometeu alguns livros e publicou outros mais. Desempenhou o seu papel no circo da pequena política e foi devidamente recompensada. Cavaco até lhe deu uma ordem da liberdade. Só não deixou fruto que se visse.
No PCP ou fora dele, Zita Seabra nunca foi uma personagem que particularmente me interessasse. Mas tinha um passado honroso, assim pelo menos me foi dado apreciá-lo. Quando se zangou e bateu com a porta porque afinal o sol da Terra não nascia em Moscovo, também não me impressionei. Como já tinha chegado a essa conclusão muitos anos antes, não dei grande valor à leva de perestroicos que por esses dias se gerou no PC: salvo algumas muito honrosas (e ainda assim bastantes) excepções, a maioria deles não era gente de bem.
Com Zita também não me enganei, e isto não chega sequer a ser um juízo de valor. Não estranho tanto a, eventualmente legítima, alteração radical do seu percurso de vida, mas sobretudo o modo como ela se envergonha agora do seu passado e tenta apagá-lo, da própria memória e da dos outros.
Esse é o destino dos «arrependidos», uma outra sub-espécie que para mal dos nossos pecados ocupa desde há muitos anos as posições de maior relevo da vida pública portuguesa.
Para Zita, pronto, pode ser o início de uma grande carreira vitivinícola. Os tempos vão de feição, que isto da maneira que anda só lá vai com alguma decilitragem. E o Pingo Doce é, tudo indica, a grande reserva de Zita. Nazdrovia, então, que hoje paga a senhora


(em viriatoteles.net)

Artigo 21.º | ONDE ESTÁ ENTÃO A DEMOCRACIA?

terça-feira, 13 de março de 2012

Próximo!

Deu "choque" com a EDP e não só...

Com estes a coisa pia um bocado mais fino. Então agora que os chineses meteram cá o guito é que os rendimentos haveriam de baixar? Está cara a energia? Está e vai continuar a estar. O todo-poderoso Mexia não ia à bola com o secretário de Estado da Energia que se estava a armar ao fino e queria diminuir a renda dos tubarões da energia. Deu faísca e Henrique Gomes foi mandado borda fora impedido de mexer num só fusível que fosse.
O homem nem as pensava quando apenas há seis dias afirmava que “o sector energético é sustentável economicamente, não necessitando de subsídios ou incentivos, devendo eliminar-se os lucros excessivos” e que queria “controlar e eliminar, até 2020, o défice tarifário que resulta da remuneração excessiva à produção de energia em Portugal”.
O que tu foste dizer...
Agora que por lá se instalou Catroga, Celeste Cardona e os chinocas é que que a coisa ia mudar? Podia não. Ao mesmo tempo até dá jeito, não tarda nada e o ministério da Economia vem abaixo, mete-se o Álvaro na OCDE, Gaspar vai arrumando a casa à sua maneira. Cristas que se cuide, digo eu que não sou de intrigas...
Próximo!

(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)