um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mogwai - Rano Pano




Prometia um regresso às origens, mas o tema de avanço para o novo disco dos Mogwai (a sair apenas em Fevereiro de 2011) equilibra na perfeição o lado mais cru e ruidoso dos primórdios com um travo melódico delicioso, crescendo com as audições. Assim sendo, não é arriscado prever que “Hardcore will never die, but you will” (novamente um título delirante) seja mais um excelente disco da banda escocesa…

João Torgal, em Blog 5 dias. net

WIKILEAKS PÔ-LOS A NU!

TEXTO


A Memória Cala a Desgraça
18/11/2010 por Ivo Rafael Silva Adicionar imagem


Nos tempos que correm o termómetro da paciência para aturar Alegre e os alegristas já quase rebenta. Agora imagine-se o que não será quando a campanha presidencial começar ‘a sério’.

Entalado com dois apoios aparentemente antagónicos – PS e BE – anda o candidato por aí de forma estapafúrdia numa roda viva de posições políticas que na maior parte das vezes não são nem de um lado nem do outro, são desse seu repetitivo e trambiqueiro estágio do ‘nim’.

Apareceu recentemente de forma oportunista ao lado dos estudantes em protesto. Ele próprio, que foi um dos deputados responsáveis por esta política propineira e que defendeu, debaixo de um parolo europeísmo – essa espécie de tábua de salvação do obscurantismo nacional -, o desvairado ensino à bolonhesa. E não se deu ainda conta, desfasado que anda da realidade educativa sobretudo a nível superior, que esta ‘modernice’ à escala europeia não passa de um ‘produto’ educacional de metas completamente falaciosas, que tem o dom de conseguir desagradar a toda a gente, com excepção, é claro, aos pachorrentos, fastidiosos e ignorantes tecnocratas de Bruxelas.

E se agora aparece ao lado de um protesto de rua, amanhã, a pretexto da ‘atitude que deve ter um presidente da república’ – não esquecendo a postura de pesporrência que costuma pôr nestas suas transfigurações ocasionais - é bem capaz de ir cortejar os principais responsáveis políticos e educativos pela situação que levou e leva milhares de pessoas ao protesto e à indignação. Pede-se-lhe uma opinião e ele, com a sua ensaiada face de declamador de poesia a tempo inteiro – olhem que grande poeta que sou! -, atira ‘ao vento que passa’ generalidades e subterfúgios sobre o seu país.

Alegre é uma contradição insanável em si mesmo. Um político que quis agarrar-se com mais espectáculo que ideologia aos ventos esquerdistas que sopraram de Abril, e que depois de 1974 passou a vida a aprovar, promover e criar autênticas cacetadas legislativas nos direitos e liberdades da esmagadora maioria do povo português.

É um dos responsáveis MÁXIMOS pelo estado de degradação social do Estado. É, enquanto eterno alinhado de um pê-ésse subserviente e medroso, um dos mais proeminentes servidores de interesses corporativistas e do grande capital. É um dos responsáveis pelo nosso alinhamento perante a Alemanha e a França, os donos e senhores desta União Europeia que só funciona à base de um predomínio de grandes sobre pequenos, sendo uns e outros, desde sempre, os mesmos!

O que vai colocando no poder este e outros ‘alegres’ deste país não é sua especial capacidade política, muito menos a sua suposta inteligência. É no fundo a má memória que grassa na sociedade portuguesa. É ela a grande responsável pela sucessiva promoção política – sempre em progressão: hoje primeiro-ministro, amanhã presidente – daqueles que passaram anos a depauperar o Estado, as instituições democráticas e a própria Constituição que dizem agora – com desfaçatez pública e sem vergonha na cara – querer ‘cumprir e fazer cumprir’!

A memória cala a desgraça
A memória nada lhes diz”
Assim se constrói a couraça
Dos que enterraram este país!

(em adargumentandum.wordpress.com)

domingo, 28 de novembro de 2010

O CUBO- JOSÉ RODRIGUES






José Rodrigues nasceu em 21 de Outubro de 1936 em Luanda
Artista Plástico e Escultor, autor do CUBO (1976), na Praça da Ribeira, no Porto.
Igualmente presente nas fotografias a Fonte de S. João, com a imagem do Santo da autoria de João Cutileiro

Love - Trailer do filme "José e Pilar. Retrato de uma relação"

Work - Trailer do filme "José e Pilar. Retrato de uma relação"

LIVRARIA LELLO - PORTO







Gravidez & Aborto - Histórias da Santa Madre (II)




Novo paradigma de natalidade

por César Príncipe [*]

Gostaríamos de lançar, no Pla net da Informação, um concurso de ideias, tendo por objectivo aliviar as dores de parto da Pátria e contribuir para um porvir radioso para mães, pais e filhos.

Portugal, como diria Jorge Sampaio, não pode afundar-se em lamúrias e, na minha condição de agitador de águas paradas ou mornas, sinto o apelo do Portugal Profundo para que se perspective a hipótese de um debate, no pós-referendo, para dotar o país de instrumentos de Planeamento Demográfico. Não tem havido vontade política dos governos para proteger a maternidade e a paternidade, bem como os recém-nascidos, as crianças, os adolescentes, os jovens.

Urge acabar com os nascimentos sem a devida solicitude da Mãe Pátria que, por regra, abandona os mais carenciados à lei da selva: subsídios miseráveis ou nulos na infância e na idade escolar, assistência médica e medicamentosa crescentemente mais cara e comparticipada, discriminação de grávidas e mães no mercado de trabalho, colocação das mulheres na primeira linha do desemprego colectivo, restrições e perda de direitos a pretexto da modernização das Leis do Trabalho e da Segurança Social.
Esperemos que os cruzados do Não apresentem uma iniciativa parlamentar que corresponda à sua ofensiva moralista e pró-ventre tutti-frutti, em consonância com o desvelo do período eleitoral. Imbuído de um salutar gesto de cooperação com as instituições da República e as suas boas almas adiantar-me-ei, aqui e agora, a sugerir a criação, no organigrama governamental, de uma pasta inovadora: Ministério da Segurança Sexual. Acresce que até já existe um ex-ministro com apetência e currículo para o cargo: tem um arzinho de esperto da turma e uma voz de ralhete à Prefeito da Congregação. Entre os mencionáveis feitos, reduziu os direitos da maternidade. Dispõe, pois, de antecedentes para relançar a produtividade uterina lusa.
Para além do referido MSS, desde já, se propugna a implementação de uma rede de Lares de Primeira Idade (até aos 35 anos), centros de dia e de noite, vocacionados para acompanhar ou acolher indivíduos do sexo feminino dotados de pedigree. As mulheres à procura do primeiro emprego, as mulheres desempregadas ou as mulheres à procura de melhor emprego (independentemente do seu estado novo ou usado) preencherão o universo do Programa Natal é Quando o Governo Quiser. A meta é hercúlea mas alcançável: assim como o séc. XX foi marcado, em 1917, pelas Aparições da Virgem, o séc. XXI será marcado, em 2007, pelas Parições da Virgem. Está escrito nos astros e depreende-se dos púlpitos.

Cumprindo mais um dever de cidadania, apresentaremos, neste quadro de pré-discussão pública, dois dos finalistas de Os Grandes Portugueses, modelos do macho latino de elevado potencial. Para não ferir susceptibilidades competitivas, abster-nos-emos de eleger varões no activo. Estamos certos de que, tratando-se de egrégias personagens da História Nacional e da História da Santa Madre, concitarão um alargado consenso. De qualquer maneira, não desejamos substituir a livre escolha dos portugueses: os nomes não passam de mera sugestão, cujo mérito maior residirá na ultrapassagem do eterno tabu português, que persiste em manter os assuntos da procriação entre os segredos de Estado.

Primeiro Candidato a Modelo de Pai da Nação: prior de Trancoso (séc. XV). O Processo de Candidatura assenta nos autos arquivados na Torre do Tombo/Biblioteca Nacional, armário 5º, maço 7. O documento em depósito é assaz eloquente, dispensando-nos de qualquer esforço promocional deste garanhão transmontano:
Padre Francisco Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta & dois anos, será degredado de suas ordens & arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo & postos os quartos, cabeça & mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido & que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte & nove afilhadas & tendo delas noventa & sete filhas & trinta & sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhos; de nove comadres teve trinta & oito filhos & sete filhas; de sete amas teve vinte & nove filhos & cinco filhas; de duas escravas teve vinte & um filhos & sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas; da própria mãe teve dois filhos; tendo concebido em cinquenta & três mulheres. El-Rei Dom João II lhe perdoou a morte & o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487 & guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa & mais papéis que formaram o processo.

Segundo Candidato a Modelo de Pai da Nação: rei D. João V (1689-1750). O Processo de Candidatura tem por base narrativas e referências de múltiplas fontes. Nelas se alude às investidas do monarca, que reinou entre guerras e pompas, deixando, à altura do falecimento, os cofres de Estado depauperados, a tal ponto que não comportavam exéquias em conformidade com o seu estilo de vida. O soberano acometia, sem cerimónia, por alcovas profanas e conventuais. Os conventos foram, até finais do séc. XIX, reservas de caça para reis, nobres, burgueses, clérigos e poetas, funcionando como as casas de alterne da actualidade para as clientelas do futebol e industriais da construção civil e suas cronistas de sucesso. Entre as noivas do Senhor que lhe foram servidas, conta-se a madre Paula Teresa da Silva e Almeida (1718-1785), do Convento de Odivelas, um motel com primores do paraíso, então nos arredores de Lisboa. O Magnânimo – segundo a má-língua dos salões e das expedições venatórias – era tão religioso que todas as suas amantes eram freiras. Mas, em Odivelas, Sua Alteza Real cativou-se particularmente das prendas de Paula (desde os dezoito anos), apesar dela já ser presa de vários inseminadores do Reynno, a começar por D. Francisco de Portugal e Castro, conde de Vimioso e depois marquês de Valença, que não teve remédio senão ceder ao contrato proposto pelo Magnânimo: Deixa a Paula que eu te darei duas freiras. A prova de distinção traduziu-se na montagem de uma suite real no Convento, aparelhada com oratório e espelhos, arcas e bufetes, cortinas bordadas a ouro, santos de ouro maciço em relevos, banheira de prata maciça dourada por dentro e por fora, leito da moda, lencois de olanda mui boa e roupa de cheiro, como se exigia do Culto da Opulência e de um Trono de Amor. A peça mais majestática era uma cómoda-oratório, lacada e dourada, reaparecida em Lisboa, no Ano de 2004, onde foi rematada em leilão por um preço superior a 450.000 € (Leiria e Nascimento, 30/03). Madre Paula deu uma ninhada de filhos a João V mas apenas um foi contemplado com a graça de D. José, alçando-se a um dos três rebentos naturais ou informalmente reconhecidos pelo pai (José, Gaspar e António), que vieram somar-se a uma série de ilegítimos bastardos (merecendo nome Maria Rita de Bragança, parida por Luísa Clara de Portugal) e aos seis rebentos legitimados: Maria Braga de Bragança (1711-1758), rainha de Espanha, Pedro de Bragança (1712-1714), príncipe do Brasil, José I (1714-1777), rei de Portugal, Carlos de Bragança (1716-1736), Pedro III (1717-1786), rei de Portugal, Alexandre de Bragança (1723-1728). Os classificados de naturais vieram a ser cognominados meninos de Palhavã, pois foram recolhidos, aleitados e mimados pelos marqueses do Louriçal e suas amas, que ofereceram os préstimos de alcoviteiros no seu palácio (edifício onde actualmente se acha a Embaixada de Espanha), então postado nos subúrbios de Lisboa.
Os meninos de Palhavã viriam a ocupar funções proeminentes na máquina de Estado e na máquina da Igreja: D. José de Bragança (1720-1801) doutorou-se em Teologia e alcandorou-se a Inquisidor-Mor; D. Gaspar de Bragança (1716-1789), filho da freirinha Madalena Máxima, sagrou-se Arcebispo de Braga; D. António de Bragança (1714-1800), filho de freira francesa incógnita, doutorou-se em Teologia e elevou-se a Cavaleiro da Ordem de Cristo. D. José e D. António rebelaram-se contra a política iluminista do Marquês de Pombal, que os desterrou para os bons ares do Buçaco (1760). O exílio verde só terminou com a partida para o Além de D. José I.

Estão, portanto, a partir de agora, todos os portugueses com capacidade eleitoral minimamente habilitados para exercerem o indeclinável direito de pronúncia sobre a política de fertilidade da Raça Lusitana e etnias migratórias, caso o Não logre os seus intentos. A nossa pergunta é simples e directa: o prior de Trancoso e o rei D. João V serão ícones paradigmáticos e mobilizadores? O primeiro revelou-se um verdadeiro todo-o-terreno fértil e o segundo, de resto, não só muy empernou por mosteiros e palácios como levantou do chão o Real Convento de Mafra, o maior monumento nacional à fertilidade, pela pródiga quantia de 120 milhões de cruzados. Parece-nos que, entre tantos varões assinalados, cumprem os requisitos filogenéticos, superando um dos dilemas da modernidade nacional e mundial, que tem optado pelo prazer em detrimento da reprodução. Quer o prior quer o rei apontam a saída ao fundo do túnel vaginal: copular desalmadamente e parir ininterruptamente. Todos sabemos, porém, que os custos dos nossos dias não se compadecem com proles incontroladas. Obviamente. Daí a premência de um Plano Demográfico com pénis e cabeça. Qualquer um pode ascender a filho do prior ou bastardo do rei. Daí o apelo a todos os portugueses e portuguesas com sentimentos pios: todos ao molho e seja o que Deus quiser. No fim, alguém há-de cuidar de tanta fecundação ou dos rebanhos do Senhor. Para isso, forcemos o poder a ter engenho e arte. A criação do Ministério da Segurança Sexual deve absorver todas as competências e meios dos Ministérios da Segurança Social, da Saúde e da Educação. O Estado terá, neste enquadramento legislativo e regulamentar, de direccionar, entre muitas outras, as receitas da Roda da Santa Casa para a Roda da Santa Causa. As imagens reais ou imaginárias do prior de Trancoso e do rei D. João V devem decorar as paredes das escolas e das fábricas, das discotecas e dos estabelecimentos hoteleiros, sucedendo às de Salazar e do Crucifixo.

No entanto e após esta angélica e inventiva proposta – confesso – não consigo dissipar uma tremenda dúvida ou uma iminente ameaça: domingo, dia 11, se o Sim convencer e vencer, haverá três vencedores: a Mulher, a Humanidade, a Civilização; domingo, dia 11, se o Não convencer e vencer, só haverá um vencedor: o negócio do aborto clandestino.

[*] Escritor, jornalista
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ de 8 de Fevereiro de 2007

sábado, 27 de novembro de 2010

ACTIVIDADE INSTITUCIONAL

Resumo de uma Assembleia Municipal

Nessa sexta feira 26 de Novembro decorreu pelas 21 horas uma sessão ordinária da Assembleia Municipal de Paredes no Centro Escolar de Gandra. A realização em tão inusual e desadequado local de reunião surpreenderá muitos, mas não deixa de ser uma acrobacia politico-geográfica do PSD, que assim procura promover o polémico projecto da Carta Educativa. Quer tenha sido ideia de Granja da Fonseca ou imposição de Celso Ferreira, a bizarra realização da AM em Gandra provocou um aumento de despesas com ajudas de deslocação o que é contraditório em tempos de crise e restrição. E salientaremos a sorte de não ter avançado o projecto do mastro em Lordelo, o que poderia, a existir, e com tais propósitos, proporcionar uma sessão invernal ao ar livre... em torno do mastro.

Dissequemos alguns dos documentos propostos á Assembleia.

Comecemos pelo Relatório de Actividades, de 11 de Setembro a 12 de Novembro. Na parte elaborada pelo Pelouro do Desenvolvimento Municipal, temos a referência na pág 4 á "montagem de palco" em Aguiar de Sousa e Bitarães, sem que se indique para quê ou ao serviço de quem. Na pág.5 refere que em Lordelo procedeu-se a umas enigmaticas "mudanças no CTIM". Mas em Diversos, pág 6, fora da caracterização por freguesias, aparece um diferente "montar e desmontar palco e módulos em várias freguesias", que deve ser uma "montagem" diferente, pena não se saber quais as freguesias. Mas na página 6 está um "Transporte a Lisboa", não se sabe de quê, de quem, como, etc.

Mas claramente indevida num relatório de actividades, na pág. 9 , o Pelouro da Cultura surpreende-nos com uma frase bombástica, estilo o Benfica vai ser campeão!: "Actualmente o Encontr'Artes está consolidado como a maior manifestação cultural desta área geográfica". O Pelouro da Cultura assinalou e bem a Comemoração do Centenário da República com o Paredes da República. Mas o Encontr’Artes não chega aos “calcanhares” das actividades do Museu de Penafiel ou do seu Parque de Exposições.

Mas outros pelouros (Pelouro do Ambiente e Oficinas, Feiras e Protecção Civil) carreiam informação importante para a AM: "remoção de ervas daninhas da Rotunda Sá Carneiro e do Parque José Guilherme, do separador da Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro em Rebordosa, do talude do Parque do Rio Ferreira em Lordelo." Veja-se a criatividade, a organização, a motivação da gestão PSD de Paredes. É um verdadeiro traço distintivo. A remoção de ervas daninhas. Abençoados!

Com a actividade do Pelouro dos Serviços Gerais (pág.62) acaba o Relatório de Actividades da Câmara. Importante referir "Organização de Serviços" e "Coordenação de Pessoal", não fossemos pensar não haver essa actividade, "Reparação da Bandeira Nacional do Municipio", "Limpeza do Museu Municipal" que está fechado, "Apoio á actividade de vindimas dos parques verdes do concelho para a confecção do almoço" (!), "Limpeza das casas de banho públicas na Feira e Praça José Guilherme nomeadamente á falta de pessoal"(!!)

Faltou falar do lançamento de uma nova Feira Tecnológica, a venda de telemóveis ao ar livre junto da Câmara. Um caso de “integração”... sem comentários.
Por toda a Assembleia onde se aprovou o Plano e Orçamento do próximo ano, circularam alguns fantasmas, como a Carta Educativa, a Veolia, A Cidade Inteligente. E uma realidade: a crise social e as capacidades de investimento.

Cristiano Ribeiro

Kalyi Jag - Mori Shej, Sabina




















More Shej Sabina dos ciganos húngaros Kalyi Jag. Pode-se ouvir em álbum HUNGARIAN GYPSIES The Rough Guide to the music of

Mark Blyth: A austeridade é uma ideia perigosa

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

POESIA

DEPOIS DA TORTURA DA PIDE

(Dedicado à minha amiga de longa data Maria Orquídea)

XV

O sonho não partiu. Nem partirá. Jamais.
Anda em mim. E em ti. No ar que nos envolve.
Meus avós o tinham. Tinham-no meus pais.
A dor e a alegria por ele se resolve.

O veado e a corça. Que mugem. Na montanha.
Pelas leis do instinto. No pino da invernia.
Afirmam-no também. E apontam. Será ganha
Esta batalha ruim. A cada hora e dia.

Esta batalha nossa. Como outras foram.
E tinham de ser. Como outras serão.
No correr dos tempos. Que correm. E demoram.
Mas quando chegam. Chegam. E o seu cheiro é pão.

É cheiro a violetas. Havias de dizer. Mal o sentindo eu.
É cheiro a coisa boa. Emoldurada. Rija.
É cheiro que tem cor. E que se vê no céu.
Já disse. E repito. Que se vê. E almeja.

É cheiro que dá frutos. Ideias. Filhos. Tudo.
É cheiro de amizade. De companhia alegre.
É cheiro de tristeza. Arisca. Ou de veludo.
É cheiro a feno fresco. Crestado. Ao sol e á neve.

É cheiro a António Nobre. E deveria sê-lo?
A Camões. Cesário. Torga. José Régio.
Pascoaes não sei. Mal fui capaz de lê-lo.
É cheiro de horas ruins. Que trouxe do colégio.

Por onde me danei. Nos anos fragorosos. Da guerra voraz.
E Pascoaes ouvi. Fazendo conferências. De que vim cansado
Pelo tom delido. Que não aprenderei. Ou penso. E se desfaz
De encontro aos meus sentidos. Como ao luar. O fado.

Que nos atinge a todos. Vencedores uns quantos.
Na paz nacional. Que destempero o nosso.
E porque tudo é claro surgem os desencantos.
E é só pedir. Que façam. E é só dizer. Não posso.

E é só dizer não posso. Mas quem foi que pôde?
Que belos vencedores. Que motes de taberna.
Ficou oco o sentido. Veio o fundo podre.
Ficamos nós assim. Nesta comum caserna.

Inibidora. E fria. Que amarra. Espia. Tolhe.
Mas a revolta firma. Em labaredas quentes.
Quem semeia ventos tempestades colhe.
O sonho não partiu. Haure novos alentos.

ARNALDO MESQUITA

BEBO VALDES e CIGALA - Lágrimas negras

POESIA

EM GERAL, NÃO SOU NEUTRO...


Em geral, não sou neutro.
Raro é conseguir sê-lo.
Falta-me para isso
a delicadeza pérfida
dos falsos independentes,
o comodismo cobarde
dos falsos sobranceiros,
a hipocrisia velhaca
dos falsos melindrosos.

Armindo Rodrigues

profissões e carácter














CURRÍCULO OFICIAL DE JOSÉ SÓCRATES
Licenciado em Engenharia Civil
Pós-graduado em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública

O seu currículo oficial não refere onde fez os estudos secundários nem onde se formou como engenheiro técnico.

Os pormenores escuros e mal explicados sobre a sua licenciatura em engenharia civil por uma universidade privada quando era já membro do governo são por demais conhecidos pelo que nem sequer vale a pena voltar a referi-los aqui. È no entanto curioso que, já como primeiro-ministro, o seu governo tenha sido forçado a fechar essa tal universidade por não cumprir os requisitos mínimos de funcionamento e credibilidade.

Pelo que diz, na década de 80 terá assinado vários projectos de (má) engenharia civil no distrito da Guarda. Como mente descaradamente com quantos dentes tem na boca, a palavra de Sócrates não é fiável, pelo que todos devemos reservar o direito de acreditar ou não no que ele diz a este respeito.

Ainda em relação aos seus estudos, também não diz quando fez a pós-graduação em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública.

Now is the winter of our discontent, made glorious summer by this sun of York. Assim começa a peça Ricardo III, de William Shakespeare. Aqui não há verão glorioso. Mas há um Outono de descontentamento. E amanhã começa a despedida.
.
Devíamos ter adivinhado. Mas não adivinhámos. O climax está no site da Columbia University: At the age of 18 he went to Coimbra, where he earned a degree in civil engineering. He received an MBA in 2005 from the Lisbon University Institute.
Coimbra soa bem - é a universidade portuguesa com maior notoriedade -, mas Sócrates obteve a sua controversa licenciatura na Universidade Independente, entretanto extinta no meio de uma imensa balbúrdia. O MBA corresponde, na verdade, à parte curricular de um mestrado que não completou. Palavras para quê? Antes aqueles que não têm vergonha, nem têm que ter, de escrever no currículo "profissão: electricista". São esses os homens honrados de que precisamos.

(em avenida da salúquia 34)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

The Nightwatchman - One Man Revolution



Tom Morello, membro do Rage Against the Machina, aqui no projecto a solo The Nightwatchman

Hoje, 24 de Novembro (Greve Geral)






Hoje, não há blog para ninguém!
Mas não deixe se informar:
•no espaço da Greve Geral (www.grevegeral.net)
•noutros espaços como se pode "ouver"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Chico y Rita - Trailer



CHICO Y RITA
A primeira película de animação do conhecido realizador espanhol Fernando Trueba conta com a ilustração do catalão Javier Mariscal e tem um inconfundível sabor a bolero. Com a cadência do ritmo caribenho, o filme conta a história de amor de um fabulosa cantora e de um pianista que, primeiro em Cuba e depois nos Estados Unidos, têm de superar muitos obstáculos para estar juntos. Tudo se passa na década de 40.

Com produção e financiamento espanhóis, o filme foi rodado na Escola de Cinema de San Antonio de los Baños e conta com música de Charlie Parker, Chano Pozo, Dizzy Gillespie e Bebo Valdés, entre outros. Muito Jazz e muito bolero.

FUNDAMENTAL LER (PARTE FINAL)

Concluindo: quando, repetidamente, usámos a expressão "Nenhum deles" fizémo-lo com a intenção de, salvo as devidas excepções, falar de pessoas que, à exaustão, em entrevistas, em declarações públicas, em artigos editados em jornais e revistas propuseram, para milhões de portugueses, a redução salarial e a diminuição das prestações sociais, ao mesmo tempo que muitos deles próprios foram, no circuito formado pelo Banco de Portugal, Caixa Geral de Depósitos, Universidades, administração pública, sector empresarial do Estado e actividades governativas, acumulando reformas sobre reformas, sem que tivessem atingido a idade legal para a reforma e sem que tivessem tido um período laboral similar ao período contributivo exigido pela Segurança Social.

É evidente que nada disto é ilegal. Mas é evidente que tudo isto, no nosso Estado de Direito, é rasteiro, ilegítimo, imoral e socialmente condenável.

O epílogo das brigadas do reumático

Tudo o atrás referido, dizem os interessados e proclamam as vozes do dono, está, pois, em conformidade com o normativo legal.As leis existem e elas são cumpridas. Enfim, reina a ordem no nosso Estado de Direito.

Porém, tal como em situação dolorosa exclamou Galileu, "...contudo, ela move-se...", também nós acreditamos que o Estado de Direito também se move.

Recordamos, voltando ao início do texto, que o epílogo do Estado de Direito, aquando da "Brigada do Reumático" recebida por Marcelo Caetano, acabou naquilo que todos nós sabemos, a jornada gloriosa do 25 de Abril, dando assim início a um novo Estado de Direito.

Quanto ao epílogo da simbólica "Brigada do Reumático" recebida por Cavaco Silva e de outras contemporâneas "Brigadas do Reumático", aguardemos pelo Estado de Direito que vier a ser ditado pelo povo.O tempo que for necessário.

O original encontra-se em http://www.avante.pt/pt/1928/temas/111206/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

FUNDAMENTAL LER (PARTE II)




(continuação...) Com efeito, incluindo o actual Presidente da República:

Nenhum deles pugnou pela descaracterização da nossa Constituição designadamente na parte em que havia um projecto racional, progressista e patriótico para o nosso modelo de desenvolvimento, em oposição à irracionalidade vigente, cujos efeitos imediatos e cujas prolongadas consequências estão à vista de todos.

Nenhum deles estimulou e/ou criou condições para essa grande negociata que foi a privatização do sector empresarial do Estado, parte do qual está na posse de accionistas estrangeiros, por via de um esquema em que os accionistas nacionais foram meros intermediários num negócio entre o propositado baixo preço inicial da venda do nosso património e a sua posterior revenda, a preços de mercado, possibilitando a todos aqueles a quem foi atribuído um lugar na manjedoura do Estado uma enorme acumulação de capital.

Nenhum deles esbanjou o dinheiro proveniente das privatizações, antes pelo contrário, investiram tais verbas na dinamização e modernização do nosso tecido produtivo, conferindo-lhe um confortável valor acrescentado.

Nenhum deles concordou com a forma fraudulenta como foram alienadas várias instituições bancárias do sector empresarial do Estado (quem não se lembra, entre outros, do caso Fonsecas & Burnay?), bem como da cumplicidade do sistema financeiro do Estado no financiamento a privados no assalto destes às empresas que haviam, no processo revolucionário, sido nacionalizadas.

Nenhum deles defendeu e propôs o abate da frota pesqueira, o abandono da agricultura, a alienação da marinha mercante e a desindustrialização, na justa medida em que sabiam de tais consequências no desequilíbrio da nossa balança comercial e no stock acumulado da dívida externa.

Nenhum deles pactuou com o compadrio envolvido na transformação de terras agrícolas, avaliadas a patacos, em terrenos urbanizáveis avaliados em milhões sem que tivesse revertido para o orçamento do Estado as referidas mais-valias cuja dimensão, no contexto por vezes mafioso, explica muitas das grandes fortunas existentes em Portugal.

Nenhum deles deixou, insistentemente, de estudar a natureza do nosso comércio internacional e de pugnar por medidas práticas tendentes à substituição das importações por produção nacional, favorecendo, entre nós, o emprego e evitando o endividamento externo.

Nenhum deles apoiou a ganância da oligarquia financeira na fixação especulativa das taxas e serviços bancários à revelia dos seus custos reais, na medida em que sabiam que, desse comportamento, haveria uma colossal transferência de meios monetários das empresas e das famílias para os bolsos dos accionistas do sistema financeiro.

Nenhum deles contribuiu para a criminosa política do BCP, do BES, do BPI, da CGD e restante banca na destruição da poupança nacional, quer por via de taxas de juros inferiores ao valor da inflação no que se refere à remuneração dos depósitos, quer por via do desenfreado consumismo do compre agora e pague depois.

Nenhum deles fomentou a abusiva disseminação do chamado "dinheiro de plástico" e na abertura de linhas de crédito não solicitadas pelos clientes, na medida em que sabiam que isso iria provocar o endividamento externo e, por conseguinte, colocar a nossa dependência nas mãos dos credores no que concerne ao investimento na economia e à própria liquidez da banca.
(Abre-se aqui um parêntesis para dizer que, recentemente, o actual presidente do conselho de administração do BCP, batendo com a mão no peito, declarou que a banca, no que concerne à concessão de crédito, foi "imprudente". Imprudente? o tanas! Crime lesa-pátria era o que ele devia ter dito).

Nenhum deles foi apologista quanto aos critérios na concessão de crédito por parte da banca, no privilégio dado à "economia de casino", em detrimento da economia ligada à produção de bens transaccionáveis.

Nenhum deles permitiu que os recursos colocados à disposição da banca fossem delapidados na construção de uma excessiva rede de autoestradas, no estímulo à obsessiva renovação do parque automóvel, na densificação de telemóveis, sectores que guindam Portugal nos primeiros lugares do ranking mundial.

Nenhum deles concordou com o peso excessivo que a banca teve na trilogia "venda de terrenos-construção de novas habitações-actividades imobiliárias", porque sabiam que o vultuoso crédito aí destinado faltaria em sectores estratégicos na área da agricultura, das pescas e das indústrias. Acresce a isto o facto de eles saberem que o país iria pagar cara a circunstância de haver uma excessiva oferta de casas novas, comparativamente à procura, ou seja: um imenso capital empatado, isto num país que anda de mão estendida a pedir dinheiro emprestado no estrangeiro.

Nenhum deles pugnou pela existência das famigeradas parcerias público-privadas, designadamente em todas aquelas em que o Estado arca com a socialização dos prejuízos, garantido aos privados um negócio certo e seguro, com taxas de rentabilidade muito superiores aos valores médios dos vários sectores da nossa economia.

(A este propósito, tenhamos presente, entre muitos outros, o rocambolesco processo do Hospital Amadora-Sintra, sob a gestão do Grupo Mello, e o não menos rocambolesco processo do terminal de Alcântara a cujo concessionário, onde pontifica o egrégio Jorge Coelho, foi garantida uma taxa interna de rentabilidade na ordem de cerca de 14%, valor de fazer inveja à taxa de rentabilidade dos capitais próprios da generalidade das empresas ligadas aos sectores primário e secundário do nosso tecido produtivo )

Nenhum deles fechou os olhos à hecatombe financeira provocada pelo "banco laranja" o BPN, cujos altos dignitários ligados ao PSD provocaram a transferência de mais de 4 mil milhões de euros da CGD, ou seja, dos nossos bolsos, para tapar a roubalheira provocada naquela instituição, onde pontificava Dias Loureiro, um ex-conselheiro de Estado, sob investigação judicial e alto dirigente ligado à campanha eleitoral que levou Cavaco Silva à Presidência da República.

(Abre-se aqui um parêntesis para salientar que o estado-maior da última candidatura à Presidência da República por Cavaco Silva saiu do BPN. Agora, tal estado-maior sai das grandes superfícies).

Nenhum deles esteve ligado, directa ou indirectamente, às grandes empresas majestáticas na área da electricidade, dos combustíveis e das comunicações onde a formação de preços é verdadeiramente obscena, afectando, quer o resultado das micro, pequenas e médias empresas, quer a economia familiar.

Nenhum deles sugeriu que parte dos lucros fabulosos dessas vacas sagradas que dão pelo nome de EDP, GALP, PT, entre outras, fossem investidos no estrangeiro quando é publico e notório que o país precisa desse usurpado dinheiro para a dinamização da nossa economia. Não é verdade que todos eles, em uníssono, protestaram contra o investimento de cerca de 3 mil milhões de euros, pela EDP, nos EUA e por valores ainda mais vultuosos da PT, no Brasil?

Nenhum deles incentivou a criação de uma administração pública paralela, empanturrada nos lugares de topo por familiares, amigos e confrades, por via de institutos e dessa monstruosidade que dá pelo nome de entidades reguladoras cujos responsáveis, todos sabem, são invariavelmente "capturados" pelos regulados, ou seja, pelas próprias empresas que pretensamente regulam.

Nenhum deles abençoou o "negócio da china" que dá pelo pomposo nome de out-sourcing, ou seja, os serviços prestados pelos grandes escritórios de advogados e pelas empresas de consultoria, designadamente na área da economia e da engenharia para onde têm sido drenados, ao longo dos anos, centenas de milhões de euros, verbas que poderiam ser evitadas se fosse valorizado o saber existente, quer na função pública, quer nas nossas universidades.

(Abre-se aqui um parêntesis para dizer que, para a elaboração de uma história contemporânea, é mais importante o contributo dos grandes escritórios de advogados do que o papel científico dos historiadores. Com efeito, nesses grandes escritórios de advogados sabe-se mais das relações de poder e de dinheiro do que, na Idade Média, os padres sabiam por via da confissão).

Nenhum deles se esqueceu, um momento sequer, de introduzir na estrutura da função publica, no sector empresarial do Estado e na sociedade em geral modelos comportamentais, perfeitamente mensuráveis, tendentes a combater a corrupção, exemplarmente tipificada durante o cavaquismo na utilização dos dinheiros do Fundo Social Europeu e, no socratismo, nessa imensa hidra que dá pelo nome de "Face Oculta", em esquecer os gastos escandalosos levados acabo por essa miríade de boys e girls do PS, do PSD e do CDS-PP que proliferam nos ministérios, nos institutos, nas entidades reguladoras e no sector empresarial do Estado.

Nenhum deles deixou de solicitar ao Ministério Público uma investigação, caso a caso, das derrapagens nas obras públicas, no sentido de se saber a quem beneficiava o cambalacho em torno da diferença entre o valor original atribuído a uma obra e o valor final dessa mesma obra.

Nenhum deles impediu medidas justas e racionais na máquina do Estado, em ordem quer ao controle e à recolha de impostos por forma a introduzir uma maior justiça fiscal, quer a evitar o regabofe dos perdões e prescrições fiscais. O que aconteceu, a este propósito, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e Oliveira Costa era secretário de Estado foi um mero descuido, sem qualquer consequência, não obstante as más línguas referirem que estávamos perante um verdadeiro caso de polícia. Embora tudo isto fosse público estamos certos de que o ministro das Finanças da altura não sabia de nada. Tão certo quanto à ignorância de Salazar relativamente à actividade da PIDE.

Nenhum deles deixou, junto do Banco de Portugal, de reclamar medidas eficazes contra a banca privada pela sua actividade no desvio de capitais para os paraísos fiscais, por via desse embuste que dá pelo nome de "planeamento fiscal". A magnitude deste comportamento está bem patente no mega processo "Furacão", recentemente relembrado pelo envolvimento do patrão da Mota Engil, suspeito de prática de crimes de fraude fiscal agravada e de branqueamento de capitais.

Nenhum deles teve qualquer problema na sua relação com as Finanças, quer no pagamento da sisa, quer na regularização de mais-valias, quer quando um ex-titular do Ministério declara às Finanças apenas um rendimento de três contos, (ainda circulava o escudo) em vez dos trinta contos recebidos por um parecer encomendado por um empresário relativo a um determinado negócio.

(a continuar...)

O original encontra-se em http://www.avante.pt/pt/1928/temas/111206/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

FUNDAMENTAL LER (PARTE I)







Como é que a crise veio cá parar?
A ladainha da Brigada do Reumático

por Anselmo Dias

Quem, tendo vivido os derradeiros momentos do fascismo, não se recorda dessa antológica cena de ópera bufa envolvendo o encontro dos altos comandantes das Forças Armadas com o então presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, pomposa cerimónia que entrou na gíria popular como sendo a da "Brigada do Reumático"?
Passados cerca de 36 anos, com novos actores, em circunstâncias políticas diferentes e a pretexto da actual situação do país, mas repetindo o mesmo guião "operático-reumatismal", assiste-se, no Palácio de Belém, ao encontro entre o Presidente da República e um vasto conjunto de ex-ministros das Finanças, todos eles com vastos currículos políticos, académicos e profissionais.
Tal encontro, uma espécie de representação teatral a fazer lembrar o papel das carpideiras – as mulheres pagas para carpir e para criarem, no culto dos mortos, um clima pesado e lamuriento – tal encontro, dizíamos, remete-nos simbolicamente para a agonia do fascismo.
A actual "Brigada do Reumático", embora não tenha qualquer similitude com a anterior, foi, pois, ao Palácio de Belém, carpir, entre outros choradinhos, a dívida externa, a dívida pública, o défice orçamental, os grandes investimentos, entre outros temas afins.

Tais personagens, uns da área do PS, outros da área do PSD, um outro na área do CDS-PP e uns outros ligados ideologicamente àqueles partidos, embora formalmente independentes, tais personagens, quer pelos seus argumentos relativamente ao seu contributo para a dimensão dos actuais défices, quer por aquilo que fizeram e por aquilo que deviam ter feito e não fizeram, fazem lembrar aquela anedota em que, numa zona rural, um indivíduo rouba um porco, transportando-o ao ombro, a caminho de casa.
Neste percurso encontra uma patrulha da GNR, cujo comandante indaga, assim, o ladrão: "O que é que você leva aí?"
O ladrão, mostrando a maior surpresa, dirige o olhar displicente para ombro que suporta o porco e, com a maior naturalidade, dá-lhe uma ligeira sacudidela com as pontas dos dedos, afirmando. "Ai o bicho", como se, em vez do roubo de um anafado e pesado reco tivesse havido, no ombro do ladrão e à sua revelia, o mero poisio de uma pequena libelinha.

"Ai o bicho" é o que dizem Jacinto Nunes, Medina Carreira, João Salgueiro, Ernâni Lopes, Miguel Beleza, Manuela Ferreira Leite, Eduardo Catroga, Pina Moura, Bagão Félix e Campos e Cunha, que integravam a já referida "Brigada do Reumático", bem como os ausentes, quando, todos eles, são inquiridos sobre o papel que ao longo dos anos têm desempenhado na vida governativa, académica e profissional.
"Ai o bicho" é a resposta de quem, tendo colaborado nas malfeitorias políticas, económicas e sociais afirma como afirmou o ladrão perante a pergunta do agente da GNR.
Nenhum deles, e muito menos o anfitrião, tiveram qualquer culpa na situação actual. Longe disso, afirmam também a pés juntos as conhecidas e consabidas vozes do dono.
Não carregam com o peso de nenhuma responsabilidade. Nenhuma.
A responsabilidade, a haver, no Ministério das Finanças, é do conluio entre o motorista e a empregada de limpeza. Um porque, ganhando 800 euros não é verdadeiramente flexível no seu horário de trabalho e a outra, usufruindo o salário mínimo nacional, é uma perdulária no uso dos detergentes na limpeza das sanitas do Governo, afectando, por isso, a nossa competitividade.
A culpa está toda aqui. Uns pelos salários, outros pelos custos intermédios. Estes são os verdadeiros culpados, quer pelos custos da despesa primária do Estado, quer pelo esbanjamento de recursos.
Porrada neles!. PECs em cima do costado, para ver se gostam!.

Definidos os verdadeiros responsáveis, não é justo, pois, em Portugal, pedir responsabilidades ao PS e ao PSD, pelo que a anedota do roubo do porco atrás referida não faz qualquer sentido aplicada aos respectivos governos e ministros das Finanças.

(a continuar...)

O original encontra-se em http://www.avante.pt/pt/1928/temas/111206/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 21 de novembro de 2010

Pedro Abrunhosa & Bandemónio - Talvez Foder



Pedro Abrunhosa deu um concerto em Lisboa no Coliseu no dia da Manifestação anti-NATO. Esse concerto foi transmitido em directo pela RFM.Quando se esperava um discurso pacifista, anti-militarista á Abrunhosa dos bons velhos tempos, ele ficou-se por uma vaga e incaracteristica alusão ás restrições á liberdade de expressão. E cantou em seguida uma canção intitulada "Eu sou o Poder".
Eu adapto: Tu estás ...pertinho... do Poder Socialista. Longe vão os tempos em que ele frequentava irregularmente a sede da UEC em D. João IV no Porto...
O artista é livre de assumir o que achar correcto, nós o de lhe lembrar o passado.
Talvez lutar, DIGO
Talvez f. , DIZES
Talvez, não. É obrigatório.

gostei muito deste texto

O SUPER-HOMEM, A DONZELA E OS DANOS COLATERAIS
Guilherme Alves Coelho

Há uns anos atrás a revista humorística norte-americana MAD ilustrava, num cartoon em dois desenhos, uma metáfora inesquecível. No primeiro desenho o Super-homem dirigia-se a alta velocidade na direcção de uma donzela, de braços e pernas atados, atravessada sobre os carris de um comboio que se aproximava a todo o vapor. No segundo desenho o Super-homem, já no chão, de pé entre os carris, exibia a donzela sã e salva num dos braços, enquanto que com o outro sustinha firmemente o comboio, de cujas carruagens completamente destruídas e empilhadas pendiam corpos esfacelados, membros humanos e sangue por todo o lado. Com um ar de satisfação pelo dever cumprido o Super-homem, em pose, sorria alarvemente.

Recordei mais uma vez aquele cartoon a propósito de a cimeira da NATO a decorrer em Lisboa, a sétima da sua existência de sessenta anos. Como as precedentes, destina-se a fazer a contagem dos actos de bravura praticados pela Organização nos últimos anos e, principalmente a renovar o stock de donzelas a salvar nos próximos. Como as precedentes, mandando às urtigas os prejuízos causados à humanidade, contabilizados na coluna dos danos ou efeitos colaterais.

O documento base, datado de Maio de 2010, apresentado ao fórum por doze peritos chefiados pela Sra. Albright (EUA) apresentava no final um resumidíssimo e vago programa até 2020, onde se podia ler que “A NATO prospera como uma fonte de esperança porque desde o inicio os estados membros definiram o seu programa comum em termos positivos: reforçar a segurança internacional, salvaguardar a liberdade e promover o estado de direito.(...)”

Não sabemos o que mais espanta, se a vulgaridade dos conceitos, se a hipocrisia subjacente, se a incapacidade para entender o mundo. Quando tentamos encontrar o destinatário daquelas intenções e pensamos que seja o povo tudo fica incoerente. Porém, uma leitura mais atenta revela que sob o aparente arrazoado de generalidades, iniquidades e infantilidades havia afinal frases coerentes e lógicas. Bastava encontrar, como nos textos cifrados, as palavras-chave que davam sentido ao conjunto. Ou seja encontrar os verdadeiros destinatários daqueles objectivos e tudo se torna claro. O texto correcto ficaria então assim:

• Reforçar a segurança internacional da alta burguesia ;
• Salvaguardar a liberdade do capitalismo ;
• Promover o estado de direito para a plutocracia .

Ou seja, encontrar as donzelas a salvar e ocultar os danos colaterais provocados pelo salvamento.
Uma dúzia de peritos, produzirão em Lisboa um documento onde se definirão quais as donzelas a salvar no próximo decénio. Os danos para os povos, esses, serão sempre e apenas colaterais.

(publicado em http://resistir.info/)

ABAIXO DE CÃO













O jornalismo que por aí se produz está ao nível de cão. E então o jornalismo politico dominante é verdadeiramente dejecto de cão. As reportagens da Cimeira da NATO que vi na RTP1 (não se pode estar em todos os canais ao mesmo tempo) são verdadeiramentes surreais. A subserviência, a manipulação, o ridículo extravazam no que se diz e são significativas no que se cala.

João Adelino Faria, António Esteves Martins e Márcia Rodrigues foram os rostos de uma das páginas mais negras do jornalismo (ia dizer de um jornalismo sério e isento, mas tal critério está implicito na palavra jornalismo). Comportaram-se não como jornalistas com formação e ética profissional, mas como funcionários, assessores de imprensa da organização politico-militar. Foi verdadeiramente um verdadeiro HIS MASTER VOICE. A utilização de palavras como Histórica para classificar os “resultados” da Cimeira entrará certamente no anedotário nacional, pois foi repetida por tão ilustres “figurões” sem que isso representasse ...nada. Já não falo claro da estagiária de serviço na Avenida da Liberdade, de apelido Neves de Sousa, que encontrou nas pedras soltas do passeio argumentos anti-NATO. Um calhau!

Temos portanto que a RTP, empresa pública da República e da Democracia, com defices de exploração de milhões, alberga no seu interior uma cambada de pseudo-jornalistas, acéfalos, rastejantes e “vendidos”. E que trabalham em função de outros interesses, de outros senhores. A João Adelino Faria não bastarão os 9.736 euros do vencimento. A António Esteves Martins, não chegarão os 2.986 euros (sem ajudas).

Demitam-se as Direcções Informativas, se tiverem coragem. Fechem-se as Escolas de Jornalismo que tão medíocre formação dá. Retire-se a Carteira Profissional a quem de direito. E aos visados: inscrevam-se nos Partidos, do Sócrates, do Coelho. Jornalismo, não!

sábado, 20 de novembro de 2010

PINTURA




LIBERDADE - Vieira da Silva

NICK DRAKE - RIVER MAN



Uma descoberta sensacional graças ao Vítor Dias de O tempo das cerejas. Como consumimos tanto lixo musical e esta pérola aqui tão perto!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

IRLANDA DISTRIBUI QUEIJO AOS CARENCIADOS

O governo irlandês anunciou que irá distribuir gratuitamente porções de queijo Cheddar ás famílias que mais sofrem com as rigorosas medidas de austeridade. Segundo declarou, dia 8, o ministro da Agricultura, Bredan Smith, serão disponibilizadas 167 toneladas do queijo nacional, cuja aquisição será financiada com cerca de 750 mil euros oriundos das ajudas europeias. «Admiro o trabalho de numerosas organizações de caridade (...) e estou feliz por poder ajudar de uma maneira muito concreta», afirmou Smith um dia depois de o governo de Dublin ter anunciado uma redução de seis mil milhões de euros na despesa pública (Avante, de 18 de Novembro).

Num quadro de corda na garganta, a Irlanda resiste a pedir ajuda ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. A banca local andou a especular, numa liberdade sem controlo. O modelo irlandês do mercado á solta foi muito propagandeado pelos habituais papagaios que infestam os écrãs e as ondas sonoras. O negócio correu mal e agora o Estado, todos os irlandeses, pagam a factura de brutais medidas restritivas. Quando os sacrossantos mercados espetam a faca no dorso dos politicos, estes já só imploram que a carnificina não seja fatal.
Alimentar o povo a queijo talvez seja medida de sobrevivência. E sabe-se hoje, o queijo não afecta, antes pelo contrário, melhora a memória. Que é essencial para que algo mude.

Kraftwerk - Radioactivity



Os alemães Kraftwerk (com uma dedicatória especial aos SENHORES DA GUERRA, da Cimeira da NATO)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PARADA DE TODEIA, CANTADA POR UM DOS SEUS FILHOS















o meu amigo Júlio Oliveira lançou um blog http://paradadetodeia.blogs.sapo.pt/, onde fala do que acontece na sua terra natal. Está de parabéns. E as suas imagens iniciais são particularmente belas. Por me sentir tocado com tal beleza, reproduzo algumas, com a devida benevolência do autor

os números do desemprego
















Os números oficiais do Desemprego relativos ao Mês de Outubro são expressivos.
Assim para uma população activa em todo o País de 5.618.300 trabalhadores, há registados 550.846 desempregados, o que dá uma taxa de desemprego de 9,8% .
Se analisarmos a Região Norte, essa taxa sobe para os 12,2%. Mas o Distrito do Porto, tantas vezes apontado como modelo do empreendedorismo, alcança com os seus actuais 131.278 desempregados, um indiscutivel protagonisno negativo (taxa de desemprego de 13,7%)
Não se pense que o desemprego só atinge concelhos periféricos de predomínio rural como Baião (22,5%), ou Amarante (15,9%). Concelhos adjacentes á Area Metropolitana e com uma industria tradicional como Paredes (12,8%) ou Trofa (16,8%) reflectem a mesma realidade.
Outros valores: Penafiel (11%), Felgueiras e Lousada (11,1%), Marco de Canaveses (16,1%)

Nota (1): Anuário Estatístico Região Norte 2008, para Portugal, Continente e Norte;para os concelhos, cálculo com base na população residente em Dez 2008 (INE) e rácio "população activa/população residente no Norte em Dez 2008
Nota (2): IEFP, Outubro 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A NATO E O MEDO



Nos últimos dias acumulam-se na comunicação social os sinais de uma generalizada manipulação. A propósito da realização da Cimeira da NATO, em Lisboa, surgem diariamente informações, que sob a forma de ensaios das chamadas forças da ordem, multiplos comentários, previsões ou reportagens, nos anunciam ser possível violência ou ameaças terroristas na referida Cimeira ou nas manifestações que a contestam.

Vivemos no irracional reino da suspeição, onde a cor negra pode ser sinónimo de ocultas intenções, onde o direito á liberdade de expressão se igualiza à deriva destrutiva. Os organizadores da Cimeira, consciente ou inconscientemente, promoveram um clima maniqueísta onde tudo o que contesta a Cimeira, os seus objectivos, a sua ostentação imperial, o seu folclore/bailado de pequenas marionetes a brincar ás guerras de domínio /exploração, é visto como marginal, repugnante, inimigo a abater.

Daí o simbolo da Cimeira poder parecer ser o bastão e a viseira policial, o controlo policial das fronteiras, a cidade cercada internamente e externamente, o carro de combate, a restrição de circulação, a medida de excepção.

A NATO, como organização belicista, anti-democrática, e inútil para o interesse global dos povos, tem dificuldades em se legitimar perante estes e o mundo. Representa cada vez mais um poder militar ao serviço das burguesias nacionais, das corporações internacionais, do imperialismo norte-americano, crescentemente ameaçado pelo poder económico, politico e até militar de países emergentes. A sua proclamada função estabilizadora colide com a necessidade de novas jogadas de controlo de espaços, fontes de energia, rotas de comércio.

PERGUNTA DA DEPUTADA RITA RATO (PCP)

Assunto: Falta de condições de higiene na Escola Secundária de Baltar, Paredes Destinatário: Ministério da Educação

Exm.o Sr.Presidente da Assembleia da República

A política educativa dos sucessivos governosdo PS, PSD, PSD-CDS/PP tem sido marcada por um profundo desinvestimento público nas condições materiais, humanas e pedagógicas da escola pública.

A par da retirada de direitos e da degradação das condições laborais dos professores e auxiliares de acção educativa, psicólogos e técnicos pedagógicos [precarização dos vínculos; elevada carga horária; municipalização do sector; baixos salários] também a degradação física dos edifícios, salas de aula, bibliotecas, e instalações desportivas tem comprometido a qualidade das actividades lectivas,e o consequente processo de aprendizagem e conhecimento.

Chegou a informação ao Grupo Parlamentar do PCP que na Escola Secundária de Baltar, concelho de Paredes, existe no interior da escola vários animais- porcos,galinhas,cães, cágados- separados da comunidade escolar por pequenas vedações. As condições de higiene são muito duvidáveis e agravadas por um cheiro insuportável que degrada profundamente o dia-a-dia da escola.

Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito ao Governo que, por intermédio do Ministério da Educação me sejam prestados os seguintes esclarecimentos:

1. Que conhecimento tem o ministério desta situação?

2. Que medidas pretende tomar no sentido de resolver os problemas expostos?

Fórum Nacional de DIABETES - AVEIRO, 13 de Novembro de 2010












(fotografia de grupo em Aveiro e cartaz alusivo á data)




NO DIA 13 DE NOVEMBRO, A USF S. MARTINHO DE PENAFIEL ORGANIZOU UMA DESLOCAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E UTENTES AO FÓRUM NACIONAL DE DIABETES, EM AVEIRO. PARA ALÉM DO CONVÍVIO, A INICIATIVA VALEU PELA ACÇÃO DE EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sócrates e Luis Amado



Luis Amado, o Ministro Socratino dos Negócios Estrangeiros, propôs no passado fim de semana uma coligação de governo para vencer a crise. E desde já, sem eleições. Amado, que por muitos é considerado como o homem de confiança dos EUA, deve ter-se chateado com o facto de muitas vezes ficar "dependurado" como o video documenta em Lisboa. Entre os "briliant", os "fantastic", os "oh! my god!", um "amasso" á Merkel, uma intimidade aqui e ali, Amado não resistiu ao "inglês técnico" do chefe e pediu para ser retirado do filme. Um destes protagonistas, o MNE francês Bernard Kouchner, já foi á vidinha. O Berlusconi, que nisto dos afectos é mais tradicional, também já desliza para o hospício dos relegados do poder. Amado irá cantar brevemente o "o sole mio".

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ÁFRICA MINHA - MÚSICA DE JOHN BARRY



Filme África Minha (1985)
Realizador Sydney Pollack
com Meryl Streep, Robert Redford, Klaus Maria Brandauer

Gravidez & Aborto. Histórias da Santa Madre

CHEIAS DE GRAÇA


Comecemos por Portugal, terrinha fértil em coisas do etéreo. Reinava D. João V e a Fidelíssima Esposa, Mariana de Áustria, não denunciava prenhez, não tranquilizava os cortesãos. Um rei sem filhos deixa a Nação à mercê de cobiças: uns ovários de rainha valem mais do que milhares de espadas e milhentas cruzes. E quando os canhões d'El-Rei não resolvem as necessidades da rainha, eis que intervém a Ordem Celestial. No caso, a Ordem de S. Francisco, com ênfase para frei António de S. José. O arrábido propôs um negócio ao monarca: o útero real seria tocado pela Anunciação se finalmente se comprometesse a erigir um convento em Mafra.

O rei fez votos e Mariana ficou cheia. Deste primeiro parto nasceu Maria Bárbara. Ano após ano, de autêntica rajada, vieram à superfície do solo pátrio mais cinco rebentos. D. João V foi, de facto, oportunamente assessorado por um exímio traficante de influências do séc. XVIII, faltando somente apurar um pormenor que, para a Grande História, pouco contará: se o fransciscano assessorou também a rainha. O certo é que o convento de Mafra redundou no nosso mais majestoso monumento à fertilidade. Que, na altura, não era in vitro, mas in granito. Teve, portanto, Mariana uma princesa que, por consórcio, se alçou a rainha espanhola.

Ora, nem queiram saber, o que de Espanha nos vem: nem bom vento nem bom exemplo. Uma bela e prendada senhora de Mogúncia, que aos vinte anos restou viúva por passamento de Seu Nobre Senhor, foi presa de dois milagres: o primeiro, já que engravidou ao pisar uma erva ruim, calcamento testemunhado por uma donzela (ontem, como hoje, há sempre uma virgem a abonar a conduta de uma mais afoita); o segundo, já que a viúva, com a barriga cada vez mais cheia, confessou a um frade, também franciscano, a sua desdita e a sua vergonha. O monge recomendou-lhe que, de imediato, peregrinasse até Compostela, visto que, com tal adianto, só Santiago era tido por competente. Partiu de Mogúncia, navegou no Reno, repousou em Aix-la-Chapelle. Fez escala em Paris.

Em Setembro, apeava-se em Compostela e defrontava Santiago em pranto, rogando que reparasse o percalço, o embaraço, aquele incauto pisar da erva em Abril. E a viúva, naquela mesma noite, viu-se aliviada do indesejado inchaço. Regressou a Mogúncia e, de gratidão rendida, levantou ao apóstolo uma igreja em São Goar.

Afinal, sempre resta um santo advogado da Interrupção Voluntária da Gravidez. Temos muito que aprender com os caminhos de Santiago.

CÉSAR PRINCIPE
*Jornalista e Escritor
**Retirado de http://resistir.info/, publicado em 5/2/2007

poesia

TAÇA DO MUNDO DE FUTEBOL
(Argentina, 1978)

O estádio River Plate situa-se a 700 metros de
um edifício pertencente à Marinha argentina
onde se praticavam as piores torturas.

Em Buenos Aires, no River Plate,
a seis campos de futebol (medidas máximas)
do Centro onde, entre outros primores de jogo,
se chutavam testículos, mamas e cabeças,
a Taça do Mundo ferverá nas mãos de quem a ganhar,
de quem a empunhar, de quem por ela beber
A MERDA DE TER LÁ IDO.

Alexandre O'Neill

HOMENAGEM AO POVO DO CHILE

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

José Carlos Ary dos Santos

domingo, 14 de novembro de 2010

MITOS CHINESES

(a inutilidade do pensamento conservador, mesmo quando com linguagem da esquerda caviar)

A China, essa milenar nação com cerca de 1/5 da população mundial na actualidade, constitui um tema incontornável. Acumulam-se dados e informações que nos interrogam sobre o curso da sua evolução politica, económica e social.
É indiscutível que estamos perante uma realidade complexa, que evidencia uma evolução histórica não previsível para muitos. A China constituiu-se já como potência económica emergente global, cuja compreensão se torna necessário analisar.
A ideologia dominante no mundo ocidental não pára de nos dar da China uma imagem de um país de um capitalismo selvagem crescente, fruto de uma ditadura politica e de uma politica económica centralizada e autoritária, ausência de direitos laborais e garantias sociais, degradação e destruição ambientais, relações económicas internacionais expansionistas e de benefícios unilaterais. É um mito chinês. Alguma esquerda “oportunista” europeia alinha na crítica feroz do regime chinês, que qualifica como abominável, encontrando-lhe (em sermões moralizantes) todos os defeitos e perversões, que expressa na frase muito BEtinha e só aparentemente muito “revolucionária” de que a China consegue juntar “o pior do Capitalismo com o pior do modelo comunista”.
E assim quando se fala de desenvolvimento, de crescimento, industrialização, urbanização, milagre económico, a Santa Aliança que junta os defensores da Velha Ordem Mundial pós-Guerra Fria e os defensores da “esquerda moderna” europeia encontra sempre os “modernos” clichés anti-chineses de uma visão preconceituosa da realidade.
Em primeiro lugar, desconhecem muitos a evolução histórica de um gigante, durante séculos, de pés de barro, oprimido, subjugado, humilhado. O subdesenvolvimento chinês teve razões externas evidentes, que passaram pela ingerência e domínio imperialista de potências como os Estados Unidos, a Inglaterra e o Japão. Acresce a realidade da sua própria evolução e guerras internas, com erros trágicos cometidos ao longo da Revolução Chinesa.
Assiste-se agora ao prodigioso desenvolvimento das forças produtivas, a um modelo politico original, que sob a liderança do PC Chinês incorporou pacificamente territórios como Hong Kong e Macau, que integrou progressivamente na economia vários tipos de propriedade, estimulou a competição e a responsabilidade, abriu o País ao mundo, afirmando a sua capacidade e presença mundial.
A um passado de subnutrição, fome e miséria, custa a muitos contrapôr a realidade actual de milhões de chineses mostrarem um nível de vida apreciável, que lhes permite até viajar internamente e no estrangeiro. E ainda mais perceber o orgulho e patriotismo visivel na sociedade chinesa pelas suas inúmeras e extraordinárias realizações, quer sejam construções, como organização de eventos, avanços civilizacionais, actividades culturais ou presença no mundo.
O “socialismo de mercado” apresenta contradições, necessita de reflexões e correcções, que penso estar contidas na tónica activa de autocritica da elite chinesa. Mas não deixa de ser irónico, chocante e lamentável que os mesmos que retiram valores, princípios e identidades ás sociedades europeia e americana, destruindo empregos, degradando a educação e a saúde de muitos, transformando a democracia politica numa farsa quantas vezes desprezível ousem falar do perigo “amarelo” ou façam tonitroantes declarações apologéticas de uma vida melhor nas terras asiáticas. Hipócritas...

Cristiano Ribeiro

Knights Of Cydonia: Live em Wembley Stadium 2007

Os Muse

DESCULPEM QUALQUER COISINHA!

(Marcos Sá)

A notícia está no Público de 14 de Novembro. Um grupo de deputados do PS pretende que os bancos autoproponham um aumento da taxa efectiva de IRC no sector bancário para colaborarem no esforço colectivo de redução do défice. Esse aumento deveria ser temporário e seria uma espécie de agradecimento activo pelo apoio do Governo à banca nos últimos anos, quando de dificuldades de financiamento externo e com a concessão de garantias de Estado até 20.000 milhões de euros.

Temos assim um grupo de deputados PS, de nome Marcos Sá, Miguel Laranjeiro, Jorge Seguro, Pita Ameixa, Duarte Cordeiro e Pedro Farmhouse, a mendigar aos bancos uma taxa líquida efectiva de IRC superior aos 12,5% actuais, em nome de compromissos passados. E esse valor adicional assim implorado é referido como temporário.

A “coisa” proposta não agrada á banca mesmo que se diga que a “esmolinha” será aquilo que “a banca saberá até que ponto pode ir”..Temos assim a confirmação que a banca manda e o poder político legítimo obedece. Ao trabalhador impõe-se a austeridade, a redução do salário e dos direitos sociais, á grande finança suplica-se humildemente, de chapéu na mão.

Estes deputados do PS não têm vergonha na cara. Comportam-se como serventuários ao serviço do poder económico. Deixam a impressão de que, tal como membros do executivo, têm medo de deixar de ter lugar na banca depois da sua passagem, esperemos que efémera, pelos corredores do poder.

No fundo, só os ouviremos dizer: desculpem qualquer coisinha!

A PARÁBOLA DO HOMEM E DO CROCODILO

Imaginem que o charco era o sistema económico e financeiro mundial. O crocodilo era o capitalismo neoliberal, as grandes corporações internacionais, os especuladores, os "mercados". Temos a atitude suicida dos governos, dos ministros das Finanças estilo Teixeira dos Santos, dos presidenciáveis como Cavaco, afagando a besta. Até um dia...

o único cartaz que Cavaco Silva vai usar na campanha presidencial


Cavaco e parte da sua "Comissão Politica" de Candidatura...
Preço do cartaz - 4 mil milhões de euros

sábado, 13 de novembro de 2010

Jethro Tull: Thick as a Brick - Part 1 e 2 (02/10/1977)





O génio de Ian Anderson, com os Jethro Tull

Despedimento colectivo na SPdH/Groundforce em Faro

Despedimento colectivo na SPdH/Groundforce em Faro

Há perguntas que são necessárias, enquadramentos que tudo explicam, responsabilidades que não devem deixar de ser imputadas. A administração da SPdH / GROUNDFORCE, e da TAP, comportam-se como fora-da-lei, com a cumplicidade deste Governo de PECs e corrupção.

as receitas saudáveis da Rita Nogueira -2



SALADA DE FRUTAS TROPICAIS





Composição nutricional aproximada por pessoa

Proteínas - 3g
Gorduras - 0,6g
H. Carbono - 13g
Calorias - 70kcal

Ingredientes: (4 pessoas)

260 g de Morangos
2 kiwis pequenos – 190 g
meia papaia – 100 g ( já descascada)
4 colheres de sopa de sumo de laranja
1 iogurte natural / aroma de morango magro e sem açúcar – 125 g

Modo de preparação

Descasque e prepare a fruta como de costume.
Corte-a em cubos pequenos e misture cuidadosamente o sumo de laranja
Reparta esta mistura por quatro tacinhas de servir à mesa e cubra cada uma delas com um pouco de iogurte. Sirva fresca.

Nota: Receitas e imagens retiradas do livro “Uma Alimentação Saudável – a Alimentação na Diabetes” da APDP

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tom Waits por António Pinho Vargas (Ao vivo)

António Pinho Vargas, num seu clássico.

as receitas saudáveis da Rita Nogueira - 1












FRANGO COM TOMATE E PIMENTOS

Composição nutricional aproximada por pessoa:

1. Proteínas – 24 g
2.Hidratos de Carbono – 7 g
3.Gorduras – 8 g
4.Calorias – 190 Kcal

Para 4 porções

INGREDIENTES

•8 perninhas de frango
•2 colheres sopa de azeite
•1 cebola
•2 dentes de alho
•500g de tomate
•1 pimento verde
•1 pimento vermelho
•1/2 malagueta de piripiri (facultativo)
•pimenta
•1 ramo de salsa
•1 folha de louro
•sal (q.b.)

PREPARAÇÃO


1. Tire a pele às perninhas de frango e tempere com um pouco de sal e pimenta.
2. Deite o azeite num tacho. Junte as pernas de frango, a cebola e os alhos picados.
3. Tire a pele e as sementes ao tomate e corte em bocados. Limpe os pimentos e corte-os em tiras.
4. SJunte ao frango, assim como a malagueta de piripiri, a salsa e o louro atados.
5. Tape a tacho e deixe cozer suavemente
Acompanhamento: Sirva acompanhado de feijão verde cozido e arroz de cenoura (para completar o prato com hidratos de carbono).

Nota: Receitas e imagens retiradas do livro “Uma Alimentação Saudável – A Alimentação na Diabetes” da APDP
















4.º Fórum Nacional da Diabetes
13 de Novembro 9h30 Parque de Exposições de Aveiro


A Unidade de Saúde Familiar S. Martinho em Penafiel vai participar, este ano, no 4º Fórum Nacional da Diabetes que se realizará em Aveiro, no próximo dia 13 de Novembro, no Parque de Exposições de Aveiro.

No âmbito desta actividade, a USF levará um grupo de utentes diabéticos oriundos das várias freguesias do concelho de Penafiel a participar no Fórum com o intuito de os sensibilizar para a Diabetes e suas implicações, através da partilha de vivências e exposição de preocupações comuns.

Durante o Fórum, para além da discussão de temas práticos como “Na cozinha com a Diabetes” com o chefe Hélio Loureiro, “Andar com a Diabetes” e um programa de actividade física, terá também lugar um Plenário das Associações de Diabéticos presentes.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A LISTA DO PEDRO PASSOS COELHO

FRANCISCO LOPES, candidato à Presidência da República pelo Partido Comunista Português, reagindo à proposta de Pedro Passos Coelho de punir criminalmente os responsáveis políticos cuja acção empurrou o país para a presente situação económica, sugeriu que Aníbal Cavaco Silva deveria ser o primeiro a ir a julgamento, considerando que foi o político que mais tempo esteve no poder como chefe do governo, no pós-25 de Abril, e o que mais contribuiu para a actual situação que o país vive.

Ora, na realidade, o Artigo 14º. da Lei 34/87, de 16 de Junho, diz o seguinte:


Assim sendo, haja quem avance com as inscrições para se elaborar a lista do Coelho, mas atendendo às prioridades, é óbvio que Cavaco Silva, como transgressor, tem que estar em primeiro lugar.

AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS GREGAS DE 7 DE NOVEMBRO DE 2010



"Vocês sabem que as listas que as listas do KKE em todas as regiões e municipalidades do país, preparadas em conjunto com outros militantes com os quais actuamos nas lutas, tiveram uma subida significativa a nível nacional. É correcto o que dizem os comentadores quando afirmam que o KKE é a única força política que teve um aumento significativo nas eleições a nível local e regional. Vocês sabem que desde o início demos ao nosso combate nas eleições locais um carácter político geral.

"Apelámos ao povo para votar contra o PASOK e a ND por causa das suas façanhas ao longo dos últimos 20 anos e entre estas, sem dúvida, devemos incluir o "memorando", as medidas bárbaras que foram tomadas e aquelas que serão empreendidas a partir de agora. Apelámos ao povo para mobilizar-se, lugar, contra-atacar a fim de cuidar dos seus problemas urgentes e também para criar as pré-condições de uma viragem mais geral destas políticas – uma mudança radical no equilíbrio de forças a nível político" (Declarações de Aleka Papariga, Secretária Geral do KKE, Partido Comunista Grego)

São estimulantes os resultados obtidos por um muito combativo e sólido Partido Comunista. Povos de todo o mundo, uni-vos!