um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

o último POST de 2010 (retirado de O CANTIGUEIRO)


O futuro

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
José Carlos Ary dos Santos

Buena Vista Social Club - Chan Chan

SOARES DOS REIS


Estátua de Afonso Henriques, fundador da Nacionalidade e 1.º Rei de Portugal (Bronze, 1888) - Colina Sagrada, Guimarães


Filha dos Condes de Almedina


O Desterrado (mármore, 1871)


O escultor Soares dos Reis

Soares dos Reis (1847 – 1889) foi um importante escultor português.
António Manuel Soares dos Reis nasceu em 1847 na freguesia de Mafamude, Vila Nova de Gaia. Em 1861, com 13 anos de idade, Soares dos Reis iniciou seus estudos de desenho na Academia Portuense de Belas Artes com o Mestre João Correia, concluindo o curso em 1866. De 1867 a 1870 viveu em Paris, em 1871 executa “O Desterrado” e, em 1872, vive em Roma. Em seguida viveu no Porto, onde recebeu vários prémios. Em 1878, obtém Menção honrosa na Exposição Universal de Paris. Em 1879 organiza a criação do Centro Artístico Portuense; colabora como repórter artístico na revista "Ocidente”. A partir de 1880 foi professor na Academia Portuense de Belas Artes. Em 1885 casou-se com Amélia Macedo. Em 1887, abandona o Centro Artístico Portuense e executa a estátua de Afonso Henriques - Guimarães. Em 1889, suicida-se no seu atelier em Vila Nova de Gaia.

CONCERTAÇÃO SOCIAL




quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DOIS ANOS APÓS



DOIS ANOS APÓS O MASSACRE, UMA EXIGÊNCIA DE JUSTIÇA


Gaza sitiada, Palestina — Nós os palestinianos da Faixa Sitiada de Gaza, neste dia, dois anos após o ataque genocida de Israel às nossas famílias, às nossas casas, estradas, fábricas e escolas, dizemos: basta de inacção, chega de discussão, chega de esperar – este é o momento para responsabilizar Israel pelos seus crimes permanentes contra nós.


Em 27 de Dezembro de 2008, Israel principiou um bombardeamento indiscriminado da Faixa de Gaza. O assalto perdurou durante 22 dias, matando 1417 palestinianos, 352 dos quais crianças, segundo importantes Organizações de Direitos Humanos. Durante estarrecedoras 528 horas, as forças de ocupação de Israel lançaram a partir dos seus F15s e F16 fornecidos pelos EUA e dos seus tanques Merkava, munições internacionalmente proibidas de fósforo branco, além de bombardear e invadir o pequeno enclave costeiro palestino que é o lar de 1,5 milhão de pessoas, das quais 800 mil são crianças e mais de 80 por cento refugiados registados pela ONU. Cerca de 5300 ficaram permanentemente feridos.
Esta devastação excedeu em selvajaria todos os massacres sofridos anteriormente por Gaza, tais como as 21 crianças mortas em Jabalia em Março de 2008 ou os 19 civis mortos quando abrigados nas suas casas no Massacre de Bei Hanoun de 2006. A carnificina excedeu mesmo os ataques de Novembro de 1956 nos quais tropas israelenses agruparam e mataram 275 palestinianos na cidade sulista de Khan Younis e mais 111 em Rafah.
Desde o massacre de Gaza de 2009, cidadãos do mundo tomaram a responsabilidade de pressionar Israel a cumprir com o direito internacional, através de uma estratégia de boicote, desinvestimento e sanções (BDS). Tal como no movimento BDS global que foi tão efectivo para terminar o regime do apartheid sul-africano, instamos as pessoas com consciência a aderirem ao apelo ao BDS feito em 2005 por mais de 170 organizações palestinianas. Tal como na África do Sul, o desequilíbrio de poder e representação nesta luta pode ser contra-balançado por um poderoso movimento internacional de solidariedade com o BDS, obrigando decisores políticos israelitas a prestar contas, algo que a comunidade governante internacional tem reiteradamente fracassado em fazer. Analogamente, esforços civis criativos tais como os navios Free Gaza que romperam o sítio cinco vezes, a Marcha pela Libertação de Gaza, a Frota pela Liberdade Gaza e muitos comboios por terra nunca devem cessar a sua ruptura do cerco, destacando a desumanidade de manter 1,5 milhão de habitantes de Gaza numa prisão ao ar livre.


Já se passaram dois anos desde os mais graves actos genocidas de Israel, que deveriam ter desfeito quaisquer dúvidas sobre a dimensão brutal dos planos de Israel para os palestinianos. O assalto naval assassino a activistas internacionais a bordo da Frota da Libertação de Gaza, no Mar Mediterrâneo, mostrou ao mundo o pouco valor que Israel atribui desde há muito à vida palestiniana. O mundo agora sabe, mas dois anos depois nada mudou para os palestinianos.
O Relatório Goldstone veio e foi: apesar de listar uma por uma as contravenções do direito internacional, apesar dos "crimes de guerra" israelitas e dos "possíveis crimes contra a humanidade", de a União Europeia, as Nações Unidas, Cruz Vermelha e todas as principais Organizações de Direitos Humanos apelaram ao fim do cerco medieval, ele continua sem parar. Em 11 de Novembro de 2010 o responsável da UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos], John Ging, disse: "Não tem havido mudança material para o povo aqui no terreno em termos do seu status, da dependência da ajuda, da ausência de qualquer recuperação ou reconstrução, nenhuma economia... O alívio, como foi descrito, tem sido nada mais do que um alívio político da pressão sobre Israel e o Egipto".
Em 2 de Dezembro, 22 organizações internacionais incluindo a Amnistia, Oxfam, Save the Children, Christian Aid e Medical Aid for Palestinians produziu o relatório "Esperanças frustradas, continuação do bloqueio de Gaza" ("Dashed Hopes, Continuation of the Gaza Blockade") apelando à acção internacional para forçar Israel e levantar incondicionalmente o bloqueio, afirmando que os palestinianos de Gaza sob o cerco israelita continuam a viver nas mesmas condições devastadoras. A apenas uma semana o Human Rights Watch publicou um relatório amplo, "Separados e desiguais" ("Separate and Unequal) que denunciou as políticas israelitas como apartheid, reflectindo sentimentos semelhantes de activista anti-apartheid sul-africanos.


Nós palestinianos de Gaza queremos viver em liberdade para encontrar amigos ou familiares palestinianos de Tulkarem, Jerusalém ou Nazaré, queremos ter o direito de viajar e nos movimentarmos livremente. Queremos viver sem o medo de outra campanha de bombardeamento que deixe centenas dos nossos filhos mortos e muitos mais feridos ou com cancros devidos à contaminação do fósforo branco e da guerra química de Israel. Queremos viver sem as humilhações nos postos de controle israelitas ou a indignidade de não prover as nossas famílias devido ao desemprego provocado pelo controle económico e o cerco ilegal. Estamos a apelar a um fim ao racismo em que se apoia toda esta opressão.
Perguntamos: quando os países do mundo actuarão de acordo com a premissa básica de que os povos deveriam ser tratados igualmente, sem importar a sua origem, etnicidade ou cor – será tão absurdo pretender que uma criança palestina mereça os mesmos direitos humanos tal como qualquer outro ser humanos? Será você capaz de olhar em retrospectiva e dizer que esteve do lado certo da história ou terá alinhado com o opressor?
Nós, portanto, apelamos à comunidade internacional para assumir a sua responsabilidade de proteger o povo palestino da odiosa agressão israelita, terminando imediatamente o cerco com plena compensação pela destruição das nossas vidas e infraestruturas por esta política explícita de punição colectiva. Não há nada que justifique as políticas intencionais de selvajaria, incluindo o corte de acesso ao abastecimento de água e electricidade a 1,5 milhão de pessoas. A conspiração internacional de silêncio quanto à guerra genocida que está a ter lugar contra mais de 1,5 milhão de civis em Gaza indica cumplicidade nestes crimes de guerra.
Também apelamos a todos os grupos de solidariedade com a Palestina e todas as organizações internacionais da sociedade civil a exigirem:


• Fim ao cerco que tem sido imposto ao povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza em resultado do seu exercício de escolha democrática.
• A protecção de vivas e propriedade civis, como estipulado no Direito Humanitário Internacional e na Lei Internacional dos Direitos Humanos, assim como na Quarta Convenção de Genebra.
• A imediata libertação de todos os prisioneiros políticos.
• Que aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza seja imediatamente providenciado apoio financeiro e material para enfrentar as imensas adversidades que estão a experimentar.
• Fim à ocupação, ao apartheid e a outros crimes de guerra.
• Reparações imediatas e compensação por toda a destruição executada pelas forças de ocupação de Israel na Faixa de Gaza.
Boicote, Desinvestimento e Sanção, adira aos muitos sindicatos, universidades, super-mercados, artistas e escritores internacionais que se recusam a ter relações com o Israel do Apartheid. Falar alto e claro pela Palestina, por Gaza e, crucialmente, ACTUAR. O momento é este.
Gaza Sitiada, Palestina

27 de Dezembro de 2010
Lista de signatários:

General Union for Public Services Workers
General Union for Health Services Workers
University Teachers' Association
Palestinian Congregation for Lawyers
General Union for Petrochemical and Gas Workers
General Union for Agricultural Workers
Union of Women's Work Committees
Union of Synergies—Women Unit
The One Democratic State Group
Arab Cultural Forum
Palestinian Students' Campaign for the Academic Boycott of Israel
Association of Al-Quds Bank for Culture and Info
Palestine Sailing Federation
Palestinian Association for Fishing and Maritime
Palestinian Network of Non-Governmental Organizations
Palestinian Women Committees
Progressive Students' Union
Medical Relief Society
The General Society for Rehabilitation
General Union of Palestinian Women
Afaq Jadeeda Cultural Centre for Women and Children
Deir Al-Balah Cultural Centre for Women and Children
Maghazi Cultural Centre for Children
Al-Sahel Centre for Women and Youth
Ghassan Kanfani Kindergartens
Rachel Corrie Centre, Rafah
Rafah Olympia City Sisters
Al Awda Centre, Rafah
Al Awda Hospital, Jabaliya Camp
Ajyal Association, Gaza
General Union of Palestinian Syndicates
Al Karmel Centre, Nuseirat
Local Initiative, Beit Hanoun
Union of Health Work Committees
Red Crescent Society Gaza Strip
Beit Lahiya Cultural Centre
Al Awda Centre, Rafah

Este abaixo assinado encontra-se em http://resistir.info
/ .

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Trailer de OSCAR NIEMEYER - A VIDA É UM SOPRO



Gênero: Documentário
Ano/Produção: 2007/Brasil
Duração: 90 min.
Direção: Fabiano Maciel
Elenco: Chico Buarque de Hollanda, Carlos Heitor Cony, Eduardo Galeano, Ferreira Gullar, Eric Hobsbawn, Oscar Niemeyer, Nelson Pereira dos Santos, José Saramago, Mario Soares



Neste documentário de 90 minutos, Oscar Niemeyer, um dos maiores arquitetos de todos os tempos, conta de forma descontraída como concebeu seus principais projetos. Mostra como revolucionou a Arquitetura Moderna, com a introdução da linha curva e a exploração de novas possibilidades de utilização do concreto armado.

Oscar Niemeyer completou este mês 103 anos de vida. Vida contada e por contar, vida que foi muito mais do que um sopro (nasceu, morreu, fodeu-se).
Niemeyer viveu e vive para além do sopro com que ele próprio definiu a vida. É um cidadão comprometido e que tomou Partido.

Fica aqui uma das suas frases:

Lembro-me da noite em que Fidel esteve em meu escritório. Convidei amigos e, à meia-noite, quando ele ia embora, o elevador enguiçou. Para pegar o outro, ele teve de passar pelo apartamento de um vizinho, que até hoje conta essa ocorrência com certo orgulho. Dá para imaginar o susto do casal ao abrir a porta e dar de cara com o Fidel? O único comunista que mora nesse prédio sou eu. Mas, quando Fidel saiu, o edifício todo estava iluminado e o pessoal batendo palmas. Dizem que é preciso a noite para surgir o dia, e foi isso que aconteceu com Cuba.
(OSCAR NIEMEYER)

Ao Homem, ao artista, ao militante comunista

(em anibalpires.blogspot.com)

BORN FREE - M.I.A.

"Se os tubarões fossem homens" - Bertold Brecht

1.ª VERSÃO


2.ª VERSÃO

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos? Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar. O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências. Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói. Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões. Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões. Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc. Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.

VIVA O PCF!

Em 30 de Dezembro de 1920 a Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO) reunida em congresso em Tours decide aderir à Internacional Comunista (Komintern) criada em 1919. Este decisão constitui o acto fundador do PCF (Partido Comunista Francês) que comemora amanhã 90 anos.
Após ter sido o maior partido francês do pós-guerra, o PCF é hoje infelizmente um pequeno partido em termos de votação: 4,29% (1 115 719 votos) e 15 deputados nas últimas legislativas, mas a sua influência social é certamente superior ao que se pode deduzir dos resultados eleitorais.


Resultados eleitorais desde 1945

A meu ver, o PCF foi completamente absorvido pelos valores da sociedade burguesa, não respeitando a sua história, os seus momentos de glória, a sua identidade, antes perdendo tempo e energias com os seus inimigos, os seus detractores, as suas derrotas, os seus dissidentes. O PCF transformou-se num clube literário, num apêndice do sistema, numa quase inutilidade. Baixaram-se intencionalmente as bandeiras, as reivindicações, os princípios, as militâncias. O PCF procurou a "credibilidade".

Mas haverá sempre quem acredite, quem lute pelo socialismo, quem em França levante a bandeira dos milhões de explorados e injustiçados. O capitalismo francês não se derrota com a auto-flagelação das derivas de direita do projecto politico autónomo do PCF. Só o PCF pode ser verdadeiramente um Partido Comunista.

Viva o PCF. VIVAM OS SEUS 90 ANOS.

poesia

Dificuldade de governar

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar.
Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra.
E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica.
Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses:
Quem, de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o proprietário rural?

Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.

Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht
(Tradução de Arnaldo Saraiva)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tenho um primo convexo



Julio Pereira numa canção de José Afonso "Tenho um primo convexo"

o arrefecimento global- texto de Demétrio Alves

Demétrio Alves, engenheiro, estudioso e especialista em questões energéticas, desenvolveu aqui (em http://resistir.info/ ) o tema do proclamado “aquecimento global”, uma hipótese cientifica que um certo caudal informativo tenta transformar em verdade absoluta. A perspectiva de uma “catastrofe ambiental” convence muita gente de que o CO2 é o culpado universal, quer faça chuva, quer faça sol, quer haja uma onda de calor ou uma vaga de frio, em sismos, tsunamis, vulcões. E nasce assim uma ideologia ecoliberal, que cria uma economia “limpa” em torno do carbono.

Demétrio Alves fala da gestão de recursos naturais finitos, como o petróleo, o gás natural, o carvão, o urânio. E alerta para outras possíveis causas de alterações climáticas, como a alteração de solos, a desflorestação, a produção de metano pela agro-pecuária, as queimadas, os incêndios, os resíduos, factores de influência muito desconhecida no clima.

Verificar se o aquecimento global do planeta é um fenómeno irreversivel exige estudo e capacidade de observação prudente. Não é um facto inquestionável , mesmo numa perspectiva histórica. E concluir que a causa são as emissões de Co2 parece poder estar em causa por inúmeros cientistas.

As energias obtida por fontes renováveis merecem simpatia mas numa perspectiva económica oferecem muitas dúvidas sobre a sua suficiência, sustentabilidade e capacidade de competição. A factura energética é crescente para consumidores, “industriados” na missão de combate ao "aquecimento global"... afinal podemos estar a criar um terrível arrefecimento global socioeconómico.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Recordando: Os Operários do Natal - As Costureiras, Os Amigos


Album OS OPERÁRIOS DO NATAL
Textos - Ary dos Santos, Joaquim Pessoa
Músicas - Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho
Narração - Maria Helena D' Eça Leal





forte com os fracos e fraco com os fortes


Os controladores aéreos militarizados e os mercados financeiros acariciados
de Josetxo Ezcurra, em Rebelión de 19 de Dezembro


- Quem mede forças com o Estado, perde!
- E, sendo assim, o Estado também vai militarizar os mercados financeiros?
- Não há mais perguntas!

Alfredo Pérez Rubalcaba é um politico espanhol que pertence ao PSOE (...) Desde Abril de 2006 é Ministro do Interior. Em 21 de Outubro de 2010 tomou posse como Vice-Presidente do Governo e porta voz do Governo, conservando as suas responsabilidades no Ministério do Interior.

Pearl Jam - Got Some


PEARL JAM


ÁLBUM BACKSPACER

domingo, 26 de dezembro de 2010

Humor






(surripiados a wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

e se fizessemos uma petição para que o verdadeiro Pai Natal pudesse levar Sócrates e Cavaco para a Lapónia?

SUGESTÃO DE FIM DE SEMANA - O segredo de um cuscuz










Filme - O SEGREDO DE UM CUSCUZ

La Graine et le Mulet, França, 2007. Realização: Abdel Kechiche. Com: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache, Abdelhamid Aktouche, Bouraouïa Marzouk, Alice Houri.

As descobertas de novos talentos cinematográficos revelam-se sempre promissoras, como se, num instante, o cinema voltasse a viver o seu momento primordial. Abdel Kechiche faz parte desse grupo das novas descobertas, agora que estreia em Portugal a sua muito premiada terceira longa-metragem: «O Segredo de um Cuscuz». O realizador é um francês-árabe descendente de uma família imigrante que procura em França melhores condições de vida. Esta filiação é decisiva para perceber a forma como o seu cinema parte de um contexto social específico, que procura, na sua própria «comunidade», construir um mundo europeu atento às periferias. E é interessante verificar como este filme, com este fundo social, vence os principais prémios dos Césares (os prémios da indústria cinematográfica francesa), assim como o Prémio Especial do Júri em Veneza 2007. É assim um filme a descobrir, pela sua deliciosa história, e pela forma como Kechiche a trabalha.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Patxi Andion - Rogelio



PATXI ANDION nasceu em Madrid, a 6 de Outubro de 1947.

Gostava de cantar. Aos cinco anos aparece pela primeira vez em público. Aos doze, formou o seu primeiro conjunto musical. Fez-se rockeiro. Cantava "Popotitos" com Los Camperos. Logo depois, entrou num barco bacalhoeiro e chegou à Terranova. "Fui um lobo solitário, toda a minha vida - conta Patxi - Um lobo das estepes, que viveu mal e passou muita fome.". Quando se fartou da aventura marinheira, lembrou-se da sua outra vocação, a música.

E foi para Paris, porque adorava as canções de Brassens, de Brel, de Piaf, de Greco. Durou ano e meio a sua estadia na capital francesa.De guitarra na mão, cantava num recanto da estação de "Metro" Odeón. Depois, num cabaret chamado "La Candelaria". E no "La Contrascarpe" e "L'Escale". Vagueava pelas "caves" de Montparnasse e pelos bares de alterne de Paris. Voltou a Espanha e por lá ficou.

Patxi Andion foi revelado em Portugal pelo programa Zip-Zip. Das duas primeiras vezes que tentou cantar em Portugal, a PIDE expulsou-o do país. Ary dos Santos traduziu para português algumas das suas canções que foram gravadas por Tonicha, ainda antes do 25 de Abril.
Em 24 de Março de 1974 actuou pela primeira vez, em Portugal, num Coliseu dos Recreios de Lisboa superlotado. Foi ovacionado mesmo com agentes da PIDE/DGS a circularem na sala.

2010-2011- ANOS DA WIKILEAKS



Desenho de Carlos Latuff

POESIA

NATAL DIVINO

Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

Miguel Torga

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ABORTO – OS NÚMEROS DA REALIDADE

O Jornal i de 22 de Dezembro de 2010 decidiu presentear-nos com um alerta alarmista: há 53 abortos legais realizados em média por dia em Portugal e o número de abortos não pára de aumentar. Os números que suportam essa ideia não a comprovam. No 2.º semestre de 2007 , registaram-se 6.257 abortos legais. Em 2008 foram 18.607. Em 2009 foram 19.572 e e de Janeiro a Agosto de 2010, estamos nos 13.033 abortos legais. Os números não justificam a ideia alarmista. Há então que “inventar”. O i não dorme. Ou pelo menos, alguém que o manipula.
As estimativas iniciais apontavam para 20 mil IVG legais por ano. Estamos ligeiramente abaixo. Bolas, nem nisto!
Há “especialistas” que dizem que na Europa os números estabilizam ao fim de 2 ou 3 anos e depois descem. E aí surgem as trombetas do alarme...e se em Portugal não for assim?

Três anos após a entrada em vigor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), continua a haver abortos clandestinos, certamente. Mas são “reduzidíssimos”. E já quase não há registo de entradas de mulheres com complicações nas urgências.
A percepção de que se mantém alguma prática clandestina vem do bom senso. Sendo legal interromper a gravidez até às dez semanas, há sempre casos em que o prazo limite é ultrapassado. O recurso “a práticas inseguras e sem supervisão médica” deve-se também a outros factores. O primeiro deles será a dificuldade em expor-se indo a um serviço público. Outro prende-se com os costumes, hábitos que a alteração da lei não conseguiu alterar.
A verdade é que não há dados. Uma medição possível será a das complicações de abortos que chegam aos hospitais. Aí, todos são claros: a diminuição foi “drástica” e os casos são “reduzidíssimos”...

As reincindências são sempre preocupantes. Em 2009, foram feitos 19.572 abortos, dos quais 18.961 ao abrigo da legalização da IVG a pedido da mulher. Em cerca de 16% dos casos era já um segundo aborto. Mais de 3% das mulheres iam no terceiro e 1,4% em mais de três.

Essa é uma das razões para que se defenda a revisão da lei. Há quem entenda que deve ser desburocratizada e deve incitar a uma maior intervenção dos cuidados primários. Importa ainda reforçar a educação sexual e campanhas de sensibilização. Eventualmente aplicar taxas moderadoras à IVG poderia ajudar a fazer descer as reincidências. Mas “pintar” com cores negras a IVG em Portugal como fez o i não é justo. Os direitos das mulheres são inatacáveis numa perspectiva progressista da sociedade.

Cristiano Ribeiro

White Christmas Cartoon Song




Bom Natal

Happy Christmas

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

notas sobre o capitalismo romeno



O Ministro da Administração Interna romeno, Vasile Blaga, anunciou hoje a sua demissão, três dias depois de uma manifestação "ilegal" de 5000 polícias que proferiram palavras de ordem contra o Presidente Traian Basescu.
"Esta manhã, apresentei a minha demissão. Trata-se de uma questão de honra", afirmou Blaga, em conferência de imprensa.
Na sexta feira, 5000 polícias protestaram contra uma redução de 25 por cento dos seus salários, no âmbito de um programa de austeridade aprovado em Julho.
Depois de se concentrarem em frente ao edifício do Governo, protesto para o qual tinham obtido autorização, os polícias rumaram até ao palácio presidencial, onde exigiram a demissão de Basescu.

Adrian Sobaru trabalha como engenheiro electricista na TVR, o equivalente romeno da RTP, e aproveitou o discurso do primeiro-ministro para se atirar das galerias do Parlamento, de uma altura de sete metros. Ficou com vários traumatismos e fracturas em todo o corpo, mas à partida não corre risco de vida. Ele pretendia protestar contra o corte de apoios sociais a um filho autista e contra as medidas de austeridade no país. Quando saltou, Sobaru tinha uma t-shirt onde podia ler-se "vocês mataram o futuro dos nossos filhos".
O Parlamento romeno interrompeu os trabalhos durante uma hora. Na altura de recomeçar a sessão parlamentar, os deputados da oposição - ainda a digerir o incidente - não quiseram marcar presença.
Já Emil Boc, o primeiro-ministro, acabou por lamentar o sucedido e disse que compreendia as dificuldades "que os romenos enfrentam neste período de crise".

Uma associação romena que se opõe a um projeto de uma mina de ouro canadiana pediu à Comissão Nacional de Arqueologia para proteger um vasto sítio romano que consideram ameaçado pela mina, de acordo com um comunicado divulgado hoje.
A empresa Rosia Montana Gold Corporation (RMGC), que é controlada em mais de 80 por cento pela sociedade canadiana Gabriel Resources, apresentou recentemente no Ministério da Cultura romeno um novo pedido de autorização arqueológica para explorar a céu aberto o ouro contido nas minas romanas de Monte Camic, na aldeia de Rosia Montana (Oeste). Um pedido idêntico aprovado em 2004 foi anulado por acórdão do tribunal de recurso, porque "iniciar uma actividade de mineração na área levaria à alteração dos vestígios arqueológicos protegidos".


A entrada da Bulgária e da Roménia no espaço Schengen no próximo ano pode ficar comprometida por uma decisão conjunta da França e da Alemanha. Os ministros do Interior francês e alemão, Brice Hortefeux e Thomas de Maiziere, enviaram ontem uma carta à Comissão Europeia, onde dizem considerar "prematura" a entrada dos dois países da Europa de Leste, que integraram a União Europeia em 2007, no espaço europeu de livre circulação, uma hipótese anteriormente levantada. A aprovação da entrada dos dois países no espaço Schengen tem de contar com o voto unânime dos 27 estados-membros.
A razão apontada pelos dois ministros passa pela falta de controlo romeno e búlgaro na luta contra a corrupção e o crime organizado. Ambos os países são instáveis em termos políticos e judiciais. O porta-voz da CE diz que esta "não tem poder de decisão na questão", que será discutida pelos 25 em Janeiro, depois da divulgação de um relatório de um grupo de analistas que se deslocou aos dois países. Já em Agosto, França tinha mostrado que vetaria a entrada romena no espaço caso Bucareste não tivesse mão firme no fluxo ilegal de romenos para a Europa. Nicolas Sarkozy decidiu, no Verão, repatriar milhares de romenos de etnia cigana.
O espaço Schengen é o resultado de um acordo assinado em Schengen, Luxemburgo, em 1985, que permite aos cidadãos dos países membros - 22 dos 27 países da UE, acrescidos da Noruega, Suíça e Islândia - circularem livremente, sem a necessidade de visto ou passaporte. O presidente da Roménia, Traian Basescu, classificou a decisão como "discriminação contra a Roménia", através de um comunicado, onde alega que no último Concelho Europeu mostrou que o país "está tecnicamente preparado" para integrar o espaço Schengen e que, apesar da introdução de novas condições, à data da entrada - se fosse aprovada -, a Roménia "pode satisfazer todas as condições". O secretário de Estado dos Assuntos Europeus em Paris, Laurent Wauquiez, porém, diz ao jornal romeno "Adevarul" que, apesar do tom com que a carta foi recebida em Bucareste, "a mensagem francesa é simples: a porta não está fechada à Roménia e à Bulgária, mas é necessário respeitar alguns critérios simples. O primeiro critério é que as nossas fronteiras se mantenham seguras". A Bulgária não respondeu à decisão franco-alemã.Nem Berlim ou Paris têm visto com bons olhos a livre circulação de cidadãos romenos e búlgaros no espaço europeu. Em Agosto, França deu início a um polémico processo de desmantelamento de acampamentos ilegais e de repatriamentos, principalmente de ciganos romenos e búlgaros em situação irregular no país. Mais de um milhar de pessoas foi enviada de volta aos países de origem. Berlim, simultaneamente, expulsou ciganos de volta para o Kosovo, de onde tinham fugido durante o conflito dos Balcãs. Muitos deles estavam fixados na Alemanha há mais de 15 anos.

O governo da Roménia está atolado na recessão e recentemente reduziu os salários do sector público em um quarto. Os impostos sobre vendas foram aumentados de 19 a 24%. O declínio de sua economia é esperado em 2% neste ano, depois de ter contraido 7,1% em 2009. Os cortes irritaram muitos romenos.

Russian Orthodox Choir, Sacret Russian -Chesnokov's "Gabriel Appeared".

denúncia oportuna


QUANDO OS BANDIDOS SÃO DA POLICIA…
(do Blog Cantigueiro)

Volto ao escabroso tema deste post, aqui publicado há uns dias, porque a questão de que nele se falava está longe de estar arrumada. Pelo que leio no “5 Dias” (via “O Castendo”), quando se esperava que o inquérito interno da polícia, sobre as reais motivações que levaram vários agentes da esquadra lisboeta das Olaias a violentar vários jovens da JCP, sob o pretexto de que eles tinham pintado umas letras num muro, avançasse com rapidez, nada disso acontece. O inquérito está estagnado! Recorde-se que esses agentes acharam adequado obrigar a despir integralmente os jovens, ou antes, apenas as raparigas (menores de idade), para as revistar. Recorde-se ainda que esses jovens se limitaram a exercer o direito de, livremente, pintar um mural com propaganda política.

Ao mesmo tempo que o inquérito interno à actuação dos polícias se arrasta, impelidos pelo espírito de corporação, alimentado certamente pela antiga e abjecta “filosofia de caserna”, os abusadores insistem no abuso. Ressabiados pela queixa dos jovens e do enxovalho público que a queixa provocou, resolveram vingar-se, não só continuando a perseguir as vítimas, como estendendo a perseguição e devassa às suas famílias, nomeadamente no caso em que a mãe de uma das menores tem a sua vida privada investigada no sentido de se saber se tem “condições para educar e criar a filha”... tal a gravidade do “crime” por esta cometido com a pintura da parede.

Pode dizer-se que o chefe da polícia local é um fascista; pode argumentar-se que uma boa parte dos seus agentes não passa de um bando de bestas acéfalas; pode-se imaginar que naquela esquadra e para aqueles agentes, ter duas menores nuas à sua frente, por pura diversão, é apenas um tique de “macho dominador”; o que não se pode é assistir ao silêncio cúmplice de toda a corporação policial! Penso particularmente nos milhares de polícias que, não poucas vezes, têm sido apoiados nas suas reivindicações e protestos, exactamente pelo partido a que pertencem os jovens violentados pelos seus colegas.

Sendo assim, mesmo consciente da quase inutilidade destas posições e atitudes individuais, daqui para a frente, ou até que se conheça uma clara condenação e demarcação desta acção nojenta por parte da “outra polícia”... que era suposto existir, ninguém mais contará comigo para um acto ou sequer uma palavra de solidariedade para com a polícia e seus agentes, seja lá o que for que lhes aconteça.

Acordem!

NÃO É O ÚNICO POR AQUELAS BANDAS


Uma coisa que muitos sabem mas que ninguém conta

Incómodo, demasiado incómodo o relatório elaborado pelo ex-magistrado suíço e actualmente membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Dick Marty, tornado público ontem em Paris.
Segundo esse relatório o exército de "libertação" do Kosovo, UCK, mantinha prisioneiros sérvios em quintas, em fábricas vazias do Kosovo e Albânia ou em casas isoladas e depois de os tratar bem, de os deixar dormir, de lhes dar de comer e deixar descansar, quando os médicos de certas clínicas estivessem preparados e o negócio apalavrado, transportava-os para o centro da Albânia e dava-lhes um tiro na cabeça. De imediato, os cadáveres eram despojados dos rins e vendidos no estrangeiro.
O relatório implica um dos cabecilhas do UCK, Hashim Thaci, eleito no Domingo passado primeiro-ministro do Kosovo. Hashim Thaci era um dos dirigentes do denominado "grupo de Drenica" e participou activamente nesse tráfico de órgãos. "Thaci era considerado pelos serviços secretos de vários países como o mais perigoso dos padrinhos do submundo kosovar", relata Dick Marty.
Durante a sua permanência no Kosovo, Marty entrevistou dezenas de testemunhos directamente implicados: soldados, vítimas de actos violentos, familiares de desaparecidos ou mortos, representantes de instituições judiciais internacionais, juízes kosovares, policias e membros da Cruz Vermelha. "Em muitos deles vi o medo nos olhos".
O relatório denuncia também a impunidade de que gozam os autores de todas estas práticas, produto da lei do silêncio que impera no Kosovo e da pouca vontade política internacional para que se julguem os culpados, já que as grandes potências conheciam a existência destas atrocidades.
O que Marty não sabe é que esses países fechavam e continuam a fechar os olhos, em prol da "democracia e da liberdade", não é?
Marty disse ainda: "As provas estão lá, só é preciso ir buscá-las. Pela nossa parte julgo que cumprimos, trazendo os factos à luz do dia."
Aqui é que eu penso que Dick Marty pode esperar sentado, é que essa boa gente dorme descansada, apesar do sangue que também lhes tinge as mãos...
(em salvoconduto.blogspots.sapo)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CONTO DE NATAL - MARIA E JOSÉ EM 2010



James Petras

Os tempos eram duros para José e Maria. A bolha imobiliária explodira. O desemprego aumentava entre trabalhadores da construção civil. Não havia trabalho, nem mesmo para um carpinteiro qualificado.
Os colonatos ainda estavam a ser construídos, financiados principalmente pelo dinheiro judeu da América, contribuições de especuladores de Wall Street e donos de antros de jogo.
"Bem", pensou José, "temos algumas ovelhas e oliveiras e Maria cria galinhas". Mas José preocupava-se, "queijo e azeitonas não chegam para alimentar um rapaz em crescimento. Maria vai dar à luz o nosso filho um dia destes". Os seus sonhos profetizavam um rapaz robusto a trabalhar ao seu lado… multiplicando pães e peixes.
Os colonos desprezavam José. Este raramente ia à sinagoga, e nas festividades chegava tarde para fugir à dízima. A sua modesta casa estava situada numa ravina próxima, com água duma ribeira que corria o ano inteiro. Era mesmo um local de eleição para a expansão dos colonatos. Por isso quando José se atrasou no pagamento do imposto predial, os colonos apropriaram-se da casa dele, despejaram José e Maria à força e ofereceram-lhes bilhetes só de ida para Jerusalém.
José, nascido e criado naquelas colinas áridas, resistiu e feriu uns tantos colonos com os seus punhos calejados pelo trabalho. Mas acabou abatido sobre a sua cama nupcial, debaixo da oliveira, num desespero total.
Maria, muito mais nova, sentia os movimentos do bebé. A sua hora estava a chegar.
"Temos que encontrar um abrigo, José, temos que sair daqui… não há tempo para vinganças", implorou.
José, que acreditava no "olho por olho" dos profetas do Antigo Testamento, concordou contrariado.
E foi assim que José vendeu as ovelhas, as galinhas e outros pertences a um vizinho árabe e comprou um burro e uma carroça. Carregou o colchão, algumas roupas, queijo, azeitonas e ovos e partiram para a Cidade Santa.
O trilho era pedregoso e cheio de buracos. Maria encolhia-se em cada sacudidela; receava que o bebé se ressentisse. Pior, estavam na estrada para os palestinos, com postos de controlo militares por toda a parte. Ninguém tinha avisado José que, enquanto judeu, podia ter-se metido por uma estrada lisa pavimentada – proibida aos árabes.
Na primeira barragem José viu uma longa fila de árabes à espera. Apontando para a mulher muito grávida, José perguntou aos palestinos, meio em árabe, meio em hebreu, se podiam continuar. Abriram uma clareira e o casal avançou.
Um jovem soldado apontou a espingarda e disse a Maria e a José para se apearem da carroça. José desceu e apontou para a barriga da mulher. O soldado deu meia volta e virou-se para os seus camaradas. "Este árabe velho engravida a rapariga que comprou por meia dúzia de ovelhas e agora quer passar".
José, vermelho de raiva, gritou num hebreu grosseiro, "Eu sou judeu. Mas ao contrário de vocês… respeito as mulheres grávidas".
O soldado empurrou José com a espingarda e mandou-o recuar: "És pior do que um árabe – és um velho judeu que violas raparigas árabes".
Maria, assustada com o caminho que as coisas estavam a tomar, virou-se para o marido e gritou, "Pára, José, ou ele dispara e o nosso bebé vai nascer órfão".
Com grande dificuldade, Maria desceu da carroça. Apareceu um oficial do posto da guarda, a chamar por uma colega, "Oh Judi, apalpa-a por baixo do vestido, ela pode ter bombas escondidas".
"Que se passa? Já não gostas de ser tu a apalpá-las?" respondeu Judith num hebreu com sotaque de Brooklyn. Enquanto os soldados discutiam, Maria apoiou-se no ombro de José. Por fim, os soldados chegaram a um acordo. "Levanta o vestido e o que tens por baixo", ordenou Judith. Maria ficou branca de vergonha. José olhava para a espingarda desmoralizado. Os soldados riam-se e apontavam para os peitos inchados de Maria, gracejando sobre um terrorista ainda não nascido com mãos árabes e cérebro judeu. José e Maria continuaram a caminho da Cidade Santa. Foram frequentes vezes detidos nos postos de controlo durante a caminhada. Sofriam sempre mais um atraso, mais indignidades e mais insultos gratuitos proferidos por sefarditas e asquenazes, homens e mulheres, leigos e religiosos – todos soldados do povo Eleito.
Já era quase noite quando Maria e José chegaram finalmente ao Muro. Os portões já estavam fechados. Maria chorava em pânico, "José, sinto que o bebé está a chegar. Por favor, arranja qualquer coisa depressa".
José entrou em pânico. Viu as luzes duma pequena aldeia ali ao pé e, deixando Maria na carroça, correu para a casa mais próxima e bateu à porta com força. Uma mulher palestina entreabriu a porta e espreitou para a cara escura e agitada de José. "Quem és tu? O que é que queres?"
"Sou José, carpinteiro das colinas do Hebron. A minha mulher está quase a dar à luz e preciso de um abrigo para proteger Maria e o bebé". Apontando para Maria na carroça do burro, José implorava na sua estranha mistura de hebreu e árabe.
"Bem, falas como um judeu mas pareces mesmo um árabe", disse a mulher palestina a rir enquanto o acompanhava até à carroça.
A cara de Maria estava contorcida de dores e de medo; as contracções estavam a ser mais frequentes e intensas.
A mulher disse a José que levasse a carroça de volta para um estábulo onde se guardavam as ovelhas e as galinhas. Logo que entraram, Maria gritou de dor e a palestina, a que entretanto se juntara uma parteira vizinha, ajudou rapidamente a jovem mãe a deitar-se numa cama de palha.
E assim nasceu a criança, enquanto José assistia cheio de temor.
Aconteceu que passavam por ali alguns pastores, que regressavam do campo, e ouviram uma mistura de choro de bebé e de gritos de alegria e se apressaram a ir até ao estábulo levando as suas espingardas e leite fresco de cabra, sem saber se iam encontrar amigos ou inimigos, judeus ou árabes. Quando entraram no estábulo e depararam com a mãe e o menino, puseram de lado as armas e ofereceram o leite a Maria que lhes agradeceu tanto em hebreu como em árabe.
E os pastores ficaram estupefactos e pensaram: Quem seria aquela gente estranha, um pobre casal judeu, que chegara em paz com uma carroça com inscrições árabes?
As novas espalharam-se rapidamente sobre o estranho nascimento duma criança judia mesmo junto ao Muro, num estábulo palestino. Apareceram muitos vizinhos que contemplavam Maria, o menino e José.
Entretanto, soldados israelenses, equipados com óculos de visão nocturna, reportaram das suas torres de vigia que cobriam a vizinhança palestina: "Os árabes estão a reunir-se mesmo junto ao Muro, num estábulo, à luz das velas".
Abriram-se os portões por baixo das torres de vigia e de lá saíram camiões blindados com luzes brilhantes, seguidos por soldados armados até aos dentes que cercaram o estábulo, os aldeões reunidos e a casa da mulher palestina. Um altifalante disparou, "Saiam cá para fora com as mãos no ar ou disparamos". Saíram todos do estábulo, juntamente com José, que deu um passo em frente de braços virados para o céu e falou, "A minha mulher Maria não pode obedecer às vossas ordens. Está a amamentar o menino Jesus".

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

domingo, 19 de dezembro de 2010

Joanna Newsom - Good Intentions Paving Company

OUTRORA UM JORNAL, O NOSSO JORNAL

O Jornal de Notícias tem-se vindo a transformar numa caricatura de jornal sério. Houve um tempo em que se lia com agrado Sérgio Andrade, César Principe, Fina d`Armada, Rui Osório e tantos outros. Milhares de leitores nele se informaram e formaram. Hoje o Jornal virou folha ao serviço de uma ControlInveste qualquer. Nele domina um Leite Pereira qualquer, que julgando-se muito inteligente, debita em editoriais a bajulação aos vários poderes que serve.
O último artigo de opinião não podia ser mais significativo do seu “lácteo” director. Descobriu o senhor Pereira que os candidatos ás eleições presidenciais não “têm garra para motivar o eleitorado” , um “golpe de asa mobilizador”, ideias que não sejam um “deserto”. É sempre delicioso ouvir alguém que não arrisca uma ideia própria dizer dos outros aquilo que nele é evidente. Um deserto de ideias. O Senhor Pereira, de cátedra, declara solenemente que o “candidato partidário” (Francisco Lopes) melhor “faria em desistir depois de convenientemente aproveitados os debates e tempos de antena, porque não conseguirá igualar o que o partido já conseguiu em votos e ficará até muito aquém”.
Cavaco é o candidato do Senhor Pereira. “Só” ele “poderia dar uma explicação satisfatória sobre o que se passará num futuro próximo”. Talvez por não ser “candidato partidário”, nem ser candidato “estranho ao sistema”, ou “á margem do seu partido” ou “ter um discurso conhecido”, como são os outros. Cavaco tem ideias, julga o Senhor Pereira. Uma das ideias que ele terá (aqui no condicional) será a vontade de “demitir o Governo para convocar eleições legislativas”. Mas aqui o Senhor Pereira também tem dúvidas. Será que “umas eleições legislativas mudarão alguma coisa? “.
Imaginemos o que seria a politica portuguesa sem a contribuição do Senhor Leite Pereira, com as suas previsões, as suas reflexões, as suas dúvidas. Um deserto. Mas felizmente há sempre quem o preencha.
No JN predomina um comentário politico que em Pereira bebe as referências. Numa rubrica intitulada Quem Venceu? , o seu cronista Carlos Abreu Amorim diverte-nos com a sua análise sobre os debates. O seu anticomunismo, tão antigo como a idade das muralhas fernandinas, conduz sempre para o lado certo. É uma questão de miopia. No último descobriu em Francisco Lopes uma nuance: “o apelo aos votos da Esquerda que à partida estaria com Alegre. Parecia um deputado do BE”. Estivessemos muma aula de grego e certamente percebiamos melhor.
O actual JN está mesmo com excesso de “ideias”. O Senhor Pereira e mais uma cambada de amigos não quererão ir dar uma volta?

Cristiano Ribeiro

Adição ao Post (27 de Dezembro) - Hoje no JN Carlos Abreu Amorim refere que Cavaco perdeu os 2 debates que tinha tido (!): com Defensor de Moura e com Fernando Nobre. Esqueceu-se o cronista do debate com Francisco Lopes. Ou de facto não o viu tendo comentado assim de forma cega ou tendo o visto não o quer recordar...Percebemos. Mas que idoniedade tem esta personagem da direita radical?

UM GRANDE "BANHO" ELEITORAL




(Celso Ferreira e Joaquim Mota, os grandes derrotados)

Eleições Cooperativa A Lord: vitória esmagadora da lista A

Nas eleições mais concorridas de sempre da instituição, a lista A, liderada por Francisco Leal, foi a grande vencedora com 566 votos. A lista B obteve 209 votos. Uma diferença esmagadora que expressou a vontade dos sócios manterem a quase totalidade dos actuais membros dos órgãos sociais.Foi um acto eleitoral pautado por atrasos e trocas de insultos entre os apoiantes das listas concorrentes, a que não é alheio o facto de ter havido um grande número de votos por procuração ou correspondência, ao ponto de só perto das 17h os sócios que escolherem ir votar directamente terem começado a exercer o seu direito de voto. As urnas fecharam cerca das 22h.

Os grandes derrotados desta noite são Celso Ferreira, edil da Câmara de Paredes, e Joaquim Mota, presidente da Junta de Freguesia de Lordelo ,que apoiaram publicamente a lista B num jantar de apoio realizado pela equipa liderada por José António Couto, há poucos dias num restaurante da cidade de Lordelo.De lembrar que esta foi a segunda tentativa frustrada de Celso Ferreira e Joaquim Mota conseguirem controlar a Cooperativa de Electrificação A Lord.

sábado, 18 de dezembro de 2010

UM DEBATE ESCLARECEDOR




Acabo de assistir ao debate dos Candidatos Presidenciais Manuel Alegre e Francisco Lopes. Cumpriu-se o esperado. Alegre refugiou-se na retórica de um diagnóstico que identifica as consequências, verte algumas lágrimas de crocodilo pelo neoliberalismo mas se afasta do percurso, procurando apagar a interpretação das causas. Mas Alegre evolui. Alegre é (agora) contra Maastricht, contra as politicas europeias na agricultura e pescas, contra os garrotes ( “o acosso”) de entidades privadas não eleitas, contra as orientações de Merckel. Mas fica por aqui. Não toca em Barroso, na Comissão Europeia, no Banco Central Europeu, não se vá dar a necessidade de chegar a Sócrates (não o filósofo).
Francisco Lopes identifica claramente as causas, o rumo, os interesses, chegando á sacrosanta União Europeia. O discurso é límpido e global. Não deixa espaços na penumbra, antes ilumina toda a rede de práticas politicas que nos conduziram ao desastre. Cavaco é referenciado como um interventor errado, um protagonista insuficiente e incoerente, um vazio inconsequente.
Alegre transporta as contradições de uma prática anterior não conforme com o discurso actual, de apoios simétricos que se anulam em objectivos e soluções, de uma impotência politica que é traço e perspectiva. Alegre reconhece a coerência do PCP e a sua capacidade de nunca estar do lado errado da barricada. Isso é muito mais importante do que ver nas iniciativas de campanha de Alegre líderes do Bloco e do PS a anunciar juras de identificação com o candidatura.
Francisco Lopes tocou bem na ferida, quando concluiu que o candidato Alegre, tão preocupado em mobilizar o eleitorado do PCP, estaria ele sim bem colocado para mobilizar os que se identificam com as politicas governativas.

A FRASE DO DEBATE: «Manuel Alegre está em melhores condições para mobilizar os que apoiam o Governo; eu estou em melhores condições para mobilizar todos os que são contra o Governo» (FRANCISCO LOPES)

CRISTIANO RIBEIRO

Black Sabbath Ozzfest 2005-Children Of The Grave



CHILDREN OF THE GRAVE

Revolution in their minds - the children start to march
Against the world in which they have to live
And all the hate thats in their hearts
Theyre tired of being pushed around
And told just what to do
Theyll fight the world until theyve won
And love comes flowing through

Children of tomorrow live in the tears that fall today
Will the sun rise up tomorrow bringing peace in any way?
Must the world live in the shadow of atomic fear?
Can they win the fight for peace or will they disappear?

So you children of the world,
Listen to what I say
If you want a better place to live in
Spread the words today
Show the world that love is still alive
You must be brave
Or you children of today are
Children of the grave, yeah!

poesias

POEMA DO DESEJO
(a propósito de uma cara linda, a comer uma maçã...)

Quando uma maçã
rosada e nutrida
não é comida
fica a dúvida
que razões haverá.
Será que o apetite fugiu
o dente nos traiu
o bicho nos precedeu
o excesso nos enjoou
porque será?
Parece gula
tanto ansiar
mas pecado é
poder a maçã
rosada e nutrida
intacta ficar!
Cristiano Ribeiro

CRÓNICA DE UMA ESTADIA EM MADRID
(Carlos, o inesperado voyeur de um WC feminino)

Chegado á estação de serviço
naquele princípio de tarde
Carlos sentiu imperioso
sinal de uma enorme vontade
e pronto se deslocou
para o local da verdade.

Talvez por ser urgente
talvez por ser Espanha
(a razão pouco importa)
mas ele enganou-se na porta.

Estava Paloma Blanca
aristocrata e velha senhora
ao espelho, compondo aparência
para se pensar mais sedutora.
Eis quando viu o nosso Carlos
sacudindo o real membro
orgão que a sua memória
já se ia esquecendo.

Carlos saiu tranquilo
absorto deste erro imperdoável
Deixando Paloma Blanca
num estado lamentável,
um arfar inigualável
quiçá esperando de Carlos uma decidida acção
ou talvez uma saudosa recordação.
Entretanto Carlos, distraído,
já só ligava a ignição

Moral da história:
Em Espanha nem tudo é real. Perturba por vezes mais um recuerdo virtual
Cristiano Ribeiro

PRENDA DE NATAL
Neste Natal, eu queria uma prendinha:
Que Jesus regressassse a este templo
E tornasse a expulsar, como convinha,
Os sacerdotes do ardil e da mentira:
O do cifrão, o vendilhão, o «democrata»,
E o avençado que é o opinion leader.

E lhes lembrasse que a um rico é mais difícil
- a um rico e ao serviçal social-democrata –
no tal reino celestial poder entrar
(de fatinho às riscas e gravata)
do que p’lo furo de uma agulha ver passar
um camelo, nem que seja por bravata.
José António Gomes

A HISTÓRIA DA MORAL
Você tem-me cavalgado
Seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo,
outra quem está a montá-lo.
Alexandre O’Neill

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

RESPOSTA EXEMPLAR

DUAS CARTAS

Um amigo fez-me chegar esta notícia que partilho convosco.O cantor espanhol Alexandro Sanz escreveu a Hugo Chávez a seguinte carta:
~
«Presidente Chávez, quero ir cantar ao seu país. Permite-me? Dá-me a sua palavra de que não acontecerá nada ao meu público, nem à minha gente, nem à empresa, nem a mim? Se me permitir e me der a sua palavra, encerro esta ciclo de espectáculos na Venezuela. A palavra é sua».

À provocação miserável e estúpida Chávez respondeu:

(...)«Por que razão não te perguntas por que é que a Venezuela é atacada é atacada com artilharia pesada pelas potências ocidentais? Será porque estás feito com eles e te fazes distraído?Informa-te, meu amigo, e pergunta-te por que é que a Colômbia é considerada uma das nações onde existe mais desigualdade, por culpa de governos que só mandam para uns poucos e as riquezas são distribuídas para uns privilegiados, enquanto a Venezuela é reconhecida como o primeiro país da região a reduzir a pobreza de maneira drástica, com o governo de Chávez Frias...Nunca reparaste que desde que o nosso país virou à esquerda, automaticamente começaram a unir-se a maioria dos povos da América Latina, num claro sinal da vontade dos povos? Pedes autorização para vir cantar? Não tens vergonha de o fazer em relação a um país democrático onde qualquer pessoa pode dizer o que lhe apetece e não como te dizem? Sabes?, a maioria dos latino-americanos que levantaram a sua voz e o seu canto como protesto pela injustiças que os seus povos sofriam por culpa da ditaduras assassinas de direita, nunca pediram autorização para arriscar as suas vidas em nome dos injustiçados...

Alguma vez escutaste a prosa convertida em canção de Atahualpa Yupankui? - sim, aquele a quem chamavam o pai da canção latino-americana... e que, perseguido pela ditadura fascista argentina, teve que exilar-se em França? (...) Nunca te falaram de Victor Jara a quem a ditadura chilena de Pinochet cortou as mãos para que nunca mais tocasse a sua guitarra?...E Mercedes Sosa, «a negra do Sul» como lhe chamavam os povos latino-americanos? Se não a conheceste, vai ao Youtube e ouve-a a cantar «Solo le pido a Dios», e depois me contas...(...) Leste alguma vez Mario Benedetti, que nos dizia que «o sul também existe», tal como o seu compatriota Alfredo Zutarrossa, o do 'Violin de Becho»?..(...) E León Gieco, a quem um general apontou uma pistola e lhe disse: "a próxima vez que vieres à universidade de Luján cantar essa canção, meto-te uma bala na cabeça"? (...) Se até o tango Cambalache foi proibido pela ditadura argenteina! E O NOSSO INIGUALÁVEL ALÍ PRIMERA TODA A VIDA EXCLUÍDO DOS MEIOS VENEZUELANOS!

(...) Canta sobre os esquecidos do Haiti, os milhares e milhares de mortos do Iraque e do Afeganistão, sobre a fome na África, a desnutrição na América pobre, a desigualdade abismal entre ricos e pobres, as mulheres assassinadas na cidade Juárez, os meninos obrigados a trabalhar, roubando-se-lhes aquilo por que mais vale a pena viver: "a sua meninice".

Informa-te, escreve, não venhas só cantar... e fazer um show mediático, sê honesto, não enganes os teus admiradores. Percorre as localidades onde os povos clamam por igualdade, as favelas dos sem-abrigo... os 40 milhões de pobres dos EUA, hoje convertidos em 50 milhões de excluídos...E depois diz-me se ainda te apetece criticar Chávez...»

(in cravodeabril.blogspot.com)

Sebastiao Salgado

GRÉCIA - O LABORATÓRIO SOCIAL









No dia 15 de Dezembro verificou-se a 14ª greve geral no espaço de um ano (desde 17/Dez/2009) contra as bárbaras medidas anti-povo do governo social-democrata, com o apoio da UE e do FMI.
A mobilização nesta greve de 24 horas, convocada pela Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), abrangeu todas as esferas da vida económica e social do país: Produção suspensa nas fábricas, transportes públicos parados, aeroportos e portos que cessaram de funcionar, escolas e universidades fechadas e hospitais a trabalharem só nas emergências.
Milhares de comunistas, membros do KKE e da KNE, juntamente com outros militantes, estavam na linhas de piquete desde o amanhecer de 15 de Dezembro a defenderem a greve nos portões das fábricas, nas rampas dos navios e em todo o local de trabalho onde fosse necessário.
Em 15/Dez o PAME organizou manifestações em 63 cidades, nas quais participou a grande maioria dos trabalhadores grevistas, mostrando deste modo que cada vez mais trabalhadores estão a virar as costas às lideranças sindicais comprometidas das federações no sector público e privado (GSEE e ADEDY), as quais participaram tanto abertamente como em segredo nos diálogos sociais que decidiram estas medidas selvagens contra os trabalhadores.

Deve-se notar que nas vésperas da greve a maioria governamental aprovou no Parlamento legislação que aboliu acordos de negociação colectiva, cortou salários, aumentou a tributação indirecta para os estratos populares e reduziu a tributação sobre o grande capital. Especificamente a legislação estabelece:

A redução geral de salários (de 10 a 25%) de trabalhadores nas antigas indústrias estatais e nas companhias de serviços públicos

Abolição de acordos de negociação colectiva a nível de indústria no sector privado e sua substituição por "acordos especiais a nível de companhia", sem quaisquer restrições e com cortes nos salários acima de 30 e 40%

Generalização de demissões, todas as formas de relações de trabalho flexíveis (emprego em tempo parcial, emprego por rotação, despedimentos colectivos temporários, etc), mudanças drásticas em turnos, férias, licenças, bónus ficarão ao arbítrio do patronato.

A redução de horas extras em 10%

O período de experiência para um novo empregado será aumentado de 2 meses para 12 meses, de modo a que os empregadores possam empregar trabalho barato através desta forma de "reciclagem"

O aviso prévio para demissão é reduzido a um mês

Alívio fiscal maciço para o capital

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

era um redondo embuste


Foi sem surpresa, não isenta de alguma mágoa, que soube que o actual Presidente da Câmara do Redondo era membro da Comissão de Honra da Candidatura de Cavaco Silva. Ele lidera os destinos da Câmara da Vila Alentejana desde 83, até 2005 em listas CDU e depois de ruptura com o PCP, em listas ditas “independentes”.
Alfredo Barroso, como muitos que se perpetuaram no poder autárquico, sem controlo ou capacidade de auto-crítica, decidiu servir-se desse poder em nome de interesses individuais ou de grupo.
E num processo gradual de distanciamento de principios e orientações ideológicas colectivas, afirmou-se como detentor da verdade, único e mais qualificado responsável pela satisfação dos interesses dos Redondenses. Era um tempo em que militava numa patética Renovação Comunista, organização de desiludidos e de personalidades com fome de protagonismo pessoal.
Agora desemboca na Candidatura de Cavaco, de mão dada com toda a direita, num mergulho onde o oportunismo pessoal e de quem o acompanha só merecem (muita) pena e (todo)combate.
O Redondo, terra de cantares e de trabalho, não merece ter um Presidente da Câmara tão lamentável. Os tempos futuros certamente colocarão a gestão Barroso, o da fotografia, numa qualquer latrina.

Nathalie Cardone - Hasta Siempre

CONVOCATÓRIA - ACTIVIDADE INSTITUCIONAL

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal do Concelho de Paredes
21/12/2010
"Ordem do Dia"
1- Proposta de aumento do Capital Social da AMIPAREDES - Agência Municipal de Investimento de Paredes, E.M., S.A.;
2- Parque Empresarial de Paredes - Isenção de Taxas Municipais de Licenciamento e Emissão de Alvará;
3- Desafectação de várias parcelas de terreno que integram a Cidade Desportiva de Paredes;
4- CESPU - Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário, CRL (CESPU CRL) - Pedido de cancelamento de ónus de reversão a favor do Município de Paredes;
5- Trânsito na freguesia de Lordelo - Sinalização Vertical e Horizontal na Alameda S. Salvador e arruamento novo designado como K1 e sinalização vertical de estacionamento de 1 lugar para mobilidade reduzida na E.N. 209 frente ao edifício onde se situa a associação "Pegadas de Amor"

o barulho incómodo de WikiLeaks



Desenho de Carlos Latuff

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Herman José - José Esteves e Jorge Jesus

Bjork e Sigur Ros



Saeglopur do Álbum TAKK de Sigur Ros
aqui vídeo com Bjork

BEIRUTE 82

Bruno Carvalho
Blog 5 Dias

Do primeiro debate entre os candidatos presidenciais Francisco Lopes e Fernando Nobre, ficam expressões para a posterioridade. Como nos filmes épicos, há falas que não nos saem da cabeça. Fernando Nobre não teria direito a um papel no Casablanca mas estaria, certamente, no panteão da comédia.
Durante todo o programa, insistiu no carácter independente da sua candidatura. De uma forma arrogante, arremeteu contra tudo o que cheirasse a partidos e tentou mascarar a sua acção política com a sua biografia pessoal. Visivelmente nervoso, não conseguiu esconder o seu apoio a Durão Barroso e à candidatura do PSD à Câmara Municipal de Cascais e a sua simpatia por Mário Soares. Estava lá Francisco Lopes para o recordar.
Como estava lá Francisco Lopes para recordar a sua posição em relação ao Orçamento de Estado e ao Serviço Nacional de Saúde. Mas o que fica mesmo para a história são as respostas de Fernando Nobre. Acusando Francisco Lopes de nunca ter conhecido o sofrimento da guerra, a pobreza extrema e os desastres naturais, dançou entre a Madre Teresa de Calcutá e o Chuck Norris.
Começou com o ter criado dezenas de empregos através das suas organizações sociais chegando a perguntar quantos havia criado Francisco Lopes. Sobre o Serviço Nacional de Saúde assegurou que tinha autoridade para falar porque é médico. Depois vestiu-se de missionário e reivindicou ter abraçado crianças que lhe morreram nos braços. Mas, sem dúvida, uma das melhores foi quando disse: “Eu estive em Beirute em 1982″. Ainda todos esperávamos que despisse a camisola para mostrar as cicatrizes de guerra e a tatuagem Beirute 82 quando reclamou que também sofrera com a ditadura. Nascido numa “província ultramarina”, Fernando Nobre estava a estudar na Bélgica quando se deu a Revolução de Abril. Mas só entrou no País no Verão de 1975, com medo que algo lhe sucedesse por causa do serviço militar. Como só regressou quando começou o princípio do afogamento deste país, ninguém ficou a perceber se, afinal, sofreu com a ditadura ou se sofreu com a revolução.
Questões colaterais à parte, a fala da noite saiu da boca de Francisco Lopes no momento em que a Judite de Sousa não lhe deu o minuto a que tinha direito. Já ia a jornalista lançada para a conclusão do debate e consequentes despedidas quando Francisco Lopes interrompe: “E o meu minuto? Quero o meu minuto”. E porque quem luta sempre alcança, teve o seu minuto.

DIABETES - OS NÚMEROS

A Diabetes é uma doença crónica em larga expansão em todo o mundo. Segundo os numeros da “Internation Diabetes Federation” (IDF) existirão em 2010 cerca de 284 milhões de pessoas com diabetes prevendo-se para 2030 cerca de 438 milhões, o que representará um aumento de 54%.
Estes números apresentam, no entanto, variações regionais significativas. Na Europa, a prevalência de Diabetes deverá aumentar 20% até 2030 e mais de 94% no Médio Oriente e Norte de Àfrica. A índia é hoje a região do mundo com mais pessoasa com Diabetes – 50,7 milhões, seguida pela China com 43,1 milhões. Os maiores aumentos estão associados aos países em vias de desenvolvimento. De acordo com a mesma fonte 3,8 milhões de pessoas morrem todos os anos por Diabetes ou por causas com ela relacionadas.
O crescimento acentuado da prevalência de Diabetes é atribuído às rápidas mudanças sociais e culturais das últimas décadas com a adopção de estilos de vida de risco e ao envelhecimento populacional.
Em Portugal os números estimados para a prevalência da Diabetes apontavam em 1995 para 5,1%, em 2006 para 6,5% e em 2025 para 8%. Não existiam até agora números nacionais fidedignos, baseando-se as estatísticas oficiais em números extrapolados da Catalunha e num inquérito realizado em 2006 pelo instituto Nacional de Estatística com um valor de 6,5% obtido por auto-referenciação. Os números encontrados no primeiro estudo observacional realizado em Portugal Continental e Regiões Autónomas. O PREVADIAB, trouxeram á luz do dia o grande número de pessoas com Diabetes não diagnosticada , elevando a taxa de prevalência para 11,7% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos, em que 45% estão entre os 20 e os 59 anos. O estudo permitiu saber que 400.000 portugueses ignoram a sua situação e que 23,2% dos Portugueses sem Diabetes têm “Pré-Diabetes”.
Ou seja, cerca de 2 700 000 portugueses têm Diabetes ou “Pré-Diabetes”

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

VIRGINIA MOURA


VIRGINIA MOURA e LOBÃO VITAL


O LIVRO



(fotografia)

No AVANTE , de 23 de Abril de 1998

O último adeus a Virgínia Moura

Foi na terça-feira a enterrar Virgínia Moura, destacada militante do PCP, falecida no passado domingo no Porto. No seu funeral, ao qual aderiram milhares de pessoas, integrou-se Carlos Carvalhas, secretário-geral do PCP, que interveio para lembrar «o empenhamento de uma vida inteira na luta por um mundo melhor, as suas firmes convicções de comunista, a sua inteireza, o carinho e a fraternidade da sua relação com os outros».
Recordando a figura exemplar de Virgínia Moura, Carlos Carvalhas disse que a sua vida, daquela que foi a primeira mulher formada em engenharia civil no nosso país, «confunde-se com a longa e corajosa luta do nosso povo contra ditadura fascista, pela liberdade e pela democracia.
«A Vírginia Moura com o seu companheiro de uma vida António Lobão Vital foram extraordinários artífices de pequenas e grandes lutas pela liberdade, pacientes construtores da unidade anti-fascista, assuindo exemplarmente um quotidiano confronto, sem concessões com um regime opressor e ditadorial. Foram reconhecidamente dois dos mais destacados rostos legais do PCP. Constituíram uma referência política e moral fundamental para gerações de jovens, de trabalhadores e destacados intelectuais.
«Ela esteve sempre lá, onde se tratava de disputar palmo a palmo um pequeno espaço de liberdade que o fascimo negava.
«Presa dezasseis vezes, nove vezes processada e três vezes condenada, agredida inúmeras veses pela polícia política durante actos públicos de afirmação democrática, a vida de Virgínia Moura foi um constante confronto com o fascismo. Esteve nos combates do MUNAF, do MUD e do Movimento Nacional Democrático; nas batalhas políticas em torno das "presidenciais" com as candidaturas de Norton de Matos, de Ruy Luís Gomes, de Humberto Delgado; nos congressos da oposição democrática e nas campanhas políticas de massas desenvolvidas em torno das farsas eleitorias para a chamada Assembleia Nacional, em 1969 e 1973; nas pequenas e grandes lutas pela paz, pela solidariedade com os presos políticos e contra a repressão, pela melhoria das condições de vida do povo, pela libertação dos povos colonizados, pela igualdade e afirmação dos direitos das mulheres e da sua participação na vida política, pela criação das condições que conduziram ao derrubamento do fascismo e à Revolução de Abril, de que foi igualmente participante e obreira entusiástica e empenhada. E recordamos aqui a sua alegria, nas primeiras horas da libertação a seguir ao 25 de Abril, como também a sua presença e contribuição apaixonada nos combates pela defesa e construção da democracia, procurando sempre intervir até ao último sopro de vida, como deu ainda recentemente testemunho pela sua participação activa na luta contra o aborto clandestino, pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
«Por tudo isto e pelo seu modo espontâneo de se dar aos outros, o seu modo de compreender os outro, a sua modéstia feita de humanidade, de sabedoria de de convicções, a sua afabilidade que nela tão bem se harmonizava com a rijeza do granito do Porto, Virgínia, a "Senhora Engenheira" como por tantos era cariinhosamente tratada, foi uma figura querida, uma filha do povo que, por onde passava, deixava um rasto de acenos, de abraços, de palavras fraternas de um sem número de amigos. Reconhecimento e carinho que tantos mais uma vez lhe demonstraram há dias quando da sua presença em Aveiro nas comemorações do 25º aniversário do 3º Congresso da Oposição Democrática.
«Virgínia Moura era assim - de rosto voltado para o futuro. Não faltava quando era preciso, estava sempre lá.
«Comunista, revolucionária, cidadã esclarecida do nosso tempo que identificou a sua vida com a luta do povo e com as grandes causas da democracia, lega-nos o exemplo de quem soube permanecer fiel aos ideias da sua juventude e de quem soube identificar a sua vida com as grandes causas da emancipação social e política dos trabalhadores e da construção de uma democracia avançada.
«Creio interpretar o sentimento e a convicção dos que a conheceram e com ela lutaram ao dizer que, no momento de uma separação física que as leis da vida impõem, o testemunho e o exemplo de Virgínia Moura permanecerão na nossa memória e a inspirar a nossa acção».

Na ocasião usou ainda da palavra Raul Castro, dirigente da Intervenção Democrática, um amigo de toda a vida de Virgínia de Moura.

Uma vida de luta

Virgínia Moura nasceu em 19 de Julho de 1915 em S. Martinho do Conde, Guimarães. Data de 1933 a sua ligação ao PCP, tendo nesse ano participado na organização da secção portuguesa do Socorro Vermelho (Organização de Socorro aos Presos Políticos Portugueses e Espanhóis).
Primeira mulher portuguesa a obter o título de engenheira civil, foi-lhe negado o acesso à Função Pública, pois a ficha policial já então a assinalava como séria opositora da ditadura fascista. Cursou ainda Matemáticas e frequentou a Faculdade de Letras de Coimbra.
Desenvolveu uma intensa actividade cultural no Porto nos anos quarenta e cinquenta, tendo colaborado (sob o pseudómino de Maria Selma) em vários jornais e revistas, promovido a edição da revista «Sol Nascente» e diversas conferências com a participação de Teixeira de Pascoais, Maria Isabel Aboim Inglês e Maria Lamas.
A sua intensa, firme e corajosa actividade política contra o regime fascista levou-a a em 1949 à primeira prisão o que, até ao 25 de Abril, viria a repetir-se 15 vezes.
Ainda na clandestinidade, foi membro do Comité Central do Partido Comunista Português.

Depois do 25 de Abril e nas novas condições de liberdade, Virgínia Moura continuou a luta em defesa e consolidação do regime democrático, pelas transformações capazes de assegurar uma sociedade mais justa, por um Portugal de Abril rumo ao socialismo.
Virgínia Moura foi distinguida com a Ordem da Liberdade e recebeu a Medalha de Honra da Câmara Municipal do Porto e do Movimento Democrático de Mulheres.
Por ocasião do seu octagésimo aniversário, foi-lhe prestada, no Palácio de Cristal, uma expressiva homenagem, tendo sido então publicado, pelas Edições «Avante!», o livro «Virgínia Moura, Mulher de Abril - Álbum de memórias.

Verdi - Nabucco - Va Pensiero.



O Coro da Metropolitan Ópera House de Nova York interpreta Va Pensiero da Ópera Nabucco de Verdi, em 2002

MUSEU NACIONAL DE SOARES DOS REIS E AURÉLIA DE SOUSA

OBRAS DE AURÉLIA DE SOUSA







MUSEU NACIONAL DE SOARES DOS REIS, ANTIGO PALÁCIO DAS CARRANCAS,
RUA D. MANUEL II, PORTO



Biografia (1866-1922)

Maria Aurélia Martins de Sousa nasceu na cidade de Valparaíso, no Chile, filha de portugueses emigrados, a 13 de Junho de 1866. Com apenas três anos de idade veio para Portugal com a família, que se instalou no Porto, numa propriedade nas margens do rio Douro, a Quinta da China.

A sua aprendizagem artística inicia-se com as lições particulares de desenho e pintura de Caetano Moreira da Costa Lima. Tinha já 27 anos quando se matriculou na Academia Portuense de Belas-Artes, que frequentou entre 1893 e 1898. Em 1899 partiu para Paris suportada financeiramente pela família. Ali permaneceu cerca de três anos e frequentou os cursos de Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant na Academia Julien.

À semelhança do programa dos bolseiros do Estado, antes de regressar a Portugal, viajou por vários países europeus na companhia da irmã Sofia, também ela pintora, que se juntara a Aurélia em Paris.

Regressada ao Porto desenvolveu uma carreira reservada, algum tanto arredada dos meios artísticos da cidade, apesar da participação regular em exposições colectivas.
A sua produção artística assenta num conjunto reduzido de temáticas: as que preferiu e trabalhou ao longo de toda a carreira foram o retrato, a paisagem e as cenas intimistas do quotidiano doméstico. Os motivos para as suas pinturas, além do seu próprio rosto, procurava-os no universo familiar, fonte inesgotável de inspiração: as pessoas, os recantos da casa, os aspectos do jardim, os trechos de paisagem com o rio ao fundo.
É da autoria de Aurélia de Sousa uma das obras de referência da arte portuguesa na viragem dos dois séculos: o Auto-retrato da colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis realizado por volta de 1900.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sonic Youth - Sunday (Live)

O INCÓMODO DO VAZIO

A Revista Cx editada pela Caixa Geral de Depósitos, na sua edição Outubro /Dezembro de 2010 traz uma entrevista a Ernâni Lopes, o conhecido professor e economista , recentemente falecido. E esta circunstância infeliz fez-me ler a entrevista com particular interesse , tentando encontrar nela enriquecedoras razões e ideias substanciais que definissem um pensamento e, no caso, um percurso de vida que se esgotava.

Certamente por grande culpa da jornalista Maria João Alexandre, a entrevista envereda por um longo bocejo elogiativo, a que o entrevistado não soube (ou pode) fugir.

Os qualificativos dirigidos a Ernâni Lopes vão de um titular “Guru da Nação”, a “Consultor da Nação”, passando por “profeta”, “guru da economia nacional”. E continua ao longo de 6 páginas da referida revista em comentários dispersos que assinalam a sua “visão única”, a “conversa surpreendente”, um “fala(r) com frontalidade”, enfim próprio tudo de um “português com vistas largas, com fé (com maiúsculas)”.

Ernâni lá retribui os encómios com um apesar de tudo mais modesto “eu não sou de curta duração”, mas não deixa escapar que “quando eu falava nesse asssunto há 30 anos, as pessoas não percebiam”. Mas Maria João Pacheco , “fascinada”, não estava para águas mornas. Vejam lá que até descobriu que “lê-se a propósito de certos temas: Já dizia o Professor Ernâni Lopes” , a “energia de quem não tem nada a perder”, a “motivação nacional, algo profunda, altruísta, que o move”.

Mas perder tempo com estados de ânimo ou incapacidades jornalisticas não seria particularmente útil. Afinal o que pensava realmente Ernâni Lopes?

Há um seu lado mais consensual, com afirmações de que teria sido um professor “há uma eternidade,” (desde 1965, precisa), de que ensinar é dar-se, de que ser professor é a actividade mais nobre do ser humano, de que há muita gente boa em Portugal (sendo certo que nos interessam alguns bem maus) , de que houve um “facilitismo alastrante” no ensino e que se assistiu a “um vale tudo para enriquecer de qualquer maneira e depressa” . Também é claro que se afirma que Portugal é um País Atlântico, que a Lusofonia é que sim e que há ligações importantes do País aos EUA. Isto parece igualmente consensual.

Já o que há de verdadeiramente propositivo em Ernâni Lopes encontra-se no meio da selva dos adjectivos e bajulações. Ele defende para o futuro de Portugal e como força motora do presente 5 domínios:

1)Turismo
2)Ambiente
3)Serviços de valor acrescentado (seniores afluentes, educação, formação, relações internacionais, saúde
4)Economia do mar
5)Cidades e desenvolvimento


Nestes domínios, uma saliência para o Mar como designio nacional e “carácter identidário” e uma outra para as Cidades como produtoras de riqueza. Faltou tempo para desenvolver isto que é polémico. Mas sobretudo ficou o vazio das respostas que um bom jornalismo certamente faria:

Que importância teria a agricultura na correcção das assimetrias regionais? Que implicação teve a Moeda única? Que modelo de desenvolvimento no futuro? Onde param os milhões de subsidios europeus? Onde e como actuar na defesa dos interesses nacionais? Perguntas.

CRISTIANO RIBEIRO