um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sábado, 30 de abril de 2011

Anna Calvi - The Devil

actividade institucional

TEXTO – MOÇÃO SOBRE O 25 DE ABRIL

ABRIL de 2011, volvidos 37 anos sobre a data que nos libertou dum regime retrógrado, totalitário e opressor, podemos dizer que os valores que brotaram do 25 de Abril de 1974 estão seriamente ameaçados com esta politica de subserviência ao capital financeiro mundial levando ao encerramento de milhares de pequenas empresas impondo grandes sacrifícios ao povo Português especialmente aos que menos têm e menos podem.

Apesar de todas as ameaças, a luta vai continuar por uma nova política que promova os valores de Abril e que dê Esperança a Portugal.

O país vive confrontado com uma profunda crise económica e social. Mais de 700.000 trabalhadores estão no desemprego, centenas de milhar sem protecção social, a precariedade alastra, empobrece-se a trabalhar, a emigração voltou a ser uma necessidade.

Mais de 2 milhões de portugueses vivem na pobreza, o acesso a direitos essenciais, como a saúde, a habitação digna, a acção social, o ensino de qualidade, a cultura, estão em resultado da política de direita cada vez mais longe de ser uma realidade para todos. Acentuam-se as assimetrias entre o litoral e o interior.

Traindo os valores e ideais de Abril, o país está confrontado com uma intervenção externa por via da União Europeia e do FMI em resultado de uma decisão tornada no quadro das cedências do governo PS ao grande capital. Cedências que o povo português não pode aceitar.

Este é cada vez mais o tempo de defender e afirmar Abril! É tempo de respeitar, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e de não a subverter

OS ELEITOS DA CDU NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES

(moção aprovada com 36 votos a favor da CDU e do PSD, e 14 votos contra do PS e do CDS)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DA CAVALARIA...

“O presidente da Junta, fazendo jus às suas qualidades de arruaceiro e malcriado acusou a CDU de ter tido uma atitude intimidatória nas últimas mesas eleitorais e, demagogicamente, disse ter chamado a GNR.

Algo que fez Miguel Correia indignar-se apelidando Joaquim Mota de mentiroso e acusando-o de ser uma vergonha para Lordelo, como se viu na última Assembleia Municipal”

(em pcplordelo.blogspot.com)

Na sessão anterior da AM de Paredes, Joaquim Mota (PSD) aludiu a episódios que terão ocorrido no mandato de Manuel Luís (PS) à frente dos destinos da Junta de Freguesia, acusando o eleito do PS de várias ilegalidades, entre as quais a apropriação ilegítima de mobiliário.

De recordar que também nas sessões das Assembleias de Freguesia de Lordelo, Mota tem lançado duras críticas a Manuel Luís, acusando este de não ter sabido conduzir da melhor forma os processos da criação da zona industrial de Lordelo e dos baldios no lugar de Parteira. Tudo isto na ausência do visado.
O antigo presidente da Junta de Freguesia de Lordelo aproveitou o período antes da ordem do dia para responder às acusações e insinuações lançadas por Joaquim Mota. Manuel Luís lembrou que o desvio de dinheiro por parte de uma ex-funcionária da Junta ocorreu quando Joaquim Mota já era presidente da Junta e afirmou que este recebe uma pensão como deficiente das Forças Armadas sem ter nenhuma deficiência visível...

Na contra-resposta Mota afirmou que Manuel Luís teve e tem várias mulheres e filhos de mulheres diferentes, insinuando que o ex-presidente da Junta tem um conduta promíscua.
Perante as acusações e difamações, sendo particularmente e de muito baixo nível intelectual e moral a intervenção de Joaquim Mota, o presidente da Assembleia Municipal Granja da Fonseca manteve uma postura de passividade, revelando não ter perfil para encabeçar um órgão que merecia mais respeito!

(em pcp-afarpa.blogspot.com)

Direito de Resposta do Senhor Deputado Joaquim Mota – refutou as acusações e explicou que quanto á questão do desvio de dinheiro, o caso foi levado e averiguado pelo Ministério Público que revelou que já no tempo do Senhor Manuel Luís a funcionária em causa desviava fundos. Quanto á questão relacionada com a pensão das Forças Armadas , revelou ter tido um acidente relacionado com manobras da NATO e que o senhor deputado antecedente (Manuel Luís) disso tinha pleno conhecimento e que se orgulhava de ter sido Oficial de Cavalaria e de ter servido o Exército Português

(extracto da Acta da Assembleia Municipal de Paredes)

Prince - Purple rain

uma nova ideologia





EIS O SOARISMO-CAVAQUISMO-EANISMO-SAMPAISMO

ORGÃO CENTRAL - O CONFORMISMO DO POVO

PALAVRAS DE ORDEM

- Mais vale uma soneca após uma refeição do que invectivar o governo numa manifestação

- Estamos com Sócrates e Coelho, mas não queremos que se saiba

- Tolos não somos demais!

sem comentários




quinta-feira, 28 de abril de 2011

pintura








Nikias Skapinakis - Delacroix no 25 de Abril

UMA INFÂMIA DO GOVERNO VENEZUELANO

O governo venezuelano, com autorização do Presidente Chávez, entregou dia 26 o jornalista colombiano-sueco Joaquín Pérez Becerra aos seus algozes do regime narco-fascista colombiano. A detenção de Pérez Becerra no aeroporto de Caracas, dia 23 de Abril, foi ilegal. E a sua extradição sumária para a Colômbia, sem qualquer processo, mais ilegal ainda. As autoridades venezuelanas nem sequer permitiram que se entrevistasse com advogados ou com o consul da Suécia, país onde vivia desde 1994 e cuja nacionalidade havia adquirido. Este acto indigno é uma capitulação vergonhosa do governo venezuelano e gera a suspeita de um conluio com os serviços secretos do estado colombiano. Ele vem na sequência de outros análogos realizados anteriormente. Pérez Becerra é um sobrevivente do genocídio cometido contra a União Patriótica na década de 1980. Refugiado na Suécia, adquiriu a nacionalidade sueca e dirigia ali a agência de notícias ANNCOL. O seu único "crime" foi denunciar ao mundo os massacres do regime de Uribe e de Santos, as fossas comuns, os falsos positivos, o deslocamento de populações, o paramilitarismo e a violação sistemática dos Direitos Humanos por parte do Estado colombiano.

CASO BECERRA: SUÉCIA EXIGE EXPLICAÇÕES AO GOVERNO VENEZUELANO

"A Suécia pediu à Venezuela para explicar porque as autoridades suecas não foram informadas quando elas detiveram um cidadão sueco e extraditaram-no para a Colômbia" , declarou Teo Zetterman, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia. E acrescentou: "Ainda não recebemos uma resposta". Por outro lado, desde terça-feira está bloqueado o sítio web da ANNCOL , agência de notícias cujo servidor está na Suécia. Trata-se de um ataque de hackers a este media electrónico. Quando se tenta abrir a página aparece a indicação "Suspended Account". Perante este novo atentado à liberdade de imprensa, correspondentes populares de todo o mundo multiplicam iniciativas para romper o silêncio que o narco-fascismo colombiano pretende impor. Será preciso criar dezenas de ANNCOL por todo o mundo. A obra de Joaquín Pérez Becerra, encarcerado em Bogotá, deve continuar mesmo sem o seu director.

(em resistir.info)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ZECA MEDEIROS - Gosto tanto de ti que até me prejudico

poesia

O PRIMEIRO ASTRONAUTA

O primeiro astronauta
devia ter sido
Silvestre José Nhampose

Só ele
teria sacudido os pés
à entrada da Lua

Só ele
teria pedido
com suave delicadeza:
- dá licença?

Mia Couto

DESTINO

A ser cão,
antes vagabundo
sem pão,
passadas firmadas,
lés a lés,
no mundo
a meus pés.

Carlos Aboim Inglez

MARCHA

Lá vem o cortejo
pela rua fora
tocando os seus gritos
de que está na hora.
Estremecem vidraças
tremem os portões
na casa da praça
e a velha transida
com medo da morte
por medo da vida
lá vai aos baldões
estreitar-se ao pescoço
do seu cão de caça.

Vêm baionetas
correndo em tropel
mais metralhadoras
gargalhando triste
e tinta a granel
de mangueira em riste.
Lá vêm a passo
os lacrimogéneos
os arquimausgénios
capacetes de aço.
Lá vêm em bicha
defender vidraças
defender portões
defender a praça
defender a velha
defender o cão
defender a caça.

E viva o poeta
que tem tanta graça.

Francisco Viana

Filme - O Que É Aquilo, Filho? - Um Pássaro, Pai !

Semana santa do FMI, Procissão do BCE, Enterro da Europa connosco. Cristo & os ladrões























por César Príncipe

Se Cristo foi crucificado na companhia de dois ladrões, o Povo Português está a ser crucificado por três ladrões, representantes do Novo Império Romano.

Mas nesta província de Roma outros três acertam o preço do Calvário.

No dia 5 de Junho que ninguém se esqueça de manifestar gratidão aos ladrões.

Eles merecem.

Procure saber atempadamente onde há-de depositar o seu boletim/Cartão de Boas-Festas.

Vista a túnica das filas de condenados e ponha a coroa ou o euro de espinhos.

Ofereça os pregos aos algozes para ajudar às despesas da crucificação.

A austeridade o impõe.

Não se engane a colocar a cruz.

Vai ter uma surpresa: a urna cheirará a cadáver.

Cheire bem.

Pode ser o seu.

Caso não reconheça o aroma, resta uma certeza: é do Povo Português ou do Reynno Cadaveroso.

BOAS AMÊNDOAS

BOM ALLGARVE

Portugal, 22 de Abril de 2011

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

terça-feira, 26 de abril de 2011

COMPROMISSO ELEITORAL (II)


Apresentação do Compromisso Eleitoral do PCP - Legislativas 2011 - Intervenção de Agostinho Lopes
(cont.)

O Compromisso hoje apresentado pelo PCP, a partir da abordagem da Dívida Externa, da oposição à solução de ingerência externa (FMI/BCE/CE) pedida pelo Governo, com o apoio do PSD e CDS-PP, e da resposta que o PCP propõe ‒ a renegociação da dívida ‒ contém igualmente respostas para cinco questões fundamentais, que deverão estar presentes em qualquer plano de emergência para a situação que o País vive: a produção nacional, direitos laborais e sociais, distribuição da riqueza, soberania nacional e democracia e direitos.

3. Algumas coisas sobre a questão da dívida externa e da necessária resposta patriótica e de esquerda
A dívida externa apresenta duas evidentes dimensões na sua origem / causas que a determinaram.

Uma dimensão estrutural, inseparável de um processo de abandono da produção nacional (desindustrialização, ruína da agricultura e pescas) das privatizações, da submissão às imposições da União Europeia e ao grande capital nacional e estrangeiro. Onde a adesão ao Euro, assumiu uma particular responsabilidade, quer na perda de competitividade na última década, quer no condicionamento do financiamento do Estado, que ficou exclusivamente na mão dos mercados, pois deixou de poder emitir moeda!

E dívida (pública e privada) que foi substancialmente agravada, após 2008 e o desencadear da crise do capitalismo, quer pela insuficiência das medidas dirigidas à economia real, arrastando o País para a recessão (diminuição das receitas do Estado, aumentos de despesas pública, mesmo se insuficiente, responder à crise social) quer, fundamentalmente, pela assumpção pelo Estado dos custos do «lixo tóxico» e buracos do sector financeiro. Custos, que na parte já explicitamente assumida pelas Contas Públicas, ascende a 2 250 milhões de euros (BPN e BPP). Dívida, que a especulação, em curso, sobre as taxas de juro de títulos da dívida pública, é acrescentada todos os meses de milhões de euros (de 2010 para 2011, uma previsão de mais 1 900 milhões de euros!).
Com o endividamento do país ganharam aqueles que nos impuseram a liquidação do aparelho produtivo e uma moeda forte (um euro inadequado face à nossa produtividade) – como a França e a Alemanha – e a quem passámos a comprar aquilo que o país deixou entretanto de produzir.

Com o endividamento do país ganharam e ganham os bancos da Alemanha, da Inglaterra, da Espanha, da Holanda, da França e também de Portugal, que de forma escandalosa se financiaram e financiam junto do BCE a taxas de juro de cerca de 1%, para depois adquirirem dívida pública cobrando 9%, 9% e até mais de 10% ao Estado português, numa ilegítima usurpação de recursos nacionais.

Com o endividamento do país ganharam os banqueiros, a quem o Estado limpou prejuízos (como no BPP e no BPN) e adiantou garantias, transformando dívida privada em dívida pública, que depois é transferida para os trabalhadores e o povo – mais impostos, cortes salariais, redução de apoios sociais e do investimento público.

Contrariamente ao que uma enorme campanha de mistificação e propaganda em curso procura fazer crer, estão perfeitamente identificados os responsáveis políticos e de classe pelas opções, orientações e políticas que conduziram o País ao buraco financeiro em que se encontra, responsáveis pela extraordinária dimensão da dívida externa, pública e privada.
Os responsáveis políticos são os partidos que, ao longo destes anos, no governo e na oposição, aprovaram aquelas opções, orientações e políticas, o PS, o PSD e o CDS!

Os responsáveis de classe, os grandes grupos económicos monopolistas, reconstituídos e fortalecidos por aqueles partidos nas suas políticas de recuperação capitalista, nomeadamente através das privatizações e liberalizações, e que, sempre em profunda simbiose com os seus governos, apadrinharam e aproveitaram-se daquelas opções, orientações e políticas, para concentrarem e centralizarem o capital!
A resposta ao problema da dívida soberana portuguesa não está, logicamente, no prosseguimento das políticas que aqui nos conduziram, e na cedência ao ultimato do FMI/CE/BCE. Antes exige, no imediato, a resposta que o PCP já tornou pública, pela voz do Secretário-geral:
A renegociação da dívida
A intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares
A diversificação das fontes de financiamento, nomeadamente pelo recurso à poupança interna.
Mas a resposta estrutural e de fundo, como referimos no Compromisso que hoje apresentamos e no Programa Eleitoral de 2009, para o problema da dívida pública é o crescimento económico, com Portugal a Produzir, e o fim do flagelo do brutal número de desempregados: uma política de defesa e promoção da produção nacional, que exige a recuperação dos principais instrumentos da soberania económica.

4. Algumas anotações ideológicas e políticas
Permitam-me ainda algumas breves notas sobre as densas cortinas de nevoeiro que vão sendo lançadas na tentativa de impedir que os portugueses vejam claros, nítidos, os problemas que o País enfrenta e, particularmente, condicionar as suas opções eleitorais a 5 de Junho.

A primeira nota para me referir à conhecida tese do «somos todos responsáveis pela situação a que o País chegou». Tese que se desenvolve em várias versões. A tentativa pura e simples de ocultar as políticas e os responsáveis políticos (partidos e forças sociais) que governaram e conduziram a governação ao longo dos últimos 35 anos. Outra versão é a apelativa frase de que «vivemos acima das nossas possibilidades». Isto é, a extraordinária ideia de que «vivemos todos» acima dos nossos rendimentos, os ricos e os pobres, a oligarquia financeira e os trabalhadores e pensionistas de baixas reformas. Há também a versão da inoportunidade de esclarecer, no presente momento, as origens e causas da crise, em nome de que agora é altura de lhe responder, como se fosse possível acertar com o remédio, sem conhecer a doença. E uma quarta versão, a que chamamos do «consenso», que, suportada pela gravidade da situação, exigiria que todos estivessem de acordo para assumir como boa e única, a solução do PEC IV, quer na formulação que foi chumbada na Assembleia da República, quer na fórmula agravada já avançada pelo FMI/CE/BCE.

Estas enormes mistificações pretendem convencer-nos que são tão responsáveis os banqueiros do BES, BCP, BPI, como os pequenos empresários e a generalidade dos portugueses que contraíram empréstimos para a compra de habitação, a quem, ao longo dos anos extorquiram juros altíssimos e vultuosas comissões.

Convencer-nos que são igualmente responsáveis os donos dos grandes grupos da distribuição (Belmiro Azevedo, Jerónimo Martins e outros) e os seus trabalhadores precários e com baixos salários, os pequenos comerciantes, arruinados pelo seu açambarcamento do comércio retalhista, os seus fornecedores, nomeadamente agrícolas, a quem impuseram e impõem ruinosas e draconianas condições. Que são igualmente responsáveis os partidos, PS, PSD e CDS-PP que, ao longo dos últimos 36 anos estiveram no governo e governaram, tomando as opções políticas estratégicas que estão na origem dos problemas nacionais, e o PCP, que sempre não apenas combateu essas políticas, como apresentou alternativas credíveis e consistentes.

Igualmente responsáveis os que privatizaram, liberalizaram, decidiram da nossa adesão à CEE/UE, da adesão ao Euro, dos que liquidaram a nossa capacidade de produzir turbinas ou carril de caminho de ferro, dos que levam a cabo o abate da nossa marinha mercante e da nossa frota pesqueira, dos que acordaram políticas agrícolas que reduziram substancialmente a produção de cereais ou aceitaram a liquidação da produção de beterraba sacarina, e o PCP, que combateu a adesão à CEE e ao Euro, que sempre combateu a destruição do nosso tecido produtivo e o abandono da produção nacional.

Uma outra versão ainda dessa mesma tese tem estado presente nas recentes, arrogantes e despudoradas intervenções de algumas personalidades do grande capital, e de outros «especialistas» que com eles assinaram um recente «compromisso», na culpabilização de uma anónima «classe política», cujos comportamentos e práticas seriam os responsáveis pelo estado a que chegámos. Assim se absolvem das suas responsabilidades! Mas, mais extraordinário é assistirmos ao botar arrogante de sentenças morais e lições de ética política, pelos mesmos que deslocam as suas SGPS para a Holanda, para não pagar impostos, os mesmos que anteciparam o pagamento de dividendos em 2010 para igualmente não pagar impostos, os mesmos que, sistematicamente, através de planeamento fiscal e de outras formas mais obscuras, pagaram taxas de IRC pelos seus negócios manifestamente inferiores às de qualquer pequena empresa deste País. Mas certamente que quando estão a falar de classe política e dos políticos, se estão a dirigir àqueles que, na governação, cumprem as suas ordens (que seja por exemplo na liberalização dos horários do comércio) e que, depois, quando deixada a governação, albergam e abrigam nos seus conselhos de administração.

Não, não somos todos responsáveis, e essa é uma importante batalha de esclarecimento que temos, vamos travar.

5. Separar águas, clarificar opções
Com toda a serenidade, mas também com toda a força, energia, toda a audácia e confiança, é necessário travar o combate contra a mistificação e a mentira, e afirmar a necessidade de separar águas e clarificar opções.

Não é possível que as políticas que conduziram o País à acabrunhante e perigosa situação em que se encontra, possam ser o remédio para os seus problemas. Não é possível que os partidos, PS, PSD e CDS-PP, que concretizaram essas políticas, e que continuam a insistir nessas opções, orientações e políticas, possam, sozinhos ou todos juntos, conduzir qualquer governo do País a bom porto.

Com o PCP (e a CDU), ancorado num enorme património de combate e de propostas alternativas, sim, será possível enfrentar os difíceis problemas do País. Com um programa de ruptura e mudança, é o PCP a força decisiva para assegurar um futuro melhor para o nosso Povo.

Amor Electro - A Máquina.mp4



Estes vão estar na Festa do Avante de 2011

Cuito Cuanavale: Um Tributo a Fidel Castro e à Revolução Africana

Em Março de 2008, o Presidente do Congresso Nacional Africano da África do Sul, Jacob Zuma, dirigiu-se com uma delegação de alto nível de parlamentares sul-africanos ao local da vitória das forças libertadoras em Cuito Cuanavale em Angola. Esta visita estava relacionada com numerosas cerimónias em Angola para comemorar a vitória de Angola, Cuba e das forças da SWAPO e do ANC sobre o exército do apartheid. O que era significativo era que enquanto o líder do ANC fazia esta muito publicitada visita a Angola, o então governo do ANC não se empenhava em divulgar publicamente o que acontecera em Cuito Cuanavale em 1988. Milhares de jovens na África do Sul desconhecem o que aconteceu na África do Sul e a relação entre a descolonização da África do Sul e essa histórica batalha.

Entre Outubro de 1987 e Junho de 1988, em uma das mais ferozes batalhas convencionais em solo africano, as tropas das Forças de Defesa da África do Sul (SADF) travaram batalha com tanques blindados e artilharia com o exército angolano (FAPLA) e os apoiantes cubanos em Cuito Cuanavale. Esta pequena base localizada no Sudeste Angolano (na província de Cuando Cubango) tornou-se importante na história militar de África pelo exército do apartheid sul-africano, supostamente um dos melhores equipados em Áfricas, ter sido apanhado na ratoeira a mais de trezentas milhas das suas bases na Namíbia, um território que estava ilegalmente ocupado.

Falhando a tomada de Cuito Cuanavale com cerca de 9.000 soldados mesmo após anunciar ao mundo que Cuito Cuanavale tinha caído; perdendo a sua superioridade aérea; e em face a motins das tropas negras dos seus formados á pressa batalhões, o comando operacional das SADF colapsou e o presidente P.W. Botha teve de voar para a zona de Guerra no interior de Angola. Botha, foi revelado mais tarde, voou para intervir numa disputa entre o alto comando militar da África do Sul se o exército do apartheid deveria utilizar ou não armas nucleares tácticas. Botha decidiu contra o uso de armas nucleares porque na altura a África do Sul do apartheid era um estado pária.

Com reforços cubanos, os combatentes angolanos sustiveram grandes assaltos pelo exército sul-africano em 23 de Janeiro, 25 de Fevereiro e finalmente a 23 de Março. Os sul-africanos foram repelidos com grandes perdas enquanto as tropas angolanas /cubanas assumiram a iniciativa militar. O exército angolano, pela primeira vez desde a Operação Protea (o nome de código para o ataque convencional pelas SADF) em 1981, era capaz de reocupar a área do Sudeste angolano junto á fronteira namibiana. No espaço de menos de três meses as unidades de engenharia e trabalhadores da construção das forças Angolanas/Cubanas foram capazes de duas pistas de aviação com armas antiaéreas para consolidar a captura da província do Cunene. Atoladas as suas armas convencionais pelo terreno e estação das chuvas, o exército sul-africano fez tentativas desesperadas de romper o cerco em 27 de Junho de 1988. Eles foram mais uma vez castigados severamente pelos pilotos angolanos que controlavam o espaço aéreo angolano.

Depois das batalhas de Junho, os sul-africanos solicitaram a paz. Chester Crocker e o governo dos USA caminharam para salvar a face do humilhado exército sul-africano. Só depois desta derrota militar as forças do apartheid concordaram com as resoluções das nações Unidas e aceitaram a contagem de tempo para a independência da Namíbia. Dentro de um ano o edifício político e militar do apartheid desabou. Nelson Mandela foi libertado vinte meses após a retirada confusa do exército sul-africano em Tchipa.


A PRIMEIRA DERROTA DO EXÉRCITO DO APARTHEID


Dado que o fascismo português colapsou em Abril de 1974 as forças do imperialismo americano e o exército do apartheid tiveram de se apresentar na sua máxima força para perpetuar o controlo externo sobre Angola. O exército do apartheid sul-africano interveio militarmente em 1975 para impedir o MPLA de atingir o poder depois das gentes de Sambizanga desvastarem as forças da FNLA aliadas ao exército de Mobutu. Nesse momento, os angolanos pediram ajuda a Cuba para ajudar a derrotar o apartheid , as tropas regulres do exército do Zaire e os mercenários ao serviço da CIA. Esta história está bem documentada por John Stockwell em “In Search of Enemies.” Mais recentemente nos EUA, o académico Pierro Gleijeses documentou a história do envolvimento cubano na guerra de 1975-1976 no livro “Conflicting Missions: Havana, Washington and Africa.”

Militarmente o exército da África do Sul foi derrotado no campo da batalha em 1975/76. Politicamente o regime do apartheid ficou cada vez mais isolado na arena internacional. Diplomaticamente a Nigéria mobilizou a Organização da Unidade Africana (OUA) para resistir á pressão dos EUA para assegurar o mandato das forças do apartheid. Na resposta, o Presidente da Nigéria, Murtala Mohammed, foi assassinado


ETAPAS DA GUERRA: 1976-1980


O assassínio de Murtala Mohammed e a aliança entre os países europeus, os EUA e o apartheid garantiram que a luta contra se tornou continental e mesmo global. Depois dos levantamentos do Soweto em 1976 os líderes racistas sul-africanos estavam na defensiva política e diplomaticamente. Esta era um período de construção do poder militar na Namíbia. O carácter da Guerra contra a SWAPO mudou com o recrutamento de jovens, a edificação de bases militares e ataques contra SWAPO. Angola tornou-se uma base de retaguarda pela luta da Namíbia com milhares de jovens fugindo para Angola vindos da Namíbia.

Uma das estranhas peculiaridades da libertação do Sul de África é o facto de que quando a UNITA se formou em 1966, foi a SWAPO que assegurou o primeiro fornecimento de armas. E que depois a UNITA se tornou um aliado do estado do apartheid e do seu exército. Jonas Savimbi e as suas forças foram organizadas para combater a SWAPO e localizar os líderes da SWAPO em Angola. Estes exercícios militares foram coordenados com a Força Aérea sul-africana. Um dos mais destrutivos ataques nos campos de refugiados da SWAPO foi em Kassinga em 1978. Na consequência desse ataque o Conselho de Segurança da ONU adoptou a Resolução 435 apelando á retirada do regime do apartheid da Namíbia.

OPERAÇÃO PROTEA: 1981-1984

De 1981 a 1988 o exército racista ocupou as províncias angolanas do Cunene e Cuando Cubango. FAPLA, o exército angolano, não estava preparado para esta massiva invasão de 11.000 tropas da SADF com as mais sofisticadas peças de artilharia. A capital provincial do Cunene em Ngiva foi saqueada. Cerca de 100.000 camponeses fugiram de suas casas. O exército sul-africano roubou gado que transportado para a Namíbia alimentava as suas tropas. Eles não retiraram as suas tropas de acordo com a Resolução do Conselho de Segurança apelando á retirada. Dentro da comunidade internacional a agressão da áfrica do Sul era condenada; mas o governo dos EUA mobilizou um grupo de estados Europeus chamados de grupo de contacto (EUA, Canadá, Alemanha Ocidental, França e Grã-Bretanha) para proteger o governo do apartheid internacionalmente.

A segunda maior invasão sul-africana foi em Cangamba em Agosto de 1983. Aqui a UNITA anunciou que Cangamba tinha caído. Mas foi a Força Aérea sul-africana que destruiu Cangamba. Em 1984 os povos da região do Sul de África sofriam mas estavam preparados para fazer sacrifícios. A compreensão de que independência e a soberania estavam ligadas ao fim do apartheid, era clara, especialmente em Angola.

Depois dos acontecimentos de 1984 os sul-africanos assinaram o Acordo de Nkomati com Moçambique e um acordo de paz com Angola. Mas esta paz era simplesmente um estratagema para ganhar espaço para procurar mais armas e capacidade financeira. Em Setembro de 1985 as FAPLA iniciaram o ataque contra a Jamba. Os sul-africanos intervêm, mas com os levantamentos da Frente Democrática Unida (UDF) na África do Sul, as SADF não podem responder e chamaram a ajuda dos EUA.. Foi o tempo em que o Pentágono forneceu mísseis stinger á UNITA. Jonas Savimbi foi recebido na Casa Branca por Ronald Reagan e a Unita foi financiada. Hollywood também fez um filme (Red Scorpion) sobre os bravos combates contra o comunismo em África. Mas a UNITA não tinha infra-estrutura administrativa ou militar para a assistência que estava recebendo. Era uma cobertura para a assistência às forças do apartheid.

No segundo mandato de Ronald Reagan (1984-1988), e com o apoio do governo de Thatcher na Grã- Bretanha, o apoio era dirigido para as SADF, UNITA, Mobutu e forças anti-comunistas no Sul de África. Deve ser referido aqui que nesta altura todos os africanos que lutavam pela liberdade eram chamados terroristas. Tanto Osama Bin Laden como Jonas Savimbi foram nesta altura aliados dos EUA na luta contra o comunismo. Enquanto Savimbi era chamado um combatente da liberdade, Nelson Mandela era reconhecido como terrorista pelos EUA e pelos sul-africanos. Por isso para lutar contra o chamado terrorismo, os EUA reactivaram a base militar de Kamina no Zaire para criar uma frente norte na guerra contra Angola. The CIA assegurou abastecimentos para os sul-africanos via UNITA.


1987 – ESPERANÇA NA OPERAÇÃO MODULAR


A África do Sul foi encorajada pela assistência financeira á UNITA pela administração Reagan. Contudo, os sinais de mudança política eram evidentes com a formação da União Sindical (COSATU) e a actividade da UDF. A maturidade das lutas democráticas populares na África do Sul tornavam o país ingovernável e o apartheid ineficaz. A Operação Modular foi lançada com o objectivo de capturar Menongue (em Angola) para instalar um governo provincial da UNITA para poder aumentar o apoio ocidental. A concretização da Operação Modular decorreu durante 6 meses. Estradas para transporte de equipamento pesado para 9.000 combatentes das forças regulares das SADF foram construídas.
As FAPLA lançaram um prévio ataque á Jamba e a batalha do Rio Lomba foi o preâmbulo da grande batalha do Cuito Canavale.


A INTERVENÇÃO CUBANA


Fidel Castro e a liderança Cubana seguiram os combates desde o início. O grosso das forças cubanas em Angola tinham sido retiradas em 1981. Fidel Castro e a liderança cubana tinham tido divergências com os generais das forças militares convencionais de Angola. Alguns dos generais soviéticos que assessoravam o exército angolano só pensavam em combates convencionais frontais. Mas Fidel Castro, os militares cubanos e os progressistas de Angola compreendiam que a Guerra defensiva era mais inteligente forma de combate que a que só dependesse de tanques avançados e artilharia. A liderança cubana argumentava correctamente que se as SADF rompessem a linha defensiva das FAPLA, a posição cubana de Menongue seria ameaçada. Os cubanos mandaram reforços com as melhores tropas, as armas mais sofisticadas e armas antiaéreas. Era significativo que as armas antiaéreas estavam sob controlo de mulheres. Foram mulheres que expulsaram a Força Aérea sul-africana dos ares. .

As posições defensivas de radar angolanas quebraram a superioridade aérea sul-africana. Os pilotos angolanos e cubanos dos MIG 23 provaram ser tão ou mesmo mais competentes que os seus homólogos da Força Aérea da África do Sul. A SADF limitou-se a flagelar Cuito Cuanavale com cerca de 20.000 projécteis por dia. Nos grandes combates de Janeiro, Fevereiro e Março os sul-africanos não conseguiram tomar o Cuito Canavale. Nesse intervalo de tempo os EUA tentaram abrir uma nova frente com a UNITA. Os militares norte-americanos iniciaram exercícios com o nome Operação Flintlock para desembarcar abastecimentos à UNITA. Então a UNITA enfrentou as guerilhas do ANC.

A sorte dos sul-africanos foi confirmada em Tchipa em 27 de Junho de 1988. Então as SADF tentaram abrir uma nova frente para aliviar as tropas cercadas em Cuito Cuanavale. Nesta decisiva batalhas as forças das FAPLA confirmaram a sua superioridade aérea. Quando as notícias da derrota de Calueque chegaram á África doSul, muitos jovens brancos protestaram a sua incorporação na áfrica do Sul. A Campanha pelo fim da Incorporação assistiu ao aumento do número de jovens brancos resistindo ao alistamento. Um grande jornal sul-africano chamou á batalha de Tchipa 'uma pesada humilhação”. Os sul-africanos tinham duas alternativas: iniciar conversações ou render-se. O Cerco de Cuito Cuanavale acabou após as SADF concordarem na retirada da Namíbia.

Como consequência das negociações após a derrota dos sul-africanos, Namíbia ganhou a sua independência em Março de 1990. Um mês antes as lutas dos povos da áfrica do Sul levaram á libertação de Nelson Mandela.

Em Angola a guerra continuou até 2002 quando Jonas Savimbi foi morto. Os planos militares dos EUA e as relações militares dos EUA com África não podem ser comparadas negativamente com o papel desempenhado pelos Cubanos em Cuito Cuanavale em Angola em 1988. Através destas memórias muitos lembrar-se-ão das palavras de Fidel Castro “A história de África dividir-se-á no antes e no depois Cuito Cuanavale.”

domingo, 24 de abril de 2011

Trailer - Caramuru - A Invenção do Brasil




Título original: Caramuru - A Invenção do Brasil

Lançamento: 2001 (Brasil)

Direção: Guel Arraes

Atores: Selton Mello, Camila Pitanga, Déborah Secco, Tonico Pereira.

Duração: 88 min

Gênero: Comédia



Caramuru - A Invenção do Brasil - Cartaz

Sinopse

O filme tem como ponto central a história de Diogo Álvares, artista português, pintor talentoso, responsável por uma das lendas que povoam a mitologia brasileira — a do Caramuru. Antes, porém, Diogo é responsável por uma confusão envolvendo os mapas que seriam usados nas viagens de Pedro Álvares Cabral. Contratado por Dom Jaime, o cartógrafo do rei, para ilustrar o precioso documento, ele acaba sendo joguete de uma francesa, Isabelle, que vive na corte em busca de ouro, poder e bons relacionamentos. Ela rouba-lhe o mapa e o artista é deportado. Na viagem, Diogo conhece Heitor, um degredado cult, quase precursor do que hoje em dia se conhece como mochileiro. Como muitas caravelas que se arriscavam, a de Vasco de Atahyde naufraga. Mas Diogo consegue chegar ao Brasil e o infortúnio acaba sendo um auxílio para dar início à história de amor entre ele e Paraguaçu, a índia que conhece ao chegar ao novo mundo, ao paraíso bíblico sonhado. Mais tarde, a história do náufrago iria se espalhar, assim como a lenda de que ele foi o primeiro rei do Brasil.
O romance entre o descobridor e a nativa é, de fato, a história do triângulo amoroso entre Diogo, Paraguaçu e sua irmã Moema. Os três viviam em perfeita harmonia, sob os olhares do cacique Itaparica, chefe dos índios tupinambás, personagem com várias características da personalidade brasileira — nosso cacique é preguiçoso, malandro e, principalmente, engraçado. Até o desembarque oficial dos portugueses, quando a harmonia do novo mundo é interrompida pelos colonizadores. Diogo volta à Portugal para ser "condecorado" rei. Apaixonadas, Paraguaçu e Moema mergulham no mar atrás da caravela, mas só Paraguaçu chega à embarcação. Ela e Diogo continuam sua história de amor, com todos os impactos da cultura europeia na vida de uma linda índia.

Compromisso Eleitoral (I)



Apresentação do Compromisso Eleitoral do PCP - Legislativas 2011 - Intervenção de Agostinho Lopes

1. O que dissemos no Programa Eleitoral para as eleições legislativas de 2009?

Escrevemos, no seu início:

«O País vive uma crise económica e social de grandes proporções. Uma crise estrutural que, partilhando e sofrendo do agravamento da crise do sistema capitalista internacional, começa muito antes. As injustiças sociais, fundadas num modelo de baixos salários e reformas e de desigual distribuição do rendimento, já estavam instaladas. Pobreza e altas taxas de desemprego marcam presença de há muito na vida do País. O elevadíssimo endividamento dos agentes económicos não financeiros e das famílias não começou ontem. O brutal défice e dívida externa, resultantes da destruição do tecido produtivo e das baixas produtividades e competitividades, medram há longos anos, num processo cumulativo sem interrupções.

Um processo que há muito entrou em confronto com a Constituição da República e que é inseparável da reconfiguração do Estado conforme os interesses do grande capital e a subversão das políticas sociais, com o acentuar da dependência externa e o golpear da soberania nacional no processo de integração comunitária (acentuada com a convergência nominal para a União Económica e Monetária/UEM e a moeda única, em 1997) com os ataques ao regime democrático.»

2. E hoje, três coisas podem ser ditas:

Primeiro, o PCP não precisou de esperar por 2010 e 2011 para assinalar, de forma clara e explícita, o principal problema do País. Os brutais défice e dívida externa, e localizar a sua origem!

Segundo, se, após as eleições de 2009, as políticas tivessem seguido o rumo proposto pelo Programa Eleitoral do PCP, a situação do País, mesmo que muito difícil, seria hoje bastante diferente... para melhor!

E terceiro, o Programa Eleitoral de 2009 mantém uma evidente actualidade e flagrante oportunidade nas suas orientações e políticas, pese a necessária resposta aos problemas de curto prazo que o País enfrenta.

Ou seja, exige-se que se some ao Programa de 2009 as necessárias respostas de curto prazo, as respostas de hoje, ao garrote financeiro do Estado e da economia nacional.

É o que fazemos com o «Compromisso com uma política patriótica e de esquerda» que hoje apresentamos. Compromisso que está articulado e suportado pelo Programa Eleitoral de 2009, para o qual remete a definição dos «eixos centrais de uma política alternativa de esquerda», e a explicitação de seis Políticas de um Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda:

Uma política para o desenvolvimento económico
Uma política de valorização do trabalho e dos trabalhadores
Uma política para a igualdade, dignidade e bem-estar dos portugueses
Uma política de educação, cultura, ciência e tecnologia
Uma política de defesa e reforço da democracia de Abril
Uma política para a paz, cooperação e amizade com todos os povos

Diga-se que alterações «radicais», «de fundo» nos programas eleitorais para 2011, face aos programas de 2009, só poderiam significar:

(i) Que a análise da situação do País feita em 2009 estava errada, desadequada face à realidade!
(ii) Que as medidas e propostas programáticas então avançadas eram, também, incapazes de responder aos problemas do País.

(…) A CONTINUAR

A PÀSCOA DE 2011 EM GRAFISMOS CRIATIVOS

































TRÊS CRIAÇÕES DA ARQUITECTA GUI CASTRO FELGAS


































A PIRÂMIDE DO SISTEMA CAPITALISTA








sábado, 23 de abril de 2011

A INVASÃO E A RESISTÊNCIA

Imaginemos que um dia chegávamos a casa, víamos que a porta estava aberta e lá dentro tínhamos visitantes sentados na sala de jantar. Interrogávamo-los sobre o atrevimento e diziam-nos que a porta estava aberta, e que tinham interpretado tal facto como um convite. E enquanto perplexos permanecíamos, já éramos solicitados para mudanças no interior da casa, anúncios de decisões que nos eram estranhas. O visitante assumia-se como inquilino, e anunciava-se já num futuro próximo como senhorio. Maldita porta!

Está em marcha um processo de efectiva imposição de condições da troika mandante do FMI, BCE e UE á troika obediente do PS, PSD e CDS, para garantir os interesses do sistema financeiro, dos grandes fundos de investimento e dos especuladores.

Está em curso um claro processo de suspensão da democracia, da opinião do povo e da soberania democrática. A outros (que não a nós) é permitido o propósito de reestruturar o Estado, de decidir direitos sociais e politicas fiscais.

Está em curso uma gigantesca operação de manipulação do pensamento que, admitindo uma única “solução” para o descalabro social, económico e financeiro, leve à resignação e à aceitação acrítica. Avessos às explicações necessárias, em que autores com rosto e decisões erradas coexistiram em culpas e responsabilidades, e aprofundando o crescimento anémico da economia e o saldo comercial negativo, o governo PS e a direita política e dos interesses, delegam a soberania, a dignidade, a independência. O País, o Estado, as empresas e as famílias endividaram-se profundamente. O País agora rende-se, o Estado estiola, as empresas sujeitam-se a condições dolorosas e as famílias empobrecem.

Sob a capa da falsa ajuda, observa-se o domínio, a submissão, a criação do protectorado. As políticas sociais que se preparam são uma declaração de guerra ao bem-estar de famílias, dos reformados, dos desempregados, dos trabalhadores por conta de outrem, dos pequenos e médios empresários. E as políticas financeiras conduzem-nos para o abismo.

Alguns depreciam a defesa dos princípios, talvez por nunca os terem tido ou os terem oportunisticamente perdido. Cultivam alguns a insensatez dos derrotados. O radicalismo junta-se ao conformismo num caminho sem esperança.

Gostariam muitos que forças políticas consequentes, como o PCP e não só, abdicassem do patriotismo e corressem a acolher os algozes, os cruzados do liberalismo selvagem, e a sentar-se á mesma mesa, num admitir de comunhão de interesses.

Admitir e até legitimar a “seriedade” e “eficácia” de pseudo-negociações com a troika externa, e á revelia da criminosa política da troika interna, seria como manter a ideia de diálogo entre caça e predador.

O verdadeiro palco onde se “negoceia” é na consciência de cada português, na sua vontade em resistir á vassalagem, na luta por alternativas, no convencimento pelo protesto e da indignação, nas instituições e na rua. Não há pragmatismo possível na abordagem com a troika externa (veja-se a evolução da Irlanda e da Grécia), nem compromisso político a assumir com a troika interna, que se assume anti-patriótica e fútil.

A Padeira de Aljubarrota resolveu o dilema. Os conjurados de 1640 igualmente. No 25 de Abril de 1974 igualmente se soltou a voz do protesto. As circunstâncias chamaram a uns castelhanos, a outros espanhóis, a outros opressores, e continuarão a denunciar “mercados”, “agiotas”, “vende-pátrias” ou as “inevitabilidades”.

Há palavras que não precisam de tradução em alemão, dinamarquês ou finlandês. Há uma de que gosto particularmente: RESISTÊNCIA.

Cristiano Ribeiro