um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

grafismos da Brigada Victor Jara










álbuns, autocolantes, cartazes

UMA PRESENÇA SUFOCANTE (dentro e fora de grades)

Hoje foi dia do PSD. Não sei se oficialmente há o Dia do PSD na república lusa. Mas estou certo que devia haver. Para dias como o de hoje. Os telejornais dos vários canais televisivos, os noticiários das várias emissoras radiofónicas, disso nos dão conta: do PSD, dos militantes do PSD, das políticas do PSD.
Fala-se de justiça e de quem se fala? Do militante do PSD Isaltino Morais, preso um dia e solto outro dia, condenado a dois anos de prisão por crimes praticados á frente da Câmara de Oeiras, como o de fraude fiscal e branqueamento de capitais. O ex. magistrado do Ministério Público, que chegou a Ministro do Ordenamento do Território de Barroso “levou” 1,32 milhões de euros para a Suíça e Bélgica, usando a “fabulosa” história de um sobrinho emigrante taxista. Inocente, coitadinho, com obra á vista, sublinham os anónimos do costume, …quem nunca pecou, quem nunca roubou, que atire a primeira pedra e criminoso não ocupa cargo público, não rouba o Estado.
Fala-se de justiça e de quem se fala? Do militante do PSD Duarte Lima, antigo líder da bancada parlamentar do PSD, o único acusado de um crime de homicídio na pessoa de Rosalina Ribeiro ex. companheira e herdeira de Tomé Feteira. O advogado, dirigente do PSD, deve 3,5 milhões de euros ao BPN e portanto “muniu-se” de principescos ordenados na defesa dos direitos de herança. Inocente, coitadinho, com obra e formação católica á vista, lapsos e mentiras em processo de investigação, e uma arma de fogo. Útil.
Fala-se de justiça e de quem se fala? Do militante do PSD e conselheiro de Estado Alberto João Jardim e da sua monstruosa dívida que já vai em 6,3 milhões de euros, 123% do PIB regional. O esperto Jardim que despende milhões de euros com um jornal diário propagandístico distribuído gratuitamente, em conluio com a diocese do Funchal. O monstro.
Fala-se de justiça fiscal e de quem se fala? Da performance de Gaspar e do Governo PSD/CDS/ Cavaco, dos 8,3 % de deficite no 1.º semestre em relação ao PIB, dos 7,7% do 1.º Trimestre e do compromisso com a troika estrangeira dos 5,9%. O PSD, com “obra” á vista, conduzindo-nos para o abismo.
E para acabar o dia (do PSD, relembra-se) a notícia da presença de Mário Soares a inaugurar um Centro Escolar num município do PSD, neste caso em Paredes.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

poemas

A ÚNICA SABEDORIA

Toda a crença
pressupõe uma pretensa sabedoria
revelada.
Eu quero-a conquistada
dia a dia.

Armindo Rodrigues

PREFERIR O NEBULOSO...

Preferir o nebuloso ao evidente,
por ser feio o evidente e belo o nebuloso,
é um defeituoso gozo
de doente.

Armindo Rodrigues

SEMEARÁS O VENTO

semearás o vento
o trigo a sede

sentirás o grão
amadurecer
ao longo do teu corpo

escutarás no teu peito
o largo silêncio
da seara

colherás outro tempo
uma romã
uma fonte

semearás o vento
com o amor
que cria a tempestade

Rui Namorado

grafismo

humor



Lordelo e o rio Ferreira




Ontem, a sessão da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira ficou marcada pela presença de um grupo de lordelenses liderado por Miguel Correia, deputado da CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo e fundador da associação ambientalista Moinho.


O deputado de Lordelo, no período destinado ao público, dirigiu-se a Pedro Pinto, o presidente da edilidade pacense, para o acusar de “desrespeito para com o povo de Lordelo” e transmitir a indignação e revolta dos lordelenses, em relação às descargas efectuadas pela ETAR de Arreigada, a jusante da levada do Souto.


Este local de grande beleza paisagística é frequentado por centenas de pessoas, especialmente no Verão. Por isso, Miguel Correia convidou Pedro Pinto a visitar este local e a percorrer as margens do rio Ferreira, em Lordelo, a fim de perceber a dimensão do problema – os detritos que provocam a mortandade dos peixes e os cheiros nauseabundos –, que está a deixar a população e todos os amantes do rio “à beira de um ataque de nervos”.


Questionou ainda sobre a disponibilidade e a eventual existência de projectos por parte da Câmara Municipal de Paços de Ferreira para resolver este problema que existe há mais de 15 anos.


Na resposta, o presidente pacense disse que “respeita muitos Lordelo e os lordelenses” e que aceita o convite para visitar o rio em Lordelo, lembrando que, no ano passado, já percorreu as margens do rio Ferreira juntamente com presidente da edilidade paredense, Celso Ferreira, onde pode constatar o problema.


Fez depois uma resenha histórica do problema e afirmou que, apesar das melhorias alcançadas e dos relatórios ambientais demonstrarem que a ETAR cumpre a lei, reconhece que a poluição continua a existir e que afecta a população.


Revelou que tem projectos para resolver o problema e mostrou-se disponível para mostrar e discutir com os representantes do povo de Lordelo.


O assunto da poluição do rio Ferreira, em Lordelo, foi aproveitado pelos deputados municipais da oposição para lembrar a Pedro Pinto que a poluição do rio Ferreira também existe em território de Paços de Ferreira e que o edil pacense tenta “justificar a Lordelo o injustificável” e que “já ouvimos esse discurso que não resolveu nada”.


À saída da sessão, Miguel Correia, em declarações à imprensa, afiançou, que apesar de ter sido positivo a disponibilidade manifestada pelo presidente pacense, não ouviu nada de novo e espera que os projectos com vista a resolução do problema sejam concretizados de forma célere, porque os” lordelenses estão fartos de levar com a porcaria dos outros”.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A FARDA E O IDEAL

O Chefe da Igreja Católica, o Cardeal D. José Policarpo, soltou o verbo e num ápice fez jorrar uma torrente de considerandos que ilustram um pensamento profundamente reaccionário e perigoso. Estou certo que daí resultou um incómodo, uma perplexidade que atingiu crentes e não crentes, políticos e gente comum, instituições e consciências várias. Do alto do seu direito indiscutível á expressão livre das suas ideias, o seu desempenho só pode ter uma avaliação: o Sr. Cardeal vive num mundo conceptual afastado da realidade, marginal a princípios e valores cristãos, e alheio ou alienado das consequências da crise e sofrimentos sociais.

Quando o Sr. Cardeal afirma que o seu antecedor, não directo, o Cardeal Cerejeira, era um homem superior, brilhante, a sua avaliação é contrária ao rigor histórico e á apreciação da apagada e vil tristeza do salazarismo, regime político que Cerejeira serviu e dele foi um pilar importante, atrelando a Igreja a essa experiência histórica. Não faltando na Igreja Portuguesa outros exemplos mais eloquentes de uma acção bem mais positiva, como a de D. António Ferreira Gomes ou do Padre Abel Varzim, lamenta-se o elogio, que nos recorda e sublinha pecados políticos no século passado por parte da hierarquia religiosa.
Mas o revisionismo conceptual de D. José Policarpo estende-se ao presente. E nele encontramos as seguintes frases:

“não queremos nem pensamos que sejam possíveis soluções estruturais para a crise”

“não podemos imaginar sistemas políticos e sociais para sair desta crise”

“a função dos portugueses é dizer mal dos governos. Não pode ser”

“…na política directa como ela é feita hoje, em que ninguém sai de lá com as mãos limpas”

São expressões gravíssimas mais próprias de um aventureiro demagogo e populista ou de um chefe religioso fundamentalista. A “pré-política” de D. José Policarpo no fundo é a defesa de um Estado Confessional, dotado de verdades imutáveis, condicionador de alternativas, e alicerçado numa superioridade moral que resulta de um fermento doutrinário inspirado pela Igreja.

São expressivas as referências a um lado “certo” do mundo, o lado “luminoso” da História, em contraponto ao lado “escuro”, “maldito”. Por momentos sente-se ainda o sopro militante da igreja espanhola na Guerra Civil. A Igreja de Policarpo não se alia aos pobres, aos fracos, aos injustiçados, aos criadores de um mundo melhor. A Igreja de Policarpo traz a Troika, nacional e estrangeira, para os altares, templos e adros, dá-lhes as boas vindas e lança um programa de resignação, conformismo e mobilização. É pena. A farda fica-lhe mal. Mas o combate far-se-á.

SOB O LEMA DA IMPUNIDADE, UMA PROPOSTA SEM ESCRÚPULOS

O Governo quer que as empresas fiquem isentas de informar a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) do mapa do horário de trabalho e dos acordos de isenção de horário entre empregador e trabalhador. Assim informava o JN.
Sob o lema do estudo de medidas em matéria de “Competitividade e Crescimento” e com o pretexto da “simplificação” das relações entre a ACT e as empresas, o Governo advoga a dispensa de entrega à ACT do regulamento interno de empresa prevista no Código do Trabalho.
Basta assim segundo o Governo que o empregador ouça a Comissão de Trabalhadores ou na sua falta as comissões sindicais quando da sua elaboração. Até porque “o envio do mapa não assegura a integridade do documento nem o escrupuloso cumprimento do mesmo, facto que apenas uma acção inspectiva no local de trabalho pode acautelar” (fim de citação do Governo).
Percebemos agora as respostas recentes da ACT aos requerimentos apresentados pelo PCP na Assembleia da República relativas às condições de trabalho em empresas de mobiliário de Paredes e Paços de Ferreira. Eram escandalosamente evasivas e parciais.
Afinal a ACT está totalmente ao serviço do Governo, e ao serviço dos interesses de classe de empresários sem escrúpulos… e prova-se a completa falácia que constitui a Concertação Social.

fotografia

Minta & the Brook Trout - Large amounts



De PORTUGAL...

grafismo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

cenas da exemplar "democracia" russa



Com o fim da União Soviética, nasceu a exemplar "democracia" russa, tão elogiada pelo Ocidente, tão "colaborante" com o(s) imperialismo(s). Jugoslávia, Kosovo, Iraque, Afeganistão, Líbia foram (e são)crises em que a "democracia" russa interviu com uma cínica presença.

De salvoconduto.blogs.sapo.pt retiramos:
A crise financeira na Rússia


Cada país, cada povo, cada pessoa tem o seu modo peculiar de encarar a crise e também a tem relativamente à forma como a discute, que o digam Alexandre Lebedev e Serguei Polonsky, ambos são multimilionários russos que fizeram fortuna pela via mais simples, a mafiosa.

Participavam num debate no canal da televisão Russa NTV. Aí ficou uma amostragem dos métodos que os conduziram à fortuna.

O mais "valentão", Alexandre Lebedev, tem um currículo invejável, formou com Gorbatchov em 2008 o Partido Democrático Independente, é detentor de 30% da companhia aérea Aeroflot, 44% da "Ilyushin Co Finanzas" uma das maiores construtoras de aviões e partes significativas da Sberbank, Gazprom, United Energy System.

É dono do jornal russo Novaya Gazeta, mas também dos jornais britânicos London Evening Standard, The Independent, Independent on Sunday e a companhia Evening Press Corporation, para lá de uma ampla carteira de propriedades que inclui uma cadeia de hotéis em toda a Europa.

Claro que tudo isto foi obtido com o suor do seu rosto, melhor dizendo, das suas mãos, que no início da ascensão tiveram de apertar muitas vezes o gatilho.

Mas atenção, que não seja ingrato, deve muito a Gorbatchov...

Aguaviva - Poetas Andaluces



Aguaviva - Poetas andaluces (1975)

O FRACASSO DO EURO (2.ª PARTE)



Este foi claramente o caso Português, onde o modelo económico assentou (e assenta) nos baixos salários e na re-exportação, a par da progressiva desindustrialização e liquidação do sector primário substituída por uma terciarização económica, assente em sectores de baixo valor acrescentado. Em 2010, a produção industrial em Portugal encontrava-se ao nível de 1996. Entre 2001 e 2010, já sobre os auspícios do Euro, a produção industrial nacional recuou 14,1%. Na Grécia, a contracção foi maior, 20,4%. Na Espanha, foi de 14% e na França a contracção foi de 6,4%. O que mais uma vez indica, que o Euro fortaleceu o imperialismo alemão face a outros imperialismos, nomeadamente o francês.

Fica muitas vezes por dizer que o dito ganho competitivo da Alemanha deveu-se sobretudo à estagnação do crescimento dos salários reais dos trabalhadores alemães durante a última década.

Aqui, o Euro não falhou, cumpriu o papel para o qual foi criado. O Euro foi e é um instrumento fundamental, ao serviço da exploração do trabalho e da restauração das condições de rentabilidade do capital. O Gráfico 2 é disso elucidativo. Em termos médios anuais, na Alemanha, os lucros líquidos cresceram 81 vezes mais que os salários reais. Em Portugal cresceram 4 vezes mais e na Zona Euro 7 vezes mais. Paralelamente, os custos unitários do trabalho reais, em termos médios anuais, tiveram uma redução de 0,5% na Alemanha e 0,1%, quer em Portugal, quer na Zona Euro. Isto tendo já em conta a recessão mundial de 2009, onde a Zona Euro teve um recuo no produto de 4,1%, afectando por isso a produtividade do trabalho (produto por pessoa empregada).

Mas é talvez mais significativo ter em conta os valores acumulados da década do Euro. Entre 2001 e 2010, os lucros do capital alemão aumentaram 41,7%, enquanto os custos unitários do trabalho reais tiveram uma redução 4,6%. O mesmo se passou na Zona Euro, onde os lucros aumentaram 35,8%, enquanto os custos unitários do trabalho reais tiveram uma redução de 1,1%. Também em Portugal, onde os lucros cresceram na última década 25,6%, por conta de uma redução dos custos unitários do trabalho reais de 1,3%.

Este é um instrumento que o grande capital "europeu" não quer perder, mesmo face às rivalidades inter-imperialistas existentes, inclusive nos países que compõem a Zona Euro. Aliás, um instrumento para o qual as principais organizações do capital "europeu", a Business Europe (confederação patronal europeia) e a ERT (mesa redonda dos industriais europeus), deram um importante contributo na sua criação e sustentação.

As zonas e a integração

Sendo central a questão do papel do Euro e do seu enforcer, o Banco Central Europeu, para a redução dos custos unitários do trabalho, a verdade é que existiam em paralelo outros objectivos com a criação do Euro. Logo à partida, aliás como noutros saltos da chamada construção europeia, o aprofundamento da integração em termos económicos contribuía sempre para uma maior integração política, num processo contínuo de aprofundamento vs. alargamento da União, como forma de resolver os bloqueios e as crises do processo de integração e "limar" as contradições em torno do poder e a da repartição de ganhos e perdas. O Euro, uma das pedras lançadas pelo Tratado de Maastricht, reforçava assim o caminho da integração que veio a ser cumprido, no essencial pelo Tratado de Lisboa.

Uma unificação monetária, a capacidade de emitir moeda que é uma das componentes da soberania de um Estado, criava as condições objectivas para reforçar as componentes da constituição de um efectivo governo económico. Logo em 1997, é criado o Pacto de Estabilidade, impondo o processo de condicionamento da política orçamental e fiscal dos países participantes, em paralelo, mais tarde, com a Estratégia de Lisboa (agora apelidada de Estratégia 2020), impunham-se novos constrangimentos, com programas de execução e orientações traçadas ao nível comunitário, ao nível da liberalização de sectores estratégicos na área das comunicações, energia, transportes e dos serviços, das reformas ao nível do mercado de trabalho e nas áreas sociais, assim como da financeirização da economia.

Até o agora aprovado e em curso "Semestre Europeu", que no fundo coloca todas as áreas da política de um Estado, no crivo da decisão comunitária. Tornando-se assim um constrangimento absoluto a qualquer modelo de desenvolvimento endógeno que um Estado preconize. Obviamente, não para todos, mas de acordo com a dimensão e poder do Estado em causa, pois o que se aplica aos pequenos e médios países, não se aplica aos grandes, como se demonstrou com o incumprimento do Pacto de Estabilidade, por parte da Alemanha e da França em 2005.

É claro, que em torno da União Política e de uma União Económica e Monetária, havia também a criação de uma zona de influência do Euro, que rivalizasse com a do dólar, dando cobertura às necessidades comerciais do capital "europeu", garantindo ao Euro um papel de reserva mundial. A única questão é que ao contrário da zona de influência do dólar (que continua a dominar os principais mercados de matérias-primas), que tem no seu centro os Estados Unidos disposto a funcionar como consumidor e devedor de último recurso, no caso do Euro existe uma Alemanha que assume um papel inverso. Num contexto de um quase inexistente orçamento comunitário que representa cerca de 1% do produto da UE, vinte vezes inferior ao orçamento federal dos Estados Unidos.

Surgem aqui as contradições inter-imperialistas. Está disposta a Alemanha, o capital alemão, a assumir o seu papel na zona de influência do Euro, obviamente implicando assumir perdas e partilhar ganhos? E será isso suficiente? Pois a questão não é tanto se o Euro aqui falhou, mas sim o facto do capital alemão saber que o Euro mesmo assim vale mais do que o Marco como instrumento de classe ao seu dispor. Sendo certo que sem intervenção para acudir aos crescentes desequilíbrios macroeconómicos, o Euro corre riscos de implodir ou de a Zona Euro ficar mais reduzida.

A questão é que mesmo tendo o Euro cumprido o seu papel, no caso europeu, a verdade é que este não foi suficiente para responder à crise sistémica em que o capitalismo continua mergulhado – uma crise de rentabilidade, uma crise de sobre-acumulação de capital sob todas as formas, onde o sistema capitalista mundial vai (sobre)vivendo de episódio de crise em episódio de crise. Sustentado artificialmente em "montanhas" históricas de dívida e de capital fictício, sem qualquer cobertura, sem uma retoma efectiva do processo de valorização do capital. E claro, afectando e moldando o próprio papel instrumental da integração capitalista europeia.

O "Pacto para o Euro mais", decidido no Conselho Europeu de Primavera a 24 e 25 de Março de 2011, mostra sem rodeios para que serviu e serve o Euro – reduzir os custos unitários de trabalho. A austeridade imposta pelo Euro, por via de uma política monetária restritiva e do(s) PEC(s), serve o propósito estratégico de restaurar as condições de rentabilidade do capital, por via do incremento da exploração do trabalho, num contexto de uma crise sistémica.

O Euro foi e é uma "declaração de guerra" aos trabalhadores dos países da Zona Euro e de toda a UE. Uma década de desvalorização social e de desemprego crescente assim o demonstra. Apesar das contradições, a integração capitalista reforça-se criando mecanismos de constrangimento absoluto, elevando o patamar da ofensiva de classe em curso.

A emancipação dos trabalhadores portugueses, e dos outros trabalhadores dos países que constituem a UE, passa pela tomada de consciência de que não existem saídas no actual quadro que não passem por uma ruptura com as políticas vigentes, pela necessidade de derrotar o instrumento de classe que é a UE, de fazer retornar aos Estados os instrumentos de política económica, monetária, orçamental e cambial e pôr no domínio público os sectores estratégicos que permitam alavancarem o desenvolvimento económico dos países, ao serviço dos trabalhadores e dos povos. Ter consciência que só a luta de massas e a elevação do grau de organização da luta poderão derrotar a ofensiva em curso. Tendo presente que os tempos das inevitabilidades e das irreversibilidades acabaram e que os tempos são de oportunidade, tendo em conta as contradições inter-capitalistas. Hoje, como ontem, o que é necessário é que os trabalhadores e os povos tomem nas suas mãos a afirmação do seu destino, liberto da exploração. O combate ao Euro, às orientações que lhe dão suporte e às políticas que viabiliza, é parte indissociável desta luta mais geral.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

GRAFISMO

Nirvana - Lithium

A ALEMANHA DEVE À GRÉCIA 95 MILHÕES DE DÓLARES DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL?

No debate sobre a possível bancarrota do Estado Grego, um argumento muito latente ressurgiu com frequência crescente: os prejuízos generalizados infringidos pelo regime Nazi durante a II Guerra Mundial implicam que a Alemanha ainda deve á Grécia grandes indemnizações de guerra.

Embora as reivindicações para pagamento de danos estejam baseados em factos muito reais, pode-se argumentar que no decurso de 60 anos, essas queixas foram satisfeitas segundo as leis internacionais.

O que está em causa? Sem serem provocados, a Wehrmacht - o exército do 3.ºReich- invadiu a Grécia e a Jugoslávia em 6 de Abril de 1941. Em ambos os países, impuseram um regime de ocupação brutal. Como era comum nas nações europeias invadidas pelos Alemães, o alto custo da ocupação foi suportado pelo país ocupado - e a economia grega foi pilhada por exportações forçadas.

Isto resultou em inflação galopante e uma diminuição radical do nível de vida para os Gregos. Para além disto, o Terceiro Reich forçou o Banco nacional Grego a emprestar á Alemanha de Hitler 476 milhões de marcos sem juro.

Depois da rendição Alemã, as forças aliadas organizaram a Conferência de Paris para as Indemnizações no final de 1945. A Grécia desmantelada reclamou 10 biliões de dólares, metade da quantia total de 20 biliões de dólares que os Soviéticos sugeriram que a Alemanha pagasse.

O sofrimento causado á Grécia pelos Nazis é incontestável. Todavia ao mesmo tempo, o sofrimento humano não pode ser realmente medido. Historiadores independentes concordam unanimemente que os danos económicos totais sofridos pelos gregos como resultado da ocupação alemã, tanto em valores absolutos como proporcionalmente á população, põe a Grécia no 4.º lugar, depois da Polónia, da União Soviética e da Jugoslávia.

Na Conferência de Paris sobre Indemnizações, a Grécia concordou finalmente numa indemnização material alemã de 4,5% e 2,7% em outras formas de indemnização. Praticamente isso significa que a Grécia recebeu sobretudo bens materiais_ como máquinas da Alemanha Ocidental_ valendo aproximadamente 25 milhões de dólares, que hoje em dinheiro corrente seriam 2,7 biliões de dólares.

Contudo as directivas da Conferência de Paris eram irrelevantes pois os estados unidos opuseram-se a sanções económicas pesadas. Os líderes dos Estados Unidos relembraram o que aconteceu depois da Primeira Guerra Mundial, quando a primeira democracia alemã, a República de Weimar, foi enfraquecida economicamente por ter de pagar as indemnizações. De facto, uma das consequências desta política foi a ascensão de Hitler.

O acordo dos quatro aliados
É por isso que nos termos do Acordo da Dívida em Londres em 1953, o pagamento de indemnizações foi suspenso até que um tratado de paz fosse assinado. O que aconteceu em 1990, que não exigiu o pagamento de novas indemnizações pela Alemanha para outros países como a Grécia.

A Grécia aceitou o tratado, embora claramente tivesse pouca alternativa. Depois de décadas de parceria com a Alemanha (a Grécia é membro da NATO desde 1952 e associada ás instituições europeias desde 1961), seria politicamente difícil exigir grandes indemnizações – embora o assunto da reparação fosse periodicamente levantada pelos políticos gregos, mais para consumo interno.

E até agora pagamentos foram feitos ao longo dos anos_ em diferentes alturas e em diferentes fatias_ cerca de 41 biliões de dólares desde 1949, embora dada a variedade de acordos que foram alcançados, é difícil dizer com toda a certeza.

Independentemente de todas as outras reivindicações a República Federal da Alemanha pagou indemnizações compensatórias às vítimas individuais de crimes nazis. Em 18 de Março de 1960, um acordo entre a Grécia e a Alemanha Ocidental estipulava que a Alemanha pagaria 115 milhões de marcos alemães às vítimas gregas da ocupação nazi. O acordo estipulava que mais nenhuma reivindicação de danos individuais seria aceite.

Contudo reivindicações dos descendentes das vítimas gregas continuam. O caso mais conhecido foi feito pelos filhos dos residentes de uma vila chamada Distomo que foram mortos em 10 de Junho de 1944, no que os alemães chamaram de “acção retaliatória”. Em 1997 receberam o veredicto de que tinham direito. Depois de muita disputa legal, o caso está no Tribunal Internacional de Justiça de Haia.

Outra questão legal que irrompeu relaciona-se com os 476 milhões marcos alemães emprestados contra vontade á Alemanha pelo Banco Nacional Grego durante a guerra. Se isto fosse considerado como uma forma de prejuízos de guerra, seria em princípio assunto de indemnização _ excepto se de acordo com o tratado de 1990, a Alemanha não o tivesse de pagar. Se o dinheiro fosse considerado crédito normal, então a Grécia teria direito ao retorno do dinheiro.

Sem juros, a soma ascenderia hoje 14 biliões de dólares. Com juros a 3% em 66 anos, atingiria pelo menos 95 biliões de dólares. O problema é o seguinte: mesmo só o reconhecimento parcial de uma tal dívida criaria um precedente que traria reivindicações enormes no seu rasto

(em DIE WELT, reproduzido na TIME)

Tradução: C.R.

boa malha para o sr. Cardeal!

Ó senhor Policarpo... ninguém? Mesmo, mesmo ninguém?!

O facto de o chefe da Igreja Católica portuguesa dar entrevistas em que puxa a brasa à sardinha da sua facção dentro do cristianismo, como se sabe, um negócio multimilionário, não é assunto que me convoque por aí além. Se fosse esse o caso, teria que me debruçar criticamente sobre cada declaração dos dirigentes das muitas religiões que existem por esse mundo fora, desde as pequenas seitas mais ou menos excêntricas, às grandes religiões, algumas delas, como se sabe, bem mais antigas e com muito mais seguidores do que o cristianismo, mesmo considerado no seu todo, que engloba o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo, este, dividido em várias denominações... mais uns tantos “independentes” que pretendem ser seguidores de Cristo, mas não se reveem nas Igrejas.
O facto de o chefe da Igreja Católica portuguesa vir dizer que o «memorando com a troika é para cumprir», aproveitando para declarar que a função dos portugueses não é dizer mal dos governos... não traz rigorosamente nada de novo.Sendo assim, a única frase da entrevista de “sua eminência” que mexeu comigo, foi a sua canhestra tentativa de sublinhar a “excelência moral” da sua igreja, por contraste com “a política”, de onde, segundo o douto Cardeal, «ninguém sai de mãos limpas».

Poderia dizer que se trata de demagogia populista e barata para cavalgar a onda da crise financeira, económica e política.

Poderia dizer que se trata de uma declaração vesga, mentirosa, intelectualmente desonesta, arrogante, preconceituosa, abjecta, fascizante... mas não digo.Digo apenas que, já que “sua eminência” parece gostar de generalizações, dar-me-ia imenso gozo ver a sua reação se alguém lhe dissesse na cara que todos os membros do clero são pedófilos... exceptuando aqueles poucos que andam a fazer filhos às paroquianas.Mas não. Também não serei eu a dizê-lo.

Não aprecio as generalizações.

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

domingo, 25 de setembro de 2011

desenho (inédito) de Álvaro Cunhal


surripiado em anonimosecxxi.blogspot.com

A água é de todos e não negócio de alguns!



(Paulo Macieira, Ilda Figueiredo, Ricardo Costa)













Ontem, a Associação pelo Desenvolvimento do Lugar de Bustelo, em Recarei (Paredes), foi o local escolhido para a realização da sessão pública “A água é de todos e não negócio de alguns”, com a participação de Ilda Figueiredo, deputada comunista no Parlamento Europeu. Além da eurodeputada, a mesa dos oradores foi constituída por Paulo Macieira, membro da Comissão Concelhia de Paredes do PCP, e Ricardo Costa, eleito da CDU na Assembleia de Freguesia de Recarei.

Paulo Macieira abriu a sessão lembrando que a água é um bem essencial à vida, e por isso, não deve ser alvo de privatização. Recordou que o abastecimento de água no concelho de Paredes é da responsabilidade da empresa multinacional Veolia por um período de 35 anos, resultado da decisão do PSD, com o apoio do PS e do CDS na Assembleia Municipal. Esta concessão, que teve o voto contra da CDU, levou ao aumento dos preços da água e ao desinvestimento na rede de distribuição. Além disso, o dirigente do PCP denuncia a pressão por parte da Veolia para acabar com o abastecimento de água às populações por parte das Juntas de Freguesia e das Cooperativas que ainda existem em Paredes.

Esta crítica foi reiterada por Ricardo Costa, afirmando que os lugares de Bustelo e de Terronhas na freguesia de Recarei deparam-se com problemas de falta e má qualidade da água, devido ao desinvestimento e ao desleixo por parte da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Paredes, que abdicaram da sua obrigação de resolver os problemas de abastecimento e de saneamento. Para este dirigente comunista local, esta situação pode ser perigosa, na medida em que as populações, por desespero, podem aceitar que a Veolia tome conta do abastecimento e distribuição da água.
Na sua qualidade de deputado da CDU na Assembleia de Freguesia, tem sido incansável na denúncia desta situação e apelou a todos para participarem nas sessões da Assembleia de Freguesia e manifestarem ao Executivo as suas inquietações.

A eurodeputada comunista, recorrendo à sua vasta experiência política, revelou que não conhece nenhuma localidade onde tivesse melhorado o abastecimento de água às populações por via da concessão privada. A privatização da água leva à subida dos preços e ao desinvestimento na manutenção e qualificação da rede de distribuição. Além disso, também fora de Portugal, há muitos países que não aceitam qualquer tipo de privatização da água, como é o caso da Holanda, que tem uma lei que proíbe expressamente a privatização deste bem público.

Respondendo às questões e preocupações manifestadas pelo público presente, a eurodeputada afirmou que são as populações que têm que reivindicar junto das instituições as soluções para os seus problemas. Além da necessidade de mudança de voto nas eleições, a participação nas sessões das Assembleias de Freguesia ou nas Assembleia Municipais é fundamental para que os governantes sintam os problemas que afectam as populações. Recordou também que existem fundos europeus disponíveis para a exploração, abastecimento e distribuição da água, que só por incúria não são solicitados por parte da autarquia.

O FRACASSO DO EURO (1.ª Parte)

por Pedro Carvalho (Economista)

A verdade é que as promessas feitas a 2 de Maio de 1998, quando foi aprovada a lista dos 11 países fundadores da Zona Euro, não vieram a concretizar-se.
Afirmava-se que o Euro traria taxas de crescimento económico elevadas, na Estratégia de Lisboa apontava-se mesmo para taxas de crescimento do produto de 3% ao ano, mas na verdade o crescimento médio anual foi apenas de 1,1%, entre 2001 e 2010.
Afirmava-se que o Euro traria um forte crescimento do emprego, contribuindo para a redução dos elevados níveis de desemprego verificados na União Europeia (UE), mas o que se verificou foi um crescimento anémico, em termos médios de 0,6% ao ano, com uma taxa de desemprego média de 8,7% e que, em 2010, voltou novamente aos dois dígitos, ultrapassando os 10%, ou seja, quase 16 milhões de desempregados na Zona Euro.

Os desequilíbrios macroeconómicos agravaram-se, o que pode ser constatado nas disparidades crescentes dos saldos das balanças comerciais entre os países que compõem a Zona Euro (ver Gráfico 1), com a existência de países "importadores líquidos" e, por isso devedores, com um nível de dívida crescente, como Portugal, e de países "exportadores líquidos" e, por isso credores.

De acríticos muitos passaram a reconhecer as consequências da política do Euro forte, sobretudo imposta pela Alemanha desde o início, na perda da dita competitividade da UE, nomeadamente da sua periferia e particularmente dos denominados "países da coesão", como Portugal. Passaram a reconhecer as dificuldades de uma união económica e monetária, com as consequências decorrentes da aplicação de uma política monetária comum, a países com profundas disparidades nos níveis de desenvolvimento económico e social e, por isso mesmo, com necessidades de políticas diferenciadas ao nível monetário e cambial.

E havendo aqueles que apontam o risco de implosão do Euro, o terreno do "falhanço" está pejado dos federalistas mais convictos que, omitidos pela supremacia alemã, retornaram ao sonho da unificação política da Europa – uma moeda, um Estado, um governo económico. E, como não podia deixar de ser, retornaram aos "pais fundadores" e aos grandes líderes de outrora. Retornam também as teorias do núcleo super-integrado, defendendo mesmo a "expulsão" das economias mais débeis e periféricas da Zona Euro.

Também existem aqueles que reconhecem a necessidade de os Estados retomarem nas suas mãos os instrumentos de política económica, monetária, orçamental e cambial, defendendo que os países por sua própria iniciativa devem sair da Zona Euro, numa saída negociada com compensação financeira.

Mas o certo é que sem reconhecer o Euro e a União Económica e Monetária como instrumentos de classe não podemos compreender o papel que o Euro teve nesta década e muito menos responder à questão sobre se o Euro falhou. Em termos económicos, todos sabiam à partida que a Zona Euro não era uma Zona Monetária Óptima, nem uma inevitabilidade decorrente de necessidades económicas objectivas, da evolução das forças produtivas. O Euro foi e é uma decisão política, uma opção do grande capital "europeu", no contexto da integração capitalista no quadro do processo de classe que constitui a UE.

O instrumento de classe

O Euro e a União Económica e Monetária têm que ser enquadrados na resposta do capital à crise de rentabilidade que o sistema capitalista mundial atravessa. O Euro foi parte da resposta do capital "europeu", transpondo as orientações do denominado "Consenso de Washington" que caracterizou a resposta do capitalismo à crise nos últimos 20 anos.
Por detrás do objectivo único da política monetária – a dita estabilidade dos preços, encontra-se o objectivo, hoje cada vez mais claramente assumido e repetido, de reduzir os custos unitários do trabalho, ou seja, tornar a evolução dos salários dependente da evolução da produtividade, o que é o mesmo que dizer garantir a transferência dos ganhos de produtividade do trabalho para o capital, contribuindo para a aumentar a taxa de exploração e com ela garantir sustentação das taxas de lucro.
O Euro criava assim o quadro propício para a "moderação salarial", pois retirando aos países a política monetária, cambial, mas também a orçamental e a fiscal, por via das obrigações decorrentes do Pacto de Estabilidade e dos seus programas – os PECs, os únicos factores de ajustamento a choques económicos recaem sobre os salários e o emprego, ou melhor dizendo, pela desvalorização dos salários e o aumento do desemprego. Obviamente, o aumento do desemprego é a arma estratégica por excelência do capital – o exército de reserva, para "disciplinar" o trabalho e "moderar" o crescimento dos salários.

Mas com o Euro acentuou-se também a liberalização dos movimentos de capitais e, consequentemente, o grau de mobilidade do capital multinacional que opera no mercado interno europeu, reduzindo os custos de internalização e internacionalização do capital. As próprias deslocalizações, quer no interior na UE, quer para países terceiros, juntam-se ao desemprego para "disciplinar o trabalho". Ao mesmo tempo, a redução ocorrida das taxas de juro não só contribuiu para reduzir os custos de refinanciamento do capital e sustentar artificialmente as taxas de lucro, mas para estimular crédito junto também da classe trabalhadora, permitindo acomodar desvalorizações dos salários por conta do endividamento, o que em si mesmo corresponde a um acentuar da exploração do trabalho, agora também por via do pagamento de juros ao capital financeiro.
Ao mesmo tempo, a mobilidade do capital põe também em concorrência as forças de trabalho dos diferentes países. Com a redução dos custos unitários de trabalho a ser o móbil incentivador da concorrência inter-capitalista, quer ao nível nacional, quer estrangeiro, pela obtenção de maiores quotas de mercado, ou seja, pela apropriação e centralização da riqueza produzida pela força de trabalho "comandada" por outros capitalistas. Um "jogo de soma nula", que como mostra o Gráfico 1 para a Zona Euro, tem ganhadores e perdedores, decorrentes do desenvolvimento desigual do capitalismo.
Sendo de sublinhar, neste contexto, os ganhos evidentes do grande capital alemão, sobretudo o financeiro, com o Euro. Com Alemanha a assumir excedentes comerciais por conta dos défices e o endividamento de outros países, como Portugal.
O excedente comercial intra-comunitário alemão aumentou 172,3%, entre 2000 e 2007, e mesmo em 2009, apesar da recessão, o excedente comercial ascendeu a 70,5 mil milhões de euros, representando quase 42% do PIB português desse ano. Por seu lado, em simetria, países como Portugal viram o seu défice comercial intra-comunitário agravar-se no mesmo período 23%, a Grécia 34,2%, a Espanha 105,9% e, até França, teve um agravamento do seu défice de 208,2%. Talvez também aqui se explique que, apesar das aparências, o eixo franco-alemão que conduziu o processo de integração capitalista europeia, seja já só alemão.
Estes números também são demonstrativos da desindustrialização dos países ditos da "Coesão" e do papel a que estes foram votados no interior da UE. Por um lado, de consumidores, para escoamento da produção excedentária – quer bens transaccionáveis, quer bens de produção, quando não mesmo armamento, do centro da UE. Por outro lado, fornecedores de mão-de-obra barata para servir os interesses de divisão da cadeia de valor do capital multinacional, numa enorme rede de subcontratação. Por isso os fundos estruturais e de coesão foram essenciais, servindo os interesses do capital alemão e associados, da mesma forma que o Plano Marshall serviu o capital norte-americano.

sábado, 24 de setembro de 2011

Adriano Correia de Oliveira /José Niza - O Senhor Morgado



Homenagem singela a José Niza (1938-2011)- médico, político, músico, poeta, produtor musical

O Senhor Morgado
(letra de Conde de Monsaraz, música de José Niza)

O Senhor Morgado, vai no seu murzelo
Todo empertigado, é um gosto vê-lo.
Próspero anafado, véstia alentejana,
Calça de riscado, homem duma cana.

Vai, todo se ufana, de ir tão bem montado.
E ela da janela, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado,
Seja Deus louvado.

O Sr. Morgado, vai nas próprias pernas
Todo bambeado, tem palavras ternas.
Para cada lado, quando passa sente,
Que é temido e amado, fala a toda a gente.

Topa um influente, sou um seu criado.
Eleições á porta, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado,
Seja Deus louvado.

O Sr. Morgado vai na sege rica
Todo repimpado, ai que bem lhe fica.
O Chapéu armado e a comenda ao peito,
E o espadim ao lado, que homem tão perfeito.

Deputado eleito, muito bem votado.
Vai para o Te-Deum, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado,
Seja Deus louvado.

INSTRUMENTAL

O senhor Morgado vai na sege rica
Todo repimpado, ai que bem lhe fica.
O Chapéu armado e a comenda ao peito,
E o espadim ao lado, que homem tão perfeito.

Deputado eleito, muito bem votado,
E ela da janela, eleições à porta
Vai para o Te-Deum,
Seja Deus louvado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

a verdade esquecida

grafismo


é a Primavera líbia, estúpido!

por Helena Borges (Blog 5 Dias)

A mãe, a irmã e as filhas, Yam e Aden, de Afaf Gaddafi tinham o apelido do coronel, como todos os membros da tribo Gaddadfa. Tentaram fugir da Líbia e sobreviver ao apelido, mas não conseguiram: foram fuziladas por um pelotão rebelde. Yam tinha vinte meses e Aden tinha três semanas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pois, pois, em 2016 ...

Previsões à Lagarde(re)

No Público de hoje, uma desenvolvida notícia arranca assim: «Em 2016, já não vamos ser o país da União Europeia que vai crescer menos, nem teremos o pior défice orçamental dos 27 países da região. O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra-se confiante nos resultados do programa de ajuda externa e, nas suas novas previsões, coloca Portugal a crescer mais que a Alemanha e várias outras economias europeias daqui por cinco anos. Mas nem assim o país conseguirá recuperar os postos de trabalho perdidos durante a crise financeira e económica de 2008-2009 e durante a crise da dívida actual.»

E depois de ter listo isto, só tenho vontade de desabafar assim:

1. Não seria melhor o FMI e outras instituições internacionais deixarem-se de tantas previsões que, pelo menos desde 2007, têm tido falhanços tão espectaculares, sempre explicados pelos surpreendentes humores dos «mercados» e pela sua extrema volatilidade?

2. Imaginarão a srª Lagarde e outros génios da economia mundial que os portugueses que deitam diariamente contas à sua amarga vida e nunca viram o mês sobrar tanto e os salários chegarem tão pouco esboçam ao menos um meio-sorriso de esperança ou consolação quando lhe vêm dizer que daqui por cinco anos (6o meses) Portugal vai crescer mais que a Alemanha ? (e mesmo que assim viesse a ser, qual seria o excepcional significado disso tendo em conta que Portugal partiria de um ponto muito baixo ?).

3. Se a gente como a srª Lagarde e o pessoal do FMI & Cia. restasse um pingo de humanismo deviam então era reconhecer a estupidez e a barbaridade destas receitas que trazem no seu bojo a radiosa promessa de que, nem daqui por 5 anos, recuperaremos os níveis de emprego anteriores à crise.

4. Por fim, porque raio é que havemos de levar a sério as previsões do FMI, do BCE, da UE e tutti quanti se estas instituições não quiseram propositadamente levar a sério as advertências e previsões de tantos respeitados economistas e institutos que, logo no Inverno de 2007, avisasram que, a seguir, viria aí uma coisa chamada «crise das dívidas soberanas» e caracterizaram como «sistémica» aquela crise nascente, coisa que Durão Barroso demorou quatro anos a descobrir ?

E pronto, agora vou ali ao Prof. Karamba e já volto.

(em otempodascerejas2.blogspot.com)

R.E.M. - The One I Love



A despedida dos REM

humor

AO MENINO E AO BORRACHO TODOS LHE PÕEM A MÃO POR BAIXO

(em wehavekaosinthegarden.blogspot.com)


QUINTA FEIRA


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

a luta ideológica

Brasão de armas da União Soviética
Soldado soviético hasteia a gloriosa bandeira vermelha sobre as ruinas do Reichstag alemão em Maio de 1945

Por também eu ser "contrário á ordem pública e aos bons costumes", segundo o acordão do "tribunal" de "justiça" da União Europeia, que proibe o uso do brasão da União Soviética como marca registada, tal como os camaradas do Blog Anti-Troll Urbano eu desafio:

VÁ LÁ, PROCESSEM-ME!!!!!!!

grafismo


Bob Dylan- Hurricane

Conferências do Estoril 2011 - Mia Couto

terça-feira, 20 de setembro de 2011

café majestic





Situado na Rua de Santa Catarina, 112, o Café Majestic está ligado à história do Porto dos anos vinte e à tradição dos encontros nos cafés, onde políticos, escritores e intelectuais se reuniam com tempo para o debate de ideias. O luxuoso Majestic abriu as portas em 17 de Dezembro de 1921 com o nome de Elite, mas logo no ano seguinte seria rebaptizado de Majestic, nome que conservou até hoje. Foi seu arquitecto João Queirós, que criou uma requintada atmosfera de café chic, ao gosto parisiense da época. Verdadeiro exemplo de café tertúlia, nele se reunia a intelectualidade portuguesa e tantas outras personalidades que contribuíram para o prestígio de Portugal.

A partir dos anos 60, a transformação do ritmo de vida provocou o declínio destes estabelecimentos e o Majestic não escapou à decadência. Porém, a sua beleza original e o seu significado na cidade do Porto, valeram-lhe a classificação de "imóvel de interesse público" e "património cultural". Assim, em 1994 reabriu com todo o seu antigo esplendor, mantendo o traçado original Arte Nova nos magníficos espelhos de cristal de Antuérpia, no chão coberto de mármore indiano, nos bonitos lustres e em todos os pormenores da sua requintada decoração, a que não falta um piano e um jardim de Inverno, convidando a reviver a fascinante "Belle-Époque”

ciência

o mundo maravilhoso da Ciência, neste caso da Ortopedia

http://www.youtube.com/watch_popup?v=xMYjfb_M9wM&vq=large

grafismo


apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XVI)


Alberto João Jardim – O inimputável

Sobre o verdadeiro esgoto a céu aberto que é o discurso habitual de Alberto João Jardim e a montureira que tem por cérebro... não me ocorre dizer nada. Por uma questão de higiene e por manifesta falta de interesse.

Sobre esta estória da sonegação de informações de gastos de dinheiros públicos, um crime – de resto já confessado – que, muito provavelmente, não terá consequências de maior... (a não ser para os de sempre, que vão pagar para cobrir o "buraco") não há nada que eu possa aqui escrever, que não tenha sido já dito, redito, escrito e analisado. Mesmo assim, fica-me uma dúvida:
Quantos de vocês é que acham que se esta estória escabrosa se passasse no Governo Regional dos Açores, ou, sei lá... na Câmara de Almada, o “Pastel de Belém” já teria interrompido o fim de semana, as férias, o casamento de uma sobrinha... ou mesmo um funeral, para nos aparecer na televisão, de dedo em riste, babando a sua presidencial indignação?

Que diacho de rabo de palha terá o “senhor Silva”, a que Alberto João Jardim possa pegar fogo?
Claro que é possível que eu esteja enganado...

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Recado de Maria da Conceição Tavares para os jovens economistas



Vale a pena ouvir a lição que dá a economista portuguesa naturalizada brasileira Maria da Conceição Tavares aos jovens aspirantes a economistas. A primeira ideia básica que ela recorda é que a economia é uma ciência social. Será que a professora pode cá vir dá umas lições?

poema

OS PRAZERES DA JUVENTUDE

Ao fim de 24 jogos perdidos,
o time ganhou o desafio.
O público inundou o campo, desceu à cidade,
e durante horas interrompeu o trânsito, bebeu na rua,
quebrou montras, partiu mesmo os faróis dos carros
da polícia que, risonha, comungava
naquele entusiasmo regional e jovem
por um triunfo tão longamente ansiado.

Uma centena de pessoas manifesta-se na rua
(contra uma «vitória» que não se vê no Viet-Nam),
e os cacetes desabam, a prisão enche-se,
porque interromperam o trânsito, incitaram à desordem,
e resistiram malignamente à autoridade
que os mandou dispersar.

Jorge de Sena

a empresa-hospital

O Ministro da Saúde alertou para a situação crítica dos hospitais EPE, com défices de 322 milhões de euros em 2010 e previsão de défices de 300 milhões de euros em 2011.

Um terço dos hospitais-empresas chegou ao limite. Ficamos a saber que metade da rede hospitalar nacional (os EPE´s) precisa de uma recapitalização de cerca de 3 mil milhões de euros.

A estratégia da “empresarialização” dos hospitais iniciou-se em 1998 com o Hospital de São Sebastião em Santa Maria da Feira. Posteriormente em Junho de 2005 José Sócrates introduziu o modelo “empresarial” em 21 hospitais. O objectivo expresso era “optimizar recursos”!

A solução encontrada parece ter sido um monumental fiasco. Esses hospitais estão tecnicamente falidos, sem capitais próprios e sem capacidade em saldar as contas em tempo oportuno. A sua sustentabilidade dependeria de uma nova fonte de financiamento ou modelo alternativo. E aqui como sempre há sempre quem queira dar mais um passo para o abismo. E o abismo é a abertura à privatização.

Identificado o erro estratégico, há quem não queira mudar de rumo, mas acelerar o passo.

Pergunta-se: onde estão as vantagens proclamadas da optimização de recursos? Onde se distinguem os hospitais EPE pela qualidade da prestação? Que avaliação será feita da qualidade e competência dos seus gestores?

Pergunta-se ao senhor Ministro da Saúde: como é que o antigo administrador executivo do BCP vai "descalçar a bota"?

Mogwai - Drunk And Crazy



Este é o 4.º post dos Mogwai. Mas quem pode ficar indiferente á sonoridade deste muito recente "Drunk and Crazy"?

domingo, 18 de setembro de 2011

CARLOS DO CARMO - Retalhos da Vida de Um Médico


Carlos do Carmo -Retalhos da Vida de Um Médico
Música: Tozé Brito
Letra: Ary dos Santos, Carlos Coutinho
(Tema da série televisiva "Retalhos da Vida de Um Médico")

Serras, veredas, atalhos
Fragas e estradas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento.

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas.

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

jornalismo-carroceiro


Constança, confio muito em ti

Em artigo no «i», o jornalista António Ribeiro Ferreira, que as revistas do coiso e tal dão como novo namorado de Constança Cunha e Sá, acaba de produzir, pelo meio de uma indecente caldeirada de confusões e reaccionarismos, a seguinte afirmação:
«(...) Há uns anos, muitos, Maldonado Gonelha disse que era preciso partir a espinha aos sindicatos. Na altura discutia-se a unicidade sindical e a criação de uma central alternativa à Intersindical comunista. Hoje, em 2011, com o país numa emergência nacional é urgente não só repetir a frase como pô-la em prática.(...)»

Por mim, desculpem lá o nível baixo (mas um homem não é de ferro), só desejo que a Constança, apesar do seu aspecto fino mas frágil, por conta dos fulgores iniciais, parta depressa a espinha ao jornalista-carroceiro António Ribeiro Ferreira.

(em sempunhosderenda.blogspot.com)

fotografia



Levada em Lordelo, no rio Ferreira

iniciativa


sábado, 17 de setembro de 2011

HUMOR






SERÁ QUE O CASO

DÍVIDA DA MADEIRA
/ALBERTO JOÃO JARDIM

VAI PARTIR A LOIÇA?

SAÚDE EM FELGUEIRAS

Saúde: Utentes de Felgueiras descontentes com falta de médicos manifestaram-se junto à Câmara

Utentes dos Serviços de Saúde, fartos de ser desprezados, começam a protestar por todo o País.

Cerca de duas centenas de utentes do Centro de Saúde de Felgueiras, descontentes com a falta de médicos no concelho, marcharam hoje (dia 16) até à Câmara Municipal e exigiram da autarquia uma posição mais forte sobre a matéria.

Munidos de cartazes, com frases de denúncia, os manifestantes foram recebidos à porta dos Paços do Concelho pelo Vice-Presidente da Câmara, João Sousa, a quem entregaram um documento.

O vereador ouviu Júlio Antunes, representante dos utentes, apelar a um maior empenho da autarquia para tentar solucionar o problema, que disse ser "dramático".

Júlio Antunes
reafirmou que o número de clínicos no Concelho é insuficiente, garantindo haver cerca de 60 por cento da população sem médico de família.Nos meses de férias, a situação agravou-se, tornando ainda mais difícil a situação que já existia, decorrente da aposentação de vários médicos que prestavam serviço no Centro de Saúde de Felgueiras e nas suas Extensões.

O Vice-Presidente da autarquia disse que a situação preocupa todo o concelho, revelando que o Presidente da Câmara, Inácio Ribeiro, aguarda ser recebido pelo Ministro da Saúde para tratar da insuficiência de médicos.

João Sousa referiu também que o município tem contactado, nas últimas semanas, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N), sensibilizando-a para a gravidade da situação, mas daquele organismo tem sido dito que, por estar demissionário, aguardando uma nova direção, nada pode fazer.

O autarca prometeu que, na próxima semana, a Comissão de Utentes será recebida pelo Presidente da Câmara para articular posições.

Antes de rumarem aos Paços do Concelho, os manifestantes tinham-se concentrado junto ao Centro de Saúde.

Entre os manifestantes encontravam-se sobretudo idosos e pessoas com doenças crónicas, que gritavam insistentemente: "Queremos mais respeito".

À agência Lusa foram contando situações pessoais, como o caso de João Ferreira, que diz estar, conjuntamente com a esposa, sem médico de família.

"Em vim aqui três vezes desde Junho, tenho uns exames para mostrar, e não temos quem nos atenda", contou.
Outra utente, Fernanda Peixoto, disse ter passado uma noite inteira para ser atendida de manhã.

À agência Lusa, Inês Pereira, que diz sofrer de problemas numa anca, queixa-se das dificuldades para ser atendida no Centro de Saúde.

Assiste-se assim à falência prática da ideia, generalizada por alguns, nomeadamente pelo actual Governo, de que o Estado “precisa” de “cortar gorduras”, ou de que os privados podem substituir os serviços públicos essenciais. A população de Felgueiras vê-se confrontada com uma profunda desigualdade no acesso a cuidados de saúde em comparação com concelhos vizinhos. Importa manter a pressão política para resolver com urgência tal desigualdade.

As Comissões de Utentes têm uma responsabilidade acrescida e uma oportunidade de informar, esclarecer e mobilizar milhares de pessoas na satisfação dos seus naturais interesses.

os passos trocados do coelho (VII)



A Mula da Cooperativa - MAX , em 1959


Primeiro-ministro diz que situação na Madeira é “irregularidade grave, sem compreensão”

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, encontrou-se com o presidente francês Nicolas Sarkozy e afirmou hoje em Paris que a situação da Madeira configura “uma irregularidade grave”.

“O que se passou desde 2004 na Madeira é uma irregularidade grave, que não tem compreensão”, afirmou.

“O Governo foi ontem informado pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Banco de Portugal de que, relativamente à Madeira, tinham ocorrido falhas, irregularidades graves, na ausência de comunicação para efeitos quer de défice excessivo, quer de acordos de renegociação de dívida que ocorreram desde 2004”, declarou Pedro Passos Coelho.

Perante esta situação, o primeiro-ministro garantiu que “o Governo de Portugal não tem uma posição partidária nesta matéria e agirá com toda a independência exigida ao Governo da República”.

Isso “significa que não tratará de uma forma especial o caso da Madeira por se tratar de um governo da responsabilidade do PSD da Madeira”, explicou.

“Hoje já não há dúvida de que o nível de ajustamento que a Madeira e o seu governo vão ter que realizar nos próximos anos será evidentemente um esforço mais exigente e mais importante que aquele que se poderia pensar antes de esta notícia ser conhecida”, salientou o chefe do executivo no Palácio do Eliseu.

Pedro Passos Coelho referiu, contudo, que “foi o governo da Madeira que solicitou a avaliação desta situação”, cujos resultados “serão conhecidos ainda este mês”.

“O Governo português entende que esta situação configura uma irregularidade muito grave. Não é uma situação que tenha outras companhias, quer dizer, não conhecemos outros exemplos de matérias desta natureza que tenham ocorrido”, referiu entretanto Pedro Passos Coelho.

“É importante para que não se pense que a situação portuguesa será sobressaltada daqui para a frente”, acrescentou. “Estamos a preparar alterações do ponto de vista legislativo possa voltar a ocorrer no futuro”, anunciou também o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro remeteu ainda para o PSD-Madeira e o eleitorado regional o desafio hoje lançado por António José Seguro para que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim.

“A confiança política é uma questão para o PSD da Madeira e para o eleitorado da Madeira”, afirmou Pedro Passos Coelho.

A Naifa - Fé




A Naifa
Album: 3 minutos antes da maré encher
Faixa: Fé

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

pornografia ou a dívida ao léu

O Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal acusaram hoje a Administração Regional da Madeira de ter omitido informação relativa às suas contas públicas, que consideram «grave» e da qual não têm conhecimento de casos similares.


Em causa estão encargos que não foram registados e Acordos para Regularização de Dívidas que não foram reportados às duas entidades, responsáveis por apurar as contas nacionais.


O INE e o BdP dizem que após diligências, terão chegado informações entre o final de Agosto e esta semana que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros, dos quais não tinham conhecimento, mais 290 milhões de euros de juros de mora «que também não foram comunicados às autoridades estatísticas».


Já para este ano, mais 11 milhões destes acordos respeitantes a dívida contraídas desde 2005 e juros de mora no primeiro semestre de 32 milhões de euros não foram reportados.


A Madeira não terá ainda comunicado encargos, que ainda não foram objecto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respectivamente.

TEXTO BEM ESGALHADO

O homossexualitómetro dos padres
por Daniel Oliveira (em arrastão.org)

Para declarar a nulidade de casamentos religiosos, a Igreja Católica Apostólica Romana mede o grau de homossexualidade do cônjuge suspeito . E fá-lo através de uma "perícia psiquiátrica". Sempre gostava de saber quem é o médico que aceita participar neste ato inquisitorial, mas adiante.

O cónego Joaquim da Assunção Ferreira, que coordenou o VII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais, em Fátima, explicou que há uma escala e que os últimos "graus" tornam a pessoa em causa "incapaz de realizar funções conjugais". Antes de mais há que perceber se se trata de "uma homossexualidade prevalente ou exclusiva, ou algo de acidental". Ou seja, se o cônjuge se distraiu e, de repente, perdeu a inocência, ou se aquilo é mesmo doença crónica para a qual "há a possibilidade em medicina de correcção, mas não tem sido muito eficaz". Os "exclusivamente heterossexuais, só acidentalmente homossexuais, predominantemente heterossexuais" e os que são "igualmente uma e outra coisa" podem ser considerados como aptos para "desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio". Têm portanto o certificado de qualidade assinado por quem não só está proibido de contrair matrimónio como de desempenhar os seus papéis e os seus fins. O seu conhecimento meramente teórico, com a ajuda de um psiquiatra especializado em conceitos desconhecidos pela medicina, deve chegar.

O cónego explica melhor: uma "pessoa pode não ser um heterossexual puro, mas, se algumas tendências pouco significativas existirem, esse matrimónio certamente que se manterá". Condição: "a obrigação dele é viver em castidade e corrigir". Claro que há alternativas: "o psiquiatra pode medir-lhe o grau e receitar algo que lhe permita recusar essa tendência que o próprio mostre vontade de eliminar". Um antihomossexualitório disponível no mercado, de marca ou genérico. Infelizmente, parece que não são comparticipados.

E pronto, foi mais um belo momento para ilustrar o profundo humanismo cristão da Igreja Católica. Outro em que os padres saem das cavernas em que a maioria deles parece viver para nos demonstrar a sua mais profunda ignorância em relação a tudo o que envolva os sentimentos humanos. Como o amor carnal lhes está vedado, compreende-se. O Senhor lhes perdoará, que eles não sabem do que falam.

Kings Of Convenience - Toxic Girl

humor



José Bandeira - Cravo & Ferradura, DN de 20 de setembro de 2004

(retirado de bandeiradepapel.blogspot.com)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

reflexão

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
(Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, em 21-6-2010)

(A)FUNDAÇÃO ÉTICA II

CGD com buraco de 300 M€ nos créditos concedidos a Berardo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) regista um «buraco» de 300 milhões de euros decorrentes de empréstimos concedidos à Fundação de Joe Berardo e a empresas ligadas ao empresário madeirense, avança esta quinta-feira o jornal Público.

Segundo o jornal, estes dados constam dos dossiers enviados pelo banco estatal ao Banco de Portugal, à PricewaterhouseCoopers, empresa que gere a auditoria aos bancos, e ao Governo.

Berardo terá actualmente uma dívida superior a 360 milhões de euros à Caixa, referentes a empréstimos concedidos durante o mandato de Carlos Santos Ferreira, actual presidente do BCP, à frente do banco público.

humor


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pedro Osório - O Beijo do Sol

Quando sobrevivência de uma criança depende do lugar no mundo onde nasce...

O índice dos países com melhores (ou piores) condições para tratar das doenças das crianças acaba de ser publicado pela organização "Save the Children" e são elucidativos.

Os primeiros lugares são ocupados por países como a Suíça, Finlândia, Irlanda, Noruega, Bielorrússia, Dinamarca, Suécia e Cuba. Só depois aparece a Alemanha (10º), Rússia (11º),França (12º), Reino Unido (14º), Estados Unidos (15º). Portugal ocupa o 30º lugar, talvez por pouco tempo já que Paulo Macedo parece interessado em nos colocar mais próximos de países como a Nigéria, Etiópia, Laos, Somália e Chade que ocupam os últimos lugares numa lista de 161 países.

Não deixa de ser curiosa a posição de Cuba (8ª) face a países que nos são impostos como referências...

Igualmente de assinalar as posições do Iraque (117) e do Afeganistão (147) com tanta gente a "tratar-lhes da saúde"...

A Líbia está pouco atrás de Portugal, ocupa o 38º, outro país que por certo em breve mudará de lugar no ranking.


(em salvoconduto.blogs.sapo.pt)

A CP E UM GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA

A CP quer poupar anualmente 2,4 milhões de euros deixando de assegurar transportes alternativos nas linhas ferroviárias que estão encerradas (linhas do Corgo e Tâmega, ramal da Lousã e os troços entre Guarda e Covilhã e entre a Figueira da Foz e Pampilhosa). A CP entende “que não tem de actuar como operador rodoviário. Faz sentido assegurar transportes alternativos por motivo de obras nas linhas e quando se sabe que a circulação vai ser retomada “, afirmou a porta-voz da empresa, Ana Portela. “A questão é da REFER, responsável pelas obras, e não da CP”, alegou a mesma Ana Portela.

Temos assim uma empresa pública como a CP a procurar fugir a compromissos historicamente celebrados. Para isso tem as costas largas do actual Governo que a tutela, que em vez de requalificar linhas e manter o transporte ferroviário, opta por sacrificar os interesses dos utentes, desta vez aceitando a suspensão das alternativas rodoviárias. Ana Portela, formalmente porta-voz da CP, constitui-se de facto em porta-voz do Governo para o sector.

Interessante é a CP procurar remeter para a REFER tal ónus, esquecendo-se que essa divisão entre infra-estruturas e empresa de transportes é recente (1997) e posterior a muitos dos encerramentos e foi apresentada como uma mais-valia da gestão do sector.

Mas só se entende esta posição pública da CP no quadro da tentativa de privatização de linhas principais e suburbanas, rentáveis na perspectiva do lucro e tanto mais rentáveis quanto os possíveis compradores, nacionais ou estrangeiros, possam ser dispensados de compromissos anteriores. A carne do lombo para eles. A privatização é o gato escondido com o rabo de fora.