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domingo, 16 de julho de 2017

registo da história

Apresentação do livro Paredenses na Grande Guerra 1914-1918 

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal, Dr. Celso Ferreira
Exma. Sra. Dra. Hermínia Moreira, vereadora do Pelouro da Cultura
Estimados convidados e membros das instituições aqui presentes
Minhas senhoras e meus senhores

O tema musical que acabámos de ver e ouvir interpretar neste vídeo é o toque do silêncio. Este toque marca o último momento da jornada de qualquer militar. Ele assinala o tempo do regresso ao quartel, do recolhimento, do descanso, da paz. E diz a tradição ou a lenda, que a origem do tema remonta a 1862, no cenário da guerra civil americana.
Em breves palavras, conta-se que, durante a noite, um capitão ouvira gemidos de um soldado caído em terreno neutro. O capitão decidiu arriscar a sua própria vida e trazer o inimigo ferido para as suas linhas. Não conseguiu, contudo, impedir que o soldado acabasse por falecer. Ao pedir iluminação para ver o rosto do soldado, o capitão teve o maior choque da sua vida. O soldado inimigo era, afinal, o seu próprio filho. Havia-se alistado no exército confederado sem o conhecimento do pai, que era oficial do lado adversário. O capitão pediu então autorização aos superiores para fazer um funeral com honras militares, o que foi autorizado apenas em parte. Não tendo sido autorizada a presença da banda de músicos do exército, o capitão pediu a um corneteiro que o acompanhasse. O soldado falecido era músico e compositor. Entre os seus pertences fora encontrada uma partitura, aparentemente escrita pelo próprio, e que o capitão entregara ao corneteiro para a tocar no funeral: era o toque do silêncio. Ao longo dos anos o tema tornou-se verdadeiramente universal. Foi e é tocado hoje por todos os exércitos de todas as nações, mesmo quando se confrontam tenebrosamente entre si. Assim aconteceu também durante a Primeira Guerra Mundial.
O silêncio que é evocado pode ter múltiplos sentidos. Pode ser o silêncio da trégua, o silêncio da acalmia ou o silêncio do alívio. Mas pode ser também o silêncio profundo do adeus, o silêncio do fim da vida, ou até o silêncio do frio e longo esquecimento.
Há relativamente poucos meses, numa estação de rádio pública, no âmbito da evocação da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, foi revelada pela primeira vez uma gravação áudio de um testemunho do famoso «soldado milhões». Aníbal Augusto Milhais, ou Milhões, que se destacara galhardamente na sangrenta e trágica batalha de LaLys, ao ponto de ser distinguido com a mais alta condecoração da hierarquia militar, ele contava, nessa mesma gravação, de viva voz, à sua neta: «Na véspera do 9 de Abril, disse aos meus companheiros: estou muito contente com o sonho que tive. Sonhei com a santa da minha terra. Sonhei que ela estava a rir-se muito para mim.» Há histórias que se tornam rápida e amplamente conhecidas. É fácil, hoje, ouvir falar do famoso «soldado milhões». É fácil conhecer os seus feitos, ouvir gravações do seu testemunho, saber desta comovente memória de ter sonhado com a santa padroeira que estava lá longe, na pequenina igreja da terra de onde partiu. Mas mais difícil será conhecer o percurso daqueles que há muito permanecem no silêncio.
E, por isso, perguntamo-nos, à semelhança do «soldado milhões», dos seus sonhos e preces com a padroeira da sua terra: quantas vezes, naquele inferno das trincheiras do norte de França, se terá rezado a São Salvador de Lordelo? Quantas vezes, no meio de ferozes bombardeamentos, terão sido murmuradas preces a Santa Eulália de Sobrosa? Quantos  pedidos, dolorosos e desesperados, terão sido feitos a S. Miguel de Gandra, a São Romão de Mouriz, a São Tomé de Bitarães ou a Santo Estêvão de Vilela? Quantas orações foram rezadas, na calidez deletéria de África, à Senhora do Bom Despacho de Recarei, ou à Senhora do Ó de Duas Igrejas? Como é evidente, não é possível chegar a tal detalhe de informação, tão íntima e tão privada. Mas hoje podemos saber, nós paredenses, que o sangue derramado em África e em França, entre 1914 e 1918, naquela que foi a maior catástrofe que a humanidade conhecera até então, é o mesmo sangue que ainda nos vai correndo nas veias.
A data de hoje, 14 de Julho, não foi escolhida para a apresentação desta obra por mero acaso. Nem sequer por coincidir com as festas da cidade. É que faz exactamente hoje 100 anos, precisamente por volta desta mesma hora, que partiu para França o maior contingente de militares paredenses mobilizados para a frente europeia, a caminho daquele que seria o maior sacrifício das suas  vidas. O trabalho que hoje apresentamos, fruto de uma investigação que durara tanto como a própria guerra – quatro anos – é a história desses homens. E é também um pedaço importante da história do concelho durante a Primeira República.
Gostaria de fazer uma singela menção àquela flor vermelha que aparece na capa do livro. Para a generalidade dos portugueses a sua simbologia não é imediata. Contrariamente ao que acontecera nos países anglo-saxónicos, onde vingou e vinga ainda hoje como símbolo inconfundível da Primeira Guerra Mundial, e mais latamente de todos os veteranos de guerra, no nosso país a papoila nunca se popularizou como marca de uma presença, de uma luta e de um sacrifício que também foi dos portugueses. As papoilas crescem em abundância na região da Flandres, e no meio das mais atrozes e violentas incidências da Grande Guerra, naqueles cenários devastadores e sombrios, os soldados reparavam – e alguns deles deixaram escrito nas suas memórias – que essa “flor da trincheira” continuava, teimosamente, a crescer e a multiplicar- se. Rubra, viva, erguida e triunfante.
Depois da tragédia de La Lys, travada a 9 de Abril de 1918, um dos oficiais do Corpo Expedicionário Português e homem desta terra, o capitão (mais tarde coronel) José Ribeiro da Costa Júnior, percorreu os hospitais à procura de paredenses. Entre aqueles que encontrou estava o soldado Manuel Neto da Silva, natural de Duas Igrejas.
Ferido gravemente por gases tóxicos, sofrendo em grande agonia, teve ainda forças para fazer um pedido ao seu conterrâneo. Não pediu medicamentos. Não pediu médicos ou enfermeiros. Estas foram as suas palavras: “Meu capitão, peço-lhe que me deixe ir morrer à minha terra.” Costa Júnior conseguiu repatriar o soldado.
Manuel regressou à sua terra, onde morreu e foi sepultado, quatro anos depois da batalha de La Lys. Morreu vitimado precisamente pelas complicações de saúde causadas pela inalação de gases tóxicos.
Nem todos, porém, puderam cumprir o desejo de regressar. Estão sepultados, até hoje, doze paredenses em África e sete em França. Sr. Presidente da Câmara Municipal, permita-me a ousadia de terminar com um pedido que é, simultaneamente, um desafio. Prometi a mim mesmo, no dia em que visitei as sepulturas dos quatro paredenses inumados em Richebourg, que lhe transmitiria esta simples mensagem. Peço-lhe, pois, que seja o primeiro Presidente de Câmara de Paredes, a visitar oficialmente o Cemitério Militar Português em França. Peço-lhe que toda a carga simbólica da sua presença, como figura cimeira da terra que viu nascer aqueles homens, seja o sinal que falta para se cumprir o desígnio da memória. Peço-lhe que vá até junto daqueles que não conseguiram vir morrer à sua terra.
Termino, desde já, agradecendo-lhe. Obrigado por ter apoiado este projecto e por ter tornado possível a sua publicação em livro. Obrigado em meu nome, mas também em nome de todos aqueles que, como eu, se interessam pela história do concelho. Estou certo ainda de que o meu agradecimento se estende às famílias de todos os combatentes paredenses na Grande Guerra.
Na contracapa do livro, uma citação que sintetiza a sua apresentação: «São estes os heróis de que se não fala, senão no dia em que uma bala acerta nestes pobres cântaros, fartos de ir silenciosamente à fonte.»
Muito obrigado.

Ivo Rafael Silva

Paredes, 14 de Julho de 2017

Led Zeppelin - Swan Song

sábado, 15 de julho de 2017

CRISPAÇÃO E RESPONSABILIDADE


Importa relembrar a alguns, tão mobilizados para a crispação interpartidária em Paredes, que no âmbito da gestão dos órgãos metropolitanos da Área Metropolitana do Porto foi eleita uma equipa executiva de consenso PS e PSD , e que perante situações  de insatisfação dos autarcas de Paredes e da sua população, como no caso do Andante, só a esses membros eleitos dessa equipa deverá ser pedida responsabilidade politica bem como aos partidos que a sufragaram. 

CR

Pergunta Parlamentar

Assunto: Atrasos na resposta aos utentes por parte do serviço de urologia do Hospital São João - Porto

Destinatário: Ministro da Presidência e da Modernização Administrativa

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

O grupo parlamentar do PCP recebeu, recentemente, uma informação que dá conta de atrasos na resposta do serviço de Urologia do Hospital São João do Porto.

De acordo com a informação recebida, os médicos de família que referenciam utentes para a consulta de urologia do Centro Hospitalar São João estão a ser informados que, devido à redução de recursos humanos e devido a atraso de resposta nos MCDTS, internos ou externos, este serviço não aceita o doente referenciado para a primeira consulta.
Também na informação é transmitido que não há previsão de quando é que o problema será resolvido, pelo que os utentes ficam sem consulta.

Importa, por fim, referir que o Centro Hospitalar São João no Porto é o hospital de fim de linha, pelo que é inaceitável tal resposta e que a portaria 153/2017, de 4 de maio admite um tempo máximo de resposta garantido para uma consulta normal de 120 dias.

Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156º  da Constituição e nos termos e para os efeitos do 229º do Regimento da Assembleia da República, pergunto ao Ministério da Saúde o seguinte:

1.o Confirma este Ministério a presente situação? Se sim, como a justifica?

2.o Que medidas vai este Ministério tomar para colmatar, com urgência, o problema acima descrito?

Palácio de São Bento, quarta-feira, 12 de Julho de 2017

Deputado(a)s

JORGE MACHADO (PCP)
ANA VIRGÍNIA PEREIRA (PCP)
DIANA FERREIRA (PCP)