um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Kronos Quartet tocando Sigur Ros



O tema chama-se Flugufrelsarinn

ALBERTINA DIAS - PETIÇÃO PÚBLICA



Albertina Dias foi uma das atletas mais representativas do nosso país, conquistando um total de 10 medalhas em nome de Portugal, 3 individuais e 7 colectivas.

As suas 3 individuais foram alcançadas no Campeonato Mundial de Corta-Mato, sendo uma de cada. Prata em 1990, bronze 1992 e o tão ambicionado ouro em 1993, sagrando-se assim Campeã Mundial, um verdadeiro orgulho para uma nação pequena, sem as condições de outras, mas cujos atletas se excedem em esforço, garra e empenho.

A carreira terminou, mas o reconhecimento não pode ter fim. Atletas como Albertina, que faz parte dum restrito mas muito valioso lote dos que alcançaram a difícil honraria de serem os melhores do mundo, são um exemplo para todos, em especial para os jovens que pretendemos formar para um futuro mais saudável e sustentável.

O exemplo destes nossos heróis do desporto tem de ser aproveitado para o tão nobre fim da formação, não só desportiva mas cívica, através do ensinamento de quem brilhou.

Muitas promessas a Albertina recebeu, mas as promessas não cumpridas não pagam as contas e a nossa campeã foi obrigada a uma medida drástica, com o custo que o mais indiferente não pode negar.
A Albertina colocou a sua casa e a medalha de ouro, tão suada e sonhada, à venda.

A vergonha cai sobre toda a nossa nação, por permitir uma situação destas e é essa a razão que nos leva a assinar esta petição, que será dirigida à Federação Portuguesa de Atletismo, Instituto do Desporto de Portugal e Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, para que tudo seja feito, por quem de direito, de forma a evitar esta situação tão penalizante.

Que futuro para um país se não souber respeitar o seu passado?

Os signatários

actividade institucional

SÓ SUSPEIÇÕES?
(Intervenção na AM PAREDES, de 26 de Fevereiro de 2011)

Vivemos tempos dificeis e portanto tempos exigentes. A crise económica, social e política que afecta o nosso país impõe respostas novas e equilibradas, que beneficiem o emprego, a produção nacional e a proteção social dos mais desfavorecidas ou fragilizados. Todas as entidades públicas devem ter programas de intervenção que respondam precoce e eficazmente aos problemas.
A Câmara Municipal de Paredes vive certamente condicionada na sua actividade diária com as restrições orçamentais dos vários PECs, os do PS, e com apoio do PSD. Com a tentativa difícil de equilibrar despesas com receitas, surge a estagnação no investimento, ausência de iniciativa própria e de resposta aos desafios do futuro.
Não se descortinam grandes objectivos estratégicos na actividade actual da Câmara Municipal de Paredes. Assiste-se a uma descolorida gestão. Corremos o risco de ter uma Câmara Municipal a ver correr o tempo e a ver decorrer as consequências da crise.
A CDU, como oposição política ao PSD em Paredes, apresentou vários requerimentos, pedidos de esclarecimento, intervenções públicas, que procuram mobilizar o poder político local para a realidade concreta. Pena não serem valorizados por quem o deveria, por vezes com a simples resposta esclarecedora. Como mero exemplo, esta semana, apresentou um pedido de esclarecimento sobre as obras do cemitério de Recarei, obra adiada embora incontestavelmente necessária.
O PSD quer governar sózinho a Câmara de Paredes. Legitimamente. Mas a sua auto-suficiência, que prescinde de outra colaboração, não tem trazido grandes resultados.
O PSD na Câmara Municipal é responsável pelas trapalhadas da mudança da zona desportiva da cidade, com consequências no tecido urbano, e na prática desportiva geral. O buraco no espaço central da Cidade de Paredes.
O PSD na Câmara Municipal é co-responsável pelas peripécias na participação social no Hospital da Misericórdia de Paredes, na sua indefinição, na sua desadequação a objectivos sociais básicos. O buraco no apoio social do Concelho.
O PSD na Câmara Municipal alimentou esperanças infundadas de um desenvolvimento tecnológico e modernizador do Concelho com a proclamada Cidade Inteligente, que se arrasta sem sentido, sem concretização nem que seja numa ínfima parte do projecto propagandeado. O buraco da credibilidade de um Concelho.
O PSD na Câmara Municipal não concretiza nem estimula a resolução de ombras emblemáticas como a mudança da localização da ETAR da Cidade, a recuperação da envolvente do Mosteiro de Cete, a construção do Museu, da Biblioteca Municipal ou do novo Aterro Sanitário. O buraco na esperança de uma melhor qualidade de vida.
O PSD na Câmara Municipal finge desconhecer a imagem, e mais preocupante, a realidade social de um acampamento cigano degradado e degradante, a que nem uma proclamada integração social de sucesso consegue esconder. O buraco do subdesenvolvimento.
O PSD na Câmara Municipal deve responder pelas inações de desenvolvimento do concelho que as estatísticas revelam e que os cidadãos reconhecem. Não há em Paredes, por culpa do PSD, uma política efectiva no âmbito social, da habitação, dos transportes, das infraestruturas de água e saneamento, de novas vias de circulação, no desporto, da cultura. São poucas as áreas de excelência, mesmo no contexto regional.
Os tempos são difíceis. Exige-se vontade de mudar.
E mesmo quando se responde de que já abriu concurso para a nova ETAR de Paço de Sousa, ou para as obras do Cemitério de Recarei, se deve dizer: concretizem e não percam tempo. Que não se justifiquem as suspeições de incapacidade de execução de objectivos tão prementes! E se tal acontece, deixem actuar novos protagonistas.

O eleito da CDU
Cristiano Ribeiro

A LIBIA E O IMPERIALISMO



De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia.

Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?

Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?

Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?

A Líbia não é como o Egipto. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.

Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a menina filha de Kadafi – o que raramente é mencionado pelos media corporativos. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.

Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdad com uma campanha de bombardeamento que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e económicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.

O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise económica capitalista mundial.

Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça económica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma secção significativa da população.

Contudo, é importante para gente progressista saber que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agente do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.

Os media ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos factos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estado-unidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.

O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversa nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egipto e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.

Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morreram por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exactamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.

O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg.com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e é o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.

Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram que Kadafi derrubou a monarquia e nacionalizou o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" regista o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para a intervenção militar na Líbia.

Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma intervenção estado-unidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.

As pessoas progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.

POR WORKERS WORLD

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MAYA PLISETSKAYA - A MORTE DO CISNE

POESIA

Poema aos homens constipados

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes

Ensaio



Ensaio "SOLEDAD" - Amália & Alain Oulman

Grande momento de inspiração de Amália com as palavras da poetisa Cecilia Meireles e a música de Alain Oulman.

Soledad, antes que o sol se vá
Como um pássaro perdido
Também te direi Adeus
Soledad, Soledad
Também te direi Adeus

Terra, terra morrendo de fome
Pedras secas, folhas bravas
Ai quem te pôs esse nome?
Soledad, Soledad
Sabia o que sei, palavras...

Antes que o sol se vá
Como um gesto de agonia
Cairás nos olhos negros
Soledad

Indiazinha, Indiazinha tão sentada
Na cinza do chão deserta
Que pensas, não pensas nada!
Soledad, Soledad
Que a vida é toda secreta

Como estrela,
Como estrela nestas cinzas
Antes que o sol se vá
Nem depois não virá Deus
Soledad, Soledad
Nem depois não virá Deus

Pois só ele explicaria
A quem teu destino serve
Sem mágoa, nem alegria
Um coração tão breve

Também te direi Adeus!
Soledad!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Paco Ibañez - Poemas Vol III - 10 Me lo decía mi abuelito




Me lo Decía mi Abuelito-

Me lo decía mi abuelito,
me lo decía mi papá,
me lo dijeron muchas veces
y lo olvidaba muchas más.
-
Trabaja niño, no te pienses
que sin dinero vivirás.
Junta el esfuerzo y el ahorro
ábrete paso, ya verás,
como la vida te depara
buenos momentos, te alzarás
sobre los pobres y mezquinos
que no han sabido descollar.
-
Me lo decía mi abuelito,
me lo decía mi papá,
me lo dijeron muchas veces
y lo olvidaba muchas más.
-
La vida es lucha despiadada
nadie te ayuda, así, no más,
y si tú solo no adelantas,
te irán dejando atrás, atrás.
¡Anda muchacho dale duro!
La tierra toda, el sol y el mar,
son para aquellos que han sabido,
sentarse sobre los demás.
-
Me lo decía mi abuelito,
me lo decía mi papá,
me lo dijeron muchas veces,
y lo he olvidado siempre más.

José Agustín Goytisolo / Paco Ibañez

UMA ESTÓRIA DO PASSADO... ou: QUANDO O COELHO SAI DA TOCA

(in cravodeabril.blogspot.com)


Em 18 de Janeiro, dois dirigentes sindicais - José Manuel Marques, do STAL e Marco Rosa, da FENPROF - foram presos e algemados pela PSP, junto à residência do primeiro-ministro.
Posteriormente, o processo de Marco Rosa foi arquivado pelo DIAP (sem ter havido contra ele qualquer acusação) e José Manuel Marques foi julgado e absolvido pelo tribunal.

Estavam as coisas neste ponto, eis senão quando... sai da toca um Coelho (Chefe de gabinete do MAI, Rui Pereira) e toca de ler a sua sentença...
Assim, decidiu e mandou publicar o Chefe Coelho que «a intervenção da PSP foi proporcional e adequada».
Porquê?: porque, diz o Coelho, os acusados desobedeceram à PSP - inclusive à ordem dada a um deles para «terminar com agressões sucessivas a um agente da PSP».
Coisa horrível, esta!
Estremeço só de imaginar a cena em que o terrível dirigente sindical agride brutalmente, sucessivas vezes, o pobre e indefeso agente da PSP...

Mas, pior - muito pior - do que isso foi a cena seguinte.
É que, acusa Coelho, além das «agressões sucessivas» ao agente da PSP, «os manifestantes fizeram rebentar um engenho explosivo de pequenas dimensões, vulgo petardo»...

Em tempos, o saudoso ministro Ângelo Correia divertiu-nos à brava com a «insurreição dos pregos».
Agora, vem o Chefe Coelho e faz-nos chorar a rir com a sua «insurreição do engenho explosivo, vulgo petardo».

Não há dúvida: este láparo - vulgo coelho - segue à letra os seus antepassados do salazarento/marcelento MAI, cuja tarefa principal era redigir «notas oficiosas» a decretar que a intervenção das forças da ordem foi «proporcional e adequada» e que os manifestantes não passavam de um bando de terroristas fortemente armados...

É claro que hoje - felizmente para nós e infelizmente para os coelhos - as consequências dessas «notas oficiosas» já não são o que eram...

Mas atenção: como o Brecht aqui nos veio dizer um dia destes, «o ventre, donde isto saiu, ainda é fecundo»...

Irlanda: Romper a conexão com o Euro!

























por Socialist Voice

A crise em torno do Euro é fonte de instabilidade crescente no seio da própria União Europeia. A UE a elite política aqui na Irlanda – que executam activa e voluntariamente as políticas e os diktats das forças económicas dominantes no seio da UE, em particular os capital financeiro alemão – gostam de dar a impressão de que está tudo sob o seu controle e de que podem dominar todos os acontecimentos e brincar com eles. Contudo, toda nova medida que põem em prática cria novas problemas. As dificuldades acumulam-se.

Durante os meses de Outubro e Novembro eles estabeleceram o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira "a fim de fornecer assistência rápida e eficaz em liquidez, em cooperação com o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM) e o Fundo Monetário Internacional, e isto na base de programas enérgicos de ajustamento das políticas económicas e fiscais a aplicar pelos Estados membros afectados tendo em vista assegurar que a dívida permaneça sustentável".

Nos fim de Novembro, alemães e franceses puseram-se de acordo sobre o estabelecimento de um Mecanismo Europeu de Estabilidade Permanente. Os objectivos acordados são claros: "A assistência fornecida a um Estado membro da zona euro repousará sobre um programa enérgico de ajustamento económico e fiscal e sobre uma análise rigorosa da sustentabilidade da dívida efectuada pela Comissão Europeia e o FMI, em ligação com o BCE".

O acordo entre a União Europeia e o Banco Central Europeu, por um lado, e o governo irlandês e o Banco Central da Irlanda, intitulado Memorando das Política Económicas e Financeiras, estabelece as políticas económicas e financeiras que serão executadas a partir do orçamento de 2010 até o fim de 2012. Elas serão seguidas pela UE e o FMI, com relatórios semanais e trimestrais que serão enviados, descrevendo minuciosamente o que foi realizado, as quantias economizadas, os cortes nos serviços públicos, a fim de assegurar que os cortes nas despesas públicas sejam plenamente respeitados.

Dentre os 85 mil milhões de euros dos "empréstimos", 17,5 mil milhões de euros vêm do Fundo Nacional de Reserva para os Aposentados. Para estes empréstimos, será exigida uma taxa de juro de 5,8%.

O Estado socializou a dívida das empresas na região, num montante de 140 mil milhões de euros, segundo uma estimativa muito prudente, e colocou este fardo ilegítimo sobre as costas de 4,5 milhões de pessoas. Todos os discursos sobre o facto de estarmos "no coração da Europa" se votássemos Sim no referendo sobre o Tratado de Lisboa era claramente um truque, uma armadilha hábil estendida ao nosso povo. Os acontecimentos do fim de Novembro e do princípio de Dezembro nos demonstraram que o coração da União Europeia era frio e sombrio. As necessidades do povo irlandês nãos os preocupam. A sua prioridade é a defesa e a manutenção do Euro, a qualquer preço.

Se o acordo cozinhado nos corredores de Bruxelas, embrulhado e vendido pelo governo ao povo irlandês visava estabilizar o Euro e impedir o "contágio", doravante parece impossível travar a instabilidade e, à medida que Portugal e a Espanha sobem na escala da crise, os prestidigitadores de Bruxelas parecem mais impotentes do que nunca.

Eles podem ser capazes de cozinhar alguma coisa juntos, improvisadamente, para manter a Irlanda no Euro, mas é improvável que o Euro sobreviva ao que eles chamam um "salvamento" de Portugal, sem falar da Espanha.

Como o Partido Comunista enfatizou quando nos opusemos à entrada do nosso Estado no Euro, o Estado e o povo irlandês entregavam então uma alavanca essencial a uma potência externa sob a forma do Banco Central Europeu – os tesoureiros dos capitais financeiros europeus. O projecto Euro no seu conjunto foi-nos vendido com a ideia de que poderíamos passar a nossas férias na Espanha e que não teríamos de cambiar o nosso dinheiro – não mais despesas e câmbio e cortávamos finalmente o cordão umbilical que nos ligava à Inglaterra.

Todos os tratados da União Europeia nos foram vendidos sobre uma pirâmide de mentiras, de meias verdades, de intimidação e de coação. Devemos doravante retomar o poder de decidir quais são as nossas prioridades, de retomar nossos poderes económicos, fiscais e políticos das mãos da União Europeia, se quisermos romper a espiral crónica da dívida, da pauperização e da emigração em massa.

Já é tempo de romper a ligação que nos une ao Euro. Devemos estabelecer uma moeda sobre a qual mantenhamos o controle e estabelece-la a um ritmo que corresponder à necessidades do nosso nível de desenvolvimento económico e social. Trata-se de uma etapa fundamental que deve caminhar a par da rejeição deste dívida "soberana" ilegítima.

As reivindicações para o restabelecimento da nossa soberania política e económica não são "sem sentido", nem uma espécie de anacronismo nacionalista, mas reivindicações políticas fundamentais e ferramentas essenciais para a constituição de uma Irlanda progressista e socialmente justa. Trata-se das pedras angulares necessárias à construção de uma economia planificada susceptível de ultrapassar a anarquia do capitalismo.

05/Janeiro/2011

os ferroviários do Barreiro

Os Ferroviarios - Bareiro, 151 Anos de Comboios

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

JOSÉ AFONSO



(Aveiro, 2 de Agosto de 1929 - Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987)

América em luta- Protestos no Capitólio de Wisconsin




TRABALHADORES AMERICANOS OCUPAM O CAPITÓLIO!

Milhares de sindicalistas e trabalhadores do Estado Americano de Wisconsin ocuparam o edifício do Capitólio, onde funciona o Parlamento Estadual. É um acto de protesto contra o Governador do Estado, alcunhado de "Hosni Walker", numa comparação directa com o deposto ditador egípcio. Os trabalhadores protestam contra a tentativa de eliminação dos seus direitos adquiridos na proposta do orçamento estadual. Os media que se auto-apregoam como "referência" procuram ocultar esta movimentação da classe operária dos EUA. A notícia está em http://www.peoplesworld.org/angry-wisconsin-workers-occupy-capitol/

MILLÔR FERNANDES - O CHAPEUZINHO VERMELHO


Chapeuzinho Vermelho, na visão de Millôr Fernandes

Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho (esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo).
Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anomala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios.
Chapeuzinho Vermelho andava pois, na floresta quando, lhe aparece um Lobo, animal selvagem carnívoro do género cão e ... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores - o Lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo de andar na floresta sozinha, natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes).

Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis: os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ancestralíssimo e está em todo o folclore universal).

Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?". Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, à uma hora e trinta e cinco minutos da tarde.".

Ouvindo isso o Lobo saíu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology of Everyday Life", The Modern Library Inc., N.Y.).

Chegando a casa da avozinha, ele engoliu-a de uma vez - o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a ideia do capitalismo devorando o proletariado - e ficou esperando deitado na cama, fantasiando com a roupa da avó.

Passaram- se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o Lobo não era a sua Avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da Avó, porque sofria de otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrénica, débil mental e paranóica, pequenas doenças que dão no cérebro, parte súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behaviour in the Human Female", W.B. Saunders Company, Publishers). Mas para salvação de Chapeuzinho apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da Avó através de Roentgenfotografia.
E Chapeuzinho Vermelho viveu tranquila 57 anos, que é a média de vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.

Extraído do livro "Lições de um Ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 31

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Canções da Guerra Civil Espanhola - "Ay Carmela"



El Ejército del Ebro,
rumba la rumba la rumba la.
El Ejército del Ebro,
rumba la rumba la rumba la
una noche el río pasó,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
una noche el río pasó,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
Y a las tropas invasoras,
rumba la rumba la rumba la.
Y a las tropas invasoras,
rumba la rumba la rumba la
buena paliza les dio,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
buena paliza les dio,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
El furor de los traidores,
rumba la rumba la rumba la.
El furor de los traidores,
rumba la rumba la rumba la
lo descarga su aviación,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
lo descarga su aviación,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
Pero nada pueden bombas,
rumba la rumba la rumba la.
Pero nada pueden bombas,
rumba la rumba la rumba la
donde sobra corazón,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
donde sobra corazón,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
Contraataques muy rabiosos,
rumba la rumba la rumba la.
Contraataques muy rabiosos,
rumba la rumba la rumba la
deberemos resistir,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
deberemos resistir,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
Pero igual que combatimos,
rumba la rumba la rumba la.
Pero igual que combatimos,
rumba la rumba la rumba la
prometemos combatir,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!
prometemos combatir,
¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!

A GUERRA III

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

Os que vão envelhecendo
metem o dinheiro nas caixas económicas.
Diante das caixas económicas estão carros.
Levam o dinheiro
p'rás fábricas de munições.

Brecht

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

Para quê conquistar mercados para os produtos
que os operários fabricam?
Os operários
ficariam com eles de bom grado.

Brecht

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

O pintor de tabuletas diz:
quantos mais canhões se fundirem
mais tempo haverá de paz.
Sendo assim dir-se-ia:
quanto mais grão se deitar à terra
menos trigo crescerá.
Quantas mais vitelas se abaterem
menos carne haverá.
Quanta mais neve derreter nos montes
mais baixos os rios serão.

Brecht

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

As raparigas à sombra das árvores da aldeia
escolhem os namorados.
A morte escolhe também.Talvez
nem sequer as árvores fiquem com vida.

Brecht

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

É noite. Os casais
vão deitar-se nas camas. As mulheres novas
vão parir órfãos.

Brecht

DA «CARTILHA DE GUERRA ALEMû

A guerra que aí vem
não é primeira. Antes dela
houve outras guerras.
Quando a última acabou
houve vencedores e vencidos.
Entre os vencidos o povo baixo
passou fome. Entre os vencedores
passou fome também o povo baixo.

Brecht

domingo, 20 de fevereiro de 2011

registos da história

Cenas de um despudor

Em 16 de Setembro de 2000, pelas 21 horas, um cidadão de Gandra quando se dirigia para assistir a uma sessão da Assembleia de Freguesia, foi vítima de um acidente na Rua da Junta de Freguesia.
Obras a cargo da Junta de Freguesia estavam incorrectamente sinalizadas com com uns ferros soldados na tampa, ao alto. Daí resultou a colisão, com estragos materiais avultados na viatura, estimados em 47 mil escudos (moeda da época) e que o cidadão solicitou ser ressarcido.
Apresentou uma exposição dirigida ao senhor presidente da Junta de Freguesia de Gandra, com testemunhas do ocorrido que comprovaram outros acidentes no mesmo local. Juntou fotografia do local bem como da insólita sinalização.

Respondeu então por escrito Armando Costa, na altura presidente da Junta de Freguesia de Gandra: "o referido local onde V.Ex.ª diz ter tido o acidente, estava sinalizado com uma placa de sinalização, e desconhecemos a forma como o sinal foi retirado. Mas aproveitando a sua fotografia, o local até estava sinalizado com um ferro, e acontece que V. Ex.ª mesmo assim embateu com o seu veiculo nesse referido ferro, o que leva a entender que V. Ex.ª não vê o que está à sua frente, e se porventura, lá estivesse uma criança, o que seria dessa pobre criança!...Perante tais factos , a Junta de Freguesia declina qualquer tipo de responsabilidade. Conduza com precaução, e com muita atenção!...

Este é um registo do supremo despudor, fruto da impunidade, de um autarca PSD, célebre por ter sido o primeiro, senão o único, autarca em Portugal a ser condenado em tribunal por declarações racistas em plena Assembleia Municipal.

Radiohead - Codex



UMA DAS NOVAS DO ÁLBUM THE KING OF LIMBS DOS RADIOHEAD

REQUERIMENTO

EXMO SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES

Cristiano Manuel Soares Ribeiro, eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Paredes, no âmbito do Artigo 60.º do Regimento da Assembleia Municipal de Paredes e nomeadamente da sua alínea b), que define os direitos dos membros da Assembleia, requer através da Mesa desta Assembleia ao Executivo Camarário o esclarecimento seguinte:
As prometidas e projectadas obras do Cemitério de Recarei teimam em não ser levadas a efeito.
Neste momento o espaço do Cemitério encontra-se praticamente lotado, já sem jazigos para venda. Já existe projecto para a ampliação, já foi feito o acordo entre a Junta e os proprietários dos terrenos contíguos, e, nas palavras do próprio Presidente da Junta, já só falta o desbloqueio por parte da Câmara Municipal.
A situação é urgente e muito preocupante para a população, e até por razões de saúde pública, a sua solução não pode continuar a ser consecutivamente adiada.
Asim pergunta-se:
Que justificação há para o referido atraso?
A somar aos atrasos no arranque das obras do Centro Escolar, será este atraso na ampliação do cemitério mais um sinal do abandono político por parte da Câmara de Paredes para com a população de Recarei?

O Membro da Assembleia Municipal de Paredes
Cristiano Ribeiro

Corações de Atum - "Gosto de Ti (Realmente)"

o desemprego em gráficos

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O UNICÓRNIO DE PORCELANA



O UNICÓRNIO DE PORCELANA, de Keegan Wilcox, vencedor do Grande Prémio Phillips Tell It yur Why Competition

INTERVENÇÃO DA DEPUTADA DO PCP PAULA SANTOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

PCP exige a revogação dos cortes nos apoios ao transporte de doentes

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,

O PCP foi o primeiro partido a denunciar e a colocar a limitação do transporte dos doentes não urgentes na Assembleia da República, questionando directamente o Primeiro-Ministro.
Esta é uma medida de natureza economicista e de redução de custos do Estado com a saúde impondo-os aos utentes. Esta medida insere-se no ataque ao direito à saúde das populações, assente nos cortes do orçamento do Serviço Nacional de Saúde, aprovado pelo PS com o apoio do PSD. Mais uma vez o PSD tenta iludir os portugueses e não assume as suas responsabilidades decorrentes da viabilização do Orçamento de Estado, que incluía esta medida.
Na semana passada tivemos a oportunidade de ouvir o Governo a valorizar a redução na despesa na saúde, só não ouvimos o Governo dizer que essa redução faz-se à custa dos utentes. As pessoas pagam cada vez mais para terem acesso à saúde.
A atitude do Governo é inaceitável. Depois de terem encerrado dezenas de serviços por todo o País alegando que as populações sempre teriam garantido o transporte para se deslocarem, agora cortam o transporte aos doentes e deixam milhares de doentes sem acesso a consultas e tratamentos. Temos conhecimento de muitas pessoas a quem já foi recusado transporte, e que não têm condições para assumir este encargo.
É uma medida profundamente injusta e desumana, com consequências dramáticas na saúde dos portugueses.
No momento em que PS e PSD cortam nos salários, congelam pensões e reformas, reduzem prestações sociais, atacam os direitos sociais, aumentam os custos dos medicamentos para os utentes, aumentam taxas na saúde, vêm impor ainda mais restrições ao povo no acesso aos cuidados de saúde.
Mas esta limitação injusta no transporte de doentes está também a criar dificuldades nas Associações de Bombeiros. Saudamos as Associações de Bombeiros que estão aqui connosco. Consideramos que têm desempenhado um papel importante de serviço público e de apoio aos utentes.
Muitas corporações de bombeiros investiram para melhorar e qualificar a sua actuação, em equipamentos e na formação dos bombeiros.
Perante a redução de actividade que já se verificou nas últimas semanas, as associações de bombeiros não têm condições para assumir os actuais encargos, vendo-se obrigadas a ponderar o despedimento de bombeiros.
Apesar de o Governo assumir publicamente o processo negocial com a Liga dos Bombeiros Portugueses, ainda não houve uma regulamentação adequada a nível nacional do contrato celebrado com a Liga sobre transporte de doentes em ambulância. O governo interrompeu as negociações em curso, demonstrando que não está a agir de boa fé.
Neste sentido, o PCP apresenta duas propostas.
Propomos, por um lado, a revogação de todas as medidas de limitação ao transporte de doentes, incluindo o despacho, reafirmando que é o Governo tem a responsabilidade de assegurar os transportes a quem deles necessita, no cumprimento da Constituição e da universalidade do acesso à saúde.
Propomos ainda que seja cumprido o contrato com a Liga dos Bombeiros Portugueses.
Disse.

Deolinda -Um Contra O Outro

INTERVENÇÃO DO DEPUTADO DO PCP ANTÓNIO FILIPE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Sobre os erros no Mapa Oficial de resultados das Presidenciais 2011

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,

Decididamente, as eleições presidenciais de 23 Janeiro não correram bem. Não estou a falar de resultados. Esses estão mais que discutidos. Estou a falar do processo eleitoral.
O processo correu mal no dia da eleição. No preciso instante em que o Ministro da Administração Interna dizia aos microfones que o processo eleitoral estava a decorrer com absoluta normalidade e que os eleitores que ainda não soubessem o seu número de eleitor poderiam com toda a facilidade obtê-lo na hora através de SMS, da internet ou do telefone, milhares de cidadãos faziam fila nas juntas de freguesia para tentar obter o número de eleitor perante a ausência de resposta do sistema informático do MAI.
Ao fim de três décadas e meia de eleições livres, não é suportável que um processo eleitoral corra tão mal, que centenas de milhares de cidadãos tenham visto alterado o seu número de eleitor sem serem informados, que os sistemas de informação dos números de eleitor falhem clamorosamente no dia em que são necessários e que dezenas de milhares de cidadãos se vejam em dificuldades para exercer o seu direito de voto, acabando um número indeterminado de cidadãos por desistir de votar. Isto não é suportável.
O que ocorreu no dia das eleições presidenciais não é uma mera falha administrativa. É um problema político da maior importância. Por mais que o Ministro da Administração Interna e a sua Secretária de Estado procurem alijar as suas responsabilidades e encerrar o assunto com a demissão de um Director-geral, há neste processo uma responsabilidade política que não pode ser ignorada. Os directores gerais respondem perante a tutela pelos seus actos e omissões. Os membros do Governo respondem perante o país pelas consequências políticas dos seus actos e omissões.
O sistema informático do MAI falhou clamorosamente no dia das eleições. Este facto é consensual. Tanto o Ministro da Administração Interna como o Ministro da Presidência o reconhecem e é um facto grave, pelo qual devem ser apuradas responsabilidades e que tem de ser corrigido. Mas essa é a ponta do icebergue. As responsabilidades do Governo perante o descalabro de 23 de Janeiro são mais graves e profundas.
A origem do problema está na forma ligeira e imponderada como o Governo decidiu cruzar os dados do recenseamento eleitoral com a base de dados de identificação civil e criminal através da plataforma comum do Cartão de Cidadão e abolir o cartão de eleitor para os novos eleitores e para os eleitores que tenham os seus números de eleitor alterados como consequência da emissão do Cartão de Cidadão.
As consequências destes procedimentos, efectuados de forma irresponsável, são as que conhecemos.
Não há controlo sobre eventuais duplicações de inscrições no recenseamento eleitoral, aumentando o número dos chamados “eleitores fantasmas”. Muitos milhares de cidadãos viram os seus números de eleitor alterados sem terem sido informados da alteração. Muitos cidadãos foram oficiosamente recenseados em freguesias onde não residem devido à decisão absurda e ilegal de indexar o recenseamento eleitoral ao Código Postal. São muitos os casos em que os cidadãos que residem e sempre votaram numa freguesia foram oficiosamente mandados votar em freguesia alheia. Para este Governo, a divisão administrativa do país já não é decidida por lei da Assembleia da República mas pela Administração dos Correios.
Finalmente, para o desastre ser total, os eleitores não foram informados da alteração do seu número de eleitor. O Ministro e a Secretária de Estado dizem que a culpa é do Director-geral. O Director-geral diz que não decidiu sozinho e que a Secretária de Estado esteve sempre a par do incumprimento do seu Despacho. E o país assiste atónito a este triste espectáculo de uma Secretária de Estado e um Director-geral demitido a desmentirem-se na praça pública. Com uma diferença: o Director-geral foi responsabilizado e demitido. Os membros do Governo fogem às suas responsabilidades e permanecem em funções apesar de já terem perdido a mais pequena réstia de credibilidade.
Os problemas que rodearam as eleições de 23 de Janeiro não ficaram, porém, por aqui.
Depois de terem sido contados os votos e anunciados os resultados com toda a normalidade na noite de 23 de Janeiro, foi com total estupefacção que o país assistiu à publicação em Diário da República, de um mapa oficial de resultados que contém erros grosseiros quanto ao número de eleitores inscritos, quanto ao número de votantes e, consequentemente, quanto ao número de votos em cada candidato.
O número de eleitores inscritos é oficial. Para as eleições de 23 de Janeiro estavam inscritos 9.656.797 eleitores. Do mapa oficial publicado constam apenas 9.543.550. Ou seja: o mapa oficial de resultados abateu 113.247 eleitores. Na noite de 23 de Janeiro foram contados 4.492.297 votantes. Do mapa oficial de resultados constam menos 60.448. No distrito de Setúbal estavam inscritos 710.312 eleitores. No mapa oficial só são considerados 593.762 (foram abatidos 116.550). No distrito de Braga estavam inscritos 773.993 eleitores. No mapa oficial foram considerados 731.941 (foram abatidos 42.052). No distrito de Viseu estavam inscritos 382.658. No mapa oficial foram considerados 427.924 (aumentaram 45.266). Quanto a votantes, em Setúbal desapareceram 52.716, em Braga desapareceram 23.833, mas em Viseu apareceram 19.928. O desvio verificado só nestes três distritos é de 185.649 inscritos e de 96.477 eleitores.
Isto não é suportável. Se uma disparidade destas acontecesse em eleições legislativas, os deputados eleitos seriam uns e os constantes do mapa oficial seriam outros. Se nas eleições presidenciais as diferenças entre os candidatos fossem mínimas, o país estaria hoje confrontado com um problema político de enormes proporções. Erros desta magnitude, verificados no apuramento geral de um acto eleitoral, e não corrigidos, têm consequências políticas óbvias. Não só prejudicam todas as candidaturas, como põem em causa a credibilidade do apuramento dos resultados eleitorais.
Já é muito negativo para a democracia que, muitos cidadãos, por razões políticas, se afastem da participação eleitoral. Só faltava agora que, a acrescer a isso, os cidadãos deixassem de acreditar na idoneidade dos processos eleitorais.A Comissão de Assuntos Constitucionais, por proposta do PCP, já decidiu ouvir sobre esta matéria, a Comissão Nacional de Eleições e o responsável pela área eleitoral da DGAI, para tentar avaliar com rigor as causas desta disparidade de resultados e para debater soluções que previnam a ocorrência de situações como esta. Mas no que se refere ainda às eleições presidenciais de 23 de Janeiro, fazemos aqui um apelo cívico, para que todas as entidades com responsabilidades neste processo, designadamente as assembleias de apuramento, procedam à correcção dos erros cometidos e promovam a publicação de uma rectificação ao mapa dos resultados, para que estas eleições não fiquem na História como aquelas em que os resultados oficiais não coincidem com os resultados reais.
Disse.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Leonard Cohen- Take This Waltz





CBS publicou em 1986 o álbum "Poets in New York" celebrando do 50º Aniversário da morte de Federico Garcia Lorca (1898-1936). A primeira canção do álbum é "Take this Waltz" de Leonard Cohen, seguindo-se mais 9 canções baseadas em poemas de Lorca, da autoria de Mikis Theodorakis, Georges Moustaki, Patxi Andion, Victor Manuel, Lluis Lach, Donovan, Chico Buarque, Raimundo Fagner, Pepe e Paco de Lucia, Manfred Maurenbrecher. Um álbum memorável.

os 90 anos do PCP



OS 80 ANOS DO AVANTE!






O Avante! nasceu em 1931, na clandestinidade, quando em Portugal se construía a ditadura fascista. Depois de uma primeira década de edição irregular, o Avante! passa a sair ininterruptamente de 1941 até Abril de 1974, sendo em todo o mundo o jornal que mais tempo resistiu na clandestinidade.
Ao proletariado de Portugal. Foi com estas palavras, impressas na manchete da primeira edição do Avante!, a 15 de Fevereiro de 1931, que começou esta caminhada de 80 anos assinalada nesta edição. Nesse ano distante construía-se já no País aquela que foi a mais longa ditadura fascista da Europa, que oprimia e favorecia a cruel exploração dos trabalhadores pelos potentados económicos e calava qualquer anseio de liberdade, democracia e justiça. O movimento sindical e operário foi esmagado, os partidos proibidos, assim como os seus periódicos. Só o PCP optou por resistir e prosseguir o combate – mas tal obrigava a que o fizesse na mais rigorosa clandestinidade, enfrentando a feroz perseguição dos esbirros do fascismo.
O surgimento do Avante! foi um dos resultados da reorganização do Partido iniciada em Abril de 1929, sob a direcção de Bento Gonçalves, e que transformou o PCP num partido revolucionário, com crescente influência entre as massas e, assim, mais capaz de lutar nas difíceis condições de clandestinidade. Mas a publicação do Avante! foi, também ela, um importante contributo para a construção do Partido e para a divulgação das ideias do socialismo, bem como para a mobilização para a luta. Aplicava-se assim, à realidade portuguesa da época, os ensinamentos de Lénine relativos ao jornal comunista: este deveria ser um agitador, um propagandista e um organizador.
Apesar dos êxitos notáveis alcançados pelos comunistas ao longo da década de 30, o PCP não estava ainda preparado para resistir à crescente violência do salazarismo, embalado então pelas vitórias dos seus aliados Hitler, Mussolini e Franco. As prisões de dirigentes e militantes sucedem-se (entre as quais a de Bento Gonçalves e de outros membros do Secretariado) e o Avante! ressente-se, vendo a sua publicação interrompida e retomada por cinco vezes. Em finais de 1938, praticamente deixa de se publicar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

pico petrolífero




ARÁBIA SAUDITA ATINGIU O PICO, CONFIRMA A WIKILEAKS

A Arábia Saudita não dispõe de suficientes reservas de petróleo para aumentar a sua produção , diz telegrama da Embaixada dos EUA em Riad revelado pela WikiLeaks.
Este documento é apenas a confirmação daquilo que já se sabia há vários anos e que foi amplamente analisado pelo falecido banqueiro Matthew Simmons, dando origem ao seu livro Crepúsculo no deserto (Twilight in the Desert) .
A fuga deste telegrama de Riad serve no entanto para confirmar que as autoridades dos EUA:
1) sabem muito bem que o mundo atingiu o Pico Petrolífero e que entramos agora na fase do declínio da produção;
2) adoptam uma política deliberada de silenciamento quanto a este problema crucial para os destinos humanos

(em resistir.info)

jacques Brel _ La Chanson des Vieux Amants

registos da História




IGNACIO HIDALGO DE CISNEROS, COMANDANTE DA AVIAÇÃO REPUBLICANA E EXILADO EM BUCARESTE

No ano de 1966 morreu em Bucareste, na solidão do exilio romeno, o militar Ignacio Hidalgo de Cisneros, comandante da aviação republicana durante a guerra civil espanhola. Homenageado pelas autoridades comunistas, foi e continua sendo esquecido pelas espanholas.
Pôde terminar antes de sua morte na capital da Roménia, onde viveu exilado, um livro, misto de memórias de guerra e pessoais, intitulado "Mudança de rumo". Um título acertado porque reflecte a viragem ideológica de um homem com uma trajectória atipica.
Nascido no seio de uma familia aristocrática em 1894 e educado na disciplina férrea da ordem e mando das academias militares, o aviador Hidalgo de Cisneros virou a bússola da sua existência para acabar sendo um destacado membro do Comité Central do Partido Comunista até à sua morte.
A primeira edição foi publicada em 1964 em Bucareste, dois anos antes da sua morte, e reeditada recentemente por uma editoria romena, incluindo algumas referências excluíds anteriormente.
A sua vida de aviador começa em 1920, quando se integra na Força Aérea Militar Espanhola, participando nas campanhas de África (no seu livro denuncia os crimes con armas quimicas cometidos em nome do imperialismo espanhol), e a sua actividade politica publica nol 15 de Dezembro de 1930, quando participa junto com outros militares republicanos, como Queipo de Llano (que se tornaria um sádico assassino ao serviço do fascismo contra a Republica), na intentona golpista contra a monarquia que foi dirigida por Ramon Franco, irmão de Francisco Franco (em que pretendiam bombardear o palácio real). No final o golpe fracassou e Hidalgo de Cisneros veio para Portugal.
Após a proclamação da II Republica, no 14 de Abril de 1931, retorna a Espanha, e em 1933 converte-se em adjunto militar em Roma e Berlim, onde conhece a deriva ideológica dos regimes fascistas que estavam triunfando na Europa e que em breve chegariam a Espanha. Após a Revolucão das Asturias de Outubro de 34, ajuda á fuga de seu amigo Indalecio Prieto. Quando se dá o golpe de Estado militar de 18 de Julho de 1936 está em Madrid como ajudante de Casares Quiroga, Ministro da Guerra, e a sua presença é fundamental para conseguir que a aviação espanhola continuará a apoiar o governo democrático.
Já em pleno governo de Largo Caballero, é nomeado Chefe de Estado Maior da Aviação, cargo que manteve durante o governo de Negrin.
Filiou-se no Partido Comunista de Espanha durante a guerra (conjuntamente com sua esposa Constancia de la Mora), o que o distanciou do seu amigo Indalecio Prieto, ferveroso anticomunista, e negociou directamente com Staline um envio de armas ao exército da democracia espanhola, o republicano. Também conseguiu do governo soviético ajuda para construir uma fábrica de construção e reparação de aviões militares, onde se davam cursos de pilotagem lecionados por técnicos russos.
Na final da guerra saiu de Espanha com Negrin, Alvarez del Vayo e os mais destacados dirigentes do PCE, em direcção a Paris. Depois foi para o México, onde foi professor na Universidade Obrera e depois para a União Soviética, mudando-se por último para Bucareste com a emissora Radio España Independiente, com quem colaborou.

Morreu em Bucareste, sendo ainda membro do Comité Central do Partido Comunista de Espanha, em 9 de Fevereiro de 1966, e foi homenageado pela União Soviética e pelo governo socialista romeno con honras de general no exercício do cargo.
No seu livro narra como se desenvolveu a sua vida militar, e como se convirteu em um lutador pela liberdade e pela instauração de um regime democrático, primeiro em Espanha, e depois nos paises onde viveu exilado. Narra acontecimentos desconhecidos, como a utilização pelo exército de Espanha de armas quimicas nas montanhas do RIF marroquino nas campanhas africanas, como la participacion de membros da "quinta coluna franquista" nos grandes disturbios de 1937 em Barcelona, detalhes da intensa vida estrategica e politica dos governos republicanos durante a guerra civil, ou revelações sobre a guerra, como a siguinte anedota sobre a forma de actuar dos criminosos fascistas, no contexto das primeiras batalhas aéreas contra a aviação franquista depois da chegada de aviões russos e pilotos soviéticos:
"Escassos dias depois desta batalha ocurreu um acontecimento pouco conhecido (pois naqueles tempos não podiamos revelar a presença de pilotos soviéticos a nosso lado), que como espanhol me envergonha relatar, mas considero uma obrigação fazê-lo, para recordar uma vez mais o que é o fascismo. Um avião fascista lançou ao anoitecer, sobre Madrid, com paraquedas, um caixão dentro do qual se encontrava o cadaver esquartejado de um piloto soviético que, por desorientação, había aterrado em zona inimiga, perto de Segovia. No caixão vinha um papel donde tinham escrito escrito: "Este presente é para o Chefe das Forças Aéreas dos vermelhos e dá nota da sorte que o espera a ele e a todos os seus bolcheviques".
Hidalgo de Cisneros viveu num mundo em transformação e elegeu a opção da luta por melhora-lo, apesar das suas origens aristocráticas e sua formação conservadora. Um exemplo a seguir e a recordar. Ainda que os goviernos dos paises submetidos à dictadura do capital prefiram que o seu exemplo não seja lembrado.
Hidalgo de Cisneros viveu, trabalhou e morreu em Bucareste. Foi enterrado aí até que, após a morte de Franco, a sua familia transportou os seus restos mortais à sua Alava natal.

Tradução de parte do conteúdo: CR

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOVO ESTUDO DE EUGÉNIO ROSA

COMO É QUE A GALP CONSEGUIU QUE EM 2010 OS SEUS LUCROS DISPARASSEM PARA 611 MILHÕES DE EURO

A GALP acabou de divulgar o seu Relatório do 4º Trimestre de 2010. E como era previsível os lucros deste grupo económico, que domina mais de 50% do mercado de combustíveis em Portugal (as vendas da GALP em 2010 atingiram 14.064 milhões €, sendo 89% de combustíveis), dispararam tendo atingido, em 2010, 611 milhões € antes de impostos, ou seja, mais 35,5% do que em 2009. Este aumento tão grande dos lucros resultou da conjugação de três factos.

Em primeiro lugar, dos elevados lucros do chamado “efeito stock” que resultam desta empresa ter adquirido o petróleo que consumiu na produção de combustíveis a um preço inferior àquele que depois facturou aos consumidores. Desta forma obteve, em 2010, 156 milhões € de lucros brutos. No conjunto dos dois anos (2009 e 2010), estes lucros especulativos, pois não resultam de qualquer actividade produtiva da empresa, atingiram 317 milhões €. Por outras palavras, a GALP tem obtido também elevados lucros com os preços especulativos do petróleo no mercado internacional à custa dos consumidores, perante a passividade do governo e da AdC.

Em segundo lugar, o aumento significativo dos lucros da GALP em 2010 deve-se ao facto da margem de refinação ter aumentado, entre 2009 e 2010, em 80,6%, pois passou de 1,5 dólares para 2,6 dólares por barril de petróleo como confessa a própria empresa na pág. 22 do Relatório do 4º Trimestre de 2010. Como não existe qualquer controlo por parte quer do governo quer da Autoridade da Concorrência dos preços até à saída da refinaria, a GALP faz o que quer.

Finalmente, a juntar à anterior, uma outra razão para os elevados lucros obtidos pela GALP em 2010, foi o facto dos preços dos combustíveis sem impostos em Portugal terem sido superiores, em todos os meses de 2010, aos preços médios da União Europeia. E foram superiores, em média, na gasolina 95 em +4,4% (+0,023€/litro) e no gasóleo em +6,7% (+0,037€/litro).
Se a análise for feita por países, conclui-se que, também em todos os meses, e em relação à gasolina 95, o preço sem impostos em Portugal foi superior, em média, ao de 22 dos 27 países da União Europeia e, relativamente ao gasóleo, foi superior a 23 dos 27 países da União Europeia, sendo a diferença, em relação a muitos países, ainda maior do que a referida.
Tendo em conta que o consumo da gasolina 95 em Portugal em 2010 deverá ter rondado os 1.900 milhões de litros, e o de gasóleo os 7.700 milhões de litros, a diferença de preços relativamente ao preço médio da União Europeia deverá ter dado às empresas em Portugal um lucro extraordinário que estimamos em mais de 260 milhões €. E não se pode afirmar como fazem as petrolíferas e os seus defensores nos media que a razão principal dos elevados preços de venda ao publico dos combustíveis em Portugal é a carga fiscal.
Como revelam os dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, em Novembro de 2010, por ex., em relação ao gasóleo, a carga fiscal representava 48,2% do preço de venda ao público, enquanto a média na União Europeia era 50,1%, portanto superior à vigente em Portugal. Em relação à gasolina 95, é que a situação era inversa: a carga fiscal em Portugal representava 59,6% do preço de venda ao público enquanto a média na UE27 correspondia a 57,2%. No entanto, embora a carga fiscal que incide sobre o gasóleo em Portugal fosse inferior à média da União Europeia, era precisamente neste combustível que a diferença de preços entre Portugal e a media da UE27 era maior. Em Novembro de 2010, o preço do gasóleo sem impostos em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia em 5,4%, enquanto o da gasolina era superior em 3,3%. E compreende-se facilmente a razão. È que as vendas de gasolina 95 em 2010 foram apenas de 1.900 milhões de litros, e as de gasóleo de 5.900 milhões de litros, ou seja, três vezes mais, portanto é o gasóleo, e não a gasolina, a principal fonte de lucros para as petrolíferas.

Mind da Gap - Todos Gordos



O Hip-hop nortenho dos MIND DA GAP.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

George Moustaki - Ma Liberté



A NECESSÁRIA REABILITAÇÃO DA GRANDE CANÇÃO FRANCESA

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ AMEAÇADA NO PORTO!



Belmiro Magalhães, membro da Assembleia Municipal do Porto e responsável politico da Direcção da Organização da Cidade do Porto do PCP

Contra Berlusconi, pela decência, pela dignidade do estatuto das mulheres italianas!





Abaixo a ditadura mediática de Berlusconi e dos seus lacaios europeus, naquela incluida a politica "compreensiva" do Vaticano!

Berlusconi – Estas mulheres não têm juízo nenhum...

O cantor pimba, aldrabão, corrupto, protofascista e proto-pedófilo, que dá pelo nome de Sílvio Berlusconi, está já a juntar contra si e a sua figura abjecta, manifestações de muitas centenas de milhares de italianas e italianos... manifestações que já nem são sequer motivadas apenas por questões ideológicas, mas por uma questão de simples dignidade humana.
O asqueroso governante, que vai fazendo tudo aquilo que o permanente abuso de poder lhe permite, para calar os juízes, comprar os meios de comunicação e corromper tudo à sua volta, enquanto vai continuando as suas festas e orgias que incluem até sexo com menores... está escandalizado.
Diz que estas estas manifestações, maioritariamente de mulheres, foram uma «vergonha» e foram «subversivas».
Compreende-se! Onde é que já se viu... mulheres adultas, com idade para terem juízo... a serem “subversivas”, quando se está mesmo a ver que, na cabeça de Berlusconi, a mulher deve ser submissa e estar sempre pronta para se enfiar na cama dele... de preferência se tiver dezasseis ou dezassete anos de idade?!!!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rui Mingas - Monangambé



Rui Mingas - Música e voz
António Jacinto- Poesia


Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:
Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?

Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande, ter dinheiro?
Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
"Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras
"Monangambééé..."

BREVE II

N. era um delegado de informação médica que exercia a sua profissão com normalidade e simpatia. Distinguia-se por uma boa imagem e por grande convição em defender a sua “dama”.
N. tinha sido apanhado há 2-3 anos na sua empresa por reestruturações, mudanças de gestão, fusões e que tinham posto em causa o seu posto de trabalho. Ainda novo, suportou a dúvida, a mudança, o vazio. Procurou outra alternativa, lutou.
Mas os tempos não são favoráveis. Na nova experiência profissional, repetiu-se a mesma precariedade, a mesma realidade avassaladora de uma máquina trituradora que quer lucros a qualquer preço, resultados independentemente do contexto.
N. foi mais uma vez preterido pelos gestores sem alma ao serviço da acumulação capitalista. E não resistiu. Julgo que compreendeu no fim os mecanismos da exploração, a lógica inumana que nos torna peões do sistema, vassalos e, tragicamente, mesmo cúmplices. Mas era tarde. Não conseguindo ver a amizade, a solidariedade, a partilha e compromissos familiares, esmagado pelo pessimismo e pela depressão, decidiu ausentar-se desta vida.
N. deixa em quem o conheceu um profundo sentimento de angústia. Que fique em paz. Nós havemos de transformar isto num local suportável.

E falando em corruptos... alegadamente, claro!


"um pequeno almoço romântico!"

Para não ter que inundar o texto com os “alegados” e “alegadas” do costume, seguem-se alguns exemplares dessas sempre indispensáveis palavras, que os leitores farão então o favor de colocar onde acharem mais conveniente, à medida que forem lendo.

alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente
(acho que já chega!)

A juíza Ana Cristina Silva veio juntar-se aos numerosos portugueses que não têm grandes dúvidas de que o “apoio” do futebolista Luís Figo a Sócrates foi comprado. Também não parece haver dúvida de que o “boy” Rui Pedro Soares é o corruptor por detrás da manobra da tentativa de compra de “convicções” e apoios de várias figuras públicas.
Segundo li, a propósito da transcrição de uma das escutas ligadas a este imbróglio, na fase em que andavam a sondar as figuras públicas que estariam “disponíveis” para dar o seu “apoio” a Sócrates, quando ainda tentavam chegar a Tony Carreira (o que não veio a acontecer) e Luís Figo era ainda apenas uma hipótese, um dos “boys” terá dito: «Já temos o apoio da Inês de Medeiros e da Isabel Alçada!» Passadas as eleições, a primeira “ficou” deputada do PS e a segunda, ministra da Educação... o que é apenas um pormenor curioso, como é evidente!
A Juíza decidiu levar o caso a julgamento, perante a acusação da 9.ª Secção do DIAP de Lisboa e não teve dúvidas de que existem indícios fortes de que Soares, perante o aproximar das eleições legislativas de 2009, «pôs em execução uma estratégia para obter o apoio à candidatura do PS por parte de figuras públicas beneficiárias de simpatia popular».Confesso que, independentemente do desfecho da coisa… é bom vê-los sentar os corruptos rabos no banco dos réus... mas há, pelo menos, duas coisas que não entendo:1. Se existem elementos suficientes para levar a julgamento Rui Pedro Soares, Américo Thomati e João Carlos Silva, que no papel de corruptores ativos, andaram a usar dinheiros da PT e Taguspark para comprar o “apoio” de Luis Figo, porque diacho é que não há elementos para levar o “pesetero” futebolista e súbito admirador de Sócrates a tribunal, enquanto corrupto, ainda que passivo?2. Se Sócrates, vamos apenas supor, teve conhecimento de que estava a conseguir um apoio público para a obtenção de um bem, o cargo de primeiro-ministro, tendo os seus colaboradores obtido esse apoio recorrendo à corrupção, isso, para além de ser uma coisa “muito feia” não o candidata igualmente a ir sentar-se com os outros no mesmo banco... mas isso já é sonhar demasiado alto!
(surripiado a samuel-cantigueiro.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BREVE

Um cadáver de uma mulher idosa provavelmente falecida há uns 9 anos permaneceu incólume num apartamento da periferia de Lisboa. Ninguém se preocupou verdadeiramente com o destino da nossa compatriota, nem lhe assegurou ao longo do tempo qualquer hipótese de existência, mesmo morta.
Uma insensibilidade idiota percorreu os cérebros, as obrigações legais e as emoções de agentes de autoridade, de agentes da justiça, do direito fiscal e de familiares e vizinhos. Se houve alguma excepção, foi tímida ou pouco convicta.
A vergonha salta á vista. Acumularam-se erros, cobardias, burocráticos procedimentos. Não vimos a morte, porque desprezamos a vida. O único cheiro que nos mobiliza é o do dinheiro. Fechamos a porta á decência e á solidariedade. E acumulamos cadaveres que são incapacidades e injustiças.
Exportamos cada vez mais. Exportamos noticias de uma selva, deste subdesenvolvimento chocante e triste de que padecemos.

Benjamin Biolay - Padam



un film de
M/M (Paris)

avec
Micha Lescot – Actor que dança
Marc Chouarain - Piano
Thomas Coeuriot - Guitarra
Félix Sabal- Lecco - Bateria
Benjamin Biolay - Voz

directeur de la photographie
Darius Khondji

A QUEDA DE MUBARAK EM IMAGENS




OS CARTOONS



O SAPATO E O PODER NAS MÃOS DO POVO

Katie Melua - If You Were A Sailboat

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PARVOS NÃO SÃO!

«PARVA QUE SOU» INCOMODA MUITA GENTE

O êxito fulgurante da canção dos Deolinda - o tiro certeiro que ela é nas condições vividas por milhares e milhares de jovens e o impacto que teve junto de vastos segmentos das massas juvenis às quais se dirige - está a incomodar muita gente.
Obviamente, gente que, por tradição, vocação e... profissão, tem por dever incomodar-se com tudo o que, minimamente, belisque a ordem reinante e a opressão e a exploração que a sustentam - e que estão na origem das situações denunciadas na canção.

Na última página do Correio da Manhã de hoje, o habitual cronista de serviço à habitual coluna da direita - por ele significativamente designada Diário da Manhã (que foi título do órgão oficial do fascismo salazarista) - dispara, furioso, sobre «Parva que Sou» e os seus autores.
Num texto muito ao estilo das crónicas salazarentas de antanho, vomita ele: «para não se falar de coisas sérias (...) arranjam-se umas canções imbecis, com letras medíocres para salivar uns tantos lugares comuns» - e, prosseguindo na salivação, cospe assim: «ponham as Deolindas idiotas no caixote do lixo e deixem de ser parvos»...

Também na última página do Diário de Notícias de hoje, o habitual cronista de serviço à habitual coluna da direita - a pretexto do caso de uma senhora idosa que, na Inglaterra, se atirou a uns gatunos que se preparavam para assaltar um cidadão, na rua - conclui que uma atitude como a da velha senhora inglesa, «vale mais do que o choro dos Deolinda»...

Vindas de quem vêm, estas opiniões constituem rasgados elogios à canção dos Deolinda.

(por Fernando Samuel, em cravodeabril.blogspot.com)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

FUNDAÇÃO DE SERRALVES NO PORTO






A Fundação de Serralves está localizada no Parque de Serralves na cidade do Porto, em Portugal, onde está instalado o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e a Casa de Serralves.
A Fundação de Serralves foi criada em 1989, sendo o resultado de uma parceria entre o Governo Português, instituições públicas, privadas e particulares.
Originalmente espaços de habitação, privados e exclusivos, a Casa e o Parque são a expressão do desejo e a realização do sonho de Carlos Alberto Cabral (1895-1968), 2º Conde de Vizela.
Concluída em 1940, a Casa de Serralves foi mandada construir pelo segundo Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral. Até à abertura do Museu de Arte Contemporânea, em 1999, a Casa de Serralves acolhia as exposições realizadas pela Fundação. O edifício, cujo projecto final é da autoria do arquitecto português Marques da Silva, é considerado um exemplo único da arquitectura Art Déco em Portugal.
Em 1996, a Casa de Serralves foi classificada como imóvel de interesse público devido ao seu interesse arquitectónico.
O Parque de Serralves resulta de processos de desenho de uma paisagem ao longo de mais de um século, constituindo uma unidade temporal e espacialmente complexa: vestígios de um jardim do século XIX, Quinta do Mata-Sete, Jardim da Casa de Serralves, paisagem do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
O projecto para o jardim da Casa de Serralves foi encomendado pelo Conde de Vizela ao arquitecto Jacques Gréber em 1932.

Sugestão



Sugestão de livro:

Sophia de Mello Breyner Andresen - Uma Vida de Poeta

A exposição de textos, fotografias e outros objectos com que aqui se evoca a vida e a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) surgiu como um prolongamento natural da doação do espólio, pela sua família, à Biblioteca Nacional de Portugal, primeiro passo para a abertura do acesso de um público amplo a uma parte importante, de quase todos desconhecida, dessa vida e obra. A colecção mais volumosa do espólio é constituída por manuscritos de textos publicados e inéditos, de poesia e de prosa, inacabados ou em mais de uma versão, e por reflexões sobre poética ou sobre a experiência de escrever. Vale ainda a pena notar a relativa escassez de poemas inéditos, dos quais muitos não são mais do que esboços, inícios de qualquer coisa que não surgiu, ou até simples apontamentos de ideias. Sophia guardou muitas versões de trabalho, mas, para ela, o destino natural do poema acabado era a publicação. Se a poesia foi a sua maneira de viver, não a tratava como coisa sua. Escrevia para si e para o mundo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mogwai - Letters To The Metro



Outra vez a boa musica dos Mogwai, do próximo álbum "Hardcore will never die, but you will" a sair a 14 de Fevereiro

A GUERRA II


Manuel da Fonseca


Adriano Correia de Oliveira





Dá o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais o azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa o verde pinho
As balas deram o sangue derramado

Dá a chuva o Inverno criador
As sementes dá sulcos o arado
No lar a lenha em chama dá calor
As balas deram o sangue derramado

Dá a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos corações dá amor renascido
As balas deram o sangue derramado

Dá o Sol as searas pelo Verão
O fermento ao trigo amassado
No esbraseado forno dá o pão
As balas deram o sangue derramado

Dá cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas dão o sangue derramado

Do meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas dão o sangue derramado

Dá a certeza o querer e o concluir
O que tanto nos nega o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que o sangue derramado

Que as balas só dão sangue derramado
Só roubo e fome e sangue derramado
Só ruína e peste e sangue derramado
Só crime e morte e sangue derramado.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A GUERRA I



10 minutos de Ahmed Imamovic. 1994. Sarajevo, Bosnia and Rome, Italia. Como muitas diferentes coisas podem acontecer em 10 Minutos. O filme ganhou o prémio de melhor curta metragem europeia em 2002.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Verdade Escondida - George Carlin



George Denis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 1937 — Santa Monica, 22 de junho de 2008) foi um humorista, ator e autor norte-americano, pioneiro, com Lenny Bruce, no humor de crítica social. A sua mais polémica rotina chamava-se "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão", o que lhe causou, durante os anos setenta, vários dissabores, acabando preso em inúmeras vezes que levou o texto a palco.

Até meados da década de 1960, Carlin manteve uma imagem tradicional, com fato e cabelo curto. Depois, ao escrever novo ato, decidiu deixar crescer o cabelo e a barba, tornando-se um ícone da contracultura. Crítico acérrimo das religiões, ateu convicto, principalmente do sentido da culpa e do controle social, defendia valores seculares.

Aplaudido por vários colegas, como Lewis Black e Bill Maher, George Carlin chegou ainda a participar em vários filmes e séries de TV. Dobrou ainda filmes de animação, como Carros e outros.

Em 22 de Junho, 2008, Carlin deu entrada no Hospital Saint John's Health Center em Santa Monica, California, com dores no peito, vindo a falecer naquele dia às 5:55 p.m. Carlin tinha 71 anos. Sua morte ocorreu uma semana após sua última apresentação no Orleans Hotel e Casino de Las Vegas. Seguindo seus pedidos, Carlin foi cremado e suas cinzas espalhadas sem qualquer serviço de homenagens publicas ou religiosas.

dos jornais



A 1.ª Página do DN de hoje

Comentário: Rui Pereira, José Magalhães, e os outros andam atarefados com o flop do dia eleitoral e com as viaturas da Cimeira da Nato e não têm tempo para as minudências legais...

Sugestão


A OBRA


Os Autores de Pontes de Mudança

Edgar Freitas Gomes Silva, nascido a 25 de Setembro de 1962, natural do Funchal - Madeira - Portugal, licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). No campo social, desenvolveu projectos com crianças de rua, no Movimento de Apostolado da Criança - MAC e na "Escola Aberta", e em iniciativas de desenvolvimento local em bairros marcados pelos problemas da ultraperiferia social. Na sequência da intervenção política, foi eleito deputado ao Parlamento da Região Autónoma da Madeira, em 1996. Publicou dois livros sobre questões do desenvolvimento humano e social: "Instrangeiros da Madeira" (2004) e "Madeira: Tempo Perdido" (2007). Já em Novembro de 2010 lançou "Os bichos da corte do ogre usam máscaras de riso".

Sofia Gomes Vilarigues, nascida a 1 de Novembro de 1971, natural de Paris - França, licenciada em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. É consultora na área do ambiente e, no campo do jornalismo ambiental e social, tem colaborado com diversas publicações: Fórum Ambiente, Cadernos de Educação Ambiental, Ozono, Ambiente 21, Água e Ambiente, Escola Informação, Mais Ambiente, Contacto Verde (edição), Jornal Quercus Ambiente. Coordena, presentemente, o projecto PANTOS – Percursos em Artes e Novas Tendências por Objectivos de Sustentabilidade, enquadrado nas iniciativas da Quercus.

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (IX)

Carta aberta ao Exmo Senhor Presidente da República

Excelência

Reeleito Vossa Excelência para o alto cargo que já ocupava, e para que tem toda legitimidade embora nada me impeça – nem o incómodo que provoca e as decorrentes más-criações e grosserias dos mais fiéis seguidores/servidores de Vossa Excelência – de lembrar que passou de ter o voto expresso de 31% dos portugueses (quase 1 em cada 3) para menos de 23% (bem menos de 1 em cada 4), acaba de ser publicado um comunicado da Presidência da República com o fito de “esclarecer” situações e “casos” de que Vossa Excelência se recusou a, ou fugiu de, falar e que justificaram, da parte de Vossa Excelência, atitudes de aparente indignação e uma encenada afirmação de honestidade e impoluto comportamento, que soa sempre a falso a quem mantém espírito crítico desperto.
Pois esse comunicado, já comentado – e muito acertadamente! – por outras paragens, como pelo meu companheiro destes espaços internéticos, Samuel-cantigueiro, suscita-me a irreprimível chamada de atenção para a utilização dos vocábulos legítima e transparente relativamente a transacção de vivendas protagonizada por Vossa Excelência, permuta e formalidades fiscais e outras.
Quanto a transparência, estamos conversados. E não acrescento nada, a não ser a denúncia do despudor da sua utilização quando e onde abunda a opacidade.
Relativamente a legítima, não resisto a perguntar(-me) se não teria mais adequado o vocábulo legal e se a opção não revela, intencionalmente ou não, significativas intenções… nada transparentes.
É que legítima é “a parte da herança, de que o testador não pode dispor livremente, por pertencer legitimamente a herdeiro ascendente ou descendente”, e legal é (dicionariamente) “o que observa a lei” (ainda que tarde e más horas…), além de ser a designação de uma “grande loja” maçónica.
Por isso, parece-me que o comunicado por que Vossa Excelência é responsável, relativo a permuta de duas propriedades tão diferentes em valor na base de um igual valor, e correlativas formalidades inevitáveis, poderia dizer que a transacção teria sido legal mas nunca legítima, quer naquele sentido atrás referido, quer no sentido de cumprir preceitos éticos.
Sublinho o que Vossa Excelência como economista sobejamente sabe – se não o esqueceu de todo… -, ou seja, que, podendo ser legal não será ético, dentro de determinados parâmetros morais, acrescer o património pessoal, sob forma monetária ou coisal, sem nada haver contribuído para o acréscimo do património colectivo ou para a sua acessibilidade, e tão-só por meras operações escriturais, especulativas ou de agiotagem. E por isso, nos tempos que correm, se fala tanto em enriquecimento ilícito, a que acrescento ilegítimo.
No caso de Vossa Excelência ter dúvidas – o que parece nunca acontecer… –, permitia-me aconselhar que lesse umas páginas sobre esta matéria, nomeadamente de um certo Tomás de Aquino, que é dito ser Santo.
Termino esta com o respeito devido ao cargo que Vossa Excelência ocupa e que nada faz para merecer.

(in anonomiseculoxxi.blogspot.com)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Allman Brothers "Ain't Wastin' Time No More" (Live-2003)

Páginas da História do PCP


Agostinho Neto e a esposa Maria Eugénia aguardando a fuga


José Nogueira



Jaime Serra


António Dias Lourenço

Nos 50 anos do 4 de Fevereiro: Ajuda à fuga de Agostinho Neto,
por Jaime Serra

Aquele que veio a ser o primeiro presidente da República Popular de Angola, o Dr. Agostinho Neto, saiu clandestinamente de Portugal, onde estava com residência vigiada pela PIDE, no dia 30 de Junho de 1962 , num pequeno iate ajudado pelo Partido Comunista Português.
Agostinho Neto viveu em Portugal durante bastante tempo. Aqui estudou e iniciou a luta pela libertação do povo angolano, tendo-se tornado num dos mais prestigiados dirigentes do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola. Foi perseguido pelo regime fascista e esteve várias vezes preso.
Em 1961, face ao grande movimento de solidariedade nacional e internacional, foi libertado da prisão e desterrado para Cabo Verde, onde esteve com residência fixa.
A 4 de Fevereiro de 1961 com o assalto às cadeias de Luanda organizado pelo MPLA, dá-se início à luta armada que, ao cabo de 13 longos anos de guerra colonial, havia de conduzir à independência de Angola.
Também na Guiné-Bissau havia começado a luta de guerrilha sob a direcção do PAIGC, o partido de Amílcar Cabral, ao qual pertencia também o destacado militante Vasco Cabral que, tal como Agostinho Neto, organizava para a luta os seus compatriotas que viviam em Portugal.
Foram estes dois destacados dirigentes da luta libertadora dos seus povos, oprimidos pelo colonialismo salazarista, que o Partido Comunista Português, fiel aos princípios internacionalistas que o guia, ajudou a sair clandestinamente de Portugal.
Com esse objectivo, e por intermédio de um militante do Partido, o camarada José Nogueira, foi comprado um barco adequado para o efeito, um pequeno iate de recreio a motor.
Como o José Nogueira era oficial da Marinha de Guerra, embora dos serviços administrativos, foi fácil a legalização do barco, assim como a sua manutenção em estado operacional nas próprias instalações da Armada, na Doca da Marinha de Paço de Arcos.
Agostinho Neto havia, entretanto, regressado de Cabo Verde, passando a viver em Lisboa com a mulher e dois filhos pequenos em situação de residência fixa, sendo obrigado a apresentar-se regularmente na sede da PIDE.
Deve dizer-se que, ainda quando Agostinho Neto se encontrava em Cabo Verde, o PCP mandou um seu militante àquele arquipélago com o objectivo de estudar a hipótese de compra de um barco por meio do qual Agostinho Neto pudesse passar para África.
A sua súbita transferência para Portugal inviabilizou esse projecto.
Nos finais do mês de Junho, estando tudo preparado tecnicamente para a saída de Portugal por via marítima da família de Agostinho Neto e de Vasco Cabral, a Direcção do Partido incumbiu-me de dirigir esta operação.

Foi tudo preparado para que o embarque se fizesse na Doca do Bom Sucesso, em Pedrouços, onde o iate ia por vezes atracar ou estacionar para estudar o ambiente.
Na tarde de sábado de 30 de Junho de 1962 cheguei à referida doca, onde estacionavam muitas outras embarcações, entrando em contacto com o tenente José Nogueira, que entretanto acostou o nosso iate ao molhe norte da Doca. Inteirei-me de que tudo estava em ordem para a viagem, desde o combustível necessário até aos mantimentos para cinco adultos e duas crianças de tenra idade.
À hora combinada apareceram todos acompanhados pelo camarada Dias Lourenço que organizou esta parte da operação ajudado pelo Dr. Arménio Ferreira, figura destacada do movimento anticolonial, cuja ajuda foi preciosa no complicado processo da saída da família Neto da casa que habitavam, conhecida pela PIDE, para uma situação de clandestinidade, a partir da qual se deu início à saída também clandestina.
Tudo isto foi levado a cabo num espaço de tempo muito curto, antes que a PIDE se apercebesse da mudança.
Dias Lourenço ficou à distância, sentado num cabeço da muralha ali existente, observando toda a operação de embarque.
Este fez-se calmamente como se tratasse de uma qualquer família burguesa que vai dar um passeio pelo rio, ou fazer uma pescaria na costa num fim de semana. Tudo isto, ali mesmo nas «barbas» da Guarda Fiscal, que tinha próximo um posto de vigilância da fronteira marítima, então à sua guarda. Após o embarque dos «passageiros» e da sua volumosa bagagem, e depois de eles receberem de Dias Lourenço os comprimidos para o enjoo que haviam encomendado, manobrando no emaranhado de embarcações estacionadas dentro da Doca do Bom Sucesso (nome que foi para nós um bom augúrio), saímos para o rio Tejo. A partir daqui procurámos o mais rápido possível alcançar o mar alto.
Com toda a gente mais calma, descemos em direcção ao sul, sempre com as belas praias da costa à vista. Contornando o cabo de São Vicente, chegámos próximo de Olhão e lançámos ferro numa pequena enseada, onde descansámos até ao dia seguinte.
Manhã cedo, levantámos ferro, deixando para trás a costa algarvia e entrando na Baía de Cadiz, na costa espanhola, já ao fim da tarde.
Na zona do cabo Trafalgar esperavam-nos as maiores dificuldades desta parte da viagem, com um mar muito agitado, em virtude das fortes correntes marítimas que entram e saem do Mediterrâneo.
Para as crianças, e sobretudo para a mulher de Agostinho Neto, foram horas de grande angústia. Os homens aguentavam como podiam o enjoo. Como eu já conhecia o fenómeno por ali ter passado cinco anos antes, procurava encorajá-los.
A violência do mar, o vento e as correntes marítimas impediam-nos de avançar com a rapidez que desejávamos, ficando por largos momentos no mesmo local, com a hélice a trabalhar fora de água.
Ultrapassado finalmente o cabo de Trafalgar, encontrámo-nos numa bonita e tranquila baía, também já minha conhecida, onde lançámos ferro e fizemos o balanço da situação.
Com a violência do mar tínhamos perdido um dos dois salva-vidas de que dispúnhamos. Os «turcos» que o suportavam, uns fortes tubos de ferro colocados à popa do iate, ficaram dobrados quase em ângulo recto devido à violência do mar a que foram sujeitos, juntamente com o barco salva-vidas, que acabou por desaparecer nas ondas que caíram sobre nós na passagem do Trafalgar.
Havíamos também perdido uma âncora, arrastada pelo temporal. Tudo o mais, o pessoal, o combustível, os mantimentos, a bagagem, haviam-se mantido a salvo.
O medo e o choque emocional de uma mãe que leva consigo dois filhos pequenos abalaram profundamente a moral da Maria Eugenia, a ponto de o Agostinho Neto ter sugerido a hipótese de desembarcar em qualquer local da costa espanhola. Tal hipótese foi discutida e posta de lado.
Com a ditadura franquista instalada em Espanha, onde a perseguição aos comunistas era tanto ou mais violenta que em Portugal, era quase certo que em caso de prisão seríamos todos entregues a Salazar.
Além disso, o pior estava passado e só era necessário um pouco mais de coragem e paciência. Estes e outros argumentos acabaram por convencer todos de que não havia outra saída senão continuar a viagem.
Passámos a noite calmamente nesse local e, na manhã seguinte, avançámos junto à costa até próximo da Baía de Tarifa, já no estreito de Gibraltar.
A partir daqui, com o mar de feição, navegámos à bolina em direcção à costa marroquina, atravessando o Estreito calmamente. Por volta do meio-dia alcançámos a Baía de Tânger.
Como eu já conhecia a topografia da Baía, ancorámos num sítio apropriado, a cerca de cem metros da praia. Com a embarcação salva-vidas a remos, começámos por transportar a mulher e as crianças para a praia, depois as bagagens, que eram bastantes, e finalmente o Agostinho Neto e o Vasco Cabral.
Em terra firme, eles acabaram por se desembaraçar. Chegaram à fala com as autoridades marroquinas, identificando-se como combatentes africanos, bem conhecidos internacionalmente, tendo sido encaminhados para o seu destino, segundo soubemos posteriormente.

Pelo nosso lado, cumprida a tarefa, tratámos imediatamente do regresso a Portugal.
Nesse mesmo instante saímos da Baía de Tânger e pusemo-nos a largo.
Como dispúnhamos de uma bússola, traçámos o rumo da viagem de regresso, de modo a alcançar a costa algarvia directamente, sem os contornos da costa e as demoras da viagem de ida.
Só a nossa ignorância das lides do mar nos levou à aventura de percorrer directamente 140 milhas marítimas no alto mar, sem terra à vista, numa embarcação daquele género e com uma bússola rudimentar. Recordo que o José Nogueira era oficial da administração naval e eu era um leigo na matéria.
Nas primeiras horas tudo bem. Porém, já bem no mar alto, começaram os nossos problemas.
Com o mar já bastante alteroso, encravou-se a roda do leme, ficando o barco à deriva, fustigado pelo temporal.
Pelo que me apercebi, dado que a estrutura dos barcos não me era estranha, pelo facto de a minha profissão estar ligada à construção naval, a avaria situava-se dentro da caixa da roda do leme.
A única solução que me ocorreu na emergência foi destruir à machadada a referida caixa para chegar ao local da avaria, o que foi feito, embora com algum desgosto do José Nogueira, que tinha orgulho naquela bonita caixa de mogno envernizada...
Solucionada a avaria, a viagem continuou pela noite fora, com o mar cada vez mais violento, exigindo esforços tremendos para segurar a roda do leme na posição correcta.
Com as ondas de mais de cinco metros de altura a caírem-nos em cima, era difícil aguentar mais de meia hora seguida ao leme.
Alternavamo-nos constantemente, eu e o José Nogueira, procurando, cada um de nós, descansar um pouco nos curtos intervalos. Valeu-nos bastante, na ocasião, uma garrafa de vinho do Porto que havia a bordo, para reanimar as forças periodicamente. Finalmente, pela madrugada do dia 3 de Julho, após uma noite tormentosa, o mar mudou subitamente para uma relativa calmaria. Interrogámo-nos mutuamente sobre o significado de tal facto.
Por feliz acaso, avistámos ao longe uma grande embarcação que nos pareceu ser um barco de pesca de arrasto.
Através de um megafone existente a bordo, entrámos em comunicação com a tripulação do referido barco, que verificámos ser espanhola. Fomos por eles informados que nos encontrávamos a algumas milhas ao sul de Olhão, na costa algarvia.
Esta informação encheu-nos de alegria e passadas algumas horas ancorávamos junto à costa portuguesa, onde fizemos uma pescaria de robalos e com eles uma boa caldeirada.
Depois do almoço retomámos a viagem de regresso a Lisboa, tendo na noite desse dia alcançado o porto de Sesimbra, onde ancorámos até à manhã do dia seguinte. Entrámos na barra do Tejo na manhã do dia 4 de Julho de 1962.
Dirigimo-nos directamente para a Doca da Marinha, em Paço de Arcos, onde o barco foi entregue aos cuidados do marinheiro que habitualmente desempenhava esse serviço, o qual ficou bastante espantado perante o estado lastimoso que o barco apresentava, meio desmantelado. Mal sabia o dito marinheiro que estava ali o resultado de uma viagem de mais de 600 milhas em quatro atribulados dias.
Mas não só o barco sofreu as consequências. Pelo meu lado, passados oito dias, quando caminhava na rua ainda me parecia que o chão balouçava à minha volta.
O PCP havia cumprido com êxito uma missão de ajuda internacionalista de grande importância.
In Jaime Serra, Eles têm o direito de saber - Páginas da luta clandestina