um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 24 de setembro de 2017

DESFAZENDO O CENÁRIO MONTADO

Era um cenário idílico, o da Alemanha actual, construído pelos meios de comunicação social do sistema. Uma economia pujante, uma solução governativa original, uma liderança política invejável da senhora Merkel. E já tínhamos todos interiorizado isto, estas pseudo verdades ditas e reditas, pelos habituais papagaios. Porém, os resultados eleitorais de hoje desmentem tudo. Os partidos da coligação governantes perderam cerca de 20% da anterior votação e cerca de 100 deputados. Tanto para a direita da CDU/CSU como para os social-democratas do SPD foram os piores resultados desde 1949. Afinal a economia não está tão pujante como isso (com o flagelo do trabalho a tempo parcial a disfarçar as verdadeiras taxas de desemprego), nem a Europa está sólida no percurso para o federalismo.


CR 

sábado, 23 de setembro de 2017

A guerra dos cruzeiros

por César Príncipe

A Restauração da Independência Portuguesa bastante deve à rebelião catalã/Guerra dos Ceifeiros/ Segadors (1640-1652). O poder de Castela foi obrigado a dispersar forças e não suportaria duas frentes prolongadas e activas, além de se haver exaurido na Guerra dos Trinta Anos. Mas foquemos a Actual e Eterna Questão Catalã. Desde o séc. XII (marco do primeiro sacudimento português do jugo ibérico) que a Catalunha tem pugnado por diversas formas de autonomização/independência. Conseguiu estatuto especial por breves períodos. Os processos de emancipação foram sendo esmagados pelas armas ou adiados através de contratos nupciais. Os povos eram herança de reis e rainhas. Que o diga Carlos V, unificador de coroas continentais e territórios ultramarinos e estadista-modelo da Europa Federal. Que o diga a Espanha Moderna: cede de boa e livre-vontade a soberania à UE, à NATO, ao FMI, aos potentados económicos e financeiros e encara o referendo catalão como um intolerável desafio à soberania espanhola e à sobranceria madrilena.
Para já, o Governo de Mariano Rajoy, El franquito. prende governantes e manifestantes e apreende cartazes, boletins e urnas. Para já, não manda cruzadores. Embarca (em cruzeiros) membros da Guardia Civil e agentes do Cuerpo Nacional de Polícia. Os ferrys de antidisturbios (Rhapsopdy/Moby Dada/GNV Azzurra) têm capacidade para acolher 6.000 efectivos. Mas o problema não é policial nem judiciário e nunca foi nem será resolvido militarmente. É de renegociação matrimonial ou negociação divorcial. Em Setembro de 1945, as autoridades japonesas assinaram a Rendição a bordo do USS Missouri. Em Setembro de 2017, a Acta é redigida a bordo do GNV Azzurra. Mas Barcelona não é Hiroshima nem está à mercê da Aviazione Legionaria (1937-1939). E a República da Catalunha não será uma fiesta para os cuerpos. Há milhões de pessoas indignadas nas ruas. Há milhares de guardas vistos como estrangeiros.
Generalíssimo Rajoy, quem não se rendeu em oito séculos não se renderá nos próximos dias.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

VITÓRIA DOS TRABALHADORES

Lista G foi a mais votada para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE

Abril Abril

A Lista G, apoiada pelos sindicatos da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN), foi a mais votada nas eleições, decorridas esta terça-feira, 19, para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, com 8315 votos.

Numa nota enviada às redacções, a Frente Comum informa que, segundo os resultados provisórios, «a lista G obteve 8315 votos, elegendo três dos quatro membros sufragados directamente pelos beneficiários para integrarem o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE».
A estrutura sindical acrescenta que, «do apuramento dos resultados pelo método de Hondt, a lista G elegeu Francisco José dos Santos Braz, António José Coelho Nabarrete e Manuel Bernardino Cruz Ramos», congratulando-se com os resultados da lista que concorreu com o lema «Por uma ADSE Pública e dos Trabalhadores».
Face ao número reduzido de beneficiários que participaram nas eleições – 18 421 votantes, dos quais foram obtidos 18 067 votos válidos, 187 votos nulos e 167 votos em branco –, a Frente Comum reafirma o protesto apresentado ontem pelos membros da lista G contra a forma como o processo eleitoral decorreu, «pervertendo grosseiramente os princípios democráticos».
A nota lembra que a lista G lamenta e contesta «que a ADSE não tenha organizado e divulgado de forma clara, como lhe competia, este acto eleitoral», de forma que todos os candidatos «pudessem ser conhecidos com a devida antecedência», e a existência «de tão exíguos locais de votação, reduzidos à expressão mais simples, constatando-se a existência de longas filas, originárias de esperas para votação calculadas em mais de duas horas».

O comunicado divulgado ontem também denunciava que um grande número de beneficiários, com direito a voto, não recebeu a senha que solicitaram para fazer uso do voto electrónico, sendo que alguns tinham solicitado uma segunda via que lhes foi recusada.

domingo, 17 de setembro de 2017

U2 - You’re The Best Thing About Me

PARA A CDU É TEMPO DE FALAR CLARO

Após um processo de auscultação das populações, de reuniões com colectividades e Instituições diversas, no sentido de conhecer as suas preocupações e encontrar solução para os problemas com que os paredenses e o concelho de Paredes se defrontam, eis chegada a hora para a CDU de construir objectivos e compromissos. Destaco algumas propostas e linhas de orientação:

1.º Reposição das 24 freguesias do concelho
É sabido que a reorganização administrativa, concretizada por Miguel Relvas mas que nasceu no interior da direcção do PS, não respondeu a necessidades reais das populações, e desencadeou em muitos lugares insatisfação e desconforto, privando essas freguesias do apoio diário de alguém por si eleito, e da sua confiança, perante problemas reais. A reposição das freguesias será desencadeada e concretizada se as populações auscultadas assim o quiserem.

2.º Alargamento da rede de Saneamento
É verdadeiramente terceiro-mundista a rede existente em Paredes. Afastada a intenção do governo anterior de condicionar a construção de rede de saneamento á integração dos subsistemas de distribuição de água em algumas freguesias do concelho, urge encontrar respostas e investimento que responda a essa necessidade, elegendo como primordial a garantia do saneamento em todo o concelho e a recuperação da gestão pública das redes de abastecimento de água e de recolha e tratamento de resíduos sólidos, assegurando preços justos para os munícipes.

3.ºReforço do apoio social a idosos
Constitui um problema actual, e seguramente mais grave no futuro, a ausência de apoio com lares e residências a idosos, cuja fragilidade perante a velhice e a doença, exigirá justas respostas generalizadas. A dependência não se satisfaz com filhos sem condições de assistência aos seus pais, nem pais conscientes do peso que constituem para os filhos. 

4.ºAlargamento da rede de creches e jardins de infância
A defesa da natalidade, invertendo a tendência para a diminuição da taxa de natalidade exige também medidas que assegurem a total cobertura da rede pública de jardins de infância para as crianças a partir dos 3 anos de idade.

5.º Gestão Democrática e participação das populações
É necessário garantir um funcionamento dos serviços da autarquia transparente e que fomente a participação das populações. Aprofundar a ligação da Câmara e da Assembleia Municipal com as freguesias. Garantir o cumprimento do estatuto do direito da oposição. Pugnar por uma gestão municipal que assente no rigor, na transparência e na exigência, cumprindo e respeitando os direitos dos trabalhadores da autarquia e combatendo o recurso ao trabalho precário.

6.º Desenvolvimento económico - Defesa de políticas que apoiem a produção local e a criação de empregos com direitos. Desburocratizar os serviços municipais, apoiar e estimular a actividade das PME´s, incentivar o comércio local. Criação de um gabinete municipal de apoio à indústria tradicional e ao comércio local, com pessoal técnico qualificado de apoio.
Promover o aproveitamento sustentado dos vários recursos regionais e locais, exigindo também ao governo a concretização de investimentos públicos há muito anunciados para a região e uma maior dotação de verbas provenientes de fundos comunitários para as autarquias. Exigir do Governo a revogação das portagens na A41/A42.

7.º Habitação, Urbanismo e Mobilidade - Estudar a realização de parcerias com o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana que permitam implementar projectos que promovam a compra ou aluguer de habitação a custos controlados. Garantia de uma política urbanística que resista às pressões e interesses imobiliários, assegurando regras de construção que acautelem a defesa do interesse público municipal, a mobilidade, a defesa da Reserva Ecológica e Reserva Agrícola Nacional e a promoção da qualidade de vida no concelho de Paredes. Elaboração de um plano de mobilidade que garanta a melhoria dos transportes públicos no concelho e o reforço das ligações entre as freguesias e a sede do concelho.

9.º Cultura e Património - Promoção de uma política municipal de fomento do acesso à cultura e fruição cultural, desenvolvendo linhas de apoio aos criadores municipais. Assegurar a programação de iniciativas que, tendo a Biblioteca Municipal e a Casa da Cultura como elementos estruturantes, garantam um calendário anual de iniciativas nas diversas freguesias e capazes de envolver públicos com interesses e motivações diferenciadas.

10.º Associativismo, Desporto, Lazer e Tempos Livres - Concretização de políticas municipais que assegurem o acesso generalizado à prática desportiva e o apoio ao livre desenvolvimento das formas populares de criação e fruição, de associativismo e vida cultural e recreativa. Apoiar a gestão de forma integrada da rede de Equipamentos, articulando responsabilidades centrais, municipais, de freguesia, escolares e associativas. Promover o apoio isento e transparente ao movimento associativo do concelho, reconhecendo o papel crucial que tem o associativismo na vida do concelho. Criação de um programa de apoio à informatização e utilização das novas tecnologias nas colectividades do concelho.

11.º Bem estar dos Animais - Melhorar as condições de funcionamento e acolhimento no canil municipal. Estudar a possibilidade de construção de um Gatil municipal. Promover, em articulação com as entidades especializadas, processos adequados de controlo reprodutivo e adopção, complementados com informação e formação aos adoptantes, no sentido de lhes facultar competências específicas. Reforçar o estabelecimento de parcerias com as associações de defesa e protecção dos animais, no âmbito das suas competências específicas, ampliando os apoios municipais.

CR

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

AO FIM DA TARDE

 É a nossa televisão em horário nobre depois das 20h. Fala-se do Orçamento a apresentar brevemente e objecto de negociação com os partidos que de qualquer forma podem viabilizar esse Orçamento. Miguel Sousa Tavares surge impante. É a vedeta daquele comentário televisivo. E o disparate e a inverdade jorram sem limites, sem contraditório. O sector público do Estado não foi afectado pela crise e pelas políticas dos governos de direita, disse. E acrescentou que não houve encerramento de serviços, de sectores, de postos de trabalho. Sousa Tavares mente e sabe que mente. Sabe que houve então encerramento de escolas, de centros da segurança social, reduziu o número de trabalhadores, aumentou a precaridade, diminuiu drasticamente os rendimentos desses trabalhadores. E sabe que é disso que se negoceia, a reversão de uma injustiça. Mas Miguel Sousa Tavares tem aí o privilégio de contar as suas “historiazinhas”. Como a afirmação sua de que as greves serem exclusivo dos trabalhadores do sector público. 

Mas há quem não fique atrás de Miguel Sousa Tavares. Fátima Campos Ferreira, esse pilar da direita no audiovisual, no seu Prós e Contra, mente menos, mas manipula mais. Na escolha do tema e dos convidados, na condução do programa. O tema era o conflito laboral na AutoEuropa. A diabolização dos responsáveis do conflito, no caso os trabalhadores, e os sindicatos e a sustentação de apoio aos desejos da empresa, da “sua” Comissão de Trabalhadores. Vale tudo até o papel “esquerdalho” da intervenção de uma Raquel Varela, eminência parda da sociologia “de gauche”. As razões objectivas de uma greve são embrulhadas numa teia de diversões, falsidades, incompreensões, que torna tudo opaco e por isso mais desinteressante. Tal como a empresa fazia com a “sua” CT, tenho fundadas certezas que a produção encena a discussão com alguns dos “seus” convidados.

É a CS que temos. Vendida, militantemente organizada para servir interesses profundos, na trincheira de classe com os poderosos. 

 CR