um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 31 de março de 2011

afinal...

Berlusconi em visita a Lampedusa, a ilha italiana do Mediterrâneo a poucas dezenas de quilómetros da Tunisia, prometeu resolver em 2 ou 3 dias a sobrepopulação da pequena ilha, que enfrenta a chegada de milhares de imigrantes africanos. E acrescentou que ele próprio se tornara um Lampedusano, pois acabara de comprar pela NET uma casa de pescadores na ilha e para mostrar a sua identificação com os interesses populares, proporia a ilha como PRÉMIO NOBEL DA PAZ!

Quem pensava que Berlusconi se resumia à genitalia, que se desiluda! O homem também possui espaço criativo no interior da caixa craneana...

outra evolução "PENTAGONAL" por imagens

quarta-feira, 30 de março de 2011

frase

«O debate quinzenal com o Primeiro-Ministro que estava marcado para o dia das mentiras foi cancelado. Já não há respeito pela tradição».

(António Filipe, Deputado do PCP)

Pedro Moutinho e Mayra Andrade - Alfama

PRÓS E CONTRAS – A REMISSÃO

O recente PRÓS E CONTRAS da RTP1, na edição de 28-3-2011, reconciliou-me com o grande debate político na comunicação social, já que trouxe contributos brilhantes e muito sérios dos seus participantes. Contra um passado de desinformação e mesmo manipulação do pensamento dos telespectadores ao serviço da ideologia dominante, o programa da Fátima Campos Ferreira (FCF) conseguiu ser, desta vez, didáctico e oportuno, consequente e útil.
Dentre as várias intervenções, sob o tema E AGORA PORTUGAL?, destaco a do Professor Catedrático da Universidade de Lisboa António Hespanha e a do Director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra Professor José Reis.
António Hespanha (AH) trouxe a ideia da importância de (cito) “uma conversa / debate que respeite a verdade” e que nos ajude quando (cito novamente) “estamos um pouco perdidos na pluralidade de narrativas”. Relembrou AH que se assiste nesta fase a “apelo a um qualquer César”, que em outras vezes toma a forma cega de “um apelo aos intelectuais” cuja mensagem é “mediada” pelos comunicadores que a adulteram, a condicionam, a limitam na sua eficácia. Foi significativa a referência crua ás interrupções de comunicadores / apresentadores / pivôs de programas, o que encaixou como uma luva ás prestações de FCF. E também a defesa de uma democracia “onde não vale tudo, não vale enganar, não vale dizer mentiras”.
A mesma verdade exposta apareceu quando AH denunciou os “empreendedores que ao bem preparado preferem o sobrinho”. Ou quando afirmou categoricamente que “a nossa civilização desaprendeu o valor da solidariedade, do serviço público”.
José Reis (JR) chegou a ser empolgante quando referiu que os islandeses, nossos companheiros de infortúnio, preocuparam-se com alternativas, bateram o pé num determinado momento, disseram que não havia um caminho único para as soluções. E caminharam com sucesso. E didáctico perguntou porque é que a Europa não olha mais para o Brasil, que demonstrou que as politicas sociais não são empecilho da economia. Assinalou JR que o debate no espaço público é catastrofista, o que coincide com a “democracia desconjuntada” de AH.
Já Lídia Jorge (LJ) ficou pela caracterização fulanizada da politica actual, pelo argumento dos lideres partidários serem “piores” do que os Partidos, por 5 ou 6 “egocentricidades” que tudo explicaria. Na dicotomia eles os políticos, nós os outros, repousa alguma má consciência de quem sempre apoiou a deriva do PS. E que procura cavalgar fenómenos como a geração á rasca ou deles não retirar consequências.

Cristiano Ribeiro

terça-feira, 29 de março de 2011

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (X)

A COISA

(em viriatoteles.net/pt/a-coisa)

Já aqui o disse, e não estou só nesta convicção: a criatura é o que o regime democrático gerou de mais semelhante, em forma e conteúdo, à sinistriste figura de Américo Tomás. Na debilidade intelectual, na vacuidade do discurso, no bolor das palavras, mas também na hipocrisia, no rancor, na perversidade.
Dirão que exagero. Mas o discurso que o presidente de 2.231.346 portugueses debitou, na cerimónia evocativa do cinquentenário do início da guerra colonial, não permite outra leitura. Porque só uma alma penada de antanho se lembraria de exortar «os jovens deste tempo» a que «se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do País com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar».
É verdade que de um mísero professor vindo das profundezas do Poço de Boliqueime não se podem exigir grandes esforços cerebrais. Compreende-se que o desinfeliz foi formatado segundo parâmetros que já então tinham ultrapassado o prazo de validade. E é um facto que o carácter deste indivíduo não é de molde a que dele se possa esperar um gesto merecedor do respeito dos seus concidadãos – como se percebe pelas já célebres «observações» que, há 40 anos, fez questão de sublinhar à PIDE a propósito da mulher do sogro.
Exigia-se, porém e pelo menos, um pouco mais de dignidade institucional. E, já agora, algum conhecimento da realidade histórica que fosse um pouco além da leitura simples de um catequista de província. O presidente eleito de Portugal não pode, quase 37 anos depois de conquistada a democracia que lhe permite ocupar o cargo, vir enaltecer a guerra injusta que foi a razão primeira do derrube da ditadura. Afirmar que «é de toda a justiça distinguir a intervenção militar que permitiu que um país com a dimensão e os recursos de Portugal pudesse manter o controlo sobre três teatros de operações distintos, vastos e longínquos» não é só um insulto aos povos que lutaram pela independência. É também um ultraje a todos os que, em Portugal e fora dele, foram vítimas de um regime opressor, cinzento e castrador.
Porque, ao contrário do que supõe o sucessor do venerando almirante de Belém, os jovens de há 50 anos não fizeram a guerra por razões de «coragem», «desprendimento» ou «determinação». Fizeram-na porque a isso foram obrigados, mais de um milhão deles ao longo de 13 anos a quem só duas incertezas se colocavam como alternativa: a guerra ou o exílio. Ambas a precisar de coragem e desprendimento, mas carecendo a segunda de uma determinação suplementar específica, para a qual naturalmente nem todos os mancebos desse tempo estavam capacitados.
Posto isto, devo apenas acrescentar que sou de opinião de que os combatentes da guerra colonial devem ser objecto do afecto e da homenagem do país. Porque eles foram as primeiras e mais sofridas vítimas do conflito que devastou toda uma geração. Porque eles sofreram, mais do que o comum dos cidadãos, as consequências do lusofascismo. E porque um país tem, obviamente, de honrar devidamente os que sofreram e morreram em seu nome, independentemente das circunstâncias.
Por muito que nos doa, a guerra colonial não teve heróis, apenas vítimas. O que a partir daqui se queira dizer é reescrita da história, uma fantasia que tenta em vão dar brilho às trevas. Saloiamente, é por aí que o condómino da Travessa do Possolo insiste em caminhar, talvez convencido de que se dissermos muitas vezes que o sol é um repolho, ele passe efectivamente a sê-lo.
É claro que isto são coisas que o homenzinho jamais conseguirá entender. Falta-lhe ler muito mundo e alguns livros – e, mesmo que queira, creio que já não vai a tempo.


PS (salvo seja) – Um título num noticiário das 13 horas de hoje, talvez ajude a compreender melhor o neurónio do sujeito de que falamos. Dizia assim: «Presidente ouve Passos». É, há casos em que é por aí que se começa. A seguir começará a ouvirá vozes, e sabe-se lá onde é que a coisa pode chegar…

segunda-feira, 28 de março de 2011

crianças norte coreanas e seus violões

ISLÂNDIA






O filme "Deus abençoe a Islândia" (Guð blessi Ísland) é um documentário sobre a crise financeira na Islândia. O filme abre em 6 de Outubro de 2009, exatamente um ano depois do pronunciamento dramático do Primeiro Ministro na televisão islandêsa, informando a nação sobre a situação.

Sara Tavares - Bom Feeling (ao vivo no Jools Holland)

DENÚNCIA
















CARTA ABERTA DE ROGER WATERS (dos Pink Floyd) SOBRE O MURO DO APARTHEID ISRAELITA

Em 1980, uma canção que escrevi, "Another Brick in the Wall Part 2", foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava a ser usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igual. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.
Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: "Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!" Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas estavam a cantar.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para actuar em Telavive.

Palestinos do movimento de boicote académico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já me tinha manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestino ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinianos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos do controle das ideias".

Compreendendo nesse momento que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que eu estava a testemunhar, cancelei o meu concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintainhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias serem arrancadas. Significa que um estudante palestino não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestino não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controle repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinos de Gaza cercados e os palestinos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressarem às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a actuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, isto significou juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.


1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 das NU.


A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é antisemita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.

Os artistas tiveram razão de recusar-se a actuar na estação de Sun City, na África do Sul, até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar actuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

domingo, 27 de março de 2011

homenagem dos CTT

texto

O DINHEIRO E A GATUNAGEM

São inúmeros os casos em que se constata que o dinheiro sujo tem sido a verdadeira motivação de muitos dos responsáveis políticos na Europa.
Ainda recentemente três deputados do Parlamento Europeu renunciaram ao mandato popular quando foram denunciados por um jornal inglês por aceitar pagamentos pela introdução de emendas em legislação regulada pela União Europeia. E não eram gente anónima e pouco responsável: um antigo Ministro austríaco do interior, um antigo Ministro esloveno dos Negócios Estrangeiros, um antigo vice-primeiro Ministro romeno.
Nós temos um Armando Vara. Ele recebeu no ano passado 562.192,38 Euros como indemnização pela sua saída da gestão executiva do BCP. A este montante, juntam-se os 260 mil Euros recebidos de Janeiro a Julho de 2010, altura em que renunciou ao cargo, após o envolvimento do seu nome no processo judicial Face Oculta. Esta decisão remuneratória foi tomada pelo Conselho Geral e Supervisão do BCP, que vai ter em Abril caras novas: Daniel Bessa, o embaixador e ex–Ministro dos Negócios Estrangeiros António Monteiro, Leonor Beleza e um líder dos interesses financeiros de Angola. Os amigos, agora e no futuro, são para as ocasiões…
Temos também um novo assessor político de Cavaco Silva que é filho de socialista Jaime Gama e delfim do falecido fiscalista Saldanha Sanches. Fronteiras ideológicas “interessantes”…
Mas cheguemos ao essencial, ao dinheiro e à gatunagem.
Angela Merkel é uma figura roliça que transitoriamente é Chanceler Alemã. Alguns chamam-na de contabilista de Leipzig, outros realçam o facto de ter sido considerada em 2009 a mulher mais poderosa do mundo. Apresenta-se como a presidente de facto da Comissão Europeia e tutora moral das boas práticas politicas dos países, a começar nos deficites orçamentais. É o Papa do neo Vaticano Financeiro que tem por dogma o neoliberalismo radical, a flexibilidade das condições laborais, o primado das grandes corporações industriais e monetárias europeias.
Recentemente num acto de subjugação com vassalagem puxou as orelhas ao Parlamento português, a Passos Coelho e ao povo português, na presença de Sócrates. Merkel é a representante dos interesses agiotas dos grandes bancos alemães, que são credores de países tão importantes como a Grécia, a Irlanda, Portugal e Espanha…Está acompanhada nessa cruzada por Barroso, Junker, Trichet e outros medíocres burocratas europeus.
A senhora Merkel perde sucessivas eleições na Alemanha (hoje foram duas), não por estar exposta ao vago sentimento dos eleitores alemães avessos á solidariedade com os países periféricos em dificuldade, ou ás questões da energia nuclear (tretas, tretas…), mas porque a sua política interna e externa se identifica de forma escandalosa com os poderes económicos, deixando ao seu triste destino milhões de europeus, dentro e fora das fronteiras da Alemanha. E quando largas centenas de milhares de pessoas se manifestam em Londres, em Lisboa, em Sofia ou em Bucareste, contra a austeridade e a recessão, contra a pobreza e a precariedade, contra a guerra, por alternativas á política actual, convém identificar o dinheiro sujo e a gatunagem.
A Europa morre como espaço de desenvolvimento e de progresso, não por culpa alheia, quer sejam os chineses, os americanos, a emigração do norte de África, ou o que seja, mas por sua culpa. Não são os trabalhadores os culpados desta rebaldaria, desta sujeira, que atinge o espaço europeu. É a Europa dos Sarkosy, dos Cameron, de Berlusconi, de Sócrates e de Merkel.
O bom exemplo vem da gélida Islândia. Exposta aos mesmos problemas, o povo já tirou o país da recessão. Mudando o governo. Investigando e punindo os crimes sem rosto. Chumbando o resgate dos bancos. Com o povo.

Cristiano Ribeiro

cameron é sócrates+passos coelho






500.000 desfilaram em Londres contra as medidas de austeridade do governo britânico. lá como cá LUTA-SE!

sábado, 26 de março de 2011

Bob Dylan - Love Sick

PEC 4

O PEC 2011/2014: mais cortes de 5.679 milhões de € nas pensões, saúde, educação, prestações sociais e investimento, mais 2.324 milhões de € de impostos, mais ajuda de 9.000 milhões de € à banca e mais privatizações (5.584 milhões de €)
por Eugénio Rosa [*]

O Programa de Estabilidade e Crescimento para 2011-2014 (PEC:2011/2014) apresentado pelo governo prevê um corte na despesa pública de 5.679 milhões de € a juntar ao corte de 3.467 milhões € que já está no OE-2011. E prevê um aumento de impostos de 2.324 milhões de € a juntar aos 1.734 milhões de € do OE2011. Em três anos apenas (2011/2013) o governo pretende cortar na despesa pública 9.146 milhões de € e aumentar os impostos em 4.058 milhões de €, o que dá 13.204 milhões de €. É evidente que este corte tão elevado na despesa (principalmente nas áreas sociais e no investimento), e um aumento tão grande de impostos (quase exclusivamente naqueles que atingem a maioria da população), só pode determinar uma recessão económica mais profunda e prolongada, mais falências de empresas, mais desemprego e mais miséria. Só não é capaz de ver isso o governo e os seus defensores, e o PSD e CDS que exigem sempre mais cortes na despesa.

UM CENÁRIO MACROECONÓMICO IRREAL PODERÁ GERAR MAIS PECs NO FUTURO

Uma das razões que tem determinado a multiplicação de PECs são as previsões irrealistas do governo que não consegue compreender que medidas recessivas, como são os cortes na despesa pública e o aumento de impostos, num período de grave crise económica e social, só poderá determinar quebra mais acentuada na actividade económica e mesmo recessão. Como as previsões de receitas e despesas não se verificam depois, e como está obcecado em reduzir o défice, os cortes nas despesas e aumento de impostos multiplicam-se. É um círculo vicioso que está a levar à destruição da economia portuguesa e do tecido social, com o aumento do desemprego e da miséria.
Apesar da realidade ter já mostrado que não se conforma nem com as previsões nem com os desejos do governo, ele no entanto persiste no mesmo erro. A prová-lo está mais uma vez o cenário macroeconómico irrealista do PEC 2011-2014. No Boletim Económico de Inverno de 2010, portanto antes de terem sido anunciadas estas medidas e sem ter tido em conta os efeitos recessivos delas, o Banco de Portugal previa que, em 2011, se verificasse uma quebra do PIB de -1,3%. E mesmo esta quebra era inferior àquela que era correcto já prever, que se deve situar entre os -2% e -3% do PIB. Apesar disso, o governo apresentou agora no PEC uma previsão de quebra do PIB, em 2011, de apenas -0,9%. Mas como não acredita nas suas próprias previsões, no próprio PEC, logo no "Sumário executivo" pode-se ler o seguinte: "Como precaução adicional e garantia de cumprimento das metas orçamentais, tendo em conta também os riscos que advêm da volatilidade do contexto financeiro e económico, o esforço de consolidação orçamental em 2011 é complementado com medidas adicionais de 0,8% do PIB, repartido em cinco grandes áreas (Saúde, Sector Empresarial do Estado, Serviços e Fundos Autónomos e outros subsectores da Administração Pública, Segurança Social e Despesas e Receitas de Capital)". Portanto, à cautela avança com mais cortes nas despesas – e em áreas essenciais que agravarão ainda mais as condições de vida e com efeitos recessivos.

MAIS CORTES NAS DESPESAS EM 5.670 MILHÕES € E AUMENTOS DE IMPOSTOS EM 2.324 MILHÕES €

Em 2011, o governo pretende fazer cortes adicionais nas despesas públicas de 1.387 milhões de €, a juntar aos cortes de 3.467 milhões de € do orçamento do Estado de 2011. E os cortes adicionais que agora pretende fazer são em áreas que vão agravar ainda mais as condições de vida da população. Na saúde são cortes nos medicamentos (-87 milhões de €); no Sector Empresarial do Estado (SEE) são cortes nas indemnizações compensatórias com, o consequente, aumento "extraordinário das tarifas do sector do transportes"(-173 milhões de €); nos Serviços e Fundos Autónomos são cortes na despesa (-173 milhões de €); cortes nas transferências do Orçamento do Estado para a Segurança Social (-173 milhões de €) e nas prestações sociais (subsidio de desemprego, etc.); cortes no investimento público, em equipamentos escolares, colectivos e infra-estruturas de transportes (-780 milhões € em 2011).

O governo avança também com mais cortes nas despesas, em 2012, de 2.481 milhões de € e, em 2013, de 1.451 milhões de €. E os cortes vão ser feitos nas pensões através do seu congelamento ("Dada a dimensão do esforço de consolidação, será necessário suspender, nos próximos dois anos, a aplicação da regra automática de indexação das pensões, salvaguardando a actualização, embora moderada, das pensões mais baixas"); cortes, entre 3,5% e 10%, nas pensões superiores a 1.500€/mês (-444 milhões de €); cortes nos medicamentos e nas despesas com os Hospitais EPE , com a ADSE e com o SNS (-533 milhões de € em 2012 e -181 milhões de € em 2013); cortes na educação, nomeadamente encerramento de escolas do ensino básico, reorganização de agrupamentos escolares (-355 milhões de € em 2012 e -181 milhões de € em 2013); cortes nas prestações sociais (-363 milhões de € em 2013); cortes nos consumos da Adm. Pública (-355 milhões de € e 181 milhões de €), cortes nas empresas públicas e Serviços e Fundos Autónomos, nomeadamente redução de benefícios, de indemnizações compensatórias, extinção de empresas e serviços, limites apertados ao endividamento e às despesas dos SFA (-621 milhões de € em 2012 e -181 milhões de € em 2013); cortes nas transferências para as autarquias e regiões autónomas (-178 milhões de € em 2012); cortes na construção de equipamentos escolares ou infra-estruturas de transportes (-355 milhões de € em 2012 e -363 milhões de € em 2013). É um gigantesco ataque contra o sector público e contra as funções sociais do Estado que vai agravar ainda mais as condições de vida da população.
E como tudo isto não fosse suficiente o governo pretende aumentar os impostos em 1.589 milhões de € em 2012 e em 726 milhões de € em 2013. E não se pense que é sobre os grupos económicos cujos lucros disparam em 2010 (os lucros das 20 empresas cotadas na Bolsa aumentaram, entre 2009 e 2010, 153%, atingindo 10.087,6 milhões de €) nem contra os ricos. Os impostos que o governo pretende aumentar são o IVA (+178 milhões de € em 2012 e + 544 milhões de € em 2013); reduzir os benefícios fiscais nas despesas de saúde no IRS e alguns benefícios no IRC (+710 milhões de € em 2012 e +181 milhões de € em 2013); aumentar os impostos sobre o consumo (266 milhões de € em 2012); aumentar os impostos sobre os pensionistas, reduzindo a parcela da pensão isenta de IRS de 6.000 € para apenas 3.880 € (+266 milhões de € em 2012). No combate à evasão e fraude fiscal só mais 178 milhões de € em 2012). É um gigantesco ataque aqueles que menos têm, poupando os que mais possuem.


PARA A BANCA MAIS DE 9.000 MILHÕES €, E PRIVATIZAR MAIS EMPRESAS POR 5.584 MILHÕES DE €

Enquanto corta na despesa púbica essencial para a população (saúde, educação, prestações sociais, transportes colectivos, equipamentos escolares, etc.) e aumenta impostos que atingem mais as classes com rendimentos baixos (IRS, IVA, etc), o governo afirma que está disponível "Se necessário, para fortalecer a capacidade dos bancos em aceder a financiamento, considerar-se-á a possibilidade de aumentar os actuais 9 mil milhões de euros disponíveis" no Orçamento do Estado (pág. 33 do PEC 2011-2014)
Na mesma linha o governo tenciona privatizar um conjunto grande de empresas públicas (empresas nas áreas da energia, construção e reparação naval, tecnologias de informação e comunicação, serviço postal, infra-estruturas aeroportuárias, transporte aéreo e transporte ferroviário, bem como a alienação de activos detidos fora do país). vendendo-as por 5.584 milhões de € o que, em período de crise, será um certamente um grande negócio para os grupos económicos. Os comentários são desnecessários e os leitores tirem as suas conclusões.

22/Março/2011

[*] Economista
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

uma evolução "PENTAGONAL" por imagens

sexta-feira, 25 de março de 2011

David Bowie - The London Boys

A CRISE NÃO TOCA A TODOS
TRÊS FORTUNAS À PORTUGUESA


Anselmo Dias
(em Avante)

Este texto, reprodução de um artigo do Diário de Notícias de 11 de Março do corrente ano, tem por base um estudo de uma revista internacional que, anualmente, avalia as maiores fortunas a nível mundial.

Por esse estudo ficámos a saber que aquelas fortunas são as seguintes:

- A Américo Amorim cabem 3660 milhões de euros;
- A Alexandre Soares dos Santos cabem 1650 milhões de euros;
- A Belmiro de Azevedo cabem 1070 milhões de euros.


Estamos a falar de fortunas com dez algarismos, facto que torna muito difícil a sua quantificação por parte da generalidade dos portugueses na medida em que a sua escala de valores, tendo em atenção os salários médios, está balizada entre o salário mínimo nacional e os mil euros.
Importa, pois, traduzir por miúdos aquelas fortunas com vista à compreensão da sua dimensão.
Para o efeito, confrontámos os rendimentos, em 2009, dos 4 660 098 agregados familiares que declararam, em sede de IRS, os seus proveitos às finanças.
Pois bem, tendo por base essa informação oficial concluímos o seguinte:

- A fortuna acumulada de Américo Amorim corresponde ao rendimento anual do total da população das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

De que é que estamos a falar?

Estamos a falar que um homem só tem uma fortuna acumulada praticamente igual ao rendimento dos 101 399 agregados familiares dos Açores e aos 109 696 agregados familiares da Madeira, cujos rendimentos, em 2009, foram, respectivamente, de 1 796 729 550 euros e 1 950 810 960 euros.
Estamos a falar de uma fortuna acumulada equivalente ao rendimento declarado em sede de IRS de duas Regiões onde, em 31/12/2009, residiam 492 773 habitantes.
Estamos a falar do homem mais rico em Portugal, o mesmo que, há vários anos, foi acusado de falsificação de documentos, fraude e desvio de dinheiros do Fundo Social Europeu.
Estamos a falar de um homem a quem a União Europeia exigiu uma indemnização de 77 mil contos e juros a contar de 1987, com base na utilização fraudulenta de meio milhão de contos (cerca de dois milhões e meio de euros a valores correntes) para a formação profissional entre 1985 e 1988.
Tais crimes foram declarados prescritos pelo Tribunal da Relação do Porto, passados que foram onze anos sobre o início do processo e nove anos desde a primeira acusação do Ministério Público, facto que levou um articulista do jornal Público a comentar, em 30/9/2000, que «...o processo acaba por ser o espelho fiel do emaranhado de trâmites e decisões em que se enredam os nossos tribunais, que tem criado a sensação que os ricos e poderosos passam ao lado do escrutínio da Justiça».

Práticas de fazer inveja a Al Capone

Se à fortuna de Américo Amorim somarmos as fortunas de Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, globalmente avaliadas em 6380 milhões de euros, então a conclusão é a seguinte:

- Aquelas fortunas superam os rendimentos anuais de 1 339 822 agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 7500 euros.

Tendo em atenção que a dimensão média de cada agregado familiar corresponde a 2,28 pessoas, então a conclusão, é a seguinte:
A fortuna acumulada daqueles três multimilionários supera o rendimento anual de cerca de três milhões de portugueses.
Quando se fala em diferenças sociais esta é, seguramente, uma das mais expressivas.
Com efeito, tendo por base os dados que nos foram fornecidos pelo Ministério das Finanças aquele cálculo é sustentado no seguinte:

- No continente, em 2009, havia 1 277 322 agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 7500 euros, cabendo aos mesmos um rendimento global de 5935 milhões de euros;
- Nos Açores, em 2009, havia 31 350 agregados familiares com rendimentos inferiores a 7500 euros, cabendo aos mesmos um rendimento global de cerca de 136 milhões de euros;
- Na Madeira, em 2009, havia 31 150 agregados familiares com rendimentos inferiores a 7500 euros, cabendo aos mesmos um rendimento global de cerca de 138 milhões de euros.
Este retrato estatístico, à revelia do normativo Constitucional, espelha bem as assimetrias sociais existentes num país cujas instituições foram tomadas de assalto pelos grandes grupos económicos que, à extorsão da mais-valia no decurso do processo económico, acrescentam as malfeitorias exemplificadas nos casos BPN, BPP, BCP, nos processos «Furacão», «Portucale», «Casino de Lisboa», «Submarinos», «Edifícios dos CTT», «Face Oculta», «Freeport», nas práticas ligadas às facturas falsas envolvendo importantes empresas da construção civil e obras públicas, entre muitos outros casos.
Nesses outros incluímos o seguinte:

«O Tribunal Central Administrativo Sul considerou que um conjunto de empréstimos realizados entre empresas do grupo tiveram um único fito – transformar juros tributáveis em 65 milhões de euros de dividendos isentos de imposto, contribuindo para 113,3 milhões de prejuízos fiscais».

O que é isto?

Isto decorre de um processo envolvendo o Grupo Jerónimo Martins, o qual, pelo cruzamento de várias operações entre empresas do mesmo grupo, pretendia fugir ao fisco por via da «redução significativa da base colectável a tributar».
Estamos a falar do abuso fiscal de um grupo económico cujo accionista de referência é o segundo homem mais rico de Portugal, o senhor Alexandre Soares dos Santos, empresário conhecido, não só pelo exuberante palavreado em nome da ética e das boas práticas empresariais, como pela enternecedora acção filantrópica, aliás no seguimento de generosos banqueiros que meteram a mão na massa.
Juntemos a esta prática a especulação bolsista, a economia de casino, o gamanço, a formação de preços e a extorsão da mais-valia e encontraremos neste sexteto, a fazer inveja a Al Capone, a explicação da concentração capitalista entre nós, a qual, não obstante a sua dimensão, não é, em termos fiscais, minimamente beliscada numa altura em que são impostas medidas draconianas aos trabalhadores, aos reformados e aos beneficiários das funções sociais do Estado.

Fontes: - Ministério das Finanças, em resposta ao Requerimento 149/XI/2ª do GP do PCP;
- Diário de Notícias, de 11/2/2011;
- Público, de 16/2/2011.

É a valsa da Burguesia




As movimentações politicas recentes tornam indiscutivelmente actual a canção de José Barata Moura A VALSA DA BURGUESIA. PS, PSD e CDS são a mesma face de uma velha moeda. Só neles acredita quem for néscio ou muitooooooooo distraído.

Sugestão



"American History X" (1998 - 114m)
Em português: AMÉRICA PROIBIDA

SINOPSE
Nomeado para os Oscares, Edward Norton, tem um papel brilhante neste filme explosivo.
Depois de uma vida dedicada à violência, um homem vai ter que lutar contra os seus ideais para não colocar em perigo os seus laços.
Danny Vinyard (Edward Furlong) é um adolescente influenciado pelo irmão mais velho, Derek (Edward Norton), um skinhead repleto de ódio por todos os que são diferentes de si. A aversão a outras raças dispara com a morte do pai. Ele inicia uma viagem ao mundo da violência que o vai levar à prisão. Nesse periodo de solidão Derek apercebe-se que pode ser um homem diferente. A sua única incerteza é se vai ser capaz de ajudar o seu irmão

quinta-feira, 24 de março de 2011

POEMAS ACTUAIS

POEMA

(De uma entrevista qualquer num jornal inquiridor: «Mas estarão os comunistas dispostos a aceitar o princípio da "alternância" no poder?»)

«Democracia é alternância»
repetiu de novo a embalar o tédio,
um senhor de sonho espesso.

Como se fosse possível - ó glória! ó ânsia! -
construir um prédio,
mudando de vez em quando
os mesmos tijolos do avesso.

José Gomes Ferreira

A VIAGEM

A viagem fazemo-la num qualquer modesto cargueiro.
Existe ainda um porto onde não tivéssemos tocado?
Existe alguma espécie de tristeza que ainda não tivéssemos cantado?
O horizonte que a cada manhã tínhamos pela frente
não era igual ao que à noite deixávamos para trás?
Quantas estrelas desfilaram à nossa frente
roçando as águas?
Não era cada aurora o reflexo
da nossa grande nostalgia?

Mas é em frente que vamos, não é verdade?
é em frente que vamos.

Nazim Hikmet


FIDELIDADE

Creio no homem. Já vi
costas rasgadas a golpes de chicote,
almas cegas avançando aos arrancos
(Espanhas a cavalo
da dor e da fome). E acreditei.

Creio na paz. Já vi
altas estrelas, incendiadas regiões
amanhecendo, rios ardentes
e profundos, caudal humano
para outra luz: Vi e acreditei.

Creio em ti, pátria. Digo
o que vi: relâmpagos
de raiva, amor falado e uma faca
rangendo, fazendo-se em pedaços
de pão: se bem que haja hoje apenas trevas
eu vi e acreditei.

Blas de Otero

quarta-feira, 23 de março de 2011

Conversa entre Galegos e Americanos

Diabo Na Cruz - Corridinho de Verão







Há meninas à espera vamos lá por isto a andar

Só me esconde no armário quem se deixar assustar

O que sonhas eu já fiz, o que queres eu dispenso

Um cobói tem de ter lata para furar este silêncio

O guru vem arranjado, o luar está bonito

Bota aí a macieira que eu empesto-te um apito

Quem me nega sabe bem o que eu penso e o que eu acho

já bebeu do garrafão e da malga de gaspacho


Vai a chuva vem o sol, volta a chuva novamente

Só a enchada saberá o que o cangalheiro sente

Vai-te rindo meu amor que eu nasci para dar-te mimo

O que souberes eu aprendo, o que não souberes eu ensino

Vira o disco toca o mesmo, já começa a chatear

Do patrão à criadagem, aí, ninguém cuida do lar

Anda tudo acagaçado, se calhar não é para menos

A gente deste pais parece que tem febre de fenos

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa - Carta aberta














Caro senhor José Sócrates, excelência.

Apesar da opinião manifestada pelos comunistas, segundo a qual, o chumbo do seu estimado PEC não implica automaticamente a demissão do seu brilhante Governo, mesmo assim, a declarada intenção tanto do PCP, como do PSD, como do CDS, como do BE, de dar-lhe um tiro no PEC, pode bem querer dizer que vossa excelência terá que ir pregar para outra freguesia... não obstante a súplica «angustiada» (e patética, digo eu!) do doutor Soares ao cavacal Presidente.
Como as viagens devem preparar-se com tempo, que é coisa que vossa excelência não tem tido, admito, pensei emprestar-lhe esta belíssima mala de viagem... onde com sorte e bem apertadinhos, caberão quase todos os seus excelentíssimos colaboradores e, bem entendido, vossa excelência.
A dar-se o caso de, realmente, vossa excelência estar de partida, não precisa nem de agradecer, nem devolver a mala. Prefiro ficar sem a dita cuja, a ter que voltar a pôr a vista em cima de vossa excelência. Prefiro que me leve a mala... não me leve a mal.
Não estranhe o excesso de “vossas excelências”... mas é que consta por aí que eu tenho o hábito de insultar vossa excelência, o que, se exceptuarmos uma ou outra distração... não passa de um lamentável boato, campanha negra... vossa excelência sabe bem como é!
A dar-se o caso, como já disse, tenha vossa excelência uma excelente e loooonga viagem!
Saudações!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

convocatória






Contra a lei da bomba do imperialismo, solidariedade com a Líbia


Acção do Movimento pela Paz

Amanhã, quarta-feira, 18horas, Porto,
Praceta Palestina (Rua Fernandes Tomás, à Rua Sá da Bandeira).

terça-feira, 22 de março de 2011

The Wall - Pink Floyd

exemplar (surripiado em salvoconduto.blogs.sapo)




Ir ao beija-mão, mas de sapatos na mão


“Não está muito longe o dia em que o hemisfério será nosso na sua totalidade, como de direito já o é em virtude da superioridade da nossa raça”. Robert Taft, presidente dos EUA (1909-1913).


Barack Obama, no encalço do petróleo brasileiro, fez hoje uma visita àquele país. Os governantes que se apressaram a ir ao beija-mão, no Centro de Convenções Brasil, não estariam por certo à espera que a segurança de Obama os fizesse descalçar os sapatos.


Quatro reagiram e voltaram costas, o da Fazenda, Guido Mantega, o do Comércio e Indústria, Fernando Pimentel, da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante e Edison Lobão, Minas e Energia, o resto qual carneirinhos respeitosamente obedeceram e vergaram a coluna.


Aprecio os gringos na sua forma de tratar governantes nos seus próprios países, mas ainda aprecio mais a forma como estes dobram a espinha, de ministros pouco devem ter, talvez putas que se vendem, salvo as honrosas excepções.

TEXTO

Mobilizemo-nos contra a guerra da NATO na Líbia
por Andrea Catone (director da revista italiana L'Ernesto)


Doze anos depois da "guerra humanitária" da NATO, que em Março de 1999 começou o bombardeamento da Sérvia durante a Primavera para retrocedê-la meio século, como declarou o general Wesley Clark, as potências imperialistas fazem o mesmo com a Líbia – cem anos após a invasão italiana.
Sob o pretexto de salvar populações civis e com o selo branco de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (10 votos, com cinco abstenções: Brasil, China, Rússia, Índia, Alemanha), fazem-se aquecer os motores dos caças Tornado. Na primeira linha, desta vez, encontram-se a França, a Inglaterra e os Estados Unidos, com Hillary Clinton prestes a igualar e a ultrapassar o empreendimento do seu esposo que bombardeou a Sérvia, apoiado pela dama de ferro Madeleine Albright.
Tal como em 1999, é também colocada em marcha a máquina infernal das mentiras mediáticas e da diabolização do "ditador" do momento para justificar a agressão militar contra um país rico em petróleo e porta para a África Central (o continente onde desde há muito as grandes potências entendem-se para uma repartição neo-colonial). Os mesmos que apregoam a urgência da guerra humanitária contra a Líbia, que dizem ser impossível adiar para amanhã, nem sequer levantaram a voz para deplorar a violência que Israel desencadeou entre Dezembro/2008 e Janeiro/2009 contra a população de Gaza, prisão a céu aberto para os palestinos, e que causou milhares de vítimas. Tão pouco preocuparam-se com a violência mortífera dos governos do Bahrein e do Iémen, ou da Arábia Saudita (um Estado que ostenta o nome de uma dinastia!) quando intervém com as suas tropas contra manifestantes. São estas mesmas petro-monarquias – dos emirados à Arábia – de mãos com os Estados Unidos, que enviam armas e tropas aos insurrectos contra Kadafi. Os quais – seja qual for a sua consciência subjectiva (dentre eles encontramos antigos ministros e altos funcionários da Jamahiriya) – são o instrumento de que se servem as forças imperialistas para por a pata sobre o país, não só pelos seus importantes recursos energéticos como também pela sua posição geográfica para o Mediterrâneo e para a África.
Nas condições concretas da Líbia, a imposição de uma "zona de exclusão aérea" implica um bombardeamento militar de grande amplitude. Como concordam numerosos peritos, o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia deveria começar por um ataque, "neste sentido – explica o antigo chefe do Estado Maior da Aeronáutica, Leonardo Tricarico – há que neutralizar os meios anti-aéreos inimigos, ou seja, destruir os radares e os postos de mísseis. Nós temos esta capacidade dita SDAI, ou seja, 'supressão das defesas aéreas inimigas' e ela é constituída por caças Tornado, nós a utilizámos no Kosovo com os alemães e em três dias já não voava qualquer avião sérvio".
A Itália poderá por à disposição estes meios aéreos, eventualmente com os caças F-16 e Eurofither, aptos para a patrulha e a vigilância, além dos aviões Av8, de que está equipado o porta-aviões Cavour. Foi dada por adquirida a colocação à disposição das bases aéreas, em particular as do centro-sul, tanto para a redisposição dos aviões dos outros países como para a assistência logística. Os aviões-radar Awacs, por exemplo, poderiam ser dispostos em Trapan, que está equipada especialmente para este tipo de aeronaves, mas todas as bases estão aptas a acolher caças: de Grazzanise a Gioia del Colle. Poder-se-ia recorrer, em caso de necessidade, mesmo a Lampeduza ou Pantelleria. Há a seguir uma outra capacidade fundamental, lembra ainda o general Tricarico, "que tem a ver com as informações e de que a Itália está dotada: trata-se da constelação de satélites Cosmo-Skymed que está completamente operacional e que regista desempenhos superiores aos de qualquer outro sistema existente. Graças a estes satélites, pode-se ter uma representação fotográfica regular com uma definição muito alta, o que há de melhor hoje no mercado". Para estes fins, podem igualmente ser utilizados os aviões sem piloto (drones) "Predator", dotados de uma grande autonomia e que poderiam ser pilotos a partir da sua base de Amendola, nos Pouilles.
A Itália – as regiões meridionais em particular – está directamente implicada. O governo põe à disposição homens e meios, sistemas de radar e bases militares. O ministro da guerra Larussa recorda-se da estrofe "Tripoli, bela terra de mor... Tripoli será italiana ao som do canhão!" e põe à disposição sete bases militares "sem nenhum limite restritivo de intervenção". Trata-se de Amendola, Gioia del Colle, Sigonella, Aviano, Trapani, Decimomannu e Pantelleria: algumas, diz ainda Larussa, já foram pedidas pelos ingleses e pelos americanos. "Temos uma forte capacidade para neutralizar os radares hipotéticos adversários e poderíamos estar na iniciativa disso: podemos intervir de todos os modos possíveis". (La Repubblica)
Salvo algumas defecções de um lado e do outro (Liga do Norte e Itália dos Valores), todo o parlamento, governo e oposição "democrata", põe o capacete de guerra.
Bersani, secretário do Partido Democrata, põe mais lenha na fogueira: depois de ter quase corrigido a ONU por ter atrasado a decisão por alguns dias, declara que ele e seu partido estão "prontos a apoiar o papel activo da Itália. O governo sabe da nossa disponibilidade, pedimos apenas que nestas horas não haja declarações improvisadas e contraditórias. É preciso falar com os outros países disponíveis e com a NATO. Que ninguém faça de estratega, isso é grave".

O presidente Napolitano não fica atrás. Ele que deveria defender a Constituição (artigo 11: A Itália repudia a guerra como instrumento de ofensa à liberdade dos outros povos e como meio de resolução das controvérsias internacionais; consente, na condição de paridade com os demais Estados, nas limitações de soberania necessárias para regras que assegurem a paz e a justiça entre as nações; promove e apoia as organizações internacionais que tendem a este objectivo). Na sua intervenção no Teatro Regio de Turim no quadro das celebrações do 150º aniversário da Unidade da Itália – ocasião solene – ele disse: "Nas próximas horas, a Itália deverá tomar decisões difíceis, que a comprometerão na situação que se criou na Líbia. Mas se pensarmos no que foi o Risorgimento, como grande movimento liberal e libertador, não podemos ficar indiferentes à repressão sistemática das liberdades fundamentais e dos direitos humanos em qualquer país que seja. Não podemos deixar serem destruídas, espezinhadas, as esperanças que nasceram de um Risorgimento igualmente no mundo árabe, uma coisa decisiva para o futuro do mundo... Espero que as decisões a tomar sejam portanto rodeadas do máximo consenso possível e da consciência dos valores que encarna a Itália unida e que devemos preservar por toda a parte".
Em 1911 havia decorrido meio século desde o Risorgimento. Este entrou na dança para a guerra na Líbia, com a retórica pascoliana da "grande proletária que se pôs à deriva". Hoje faz-se intervencionismo – ou melhor, imperialismo – democrático e "guerra humanitária".
Ninguém menciona a única proposta internacional séria, a do presidente venezuelano Chavez e dos países progressistas latino-americanos, para uma mediação entre as partes em conflito. A paz não serve às potências que, em concorrência entre si, querem retomar "seu lugar ao sol". Esta guerra interna na Líbia foi alimentada pelas potência que hoje dizem querer trazer a paz e a democracia: aos insurrectos de Benghazi chegam armas, equipamentos e conselheiros militares das potências ocidentais. Alimenta-se a guerra civil para justificar a agressão externa. Velha história...
Contra a participação na guerra à Líbia exprimiram-se o secretário do PdCI, Oliviero Diliberto, e o do PRC, Paolo Ferrero. Começam a mobilizar-se em diversas cidades as redes militantes contra a guerra.

domingo, 20 de março de 2011

fotografias de uma grande manifestação




UMA VEZ MAIS...






















Odisseia ao Amanhecer?
(em salvoconduto.blogs.sapo)

A contagem dos "danos colaterais" já começou, chegam as primeiras imagens dos mortos e dos feridos de um hospital e de uma morgue em Trípoli. Finalmente o Ocidente começa a sossegar, tudo a correr como previsto, a operação "Odisseia ao Amanhecer" é um êxito, garantem os falcões.

Hipocritamente o ministro dos Negócios Estrangeiros da China lamentou esta intervenção e apelou à estabilidade na região. Hipocritamente Rússia e Brasil dizem-se incomodados com o ataque da coligação ocidental.

Hipocritamente o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, criticou hoje os bombardeamentos da coligação internacional na Líbia por considerar que eles vão além "do objectivo de impor uma zona de exclusão aérea. O que se passou na Líbia é diferente do objectivo de impor uma zona de exclusão aérea e o que nós queremos é a protecção dos civis, não o bombardeamento de outros civis".
Aí está de novo o festim. Da última vez liderados por George Paz. Exultam as indústrias do armamento, salivam a cada ataque os pequenos tiranetes, Bush desta feita por um Nobel da grudados à pantalha da televisão, esquecendo por momentos a playstation ou a telenovela do canal da concorrência, manda-se às urtigas a legislação internacional sobre os conflitos armados. Até Sarkozy, depois de vir a lume o financiamento da sua campanha por Kadhafi, procura recuperar o protagonismo perdido para Blair aquando da invasão do Iraque e do Afeganistão.

E é nestas alturas que eu "compreendo" por que alguns países não abrem mão de ter ou vir a ter armamento nuclear, o único argumento capaz de dissuadir “esta gente” e de lhes garantir minimamente a soberania e recursos naturais.

O festim da invasão da Líbia, embora catapultado a acontecimento principal, não consegue escamotear que outros há, embora não mereçam mais do que uma nota de rodapé. No Bahrein mata-se por dá cá aquela palha mas tudo bem, o tiranete é cá dos nossos e até lhe damos uma ajuda enviando para lá tropas para ajudar a dizimar mais depressa quem ouse manifestar-se na praça da Pérola, cujo monumento foi destruído, por via das coisas, não fosse também ele virar símbolo de liberdade.

No Iémen aspas, idem. A metralha deixa por terra 50 mortos e 200 feridos através de disparos de polícias entrincheirados nos telhados das casas circundantes aos milhares de manifestantes que exigem a saída de Saleh que já leva 32 anos no poder. Também este é cá dos "nossos", no passa nada.

Assisto numa tv perto de mim um general a dissertar sobre a invasão da Líbia, enquanto hipocritamente o jornalista a seu lado esquece o Bahrein e o Iémen, mas enfatiza que as bombas que caem sobre a Líbia são “bombas legais”...

Não faltará muito para a contagem dos danos colaterais, não faltará muito para que provavelmente os próprios rebeldes que pediram os bombardeamentos se arrependam de ter os pedido e que não se pare uma matança com uma matança maior. Que o digam os habitantes do Kosovo, do Iraque e do Afeganistão que desde então só conheceram violência, pobreza e instabilidade.

Uma vez mais nos esquecemos que os povos não se libertam com bombardeamentos nem a democracia se impõe pelas armas.

Orelha Negra - M.I.R.I.A.M. X Vhils




O tal vídeo famoso...

Direction and edition: Vhils aka Alexandre Farto
Photography Director: Vasco Viana
Executive Producer and Additional Post Production: CINEMACTIV
Pyrotechnics: Pirotec
Production Assistance: Leonor Viegas
Help and Support: Alexander Silva, João Vidinha, Jucapinga, ±, Fidel and Fábrica Braço de Prata

sexta-feira, 18 de março de 2011

Operário em Construção - Vinicius de Moraes







Declamação de Mário Viegas

José Mário Branco_Mudam-se os tempos.wmv






Mudam-Se Os Tempos, Mudam-Se As Vontades
Luis de Camões / José Mário Branco

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Ref: E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

DIA DE INDIGNAÇÃO E DE PROTESTO - CGTP-IN - 19 de Março


ELEIÇÕES REGIONAIS DA RÚSSIA

Comunistas aumentam votação apesar do sufrágio sujo

O partido do primeiro-ministro Vladimir Putin declarou-se vencedor das eleições de domingo em 12 regiões e repúblicas russas. De acordo com os dados provisórios da Comissão Eleitoral, difundidos por agências internacionais, o Rússia Unida (RU) assegurou 374 dos 540 lugares em disputa. A maioria de deputados obtida pelo RU, ponderando os círculos proporcionais e os uninominais, esconde, no entanto, uma erosão da base eleitoral do partido do governo, diz o Partido Comunista da Federação Russa (PCFR).
Segundo informações prestadas pelo secretariado do PCFR, em conferência de imprensa realizada segunda-feira, se for excluída a região do Daguestão (na qual sobejam as irregularidades e se avolumam os indícios de fraude massiva), o PCFR passou de 13 para 22 por cento entre sufrágios regionais, enquanto que o RU alcançou cerca de 46 por cento dos votos.
Os resultados são, para a direcção comunista, um bom pronúncio para as próximas eleições legislativas, já que o PCFR cresceu em termos de votos absolutos em nove das 12 regiões consideradas. Em Nijni Novgorod subiu quase 140 mil votos; em Kursk quase 35 mil; em Kirov mais de 10 mil; em Orenburg mais de 40 mil; em Tver mais de 96 mil; em Komi quase 7500; em Khanti-Mansi mais de três mil; em Adigeia quase sete mil; e em Tchukotka, onde o partido iniciou as candidaturas praticamente do zero, passou de 944 para 1222 votos, sendo ainda de ter em conta que o multimilionário Román Abramóvich era candidato pelo RU.
Em Kalininegrado, o PCFR passou de pouco mais de 15 para 22 por cento do total de boletins. Em suma, o PCFR viu o número de votos crescer em 113,57 por cento face a 2007, e, em contraste, o Rússia Unida perdeu mais de três milhões de votos recolhendo menos 44,26 por cento dos votos garantidos há quatro anos.

«Isto não é uma eleição»

Comentando a jornada eleitoral, o presidente do PCFR, Guenadi Ziugánov, sublinhou que nunca o RU tinha ido tão longe na campanha suja e nas irregularidades registadas. «Os comunistas prepararam 50 mil delegados para o sufrágio, e onde os nossos observadores puderam actuar sem constrangimentos e de acordo com a lei, chegámos a obter a maioria dos votos, como em Arzamas», lembrou Ziuganov.
Os exemplos de fraude divulgados pelo PCFR e por meios de comunicação são, em parte, coincidentes. Os segundos citam informações de uma ONG, que registou situações como duplicação de votos e o descarregamento de eleitores que não compareceram às urnas, ameaças a observadores e impedimento do escrutínio de assembleias de voto, ou percentagens de 20 por cento dos votos recolhidos nas residências (Daguestão), o que suporia que 1/5 dos eleitores se encontrava doente e incapaz de se dirigir à respectiva secção no sufrágio.
Já os comunistas russos avançam dados mais concretos, particularmente graves no Daguestão e em Tambov. Nesta região, por exemplo, toda a propaganda do PCFR foi retirada e os dirigentes comunistas locais foram pura e simplesmente banidos da televisão local durante o período de campanha. No dia das eleições, a maioria dos observadores comunistas foi impedida de cumprir a sua função, pelo que «tais factos exigem o envio imediato de uma comissão de investigação», frisa o PCFR.
Quanto ao Daguestão, o PCFR sustenta ter alcançado a maioria dos votos em 34 assembleias. Em muitas das secções a sua actividade foi igualmente impedida. Assembleias de voto foram invadidas e existem relatos de roubo e enchimento de urnas com votos no RU. Nesta região, a divulgação dos resultados esteve suspensa durante 12 horas. «Parece que se sentaram a cozinhar os resultados», concluiu Ziuganov, para quem «isto não são eleições, mas uma paródia».

(no Avante, de 17 de Março de 2011)

quinta-feira, 17 de março de 2011

poesia

GRITO NEGRO

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!E tu acendes-me, patrão
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder, sim
e queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão!Tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu serei o teu carvão, patrão!

José Craveirinha



JOGO DO LENÇO

Trago no bolso do peito
um lenço de seda fina,
dobrado de certo jeito.
Não sei quem tanto lhe ensina
que quanto faz é bem feito.

Acena nas despedidas,
quando a voz já lá não chega
por distâncias desmedidas.
Depois, no bolso aconchega
as saudades permitidas.

Também o suor salgado,
às vezes, enxuto a medo,
que o lenço é mal empregado.
E quando me feri um dedo,
com ele o trouxe ligado.

Nunca mais chegava ao fim
se as graças todas dissesse
deste meu lenço e de mim,
mas uma coisa acontece
de que não sei porque sim:

Quando os meus olhos molhados
pedem auxílio do lenço,
são pedidos escusados.
E é bem por isso que penso
que os meus olhos, se molhados,
só se enxugam no teu lenço.

José Saramago

os metralhas da CGD











Caixa Geral de Depósitos – Quando os assaltantes trocam de lado...

Muitos milhares de portugueses clientes da Caixa Geral de Depósitos, receberam uma carta, informando-os sobre algumas “novidades” na relação daquela instituição bancária com os seus clientes.
Assim, para além de tudo aquilo que já cobram a propósito de tudo e mais alguma coisa, fomos informados de mais uma “contribuição para a causa”; isto, se as nossas contas não observarem os seguintes requisitos:
- Pertenceram a jovens até aos 25 anos, com um único titular.
- Pertencerem a alunos universitários com cartão “Caixautomática Universidade/Politécnico”.
- Constituírem os chamados Serviços Mínimos Bancários (pertencerem, por exemplo, a pessoas que vivem da assistência, mas que são obrigadas a ter conta no banco).
- Todas as que tenham saldo médio trimestral superior a €2.500.


Ficamos ainda a saber que, a menos que as nossas contas passem a obedecer a qualquer um destes requisitos durante o próximo trimestre, estaremos sujeitos a começar a pagar, trimestralmente, uma “comissão de manutenção de conta à ordem”, escalonada como se segue:
- Saldos médios trimestrais entre €1.500 e €2.500 — €5.20
- Saldos médios trimestrais entre €1.000 e €1.500 — €10.40
- Saldos médios iguais ou inferiores a €1.000 — €15.08


Há, finalmente, uma classe especial reservada a clientes ainda com menos dinheiro, que serão obrigados a deslocar-se semanalmente à dependência da CGD mais próxima, onde baixarão as cuecas a fim de serem devidamente vergastados... que é para não terem o supremo descaramento de não ganharem tanto dinheiro como os senhores gestores do banco.
Pronto... já vi que me toparam... esta última “taxa” das vergastadas inventei-a mesmo agora, mas tudo o resto, embora pareça uma piada, juro que não é. Estou a olhar para a carta.
....

(em samuel-blogspot.com)



quarta-feira, 16 de março de 2011

Buraka Som Sistema - Kalemba (wegue wegue) OFFICIAL VIDEO



O SOM ANGOLANO (KUDURO) DE UM GRUPO PORTUGUÊS

desenho


Desenho de Roberto Fabelo

um grande buraco e a necessidade de lhe dar umas grandes tacadas


O governo de José Sócrates não demorou muito tempo a reagir ao protesto de sábado à tarde. Sensível como é, cedeu às pretensões dos dirigentes do golfe e mostra-se disposto a abrir uma excepção à modalidade em termos de IVA. Os praticantes passarão a pagar apenas 6% em vez dos actuais 23%.

Até se compreende a justeza da medida, no fundo, no fundo, Portugal é um imenso campo de golfe, pelo menos a fazer fé no número de buracos e no número de patos bravos...

(em salvoconduto.blogs.sapo)

Oquestrada - Se Esta Rua Fosse Minha ao Vivo



a nova música portuguesa

terça-feira, 15 de março de 2011

Tropa de Elite 2 - Trailer Oficial



Uma boa sugestão:
O filme retrata a corrupção no Rio de Janeiro e a influência efectiva de politicos na criminalidade e na insegurança pública


Sinopse Oficial - 2010. Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

João Ferreira, eurodeputado do PCP no Parlamento Europeu

VERDADES DURAS

A Líbia, a esquerda europeia e o retorno do imperialismo humanitário
por Jean Bricmont

Todos eles estão lá: os "Verdes" com José Bové, agora aliado a Daniel Cohn-Bendit, que sempre apoiou as guerras da NATO e, naturalmente, Bernard-Henry Levy e Bernard Kouchner, apelando a uma espécie de "intervenção humanitária" na Líbia, mas também, por vezes, os partidos da esquerda europeia (que reagrupa os partidos comunistas europeus "moderados"); diferentes grupos "radicais" censuram a esquerda da América Latina, cujas posições são bem mais sensatas, por agirem como idiotas úteis do tirano líbio. Um artigo recente da Liga Comunista Revolucionária (belga), falando do "fracasso do chavismo", é um bom exemplo desta atitude. Embora os trotsquistas nunca tenha conhecido a responsabilidade do poder e nunca tenham tido a obrigação de responder ao povo que pretendem representar, lançam-se em críticas virulentas a Chavez, que é regularmente eleito à frente de um grande país (e os trotsquistas não adoram a democracia?) sem procurar compreender porque a esquerda latino-americano vê, com razão, a ingerência americana como "o inimigo principal" e, sem dúvida porque ela está mal informada, não confia nos trotsquistas europeus para travar a NATO.

Doze anos depois, é a história do Kosovo que se repete. Centenas de milhares de mortos iraquianos, a NATO colocada numa posição insustentável no Afeganistão, e eles nada aprenderam! A guerra do Kosovo foi lançada para travar um genocídio inexistente, a guerra afegã para proteger as mulheres (vá verificar a sua situação actualmente) e a guerra do Iraque para proteger os curdos. Quando é que eles vão compreender que sempre se afirmou que as guerras são justificadas por razões humanitárias? Mesmo Hitler "protegia as minorias" na Checoslováquia e na Polónia.

E, como no Kosovo, opõem-se à intervenção com todas as más razões possíveis e imagináveis: por exemplo, que uma intervenção vai reforçar Kadafi – mas também se disse isso para Milosevic e Saddam e não foi exactamente o que se passou. O que é preciso "apoiar a insurreição" mas opor-se à intervenção, quando é evidente que um apoio puramente verbal não tem efeito. Ou ainda que os insurrectos não nos pedem para intervir; primeiro, isso parece não ser mais verdadeiro e, se eles perdem, certamente não nos pedirão para intervir. Mas devemos nós intervir em toda a parte do mundo se nos for pedido? Isso é feito com os palestinos?

Em contrapartida, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Robert Gates, declarou que "deve-se examinar a cabeça" de todo futuro secretário de Estado que aconselhasse o presidente americano a enviar tropas à Ásia ou à África. O almirante McMullen igualmente aconselhou prudência. O grande paradoxo da nossa época é que o QG do movimento da paz encontra-se no Pentágono e no Departamento de Estado ao passo que o partido pró guerra é constituído por uma coligação de neo-conservadores e de intervencionistas de toda espécie, compreendendo a esquerda da ingerência humanitária assim como certos Verdes ou comunistas arrependidos. A mesma combinação encontra-se igualmente no caso do Irão. São os militares que aconselham a prudência e os "humanitários" que lançam gritos de guerra em nome dos direitos do homem (ou da mulher).

Evidentemente, os Estados Unidos farão ou não a guerra por razões que são independentes das opiniões da esquerda pró guerra. Ao contrário do que é muitas vezes afirmados, o petróleo não é o factor principal que afecta a sua decisão pois qualquer futuro governo líbio deverá vender petróleo e a Líbia não produz bastante para pesar significativamente na cotação do petróleo. Naturalmente, o caos na Líbia leva à especulação que por si mesma afecta os preços, mas isso é outro problema. Toda ideia de "guerra pelo petróleo" sofre de simplismo. No Iraque, por exemplo, as companhias chinesas podem investir tanto quanto as outras e a China compra petróleo um pouco por toda a parte do mundo aos preços do mercado, sem gastar um cêntimo em intervenções militares. Se os Estados Unidos fizeram a guerra para "controlar o petróleo" e enfraquecer a China, eles realmente saíram-se mal! E mais: todo o dinheiro que eles gastam com as suas guerras é, na prática, tomado emprestado à China, o que contribui ainda mais para o seu declínio. Estranha maneira de manter a sua hegemonia.

O argumento principal em favor da guerra, do ponto de vista dos Estados Unidos, é que, se tudo ocorrer rápida e facilmente, isso reabilitará a NATO e a ingerência humanitária, cuja imagem foi empanada pelo Iraque e pelo Afeganistão. Uma nova Granada ou um novo Kosovo é exactamente o que é preciso. Um outro motivo de intervenção é controlar melhor os rebeldes vindo "salvá-los" na sua marcha para a vitória. Mas isso tem pouca probabilidade de êxito: Karzai no Afeganistão, os nacionalistas kosovares, os xiitas do Iraque e naturalmente Israel ficam perfeitamente satisfeitos por beneficiar da ajuda americana quando têm necessidade mas, depois disso, prosseguem a sua própria agenda. E uma ocupação militar total da Líbia após a "libertação" é pouco realista, o que, certamente, do ponto de vista dos Estados Unidos torna a intervenção menos atraente.

Mas se as coisas correrem mal, isso provavelmente será o começo do fim do Império americano, daí a prudência das pessoas que o gerem e que não se contentam e escrever artigos no Le Monde ou vituperar ditadores diante das câmaras.

É difícil para cidadãos comuns saber exactamente o que se passa na Líbia, pois os media ocidentais desacreditaram-se completamente no Iraque, no Afeganistão, no Líbano e na Palestina e as fontes de informação alternativas nem sempre são críveis. Isso não impede naturalmente a esquerda pró guerra de estar absolutamente convencida da verdade das piores informações sobre Kadafi, tal como há doze anos a propósito de Milosevic.

O papel negativo da Corte Penal Internacional é manifesto, como o foi o do Tribunal Penal Internacional para a Jugoslávia no caso do Kosovo. Uma das razões porque houve relativamente pouco sangue derramado na Tunísia e no Egipto é que havia uma porta de saída possível para Ben Ali e Mubarak. Mas a "justiça internacional" quer tornar impossível uma tal saída para Kadafi e provavelmente para as próximas dele, pressionando-as assim a combater até o fim.


Se "um outro mundo é possível", como proclama sem cessar a esquerda europeia, então um outro Ocidente também deveria ser possível e a esquerda europeia deveria começar a construí-lo. O encontro recente da Aliança Bolivariana poderia servir de exemplo: a esquerda da América Latina quer a paz e quer impedir a intervenção dos Estados Unidos pois sabe que está na sua linha de mira e que o seu processo de transformação social exige primeiro e antes de mais nada a paz e a soberania nacional. Portanto, ela sugeriu enviar uma delegação internacional dirigida eventualmente por Jimmy Carter ou Lula (que não se pode acusar de serem marionetes de Kadafi) para começar um processo de negociação entre o governo e os rebeldes. A Espanha diz-se interessada nesta ideia, que naturalmente é rejeitada por Sarkozy. Esta proposta pode parecer utópica, mas se a ONU nela pusesse todo o seu peso, talvez não fosse o caso. E seria um modo para a ONU de cumprir sua missão, o que actualmente é tornado impossível pela influência dos Estados Unidos e do Ocidente. Contudo, não é impensável que agora, ou aquando de uma próxima crise, uma coligação de países não intervencionistas, por exemplo, a Rússia, a China ou a América Latina e talvez outros possam trabalhar em conjunto para construir alternativas críveis ao intervencionismo ocidental.
Ao contrário da esquerda da América Latina, a esquerda europeia perdeu completamente o sentido do que quer dizer fazer política. Ela não tenta propor soluções concretas para os problemas e só é capaz de adoptar posições morais, em particular denunciar de modo grandiloquente os ditadores e as violações dos direitos do homem. A esquerda social-democrata segue a direita com alguns anos de atraso e não tem nenhuma ideia independente. A esquerda "radical" consegue muitas vezes denunciar ao mesmo tempo os governos ocidentais de todas as maneiras possíveis e pedir que estes mesmos governos intervenham militarmente por toda a parte do mundo para defender a democracia. Um dos argumentos mais ridículos avançados por esta esquerda é que Kadafi colaborou com os europeus para limitar a imigração africana e que, em consequência, há que "denunciá-lo" (um dos desportos favoritos da esquerda radical é "denunciar" todos aqueles que não lhe agradam, manobra puramente verbal e destituída de efeitos positivos). Mas são evidentemente estas viciosas potências europeias, ou americanas, que vão intervir na Líbia, não a esquerda radical que não tem qualquer força militar à sua disposição. E se, em vez de denunciar Kadafi, esta esquerda se fixasse a tarefa (um pouco mais árdua, é verdade) de convencer as opiniões públicas europeias da necessidade de abrir as suas fronteiras a alguns milhões de africanos?
A esquerda radical não tem qualquer programa coerente e não saberia o que fazer mesmo se um deus a pusesse no poder. Em vez de "apoiar" Chavez e a Revolução Venezuelana, uma afirmação despida de sentido que alguns se satisfazem em repetir, deveria humildemente seguir a sua escola e, acima de tudo, reaprender o que quer dizer fazer política.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa

CONTRA A PRECARIDADE, TRABALHO COM DIREITOS - factos e contradições














Uma posição legítima (Pedro Penilo, em Blog 5 dias)

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país.”
“Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.”
do Manifesto do Protesto da Geração à Rasca


Não fui ao protesto da Geração à Rasca. Não fui, mas gostava de ter ido. As razões porque não fui são fortes razões de princípio.
Quando escrevo isto já é inegável que as manifestações foram, para os seus promotores, um sucesso. Ainda bem. Dou a todos os meus amigos e camaradas que para o protesto trabalharam (mas apenas a estes) os meus parabéns. Assim posso escrever sobre os meus motivos sem suspeita de oportunismo. Tirando algumas discussões ocasionais entre amigos que tive no Facebook, onde defendi a minha posição, não a tornei pública aqui para não hostilizar nem prejudicar o protesto.
A luta não começou anteontem. Nem na semana passada. Tem séculos. E nenhum novo alento o pode ocultar ou renegar. Temos de honrar as vidas, os sacrifícios e os esforços. Melhor: temos de honrar aqueles que, quando a luta não arrasta multidões, sempre saem de casa, para a chuva e para o aborrecimento, para lutar pelas vidinhas de todos.
As citações acima são excertos do manifesto que fundou o protesto da Geração à Rasca. Diz: “Nós, que até agora compactuámos…”. E prossegue: “…todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos…”. E endereça convites a todos os partidos, a toda a sociedade. A todos. Aos explorados e aos exploradores. Aos responsáveis pela política de espoliação dos trabalhadores de todas as gerações e aos que sempre contra ela lutaram. Não era uma manifestação de arrependidos (eleitores que tivessem votado no PS, no PSD ou no CDS). Não. Era um protesto dos que compactuaram, dos que são responsáveis: todos nós.
Ora, eu não compactuei. Não sou co-responsável pela situação. Eu e muitos milhares de amigos companheiros e camaradas que lutamos todos os dias para mudar a situação. Não se ouve falar disto, porque a comunicação social não trata com o mesma atenção esta outra face da luta quotidiana. Não revela milhares de outros rostos, tão espontâneos como dignos de interesse. Com intenção, ou por erro que não se quis corrigir nunca, este movimento não nos quis incluir.
Podia ser apenas um detalhe. Mas não é. Juntaram-se ao protesto os clientes do BPP, a JSD, a extrema-direita. Lado a lado com massas de gente que sempre lutou. Na página do Facebook do protesto, o populismo anti-partidos e de cariz muito pouco democrático à solta. Lá se mistura, nos comentários, “os políticos”: os que usurparam o poder e mentiram com os que se dedicam à luta diariamente. Podemos mesmo ver a actriz Sandra Barata Belo a dizer que “já não há emprego para toda a vida e toda a gente quer isso. Isso acabou!”. Ou seja, a parafrasear a patranha ideológica de Miguel Sousa Tavares e tudo o que liga Durão Barroso a Sócrates. Que ironia!
Para muitas pessoas, mares de gente, acredito, esta minha posição pessoal parecerá muito pouco ou incompreensível. Mas ela não dependia, como não dependerá, da quantidade de gente que a compreende ou aceita. Sempre foi assim a luta, e não vai mudar amanhã. Por isso é que é LUTA.
A razão porque escrevo isto é porque o protesto da Geração à Rasca vai continuar. Espero que tome consciência de duas coisas básicas: se se mantiver esta falta de coragem para atribuir responsabilidades a quem verdadeiramente as tem e às políticas que provocam a precariedade, ganha-se certamente muita gente, mas outros ficarão de fora; é esta coisa da luta política: não se pode agradar a todos. Espero sinceramente poder participar no próximo.


e um poema de Mário Castrim...

VIAGEM ATRAVÉS DE UM COMÍCIO

O sol em chapa ou o aperto da sala.
O camarada que fala
a pesar as palavras numa balança de precisão
multiplicada cem mil vezes a atenção.
O comício é muito importante.
Vezes sem conta dissemos PCP.
Comprámos o emblema, o autocolante.
Gritámos as palavras de ordem correctas
e ainda outras que enfim...
A nossa força torna-se evidente, real.
A nossa consciência sabe melhor porquê.
Cantar o «Avante», mesmo desafinado
mas em coro, levanta-nos o moral.

Os camaradas que ficaram de vigilância
aos Centros de Trabalho, aguardam ansiosos
que venha alguém: «Correu tudo bem?
Estava cheio?, Não houve novidade?»

Ouvem tudo, recolhem dos nossos gestos
o eco da alegria. À sua guarda
o Centro de Trabalho é uma enorme colmeia.


Mário Castrim

domingo, 13 de março de 2011

A MAIOR MULHER DO MUNDO






A Mãe Pátria é uma estátua monumental que se eleva sobre a colina de Mamayev Kurgan que domina a cidade industrial russa de Volgogrado (denominacão de Stalinegrado a partir de 1961). Foi erigida para comemorar a vitória soviética sobre as forças nazi-fascistas no acontecimento militar mais decisivo da Segunda Guerra Mundial: a Batalla de Stalinegrado (1942-1943). A estátua (inspirada na Vitoria de Samotracia, a deusa grega Niké) tem umas colossais dimensões que a elevam até aos 85 metros; a Estátua da Liberdade tem 46 metros de altura [veja-se a continuação do gráfico comparativo de ambas à mesma escala]. Durante a execução da obra ultrapassaram-se bastantes desafios de engenharia construtiva entre 1959 e 1967, o ano da sua inauguração.

O escultor Yevgeny Vuchetich (famoso artista soviético de origem yugoslavo) e o engenheiro-chefe Nikolai Nikitin, dirigiram a construção de um projecto —elaborado pelo arquitecto Iakov Bielopolski— em que se usaram mais de 5.500 toneladas de cimento e cerca de 2.500 toneladas de ferro; sómente a espada tem um peso de 14 toneladas. Para assegurar a rigidez e a estabilidade do conjunto utilizou-se uma engenhosa estructura de cabos metálicos tensos no seu interior. A modelo que utilizou Vuchetich para esta escultura foi a cidadã de Stalinegrado Valentina Izotova.
Na base de Mãe Pátria existe um Memorial em honra das centenas de milhar de soldados e cidadãos soviéticos que caíram na Batalha de Stalinegrado e em que repousam os restos mortais de vários heróis da União Soviética e condecorados com a Ordem de Lenine, entre eles o mítico Vasili Záitsev (1915-1991), franco atirador do Exército Vermelho que abateu dezenas de oficiais alemães nazis entre 1942 e 1943 e personagem principal da película Inimigo á porta (2001); dirigida por Jean-Jacques Annaud e interpretada por Jude Law (no papel de Vasili Záitsev), Ed Harris e Rachel Weisz.

Georges Brassens - Mourir pour des Idées

TEXTO

O ZORRO NA POLITICA NACIONAL

Ana Gomes é eurodeputada do PS desde 2004. É membro da Comissão Politica do PS desde 2002 e foi do Secretariado do mesmo partido em 2003 e 2004. Ocupa há muito um lugar central na política portuguesa e na sua componente externa.
Jurista e ex-diplomata, distingue-se actualmente por uma prolífera intervenção em tudo o que é comunicação social, blogosfera incluída. Ana Gomes lidera uma facção do PS, que eu designaria por “anagomista”, e que não é de esquerda, nem de direita nem de centro, mas fica rigorosamente visível quando a deputada se olha ao espelho: mesmo em frente. Facção de uma só personalidade, de verdades absolutas, de esquemáticos raciocínios.
Ana Gomes apresenta sempre uma sua vocação justiceira. E toca a mostrar serviço. Os exemplos são muitos. Quando da recente visita de um enviado do Governo Líbio, recebido num hotel de Lisboa pelo MNE Luis Amado, Ana Gomes saltou para a ribalta do palco da nossa mediocre comunicação social, propondo que lhe fosse concedido asilo político. E perante a não satisfação da sua ridícula proposta pelo seu colega Amado, certamente “influenciado” ou “chantageado” pelo emissário do Governo de Khadaffi (palavras utilizadas pelo “nossa” Ana eurodeputada!), soltou-se o impulso “ético”: o enviado devia ser preso! Estamos perante uma versão da “moderna diplomacia” segundo o “anagomismo”: prende-se o mensageiro ou acaba-se com ele, em nome da boa gestão dos conflitos e interesses contraditórios. Eliminado um dos oponentes, extingue-se a oposição...
O “anagomismo” tem como adversários de estimação todos os que pensam ou actuam diferentemente do ideário de Ana Gomes, desde a China, à Angola, á Venezuela, a Cuba, passando por uma longa lista de incompatibilidades, numa federação de lugares comuns e de simplistas análises. Pensa Ana Gomes que o mundo treme perante o seu juízo crítico. Para eles, os adversários, Ana Gomes possui um dicionário extenso de qualificações radicais, de adjectivos ofensivos, de chorrilhos, de exclusões éticas. Ana Gomes é muitas vezes verbe de peixeira na politica portuguesa. E cresce assim a sua popularidade.
O seu enorme ego coloca-a por vezes em dificuldades e contradições. Ataca Amado e esquece Sócrates, vocifera contra a passagem dos aviões-prisão dos EUA por Portugal em direcção a Guantánamo, mas esquece os compromissos do governo português com a NATO e a sua aventura no Iraque e no Afeganistâo, é dasalinhada mas cumpre com disciplina as orientações de voto do PS. É o risco de um sócratismo utilitário á espera do dia seguinte... A liderança do PS utiliza-a, estou certo, como a originalidade no amontoado de yes man e yes woman, a transgressão na uniformidade, ou como batedor das incursões difíceis.
Quanto vale Ana Gomes, agora e no futuro?

Cristiano Ribeiro

sábado, 12 de março de 2011

as comemorações dos 90 anos do PCP no Porto







No edifício da Alfandega do Porto decorreu o 90.ºAniversário do PCP. Um concerto musical com a Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova e um grupo coral dirigido por Guilhermino Monteiro precedeu o comício.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Philips Cinema - Parallel Lines - The Gift, by Carl Erik Rinsch




The Gift
Um filme de Carl Erik Rinsch
Parallel Lines Project da Philips Cinema e Ridley Scott Associates.

Breve

(dos jornais)

CGTP abandona reunião da concertação social
09 de Março de 2011

A CGTP abandonou hoje a reunião da concertação social, considerando “inaceitável” para os trabalhadores o compromisso entre os parceiros sociais que o Governo pretende levar à cimeira de Bruxelas na sexta-feira.

“A CGTP abandona a reunião porque esta declaração é inaceitável e prejudicial para o país. Não é por aqui que se ganha credibilidade e que Portugal responde aos desafios que tem pela frente”, disse aos jornalistas o Secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva.


Bem avisado andou o Movimento Sindical Unitário em se demarcar com antecedência da esparrela que SÓCRATES e seus "boys" pretendiam lançar, para condicionar e "legitimar" com a "Concertação Social" as novas iniciativas do PEC 4, resultantes da politica de submissão ás politicas europeias anti-sociais.



Genesis - Carpet Crawler



Uma grande canção e um grande álbum de um dos mais marcantes grupos musicais de sempre