um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 30 de julho de 2010

migalhães

Lá vem pelo avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação


Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou


O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão


Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição


Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores


E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe


Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre Migalhães


(versos aqui publicados sem intenção de fazer campanha contra o "Magalhães")

in papeisdealexandria.blogspot

CONVERSA DA TRETA - Imigrantes & Halibut!

ANTÓNIO FEIO (1954-2010)

Sem palavras...

da leitura da blogosfera

Pensar à esquerda, sem vacas sagradas --- Grazia Tanta

(transcrevo um extracto deste artigo publicado em resistir.info e com que em grandes traços eu concordo)

O pensamento único

A grande concentração da produção de informação e de conteúdos pretende gerar uma forma única de pensamento, alicerçado na inelutabilidade do capitalismo, sobretudo na sua versão neoliberal, de endeusamento da concorrência, do espírito empresarial e do mercado.
Pretende-se um mundo configurado e feliz na adopção daquele pensamento único, ocultando-se a contestação ou, quando tal não é possível qualificando-a de terrorismo. A grande aposta dos media são “fait-divers”, as desgraças ocasionais ou a vida cor-de-rosa da “beautiful people” e debates políticos semelhantes à discussão das virtudes da água benta sobre a água comum.
A escola, mormente o ensino universitário, pretende colocar no mercado “produtos” reprodutores desse pensamento único e onde prepondera a ausência de espírito criativo e crítico. O principal veículo de liberdade informativa e de pensamento está na internet que, por isso, está a ser objecto de formas engenhosas de controlo, por parte de uma aliança entre os governos e as indústrias de conteúdos...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Milton Nascimento - Maria, Maria

DE 1978, UMA OBRA PRIMA... MARIA, MARIA

EB 2,3 DE BALTAR E A SEGURANÇA DAS CRIANÇAS






Não basta não utilizar as instalações, convém colocar uma vedação de segurança... ou então deitar abaixo. Para que não ocorram mais acidentes...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

1.º aniversário da USF S. Martinho - cont)


chim, chim....



invejosos...

o cemitério de Alcochete

O Instituto de Conservação da Natureza negou á Câmara Municipal de Alcochete a intenção de instalar um cemitério na zona da antiga fábrica de pneus de Firestone. O argumento era a “pressão humana” que tal equipamento iria gerar numa zona ambientalmente sensível.
Dois a três anos após, já não se “contrariava o espírito” da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, classificada de Reserva Ecológica Nacional, aprovando o mesmo ICN um complexo comercial de cerca de 75 mil m2 , e viabilizando a construção do Freeport, a cem metros da zona mais sensível da Zona de Protecção Especial, de lamas e sapais.
A aprovação pelo Governo Socialista ocorre a 3 dias das eleições legislativas que dariam a vitória ao PSD de Durão Barroso. O ministro do Ambiente era então José Sócrates.
Nas suspeitas de corrupção na viabilização do empreendimento, nas suspeitas de extorsão, nos milhões que os promotores do empreendimento pagaram e alguém recebeu, nas luvas para financiamento ilícito de partidos, sabemos agora que tudo se esfumou nos sapais e lamas de Alcochete.
E um cemitério apareceu aí onde jaz a verdade e a transparência.
Sócrates, inocente? Ainda bem! Inauguremos então o novo cemitério.

terça-feira, 27 de julho de 2010

sugestão de leitura

"Os Ingleses no Egipto" - Eça de Queirós

Em 1882, o autor publica na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, o texto que foi reeditado em 2004 pela Caminho. Mais de cem anos após, a sua leitura surpreende pela sua actualidade.

A presença de potências europeias, como a Inglaterra e a França, nas margens do Nilo, os jogos de poder do colonialismo e e o conflito entre as duas civilizações, são descritos com uma moderna reportagem, informativa e interpretativa.

"Pela quarta vez na história, Alexandria deixou de existir"...e afinal a presença actual de tropas ocidentais no Médio Oriente e Mesopotâmia tem antecedentes e lições a tirar.

1.º aniversário USF S. Martinho - 20-7-2010



a amizade dos outros, sempre presente




a "velha" geração



a passagem do tempo...



cumplicidade...

Aguaviva - La canción del vencido (Fotos de Guerra)

AGUAVIVA - LA CANCIÓN DEL VENCIDO

poesia avulsa

RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA

AMOR

Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo

MÁRIO QUINTANA

Quero apenas cinco coisas ...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

PABLO NERUDA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

tragédia em Parada de Todeia

Conhecia todos os protagonistas do incêndio que matou dois cidadãos ilustres de Parada de Todeia. Estamos perante um drama, uma tragédia que enluta essa comunidade pacata, e a coloca em choque.
O sr. Leão e o sr. Fausto eram ilustres cidadãos da freguesia. Tinham uma vida discreta, e representavam um passado digno e um estatuto unificador da comunidade. Contribuiram até muito recentemente com parte do seu património para que o bem estar dos vizinhos pudesse existir. Eram uns bons interlocutores de autarcas, com forte consciência social do seu dever cívico.
Uma desavença entre um casal de inquilinos, e as perturbações de alguém vítima de desejos não correspondidos, parecem estar na origem do desenlace que os vitimou.
Deixo uma palavra sincera de apoio á Ana do Apeadeiro e ao marido, hoje certamente com o coração amargurado, o desgosto e a vergonha á porta, bem como a filha Ana Maria, e família, que reside em Penafiel.
Só nos resta lamentar o sucedido e evocar a memória de quem em vida foi útil ao seu semelhante.

Portugal Campeão Mundial Universitário de Sevens- Râguebi

A Seleção Nacional sagrou-se campeã do Mundo, ao derrotar a Rússia por 35-17, na final do Mundial Universitário de Sevens, no Estádio do Bessa, no Porto.
Portugal esteve a vencer por 14-0, mas permitiu aos Russos uma redução para 14-10, ao intervalo. A seleção portuguesa apresentou-se de novo ao melhor nível no segundo tempo e fechou a final com o resultado 35-17.
A equipa lusa tinha afastado a Espanha por 35-0 nas meias-finais e conseguiu derrotar a Rússia na final, já depois de sexta-feira ter vencido esta seleção por 19-12, ainda na fase de grupos.
Também na sexta-feira, Portugal tinha derrotado a Bélgica (47-5) e o Líbano (68-0), depois de na quinta-feira ter vencido a Polónia por 50-7, Itália por 17-0 e Taiwan por 50-5

poema

TEMPO

Há dias
como areia fina escorrendo entre os dedos
dias cansados, estéreis
ausentes

Há vidas
percorrendo o silêncio de tais dias
vidas raras, rareadas
imprudentes

Cristiano Ribeiro

POEMA - Natália Correia

Já que o coito – diz Morgado* –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.


Natália Correia

*Morgado era nome de um Deputado do CDS

domingo, 25 de julho de 2010

Sleep: - Godspeed You! Black Emperor

a música dos GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR, grupo canadiano, não é fácil mas vale a pena ouvir.

a propósito da abertura dos hipers ao domingo

A VITÓRIA DO BELMIRISMO

A conversa é sempre a mesma: a facilidade de acesso aos bens de consumo, o direito da livre escolha, as vantagens para os consumidores, etc. etc.
Na verdade, só o belmirismo fica a ganhar. Argumenta-se com a criação de postos de trabalho. Gostava de ver a folha de vencimentos dos novos funcionários dos hipers. E gostava de saber que lucro acrescido para os super-merceeiros representa anualmente esta cedência do governo.
A CGTP está contra, a UGT está contra, a Igreja está contra. Pouco importa. Socrates rendeu-se, uma vez mais, aos argumentos dos poderosos. A ideia com que que ficamos é que ele já não sabe bem que mais fazer nem que há-de fazer...

(in avenidadasaluquia34.blogspot.com)

frase

Perante a denúncia do "esquecimento" por parte da autarquia de Paredes da comemoração do centenário da classificação do Mosteiro de Cete como Monumento Nacional, Raquel Moreira da Silva, substituta do Presidente da Câmara de Paredes na sessão da Assembleia Municipal de 24 de Julho, comentou:

"Lamento!... mas a Rota do Românico também...(patati, patatà)

Comentário: tanto assessor, tanto colaborador, tanto jornalismo local, tanto profissional "encartado" da cultura e não é que têm que ser os "comunas" do sítio a lembrar tão importante data! Sinais dos tempos.

sábado, 24 de julho de 2010

Manifesto Anti-Dantas

almada negreiros e mário viegas - o manifesto anti-dantas...

basta mudar o nome do dantas e o manifesto ganha actualidade.

Salvem os ricos (contemporâneos) www.arrastao.org

Salvem os ricos...pois claro.

O HUMOR DOS CONTEMPORÂNEOS

intervenção na AM Paredes

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Paredes e restante Mesa
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Paredes e restantes Vereadores
Exmos. Membros da Assembleia Municipal
Respeitável Público

São inúmeros os temas a tratar com prioridade nesta Assembleia. Mas falta tempo disponível.

Comecemos pela Problemática Colocação do Mastro. No inicio eram os mecenas da República os que apostariam em financiar o Mastro. Agora não há uma só empresa de construção que prescinda de margens de lucro da sua construção...Fica Celso Ferreira, a Presidência da República e a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República sem o seu mastro...e nós ganhamos uma música dos Deolinda.

Continuemos pela Inusitada Condecoração de Relíquias Socialistas. O convite originou desconforto. Explico. Nas comemorações do Feriado Municipal do Concelho de Paredes, foram condecoradas em Sessão Pública com a Medalha de Ouro do Município, Maria de Lurdes Rodrigues (ex-Ministra da Educação), Margarida Moreira (ex- Directora da DREN), Maria Antónia Marques (ex-Coordenadora do CAE Tâmega) e o árbitro de futebol Jorge Sousa.
O reconhecimento de (cito)“proclamados relevantes serviços para o desenvolvimento e dignificação do concelho” foi aprovado por unanimidade do Executivo.
Atribui-se a medalha de ouro a quem é reconhecida como a mais polémica e negativa Ministra da Educação do pós-25 de Abril, e que suscitou a oposição activa e a mobilização de toda a classe docente e que por tal motivo foi demitida da pasta governamental na primeira oportunidade.
Atribui-se a medalha de ouro a quem assumiu o papel de comissária política nos serviços regionais Norte da Educação, estando ligada a casos de despotismo e exercício autoritário do poder.
Atribui-se a medalha de ouro, por fim, a quem exerceu a sua actividade profissional, a sua única actividade social conhecida, nos limites do previsível e sem particular relevância, ou importância para o concelho. Também aqui o critério é discutível.
Estamos perante um caso de verdadeira traficância de interesses e de mordomias, afectando PS e PSD, tão carentes de elogios mútuos, quanto de manobras dilatórias de uma inexistente demarcação.
Se a coerência imperasse nas decisões políticas no Concelho, talvez Sócrates merecesse de Celso Ferreira um apoio consistente e Celso talvez merecesse substituir Penedos na assessoria a Sócrates em Lisboa.

O PCP tem vindo a denunciar os sucessivos atropelos aos direitos dos trabalhadores e as ilegalidades que são cometidas por inúmeras empresas da região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.
Nos primeiros 6 meses do ano o PCP apresentou na Assembleia da República 10 requerimentos sobre 16 empresas em 6 concelhos desta região.
Estes requerimentos já resultaram em várias inspecções de trabalho, tendo 4 empresas sido notificadas para regularizar irregularidades e 3 empresas sido alvo de contra-ordenações.

No concelho de Paredes, destacamos a situação de 3 empresas:
ZS Mobiliário, Lda. – Empresa de mobiliário, que encerrou fraudulentamente em 28 de Junho, tendo impedido os trabalhadores de entrar na empresa após os enviar para férias e proceder à retirada de activos da fábrica (tem as máquinas e terreno em nome de familiares). Não pagou aos 12 trabalhadores os salário de Maio e de Junho (a alguns ainda devia Abril).
J.Moreira da Silva e Filhos, SA – Empresa de mobiliário, em Rebordosa, que obriga os seus 80 trabalhadores a trabalhar mais meia hora por dia sem pagamento do trabalho extraordinário.
ADC – Móveis e estofos, SA – Empresa de mobiliário em Vandoma, que obriga os seus 60 trabalhadores a trabalhar mais uma hora por dia sem pagamento do trabalho extraordinário, há mais de meio ano. A resposta da ACT confirmou a situação e instaurou contra-ordenações, tendo detectado também câmaras de vigilância de regularidade duvidosa.
As denúncias que temos vindo a fazer têm permitido resolver algumas dessas situações, repondo a legalidade e assegurando o cumprimento dos direitos de quem trabalha.
Mas a realidade comprova que a regra no mundo do trabalho nesta região não é o cumprimento dos direitos de quem trabalha, mas sim a exploração cada vez mais desumana dos trabalhadores, frequentemente associada a um clima de forte repressão e intimidação.
A falta de meios humanos e materiais das autoridades inspectoras, em particular da ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) associada à orientação política de um Governo que insiste em ser severo com os trabalhadores mas passivo e cúmplice com os patrões sem escrúpulos, tem resultado numa degradação das condições de trabalho na região.
No plano imediato o PCP reclama medidas concretas e urgentes, das quais destacamos:
Reforço dos meios da ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho;
A defesa do aparelho produtivo, alargando o investimento público, apoiando as micro, pequenas e médias empresas, privilegiando o mercado interno;
Requalificação profissional e diversificação da indústria;
Criação de Emprego, combate ao desemprego e apoio aos desempregados tendo como objectivo uma política de pleno emprego, combatendo os despedimentos e a precariedade.

Por manifesta incúria, responsáveis municipais esqueceram-se do centenário da classificação do Mosteiro de Cete como Monumento Nacional. A Comissão Concelhia de Paredes do PCP e os eleitos da CDU, não. Por manifesta incúria não foi respeitado no Concelho o Luto Nacional pela morte de José Saramago. Os autarcas não respeitaram a memória de tão importante figura nacional e universal.

Por último, sendo o Projecto da Cidade Inteligente exposto tão importante pelo investimento propalado, pela criação de postos de trabalho anunciada e pelo prestígio nacional que se anteveria, não se compreende a ausência das principais figuras do Executivo, como Primeiro Ministro, o Ministro da Economia, o Ministro das Finanças, o Ministro da Ciência e Tecnologia, o Ministro do Trabalho, os responsáveis do Comércio Externo.
Igualmente não se compreende o alheamento das principais empresas nacionais da área tecnológica e de informação como a Portugal Telecom, a Sonae.
Ou melhor, tudo se compreenderá no futuro.
Na Assembleia Municipal começaremos a colocar as perguntas necessárias. E proponho desde já uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para tratar deste tema. E para os que invocam a redução da despesa do seu funcionamento, fica a sugestão da dispensa de pagamento das senhas de presença.


O Eleito da CDU

Cristiano Ribeiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

a carvalhesa, já com 25 anos

Carvalhesa é uma música popular portuguesa, originária de Trás-os-Montes, na zona de Tuizelo, Vinhais. A música tornou-se conhecida após ser adoptada pelo PCP como abrindo e encerrando os palcos da Festa do Avante!. A música tem duas versões, tendo sido a primeira, e actualmente mais conhecida, recolhida pelo maestro Kurt Schindler em 1932. Anos mais tarde, Michel Giacometti viria a recolher outra versão com melodia diferente. Foi gravada em 1985 em vinyl, com uma segunda edição em CD em 2001, na 25.ª edição da Festa do Avante. António Vitorino dÁlmeida construiu uma peça sobre o tema original denominada Abertura Clássica , op. 87. São os 25 anos da gravação inicial da Carvalhesa que este ano se comemoram com um magnifico concerto na noite de sexta feira da Festa.

composição /poster 2010


quarta-feira, 21 de julho de 2010

actividade institucional 3 - agravamento dos problemas laborais na região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega

Agravamento dos problemas laborais na região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega
Julho 21st, 2010 by Organização Concelhia de Paredes No comments » O PCP tem vindo a denunciar os sucessivos atropelos aos direitos dos trabalhadores e as ilegalidades que são cometidas por inúmeras empresas da região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.

Nos primeiros 6 meses do ano o PCP apresentou na Assembleia da República 10 requerimentos sobre 16 empresas em 6 concelhos desta região.

Estes requerimentos já resultaram em várias inspecções de trabalho, tendo 4 empresas sido notificadas para regularizar irregularidades e 3 empresas sido alvo de contra-ordenações.

No concelho de Paredes, destacamos a situação de 3 empresas:

ZS Mobiliário, Lda. – Empresa de mobiliário, que encerrou fraudulentamente em 28 de Junho, tendo impedido os trabalhadores de entrar na empresa após os enviar para férias e proceder à retirada de activos da fábrica (tem as máquinas e terreno em nome de familiares). Não pagou aos 12 trabalhadores os salário de Maio e de Junho (a alguns ainda devia Abril).

J.Moreira da Silva e Filhos, SA – Empresa de mobiliário, em Rebordosa, que obriga os seus 80 trabalhadores a trabalhar mais meia hora por dia sem pagamento do trabalho extraordinário.

ADC – Móveis e estofos, SA – Empresa de mobiliário em Vandoma, que obriga os seus 60 trabalhadores a trabalhar mais uma hora por dia sem pagamento do trabalho extraordinário, há mais de meio ano. A resposta da ACT confirmou a situação e instaurou contra-ordenações, tendo detectado também câmaras de vigilância de regularidade duvidosa.

No concelho de Paços de Ferreira, destacamos a situação de 3 empresas:

Profato – Empresa de Confecções, Lda. – Empresa de confecções, com 200 trabalhadores que atravessa dificuldades, reduziu os postos de trabalho e tem vindo a atrasar o pagamento dos salários (em 30 de Junho tinha 2 meses e meio de salários em atraso)

Bom Corte, Lda. – Empresa têxtil em Freamunde, ACT confirmou que paga salários abaixo do Salário Mínimo Nacional (SMN).

Nebar Têxteis, Lda. – Empresa têxtil de Freamunde, recuou no Lay-off ilegal após inspecção da ACT

No concelho de Marco de Canaveses também detectamos 3 casos:

Granidera – Granitos da Pedra D’era, SA – Empresa de granitos com 60 trabalhadores, deve o subsídio de natal de 2009, tem vindo a atrasar cada vez mais o pagamento do salário, tem também problemas também no que diz respeito ao cumprimento pela empresa das regras de higiene e segurança no trabalho.

Rosa Têxtil, Lda. – A ACT confirma irregularidades no registo do trabalho suplementar.

Inarbel – Indústria de Malhas e Confecções, Lda. – Uma das empresas caracterizadas como de sucesso na região, emprega 170 trabalhadores, recebeu no ano passado 500 mil euros de fundos de apoio a PME’s. ACT confirma que paga abaixo do SMN de forma deliberada.

No concelho de Felgueiras:

Sousas e Fernandes, Lda. – Empresa de calçado, ACT detectou irregularidades no trabalho suplementar.

No concelho de Amarante:

Senza Confecções, Lda. – A ACT confirma que não pagou na totalidade o trabalho suplementar aos trabalhadores.

No concelho de Lousada:

Lano Corte, Confecções, Lda. – A ACT confirmou que empresa paga abaixo do SMN.

As denúncias que temos vindo a fazer têm permitido resolver algumas dessas situações, repondo a legalidade e assegurando o cumprimento dos direitos de quem trabalha.

Mas a realidade comprova que a regra no mundo do trabalho nesta região não é o cumprimento dos direitos de quem trabalha, mas sim a exploração cada vez mais desumana dos trabalhadores, frequentemente associada a um clima de forte repressão e intimidação.

O contacto regular com os trabalhadores e com as populações que é levado a cabo pelo PCP comprova que grassa na região um clima de agravamento do problemas laborais nas empresas, resultado de um claro aumento da exploração dos trabalhadores.

A falta de meios humanos e materiais das autoridades inspectoras, em particular da ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) associada à orientação politica de um Governo que insiste em ser severo com os trabalhadores mas passivo e cúmplice com os patrões sem escrúpulos, tem resultado numa degradação das condições de trabalho na região.

Este trabalho permanente do PCP na defesa dos trabalhadores é o resultado também do reconhecimento pelos trabalhadores que o Partido Comunista Português tem estado sempre na linha da frente da luta por uma vida melhor para quem trabalha, por uma sociedade mais justa, daí seremos procurados por muito trabalhadores que nos comunicam estas situações.

É urgente uma mudança de rumo, uma ruptura e uma mudança de políticas, no plano imediato o PCP reclama medidas concretas e urgentes, das quais destacamos:

Reforço dos meios da ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho;
A defesa do aparelho produtivo, alargando o investimento público, apoiando as micro, pequenas e médias empresas, privilegiando o mercado interno;
Requalificação profissional e diversificação da indústria;
Criação de Emprego, combate ao desemprego e apoio aos desempregados tendo como objectivo uma política de pleno emprego, combatendo os despedimentos e a precariedade.
A Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega
19 de Julho de 2010

Artistas da Festa do «Avante!» 2010

Artistas da Festa do «Avante!» 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

manifesto para um novo rumo! intelectuais contra a resignação!

A crise não é uma fatalidade. Tem causas, responsáveis, soluções.
Resulta, em primeira instância, de um sistema económico e social iníquo, gerador de crises cíclicas que só a superação do próprio sistema pode erradicar e não as panaceias do momento, ou os devastadores conflitos bélicos que, ontem como hoje, à escala planetária ou de âmbito regional, servem por vezes de saída para as crises económicas e sociais.
No quadro internacional, é, porém, sabido que a responsabilidade pela actual situação decorre da actuação predadora, de procura do lucro a qualquer preço, que tem sido a pedra de toque da alta finança, da banca internacional, dos grandes grupos económicos (os sacrossantos «mercados», sem rosto nem escrutínio, cujo nervosismo faz tremer os países) e de todos os que, ao nível dos poderes executivos, continuam a representar os seus interesses: os directórios políticos nacionais e europeus. Mas, em todos os canais de televisão e em muita imprensa escrita, o pensamento dominante – por acção de comentadores de serviço e das chefias editoriais – visa persuadir a opinião pública de que são outras as causas da crise. Uma crise que apenas pode ser debelada por soluções drásticas cujas vítimas «inevitáveis» são as de sempre: trabalhadores da função pública e do sector privado, desempregados, reformados e pensionistas, além de uma juventude sem trabalho nem horizontes que, dia após dia, vê hipotecado o seu futuro. A todos estes são exigidos sacrifícios, que se anunciam prolongados, e de todos se espera a resignação face a uma crise de que não são responsáveis.
As políticas prosseguidas pelas forças partidárias que, há 34 anos, governam Portugal contribuíram activamente, sobretudo na última década, para que a crise tenha atingido no país as proporções que alcançou e cujos resultados estão à vista: um nível de desigualdade social sem precedentes, pobreza e desemprego galopantes, precariedade laboral, devastação ou atrofia do aparelho produtivo e assimetrias regionais de que o Porto é um gritante exemplo. Por outro lado, a privatização sem freio das principais e mais lucrativas empresas e serviços públicos, a juntar aos sucessivos ataques à Educação, à Saúde e à Segurança Social públicas, bem como aos salários e direitos de quem trabalha, põem em causa conquistas que resultaram de um longo e duro processo histórico de progresso civilizacional. Esta linha de acção política configura uma demissão crescente, por parte de um Estado que é sustentado pelos impostos dos portugueses, do que devem ser as suas obrigações sociais básicas.
As «contas» do famigerado Plano de Estabilidade e Crescimento que diariamente nos querem vender podem, e devem, ser feitas de outro modo e apontar num sentido inverso: penalizando privilégios e interesses de ricos e poderosos, combatendo a corrupção e a fuga ao fisco, apoiando a produção nacional, aproveitando os recursos do país e protegendo o emprego. Só assim há saída para a crise – e não dando rédea livre à exploração, à «flexibilização» das leis laborais, e sacrificando, ainda mais, quem trabalha e produz riqueza.
Os artistas, intelectuais e quadros técnicos subscritores deste Manifesto não se resignam e rejeitam com vigor o «pensamento único» dos aparelhos de propaganda do governo e do chamado Bloco Central de interesses que objectivamente o sustentam, com a conivência da Presidência da República; rejeitam as simplificações demagógicas dos pretensos fazedores de opinião e proclamam a necessidade de soluções efectivas para a crise, através de um novo rumo político que só a firmeza e tenacidade da luta de quem trabalha lograrão impor.

Primeiros subscritores:
Acácio Carvalho artista plástico • Alcino Soutinho arquitecto • Alexandre Vasconcelos arquitecto • Alfredo Maia jornalista • Álvaro Siza Vieira arquitecto • Amândio Secca engenheiro • Andreia Soutinho arquitecta • Anthero Monteiro escritor • António Fernando pintor • António Graça médico • António Macedo Varela advogado • António Souto professor • Armando Alves artista plástico • Arnaldo Mesquita advogado • Augusto Baptista fotojornalista • Bernardo Vilas Boas médico • Cassiano Abreu Lima médico • Cecília Cavaca arquitecta • César Príncipe jornalista, escritor • Claudino Cardoso docente do ensino superior • Conceição Bacelar médica • José da Cruz Santos editor • Emílio Remelhe artista plástico e escritor • Filipe Pires astrónomo • Francisco Duarte Mangas escritor e jornalista • Gabriela Marques lic. História da Arte • Guilhermino Monteiro professor e músico • Honório Novo engenheiro • Ilda Figueiredo economista • Inês Oliveira ilustradora e escritora • Isabel Cabral artista plástico • Jaime Toga membro da Comissão Política do PCP • João Manuel Ribeiro escritor e editor • João Viana Jorge engenheiro • Jorge Araújo editor • Jorge Machado jurista • Jorge Sarabando publicista • José António Gomes escritor, docente do ensino superior • José Caldas encenador • José Luís Borges Coelho maestro • José Pedro Rodrigues lic.Comunicação Social • José Rodrigues escultor • José Rui Ferreira professor • José Soares Martins docente do ensino superior • José Viale Moutinho escritor • Júlia Pintão artista plástica • Laura Soutinho galerista • Luís Mendonça (Gémeo Luís) ilustrador, docente do ensino superior • Manuel Faria de Almeida economista • Manuel Loff docente do ensino superior • Manuela Abreu Lima galerista • Manuela Bronze artista plástica e professora • Mário David Soares professor • Matilde Bento professora• Mário Lopes médico • Merlinde Madureira médica • Nelma Moreira docente do ensino superior • Nelson Amador tradutor • Nuno Higino escritor e professor • Óscar Lopes escritor • Pedro Carvalho economista • Roberto Machado artista plástico • Rodrigo Cabral artista plástico • Rogério Reis docente do ensino superior • Rui Pereira jornalista • Rui Sá engenheiro • Rui Vaz Pinto economista • Ruth Rodrigues professora • Sérgio Vinagre médico • Sónia Duarte professora • Valdemar Madureira economista • Vergílio Alberto Vieira escritor

segunda-feira, 19 de julho de 2010

despesas "teológicas"


Um eleito do PS na Assembleia de Freguesia de Castelões de Cepeda, freguesia de Paredes, surpreendeu a Sessão Ordinária da respectiva Assembleia de Freguesia com uma proposta: atribuir uma prenda comemorativa dos 25 anos do exercício de sacerdócio ao Sr. Padre Vitorino, responsável pela paróquia. E com a proposta para votação, trazia já um recibo da compra de uma salva de prata, no valor de 156 Euros.
Os eleitos votaram por unanimidade a pré-anunciada prenda. E o Presidente da Junta explicitou ser essa a prenda da Assembleia de Freguesia, a que se seguiria uma prenda da própria Junta de Freguesia.
Estamos perante uma inovadora interpretação da utilização dos bens e recursos públicos. Os orgãos autárquicos são utilizados para o exercício de louvaminhas, prebendas e estatuto especial, a que alguns se acham autorizados, independentemente do hipotético mérito de um julgamento particular de apreço.
Nunca deverá ter passado pelo discernimento do jovem eleito do PS a simples ideia de que se quereria homenagear alguém o deveria fazer a título individual ou mobilizando a comunidade local que lhe é afecta ou fazendo participar os eleitos da Assembleia de Freguesia a título individual na despesa, o que daria 12 Euros a cada. O mandato popular destina-se a servir os interesses da população, nos estritos conteúdos da lei.
Mas para alguns isto é muito profundo, não é?

Deolinda - A Problemática Colocação de Mastro [HQ]

DEOLINDA E O MAIOR MASTRO DO MUNDO QUE É PORTUGUÊS...

o mastro do Celso Ferreira e a margem de lucro da República

A Câmara Municipal de Paredes já não vai construir um mastro com cem metros de altura e que seguraria a maior bandeira nacional. Isto porque nenhuma empresa se disponibilizou para construir o monumento até ao valor máximo de 280 mil euros.
Como o concurso público ficou vazio, Celso Ferreira garante que o processo fica definitivamente encerrado e promete transferir a verba para a habitação social.
"Não vamos avançar com o processo", assegura Celso Ferreira. A polémica instalou-se quando a maioria PSD na Câmara Municipal de Paredes apresentou o Orçamento para 2011. Numa das rubricas, o executivo municipal destinava um milhão de euros para a construção de um mastro com cem metros de altura e com uma bandeira de Portugal que, prometia o edil, seria a maior do país e uma das maiores do mundo.
A medida logo mereceu várias críticas tanto a nível local, como nacional, mas o tema foi sendo esquecido até que, recentemente, foi aberto o concurso público para a construção do monumento.
No caderno de encargos, a autarquia acrescentou que o mastro seria edificado no Cruzeiro de Meda, em Lordelo, que seria feito em aço e com uma base em betão. A bandeira ficaria com um tamanho de 25 por 16,67 metros e o preço de construção baixaria de um milhão para 280 mil euros.
A inauguração teria lugar a 5 de Outubro, dia em que é celebrado o centenário da República portuguesa.
Porém, ao concurso público aberto pela Câmara Municipal de Paredes nenhuma empresa concorreu. É o próprio Celso Ferreira quem confirma a ausência de interessados na construção do mastro. "Houve várias consultas, mas nenhumas propostas. As empresas entenderam que a margem de lucro era mínima. O mercado assim o entendeu e nós respeitamos", explica o autarca.
Neste cenário, Celso Ferreira garante que a "Câmara não reabrirá o processo", deixando cair um projecto que, continua a defender, seria interessante para a projecção de Paredes no país. "Não fico desagradado. Este foi um projecto acolhido com entusiasmo pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, mas que devido à conjectura económica não foi possível concretizar", sustenta.
Agora, Celso Ferreira promete transferir os 280 mil euros previstos para a construção do mastro para a habitação social, nomeadamente para a requalificação de casas degradadas espalhadas pelo concelho.
Já a comemoração do centenário da República será realizada através de eventos culturais já programados. "É importante que as pessoas reflictam sobre a República, que implantou um modelo organizativo que permitiu um desenvolvimento que de outra forma era impossível de alcançar", concluiu.

(in O Verdadeiro Olhar, 16 Julho 2010)

No inicio eram os mecenas da República os que apostariam em financiar o MASTRO. Agora não há uma só empresa de construção que prescinda de margens de lucro da sua construção...Fica Celso ferreira, a Presidência da República e a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República sem o seu mastro...e nós ganhamos uma música dos Deolinda.

domingo, 18 de julho de 2010

actividade institucional

REQUERIMENTO Número / XI (.ª) PERGUNTA Número / XI (.ª)

Assunto:
Abusos na empresa J. Moreira da Silva & Filhos, S.A, (Rebordosa- Paredes)

Destinatário:
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Chegou ao nosso conhecimento um conjunto de informações que, pela sua gravidade, merecem uma urgente intervenção da ACT.
De acordo com a informação recebida, a entidade patronal da empresa J. Moreira da Silva & Filhos, S.A, sita em Rebordosa, que emprega cerca de 80 trabalhadores, exige que os trabalhadores trabalhem mais meia hora por dia, para além das 8 horas de trabalho por dia. Assim, estes trabalhadores trabalham cerca de 43 horas semanais de trabalho, sem qualquer pagamento de trabalho extraordinário.
Aliás, essa mesma entidade patronal obriga os trabalhadores a assinar o recibo de vencimento, como se tivessem trabalhado 40 horas por semana, sobre ameaça de despedimento.
Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156º da Constituição e nos termos e para os efeitos do 229º do Regimento da Assembleia da República, pergunto ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social o seguinte:
1.º Que medidas, nomeadamente inspectivas, vai esse Ministério tomar para averiguar e por termo a situação acima descrita?Palácio de São Bento, 14 de Julho de 2010

Deputado

Jorge Machado

campeões europeus de Voleibol


a selecção nacional de seniores masculinos venceu ontem na cidade espanhola de Guadalajara a Espanha por 3-1 (23/25, 25/23, 25/18 e 25/21), conquistando o troféu de vencedor da Liga Europeia de Voleibol e o seu primeiro título em competições internacionais. Parabéns à equipa nacional e ao seu técnico, o cubano Juan Diaz.

sábado, 17 de julho de 2010

blue note - herbie hancock - cantaloop island

o estado da nação socrática



"triste ironia: tão empenhado estava num tango a dois com o Passos Coelho e tenho agora de ouvir na Assembleia da República o Portas dizer que não me quer. Que faço agora?"

modernices

Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, regozijou-se há dias por o País ser um dos que melhor aproveita as novas tecnologias. Dizia mesmo, em Abril deste ano, que «Portugal é hoje líder no governo electrónico».
Não faltou muito para se perceber as facilidades que o uso dessas novas tecnologias pode proporcionar ao País.
José Sócrates terá ouvido dizer que ali para os lados de Vouzela havia umas escolas onde, por serem poucos, os meninos e meninas não aproveitavam devidamente tais tecnologias.
Acto contínuo pediu emprestado o Magalhães (é bom não esquecer que todos os ministros o usam) que o ministro Pedro Silva Pereira utiliza desde aquela demonstração em que meninos de uma outra escola só brincaram nos portáteis enquanto o primeiro-ministro esteve por perto e entrou no messenger, para dizer à ministra da Educação que desse melhor uso a tal ferramenta.
Segundo ouvi dizer, Sócrates terá mesmo afirmado que «pelo facto dessa internet ter pouco uso Portugal pode cair para segundo lugar no ranking da electrónica mundial!»
Isabel Alçada usou o skipe para mandar determinar que tais instrumentos fossem imediatamente confiscados e colocados a uso num dos mega agrupamentos que estão a ser criados para ganhar economia de escala, até porque essas escolas de poucos meninos já não se usam e são para fechar!
Na Direcção Regional de Educação do Centro um sujeito diligente, a quem confiaram o alto estatuto de director, apesar de só escrever no teclado com o indicador da mão direita enquanto segura os óculos com a esquerda (não vá ele fazer a figura de um certo secretário de Estado há dias na AR), enviou, tão rápido quando possível, um e-mail para a empresa subcontratada em regime de outsourcing responsável pela retirada de modems cujo uso médio esteja abaixo dos limites impostos pelos ratings da Moodie's e ordenou o imediato cumprimento da determinação superior.
António, um engenheiro electrotécnico a quem calhou a sorte de um contrato por três meses na citada empresa, inseriu no GPS a localidade de Mogueirães, depois de ter confirmado duas vezes o nome, e chegou lá num saltinho. Ao fim da tarde, sem internet nessa e noutras escolas de terras de nomes esquisitos, estava o progresso, novamente, em marcha!
É tão bom sermos um País moderno!

(Artigo de Opinião, de João Frazão, em Jornal Avante!, de 15 de Julho)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

fotografia- coragem na Palestina


CEGOS DO FUTURO




(a propósito da recusa de Rui Rio e da maioria PSD/CDS em atribuir o nome de José Saramago a uma rua do Porto; com uma imagem surripiada ao blog samuel-cantigueiro...)


Como são fúteis os medíocres...

como eles odeiam os que os combatem, e os denunciam...

tão habituados andam a pastar e a zurrar em espaços onde só medram as suas estúpidas vaidades

não percebem eles que Saramago habita em cada esquina da Baixa, tem a estátua de Garrett como companhia e transporta-se em voos de gaivotas levantadas do chão. Eles não percebem. Não percebem eles que o futuro não lhes curará a cegueira

quinta-feira, 15 de julho de 2010

God Is An Astronaut - Suicide By Star

OS IRLANDESES GOD IS AN ASTRONAUT. PARA OUVIR...

canta camarada canta

Canta, camarada, canta
Canta, que ninguém te afronta,
Que esta minha espada corta
Dos copos até à ponta

Eu hei-de morrer de um tiro
Ou de uma faca de ponta;
Se hei-de morrer amanhã
Morra hoje, tanto monta!

Tenho sina de morrer
Na ponta de uma navalha,
Toda a vida hei-de dizer:
Morra o homem na batalha.

Viva a malta e trema a terra
Daqui ninguém arredou!
Quem há-de tremer na guerra,
Sendo um homem como eu sou?


Tradicional da Beira Alta com letra adaptada

o regresso dos abutres

Numa intervenção nas jornadas parlamentares do PSD, que decorreram no Parlamento, Ernâni Lopes afirmou que se fosse ministro das Finanças diminuiria, “seguramente, os vencimentos dos funcionários públicos, incluindo os ministros”, com “um corte na banda dos 15, 20, 30 por cento - 15 sem dúvida, 20 provavelmente”.

“A cru. Sem explicar nada. Ou melhor, explicando que ou é assim ou não é. Não querem, então não se faz”, prosseguiu o antigo ministro das Finanças do Governo do Bloco Central.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)

PAULINHO DA VIOLA E MARISA MONTE

o triunfo da nausea

O convite originou desconforto inicialmente, a que se seguiu uma crescente náusea. Explico. Nas comemorações do Feriado Municipal do Concelho de Paredes, vão ser condecoradas em Sessão Pública com a Medalha de Ouro do Município, Maria de Lurdes Rodrigues (ex-Ministra da Educação), Margarida Moreira (ex- Directora da DREN), Maria Antónia Marques (ex-Coordenadora do CAE Tâmega) e o árbitro de futebol Jorge Sousa. Daí o convite. O reconhecimento de “proclamados relevantes serviços para o desenvolvimento e dignificação do concelho” foi aprovado por unanimidade do Executivo. Estamos perante um exercício público da mais completa irresponsabilidade e de uma superior hipocrisia.
Atribui-se a medalha de ouro a quem é reconhecida como a mais polémica e negativa Ministra da Educação do pós-25 de Abril, e que suscitou a oposição activa e a mobilização de toda a classe docente e que por tal motivo foi demitida da pasta governamental na primeira oportunidade.
Atribui-se a medalha de ouro a quem assumiu o papel de comissária política nos serviços regionais Norte da Educação, estando ligada a casos de despotismo e exercício autoritário do poder.
Atribui-se a medalha de ouro, por fim, a quem exerceu a sua actividade profissional, a sua única actividade social conhecida, nos limites do previsível e sem particular relevância, ou importância para o concelho.
Estamos perante um caso de verdadeira traficância de interesses e de mordomias, afectando PS e PSD, tão carentes de elogios mútuos, quanto de manobras dilatórias de uma inexistente demarcação.
Se a coerência imperasse nas decisões políticas no Concelho, talvez Sócrates merecesse de Celso Ferreira um apoio consistente e Celso talvez merecesse substituir Penedos na assessoria em Lisboa. Afinal PS, com ou sem D, não é tudo igual?

pintura-álvaro cunhal



enorme como os gigantes...

carta para Josefa

A crónica “Carta para Josefa, minha avó”, foi publicada por José Saramago, em 14 de Março de 1968, no jornal lisboeta “A Capital”.
A velha senhora era analfabeta. É emocionante pensar que, 30 anos depois da publicação da carta, o neto dela receberia o Prémio Nobel de Literatura.
Eis a crónica:
“Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo.
Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua”.

terça-feira, 13 de julho de 2010

"Are you there?" - Mono (2008)

MONO, GRUPO JAPONÊS, UM DOS EXPOENTES DO POST-ROCK

sinto-me vigiado



vitalino canas, um dos fiéis...

como se fosse a lili caneças...

Recentes notícias colocam a questão do discurso e da realidade. Do discurso que ilude a realidade, da realidade que se sobrepõe ao discurso. O perigo está na construção de um discurso que, inatingível, é a realidade de um projecto vazio. Paredes nisso quer-se exemplar. Será que alguém sabe o que é
-a Porta do Design Hub-Paredes, que tem por objectivo (cito) “a territorialização, ao nível do contexto urbano, através da criação de um espaço iónico no centro da cidade, numa lógica de laboratório urbano vivo (“living lab”) onde o design impera”? Não, não sabemos.
Será que alguém sabe o que é
-uma (cito) “Incubadora para o Design de Mobiliário e Artes Decorativas e Oficinas Criativas, com outras funções de carácter criativo e multidisciplinar”? Não, não sabemos.
Será que alguém sabe o que é
- uma (cito) “nova centralidade na Região Norte, com um polo urbano criativo, focado no design de mobiliário e artes decorativas”? Não, não sabemos.
Será que alguém sabe o que é um (cito) “Circuito Aberto de Arte Pública e Regeneração Urbana do Centro da Cidade de Paredes”? Não, não sabemos.
Porém, já nos explicaram tudo. É assim como...uma mulher de meia idade, disposta a mudar de visual parta renovar a imagem e conservar-se jovem. Com o chamado “lifting facial”.
Imaginem a Lili Caneças. A seu modo, assim vai ser Paredes no futuro. Intervenções mais ou menos cirúrgicas no tecido urbano. Concursos públicos, projectos, prémios, muita reflexão e análise.
Um discurso qualificado a prometer um criativo vazio de realizações.
Paredes e o lifting facial, como se de máscaras se pudesse construir o futuro.
Paredes e a silicónica tentativa de esconder as rugas, as estrias, a flacidez, a celulite.
Paredes e a incapacidade de se limpar, se assoar, se assumir como verdadeiramente renovada.
O discurso e a imagem real. Hub...(seja lá o que isso seja!)

poema (dedicado a Cavaco Silva)

Dificuldade de governar

Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar.
Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra
nunca mais haveria guerra.
E atrever-se ia a nascer o sol
sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
ele nasceria por certo fora do lugar.

E também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica.
Sem o patrão
as paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses:
Quem, de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?
e que seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.

Ou será que
governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht
(Tradução de Arnaldo Saraiva)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

The National - Little Faith Castle Rock Session Pitchfork.tv

a quadratura

O recente programa televisivo A QUADRATURA DO CÍRCULO foi um exercício laborioso de expurgação do termo NEOLIBERALISMO do discurso dos comentadores residentes. O resultado foi tudo, menos conseguido. Ficou uma sensação idêntica à experimentada por quem ousasse falar de corda em casa de enforcado.

O termo, complexo, identifica claramente uma teoria e prática política capitalistas, em que se sobrepõe o interesse colectivo pelos interesses individuais, expressos pela não participação do estado na economia, pela politica de privatização de empresas estatais, pela livre circulação de capitais internacionais, por uma liberdade de comércio sem limites, ausência de mecanismos de regulação e controlo da propriedade, dos preços e serviços, pela negação dos impostos como instrumento de justiça social. o neoliberalismo só beneficia as grandes potências e as empresas multinacionais, criando desemprego em massa, salários baixos e aumento das diferenças sociais e da dependência do capital estrangeiro. Não sendo portanto, no tempo presente, muito popular, percebe-se que queime a boca de quem se dissesse arauto.

Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa torceram a História recente para não reconhecerem o neoliberalismo em quaisquer dos seus protagonistas. Guterres não era liberal, Durão Barroso tão pouco, Santana fugia disso como o diabo da cruz, Paulo Portas fazia fogueiras inquisitórias nas feiras que frequentava, Sócrates é mauzinho mas esse curso não tirou na Independente. O Blair sendo da terceira via não podia ser Neoliberal, Sarkosy tão-pouco, Berlusconi não conhecia nenhuma senhora com esse nome e a senhora Merkel era alemã e o neoliberalismo nascera com Friedman que era americano.

Portanto, ficavam os espectadores a saber que tal entidade não existe, e se existir foi obtida através das escutas ilegais pelos delegados regionais da procuradoria de Aveiro.

E terminaram o programa gritando viva portugal!

25 de abril

25 DE ABRIL – SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 11 de julho de 2010

actividade institucional

REQUERIMENTO

Cristiano Manuel Soares Ribeiro, eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Paredes, no âmbito do Artigo 60º do Regimento da Assembleia Municipal de Paredes e nomeadamente da sua alínea b), que define os direitos dos membros da Assembleia, requer através da Mesa desta Assembleia ao Executivo Camarário o esclarecimento seguinte:

A Câmara Municipal de Paredes e o Instituto da Droga e da Toxicodependência celebraram um protocolo de intervenção chamado “Previne Paredes”. O objectivo do referido programa será actuar nos diferentes níveis dos problemas relacionados com a toxicodependência.
Tendo em conta a duração estimada do programa de 2 anos, solicita-se o respectivo cronograma de actividades.

Paredes, 10 de Julho de 2010

a minha votação para as maravilhas de Portugal- o Pico






as férias açorianas de 2008 e o pico tão perto e afinal tão longe...
ou como o impossível se torna possível com um sacrifício que convém não repetir...

um forte compromisso, a usf s.martinho

http://usfsaomartinho.com

sábado, 10 de julho de 2010

esta depressão que me anima- a naifa

uma boa surpresa - para ouvir repetidamente...

resposta necessária

AS VÍTIMAS DAS IDEIAS RETRÓGRADAS


A Dr.ª Maria José Nogueira Pinto achou que era altura de fazer um diagnóstico da aplicação da Lei da IVG (no Diário de Notícias de 1 de Julho). Está no seu direito. Mas fê-lo em termos de uma perspectiva pessimista, desajustada e trágica da realidade. Um ajuste de contas desapiedado com a Lei surgiu-lhe como imperativo político na sua agenda de intervenção social.
Cita em suporte da sua tese as opiniões do presidente da Comissão Nacional de Ética. Mas sobretudo elenca os velhos e estafados argumentos dos adversários da Lei e dos princípios que a enformam.
A Dr.ª Maria José Nogueira Pinto (MJNP) não fala da situação anterior á entrada da lei: não fala do aborto clandestino, da criminalização da mulher quando da interrupção da gravidez por sua vontade, da violência de uma gravidez não desejada e não planeada, das consequências psicológicas e físicas de um aborto clandestino, da desigualdade efectiva então vivida pelas mulheres perante o seu estatuto social. Limita-se a acusar levianamente as mulheres de “caprichosas”, “egoístas”, “desmazeladas” e “irresponsáveis”. São (recorrentemente) acusações graves, insensatas e tradutoras de uma atitude que não ajuda ou compreende mas culpabiliza.
Os números indicadores da aplicação da Lei são perfeitamente normais, e traduzem uma evolução natural, como foi possível verificar em outros países com outro percurso histórico. A Dr.ª Maria José Nogueira Pinto sabe que os números oficiais traduzem uma imagem real da situação, ao contrário do que acontecia anteriormente. De um número estimado em 15 a 20.000 casos anuais em situação de clandestinidade, passou-se para um número ligeiramente superior.
Mas o pé da Dr.ª Maria José Nogueira Pinto descamba para uma insuportável demagogia quando ela afirma que os adeptos do Sim sabiam que a Lei não iria “resolver nada”.
O seu desconhecimento actual da realidade da IVG em Portugal, da acessibilidade a esses cuidados, da resposta de serviços públicos e privados, em hospitais e centros de saúde, do profissionalismo e ética dos profissionais envolvidos, do grau de satisfação dos utentes, do método(s) usado (s) na perspectiva da segurança e eficácia, não lhe permitem dizer algo mais do que isso. É por isso básico, escandalosamente superficial, o seu “resolver nada”
As perguntas a que objectivamente MJNP se recusa responder são mais sérias. Quantas mulheres foram violentadas na sua vontade de livremente (e responsavelmente) optarem por uma IVG? Quantas foram as situações em que da aplicação da lei houve risco de vida para as utentes da IVG? Quantas foram as complicações físicas ou psicológicas ou mortes por IVG? E se foram ou não sensibilizadas nessa altura para a necessidade de frequentar /utilizar os serviços de Planeamento Familiar? Quem é que neste momento tem a experiência concreta da avaliação psicológica, e social das mulheres em situação de gravidez não desejada?
Os profissionais envolvidos, como eu, não admitem que do alto da sua pseudo superioridade moral, considere banais actos médicos perfeitamente normalizados e sujeitos a registo e controlo. Também não lhe atribuímos qualquer direito sagrado a questionar valores ou a condicionar a liberdade e responsabilidade dos profissionais envolvidos. O SNS de recursos escassos e necessidades crescentes da Dr.ª Maria José Nogueira Pinto é o mesmo que muitos dos profissionais envolvidos nas equipas de IVG militantemente defendem, contra a lógica do desperdício, pela qualidade e autonomia e em defesa do serviço público. E responsavelmente lhe dizem que não confundem liberalização com reconhecimento de direitos.
As proclamadas por Maria José Nogueira Pinto “vítimas dos abortos” não são senão as suas ideias retrógradas.

indispensável

O Comum da Terra

…a Vasco Gonçalves
14-5-76

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tantas palavras que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
Vento areias mastros lábios, tudo ardia.

Eugénio Andrade

sexta-feira, 9 de julho de 2010

registos da história

Em 18 de Maio de 2005 encerrou a Vissuto Confecções, empresa de confecções instalada no lugar de Pias, em Castelões de Cepeda, Paredes, por decisão do Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia. O Tribunal tinha ordenado o imediato despejo das instalações.
Foram afectados assim cerca de 200 trabalhadores que laboravam numa empresa que não estava em dificuldades pois tinha uma boa carteira de encomendas e de clientes e o pagamento de salários estava devidamente regularizado. Utilizava como subcontratadas empresas em Matosinhos, Amarante, Felgueiras e Penafiel.
Mas porque a Vissuto ocupava instalações e equipamento industrial da Fucsia – Confecção de Vesrtuário, Lda, que se encontrava falida, com dívidas ás Finanças e à Segurança Social, o Tribunal actuara pondo em risco a viabilização da empresa, a manutenção dos postos de trabalho e a produção nacional.
Os trabalhadores estiveram mais de um mês à porta da empresa, em condições precárias. Foi promovida uma manifestação dos trabalhadores, maioritariamente mulheres, frente à Câmara. A GNR tentou dissuadir os trabalhadores, utilizando meios desproporcionados.
O PCP cedo mostrou a sua solidariedade, com a presença física de dirigentes nacionais e regionais. Foi apresentada uma moção pelos eleitos da CDU na sessão ordinária da Assembleia Municipal de 18 de Junho de 2005. Foi apresentado um Requerimento pelo Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República em 19 de Maio de 2005, defendendo a intervenção do Mistério do Trabalho e da Inspecção Geral do Trabalho.
O Avante de 25 de Junho de 2005 relatava o ocorrido, divulgando um comunicado da Direcção Subregional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP.

enquanto uns ditos competentes dormiam...

A Comissão Concelhia de Paredes do PCP evoca o centenário da classificação como Monumento Nacional do Mosteiro de São Pedro de Cête por Dec de 16/6/1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910.


A Comissão Concelhia de Paredes do PCP considera indispensável que as autarquias envolvidas (Câmara Municipal e Junta de Freguesia) sensibilizem outras entidades como o IPPAR e a Rota do Românico para a devida comemoração de tão importante acontecimento.

pensamento

quando a morte nos sobrevoa as vidas, parecendo querer ser tema omnipresente, experiência penosa, é bom poder ler as palavras sábias dos poetas…


COMÍCIO

Vivam, apenas.

Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
a transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na Morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só
são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A Morte é para os mortos.

José Gomes Ferreira

quinta-feira, 8 de julho de 2010

interrogações e angústias de um leigo

A recente apresentação no Auditório da Casa da Cultura de Paredes do Projecto da Cidade Inteligente constituiu a meu ver um exercício raro de incapacidade de concretizar uma ideia, expondo-a com verdade.
Afinal no início todos se interrogavam: o que era a Cidade Inteligente?
A sessão foi pouco clarificadora. No fim pergunta-se: que “Cidade Inteligente” irá existir no futuro?
Uma promotora, a Living PlanIt, dispõe-se a dar origem a uma cidade tecnológica a construir dentro de 2 a 3 anos, chamada Planit Valley. Um dos primeiros inquilinos da cidade visionária é a Cisco Systems com quem a Planit Valley assinou uma carta de intenções para a construção de um Centro de inovação Global para serviços em rede.
Onde se localizará a cidade das novas tecnologias? Em 17 km2, em terrenos das freguesias de Parada de Todeia, Recarei, Sobreira e Aguiar de Sousa, do sul do Concelho de Paredes. Em terrenos ainda não adquiridos, indefinida a entidade aquisitora (Câmara Municipal? Planit Valley? Ambas?) embora se fale em financiamento bancário. A 1.ª fase do projecto reserva o direito de se instalar em 40 ha, com investimentos de 10 mil milhões de euros, com dezenas de milhar de postos de trabalho e 12.000 parceiros de pequenas e médias empresas .
O Secretário de Estado da Energia e Inovação Carlos Zorrinho apadrinhou a iniciativa, deixando expressas palavras de indesmentível entusiasmo. Certamente muito mais foi dito, mas a ausência de tradução das intervenções em Inglês de alguns dos mais importantes protagonistas dificultou a busca dos contornos reais do Projecto. Acresce que o tempo previsto no convite para perguntas e respostas se reduziu a uma informal conferência de imprensa nos Jardins da Casa da Cultura dada pelos protagonistas estrangeiros á comunicação social, sem presença ou participação do restante público.
Há perguntas que não sendo até à data respondidas deixam forte dúvidas no ar.
Qual a verdadeira dimensão do empreendimento, área envolvida e limitação funcional /administrativa da nova cidade?
Qual a política de expropriações, compra de terrenos, direitos dos proprietários que não querem vender as suas propriedades?
Quais as alterações do PDM concelhio?
Quais as mais valias criadas para as freguesias e populações, serviços comuns com a nova Cidade, e dividendos das empresas localizadas na Cidade inteligente?
Alega-se que há muito caminho andado, muito estudo elaborado, muito projecto parcelar. Não duvidamos. Refere-se a existência de um necessário sigilo, uma confidencialidade benéfica. Sabe-se contudo que o interesse público exige respostas adequadas, transparentes e não dúbias. Não se compreende que as autarquias locais, as freguesias, não sejam informadas.
Sendo o Projecto assim exposto tão importante pelo investimento propalado, pela criação de postos de trabalho anunciada e pelo prestígio nacional que se anteveria, não se compreende a ausência das principais figuras do Executivo, como Primeiro Ministro, o Ministro da Economia, o Ministro das Finanças, o Ministro da Ciência e Tecnologia, o Ministro do Trabalho, os responsáveis do Comércio Externo.
Igualmente não se compreende o alheamento das principais empresas nacionais da área tecnológica e de informação como a Portugal Telecom, a Sonae.
Ou melhor, tudo se compreenderá no futuro.
Na Assembleia Municipal começaremos a colocar as perguntas necessárias. E proponho desde já uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para tratar deste tema. E para os que invocam a redução da despesa do seu funcionamento, fica a sugestão da dispensa de pagamento das senhas de presença.

uma boa referência...



  1. Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de Maio de 1818 — Londres, 14 de Março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que actuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.
    O pensamento de Marx influencia várias áreas, tais como Filosofia, História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Psicologia, Economia, Comunicação, Arquitectura, Geografia e outras. Em uma pesquisa da rádio BBC de Londres, realizada em 2005, Karl Marx foi eleito o maior filósofo de todos os tempos.
    Encontrando-se deprimido por conta da morte de sua esposa, ocorrida em Dezembro de 1881, Marx desenvolveu, em consequência dos problemas de saúde que suportou ao longo de toda a vida, bronquite e pleurisia, que causaram o seu falecimento em 1883. Foi enterrado na condição de apátrida, no Cemitério de Highgate, em Londres.
    Em 1954, o Partido Comunista Britânico construiu uma lápide com o busto de Marx sobre sua tumba, até então de decoração muito simples. Na lápide encontram-se inscritos o parágrafo final do Manifesto Comunista ("Proletários de todos os países, uni-vos!") e um trecho extraído das Teses sobre Feuerbach: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras, enquanto que o objectivo é mudá-lo”

terça-feira, 6 de julho de 2010

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...porque um nome nada diz...ou pode dizer demais...
she and bobby mcgee é um registo pessoal de opiniões, intervenções, experiências, gostos... e até silêncios.
os meus interesses são variados e traduzem a busca do novo na harmonia do existente. she and bobby mcgee é revolucionário como Guevara, persistente como o Sol, profundo como o Amor. Janis forever!