um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 31 de outubro de 2010

CENAS INDECOROSAS

Luis Pardal, Manuel Godinho e Mário Lino

Manuel Lopes Marques, ex-director-geral de exploração e conservação da Refer – Rede Ferroviária Nacional, recebeu em Junho de 2006 uma indemnização de 210 mil euros para sair daquela empresa do Grupo CP – Comboios de Portugal e dois meses depois, em Outubro, ingressou na Rave – Rede Ferroviária de Alta Velocidade para receber 5 mil euros por mês numa assessoria técnica. Ambas as empresas têm o mesmo presidente, Luís Pardal (notícia do Correio da Manhã).

Pardal, presidente da Refer, foi submetido a pressões de Mário Lino, então Ministro das Obras públicas e dos Transportes, do ex-ministro Armando Vara e do empresário Lopes Barreira, para que cedesse aos interesses da empresa O2 de Manuel Godinho ou fosse demitido pela ex- Secretária de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino. As pressões foram realizadas sob o pretexto de que a O2 era uma empresa amiga do PS. Ana Paula Vitorino resistiu á pressão do “polvo” socialista, que não só engordava individualmente com donativos do sucateiro de Ovar, promovendo contratos de preferência e ilicitudes várias, como obtinha fundos para as campanhas eleitorais do PS.
A máquina socialista, a começar por Sócrates e a acabar no núcleo de trabalhadores socialistas da Refer, mobizou-se para “reconquistar a relação empresarial privilegiada entre Godinho e a empresa pública”, perdida em resultado de um diferendo judicial, resultante de um levantamento sem autorização por uma empresa de Godinho de 3,7 km de carris, traves e material de fixação da extinta Linha do Tua e que culminou num pedido de indemnização de 100.000 euros.

O despacho final do processo Face Oculta levanta inúmeras suspeições que para muitos são já certezas. O PS no exercício do poder foi permeável a inúmeras práticas ilícitas e mesmo criminais. Que já em 2006 não deixavam dúvidas.

poema

IDENTIDADE

Nós moramos no lado esquerdo da vida, naquela vertente íngreme sulcada por duros caminhos, mas percorridos sempre na vertical, com os olhos fixos no horizonte.

Nós vivemos contemplando planícies verdes da esperança, terra fértil, mesmo quando seca por sofrimentos múltiplos.

Nós moramos em tecto chão, habitação rústica de gente nobre e rigorosa, crente na força de uma razão consciente.

Nossos sonhos são voos rasantes pelos relevos de uma geografia humana eivada de trechos de uma história de desalentos ou imprecisões.

E nessas viagens há um equilíbrio de ideias certas, destinos inseguros, oportunidades promissoras.

Sabemos bem que há abrigos que são tempo de espera, refúgios que se abrem e se recobrem, palcos de cena pronta a expor e a esconder.

Extasiamo-nos muitas vezes com um pormenor cintilante, aquela fugaz estrela cadente que ilumina a neutralidade de um vazio nocturno.

Somos nós. Imperfeitas criaturas, mas sonhadores incorrigíveis, gente que sabe o que quer e quer que se saiba porquê.

EIS A NOSSA IDENTIDADE.
EIS A NOSSA DIFERENÇA.
SER COMUNISTA.
SERMOS NÓS.

Cristiano Ribeiro

sábado, 30 de outubro de 2010

Eric Clapton - Layla



Layla de Eric Clapton em versão jazística no Festival de Jazz de Montreux de 1997

com os metais de Marcus Miller e Dave Sanborn,

antecedida de "In a sentimental mood" de Duke Ellington

CONCORDE-SE OU NÃO NA TOTALIDADE

PAULO VARELA GOMES, UM TESTEMUNHO DO TEMPO

BIOGRAFIA

Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

DECLARAÇÃO

As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.

O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa.

Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador.

Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:
Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.
Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.

Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.

Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.

Deste modo, declaro:
1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;
2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;
3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.

Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Iraq's Secret War Files - Dispatches Wikileaks Special

manifestação 20 de Novembro Lisboa



Carlos Paredes - Verdes Anos

o NOSSO Carlos Paredes. Imortal.

A PROPÓSITO DA ABERTURA DAS GRANDES SUPERFÍCIES AO DOMINGO DE TARDE


*bosser=trabalhar


Os cartazes são europeus , mas a luta é a mesma: NÃO AO TRABALHO REGULAR AO DOMINGO.
Lutemos contra a DITADURA DOS CONSUMIDORES e a favor da DEMOCRACIA DOS CIDADÃOS.

POESIA DE JOAQUIM PESSOA

POEMA DE AGRADECIMENTO À CORJA

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa


Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948. Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa. O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

POEMA

POEMA DA MENTE

Há um Primeiro-Ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de modo tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,
Mas que mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão habitual/mente,
Que acha que, história afora, enquanto mente,
Nos vai enganar eterna/mente...

É A ECONOMIA AO SERVIÇO DELES!

O economista português António Borges foi ontem nomeado director do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em comunicado, o FMI refere que Borges irá substituir Marek Belka, que saiu no início deste ano para assumir o cargo de governador do banco central da Polónia, sendo esperado que inicie o mandato no final do mês de Novembro.
António Borges, que tem um vasto currículo no sector financeiro, e fez parte da Direcção do PSD com Manuela Ferreira Leite, preside actualmente ao Hedge Fund Standards Board.

“O principal desafio macroeconómico das economias desenvolvidas para a próxima década é assegurar que não se afundem em outra década perdida”, advertiu o Presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet,* na reunião anual de verão da Reserva Federal dos Estados Unidos. Na última década, Itália e Portugal foram, com a excepção do Haiti, os países com menor crescimento a nível mundial (2,43% e 6,47%, respectivamente). São seguidos por Japão (7,3%), Dinamarca (7,74%) e Alemanha (8,68%).
O que caracteriza o crescimento económico dos dois países europeus é o que alguns académicos chamam de modelo de crescimento em forma de L, com estagnação económica, prolongado período de crescimento próximo dos 0%, elevado desemprego, baixo consumo ou excesso de capacidade produtiva, perda de competitividade, aumento da divida pública (130% do PIB em Itália, quase 80% em Portugal, 217% no Japão).
Tudo isto está no EL PAÍS de 24 de Outubro.

António Borges entra em grande nas decisões económicas do País pela porta do FMI. Estamos lixados!

* o tal BCE que nos impõe unilalateralmente o valor do salário dos administradores do Banco de Portugal e restantes mordomias.

Cavaco, um presidente sem chama

Cavaco Silva é um poço de virtudes! Que qualidades poderiam vir juntar-se à sua extensa ignorância e fraca competência? Várias!

A demagogia de feira mais barata, com a estória dos cartazes, como se não andasse a esturrar o nosso dinheiro há meses, em descarada campanha eleitoral.

A promessa balofa: «Vou ajudar com os meus conhecimentos e experiência a que Portugal encontre um rumo...» Porque não “ajudou” nos últimos cinco anos? Ainda não tinha conhecimentos ou experiência?

A vaidade parola e a patética arrogância e auto-elogio: «Onde estaria o país sem os meus conselhos e os meus alertas?...»

O paternalismo fétido: «Já fiz tudo o que podia, mas é meu dever ajudar...»

Desonestidade e falta de coragem: A tentativa de prejudicar os restantes candidatos, que não podem competir com a sua campanha diária na televisão, “desafiando-os” a seguirem a sua falsa poupança nas despesas de campanha, ficando assim ainda em maior desvantagem, mostra apenas um homem desleal e eternamente com medo de tudo o que mexe... incapaz de dar um passo, sem ter garantia de sucesso.

A mediocridade e absoluta inexistência histórica: Portugal, para este homem, não passa de um mero “balancete” enfiado numa gaveta do escritório da mercearia. Não há uma ideia nova sobre o futuro, não há uma visão universalista, não há nada!

Uma coisa tenho que lhe reconhecer: A extraordinária habilidade para se esquivar dos salpicos de lama e estrume que andam pelo ar sempre que muitos dos seus antigos colaboradores e ajudantes - notórios corruptos e vulgares bandidos - abanam as orelhas.

Voltando às dúvidas de Cavaco Silva, coisa rara nele, agora pergunto eu: Como estaria Portugal se nunca tivesse conhecido o formato de cara ou sequer o cheiro do Aníbal Ministro das Finanças, do Cavaco Primeiro-Ministro e do Silva Presidente da República?

E respondo: Muito melhor!!!

(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

Foi verdadeiramente assustador a falta de perspectivas positivas surgidas no anúncio presidencial. Cavaco como Presidente não existe. A octogenária Rainha de Inglaterra talvez estivesse melhor. E a ausência dos barões da Direita, envergonhados, discretamente relegados para os bastidores, como eu os compreendo...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Novecento(1900) - Romanzo

"Romanzo", música de ENNIO MORRICONE para o filme "1900" de Bernardo Bertolucci, de 1976

A VERDADEIRA IMORALIDADE (A NU)


Sérgio Vitorino é um conhecido activista das causas dos direitos das minorias sexuais e também é apoiante do Bloco de Esquerda. Recentemente (19 de Outubro) no conhecido Blog 5 Dias, escreveu o que em baixo se transcreve, procurando estigmatizar o PCP como bastião do conservadorismo:

MORALISMO DE ESQUERDA

“PCP quer proibir anúncios de prostituição na imprensa. PCP apresentou ontem projecto de resolução para que prostituição seja reconhecida como exploração”.
Já cá faltava a repressão fabricada à esquerda, que confunde tudo, tráfico de pessoas com prostituição voluntária, trabalho com escravatura sexual, defender os direitos das mulheres com agravar seriamente as condições em que a prostituição é exercida. Como não posso fazê-lo, porque sou puta em todos os sentidos que me queiram atribuir, deixo às redes de tráfico de pessoas, que não representam senão uma percentagem mínima do próprio tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, e ainda mais mínima do trabalho sexual em Portugal, a tarefa de agradecerem ao PCP por este esforço de limpeza social e moral, claro está, que em pleno século XXI ainda não entendeu que a repressão do trabalho sexual e a precarização das suas condições só agrava as condições do seu exercício, especialmente dos/das que a exercem já nas condições mais precárias, que não concebe que a prostituição pode ser uma actividade voluntária – talvez se achem menos putas por trabalharem num call center do Belmiro – e que não compreende que meter tudo no mesmo saco, isso sim, é facilitar a actividade das redes criminosas e favorecer as verdadeiras situações de exploração sexual. De resto, caro PCP, o cú é meu, e só o explora quem eu quero.

Estamos perante um pensamento que assim expresso obteve algumas solidariedades inauditas como a seguinte escrito em 26 de Outubro de João Pereira Coutinho, colunista da área da direita radical, publicado no Correio da Manhã. A mesma colagem esteriotipada do rótulo arcaico.

PROSTITUIÇÃO MORAL

O nosso PCP, num ataque de probidade, pretende abolir os anúncios em que moreninhas atrevidas, com peito natural e formas generosas, oferecem os seus serviços

Quando li a medida, julguei por momentos que o PCP estava disposto a combater a publicidade enganosa. Erro meu. A ideia é combater a exploração, porque na cabeça arcaica do nosso PCP a prostituição é sempre uma forma de exploração – e não, digamos, uma opção da mulher, que prefere esfregar todo o tipo de superfícies, excepto escadas. Não contesto. Lamento apenas que, no meio do puritanismo, o PCP não pretenda combater um outro tipo de prostituição: a moral
...
Mas o que pensa o PCP?
O PCP propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo, nos termos do n.º 5 do Artigo 166.º da Constituição:

- O reconhecimento da exploração na prostituição como violação dos direitos humanos;
- A tomada de medidas urgentes de proibição de anúncios nos meios de comunicação social que, directa ou indirectamente, incitem à prostituição ou angariação de clientes para a prostituição;
- O lançamento de campanhas contra o tráfico e a exploração na prostituição em locais estratégicos, nomeadamente terminais de autocarros, estações de comboios e metros e aeroportos;
- A isenção de custas judiciais e atribuição de apoio judiciário com
base na presunção de insuficiência de rendimentos para as vítimas de tráfico e para pessoas prostituídas;
- A criação de um apoio financeiro específico e transitório para vítimas
de tráfico e pessoas prostituídas;
- Reforço da rede pública de casas-abrigo para vítimas de tráfico de seres humanos e de prostituição;
- A criação de uma linha telefónica SOS específica para casos de tráfico de seres humanos e exploração na prostituição;
- A adopção de medidas legislativas de protecção das vítimas de tráfico e exploração na prostituição, no seguimento da Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Declaração e Plataforma de Acção de Viena

A imoralidade, afinal, está em quem concebe a realidade actual da prostituição como simples trabalho assalariado, voluntário, expressão de liberdade, isenta de exploração, sem causas nem enquadramento social. Que o digam nacionais e estrangeiras, que por aí circulam, com as suas vidas, seus desejos, suas ambições. A dignidade humana não está, nunca estará, na página de anúncios do jornal.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Léo Ferré - Avec le temps

Uma obra prima

o meu prémio nobel da Paz

Pela denúncia corajosa dos crimes contra a humanidade perpetrados pelo exército americano e restantes exércitos presentes no Iraque com a cumplicidade das autoridades fantoches locais, o site WikiLeaks é o meu prémio "nobel" da Paz.

Reproduzamos essa ideia por todo o lado.

Fernando Botero



Fernando Botero é um pintor e escultor colombiano, nascido em 1932, na cidade de Medellin. Suas obras destacam-se sobretudo por figuras rotundas, o que pode sugerir a estaticidade da humanidade. Há de se perceber uma crítica social, especialmente no que diz respeito à ganância do ser humano. Aqui são as denúncias das torturas e outros crimes do exército americano em Abu Ghraib

domingo, 24 de outubro de 2010

Obras de Arte do Museu Guggenheim



MAMA, 1999
Louise Bourgeois
Aranha de 10 m de altura, em bronze, mármore e ferro inoxidável,



A MATÉRIA DO TEMPO, 1994-2005
Richard Serra
8 estruturas em aço







Sugestões para um bom fim de semana (3)


Audição de
HOLY GROUND NYC Live
MONO with Wordless Music Orchestra
2010

IN RAINBOWS
RADIOHEAD
2007

Inclui Videotape, Reckoner, Weir Fishes, Nude

HUMOR NEGRO


Prémio Nobel em Física para Portugal!

De fonte segura: Depois do átomo e da descoberta do neutrão, do
protão, do fotão, do electrão, do quark, do fermião, do busão, do
gluão, José Sócrates acaba de descobrir o pelintrão, um corpo sem
massa nem energia que suporta toda a carga. Com esta descoberta
Portugal, para o próximo ...ano, será um forte candidato ao Prémio
Nobel em Física!

NO INICIO O PSD ERA BRANQUINHO, AGORA ESTÁ PORQUINHO




Agostinho Branquinho, deputado do PSD, anunciou que vai deixar o Parlamento para integrar os quadros da Ongoing no Brasil.
Em tempos, ele questionava, na Comissão de Ètica e na Comissão de Inquérito ao negócio da compra da TVI pela PT, o director do Diário Económico (do Grupo Ongoing) sobre a empresa e sobre a sua defesa das posições do Governo. Agora certamente mais “esclarecido”, ele reforça o seu interlocutor de então, numa evidente promiscuidade entre o poder político e económico.
Branquinho abandona os compromissos que estabeleceu com os (seus) eleitores e fez-se á vidinha. É essa a responsabilidade e ética que os deputados do PS e do PSD revelam e que deveriam merecer o severo juízo dos cidadãos, independentemente de não ser legalmente admissivel tal comportamento.
Uma outra figura sórdida da política portuguesa é o igualmente “socialdemocrata” Isaltino Morais. É acusado agora de corrupção passiva e crime de participação económica em negócio. Quando Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, o actual Presidente da Câmara de Oeiras transferiu os direitos de construção de terrenos do Meco para um empreendimento na Mata de Sezimbra, obtendo em beneficio próprio uma parcela do empreendimento, estimado em mil milhões de euros. Outros participantes são investidores alemães, o ex- Presidente da Câmara de Sezimbra (PS) e uma Holding do Grupo Espirito Santo.
O PSD possui actualmente uma longa lista de militantes conhecidos acusados de práticas ilegais e mesmo criminosas. Um dia, talvez se torne necessário “ilegalizar” o Partido ou pelo menos dar-lhe uma boa barrela. Que se podia generalizar aos partidos chamados do "arco do poder", ou do cifrão.

sábado, 23 de outubro de 2010

a ETAR de Paredes e a irresponsabilidade do Poder




“Os Verdes” denunciam descargas da ETAR de Paredes no Rio Sousa

A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Paredes continua a emitir cheiros nauseabundos e há descargas directas e regulares no Rio Sousa. A denúncia partiu do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) com base em queixas da população. De acordo com os representantes do Colectivo Regional do Porto do PEV, que estiveram em Paredes numa quinta-feira, este é um problema de saúde pública.

Contactada, a vereadora do Ambiente da Câmara de Paredes garante que não há descargas, muito menos regulares, e que as obras realizadas pela autarquia na ETAR, em 2007, anularam praticamente os maus cheiros.

Cheiro é insuportável dizem moradoras

"A última vez que cá estive foi há cinco anos e a situação continua igual". Quem o diz é Maria João Pacheco, dirigente nacional do PEV. As queixas dos populares sobre os cheiros nauseabundos da ETAR de Paredes ficaram confirmados com esta visita, sustentou. "Vemos claramente que a ribeira está poluída fruto das descargas não só da ETAR, dizem os populares, como de outras ligações directas", disse Maria João Pacheco, ladeada por Júlio Sá e Miguel Martins.

A visita ao concelho pretende alertar, uma vez mais para esta situação. Agora irão junto dos deputados do PEV para que façam um requerimento junto do Ministério de Ambiente "questionando como pode, no século XXI, funcionar uma ETAR destas com um tratamento residual/secundário e a criar este mau ambiente". Isto numa altura em que as promessas de uma nova ETAR continuam por concretizar.

Na Rua de Sedouros, que passa ao lado da ETAR, não faltam queixas. Duas das moradoras, Maria Luísa e Fernanda Manuela, que ali residem há respectivamente 14 e cinco anos, confirmam: "Tem dias em que não se pode abrir as janelas. O cheiro é insuportável".

Já Raquel Moreira da Silva defende que desde que a Câmara fez as obras (em 2007) anularam-se praticamente os cheiros. Quanto a descargas "não há", garantiu a vereadora do Ambiente, lembrando que há fiscalizações. "Posso adiantar que houve uma fiscalização de surpresa, há cerca de oito dias, da Administração da Região Hidrográfica do Norte à ETAR. Já vieram os resultados e estão bons", acrescentou. Raquel Moreira da Silva adiantou que o contrato entre a Simdouro e a Águas de Portugal deverá ser assinado até ao final do mês. "Se isso acontecer, as obras do saneamento em alta deverão começar em Janeiro. Quando estiverem concluídas passaremos a debitar directamente para a ETAR que será construída em Paço de Sousa", lembrou.

As promessas camarárias valem o que valem. Eterniza-se o problema. A ETAR de Paços de Sousa é anunciada em Paredes e não é falada em Penafiel. Afinal sentir ou não os cheiros não passa de uma subjectividade da senhora vereadora.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

REVOLTADÍSSIMO - sentimento de um outro marujo


"«Estou chocado, estou revoltadíssimo», rematou Mira Amaral, num debate sobre a competitividade de Portugal... durante o Fórum Económico Mundial, a decorrer em Lisboa."
Mira Amaral está revoltadíssimo. Apesar de também ter tido as suas responsabilidades na situação do país, como ministro da Indústria de Cavaco Silva, de 1987 a 1995. Foi ministro no período de vacas gordas com grandes ajudas financeiras da Europa. E quais foram as grandes reformas do cavaquismo de que era ministro? Que resultados trouxeram aquelas ajudas? Desindustrialização, ruína das pescas , diminuição da área de vinha para diminuir a produção vinícola nacional e também para nos tornarmos recordistas na compra de Lamborguines no fragilizado Vale do Ave e em Jeep’s “IFADAP” nos "campos agrícolas" de Lisboa.
Mira Amaral está revoltadíssimo e terá as suas razões, apesar da reforma de 18.156 euros mensais que lhe é paga pelo Estado, desde 2004, aos 56 anos de idade, por ter estado 18 meses na CGD, para onde foi a convite do Governo do PSD que aceitou pagar-lhe a reforma de luxo (com o dinheiro dos contribuintes é fácil ser-se generoso).
Está revoltadíssimo apesar de, como presidente da Comissão Executiva do CA do Banco BIC, somar à reforma uma remuneração várias vezes superior àquele valor

(em blog Puxapalavra)

Vermeer- o geógrafo

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

HUMOR NEGRO

Comentário do dia:

"o leitinho com chocolate passa de 6% para 23% de IVA. O vinho mantém-se nos 13%. O meu neto vai passar a levar Porta da Ravessa para a escola..."

Marilyn Manson - Coma White

Um bocado de loucura...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A PROSTITUIÇÃO E A LEI


Anúncios com fotografias de corpos semi-despidos acompanhadas de frases curtas a sugerir "convívio", "prazer total", "serviço completo" ou a descrever atributos corporais e idade devem ser banidos dos media. A proibição de publicidade de incentivo à prostituição nos jornais é uma das medidas propostas num projecto de resolução do PCP apresentado ontem na Assembleia. O diploma visa que o Governo reconheça a prostituição como forma de exploração.

A deputada comunista, Rita Rato, esclarece que, apesar de alguns anúncios poderem ser colocados a título particular, "a prostituição é sempre uma forma de exploração" e "a exploração do ser humano deve sobrepor-se à liberdade de opção de cada pessoa". A deputada não tem dúvidas de que o Governo tem poder para intervir junto dos media e deve fazê-lo, tal como "já fez com o álcool ou com o tabaco". "O lenocínio e outras práticas associadas à prostituição são crime. Se esses anúncios incitam à prostituição, o Governo tem todo o direito de proibir essa publicidade", justifica a deputada do PCP.

O PCP aproveitou o facto de se assinalar, ontem, o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos para entregar o diploma. Além de exigir ao Governo o reconhecimento da prostituição como exploração, o projecto de resolução apresenta medidas concretas de combate ao tráfico de seres humanos.
Os comunistas defendem a criação de uma linha telefónica SOS, o reforço da rede de casas de abrigo e "um instrumento financeiro transitório de apoio" às vítimas. "Estamos dispostos a negociar qual seria a ajuda financeira e de que modo seria prestada. Queremos é que uma vítima de rede de tráfico tenha apoio durante um período que lhe permita sair desse círculo, arranjar uma casa e um emprego."
A "isenção de custas judiciais" para "as vítimas de tráfico e pessoas prostituídas" é outra das medidas defendidas. As vítimas que seguem para tribunal num processo contra o proxeneta, por exemplo, são hoje obrigadas a assegurar o pagamento das taxas de justiça.

Tráfico rende 2,5 mil milhões
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, anunciou os números - o tráfico de seres humanos rendeu 2,5 mil milhões de euros na UE em 2009 - e lamentou que os meios empregues no combate ao tráfico humano não sejam "proporcionais ao volume de negócios praticados na UE por criminosos".
(retirado do jornal i)

Cultura cigana - dança

Da Transilvânia, Roménia

O MUSEU GUGGENHEIM BILBAO











terça-feira, 19 de outubro de 2010

LeBron James - 16 pontos em 2 minutos

LeBron James, dos Cleveland Cavaliers, é um super-atleta. E faz magias com uma bola de basketball.

Registos da história - actas da adesão ao euro (II)

Actas do Parlamento Europeu- Sessão de Sábado dia 2 de Maio de 1998

Declarações de voto

Sérgio Ribeiro (PCP, integrado no GUE/NGL). – Senhora Presidente, os deputados do Partido Comunista Português, com a solenidade que a ocasião exigiria, mas que a euforia para impressionar a opinião pública não permite, declaram que:

- o seu voto é a expressão coerente de uma posição contra este projecto, o modo como foi conduzido e os interesses que serve. Não é um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, ou o controlo de dívidas, mecanismos e instrumentos. É, sim, um voto contra a sua utilização para impor estratégias que concentram riqueza, agravam desemprego, agudizam assimetrias e desigualdades, criam maior e nova pobreza e exclusão social, diminuem a soberania nacional e aumentam défices democráticos;

- é também um voto contra a formação do núcleo duro para a Comissão Executiva do BCE, privilegiando zonas geográfico-monetárias e partilhando influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder na instituição que condicionará todas as políticas dos Estados-Membros;

- após este passo, continuarão a combater os já reais e os previsíveis malefícios do projecto que integram os mecanismos e instrumentos criados. Procurarão, do mesmo modo, contribuir para que sejam potenciadas as suas virtualidades;

- lamentam, por último, que o Parlamento tenha perdido a oportunidade para se credibilizar como instituição democrática, por ter cedido à pompa e circunstância de um ritual de homologação ou de confirmação do que lhe foi apresentado.»

...esta foi a verdade de uma previsão justificada pelo PCP.

Registos da história - actas da adesão ao euro

Transcreve-se, também das actas, a declaração de voto dos deputados do Partido Socialista:«Marinho, Torres Couto, Apolinário, Barros Moura, Campos, Candal, Correia, Torres Marques, Lage, Moniz (PSE), por escrito.

– O euro entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1999. É uma certeza que desmente categoricamente os vaticínios negativos que muitos faziam.
Portugal, contrariamente às previsões daqueles que não apostavam um cêntimo nas suas possibilidades, venceu, brilhantemente, todos os exames e está na primeira fila dos países fundadores, participando com orgulho neste momento, verdadeiramente crucial da história da Europa, que assim dá sinais de não querer envelhecer e declinar. Ao contrário também daqueles que arrogantemente garantiam a pés juntos que para atingir o euro seria necessário sacrificar os interesses imediatos dos cidadãos e, ao mesmo tempo, previam uma crise da produção nacional. Portugal desmentiu, nesta recta final do euro, todas as teorias académicas e ideias adquiridas: o crescimento económico do país acelerou, o nível de vida dos portugueses melhorou e a capacidade de exportar aumentou.Tudo isto foi conseguido porque a grande maioria dos portugueses se sentem identificados com este grande projecto, porque trabalhadores e empresários souberam aproveitar a conjuntura favorável e porque, é justo dizê-lo, o Governo socialista soube combinar habilmente a expansão da procura interna com o investimento público e apostou na iniciativa privada, dinamizada pela baixa da taxa de juro. Tudo isto realizado num clima de tranquilidade social e de solidariedade de que a introdução do rendimento mínimo garantido foi o símbolo maior.
Não se pode dizer que não haverá problemas ou dificuldades. Todavia, tal como o país mostrou ser capaz de realizar as «performances» inesperadas que realizou, também será capaz de, com o mesmo espírito e dinamismo, aproveitar as oportunidades que tem à sua frente e aproximar-se mais depressa dos níveis médios de riqueza e das exigências de competitividade dos nossos parceiros do euro, com os quais encetamos esta caminhada inédita na história contemporânea. Caminho esse que não dispensa, antes exige, uma intensificação da dimensão política e social da integração europeia. A Europa política tem agora a palavra, o funcionamento democrático da União Europeia e o envolvimento dos cidadãos têm a prioridade.
Nós, que desde sempre nos batemos e sonhámos com este momento, temendo quantas vezes em silêncio que não nos pertencesse a alegria da chegada, sabemos reconhecer quem nos indicou o caminho e quem o tornou possível. Vivemos um acontecimento singular da história da Europa, um princípio e não um fim, e estamos conscientes que nesta nova etapa do projecto europeu, esta instituição, será chamada a uma maior intervenção nos destinos da Europa.»

...que grande erro de previsão do PS! isto foi uma grande desilusão!

FRANCISCO LOPES EM PAREDES E PENAFIEL



Francisco Lopes em Paredes a 31 de Outubro

Francisco Lopes, candidato à Presidência da República apoiado pelo Partido Comunista Português, estará no Concelho de Paredes no próximo dia 31 de Outubro (Domingo). O programa da visita será o seguinte:

11h – Sessão Pública na Junta de Freguesia de Parada de Todeia
12h30 - Almoço com apoiantes em Baltar (Restaurante “O Zangão”)
14h30 – Caravana e visita à festa de São Simão

Os interessados em participar no almoço poderão inscrever-se junto dos membros/responsáveis pelas organizações locais do PCP.

BILBAO / PORTO

As impressões de viagem são o que são: limitadas, relativas, irrepetiveis, no fundo são...impressões. Dependem do tempo, do tempo físico e do momento psicológico, das expectativas criadas e das realidades encontradas. Confirmam, ou desmentem, surpreendem ou deixam-nos indiferentes, sensibilizam à reflexão ou convidam ao virar da página no extenso livro das experiências da vida.
Bilbao é uma cidade cinzenta, clima húmido e oceânico, céu enevoado, temperaturas médias entre os 9 e os 20ºC, situada no norte da Península Ibérica. Surpreendentemente espraia-se nos dois lados de uma ria que penetra terra dentro, a uma dezena de quilómetros do mar. A sua orografia dispersa-se por um vale de margens por vezes ingremes. Bilbao é uma cidade modena de 400.000 habitantes na sua maior centralidade, e que não esconde uma história de centro industrial tradicional, com o mais importante porto comercial de Espanha, uma indústria metalúrgica, quimica, têxtil e produção de vinho e cereais. Bilbao é uma cidade segura, tranquila, sem pedintes na rua.
Alguma semelhança com o Porto parece-me evidente. Vejo a mesma tradição industrial e comercial, uma semelhante orografia, um clima com algumas similitudes, um contexto politico de capital regional em afirmação por vezes litigiosa e polémica com o poder central. O rio Nervión não é o Douro, o estatuto das autonomias regionais espanholas não é o actual estatuto “descentralizado” dos distritos portugueses, não temos linguas regionais nem pretensões independentistas.
Bilbao modernizou-se nos últimos 15 anos, com a deslocação do porto de águas profundas do seu interior para o mar, com a criação de obras emblemáticas como o Museu Guggenheim ou o aeroporto ou a Torre de 40 andares e 145 m da Iberdrola, empresa de electricidade, gaz natural e energias renováveis com sede em Bilbao e actividade em todo o mundo. Bilbao mantem um muito grande património arquitectónico de museus, e edifícios barrocos (Teatro Arriaga, Igreja de San Nicolás). Deixou de ser centro industrial para passar a ser núcleo de serviços, cidade turistica e gastronómica, disputado centro arquitectónico de referencia mundial (Biblioteca de Deusto, Ponte construida por Santiago Calatrava).
E o Porto? O Porto estagnou. Já foi sede de três bancos e de três jornais diários. Tem a Casa da Música, o Estádio do Dragão, o Palácio da Bolsa, o Parque da Cidade, Serralves. Devia ter muito mais atenção ao seu casco viejo, à sua zona antiga da Sé, Miragaia, S. Nicolau, Ribeira, Campanhã, e a própria Gaia antiga, devidamente recuperada, modernizada, valorizada. Devia reforçar a sua ligação á universidade, ás tecnologias modernas, á rede de transportes públicos do metro, do comboio. Devia trazer para o seu centro casais, familias, eventos. Devia ter museus, escolas públicas, hóteis, espaços comerciais de qualidade, unidades de saúde. Devia pensar em percursos pedonais extensos. Devia pensar-se como necessitando de mudar. Aprender com os outros, porque não?
Qual é a diferença entre Bilbao e Porto? Acho que é a mentalidade e o amor pela sua terra. Dizem-me que a riqueza criada pelos habitantes de Bilbao, quer seja localmente ou na emigração ou nos negócios mais globais, é (e foi) sobretudo investida em casa, na sua cidade, nos interesses locais. A burguesia bilbaína é profundamente empreendedora, dinâmica, orgulhosa. Para ela, em Bilbao, tudo é melhor, até o seu clube de futebol. Calemos o que pensamos da burguesia tripeira, sem brio, sem chama, sem energia.

cristianoribeir@gmail.com

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mariza - Minh' alma

Revolta no convés

Os marujos do PS andam nervosos. Um deles, André Figueiredo (na imagem) é secretário nacional adjunto do Ps, com o pelouro da Organização.É também Chefe de Gabinete de Sócrates. Veio de Seia e aos 33 anos é o verdadeiro homem-sombra, conhecido por ambição politica desmedida e ser triturador de adversários politicos. Ele está em todos os escândalos, do Face Oculta ao Freeport. Diz-se e assina como Licenciado em Direito, mas não consta como inscrito na Ordem dos Advogados nem se prova ter acabado o curso que frequentava na Universidade Internacional da Figueira da Foz, como denuncia um professor dessa extinta Instituição. É acusado agora de tráfico de influências nas eleições distritais do PS Coimbra.
Vítor Baptista, o outro marujo, acusa Figueiredo, de o tentar aliciar com cargo público para desistir dessa candidatura. Vítor Baptita, agora derrotado,refere irregularidades eleitorais e denuncia o convite para cargo no Metro de Lisboa, CP ou REFER e uma proposta de ordenado de 15.000 euros mensais. Sentenciou: "mas como não sei nada de comboios...". No meio, discreto q.b., terá estado Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas, igualmente famoso por já ter tentado aliciar a bloquista Joana Amaral Dias para o PS. Ainda mais distante, Sócrates acompanha o brilhante desempenho dos seus marujos.
ESTAMOS PERANTE UMA TÉNUE REVOLTA NO CONVÉS, COM O BARCO A AFUNDAR E O TIMONEIRO MOR Á ESPERA DA SALVAÇÃO.

LIÇÕES DO URBANISMO BASCO - PAMPLONA E BILBAO







domingo, 17 de outubro de 2010

Humor (sério) - Quino












Un Dia De Noviembre . de Leo Brouwer

Leo Brouwer é um compositor cubano. Aqui "Um dia de Novembro" por Peo Kindgren.

uma vitória da luta


Supremo manda a Cimpor reintegrar dirigente da CGTP-IN

A dirigente da CGTP-IN Fátima Messias apresentou-se na Cimpor para trabalhar, no dia 4 de Outubro, depois do Supremo Tribunal de Justiça ter confirmado que o seu despedimento não teve justa causa. Fátima Messias, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN e dirigente da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro, tinha sido despedida pela Cimpor em 2005, como um acto retaliatório pela actividade sindical desenvolvida pela dirigente e como medida destinada a enfraquecer a organização dos trabalhadores daquela empresa por via da intimidação.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cancion con TODOS



Canción con todos
Salgo a caminar por la cintura cósmica del sur,
piso en la región, mas vegetal del viento y de la luz;
siento al caminar toda la piel de América en mi piel
y anda en mi sangre un río que libera en mi voz su caudal.

Sol de Alto Perú, rostro, Bolivia, estaño y soledad,
un verde Brasil, besa mi Chile, cobre y mineral;
subo desde el sur hacia la entraña América y total,
pura raíz de un grito destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas,
todas las manos todas,
toda la sangre puede
ser canción en el viento;
canta conmigo canta,
hermano americano,
libera tu esperanza
con un grito en la voz

(de Cesar Isella y Armando Tejada Gómez. Interpretada por: Cesar Isella, Cuarteto Zupay, Pablo Milanés, Piero, Antonio Tarragó Ros , Silvio Rodríguez y Víctor Heredia

Contemporâneos - Casamento Cigano Homosexual

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

The National - About today

"Postar" uma música dos norte americanos The National não é dificil aqui. Eles merecem a repetição da escolha. A dúvida é saber qual. Esta é About Today do álbum Cherry Tree.

Propostas do Grupo Parlamentar do PCP

(para acabar de vez com a lenga-lenga de que o PCP nada propõe)
...
Do que precisamos no próximo Orçamento do Estado é de um aumento real dos salários, das reformas e pensões, que reponha uma parte da perda de rendimento dos últimos anos e que seja também um instrumento de combate à pobreza e de dinamização do crescimento económico. Precisamos de um orçamento que aumente o investimento público com vista ao crescimento económico.
Precisamos de um Orçamento que aumente os impostos onde isso é justo e indispensável e que corte na despesa onde isso é útil e justificável.

Relativamente à receita fiscal, o PCP insiste que é possível, (sem aumentar a carga fiscal já muito pesada sobre os trabalhadores ou os reformados, e sobre as micro e pequenas empresas), obter níveis de receita fiscal significativamente superiores, seja através do alargamento da base de incidência – começando finalmente a tributar rendimentos e lucros que hoje nada pagam -, seja através da aplicação de taxas mais justas e equitativas a rendimentos cujo nível de tributação é inaceitavelmente pequena, seja através da eliminação de benefícios fiscais injustos e injustificados.

Assim, no que respeita ao aumento da receita fiscal, o PCP propõe 5 medidas:

1. A criação de um novo imposto, (o Imposto sobre as Transacções e Transferências Financeiras, ITTB), que taxa em 0,2% todas as transacções bolsistas realizadas no mercado regulamentado e não regulamentado e que taxa em 20% as transferências financeiras para os paraísos fiscais. (receita adicional mínima de, respectivamente 260 milhões de euros e 1500 milhões de euros;

2. A tributação extraordinária do património imobiliário de luxo, através da introdução temporária de uma taxa de 10% de IMT (Imposto Municipal sobre Transacções Onerosas), e de uma taxa de 1% de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), onerando a aquisição e a detenção de imóveis e propriedades de valor superior a um milhão de euros (receita não definida);

3. A tributação agravada sobre a aquisição ou posse de bens de luxo, (em sede de ISV, Imposto sobre Veículos, e de IUC, Imposto Único de Circulação), incidindo sobre aviões particulares, iates de recreio e veículos de custo superior a 100 000 euros (receita não definida);

4. A tributação das mais-valias bolsistas, alargando a sua incidência a rendimentos do património mobiliário obtidos por Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS), entidades residentes no estrangeiro e fundos de investimentos. (receita adicional mínima de 250 milhões, equivalente à que o Governo estima obter com a tributação em IRS de rendimentos individuais de mais-valias mobiliárias, não entrando naturalmente em linha de conta com a receita da tributação das mais-valias obtidas pela PT pela venda da VIVO);

5. A aplicação de uma taxa efectiva de IRC de 25% ao sector bancário e grandes grupos económicos com lucros superiores a 50 milhões de euros, eliminando os benefícios fiscais que actualmente usufruem, e alargando este regime ao sector financeiro que opera na Zona Franca da Madeira. (receita estimada 700 milhões de euros, cerca de 350 para a banca, o restante para os grupos económicos).

O PCP propõe igualmente 5 medidas de redução da despesa fiscal:

1. Suspensão temporária do regime fiscal de isenção plena de IRS e IRC, ou de quase isenção em sede de IRC (taxa máxima de 5%), aplicável na Zona Franca da Madeira a empresas não financeiras, passando a ser aí aplicável pelo menos a taxa de IRC de 12,5% que incide sobre empresas localizadas no interior do País; (diminuição de despesa fiscal não inferior a 400 milhões de euros, face ao total de 1090 milhões de euros estimado no Relatório do OE de 2010);

2. Redução, de quatro para três anos, do período máximo durante o qual são permitidas deduções de prejuízos fiscais aos lucros tributáveis (diminuição de despesa não definida);

3. Eliminação dos benefícios fiscais, (por exemplo, de IMT e de imposto de selo), aplicáveis a operações de reestruturação empresarial (fusões e cisões empresariais); (diminuição de despesa não definida);

4. Revogação dos benefícios fiscais concedidos a PPR (corte na despesa fiscal de 100 milhões de euros);

5. O fim dos benefícios fiscais para os seguros de saúde – 100 milhões de euros

No que respeita à despesa, o PCP propõe 5 medidas de corte na despesa:

1. A participação das Forças Armadas em todas as operações no estrangeiro - 75 milhões de euros;
2. Abonos variáveis /indemnizações por cessão de funções - cortar 20% – 16 m€;

3. Aquisição de bens e serviços correntes – 1515 m€ , dos quais 396 em estudos, pareceres e outros trabalhos especializados e outros serviços dos quais propomos cortar 50% - cerca de 200 milhões de euros;

4. O fim da transferência de verbas da ADSE para os hospitais privados, cujo montante, certamente de dezenas de milhões de euros, continua a não ser divulgado pelo Ministério das Finanças;

5. O fim definitivo do escandaloso negócio do terminal de Alcântara com a Liscont, que agora avança para um Tribunal Arbitral por proposta da APL, figurino altamente favorável aos grupos privados, como o exemplo do hospital Amadora – Sintra demonstrou.

Para além destas propostas imediatas e concretas, o PCP apresenta ainda 5 medidas contra o desperdício de dinheiros públicos no futuro:

1. A redução para um máximo até cinco membros, de todos os Conselhos de Administração de Empresas Públicas e Entidades Públicas Empresariais, e para um número máximo até três membros dos Conselhos Directivos de Institutos Públicos, não podendo as suas remunerações serem superiores à do Presidente da República;

2. A redução para metade do número do pessoal dos gabinetes dos membros do Governo e de todos os altos cargos do Estado cujos titulares tenham direito a gabinetes idênticos aos de ministros e idêntica redução, para metade, do número do pessoal dos gabinetes dos Conselhos de Administração das empresas públicas;

3. O não estabelecimento de qualquer nova Parceria Público Privada, como forma de concretizar infra-estruturas ou realizar investimentos, a extinção das entidades reguladoras e a reintegração das suas funções na Administração Central, de onde foram retiradas; A não transferência de funções do Estado para empresas públicas em substituição de serviços da administração pública, como acontece com a transferência para uma empresa pública (GERAP) das contratações para o Estado assumindo que é para contratar privados para o desenvolvimento dessas funções;

4. Elaboração urgente, pelo Tribunal de Contas, de uma auditoria completa a todos os fenómenos de desorçamentação no Estado, incluindo as situações de migração para o direito privado e, ainda, para a determinação completa do nível de endividamento do Estado, incluindo o (designado) endividamento oculto;

5. O fim das injustificadas e milionárias contratações de software proprietário na Informática do Estando, cujos custos totais o próprio Governo afirma desconhecer e a efectiva opção pelo software livre.

...

FC Start: A honra acima da vida...

No ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, o exército nazi invadiu a cidade de Kiev, na Ucrânia, em uma das maiores rendições em massa da história da humanidade, de cerca de 665 mil soldados soviéticos. Durante os meses seguintes, chegaram à cidade milhares de presos de guerra, que não tinham permissão para trabalhar e para viver em casas, milhares de pessoas viviam sem rumo, sobrevivendo ao frio, à fome e ás perseguições.

Josef Kordik, um padeiro de origem austríaca, que falava alemão e a quem os nazis não perseguiam, caminhando pelas ruas da cidade, surpreendeu-se ao encontrar o gigante Nikolai Trusevich, doente e subnutrido, ele que antes da Guerra era guarda redes do Dínamo de Kiev, na época talvez a melhor equipa da Europa. Sem que os soldados soubessem, Kordik "contratou" o seu maior ídolo para trabalhar na sua padaria.

Após um certo tempo, o padeiro fez ao guarda redes uma proposta, em que continuaria pagando os seus vencimentos, mas em troca o guarda redes tinha que contratar os seus amigos de Dínamo, para organizar uma equipa de futebol, que disputaria uma Liga realizada, basicamente, por equipas de soldados do exército nazi. Os nazis realizavam campeonatos de futebol entre sí, mas poucas equipas locais tinham coragem e condições de enfrentá-los.

O guarda redes percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, os seus amigos de Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, esforçando-se para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os contratou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre os seus empregados uma equipa completa.

Voltar a jogar era, além de escapar dos nazis, a única coisa que sabiam fazer bem. Muitos tinham perdido as suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última recordação mantida de suas vidas anteriores. Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipa, assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar as equipas de soldados inimigos e selecções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram a sua primeira partida, apesar de não terem que comer e estarem exaustos pelos trabalhos forçados, venceram por 7 a 2 a equipa Rukh formada por um ex jogador do Lokomotiv de Kiev, aliado dos alemães após a invasão. Apresentaram-se de calças cotadas, sapatos e camisas vermelhas, com um só jogador de chuteiras apropriadas. Jogo a jogo, o Start foi se afirmando sobre os nazis e foi conquistando a simpatia dos adeptos locais, e os nazis até aumentaram o preço dos bilhetes para que o apoio diminuísse.

No dia 6 de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipa com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma equipa utilizada como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazis tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazis. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de desportivismo dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Após essa escandalosa queda da equipa de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. De Berlim veio a ordem de que todos os jogadores deveriam ser mortos, inclusive o padeiro; porém, os soldados nazis não se deram por satisfeitos e queriam realizar uma partida contra o Start para derrotá-los, e para que estes não morressem com a fama de vitoriosos. A superioridade da raça ariana, em particular no desporto, era uma obsessão para Hitler e para os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar a equipa num jogo.

A vingança foi marcada para 9 de agosto, no estádio Zenit, completamente lotado. Antes do jogo, um oficial das SS entrou no vestiário, apresentando-se como árbitro do encontro, e disse em russo que se o Start vencesse o jogo todos morreriam. Antes da partida, os nazis avisaram os jogadores que eles deveriam realizar a saudação nazi, porém enquanto os alemães gritavam "Heil Hitler!", os ucranianos gritavam "Fizculthura!" com a mão no peito , uma expressão soviética que proclamava o incentivo á cultura física.

O primeiro gol foi marcado pelos alemães, porém no intervalo o Start já vencia por 2-1. No intervalo os jogadores foram ameaçados com armas para que entregassem o jogo, mas os atletas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, nos 36 mil que nas arquibancadas gritavam desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar. O placarde final foi de 5-3 e quase no termo da partida, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o guarsda redes alemão, deu-lhe um drible deixando-o estatelado no chão, e ao ficar em frente à baliza, quando todos esperavam o golo, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de desrespeito, de superioridade total. O estádio irrompeu em clamor, num momento único de libertação e de incentivo á resistência.

Depois de uma última partida, a Gestapo visitou a padaria, e o primeiro a morrer torturado em frente de todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente com um tiro na nuca Kuzmenko, Klimenko e o guarda redes Trusevich, que morreu vestido com a camisola do FC Start e segundo testemunhos terá gritado antes de morrer : “o desporto vermelho nunca morrerá”. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em Novembro de 1943. O resto da equipa foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de bilhete de entrada daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, subsidiado de forma permanente, conserva-se actualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

pintura



Francisco Goya (1746-1828) - O 3 de Maio de 1808 (Museu do Prado, Madrid)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nick Cave, Charlie Haden e Toots Thielemans - Hey Joe

Esta versão de Hey Joe, de Jimmy Hendrix, merece ser saudada e bem ouvida. Muito estimulante.

The Muppet Show - Sax e Violência

Os Marretas, numa versão musical.

PCP pede investigação de PGR sobre nomeação política

Os comunistas querem saber se a nomeação do antigo Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, em Abril, para o Conselho de Administração da Cimpor - empresa do sector tutelado pelo governante – está conforme a lei em vigor.

“Desde Abril que defendemos que há um potencial conflito com a legislação presente, que impede, no nosso entender, que ex-governantes exerçam cargos deste tipo em empresas antes tuteladas por eles próprios”, justificou Honório Novo, à margem das Jornadas Parlamentares comunistas, que terminam em Santarém.

A lei impõe "um período mínimo de três anos entre a cessação de funções governativas e o exercício de cargos públicos em empresas que exerçam actividades em áreas tuteladas por antigos governantes". António Castro Guerra esteve em funções até 2009.

Por isso, o PCP escreveu à Procuradoria-Geral da República a reportar a situação, uma vez que “a Comissão de Ética não se quis pronunciar e o senhor ministro das Finanças questionado pelo grupo parlamentar do PCP em Abril não respondeu”.

Os comunistas esperam que o gabinete de Pinto Monteiro “promova as iniciativas que considere adequadas para avaliar da conformidade legal ou não desta nomeação, e do apoio que lhe foi dada pelo Estado, através da Caixa Geral de Depósitos, como accionista de referência, o que naturalmente teria de ter o apoio do ministro das Finanças", justificou Honório Novo.

Antes de avançar com o nome de Castro Guerra, o Governo tinha sugerido Mário Lino, antigo ministro das Obras Públicas do mesmo Executivo de que fez parte o ex-secretário de Estado-Adjunto de Manuel Pinto. Castro Guerra é Professor Associado do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), e foi Presidente do IAPMEI (no tempo de Guterres) e do IPE (Investimentos e Participações do Estado - Holding estatal)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Arte cubana


Sonata em tiempo de sequia
Makyel Herrera

Irakere - Misa negra



Uma das obras primas de Irakere, a secção de sopros é uma das melhores do mundo (na realidade a melhor), o que converte esta obra numa das mais importantes composições criadas pelo grande Chucho Valdés e a sua inigualável orquestra.
A orquestra está formada nesta gravação por: Carlos Averhoff sax tenor, Germán Velazco sax soprano, Jorge Varona e Juan Munguía trompetes, na percussão cubana Oscar Valdés e Jorge "El Niño" Alfonso, a bateria Enrique Plá, no baixo Carlos del Puerto, a guitarra Carlos Emilio Morales e como sabemos todos no piano, direcção e composição Chucho Valdés (o tema está no álbum gravado em estudio que inclui a canção "Missa negra" reinterpretada por esta nova orquestra de Irakeres no ano de 1986).

MAIS UM MARUJO (chegado da JS)

Eixo do Mal, João Galamba... e os marxistas que “começam” a ter razão

De vez em quando vejo o “Eixo do Mal”. Para quem não está familiarizado com os programas de entretenimento político da SIC Notícias de Pinto Balsemão, o “Eixo do Mal” é um espaço de comentário político e social, de pendor humorístico, aqui e ali, e grande salgalhada, quase o tempo todo. É moderado por Nuno Artur Silva, alma das “Produções Fictícias”, um jovem adulto que produz coisas que se farta. O painel de comentadores é constituído por Daniel Oliveira, jornalista e do BE, Pedro Marques Lopes, uma espécie de neoliberal fanático do PSD, Clara Ferreira Alves, uma senhora palavrosa e literata, que ainda não percebeu bem se, nesta altura do campeonato, lhe convém mais defender Sócrates e o PS, ou ser contra Sócrates, mas a favor do PS, se contra Sócrates e PS. O ramalhete é normalmente completado por um irado e atabalhoado Luís Pedro Nunes, sempre de braços abertos no ar e que quando fala metade do que diz não se percebe, o que é uma grande sorte se considerarmos que a restante metade são asneiras...só que alguma coisa tem “a seu favor”, para ter sacado o lugar de director do suplemento humorístico do Público, o “Inimigo Público”.

Na última madrugada de sábado para domingo, já me “parabenizava” pelo facto de o “humorista” do Público estar ausente, quando me apercebi de que era cedo demais para festejar. Luís Pedro Nunes tinha sido substituído por um convidado especial, o deputado do PS João Galamba, um extraordinário exemplar de fanático de Sócrates, na forma trauliteira.

O programa em si, não teve um interesse por aí além... mas o jovem deputado não defraudou as minhas expectativas e, entre muitas pérolas, saiu-se com duas frases que, espero, fiquem no seu currículo.

A primeira, mostra até que ponto o PS abandonou a ideia de uma Economia enquanto ciência social ao serviço dos povos, para abraçar o mais abjecto “financeirismo”, ao serviço daqueles que exploram os mesmo povos. Enquanto tentava convencer os presentes de que estava muito solidário com os portugueses roubados pelos vários apertos de cinto que culminaram neste PEC III e que estava ciente (quem não está?) de que estas medidas vão trazer a recessão, mais desemprego e degradação da situação dos portugueses, disse com ar sério: «É um orçamento economicamente desastroso, mas financeiramente necessário!»

A segunda é um verdadeiro prodígio que mostra bem até onde pode descer a honestidade política e subir a falta de vergonha... uma frase que nem sei como comentar e que cito de cor, mais palavra, menos palavra: «A tragédia disto tudo é que tudo isto começa a dar razão aos marxistas...»
(em Blog Cantigueiro)

Intervenção na Asembleia da República

"O Sr. João Galamba (PS): - a razão pela qual Portugal tem a precariedade e o desemprego que tem é em grande parte devido às estruturas sindicais, reaccionárias e de posições

(Risos do BE e do PCP)

O Sr. João Oliveira (PCP): — Parece o CDS a falar!

O Sr. João Galamba (PS): —… que sacrificam trabalhadores"
(Aplauso entusiástico do PS)

(em Blog Autoridade Nacional)

domingo, 10 de outubro de 2010

A CIDADE VERDE QUE TEM UM CÉREBRO- 06 October 2010 - New Scientist

The green city that has a brain - 06 October 2010 - New Scientist

A CIDADE VERDE QUE TEM UM CÉREBRO (esboço de tradução)
Helen Knight

Uma ecocidade, que os seus construtores querem terminar em 2015, inspira-se no modelo do sistema nervoso.
Se as cidades de hoje fossem seres vivos, seriam monstros, responsáveis por consumir cerca de 75 por cento dos recursos naturais do mundo.
Agora uma mais benigna criatura urbana emerge. A cidade planeada pela PlanIt Valley nas proximidades de Paredes no Norte de Portugal (ver mapa), pretende ser uma cidade ambientalmente sustentável. E, como um organismo, ela terá um cérebro: um computador central que regula tudo desde a água até ao consumo de energia.
Várias ecocidades estão em preparação, mas esta pode ser a primeira a ser completamente construída, em 2015, e pode abrir as suas portas tão cedo como no próximo ano. Enquanto Masdar City no Abu Dhabi recebe os seus primeiros habitantes este mês, não estará contudo pronta completamente antes de 2020. E o desenvolvimento de Dongtan perto de Shangai na China não saiu ainda do terreno, devido a dificuldades financeiras e politicas.
Como outras cidades sustentáveis, PlanIt Valley tratará a sua própria água e utilizará energia renovável. Os edifícios terão terraços ajardinados, que reduzirão a temperatura local através da evaporação, tal como absorvendo água da chuva e poluentes.
Estas são as únicas semelhanças com outras ecocidades, de acordo com os construtores da Living PlanIt baseada em Paredes. Mas PlanIt Valley será construida mais perto de terminais de transporte do que acontece em Masdar. Mais significativamente, o seu “cérebro” usará dados obtidos de uma rede de sensores como no sistema nervoso para controlar a produção de energia, água e tratamento de efluentes. É uma espécie de “metabolismo urbano”, disse Steven Lewis, director executivo da Living PlanIt.
Embora esta rede de sensores pareça cara, o custo da instalação será minorado pela utilização de técnicas de construção mais eficientes. “ Porque reduzimos o preço de construção , podemos gastar algo mais com a tecnologia”, diz Lewis. Como exemplo, o software usado no desenho de carros e aviões foi utilizado para criar modelos arquitectónicos.
E mais, os edifícios são prefabricados, pelo que quando a construção começar no fim de 2010 tudo será mais barato e rápido. A forma hexagonal das construções foi escolhida para tornar a utilização do espaço mais eficiente.
As tecnologias da cidade podem ser reconvertidas para as cidades preexistentes. Esta será uma grande ideia, diz Simon Joss da Universidade de Westminster em Londres. Ele acrescenta que a data final de 2015 pode ser algo optimista, e que o sucesso do projecto não pode ser assegurado até que as pessoas se instalem. “É no fundo criar uma comunidade”, diz.

Cérebro e sistema nervoso
PlanIt Valley terá o seu artificial sistema nervoso para controlar o seu consumo de água e energia.
Os sensores de cada edifício medirão a sua habitação, temperatura, humidade e uso de energia. Esta informação será dirigida para um “cérebro “ central , tal como informação sobre produção de energia de placas fotovoltaicas e turbinas eolicas, como da água consumida e efluentes produzidos.
O cérebro pode assim usar a informação para controlar cada aspecto da cidade. Por exemplo, se os sensores mostram que o nível de água no tanque de armazenamento de um edificio é baixo, o sistema moverá água de outra construção onde haja em excesso.
Utilizará também previsão meteorológica para prever dias enevoados, que reduzirão a quantidade de energia gerada pelas placas fotovoltaicas da cidade. Então comutará para usar energia aerrmazenada na forma de gelo produzido por excesso de electricidade de dias soalheiros, para assegurar água arrefecida para os sistemas de ar condicionado do edifício, por exemplo.
Um centro tecnologico urbano processará toda a informação desencadeada pelos sensores do sistema – perto de 5 petabytes cada dia. Para prevenir um problema que atingisse o centro tecnológico e quebrasse a cadeia de controle da cidade inteira, cada edifício terá suficiente poder informático para funcionar por si só.
Para guardar em pilhas termicas, o ar quente produzido pelo centro tecnológico será usada para aquecer outros edifícios. ´

Rins
Só 3 por cento da água consumida na cidade é usada para beber e cozinhar, por isso os edifícios na PlanIt Valley reutilizarão tanta água quanto possível.
Água de cozinhar pode ser recolhida e reutizada em casas de banho. Igualmente, a água da chuva será recolhida em tanques nos terraços ajardinados dos edifícios e depois filtrada pelas plantas para remover poluentes. Uma série de lagoas no parque central da cidade usarão juncos, bambos e outras plantas para filtrar água efluente, tornando-a reutilizável como “água suja” em casas de banho e irrigação.
Uma vez estas plantas crescidas, consumindo dióxido de carbono, serão abatidas para produzir biodisel, com uma nova fileira plantada para as substituir.

Olhos e ouvidos
Se uma criança desaparece, os seus pais podem virar-se para os olhos da cidade: uma rede de camaras ligadas ao software. Uma aplicação chamada “Encontrar o meu filho” permitirá aos pais encontrar os filhos que vagueiam pelo centro comercial, por exemplo. Software primeiro descobre se a pessoa que procura a informação tem direito a conhecer a resposta- como um pai- e depois automaticamente procura a pegada nas camaras de segurança para identificar a criança baseada numa descrição das roupas e aparência.
“Encontrar o meu filho” é um exemplo das “aplicações locais” que PlanIt Valley pretende desenvolver em colaboração com firmas de software. Elas podem estar disponiveis em pontos de terminais de computadores em torno da cidade ou em smartphones. Outras possíveis aplicações podem ajudar os habitantes a procurar um lugar de estacionamento, por exemplo.
As aplicações podem também usar microfones para ouvir sons. Uma Aplicação Local destinada a servir uma sala de reuniões de um edificio de escritórios pode identificar o assunto de conversa da reunião através do uso de palavras chave. Assim pode sugerir potenciais colaboradores dentro e fora da empresa, propõe Lewis.

Estomago
Esta cidade terá sucesso por comer os seus lixos. Usualmente, as cidades afastam somente 5 % de lixo para reciclar ou produzir energia. Na PlanIt Valley são 80 por cento.
Efluentes humanos e orgânicos serão usados para produzir electricidade. Um digestivo anaeróbio usará enzimas para estimular microbios para digerir tais efluentes, produzindo químicos que podem ser fermentados e distilados em biofuel para alimentar os carros da cidade e gerar electricidade. O processo também gera para-produtos como aminoácidos e vit B12, que pode ser vendida á industria farmacêutica.
Detergentes digestivos também foram desenvolvidos para casas. Assegurado por uma barra contendo enzimas, eles transformarão comida e efluentes humanos para criar biofuel, que pode ser queimado para gerar electricidade.
Na restante efluentes, o aluminio pode ser extraido e usado em reações quimicas para criar hidrogénio, que pode ser usado como fuel em veículos.
Finalmente, um reactor de biomassa pode aquecer todo os efluentes que não possam ser reciclados a 400.º c sem oxigénio, um processo chamado de pirólise, para gerar energia e biochar, que pode ser usado como fertilisante.
Os residentes não terão de separar plasticos e vidro no seu lixo. Todos os efluentes são tratados pelo centro de purificação que limpa materiais de contaminação orgânica, antes de serem separados. Isto significa que mais pode ser reciclado.