um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Governo PSD/CDS/ Cavaco, a Administração Central e o cidadão

(o exemplo do SASU de Penafiel)

Passos Coelho, Portas e Cavaco decidiram “retirar as gorduras” da Administração Pública, a pretexto da redução da despesa pública. Pensaram, pensaram e assim fizeram.

No SASU de Penafiel, a política do “emagrecimento” efectua-se com denodo sistemático: começa-se por reduzir o valor da hora extraordinária em 10%, sendo que esse é o regime dos trabalhadores das várias classes profissionais. Depois avança-se para a redução das horas de funcionamento passando de 12 horas para 11 horas (2 turnos: 9h-14h30 e 14h30 -20h). Por último reduz-se a equipa passando de 2 administrativos por turno para 1 administrativo por turno. E perspectivando-se idêntica redução pra a enfermagem.

Temos assim um SASU mais “magrinho”, mais “baratinho”, mais “conforme” as politicas da troika. E a aplicação destas medidas “selvagens” contam sempre com o silêncio e cumplicidade dos dirigentes locais do ACES.

Já não se pergunta “o que fazes?” ou “quanto trabalhas?”, mas sim “quanto poupas?”. Misérias…

Sobre o anúncio do Governo de mais 20 mil vagas nas creches: Um escandaloso embuste para as famílias e para as instituições, um grave atentado contra os direitos de crianças de tenra idade

Sobre o anúncio do Governo de mais 20 mil vagas nas creches: Um escandaloso embuste para as famílias e para as instituições, um grave atentado contra os direitos de crianças de tenra idade


IMPRESSÃO DE VIAGEM (I)

Recentemente visitei Cuba, numa viagem turística, que procurou também sentir/ viver a Cuba dos Cubanos. O que vi decepcionou-me bastante. Não se trata de “ver” um país das Antilhas com os olhos condicionados de um europeu. Não se trata de “ver” Cuba sem conhecer a sua História, o contexto do embargo norte-americano, o seu isolamento internacional, a experiência socialista, as dificuldades de um país sem grandes recursos minerais ou energéticos. Não se trata de “ver” as “borbulhas” (consequências) de um turismo para estrangeiros e de massas que se sabe, por todo o lado, gera disparidades, ociosidades, desajustes e incoerências.
Trata-se de ver Cuba e procurar interpretar o que se vê. Cuba, a actual sociedade cubana, desiludiu-me.
Em primeiro lugar, percebe-se uma incapacidade de assegurar um modelo económico racional, socialista nos princípios mas eficaz quanto baste, satisfazendo os interesses legítimos da população e neles (nos verdadeiros interesses) encontrando rumos e razões de progresso. Percepciona-se facilmente que o trabalho / remuneração em Cuba não se concretiza com a normalidade, objectividade e dignidade necessárias. Grande parte do trabalho é improdutivo, é muito mal pago, não é estimulante, e não se discrimina o mérito, não se dignifica o trabalhador. Anda-se ainda a discutir na Cuba de 2011 os salários de profissionais qualificados como médicos e engenheiros, admitindo-se como possível a fuga desses profissionais para profissões e sectores afectos ao turismo. São evidentes os casos de sobrepopulação empregada em serviços e empresas públicas num contra-senso evidente.
A rede de transportes é verdadeira e dramaticamente incapaz. São maus os transportes públicos, os transportes particulares, mesmo o estado de conservação de estradas. Um Estado moderno não pode patrocinar / utilizar veículos cuja imagem, segurança, consumo, e comodidade não cumpram valores mínimos. Os transportes são grandes condicionantes do desenvolvimento, quando ao serviço da agricultura, da economia, da sociedade. Com a excepção dos aprazíveis autocarros de turismo made in China e de um reduzido número de veículos ligeiros, o resto é um conjunto bizarro de peças de sucata ambulante. Um salto qualitativo radical é necessário, transferindo para o sector investimentos vultuosos.
As infraestruturas urbanísticas, sociais, educativas e desportivas estão em grande parte completamente deterioradas. Nota-se que não há, e não houve nas últimas décadas, um esforço de reabilitar, renovar, reconstruir quando possível. São poucas as construções modernas, os edifícios modernos de habitação e de comércio. Havana cai de podre, sob o olhar atento de abutres que a sobrevoam. Há edifícios que deviam ser demolidos, já mortos, e que parecem assumir com estranheza a sua morte como um impossível.

Cristiano Ribeiro

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mogwai - Letters To The Metro

SERMÃO DO BOM LADRÃO

por César Príncipe [*]

Corria e decorria o período quaresmal do Ano da Graça de 1655 em Lisboa. Na Igreja da Misericórdia, postavam-se, em solene recolhimento, Dom João IV, o rei, os seus ministros, os seus conselheiros e os seus magistrados. Com uma lacerante concepção do mundo, da história, do Estado, da Sociedade e do Evangelho, levanta-se António Vieira, o pregador. Começou por advertir Sua Majestade e os seus próximos de que a prédica mais se adequaria à Capela Real, já que incidiria sobre questões de poder e corrupção, opulência e indigência, adulação e mistificação. Mas quiseram as circunstâncias que a Palavra da Luz se fizesse ouvir na Conceição Velha.
Corre e decorre o Ano da Graça de 2011 e o sermão mantém-se pertinente, bastando substituir a Índia por União Europeia, o rei por presidente, os ministros por ministros, os conselheiros por assessores, os magistrados por magistrados.



Vamos falar, hoje, do Público e do Privado, do Mal e do Bem. Na verdade, tudo o que é público é tido por vergonhoso: um roubo sem ornatos de benemerência, o incesto badalado na vox populi, as lamúrias nas filas de espera dos hospícios. Já o Privado é prenhe de virtudes: enriquece preferentemente em silêncio (e o enriquecimento lícito é mais chocante e pernicioso do que o ilícito), destaca anjos da guarda para operações criminosas, socorre donzelas em maus lençóis e maleitas brasonadas em clínicas discretas.


Voltemos, no entanto, à missão profética e à iniciação ética dos Governos. Vossa Majestade deverá distanciar-se dos desmandos que se cometem em Vosso Nome e deverá recusar prendas bajulatórias, já que VM jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, vertida, nas Cortes Gerais, em defesa das classes desfavorecidas e pervertida, nas aplicações correntes, pelas classes favorecidas. Quero valer-me desta quadra que, embora pós-quaresmal, não deixa de ser de jejum e penitência, de luto imposto pelos argentários, para aconselhar os seus ministros, os seus assessores e os seus magistrados a fornecerem a VM os Relatórios da Fazenda Pública, do Tribunal de Contas e dos Ouvidores das Praças. Neles consta que o maldito défice público se transformou em bendito superávite privado.



Verá, com seus próprios olhos, que, mui patentemnente desde 1986, se desvaneceu a linha que separa a administração da usurpação. Não haveria, hoje, este abalo nas Finanças e esta perda de independência e sobretudo este clamor social se milhares de milhões em impostos não tivessem prescrito, se milhares de milhões não houvessem contornado o Estado na economia paralela, se milhares de milhões não se tivessem injustificado em aditamentos de adjudicações, se milhares de milhões não houvessem sido aplicados em vasos de guerra em vez de indústrias da paz, se milhares de milhões não tivessem esquecido as necessidades primárias e lembrado as sumptuárias, se milhares de milhões se houvessem acautelado nas privatizações, se milhares de milhões vindos da Europa tivessem merecido acompanhamento cívico e judiciário, se milhares de milhões não se tivessem evadido para paraísos infiscalizáveis. O confirmará nas auditorias se houver alguma verticalidade na coluna do Reynno e alguma decência nas vestes da Corte.



Entretanto, o Bom Ladrão Privado esforça-se por convencer assalariados, pensionistas, desempregados, consumidores, contribuintes, eleitores e sobretudo os pobres em Ciências do Ter & do Poder de que o Público é a raiz do mal, apesar de tão grande Riqueza Privada não existir sem tamanha Pobreza Pública. Por isso, não estranhe VM a campanha dos Boletins & dos Cornetins: o Estado não tem vocação para administrar, cabendo-lhe transferir o Orçamento para os Privados, estabelecer parcerias em que aceite perder para gerir bem. Clamam ainda as trombetas de Jericó, a começar pelos corneteiros de El'Rei, que o Estado é mau pagador. Dramatiza-se – Céus! – o Calendário de Incumprimento da Administração Central e da Administração Local: seis meses em média. Chegam a acusar o Estado como causador-mor das insolvências particulares. Não estão, porém, Majestade, empenhados em mostrar o que empresas e privados devem ao Estado, tornando-o insolvente. Também não os preocupa quanto os privados devem entre si, bem como o respectivo Calendário de Incumprimento e os Anexos de Incobráveis. Majestade, quem emite milhares e milhares de cheques sem provisão neste país onde a Palavra nada abona nem a barba nada cauciona? Quem não honra milhões de contratos? Inúmeros empreendedores. Também a Iniciativa Privada fecha milhares de portas, numa rotunda manifestação de superioridade do privado sobre o público.



Todos os anos, no Dia dos Fiéis Defuntos, Vossa Majestade inauguraria o maior cemitério da Grei se as empresas e as famílias que tombam por incapacidade da gerência ou lógica trucidante dos mercados coubessem nas sepulturas e as suas contas num epitáfio. É o Privado – creia Majestade – que ostenta a Coroa da Glória a defraudar o Estado e o Privado, que reduz e atrasa salários, que fecha empresas por SMS e arregimenta esquadrões da Guarda Real e da Segurança Privada para cortar o passo ao desespero dos espoliados e à indig(nação) dos ludibriados. Mas os Boletins & os Cornetins açulam as almas. Reflecti: traçam cenários de falência do Serviço Nacional de Saúde. Apontam alguns casos e escondem outros casos. Manejam o método dos sofistas: a ADSE não é expedita a pagar aos hospitais e os hospitais não honram os compromissos com os fornecedores. Senhores ministros, assessores e magistrados, mas as Seguradoras Privadas deixam arrastar as dívidas aos hospitais e os arautos da insustentabilidade não pedem ou sugerem a nacionalização dos Seguros.



Noto pelo sobrolho de Vossa Majestade e pela rigidez de porte – o Infalível o saberá – algum enfado. Espero que seja postura de protocolo: na sua infinita misericórdia, o Altíssimo convidou-Vos, abrindo a Casa do Poder Intemporal ao Poder Temporal. Mas temendo ser pouco cerimonioso e parcimonioso não alongarei a pregação. Rematarei o Verbo com uma ocorrência que não se situa no antanho mas caberia nos tombos das rotas das Índias e do Brasil, dos desfalques e das especiarias, dos ferros dos escravos e dos metais preciosos.



Ouviu VM alguma murmuração sobre o BPN, entidade com alvará de 1993, lavrado por seu egrégio Governo. Foi um covil de ladrões. O erário público já sangrou mais do que Cristo no Calvário para pagar e apagar malfeitorias, algumas com inovação nas artes de furtar. Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2008 e o banco foi nacionalizado. Os lucros ficaram nas mãos dos delinquentes e os prejuízos nas mãos do Estado. Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2011 e o banco foi reprivatizado. O facto dos agentes do Estado actuarem pela calada, no dia que Deus destinou ao repouso, é matéria de suspeita, a apurar no Juízo Final. De momento, cumpre-me alertar VM para os obscuros negócios da pátria, ilustrados por esta fábula de colarinho branco: foi o BPN constituído e gerido por um elenco em boa parte saído de seus Governos. Houve uma tentativa frustrada de reparo dos rombos, empreendida também por um Vosso ex-ministro, mas apenas levou consigo 10 milhões pelo intento de reparação. A Caixa Geral de Depósitos, do Estado Português, com autorização dos ministros e assessores do Reynno e presta e digna assinatura régia, perdeu milhares de milhões de euros neste naufrágio das Novas Índias. Presidia à Caixa um Vosso ex-ministro. Agora, também um Vosso ex-ministro encabeça a compra dos despojos da embarcação, declarando que o Estado fez um interessante acordo, apesar de existir uma contraproposta de 100 milhões, que não previa saneamentos de funcionários nem encerramentos de balcões. Majestade, ministros, assessores, magistrados, assevera o último ex-ministro em cena que os contribuintes poderão respirar: o BPN sairá da órbita do Estado. A que preço? Por 40 milhões de euros: menos de metade do estádio de futebol de Braga, cidade de igrejas e mesquitas. Mas como garantir descanso aos contribuintes se está em curso uma recapitalização de 550 milhões, se as eventuais rescisões serão suportadas pelo Estado, se os subsídios de desemprego e a interrupção das contribuições em sede de Segurança Social e IRS afectarão os cofres do Reynno e engrossarão as falanges dos inactivos? Só metade dos marinheiros é arrojada às vagas apregoa o recém-graduado capitão, com ar humanitário, a boca rendilhada de espuma. Não espanta: o mar está embravecido e ele, animoso, manobra da casa das máquinas à coberta. Apanha com as vagas em cheio. Gagueja mas não larga o leme. Insufla ânimo aos marujos apavorados e aos clientes espavoridos. O BIC lançará coletes de salvação a 750 marinheiros que provem nadar de bruços entre o Cais da Ribeira e a Baía de Luanda. Salvar-se-ão os tripulantes mais vigorosos e destros. Já assim era na selecção de negros para as plantações e minas de ouro. Os restantes 800 serão timbrados como excedentes e incompetentes, inadaptados às lides do corso e às cutiladas dos fortins: baixas de ciladas, escorbutos, enjoos, vilezas e rumores. Em contrapartida, os capitães da finança luso-angolana, pela voz de Mira Diogo Cão Amaral, enaltecem a credibilidade e a capacidade do grupo investidor-saldador, dando como beneplácito a figura do homem mais rico de Portugal: Amé(rico) Amorim. Majestade, não conheceis este Amé(rico) das ligações à Corte? Como vós é Rei, embora da cortiça. Como vós é soberano, mas do petróleo. E que mais recordareis? Há anos integrou uma delegação de eminências capitalistas que foi demonstrar ardor pátrio junto da Corte, apelando às corporações para que mantivessem a direcção e o controlo accionista em Portugal. Amé(rico) não demoraria a passar para controlo espanhol o BNCI/Banco Nacional de Crédito Imobiliário. Patriotismo nunca faltou aos grupos de pressão e da abdicação: anteriormente já Amé(rico) havia vendido a espanhóis a posição no BCP. Não escasseiam elementos retratísticos. Aqui há anos envolveu-se num colossal processo de desvio de fundos europeus, sendo bafejado pelas prateleiras da morosidade com a prescrição. Não vai há séculos que ordenou o despedimento preventivo de dezenas de súbditos, estribado em apreensões sobre o futuro das rolhas e de outros artigos de sobro. Mas os resultados surpreenderam o Rei de Santa Maria da Feira. Sempre a crescer. Sempre a enriquecer. Principalmente à medida que a miséria alastra e o Estado não só privatiza empresas e serviços como se encontra refém dos privatizadores. Senhor, Portugal deve muito aos ricos ou serão os ricos que devem muito a Portugal?



Majestade, vou terminar com Vossa licença. A Nação jaz guarnecida de panos roxos da Paixão, à mercê dos passos e compassos da Troika, aparentemente rendida a moedeiros autóctones e internacionais, à capitulação das fidalguias, às vénias das criadagens. Não abusarei da tortura da verdade. Deus se compadeça da Vossa visão e da Vossa audição, hoje, na qualidade de 19.º chefe de Estado da República, ontem, como 21.º chefe de Estado da Monarquia, a fim de que os olhos de todos os seres que Francisco de Assis amou forneçam clareza ao Vosso olhar e o troar dos canhões e dos carrilhões Vos faça entender que, mais tarde ou mais cedo, não há bom ladrão que se exima à justiça nem rei que escape à peste. E a peste será a cólera dos justos. Vós e os ministros, assessores e magistrados a fomentaram. Vorazes e altivos agora. Cabisbaixos Vos sentireis depois. Cercados pelo alvoroço das arraias de Fernão Lopes. Envergareis as túnicas do opróbrio. Devolvereis as dezenas de BPN's que levaram Portugal a contrair dívidas para liquidar dívidas, a ditar a carência colectiva em favor da ostentação da Corte e dos cortesãos. Senhor, por que continuais de sobrolho carregado? D. João IV faleceu um ano após o meu sermão. Não vos fixeis nos adejos do infausto. Porventura estareis a rever-Vos no destino dos príncipes de Israel que sofreram o cativeiro por abandonarem o povo de Deus aos lobos?

Principes ejus in medio illius, quasi lupi rapientes praedam (Ezequiel, 22, 27).

[*] Escritor/Jornalista.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

demografia

MAIORIA DO CONCELHOS PERDE POPULAÇÃO

Apenas um em cada três concelhos aumentou de população na última década, indica o Censos 2011, segundo o qual se assinalam quebras populacionais em todas as regiões do País.

Ao todo, 199 concelhos perderam população, num total de 308. Aqui estão incluídos todos os concelhos das regiões da Serra da Estrela, Beira Interior Norte, Cova da Beira e Baixo Alentejo.

Segundo os dados preliminares do Censos apresentados em 30 de Junho, Armamar (região do douro) foi o concelho que registou maior quebra (21,88%), seguindo-se Carrazeda de Ansiães, Mourão (Alentejo) e Meda (Beira Interior) com reduções na ordem dos 17 por cento.

Em sentido inverso, Santa Cruz (Madeira) teve a maior subida populacional relativa (44,74%), seguindo-se Mafra, na região de Lisboa, com 41,19% e, na região de Setúbal, Alcochete (35,01%), Montijo (30,99%) e Sesimbra (30,92%).

Na década entre 2001 e 2011, o crescimento da população residente foi de 199 700 pessoas, o que decorre de um saldo natural de cerca de 17 600 indivíduos e do saldo migratório estimado em cerca de 181 000 pessoas.

A população residente em Portugal cresceu 1,9 por cento entre 2001 e 2011, para 10 555 853 pessoas. O número de famílias subiu 11,6 por cento para 4 079 577, enquanto os alojamentos cresceram 16,3 por cento para 5 879 845.

The Cure - Bloodflowers

DIFERENÇAS


Há Câmaras Municipais em ruptura financeira.
São 24 e estão a ser monitorizadas pela Direcção Geral das Autarquias Locais e pela Troika estrangeira. O caso mais dramático é Fornos de Algodres (distrito da Guarda), liderada pelo PSD, com taxa de endividamento de 547% das receitas efectivas deste ano. Segue-se uma longa lista: Vila Franca do Campo (PS), Seia (PS), Mondim de Basto (PS), Aveiro (PSD/CDS), Valongo (PSD), Gondomar (independentes/PSD), Trofa (PS), Vila Nova de Poiares (PSD), Alandroal (Independentes), Reguengos de Monsaraz (PS), Alfândega da Fé (PS), Penamacor (PS), Celorico da Beira (PS), Madalena (PSD), Tábua (PS), Nelas (PSD), Tarouca (PS), Tabuaço (PS), Alijó (PS), Nazaré (PSD), Montemor-o-Velho (PSD), Mourão (PS), Santa Comba Dão (PSD).

A notícia do JN não identificava as Câmaras pela sua liderança política. Assinale-se assim que a grande maioria das Câmaras em causa são do Norte e Centro, são lideradas pelo PS, pelo PSD e pelo CDS (em coligação). Alguns dos autarcas-Presidentes são considerados “dinossauros do poder Local”: Gondomar, Reguengos de Monsaraz e Vila Nova de Poiares.

As autarquias CDU não se encontram nas 24 Câmaras mais endividadas. Todos iguais ou alguns bem diferentes?

informação parlamentar

Proposta do PCP para construção do IC35 foi rejeitada

A construção do IC 35 volta a estar na ordem do dia, depois do deputado do PCP Jorge Machado ter proposto que fosse feita uma recomendação ao Governo para que se construísse rapidamente a via alternativa à actual EN 106, que liga Penafiel a Entre-os-Rios. A proposta foi efectuada, na quarta-feira, na Comissão de Economia e Obras Públicas, mas acabou por ser inviabilizada por PSD e CDS, partidos que sustentam o actual Governo. O PS absteve-se, enquanto o BE esteve ao lado do deputado do PCP.

domingo, 28 de agosto de 2011

A GRÉCIA DE SOFIA

Sofia Sakorafa (nascida em Trikala em 1957) não é uma política comum, pelo menos no sentido que a palavra tem na Grécia: a politica como profissão vitalícia, como investimento de futuro. Lançadora olímpica de dardo – bateu o recorde mundial em 1987 – e cidadã honorária palestiniana graças ao defunto Yasser Arafat, militante de causas difíceis, é para muitos gregos a cara visível da oposição ás medidas de austeridade.

Deputada Parlamentar do Movimento Socialista Pan-Helénico (PASOK), até Maio de 2010 –e depois independente - abandonou as fileiras do partido no poder após o primeiro plano de austeridade, prévio ao resgate da União Europeia e FMI. Desde então foi seguida por cinco correligionários, o que, em menos de dois anos, reduziu em seis mandatos a folgada maioria absoluta do PASOK. A sangria parlamentar ameaça aumentar neste Outono que se avizinha, mais do que quente, incendiário, como os objectos incendiários que quase diariamente explodem ás portas do Parlamento.

Arde Atenas em todos os sentidos, e a Grécia inteira se consome na fogueira dos mercados, que reclamam os seus créditos. Quase 40 graus á sombra, rodeados de gazes lacrimogéneas, aceleram ainda mais a inquietude dos cidadãos. Ou contribuintes, como Sakorafa diz que se deverá chamá-los a partir de agora. “ O plano de ajuste será o túmulo de gerações inteiras. Nem um só grego merece um ruinoso futuro, e muito menos ás mãos dos nossos parceiros da UE. O segundo plano de ajustamento financeiro é muito pior do que o primeiro, e condena á miséria o país inteiro”, explica no seu gabinete do centro de Atenas, com um monte de folhas entre mãos: o texto do programa adoptado a 30 de Junho, que contempla reduções de 28 mil milhões de euros e receitas de outros 50 mil milhões de euros de privatizações de empresas públicas.

E o segundo resgate da EU e do FMI, recentemente aprovado, não aliviará um pouco a penúria? “Será ainda pior, porque hipoteca o nosso país por 30 anos, mesmo sendo optimistas. Alguém pode imaginar o que isso é? A vida de gerações inteiras subjugada a vontades alheias.”

Entre chávenas de café bem forte e recomendações de ilhas gregas, a conversa discorre pelos meandros da cultura: o legado clássico, que constitui um dos maiores activos do país, mas também a ruína, nada metafórica, em que as exigências dos credores podem conduzir o país. “ Na Grécia só ficam de pé as ruínas após a aplicação do plano de ajustamento. A explicação é simples, de economia doméstica: se tens algo hipotecado, não podes contrair mais dívidas. Exactamente o contrário do que está a fazer o governo…”, explica. Alguns dados quotidianos parecem confirmar o seu pessimismo: o aumento em 40% dos suicídios desde que começou a crise (no país com a menor taxa da UE), as lojas de bairro que caiem como peças de dominó (fecha uma em quatro), o desemprego juvenil de 35%...

“Os gregos crêem na Europa, mas não a este preço. Isto não quer dizer que não estejamos dispostos a assumir as nossas obrigações, mas não queremos que outros decidam como, porque o fazem segundo os seus próprios interesses”. Sakorafa lidera o Comité para a Auditoria da Dívida Pública, uma tentativa de penetrar no insondável buraco negro de 350 mil milhões de euros.
Determinada, segura, resistente, na voz de Sakorafa, contudo, não há sombra de autocrítica. Pode ser que essa seja a única característica que a identifica com todos os gregos, os que manipularam as contas e os que pagarão a factura. (em EL PAÍS)

SUGESTÃO DE FILME

PERSEPOLIS - TRAILER




Filme de Marjane Satrapi &Vincent Paronnaud
França 2007
Prémio do Júri do Festival de Cannes 2007

sábado, 27 de agosto de 2011

FRASE

"Se fossem aplicadas as leis de Nuremberga, todos os presidentes americanos do pós-guerra teriam sido enforcados."

Noam Chomsky (linguista, filósofo e activista político americano, n. 1928) in artigo de 1990.


GRAFISMO



O GRAFISMO DO BLOG O TEMPO DAS CEREJAS 2.
COM UM ABRAÇO SOLIDÁRIO AO VÍTOR DIAS.

Um burlão apoderou-se da conta de gmail do nosso camarada Vítor Dias, fazendo com que este não tenha acesso ao seu blogue «o tempo das cerejas». A continuação e actualização do conhecido blogue é feita agora a partir de O tempo das cerejas 2.

MIA COUTO



MIA COUTO em Penafiel

O escritor moçambicano Mia Couto é o primeiro autor estrangeiro a ser homenageado na Escritaria, em Penafiel. A iniciativa que decorrerá em Outubro de 2011 reunirá especialistas na obra de Mia Couto. O Escritaria já homenageou Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago e Agustina Bessa Luís.

Mia Couto está publicado em 29 países, tem vários prémios e é considerado um dos 10 escritores africanos mais importantes do século XX.

Filho de Portugueses, com ligações familiares em Rio Tinto, Gondomar, Mia Couto nasceu na Beira em 1955.

Obras mais conhecidas: Vozes Anoitecidas, Cada Homem É Uma Raça, Terra Sonâmbula, Varanda de Frangipani, Raiz de Orvalho


Plácido Domingo - Granada

COMUNICADO (e comentário)

Sobre os recentes desenvolvimentos na Líbia

O PCP condena o massacre perpetrado pela NATO na cidade Tripoli cujas vítimas mortais ascendem, em apenas dois dias, a mais de 2000 mortos.

Dando seguimento a mais de cinco meses de intensos bombardeamentos e guerra da NATO, o autêntico banho de sangue perpetrado contra a população da capital Líbia na denominada “Operação Sereia”, bem como os acontecimentos que se lhe sucedem, confirmam, mais uma vez, os reais objectivos e os verdadeiros protagonistas desta guerra colonialista de invasão e ocupação.

A tomada de Tripoli é sobretudo resultado, não de uma propagandeada vitória militar dos dos chamados “rebeldes”, mas sim da intervenção directa da NATO e de um verdadeiro massacre perpetrado por esta estrutura político-militar.

O povo líbio foi e está a ser vítima de um crime e de uma flagrante violação do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas e da própria Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que hipocritamente referia a protecção dos civis Líbios e reconhecia o papel das Autoridades Líbias.

Como o PCP a seu tempo alertou, e como a realidade o está a confirmar, o que está em causa com a guerra de invasão e ocupação da Líbia não são os direitos do seu povo ou qualquer desejo de liberdade e democracia. Pelo contrário, o que está em causa, mais uma vez na História e a exemplo das guerras do Iraque, Jugoslávia e Afeganistão é a satisfação dos interesses estratégicos das principais potências da NATO quanto ao controle de importantes riquezas naturais, o saque dos fundos soberanos Líbios e a imposição do domínio imperialista na região do Norte de África e Médio Oriente.

A guerra contra o povo Líbio é indissociável do quadro internacional de aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, da resposta de força imperialista aos processos populares que tiveram lugar no Mundo Árabe, bem como das crescentes contradições inter-imperialistas. Denunciando a hipocrisia e as campanhas mediáticas de mentira e desinformação que sustentam a estratégia agressiva das principais potências imperialistas, o PCP alerta para o facto de que a guerra de ocupação da Líbia, as crescentes ameaças de uma intervenção imperialista na Síria e as renovadas provocações israelitas contra o povo palestino, são perigosos elementos adicionais de tensão numa situação já muito marcada pela instabilidade e pelo real perigo de generalização de conflitos.

A tomada de Tripoli pela NATO pelas chamadas forças rebeldes constitui mais uma operação contra o direito de soberania e integridade territorial das nações. Mas, como a realidade já se encarregou de demonstrar em várias situações, não significará o fim da resistência do povo Líbio à invasão e ocupação do seu País e muito menos da resistência dos trabalhadores e dos povos às guerras, agressões e provocações do imperialismo.

Para o PCP, o fim do conflito passa pela retirada das forças ocupantes e pelo diálogo nacional líbio visando uma solução política para o conflito interno. Condenando a posição seguidista do governo português de apoio à guerra de invasão e ocupação da Líbia e de reconhecimento do chamado “Conselho Nacional de Transição”, o PCP apela aos trabalhadores, à juventude e ao povo português que, independentemente das diferenças de opinião sobre Muammar Kadhaffi e o actual regime, rejeitem a gigantesca campanha mediática que suporta esta intervenção imperialista, se mobilizem e intensifiquem a luta pela paz, contra as agressões e ingerências do imperialismo norte-americano e europeu no Mundo Árabe e noutras regiões do globo.

O Gabinete de Imprensa do PCP

Comentário: os verdadeiros criminosos devem ser identificados bem como os seus apoiantes, quer estejam nos gabinetes do poder em Londres, Nova York, Paris ou Roma ou nas redacções dos órgãos de comunicação social, vistam farda ou não.





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CIENFUEGOS - Agosto 2011





Milton Nascimento e Elis Regina - Cais

POESIA

A UM PAPA

Poucos dias antes que morresses, a morte
tinha posto os olhos num teu coetâneo:
aos vinte anos, eras estudante, ele servente,
tu, nobre, rico, ele um rapazote plebeu:
mas os mesmos dias douraram sobre vós
a velha Roma que se tornava assim nova.

Vi os seus despojos, pobre Zucchetto.
Girava de noite, bêbedo, em volta dos Mercados,
e o eléctrico de São Paulo atropelou-o
e arrastou uma parte pelas linhas entre os plátanos:
algum tempo ali ficou, sob as rodas:
alguma gente se reuniu em torno a olhá-lo
em silêncio: era tarde, havia poucos passantes.
Um dos homens que existem porque tu existes,
um velho polícia, desleixado como um «guapo»,
gritava a quem se encostava muito: «Larguem-lhe a braguilha!»
Depois veio o automóvel dum hospital a carregá-lo:
a gente dispersou, ficou qualquer frangalho aqui e ali,
e a dona de um bar nocturno, mais à frente,
que o conhecia, disse a um recém chegado
que Zucchetto acabara sob o eléctrico, finara-se.

Poucos dias depois acabavas tu: Zucchetto era um
da tua grande grei romana e humana,
um pobre bebedolas, sem família e sem leito,
que girava de noite, vivendo quem sabe como.
Tu não sabias nada: como não sabias nada
de outros tantos e tantos cristos como ele.
Talvez seja feroz ao perguntar-me por que razão
a gente como Zucchetto era indigna do teu amor.
Há lugares infames, onde mães e filhos
vivem numa poeira antiga, em lama de outra época.
Precisamente não longo donde viveste,
à vista da bela cúpula de S. Pedro,
há um destes lugares, o Gelsomino...
Um monte talhado ao meio por uma mina e, em baixo,
entre pedras e uma fila de novos prédios,
um grupo de míseras construções, não casas mas pocilgas.
Bastava apenas um gesto teu, uma palavra tua,
para que aqueles teus filhos tivessem uma casa:
tu não fizeste um gesto, não disseste uma palavra.
Não te pedíamos que perdoasses a Marx! Uma onda
imensa que se refracta por milénios de vida
te separava dele, da sua religião:
mas na tua religião não se fala de piedade?
Milhares de homens sob o teu pontificado,
perante os teus olhos, viveram em estábulos e pocilgas.
Tu o sabias, pecar não significa fazer mal:
não fazer bem, isso é que significa pecar.
Quanto bem podias fazer! E não o fizeste:
não houve um pecador maior do que tu.

Pier Paolo Pasoli

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

a "crise de consciência" dos ricos ...e a lata do PS!

A propósito da "contribuição" dos ricos para a crise

A reboque de iniciativas em outros países, o governo irá criar um imposto para os mais ricos, podendo contribuir - vejamos o que vai sair e a previsão do encaixe fiscal daí resultante - para reduzir o deficite.
Mas esta medida é, essencialmente, uma operação de remake do visual degradado de alguns destes personagens e que culminou há dias com a cínica oposição de Américo Amorim (na foto) que afirmou que se não considerava um rico mas um trabalhador...
Porém a questão não pode ser apenas pontual nem transferível para ajustamentos do IVA ou do IRS.
Exigem-se medidas para esta camada que tenham carácter duradouro como o fim dos paraísos fiscais, onde alguns deles já fogem à normal taxação de significativos rendimentos, como o Banco de Portugal revela genericamente. Bem como a taxação, não apenas dos rendimentos, mas também do património, entendendo-se a medida como aplicável particularmente ao património mobiliário (acções e operações bolsistas).
Isto em matéria de medidas financeiras porque o garrote das medidas definidas pela troika (que o governo vai agravando para se mostrar decidido) tem que ser acompanhada pela renegociação da dívida (prazos e taxas) e por uma política económica que não se esgote na exportação mas na dinamização do mercado interno, única garantia para podermos combater a recessão que se prolonga.

(em antreus.blogspot.com)

Particularmente cínica é a posição de António José Seguro que atrela o PS ao pior da política de direita: o oportunismo de quem sempre se opôs a medidas de justiça fiscal (que façam pagar os ricos de acordo com os seus rendimentos e património) e que julga ser possível apagar as posições do passado da memória dos portugueses.

Dire Straits - Local Hero/Wild Theme

obrigatório



matando a verdade

Mahdi Nazemroaya ameaçado pelos rebeldes ao serviço da NATO

por Michel Chossudovsky

Mahdi Darius Nazemroaya, juntamente com Thierry Meyssan estão agora isolados no centro de media do hotel Rixos, em Tripoli, em meio do combate do combate pesado que se verifica em torno. Pedimos aos nossos leitores para reflectir sobre o que Mahdi estava a tentar conseguir no centro de media do Rixos: reportagem factual honesta, com preocupação pela vida humana, em solidariedade com os homens, mulheres e crianças líbios que perderam suas vidas em raids de bombardeamento sobre áreas residenciais, escolas e hospitais.
A vida de Mahdi está ameaçada por nos contar a verdade, por revelar crimes de guerra da NATO.

A "construção da democracia" na Líbia, dizem-nos, exige o bombardeamento extensivo de todo o país, sob o "Responsability to Protect" (R2P) da NATO. Mas Mahdi questiona tal conceito. Ele desafia os próprios fundamentos da guerra de propaganda, a qual apoia um acto de guerra como esforço de pacificação.

Durante os últimos dias, todo o nosso tempo e energia tem sido dedicado a garantir a segurança de Mahdi, Thierry e vários outros jornalistas independentes aprisionados no Rixos Hotel. A atmosfera dentro do centro de media do Rixos Hotel, em Tripoli, deve ser entendida. Os media de referência (mainstream), incluindo a CNN e a BBC, têm ligações directas à NATO, ao Conselho de Transição e às forças rebeldes. Eles estão a servir os interesses da NATO de um modo directo através da maciça distorção dos media.
Ao mesmo tempo, aqueles no Centro de Media do Rixos que estão comprometidos com a verdade são o objecto de ameaças veladas. No caso de Mahdi, as ameaças foram muito explícitas. Aqueles que dizem a verdade são ameaçados. Aqueles que mentem e aceitam o consenso da NATO terão as suas vidas protegidas. As forças especiais da NATO a operarem dentro das fileiras rebeldes garantirão a sua segurança.

Neste ambiente repulsivo, romperam-se ligações pessoais. Os jornalistas dos media independentes, bem como aqueles de países não-NATO incluindo China, Irão, América Latina, são considerados "persona non grata" pelos grupos dos media de referência dentro do hotel. Mahdi diz a verdade. Ele desafia directamente as mentiras dos media de referência. As reportagens de Mahdi ameaçam o consenso dos media da NATO.

O que ele está a descrever é a destruição de todo um país, das suas instituições, da sua infraestrutura.
Esta matança e destruição, dizem-nos, é necessária para instaurar "democracia" sob a bandeira colonial do rei Idris. Mentem-nos do modo mais desprezível. As vítimas da agressão da NATO são designadas como "criminosos de guerra", ao passo que os perpetradores da guerra são saudados como Libertadores. A mentira tornou-se a verdade e é por isso que a vida de Mahdi está ameaçada. A guerra torna-se paz, de acordo com o consenso da NATO. A "comunidade internacional" carimbou a campanha de bombardeamento da NATO dizendo que Kadafi é um ditador. Repetido ad nauseam, as pessoas finalmente aceitam o consenso. A matança é um esforço de pacificação.
Como poderia ser de outra forma: Todos os media, todos os noticiários, por toda a terra, gente no governo, intelectuais, todos aceitaram este consenso. Realidades são voltadas de pernas para o ar. Pessoas já não são mais capazes de pensar. Elas aceitam o consenso porque ele emana de uma autoridade superior a qual não ousam questionar. Isto é de facto a própria base de uma doutrina inquisitorial. Os suportes "humanitários" da "Responsability do Protect", contudo, superam em muito a Inquisição Espanhola. O que estamos a tratar é de um dogma que ninguém pode questionar. Mahdi Nazemroaya desafiou este consenso ao revelar as mentiras dos media de referência. Uma vez rompido o consenso da NATO, a legitimidade instigadores da guerra entra em colapso como um castelo de cartas. E é por isso que a vida de Mahdi Nazemroaya está ameaçada.

Isto é uma guerra do século XXI. É uma guerra que afirma não ser guerra. Todos os protocolos e convenções referentes à guerra deixam de ser aplicados. O Comité Internacional da Cruz Vermelha não se encontra no terreno. Eles não têm mandato porque oficialmente isto não é uma guerra.

Esta é a mais desprezível e imoral guerra da história, na medida em que mesmo activistas anti-guerra, políticos de esquerda e os chamados progressistas aplaudem-na. "Kadafi é o ditador, ele deve ir". É uma blitzkrieg com os mais avançados sistemas de armas. Vinte mil raids desde 31 de Março, segundo estatísticas da NATO, cerca de 8000 raids de ataques. Cada raid de ataque inclui vários alvos, a maior parte dos quais são civis. Comparar isto com os bombardeamentos da II Guerra Mundial ou do Vietname...
Nossa determinação é trazer Mahdi de volta ao Canadá, garantir o seu retorno seguro.

Divulguem por toda a parte.

24 de Agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GRAFISMOS




ROUBAR AO TRABALHO PARA DAR AO CAPITAL

A proposta do Governo PSD/CDS/Cavaco visa assumidamente reduzir o valor que é pago aos trabalhadores despedidos, para entregar essa parcela ao patronato. O roubo será feito assim:

- em vez dos actuais 30 dias de retribuição-base mais diuturnidades, por cada ano de antiguidade, contar apenas 20 dias, dos quais 10 serão suportados pelas entidades patronais e outros 10 por um fundo de compensação a criar;

- acaba a garantia de pagamento de um valor mínimo, equivalente a três meses de retribuição-base e diuturnidades;

- é fixado um valor máximo de indemnização, equivalente a 12 meses de retribuição-base mais diuturnidades, mas o valor total não pode ser superior a 240 vezes o valor de retribuição mínima mensal garantida (salário mínimo nacional)

- acaba a compensação por caducidade dos contratos de trabalho a termo (fundamentada no conceito de que o vínculo precário deve ser tratado como excepção), passando a aplicar-se o novo regime