um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 31 de maio de 2011

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XII)

Como ser Presidente, comer bolo-rei e mandar bocas em tempo de crise...Como gastar 45 000€ diários e compensar a «fraca» reforma de 800 euros da esposa. E assim ser o verdadeiro HONESTO!!!

As contas do Palácio de Belém


O DN descobriu que a Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano (163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1,5 euros a cada português.


Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.


A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos servem para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes.


Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros) sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros) e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que 'custa' 46,6 milhões de euros anuais.


E tem o senhor Aníbal Cavaco Silva, a desfaçatez de nos vir dizer que "os sacrifícios são para ser 'distribuídos' por todos os portugueses"...(... E não se pode 'privatizar' a Presidência da República?...)

grafismo



Oportuna reflexão...

sugestões musicais


Gulag Orkestar
Beirut
World Music
2006




Alligator
The National
Alternative
2005


Anna Calvi
Anna Calvi
Alternative
2011





Foxtrot
Genesis
Rock
1972

MISTÉRIO



Por onde andará Mister Gagá?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Primal Scream - Loaded ("Screamadelica Live" )

José Gomes Ferreira




POETA MILITANTE - POETA CAMARADA

«... A certa altura sou portanto considerado por toda a gente como comunista filiado. Não estava, mas todos achavam que estava, que devia estar. Alguns até talvez preferissem que eu continuasse nesta situação, que era a mais cómoda, que era talvez a melhor para o Partido. Para o Partido Comunista não sei se terá muita importância ter muitos "nomes"...
Eu sou um homem moral e, embora nunca fosse "seareiro", fui educado pela Seara Nova, não devem esquecer isso. Os homens morais são os mais importantes para mim. Daí a minha veneração pelo Vasco Gonçalves, um homem que leu com certeza a Seara Nova, um "seareiro" pela certa.

E então perguntavam-me: "Quando é que aderes ao Partido?".
E eu respondia: "Ainda não chegou o momento".
De qualquer maneira, comecei a aparecer mais depois do 25 de Novembro, numa época de baixa para o Partido, quando eu e outros escritores fomos expulsos do Monte Carlo, a nossa grande "honra", o nosso grande "feito", porque fomos mesmo expulsos do Monte Carlo por aquela malta, pá, uma malta sem biografia e que nem a queria ter.
Até que uma noite acordei com este pesadelo: mas eu estou a ter todas as pequeninas vantagens de ser comunista sem ter as respectivas desvantagens... não está certo. Quem me garante que o fascismo não volta a Portugal e os comunistas não começam de um momento para o outro a ser de novo presos como já foram tantas vezes? E eu, nessa altura, que farei?
Direi a "verdade", não? Uma "verdade" que me fará doer a boca porque sabe a mentira: "mas eu nunca pertenci ao Partido, nunca fui do Partido...".
Isso magoou-me e passei o resto da noite sem dormir.
Tenho de ter as desvantagens - pensava eu.

Então fui procurar um amigo que conhecia desde miúdo e agora é um homem que acho admirável, neste momento mais do que nunca: o Aboim Inglês.
Fui procurá-lo na Soeiro Pereira Gomes.
"Ele está?"
"Está, está" (tem piada, porque estão sempre visíveis).
O Aboim Inglês apareceu, deu-me um grande abraço, e eu disse-lhe:

"Aboim Inglês venho cá perguntar se o Partido quer dar-me a honra de me receber nas suas fileiras».
Ele respondeu:
"Mas ó Zé Gomes, você pode perguntar uma coisa dessas? Evidentemente que sim!".
Depois começámos a conversar e ele teve uma frase espantosa, em resposta a uma certa explicação que lhe dei: "Durante o fascismo, sempre me acompanhou um pouco o remorso de estar sempre de acordo com vocês e nunca ter seguido o que alguns dos outros fizeram: trabalhar na clandestinidade...".
Então o Aboim Inglês teve esta resposta extraordinária:
"Mas lá vem o Zé Gomes com isso... Vocês foram muito mais valentes do que nós!".
Confesso que nem respondi, espantado de ouvir um Aboim Inglês, que esteve dez anos preso, dez anos de juventude perdida numa cela, dizer-me: "Vocês combatiam a descoberto!, Vocês nunca se escondiam, toda a polícia sabia quem vocês eram, e, no entanto, assinavam papéis, havia o Avante! para certas classes mas vocês apareciam com papéis e assinavam-nos, trabalharam a descoberto, sem máscara, frente a frente!"
Esta resposta desarmou-me por completo. E comecei a pensar nos que foram para a cadeia e nos que morreram...

A história da minha adesão ao Partido é esta.
É uma posição moral, corresponde exactamente ao que eu penso e sinto.
Hoje sou um militante do PCP.
Devo dizer-lhe que antes me tinha informado das condições de admissão no Partido e do seu funcionamento, onde existe a maior liberdade possível.
O Partido é de facto democrático e trabalha para o povo, pelo povo e com o povo.»


«Pergunta: "Concretamente como se traduz a sua adesão ao PCP?".

José Gomes Ferreira: "Pertenço à célula dos escritores onde faço o que posso, quero, desejo e concordo.
Tenho oitenta anos e poupam-me certas coisas.
Não me vão dizer:"Rapaz, é preciso ir colar cartazes!".
Mas se mo dissessem eu até iria"».

(em cravodeabril.blogspot.com)

domingo, 29 de maio de 2011

humor

5 DE JUNHO



contra o catastrofismo-mete-medo,
contra o salve-se-quem-puder,
contra todos-ao-molhe-e-fé-em-deus,
contra os maria-vai-com-as-outras,
contra o são-todos-iguais,
contra o já-não-acredito-em-ninguém,




«(...) Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!»

Manuel da Fonseca




No Dia 5 de Junho vota em quem te merece confiança. VOTA ÚTIL, VOTA CDU

Gil Scott-Heron (1-4-1949 / 27-5-2011)





uma interpretação dos acontecimentos


O SENHOR ZHU, GOVERNADOR DO BANCO CENTRAL DA CHINA


CHRISTINE LAGARDE, A CANDIDATA FRANCESA DO FMI




O DINAR LÍBIO

O dinar líbio, primeira moeda do mundo (e última?) com o seu valor garantido em ouro e em Direitos Especiais de Circulação do FMI. Em 2000, o coronel Kadhafi tinha concebido a criação de uma moeda panafricana garantida pelo ouro. Mas não conseguiu concretizar essa ideia. Assim em 2009, uniu-se espontaneamente ao projecto de Zhu e o adoptou unilateralmente para o seu país.

OBAMA, A GUERRA FINANCEIRA E A ELIMINAÇÃO DE DSK

por Thierry Meyssan

(em voltairenet.org)

Impossível compreender a queda de Dominique Strauss-Kahn sem a situar no contexto do projecto que essa personagem representava: a criação de uma nova moeda internacional de reserva prevista para hoje, 26 de Maio de 2011. Um projecto paradoxalmente muito esperado, tanto pelos países emergentes como pelos meios apátridas do mundo da finança, ainda que recusado pelo complexo militar-industrial israelo-americano.

Thierry Meyssan levanta o véu sobre o golpe baixo com que a administração Obama trata de fugir aos seus compromissos.

Estupefactos, os franceses foram testemunhas da prisão nos Estados Unidos do mais popular líder político do seu país: Dominique Strauss-Kahn. Ex. Ministro de Economia, Strauss-Kahn converteu-se no funcionário melhor pago do mundo – com um salário básico anual de 461 510 dólares, sem contar prémios e gastos de representação – e dispunha-se, segundo se disse, a apresentar-se como candidato à Presidência da França. Esta personalidade ardente, de notório apetite á mesa e na cama, acusado por vezes de diletantismo em matéria de política devido ao seu gosto pelos prazeres da vida, tinha sido acusado de ter violado una criada num hotel de Manhattan.

Durante 6 dias, os franceses mantiveram-se agarrados aos seus televisores vendo atónitos a acusação judicial contra um homem a que se tinham habituado a considerar como uma opção possível depois do catastrófico quinquénio de Nicolas Sarkozy. A queda de Dominique Strauss-Kahn representava também o fim das ilusões de muitos franceses.

Há algo de tragédia antiga no espectáculo deste destino truncado. Tanto que lembra seguramente a frase romana «Arx tarpeia Capitoli proxima» que recorda que a Pedra Tarpeya, donde se lançava ao vazio os condenados à morte, está muito perto do Capitólio, símbolo do poder e das honras.

Independentemente de qualquer consideração sobre a sua inocência ou culpabilidade, o escárnio de que é objecto uma personalidade de tanta envergadura não pode despertar senão angústia num simples cidadão: Se uma personalidade desta categoria não consegue defender-se, o que seria de nós perante uma acusação similar?

Ascensão e queda

Mas os franceses são um povo conhecedor da política, que – sem o ter lido – cresceu no meio das lições de Maquiavel, pelo que não tardarão a interrogar-se sobre a veracidade da acusação contra DSK. Segundo as sondagens de opinião, 57% dos franceses no crê na história do animal com cio que a imprensa estado-unidense se entretém a divulgar. Alguns começaram a imaginar diversos cenários de manipulação, enquanto outros perguntavam «Cui bono?», ou seja A quem beneficia o crime?

O primeiro nome que surge é o de Nicolas Sarkozy. Como é possível não pensar nele quando recordamos que logrou converter-se em Presidente da França acusando ante os tribunais o seu principal rival, Dominique de Villepin, e mergulhando-o num escândalo de documentos falsos tão grotesco como este? Não seria então o caso DSK um novo complot destinado a eliminar o seu novo adversário?

Pouco importa que Sarkozy e DSK necessitem um do outro para a preparação dos próximos encontros cimeiras internacionais, nem que os dois se tenham posto ao serviço de um mesmo amo americano. Já se sabe que os piores crimes exigem precisamente o sangue dos amigos e incluso o dos próprios familiares.

Os franceses ignoram de todo os vínculos de DSK, tal como ignoravam os de Nicolas Sarkozy quando o elegeram presidente da República. Os jornais nunca disseram aos franceses que nos anos 1990, quando atravessava o deserto como político, DSK foi contratado como professor na Universidade de Stanford por uma tal … Condoleezza Rice. Também não sabem que DSK e seus súbditos Pierre Moscovici e Jean-Christophe Cambadelis assumiram o financiamento do Partido Socialista Francês e da Fundação Jean-Jaures por indicação da National Endowment for Democracy – fachada legal da CIA. Também não seguiram os seus numerosos trabalhos e contratos com os lobbies pensadores atlantistas, como o Fundo Marshall Alemão dos Estados Unidos ou o Grupo de Bilderberg. Nada sabe, finalmente, do seu compromisso a favor da integração da França e da Europa no seio de um grande mercado transatlântico sob o domínio dos Estados Unidos.

Os franceses não conhecem também os vínculos estritos de DSK com Israel. Dentro do Partido Socialista Francês, Dominique Strauss-Kahn dirige o Círculo Leon Blum, que leva o nome de um ex primeiro-ministro francês judeu. Este discreto e poderoso grupo de influência encarrega-se de afastar da cena política tudo que coloque em causa o projecto sionista. E já fez cair umas quantas cabeças, como a do politólogo Pascal Boniface que sublinhava o carácter eleitoralmente contraproducente do apoio a Telavive num país onde 10% da população é de cultura árabe. Mas DSK não escondia o seu jogo e inclusive chegou a declarar abertamente: «eu considero que todo o judeu da diáspora e de França deve contribuir com a sua ajuda a Israel. É por isso que é importante que os judeus assumam responsabilidades políticas. Em poucas palavras, desde as minhas funções e na minha vida de todos os dias eu trato de dar a minha modesta contribuição à construção de Israel.» Estranha declaração na boca de alguém que aspira a ser presidente de França. Mas não importa. É tão simpático!

Apesar do anteriormente dito, o ataque contra Dominique Strauss-Kahn, e contra as suas alegações, foi brutal. Enquanto se encontrava detido e posteriormente durante a sua prisão preventiva e sem nunca ter tido a menor possibilidade de dar explicação, o juiz de Nova York ordenou a entrega á imprensa de uma acta de acusação pormenorizada.

O documento contém a descrição, friamente clínica, do crime que se lhe imputa: «o acusado tratou de ter, pela força, uma relação sexual anal e oral com uma terceira pessoa; o acusado tratou pela força de ter relações vaginais com uma terceira pessoa; o acusado forçou uma terceira pessoa a [manter] um contacto sexual; o acusado reteve uma terceira pessoa; o acusado obrigou a uma terceira pessoa a [manter] um contacto sexual sem o seu consentimento; o acusado, de maneira intencional e sem razão legítima, tocou os genitais e outras partes íntimas de uma terceira pessoa com o objectivo de desonrar essa pessoa e de abusar dela, e com o objectivo de saciar el desejo sexual do acusado. Esses delitos foram cometidos nas seguintes circunstâncias: uma pessoa conhecida dos serviços do tribunal o informou que o acusado 1) fechou a porta do apartamento e impediu a denunciante de sair do apartamento 2) agarrou nas mamas da denunciante sem o seu consentimento; 3) tratou de retirar à força as cuecas dessa pessoa e de tocar nos seus genitais à força; 4) forçou a boca da denunciante a tocar o seu pénis por duas vezes; 5) pôde cometer esses actos mediante o uso da força física

Tudo isto se expôs durante dias no noticiário das 20 horas, com abundantes detalhes, sob o olhar curioso de pais que regressaram do trabalho e de miúdos atónitos que desviavam o olhar dos seus pratos de sopa.

O choque cultural

Não se sabe neste momento quem está mais traumatizado, se o brilhante economista que ia salvar a humanidade da crise financeira e se vê agora degradado á categoria de infame criminal, ou o povo que aspirava a um alívio e planeava elegê-lo como chefe e se vê agora uma vez mais no papel de testemunha impotente da violência dos Estados Unidos.

Ao abordar o tema, os franceses procuram respostas no sistema judicial anglo-saxão cujos mecanismos estão vendo em acção. É certo que já tinham vista esta paródia de justiça nas séries de televisão, mas não acreditavam que aquilo poderia ser real. E também não quiseram saber anteriormente do sistema extrajudicial, nem saber de Guantánamo nem das prisões secretas. Alguns comentadores franceses trataram de explicar a rudeza da polícia estadounidense e do juiz de primeira instância como um propósito de dar o mesmo tratamento a débeis e a poderosos. Todos tiveram a oportunidade de ler os trabalhos de ilustres sociólogos que demonstram que no seu iniquo sistema o dinheiro é dono e senhor e que a justiça tem um carácter de classe.

Os franceses aceitaram também sem protestar as acusações da im prensa anglo-saxónica. Publicou-se que tudo é culpa da imprensa francesa que, em nome do respeito da vida privada, não investigou a vida sexual desenfreada do senhor Strauss-Kahn. Os puritanos argumentam em seguida que todo aquele que seduz as mulheres de forma ostensiva, chegando a incomodar e por vezes a pressioná-las, é um violador potencial. Ou seja, «Quem rouba uma vez, rouba cem vezes!» A capa da revista estadounidense Time representa DSK e os são como ele com a imagem de um porco. Ninguém disse que o acusado dirigia o FMI e vivia em Washington desde há 3 anos sem que a imprensa anglo-saxónica que tanto se preocupa agora por dar lições de jornalismo, se ocupasse anteriormente de investigar os seus supostos vícios.

Como a acusação já abriu o caminho da suspeita, todo o mundo se lembra agora – ainda que um pouco tarde – que DSK tratou de forçar em 2002 Tristane Banon, una bela jornalista francesa. Ante um pedido de entrevista, DSK convidou-a para um apartamento particular, no histórico bairro parisiense conhecido como Le Marais. Aí recebeu a jovem num andar com grande tamanho, que nem sequer estava mobilado, exceptuando uma grande cama. E como a bela não se entregava ao libertino, este último atingiu-a. Será que em Nova York a violência invadiu o homem galante transformando-o em criminoso?

Nada permite imaginar esse cenário, sobretudo se se tiver em conta que DSK não é propriamente um solteiro amargurado. Está casado com uma estrela de televisão, Anne Sinclair, que foi a jornalista favorita dos franceses antes de deixar a sua profissão para o acompanhar, na sua carreira. Os franceses voltaram a vê-la no tribunal, durante a apresentação de Dominique Strauss-Kahn ante o juiz, com uns anos mais mas tão bela e voluntariosa como sempre. Neta de um grande comerciante de obras de arte, Anne Sinclair dispõe de uma confortável fortuna familiar. Chegou de Paris e pagou sem vacilar um milhão de dólares de fiança, depois de oferecer uma garantia bancaria suplementar de 5 milhões de dólares. Ou seja, esta mulher mais que endinheirada estava disposta a tudo para tirar o seu marido das garras da justiça estadounidense, atitude que a fazia mais mais admirável ainda. A esposa que costumava acompanhá-lo a La Chandelle, um clube parisiense de troca de pares, não o fazia pagar as suas infidelidades.

DSK e o complot.

Nenhuma nação digna desse nome teria tolerado que uma personalidade considerada aspirante á Presidência da República e a ser o máximo representante do país aparecesse com a esposa entre os esbirros do FBI, que o meteram num veículo policial como um vulgar delinquente e que o exibissem ante um tribunal. O mais provável seria que as pessoas se dirigissem á embaixada dos Estados Unidos cantando hinos patrióticos. Nada disso sucedeu em França. Os franceses sentem demasiada admiração pelos «americanos». Olham para eles como o coelho hipnotizado pela cobra. E custa-lhes admitir que a França não é o umbigo do mundo, que se há um complot não ter tem que ser obrigatoriamente um complot tramado nas margens do Sena, e sim nas encostas do Potomac.

O sequestro

DSK é culpado de violação ou vítima de um complot? A simples reflexão permite responder a essa pergunta sa interrogante.

Afirma-se que o acusado havia passado a noite na companhia de uma call girl e que a violou à camareira no momento do pequeno almoço. Depois reuniu-se tranquilamente com a sua filha, estudante da Universidade de Colúmbia, para almoçar com ela e finalmente foi tomar o voo, reservado desde há vários dias, para reunir-se com a chanceler alemã Ângela Merkel em Berlim. Falava confortavelmente instalado no seu assento do voo de Air France quando foi preso 10 minutos antes do levantar de voo.

Segundo a tripulação do avião, os polícias da Unidade de Vítimas (a mesma da série de televisão A Levy e a Ordem: Unidade de vítimas especiais) não recorreram aos seus colegas do aeroporto para que fizessem a prisão mas quiseram realizá-lo eles mesmos, arriscando chegar demasiado tarde. Para evitar que alguém pudesse prevenir DSK, solicitaram também que se interferisse no sinal do telefone móvel nessa zona do aeroporto durante el tempo necessário até que eles chegassem ao local. Mas a possibilidade de interferir no sinal de um telefone móvel não entra nas prerrogativas de una brigada de luta contra o vício. Trata-se assim na realidade de um caso de segurança nacional.

Durante a detenção, o suspeito foi privado de todo o contacto com o exterior, com excepção dos seus advogados segundo o previsto no direito estadounidense. Mas quando a juíza Melissa Jackson o pôs em prisão preventiva, voltaram a privá-lo de todo contacto com o exterior, já de forma injustificada. Explicou-se que a prisão preventiva era necessária porque ol acusado podia tratar de fugir para França, Estado com que Washington não concluiu nenhum acordo de extradição e que protegeu o cineasta Roman Polanski, acusado também de violação. A decisão não tinha sido tomada para isolar o acusado e impedi-lo de influenciar os testemunhos, mas a juíza decidiu encerra-lo em Rikers Island, uma das maiores prisões do mundo – com 14 000 detidos – e também uma das más tenebrosas, um verdadeiro inferno terrestre. «Para a sua protecção», meteram-no numa cela individual e mantiveram-no incomunicável.

Em definitivo, o director general do FMI esteve sequestrado durante 10 dias. O funcionamento da instituição internacional esteve bloqueado durante 10 dias por falta de liderança autorizada. Durante 10 dias, os problemas do euro e do dólar, a quebra da Grécia e muitas outras questões ficaram suspensas, esperando pela boa vontade de policias, juízes y carcereiros.

Segundo a jurisprudência estadounidense, DSK –ao não ter antecedentes penais e dispor de um domicilio em Washington– não deveria ter sido posto em prisão preventiva e deveria sim ter sido posto em liberdade sob fiança. É provável que ele mesmo tenha compreendido rapidamente a situação. Através de um dos seus advogados fez chegar ao FMI uma carta de renúncia. No dia seguinte, inesperadamente, um novo juiz aceitou o seu pedido de liberdade sob vigilância. Já era inútil mantê-lo entre grades, porque o FMI tinha recuperado a sua capacidade de acção.

A saudação de Christine Lagarde a todos os que acreditaram nas promessas de Washington ao senhor Zhu.

Sabia-se que Christine Lagarde, a ministra de Economia de França, fez carreira nos Estados Unidos defendendo os interesses do complexo militar-industrial, como presumível sucessora do acusado na direcção do FMI, apesar dos veementes protestos de Rússia e China.

O segundo advogado, Benjamín Brafman, não foi vê-lo á prisão nem se apresentou na sua segunda comparência ante o juiz. A estrela do colégio de advogados de Nova York tinha saído precipitadamente para Israel. Oficialmente, para celebrar em família una festa religiosa nesse país. Para ganhar os seus honorários, contudo, o advogado Brafman não se limitou seguramente a acender as velas do Lag Ba’homer mas teve provavelmente que negociar ajuda para o seu cliente.

O projecto Zhu

Porquê então toda esta sucessão de factos digno de uma película de Hollywood para bloquear a actividade do FMI por 10 dias? São duas as possíveis respostas e podem estar vinculadas entre si..

Em primeiro lugar, em 29 de Março de 2009, o governador do Banco Central de China, Zhu Xiaochuan, tinha questionado el predomínio do dólar estadounidense como moeda de reserva. Depois de deplorar que o projecto do economista John Maynard Keynes de criação de uma moeda internacional (o Bancor) no não tivesse chegado a concretizar-se no fim da Segunda Guerra Mundial, o senhor Zhu propôs a utilização dos Direitos Especiais de Circulação (em inglés Special Drawing Rights o SDR. Ndt.] do FMI para assumir esse papel.

Zhu Xiaochuan não disse a sua última palavra.

Em 2 de Abril de 2009, na Cimeira do G20 celebrada em Londres, Estados Unidos aceita que se tripliquem os recursos dol FMI assim como a emissão, por parte do próprio FMI, de Direitos Especiais de Circulação (DEG, siglas em espanhol.) por valor de 250 000 milhões de dólares. Também aceitou, em princípio, a criação de um Conselho de Estabilidade Financeira a que estariam associados os grandes países emergentes.

A ideia discutiu-se em 8 de Julho de 2009, durante a Cimeira do G8 em Aquila, Itália. Adiantando um pouco mais, Rússia propôs-se não se conformar com uma moeda virtual e emitir realmente essa moeda. Dimitri Medvedved, que tinha dado ordem de imprimir simbolicamente vários protótipos da dita moeda, pôs inclusive vários deles sobre a mesa. Estos mostravam, por um lado, as efigies dos 8 chefes de Estado e , no outro, a divisa em inglês «Unity in Diversity».

O projecto foi submetido aos especialistas da Divisão de Assuntos Económicos e Sociais da ONU. A informação dos ditos especialistas, entre os que se encontra o professor Vladimir Popov da New Economic School de Moscovo, foi analisado em 25 de Abril de 2010 numa reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial.

Todo este processo devia concretizar-se precisamente neste 26 de Maio de 2011, durante a Cimeira do G8, em Deauville, França. O dólar cessaria então de ser a moeda de referencia, o que teria tido como pano de fundo a iminente cessação de pagamentos do governo federal de Estados Unidos. Washington teria renunciado assim ao financiamento do seu superpoderio militar através da dívida para se consagrar à sua reestruturação interna.

O grão de areia

Desgraçadamente, durante os últimos meses desse processo, iniciativas militares e políticas perturbaram esse plano. Certos Estados –como Rússia e China– foram enganados. A prisão de Dominique Strauss-Kahn demonstra que Washington vinha actuando de má-fé e que as suas concessões não eram senão uma forma de ganhar tempo.

Ainda que secretos os detalhes da estrutura que Dominique Strauss-Kahn tinha montado para criar a nova moeda de reserva vinculada aos Direitos Especiais de Circulação do FMI, parece ser que á Líbia tinha nela um papel chave já que, de forma experimental, o Banco Central líbio ia reconverter a sua moeda, ó dinar, nos mencionados DEG. O assunto era particularmente importante já que o fundo soberano da Líbia é um dos mais ricos do mundo – mais do que na Rússia.

Mas ao entrar em guerra com a Líbia, a França e o Reino Unido provocaram um congelamento teórico não só dos fundos da família de Kadhafi, mas também dos fundos do Estado líbio. Pior ainda, Paris e Londres tinham enviado quadros do banco HSBC a Benghazi para criar nessa cidade um Banco Central líbio dos rebeldes e tratar de se apoderar dos fundos da nação. Não se sabe se Nicolas Sarkozy y David Cameron se deixaram arrastar pelo seu projecto de força ou se actuaram por ordem dos seus amos de Washington, mas o certo é que a frágil estrutura de Dominique Strauss-Kahn veio-o abaixo.

Segundo os nossos contactos em Trípoli, no momento da sua prisão DSK estava saindo para Berlim para buscar uma solução com a chanceler Ângela Merkel. Posteriormente tinha que partir, na companhia de um emissário da senhora Merkel, para negociar com representantes do coronel Kadhafi –talvez directamente com este último–, cuja assinatura era indispensável para desbloquear a situação.

Estamos assistindo agora a uma guerra financeira de proporções nunca vistas. Em momentos em que a situação económica de Estados Unidos se desequilibra mais que nunca e o dólar pode converter-se a qualquer momento em simples papel impresso, o acordo concluído com o G8 e com aval do G20, elaborado pelo l FMI em coordenação com o Banco Mundial e com os meios bancários internacionais, cujo autor era DSK, está agora suspenso. O domínio do dólar permanece intacto, mas mais artificial que nunca. Trata-se do dólar cujo valor os Estados emergentes querem relativizar, mas que serve de base ao poderio do complexo militar-industrial israelo-estadounidense.

Nesse contexto, que valor tem a honra de um homem?

TRADUÇÃO DO ESPANHOL : CR

sábado, 28 de maio de 2011

Katie Melua - 9 Million Bicycles (live AVO Session)

HUMOR




O Condestável descola na tabela classificativa


Mesmo estando convencido de que durante os meus tempos de fumador entusiástico, consegui produzir mais “beatas” do que a Igreja Católica em toda a sua existência... a capacidade “beatificante” daquela organização não pára de me assombrar. Para além de que também conseguem fabricar “beatos”... coisa que eu nunca soube como se fazia.
Só para lembrar os mais próximos:

Ele foi o “Condestável” D. Nuno Álvares Pereira, que tendo hoje o seu nome muito justamente ligado a azeites virgens da mais fina qualidade, teve mesmo assim a generosidade de fazer um milagre envolvendo batatas fritas no mais humilde óleo para frituras, nem sei se de girassol, se de amendoim.

Ele foi o papa polaco João Paulo II, que fez o espantoso milagre de aparecer todo sorridente, ao lado de um Augusto Pinochet, também todo sorridente, a uma das varandas do Palácio de La Moneda... o mesmíssimo lugar onde este último, havia apenas catorze anos, tinha assassinado o Presidente Salvador Allende e empapado as mãos com o sangue do massacre de mais de trinta mil chilenos. João Paulo II conseguiu estar ali, durante um bom pedaço... Um assinalável milagre, portanto... embora o Vaticano apenas lhe reconheça um outro milagre, envolvendo uma freira francesa que padecia da doença de Parkinson.

Ele foi a nossa irmã Maria Clara (não confundir com a cantora Maria Clara, mãe do Dr. Júlio Machado Vaz... que essa apenas produzia o milagre de fazer parecer a “Costureirinha da Sé” uma canção suportável)... foi a nossa Maria Clara, como dizia, que restaurou um braço desenganado dos médicos a uma espanhola...

... e agora mais um. Agorinha mesmo... mais precisamente, ontem à tarde.

Cheguei a casa, meio esparvoado de calor e deitei mão a um destes belos copos de “Refrigerantes Condestável”. Bebi apenas uns goles e... milagre!, a singela bebida fez jus à palavra “refrigério”. Fiquei como novo! Qualquer médico é capaz de atestar que eu estou que pareço uma pessoa que nunca teve aquela sede que me finava e definhava por dentro. Acho que serei até capaz de voltar a sair à rua!

Portanto o papa João Paulo II (que já tem quem ande a tratar disso) e a nossa Maria Clara vão ter que se esforçar mais um pouco. O “Condestável” já está a ganhar...

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MENSAGEM










Á VISTA AUMENTO DA ELECTRICIDADE EM 10%



Leia-se com atenção, e repare-se no que ele significa, o ponto 5.15 do «Portugal: Memorando de entendimento sobre condicionalismos específicos de política económica» que foi acordado pelo governo com a troika estrangeira e é apoiado pela troika nacional - PS, PSD e CDS:

«5.15. Aumentar a taxa de IVA da electricidade e do gás (actualmente em 6%), bem como os impostos sobre o consumo de electricidade (actualmente abaixo dos mínimos exigidos pela legislação da UE). »

Ora, partindo do príncipio benévolo que os preços da electricidade e do gás passarão ao escalão intermédio do IVA, ou seja 13%, e não para o escalão normal (23%), isto significa desde logo que no 4º trimestre deste ano esses preços iriam aumentar pelo menos 7%.

Mas acresce ainda que a electricidade vai ter um imposto específico sobre o consumo cujo montante se desconhece mas não é nada arriscado prever que, juntando «aumento normal», aumento do IVA e imposto especial, a electricidade vai aumentar mais de 10%. !!!

Agora é só fazer as contas sobre o reflexo disto nos orçamentos familiarese, já agora, antecipar a notável contribuição que este aumento da energia dará à competitividade das empresas portuguesa.

(em tempodascerejas.blogspot.com)

Pina Bausch / Wim Wenders

AVISO

Os titulares dos cargos autárquicos estão sujeitos ás reduções remuneratórias resultantes da Lei que aprovou o Orçamento de Estado para 2011, desde que aufiram remunerações totais ilíquidas mensais de valor superior a 1500 euros. A taxa aplicável varia entre os 3,5% e os 10%

Assim uma mera senha de presença nas sessões da Assembleia Municipal sujeita-se aos ditames orçamentais da troika nacional (PS, PSD e CDS), a mando da troika estrangeira.

O RESPEITO E A DIGNIFICAÇÃO DO PODER LOCAL VIVEM SUBMETIDOS Á SANHA ESPOLIATIVA DE UM GOVERNO DE INCOMPETENTES E DOS INTERESSES PARASITÁRIOS DA GRANDE FINANÇA

quinta-feira, 26 de maio de 2011

GRAFISMOS ANA BISCAIA






ANA BISCAIA
Desenho ContemporÂneo


Formada em Design de Comunicação, tirou um mestrado em Design Gráfico e Ilustração em Estocolmo, na Suécia, onde vive neste momento. Como designer gráfica e ilustradora já colaborou com inúmeras editoras como ETC, Edições Culturais do Subterrâneo, Edições Eterogémeas, Editora Canto Escuro e também com a revista Umbigo e o Teatro Efémero em Aveiro. O desenho é a sua maior paixão e a grafite uma das ferramentas de eleição.

The Gift - Primavera [Acústico na Rádio Comercial]

Noticias da feira das promessas...

O Jornal de Notícias complementa as reportagens diárias da Campanha Eleitoral de cada Partido ou Coligação Eleitoral com um Barómetro que pretende caracterizar os líderes em campanha. É uma muito discutível forma de apreciação da actividade politica. É uma sua perversão na linha da redução do político ao simplesmente mediático, da substituição do verdadeiramente importante ao acessório.

Nesse Barómetro há 4 escalas de 1 a 10, em que se avalia uma pretensa “convicção nas promessas”, uma subjectiva “empatia nos contactos”, uma pueril “clareza nas promessas” e uma extraordinária “capacidade de convencimento”. Vê-se assim sem dificuldade por onde anda o nosso jornalismo de referência, por onde navega o direito á informação do jornalismo do mainstream. Até a palavra “promessa” se destaca em tão foleira classificação em contraponto a uma adequada “mensagem” ou “conteúdo”.

Perguntar-se-á se quando Passos Coelho sobe por uma escada para apanhar cerejas, numa “iniciativa eleitoral” devidamente programada e divulgada, se não se deveria classificar com nota máxima a “convicção” do acto, a sua “clareza”, já não falando da “empatia” de Passos Coelho com as cerejas ou da “capacidade de convencimento” dos produtores de cereja, assim obtida.

O mesmo se diria de Sócrates na “empatia” do contacto com as comunidades asiáticas emigrantes cuja “capacidade de convencimento” pede meças aos Super-Dragões, acompanhando-o para todo o lado. São “claras” as intenções, a valorizar pelo avaliador “jornalístico”. A jornalista que “acompanha” Francisco Louçã não tem dúvidas: classifica-o de “10” a quase tudo, num esforço homérico de valorizar um desempenho, pisando o risco do proselitismo político. No dia 25 não houve barómetro para Louçâ, não se sabendo se houve um esquecimento, um “puxar de orelhas” ou o desempenho ter ultrapassado o cimo da escala…

As apreciações dos outros são mais comedidas, nomeadamente a de Carla Soares, que tem dificuldade em encontrar “convicção” em Jerónimo de Sousa, talvez por este não ser dado a fazer promessas mas sim a sublinhar compromissos para o futuro.

Também no Jornal i, predominam as criatividades. O título de uma notícia dizia: “Jerónimo de Sousa em terras perdidas para os comunistas”. E acrescentava “Campanha da CDU em Portalegre é uma batalha perdida”. O 2 deputados eleitos no Distrito excluem muitas pessoas que naquele desertificado Distrito não se reveêm no PS e no PSD. Mas esse raciocínio é demasiado profundo para uma qualquer Kátia Catulo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A INAPAGÁVEL CHAMA REVOLUCIONÁRIA DE TINA MODOTTI

Imagine nascer alguns anos antes do início do século XX em uma família de operários italianos e ter que enfrentar a fome e o trabalho árduo em uma fábrica de tecidos. Depois, migrar para o USA e para o México, ajudar a fundar o Partido Comunista, servir de modelo para os murais de Diego Rivera, ter como companheiros de luta e amigos Pablo Neruda, Frida Kahlo, Augusto Sandino, Farabundo Marti, Alexandra Kollontai e Norman Bethune?

Imagine aprender fotografia com Edward Weston, conhecer o grande cineasta soviético Eisenstein e cuidar da saúde da revolucionária espanhola conhecida por La Pasionária. Essa foi Tina Modotti, comunista e revolucionária italiana, admirada por seus camaradas pelo talento de suas composições fotográficas, mas acima de tudo pela dedicação com que colaborou na construção da organização de apoio aos perseguidos políticos na primeira metade do século passado, no Socorro Vermelho Internacional (SVI).

Nascida em 16 de Agosto de 1896 na cidade de Udine, no norte da Itália, como Assunta Adelaide Luigia Modotti Mondini, Tina Modotti teve que trabalhar desde cedo para ajudar a família. Acabou emigrando para São Francisco, Califórnia, em busca de melhores condições de vida.
Tina participou de algumas apresentações de teatro para a comunidade italiana da cidade e logo depois conseguiu trabalhar em alguns filmes dos primeiros anos de Hollywood.
No meio aos artistas estadunidenses da época, Tina conheceu Robo, Roubaix de l'Abrie Richey com quem viveu, até que ele morreu de varíola em uma viagem ao México, em 1922.
Tina acabou chegando ao México no meio dessa tragédia pessoal, mas logo se encantou pelas cores, pelo espírito caloroso do povo mexicano e principalmente pelo compromisso político e social em que viviam os artistas que conheceu. Foi nesse ambiente que começou a fotografar.
Posou como modelo para alguns murais de Diego Rivera. Em um deles, aparece ao lado de Frida Kahlo distribuindo armas ao povo para a luta revolucionária. Manteve estreita amizade com a artista mexicana e logo conheceria Siqueiros, Orozco e Xavier Guerrero, importantes pintores, muralistas e fundadores do Partido Comunista do México.
Ávida por envolver-se na luta revolucionária, Tina passa a colaborar como tradutora para o jornal comunista El Machete e desenvolveria na fotografia, que aprendera com Edward Weston, uma perspectiva de classe. Ao invés de apenas retratar o belo, Tina procurou fazer de suas fotografias uma arma de denúncia, registo e valorização do povo mexicano e sua luta, unindo sensibilidade, crítica social e beleza. E conseguiu. Até hoje o seu nome é lembrado como um das mais importantes fotógrafas de seu tempo.
Embora sob diversos limites, o PCM vivia sob legalidade no México, mas em 1929 passou a clandestinidade, com vários comunistas presos e estrangeiros deportados.
Tina Modotti havia conhecido o revolucionário cubano Júlio Antônio Mella, fundador do Partido Comunista de Cuba, importante líder aintiimperialista na América Latina e opositor do governo títere de Cuba. Tina e Júlio se apaixonaram e passaram a viver juntos.
No dia 10 de fevereiro de 1929, enquanto o casal caminhava pela rua Abraham González, próximo ao centro da Cidade do México, homens à mando do títere cubano Gerardo Machado dispararam dois tiros em Mella e o revolucionário morreu nos braços de Tina.
A imprensa começa uma campanha de calúnia contra Tina Modotti, insinuando que ela própria teria assassinado seu companheiro. As acusações misturavam anticomunismo com as típicas acusações de promiscuidade que fazem contra as mulheres quando o desejo é difamá-las.
Tina acabou sendo expulsa do México e a polícia italiana pretendia prendê-la tão logo chegasse à Europa. Esse episódio lembraria o que aconteceu com a revolucionária alemã Olga Benário Prestes, enviada pelo governo Vargas para ser assassinada pelos nazistas.
Com Tina seria diferente, pois antes que pudesse acabar nas mãos de Mussolini, a seção holandesa do Socorro Vermelho Internacional, no Porto de Roterdã, livraria Tina das garras da polícia e ela chegaria a Berlim.
Na Alemanha, Tina aprofundaria sua militância no Socorro Vermelho Internacional, que atuava na defesa dos presos políticos e vítimas de guerra. Tina Modotti se tornaria uma importante dirigente, escreveria muitos artigos, traduziria outros tantos para o Socorro Vermelho, seria conhecida por muitos com o nome de código de "Maria", apenas, e atuaria na França, Espanha, URSS e em diversos outros países.
Sua principal atuação foi na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola e nos primeiros embates entre comunistas e republicanos contra o nazi-fascismo e o golpe de Franco. Tina cuidou de milhares de feridos, arriscou inúmeras vezes a vida, mas principalmente viu muito sofrimento entre as vítimas do fascismo, o assassinato de centenas de crianças, assistiu aos massacres em Málaga e ajudou na retirada de mais de 1 milhão de refugiados ao longo da fronteira da Espanha com a França.
Tina Modotti foi uma revolucionária, comunista e internacionalista, muitos dos que a conheceram lembram-se de sua simplicidade, abnegação e de seus discursos em alemão, inglês, espanhol, italiano, francês e russo.

Da França retornou ao México, mas já com a saúde bem debilitada. Embora tivesse pouco mais de 40 anos, seus amigos recordam que sua aparência, devido ao incansável trabalho, era de uma mulher de 60 anos. Em 5 de janeiro de 1942, depois de uma visita ao arquiteto Hannes Meyer, morreu de ataque cardíaco fulminante dentro de um táxi que a levaria para casa. Foi enterrada como todos os comunistas gostariam de ser, com a bandeira vermelha com a foice e o martelo sobre seu caixão, em meio aos seus camaradas, ao som do hino A Internacional.

Artigo baseado, entre outras fontes, na biografia ilustrada No rastro de Tina Modotti, de Christiane Barckhausen, traduzido por Cláudia Cavalcanti, publicado pela editora Alfa-Omega.





Fotografia de Tina Modotti de uma Marcha do 1ºde Maio de 1929 em que se vêem Diogo Rivera e Frida Khalo




Fotografia Sombrero mexicano, com martelo e foice, de 1927



Tina Modotti em The Tiger's coat, de 1920


Fotografia da própria Tina


fotografia Mulher com Filho

ao que chegou o PS!...(II)

O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde (dos jornais)

Será que Sócrates, de lobo-mau, virou lobo-marinho?