um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Foo Fighters - Everlong Ao Vivo em Wembley Stadium 2008 HD

P'RA RUA!









Sem o ter referido na Campanha Eleitoral ...




apetece dizer e justamente...




NOISERV - PALCO DO TEMPO

fotografia

São Petersburgo, 1917

Não sei porquê mas parece-me muito actual...

CATÁLOGOS






O programa do governo é um conjunto de quatro catálogos.










O primeiro catálogo é para a maioria da população e promete viagens, em turística, com um único destino: a Grécia do círculo vicioso de austeridade, recessão, desemprego, nova ronda austeridade, até ao estoiro final.
O segundo catálogo é para grupos económicos, sobretudo estrangeiros, em busca de rendas e promete vender, com desconto, activos estratégicos do Estado, com excepção de uma CGD diminuída.
O terceiro catálogo promete dar um novo impulso ao inventivo e gradual processo de fragilização, em parceria com privados, dos serviços que constituem o núcleo central do Estado social: centros de saúde à venda, contratos de associação nas escolas, concessões, fornecimento de mão-de-obra grátis para o assistencialismo. Na segurança social pública serão feitos todos os investimentos intelectuais e políticos para a reduzir a um programa assistencial. Haja imaginação neste parque de diversões que fará as delícias de grupos financeiros bem graúdos e de algumas instituições de caridade miúdas.
O último catálogo promete criar todas as condições para que os trabalhadores vendam a sua força de trabalho por um salário directo e indirecto mais baixo e com condições de trabalho menos seguras: precariedade renovada, trabalho temporário incentivado, despedimento mais fácil e barato, horários cada vez mais baralhados. É um catálogo para patrões medíocres. Quatro catálogos que compõem um país socialmente ainda mais injusto e uma economia ainda menos civilizada. O que fazer? Dar uma olhadela aos quatro catálogos, perceber a sua lógica global, e deitá-los fora. Na reciclagem, não se esqueçam.

João Rodrigues, em Blog Ladrões de Bicicletas

quarta-feira, 29 de junho de 2011

a Revolução Grega, a nossa Revolução

GEOGRAFIA ELEITORAL

Uma análise dos inscritos nos cadernos eleitorais nas eleições legislativas de 2009 e 2011 e das taxas de abstenção então obtidas permitem fazer um retrato da evolução verificada quer na população eleitora quer da sua vontade de participação eleitoral.

Sabe-se que a população eleitora no País aumentou de 2009 para 2011. Mas tal aumento não se verifica em todos os Distritos. Em Distritos como Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Viana do Castelo e Açores e Madeira há aumento, nos restantes há diminuição. Se aceitarmos a veracidade e a fiabilidade dos cadernos eleitorais, verifica-se que o Litoral e as Ilhas reforçam o peso do universo eleitoral e o Interior despovoa-se também eleitoralmente.

Mas mesmo com um maior número de inscritos em 2011 relativamente a 2009, a expressão eleitoral só é numericamente maior em Leiria, Lisboa, Setúbal e Madeira e as taxas de abstenção só em Braga, Porto e Lisboa são inferiores a 40%.

São poucos os concelhos deste país que cumprem o desígnio de mais eleitores inscritos e maior número de votos expressos (Albergaria-a-Velha, Aveiro, ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Vagos, Condeixa-a-Nova, Albufeira, Faro, Lagoa, Loulé, Olhão, Portimão, São Braz de Alportel, Alcobaça, Batalha, Caldas da Rainha, Leiria, Peniche, Pombal, Amadora, Arruda dos Vinhos, Cascais, Loures, Lourinhã, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra, Sobral Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira, Maia, Matozinhos, Póvoa do Varzim, Gaia, Benavente, Alcochete, Montijo, Seixal, Sesimbra, Boticas, Vila Real, Ponta Delgada, Câmara de Lobos, Funchal, Ribeira Brava, Santa Cruz)

Claramente dissonantes do espaço regional em que se situam são Benavente, Boticas e Vila Real.

CR

FRASE

"A REALIDADE NÃO É UM SONHO FEITO PELOS MAIS RICOS?"

MIA COUTO em PENSAGEIRO FREQUENTE

grafismos



(em Blog Arrastão)


Quando caírem as cariátides (colunas com a forma de estátuas de mulheres) desabará o templo. Sem o aparelho repressivo de Estado e de defesa do Sistema Dominante, a Democracia Grega reocupará o centro da consciência nacional e popular.

Sérgio Godinho - É tão bom



Tema gravado no Teatro Maria Matos em Maio de 2007. Incluído no CD ao vivo "Sérgio Godinho & Os Assessores - Nove e Meia no Maria Matos". Música da série infanto-juvenil "Os amigos do Gaspar"

terça-feira, 28 de junho de 2011

a Grécia em dia de Greve Geral











Greve de 48 horas na Grécia:
resposta às novas intimidações do governo e da UE

por KKE

Depois de uma discussão de três dias no Parlamento o governo recauchutado obteve 3ª. feira 23 de Junho um voto de confiança com os votos dos deputados do PASOK. Ou seja, 155 membros de Parlamento no total de 298 que tomou parte na votação deu um voto de confiança ao governo ao passo 143 votaram contra.

A secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, denunciou o dilema intimidante colocado ao povo trabalhador gregos pela UE e pelo governo.

"O ultimato da UE, da Eurozona, não é dirigido ao governo grego, o qual já o aceitou há muito, mas sim ao povo grego. Ela diz: baixem suas cabeça, se não concordarem não obterão a quinta prestação".

Aleka Papariga afirmou: "Nós consideramos que o povo grego deve dar o seu próprio ultimato. Isto é a melhor coisa que pode fazer. Não pode haver qualquer negociação radical na estrutura da UE. Também há partidos da oposição que fazem tais sugestões ao governo. Isto é ou uma chamada solução fácil ou uma posição que ignora o carácter da UE. Eu ao invés direi que isto é uma ignorância deliberada do verdadeiro carácter desta aliança predatória, como nós a chamamos, ainda que isto seja uma frase suave dada a situação actual".

"Assim, o povo grego deve dar o seu próprio ultimato. Podíamos notar que a UE, o governo do ND e do PASOK, a burguesia grega – todos os seus sectores, industriais, proprietários de navios, banqueiros, comerciantes, etc – devem ao povo grego", acrescentou

Da tribuna do parlamento a secretária-geral do KKE apelou aos trabalhadores para ignorarem os dilemas de intimidação e tomarem parte activa na luta: "agora que o povo abre os seus olhos e temem o despertar da consciência – porque também há o medo da demissão – o KKE promove mais intensamente a posição de que o povo deve tomar nas suas próprias mãos a propriedade dos meios de produção bem como os recursos naturais.

As forças com orientação de classe congregadas no PAME apelam a uma greve de 48 horas logo que o governo traga ao Parlamento o novo pacote de medidas anti-populares.

poema



Lágrima de preta


Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.



António Gedeão

Cultura em Évora (Câmara PS)



A Plataforma da Cultura de Évora levou a cabo uma acção de sensibilização para a importâmcia do sector cultural na cidade de Évora. A acção consistia em pendurar laranjas de cartolina nas laranjeiras do recinto da Feira de S. João, no momento da inauguração da sua edição de 2011. A PSP tinha ordens para não permitir. Perante a desobediência de todos os agentes culturais identificou quem praticou o acto "subversivo". Pouco depois os funcionários da CME vieram tirar os frutos alegando que não podíamos fazer publicidade no recinto. Assim se faz a democracia nos nossos dias...

A música do vídeo é a "Morgadinha dos canibais" do álbum Coisas do Arco da Velha, da Banda do Casaco (1976)

Crosby, Stills & Nash - Helplessly Hoping


segunda-feira, 27 de junho de 2011

HUMOR

FUJAM! VEM AÍ A PRIVATARIA!

OS PASSOS TROCADOS DO COELHO (II)

(em ocastendo.blogs.sapo)

Nuno Crato vai finalmente aterrar... no Ministério da Educação!

O novo Governo acaba de decidir a localização definitiva do novo Aeroporto de Lisboa. Vai ser no Ministério da Educação! Foi Nuno Crato que o comunicou aos jornalistas: "Dêem-me uns dias, dêem-me uns dias para aterrar". Claro que lhe damos uns dias... Está nevoeiro, ou vem lá muito do alto, das estrelas? Ou é a pista que ainda não está pronta?
Mas, para matar a curiosidade, fomos "ouver" um vídeo o que o Ministro independente disse, em Abril de 2009, numa intervenção no "Fórum Portugal de Verdade", promovido pelo PSD.
Entre muita coisa seguramente acertada, logo decorridos 1m 35s, afirmou algo que nos deixou um pouco confusos, com tonturas. Talvez seja das alturas... Como ainda não aterramos... Ora, vejamos:
«Os exames não são fiáveis. Os exames não são comparáveis de ano para ano. Os exames de ano para ano variam de critério. Variam de conteúdo. Variam até de tempo para a sua resolução. Portanto, o que se passa é que ninguém sabe comparar um 14 de média deste ano com um 10 de média cinco anos atrás. Ninguém sabe. Os exames em Portugal não são comparáveis. É preciso que haja mais exames como forma de avaliação externa credível, que baliza todas as aprendizagens e que baliza a avaliação que o professor vai fazer nas suas turmas. É preciso que haja mais exames, é preciso que os exames sejam fiáveis, que nos digam alguma coisa. Ninguém acredita que em dois anos é possível passar de média de Matemática de 8 para 14. Ninguém acredita nisto. A não ser… o Ministério da Educação. Mas o Ministério da Educação acredita naquilo que faz. E daí resulta uma medida simples. Por que é que as estatísticas da Economia não são feitas pelo Primeiro Ministro? Nem pelo Ministro da Economia? Por que é que as estatísticas de saúde não são feitas pelo Ministro da Saúde? Por que é que existe uma coisa chamada Instituto Nacional de Estatística? Porque se pressupõe que as estatísticas devem ser feitas com independência. Não devem ser os interessados nos resultados das estatísticas a publicar as estatísticas. Não deve ser o Ministro da Economia a dizer como é que está a infracção. Não deve ser o Primeiro Ministro a dizer como é que está a inflação. Deve ser uma entidade independente. Neste momento não temos uma entidade independente avaliadora. E mais, nos últimos anos assistimos a algo sem precedentes. Algo que nunca tinha acontecido. Que é a utilização da avaliação como arma política. Quando o Governo e um Ministro ou uma Ministra dizem "aqui está o resultado do meu progresso, são estes exames" e nós sabemos que os exames não são credíveis, nós devemos pôr tudo em causa. E devemos dizer: Desculpe, os exames devem ser feitos por outra pessoa. Os exames devem sair do Ministério da Educação. Isto é muito simples. É preciso extinguir o GAVE e criar um gabinete de avaliação independente. Onde? A imaginação pode ser muita. Pode ser sob o Primeiro Ministro. Pode ser sob tutela do INE, do Instituto Nacional de Estatística. Pode ser uma empresa contratada ao exterior. Pode ser uma Universidade contratada como se faz em Inglaterra. Pode ser uma empresa privada como acontece nos Estados Unidos. Pode ser a Assembleia da República a coordenar o gabinete de avaliação. Mas é necessário retirar a avaliação - de quem? - de quem está a ser avaliado por ela, que é o Ministério da Educação. Portanto, a avaliação deve ser tornada independente. [Palmas] Muito obrigado. Não são precisos muitos decretos para fazer isto. Não é preciso muita coisa. É preciso um Ministro que tenha a coragem de chegar e dizer "O Gabinete de Avaliação Educativa está encerrado e vamos contratar alguém". Podem ser as pessoas que lá trabalham. Podem ser pessoas que tenham experiência nisso. Mas é algo que tem que ser independente do Ministério da Educação.»

A parte interessante é a segunda, quando proclama que "os exames devem sair do Ministério da Educação" e que "é preciso extinguir o GAVE e criar um gabinete de avaliação independente".
Já aqui temos sustentado que este país é uma choldra. E um exemplo da choldra que este país é, é este costume de mudar os nomes como, por exemplo, extinguir o "gabinete de avaliação não-sei-quê" para criar o "gabinete de avaliação outro-quê-não-sei".
Os exames feitos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)? E nós que pensávamos que o Instituto Nacional de Estatística era para fazer... estatísticas!
Os exames devem ser feitos por "uma empresa contratada ao exterior"? Os exames devem ser feitos por "uma empresa privada"? Quem? Uma empresa que esteja para o Ministério da Educação como a Médis está para o Ministério da Saúde do Dr. Paulo Macedo? Uma Agência de Rating/Notação, como aquelas que tanto êxito tiveram e têm a provocar esta crise? O BPN? O BPP?
Uma Universidade pública, a Assembleia da República, o Primeiro Ministro, até o INE!, devem ser excluídos porque ou dependem do Governo ou dos partidos que o sustentam, e são seguramente suspeitos de conluio com o Ministério da Educação que é "quem está a ser avaliado"!
Então os exames servem para avaliar o Ministério da Educação? E nós que pensávamos que os exames serviam, em primeiríssimo lugar, para avaliar os alunos/estudantes!
Não há aqui uma grande confusão entre diferentes avaliações e exames? Estes assuntos não são sobretudo uma questão de honestidade e competência? E, dependentes de todo o Ministério, com milhares de funcionários, não há pessoas honestas e competentes? A começar pelas chefias, pelo Ministro...
De facto, "a imaginação pode ser muita". As ideias é que são confusas... Deve ser das alturas...
E como "a imaginação pode ser muita" e tudo isto tem que ser muitíssimo independente (género Fernando Nobre), nós também temos a nossa proposta: que as avaliações e os exames, e tudo o mais, seja feito pelo Clube de Caça Submarina da Ásia Central!

Post Scriptum:
Nuno Crato ganhou prestígio a criticar o chamado «eduquês» e outros aspectos negativos e até, por vezes caricatos, do nosso sistema educativo. Todavia, a maior parte das pessoas ignora as suas «propostas»... Mas basta ler a sua entrevista "Menos Estado para melhor Educação" à «Agência Ecclesia» para se ter uma ideia do seu perfil de "pensador". Apenas um excerto:
«Acho que o Ministério da Educação deveria quase que ser implodido, devia desaparecer, devia-se criar uma coisa muito mais simples, que não tivesse a Educação como pertença mas tivesse a Educação como missão, uma missão reguladora muito genérica e que sobretudo promovesse a avaliação do que se está a passar.»
Mas, que raio! Num sítio diz "Mas é necessário retirar a avaliação - de quem? - de quem está a ser avaliado por ela, que é o Ministério da Educação". Noutro, diz que o referido Ministério devia promover "a avaliação do que se está a passar."
Percebe-se que as duas frases não são bem contraditórias, mas também não são bem conciliáveis...
Depois, o homem vai aterrar para fazer (quase) implodir o Ministério? Vai ou não vai, gaita! Vá ou não vá, por muito menos alguns foram parar a Guantánamo!
Percebe-se agora por que razão Daniel Oliveira (do qual, todavia, não somos particularmente adeptos) o tratou de "taliban". Diríamos que Crato é mais uma espécie de NATO, que quer levar a "Educação" ao Ministério como Obama quer levar a "Democracia" à Líbia.
Razão tem Santana Castilho (que, todavia, escreveu um livro prefaciado por Pedro Passos Coelho...) no artigo Passos e Crato: factos e expectativas, quando nos adverte sobre o novo Ministro:
«Que ouçam, com atenção, e sublinho atenção, a comunicação apresentada em 2009 ao “Fórum Portugal de Verdade” e as intervenções no “Plano Inclinado”. Os diagnósticos não me afastam. Os remédios arrepiam-me.»
E que há mais a dizer? Bem, sobre a Universidade pode Nuno Crato aconselhar-se com Paulo Portas, seu colega de coligação, sobre a maneira de fazer uma Universidade bem moderna...

O "INTRUSO" EUROPEU (em adargumentandum.wordpress.com)

Se se fizesse um questionário popular, desses que por motivos mais inúteis por aí se fazem telefónica ou presencialmente, desta feita no sentido de se saber se o cidadão ou cidadã tem conhecimento de que haja na Europa algum governo ou governante comunista, a resposta seria um esmagador e rotundo “Não”. A explicação é óbvia. A comunicação social europeia, no uso pleno do seu domínio de influência sobre as massas, dominada por interesses e protegida numa espiral de favores e recompensas, não perde tempo com incómodas realidades. De facto o Chipre é um pequeno país, que tem o azar de ser também uma ilha, ainda por cima cortada a meio por uma fronteira que desune uma nação inteira formando a norte uma “república turca” que só Ankara reconhece. Pois já desde 2008 que o Chipre é liderado por Demetris Christofias, membro do AKEL, Partido Progressista dos Trabalhadores do Chipre. Um verdadeiro “intruso” marxista-leninista entre as lideranças neoliberais e capitalistas da União Europeia, e que tem sido também, face às circunstâncias decorrentes da agressividade dos defensores do actual sistema, um verdadeiro resistente.


Christofias tem-se batido no poder, nacional e internacionalmente, contra aquilo que há décadas vem constituindo o “problema do Chipre”, e que tem afectado seriamente o desenvolvimento económico e social do país. E o “problema do Chipre” tem duas vertentes co-relacionadas: uma de âmbito internacional, outra de âmbito interno. No plano externo, a questão gira em torno da violação da independência, dos direitos humanos, da integridade territorial e da soberania do país, que há longos anos vem sendo perpetrada e alongada pela república da Turquia (com escandalosa cobertura da NATO e dos EUA), que insiste em ocupar e reconhecer um território que invadiu ilegitimamente (“Operação Átila”) no ano de 1974. Internamente, o problema cinge-se à necessidade de normalização das relações entre a região norte (ocupada) e a região sul, pondo termo às fronteiras que separam o mesmo país e respeitando as diferenças e a autonomia regional de cada uma das partes. O actual presidente, que foi uma entre as dezenas de milhares de pessoas que abandonaram o norte depois da invasão Turca, tem-se empenhado desde a primeira hora na resolução do problema, que apesar de ter conhecido avanços significativos ainda não logrou suplantar os interesses instalados da política militarista da Aliança Atlântica.


No âmbito da União Europeia, o comunista Demetris Christofias tem mantido uma posição responsável e ao mesmo tempo afirmativa, em defesa da unicidade, da independência da nação e dos direitos dos trabalhadores e dos povos. O Chipre tem sabido contribuir e tirar partido das sinergias resultantes da união política e económica a que aderiu em 2004, não porém sem abdicar das legítimas convicções dos seus actuais governantes, rejeitando sempre e de forma incondicional a deriva neo-liberal e militarista que, face à vigência de uma esmagadora maioria de governos de direita e centro-direita, acaba por vingar no seio da União.


Todavia, esta contra-corrente ainda a uma só voz, não só não deixa de ter os seus avanços na justíssima luta dos cipriotas por uma vida melhor, como constitui um sinal político evidente para os povos de todos os demais países do continente europeu. Significa, antes de mais, que mesmo numa sociedade actual dominada pelo sistema capitalista – desenfreado, atroz, corrupto, opressor e injusto -, uma vez demovidos os preconceitos anti-comunistas e dando confiança aos partidos progressistas de inspiração marxista-leninista, é de facto possível romper alternativamente com o modelo em vigor fazendo vingar o humanismo e a felicidade de todos sem sujeição ao capital. Tal como o Chipre, que apesar de tudo ainda tem um longo caminho a percorrer, qualquer nação europeia actual pode erguer-se à luz dos direitos e dos interesses dos povos, dos trabalhadores, dos que menos têm, e não à luz desta verdadeira ditadura dos mandos e desmandos das grandes organizações internacionais.


É claro que o capitalismo percebe a ameaça de tais ideias e forças, e sabe que a eleição de Christofias é um tiro de morteiro nas doutrinas que pregam a “impossibilidade” e a “impraticabilidade” de uma alternativa de verdadeira esquerda nas circunstâncias actuais. Por isso, neste exemplar caso de sucesso do presidente cipriota, não admira a ocultação do seu trabalho, a subvalorização da sua presença e intervenção, o desprezo e a omissão mediática dos avanços das suas políticas e esforços governamentais. A comunicação social, a portuguesa e a europeia em geral, continua cega e obediente aos interesses daqueles que tentam combater a possibilidade de “países ocidentais” e integrados na “justíssima economia de mercado” poderem eventualmente – cruzes credo! - seguir o exemplo do Chipre.


Se, em Portugal, o enraizado preconceito se mantém vigente (desde o Estado Novo) quanto a países de inspiração socialista e comunista, por exemplo nesses distantes Caribe e América-do-Sul, já quanto a países mais próximos e ainda por cima membros de pleno direito da mesma União Europeia de que fazemos parte, aí já a tarefa de limpeza cerebral e de plantação de preconceitos torna-se evidentemente muito mais complicada e ineficaz. Daí um certo incómodo, um certo receio. O receio de que, perante o exemplo próximo de tão valoroso e meritório “intruso”, os demais povos venham por fim… a abrir os olhos.



Ivo Rafael Silva

HUMOR NEGRO

Mário Soares – Importa-se de repetir?

Depois de descer várias ruas conduzindo em contramão, o automobilista bêbado desviou-se in extremis do choque frontal com um autocarro, entrando estrondosamente com o automóvel num mini-mercado. Ao sair, cambaleando devido ao choque e à bebedeira, exclamou escandalizado (e entaramelado):

- Hão de arranjar muitos clientes, com uma loja destas... não deem uma arrumação nisto, não!...

E agora por que raio é que me fui lembrar desta estória ao ler que Mário Soares terá dito, «O PS tem que ser refundado e ter política a sério!» ???!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

FESTA DO AVANTE 2011


domingo, 26 de junho de 2011

actividade institucional

Relato da Sessão da Assembleia Municipal de Paredes de 25 de Junho

Dois momentos diferentes: o Período Antes da Ordem do Dia e o Período da Ordem do Dia.

No primeiro, quase todas as bancadas falaram do resultado das eleições de 5 de Junho, parabenizando o PSD pelo resultado nacional e sua expressão local e defendendo a “paz” e “concertação” social.

O eleito da CDU Cristiano Ribeiro lembrou o novo ciclo político, traduzido numa homogeneidade de orientação política da direita clássica quer na Presidência da República, quer na maioria parlamentar e no governo, quer no executivo autárquico local, estendendo-se até á influência nas políticas comunitárias graças á presença de Durão Barroso. Concluiu que assumindo essa direita clássica as consequências de um memorando de orientações externas, que na prática tornam Portugal num protectorado, deixa de ser legítimo e ético qualquer tentativa futura de desculpabilização ou fuga de responsabilidades pelas soluções não conformes aos interesses populares tomadas (pelo PSD ou PSD/CDS) aos diferentes níveis do poder político. O caminho passa por uma oposição afirmativa e propostas alternativas. Falou igualmente das peripécias decorrentes do requerimento relativo á presença de animais na Escola Secundária de Baltar bem como da pergunta formulada pela bancada comunista na AR por causa do encerramento do posto de Correios de Cête.

No Período da Ordem do Dia houve uma aprovação quase sempre generalizada dos pontos em discussão e aprovação, salientando-se apenas como objecto de crítica o aumento do capital social de uma empresa municipal, a Agência Municipal de Investimentos de Paredes, e um novo pedido de empréstimo ao Banco Europeu de Investimentos.

No ar, ficou a tradicional crispação entre Celso Ferreira e o PS, com uma sequência de alfinetadas de uma inoportunidade e mau-gosto inenarráveis, bem como o papel manipulador de Granja da Fonseca, sempre oportuno em dividir para reinar. “Discutiu-se” um problema banal da campanha eleitoral de forma a transformá-lo no PROBLEMA DE PAREDES. A porta do salão bateu fortemente por três vezes (entrada e saída de Celso Ferreira e saída de Artur Penedos), os dedos estiveram em riste (Celso Ferreira : “eu não lhe admito…”), houve um cartão amarelo de Celso Ferreira para a bancada do PSD (“está a dormir…) e o PS lembrou que Celso Ferreira se ofereceu algures no tempo para liderar o PS local e propôs noutro momento atribuir a medalha de ouro da Cidade a …José Sócrates.

No meio apareceu o problema da reorganização administrativa, com alguns mais permissivos outrora á extinção de freguesias hoje defendendo o contrário.

No geral, deve-se concluir que com tais intervenientes, com Granja da Fonseca, Celso Ferreira, Luciano Gomes, Artur Penedos e a alma penada de José Sócrates, a democracia em Paredes não passa de um lamentável equívoco.

OS PASSOS TROCADOS DO COELHO (I)

Passos não poupou dinheiro porque o Governo não paga bilhetes na TAP


Os membros do Governo não pagam bilhete na TAP quando viajam em serviço e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não poupou dinheiro ao Estado com a sua opção de viajar esta semana para Bruxelas em classe económica.


A informação de que os membros do Governo não pagam bilhetes na transportadora aérea nacional (uma empresa pública) foi avançada pelo Jornal de Negócios e confirmada pelo PÚBLICO junto de um membro de um anterior Governo.Esta prática já vem de longa data, mas a TAP não quis explicá-la ao PÚBLICO. “A TAP não fala sobre viagens dos seus clientes nem sobre as condições que têm ou não têm”, disse o director de comunicação da empresa, António Monteiro.


Todos os membros do Governo, do primeiro-ministro aos secretários de Estado, estão isentos de pagamento das viagens em serviço na TAP (tal como acontece também na CP). No entanto, isso já não acontece com os membros dos seus gabinetes, cujos bilhetes são pagos, mas que normalmente já viajavam em económica. Se houver necessidade de membros do Governo viajarem noutras companhias aéreas, a nova política de Passos Coelho já levará a poupança de verbas.


Na quinta-feira, Passos Coelhos confirmou que ele próprio e todos os restantes membros do Governo viajarão para a Europa sempre em classe económica, para “dar o exemplo”, conforme disse na altura à agência Lusa, cumprindo assim uma promessa que tinha feito antes das eleições.O Jornal de Negócios contactou o gabinete do primeiro-ministro, onde um assessor não quis comentar o assunto, tendo adiantado que a fuga de informação não partiu do Governo.


Ao pôr os membros do Governo a viajar em económica para os destinos na Europa (não se sabe como será no longo curso), Passos Coelho não poupa directamente dinheiro mas liberta lugares na TAP em classe executiva, onde o preço dos bilhetes é muito superior, podendo por esta via permitir que nalguns casos a empresa venda bilhetes nesta classe que de outro modo estariam indisponíveis.

Roger Waters - "We Shall Overcome"



Segundo as suas próprias palavras, Roger Waters foi interpelado pela realidade tremenda do povo palestiniano. Seguiu, interessado, uma iniciativa de muitas centenas de ativistas de várias nacionalidades que se deslocaram a Gaza para uma manifestação de solidariedade com aquele povo prisioneiro na sua terra. Escandalizou-se com a proibição de os manifestantes se aproximarem da Faixa de Gaza, imposta pelo regime egípcio, lacaio dos EUA. Por fim, sentiu-se insultado na sua inteligência pelo facto de a totalidade dos média norte americanos não terem publicado uma linha que fosse sobre este acontecimento... para além do constante encobrimento, ou distorção, daquilo que se passa naquele lugar.
Decidiu, por isso, gravar e colocar à disposição na internet e por todos os meios, a sua versão da canção We shall overcome, uma velha canção de luta que nos chega já decantada por muitos anos de memórias e versões interpretadas por dezenas de artistas. Dedicou-a à luta do povo palestiniano

sábado, 25 de junho de 2011

TEXTO

VIVEMOS O MAIOR ROUBO ORGANIZADO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Há mais de 2 anos escrevia: «Dez biliões de euros (10.000.000.000.000) em 20 meses. Mais de 50 vezes o PIB de um país como Portugal. Ou 30 apartamentos com 150 metros quadrados de área cheios de notas de 500 euros até ao tecto. Tal é a verba injectada pelos bancos centrais e pelos governos, só no sistema financeiro, desde Agosto de 2007. Há um ano este número, a todos os títulos obsceno, era dez vezes menor. E não se vislumbra quando parará de crescer.» E ainda não parou…

Os governos acorreram a salvar o capital financeiro na primeira explosão da actual crise. A banca, as sociedades financeiras, as companhias de seguro, os fundos, receberam dos cofres dos Estados milhões de milhões de Euros. De mão beijada, à borla. As dívidas privadas foram assim transformadas em dívidas públicas.

Em consequência os Estados endividaram-se. Mas o saque não parou.

Na zona euro, onde o roubo organizado assume requintes de cinismo, os governos não podem contrair empréstimos junto do Banco Central Europeu (BCE). Como resolver a questão? Fácil!

O BCE empresta aos bancos privados a uma taxa de juro de 1%. Ou seja, por cada 1 milhão que pedem emprestado pagam 10 mil euros de juros. De seguida «emprestam» aos Estados a taxas de juro de 7, 8, 9, 10% e mais. Isto é, por cada 1 milhão que «emprestam» recebem em troca 70, 80, 90, 100 mil euros ou mais. Traduzido: um lucro entre 600 e 900 por cento!!! Ou mais…

Quem não gostaria de ter um negócio assim? Mas a coisa não fica por aqui. De seguida, pegam nos títulos da dívida, os tais que segundo eles são um grande risco e daí as elevadas taxas de juro que cobram, e vão apresentá-los como garantia junto do BCE para novos empréstimos. É a agiotagem no seu melhor.

E o roubo prossegue através da manutenção dos enormes privilégios fiscais de que continuam a gozar os grupos económicos. Segundo o Relatório do Orçamento do Estado, o governo de Portugal prevê PERDER, só em 2011, 1.370 milhões de euros (!!!) de receita fiscal resultante de benefícios fiscais concedidos a empresas (no período 2005/2011, são 12.263 milhões de euros). Acresce que uma grande parte (como os resultantes das isenções de mais-valias e de lucros distribuídos que não são tributados), não é contabilizada.

Como tentam pagar todo este saque? Transferindo para os trabalhadores e os povos os custos do roubo.

É disto que trata o Pacto entre as Troikas. Dele falaremos em próximo artigo

António Vilarigues (ocastendo.blogs.sapo.pt)